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Universidade Federal da Grande Dourados Dourados – MS Diálogos e contribuições 6, 7 e 8 de outubro de 2016 SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES Diálogos e contribuições Universidade Federal da Grande Dourados Dourados – MS 6, 7 e 8 de outubro de 2016 Comitê científico Adir Casaro do Nascimento (UCDB) Aline Castilho Crespe (UFGD) Alvaro Banducci Júnior (UFMS) Antônio Dari Ramos (UFGD) Antônio Hilário Urquiza Aguilera (UFMS) Beatriz dos Santos Landa (UEMS) Cátia Martins Paranhos (UFGD) Célia Maria Foster Silvestre (UEMS) Diógenes Egídio Cariaga (PPGAS/UFSC) Elâine da Silva Ladeia (UFGD) Eliel Benites (UFGD) Esmael Alves de Oliveira (UFGD) Graciela Cândida Arguello Chamorro (UFGD) Graziele Dainese (UFGD) Grazieli Acçolini (UFGD) Graziella Reis de Sant'Ana (UFGD) Izaque João (Museu do Índio) João Machado (FUNAI) Jones Dari Goether (UFGD) José Licínio Backes (UCDB) Judite Stronzake (UFGD) Judite Gonçalves Albuquerque (UNEMAT) Juliana Grasieli Bueno Motta (UFGD) Lauriene Seraguza Olegário e Souza (PPGAS/USP) Leif Grunewald (UFGD) Levi Marques Pereira (UFGD) Márcio Ferreira da Silva (USP) Maria Aparecida Mendes de Oliveira(UFGD) Micheli Machado (SEMED/Dourados) Neimar Machado de Souza (UFGD) Noêmia dos Santos Pereira Moura (UFGD) Protásio Paulo Langer (UFGD) Renata Lourenço (UEMS) Rosa Colman (UFGD) Rosely Aparecida S. Pacheco (UEMS) Simone Becker (UFGD) Teodora Souza (UFGD) Tonico Benites (MN/UFRJ) Veronice Lovato Rossato (SED/MS) SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES Comissão organizadora Aline Castilho Crespe Ane Caroline dos Santos Antonio Dari Ramos Arnulfo Morinigo Átila Maria do Nascimento Corrêa Bruna Santos de Andrade Bruna Cardoso Paulo Cátia Paranhos Martins Edir Neves Barbosa Elaine da Silva Ladeia Eliel Benites Ellen Cristina de Almeida Gabriel dos Santos Landa Graziele AcçoliniGraziele Dainese Heiracles Mariano Hildyanne Teixeira Ijean Gomes Riedo Jéssica Maciel de Souza Judite Stronzake Julierme Moisés Lopes Juvenal da Silva Laura Jane Gisloti Lauriene Seraguza Olegário e Souza Leandro Lucato Moretti Leif Grunewald Levi Marques Pereira Maíza Almeida de Souza Maria Aparecida Mendes de Oliveira Mariana Pereira da Silva Marlene Gomes Leite Neimar Machado de Sousa Nívia Maria Trindade dos Santos Olinda Siqueira Correa Viana Oscar Frank Junior Rafael Allen Gonçalves Barboza Rafael Rondis Nunes de Abreu Raul Claudio Lima Falcão Reginaldo Candado Rosa Sebastiana Colman Rosalvo Ivarra Ortiz Silvana Jesus do Nascimento Tatiane Maíra Klein Vera Lucia Pael Capa e projeto gráfico: Tatiane Maíra Klein Foto capa: Casa de reza Dona Floriza e Seu Jorge, Aldeia Jaguapiru, Dourados/MS. Acervo pessoal: Lauriene Seraguza Olegário e Souza Foto resumo: Kurusu Ambá, Coronel Sapucaia/MS. Acervo pessoal: Rafael Rondis Nunes de Abreu Apoio SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES Apresentação O Seminário Internacional Etnologia Guarani: diálogos e contribuições emerge da necessidade de encontro e conversas entre pesquisadores indígenas e não indígenas em especial estudiosos e demais interessados sobre os povos falantes da língua guarani. O evento é uma parceria entre a área de ciências humanas da Licenciatura Intercultural Indígena Teko Arandu e o Programa de Pós-Graduação em Antropologia Sociocultural – PPGAnt/UFGD. Trata-se de evento conjunto entre a Faculdade Intercultural Indígena – FAIND e a Faculdade de Ciências Humanas – FCH, ambas da Universidade Federal da Grande Dourados – UFGD. O público alvo são os alunos do curso de Licenciatura Intercultural Indígena Teko Arandu, demais cursos da UFGD, de outras universidades e a sociedade em geral. O cone sul do Mato Grosso do Sul atualmente é habitado por mais de 50 mil pessoas, Guarani e Kaiowá, distribuídos em dezenas de comunidades e variadas formas de assentamento. Conta com a presença de várias instituições de ensino superior, acessadas por centenas de indígenas na graduação e na pós- graduação. Assim, o estado tornou-se um expoente campo produtor de conhecimento e receptor de pesquisadores de distintas localidades e instituições que buscam produzir conhecimento nas diversas áreas sobre e com os indígenas falantes de guarani, denominados no Mato Grosso do Sul como Kaiowá e Guarani. Ademais, a Universidade Federal da Grande Dourados comemora em 2016 dez anos da criação do primeiro curso específico para a população indígena Kaiowá e Guarani. Trata-se da Licenciatura Intercultural Indígena Teko Arandu, lotada na Faculdade Intercultural Indígena. Esta faculdade conta atualmente com mais de 200 acadêmicos cursistas e cerca de 120 professores kaiowá e guarani licenciados. Em MS, há 15 anos atrás, não havia um único professor indígena com formação diferenciada. O VII Fórum de Educação Escolar Indígena, reunido na Aldeia Jaguapiru, Dourados – MS, contou com mais de 600 professores indígenas habilitados em cursos de formação de nível superior e médio. A estimativa do Fórum é que há, no estado, 800 profissionais indígenas de diversas etnias atuantes nas escolas indígenas. Este contexto confere relevância à reflexão sobre o papel dos professores indígenas em suas comunidades e os SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES desafios da consolidação de uma educação diferenciada em sintonia com as necessidades das comunidades. Temos assistido nas últimas décadas o recrudescimento das disputas territoriais com grande impacto sobre as populações indígenas do estado que vivem confinadas em reservas superpovoadas ou em áreas precárias à beira das rodovias, acampamentos e retomadas. Este cenário marca profundamente as especificidades do trabalho de campo em etnologia no Mato Grosso do Sul, pois é preciso considerar as experiências destas populações que afetam a sociedade do entorno e as universidades. A produção de conhecimento junto a comunidades indígenas em Mato Grosso do Sul é constantemente desafiada a contribuir no diálogo entre as iniciativas de intervenção do Estado e as demandas das comunidades. Este momento de intercâmbio e troca de saberes proporcionará aos acadêmicos e pesquisadores das instituições de ensino e pesquisa e da sociedade em geral, um espaço de diálogos e de intercâmbios de experiências de trabalho de campo e abordagens metodológicas e teóricas. MAIS INFORMAÇÕES: https://www.facebook.com/etnologiaguarani SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES Programação Quinta-feira, 06/10/2016 AAnnffiitteeaattrroo ddaa RReeiittoorriiaa –– UUFFGGDD,, UUnniiddaaddee II 7h30 Jehovasa e Bro'MCs 8h Mesa de abertura 8h20 MESA REDONDA | Modos Indígenas de Conhecimentos e Educação Escolar Indígena Conferencistas: Marta Azevedo (Unicamp), Dominique Gallois (CEstA/USP) e Eliel Benites (FAIND/UFGD) | Debatedora: Teodora Souza (FAIND/UFGD) | Mediador: Antonio Dari Ramos (FAIND/UFGD) 11h Mostra de vídeo ASCURI | “Água: os guardiões do rio Apa e “Retomada Teykue” 12h Almoço 14h GRUPOS DE TRABALHO SSaallaass ddee aauullaa –– FFAAIINNDD ee FFCCHH,, UUnniiddaaddee IIII Gênero e geração em sociedades indígenas Coordenadoras: Lauriene Seraguza Olegário e Souza (FAIND/UFGD) e Graziele Dainese (FCH/UFGD) | Debatedoras: Célia Foster Silvestre (UEMS) e Mariana Pereira (UFMS)Territórios e Territorialidades indígenas Coordenadoras: Rosa Sebastiana Colman (FAIND/UFGD) e Juliana Grasieli Bueno Motta (FCH/UFGD) | Debatedoras: Graziella Reis de Sant'Ana (FCH/UFGD) e Eliel Benites (FAIND/UFGD) Educação Escolar Indígena em situações reserva, de acampamento e de retomada Coordenadores: Veronice Lovato Rossato (SED-MS), Noêmia dos Santos Pereira Moura (FCH/UFGD), Maria Aparecida Mendes de Oliveira (UFGD/FAIND) | Debatedoras: Judite Gonçalves Albuquerque (UNEMAT), Adir Casaro do Nascimento (UCDB), Anari Felipe Nantes (Secretaria Municipal de Educação) Saúde indígena Coordenadores: Catia Paranhos (FCH/UFGD) e Leandro Lucato Moretti (PUC- SP) |Debatedor: Esmael Alves de Oliveira (FCH/UFGD) e Aline Castilho Crespe (FCH/UFGD) Direitos indígenas e indigenistas SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES Coordenadores: Luiz Henrique Eloy Amado (PPGAS/MN/UFRJ) e Marco Antônio Delfino de Almeida (MPF/MS) | Debatedor: Luiza Gabriela Meyer (MPF/MS), Antônio Hilário Aguilera Urquiza (UFMS) Rituais e práticas religiosas indígenas Coordenadores: Izaque João (Museu do Índio) e Antonio Dari Ramos (FAIND/UFGD) | Debatedora: Graziele Acçolini (FCH/UFGD) Movimentos Indígenas Coordenadores: Neimar de Sousa Machado (FAIND/UFGD) e Otoniel Ricardo (ATY GUASU) | Debatedor: Jorge Gomes (ATY GUASU) Regime de circulação de saberes indígenas Coordenadores: Cândida Graciela Chamorro Arguello (FCH/UFGD) e Augusto Ventura dos Santos (CestA/USP) | Debatedores: Lídio Cavanha Ramires (SED Caarapó) e Leif Ericksson Nunes Grunewald (FCH/UFGD) Estado e política indigenista Coordenadoras: Edir Neves Barbosa (FAIND/UFGD) e Silvana Jesus do Nascimento (PPGAS/UFRGS) | Debatedores: Renata Lourenço (UEMS) e José Manuel Flores Lopez (UNICAMP) Metodologias em pesquisas em etnologia indígena Coordenadoras: Beatriz dos Santos Landa (UEMS) e Tatiane Klein (CestA/USP) | Debatedores: Rodrigo Amaro de Carvalho (PPGAS/MN/UFRJ) e João Paulo Lima Barreto (UFAM) Demarcação de Terras Indígenas Coordenadores: Rosely Aparecida Stefanes Pacheco (UEMS) e João Machado (FUNAI) | Debatedores: Diogo Oliveira (FUNAI) e Victor Ferri Mauro (UFMS) 19h30 Sarau – Casa dos Ventos Sexta-feira, 07/10/2016 AAnnffiitteeaattrroo ddaa RReeiittoorriiaa –– UUFFGGDD,, UUnniiddaaddee II 7h30 Jehovasa e Orquestra Guarani Caarapó 8h30 MESA REDONDA | Saberes e práticas na produção e recuperação do território Conferencistas: Bartomeu Melià (CEPAG-PY), Maria Inês Ladeira (CTI-SP) e Jorge Servin (INECIP – PY) | Debatedora: Leila Yvy Katu (ATY GUASU) | Mediadora: Maria Aparecida Mendes de Oliveira (FAIND/UFGD) 11h Mostra de vídeo ASCURI | “Fogo Panambizinho” e “Pehengue Reko” 12h Almoço 13h30 Pa'i Kuara Rendy (Grupo de teatro) SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 14h MESA REDONDA | Contribuições da Antropologia para as pesquisas em epistemologias indígenas Conferencistas: Elizabeth Pissolatto (UFJF), Gilton Mendes (UFAM) e João Paulo Lima Barreto (UFAM) | Debatedora: Aline Crespe (FCH/UFGD) | Mediador: Neimar Machado (FAIND/UFGD) 16h Mostra de vídeo ASCURI | “Cerro Marangatu” e “Yvy Katu” 18h MESA REDONDA | Movimentos Kaiowá e Guarani em MS Conferencistas: Rosalino Ortiz (ATY GUASU), Tonico Benites (ATY GUASU, PPGAS-MN-UFRJ), Celso Aoki e Jorge Gomes (ATY GUASU) | Debatedor: Spensy Pimentel (UFSB) | Mediador: Levi Marques Pereira (FAIND/FCH) Sabado, 08/10/2016 AAnnffiitteeaattrroo ddaa RReeiittoorriiaa –– UUFFGGDD,, UUnniiddaaddee II 7h30 Jehovasa e Ñemongo'i (Grupo de dança) 8h Mostra de vídeo ASCURI | “As Aventura de Perurimã” e “Tajuja” 9h MESA REDONDA | Saberes, cosmos e seus habitantes Conferencistas: Valéria Macedo (Unifesp), Roseli Concianza e Valdomiro Aquino (ATY GUASU), Adriana Testa (Unicamp) | Debatedora: Lauriene Seraguza (FAIND/UFGD) 11h30 Almoço 13h30 MESA REDONDA | Formas de existir e de transformar Conferencistas: Izaque João (Museu do Índio), Tatiane Klein (CEstA/USP), Gersen Baniwa (UFAM) | Debatedor: Anastácio Peralta (ATY GUASU) | Mediador: Leif E. Grünewald (FCH/UFGD) 15h40 Leitura de documento final 16h Encerramento e chicha com os mestres tradicionais SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES Programação dos Grupos de Trabalho Local: Bloco A, FAIND – Unidade II Início: 14h 1. Gênero e Geração em sociedades indígenas Coordenadoras: Lauriene Seraguza (FAIND/UFGD) e Graziele Dainese (FCH/UFGD) Debatedora: Célia Foster Silvestre (UEMS) e Mariana Pereira (UFMS) Local: UFGD, Unidade II, Bloco A, sala 01 Autores Título Antonio Dari Ramos Masculinidades em conflito nas missões jesuíticas com indígenas Célia Maria Foster Silvestre Entretempos: os jovens kaiowá e guarani e a educação escolar indigena Elk Kelly Francismara Rodrigues Célia Maria Foster Silvestre Os guarani kaiowa da aldeia Guapo’y e o trabalho nos canaviais Daniele Lourenço Gonçalves Amon-Rá Antunes Bandeira de Melo Mulheres Terena da Aldeia Brejão T.I. Nioaque: Construção social e de gênero Davi Benites Mitãkarai: batismo de crianças guarani ñandeva no tekoha Potrero Guasu, município de Paranhos, MS Janes Romero A saúde da mulher Kaiowa nos dias atuais na Paraguasu Kelly Duarte Vera Dificuldades das mulheres Guarani e Kaiowa para concluir os estudos Lauriene Seraguza Olegário e Souza Notas sobre sexualidades e modos de resolução de conflitos entre os Kaiowa e Guarani Lindomar Lili Sebastião Os avanços das mulheres terena no campo de representação sociopolítico Mariana Pereira da Silva Gestação e Parto na perspectiva das Jarýi e das Agentes Indígenas de Saúde (AIS) Marlene Ricardi de Souza Mulheres Kaiowá e Guarani: invisibilidade e pertencimento Nívia Maria Trindade dos Santos Fernanda S. Fernandes Noêmia S.P. Moura Quem são elas? As trajetórias das mulheres intelectuais indígenas no ensino superior: experiências das Kaiowá e Guarani na Licenciatura Intercultural – Teko Arandu/UFGD Tania Fatima Aquino A iniciação feminina no contexto escolar Kaiowa Panambizinho: mitã kunhã ikoty onhemondya SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES GT 2 A: Territórios e Territorialidades Indígenas Coordenador: Eliel Benites (FAIND/UFGD) Debatedor: Graziella Reis de Sant'Ana (FCH/UFGD) Local: UFGD, Unidade II, Bloco A, sala 02 Autores Título Aluizio Alfredo Carsten Noticias do valuto: presença e resistência indígena na bacia do rio das cinzas Beatriz Véra Árvores nativas no pirajuí Cajetano Vera Larvas de Aramanday Guasu (rhynchophorus palmarum (linnaeus, 1958)) coleoptera: curculionidae como alimento tradicional entre os guarani ñandéva, na aldeia pirajuí, município de paranhos, mato grosso do sul: uma visão de segurança alimentar e sustentabilidade social Celuniel Aquino Valiente Uma análise da dinâmica social da reserva de Amambaí por via de conflito entre as Famílias kaiowá e Guarani Elâine da Silva Ladeia Alterações da paisagem e território ambiental: uma introdução à influência no ñande reko dos Guarani e Kaiowá Eliel Benites Teko, Tekoha ha Ñe’� como Fundamento da Educação Kaiowá Guarani Eliel Benites Gilmar Galache Renata Oliveira Costa O PROGRAMA MOSARÁMBIHÁRA: semeadores do bem viver Kaiowá Fábio do Espírito Santo Martins Terra Indígena Tekoá Mirim: Dissonâncias entre a Fala Mbyá Guarani e a Voz do Estado Gilmar Galache O audiovisual como ferramenta de luta pela garantia da retomadados territórios tradicionais guarani, kaiowá e terena: a experiência da ASCURI como fortalecimento do jeito de ser dos Povos Indígenas do Mato Grosso do Sul SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES GT 2 B: Territórios e Territorialidades Indígenas Coordenador: Rosa Sebastiana Colman (FAIND/UFGD) Debatedor: Juliana Grasieli Bueno Motta (FCH/UFGD) Local: UFGD, Unidade II, Bloco A, sala 03 Autores Título Hildyanne Teixeira Costa Cruz Aline Castilho Crespe Comunidade indígena Apyka’i: formas de acomodação e preconceito Jerusa Cariaga Alves Etonomotânica: finalidade de uso das espécies presentes nos Quintais Agroflorestais da Reserva Te’yikuê, Caarapó – MS. Jéssica Maciel de Souza Antonio Hilário Urquiza Aguilera Etnografia das crianças Kaiowá da aldeia Laranjeira Ñanderu: a importância do território para a retomada das práticas culturais Juliana Grasiéli Bueno Mota O nosso lugar é tudo isso, o que a gente vê e não vê! O tekoha para os Guarani e Kaiowá em diálogo com o conceitos de território Norivalson da Silva Vieira Estela Márcia Rondina Scandola Diversidade de povos e formas de presença indígena no território do CRAS Vida Nova, em Campo Grande- MS Paulo Apolinario Bispo Lauriene Seraguza Olegário e Souza Relações Sociais entre a Aldeia Indigena Jaguapiré e Assentamento Vitoria da Fronteira Rafael Allen Gonçalves Barboza Recordações da “Invernadinha”: Justiça cega em Terra de índio onde quem mata é os fazendeiros Rayane Pereira G. Costa Clóvis Antonio Brighenti Memórias e práticas transfronteiriças do povo Guarani Renan Pinna Nascimento O sarambi entre os Avá-Guarani como via de acesso para pensar ás disputas contemporâneas de demarcação de terras SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES GT 3 A - Educação Escolar Indígena em situações reserva, de acampamento e de retomada Coordenadores: Noêmia dos Santos Pereira Moura (FCH/UFGD) Debatedoras: Anari Felipe Nantes (Secretaria Municipal de Educação) Local: UFGD, Unidade II, Bloco A, sala 04 Autores Título Algacir Amarília O Pibid interdisciplinar na aldeia guapo`y - Amambai Cleberson Ferreira Observação das aulas na Escola Municipal Indígena Araporã na aldeia Bororo, Dourados/MS Delfino Borvão PEDAGOGIA ARA KUATIA KARAI e ARA KUATIA KARAI REKO AVAETE GUARANI KAIOWÁ Emguyra , ara kuatia e na Perspectiva da comunidade ALV de Amambai MS Edimar Araujo Vanessa lescano Martins Material Indígena Francieli de Oliveira Meira O ensino de geografia: caminhos para a interculturalidade na educação escolar indígena Hemerson Vargas Catão Apontamentos Iniciais da Antroponímia Kaiowá. Ivanuza da Silva Pedro Maria Aparecida Mendes de Oliveira As casas de reza Kaiowá do Panambizinho: saberes indígenas e educação escolar Katia Regina Moura de Castro Etnografia Escolar na Reserva Indígena de Dourados: A problemática da língua materna Leticia Fernandes II Mostra Cultural Guarani Nhandewa: estratégias de ensino/aprendizagem entre os Guarani Nhandewa num contexto de retomada entre os indígenas da TI Ywy Porã/Posto Velho SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES GT 3 B - Educação Escolar Indígena em situações reserva, de acampamento e de retomada Coordenadores: Maria Aparecida Mendes de Oliveira (UFGD/FAIND) Debatedoras: Adir Casaro do Nascimento (UCDB) Local: UFGD, Unidade II, Bloco A, sala 05 Autores Título Edson Escalante Conhecimento Kaiowá no ensino de matemática: proposta de material didático Marina Oliveira Barboza Brandão “A gente só copia”: concepções sobre o ensino de língua portuguesa em contexto indígena Marlene Gomes Leite Laura Roseli Pael Duarte e Thaiane Coral Fernandes Educação escolar indígena: “fazer falar o papel” Maurício José dos Santos Silva A efetividade do acesso de indígenas à educação superior e os desafios para a permanência. Mbo'y Jegua'i - Clara Almeida Barbosa Desafios e experiências enquanto estudante indígena de pós-graduação Micheli Alves Machado Multiculturalismo e diversidade cultural na reserva indígena de dourados- rid Rejane Aparecida Rodrigues Candado Formação continuada de professores: os saberes indígenas na escola municipal tekoha guarani Renata Silva de Souza Marta Coellho Castro Troquez Educação infantil indígena e as leis que garantem este direito SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES GT 3 C - Educação Escolar Indígena em situações reserva, de acampamento e de retomada Coordenadores: Veronice Lovato Rossato (SED-MS) Debatedoras: Judite Gonçalves Albuquerque (UNEMAT) Local: UFGD, Unidade II, Bloco A, sala 06 Autores Título Rodrigo Novais de Menezes Educação e Diversidade: Onde cabe a diferença? Rosane Gonçalves Costa Ozorio Bianca Gabrieli Marafiga e Eliane Aparecida Miquiletti A interculturalidade na escola – a importância cultural para o século XXI Sandra Procópio da Silva Maristela Aquino Isfram e Anastácio Peralta Educação Escolar Indígena: entre a busca do Bem Viver e a realidade de luta pela terra Selma das Graças de Lima Antropologia e Educação: Uma etnografia da participação de alunos indígenas nas escolas públicas da cidade de Dourados. Solange Rodrigues da Silva Flaviana Gasparotti Nunes Educação escolar indígena nos municípios de Amambai (MS), Caarapó (MS) e Dourados (MS): geografias menores como potencialidade para diálogos interculturais Tania Milene Nugoli Moraes Antonio Hilário Aguilera Urquiza A relação com o aprender na aldeia Laranjeira Ñanderu: as crianças e o aprender Wagner Duran Educação tradicional dos guarani (tekoha Pirajui) na fronteira entre Paraguai e Brasil, MS SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES Gt 4 - Saúde indígena Coordenadores: Catia Paranhos (FCH/UFGD) e Leandro Moretti (PUC-SP), Debatedor: Esmael Alves de Oliveira (FCH/UFGD) e Aline Castilho Crespe (FCH/UFGD) Local: UFGD, Unidade II, Bloco A, sala 07 Autores Título Adriele Freire de Souza Das falas contidas e vozes interditadas aos movimentos estratégicos de resistência: uma reflexão sobre as práticas institucionais de uma instituição hospitalar no MS Catia Paranhos Martins Desaprender 8 horas por dia: psicologia na saúde indígena Danilo Cleiton Lopes Atenção diferenciada à saúde indígena no município de Dourados, MS. Fernanda Casagranda Verônica Gronau Luz Segurança alimentar e nutricional: uma análise histórica das políticas voltadas aos indígenas no brasil Giuliana Mattiazzo Pessoa Suicídios Guarani Kaiowá: Território Tradicional e Identidade Étnica (tekoha) Leandro Lucato Moretti Modos de beber e sentidos do uso de bebidas alcoólicas em áreas indígenas: aproximações da psicologia social a perspectivas Kaiowá e Guarani. Lucia Pereira Lauriene Seraguza Olegário e Souza Plantas medicinais na cultura guarani kaiowá Paula Aparecida dos Santos Rodrigues Oguata Pyahu e o desafio de SUStentar (trans)formações e diretos em um novo caminhar na Saúde Indígena Regiani Magalhães de Oliveira Yamazaki Levantamento de teses produzidas nas Universidades do Brasil sobre Saúde Indígena no período de 1998-2016. Sonia Pavão Extração e usos de remédios de origem animal e vegetal na aldeia Limão Verde/amambai-ms Tatiane Pires Medina Saúdeda mulher Guarani da Reserva Pirajuí de Mato Grosso do Sul SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES GT 5 - Direitos indígenas e indigenistas Coordenadores: Luiz Henrique Eloy Amado (PPGAS/MN/UFRJ) e Marco Antônio Delfino de Almeida (MPF/MS) Debatedor: Luiza Gabriela Meyer (MPF/MS), Antônio Hilário Aguilera Urquiza (UFMS) Local: UFGD, Unidade II, Bloco A, sala 08 Autores Título Adenilda Rocha Vilhalva Dom Quetito e sua família Edemir Braga Dias Ronsagela Angelin Cultura e direito frente aos conflitos territoriais com povos indígenas: um olhar sob o enfoque da transconstitucionalidade Jorge Pereira da Silva A circulação de dinheiros e mercadorias entre os Kaiowa e Guarani no comércio de Amambai-MS Lazaro Vera Familias kaiowá nos ervais de Caarapó Marta Soares Ferreira Célia Maria Foster Silvestre Estudantes Guarani e Kaiowá no Ensino Superior, Suas Vivencias e Relações Maucir Pauletti Pedro Sergio Dantas da Silva Carvalho Impasses no reconhecimento dos índios como sujeitos de direitos Nei di Maico Ricarte A organizaçao tradicional da aldeia Limao Verde antes e depois do SPI Robson Romero Discriminação e preconceito dos povos indígenas Sônia Rocha Lucas O Direito a Educação e a crianças Kaiowá e Guarani do Acampamento Pakurity SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES GT 6 - Rituais e práticas religiosas indígenas Coordenadores: Izaque João (Museu do Índio) e Antonio Dari Ramos (FAIND/UFGD) Debatedora: Graziele Acçolini (FCH/UFGD) Local: UFGD, Unidade II, Bloco A, sala 09 Autores Título Dagmar Herculano O infanticídio indígena: um conflito entre a diversidade cultural e o estatuto da crainça e adolescente Jesus de Souza Valores dos instrumentos tradicionais religiosos dos kaiowa Kelly Mara Soares Dornelles Representações indígenas no PNBE 2014 Lílian Luana da Silva Um estudo de caso sobre os jovens Terena da 1°Congregação presente na Terra Indígena de Dourados Nilton Vera A influência das religiões na aldeia Porto Lindo, município de Japorã – MS Raul Claudio Lima Falcão Avatikyry: Representações e simbologias entre os Kaiowa de Panambizinho Rosalvo Ivarra Ortiz Cosmologia guarani- ñandheva, kaiowá e mb’ya: a partir de análise histórica, filosófica, arqueológica e antropológica Saulo Conde Fernandes Indígenas nas redes xamânicas contemporâneas e o consumo ritual de psicoativos Vicente Cretton Pereira O petyngua: -ka’u como viagem xamânica SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES GT 7 - Movimentos Indígenas Coordenadores: Neimar de Sousa Machado (FAIND/UFGD) e Otoniel Ricardo (ATY GUASU) Debatedor: Jorge Gomes (ATY GUASU) Local: UFGD, Unidade II, Bloco A, sala 10 Autores Título Autores Título André Centurion Adriana Oliveira de Sales O ensino das linguagens na escola indígena de Japorã, MS. Edinaldo Martins Ava rekotee: cultura tradicional guarani na aldeia Porto Lindo Heliodoro de Almeida Adriana Oliveira de Sales É importante ofertar Educação Especial para os Guarani Kaiowá? Janete de Souza Ensino de Linguagens nos Anos Finais do Ensino Fundamental de Escola Indígenas. Josemar Benites Ocupação Tradicional da Aldeia Cerrito, Eldorado – MS Ludmila Ferreira Ribeiro Autonomia Guarani Charagua Iyambae: os desafios para superação da colonialidade do poder Noêmia dos Santos Pereira Moura Ane Caroline dos Santos e Átila Maria do Nascimento Corrêa A resistência do feminismo indígena: A luta das Mulheres Guarani Kaiowa Rafael Rodrigues Caceres Adriana Oliveira de Sales Memória e feitura de armadilhas guarani ñandeva Rosileide Barbosa de Carvalho Adriana Oliveira de Sales Ensino de Línguas na Aldeia Te'ýikue, Caarapó, MS. Valdenir Romero Genocídio dos povos indígenas após 1915 SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES GT 8 A - Regime de circulação de saberes indígenas Coordenadores: Cândida Graciela Chamorro Arguello (FCH/UFGD) Debatedor: Augusto Ventura dos Santos (CESTA/USP) Local: UFGD, Unidade II, FAIND, sala 17 Autores Título Adma Cristina Salles de Oliveira Luciene Flores e Ana Claudia Duarte Mendes Sentidos: (des) encontros e encontros na invisibilidade dos saberes vivente / vidente em espaços ameríndios Ana Carolina Estrela da Costa O cinema Indígena no caminho da descolonização e da autonomia Augusto Ventura dos Santos Saberes e disposições guarani para com os brancos na obra de Egon Schaden Bruno Nascimento Huyer Sobre a jurualogia: crônicas Mbyá- guarani no Cone Sul Dorival Ramires Maria Aparecida Mendes de Oliveira e Marianna Florentina Lima Alves de Oliveira Drumont Modos de saber Guarani Kaiowá na construção da casa de sape. Gilcacia Gündel Saldanha Graciela Chamorro Grafismo na comunidade kaiowá de Itay Ka’aguyrusu Graciela Chamorro Isabelle Combès Povos Indígenas Guarani falantes contemporâneos da América do sul Ilma Regina Castro Saramago de Souza Estabelecidos e outsiders: uma leitura acerca do lugar dos indígenas guarani SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES GT 8 B - Regime de circulação de saberes indígenas Coordenadores: Leif Ericksson Nunes Grunewald (FCH/UFGD) Debatedor: Lídio Cavanha Ramires (SED Caarapó) Local: UFGD, Unidade II, FAIND, sala 19 Autores Título Josemar de Campos Maciel Yan Leite Chaparro Sobre aprender a ser índio Leif Grünewald A Gesta de Agayéguede Magno Adiala A importância dos Multimeios na educação Escolar Indígenas Maria Aparecida Mendes de Oliveira Conhecimento Tradicional e Conhecimento Cientifico: deferentes formas de Conhecimentos na Formação de Professores Indígenas Miguel Angelo Corrêa Perspectivas do audiovisual autoral realizado pelos povos indígenas de mato grosso do sul: elementos e reflexões para uma taxonomia preliminar Scheilla Guimarães da Silva Os Mocovís do gran chaco: um documento visual de identidades e temporalidades. Silvana Colombelli Parra Sanches Análise de aulas sobre territorialidade guarani com o ensino médio técnico e cursos superiores de agrárias em mato grosso do sul Talita Lazarin Dal’ Bó Estudantes indígenas nas universidades: sobre modos de conhecer, de traduzir e de transformar o conhecimento SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES GT 9 - Estado e política indigenista Coordenadoras: Edir Neves Barbosa (FAIND/UFGD) e Silvana Jesus do Nascimento (PPGAS UFRGS) Debatedor: Renata Lourenço (UEMS) e José Manuel Flores Lopez (UNICAMP) Local: UFGD, Unidade II, FAIND, sala 20 Autores Título Almir Bauler Os povos indígenas, o Império e a questão de terras Elemir Soare Martins Silvana Jesus do Nascimento Desafios interculturais na reserva Te’ýikue, envolvendo famílias indígenas guarani e kaiowá e a assistência social para garantir o direito da criança indígena à escola Ellen Cristina de Almeida Assimilacionismo e protagonismo: os paradigmas orientadores de políticas para a população indígena Felipe Megeredo Correa O índio e a lavoura canavieira em MS Flávia Helena Braff Denes A atuação da rede socioassistencial na áreas de retomada Guarani e Kaiowá em Dourados/MS: limites, avanços e desafios Genildo Ramires Educação Tradicional do kaiowa antigamente comparando com atual Renata Lourenço Políticas indígenase indigenistas na escolarização dos Guarani e Kaiowá: diálogos possíveis? Renata Oliveira Costa Os objetivos de desenvolvimento do milênio e os povos indígenas – desafios do bem viver indígena: experiência de consulta participativa na Terra Indígena Pirakuá (Etnia Kaiowá Guarani – Mato Grosso do Sul – Brasil) Silvana Jesus do Nascimento Circulação de crianças indígenas: questões para além da cultura Viviane Scalon Fachin Políticas públicas estaduais de acesso e permanência para alunos indígenas ao ensino superior em mato grosso do sul SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES GT 10 A - Metodologias em pesquisas em etnologia indígena – Coordenadores: Tatiane Klein (CEstA/USP e ISA) Debatedor: Rodrigo Amaro de Carvalho (PPGAS/MN/UFRJ) Local: UFGD, Unidade II, FAIND, sala 21 Autores Título Almires Martins Machado Ser indígena e antropólogo na pesquisa de campo entre ruidos e ecos Rodrigo Amaro de Carvalho Notas etnográficas acerca dos desafios e entraves teórico-metodológicos de uma pesquisa de campo na Reserva Indígena de Dourados/MS Claudineis Nunes Toca da onça jaguaretê kañyha Gabriel dos Santos Landa Os conflitos indígenas e sua representação através das fotografias nos jornais online de MS Josimara dos Reis Santos Beatriz dos Santos Landa Metodologias utilizadas na pesquisa com crianças kaiowá no bairro Vila Cristina/Tujú Puytã, em Amambai/Mato Grosso do Sul Joziane de Azevedo Cruz A construção do campo de pesquisa com crianças kaiowá Lívia Domiciano Cunha O que contam os guarani e kaiowá sobre o corte da cana? O avanço da fronteira agrícola moderna e a precarização das práticas espaciais guarani e kaiowa no Mato Grosso do Sul Marta Soares Ferreira Indígenas em região urbana SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES GT 10 B - Metodologias em pesquisas em etnologia indígena – Coordenadores: Beatriz dos Santos Landa (UEMS) Debatedor: João Paulo Lima Barreto (UFAM) Local: UFGD, Unidade II, FAIND, sala 22 Autores Título Martha Jeronimo Batista A realização da vida na Fronteira Bolívia/Brasil – alteridade e fronteiras pelas narrativas orais Noelí Cáceres Angu´a Robson Pires Arco e flecha dos Guarani Beatriz dos Santos Landa As pesquisas realizadas com/entre crianças guarani e kaiowá e as metodologias em processo de construção colaborativa Toninho Ortiz Goularte Chichá-atividades usando conhecimentos a partir de um conhecimento tradicional Yan Leite Chaparro Josemar de Campos Maciel Um relato transcrito pelo sorriso: caminhar Yan Leite Chaparro Josemar de Campos Maciel Reflexões metodológicas e a problemática do desenvolvimento: caminhar com os Guarani Zelia Vasque Ogapysy SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES GT 11 - Demarcação de Terras Indígenas Coordenadores: Rosely Aparecida Stefanes Pacheco (UEMS) e João Machado (FUNAI) Debatedor: Diogo Oliveira (FUNAI) e Victor Ferri Mauro (UFMS) Local: UFGD, Unidade II, FAIND, sala 23 Autores Título Frederico Lambertucci María Gabriela Guillén Carías e Judite Stronzake Entre a resistência e o extermínio: a luta dos Guarani e Kaiowá no Mato Grosso do Sul pela demarcação das terras. Gianete Paola Butarelli Conflitos indígenas em mato grosso do sul: uma análise a partir da formação histórica, política e econômica do estado Gregório Oliveira Pinto Barciela Conflito de Toro Paso, demarcação. João Machado A Etnolinguagem de uma língua autóctone que retrata alguns componentes lingüísticos do ethos local: a origem de alguns nomes de seres vivos em Guarani-Kaiowa – características singulares da língua Lélio Loureiro da Silva As Demarcações de Terras Indígenas: um olhar nas páginas do jornal O Progresso Rafael Rondis Nunes de Abreu Priscila de Santana Anzoategui A terra é vida, despejo é morte: novas estratégias kaiowá e guarani na luta e recuperação de seus territórios Rosalvo Ivarra Ortiz Ane Caroline dos Santos e Noêmia dos Santos Pereira Moura O protagonismo terena na luta pela terra ao longo do século Rosely A. Stefanes Pacheco Terras ancestrais e disputas contemporâneas: um olhar sobre as demandas territoriais Guarani e Kaiowá Rosely Aparecida Stefanes Pacheco Gilmar Ribeiro Fernandes, Tiago Ferando Aquino Soares e Carlos Gabriel Stefanes Pacheco Sobre a participação de jovens indígenas guarani e kaiowá nos processos de (re)ocupação territorial: alguns aportes para o debate Victor Ferri Mauro Diferenças conceituais entre "imemorialidade" e "tradicionalidade" da ocupação de territórios indígenas SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES MASCULINIDADES EM CONFLITO NAS MISSÕES JESUÍTICAS COM INDÍGENAS Antonio Dari Ramos Resumo: A presença dos missionários jesuítas em mais de trinta povoados de indígenas na Antiga Província Jesuítica do Paraguai, conhecidos como reduções, ao longo de praticamente 160 anos, entre 1609 e 1767, impactou na forma como a maioria dos povos indígenas da região construíam e alimentavam socialmente suas percepções acerca do modo de ser homem, isto é, sobre a sua masculinidade. Uma vez que a missão estabeleceu um rígido controle acerca de práticas culturais ancestrais dos povos de fala Guarani, como a poligamia e a oferta de mulheres, a documentação histórica missionária descreve a maneira como os missionários agiam para desterrar tais costumes, mas também a incidência de inúmeros conflitos ocorridos entre os missionários e os homens SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES indígenas no âmbito desses povoados. O estudo realizado mostra que muitos homens indígenas aceitaram a nova moralidade, defendendo os missionários e o modo de ser cristão; outros, porém, se contrapuseram a ela, chegando inclusive à situação de entrar em lutas com os indígenas cristianizados e a de matar diversos padres com o argumento de que interferiam indevidamente no bom modo de ser antigo e em um dos seus elementos centrais, a poligamia, base da economia de reciprocidade. A presente comunicação será dedicada a analisar o referido processo histórico, utilizando como método analítico a hermenêutica. Palavras-chave: gênero; masculinidades; missões religiosas; indígenas. ENTRETEMPOS: OS JOVENS KAIOWÁ E GUARANI E A EDUCAÇÃO ESCOLAR INDIGENA Célia Maria Foster Silvestre UEMS/Amambai celiasilvestre@uems.br celia.silvestre@gmail.com FUNDECT RESUMO: A comunicação propõe reflexões a respeito da categoria de juventude entre os Kaiowá e Guarani e do envolvimento dos seus jovens na educação escolar indígena, a partir da pesquisa “Entretempos: experiências de vida e resistência entre os Kaiowá e Guarani e partir de seus jovens”, desenvolvida no período de 2007 a 2011, junto ao programa de Pós Graduação em Sociologia, nível doutorado, da FCL/UNESP/Araraquara/SP. A intenção, com a pesquisa, foi contribuir para a interlocução com a temática juvenil, direcionando as discussões para a especificidade das questões da juventude junto aos povos indígenas. A pesquisa foi desenvolvida a partir do método etnográfico e incorporou a análise de fontes escritas, como avaliações de curso, planos de aula, documentos oficiais e oficiosos, narrativas ocorridas em contextos públicos e as muitas conversas com pessoas, jovens ou não. O terreno de pesquisa foi o Curso Normal Médio – Formação de Professores Guarani e Kaiowá - “Ára Verá” e o Curso de Licenciatura InterculturalIndígena “Teko Arandu”, contando com a contribuição dos jovens professores Guarani e Kaiowá, especialmente da Aldeia Te’ýikue, município de Caarapó, Mato Grosso do Sul. Palavras-chave: Guarani e Kaiowá; Juventude; Educação escolar indígena. OS GUARANI KAIOWA DA ALDEIA GUAPO’Y E O TRABALHO NOS CANAVIAIS SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES Elk Kelly Francismara Rodrigues elkkeller@hotmail.com Célia Maria Foster Silvestre UEMS/Amambai celiasilvestre@uems.br UFGD? RESUMO: Este trabalho objetiva apresentar e discutir situações vividas por integrantes do povo Guarani e Kaiowá, trabalhadores nos canaviais. Existe um desconhecimento dos trabalhos desenvolvidos na aldeia e fora dela, que gera preconceitos. Por outro lado, essa forma de trabalho, conhecida como changa, causa impacto social na aldeia. A pesquisa procurou contribuir para dar visibilidade à atividade econômica entre os Guarani e Kaiowá, principalmente através do estudo a respeito das idas para o trabalho nos canaviais. Existem poucas pesquisas a respeito do tema, por não se reconhecer a importância econômica dos recursos gerados pelo trabalho dos indígenas. Essa invisibilidade também acontece em relação às condições de trabalho e às consequências para a vida do grupo familiar. Como sou Guarani Kaiowá e vejo o que acontece na aldeia, acredito que poderei contribuir para trazer informações e análises importantes sobre o assunto. A metodologia usada para a pesquisa foi a etnografia, dialogando com autores que desenvolvem pesquisas entre meu povo, como Katya Vieta, Levi Pereira e Antônio Brand. Palavras-chave: Guarani e Kaiowá, trabalho, história contemporânea. MULHERES TERENA DA ALDEIA BREJÃO T.I. NIOAQUE: CONSTRUÇÃO SOCIAL E DE GÊNERO Daniele Lourenço Gonçalves Amon-Rá Antunes Bandeira de Melo RESUMO: O presente trabalho visa pesquisar, através das histórias de vida de mulheres Terena da Aldeia Brejão, do município de Nioaque, como são construídas as relações sociais e de gênero nesta comunidade. Sabe-se que durante muito tempo às mulheres Terena eram delegadas apenas tarefas relativas ao ambiente doméstico e xamânico, porém esse quadro sofreu alterações, levando estas mulheres a participarem do contexto público e de papeis ocupados tradicionalmente por homens. PALAVRAS-CHAVE: Gênero, Construção Social e Mulheres Terena. MITÃKARAI: BATISMO DE CRIANÇAS GUARANI ÑANDEVA NO TEKOHA POTRERO GUASU, MUNICÍPIO DE PARANHOS, MS Davi Benites SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES RESUMO: Esta pesquisa vem sendo desenvolvida na aldeia Potrero Guasu que fica na fronteira Brasil e Paraguai, no município de Paranhos, Cone sul do Mato Grosso do Sul. O que me motivou a realizar esta pesquisa, foi uma observação que realizei e que desenvolvi uma preocupação sobre a mudança de comportamento de crianças e jovens no passado e atualmente. Segundo o Sr. Manuel Alegre Pires, de 74 anos de idade, morador da aldeia disse que as crianças e jovens do passado não são como hoje, porque tem nome. Isso significa que passou pelo ritual de batismo, por isso se comportam bem. E os jovens de hoje só amam mais o que não é bom, por ex: drogas, bebidas alcoolicas, suicidio, rebeldia, estupro etc. Através dessa pesquisa, quero junto com a comunidade entender que se procurarmos, podemos recuperar, mesmo que não totalmente, através das conversas com os mais velhos, e com os mais jovens, buscar um caminho de paz em nosso tekoha, e assim, valorizar e refletir para ser como um guia, rumo ao teko porã. PALAVRAS-CHAVE: educação tradicional guarani, ritual, batismo de crianças A SAÚDE DA MULHER KAIOWA NOS DIAS ATUAIS NA PARAGUASU Janes Romero RESUMO: A mulher Kaiowa em Paraguasu nos dias de hoje optam mais pelos medicamentos dos não indígenas. Entretanto, isto não acontece de modo tranquilo, mas sim em virtude da pressão exercida pela SESAI e pelos seus agentes indígenas na Paraguasu para que as mulheres sejam atendidas e medicadas via hospital, e não mais em casa ou com rezador como era antigamente. Mas será que esses medicamentos estão trazendo benefícios para a saúde da mulher Kaiowa? No ymaguare, o tempo dos avós, as crianças nasciam com apenas 2 kg e as de hoje nascem com 3 a 5 kg, por que isto acontece? Em razão disto, as mulheres estão tendo seus filhos através do parto cesárea, mas será que a cesárea é boa para a saúde da mulher kaiowa? Há muitas variedades de remédios caseiros existentes, remédios nativos que substituem os remédios brasileiros, mas há um maior consumo de remédio brasileiro pelas Kaiowa de Paraguasu. Estas reflexões surgiram, pois, tive um parto natural de gêmeos, e isto fez que com que eu me interessasse pela temática e quisesse investiga-la na minha comunidade. PALAVRAS-CHAVE: Mulher Kaiowa, saúde, parto. DIFICULDADES DAS MULHERES GUARANI E KAIOWA PARA CONCLUIR OS ESTUDOS Kelly Duarte Vera SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES RESUMO: Resumo: esta pesquisa surgiu a partir da observação de muitas meninas que não conseguem terminar seus estudos, principalmente o ensino médio. E também da dificuldade que eu passei dos desafios para terminar questão da distancia do preconceito na escola não indígena da minha trajetória. O estudo começou no ano de 2012 na aldeia Paraguasu onde conclui a educação básica. Atualmente resido na aldeia Bororó em Dourados-ms, onde percebi a mesma dificuldade. Dialoguei com algumas meninas quais as dificuldades que elas encontram na escola, conversei com uma senhora que falou da importância da educação tradicional e de respeitar os mais velhos. Escolhi esse tema, pois é importante saber qual a realidade e dificuldade que se encontram dentro da escola. Dentro desta pesquisa pude dialogar com elas e falar da importância de terem mais participação dentro da reserva em reuniões e encontros para assim elas terem conhecimento de como funciona as questões sociais da realidade onde ela s vivem, e assim de fato possam escolher naquilo que gostam para poder servir seus parentes na reserva. No final do trabalho pude perceber que elas se sentiram muito bem, e falaram da importância de abordar essa questão para jovens da escola. PALAVRAS-CHAVE: mulheres indígenas, trajetória de vida, dificuldades no estudo NOTAS SOBRE SEXUALIDADES E MODOS DE RESOLUÇÃO DE CONFLITOS ENTRE OS KAIOWA E GUARANI Lauriene Seraguza Doutoranda em Antropologia Social pelo PPGAS/USP RESUMO: Neste texto pretendo observar modos de resolução de conflitos relacionados a sexualidade percebidos em alguns contextos específicos entre os Guarani e Kaiowa em Mato Grosso do Sul. Estima-se hoje que a população Kaiowa e Guarani ultrapasse as 50 mil pessoas, vivendo em mais de 90 áreas, sendo elas reservas, áreas em estudos (acampamentos/retomadas), áreas regularizadas e bairros urbanos. Estes conflitos relacionados a sexualidade se acirram em situações onde a tensão social perpassa por acusações de feitiçaria, de relações incestuosas e de violência sexual e aparecem, de modo latente, nas áreas de reserva ou situações de acampamentos, nas beiras de rodovias. Quando da proximidade da cidade destas áreas, inúmeras ações do Estado se voltam para a intervenção nestes conflitos, e também das igrejas, numa tentativa de intervir na organização social Kaiowa e Guarani, muitas vezes ignorando os modos específicos a cada área indígena de resolução de conflitos internos. É fato que tais situações, de reserva e acampamento, interferem nas relações de parentesco e ocasionam processos de desarticulação interna promovidos pelo Estado e resultam em violências múltiplasque são conectadas pelas pessoas kaiowa e guarani em geral como decorrentes das mudanças nos estilos das famílias (teko laja) no decorrer do tempo/espaço (ara). Desta forma, a partir da reflexão junto aos dados etnográficos registrados nesta população, etnografias sobre os Kaiowa, Guarani e Mbya e reflexões sobre sexualidade, política e relações de gênero entre os ameríndios, pretendo analisar situações etnográficas percebidas neste contexto e colocá-las em conexão para pensar os modos de resolução de conflitos internos adotados pelos Kaiowa e Guarani em situações SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES estratégicas com fins a escapar das intervenções dos não indígenas na vida cotidiana. Palavras-Chave: Mulheres Kaiowa e Guarani, Sexualidade, Mato Grosso do Sul, Política, relações de gênero. OS AVANÇOS DAS MULHERES TERENA NO CAMPO DE REPRESENTAÇÃO SOCIOPOLÍTICO. Lindomar Lili Sebastião Doutoranda em Ciências Sociais/Antropologia pela PUCSP. Resumo: O presente trabalho propõe descrever a atuação e os avanços da mulher indígena do grupo étnico Terena no campo de representação sociopolítico em suas comunidades, bem como as mudanças ocorridas ao longo do contato com a sociedade envolvente. A introdução da nova forma de organização trazida pelo purútuye- não indígena, a exemplo a implantação de Associações juridicamente legalizada como forma de interferência ao poder da liderança tradicional, a inserção das mulheres nos campos sociopolíticas e na hierarquia tradicional de composição exclusivo do homem, culminando na tentativa ao cargo de vereança. Esses avanços são papéis que lhes remetem ao protagonismo enquanto mulher indígena dentro e fora da sociedade indígena na contemporaneidade em que aos poucos elas conquistam voz e espaços. Além desses campos em que as mulheres vem conquistando, a inserção nas diversas instituições de ensino superior também tem sido um dos fatores relevantes para o protagonismo das Terena. No entanto, segundo Rodrigues (1994), o Terena é um povo oriundo do tronco linguístico Aruák, habitam o estado de Mato Grosso do Sul considerado o segundo estado do país a agregar maior número de população indígena, entre essa população, os Terena é composto em torno de vinte e três mil habitantes, dentre os aldeados (aqueles que residem em aldeias reservadas) e os desaldeados (aqueles que vivem nas cidades e em seu entorno). Palavras-chaves: Mulher Terena. Avanços. Protagonismo. GESTAÇÃO E PARTO NA PERSPECTIVA DAS JARÝI E DAS AGENTES INDÍGENAS DE SAÚDE (AIS) Mariana Pereira da Silva Mestre em Antropologia UFGD Neste artigo pretendo discutir algumas noções relacionadas ao cuidado sobre gestação e parto de mulheres indígenas Guarani e Kaiowá. Este trabalho foi realizado no diálogo com Jarýi e as Agentes Indígenas de Saúde (AIS), estas em alguns casos são parteiras ou em outros tem conhecimentos tradicionais relacionados ao parto advindos de suas relações com mães, sogras, tias e outras mulheres parteiras. Os discursos das mulheres mais velhas – jarýi (avós), também podem ser pensados, à luz ou sob a inspiração da noção de “itinerários terapêuticos”, ou seja, utilizados pelas mulheres indígenas, para acessar os SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES diversos mecanismos oferecidos pelas agências estatais. Os caminhos que elas percorrem até chegarem ao posto e aos profissionais de saúde, mostram uma gama de possibilidades dentro da própria comunidade. Assim, em relação aos cuidados com a saúde, em especial no tocante a gestação e parto, as mulheres indígenas estão nesse movimento de recriação de seus modos de fazer, que incluem elementos da biomedicina de modo a dar sentido aos procedimentos médicos aplicados ao seu contexto. Creio que há um longo caminho a percorrer no tocante a saúde indígena e seus atores, sejam eles AIS, parteiras, ñandesy, ñanderu, sejam eles os profissionais que trabalham nas áreas indígenas. Ao iniciar um movimento reflexivo posto neste artigo, a partir dos contextos de contato interétnico e de como são significados os encontros intermédicos, esse nos auxilie noutros caminhares. Dessa forma, busco dar continuidade aos estudos para compreender quais são as concepções das Agentes Indígenas de Saúde acerca da construção sobre o que é saúde, a partir, da descrição e percepção dos diferentes segmentos que há nas áreas indígenas. PALAVRAS-CHAVE: Intermedicalidade/Interculturalidade; Agentes Indígenas de Saúde; Mulheres; Guarani e Kaiowá. MULHERES KAIOWÁ E GUARANI: INVISIBILIDADE E PERTENCIMENTO Marlene Ricardi de Souza RESUMO: O trabalho ora apresentado diz respeito às mulheres Kaiowá e Guarani do estado do Mato Grosso do Sul, aos relatos dessas mulheres sobre suas trajetórias de vida, luta e sobrevivência, em meio a uma sociedade preconceituosa, a sul-mato-grossense. Os relatos aos quais nos referimos foram feitos/ditos pelas mulheres indígenas em ocasiões como: Aty Kunhanguê (Grande Assembleia das Mulheres Indígenas), na CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) da Violência contra as Mulheres do Senado Federal, que realizou oitiva e Audiência Pública no Mato Grosso do Sul e, na 4@ ação da Marcha Mundial das Mulheres (Movimento Feminista de atuação em âmbito internacional) em Dourados MS. O Mato grosso do Sul é o estado brasileiro com a segunda maior população indígena, e uma das unidades da federação que mais viola os direitos humanos e constitucionais dos povos indígenas que aqui habitam. A espoliação, a violência e as violações são uma constante há muitos séculos e continua a acontecer nos dias de hoje. Os Kaiowá e Guarani presentes no sul do estado e nos municípios em áreas de fronteira são os mais afetados por essa prática de violências, assassinatos e expropriação dos seus territórios ancestrais. Nesse contexto, as mulheres indígenas sofrem muitas privações, perseguições e violências. Essas mulheres são arrancadas de seus barracos no meio da noite, por tiros e fogo ateado em suas humildes moradias. Muitas vezes violentados, humilhadas, desassistidas. Todavia continuam a sua peregrinação e luta em suas aldeias, e nas áreas de retomada onde está o seu território de pertencimento: o seu Tekoha. A invisibilidade das vidas vividas por essas mulheres, das rezadoras (nhandesi), que são lideranças religiosas de suas comunidades, respeitadas por seu povo pela sabedoria, conhecimento e relação com a espiritualidade maior, às mulheres liderança das áreas de retomada. O objetivo desse artigo é visibilizar as mulheres indígenas que lutam SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES incessantemente enfrentando problemas em suas e de suas comunidades como a saúde, segurança, educação, violência doméstica e institucional. PALAVRAS-CHAVE: mulheres indígenas; invisibilidade; luta; CPMI da Violência contra as Mulheres; territórios tradicionais SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES "QUEM SOMOS “NÓS”? UM ENSAIO ANTROPOLÓGICO DE INSPIRAÇÃO FEMINISTA SOBRE “EUTRAS” NO ENSINO SUPERIOR" Nívia Mª T. dos Santos Licenciada em Ciências Sociais pela Universidade Federal da Grande Dourados – UFGD e Mestranda em Antropologia Sociocultural pelo PPGAnt/UFGD niviatrindade01@gmail.com Fernanda S. Fernandes Bacharela em Arqueologia e Preservação Patrimonial pela Universidade Federal do Vale do São Francisco – UNIVASF e Mestranda em Antropologia Sociocultural pelo PPGAnt/UFGD arqueo.fsfernandes@gmail.com Noêmia S. P. Moura Doutora em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP. Docente no PPGAnt/UFGD noemiamoura@ufgd.edu.br RESUMO: Este ensaio nasce de uma tentativa absolutamentemarginal de problematizar a questão de gênero no interior da teoria antropológica, de modo que seja possível mesclar autoras consagradas no desenvolvimento de uma antropologia de inspiração feminista com os dados etnográficos produzidos entre os Kaiowá e Guarani no Mato Grosso do Sul, bem como autores pós- coloniais, vozes periféricas e poesia, eis que: um “isto”. O interesse com o experimento é pensar as relações de gênero entre esses coletivos étnicos fazendo ao mesmo tempo um exercício de auto-observação. A categoria mulher pode se pretender universalizadora? Em que consiste ser mulher para as mulheres Kaiowá e Guarani que estão em contexto universitário e em intenso contato com instituições interculturais? O que a antropologia tem a dizer sobre representação? Pode a disciplina potencializar outras formas de politicidade e de subjetividade? E de que forma outras áreas e outras pessoas podem nos ajudar a desenvolver uma “imaginação antropológica”? Tendo em vista que a produção do conhecimento é sempre política, nos permitimos uma desdisciplinarização, no intuito de acomodar “uma outra voz”. Nesse movimento, buscaremos não dizer “sobre elas”, mas “em relação com elas”. Por fim e frente ao exposto, o que se apresenta a priori é um esboço incompleto e repleto de fios soltos numa reflexão sem pretensões de um ponto de chegada, visto que o assunto é extremamente vasto. Palavras-chave: Gênero; Experimento; Licenciatura Intercultural A INICIAÇÃO FEMININA NO CONTEXTO ESCOLAR KAIOWA PANAMBIZINHO: MITÃ KUNHÃ IKOTY ONHEMONDYA Tania Fatima Aquino RESUMO: Esta pesquisa está sendo desenvolvida na terra indígena Panambizinho que fica no município de Dourados MS. O objetivo de fazer uma pesquisa é propor ações de iniciação feminina contexto escolar kaiowa, mita kunha ikoty onhemondya. As meninas indígenas kaiowa do Panambizinho a SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES partir de 11 e 12 anos de idade, quando aparecer os primeiros seios as mãe já avisa os pais pra ela poder parar de comer o alimentos de carne bovina e suínos e outros. E até as carne de animais. Ela somente pode comer só peixe lambari cozido e assado e arroz sem sal e sem óleo. Quando elas vem na escola para estudar as diretora e coordenadora e professoras e as merendeiras são avisados já. E na escola ela só come as frutas e bolachas sem sal. Isso ela espera ate vir a primeira menstruação. Quando ela já tiver menstruação ela avisa os pais e a mães já coloca 5 dias dentro da casa fechado, ninguém pode ver ela, só entra a mãe e leva comida e agua pro banho . Após 5 dias ela saem dentro da casa já com corte de cabelo, e com pintura no rosto com yrukum, os pais leva direto na casa do nhanderu, para fazer o jehovasa. Esse jehovasa é importante para não ter doença, dor de cabeça e a aquela doença epilepsia. Com a segunda menstruação, a menina volta de novo para dentro da casa só 3 dias. Depois de três dias ela já sai normal. Quando ela vai comer carne bovina, e carne suíno, e aves, tem que levar para o nhanderu fazer o jehovasa na carne para depois comer .A carne de tatu ela pode comer só com depois de dois anos .Depois de tudo com a fase de iniciação a menina kaiowa ela já e moça. PALAVRAS-CHAVE: mulher kaiowa, menstruação, ritual. SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES NOTICIAS DO VALUTO: PRESENÇA E RESISTÊNCIA INDÍGENA NA BACIA DO RIO DAS CINZAS Aluizio Alfredo Carsten RESUMO: A região do valuto, como é referenciada na historiografia paranaense, diz respeito a bacia do rio Das Cinzas, localizada entre os vales do rio Itararé e Tibagi, no nordeste Paranaense. A historiografia que escreveu sobre a região, desconsiderou, e/ou ocultou as populações indígenas que habitaram e ainda habitam a bacia. Desde a década de 1950 que a ideia de Vazio Demográfico permeia os textos acadêmicos. No entanto, dados fornecidos pelas pesquisas arqueológicas registram ocupação desse território a no mínimo 9630±40 anos AP. Além dos dados arqueológicos, foi possível evidenciar a presença indígena marcada em relatos de viajantes, documentos do Estado, notícias publicadas nos periódicos de época. A não presença dos povos indígenas na História tradicional dessa região demonstra que a ocultação dessas populações, não se deram ao acaso, ou por falta de informações, mas por questão ideológica, a serviço da colonização. Durante os séculos XIX e XX, houve uma intensa investida da sociedade nacional, sobre os territórios indígenas as margens dos rios Laranjinha e Cinzas. Apesar de todas as investidas contra seus modos de vida, e mesmo sobre suas vidas, os indígenas da etnia Guarani Nhandewa permanecem na região, ocupando terras demarcadas pela União, ou a espera de possível demarcação de novas terras. Além de aspectos históricos, a pesquisa aborda os atuais desafios dos Nhandewa da bacia do rio das Cinzas. PALAVRAS-CHAVE: Bacia do Rio das Cinzas, Populações Indígenas, Guarani Nhandewa, Paraná. ÁRVORES NATIVAS NO PIRAJUÍ Beatriz Véra RESUMO: Esta pesquisa foi desenvolvida na aldeia Pirajuí que fica no município de Paranhos, Mato Grosso do Sul. Um estudo dos nomes de tipos de árvores nativas que existem, saber o que representa para a comunidade e, em quais locais da aldeia, os tipos deárvores nativos e seus nomes na língua guarani português. Objetivo da pesquisa consistem em: a) colocar na escrita os tipos de árvores nativas que tem na aldeia Pirajuí e outros tipos que já desapareceu, ver o clima da região os tipos de clima durante umano; b) Conhecer, identificar os principais local de árvores nativas que são sagradospara a comunidade da região. Como procedimento técnico-metodológica, utilizou-se conversa com os mais velhos morador da aldeia Pirajuí e com os jovens e também foi utilizado os mapa antiga de Pirajuí. A importância de cuidados que as comunidades indígenas tem com a vegetação nativa de árvores em preservar. Durante a pesquisa foi visto como desafios a queimadas, o desmatamentos e as transformações vegetais com a presença de outras arvores não nativas. E uma aldeia indígena ainda muito rica em vegetação original, que preserva as encostas SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES dos rios, nascentes e solos. Assim podemos presenciar muitas plantas nativas dentro da aldeia Pirajuí. Palavras-chave: Reserva, Pirajuí e Árvores. LARVAS DE ARAMANDAY GUASU (Rhynchophorus palmarum (LINNAEUS, 1958)) COLEOPTERA: CURCULIONIDAE COMO ALIMENTO TRADICIONAL ENTRE OS GUARANI ÑANDÉVA, NA ALDEIA PIRAJUÍ, MUNICÍPIO DE PARANHOS, MATO GROSSO DO SUL: UMA VISÃO DE SEGURANÇA ALIMENTAR E SUSTENTABILIDADE SOCIAL Cajeteno Vera Biólogo na Coordenadoria Especial de Assuntos Indígenas de Dourados/MS. E-mail: cajetanoverad@gmail.com RESUMO: Os povos indígenas do Estado de Mato Grosso do Sul possuíam territórios imensos. O processo de confinamento em terras pequenas inviabilizou a sustentabilidade dentro do modelo cultural de uso da terra que vinha sendo utilizado, com impactos na alimentação. Com esse novo modelo são detectados distúrbios alimentares como a desnutrição. Além da perda de seus territórios, houve assoreamento cultural, como as mudanças nos hábitos alimentares tradicionais. Um destes hábitos era o consumo de larvas de besouros. Para avaliar a possibilidade de utilizar esses conhecimentos, houve necessidade de recuperar as informações disponíveis através de entrevistas livres. Armadilhas, que se constituem em cortes de coqueiros foram usadas para atrair os besouros, coletar as larvas e capturar os adultos. Assim foi possível a identificação taxonômica e a análises bromatológicas. A obtenção das informações contou com o apoio da comunidade. Além de Rhynchophoruspalmarum foram também identificadas outras espécies, com Acrocomio aculeata (Larc) Lood. Identificada como planta hospedeira dos besouros. A composição bromatológica em base seca, das larvas coletadas no mês de setembro de 2010, mostrou elevado teor de gordura (43%) e proteína (23%) apontando para alimento altamente calórico. Os resultados obtidos confirmam o valor alimentar, pois, o teor proteico é equivalente ao encontrados em carne de aves e bovinos. Os indígenas dominam informações suficientes para retornar a esse recurso alimentar, como forma de estabelecer Segurança Alimentar, mas pode ser necessária reeducação alimentar para que o indígena Guarani não venha deixar de usar o alimento. As análises bromatológicas confirmam o que as literaturas já haviam descritas, que essas larvas são alimentos seguros. Palavras-chave: Indígenas Guarani, Etnoentomologia e Entomofagia SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES UMA ANÁLISE DA DINÂMICA SOCIAL DA RESERVA DE AMAMBAÍ POR VIA DE CONFLITO ENTRE AS FAMÍLIAS KAIOWÁ E GUARANI Celuniel Aquino Valiente RESUMO: As reservas dos Kaiowá e Guarani foram delimitadas no século passado através de projeto do governo federal. Elas foram criadas pelo Serviço de Proteção aos Índios-SPI entre 1915 e 1928, nos municípios de Dourados, Caarapó, Amambai, Tacuru, Paranhos, Japorã e Coronel Sapucaia. Nesses municípios criaram-se as reservas e, desse modo, agregaram no mesmo espaço uma heterogeneidade de grupos indígenas espalhados pelo Estado de Mato Grosso do Sul, expulsando-os de suas terras tradicionais. O superpovoamento da reserva acaba, nesse sentido, ocasionando diversas disputas e relações de conflitos. A reserva é uma sociedade, é uma figuração social que se fundamentou na perspectiva colonial, como já vimos acima o processo da construção da reserva, o impacto do resultado é conflito entre diversos grupos distintos entre si. O objetivo da pesquisa é estudar profundamente os conflitos e transformações em torno das famílias e grupos sociais Guarani e Kaiowá a partir das configurações da Reserva Amambaí. A pesquisa será realizada na Aldeia Amambaí, por via de entrevistas e pesquisa bibliográficas. Serão realizadas entrevistas com as famílias que residem em vários espaços da reserva e referenciais teóricos que discute o tema, com objetivo defazer acontecer às pesquisas teóricas e empíricas, a entrevista tem como objetivo de coletar as informações de dados objetivas e subjetivos. Palavras-chave: Guarani e Kaiowá; Reserva; Conflitos. ALTERAÇÕES DA PAISAGEM E TERRITÓRIO AMBIENTAL: UMA INTRODUÇÃO À INFLUÊNCIA NO ÑANDE REKO DOS GUARANI E KAIOWÁ Elâine Da Silva Ladeia FAIND/UFGD elaineladeia@ufgd.edu.br RESUMO: A abordagem etno-ecológica procura integrar ao estudo ecológico o conhecimento de como as populações percebem os recursos. A etnociência trata do estudo das percepções culturais do mundo e de como os indivíduos organizam essas percepções por meio da linguagem. Nesse sentido observamos que a natureza, e o ambiente em que está inserida no cotidiano das comunidades indígenas está intrinsecamente associada ao nande reko -modo de ser dos guarani e kaiowá, nela existem os jara – donos da natureza – estes de acordo com os etnoconhecimentos indígenas permitem ou não o uso dos recursos naturais para uso e sobrevivência das comunidades e seus indivíduos. LEFF(2012) define essa relação como ‘saber ambiental’ – que é o reconhecimento das identidades dos povos, suas cosmologias e seus saberes tradicionais como parte de suas formas culturais de apropriação de seu patrimônio de recuros naturais. Considerando a importância do ambiente para as comunidades indígenas Guarani e Kaiowá esse trabalho visa apresentar uma introdução sobre como as mudanças ambientais ocorridas nas aldeias indígenas SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES do Cone Sul de Mato Grosso do Sul, vêm provocando mudanças nos costumes tradicionais de alimentação, ritos culturais das etnias guarani e Kaiowá, bem como também na alimentação e jeito de ser desses indíviduos em suas comunidades. O trabalho introdutório foi realizado com os acadêmicos da Licenciatura Indígena Teko Arandu da FAIND/UFGD dentro das atividades de alternância realizadas no período de julho de 2015 a junho de 2016 em 14 comunidades indígenas onde residem os mesmos, tendo sido realizados por meio de entrevistas com a comunidade escolar das aldeias, jovens, anciãos e mestres tradicionais. Os resultados obtidos de acordo com as entrevistas realizadas com os mestres tradicionais em particular, apontam que ao longo dos últimos 30-40 anos, o ambiente das comunidades sofreu muita alteração, considerando que em muitas delas a pré-existência da exploração de madeira para comércio, do uso de terras para agropecuária tornou o ambiente escasso de muitas espécies animais utilizadas para caça , diminuição de ervas e plantas de uso medicinal, alimentício e artesanal, bem como, trouxe danos as margens de rios, riachos e nascentes, acarretando problemas também quanto ao uso e disponibilidade de água nessas comunidades. Nessas terras, quando ocorre a formação de comunidades indígenas, o ambiente que já era prejudicado, foi sofrendo novas alterações e assim também alterando os costumes tradicionais desses indivíduos. O PROGRAMA MOSARÁMBIHÁRA: SEMEADORES DO BEM VIVER KAIOWÁ Eliel Benites Gilmar Galache Renata Oliveira Costa RESUMO: O Programa de Formação Mosarambihára teve sua discussão iniciada em um encontro realizado na Vila São Pedro (Dourados/MS) nos dias 18 e 19 de novembro de 2013, quando um desenho inicial foi discutido entre as lideranças presentes. Esse primeiro desenho do programa oportunizou um tipo de formação diferenciada nas áreas de referência, inspirada na experiência de Caarapó com a Unidade Experimental ligada à Escola Indígena Nhandejara Polo, na aldeia Te’yikue, com mais de dez anos de trabalho de produção de alimento, como parte do currículo da escola. O acordo começou a ser negociado entre a UGP/GATI (Unidade Gestora do Projeto GATI – Gestão Ambiental e Territorial Indígena) e a ASCURI (Associação Cultural de Realizadores Indígenas), tendo sido assinada em julho de 2015. Durante um ano e meio de execução, o programa realizou diversos pré-módulos e módulos, seminário final e sistematização, assim como duas oficinas de audiovisual, uma em área Kaiowá Guarani e outra em área Terena. A atuação do Programa foi localizada nas áreas de referência do Projeto GATI: Terra Indígena Sassoró, Terra Indígena Jaguapiré, município de Tacuru e Terra Indígena Pirakuá, município de Bela Vista, além da Terra Indígena Te’yikuê, no município de Caarapó. Os mosarambihára são pessoas, geralmente jovens que se envolveram com o programa, por estarem mais sensíveis com a questão ambiental, da territorialidade e seus conflitos e da transmissão de conhecimentos tradicionais. O objetivo que guiou todas as ações foi compreender o processo histórico dos impactos ambientais sobre as terras e territorialidades indígenas e também o que significa todas essas questões na atualidade, ou seja, o que é a mata, a SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES floresta, as sementes, a agricultura na visão tradicional Kaiowá e Guarani. Assim, cada etapa do programa trouxe algum tipo de aprendizado sobre as articulações que devem ser feitas para o retorno (na grande maioria dos casos) ou a manutenção (em pouquíssimos casos) da sustentabilidade da vida nos territórios Guarani e Kaiowá. Todo planejamento feito pela equipe em algum ponto tornava-se orgânico e se modificava de acordo com as demandas, para que o módulo pudesse acontecer. Caso o planejamento fosse feito de uma forma que nãopudesse ser modificado, a equipe não teria conseguido realizar as atividades propostas. Nesse sentido, o presente trabalho pretende revelar alguns detalhes e possíveis recomendações para a continuidade do trabalho com os Mosarambihára. Igualmente pretende fazer uma análise sobre as contribuições do programa para com a gestão territorial das áreas Kaiowá e Guarani do Cone Sul do estado de Mato Grosso do Sul e para a compreensão de alguns aspectos da territorialidade indígena. TEKO, TEKOHA HA ÑE’� COMO FUNDAMENTO DA EDUCAÇÃO KAIOWÁ GUARANI Eliel Benites RESUMO: Este artigo discuti os fundamentos da educação tradicional Kaiowá a partir das experiência de vivenciar na escola indígena e nos espaços de formação dos professores Guarani Kaiowá na licenciatura Intercultural Teko Arandu. Tem como objetivo discutir a dinâmica da educação kaiowá na busca do teko araguyje (jeito sagrado de ser) partir da experiência de vivenciar com os mais velho da comunidade, do Movimento dos professores Guarani kaiowá. O artigo tem como foco central o teko (jeito de ser), no contexto da complexidade vivenciada pelos kaiowá como reserva e retomadas, contextualizando o processo da territorialização em diversos espaços submetido através da relação com seu entorno. Palavra-chave: educação kaiowá guarani, currículo e território. TERRA INDÍGENA TEKOÁ MIRIM: DISSONÂNCIAS ENTRE A FALA MBYÁ GUARANI E A VOZ DO ESTADO Fábio do Espírito Santo Martins RESUMO: A presença contemporânea do povo indígena Mbyá Guarani no litoral do estado de São Paulo enfatiza a necessidade de novas percepções que incidam sobre as relações entre eles e os juruá. Assim, é colocada a problemática a respeito da incompatibilidade entre os interesses sobre a ocupação da Serra do Mar, que, na atualidade se encontra praticamente toda circunscrita e integrada à espacialidade urbana, sobretudo, na Baixada Santista. Contudo, o Mbyá Rekó (o modo próprio de estar), mantém-se existindo, evidenciando a tendência da cultura de permanentemente reinventar-se. Então, este trabalho propõe evidenciar o processo de luta Mbyá no contexto da autodemarcação da Terra Indígena Tekoá Mirim, localizada no interior do Parque Estadual da Serra do Mar (PESM), localização esta, que fez com que as instâncias do Poder Executivo Municipal de Praia Grande, passassem a considerá-los invasores; além de corroborar para que os órgãos estaduais de proteção ambiental, principalmente SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES a Secretaria do Meio Ambiente, assumissem um posicionamento sobre a permanência dos Mbyá na Tekoá Mirim, que considera-a como contrária ao “corpus” legal que legisla sobre a ocupação humana nas Unidades de Conservação. Se iniciando deste modo, uma articulação político-administrativa para impossibilitar a continuidade dos indígenas no seu próprio território, ancestralmente ocupado e manejado de maneira equilibrada. Portanto, os Mbyá Guarani sabem de seus direitos constitucionais, e lutam para concretizá-los. Querem a acessibilidade plena a eles, o respeito à sua cultura e que se interrompa a opressão social, para que assim, se concretizem melhores condições de criação e recriação de seu Nhanderekó; condição esta, portanto, que ampliaria as possibilidades à existência das futuras gerações, esta sim, a preocupação fundamental dos mais velhos. Palavras-chave: territorialidades, mbyá guarani, protagonismo, autodemarcação. O AUDIOVISUAL COMO FERRAMENTA DE LUTA PELA GARANTIA DA RETOMADA DOS TERRITÓRIOS TRADICIONAIS GUARANI, KAIOWÁ E TERENA: A EXPERIÊNCIA DA ASCURI COMO FORTALECIMENTO DO JEITO DE SER DOS POVOS INDÍGENAS DO MATO GROSSO DO SUL. Gilmar Galache RESUMO: Para o saber comum da população é difícil conceber que haja Povos com saberes e línguas específicas e que estes lutam uma guerra diária para a sustentação de seu modo de ver e interagir com o universo. Em vários momentos a questão indígena é uma incógnita e as etnias são subjugadas ao conceito de raça. Teóricos, ao longo do tempo, permanecem tentando decifrar o que há de diferente no jeito de ser desses povos, com relação à sociedade dominante. Porém, vivemos um tempo bastante diferente daquele vivido quando os antigos referenciais teóricos foram construídos, aos quais as instituições de ensino superior no Brasil ainda teimam em se ater. Nos últimos 50 anos, as políticas indigenistas tem se mostrado ineficazes na questão, resultando assim, num completo desastre na relação entre populações tradicionais e as sociedades envolventes. Equívocos à parte, nós indígenas vivemos hoje o resultado do desconhecimento do Estado e da aproximação de frentes que ocuparam essas lacunas, que por sua vez, trazem os antigos e piores conceitos de relações para as comunidades indígenas. Igrejas, política partidária e suas influências na gestão pública deixaram marcas irreparáveis no jeito de ser indígena. Nessa conjuntura, nossa geração veio sendo cunhada. De um lado as relações que nossos pais e avós mantinham com a sociedade envolvente; de outro, a sustentação do jeito de ser. Para alguns, um lado dessas forças acabou ganhando mais espaço, onde, infelizmente, o modo de ser do não-indígena gerou mais possibilidades de sobrevivência. Um fator importante para essa mudança de perspectiva foi o distanciamento das relações internas nas comunidades. A oralidade, por exemplo, sempre presente no cotidiano e atuante como difusor do saber ancestral, passa cada vez a ter menos importância. Partindo desse pressuposto, a ASCURI – Associação Cultural de Realizadores Indígenas, que desenvolve ações que vão desde oficinas de audiovisual internacionais, em parceria com a ECA – Escuela de Cine y Arte de La SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES Paz/Bolívia, à produções locais de filmes independentes que revelam esse modo de olhar o mundo, e que atua no fortalecimento do próprio Povo, e também na conscientização da sociedade não-indígena que mesmo com tantos anos de convivência se mantem aquém do entendimento profundo das relações. O presente trabalho traz uma reflexão sobre esse novo tempo, onde os indígenas do Mato Grosso do Sul, mais especificamente Terena (que predominam na região oeste do estado), e os Guarani e Kaiowá do Cone Sul do estado, divididos geograficamente pela Serra de Maracajú, ilhados em meio ao agronegócio voraz, utilizam as mesmas novas mídias do não-indígena, trazendo à tona a invisibilidade de séculos de colonização e criando estratégias de fortalecimento do jeito de ser inconscientemente adormecido, por décadas de bombardeamento midiático hegemônico. COMUNIDADE INDÍGENA APYKA’I: FORMAS DE ACOMODAÇÃO E PRECONCEITO Hildyanne Teixeira, hildyanne Discente do curso de Ciências Sociais da UFGD – Dourados; PIBIC/UFGD (hildy-tc@hotmail.com); Aline Castilho Crespe Docente do curso de Ciências Sociais da UFGD, Dourados (alinecrespe@hotmail.com) RESUMO: O Mato Grosso do Sul é o segundo estado com maior população indígena do país e onde vive a maior etnia em termos numéricos, os índios Kaiowá. Estes grupos estão localizados na parte sul do estado, onde também está o município de Dourados, onde foi realizada a pesquisa. A cidade de Dourados tem a maior reserva indígena do país, com uma população de quase quinze mil habitantes. A Reserva Indígena de Dourados, criada pelo Serviço de Proteção aos Índios na década de 1910, está hoje cercada pela cidade e pelas fazendas. Fora de seus territórios tradicionais, conhecidos como tekoha, e dentro da reserva, os índios da etnia kaiowá encontram hoje dificuldades para se acomodarem no pequeno espaço demarcado e para darem continuidade aos modos de produção da vida possíveis no território indígena. Assim, para muitas famílias,a reserva não é vista como um bom lugar para viver, por conta da falta de espaço, da dificuldade para plantar, das situações de violência, entre outros motivos. Desse modo, algumas famílias indígenas procuram outros locais para se acomodarem, como a periferia da cidade de Dourados e as áreas de retomada, localizadas em todo entorno do município. Nesses locais de acomodação alternativos à reserva e próximos da cidade eles encontram mais acesso a empregos e serviços. Entretanto, apesar dessa relação de proximidade entre a população indígena e a população não indígena, essa situação tende a aumentar o preconceito étnico contra a população indígena. Para tratar sobre este tema realizei uma pesquisa em uma área de retomada denominada Apyka’i, localizada na BR 463, no município de Dourados. Na pesquisa pude fazer o mapeamento da população indígena no referido local, levantar dados sobre as SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES condições de acomodação destas famílias, entender as motivações que levam as famílias a estarem lá, bem como, sobre as situações de violência e preconceito em que muitas vezes são submetidos. Palavras chaves: Reserva Indígena. Kaiowá. Formas de acomodação. Dourados. ETONOMOTÂNICA: FINALIDADE DE USO DAS ESPÉCIES PRESENTES NOS QUINTAIS AGROFLORESTAIS DA RESERVA TE’YIKUÊ, CAARAPÓ – MS Jerusa Cariaga Alves Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Seropédica, RJ Resumo: Com a intervenção do Estado brasileiro nos Territórios Tradicionais Guarani e Kaiowá acarretou drásticas mudanças no modo ocupacional, realocando a etnia de forma compulsória em áreas delimitadas e ínfimas. A limitação do transito das pessoas e a nova política produtiva embasada na monocultura gerou grande fragilização no modo de ser e viver desse povo, impondo lhes uma nova relação com o território e a paisagem. Ao passar dos anos e em decorrência dessa política houve uma redução expressiva na biodiversidade das áreas indígenas, que passaram de exuberantes matas para atualmente serem compostas principalmente por espécies exóticas de gramíneas. Algumas famílias indígenas com apoio de projetos iniciaram discussões que tinha como primordial tentar reestruturar seus sistemas produtivos e embasados nas lembranças de suas áreas tradicionais antes da realocação nas aldeias iniciaram seus “micro tekoha” as quais caracterizamos como sendo Sistemas Agroflorestais devido a sua semelhança de estruturação. A presente pesquisa foi realizada na Reserva Indígena Te’yikuê que está localizada no município de Caarapó – Mato Grosso do Sul, Brasil. O trabalho foi conduzido a partir de entrevistas mistas semi - estruturadas in locco, no intuito de caracterizar os Sistemas Agroflorestais (SAFs), no período de agosto de 2014 a março de 2015. Tendo como base a metodologia de pesquisa "bola de neve" (snowball) associadas à técnica da turnê – guiada realizada em parceria com os mantenedores dos quintais. O presente estudo teve como objetivo gerar informações sobre os aspectos relacionados a finalidade de uso de todas as espécies presentes nos SAF caracterizando as como: alimentícias; ambientais; ornamentais, energéticas, madeireira e ritos tradicionais; com ou não a presença de animais. Segundo a pesquisa foi possível identificar dezenove SAFs sendo que todas estes foram implantadas ao entornos das casas das unidades familiares (UDF) Guarani e Kaiowá em virtude da necessidade levantadas pelas famílias de uma re-construção de paisagem após a antropização das áreas “micro tekoha”, foram encontrado 84 espécies vegetais, pertencentes a 68 gêneros e 35 famílias e 5 espécies animais com principal finalidade principal de uso alimentar. Palavra-chave: paisagem; segurança alimentar; florestas nativas; conhecimento tradicional; segurança alimentar. SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES ETNOGRAFIA DAS CRIANÇAS KAIOWÁ DA ALDEIA LARANJEIRA ÑANDERU: A IMPORTÂNCIA DO TERRITÓRIO PARA A RETOMADA DAS PRÁTICAS CULTURAIS Jéssica Maciel de Souza Antonio Hilario Aguilera Urquiza Resumo: O presente texto é fruto de pesquisa de mestrado (PPGant/UFGD) em andamento, e tem como proposta apresentar o esboço de um estudo etnográfico sobre e com crianças Kaiowá em situação de acampamento na região sul do Estado de Mato Grosso do Sul, especificamente na aldeia Laranjeira Ñanderu, localizada no município de Rio Brilhante/MS. Esta proposta busca mapear e entender as relações estabelecidas com a terra, conhecer as violências sofridas pelas crianças Kaiowá e a relação destas com o meio em que vivem, e a atual retomada das práticas culturais. Essas crianças passam por situações de conflitos antes e durante o processo de retomada da terra, estabelecem processos de aprendizagem, dentre elas, a aprendizagem da própria cultura, a qual os indígenas chamam de retomada cultural. Encontram- se em situação de grande precariedade em termos de garantias de direitos: sofrem com a falta de condições de saúde, educação, alimentação e, passam por um constante processo de aprendizagem, ou seja, as crianças seguem aprendendo, recebendo ensinamentos dos mais velhos em relação às práticas culturais Kaiowá. O objetivo desta pesquisa é conhecer e descrever este universo das crianças indígenas que vivem em situação de acampamento e fazer uma etnografia do seu cotidiano, conhecer os caminhos percorridos por elas dentro deste ambiente, observando e destacando as mesmas como produtoras de conhecimento. Palavras-chave: Território; Situação de Acampamento, Retomada, Crianças Kaiowá. O NOSSO LUGAR É TUDO ISSO, O QUE A GENTE VÊ E NÃO VÊ! O TEKOHA PARA OS GUARANI E KAIOWÁ EM DIÁLOGO COM O CONCEITOS DE TERRITÓRIO Juliana Grasiéli Bueno Mota E-mail: julianamota@ufgd.edu.br RESUMO: A seguinte frase, “O nosso lugar é tudo isso, o que a gente vê e não vê”, foi narrada por uma senhora Kaiowá, com aproximadamente 65 anos, ao explicar o significado da palavra tekoha durante uma Aty Guasu, no acampamento-tekoha Passo Piraju. Durante sua explicação esclareceu que “o tekoha é o lugar que a gente retoma”. “A gente lembra né. Tekoha é retomar nosso lugar de origem”. Tekoha é o território nosso né”. O objetivo deste artigo é discutir, refletir e compreender alguns aspectos da categoria nativa tekoha em diálogo com o conceito de território de Rogério Haesbaert (2009), como possibilidade de desvendar os sentidos, os significados e as estratégias políticas dos povos Guarani e Kaiowá em Mato Grosso do Sul, que perpassam, SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES consequentemente, as atuais formas de imaginar e reinventar os territórios étnicos ancestrais. Os procedimentos metodológicos foram construídos através de nossa experiência em trabalho de campo, por meio da observação participante e entrevistas em profundidade, que nos têm permitido aprender com os povos Guarani e Kaiowá e refletir sobre os avanços, limites e desafios de imaginarmos as possibilidades e desafios de compreensão do tekoha. DIVERSIDADE DE POVOS E FORMAS DE PRESENÇA INDÍGENA NO TERRITÓRIO DO CRAS VIDA NOVA, EM CAMPO GRANDE- MS. Norivalson da Silva Vieira Graduando Serviço Social UCDB Estela Márcia Rondina Scandola RESUMO: O tema deste trabalho trata da presença de indígena no território urbano de Campo Grande-MS, especificamente na periferia do bairro Vida Nova Região do Segredo. O estágio em Serviço Social na Política de Assistência Social possibilitou visibilizar a presença dos indígenas no território do CRAS/ Vida Nova. Posteriormente, tanto nos registros do CADÚNICO como nos atendimentos, novas formas de presença foram sendo observadas e consideradas. A presença de indígenas na zona urbana já foi compreendidapor muitos como uma forma discriminatória e, portanto, de não ser mais indígena, chamando-os de desaldeados, aculturado, integrado e, com isso, não destinatário da garantia de direitos de equidade. A Política Nacional de Assistência Social – PNAS tem a visão de indígenas nas aldeias tradicionais e, não reconhece a presença indígena ou, reconhecendo, não registra a diversidade étnica e de formas de presença. As conquistas da Constituição Federal de 1988 e da Convenção 169 da OIT garantem aos indígenas o respeito à cultura, valores e autodeterminação. Por isso, o objetivo desse artigo é “descrever a diversidade dos povos e formas de presença indígena no território do Centro de Referência de Assistência Social – CRAS / Vida Nova “Henedina Hugo Rodrigues”. A metodologia da pesquisa é qualitativa, a coleta de dados foi realizada nos bancos de dados oficiais, documentos institucionais do CRAS Vida Nova, em artigos científicos sobre o território e nos documentos do estágio em Serviço Social, especialmente o diário de campo. Os dados foram organizados em dois temas: formas de presença e diversidade étnica no território. A análise está baseada nos fundamentos do Serviço Social. Os resultados indicam que na área adstrita do CRAS Vida Nova, já foram identificadas: Aldeia Urbana, Acampamento, Comunidade Indígena em conjunto habitacional, agrupamentos familiares em bairros, famílias em conjuntos habitacionais e indígenas vivendo em famílias mistas ou não indígenas. Sobre a diversidade étnica, os depoimentos e dados oficiais indicam que vivem Guarani, Kaiowa, Kadiweu, Guató e Terena, sendo este último, o povo com maior número de presença. As considerações finais apontam que o estágio em Serviço Social e a atuação profissional comprometida com o projeto ético-político da categoria é uma possibilidade concreta de visibilizar as diversidades étnicas nos territórios em que atuam. As políticas públicas e a atuação profissional com povos indígenas podem ter significativos se considerarem a diversidade étnica e seus saberes como riqueza a ser agregada ao seu trabalho, garantindo a alteridade e apoiando a equidade de direitos. SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES Palavras-chave: Assistência Social, Indígenas Urbanos, Serviço Social. RELAÇÕES SOCIAIS TERRITORIAIS ENTRE INDIGENAS E ASSENTADOS Paulo Apolinario Bispo Lauriene Seraguza RESUMO: Este é um trabalho que será desenvolvido na Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul e tem como objetivo principal a pesquisa na Aldeia Indígena Jaguapiré e Assentamento Vitoriam da Fronteira localizada no Município de Tacuru Estado de Mato Grosso do Sul através de referencia bibliográfica e pesquisa de campo, tem como foco principal mostrar para a sociedade acadêmica como é realidade dos produtores rurais que ali vivem e quais foram as fases que os trabalhadores passaram para conquistar suas propriedades e como os dois grupos convivem atualmente. Quais os benefícios que o Assentamento Vitoria da Fronteira trouxe para o Município e para a aldeia buscando sempre o ponto positivo e o negativo entre os dois grupos que convivem praticamente no mesmo Território, mas com característica diferente. Atualmente a Aldeia Indígena Jaguapire possui aproximadamente 300 famílias de etnia Guarani/ Kaiowa onde os mesmo vivem da agricultura, caça e pesca e com a ajuda do Governo Federal/FUNAI e do Governo do Estado de Mato Grosso do Sul onde são distribuídas mensalmente cestas básicas para as famílias para complementar a renda. O Assentamento Vitoria da Fronteira possui atualmente 288 familias de assentados onde os mesmo sobrevivem da agricultura e da pecuária. A maioria de seus produtos é vendida na cidade, a produção de leite é vendida para as empresas de laticínios e também é vendido na cidade nas casas e comércios locais. Palavras - chave: Duas Historia mesma realidade. RECORDAÇÕES DA “INVERNADINHA”: JUSTIÇA CEGA EM TERRA DE ÍNDIO ONDE QUEM MATA É OS FAZENDEIROS Rafael Allen Resumo: Este artigo apresenta um estudo sobre a história e a memória dos mais velhos da comunidade Terena da Terra indígena Buriti, localizada entre os municípios de Dois Irmãos de Buriti e Sidrolândia, estado de Mato Grosso do Sul. Trata-se de um trabalho que mais especificamente pretende registrar a história (Terena) e a memória dos Terena sobre seu próprio território, através da minha participação na tradicional festa de São Sebastião (momento importante em que fiz meu trabalho de campo). A aldeia de Buriti festeja São Sebastião, um santo cristão/católico em sua origem, esses Terena tem consciência de que isso não faz com que eles sejam menos Terena. Ao contrário, o reconhecimento como Terena inclui em seu arcabouço cultural São Sebastião, como elemento Terena. Este reconhecimento se dá mesmo frente a toda complexidade da sociedade nacional/ regional em que estão inseridos, e como sujeitos protagonizam sua história também a partir de SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES apropriações do mundo do ‘outro’, englobados e englobando-os. O foco central deste artigo não é sobre esta festa, mas é voltado à etnicidade Terena e sua concepção sobre o seu território, assunto transmitido pela tradição oral às novas gerações. É uma tentativa de revitalizar e ressignificar as histórias dos tempos dos avós. Na atualidade os Terena sentem cada vez mais a importância em produzir e socializar novos conhecimentos sobre sua história, transmitido dos mais velhos para as gerações mais novas através da oralidade. Assunto considerado relevante do ponto de vista da comunidade e também para a reivindicação de direitos tradicionais territoriais na atualidade. Palavras-chave: Violência indígena, História indígena, Índios Terena, Terra Indígena Buriti. MEMÓRIAS E PRÁTICAS TRANSFRONTEIRIÇAS DO POVO GUARANI Rayane Pereira G. Costa Estudante de História na Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA) rayanecosta.pg7@gmail.com Clovis Antonio Brighenti Professor de História Indígena na Universidade Federal da Integração Latino- Americana (UNILA) clovis.brighenti@unila.edu.br RESUMO: O presente artigo tem como objetivo problematizar as construções historiográficas das fronteiras nacionais e as práticas do povo Guarani a partir dos estudos sobre as dinâmicas de mobilidade, territorialidade e espacialidade na região da tríplice fronteira entre Paraguai, Argentina e Brasil e seus desafios na perspectiva sócio cultural e a organização dos Estados Nacionais. Constatamos que as políticas públicas são aplicadas de maneira diferentes em cada Estado tendo em comum desrespeito as dinâmicas próprias do povo. Os limites impostos pelas fronteiras geram formas distintas de resistência, passando por processos de desafios diários com a questão da mobilidade, muitas vezes impedidos de cruzá-las ou tendo que depender da benevolência de guardas nas aduanas, já que é comum a visita a parentes nascidos em outros lugares. O principal desafio é com a territorialidade onde ocorrem as disputas diretas ou indiretas pela conquista e recuperação de suas terras originárias. Nesse cenário a construção da Hidrelétrica de Itaipu Binacional no início dos anos 80 do século passado, é um marco histórico no processo de violação dos direitos humanos com o alagamento de mais de 40 Tekoha em ambas as margens do rio Paraná. A população ficou confinada em pequenos territórios e cercados de interferências externas como o agronegócio. Nesse cenário, os Guarani da margem esquerda do rio Paraná passaram a ser considerados estrangeiros, cunhados de paraguaios, mestiços ou integrados, em desrespeito total a sua identidade. Nesse contexto, desenvolvemos um projeto de pesquisa com Iniciação Científica(IC) a fim de compreender historicamente esse contexto sobre como se configuraram as formas de colonização. Nossa metodologia será um diálogo permanente com os saberes e práticas Guarani. Ainda não há dados conclusivos, porém já identificamos elementos que SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES apontem para estabelecer metodologias de compreensão desses desafios na dimensão micro (tríplice fronteira) e macro (âmbito continental) que nos auxiliarão ver essa população em seu diferentes contextos, sem disjunção o desconexão e tampouco, não perceber as particularidades dos contextos. Palavras-chave: Mobilidade, Territorialidade, Espacialidade, Estados Nacionais e Guaranis O SARAMBI ENTRE OS AVÁ-GUARANI COMO VIA DE ACESSO PARA PENSAR ÁS DISPUTAS CONTEMPORÂNEAS DE DEMARCAÇÃO DE TERRAS Renan Pinna Nascimento UNILA RESUMO: O presente trabalho busca brevemente tentar contribuir com as investigações sobre os processos de deslocamentos forçados, despojos, esbulhos e expropriação territorial dos Avá-Guarani no estado do Paraná, ao longo do século XX, em especial, processos decorridos entre as décadas de 40 e 80. Procuraremos então (re)contextualizar alguns períodos importantes que marcaram os esbulhos dos Avá-Guarani da região, assim como, expor a permanência ininterrupta desses que, ainda assim,continuaram no território tradicional. O conceito nativo de “sarambi” (esparramo) nos serve aqui como chave para acessar algumas das memórias dos Avá-Guarani em relação a esses processos de esbulhos no Oeste do estado de Paraná. Nos levando, a conhecer, tanto a lógica do “sarambi” quanto os fatores que influenciaram esses esparramos acontecer. Logo brevemente, o trabalho propõe conhecer e reconstruir parte da história do território Avá-Guarani e, os processos de esbulhos que sofreram, por conta da colonização industrial, assim como, a inundação do lago de Itaipu, e as políticas desenvolvidaspor órgãos indigenistas no século passado. Para isso, usaremos relatos dos Avá-Guarani que contam sobre o seu passado e, poderemos perceber como esses processos orientam o presente. Um trabalho que pretende ser uma síntese de um trabalho mais longo que envolve memória e etnografia. A partir desse trabalho, podemos vir tentar compreender, os atuais processos de conflito pela demarcação de terras e a resistência dos Avá-Guarani desde os acampamentos indígenas, localizados nos municípios de Guaíra e Terra Roxa. Palavras-chave: avá-guarani, sarambi, resistência, estado, memória SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES O PIBID INTERDISCIPLINAR NA ALDEIA GUAPO`Y – AMAMBAI Algacir Amarília RESUMO: O presente trabalho pretende apresentar ações desenvolvidas através do Programa Institucional de Bolsas de Incentivo à Docência – PIBID, Subprojeto Interdisciplinar, UEMS de Amambai, referentes ao período de 2014 a 2016, na Escola Municipal Mbo´eroy Guarani Kaiowá na aldeia Amambai (Guapo’y), Amambai- MS, com estudantes de ensino fundamental do 9° ano. Essas atividades aconteceram nas aulas de História, envolvendo acadêmicos do curso de Ciências Sociais e História, tornando efetiva a proposta do PIBID interdisciplinar. O projeto propõe trabalhar temas relacionados à vida na aldeia, ao território e à territorialidade, à história da educação escolar indígena, educação indígena. Favorece um olhar sociológico, antropológico e histórico sobre a vida na aldeia Amambai (Guapo´y), através da escola. A comunicação pretende expor as atividades e os resultados alcançados em sala de aula. Estas atividades consistiram, entre outras, em elaboração de mapas, levantamento das histórias contadas pelos mais velhos e visita de antigos professores não-índios, que proporcionou entender a história da escola indígena e do nosso modo de vida – nhande reko. Palavras-chave: Educação Escolar Indígena; Guarani e Kaiowá; PIBID; Interdisciplinaridade. OBSERVAÇÃO DAS AULAS NA ESCOLA MUNICIPAL INDÍGENA ARAPORÃ NA ALDEIA BORORO, DOURADOS/MS Cleberson Ferreira RESUMO: As observações foram feitos nas 4 áreas de disciplina, onde foram observadas as aula de Língua Portuguesa, Língua Guarani, Artes e Educação Física. Nessa observação nas 4 áreas identifiquei duas questões problemáticas: na aula de português a professora não tem muito diálogo com os alunos, ou seja, a professora de certa forma trabalha bem, na verdade ela trabalha com tradução das duas línguas, português e o guarani, mas o problema é que ela não fala a língua materna, o guarani. E dessa forma não há muito diálogo entre a professora e alunos falantes da língua materna, o ensino de língua portuguesa como segunda língua ela desconhece. E a outra questão é na disciplina de Educação Física, onde o professor não é indígena e trabalha só preparando os alunos de 6ª ao 9ª ano para ensino médio, o conteúdo ministrado por ele é por semestre, com as seguintes atividades: vôlei, handball, futsal e basquete. O professor desconhece a Educação Física tradicional, ele não trabalha com esses tipos de conteúdo, ele diz que os alunos devem estar preparados para o ensino médio. Foram esse dois problemas que eu identifiquei. As outras duas disciplinas estão bem em relação ao ensino diferenciado na Escola Municipal Indígena Ara porã. SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES Palavras-chave: educação escolar indígena, ensino, língua guarani. PEDAGOGIA ARA KUATIA KARAI E ARA KUATIA KARAI REKO AVAETE GUARANI KAIOWÁ EMGUYRA , ARA KUATIA E NA PERSPECTIVA DA COMUNIDADE ALV DE AMAMBAI MS Delfino Borvão Pós-Graduação ESAP PROFESSOR RESUMO: O artigo tem pressuposto de uso de palavras que resulta a interpretação e tem por como pesquisa teórico-empírico, com gancho biográfico do povo e interfaces sob o olhar alfabetização e letramento do povo, com arranjos histórico, filosófico, sociais,cuja a proposição de fortalecimento, revitalização e valorização do processos de ensino e aprendizagem na caracterização de conciliar a educação familiar e escolar do povo Guarani Kaiowa local;Bem como consolidar a manifestação, reconhecimento de cidadania no território com pratica da interculturalidade na perspectiva próprio e realidade do povo Guarani Kaiowá da Aldeia Limão Verde de Amambai. Ressaltar no contexto de múltiplas inteligências e saberes da pedagogia Indígena dos Guarani /Kaiowá, e de conceitos método de Paulo Freire e Psicogênes e interface interligado a dimensão da espiritualidade, cosmologia como elemento pratico para a alfabetização , letramento e domínio na Oralidade, leitura, escrita e interpretação. A educação no mundo Guarani e dos não indígenas de obter resultado de letramento, termos indicadores do sucesso das nossas crianças no principio Dogmática e cosmológica de resinificar o bem viver , bem-estar indicadores para o processo de ruptura de ensino tradicionais do sistema para inserção de novas pratica de ensino aprendizagem por transdisciplinariedade e interdisciplinar com isso enxergar a auto estima, para sobressair terra sem males na terra dos homem na aldeia. Palavras Chaves: Pedagogia específicos-crianças Guarani/ Kaiowá – Alfabetização -ritos/ mito por incorporar kuatia Karai reko avaete MATERIAL INDÍGENA Edimar Araujo FAIND/UFGD Te’yikue Vanessa Lescano Martins RESUMO: Angu’a (Pilão): Feito de madeira de cedro, peroba, aroeira, cortar tamanho desejado, deixar em pé ou deitado, dar cortadinha em cima com enxada ou facão, depois colocar argila na beirada para não queimar, galho cego colocar em cima e queimar. Ao terminar de queimar, repetir o processoaté chegar no tamanho profundeza desejado. Serve para socar milho, arroz, amendoim, ponta ceco de mandioca, coco, cana, remédio. Esse instrumento e muito importante, tem utilidade para comunidade da etnia kaiowa e guarani, na SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES geração passada e atual. São feitos pelo mais velho, mulheres e o homens. De acordo com a cultura, masculino ou feminina mais novo não pode fazer o pilão, por quando seu filho nascer não terá anu (tepichai’ ĩ). Pela necessidade nela as mulheres ensina menina desde cedo até certa idade para aprender usar o instrumento. Tapekua (leque): São feitos de dois galhos com folha de coquinho (Pindo), os dois são cortados no tamanho desejado colocando junto um de baixo dos outros, transando folha do lado direito da folha vai ao lado esquerdo e folha do lado esquerdo vai para direita, passando entre a folha. Até no final da ponta da folha ou até no tamanho desejado. Serve para acender fogo, colocar batata, mandioca, peixe assado encima dele. Tapekua pode ser feito por qual quer pessoa, desde que sabe ou se é ensinada por alguém, isso e muito importante para guarani e kaiowa para usar no seu dia a dia dentro de casa. Monde Reikua jovai (armadilha que pode pegar animais de dois lados da trilha):Para fazer essa armadinha e preciso encontrar trilha frequentado pelos animais. Cortar galho reto de tamanho desejado colocando no lateral direito e esquerdo no mínimo 1/5 metro de comprimento. Cortar uma madeira grande, pesado para colocar em cima, cipó ou casca de sangra d’água para amarrar suporte do lateral direito, esquerdo e de cima. Essa armadilha serve para pegar animais grandes, como: tatu, porco de mato, cutia, paca e veado. Pode ser feito por homem, desde do adolescente até ao homem adulto. Quando armadilha for feito não pode peidar, se não a caça cheira o peido, foge e não volte mais transitar na mesma trilha. CONHECIMENTO KAIOWÁ NO ENSINO DE MATEMÁTICA: PROPOSTA DE MATERIAL DIDÁTICO Edson Escalante Faculdade Intercultural Indígena - Universidade Federal da Grande Dourados (FAIND-UFGD, Aldeia Pirakua município de Bela Vista , MS, Brasil. edsonquinhonesescalante@gmail.com Maria Aparecida Mendes de Oliveira Faculdade Intercultural Indígena - Universidade Federal da Grande Dourados (FAIND-UFGD), Dourados, MS, Brasil. E-mail: liamendeso@yahoo.com.br. RESUMO: O ensino de matemática em escolas indígenas tem sido motivo de reflexão constante, dada à necessidade de se levar em consideração o lugar em que a escola está localizada. Mais ainda, que grupo cultural e que conhecimentos estes alunos trazem para as escolas. Também, falta de materiais desenvolvidos na língua guarani ou a partir dos saberes indígenas é uma realidade. Considerando aspectos da cultura Guarani Kaiowá, foi realizado um trabalho de pesquisa junto aos mais velhos da aldeia Pirakua, a partir dos conhecimentos sobre alguns animais. Na cultura Kaiowá alguns bichos, animais, podem trazer situações negativas para a vida, ou seja, azar. Como resultado da pesquisa foi desenvolvido um jogo do peixe (pira). Neste jogo além de serem trabalhados os tipos de animais e o papel de agencia destes animais na nossa cultura, podemos abordar conteúdos de matemática diversos. Este trabalho é resultante da atividade proposta no Projeto de Alternância, do curso de Licenciatura Intercultural Indígena-Teko Arandu da Faculdade Intercultural Indígena FAIND/UFGD, habilitação em Matemática, que tinha como objetivo a elaboração de material didático, para as aulas de matemática na escola indígena, SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES tendo como referência as práticas e saberes tradicional. Para a pesquisa conversamos com pessoas mais velhas da aldeia. Temos como referência a etnomatemática produzida nas práticas da cultura Kaiowá. Percebemos por meio da pesquisa a importância de valorizarmos os artefatos da indígenas para a elaboração de materiais para trabalhar nas escolas das aldeias. Palavras-chave: Animais de vida negativa; etnomatemática kaiowá; ensino de matemática; jogo. O ENSINO DE GEOGRAFIA: CAMINHOS PARA A INTERCULTURALIDADE NA EDUCAÇÃO ESCOLAR INDÍGENA Francieli de Oliveira Meira Professora da Secretaria de Estado de Educação do Mato Grosso do Sul – SED/MS Mestranda do Programa de Pós-graduação em Geografia (PPGG) da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) E-mail de contato: francieliomeira@hotmail.com RESUMO: O presente artigo demostra práticas pedagógicas no ensino- aprendizagem da disciplina de Geografia em escolas indígenas Terena de Nioaque/MS. Resultado de pesquisa que realizamos na Terra Indígena de Nioaque sobre o ensino de Geografia, em que o nosso objetivo foi verificar como ocorrem a construções dos conhecimentos geográficos nas salas de aulas e analisar como o ensino de Geografia vem sendo desenvolvido nessas escolas. Desta forma foi preciso um mergulho no local de atuação dos professores de Geografia. Sendo assim, selecionamos algumas práticas desenvolvidas por uma professora pesquisada. Apresentaremos alguns desenhos que foram realizados por alunos do Ensino Fundamental, que trazem cenas do cotidiano das aldeias Terena de Nioaque/MS aproximando da discussão sobre o conceito de lugar. Pelas imagens selecionadas, percebemos que os alunos procuram demonstrar diferentes lugares na aldeia: a escola, o posto de saúde, a roça, o rio e a pesca, as frutas, entre outros, e suas significações. Nesses desenhos estão presentes as relações estabelecidas com o seu lugar, o que influencia diretamente na formação da identidade desses sujeitos. Observamos nessas imagens a disposição dos lugares e os acontecimentos cotidianos vivenciados pelos alunos. Acreditamos que esses elementos contribuem significativamente para o ensino de Geografia, quando trabalhado pelo professor. Os desenhos apresentados foram elaborados por alunos do Ensino Fundamental (6º ao 9º ano) no decorrer de um trabalho realizado pela professora de Geografia durante a semana de comemorações do Dia do Índio. Nesse trabalho, os alunos deveriam demonstrar os diversos lugares da aldeia e o cotidiano da comunidade, para posterior exposição em um mural na escola. O objetivo era fazer uma apresentação das aldeias para os visitantes, que iriam assistir às diversas apresentações realizadas no decorrer da comemorações. Palavras-chave: Ensino de Geografia; Terena; Lugar; Interculturalidade. SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES APONTAMENTOS INICIAIS DA ANTROPONÍMIA KAIOWÁ Hemerson Vargas Catão. Letras –UFGD RESUMO: Partindo do pressuposto que a Onomástica, conforme aponta Duboi (1997), é o ramo da lexicologia que estuda a origem dos nomes próprios, e que pode ser dividida em antroponímia, que trata dos nomes próprios de pessoa, e toponímia, que estuda as origens e a significação dos nomes de lugar, este trabalho tem como objetivo levantar, descrever e analisar os antropônimos Kaiowá do Cone Sul de Mato Grosso do Sul, visando entender o sistema de nominação do povo e suas relações com o meio ambiente e a cultura. Os dados foram levantados em pesquisa de campo na T.I. Panambizinho, Dourados - MS. Buscamos também na literatura antropológica, reflexões sobre o sistema de nominação desse povo, sendo de fundamental importância os trabalhos de Chamorro (1995, 2015). Trata-se de uma pesquisa em faze inicial, mas com resultados interessantes a serem compartilhados, por meio dos quais, podemos compreender um pouco mais dos aspectos histórico-culturais do povo Kaiowá e suas relações com o sistema de nominação. Palavras-chave: Onomástica ; Antroponímia; Antroponímia Kaiowá. AS CASAS DE REZA KAIOWÁDO PANAMBIZINHO: SABERES INDÍGENAS E EDUCAÇÃO ESCOLAR Ivanuza da Silva Pedro Faculdade Intercultural Indígena/Universidade Federal da Grande Dourados (FAIND/UFGD), Aldeia Panambizinho, Dourados, Mato Grosso do Sul, Brasil. Maria Aparecida Mendes de Oliveira Faculdade Intercultural Indígena/Universidade Federal da Grande Dourados (FAIND/UFGD), Aldeia Panambizinho, Dourados, Mato Grosso do Sul, Brasil. RESUMO:A casa de reza tem muita importância para a comunidade Kaiowá, pois tradicionalmente é um lugar sagrado e é a casa do xiru (cruz sagrada), era um recinto de habitação, suficientemente espaçosa para abrigar dezenas de pessoas. É a partir de pesquisa realizada na aldeia indígena Panambizinho, município de Dourados-MS, que identificamos modos de saber relacionados as práticas de construção de uma casa de reza. Estas práticas estão, também, relacionadas as diferentes formas de medidas de superfície, área e comprimento, tempo e localização, presentes entre os Kaiowá do Panambizinho. Ou seja, uma étnomatemática dos Kaiowá do Panambizinho. No presente trabalho temos como objetivo apontar a importância da casa de reza (oga pysy terã ongusu) na cultura Kaiowá e destacar elementos das práticas de construção da casa que podem estar presentes no currículo da escola indígena para a introdução de conceitos matemáticos. A pesquisa aponta que as casas de reza nesta aldeia tem resistido, mesmo que resinificadas, no entanto, cada vez mais com dificuldade de manutenção destas construções, dada a degradação do meio ambiente. Acreditamos que a pesquisa sobre os saberes indígenas e a ação pedagógica em sala de aula é cada dia mais importante na construção de uma escola indígena que atenda as diferentes formas de saber presentes nas práticas de um povo. SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES Palavras-chave: Casa de Reza; etnomatemática kaiowá; ensino de matemática; escola indígena. ETNOGRAFIA ESCOLAR NA RESERVA INDÍGENA DE DOURADOS: A PROBLEMÁTICA DA LÍNGUA MATERNA Katia Regina Moura de Castro Mestranda no Programa de Pós-graduação em História/PPGH /UFGD. RESUMO: Com base na pesquisa que estou realizando, pretendo apresentar algumas reflexões no que tange à manutenção e ao fortalecimento da língua materna dos povos indígenas. Diante da complexidade existente na Reserva Indígena de Dourados, as línguas indígenas sofreram um grande impacto devido à pressão da língua portuguesa sobre o cotidiano indígena, seja laboral ou de simples convivência com o entorno. A Reserva Indígena de Dourados possui duas Aldeias: Aldeia Bororó e Aldeia Jaguapiru. Sua criação é resultado de um projeto evidente de colonização e civilização que desconsiderou as especificidades étnicas e culturais de cada povo ali confinado: Kaiowá, Guarani e Terena. Foi ainda estimulada pela política indigenista oficial a interação forçada com a sociedade circundante a fim de promover e acelerar a integração, especialmente dos Guarani/Kaiowá, aos costumes da sociedade local e nacional. Portanto podemos notar o quanto a vida interna nas aldeias foi e continua a ser influenciada pelo contato externo com os não índios, que com certeza interfere na língua materna falada, mas também pela ação da escola e de outros agentes, sejam religiosos, civis ou do estado brasileiro. Entretanto, como é possível perceber através da investigação em curso, a escola pode ser um espaço de revitalização das línguas indígenas, processo garantido pela Constituição Federal de 1988 e por políticas públicas para a educação escolar indígena, como a Ação Saberes Indígenas na Escola e cursos de formação específicos, como a Licenciatura Intercultural Indígena Teko Arandu e Normal em Nível Médio Ára Verá. Palavras chave: língua materna; educação indígena; escola. II MOSTRA CULTURAL GUARANI NHANDEWA: ESTRATÉGIAS DE ENSINO/APRENDIZAGEM ENTRE OS GUARANI NHANDEWA NUM CONTEXTO DE RETOMADA ENTRE OS INDÍGENAS DA TI YWY PORÃ/POSTO VELHO Leticia Fernandes RESUMO: A Terra Indígena Ywy Porã/Posto Velho localizada no município de Abatiá-PR, região Norte do Paraná é fruto de uma retomada realizada em 2005 pelos Guarani Nhandewa do antigo Posto do SPI, criado nas margens do Rio Laranjinha nas primeiras décadas do século XX, no contexto da frente de expansão agrícola na região, teve suas terras totalmente usurpadas por fazendeiros locais por volta de 1960. Desde a retomada, vivem nesse local que compreende 03 hectares (sem áreas agricultáveis) cerca de 80 pessoas (ou 18 famílias) que aguardam a demarcação desse território. Nesses 10 anos de retomada, a garantia da educação escolar tem sido um dos grandes desafios para os indígenas que residem nesse local, que enfrentam problemas SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES relacionados desde a falta de infraestrutura na escola, equipamentos e contratação de funcionários. Apesar das adversidades enfrentadas, para garantir a oferta de uma educação escolar indígena diferenciada e que leve em conta os aspectos tradicionais da etnia, no final do ano de 2015, a organização e realização II Mostra Cultural Guarani Nhandewa: “515 anos de luta, 10 anos de história e nossos guerreiros continuarão”, numa parceria entre escola e comunidade, se constitui num exemplo de êxito da articulação de saberes tradicionais com a matriz curricular vigente. Realizada entre os dias 11,12 e 13 de novembro de 2015, o evento contou com um grande número de visitantes e durante os três dias foram realizadas atividades como apresentações culturais, palestras, mostra e comercialização de artesanato, gincana cultural, trilha na mata, circuito de armadilhas e apresentações de atividades envolvendo outras escolas indígenas da região. A realização desse evento possibilitou que várias atividades, realizadas a princípio apenas no contexto da II Mostra Cultural, fossem incorporadas ao cotidiano escolar, possibilitando desse modo, o fortalecimento de seus aspectos culturais. PALAVRAS-CHAVE: Educação Escolar Indígena, articulação entre escola e comunidade, Mostra Cultural. “A GENTE SÓ COPIA”: CONCEPÇÕES SOBRE O ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA EM CONTEXTO INDÍGENA Marina Oliveira Barboza Brandão UFGD Resumo: Este trabalho tem como objetivo apresentar os resultados de uma pesquisa que teve como finalidade diagnosticar, compreender e refletir sobre o ensino de língua portuguesa no contexto bilíngue de uma escola indígena de uma reserva indígena da região de Dourados/MS. A área tem uma população indígena bastante representativa, sendo que nas aldeias estão presentes 03 etnias: Guarani, Kaiowá e Terena. Sabe-se que o Referencial Curricular Nacional para as Escolas Indígenas/RCNEI, bem como outros documentos oficiais sobre educação intercultural indígena apontam para a garantia de educação intercultural, bilíngue e diferenciada para a população indígena. Contudo, a escola onde a pesquisa foi realizada possui um público em que a maioria das crianças é falante da língua indígena, mas, ao ingressarem na escola, aos poucos vão aprendendo o português e deixando de falar a língua indígena na escola e na comunidade, o que vem ao encontro da realidade do ensino do português no Brasil, que sempre teve uma perspectiva homogeneizante. A língua caracteriza- se como objeto de poder e identidade de um povo, entretanto, no contexto indígena, a imposição do português como língua única está muito presente. Neste trabalho pretende-se apresentar as reflexões sobre as práticas de ensino e concepções de ensino e aprendizagem de língua portuguesa presentes na comunidade analisada. Acreditamos que a reflexão sobre o modo de ver e tratar a língua implica em movimentos para a promoção de ações interculturais que promovam um olhar crítico sobre o tratamentoque se dá aos sujeitos bilíngues nas aldeias da região e sobre os preconceitos linguísticos que enfrentam. Assim, pretende-se colocar em evidência quais os conceitos de ensino de língua subjacentes nas escolhas e práticas docentes no contexto intercultural indígena da região. Nossa perspectiva teórica terá como norte as reflexões da Linguística SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES Aplicada e as pesquisas em educação escolar indígena e ensino de língua portuguesa como segunda língua. Palavras-chave: língua portuguesa; contexto indígena; ensino/aprendizagem EDUCAÇÃO ESCOLAR INDÍGENA: “FAZER FALAR O PAPEL” Marlene Gomes Leite Mestranda em Antropologia (PPGAnt)-UFGD. Bolsista: Capes. E-mail: marlenejuti@hotmail.com Laura Roseli Duarte Mestranda em Antropologia (PPGAnt)-UFGD. E-mail: laurapael@hotmail.com Thaianne Coral Fernandes Mestranda em Antropologia (PPGAnt)-UFGD. E-mail: thaianecoral@hotmail.com RESUMO: Este trabalho propõe uma breve reflexão sobre a educação escolar indígena como um movimento importante de “bricolage”, onde esse processo tornou-se para as famílias indígenas Guarani e Kaiowá um problema desafiador, provocando discussões sobre o “fazer falar o papel”. Assim a educação escolar foi entendida por algumas famílias como fonte de diversos saberes, prestígios e poder político dos não indígenas, um instrumento utilizado para entender os saberes não indígenas (BENITES, 2009). A escola que se tornou um espaço político nas aldeias, tem por finalidade responder as necessidades e demanda atual nessa constante caminhada, reforçando os conhecimentos tradicionais (BENITES, 2014). Para tanto, pensar a educação escolar, é pensar uma instituição originária dos povos não indígenas. Essa instituição introduzida pelo colonizador branco, por muitas décadas foi instrumento de dominação ideológica e opressão, uma “máquina de fazer brancos” precisamente por não valorizar a cultura e as línguas nativas existentes, impondo valores que não condiz com a realidade tradicional dos povos em questão. Somente a partir da Constituição Federal de 1988 o governo federal brasileiro, pressionado pelo movimento indígena e seus aliados, reconheceu a sociedade nacional como pluricultural, reconhecendo a organização social, os costumes, as línguas, as crenças e as tradições dos povos indígenas. No que tange a educação, ela assegurou que as comunidades indígenas utilizem suas línguas maternas e seus processos próprios de aprendizagem. Nesse sentido contemplamos algumas discussões dos professores indígenas do Teko Arandu, além de conversas com os professores da Escola Municipal Mbo’ero Arandu’i, localizada na aldeia Jarara município de Juti, MS, para abordar como se dá o processo educacional nessa localidade e o papel do professor indígena nesse contexto, contribuindo para o aprendizado acerca do tema em questão. Palavras- chave: Educação Escolar Indígena, Constituição Federal de 1988 e Professor Indígena. SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES A EFETIVIDADE DO ACESSO DE INDÍGENAS À EDUCAÇÃO SUPERIOR E OS DESAFIOS PARA A PERMANÊNCIA Maurício José dos Santos Silva RESUMO: Pesquisas apontam que o acesso de indígenas no cenário da educação superior tem crescido ano após ano, acredita-se que tal crescimento efetivou-se pela universalização do ensino fundamental e médio e das ações afirmativas voltadas para o ingresso e permanência nas universidades. Baseada em pesquisas bibliográficas e documental buscou-se compreender quais os caminhos traçados pelos indígenas ao longo de aproximadamente um século de educação formal e o recente acesso à educação superior, assim como as ações afirmativas ofertadas no Estado de Mato Grosso do Sul (MS), especificamente no município de Dourados – MS, visto que a cidade conta com aproximadamente 15 mil indígenas e duas Instituições de Ensino Superior (IES) públicas além de um Centro Universitário privado que proporcionam uma grande oferta de vagas para cursos de graduação em diversas áreas. O presente trabalho busca relacionar alguns programas e ações afirmativas ofertados aos estudantes indígenas na educação superior pelas IES e por outros organismos governamentais ou não governamentais a fim de favorecer a permanência destes nos cursos de graduação até sua conclusão e o processo de ressignificação identitária, uma vez que os indígenas deixam suas comunidades de origem, adentram no ambiente universitário e constantemente são desafiados a demonstrar sua capacidade intelectual, sua cultura e seu pertencimento étnico. Palavras-chave: Educação indígena; identidade; ação afirmativa. DESAFIOS E EXPERIÊNCIAS ENQUANTO ESTUDANTE INDÍGENA DE PÓS-GRADUAÇÃO Mbo'y Jegua'i - Clara Almeida Barbosa RESUMO: Meu nome é Mbo'y Jegua'i adotei um nome ocidental Clara Barbosa de Almeida para ser chamada mais fácil pela sociedade não indígena. Quero compartilhar um pouco minha história e experiências enquanto estudante indígena do Programa de PósGraduação em Integração Contemporânea – ICAL na Universidade Federal da Integração Latinoamericana – UNILA, em Foz do Iguaçu, PR. São muitos desafios enquanto estudante para entender a universidade e seu ensinamento de padrão ocidental; onde a instituição ainda não esta pronta para nos receber de acordo como somos, povos originários! Tento me adaptar com novo mundo onde eu vejo muitas coisas diferentes ao meu conhecimento nativo. Isso não significa que sou inferior aos demais que estudam comigo. No meu modo de ver, a universidade forma o aluno para disputar poder, para ser elite que tem autonomia para dominar o outro. Estamos na universidade para aprender a historia do ocidental, mas não para usar essa historia para nós. A universidade é apenas mais uma ferramenta que nos fornecem para uso cotidiano nas nossas comunidades, para voltar para as comunidades e trabalhar com os parentes Guarani Kaiowá e outras etnias no Brasil. Na universidade quem a maioria das pessoas chama de eles, somos nós, SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES povos originários, vistos como pessoas fora do mundo moderno, por isso sendo visto como inferiores. Quero dizer para eles que nós temos conhecimento que não se aprende na universidade, nem na escola, tem um saber indígena. Conseguimos nos adaptar ao mundo dos juruá, e eles não conseguem se adaptar ao nosso mundo, pois tudo é padrão, competitividade, poder. Espero que a universidade possa ser uma ponte, para pessoas que querem aprender, trocar conhecimentos, mais do que ter poder. Que seja um espaço prazeroso, e não um comércio. É o que espero da universidade, e quero compartilhar com os parentes que estão estudando seja nas reservas, nos acampamentos ou nas retomadas. Palavras-chave: educação indígena, universidade, saberes. MULTICULTURALISMO E DIVERSIDADE CULTURAL NA RESERVA INDÍGENA DE DOURADOS- RID Micheli Alves Machado Mestre em Educação RESUMO: Este artigo trata de uma reflexão sobre o multiculturalismo, que apesar de ser uma temática que esta na “moda” deve ser respeitada em cada povo e culturas distintas já que discute sobre a classe menos favorecidas. Traz uma discussão do multicultural entre o povo Guarani e Kaiowa da Reserva Indígena de Dourados (RID) relacionado à educação escolar. Trato também da interculturalidade, e do hibridismo cultural. O multiculturalismo como um fenômeno do nosso tempo, pois traz questionamentos e desafios, tais como o respeito à diferença e à diversidade. Mais para isso é necessário entender o que é cultura e diversidade cultural. Palavras-chave: Multiculturalismo, Cultura; Guarani e Kaiowá. SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI:DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES FORMAÇÃO CONTINUADA DE PROFESSORES: OS SABERES INDÍGENAS NA ESCOLA MUNICIPAL TEKOHA GUARANI Rejane A R Candado – UFMS /UCDB Doutoranda em Educação no Programa de Pós-Graduação Doutorado em Educação (UCDB). Linha de Pesquisa: Diversidade Cultural e Educação Indígena. Orientadora: Dra. Adir Casaro Nascimento. rejanecandado@yahoo.com.br Resumo: Neste artigo faremos algumas considerações sobre programa “Ação Saberes Indígenas na Escola” desenvolvido na Escola Municipal Indígena de Educação Infantil e Ensino Fundamental Mbo’Ehao Tekoha Guarani - Polo, aldeia Porto Lindo, Japorã-MS. Este trabalho integra o projeto de tese em Educação, vinculado a Universidade Católica Dom Bosco, e ao Observatório da Educação. A Ação saberes Indígenas na Escola é um programa de formação continuada de professores no âmbito dos territórios etnoeducacionais, desenvolvido em parcerias com estados, municípios e instituições de Ensino Superior sob direção da Secretaria de Educação Continuada Alfabetização, Diversidade e Inclusão-SECADI/MEC. Dentre os objetivos do Programa destaco: a formação de professores indígenas da educação básica, bem como, oferecer subsídios e pesquisas que contribuam na elaboração de currículos, metodologias e processos de avaliação que atendam as especificidades dos processos de letramento, numeramento e conhecimentos dos povos indígenas, e a elaboração de materiais didáticos pedagógicos. A produção das informações foram referenciadas na etnografia pós-moderna em educação, através da pesquisa participante no acompanhamento das formações, nas observações e conversas com professores indígenas integrantes do Programa, da leitura de documentos oficiais e produções bibliográficas acerca do tema. As análises iniciais têm indicado para a vivacidade do conhecimento indígena, através das práticas pedagógicas, pois os professores fazem as suas escolhas, seja de conteúdo ou metodologia, a partir de suas epistemologias e dos pressupostos que a essa permeia, seja a religiosidade, e o desejo de educar um bom Guarani, desde a família a outros espaços educativos como a escola. Palavras-chave: saberes indígenas, tradução, educação escolar. EDUCAÇÃO INFANTIL INDÍGENA E AS LEIS QUE GARANTEM ESTE DIREITO Renata Silva de Souza/Universidade Federal da Grande Dourados Marta Coelho Castro Troquez Resumo: Este artigo é resultado do Trabalho de Conclusão de Curso de Graduação em Pedagogia1, que teve como temática a educação infantil de 1 Sob a orientação da Professora Doutora Marta Coelho Castro Troquez. SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES crianças indígenas. A partir dos aportes da pesquisa qualitativa, procuramos investigar o que vem sendo discutido sobre a educação infantil indígena e como a comunidade indígena de Dourados vem se posicionando diante disso, especialmente, no que diz respeito à necessidade da oferta da Educação Infantil dentro da Reserva Indígena de Dourados, MS (RID). Para fundamentar a pesquisa, fizemos um estudo sobre a temática da educação escolar indígena e as Leis e diretrizes curriculares. A coleta de dados foi realizada por meio de entrevistas abertas na Escola Municipal Indígena Tengatuí Marangatú, situada na RID, onde foram entrevistadas 36 mães, um pai, 4 gestores, um diretor, uma coordenadora e 3 professores. Os resultados confirmam a necessidade do oferecimento de educação infantil das crianças indígenas da Reserva Indígena de Dourados. Palavras-chave: Educação escolar indígena; Educação Infantil Indígena; Pré- Escola. EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE: ONDE CABE A DIFERENÇA? Rodrigo Novais de Menezes RESUMO: Este trabalho caracteriza-se como resultados preliminares da pesquisa desenvolvida no programa de pós-graduação em Antropologia na Universidade Federal da Grande Dourados. Com o intuito de evidenciar o processo de (in) visibilidade dos alunos indígenas no âmbito do cotidiano da escola Estadual Antônio Vicente Azambuja, localizada no distrito de Itahum na cidade de Dourados, por meio das analises de documentos legais da instituição e da observação participante de práticas educativas, assim como das relações que se estabelecem entre alunos\as indígenas com a escola (professores, coordenação, direção e funcionários no geral) e alunos/as não indígenas. Objetiva-se compreender a promoção da interculturalidade crítica no contexto das escolas públicas, procura-se questionar em que medida o modelo de educação pública ocidental ofertada nessa escola, considera e reconhece a diversidade étnica coexistente no cotidiano escolar. Alguns/as alunos/as indígenas são do acampamento indígena Guarani Kaiowá no entorno do distrito de Itahum, outros, residem no pequeno vilarejo que em sua totalidade concentra aproximadamente 4 mil habitantes. A partir da perspectiva da interculturalidade crítica (Tubino, 2005) e da descolonização epistêmica (Castro-Gomes, 2007) este trabalho busca evidenciar o modelo de educação ocidental, os mecanismos de dominação colonial, entremeados pelo discurso da interculturalidade funcional homogeneizador das diferenças. Palavras-Chaves: Educação escolar indígena, interculturalidade, descolonização. SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES A INTERCULTURALIDADE NA ESCOLA – A IMPORTÂNCIA CULTURAL PARA O SÉCULO XXI Rosane Gonçalves Costa Ozorio UFGD - Geógrafa e professora E.M.I Pa’i Chiquito-Chiquito Pedro da E.M. I Pa’i Chiquito-Chiquito Pedro E-mail: rosanecosta_ozorio@hotmail.com Bianca Gabrieli Marafiga Bióloga, mestre em Biologia Geral-Bioprospecção e professora da E.M. I Pa’i Chiquito-Chiquito Pedro. Eliane Aparecida Miqueletti Doutoranda e professora da Escola Estadual Floriano Viegas Machado. Professora gerenciadora das tecnologias (PROGETEC) da escola estadual Floriano Viegas Machado professora da E.M.I Pa’i Chiquito-Chiquito Pedro RESUMO: A interculturalidade é um processo que tem por base o reconhecimento do direito á diferença e a luta contra todas as formas de discriminação e desigualdade social”. Diferentes manifestações de preconceito, discriminação, diversas formas de violência – física, simbólica, bullying –, homofobia, intolerância religiosa, estereótipos de gênero, exclusão de pessoas deficientes, entre outras, estão presentes na nossa sociedade, assim como no cotidiano das escolas. A consciência desta realidade é cada vez mais forte entre educadores. Sendo assim, o intercâmbio entre escolas poderá promover de forma lúdica a interação entre culturas em todos os âmbitos. Neste sentido foi realizado um intercambio entre a escola estadual Floriano Viegas Machado e a escola municipal indígena Pa’i Chiquito – Chiquito Pedro localizada na aldeia Panambizinho. O principal objetivo foi oferecer aos alunos uma nova perspectiva de conhecimento cultural, social e ambiental, tendo em vista o deslocamento destes a escolas diferentes de sua realidade, na qual puderam apreciar outras realidades e vivencia-las. Isto porque a formação se dá por meio da relação que se estabelece entre teoria e prática, a partir do que o aluno é capaz de construir analisando a realidade por intermédio de suas fundamentações teóricas. Neste caso, o aluno foi o grande construtor do conhecimento e do desenvolvimento, auxiliando-o na tomada de decisões mais justas frente às questões de divergência social predominante em nosso país. Palavras – chave: Cultura; educação; intercâmbio escolar. EDUCAÇÃO ESCOLAR INDÍGENA: ENTRE A BUSCA DO BEM VIVER E A REALIDADE DE LUTA PELA TERRA Sandra Procópio da Silva Maristela Aquino Isfran Anastácio PeraltaRESUMO: Este trabalho é fruto de uma experiência iniciada no começo do ano de 2016, na Escola Municipal Indígena Lacuí Roque Isnard. O elemento mobilizador foi o tema da fome. A escola fica localizada na Reserva Indígena SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES Bororó, no município de Dourados-MS. A escola atende 200 crianças entre 06 a 15 anos. Uma das razões pelas quais uma parte considerável vai para a escola é para ter oportunidade de realizar a única refeição do dia. Por trás desta situação está um longo histórico de perda de territórios tradicionais, e vários outros pontos que levam à situações de violência, dependência química ( drogas) e alcoolismo e transformações sistemáticas de costumes e hábitos alimentares milenares praticados pela comunidade, que colaboram para que o tema da fome se transformasse em um problema desta dimensão. Para os povos Guarani Kaiowa, seu território não reconhece as linhas oficiais demarcadas pelos governos do estado capitalista. Seu grande povo está entre Brasil, Paraguai e Argentina. Nas memórias de muitos anciãos, custa-lhes compreender a possibilidade de que a terra seja dividida entre nações. O modo de vida do povo Guarani Kaiowa é profundamente marcado pela espiritualidade, expressada em todos os momentos e movimentos na busca da Terra Sem Males. Sua relação é marcada pela concepção da Terra como mãe, portanto, aquela a quem se ama, cuida e respeita, e não se admite que a terra seja usada como objetivo de comércio. Portanto, a concepção de vida relaciona-se cotidianamente com o sagrado, como elemento fundante do todo do seu mundo. É nesse contexto que o termo Bem – Viver, tem sido amplamente utilizado para expressar essa relação dos povos indígenas com a luta por um mundo que supere a economia capitalista e pressuponha outras formas de relação entre seres humanos e natureza. É neste sentido que educação indígena vai muito além da educação escolar indígena. Educação, neste contexto, não pode ser explicada com palavras, se não a vivencia das múltiplas dimensões que compõe a vida no território e como um grande povo. A escola, historicamente, quando surge na humanidade, tem a tendência a servir as leis de mercado, e também de reprodução das ideias da classe dominante. No Brasil, não é diferente. Portanto, a escola indígena é uma conquista dentro dos marcos do estado democrático de direitos, ao mesmo tempo que é o conflito pela construção da contra hegemonia. Ou seja, “a escola que temos” e a “a escola que queremos”. Palavras-chave: Bem Viver, Educação Escolar Indígena, Educação Indígena, fome. ANTROPOLOGIA E EDUCAÇÃO: UMA ETNOGRAFIA DA PARTICIPAÇÃO DE ALUNOS INDÍGENAS NAS ESCOLAS PÚBLICAS DA CIDADE DE DOURADOS Selma das Graças de Lima selmasagali@hotmail.com RESUMO: O presente trabalho se propõe ao exercício de etnografar sobre a presença indígena em escolas públicas da cidade de Dourados. No espaço urbano, novas relações vão se estabelecer no interior da escola. Elas apontam para tensões e dificuldades nas relações entre alunos indígenas, profissionais de educação e com os demais alunos da escola. Por outro lado, institui formas de cooperação e amizade entre alunos indígenas e não indígenas. O trabalho é um resumo da Dissertação de Mestrado em Antropologia Sociocultural e discute essa situação de interação, considerando as diferentes percepções dos alunos indígenas, alunos não indígenas, professores, pais e demais funcionários da escola. A autora é professora efetiva da rede estadual de ensino e leciona para SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES alunos indígenas na cidade de Dourados, o que facilita a proximidade com o universo a ser pesquisado. Os dados apresentados resultam de entrevistas, conversas, registros dos alunos indígenas e observação do cotidiano da escola. A preocupação central foi investigar os motivos que levam os alunos indígenas a buscarem as escolas da cidade, tendo em conta que, em suas aldeias, as escolas indígenas oferecem educação intercultural. Palavras-chave: Alunos Indígenas, Preconceito, Educação Escolar Indígena. EDUCAÇÃO ESCOLAR INDÍGENA NOS MUNICÍPIOS DE AMAMBAI (MS), CAARAPÓ (MS) E DOURADOS (MS): GEOGRAFIAS MENORES COMO POTENCIALIDADE PARA DIÁLOGOS INTERCULTURAIS Solange Rodrigues da Silva Doutoranda em Geografia pela Universidade Federal da Grande Dourados- UFGD. so_ufms@hotmail.com Flaviana Gasparotti Nunes Profª Drª do Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Federal da Grande Dourados - UFGD flaviananunes@ufgd.edu.br RESUMO: Esta pesquisa tem por objetivo central analisar as práticas dos professores de Geografia atuantes nas escolas indígenas dos municípios de Dourados (MS), Caarapó (MS) e Amambaí (MS) na tentativa de apontar possíveis geografias menores (derivas minoritárias dessas práticas) como potencialidades para a efetivação da educação intercultural. Visando contribuir para a reflexão sobre a educação intercultural, por meio da análise de práticas e percursos educativos desenvolvidos na área de Geografia, analisamos as propostas pedagógicas das escolas indígenas desses municípios e Identificamos, nas aulas de Geografia das escolas indígenas estudadas, a existência (ou não) de práticas e percursos educativos que se caracterizem como possíveis geografia menores. Para atingirmos os objetivos acima propostos, realizaremos como procedimentos metodológicos o levantamento e estudo bibliográfico sobre o tema; análise dos principais referenciais curriculares sobre educação escolar indígena no Brasil; identificação e mapeamento das escolas indígenas, levantamento e análise dos projetos pedagógicos das escolas, realização de entrevistas semi-estruturadas com coordenadores pedagógicos e professores de Geografia das escolas indígenas, acompanhamento in loco das aulas de Geografia nas escolas indígenas dos municípios pesquisados; Como esta é uma pesquisa ainda em desenvolvimento, apresentamos nesse artigo, apenas parte da análise realizada até o presente momento. Palavras-chave: Educação Intercultural, Geografia Menor, Escolas Indígenas. SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES A RELAÇÃO COM O APRENDER NA ALDEIA LARANJEIRA ÑANDERU: AS CRIANÇAS E O APRENDER Tania Milene Nugoli Moraes Antonio Hilario Aguilera Urquiza RESUMO: O presente artigo apresenta uma proposta de um estudo etnográfico com e sobre crianças indígenas que vivem em contexto de acampamento, no sul do estado de Mato Grosso do Sul, na aldeia Laranjeira Ñanderu, no município de Rio Brilhante. A partir dos procedimentos metodológicos do campo da Antropologia, particularmente o trabalho de campo, procura enfatizar os processos educacionais a partir de questões do cotidiano de aprendizagem das crianças no cotidiano da aldeia (educação não formal), e apresentar a relação de aprendizagem com os acontecimentos da aldeia. Sendo assim, a pesquisa, ainda em andamento, aqui apresentada se dispõe a levantar reflexões da relação destas crianças com a educação, levando em considerações questões pertinentes: como se dá a relação de aprendizagem nos acampamentos? Como acontece a pedagogia indígena, ou os processos próprios de aprendizagem? A partir de autores como Cohn, Brand, Nascimento, Tassinari, dentre outros, consideramos este estudo um caminho importante, pois assim poderemos ouvir a voz dessas crianças, levando em conta que estas populações vivem em uma situação de incertezas esperando decisões judiciais sobre seus territórios e sem atendimento dos órgãos competentes, nesse lugar estão em uma situação de vulnerabilidade, sem acesso a qualquer política pública, seja na questão alimentar, saúde, educação ou em qualquer outra área, exatamentepelo fato de não estarem em áreas regularizadas pelo Estado. É nesse sentido que a pesquisa procura estabelecer as relações de aprendizado além de valorizar a aprendizagem da cultura local, como ponto de partida para o empoderamento desta cultura. Palavras chave: crianças indígenas, kaiowá e guarani, pedagogia tradicional, situação de acampamento. EDUCAÇÃO TRADICIONAL DOS GUARANI (TEKOHA PIRAJUI) NA FRONTEIRA ENTRE PARAGUAI E BRASIL, MS Wagner Duran RESUMO: A pesquisa realizada por mim, a preocupação da nossa educação a principio, sumiu, foi esquecida pela família. A educação de uma criança recebe na gravidez da mãe, mãe, pai já conversava com o filho (a), depois de nascer recebe a educação dentro da casa o que pode fazer, comer, mexer, falar a mãe acompanha mais a dia a dia com o filho(a) (ani reguapy oga rokeme, ani reguapy tata´y arí, ita ari; realizei a minha entrevista com meu jaryi, tamõi). Levei tempo para conquistar a confiança dos mais velho(a), foi cedo as 4 horas da manhã para tomar chimarrão, tereré ouvir o conselho deles, enfrentei dificuldade mas sempre fui bem recebido porque carrego a palavra da minha mãe, pai o carinho respeito que tenho na minha educação própria para ter vida segura. Agradeço aos pais, mãe, vovó, avô por ter me ensinado passaram este conhecimento pra mim; a educação de uma criançã já recebe na gravidez da mãe até nascer: 1-desenvolver uma brincadeira com os alunos; como era as SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES saudações antigamente.2-menino sauda o mais velho, menina sauda uma idosa; escrever em guarani as saudações e desenhar em Quadrinho, traduzir em português depois apresentar. Observar e análise a atividade de pesquisa, entrevistada (o) sobre a educação tradicional indígena guarani. Os alunos indígenas devagar fazem o trabalho de pesquisa para produzir um livrinho: como era o ensino de uma criança dentro de casa ou o ensino educação dado pelos pai e mãe. Observar o trabalho de pesquisa o grupo todos participa, primeiro dialogar sobre o tema da pesquisa: grupo de três alunos ou Quatros e começar a pesquisa cada um dos pesquisem e relata o trabalho. Fazer cartaz e apresenta a pesquisa coletada pelos grupos em sala de aula na escola indígena aos colegas. Questionar os alunos sobre a pesquisa trabalhado e os colegas perguntem se ainda praticam a educação tradicional em casa na vivência de dia adia ou não praticam mais. Depois de terminar o seminário debate com os alunos sobre o trabalho que fizeram aprenderam algumas coisas como se sentiu na hora de entrevistar uma pessoa idosa(o) é importante a nossa educação guarani, instrumento que Deus nos deu um símbolo espírito de força da família. Palavras-chave: Educação Escolar indígena, infância, guarani. OS EMPRÉSTIMOS LINGUÍSTICOS ENCONTRADOS NA COMUNIDADE GUARANI E KAIOWA NA RESERVA INDÍGENA DE BORORO E JAGUAPIRU EM DOURADOS, MS Zenilton Fernandes RESUMO: O que o empréstimo linguístico está causando na língua indígena dentro da comunidade? O empréstimo está ajudando a fortalecer e valorizar a língua indígena ou está prejudicando? Podemos produzir materiais e onde poderemos fazer? Porque não existem tantos materiais que são produzidos na própria língua materna? Em relação de todas as línguas que adquirem o empréstimo na comunidade Guarani e Kaiowa, quem valoriza a língua tradicional são os mais velhos, na opinião dos mais velhos. Estas questões norteiam a minha investigação que pretendo apresentar, uma análise de empréstimos que se encontra na comunidade Guarani e Kaiowa na reserva indígena de Bororo e Jaguapiru em Dourados, MS. Palavras-chave: guarani e kaiowa, empréstimos linguísticos, língua guarani SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES DAS FALAS CONTIDAS E VOZES INTERDITADAS AOS MOVIMENTOS ESTRATÉGICOS DE RESISTÊNCIA: UMA REFLEXÃO SOBRE AS PRÁTICAS INSTITUCIONAIS DE UMA INSTITUIÇÃO HOSPITALAR NO MS Adriele Freire de Souza Universidade Federal da Grande Dourados – UFGD RESUMO: Este trabalho é um recorte da dissertação “Entre discursos e territorialidades: uma análise antropológica das práticas institucionais no Hospital Universitário da Grande Dourados – MS”, que buscou entender de que forma as várias territorialidades e discursos desta instituição de saúde moldavam e controlavam o comportamento dos sujeitos que circulavam por este território. A lógica de funcionamento desta instituição está alicerçada sobre o dispositivo disciplinar de esquadrinhamento dos sujeitos produzindo sobre eles um saber para dominá-los. Contudo, este fato não impede que movimentos de contrapoder ou de resistência ocorram dentro da instituição. Por um lado, há subjetividades ditas, como aquelas ligadas à pessoalidade e aos sujeitos transformados em índices, como o estatístico, econômico e pedagógico, entre outros. Por outro lado, há as vozes contidas e as falas interditadas, marcas características dos sujeitos indígenas e dos sujeitos psiquiátricos. Estes representam a marca da diferença radical e também aqueles que não se submetem à ordem vigente, tornando-se facilmente um hóspede malquisto. A partir desta problemática, o intuito do presente trabalho é refletir sobre as estratégias de resistência destes sujeitos frente aos poderes disciplinares que tentam submetê-los à ordem e apagar as diferenças. Assim, pretende-se apreender de que forma, mesmo tendo suas falas interditadas, esses sujeitos conseguem construir estratégias de fuga que subvertem à lógica dominante no hospital, pautado sob o olhar biomédico de saúde. Palavras-chave: Instituição Hospitalar. Disciplina. Contrapoder. Diferenças. DESAPRENDER 8 HORAS POR DIA: PSICOLOGIA NA SAÚDE INDÍGENA Catia Paranhos Martins catiamartins@ufgd.edu.br RESUMO: Inspirada em "desaprender 8 horas por dia", um fragmento da poesia de Manoel de Barros, aponto considerações e questões sobre os desafios e as (des)aprendizagens necessárias no trabalho da Psicologia com os povos indígenas, principalmente os Guarani e os Kaiowá da região de Dourados - Mato Grosso do Sul. Problematizo as minhas experiências profissionais ao longo de uma década, a saber, como docente da Universidade Federal da Grande Dourados; no Programa de Residência Multiprofissional em Saúde do Hospital Universitário da Grande Dourados (ênfase em Saúde Indígena); por diversos pontos da atenção e da gestão no Sistema Único de Saúde (SUS), com destaque para a atuação no Ministério da Saúde, como consultora da Política SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES HumanizaSUS nas atividades em parceria com a Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI). Neste cenário marcado pela monocultura de grãos, há indicativos de que o empobrecimento não é somente do solo, mas se produz um deserto para as invenções e as expressões dos diferentes modos de ser/estar no mundo. Das Ciências Humanas e Sociais ao campo da Saúde Coletiva, não faltam acúmulos que caracterizam as barbáries e as violações de direitos em que vivem os povos indígenas de Mato Grosso do Sul. Até quando? A que serve o desconhecimento e a invisibilidade dos povos indígenas? Como formar trabalhadores de saúde que respeitem as concepções de corpo, saúde e cuidado dos povos daqui? Como ampliar o compromisso ético com a vida? Considero que a qualificação do SUS e o fortalecimento da saúde como direito de cidadania, em especial na construção de uma saúde que respeite os saberes tradicionais, implica em muitas desaprendizagens. Dentre os inúmeros desafios, é urgente reaprender a viver e construir enfrentamentos coletivos às práticas biopolíticas de medicalização e aprisionamento da vida. Palavras-chave: Sistema Único de Saúde; Saúde indígena;Psicologia Social. ATENÇÃO DIFERENCIADA À SAÚDE INDÍGENA NO MUNICÍPIO DE DOURADOS, MS Danilo Cleiton Lopes RESUMO: A atenção diferenciada a Saúde Indígena mediante política pública, representada, sobretudo, pelo Sistema Único de Saúde (SUS), além de um direito constitucional, caracteriza-se como grande desafio para seus colaboradores. Isso porque colocam em relação conhecimentos ocidentais dos profissionais de saúde e os saberes tradicionais acumulados historicamente pelos povos indígenas. O município de Dourados – MS e parte da extensão do município de Itaporã – MS, compõem a maior reserva urbana do Brasil, com mais de 17 mil índios entre as etnias Terena, Guarani e Kaiowá. Configurando- se em um território multicultural fértil, inclusive em suas ações de saúde, que tencionam seus atores nas relações interculturais. A partir da noção de biopolítica, lançamos luz sobre as características de governamentalidade das políticas públicas de saúde e suas estratégias de normatização e disciplina da população, que relacionadas a saúde indígena, presumem a imposição dos conhecimentos ocidentais etnocentrados, desconsiderando as alteridades.Tais práticas, se tomadas acriticamente, reverberam em ações colonizadoras, desperdiçando experiências e saberes valiosos acumulados historicamente pelos povos indígenas, mediante sua cosmologia. Sustentando a linha abissal existente entre o legal e ilegal, o verdadeiro e falso, e os saberes tidos como subalternos, mantendo-os do outro lado da linha. A política de atenção diferenciada em saúde para os povos indígenas, surge então como possibilidade de resistência a tais práticas e de viabilizar ações em saúde que considerem as especificidades sócio-histórico-culturais. Cartografar, isto é, acompanhar os processos, percursos e produções de saúde indígena no município de Dourados - MS, suas conexões de redes ou rizomas, nos possibilita a compreensão e a necessidade de aplicação do conceito de saúde ampliado. A partir de perspectiva transdisciplinar e totalizante, ou seja, a saúde compreendida em seus múltiplos aspectos. Deste modo, a atenção diferenciada em saúde aos povos indígenas, sobretudo aos Guaraní e Kaiowá, deve levar em conta condições e modos de SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES vida, ou seu ‘bom modo de ser’ teko porá, e sua relação com a ‘terra boa’ ou Tekoha Porã, corpo que se alonga e se estende, e os sustenta junto aos outros seres, física e espiritualmente. Território de lugar para todos, onde possam habitar e viver segundo seus costumes, espaço percorrido e humanizado, isto é, territorializado. Lugar de encontro onde se produz vida, onde se faz saúde(s). Palavras-chave: Saúde(s); Saberes Tradicionais; SUS; Resistência. SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL: UMA ANÁLISE HISTÓRICA DAS POLÍTICAS VOLTADAS AOS INDÍGENAS NO BRASIL Fernanda Casagranda Nutricionista Residente do Programa de Residência Multiprofissional em Saúde da UFGD – Área de Concentração: Atenção a Saúde Indígena. Email: fer.casagranda@yahoo.com.br. Verônica Gronau Luz Docente da Faculdade de Ciências da Saúde – Curso de Nutrição da Universidade Federal da Grande Dourados – UFGD/MS. Email: veronicagronauluz@gmail.com. Resumo: A política voltada para as populações indígenas no Brasil tem origem em 1910 com a criação do SPI – Serviço de Proteção ao Índio, órgão guiado por princípios que visavam integrar e assimilar os indígenas brasileiros à sociedade nacional. O SPI, esteve de mãos dadas com o processo colonial que, ao longo dos anos, foi responsável pelo processo de territorialidade dos povos indígenas, caracterizado pela criação de pequenas reservas e pela retirada das suas terras de ocupação tradicional, motivos da paulatina perda da auto-sustentabilidade e da progressiva insegurança alimentar e nutricional, ações estas que, a partir de 1967, passaram a ser exercidas pela Fundação Nacional do Índio – FUNAI. O presente estudo pretende, a partir de fontes documentais e bibliográficas, analisar a trajetória das políticas de saúde indígena, verificando continuidades e descontinuidades, com enfoque na área de alimentação e nutrição, principalmente na segurança alimentar e nutricional, tendo em perspectiva o contexto econômico, político e social do país, nos momentos históricos em que foram implantadas tais políticas. O final dos anos 1980, com a promulgação da Constituição Federal, marca o florescer de uma nova forma de olhar essas populações atentando para os indígenas como seres com direitos específicos, sendo-lhes reconhecidos as suas formas de organização social, costumes, línguas e acesso às terras de ocupação tradicional, bem como os direitos à autonomia, a consulta prévia, protagonismo e participação nas políticas que lhes afetam. Foi no bojo destas transformações que a FUNASA – Fundação Nacional de Saúde – assume a saúde indígena, descentralizando os atendimentos de baixa complexidade em 34 Distritos Sanitários Especiais Indígenas – DSEI, espalhados pelo país. Hoje, a saúde indígena é de responsabilidade da Secretaria Especial de Saúde Indígena – SESAI, órgão ligado ao Ministério da Saúde, por meio do Subsistema de Saúde Indígena do SUS. O presente estudo demonstra que o conhecimento das condições de SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES alimentação e nutrição dos povos indígenas do país assume uma importância que não se resume às relações entre a alimentação e os perfis de saúde destes povos. Ele constitui, já de início, uma “janela” para o acompanhamento e o entendimento dos processos de intensas mudanças socioeconômicas, culturais e ambientais a que estes povos vêm sendo submetidos desde os seus primeiros contatos com não índios e das implicações, sobre seus perfis de saúde e nutrição, daí decorrentes. Palavras chave: Saúde Indígena; Segurança Alimentar e Nutricional; Políticas Públicas. SUICÍDIOS GUARANI KAIOWÁ: TERRITÓRIO TRADICIONAL E IDENTIDADE ÉTNICA (TEKOHA) Giuliana Mattiazzo Pessoa Estudante Psicologia Pontifícia Universidade Católica de São Paulo RESUMO: O trabalho que pretende ser apresentado é um recorte dos principais pontos da minha pesquisa de conclusão de curso (TCC) realizado na faculdade de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, em junho de 2016.* Este trabalho investiga os suicídios generalizados entre os jovens da etnia Guarani Kaiowá no Estado do Mato Grosso do Sul. A partir do método de análise documental, a pesquisa organiza informações referentes a esses suicídios - entre o período de 2000 a 2014 - tais como: nome e idade da vítima, terra onde residia, meio empregado, circunstâncias, incidência por localidade, além de outras informações qualitativas e quantitativas sobre os casos. Tendo em vista esses dados, o trabalho discute a relação entre os suicídios e a desapropriação dos Guarani Kaiowá de seus territórios tradicionais, desapropriação essa, legitimada pela justiça brasileira a partir de ordens de despejo ou simplesmente através da ausência do Estado nos conflitos entre indígenas e ruralistas. Para fundamentar essa discussão, o trabalho procura compreender o sentido da territorialidade Guarani Kaiowá a partir da palavra Tekoha (modo de ser Kaiowá) da língua Guarani. Concluí-se que essa vivência de territorialidade no território tradicional é fundamental para a organização social do grupo, para o repasse dos conhecimentos tradicionais, bem como para a produção de uma identidade étnica saudável e autodeterminada. Em suma, o trabalho desenvolve a hipótese de correlação entre a ocorrência de suicídios e a desapropriação territorial do povo Guarani Kaiowá, a partir do conceito de Identidade na perspectiva da psicologia social. Entende-se esse fenômenode suicídios generalizados como sintoma social, que deve ser analisado sob a ótica da saúde coletiva e necessita, em caráter de urgência, intervenções no âmbito das políticas públicas. As ideias desenvolvidas são fundamentas teoricamente através dos autores Valdelice Veron, Antônio Ciampa, Émile Durkheim, Sigmund Freud e Viveiros de Castro. O método utilizado foi a análise documental, na qual os documentos foram retirados de plataformas online das seguintes instituições: Instituto Sócio Ambiental (ISA), Fundação Nacional do Índio (FUNAI) e Conselho Indigenista Missionário (CIMI) SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES Palavras-chaves: Suicídio; Guarani Kaiowá ; Território Tradicional, Identidade Étnica MODOS DE BEBER E SENTIDOS DO USO DE BEBIDAS ALCOÓLICAS EM ÁREAS INDÍGENAS: APROXIMAÇÕES DA PSICOLOGIA SOCIAL A PERSPECTIVAS KAIOWÁ E GUARANI Leandro Lucato Moretti RESUMO: Historicamente, a introdução das bebidas destiladas pelos colonizadores europeus nos grupos indígenas e a construção do estigma do “índio bêbado”, estavam de acordo, e eram utilizados, com o objetivo de desorganizar esses coletivos. Nos dias atuais, as bebidas alcoólicas destiladas estão presentes, e são de fácil acesso, no cotidiano de áreas Kaiowá e Guarani, e frequentemente são consideradas como causa de conflitos internos e externos, desestruturação de parentelas, dependência, entre outros problemas, que podem levar, por exemplo, o enfraquecimento do poder familiar. Nesse sentido, torna-se relevante discutir sobre o uso das bebidas alcoólicas a partir de perspectivas Kaiowá e Guarani, buscando uma aproximação deste fenômeno pelas categorias que são próprias da cosmologia desse grupo. A partir disso, e da demanda frequentemente levantada para a psicologia na atuação com grupos indígenas, foi construído o projeto de pesquisa, ainda em andamento, que tem por objetivo conhecer e registrar os diferentes sentidos que a bebida alcoólica assume no cotidiano dessas pessoas, além de buscar conhecer como as políticas de saúde indígena dialogam com essa questão. Também é de interesse dessa pesquisa dialogar com os saberes e dispositivos terapêuticos tradicionais relacionados ao uso de bebidas alcoólicas e outras substâncias. Para tal, será utilizado o método etnográfico na aldeia Panambizinho, localizada no município de Dourados, Mato Grosso do Sul, onde já foi realizado trabalho de campo. É necessário conhecer os diferentes modos de beber, o processo de produção e como enfrentam a impossibilidade, devido ao confinamento, de produzir sua bebida fermentada tradicional, a chicha (kagwĩ), e as diferentes perspectivas que cercam essa questão, além de conhecer como veem a entrada histórica das bebidas destiladas em seus cotidianos. Palavras-chave: Kaiowá e Guarani; bebidas alcoólicas; saúde indígena; psicologia social. PLANTAS MEDICINAIS NA CULTURA GUARANI KAIOWÁ Lucia Pereira Lauriene Seraguza Olegario e Souza RESUMO: O presente trabalho visa apresentar o projeto de pesquisa que esta em desenvolvimento e será utilizado como ponto de partida na elaboração do trabalho de conclusão do curso de Ciências Sociais. Pretendemos avaliar a influência do uso do medicamento alopático na cultura Guarani Kaiowá, como também contextualizar o uso dessas plantas. Assim, buscaremos compreender os espaços ocupados pelas mulheres no manuseio das plantas medicinais Guarani Kaiowá. A pesquisa será realizada por meio de etnografia entrevistas com as mulheres que manuseiam as plantas medicinais e com base em estudos já realizados acerca dessa temática SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES Palavra-chave: plantas medicinais, medicamento alopático, mulheres Guarani Kaiowa. OGUATA PYAHU E O DESAFIO DE SUSTENTAR (TRANS)FORMAÇÕES E DIRETOS EM UM NOVO CAMINHAR NA SAÚDE INDÍGENA Paula Rodrigues RESUMO: Em (trans)formação no SUS, após a formação no Programa de Residência Multiprofissional em Saúde, com ênfase em Saúde Indígena, na UFGD, trago neste trabalho como profissional de saúde, o relato de experiência dos novos caminhos percorridos na saúde indígena, agora na Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI), no Polo Base de Amambai/MS. Destaco as vivências na atenção primária em saúde nos municípios de Amambai, Coronel Sapucaia e Aral Moreira, contemplando as comunidades Guapoy (Amambai), Taquaperi, Guassuty, Guaiviry e Kurussu Ambá. Apresento o desafio de SUStentar em novos territórios e com inspiração na mobilidade kaiowá e guarani através do Oguata Pyahu (novo caminhar). Esse caminho segue sem fixação possibilitando (trans)formações e encantamentos. Junto à experiência vivenciada atualmente, estão as inquietações de estar em um lugar diferente, e receber o convite subjetivo a novas imersões e deslocamentos. Essa experiência apresenta, através do cuidado em saúde, a possibilidade de vivenciar as Políticas Públicas que buscam contemplar a diversidade dos povos e oferecer visibilidade às práticas tradicionais. Trago na bagagem de aprendizado e uso como norte a Educação Popular em Saúde, a Humanização, a Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas, as Práticas Integrativas e Complementares do SUS, a Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicas entre outras ferramentas do Sistema Único de Saúde (SUS). Diante de toda a sistematização, fico curiosa para compreender como se dá a aplicabilidade de movimentos e lutas transformados em Política, indo, também, além do próprio sistema, para uma formação cidadã. Nesse sentido, apresento o investimento em espaços de diálogo, buscando favorecer a autonomia e o protagonismo dos kaiowá e guarani. Destacam-se as vinculações produzidas em rodas de conversa de forma horizontalizada com trabalhadores(as) de saúde, educadores(as), rezadores(as), usuários(as) e suas famílias, também em grupo de geração de renda que investe na agricultura familiar, no cultivo de plantas medicinais, na produção de artesanatos entre outras atividades, sempre com articulação em rede social e de saúde. A intenção é, a partir da construção coletiva e compartilhada, (re)construir e fortalecer laços identitários, valorizando a concepção dos povos indígenas sobre as alternativas, oportunidades e soluções que eles próprios encontram a partir de sua vida em comunidade para enfrentar os desafios e constituir-se como sujeitos de direito. Palavras-chave: Oguata Pyahu; Sistema Único de Saúde; Saúde Indígena; Kaiowá; Guarani SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES LEVANTAMENTO DE TESES PRODUZIDAS NAS UNIVERSIDADES DO BRASIL SOBRE SAÚDE INDÍGENA NO PERÍODO DE 1998-2016 Regiani Magalhães de Oliveira Yamazaki Doutoranda em Educação Científica e Tecnológica Universidade Federal de Santa Catarina RESUMO: No Brasil há uma carência e uma fragmentação de registros históricos sobre a trajetória de contato dos povos indígenas e os reflexos dessa interação em relação aos perfis epidemiológicos. O perfil epidemiológico dos povos indígenas no Brasil sempre foi muito complexo, e as doenças infecciosas e parasitárias permanecem como importante causa de morbimortalidade. Uma dimensão particularmente pouco conhecida da epidemiologia dos povos indígenas no Brasil, diz respeito a emergência de doenças crônicas não- transmissíveis. Buscamos por meio de uma pesquisa identificar quais são as doenças crônicas não transmissíveis e transmissíveis mais investigadas na academia. Assim, realizamos um levantamento de teses desenvolvidas no período de 1998 a 2016, nos programas de pós-graduação da Universidades Brasileiras, e na sequência identificamos as doenças mais investigadas nas teses levantadas. Foram identificadas 84 teses referente a temáticasaúde indígena, onde: 9 estão relacionadas à problemas respiratórios (tuberculose e pneumonia); 2 à doenças sexualmente transmissíveis; 3 à patologias intestinais e estomacais; 1 a síndrome metabólica; 5 ao câncer ; 2 a malária; 1 ao Trypanosoma cruzi: 1 a Leishmaniose tegumentar; 1 ao consumo de álcool; 1 ao suicídio; 3 a saúde mental; 3 a saúde bucal; 3 as doenças cardiovasculares; 5 a (in)segurança alimentar; 16 as políticas públicas de saúde indígena; 10 a etiologia indígena; 7 a educação em saúde e formação de agentes de saúde; 3 a saúde reprodutiva; 2 ao uso de medicamentos; 3 ao resgate histórico sobre processo de produção de saúde e doença indígena; 2 a atividade física; 1 a infecção fúngica crônica. Partindo do pressuposto de que as modificações na subsistência, dieta e atividade física de determinados grupos indígenas estão relacionadas as mudanças socioculturais e econômica, e de que estas têm promovido um quadro de morbimortalidade, concluímos que é muito reduzido a quantidade de teses desenvolvidas sobre as doenças crônicas não transmissíveis e doenças transmissíveis que tem atingido as comunidades indígenas no Brasil Palavras-chave: saúde indígena; morbimortalidade; doenças crônicas. EXTRAÇÃO E USOS DE REMÉDIOS DE ORIGEM ANIMAL E VEGETAL NA ALDEIA LIMÃO VERDE/AMAMBAI-MS Sonia Pavão RESUMO: Este trabalho está sendo realizado na Aldeia Limão Verde, município de Amambai-MS, entre o mês de julho a novembro de 2016. O objetivo geral é compreender a importância dos conhecimentos tradicional Kaiowá Guarani sobre Mymbakuéra - fauna e ka’aguytĩ - cerrado da Reserva Limão Verde, os objetivos específicos são: identificar os tipos de plantas medicinais do cerrado, conhecer os tipos de animais e plantas que servem de remédios para terapia e saúde indígena e a preservação dos conhecimentos e dos saberes que envolvem essas plantas e animais na visão Guarani kaiowá. A pesquisa estão sendo realizado através de levantamento sobre quais plantas e SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES gordura de animais que são utilizados para extração de remédios tradicionais pela comunidade. Para o levantamento será feito por meio de entrevistas com os mestres tradicionais, com os mais velhos, os pais, professores e alunos. Também estão sendo pesquisado por meio de fichamentos e citações, resenhas, argumentação direto e indiretos, revistas e internet. Espera se com a finalização desse trabalho realizar seja organizado material que contribuirá para a formação na escola indígena e também no registro dos saberes tradicionais em relação aos animais e vegetais. Palavras-chave: Palavras chave: Mymbakuéra (fauna), ka’aguytĩ (cerrado) e saberes tradicionais. SAÚDE DA MULHER GUARANI DA RESERVA PIRAJUÍ DE MATO GROSSO DO SUL Tatiane Pires Medina RESUMO: O tema trata sobre a saúde da mulher guarani da Reserva indígena Pirajuí no município de Paranhos, com objetivo de compreender a saúde a partir dos mais velhos e professor indígenas a pesquisa foi realizado com professor Edson Véra, Valentin Pires e rezador Aveliano Medina. A metodologia foi a partir do diálogo e entrevista aberta. Foi apontado a partir desse dialogo que os pai e as mãe guarani tem que ser exemplo para os filhos e ensinar pra ter uma postura mais higiênico dentro da casa em qualquer lugar, também, tem que estar saudável psicologicamente e espiritualmente, educar os filhos dentro de casa para respeitar seu próximo com humildade e solidariedade. Foi destaque nas discussões que os adolescente de hoje estão se prejudicando na saúde por causa do uso das drogas, bebida alcoólicas e por causa do consumo exagerado do fumo. Por isso, atualmente os adolescente não tem mais respeito, as mulheres não tem mais saúde devido a utilização das pílulas e injeção anticoncepcional. Antigamente as pessoas tinham uma vida mais saudável devido o consumo de alimentos saudável e de viver no seu território e com sua religião tradicional. SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES DOM QUETITO E SUA FAMÍLIA Adenilda Rocha Vilhalva Neymar Machado de Souza RESUMO: Dom Quetito veio de uma família Vilhalva. Seu pai Alziro Correa Vilhalva e sua mãe dona Adriana Chimenez, segundo informação Dom Quetito e sua família, viviam nos arredores no atual Vila Campestre, algumas de suas famílias trabalhavam como diaristas para proprietários que se estabeleceram nas redondezas. Com o passar do tempo, um proprietário resolveu doar um pedacinho de terra a família do Dom Quetito, com 7 hectares, para construir suas moradias e fazer suas plantações. A família foi crescendo e começaram a construir mais casas e abriram mais espaços, naquela época tinha bastante lugar para caçar, pescar na região, tanto em terras já ocupadas por particulares como em terras sem regularização. A mata era fechada e assim o tempo foi passando, e foram derrubando a mata. Num determinado tempo o líder da família Alziro Correa Vilhalva recebeu um grupo do exército que vinha da cidade de Bela Vista. Esse grupo veio do quartel RCMEC, fizeram amizade com Alziro e começaram a visitar com frequência a família do Dom Quetito. O exército oferecia ajuda, como ferramentas, roupas, alimentação, remédios e em outras coisas mais. Com o tempo, começaram a chamar Alziro de ‘’capitão Alziro’’ pela ligação do líder com o exército brasileiro. Inclusive ele usava farda com distintivos feitos de moeda. Por isso ele ficou conhecido como capitão Alziro, e o cargo de capitão fazia referência ao seu papel de líder do grupo. O casal Alziro e Adriana tiveram uns 5 filhos. Com o falecimento de Alziro, seu filho, Dom Quetito, assumiu a liderança e casou com Quitéria. Os seus irmãos se casaram também e cada vez mais a família do Dom Quetito foi crescendo, a chácara de 7 hectares, onde Alziro se criou e criou seus filhos, foi registrada legalmente em seu nome. Assim a família do Dom Quetito permanece até hoje naquela região. No final da década de 1990, as famílias da comunidade se organizaram para retomar as terras das quais foram expulsas a partir da década de 1950. No início da década de 2000, a FUNAI iniciou a demarcação da área, que foi parcialmente reocupada pelas famílias. Quatro meses depois da primeira retomada do Ñanderu Marangatu, Dom Quetito Faleceu em Coroa Vermelha Monte Pascoal (Bahia), onde estava na mobilização dos povos indígenas do Brasil de 1500. Seu corpo foi trazido para a aldeia e sepultado na área retomada. Atualmente, a comunidade é liderada por seu filho Loretito. Dada a importância, dos líderes da família Vilhalva para a história da comunidade, a pesquisa pretende discorrer sobre as trajetórias destas lideranças. Palavras chave: Ñanderu Marangatu, terra indígena, trajetórias de lideranças kaiowá, Kaiowá. SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES CULTURA E DIREITO FRENTE AOS CONFLITOS TERRITORIAIS COM POVOS INDÍGENAS: UM OLHAR SOB O ENFOQUE DA TRANSCONSTITUCIONALIDADE Edemir Braga Dias Mestrando em Direito pelo Programa de Pós-Graduação stricto sensu – Doutorado e Mestrado em Direito da URI, Campus Santo Ângelo-RS Rosangela Angelin Pós-Doutora pela Faculdades EST, São Leopoldo-RS. Doutora em Direito pela Universidade de Osnabrueck (Alemanha). RESUMO: Com a chegada dos colonizadores ao Novo Mundo, chegou também uma cultura diferente que impactava com a forma de viver dos povos originários desse território. A relação travada entre os colonizadores e os povos indígenas foi díspar: iniciou-se um processo para civilizar os povos locais e, a religião foi um importante mecanismo para impor a cultura europeia. As terras inicialmente que eram ocupadas por estes povosforam usurpadas e distribuídas conforme interesses dos europeus. Desde a colonização do território brasileiro, trava-se uma luta cultural e jurídica díspar, por vezes silenciosa ou silenciada, acerca do espaço territorial ocupado pelos colonizadores, seus descendentes e os povos que foram despossados de suas terras. Para compreender melhor os conflitos que seguem em torno de aspectos culturais e jurídicos, através de um estudo hipotético dedutivo, baseado em aspectos histórico-culturais e leituras jurídicas, a pesquisa busca analisar qual tem sido a influência da cultura colonizadora europeia nas relações humanas e nas disputas territoriais e de uso e acesso a bens naturais pelos povos indígenas. O estudo remete a algumas constatações: a) a ideologia cultural colonizadora e discriminatória contra os povos indígenas permanece forte no Brasil, renegando uma postura diacrônica frente a história; b) as legislações neste sentido têm sido integracionistas, desrespeitando, muitas vezes as culturas dos povos indígenas e afastando a possibilidade de um tranquilo convívio social c) a cosmovisão indígena acerca da terra e do uso dos recursos naturais foge das perspectivas liberais de propriedade. Isso tem gerado muitos conflitos, como por exemplo, o que tem ocorrido com o povo Mb’ya-Guarani da Tekoa Koenju, situada no Município de São Miguel das Missões, Estado do Rio Grande do Sul, onde existem conflitos com os proprietários lindeiros às terras ocupadas por este povo, pois os primeiros não reconhecendo limites territoriais, adentram nas propriedades vizinhas em busca de matéria prima para seus artesanatos. Por conseguinte, conflitos culturais e jurídicos são eminentes e o direito não tem logrado dirimi- los de forma adequada. Por estarem localizados no âmbito constitucional, estes conflitos o transconstitucionalismo tem se demonstrado uma possível alternativa para a construção de um diálogo intercultural, dando uma atenção especial para culturas que se encontram à margem do próprio constitucionalismo, como é o caso dos povos indígenas, buscando pontos de encontro entre as ordens normativas que são diferentes, por meios extrajudiciais. Palavras-chave: Conversações culturais. Culturas. Povos indígenas. Transconstitucionalismo. Territorialidade. SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES A CIRCULAÇÃO DE DINHEIROS E MERCADORIAS ENTRE OS KAIOWA E GUARANI NO COMÉRCIO DE AMAMBAI-MS Jorge Pereira da Silva RESUMO: Através da pesquisa de campo, busco compreender as relações estabelecidas entre indígenas, comerciários, e empresas recrutadoras na região de Amambai, percebendo a circulação de dinheiros e mercadorias entre os indígenas no comércio em Amambai, sombreadas pelos direitos indigenistas e trabalhistas. Mais especificamente, este exercício focaliza no município de Amambai, MS e nas relações distintas que são estabelecidas entre Kaiowa e Guarani e pessoas não indígenas, enfatizando aquelas que se realizam entre bens e mercadorias no espaço intermunicipal. A escolha do cenário desta investigação se deu, sobremaneira, em virtude da forma como os comerciários citadinos estabeleciam relações com a população indígena, sombreados pelo processo de monetarização dessas pessoas, bem como das peculiaridades da sua lida com o dinheiro e com as relações de trabalho. Palavras-chave: mercadoria, dinheiro, direitos indígenas, mão-de-obra. FAMILIAS KAIOWÁ NOS ERVAIS DE CAARAPÓ Lazaro Vera RESUMO: A importância da participação das famílias dos kaiowa da aldeia te´yikue na época das colheita da erva no município de Caarapó, as famílias kaiowa que mora na reserva indígenas de Te´ýikue a mais que participou ajudar a colher e que fora contratada pelos capataz das fazenda daquela regiões no período 1918 nesse época as colheita das erva mate era feitos pelas kaiowa. As famílias karumbe e das famílias ñagyra, que participou e os outros famílias dessa região, onde as famílias deixava seu local para busca do trabalho nas regiões das aldeias, os trabalhos eram rígidos para os kaiowa, eram maltratado no local os trabalhos, eram forçado não tinha como descansar porque tinha alguém vigiando cada pessoa os kaiowa abria picaza [estrada],com facão os kaiowa fazia estrada pra retirar as ervas para levar em mbaravakua onde a erva secava, alguns kaiowa procurava onde se encontra os pé das erva.com pequena carriador no meio das matas os carro de boi caminhava com saco de ervas para casa do patrão. O lugar onde os kaiowa trabalhavam na retirada das erva se localiza laguna joha yvy soro piratiy e outra localidade como na região de Takuara e Guyra Roka Sayju onde se encontrava mais erva na região de campanário os kaiowa naquela época não ganhava dinheiro trabalhava a troco de mercadoria tinha que removido do seu lugar com as famílias indo atras do trabalho. O trabalho que os kaiowa, do tekoha Te´yikue, se repetiam vinte quatro horas para que os trabalhos reder, mas alguns famílias ficavam doentes não tinha remédio, alguns acabava morrendo por doença contagioso, alguns cortava as mão por não saber manusear as ferramentas. Os kaiowa passavam dificuldade nos trabalhos onde alguns que reagiam eram para pedir seu direito os capataz ameaçava ou apanhava dos capataz então os kaiowas ficava sem dizer nada. As famílias não tinha direito a nada, muita dificuldade passava nos locais SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES dos seus trabalhos ,enquanto deixava sua moradia o seu costume e o seu reko. As famílias kaiowa do tekoha te´yikue vinham deixando o seu território, por esses motivos enquanto a luta da sobrevivência por trabalho, mão de obra barata e sofria deste século o preconceito pelo não indígenas e deixando o seu lugar onde costumava caçar e fazer o seu jeroky e pescar onde as famílias dos kaiowas do tekoha te´ykue era livre no passado após de serem explorando continuam sendo um lutador e forte na sua organização como kaiowa do tekoha. ESTUDANTES GUARANI E KAIOWÁ NO ENSINO SUPERIOR, SUAS VIVENCIAS E RELAÇÕES. Marta Soares Ferreira (martamartinhasf@gmail.com); Célia Maria Foster Silvestre (celia.silvestre@gmail.com). RESUMO: O presente trabalho é resultado de uma monografia titulado “Vivências com os Kaiowá e Guarani no Ensino Superior” apresentada no último semestre de 2015, que apresenta aspectos das vivências dos e com os Guarani e Kaiowá que integram os cursos de Ciências Sociais e História da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul- UEMS, Unidade de Amambai/MS, no período de 2012 a 2015. Buscou-se pesquisa bibliográfica sobre os Kaiowá e Guarani e observação participante. A partir do método etnográfico, e as narrativas que evidenciam o fortalecimento da presença e da participação significativas dos Guarani e Kaiowá, no campo universitário em Amambai/MS. A ênfase recai nas ações desenvolvidas no PIBID – Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência, Subprojeto Interdisciplinar, desenvolvido em duas escolas na Aldeia Guapo`y, onde vivem esses estudantes. Os Guarani (Nhandeva) e Kaiowá são falantes do idioma Guarani. Amambai, MS, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), conta com uma população de 34.730 habitantes. Vivem cerca de 7.158 pessoas guarani e kaiowá em três aldeias: Amambai-Aldeia Guapo`y, Limão Verde e Jaguari. Representam cerca de um terço da população. Percebeu-se através das pesquisas que a UEMS, Unidade de Amambai, tem se constituído, em níveis cada vez maiores de volume e importância das ações, em espaço de formação e atuação política para os integrantes indígenas vinculados aos cursos ofertados, História e Ciências Sociais. Mas se valendo da atuação dos estudantes indígenas na universidade, relevância de seus conhecimentos próprios querelacionam com a aprendizagem acadêmica suas relações com professores, movimento estudantil e diversas atuações em projetos e estágios que os liga a aldeia e a academia. Os Guarani e Kaiowá seguem apoiando-se na formação acadêmica e se sentem fortalecidos com uma graduação, para mais e mais se posicionarem politicamente sobre a luta pela demarcação de terras. Este trabalho apresenta as relações e vivencias dos guarani com suas cosmologias, lutas por permanência na universidade, sendo que a perspectiva dos estudantes Kaiowá e Guarani sobre direito, compreende que não existe direito nenhum a ser conquistado fora da legitimidade dos territórios tradicionais, tornando assim como um direito por excelência. . Palavras Chaves: Vivências; Relações; Direito; PIBID e Kaiowá/ Guarani. SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES IMPASSES NO RECONHECIMENTO DOS ÍNDIOS COMO SUJEITOS DE DIREITOS Maucir Pauletti-Doutorando Pedro Sergio Dantas da Silva Carvalho- Acadêmico RESUMO: No contexto histórico que envolve todo o processo de ocupação da América Latina, os direitos originários daqueles que aqui se encontravam e que eram senhores absolutos de seus territórios foram simplesmente ignorados diante à voracidade da expansão da sociedade europeia. No Brasil, havia, em média, 8 milhões de índios das mais diversas etnias, com uma pluralidade étnica incalculável, com centenas de culturas diferentes, com crenças religiosas distintas e uma riqueza humana inigualável que, por diversos fatores, biológicos, sociais, econômicos, ocupacionais, foram, ao longo da história, sem qualquer pudor, sendo exterminados. Subjugados, os nativos, os povos originários destas terras tiveram apenas duas alternativas, as guerras ou a escravidão ou, ainda, a integração à sociedade civil chegante com o abandono do seu modo natural de ser e de viver. Este pensamento integracionista permaneceu por quase que toda a história do Brasil, vindo a ser derrubado apenas e, formalmente, pela Constituição de 1988 que com seus ideais pluralistas, visava proteger e respeitar esta diversidade cultural. Nesse contexto, o presente trabalho busca, por meio de uma revisão bibliográfica direcionada e um procedimento metodológico indutivo-analítico, identificar os impasses históricos no difícil processo de reconhecimento dos direitos dos índios como sujeitos, como cidadãos brasileiros, etnicamente diferentes, contemplados pelo contexto pluriétnico de nossa constituição. Observou-se que a demora no reconhecimento dos direitos dos povos indígenas deu-se, inicialmente, por conta da ganância da elite dominante europeia, e, em um segundo momento, pela falsa ideia de que a solução seria a assimilação cultural destes povos e por fim na situação atual onde, mesmo com toda a positivação dos direitos destes povos na Constituição Federal de 1988, ainda se faz presente o entendimento que não se deve reconhecer os direitos dos indígenas como cidadãos brasileiros. Palavras-chave: Direitos Humanos; Indígenas; Plurietnicidade; Diversidade Cultural; Processo de Reconhecimento dos Direitos. A ORGANIZAÇAO TRADICIONAL DA ALDEIA LIMAO VERDE ANTES E DEPOIS DO SPI Nei di Maico Ricarte RESUMO: Após a demarcação da aldeia Amambaí por volta de 1915, a área não foi totalmente ocupada pelos indígenas, em boa parte da terra era ocupado pelo não indígena que veio e se instalou. Devido a isso, em 1928, junto com as demais terras foram demarcadas, umas delas foi Limão Verde com intuito do governo (compensar) os indígena da aldeia Amambaí. Assim que aldeia limão verde foi oficializado no papel já considerado aldeia indígena o SPI foi buscar seu Horacio Fernandes de Dourados para assumir a função de capitão. Apesar de haver algumas famílias vivendo naquele local. Com seu capitão na aldeia, o SPI começou a impor o seu plano de estratégica de nova organização para o indígena. Segundo pesquisa tradicionalmente, os familiares se respeitavam muito, compartilhava a festa, ritual junto e festejava ,cada um tinha seu chefe maior, geralmente são os mais velho e as mais velhas do grupo com muito SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES conhecimento. A sustentabilidade e natural, o que precisava como: alimento, remédio e para plantação estava lá, no seu próprio tekoha (onde vive).Com a entrada do capitão na aldeia com o comando do SPI sem consideração alguma com a organização tradicional, foi implantado a política de organização muito diferenciado, onde talvez tivesse o inicio da individualização mais vantajosa no termo da sustentabilidade. Aldeia já tinha o seu limite, muitos eram trazidos de outras regiões para a aldeia. Com a entrada da missão a aliada fundamental do governo em integração indígena trazendo a escola, remédios, alguns alimentos, com tantas pessoas num lugar e o capitão decidindo quem entra e sai dando ordem .Os rezadores, os mais velho e as mais velhas que tinham tantos conhecimentos e a importância que eles tem para os seus parentes na questão de continuar passando a geração o nhandereko (nosso jeito de ser) foram simplesmente deixado de lado sem nenhum reconhecimento. Individualmente o capitão exercia seu poder, garantido seu bem estar e da sua família, ganhando alguns valores materiais, dinheiro vindo de fora, sentindo-se privilegiado, deixando a sua comunidade de lado. Enquanto isso a comunidade sem tem onde caçar, pescar, onde planta e achar um bom remédio natural começa a revolta contra o capitão. A organização interna na aldeia, talvez ganhou outra forma de organizar e pensar no grupo e de se vê como pessoa, cada um buscando seus interesse, o que não era parte do seu costume sempre em coletivo.Com essa intervenção de fora causou impacto muito grande na cultura indígena na aldeia Limão Verde em forma de se organizar. Palavras-Chave: Organização Social; Capitão; Reserva. DISCRIMINAÇÃO E PRECONCEITO DOS POVOS INDÍGENAS Robson Romero RESUMO: Desde a colonização vem se transformando os povos indígena, fazia guerra contra os povos nativos, massacre aos índio no século XVI. Isso se deu à origem do Serviço de Proteção ao Índio (SPI) em 1910, seu destino seria torna- se trabalhador rural ou proletário urbano, estabeleceram a sua incapacidade. Visava proteger as terra e a cultura indígena, por outros, a transferência territorial dos nativos era liberar área destinado a colonização. Atuação incorporou técnica missionária tais como: distribuir presentes, vestir os índios. Nas primeiras décadas, destacou fundamental ao estudo das populações indígena em diversas regiões do país. Existe hoje no mundo 370 milhões indígenas, mais de 5 mil comunidade espalhado por 90 países, conquistaram perante o ONU no ano de 2007 a declaração sobre direito dos povos indígena. Esse fenômeno contribui para desumanização, quando nos referimos ao racismo, favorece a articulação da luta por seus direitos. Negros já conquistaram bastante visibilidade, os indígenas ainda são bastante precária. Há 500 anos eram milhões viviam relativamente em paz, a conquista desse território pelos povos europeus, com predomínio dos portugueses dizimou essa população. Eliminação de todas as formas de discriminação racial, desde o ano de 1969, preferência baseadas em raça e cor, descendência origem nacional ou étnica que tem por objetivo o conhecimento (igualdade e condições) de direito humanos e liberdade fundamentais no domínio político econômico social ,cultura e qualquer outro domínio de vida pública. O racismo constitui-se crime SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES contra a igualdade de todas em nossa Constituição Federal. E a lei n°7.716/86, que define os crimes por descriminação, preconceito de raça, cor e etnia, procedêncianacional. Ao lado dessas leis federais, nosso código penal no artigo 140 -prevê crime de injuria, ofendendo-lhe a dignidade ou decoro reclusão de três ano e multa. Na sociedade brasileira atual, um preconceito de classe social bastante forte em relação as pessoa indígena, discriminação trata-se um ato negativo, uma ação não permitir ou recusar a entrada no FORUNS judiciais, nos bares restaurantes, clubes e parques, deixar de dar emprego alguém por que e índio. Em 1973 foi promulgada a lei federal o estatuto do índio estabelecido na constituição federal d 1988. Palavras-chave: Direitos Indígenas; Discriminação; Colonização. O DIREITO A EDUCAÇÃO E A CRIANÇAS KAIOWÁ E GUARANI DO ACAMPAMENTO PAKURITY Sônia Rocha Lucas Mestranda Antropologia –UFGD RESUMO: O presente texto apresenta o resultado parcial de uma pesquisa de mestrado na Pós-graduação em Antropologia da UFGD e tem como objetivo apresentar a problemática vivida pelos indígenas da aldeia Pakurity, que devido a uma situação histórica vivem em área de retomada e em situação de acampamento, em busca, para além do reconhecimento de seu território, a criação de uma escola indígena em seu tekoha. A pesquisa bibliográfica e o trabalho de campo são o aporte teórico-metodológico, somado com a observação participante, diário de campo e outras formas de registro. Os autores que dão sustentação teórica são Brand (1993, 1997), Pereira (2004 e 2006), Chamorro (2015), Nascimento (2011), Pacheco de Oliveira (1998), Cavalcante (2013), Conh (2005), Crespe (2009 e 2015) e Aguilera Urquiza (2011). Pudemos perceber que por falta de acesso a políticas públicas, em especial a educação, dentro do acampamento as crianças são forçadas a fazerem uso das moradias móveis e se deslocarem de seu tekoha em busca ao acesso ao sistema de ensino, seja na reserva de Dourados, ou em outras cidades vizinhas. Nesse contexto como resultado parcial, o presente artigo apresenta a maneira como as crianças indígenas entendem a importância da implantação de uma escola dentro de sua aldeia. Palavras-chave: Crianças indígenas; Situação de Acampamento; Escola. SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES O INFANTICÍDIO INDÍGENA: UM CONFLITO ENTRE A DIVERSIDADE CULTURAL E O ESTATUTO DA CRAINÇA E ADOLESCENTE Dagmar Herculano RESUMO: O presente trabalho tem como objetivo discutir a pratica de infanticídio indígena em algumas tribos brasileiras, abordando que tais atos praticados contra crianças ameríndicas fere profundamente o que diz o Estatuto da Criança e Adolescente, a prática do infanticídio indígena ainda é um grande tabu, pesquisadores sobre o assunto relatam que os órgãos do governo brasileiro ainda são coniventes com tais práticas, sob o argumento de que a comunidade indígena deve ter respeitada a sua cultura, como maneira de preservar a identidade. Todavia, apesar Do Estatuto da Criança e Adolescente garantir aos índios a proteção de seus costumes e tradições, esta também garante o direito à vida, que deve sobrepor à prática cultural. A mudança desse costume – infanticídio indígena – pode ser buscada pelo diálogo intercultural, acompanhada de políticas públicas de amparo às comunidades indígenas. Palavras-Chave: Estatuto da Criança e Adolescente; Infanticídio Indígena; Políticas Publicas. VALORES DOS INSTRUMENTOS TRADICIONAIS RELIGIOSOS DOS KAIOWA Jesus Souza RESUMO: Esta pesquisa surgiu através de meu interesse em sempre buscar informação com os mais velhos e com os rezadores Kaiowa. Como sou professor de Práticas Culturais na Escola Municipal Indígena Ñandejara Pólo, na aldeia Te´yikue em Caarapó, MS, nas turmas das séries iniciais e educação infantil surgiram essas vontades de conhecer um pouco das histórias e trajetórias do xiru. Ele sempre se faz presente em cada momento e em lugares que acontecem eventos, como o ritual dos rezadores. O trabalho trata do uso e da importância do xiru pelo ñanderu no passado e nos dias atuais. Por esse motivo procurei conhecer por meio de entrevistas orais e pesquisa de campo com rezadores, como acontece o processo de valorização deles na família, abordando aspecto da educação, saúde, crença e organização social. Palavras-chaves: Xiru; Kaiowa; Mato Grosso do Sul. REPRESENTAÇÕES INDÍGENAS NO PNBE 2014 Kelly Mara Soares Dornelles kellywara@gmail.com RESUMO: Levando em consideração a urgência de tratarmos desses temas étnicos-raciais no espaço de formação escolar, a obra Karu Taru- O pequeno SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES pajé do autor Daniel Munduruku distribuída pelo PNBE 2014, trará através deste trabalho algumas reflexões sobre alguns costumes culturais de um povo indígena. Para isso, retomam-se os conceitos de representação e identidade, tais como concebidos na literatura e sociologia, contrapondo-os às noções indígenas de cultura e tradição, com o objetivo de entender como elas lidam com a permanência e a mudança cultural e a importância da literatura para propagar essa noção de alteridade. PALAVRAS-CHAVE: representação; identidade; literatura indígena. UM ESTUDO DE CASO SOBRE OS JOVENS TERENA DA 1°CONGREGAÇÃO PRESENTE NA TERRA INDÍGENA DE DOURADOS Lílian Luana da Silva RESUMO:O presente projeto faz parte de uma pesquisa do mestrado em Antropologia/UFGD. A partir do arcabouço teórico-metodológico da Antropologia, a pesquisa tem como foco a temática juventude e em particular o grupo de jovens Terena da igreja conhecida como 1° Congregação atualmente Igreja Indígena Presbiteriana no Brasil, presente na aldeia Jaguapirú, Terra Indígena de Dourados/MS. O objetivo dessa pesquisa é analisar o papel da 1° Congregação, na aldeia Jaguapirú, Terra Indígena Horta Barbosa, no município de Dourados na vida dos jovens Terena. Verificar se a participação dos jovens na 1° Congregação contribui na formação de lideranças Terena; perceber se a participação dos jovens Terena da 1° Congregação contribui em sua vida fora do espaço religioso; comparar a vida da juventude Terena da 1° Congregação com os não adeptos buscando perceber se essa participação produz alguma especificidade no grupo. Palavras chave: Indígenas; Jovens; 1° Congregação. A INFLUÊNCIA DAS RELIGIÕES NA ALDEIA PORTO LINDO, MUNICÍPIO DE JAPORÃ – MS. Nilton Vera Professor indígena da etnia Guarani na Escola Municipal Indígena de Porto Lindo. E-mail: niltonnhandeva@gmail.com RESUMO: Esta pesquisa está em desenvolvimento na área de ciências humanas da licenciatura intercultural indígena da Universidade Federal da Grande Dourados – UFGD. Escolhi esse tema porque tem uma grande importância para ser estudado dentro da Aldeia Porto lindo. Esta aldeia possui aproximadamente 7000 indígenas guarani nhandeva. Com esta pesquisa quero investigar sobre a religião indígena e não-indigena. Por religião indígena menciono as práticas de rezas como, por exemplo, Guachire, mitã karai, entre outras que o Guarani praticava frenquentemente nesta aldeia até 1994 e depois foram aos poucos se enfraquecendo. Pretendo explicar através das pesquisas porque ocorreu isso que até aqui cada vez mais vai desaparecendo a prática SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES religiosos indígenas. Da religião não-indígena como igrejas pentecostais e presbiteriana e outros, quero pesquisar com mais velhos ou lideranças ou próprio pastores sobre como se adentrou estas religiões não-indígenas dentro da aldeia e descobrir o período em que isto aconteceu, além de descobrir se houve participação do chefe da Funai ou capitão da aldeia. Desejo entender e comparar o trabalho espiritual da igrejas com as rezas. Descobrir se tem algunsobjetivos ou algumas semelhanças entre os trabalhos dos dois religião pertencente hoje na aldeia. Entre os temas a serem investigados, perguntarei aos parentes sobre o comportamento dos líderes religiosos não-indigenas e indigenas, considerando que a Aldeia Porto Lindo conta hoje com 25 ministérios das igrejas e nenhuma casa de reza (Ogapysy). Nesta pesquisa quero explicitar a visão da comunidade sobre esse fato, qual o papel das igrejas dentro das aldeias: apoiam também a religião indigenas que já existia, ou a combatem, o que as igrejas têm a contribuir com a religião indígena (ex: jeroky, guachire, mitã karai e outro rituais indigenas). Pretendo esclarecer os leitores sobre as diferenças da religião que hoje aldeia enfrentam e qual e a função dos dois, se ele se combinam ou cada um pra si. Quero pesquisar sobre o batismo de rezas e da igrejas e quais são as finalidades dos batismos em ambas as religiões. Palavras-chave: religiosidades, rituais, colonialismo. AVATIKYRY: REPRESENTAÇÕES E SIMBOLOGIAS ENTRE OS KAIOWA DE PANAMBIZINHO Raul Claudio Lima FALCÃO Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) RESUMO: Incorporados a uma forma singular que pode constituir-se em uma linguagem sócio-política de resistência, mediatizados por sujeitos históricos capazes de transformar sua própria realidade, os rituais indígenas implicam em um processo vivo de rememoração e ressignificação permanente, constituindo assim, um movimento de dinamicidade estrutural e de eficácia simbólica. Entendendo que estas práticas se configuram em uma das principais manifestações de um povo, e que a partir destas, podemos caminhar para uma possível construção de uma reflexão sobre o universo das relações sociais formalizadas entre os membros deste grupo – e até mesmo com outros grupos – espaços e posições sociais, pretendo com a realização deste trabalho, apresentar uma análise etnográfica centrada a partir do Avatikyry2, um significativo ritual realizado pelos índios Kaiowa habitantes da Aldeia de Panambizinho localizada no município de Dourados, Estado do Mato Grosso do Sul. No intuito de delinear essa problemática sobre possíveis representações e simbologias incorporadas ou expostas no ritual, espero trabalhar com os seguintes aspectos: A complementaridade do espaço ritualístico, pensando além de seus limites (se houver); as relações sociais construídas dentro e fora da aldeia. O solo como 2 Segundo CHAMORRO (1995, p.75) Avatiky é o milho. Avatikyry é a bebida feita do milho e que dá nome a festa que se celebra para batizar a nova colheita de milho, desta conceituação, constitui-se o nome: Festa do milho novo. In Kurusu Ñe’ëngatu: palavras que la historia no podría olvidar. Centro de Estudios Antropológicos de la Universidad Católica “Nuestra Señora de la Asunción”. Asunção – Paraguay. SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES sagrado e a importância do milho para o grupo: substância corporal e espiritual e como é vista essa relação do homem (índio e não índio) com a natureza. Sobre a importância da preservação linguagem materna e ritual. A corporalidade como idioma simbólico, noções sobre construção da pessoa Kaiowa, complexos de cura e adoecimento e como a deturpação do entendimento das práticas ritualísticas podem atribuir significações na sua vida cotidiana. Perceber e interpretar a questão da violência externa e interna (em relação a terra, o milho e ao povo Kaiowa) e realizar uma possível conexão ao ritual. Utilização de artefatos rituais e quais possíveis ligações com a atividade humana. O que os indígenas entendem sobre o ritual e qual a sua importância. Palavras-chave: Kaiowá; Avatikyry; Representações e simbologias; Resistência. COSMOLOGIA GUARANI- ÑANDHEVA, KAIOWÁ E MB’YA: A PARTIR DE ANÁLISE HISTÓRICA, FILOSÓFICA, ARQUEOLÓGICA E ANTROPOLÓGICA Rosalvo Ivarra Ortiz RESUMO: Este projeto de pesquisa tem como desígnio, fazer um levantamento histórico, filosófico, arqueológico e antropológico (foco principal da pesquisa) da cosmologia/mitologia dos grupos concernente ao Tronco Linguístico Guarani-Ñandheva, Kaiowá e Mb’ya (SCHADEN2, 1974), de dois estados brasileiros: Mato Grosso do Sul e Santa Catarina. Desta forma, buscará avençar- se como surgiram e transformaram- se a mitologia desses grupos étnicos ao longo da história (CADOGAN3, 1953a). Portanto, inicialmente serão inquiridos os primeiros relatos que referem- se à cosmologia Tupi- guarani (MONTOYA4, 1645). As posteriori serão descritos os mitos sobre o exórdio, a alomorfia e o niilismo do mundo e seus incrementos (NIMUENDAJU5, 1912). Logo em seguida serão utilizados os métodos comparativos sobre a epistemologia e ontologia dos três grupos, onde assemelham- se e onde diferenciam- se uma das outras no que tangem à cosmovisão (ESPINA BARRIO6, 1992). É por limiar será analisado as lutas e as resistências de lideranças Guarani para acondicionar a sua cosmovisão frente ao transcurso do processo de catequização e colonização, que foram desenvolvidos desde o advento dos europeus ao atual Brasil (MELIÁ7, 1987). Palavras- chave: Mitologia Guarani. Diferenças Étnicas. Colonização/resistências. INDÍGENAS NAS REDES XANÂNICAS CONTEMPORÂNEAS E O CONSUMO RITUAL DE PSICOATIVOS Saulo Conde Fernandes Graduado em História pela UFMS, mestre em Antropologia pela UFGD. Membro do NEIP (Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos). Tutor na pós-graduação em EAD pela UFMS “Antropologia e História dos Povos Indigenas”. SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES RESUMO: Nas redes xamânicas contemporâneas entrecruzam-se modalidades religiosas diversas: xamanismos indígenas (em especial de etnias do tronco linguístico Pano, como Huni Kuin, Yawanawa, Arara); neo-xamanismos (novos modelos de espiritualidade, performances rituais, consumo e terapia, que mesclam elementos de diversas tradições); religiões ayahuasqueiras, principalmente o Santo Daime. Adquirem demasiada importância, neste circuito, as substâncias psicoativas consumidas ritualmente, denominadas de Medicinas da Floresta e tidas como capazes de curar física e espiritualmente. São elas: ayahuasca (bebida feita a partir da decocção do cipó Banisteriopsis caapi e da folha do arbusto Psychotria viridis), rapés (tabaco macerado com outras plantas), sananga (“colírio da floresta”, líquido feito com diferentes espécies de plantas), kambô (“vacina do sapo”, secreção da rã arbórea Phyllomedusa bicolor). Estas novas redes se configuram como circuitos, por onde circulam os atores sociais, os saberes, e as substâncias. A partir da aliança com setores daimistas e neo-xamânicos, indígenas oriundos da Amazônia Ocidental realizam rituais com as Medicinas em diversas localidades do mundo, num trâmite de transnacionalização das culturas religiosas das etnias Pano. Nessas redes de relações e interações culturais, tradições são ressignificadas, quando não inventadas. O PETYNGUA: -KA’U COMO VIAGEM XAMÂNICA Vicente Cretton Pereira Universidade Federal de Alfenas RESUMO: O presente trabalho busca analisar o xamanismo mbya guarani a partir da embriaguez (-ka’u), efeito do uso de tabaco. Dada a condição tekoaxy (“perecível”) desta terra em que se vive o uso de petyngua (cachimbo) constitui- se num dispositivo fundamental de controle ou de bloqueio dos perigos que emanam de subjetividades maléficas que habitam o cosmo mbya. Embora o efeito do tabaco seja o de “embriagar” a pessoa, como o do álcool, ele é posto duplamente em oposição a este: se é preciso “saber beber”, evitando excessos no uso do álcool, dizem comumente que o xamã é alguém que precisa agüentar o excesso do uso de tabaco a fim de realizarsuas curas; além disso, se a bebida aproxima a pessoa do ponto de vista dos mortos, o petyngua faz o mesmo porém em relação à perspectiva dos deuses. O uso do petyngua, a qualquer momento do dia, manifesta uma afecção ou um desejo divino – é o nhe’ë (alma) que quer, me diziam – o que levou-me a pensar nas relações de distância (afastamento, aproximação) que são ativadas por este dispositivo. Como tanto o calor quanto o frio excessivos estão associados à aproximação dos espíritos dos mortos, sugeri que o uso do petyngua ajusta a temperatura do corpo a um grau mediano de um gradiente de calor, através de uma aproximação com os divinos e um simultâneo afastamento de potências causadores de males. Não se trataria assim, no xamanismo mbya, nem de esquentar a pessoa e tampouco de esfriá-la, mas sim de esfriar aquele que se encontra demasiado quente e de esquentar aquele que está gelado. Palavras-chave: Mbya Guarani; xamanismo; embriaguez. SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES O ENSINO DAS LINGUAGENS NA ESCOLA INDÍGENA DE JAPORÃ, MS. André Centurion (FAIND/UFGD) Adriana Oliveira de Sales (FAIND/UFGD) RESUMO: Essa comunicação tem como objetivo apresentar minha experiência no estágio de observação na área de linguagens da Licenciatura Intercultural Indígena –Teko Arandu. As observações foram feitas na Aldeia Porto Lindo, MS. Nessa aldeia, são aproximadamente 1200 alunos matriculados na rede municipal de ensino. Nesse sentido, as observações puderam mostrar o trato que se tem dado ao ensino de línguas de uma forma geral, a língua indígena e a língua portuguesa. Também artes e educação física. Fazendo e demonstrando esse diagnóstico poderemos conscientizar os alunos a preservar e fortalecer a cultura e a nossa língua materna, buscar identificar possíveis alternativas de superação e resistência na condução da ação de alfabetização na língua indígena guarani ñandeva ; e no melhor trato com a língua nos anos finais do ensino fundamental e ainda, como podemos melhorar o ensino de língua portuguesa como segunda língua, das artes e educação física. Palavras-chave: Educação escolar indígena, ensino de línguas , Língua Indígena, Língua Portuguesa. AVA REKOTEE: CULTURA TRADICIONAL GUARANI NA ALDEIA PORTO LINDO Edinaldo Martins- Guarani Acadêmico da UFGD da licenciatura intercultural indígena Aldeia porto lindo município de Japorã-MS RESMO: Essa pesquisa pretende refletir sobre as crianças da nossa aldeia. Lideranças, pais e professores, sempre se preocupam porque as crianças conhecem pouco a nossa história, a nossa cultura, a nossa tradição, enfim, o nosso teko. Então o objetivo seria refletir e conhecer o que é mesmo nossa cultura tradicional, como e o que fazer para valorizar, principalmente o fortalecimento da nossa cultura, que hoje está sendo influenciada pelas músicas populares, pela escola, pela língua portuguesa e pelos costumes dos brancos – karai reko. A nossa cultura está sendo deixada, substituída pela cultura ocidental, isto é mais forte principalmente entre os mais jovens. Houve o enfraquecimento dos caciques, das lideranças, educação indígena, e dos conhecimentos tradicionais como armadilha, artesanato, dança, guaxiré, jogos, brincadeiras e entre outros. Portanto com essa pesquisa conhecer melhor a minha cultura, o modo de ser guarani rekotee de porto lindo e identificar como lideranças, tradicionais, pais e jovens, estão pensando as transformações pelas quais a cultura vem passando. E então pretendo primeiro conhecer a história das famílias, conversar com o cacique, rezadores para conhecer o nosso modo de ser desde o início, como era e como foi e o que podemos fazer para manter e SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES fortalecer novamente; porque hoje em dia na nossa aldeia em relação a isso pouco é valorizado, por isso meu objetivo é trazer o que cada um dos interlocutores pensa a respeito do nosso teko. Palavra-chave: transformações, cultura, criança indígena. É IMPORTANTE OFERTAR EDUCAÇÃO ESPECIAL PARA OS GUARANI KAIOWÁ? Heliodoro de Almeida – UFGD/PIBID-D Adriana Oliveira de Sales–UFGD/PIBID-D RESUMO: Essa comunicação tem como objetivo discutir sobre a educação especial para os povos Guarani/Kaiowá.O que me motivou a desenvolver esse trabalho é a inserção como professor na sala de recursos multifuncionais na escola extensão Loíde Bonfim Andrade na aldeia Te’yikue, município de Caarapó, MS.Por muito tempo, os estudante não avançavam em seu aprendizado escolar. Situações como repetência, não acompanhamento das aulas eram constantes, por esse motivo, iniciou-se uma procura das famílias por atendimentos às crianças com deficiências. Nesse sentido a escola se viu tendo que responder a demanda da comunidade. Por essa razão, apresento a experiência da implantação da sala de recursos multifuncional da escola indígena e apresento o trabalho que está sendo feito com jogos e estratégias para cada uma de suas necessidades apresentadas. A escola vem se atentando para essas diferenças por meio de palestras, orientações por escola e estratégias diferentes para saber atender esse público. Esse trabalho se torna relevante a medida em que suscita discussões de educação especial e cultura, direitos de escolarização e atendimento diferenciado para que se torne na escola um ensino diferenciado, especifico, bilíngue, intercultural e inclusivo. Palavras-chave: Educação Especial; povos indígenas; Educação e cultura. ENSINO DE LINGUAGENS NOS ANOS FINAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL DE ESCOLA INDÍGENAS. Janete de Souza RESUMO: Essa comunicação tem como objetivo apresentar minha experiência no estágio de observação na área de linguagens da Licenciatura Intercultural Indígena –Teko Arandu. As observações foram feitas na Aldeia de Dourados, MS. As observações puderam mostrar o trato que se tem dado ao ensino de línguas de uma forma geral, a língua indígena e a língua portuguesa. Também artes e educação física. Fazendo e demonstrando esse diagnóstico poderemos conscientizar os alunos a preservar e fortalecer a cultura e a nossa língua materna, buscar identificar possíveis alternativas de superação e resistência na condução da ação de alfabetização na língua indígena ; e no melhor trato com a língua nos anos finais do ensino fundamental e ainda, como podemos melhorar o ensino de língua portuguesa como segunda língua, das artes e educação física. Palavras-chave: Linguagens, Escola Indígena, Ensino de Línguas SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES OCUPAÇÃO TRADICIONAL DA ALDEIA CERRITO, ELDORADO – MS Josemar Benites Acadêmico indígena da etnia Guarani, área de ciências humanas, licenciatura intercultural indígena. E-mail: licenciaturaindigena@ufgd.edu.br. RESUMO: A escolha desta pesquisa “ocupação tradicional da aldeia Cerrito”, é uma forma de contar a história das famílias que foram removidas de suas terras tradicionais. Registrar como foi o inicio da chegadas dos karais (não- indigenas) e das cercas que limitaram nossa aldeia. A grande preocupação de realizar urgentes esta pesquisa é porque há pessoas, moradores e famílias antigas que ainda conhecem a história de remoção da aldeia Cerrito. Outras que conheciam já faleceram e muitas estão idosas. Por isso, o meu objetivo e resgatar a história e fazer reflexões sobre desse tema atraves de pesquisa de campo, emlivros e entrevistas com índios e não-índios que testemunharam as remoções. Uma das técnicas que utilizarei será a produção de mapas com os estudantes a partir dos depoimentos das famílias, indicando onde eles moraram e qual o nome dos lugares tradicionais. A pesquisa em livros será necessária para registrar a participação da igreja católica e da companhia matte larangeira no processo de aldeamento e exploração do trabalho indígena nos ervais. Durante este período, os mais antigos relatam que muitas terras foram ocupadas pelos karai (não- índios), removendo famílias, muitas vezes com violência. O processo de remoção consistiu na apropriação ilegal tomando a posse da terra dos indigenas da regiao. E levantar quais líderes tomavam a frente na recuperação da terra na época para defender as poucas terras que sobraram para as famílias. Palavras-chave: Remoção, Aldeia Cerrito, Companhia Matte Larangeira, Igreja católica, exploração da mão-de-obra. AUTONOMIA GUARANI CHARAGUA IYAMBAE: OS DESAFIOS PARA SUPERAÇÃO DA COLONIALIDADE DO PODER Ludmila Ferreira Ribeiro Mestranda em Integração Contemporânea da América Latina (PRPG-ICAL) Universidade de Integração Latino Americana (UNILA) RESUMO: Em Charagua, capital da Província boliviana de Cordillera território onde mais de 60 % da população é Guarani, uma nova etapa de concretização da autonomia indígena prevista na Constituição do Estado Plurinacional da Bolivia foi conquistada. Charagua é o primeiro município a se tornar autônomo. A Autonomia Guarani Charagua Iyambae é uma conquista histórica para os séculos de resistência da Nação Guarani que, dividida pelas fronteiras dos Estados Nacionais da Bolívia, Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, luta para reconstituir sua territorialidade. Na Bolívia, após a Batalha de Kuruyuqui, em 1892, que resultou no assassinato de milhares de Guaranis, houve um longo período de silêncio e submissão. Muitas famílias migraram para a Argentina, outras tantas passaram a viver “apatronadas” trabalhando em fazendas em um sistema de semi-escravidão. Muitas outras mortes ocorreram na Guerra do Chaco até que a Nação Guarani começou a se reorganizar. Em 07 de fevereiro de SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 1987, em uma grande assembleia realizada no município de Charagua, foi fundada, a Asamblea del Pueblo Guarani - APG. A RESISTÊNCIA DO FEMINISMO INDÍGENA: A LUTA DAS MULHERES GUARANI KAIOWA Nôemia dos Santos Pereira Moura (Orientadora) Ane Caroline Dos Santos (graduanda) Átila Maria do Nascimento Corrêa (graduanda) Resumo: Torna- se de grande importância para as delimitações das líneas dos nossos conceitos de feminismo quanto movimento, a discussão das demandas, dizeres, que fluem a partir da maior visibilidade dos grupos étnicos quando geo- ambientados. A poposta é de que possamos elucidar o contexto indígena brasileiro, tendo o feminismo nas sociedades ameríndias. A partir da década de 90 os departamentos e organizações femininos na Amazônia brasileira começam, a reinvidicar em âmbito nacional e internacional pauta de e por suas mulheres, tais como os direitos de seu gênero, acarretando dessa forma o fortalecimento da luta, das mesmas diante o seu povo. Contextualizando no hoje, discorreremos sobre as interfaces da relação da mulher indígena com o trabalho, poder e sua participação na comunidade indígena guarani kaiowá. Tendo a atribuição do valor de seus papéis, mas para um gênero do que para o outro, cabe a elas auxiliar na renda familiar, na criação dos filhos e na resistência da cultura de seu povo em um cenário regado com o alcoolismo e perda da identidade por parte dos homens, que se tornam mais risíveis onde as reservas foram constituídas próximas aos espaços urbanos. Palavras-chave: Mulher Indígena, Resistência, Movimento feminista dentro da comunidade indígena. MEMÓRIA E FEITURA DE ARMADILHAS GUARANI ÑANDEVA Rafael Rodrigues Caceres FAIND/UFGD Adriana Oliveira de Sales FAIND/UFGD RESUMO: Essa comunicação visa registrar as armadilhas guarani, com o intuito de ensinar também depois nas escolas da minha comunidade , para que futuramente essas armadilhas não se percam. O motivo desse trabalho é desenvolver um ‘’cartão de memória’’ sobre as armadilhas guarani ñandeva, visto elas terem sido usadas durante muitas décadas para se conseguir as carnes frescas que a natureza oferecia. Com a natureza totalmente destruída, a utilidade dessas armadilhas foi se perdendo, como também o seu valor. Deste modo, os pais e os avôs foram deixando de ensinar a fazer essas armadilhas, pois não haveria onde as usar para pegar os alimentos que vêm da natureza, principalmente as carnes; Com as florestas desmatadas, essas armadilhas foram ficando esquecidas. Para não se perder totalmente nas nossas memórias e até mesmo para sempre, resolvi desenvolver esse trabalho, para buscar e registrar SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES essas armadilhas e explicar como elas eram feitas e onde eram utilizadas pelos guarani ñandevaBuscar registrar as armadilhas guarani ñandeva por meio de desenhos e fotos; Registrar para que tipos de animais da floresta essas armadilhas eram feitas;Saber quem as produzia; Buscar conhecer o passo-a- passo da produção dessas armadilhas;Levar esses conhecimentos, num primeiro momento, às crianças da minha comunidade, para que elas saibam como os nossos antepassados usavam essas armadilhas a seu favor. Palavras-chave: Mémoria do guarani nãndeva, armadilhas, cultura ENSINO DE LÍNGUAS NA ALDEIA TE'ÝIKUE, CAARAPÓ, MS. Rosileide Barbosa de Carvalho FAIND/UFGD Adriana Oliveira de Sales FAIND/UFGD RESUMO: Essa comunicação tem como objetivo apresentar o Ensino de Línguas na Aldeia Te’ýikue de Caarapó. Essa pesquisa tem início com o diagnostico apresentado em 1997, que apontava a repetência 47% e abandono 28% estudantes nas escolas da reserva indígena, esse panorama se confirma até os dias atuais. Esse é resultado de uma proposta de uma educação escolar pensada a partir de pensamento não indígena, o processo integracionista e assimilacionista por qual passaram os povos Guarani e Kaiowá, podemos destacar que há uma “guerra linguística” entre língua indígenas e língua portuguesa. Por essa razão, venho discutir como está o ensino de língua indígenas e língua portuguesa nessa aldeia. E ainda, apontar como se poderia pensar um ensino que valorize a língua materna e insira a língua indígena de fato onde ela deve estar, como segunda língua. Palavras-chave: Ensino de Línguas, Escola Indígena, Metodologias de ensino. GENOCÍDIO DOS POVOS INDÍGENAS APÓS 1915 Valdenir Romero Acadêmico indígena da etnia Guarani, área de ciências humanas, licenciatura intercultural indígena. E-mail: licenciaturaindigena@ufgd.edu.br RESUMO: Esta pesquisa está em fase inicial e será desenvolvida como trabalho de conclusão de curso. O objetivo é conhecer como viviam os Guarani na época de 1915, como era sua vida antes de chegada da SPI (1915) e FUNAI (1969), além da chegada da missão evangélica alemã e os fazendeiros, além do impacto que estes agentes externos produziram sobre o nosso jeito de ser (teko). Em conversas com os mais velhos, percebi que naquele tempo os parentes se sustentavam, procuravamm os remédios e tratamentos tradicionais e produziam as próprias ferramentas, não havendo registro, até então de falta de alimento. Os entrevistadosem rodas de tereré me relataram que roçavam a mata, faziam carpida na roça. Os materiais utilizados eram variados, incluindo pedras. Após o período de 1915 e 1928, muita coisa mudou, nem sempre para a melhor, pois a chegada dos karai contribuiu para combater este modo de vida, SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES eliminando as práticas de vida coletivas tradicionais dos povos indígenas. A pesquisa será direcionada para ouvir os mais antigos sobre as estratégias para recuperar os conhecimentos indígenas guarani e kaiowá, que não estão esquecidos, apenas adormecidos, sendo possível ativá-los. O conhecimento indígena foi, em minha visão, afogado com a chegada da Funai, do SPI e da Missão. Esta é a razão pela qual desejo pesquisar este assunto. Palavras-chave: Genocídio, Aldeia Pirajuí, Funai, SPI, Missão, conhecimentos tradicionais guarani e kaiowá. SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES SENTIDOS: (DES) ENCONTROS E ENCONTROS NA INVISIBILIDADE DOS SABERES VIVENTE / VIDENTE EM ESPAÇOS AMERÍNDIOS. Adma C. S. Oliveira Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Educação da UFMT (Universidade Federal de Mato Grosso) e professora da UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul). Luciene Flores Professora municipal do ensino básico- Escola Municipal Tengatui Marangatu – Polo Dourados/MS. Ana D. Mendes Professora Doutora da área de literatura no curso de Letras - Português/Inglês, na UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul) Polo, Dourados –MS. RESUMO: O objetivo desta pesquisa é coletar vozes, a fim de compreender a identificação cultural, identificação, dos mitos e a relação de circularidade cultural do ser indígena. Permeada pela memória ancestral, por meio das escutas orais dos indígenas nos apropriamos dos estudos culturais que dialoga com a temática das relações ameríndias, pois ao olhar, ouvir e registrar as vozes indígenas revive - se a oralidade desvela-se a construção da identidade cultural do mito e o sentido desta oralidade que e transmitida de parentela a parentela, analisamos alguns pontos das práticas culturais presentes nos fazeres do contexto pesquisado, a partir de fragmentos da fala, colhida por meio da entrevista, e da análise do altar, consagrado no interior do espaço teofânico, especial localizado na residência de uma das escutas. Registramos e participamos do conhecer/reconhecer o espaço, também pela vivência de uma das pesquisadoras na comunidade. Considera-se relevante o lugar aldeado por pertencer à proximidade fronteiriça do Mato Grosso do Sul. As oralidades colaboram com o descortinar o outro olhar humano, olhar este histórico/ambiental/social/ancestral/educacional/religioso/cultural. Esta pesquisa de cunho etnográfico terá subsídio bibliográfico da fenomenologia merleaupontyana e dialogará com alguns apontamentos culturais coletados no sincretismo da: religião/memória, no contexto do meio social e singular da cultura Terena. Palavras-chave: Circularidades – Saberes – Fenomenologia SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES O CINEMA INDÍGENA NO CAMINHO DA DESCOLONIZAÇÃO E DA AUTONOMIA Ana Carolina Estrela da Costa RESUMO: A mostra "O Olhar Como Forma de Resistência", no festival Forumdoc.2016, na UFMG, reuniu dezenas de realizadores indígenas latinoamericanos, exibindo e comentando seus trabalhos. No cerne dos debates, a demanda pela ocupação, descolonização e transformação de instituições através do vídeo. Vimos experiências contrastantes, como, por exemplo, de cineastas bolivianos que conquistaram espaço nas políticas públicas nacionais, com redes de rádio/TV e centenas de produções. Mas os coletivos e cineastas brasileiros, como os Maxakali, Krahô, Xavante, Guarani, Kuikuro, Kaiowá, Kalapalo, mostraram ali um cinema distante daquele documentário com voz off explicando um contexto, pessoas respondendo a entrevistas, e imagens ilustrando o assunto com uma trilha sonora. A estratégia de cineastas e coletivos latinoamericanos, em geral, parecia ser produzir um material a partir das demandas locais para contrapor suas lutas à invisibilização nos meios de comunicação. Mas o "cinema indígena" brasileiro ali mostrado não se incomoda se o evento filmado não é completamente explicado, admitindo que filmadores e filmados construam o filme enquanto produzem aquilo que se filma. A direção primordial parece ser dos mestres dos ofícios e saberes filmados, e especialmente dos xamãs, que além de mediarem relações com os "donos" míticos/ancestrais desses saberes, são especialistas no olhar e na escuta: ou seja, justamente no que se põe em jogo no cinema. Filmes como os dos Krahô e dos Maxakali, que não necessariamente trazem discursos políticos de disputa por poder e negociação de direitos, constituem um exercício político-relacional. Eles trazem aos expectadores uma experiência sensível que suspende o tempo da "informação" e convoca nosso olhar e escuta para o encontro em que consiste a filmagem. Talvez por isso, terminado um filme Krahô, ao fim da mostra, o cineasta xavante Divino Tserewahú tenha declarado: "isso é que é cinema, indígena mesmo", reconhecendo, ali, a política relacional de um olhar que não só captura e informa. A incursão de pensadores indígenas no modelo acadêmico de produção de conhecimento atravessa desafios para implementar diálogos que resistam à colonização técnico-científica. Mas examinando recentes realizações cinematográficas indígenas brasileiras e a crescente demanda pela formação de cineastas e pela circulação de filmes, percebemos que o cinema, como tecnologia relacional e dinâmica de produzir e descrever eventos a partir do olhar e de escuta, permite mais autonomia aos realizadores, que submetem sua produção aos seus modos necessariamente coletivos de estabelecer e negociar relações, propor narrativas e experiências sensíveis, e produzir e fazer circular saberes. Palavras-chave: Cinema Indígena, políticas ameríndias, olhar e escuta. SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES SABERES E DISPOSIÇÕES GUARANI PARA COM OS BRANCOS NA OBRA DE EGON SCHADEN Augusto Ventura dos Santos RESUMO: O presente trabalho visa discutir um aspecto central dos escritos do antropólogo Egon Schaden sobre as populações guarani. Trata-se das considerações sobre saberes e disposições indígenas para com os brancos. Num primeiro momento, pretende-se reconstituir brevemente a argumentação geral do autor a respeito, que diagnostica “um dilema insolúvel” (Schaden, 1969: 117) ocasionado pela retroalimentação de três “fatores”: o “profundo anelo religioso” guarani, “a cataclismologia e, concretamente, o pavor da iminente destruição do mundo”, e “o estado de deprivation acarretado pelos contatos culturais” (Schaden, 1974 [1954]: 176). Tal retroalimentação levaria a uma situação crítica para a qual a “única alternativa possível” seria, segundo Schaden, “a resignação” dos guarani (Schaden, 1969: 117). Num segundo momento, propõe-se confrontar este diagnóstico, mostrando que, longe da resignação, as populações guarani conseguiram construir alternativas importantes no bojo da relação com os brancos que não estavam previstas em análises do tipo. Para embasar teórica e descritivamente este ponto, pretende-se remeter às reflexões do professor kaiowá Eliel Benites, contidas em sua dissertação de mestrado (Benites, 2014). Ao falar sobre seu engajamento no movimento de professores kaiowá e guarani e nos movimentos de aty guasu, Benites parece indicar uma outra maneira indígena de lidar com os karai que, a nosso ver, não foi devidamente ressaltada por Schaden em razão de sua análise estar fundamentada na noçãode aculturação. Pretende-se sugerir que a chave para compreender essa divergência analítica parece ser a diferença nas concepções que cada um guardava a cerca da ideia de “resistência cultural”. Palavras-chave: Egon Schaden; Modos de relação; Kaiowá e Guarani; Modos de Saber. SOBRE A JURUALOGIA: CRÔNICAS MBYÁ-GUARANI NO CONE SUL Bruno Nascimento Huyer RESUMO: Este trabalho traz algumas considerações preliminares a partir de pesquisa etnográfica que venho realizando entre os Mbyá-Guarani na região sul do Brasil e norte da Argentina no âmbito de meu mestrado ainda em andamento. Buscarei apresentar relatos e histórias relativos às alteridades, humanas e não-humanas, presentes no cotidiano Mbyá-guarani dando destaque a relação com os não-indígenas. O objetivo da pesquisa foi explorar um ponto de vista Mbyá-guarani sobre o colonialismo, investindo nas consequências antropológicas de algumas histórias e eventos nos quais pode-se destacar um profundo conhecimento indígena sobre as dinâmicas coloniais praticada pelo juruá (brancos, não-indígenas). Começando com a origem das juruá nhe’e (almas dos brancos) a partir de uma árvore de proporções colossais, onde uma lagarta as envia para esta terra, os brancos parecem possuir uma potência colonialista difícil de neutralizar. Se os tornam parentes, os Mbyá correm o risco SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES de uma miscigenação consumptiva; se ficam distantes demais eles não param de se multiplicar e seguir sobrepondo seus campos às matas. Nesta terra, os juruá (brancos) seguem desfazendo o acordo tácito da boa distância quando não escutam os ensinamentos divinos: “Para nós os brancos não pensam”, alguns Mbyá ressaltem, pois se a cabeça fabrica os pensamentos é com o coração que se deve pensar – algo visto como incapaz aos juruá. É através, portanto, destes eventos de contato e relação com o não-indígena, histórico-biográficos e também mitológicos, que buscarei pensar as noções mbyá sobre o relacionar-se com as diferenças, mais especificamente com os juruá. Esses acontecimentos contemporâneos parecem possibilitar a investigação de uma possível teoria mbyá sobre o colonialismo em geral, e sobre os brancos em particular. Palavras-chave: Mbyá-guarani; Parentesco; Colonialismo. MODOS DE SABER GUARANI KAIOWÁ NA CONSTRUÇÃO DA CASA DE SAPE Dorival Ramires Estudante da Licenciatura Intercultural Indígena – Teko Arandu, habilitação em Matemátcia, FAIND-UFGD. Maria Aparecida Mendes de Oliveira Professora da Licenciatura Intercultural Indígena – Teko Arandu, habilitação em Matemátcia, FAIND-UFGD, e-mail: liamendeso@yahoo.com.br Marianna Florentina Lima Alves de Oliveira Drumont Professora da Licenciatura Intercultural Indígena – Teko Arandu, habilitação em Matemátcia, FAIND-UFGD, e-mail: mariannaflima@gamil.com RESUMO: A pesquisa sobre os saberes indígenas e a ação pedagógica em sala de aula é cada dia mais importante na construção de uma escola indígena que atenda as diferentes formas de saber presentes nas práticas de um povo. Mais especificamente o ensino de matemática, nas es colas indígenas segue uma lógica onde não se considera os modos de saber presentes entre as comunidades indígenas. Este trabalho, é resultante de pesquisa, em andamento, realizada como atividade de Projeto de Alternância, desenvolvido no curso de Licenciatura Intercultural Indígena, habilitação em Matemática, da UFGD. Tem como objetivo a elaboração de recursos didáticos pensado a abordagem de ideias matemáticos presentes nas práticas de construção de uma casa de sape, dos Guarani Kaiowá. O trabalho é realizada na área Indígena Sasoró, município de Tacuru-MS. Nesta pesquisa buscamos, na construção das casas de sapê, apresentar a etnomatemática presente nesta prática. Abordamos principalmente as práticas de medida/representação de tempo/espaço, e o papel de cada sujeito no processo de construção de uma casa. Nestas práticas são mobilizadas lógicas de pensamento, organização e linguagem bem distintas da linguagem matemática presentes na escola. Entendemos que ao trazer a etnomatemática indígena para a ação pedagógica em escola indígena, em situação de reserva, colocamos em ação os diferentes conhecimentos em SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES diálogo. E um primeiro passo para pensarmos materiais didáticos específicos para o ensino das crianças indígenas. Palavras-chave: educação escola indígena; conhecimento indígena; etnomatemátcia. GRAFISMO NA COMUNIDADE KAIOWÁ DE ITAY KA’AGUYRUSU Gilcacia Gündel Saldanha Graciela Chamorro RESUMO: O presente trabalho apresenta os padrões gráficos conhecidos pela comunidade Kaiowá de Itay Ka‟aguyrusu, da Terra Indígena Panambi, no município de Douradina, Matogrosso do Sul, especialmente pelo seu líder, senhor Joel Hirto e por Dona Mereciana. Nesta monografia constam os grafismos desenhados, seus respectivos nomes em língua kaiowá com sua tradução ao português, os principais suportes onde eles são aplicados, assim como os conteúdos mais significativos e os desdobramentos desses padrões gráficos em outras expressões culturais. Para isto, recorremos à comparação dos padrões recolhidos em campo com os recolhidos por outros pesquisadores e pesquisadoras e com os próprios Kaiowá, entre os Guarani e os Mbya, bem como a mitos do grupo. Após leituras sobre arte e grafismo indígena, fizemos a coleta de material em campo, procedimento que se deu através de conversas e oficinas, na comunidade indígena e no Laboratório de Ensino e Pesquisa de História Indígena da FCH-UFGD, com as mestras e dos mestres tradicionais, de jovens da comunidade e estudantes de História Indígena da UFGD. Nestas oficinas foram pintados os panôs do laboratório. A pesquisa possibilitou um pequeno catálogo dos padrões gráficos e uma série de dados para futuros estudos, como o fato de os padrões gráficos estarem relacionados à percepção da natureza dos Kaiowá, aos seus conhecimentos, sentimentos e visão de mundo social e espiritual. Esses registros são uma forma de manter a memória e diante do seu relativo desconhecimento pelas novas gerações surgiu na comunidade o desafio de levar até a escola o conhecimento adquirido durante a pesquisa. Seria uma forma de revitalizar este aspecto da cultura kaiowá e contribuir para o fortalecimento da identidade étnica. POVOS INDÍGENAS GUARANI FALANTES CONTEMPORÂNEOS DA AMÉRICA DO SUL Graciela Chamorro Isabelle Combès RESUMO: Os povos indígenas Guarani falantes contemporâneos são descendentes dos povos Cários, Itatins, Carijós, Chiriguanaes e tantos outros que entraram em contato com os conquistadores europeus a partir da primeira metade do século XVI e aos quais os conquistadores e missionários foram progressivamente acomodando sob a denominação Guarani, levando em conta SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES para tal o parentesco entre as línguas faladas por esses indígenas. Esse parentesco continuou sendo assumido pelos investigadores posteriores – o caso emblemático é o de Alfred Métraux, a quem se deve a expressão “civilização tupi-guarani”. Da mesma forma, o livro de Egon Schaden, Aspectos Fundamentais da Cultura Guarani (1954), é uma das obras modernas que mais contribuíram para reunir e classificar as etnias Guarani falantes da metade do século XX no Brasil. A recepção da obra, porém, ultrapassou os objetivos do próprio autor. Ela foi muitas vezes utilizada para explicar situações distantes temporal e espacialmente daquelas analisadas no escopo do livro. Urge, pois, revisitar a obra, discuti-la, atualizá-la e ampliá-la. O objetivo central desta comunicação é, portanto, dar visibilidadeaos povos indígenas falantes de línguas Guarani na Argentina, na Bolívia, no Brasil e no Paraguai, recolocando, por um lado, a questão da diversidade étnica entre esses povos e, por outro, a construção do Guarani -modernamente também por antropólogos e pelos índios- como uma supra categoria étnica homogeneizante. ESTABELECIDOS E OUTSIDERS: UMA LEITURA ACERCA DO LUGAR DOS INDÍGENAS GUARANI Ilma Regina Castro Saramago de Souza Doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD). Membro do Grupo de Estudos e pesquisa em Educação Inclusiva (GEPEI). Realiza pesquisas voltadas para a temática da Educação Escolar Indígena. FAED/UFGD RESUMO: Os registros escritos apontam que a colonização dos indígenas Guarani ocorreu no final do século XVI e início do século XVII. Encontrados inicialmente pelos espanhóis e posteriormente pelos portugueses, os indígenas sofreram todos os tipos de abusos e opressões, inclusive em nome da civilização foram obrigados a abandonar a sua língua, a sua cultura e religião. Donos de um saber milenar tanto na arte quanto na zoologia, botânica e medicina perderam seu espaço social e geográfico. Como estranhos em sua própria terra tornaram- se escravos, passando a servir de todas as formas os interesses daqueles que os colonizaram. Nessa perspectiva, este estudo é resultado das reflexões e inquietações que surgiram durante o Seminário “Tópicos em Educação: Leituras de Norbert Elias”, ministrado pelo Prof. Dr. Cas Wouters, da Utrecht University na Holanda, promovido pelo Grupo de Pesquisa Processo Civilizador da Universidade Federal da Grande Dourados. O trabalho busca refletir e discutir, a partir das elucubrações elisianas, as relações e as aproximações existentes entre os conceitos estabelecidos e outsiders e o contexto histórico dos indígenas Guarani. Palavras-chave: Colonização. Processo civilizador. Estabelecidos. Outsiders. SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES SOBRE APRENDER A SER ÍNDIO Josemar de Campos Maciel – UCDB Yan Leite Chaparro – UCDB RESUMO: Numa recente feira literária o antropólogo do Museu Nacional Eduardo Viveiros de Castro enunciou uma tarefa urgente e estranha para um povo colonizado e ocidentalizado, a de “aprender a ser índio”, antes que seja tarde demais. Na esteira de algumas de suas contribuições, sobretudo a sua proposição de considerar etnograficamente a sofisticação de populações indígenas para, em seguida, sofisticar filosoficamente a (im)possível generalização do modelo, o texto estende discretamente a reflexão, considerando alguns elementos nos quais a sofisticação de alguns modelos indígenas, expressos em seus discursos, parece ora um bálsamo a curar, ora um bisturi a cindir – ou um espelho, a revelar cisões de longa data, nos projetos insustentáveis de ocupação de um território instável e de exploração de um ambiente frágil, tecendo um leito de Procusto ou mesmo uma experiência de Ouroboros, na qual populações auto-denominadas “modernas” encontram mais tragédia do que a prometida linearidade do desenvolvimento interminável. O que se torna necessário erguer as densas e complexas reflexões e práticas no sentido de (des)ocultar os sujeitos, seus conhecimentos, práticas e modos de vida. Para que os movimentos (no campo do conhecimento, politico, social) de simetria assuma formas concretas. Palavras-chave: reflexões metodológicas; problemáticas do desenvolvimento; os Guarani. A GESTA DE AGAYÉGUEDE Leif Grünewald Doutorado Antropologia Social- PPGAS/UFF Pós-Doutorando PPGAnt/FCH/UFGD RESUMO: Esse trabalho consiste num estudo sobre um mito Ayoreo, um povo falante de uma língua Zamuco habitante do região do alto rio Paraguay, e traz em si um duplo objetivo. Primeiramente, traçar as linhas gerais da composição de um mundo que existia em modo mítico e de alguns níveis que o compunha, juntamente com seu simbolismo próprio, para então examinar suas transformações e atualizações num modo não-mítico, bem como a estrutura lógica comum a duas versões do mundo. Palavras-chave: Ayoreo, Mito, Transformação, Estrutura. A IMPORTÂNCIA DOS MULTIMEIOS NA EDUCAÇÃO ESCOLAR INDÍGENAS Magno Adiala RESUMO: Este trabalho tem como objetivo demostrar a importância de multimeios na educação escolar indígena, que ajuda na aproximação dos SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES estudantes jovens guarani da reserva Porto Lindo/yvy Katu com os líderes tradicionais e os mais velhos. Este trabalho tem como finalidade demostrar os vídeos produzido pelos jovens estudantes a partir da ação coletiva na escola com o envolvimento da comunidade no processo de produção de filmes. O vídeos pode ajudar no fortalecimento da educação tradicional para que possa ser um instrumento de orientação e registro dos saberes para as próximas geração. Assim este vídeos discuti os temas como: Tembi’u – alimentação, Tembi’u mi – alimentação tradicional guarani, mbaeicha ojejapo – a preparação. Foi feito a partir da observação e pesquisa dos estudantes da Escola Tekoha Guarani- Polo, Escola Estadual Japorã –extensão Jacareí, a Escola José de Alencar com apoio do projeto PROEX, Saberes e Fazeres do Nosso Cotidiano da Educação Escolar Indígena. Enfim, esta experiências mostrou como um Projeto Pedagógico ajuda as práticas do professor indígena na sua comunidade, a importância do meio de comunicação no sentido de fortalecer o saberes indígenas na escola e fortalecer os líderes tradicionais. Palavras chave: educação escolar indígena, multimeios e alimentação tradicional. CONHECIMENTO TRADICIONAL E CONHECIMENTO CIENTIFICO: DEFERENTES FORMAS DE CONHECIMENTOS NA FORMAÇÃO DE PROFESSORES INDÍGENAS Maria Aparecida Mendes de Oliveira Professora da Licenciatura Intercultural Indígena –Teko Arandu, FAIND-UFGD E-mail: liamendeso@yahoo.com.br RESUMO: O diálogo entre os conhecimentos tradicionais (conhecimentos indígenas) e os conhecimentos científicos (acadêmicos, escolarizados), e a influência destes diferentes regimes de conhecimento na formação de professores indígenas Guarani e Kaiowá que atuarão nas escolas indígenas, se configuram como ponto de interesse deste trabalho. O espaço de formação inicial de professores indígenas e a reflexão das ações desenvolvidas neste espaço pressupõe a formação do professor como pesquisador de suas próprias práticas. Possibilita uma compreensão sobre diferentes aspectos no ensino e na aprendizagem no contexto da escola indígena. Dentre estes aspectos está à escolha de quais conhecimentos serão valorizados na escola. No entanto, a forma de organização das escolas indígenas presentes nestas comunidades requerem outras formas de organização do espaço/tempo de aprendizagem. Isso é elemento importante para refletirmos sobre como circulam diferentes regimes de conhecimento na formação de professores indígenas. E para refletir sobre de que maneira estes conhecimentos interferem na prática destes professores nas escolas indígenas de suas comunidades. Assim este trabalho busca uma reflexão, inicial, sobre dilemas enfrentados atualmente em diferentes cursos específicos (interculturais) de formação de professores indígenas, em diferentes regiões do país, para promover a educação intercultural e bilíngue nas escolas indígenas. Trazemos para reflexão duas falas de professores, egressos da Licenciatura Intercultural Indígena – Teko Arandu, que evidenciam estes dilemas que envolvem a relação entre conhecimentos tradicionais e conhecimentos científicos, na formação de professores indígenas. SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES Palavras chave: conhecimentos tradicionais; conhecimentos científicos;regimes de conhecimento. PERSPECTIVAS DO AUDIOVISUAL AUTORAL REALIZADO PELOS POVOS INDÍGENAS DE MATO GROSSO DO SUL: ELEMENTOS E REFLEXÕES PARA UMA TAXONOMIA PRELIMINAR Miguel Angelo Corrêa Mestre em Comunicação Social/Jornalismo pela UFMS; Pós-Graduado Lato Sensu em Culturas e História dos Povos Indígenas (EAD/UFMS) Graduado em Administração de empresas (UFMS); Graduado em Comunicação / Jornalismo (UFMS); Técnico em eletrônica; Jornalista Documentarista; integrante do Grupo de Pesquisa Antropologia, Direitos Humanos e Povos Tradicionais da UFMS; do Grupo de Pesquisa Turismo e Meio Ambiente da UFMS; e do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas de MS (NEABI-MS) RESUMO: Os povos indígenas de Mato Grosso do Sul encontram-se numa situação bastante precária, há séculos resistindo a diversos processos de espoliação de suas terras e de seus direitos. Na maioria encontram-se na faixa de fronteira e têm problemas em sua representação social na mídia de massa nacional e na local que, via de regra, os discriminam e divulgam inverdades a seu respeito. Não obstante, eles têm, individual ou coletivamente, criado formas alternativas de se comunicar entre si e com os não indígenas, utilizando as chamadas Novas Tecnologias de Informação e Comunicação. Em especial as etnias Guarani, Kaiowá e Terena, ao longo das últimas décadas vêm realizando, através de movimentos, organizações ou iniciativas autônomas, vasta produção audiovisual autoral de maneira a apresentar e publicizar, dentre outras, suas visões de mundo, suas versões dos conflitos e da luta por direitos. Esta comunicação apresenta observações sobre os dados obtidos em trabalho de campo que mapeou boa parte destas produções audiovisuais, e propõe reflexões introdutórias para o desenvolvimento de uma taxonomia preliminar das mesmas, que apontaria para a existência de estruturação, objetivos e organização distintos. Haveriam obras, videastas e grupos com articulação, metas e estética mais próximas ao chamado 'mercado mainstrean' por um lado, e uma produção audaciosa, autônoma, inusitada, com aspectos autogeridos e 'independentes', por outro. O trabalho de campo e as reflexões derivaram, principalmente, dos seguintes trabalhos do autor: a dissertação de mestrado “Audiovisual autoral dos povos indígenas de MS: mapeamento e análise”, defendida junto ao PPGCom/UFMS em 2015 e o livro “O índio e o cinema em Mato Grosso do Sul”, contemplado pelo Fundo de Investimentos Culturais de MS em 2016, no prelo. Palavras-Chave: cultura indígena; audiovisual; cinema; índio; Mato Grosso do Sul. SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES OS MOCOVÍS DO GRAN CHACO: UM DOCUMENTO VISUAL DE IDENTIDADES E TEMPORALIDADES Scheilla Guimarães da Silva scheillaguimaraes@gmail.com Enfermeira e Professora Ensino Superior RESUMO: Os escritos do missioneiro jesuíta Florian Paucke, que viveu entre os indígenas mocovís, também chamados de guaicurus, entre os anos de 1749 a 1767, constitui um rico material etnográfico que registra a cultura mocoví e sua estada por dezoito anos na Redução de San Javier no atual território argentino. Esse artigo trata de forma sucinta das observações feitas por esse missioneiro desde sua partida da Europa até as Índias Ocidentais da América descrita na sua crônica Hacia allá y para acá. Una estada entre los indios Mocobíes -1749-1767, e representadas em uma série de aquarelas. Considerando suas imagens como um código cultural que permite várias interpretações, procuro lançar o meu próprio olhar sobre essas representações, atribuindo sentidos a essas imagens. Palavras-chave: Florian Puckes, missioneiro jesuíta, século XVIII, cultura indígena mocoví. ANÁLISE DE AULAS SOBRE TERRITORIALIDADE GUARANI COM O ENSINO MÉDIO TÉCNICO E CURSOS SUPERIORES DE AGRÁRIAS EM MATO GROSSO DO SUL Silvana Colombelli Parra Sanches Cientista Social Mestre em Saúde Coletiva Professora EBTT RESUMO: A prática educativa de escolas da zona rural em Mato Grosso do Sul atende o agronegócio e as demandas advindas do mercado de trabalho e da macro produção com objetivos de exportação e de suprir vagas de trabalho formal e qualificado. Entretanto, muitos estudantes matriculados nestas instituições tem uma trajetória que não vem do agronegócio e quase a totalidade não pertence a esta elite tão almejada em documentos como projetos político pedagógicos dos cursos de graduação e outros: são filhos de assentados, acampados, ribeirinhos, sitiantes, roceiros, peões, caseiros, pequenos comerciantes de cidades próximas a áreas de produção agropastoril, aldeias e parques ambientais. Estes estudantes necessitam de uma educação multidimensional que contemple não apenas as tecnologias voltadas ao agronegócio mas também o conhecimento que emana das sociedades indígenas, quilombolas, dos movimentos de luta pela terra, do saber popular. Para produzir uma educação diferenciada e inclusiva é preciso fazê-la, e, depois, analisar os resultados obtidos. É isto que se propôs aqui, ao abordar a temática Guarani e sua visão de território para este público objetivo durante as aulas de sociologia em campus rural de Instituto Federal durante o ano de 2016. Ao demonstrar as cosmologias vinculadas a noção de Tekohá Guasu e o sistema de plantio agrofloresta praticado pelo Guarani, descobriu-se que antes de introduzir etnosaberes no currículo, é preciso ensinar a elaborar as perguntas, e, pensar com mais alteridade, menos preconceito e numa perspectiva intercultural as diversidades e diferenças que perpassam o eu e o outro. SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES Palavras-chave: Territorialidade, Guarani, Ensino, Currículo. ESTUDANTES INDÍGENAS NAS UNIVERSIDADES: SOBRE MODOS DE CONHECER, DE TRADUZIR E DE TRANSFORMAR O CONHECIMENTO Talita Lazarin Dal’ Bó Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social/USP RESUMO: O campo de estudos da etnologia sul-ameríndia tem nos demostrado que os muitos modos de produção e circulação de conhecimento entre os povos indígenas se conectam a práticas como xamanismo, processos rituais, processos sensitivos, e se utilizam de prerrogativas como restrições, proibições, orientações, ou seja, quem pode, quando e de que modo produzir e circular determinados conhecimentos. No entanto, com o acesso recente e intenso de jovens indígenas a diferentes espaços, como as universidades e os ambientes acadêmicos, como ficaria o debate em torno desses regimes de conhecimento? É possível aproximar e permitir dialogar saberes e conhecimentos que se exprimem por processos diferentes? Ou ainda, é possível apostar em modos de tradução e de transformação desses conhecimentos? A partir do acompanhamento de experiências de estudantes indígenas de graduação na UFSCar e de estudantes indígenas de pós-graduação em Antropologia Social na UFAM, gostaria de propor nesse trabalho dois principais pontos para reflexão: 1) que os modos de conhecimento que se realizam nessas experiências podem ser percebidos não somente em ambientes de sala de aula e de pesquisa, mas se estendem a diversos momentos da formação universitária desses estudantes, demonstrando que a ideia de “conhecimento” deve ser ampliada para umas perspectiva que se atente a modos de se relacionar, de ocupar espaços, de constituir sujeitos políticos e de construir alianças e redes indígenas que se entremeiam no campus e para além dele; em síntese, de experimentar a vida universitária como um modo de conhecimento. 2) que o acompanhamento das experiências dos pós-graduandos indígenas em Antropologia tem nos levado a refletir sobre seus processos de produção de pesquisa como modos de tradução e de transformação de conhecimentos, cujos efeitosparecem caminhar para novas possibilidades de produções antropológicas, tanto no que diz respeito às metodologias de pesquisas quanto à produção de conceitos e categorias que se realizam nesses processos. Além disso, da necessidade de nos atentar também para todas as relações e subjetividades que se estabelecem nessas experiências, entre cada um desses estudantes/pesquisadores e os seus interlocutores principais de pesquisa, geralmente conhecedores ligados a eles por redes de parentelas e alianças, assim como entre eles e seus professores e orientadores acadêmicos, e entre eles próprios, e os efeitos que essas relações geram em suas produções de conhecimento antropológico. Palavras-chave: estudantes indígenas, modos de conhecer, modos de traduzir, antropologias indígenas. SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES OS POVOS INDÍGENAS, O IMPÉRIO E A QUESTÃO DE TERRAS Almir Bauler Doutorando em História – Universidade Federal da Grande Dourados RESUMO: A presente comunicação tem como eixo articulador o interesse de investigar a intensidade dos debates etnográficos que se travaram entre os letrados do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB) em meados do século XIX à luz do cenário oitocentista brasileiro: a construção de uma memória/história nacional que nos identificasse enquanto “nação e principalmente, de ocupação de “bolsões” de terras habitadas por diferentes etnias indígenas por novas frentes agrícolas e colonizatórias. Neste cenário, coube a estes letrados a tarefa de definir o lugar dos grupos humanos “dispersos” pelo território brasileiro - os indígenas. Estes se tornam, assim, alvo de acirrados debates que geraram o primeiro e único documento do século que nortearia as ações do Estado no trato com os nativos do território brasileiro: o Regulamento acerca das Missões de Catequese e Civilização dos Índios, de 1845. Assim, nesta comunicação, pretendemos cruzar algumas narrativas etnográficas da época, com a finalidade de compreendermos a intensidade dos debates travados, a polissemia de ideias, suas inflexões e sua práxis indigenista em meados do século XIX entre os indígenas guarani no sul do atual estado de Mato Grosso do Sul. Palavras -chave: Política indigenista. Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Regulamento acerca das Missões de Catequese e civilização dos Índios. Barão de Antonina. DESAFIOS INTERCULTURAIS NA RESERVA TE’ÝIKUE, ENVOLVENDO FAMÍLIAS INDÍGENAS GUARANI E KAIOWÁ E A ASSISTÊNCIA SOCIAL PARA GARANTIR O DIREITO DA CRIANÇA INDÍGENA À ESCOLA Elemir Soare Martins Estudante Graduação FAIND/UFGD Silvana Jesus do Nascimento Doutoranda UFRGS RESUMO: O presente trabalho tem por objetivo descrever e analisar o contexto vivenciado pela família Guarani e Kaiowá em relação à educação tradicional e o desafio de manter suas crenças e costumes com a influência das atuações dos órgãos do Estado e da cultura envolvente. Este trabalho é resultado do diálogo com duas famílias uma kaiowá e outra Guarani, da Aldeia Te´yikue. Destacamos que estas famílias não aceita que os filhos vão à escola, porque tem SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES certos cuidados e acreditam que a escola trará mudanças no comportamento das crianças que não são desejáveis por seus pais. O funcionário do Cras defende e tenta aconselha-las que os filhos precisam estar na escola, também apresenta outra forma de educar os filhos conforme consta no Estatuto de Crianças e Adolescentes (ECA). Entendemos que, os Guarani e Kaiowá tem sua maneira de educar os filhos, ensinando-os a respeitar primeiramente sua religião, a natureza, os mais velhos, a levantar cedo para iniciar bem seus afazeres, etc. Dessa forma as crianças cresciam saudáveis, contribuindo muito a comunidade e criando um Tekohá feliz de viver. Porém, nos dias atuais isso vem apresentando outra perspectiva, as famílias na área de concentração desta pesquisa não estão conseguindo manter com saúde sua cultura, educação e religião devido a todas as intervenções sofridas pelas atuações do Estado. Nesse sentido, muitas famílias na reserva resistem ainda para manter educação tradicional, mesmo com toda mudança e Direitos. O trabalho pretende discutir essa questão com intuito de problematizar a atuação dessas instituições dentro da reserva e ajudar as comunidades compreenderem estas situações. Palavras-chave: Mitã Kaiowá e Guarani, Pehengue, Estado. ASSIMILACIONISMO E PROTAGONISMO: OS PARADIGMAS ORIENTADORES DE POLÍTICAS PARA A POPULAÇÃO INDÍGENA Ellen Cristina de Almeida FUNAI RESUMO: O presente trabalho tem o objetivo de apresentar um fragmento da dissertação defendida no ano de 2015 sobre as associações indígenas na Reserva de Dourados. No referido trabalho, as associações foram observadas como uma forma de organização política que os povos indígenas têm usado para acessarem políticas públicas, formando as chamadas redes socais (BARNES, 2010) e configurando processos políticos envolvendo setores do serviço público em vários níveis e esferas, bem como com organizações não-governamentais, cuja finalidade objetiva era o acesso a políticas públicas. Ao observar esse processo político envolvendo associações e políticas públicas, uma questão se sobressaiu – a atuação de paradigmas orientadores das ações e, consequentemente, a persistência da perspectiva assimilacionista justaposta ao paradigma do protagonismo indígena. Palavras-Chave: Associações Indígenas, Assimilacionismo, Protagonismo, Reserva Indígena de Dourados. O ÍNDIO E A LAVOURA CANAVIEIRA EM MS Felipe Megeredo Correa RESUMO: Desde o estabelecimento de não-índios no antigo Mato Grosso (atual Mato Grosso do Sul) a mão de obra indígena foi largamente utilizada na agropecuária. Empreendimentos comerciais, como a Companhia Matte Laranjeira também recrutaram-na para o trato nos ervais. A partir da década de SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 1980, as agroindústrias passam a ser o local por excelência da presença indígena, nos canaviais como cortadores de cana de açúcar. Com as políticas estatais de concentração dos índios em locais específicos, reservas indígenas, sem preocupação maior com as peculiaridades de cada grupo e seus modos de viver, estas tornaram-se locais precários para a pratica do modo tradicional de vivência. Soma-se a isso o crescente contato com o modo de produção e sociabilidade capitalista, que passou a exigir determinadas necessidades, estas eram supridas através do assalariamento. Nesse sentido, dois pontos principais podem ser considerados pela preferência da força de trabalho do índio: a proximidade das agroindústrias com as reservas e a experiência deles no trato agrícola. Na perspectiva indígena, as usinas sucroalcooleiras eram vistas como um dos poucos locais onde trabalhar, consequentemente, ganhar dinheiro. Na relação dos índios com o trabalho externo, estabeleceu-se algumas peculiaridades: havia intermediador indígena entre os cortadores de cana e as empresas; parcela do pagamento paga adiantado, deixada com familiares dos obreiros até seu retorno; trabalhavam no máximo 70 dias seguidos, pois alegavam desestrutura familiar por períodos mais longos; saíam em cinco turmas de 45 à 50, totalizando entre 225 e 250 indivíduos, como a quantidade de ausentes era expressiva, havia impactos diretos nos aldeamentos. Na lavoura canavieira o trabalho era pesado e degradante, explicitado nas horas extenuantes de atividades, comida insuficiente, acomodações inadequadas, descontos injustificados nos salários, doenças físicas e psicológicas, dentre outros. Palavras-chave: Índio, Changa, trabalho. A ATUAÇÃO DA REDE SOCIOASSISTENCIALNA ÁREAS DE RETOMADA GUARANI E KAIOWÁ EM DOURADOS/MS: LIMITES, AVANÇOS E DESAFIOS Flávia Helena Braff Denes Resumo: A Política Nacional de Assistência Social, através do Sistema Único da Assistência Social, tem como objetivos a proteção social, a defesa de direitos e a vigilância socioassistencial nos territórios, atuando de forma integrada às políticas setoriais. Dentre os princípios que regem a assistência social atualmente, estão a universalização dos direitos sociais, que busca fazer com que as políticas públicas alcancem seus destinatários, o respeito à autonomia, ao direito de convivência familiar e comunitária, bem como a igualdade de direitos no acesso ao atendimento, sem discriminação. Assim, a Assistência Social no Brasil tem construído uma trajetória importante para a ampliação do acesso aos direitos e aos mínimos sociais para sua população. No entanto, sendo o Brasil um país bastante plural, multiétnico, desenvolver uma política que abranja essa diversidade ainda constitui uma longa trajetória a ser construída. O presente trabalho buscou apreender a trajetória e o fluxo da rede socioassistencial no município de Dourados em relação à atuação junto a famílias indígenas, mais especificamente famílias Guarani e Kaiowá que vivem em áreas de retomadas dos territórios tradicionais na região, segundo a visão dos próprios profissionais que compõem essa rede. A pesquisa consistiu em entrevistas semiestruturadas com trabalhadores da assistência social que atuam diretamente com demandas SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES dessas áreas de disputa fundiária, através de instituições como o Centro de Referência da Assistência Social/CRAS, Centro de Referência Especializado de Assistência Social/CREAS, Conselho Tutelar e Viva Mulher, bem como representantes de outras agências indigenistas que compõem essa rede, como a Fundação Nacional do Índio/FUNAI e a Secretaria Especial de Saúde Indígena/SESAI, além de observações propiciadas pela vivência desta pesquisadora enquanto trabalhadora da rede socioassistencial do município. Como aporte teórico, foram utilizados trabalhos sobre a vida e história dos Guarani e Kaiowá, assim como a legislação indigenista e a documentação que regulamenta a assistência social no Brasil. Palavras-chave: Rede socioassistencial; Guarani e Kaiowá; retomadas; Dourados. EDUCAÇÃO TRADICIONAL DO KAIOWA ANTIGAMENTE COMPARANDO COM ATUAL Genildo Ramires RESUMO: A educação tradicional do kaiowa antigamente era era muito diferente comparando de hoje.Antes os pais e a mães conseguia educar seu filho de acordo com o regimento da sua família, quando os pais levanta as três horas de madrugada para tomar chimarrão já mandava as criança levantar para sentar ao redor do fogo e ali o mai. velho da família já começa a contar historia e ensina como pode se comporta dentro da sua família e na outra sociedade que não e a sua família. Os pais ensina os meninos na roça ,na caça,e pesca e entre outro tipo de atividade no decorrer do dia. Antigamente os pai não chicotava os seus filhos ,mas deixava de castigo,como mandar ir na roça plantar alguma coisa assim funcionava a educação tradicional do kaiowa. No decorrer do ano a educação tradicional do kaiowa vai se modificando ,hoje com a chegada da energia e da tecnologia na aldeia a educação tradicional vem se desvalorizando,por que hoje em dia as crianças não levanta mais de madrugada e nem dorme cedo,não faz jehovas ante de dormi ,em vez de fazer isso primeira coisa que eles vao fazer e ir na frente da televisão ou jogar no celular e eles já não obedece mais seus pais e a sua mãe com isso a educação tradicional do kaiowa vem se modificando cada vez mais. Com essa modificação na comunidade indígena muito jovem esta indo para o caminho errado, por isso hoje existe vários tipos de violência por que eles vem as coisa na televisão Palavras-chave: Educação; Kaiowá; Tradição. POLÍTICAS INDÍGENAS E INDIGENISTAS NA ESCOLARIZAÇÃO DOS GUARANI E KAIOWÁ: DIÁLOGOS POSSÍVEIS? Renata Lourenço Docente UEMS RESUMO: A elaboração de políticas públicas visando encampar os pleitos dos movimentos indígenas e indigenistas ao longo das últimas três décadas, suscita SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES inúmeras contradições que derivam, dentre outras questões, da in/compatibilidade entre a organização interna das aldeias, e o sistema escolar. Em diálogo estreito com professores e lideranças indígenas Guarani e Kaiowá, do cone sul do Estado de Mato Grosso do Sul, venho presenciando situações que despertam meu interesse em analisar com mais profundidade as incoerências provindas das ações governamentais. Como processar os conhecimentos e saberes tradicionais na escola, no dizer de alguns professores e anciões, seguindo “passo a passo” o caminho do “bem viver” (Teko Porã), alicerçado na “boa palavra” e no “exemplo”, pedras basilares da concepção de ensino dos Guarani e Kaiowá. Como re/construir escolas nas aldeias, que não sejam meramente instituições externas, mas que tenham como ponto de partida e chegada, os referencias da “cultura” indígena? Estas reflexões não são novas, mas o que me parece novo é como isto tem voltado a ser motivo de debate. É visível o distanciamento entre, de um lado, o que se tem como projeto de uma escola “diferenciada” e, de outro, as dificuldades e inconsistências de sua aplicabilidade. Contudo, no caso específico dos povos em questão, vejo um número significativo de professores, buscando trilhar novos caminhos. Muitos anciões que ocupam destaque nas aldeias, rezadores/xamãs vêm procurando fazer um diálogo importante com a escola, no dizer de alguns, quando esta os chamam. Avanço por ora, apenas uma hipótese, ainda por lapidar, a de que tal diálogo consiste na identificação de acordos pontuais entre regimes de conhecimentos incomensuráveis. Partindo destas premissas, considero relevante e oportuno refletir a escola segundo a visão dos anciões (rezadores ou não). Trata-se de um esforço em apreender possíveis caminhos para uma escola “diferenciada”, percorrendo o caminho inverso – da lógica interna à externa. O alcance do estudo que se propõe, estaria assim delimitado, às (im) possibilidades de escolas menos impositivas no âmbito das próprias comunidades em que se inserem. A relação tempo-espaço "ará", poderá prestar- se como uma baliza inicial à análise das (in)adequações e antagonismos que permeiam a educação institucionalizada nas aldeias Guarani e Kaiowá. Palavras-chave: políticas de aldeias; políticas públicas; escola; Guarani; Kaiowá. OS OBJETIVOS DE DESENVOLVIMENTO DO MILÊNIO E OS POVOS INDÍGENAS – DESAFIOS DO BEM VIVER INDÍGENA: EXPERIÊNCIA DE CONSULTA PARTICIPATIVA NA TERRA INDÍGENA PIRAKUÁ (ETNIA KAIOWÁ GUARANI – MATO GROSSO DO SUL – BRASIL) Renata Oliveira Costa RESUMO: O Brasil é um dos países que mais avançaram no cumprimento das metas dos Objetivos do Milênio (ODM). As conquistas no país devem-se à implantação de políticas públicas que priorizaram as metas estabelecidas e ao engajamento dos diferentes atores públicos, privados e da sociedade civil. O grande desafio, no entanto, continua sendo a desigualdade nos resultados entre as populações e entre as regiões do país. Os oito objetivos do milênio, foram construídos e pactuados inicialmente por 189 países no ano de 2000, para serem cumpridos até o ano de 2015. Porém, de acordo com estudiosos das SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES questões indígenas no Brasil e na América Latina, esses objetivos não incluem aqueles povos que possuem direitos coletivos, pois são objetivos que levam em conta apenas os direitos do indivíduo. Os povos indígenas estãodentre os grupos populacionais mais vulneráveis às desigualdades no alcance das metas. O país possui muitos desafios a enfrentar para superar os indicadores. O maior deles é a descolonização dos povos indígenas em toda a América Latina. Nesse sentido, os povos indígenas sempre estiveram em uma posição de discriminação e marginalidade do sistema vigente. De acordo com o longo processo histórico, a grande maioria das políticas públicas elaboradas para atender suas necessidades estiveram voltadas à sua integração à cultura dominante. Por isso, inspirados na experiência da Colômbia (2013), onde os Objetivos do Milênio foram ampliados, o PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), junto à Secretaria de Governo da Presidência da República e à consultora Renata Oliveira Costa, com a valorosa contribuição da ASCURI (Associação Cultural de Realizadores Indígenas), iniciaram a discussão sobre a ampliação e inclusão das populações indígenas nos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), com novas metas a serem atingidas até o ano de 2030. Além disso, propuseram uma metodologia de consulta aos povos indígenas sobre os ODS. O trabalho foi realizado junto a uma das populações indígenas mais vulneráveis do país: os Kaiowá Guarani, do MS. Essa etnia vem passando por grandes enfrentamentos em sua região, principalmente em relação à pressão do agronegócio sobre seus territórios tradicionais. Como resultado de um processo histórico colonizador, os indígenas enfrentam a fome, a falta de água, a miserabilidade, a marginalidade, o preconceito, a violência e a falta de perspectivas de sustentabilidade, além da extrema dependência de ações governamentais emergenciais, como a distribuição de cesta de alimentos. O objetivo desse artigo é demonstrar o passo a passo da metodologia utilizada durante o trabalho, quando foram construídos os Objetivos do Bem Viver (Ñhandereko) de acordo com os moradores da Terra Indígena Pirakuá (Bela Vista – MS). CIRCULAÇÃO DE CRIANÇAS INDÍGENAS: QUESTÕES PARA ALÉM DA CULTURA Silvana Jesus do Nascimento RESUMO: Crianças, jovens e mulheres tem ganhado visibilidade pública como as principais vítimas da violência entre os indígenas no contexto mundial. A percepção do sofrimento da criança afeta os agentes do Estado e a sociedade envolvente impingindo-lhes o desejo de salvar tal público por meio de diversas tecnologias de governo. Proponho-me neste artigo levantar algumas questões a esse respeito, a luz da bibliografia sobre adoção internacional e transracial e da pesquisa que venho realizando em Mato Grosso do Sul, a respeito desta temática. Como referencial empírico para análise parto da descrição do processo de adoção de crianças kaiowá por famílias Terena. Com efeito, neste caso pretendo fazer um deslocamento das discussões sobre cultura para pensar nas assimetrias e hierarquias que envolvem a mediação do Estado nos deslocamentos de crianças entre coletivos e o modo como a interpretação da legislação parece favorecer certos modelos de família, religião e política em detrimento de outros. SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES Palavras-chave: Circulação de criança; Políticas pública; Indígenas. POLÍTICAS PÚBLICAS ESTADUAIS DE ACESSO E PERMANÊNCIA PARA ALUNOS INDÍGENAS AO ENSINO SUPERIOR EM MATO GROSSO DO SUL Viviane Scalon Fachin RESUMO: Esse trabalho intenta apresentar, analisar e avaliar duas políticas públicas estaduais executadas em Mato Grosso do Sul, uma de acesso e outra de permanência, voltadas para estudantes indígenas que queiram cursar o Ensino Superior e como tem sido seus efeitos no ingresso e na conclusão dos beneficiários. A política de acesso foi instituída na Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) pela aprovação da Resolução COUNI/UEMS, de 17 de julho de 2003, atendendo a Lei Estadual n.º 2.589, de 26 de dezembro de 2002, que estabelece a reserva de 10% das vagas para alunos indígenas na UEMS. Essa legislação foi regulamentada pelo Estado, ouvidas as lideranças dos movimentos indígenas e a comunidade acadêmica e, a partir do vestibular de dezembro de 2003, em todos os cursos oferecidos nas Unidades Universitárias da UEMS foram reservadas 10% das vagas, o que no primeiro ano representou o acesso de 164 estudantes indígenas, num universo de 1640 vagas. Em 2005 o governo de Mato Grosso do Sul instituiu a política que visava à permanência dos estudantes indígenas no Ensino Superior, por meio do Programa Bolsa Universitária para Alunos Indígenas, criado pelo Decreto/MS n.º 11.856, de 12 de maio de 2005, especificamente para atender aos alunos da UEMS, proporcionando um auxílio financeiro durante sua formação universitária e experiência profissional por meio do cumprimento de atividades que deveriam ser desenvolvidas em órgãos da administração pública federal, estadual, municipal e em organizações não-governamentais, de forma a facilitar sua inserção no mercado de trabalho posteriormente a sua formação e assegurar condições para a conclusão do ensino superior. Após os primeiros anos de execução, essa política foi fortalecida pela promulgação da Lei Estadual n.º 3.783, de 16 de novembro de 2009 que criou o Programa Vale Universidade Indígena (PVUI), atualmente em vigor e sob a supervisão da Secretaria de Estado de Direitos Humanos, Assistência Social e Trabalho (SEDHAST/MS), atendendo aos alunos de todos os cursos oferecidos nas Unidades de Ensino da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul. É sobre a formação, o ingresso e a conclusão desses jovens ao Ensino Superior em Mato Grosso do Sul que analisamos o papel desempenhado pela UEMS e pelo PVUI, a partir dos dados disponibilizados pela Diretoria de Assuntos Acadêmicos/UEMS e da Superintendência da SEDHAST, que propomos apresentar e avaliar a inserção propiciada pelas duas políticas públicas executadas no Estado de Mato Grosso do Sul. Palavras-chave: diversidade, educação, igualdade de oportunidade. SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES SER INDIGENA E ANTROPOLOGO NA PESQUISA DE CAMPO ENTRE RUIDOS E ECOS Almires Martins Machado RESUMO: A proposta insere-se no esforço de discorrer sobre o estar lá, na fusão dos horizontes, considerando o fato de o pesquisador ser e pertencer ao povo indígena guarani, estar transformando o tekoá (aldeia) em campo de pesquisa, e indubitavelmente vivenciando seu “anthropological blues” as avessas, com as interações na comunidade da qual espera levantar dados na observação participante, conforme o ensinado na academia que se deve ter o estranhamento em relação ao que sempre foi familiar, e ter constituída a autoridade etnográfica, se investindo no papel de aprendiz de antropólogo escrevendo sob o ponto de vista do indígena, quando também se é indígena, atentando-se ao texto e o contexto, apesar dos porem, entretanto, todavia, ponderações que se apresentam em campo. O desafio em ser o antropólogo arquiteto, engenheiro que planeja a construção da ponte entre o mundo indígena e não indígena, entre o ser sobrevivente, pensante (Guarani) e o ser indígena de papel. AS PESQUISAS REALIZADAS COM/ENTRE CRIANÇAS GUARANI E KAIOWÁ E AS METODOLOGIAS EM PROCESSO DE CONSTRUÇÃO COLABORATIVA Beatriz dos Santos Landa – UEMS RESUMO: As pesquisas com crianças indígenas ampliaram-se significativamente nas últimas décadas, e a consolidação desta temática vem contribuindo para que as metodologias utilizadas para a produção dos dados necessários para compreender cada percurso sócio-histórico vivenciado por este segmento nas terras indígenas ou externo a elas venham se complexificando, muitas vezes com a participação destas crianças na proposição de algumas delas. Reservas, escolasnas áreas urbanas e rurais, terras indígenas, acampamentos à beira de estrada, áreas de retomadas e em processos de luta, periferias das grandes, médias e pequenas cidades, são alguns dos contextos aonde as crianças indígenas Guarani e Kaiowá estão inseridas e vivendo suas infâncias. O objetivo é apresentar e discutir como as metodologias utilizadas e/ou construídas/desenvolvidas nas pesquisas que estão sendo executadas com/sobre as crianças Guarani e Kaiowá, especialmente no Mato Grosso do Sul, cujos objetivos, buscam compreender as brincadeiras e brinquedos manipulados por elas, as relações que estabelecem com outras crianças e adultos com quem convivem, o uso do espaço, as identidades construídas em contextos urbanos e escolares, as subjetividades formadas na luta pela terra, entre outros temas, tem promovido o conhecimento neste campo. Etnografia e observação participante tem sido quase uma unanimidade nestas investigações, SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES entretanto, para cada contexto verifica-se a necessidade da associação de uma outra metodologia já consolidada ou que foi construída em parceria com as crianças e seu grupo familiar ampliado com vistas a compreender como esta etapa difere substancialmente das não indígenas. Palavras-chave: Criança Guarani e Kaiowá, Criança Indígena, Metodologia. TOCA DA ONÇA JAGUARETÊ KAÑYHA Claudineis Nunes RESUMO: O presente trabalho tem como objeto de pesquisa o jogo 'toca da onça" "jaguaretê kañyha". Este jogo foi muito praticado na aldeia Serrito município de Eldorado no Estado de Mato Grosso do Sul com as crianças guarani e Kaiowá nas escolas. Conta a historia que este jogo fazia parte da vida das crianças tanto em casa como na escola mas que com passar dos anos foi sendo esquecido e substituído por outros jogos dos não indígenas . A proposta de pesquisa contribuir para a valorização da cultura por meio do jogo e ainda propôs a sua utilização para o ensino de matemática como conteúdos números e operações, geometria, medidas e entre outros. Palavras-chave: Etnomatematica, Ensino de Matematica e Jogos Jaguarete Kañyha. OS CONFLITOS INDÍGENAS E SUA REPRESENTAÇÃO ATRAVÉS DAS FOTOGRAFIAS NOS JORNAIS ONLINE DE MS Gabriel dos Santos Landa landagabriel2@gmail.com RESUMO: O trabalho tem como principal objetivo analisar como as fotografias publicadas nos jornais online de Mato Grosso do Sul, principalmente no cone- sul do estado apresentam e representam os conflitos por terra no estado. O artigo terá como principal foco os conflitos ocorridos em Caarapó em junho de 2016. Atenta-se para o fato de que as fotografias não são unicamente um objeto, mas é também um ator social e representa a cultura em que se insere. A metedologia utilizada foi uma análise dos jornais da região sul do estado de MS e busca entender quais imagens eram utilizadas em cada matéria jornalística e qual a percepção que buscava-se transmitir com cada ângulo e foco e como tais detalhes podem transmitir uma mensagem específica. Palavras-chave: Fotografia; Imprensa; Indígena METODOLOGIAS UTILIZADAS NA PESQUISA COM CRIANÇAS KAIOWÁ NO BAIRRO VILA CRISTINA/TUJÚ PUYTÃ, EM AMAMBAI/MATO GROSSO DO SUL Josimara dos Reis Santos(SED/MS) Beatriz Landa (UEMS) RESUMO: O artigo demonstra as metodologias utilizadas em minha pesquisa de mestrado, cuja finalidade é compreender o processo de socialização de SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES crianças Kaiowá que se encontram em contexto urbano no bairro Vila Cristina, na cidade de Amambai, estado de Mato Grosso do Sul. Inicialmente discuto metodologias clássicas da antropologia, como a observação participante, a produção de diários de Malinowski (1984), o exercício do olhar, do ouvir e do escrever de Cardoso de Oliveira (2006) e a utilização de recursos tecnológicos Mauss (1993), com a intenção de evidenciar que essas metodologias são fundamentais, mas as pesquisas com crianças exigem metodologias específicas para apreender a compreensão destas sobre seu ambiente de vida. Busca-se apresentar os recursos metodológicos que se mostram necessários e aos mesmo tempo vão sendo incluídos na pesquisa e são decorrentes de técnicas desenvolvidas e utilizadas por antropólogos/as precursores neste tipo de temática como Margareth Mead e Ruth Benedict. A contribuição destas antropólogas nesta temática ocorreu através da utilização de desenhos e da interpretação que as crianças estabeleciam sobre os mesmos, recursos ainda importantes nas investigações atuais. Além disso, foram utilizados também a produção de redações, diários, fotografias, entrevistas, com a contribuição das crianças em decisões sobre o resultado final da investigação como os nomes com os quais seriam identificadas, e que se mostraram importantes na produção de dados, e que estão consagrados em estudos contemporâneos produzidos por pesquisadoras como Conh (2010), Flávia Pires (2007) e Kramer (2002). A compreensão de como ocorre o processo de socialização das crianças kaiowá da vila Cristina, que circulam por variados locais na cidade, na periferia e na reserva indígena que se localiza próximo, se valeu das metodologias apresentadas acima, que contribuíram na evidenciação de como produzem, reproduzem, dialogam, avaliam e interpretam as situações vivenciadas, no bairro em que residem. Palavras-chave: Metodologia com crianças indígenas, crianças indígenas, Kaiowá. A CONSTRUÇÃO DO CAMPO DE PESQUISA COM CRIANÇAS KAIOWÁ Joziane de Azevedo Cruz Mestre em Antropologia pela Universidade Federal da Grande Dourados RESUMO: As discussões sobre a temática criança e infância têm ganhado espaço nas abordagens antropológicas nas ultimas décadas no Brasil. Tais abordagens estão se consolidando e sendo trabalhadas nos diversos espaços sociais; como em etnias indígenas, no campo, na cidade, nos espaços da rua, nas religiões entre outros e despertando inquietações como: as formas como as crianças aprendem, ensinam, trocam saberes, o que elas representam nos grupos que pertencem, entre tantos outros aspectos que norteiam os trabalhos etnográficos que compõe a linha identificada como Antropologia da criança. Por meio de algumas reflexões que serão apresentados, foi possível perceber que a muitos desafios presentes na pesquisa com crianças na Antropologia. Como aporte teórico utilizo alguns estudos de Cohn (2005; 2013), Brougère (2010), Pires (2010), Condonho (2009), Escoura (2010), Lopes, Nunes e Macedo (2002), entre outros, os quais elegem a criança em suas discussões. A partir da leitura desses trabalhos, foi possível perceber que os brinquedos, as SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES brincadeiras, os jogos, as diferentes formas de aprendizados e os papéis que as crianças ocupam nos grupos em que participam se constituem em objetos legítimos de estudos para as ciências sociais. Nesse sentido, a presente reflexão, propõe-se a fazer alguns apontamentos referente à metodologia na pesquisa antropológica com crianças, para tanto, apresento alguns trabalhos etnográficos e como as pesquisadoras lidaram com os desafios presentes com esse novo sujeito das pesquisas antropológicas: as crianças- e estabeleço um paralelo com as experiências que obtive no campo de pesquisa com as crianças kaiowá durante a construção da dissertação. Foi necessária a contribuição de diversas ferramentas nesse exercício do campo, somadas a etnografia. Nesse sentido, pretendo apresentar parte dessas reflexões desenvolvidas durante o mestrado nos desafios e possibilidades das pesquisas com crianças na etnologia.O trabalho foi realizado na Aldeia Jaguapiru, localizada no município de Dourados/MS. Palavras chave: Crianças kaiowá; antropologia, metodologia. O QUE CONTAM OS GUARANI E KAIOWÁ SOBRE O CORTE DA CANA? O AVANÇO DA FRONTEIRA AGRÍCOLA MODERNA E A PRECARIZAÇÃO DAS PRÁTICAS ESPACIAIS GUARANI E KAIOWA NO MATO GROSSO DO SUL Lívia Domiciano Cunha Mestranda Geografia Universidade Federal Fluminense RESUMO: Ao longo da história de ocupação do sul do então estado do Mato Grosso políticas agrárias e indigenistas foram sendo instaladas no início do século XX sob a lógica desenvolvimentista de ocupação dos ditos “espaços vazios”, a partir de critérios geopolíticos de ocupação efetiva do território, o que fez emergir uma série de conflitos. Em 1910 cria-se o SPILTN (Serviço Nacional de Proteção aos Índios e de Localização dos Trabalhadores Nacionais) como um dos instrumentos do governo republicano vinculados a políticas relacionadas à colonização da região, além de criar as reservas indígenas objetivando abrir espaço para instalação de novas frentes econômicas (LIMA, 1992). A partir do controle dessas reservas com a instalação dos postos indígenas no seu interior, objetivava-se também promover ações de cunho civilizatório e viés evolucionista, para integrá-los à sociedade nacional como força de trabalho nacional. A exploração da força de trabalho indígena na região se deu em várias frentes, no ciclo extrativista na extração do erva mate, no desmate para a abertura de fazendas para os grãos e, mais recente, no corte da cana. Os povos guarani e kaiowa ressignificaram tais atividades inserindo-as em sua economia, vide a reconfiguração de suas práticas espaciais a medida em que a fronteira da agricultura moderna avançava e a alterava consideravelmente a materialidade espacial, logo, também sua forma de organização socioespacial. Na histografia oficial não há relatos destes povos a partir de sua narrativa sobre estes processos que atravessaram seu território em diferentes períodos, por essa razão o presente trabalho visa fazer um registro histórico-geográfico a partir da década de 80 destes povos sobre a atividade no corte da cana a partir de SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES levantamentos de relatos de vida sobre tais condições que a atividade no corte da cana era realizada. São de fundamental importância as seguintes leituras, Rosa Luxemburgo (1985), Harvey (2005, 2008), Clastres (1977), Hannerz (1997), Viveiros de Castro (2002), Almeida & Mura (2002), Lopes de Souza (2013), Schaden (1974), Souza Lima (1992). Tal como a realização de trabalho de campo na área de estudo para busca de dados primários e também o uso de banco de dados para a coleta de dados secundários CIMI, ISA, dentre outras fontes. Palavras-chave: Canavial; Mato Grosso do Sul; Guarani. A REALIZAÇÃO DA VIDA NA FRONTEIRA BOLÍVIA/BRASIL – ALTERIDADE E FRONTEIRAS PELAS NARRATIVAS ORAIS Martha Jeronimo Batista RESUMO: A produção de vida dos diferentes grupos humanos no espaço fronteiriço Bolívia/Brasil, resulta numa totalidade dinâmica e aparentemente incongruente; justamente a interação do diálogo, a oralidade que o corumbaense verte sobre seus lugares e viveres, incluindo o “lado boliviano”, tão rica de lembranças e de significados, parece perder o sentido quando se dispõe ao outro: a interação é parca e ríspida, e o reconhecimento do outro pela fala se faz de desumanização, numa associação de valores negativos que explicariam e abarcariam todos os costumes do outro. Também as histórias do distinto povo boliviano, imaterialmente se recriando pela oralidade, ainda que ausente na nossa história e cosmologia, revelam desde a sua ausência à recusa de sua compreensão, antagonismos que a simples observação faz inferir, mas não entender: apesar da cotidianeidade e da produção de vida em conjunto, que uniriam estes povos, a exclusão, a negação e o pejo sobressaem-se, como manifestação inegável deste espaço fronteiriço. Trata-se aqui, portanto, de apresentar a proposta de trabalho para a leitura deste cenário fronteiriço pelos realizadores deste fato social, os fronteiriços, que serão convidados a narrar, pela memória e pela realidade presente da fala, sua vida na fronteira: se chegou ou se nasceu, quando chegou, a que veio, os lugares em que viveu, os arranjos entre geração da família e do trabalho, etc, tecendo assim, as histórias de vida fronteiriças que também pelas condições de alteridade e identidade se contrapõem à ideologia e realização da Fronteira Nacional. A metodologia tem por base a coleta e análise de narrativas orais de vida, de fronteiriços que representem os distintos grupos humanos que vivem na fronteira, como kambas, corumbaenses e indígenas, com idade igual ou superior a 70 anos, que vivam (viveram) na região da Fronteira; bem como a de material publicitário, como jornais, revistas, periódicos e almanaques, produzidos e circulados na cidade de Corumbá entre os anos de 1870 a 1943, na forma de microfilmes, pertencentes ao Centro de Documentação Regional da Universidade Federal da Grande Dourados, e que revelariam, por sua vez, os filamentos da construção ideológica da Fronteira Nacional. PALAVRAS-CHAVE: Fronteira, oralidade, narrativas, Estado, Poder, subalternidade SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES INDÍGENAS EM REGIÃO URBANA Marta Soares Ferreira (martamartinhasf@gmail.com) RESUMO: O presente trabalho apresenta uma proposta de pesquisa em andamento, com suposta busca por diálogo, sugestões, orientações e olhares para a construção de uma futura dissertação. Através de uma pré-pesquisa junto á FUNAI de Amambai/MS, houve a possibilidade de acesso á registros em atas que trazem aspectos da realidade do grupo indígenas kaiowá e guarani moradores da Vila Satélite, região urbana do município de Aral Moreira/MS. Os moradores indígenas se referem à vila satélite como tekohá. Em documentações fornecidas pela FUNAI encontram-se narrativas de indígenas que nasceram e viveram em um lugar denominado por Joi’y –encontro de dois rios- antigo tekohá cercado por dois rios, que hoje é região agrícola. A proposta é estudar a configuração das relações desse grupo por morarem na região urbana, e ainda como se mobilizam de forma político e social. O objetivo seria de uma etnografia de como se dá as relações do grupo indígena morando em zona urbana, as lutas por direitos e o acesso às políticas públicas. Um dos critérios para a garantia de direitos aos povos indígenas, incluindo o direito ao território tradicional, é a manutenção dos modos próprios de vida. É a partir da valorização étnica e constituição de direitos que vários grupos indígenas ressurgem. Logo a condição de estarem fora da reserva seria, nesse sentido, um elemento contrário à garantia de direitos? O processo histórico de mobilidade que levaram esses indígenas a se estabeleceram nesse local é algo a ser pesquisado, mas, também, interessa entender como, uma vez estabelecidos, se organizam politicamente, quais são suas estratégias e demandas. Com base no problema buscar compreender como se dá as relações dos kaiowá e guarani naquele bairro; se realizam e como realizam sua praticas religiosas em condição urbana? No que trabalham? Como se dá a movimentação política do grupo diante dos departamentos públicos municipais e federais? Para se compreender sobre a relação de vivencias na vila satélite entre não indígenas e indígenas, propõem se aproximar da obra de Norbert Elias (2000) “Os estabelecidos e os outsiders”. A metodologia usada na pesquisa será o método etnográfico, com base no trabalho de Peter Gow (2006) e bibliografias da etnologia indígenas, a partir do pressuposto da diferença e da importânciade destacar as relações dos povos ameríndios que vivem próximos de não índios. Palavras -chave: Indígenas, Relações, Direitos, Região Urbana, Vila Satélite. ANGU´A Noelí Cáceres RESUMO: O trabalho de pesquisa trata sobre o Angu´a (pilão) é um material Indígena que era muito usado pelos mais velhos, para moer alimentos como o milho para fabricação de bebida indígena como a Chicha, para preparação de remédios, como as raízes entre muitos outros. Sendo assim, a pesquisa é voltada para esse artefato indígena, verificou se que esse material pode ser utilizado para o ensino dos conceitos matemáticos. No conhecimento matemático a partir da nossa pesquisa, o Angu`a pode ser trabalho conteúdo de Geometria plana e espacial . A pesquisa esta em processo inicial sobre a cultura SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES e levantamento dos conteúdos matemáticos, mas se espera que as aulas com o uso Angu´a (artefato) poderá contribuir na valorização da cultura e no conhecimento matemático. Palavras-chave: Etnomatematica, Ensino de matemática, e cultura. ARCO E FLECHA DOS GUARANI Robson Pires RESUMO: O trabalho apresenta a história do arco e flecha na cultura do guarani na escola. A pesquisa visa à melhora da capacidade dos alunos durante a execução da aula, propondo aos alunos o desenvolvimento de uma série de atividades contextualizadas e interdisciplinar, que utilizará como recursos o arco e flecha. Este artefato é instrumento tradicional dos indígenas guarani, contribui para análise de informações apresentadas nas aulas teóricas e na praticas em sala de aula, ou seja, para uma aprendizagem significativa e assim buscando facilitar a compreensão do conteúdo matemático através de jogos e brincadeiras como os processos de contagem e a medida tradicional do guarani . Pois o arco e flecha e um instrumento tradicional que vem sendo preservado há séculos pelo guarani, pois e um instrumento de extrema importância para a comunidade de varias formas, para a sua sobrevivência, alimentação, defender os seus territórios entre outros. NOTAS ETNOGRÁFICAS ACERCA DOS DESAFIOS E ENTRAVES TEÓRICO-METODOLÓGICOS DE UMA PESQUISA DE CAMPO NA RESERVA INDÍGENA DE DOURADOS/MS Rodrigo Amaro RESUMO: O presente trabalho objetiva apresentar e discutir o tortuoso caminho de pesquisa trilhado por mim na Reserva Indígena de Dourados. A princípio, estabeleci como foco o fenômeno do “rap indígena”, e todos os seus possíveis desdobramentos e rendimentos etnográficos. Todavia, o próprio percurso etnográfico, traçado de início para ser efetivado exclusivamente na Reserva Indígena de Dourados, me obrigou a trilhar outros caminhos e a frequentar outras aldeias, o que me colocou diante de outros objetos e questões. A partir dos dados etnográficos, e inspirados em estudos de casos como os apresentados por Jean Jackson (1984, 1995) e Beth Conklin (1997), que examinaram como a propagação e o crescimento do ambientalismo juntamente da difusão dos meios de tecnologias de comunicação nos anos 80 estão transformando as políticas interétnicas de auto-representação dos ativistas nativos, analisaremos como o rap indígena participa desse fenômeno dentro de seu contexto específico. Assim, analisaremos as incorporações das categorias ocidentais nas falas dos jovens rappers indígenas, sobretudo, advindas do universo escolar e acadêmico indígena e de ambientalistas não-índios, e as transformações pelas quais vem passando a cultura Kaiowá e Guarani por consequência desses diálogos. Em suma, pretendo apresentar problemas relativos, comuns a praticamente todas as minhas diferentes investidas de campo, isto é, discussões que tangenciam a questão da objetivação da cultura e da reflexividade cultural, e os consequentes efeitos e contra-efeitos da cultura sobre a “cultura” e vice-versa. Desse modo, além de expor os dilemas SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES metodológicos enfrentados durante minha entrada, minha consolidação e efetivação do meu campo, debaterei questões relativas ao efeito de uma dita educação diferenciada, juntamente do contexto do ativismo indígena e indigenista – inexorável e mais que necessário, por conta do quadro de violação dos direitos indígenas sul-matogrossenses – que acaba reificando e criando uma noção reificante e fetichizada de cultura, que não é própria ao universo ameríndio. Palavras-chave: objetivação, reflexividade cultural, cultura/”cultura”, Kaiowá e Guarani. CHICHÁ-ATIVIDADES USANDO CONHECIMENTOS A PARTIR DE UM CONHECIMENTO TRADICIONAL Toninho Ortiz Goularte RESUMO: A chicha e uma bebida típica dos indígenas guarani e kaiowa. Pode ser feita de milho, batata doce, cana de açúcar e mandioca (karaku). Especificamente os guaranis e kaiowa produzem mais e chicha de milho (avati), pode ser milho branco (avati moroti), milho amarelo que e o tupi (avati sa´yjuguasu e avati sa´yju´i), milho colorida (avati para). O milho branco não pode ser comercializado, pois ela e muito sagrado existe um ritual na hora de plantar e na colheita. Antigamente os alimentos como chicha de milho, mandioca vários outros, tinha que benzer para ser consumido. E um conhecimento tradicional que já vem de muitas gerações, existe vários tipos de milhos,tupi,milho com listra preta e branca,milho branco,etc.Por exemplo, se uma pessoa quer fazer xixá do milho branco,precisa fazer tipo um ritual. Podemos trabalhar com os alunos, e a quantidade (receita) do milho, e da cana de açúcar na produção de chicha. A capacidade de água para misturar.O tempo que leva para cozinhar ficar pronta, tempo da validade, temperatura, as datas das festividades. Em relação à matemática trabalharemos: medida de capacidade (massa e volume), medida de tempo (calendário e horas), temperatura, quantidade e também podemos inserir números e operações; situações de problemas. Palavras-chave: Conhecimento tradicional.Conhecimento matemático. Valorização dos saberes indígenas. UM RELATO TRANSCRITO PELO SORRISO: CAMINHAR Yan Leite Chaparro - UCDB Josemar de Campos Maciel - UCDB RESUMO: Um relato transcrito pelo sorriso, parte do sentido concreto primeiro de caminhar. O ensaio pede permissão ao leitor para ouvir a escrita por um espaço que caminha entre a literatura e a técnica. No final da tarde de um dia denso, o sorriso traduz ao pesquisador a reflexibilidade do caminhar, com e ao lado, não surdo, num jogo de espelhos que entrevê quanto a ação de pensar com os Guarani, pensar a questão dos povos originários, é pensar o Mato Grosso do Sul, o Brasil, a América Latina, o planeta Terra. O ensaio proposto reúne reflexões que constituem parte do processo de construção de uma pesquisa de doutorado em desenvolvimento local. Pesquisa que tem como SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES cunho central a reflexão metodológica que envolve o esforço teórico de organização de simetrias no campo do conhecimento, politico e social. O esforço começa pelo primeiro movimento, a construção do campo de pesquisa e a construção da escrita da pesquisa, no caminhar. Que por sua vez reflete o compromisso ético e êmico de construir e perceber (com) os Guarani. Não existe fuga quando se está ao lado do Outro, ou mesmo, quando se está defronte ao espelho. O caminho reflexivo metodológico desdobra-se na confecção etnográfica do campo e da escrita como entrefala com os Guarani. Trata-se de uma constante negociação, como ato de reconhecimento no qual esta mesma ação explicita a complexidade que a escrita em primeira-pessoa permite, se e quando se caminha lado a lado - colocando, compulsoriamente, o fazer científico frente ao espelho. A pesquisa, refletindo o tecido metodológico, de natureza etnográfica,inscreve uma trajetória de critica e desconstrução do modelo hegemônico e homogêneo do desenvolvimento, aquele que produz um modo de vida que, acima e abaixo da pele e do regime dos corpos, produz violências contra os Guarani e contra a sociedade “moderna”, mesmo que esta não perceba. Palavras-Chave: o campo de pesquisa; a escrita da pesquisa; reflexibilidade; estudos do desenvolvimento; crítica ao desenvolvimento hegemônico. REFLEXÕES METODOLÓGICAS E A PROBLEMÁTICA DO DESENVOLVIMENTO: CAMINHAR COM OS GUARANI Yan Leite Chaparro – UCDB Josemar de Campos Maciel – UCDB Resumo: O escrito confeccionado em formato de artigo tem como objetivo apresentar o princípio reflexivo de caminho de uma pesquisa de doutorado em desenvolvimento local, pesquisa que tem como objetivo a reflexão metodológica com os Guarani, para a possível proposta de inversões e viradas em relação a complexa e real problemática em carne viva, dos planos e projetos de desenvolvimento (nacionais e internacionais), que compõe modos de vida que esquece a racional e lucida questão: só existe um planeta terra. Pesquisa que inicia a organização metodológica em primeira pessoa, explicitando reflexões no sentido ético e êmico, em relação a construção do campo e escrita da pesquisa, quando as vozes do campo e do pesquisador podem caminhar lado a lado com um objetivo comum. Instante onde se entende que a pesquisa trilha seu caminho em um entre-espaço, onde o pesquisador pode falar, com o Outro (pesquisado e pesquisador). E entende que a tênue linha entre pesquisador e “pesquisado” deve ser discutida no processo de construção da pesquisa, para que exista uma sintonia quando a escrita e as vozes entram em jogos nos campos do conhecimento, politico, social e econômico. Jogos que representam o processo histórico presente, onde os Guarani vivem em carne viva a educada perversidade da noção hegemônica e homogênea do desenvolvimento. Palavras-chave: reflexões metodológicas; problemáticas do desenvolvimento; desenvolvimento local; os Guarani. SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES OGAPYSY Zelia Vasque RESUMO: O trabalho de pesquisa apresenta como resultado a valorização da importância da casa de reza na cultura e do tekoha para os Guarani e Kaiowá desenvolvendo o conceito matemático. Os principais conteúdos a ser trabalhado no ensino aprendizagem, mostrando e comparando da forma mais prática e criativa de trabalhar ou desenvolver esses conceitos a partir desse material produzido. Ao realizar esse trabalho, conclui se que a casa de reza ogapysy, ñande ru e ñande sy, atualmente são pouco valorizado pela própria comunidade do seu tekoha, a maioria do nosso jovem e adolescente não sabem da existência e nem conhece, da importância da casa de reza. Durante a pesquisa percebeu-se que pouco indígenas conhecem e valorizam a casa de reza, devido a tecnologia que vem surgindo no decorrer do ano, somente as pessoas mais velho da comunidade sabem esses conhecimentos portanto logo ápos o resultado da pesquisa, nos professores, e futuro educadores vamos tentar resgatar e fazer o nosso educando a entender da importância de valorizar a cultura tradicional. Palavras-chave: Tekoha, Cultura e Valorização da casa de reza. SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES ENTRE A RESISTÊNCIA E O EXTERMÍNIO: A LUTA DOS GUARANI E KAIOWÁ NO MATO GROSSO DO SUL PELA DEMARCAÇÃO DAS TERRAS. Frederico Lambertucci – FCH/UFGD María Gabriela Guillén Carías – FCH/UFGD Judite Stronzake – FAIND/UFGD RESUMO: O dramático extermínio que os povos originários do Brasil vivem atualmente finca suas profundas raízes na invasão européia, ponto de partida da configuração do modelo exportador de monocultivos que se perpetuou ao longo da história do país. Na atual fase histórica, a continuidade de tal modelo acontece através da preservação do latifúndio e a superexploração do trabalho articuladas à incorporação de novas tecnologias nas cadeias produtivas do agronegócio. Tais fatos obedecem à nova, porém irracional, lógica de valorização do capital comandada pela fração da burguesia financeira nacional e internacional. Tal matriz econômica, promovida sob mediação do Estado brasileiro, apresenta os limites absolutos do capital que apesar de oferecer ainda as promessas das ideologias do progresso estreitamente vinculadas à eficiência da produção material, anula toda e qualquer possibilidade de avanço social, sobretudo o que diz respeito aos povos originários. Se a Constituição Federal de 1988 reconheceu o direito desses povos a suas terras tradicionais e abriu um espaço para a luta pela demarcação e homologação, o cenário vem sinalizando para o congelamento total desse processo pela via estatal. O objetivo do presente trabalho é discutir os nexos causais da impossibilidade de demarcação das terras indígenas sob mediação do estado vinculados ao momento de crise estrutural do capital e de transição global e a importância das lutas Guarani e Kaiowá no Mato Grosso do Sul, cuja resistência, impregnada de uma crítica radical ao sistema do capital, nos atenta não apenas para o aprofundamento da reprimarização produtiva no Brasil e a completa ruptura com a democracia formal, mas para os elementos de socialismo prático. Palavras-chave: Demarcação de terras; Guarani e Kaiowá; Commodities; Crise estrutural do capital; Capital fictício. CONFLITOS INDÍGENAS EM MATO GROSSO DO SUL: UMA ANÁLISE A PARTIR DA FORMAÇÃO HISTÓRICA, POLÍTICA E ECONÔMICA DO ESTADO Gianete Paola Bitarelli RESUMO: O objetivo do trabalho é investigar as raízes históricas que sustentam a realidade de conflitos imbricada na relação entre índios e não índios no estado de Mato Grosso do Sul (MS). Para tanto foi fundamental o desenvolvimento de uma investigação histórica das dimensões de política e economia, em um recorte temporal entre final do século XIX e o século XX SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES como forma de estabelecer a compreensão das características da organização recente do estado. Posteriormente foram caracterizados os processos históricos que marcam a problemática territorial indígena em Mato Grosso do Sul, com destaque às etnias Kaiowá e Guarani presentes na porção sul do estado. Por fim, empreende-se uma reflexão que busca conjugar os fatos e elementos históricos da estrutura político-econômica do estado aos elementos empíricos emergidos da realidade que permeia esses povos na região estudada. As conclusões evidenciam um contexto de extrema vulnerabilidade vivenciado pelos povos Kaiowá e Guarani em Mato Grosso do Sul, onde a constante violação de direitos humanos tem como gênese a problemática territorial. A morosidade das instituições em reconhecer e assegurar direitos territoriais provoca o acirramento de conflitos e consolida entre os não índios uma visão etnocêntrica que contempla a categoria “desenvolvimento” a partir, e apenas, de suas próprias referências. Palavras-chave: conflitos territoriais, demarcação de terras e desenvolvimento regional. CONFLITO DE TORO PASO, DEMARCAÇÃO Gregório Oliveira Pinto Barciela Graduando em Ciências Sociais pela UEMS - Amambai RESUMO: Para fazer este texto foi necessário buscar vídeos e documentários que mostram o ataque organizado por ruralistas na retomada de Toro Paso, dentro dos limites da TI Dourados-Amambaipegua I, já identificada pelos GI´s, fiz uma breve visita ao Tekoha de Toro-Paso onde acontecia o Aty Guasu, me baseei também em artigos e textos de Levi Marques Pereira e Antônio Brand. Pretendo observar nesse texto o atual conflito por terras noMato Grosso do Sul, onde ao reivindicarem suas terras como tradicionais, os Guarani e Kaiowa sofrem ataques de extermínio. Para compreender tais atitudes, coloco nessa etnografia diferentes valores e pontos de vistas distintos dos ameríndios sob a terra, seu tekoha. Por consequência da perda de moradias no final da década de 70, período conhecido como “abertura das fazendas” os ameríndios iam gradativamente para as oito reservas demarcadas pela SPI no começo do século XX, causando um aumento da população, esse processo então é chamado de esparramo territorial que traria por consequência a fragmentação física e política Guarani e Kaiowa, afetando as relações de campo de produção para as condições materiais de exitência, parentesco, resistências, rituais, eventos festivos e política. Na luta para permanecerem/recuperar sua terra, reprodução física e cultural, uma das poucas opções para terem Toro Paso demarcado foi a retomada, com intuito de pressionar os órgãos responsáveis pela demarcação e o Compromisso de Ajuste de Conduta (CAC) feito entre a FUNAI e Ministério Público Federal. Quero analisar neste texto aspectos dessa fragmentação ocasionada pela expansão das fazendas do agronegócio que interferem na história das comunidades Kaiowa e Guarani. Palavras-Chave: Kaiowa e Guarani, Conflito por Terra, Demarcação. SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES A ETNOLINGUAGEM DE UMA LÍNGUA AUTÓCTONE QUE RETRATA ALGUNS COMPONENTES LINGÜÍSTICOS DO ETHOS LOCAL: A ORIGEM DE ALGUNS NOMES DE SERES VIVOS EM GUARANI-KAIOWA – CARACTERÍSTICAS SINGULARES DA LÍNGUA Prof. Mst. João Machado RESUMO: O presente artigo aborda e tenta demonstrar algumas características da língua Guarani-Kaiowa, que assemelha e ou se inspira nos fenômenos da natureza ou sons emitidos por animais ou pássaros que dá origem aos nomes de alguns seres vivos ou lugar no espaço territorial geográfico onde fala as línguas indígenas das etnias Guarani-Kaiowa. O estudo baseia-se, em pesquisas etnográficas e conceitos empíricos realizados no território lingüístico onde houve a extração da erva mate no Cone Sul do estado do Mato Grosso do Sul. A partir do escopo teórico da sociolingüística e geolinguistica, balizados pelos teóricos, (ALTENHOFEN, 2011, 2013ª – 2013b; 2014), (THUN, 2004) e (COSERIU, 1982). O estudo conclui sobre algumas palavras na língua étnica que assemelha com alguns tipos de sons emitidos por pássaros e ou seres da natureza e as variações. Palavras-Chave: Etnolinguagem, Língua Guarani-Kaiowa, Origens dos Nomes. AS DEMARCAÇÕES DE TERRAS INDÍGENAS: UM OLHAR NAS PÁGINAS DO JORNAL O PROGRESSO Lélio Loureiro da Silva Faculdade de Educação, Tecnologia e Administração de Caarapo - FETAC RESUMO: Esta apresentação destaca como o início do processo de retomada dos territórios tradicionais dos Kaiowa/Guarani foi retratado pelo jornal O Progresso na década de 1980. Nessa década, o movimento indígena ganhou destaque com a formação de várias organizações de defesa dos seus direitos, mudanças constitucionais e, consequentemente, acirrou a disputa entre indígenas e não indígenas pela posse da terra. Em Mato Grosso do Sul essa disputa foi registrada pela mídia impressa, com destaque para o jornal O Progresso, primeiro e mais antigo matutino do estado. Esse jornal, estabelecido ainda no antigo Mato Grosso, vai retratar as questões indígenas de forma dúbia já que seus articulistas foram fortemente influenciados pelos projetos governamentais desenvolvimentistas e pelo processo de formação da identidade sul-mato-grossense. O processo de formação da identidade sul-mato-grossense excluiu o elemento indígena, associado ao atraso, a barbárie, a selvageria, e enfatizou o desenvolvimento, o progresso e a “gente civilizada” dessa região do país, afastando assim o “estigma da barbárie”. Desta forma, o jornal O Progresso foi um incansável promotor desses ideais, reforçando as imagens de que os sul- mato-grossenses seriam ordeiros, civilizados, economicamente desenvolvidos e modernos e, assim, identificados com os progressos da civilização. Em contraposição, o jornal fará uma negação sistemática do “natural”, que é visto como atraso e, assim, as populações indígenas serão identificadas como parte integrante desse “natural”, sendo necessário nessa construção identitária SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES silenciar o índio e estigmatizá-lo, promovendo uma negação de seu papel na formação histórica da região. Palavras-chave: indígena, mídia, demarcação, identidade. A TERRA É VIDA, DESPEJO É MORTE: NOVAS ESTRATÉGIAS KAIOWÁ E GUARANI NA LUTA E RECUPERAÇÃO DE SEUS TERRITÓRIOS Rafael Rondis Nunes de Abreu Mestrando em Antropologia da UFGD Priscila de Santana Anzoategui Mestranda em Antropologia da UFGD RESUMO: Neste trabalho analisaremos três retomadas de terra dos Kaiowá e Guarani em Mato Grosso do Sul: Kunumi Poty Vera, que fica próxima ao município de Caarapó; Apyka´i, no entorno de Dourados e Ñande Rú Marangatu, entre a cidade de Antônio João e o distrito de Campestre. As três retomadas ocorreram em períodos e contextos específicos e fazem parte de um processo de luta e resistência que se iniciou nos anos 80. Em consequência do reservamento e a da paralisação da demarcação de suas terras, há graves violações de direitos humanos e constitucionais, que se modificam com o passar dos anos. Após a promulgação da Constituição Federal de 1988, apesar dos avanços de paradigmas, poucos territórios foram demarcados pelo Estado brasileiro. Existe uma série de ofensivas jurídicas e políticas que visam à retirada de direitos indígenas por meio de alterações de dispositivos legais. A maioria dos processos demarcatórios tem sido judicializados, novas interpretações, regras, jurisprudências e teses têm surgido. Nos últimos anos, como tática de desarticulação da luta pelo território, ocorreram muitos assassinatos de lideranças indígenas, despejos, tentativas de homicídios, ameaças, etc. As movimentações de grupos contrários a demarcação dos territórios indígenas têm tentado colocar no banco dos réus o movimento indígena e seus apoiadores. Por outro lado, diante deste cenário de extrema violência, com grande repercussão, principalmente internacional, os Kaiowá e Guarani, tem apresentado estratégias distintas de defesa e recuperação de seus territórios, agregando novos elementos às suas lutas. Pretendemos abordar neste artigo as novas estratégias de defesa e luta que tem surgido nos últimos anos em resposta a este contexto. Essas novas estratégias vão desde articulações por meio das universidades, práticas midiáticas que se intensificaram nos últimos anos e diversas articulações e alianças estabelecidas nas retomadas de seus territórios. Palavras-chave: retomadas; kaiowá e guarani; resistência; luta; territórios; violência; estratégias. SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES O PROTAGONISMO TERENA NA LUTA PELA TERRA AO LONGO DO SÉCULO Rosalvo Ivarra Ortiz Graduando em Ciências Sociais UFGD Bolsista: Capes E- mail: rosalvortiz@hotmail.com Ane Caroline dos Santos Graduanda em Ciências Sociais UFGD. Bolsista: Capes E- mail: carol.santos43@hotmail.com Noêmia dos Santos Pereira Moura Professora Adjunta III da UFGD, licenciada e mestre em História com ênfase em História Indígena (UFMS), Doutora em Ciências Sociais/Etnologia (UNICAMP) Coordenadora Institucional PIBID/UFGD Pesquisadora na etnia Terena E-mail: noemiamoura@ufgd.edu.br RESUMO: O objetivo dessa comunicação é apresentar duas situações de protagonismo Terena na luta pela terra ao longo do século XX e historiar o movimento Terena em defesade seus direitos. A metodologia utilizada foi à história oral e a etnografia (trabalho de campo), portanto um diálogo entre a História Indígena e a Antropologia. Os resultados apresentados foram de intensa movimentação dos indígenas para recuperação de seus territórios tradicionais. As duas situações reivindicativas em destaque demonstram que essa etnia e seus “guerreiros” (autodenominação dos homens que vão para frente dos embates com os fazendeiros) estão dispostos a retomar seus territórios, ao menos esses dos quais não se apartaram, para dar continuidade ao seu jeito de ser Terena. Os Terena atuais, pelo que pudemos perceber, foi tomando consciência de seu lugar social na sociedade brasileira. A partir desse movimento foram traçando novas estratégias políticas para ocupar novos espaços sócio-políticos. A arte da dissimulação faz parte do conjunto de táticas de negociação dos Terena e é amplamente utilizada pelas lideranças. Essas costumam concordar e aceitar as propostas que lhes são feitas em espaços não-indígenas de poder. Muitas vezes se comprometem a desenvolver as atividades propostas que lhes são favoráveis. Ou seja, concordam e se propõem a executar as atividades desde que sua população as aceite. Entretanto, se o grupo de apoio na aldeia discordar dos encaminhamentos propostos, simplesmente engaveta o projeto e suas ações. Palavras-chave: Protagonismo. Movimento Indígena. Território SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES TERRAS ANCESTRAIS E DISPUTAS CONTEMPORÂNEAS: UM OLHAR SOBRE AS DEMANDAS TERRITORIAIS GUARANI E KAIOWÁ Rosely A. Stefanes Pacheco Doutoranda em História, Linha de Pesquisa História Indígena, PPGH-UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados) Professora e pesquisadora Curso de Direito UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul) E-mail: roselystefanes@gmail.com RESUMO: As significativas mudanças ocorridas nos últimos anos em termos das políticas para os povos indígenas no Brasil estão relacionadas com o surgimento das mobilizações indígenas, que, desde os anos oitenta, começaram a se consolidar em todo o território nacional. Com novos atores políticos, os movimentos indígenas começam a exigir perante o Estado, o reconhecimento de sua especificidade étnica e de seus direitos coletivos. Nesse sentido, este trabalho tem entre seus objetivos analisar a questão da dinâmica territorial empreendida pelos Guarani e Kaiowá, localizados no Estado de Mato Grosso do Sul, em especial a reivindicação por seus territórios e, assim, buscar compreender os conflitos estabelecidos entre os ruralistas e as comunidades indígenas, que ocorreram nos últimos anos neste espaço sul do Estado. Para tanto, entende-se que é necessário levar em consideração que o processo demarcatório de áreas indígenas em Mato Grosso do Sul, fruto de um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) entre Funai e Ministério Público Federal, está paralisado desde meados de 2013. Tal acordo não avançou para resolver os diversos casos de áreas reivindicadas, e ainda paralisou o estudo de identificação das demais áreas. Ademais, há que se considerar que as autoridades eleitas, tais como vereadores, deputados estaduais, deputados federais, senadores, prefeitos e governador, insistem em simplificar, desconsiderar o “problema”, e, ao agirem dessa maneira, rechaçam o enfrentamento da questão fundiária, causa maior dos conflitos entre ruralista e comunidades indígenas. Palavras-chave: Povos Indígenas, Guarani e Kaiowá, mobilização territorial, violações de direitos. SOBRE A PARTICIPAÇÃO DE JOVENS INDÍGENAS GUARANI E KAIOWÁ NOS PROCESSOS DE (RE)OCUPAÇÃO TERRITORIAL: ALGUNS APORTES PARA O DEBATE Rosely A. Stefanes Pacheco Doutoranda em História, PPGH-UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados); Professora UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul); roselystefanes@gmail.com SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES Gilmar Ribeiro Fernandes Acadêmico indígena Guarani, 4º ano, Curso de Direito UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul); Endereço eletrônico gilmaradvocacia@hotmail.com Tiago Fernando Aquino Soares Acadêmico indígena Terena, Guarani e Kaiowá, 2º ano, Curso de Direito UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul); Endereço eletrônico tiagoaquinosoares@gmail.com Carlos Gabriel Stefanes Pacheco Acadêmico 1º ano, Curso de Direito UNIGRAN e Relações Internacionais UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados); Endereço Eletrônico gabrielstefanes@yahoo.com.br RESUMO: Hodiernamente a juventude indígena tem sido objeto de diversos interesses. Temos que esta juventude emerge historicamente como um importante ator social que de alguma forma constrói o seu protagonismo. A sua participação política não pode ser medida a partir das mesmas perguntas e das mesmas práticas como se fazia anteriormente. É de se considerar a emergência destes “novos atores”, autodenominados jovens indígenas, buscando destacar suas ações dentro de um novo contexto que lhes é apresentado. Neste sentido, este trabalho tem entre seus objetivos verificar como ocorre a inserção e participação política dos jovens indígenas Guarani e Kaiowá da Reserva Indígena de Dourados, Estado de Mato Grosso do Sul, nos recentes processos de (re)ocupação territorial. Para tanto, entendemos que é importante analisar quem são estes jovens, quais são seus anseios enquanto jovens indígenas, que, por um lado estão inseridos em um contexto de extrema violência, e, por outro, apresentam-se como partícipes de ações em um campo aberto de possibilidades, no que se refere a viverem novas “situações”. Percebe-se que estes atores estão constantemente dialogando, sobretudo, com o espaço virtual, ilustrado pelas mídias sociais, em especial as redes sociais, em um sentido de aprimorar estas políticas e facilitar dinâmicas de comunicação à distância. Além do que, também utilizam estas novas tecnologias em favor da efetivação de direitos territoriais que consideram fundamentais para a manutenção de sua identidade enquanto indígenas. Desta forma, as ações destes jovens, consistem em movimentos de resistência, inseridos em uma nova cultura política. PALAVRAS-CHAVE: Jovens indígenas; participação política; (re)ocupação territorial; Guarani e Kaiowá SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES DIFERENÇAS CONCEITUAIS ENTRE "IMEMORIALIDADE" E "TRADICIONALIDADE" DA OCUPAÇÃO DE TERRITÓRIOS INDÍGENAS Victor Ferri Mauro RESUMO: A Constituição Federal de 1988, em seu artigo 231, reiterou a garantia dos direitos originários sobre as terras que os povos indígenas tradicionalmente ocupam e trouxe uma definição concisa e muito acertada do que são "terras tradicionalmente ocupadas pelos índios". Houve com isso uma ruptura paradigmática quanto ao tipo de vinculação dos grupos com o território que necessita ser comprovada. As leis até então vigentes e os procedimentos técnicos preconizavam a investigação da "imemorialidade" da ocupação das áreas, pressupondo uma continuidade temporal de longa duração dos índios com elas. Já a "tradicionalidade", conceito que passou a ser adotado pelo marco legal, se justifica muito mais pelo modo de ocupação do espaço e pela importância do território para a reprodução física e cultural dos povos que o habitam, de acordo com seus costumes e tradições. O que define a tônica deste trabalho, portanto, é a diferenciação dos conceitos de "imemorialidade" e "tradicionalidade" e as consequências de suas aplicações nos processos de identificação de Terras Indígenas. Palavras-chave: Imemorialidade, tradicionalidade, ocupação, demarcação, Terras Indígenas