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Direito Internacional   Thiago Borges

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Direito Internacional 
 1ª Avaliação - 31/03 
2ª Avaliação - 28/05 
Bibliografia: 
- Curso de Direito Internacional Público e Direito Comunitário – Thiago Borges 
- Curso de Direito Internacional Público - Valleerio Magozzi 
- Direito Internacional Público curso elementar -Francisco Rezek (mais clássico) 
-Curso de Direito Internacional Público- Celso Albuquerque de Mello 
- Direito Internacional- Maicon Shaw 
AULA- 05/02 
Sociedade Internacional 
Parte da doutrina entende sociedade internacional como comunidade internacional. Porém, seguindo uma doutrina 
alemã, deve haver a distinção entre o que seja uma sociedade e uma comunidade. Em uma comunidade, os interesses 
comuns prevalecem sobre os individuais, prevalece o coletivo diante de um conflito. Já numa sociedade, os interesses 
individuais prevalecem. Os interesses coletivos só vão prevalecer quando potencializarem os interesses individuais, isto 
é, quando a conjunção dos interesses resultar em um efeito melhor para as partes. Eventualmente, pode ser que algum 
interesse individual venha a colidir com um interesse coletivo, e nesse caso o sujeito pode admitir ceder o seu querer. 
O âmbito internacional é de comunidade ou sociedade? Alguns doutrinadores pensam em comunidade internacional. 
Mas a realidade é que o âmbito internacional reflete uma sociedade, mais do que uma sociedade. Dizer que os Estados 
convivem em uma comunidade internacional é mais uma manifestação de desejo do que algo de fato que aconteça. 
Afinal de contas, os Estados só participam de acordos coletivos na medida dos seus respectivos interesses. O que 
prevalece, na verdade, é a ideia de soberania estatal. 
A ideia de sociedade internacional, decorre em grande parte, além da questão da soberania, da fragmentação do 
ordenamento internacional – não há um único sistema, um único ordenamento internacional. Existem vários 
ordenamentos internacionais que podem ser chamados no todo de ordenamento internacional, mas não há aqui uma 
sistematicidade. Temos, por exemplo, no âmbito internacional, um ordenamento que decorre da ONU – promove uma 
série de acordos internacionais no âmbito da sua atuação, levando à assembleia geral uma votação de vários acordos. 
Mas paralelo ao sistema da ONU, existe, por exemplo, o sistema da OMC – Organização Mundial do Comércio. Esse 
sistema não é conectado com o da ONU, mas ultimamente tem se aproximado com a ONU. Além disso, existem 
sistemas regionais como a Liga dos Estados árabes. Essa fragmentação revela a inexistência de uma comunidade 
internacional. 
O que há mais próximo do que se poderia chamar de uma comunidade de estados seria a União Europeia por conta da 
sua força de convergência normativa, e isso tem a ver com a delegação de competências soberanas dos Estados para a 
União, o que faz com que certos atos da UE sejam obrigatórios para todos os Estados. A compreensão de que vivemos 
em uma sociedade internacional é também importante acerca da diferença interna existente entre os Estados, a forma 
como eles são. Os Estados são todos diferentes e o Direito Internacional deve ser apto a minimizar essas diferenças. 
Então, vivemos numa sociedade internacional, pautada na lógica da soberania, embora haja um desejo de construção 
de uma comunidade internacional. Quem deveria desempenhar esse papel seria a ONU, mas a sua estrutura não lhe 
permite exercer uma governança global. Não havendo uma entidade supranacional, que possa estabelecer uma 
desfragmentalização do ordenamento internacional, não há como caminhar para ser uma comunidade internacional. 
A sociedade internacional é o ambiente onde se relacionam os Estados soberanos. Surge junto com os Estados 
soberanos, porque desde que eles começaram a surgir já tiveram que se relacionar, pelo menos para estabelecer seus 
limites fronteiriços que delimitam o seu poder soberano. Entretanto, com o passar do tempo, a sociedade internacional 
foi se tornando cada vez mais complexa, com o reconhecimento de novos sujeitos e atores. Temos na sociedade 
internacional, convivendo com os estados soberanos as organizações internacionais que são criação dos Estados que 
foram dotadas de personalidade internacional. As organizações internacionais são sujeitos de direitos internacionais 
singulares e surgiram como espaço público de tomada de decisões coletivas, mas evoluíram estruturalmente, no 
decorrer do século XX, a ponto de os Estados reconhecerem a sua personalidade internacional. 
Além disso, a sociedade internacional também é composta por outros atores como a Santa Se, que se relacionou com os 
Estados de igual para igual desde o seu surgimento, e por conta disso é considerada como um sujeito do Direito 
Internacional. É o caso também, da Cruz Vermelha, criada no século XIX, para promover o direito humanitário (é 
diferente de direitos humanos, referindo-se ao direito que visa proteger os neutros- pessoas envolvidas num conflito 
internacional). Há também os grupos armados beligerantes, que podem ser de várias naturezas – fundamentalistas, 
insurgentes, revolucionários. Esses grupos não são sujeitos do Direito Internacional, mas eventualmente sujeitam-se 
aos ditames internacionais. Também importa citar as ONG’s - organizações não governamentais de caráter global, 
nesse contexto de sujeitos internacionais. Outros atores também são as empresas transnacionais, que sofrem 
consequências de tratados internacionais. Quando os Estados vão fazer acordos internacionais é normal que as 
empresas envolvidas sejam chamadas a se manifestarem. 
Pode-se perceber então, que a sociedade internacional é multifacetada, em que convivem sujeitos e com atores – que 
atuam, mas não contraem obrigações. Essa lógica multifacetada do Direito Internacional exige ao aplicador do direito 
que trabalha com essa realidade muito cuidado com a aplicação dessas normas em relação àqueles que são sujeitos e 
aos atores. Ex- FIFA e Brasil – Houve a formação de um convênio na copa, mas a FIFA não é uma entidade internacional. 
Não se pode confundir esse acordo com o tratado, porque a FIFA não é sujeito de Direito Internacional, então ela é 
regida pelo seu Direito interno. É diferente, por exemplo da OEA- Organização dos Estados Americanos, que é um 
sujeito de Direito Internacional. Se imaginarmos que a haja uma quebra de acordo entre Brasil e FIFA, isso não pode 
ser levado a um Tribunal Internacional, porque a FIFA não é sujeito de Direito Internacional. O que resta aqui é a 
arbitragem internacional, e neste momento várias normas internacionais se aplicam. A FIFA, mesmo não sendo sujeito 
de direito internacional, se submete as normas internacionais. 
 
Ordenamento internacional 
 
O ordenamento internacional é composto das seguintes normas: princípios internacionais – construídos historicamente 
e que representam os valores fundamentais protegidos nas demais normas do ordenamento; costumes internacionais; 
tratados internacionais. A origem do Direito Internacional é essencialmente costumeira, só entre o século XIX e XX é que 
inicia o processo de positivação. Durante essa época, os tratados serviam apenas de forma bilateral. As normas que 
estabeleciam fronteiras, relativas a diplomacia, por exemplo, eram costumeiras. Por fim, a terceira fonte do Direito 
Internacional são os tratados/convenções internacionais, que são normas formais. 
Além dessas normas, o ordenamento ainda tem outras normas como os atos unilaterais de organizações internacionais, 
à exemplo das resoluções do Conselho de Segurança. Trata-se de um ato decisório, tomado pelo Conselho de 
Segurança. As organizações internacionais são sujeitos singulares, por isso as resoluções do Conselho de Segurança são 
atos unilaterais, porque expressam uma manifestação das organizações. Também podem ser incluídos no arcabouço 
normativo internacional a jurisprudência das Cortes Internacionais. Inclusive, havendo varias cortes internacionais
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