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Universidade Federal da Grande Dourados 
Dourados – MS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Diálogos e contribuições 
 
 
6, 7 e 8 de outubro de 2016 
 
 
 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
 
 
Diálogos e contribuições 
 
 
Universidade Federal da Grande Dourados 
Dourados – MS 
 
6, 7 e 8 de outubro de 2016 
 
Comitê científico 
 
Adir Casaro do Nascimento (UCDB) 
Aline Castilho Crespe (UFGD) 
Alvaro Banducci Júnior (UFMS) 
Antônio Dari Ramos (UFGD) 
Antônio Hilário Urquiza Aguilera 
(UFMS) 
Beatriz dos Santos Landa (UEMS) 
Cátia Martins Paranhos (UFGD) 
Célia Maria Foster Silvestre (UEMS) 
Diógenes Egídio Cariaga 
(PPGAS/UFSC) 
Elâine da Silva Ladeia (UFGD) 
Eliel Benites (UFGD) 
Esmael Alves de Oliveira (UFGD) 
Graciela Cândida Arguello Chamorro 
(UFGD) 
Graziele Dainese (UFGD) 
Grazieli Acçolini (UFGD) 
Graziella Reis de Sant'Ana (UFGD) 
Izaque João (Museu do Índio) 
João Machado (FUNAI) 
Jones Dari Goether (UFGD) 
José Licínio Backes (UCDB) 
Judite Stronzake (UFGD) 
Judite Gonçalves Albuquerque 
(UNEMAT) 
Juliana Grasieli Bueno Motta (UFGD) 
Lauriene Seraguza Olegário e Souza 
(PPGAS/USP) 
Leif Grunewald (UFGD) 
Levi Marques Pereira (UFGD) 
Márcio Ferreira da Silva (USP) 
Maria Aparecida Mendes de 
Oliveira(UFGD) 
Micheli Machado (SEMED/Dourados) 
Neimar Machado de Souza (UFGD) 
Noêmia dos Santos Pereira Moura 
(UFGD) 
Protásio Paulo Langer (UFGD) 
Renata Lourenço (UEMS) 
Rosa Colman (UFGD) 
Rosely Aparecida S. Pacheco (UEMS) 
Simone Becker (UFGD) 
Teodora Souza (UFGD) 
Tonico Benites (MN/UFRJ) 
Veronice Lovato Rossato (SED/MS) 
 
 
 
 
 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
 
Comissão organizadora 
 
Aline Castilho Crespe 
Ane Caroline dos Santos 
Antonio Dari Ramos 
Arnulfo Morinigo 
Átila Maria do Nascimento Corrêa 
Bruna Santos de Andrade 
Bruna Cardoso Paulo 
Cátia Paranhos Martins 
Edir Neves Barbosa 
Elaine da Silva Ladeia 
Eliel Benites 
Ellen Cristina de Almeida 
Gabriel dos Santos Landa 
Graziele AcçoliniGraziele Dainese 
Heiracles Mariano 
Hildyanne Teixeira 
Ijean Gomes Riedo 
Jéssica Maciel de Souza 
Judite Stronzake 
Julierme Moisés Lopes 
Juvenal da Silva 
Laura Jane Gisloti 
Lauriene Seraguza Olegário e Souza 
Leandro Lucato Moretti 
Leif Grunewald 
Levi Marques Pereira 
Maíza Almeida de Souza 
Maria Aparecida Mendes de Oliveira 
Mariana Pereira da Silva 
Marlene Gomes Leite 
Neimar Machado de Sousa 
Nívia Maria Trindade dos Santos 
Olinda Siqueira Correa Viana 
Oscar Frank Junior 
Rafael Allen Gonçalves Barboza 
Rafael Rondis Nunes de Abreu 
Raul Claudio Lima Falcão 
Reginaldo Candado 
Rosa Sebastiana Colman 
Rosalvo Ivarra Ortiz 
Silvana Jesus do Nascimento 
Tatiane Maíra Klein 
Vera Lucia Pael 
 
Capa e projeto gráfico: Tatiane Maíra Klein 
Foto capa: Casa de reza Dona Floriza e Seu Jorge, Aldeia Jaguapiru, 
Dourados/MS. Acervo pessoal: Lauriene Seraguza Olegário e Souza 
Foto resumo: Kurusu Ambá, Coronel Sapucaia/MS. Acervo pessoal: Rafael 
Rondis Nunes de Abreu 
 
 
 
 
Apoio 
 
 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
Apresentação 
O Seminário Internacional Etnologia Guarani: diálogos e 
contribuições emerge da necessidade de encontro e conversas entre 
pesquisadores indígenas e não indígenas em especial estudiosos e demais 
interessados sobre os povos falantes da língua guarani. O evento é uma parceria 
entre a área de ciências humanas da Licenciatura Intercultural Indígena Teko 
Arandu e o Programa de Pós-Graduação em Antropologia Sociocultural – 
PPGAnt/UFGD. Trata-se de evento conjunto entre a Faculdade Intercultural 
Indígena – FAIND e a Faculdade de Ciências Humanas – FCH, ambas da 
Universidade Federal da Grande Dourados – UFGD. O público alvo são os 
alunos do curso de Licenciatura Intercultural Indígena Teko Arandu, demais 
cursos da UFGD, de outras universidades e a sociedade em geral. 
O cone sul do Mato Grosso do Sul atualmente é habitado por mais de 50 
mil pessoas, Guarani e Kaiowá, distribuídos em dezenas de comunidades e 
variadas formas de assentamento. Conta com a presença de várias instituições 
de ensino superior, acessadas por centenas de indígenas na graduação e na pós-
graduação. Assim, o estado tornou-se um expoente campo produtor de 
conhecimento e receptor de pesquisadores de distintas localidades e instituições 
que buscam produzir conhecimento nas diversas áreas sobre e com os indígenas 
falantes de guarani, denominados no Mato Grosso do Sul como Kaiowá e 
Guarani. 
Ademais, a Universidade Federal da Grande Dourados comemora em 
2016 dez anos da criação do primeiro curso específico para a população 
indígena Kaiowá e Guarani. Trata-se da Licenciatura Intercultural Indígena 
Teko Arandu, lotada na Faculdade Intercultural Indígena. Esta faculdade conta 
atualmente com mais de 200 acadêmicos cursistas e cerca de 120 professores 
kaiowá e guarani licenciados. 
Em MS, há 15 anos atrás, não havia um único professor indígena com 
formação diferenciada. O VII Fórum de Educação Escolar Indígena, reunido na 
Aldeia Jaguapiru, Dourados – MS, contou com mais de 600 professores 
indígenas habilitados em cursos de formação de nível superior e médio. A 
estimativa do Fórum é que há, no estado, 800 profissionais indígenas de 
diversas etnias atuantes nas escolas indígenas. Este contexto confere relevância 
à reflexão sobre o papel dos professores indígenas em suas comunidades e os 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
desafios da consolidação de uma educação diferenciada em sintonia com as 
necessidades das comunidades. 
Temos assistido nas últimas décadas o recrudescimento das disputas 
territoriais com grande impacto sobre as populações indígenas do estado que 
vivem confinadas em reservas superpovoadas ou em áreas precárias à beira das 
rodovias, acampamentos e retomadas. Este cenário marca profundamente as 
especificidades do trabalho de campo em etnologia no Mato Grosso do Sul, pois 
é preciso considerar as experiências destas populações que afetam a sociedade 
do entorno e as universidades. A produção de conhecimento junto a 
comunidades indígenas em Mato Grosso do Sul é constantemente desafiada a 
contribuir no diálogo entre as iniciativas de intervenção do Estado e as 
demandas das comunidades. 
Este momento de intercâmbio e troca de saberes proporcionará aos 
acadêmicos e pesquisadores das instituições de ensino e pesquisa e da sociedade 
em geral, um espaço de diálogos e de intercâmbios de experiências de trabalho 
de campo e abordagens metodológicas e teóricas. 
 
MAIS INFORMAÇÕES: https://www.facebook.com/etnologiaguarani 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
Programação 
Quinta-feira, 06/10/2016 
AAnnffiitteeaattrroo ddaa RReeiittoorriiaa –– UUFFGGDD,, UUnniiddaaddee II 
7h30 Jehovasa e Bro'MCs 
 
8h Mesa de abertura 
 
8h20 MESA REDONDA | Modos Indígenas de Conhecimentos e 
Educação Escolar Indígena 
Conferencistas: Marta Azevedo (Unicamp), Dominique Gallois (CEstA/USP) e 
Eliel Benites (FAIND/UFGD) | Debatedora: Teodora Souza (FAIND/UFGD) | 
Mediador: Antonio Dari Ramos (FAIND/UFGD) 
 
11h Mostra de vídeo ASCURI | “Água: os guardiões do rio Apa e “Retomada 
Teykue” 
 
12h Almoço 
 
14h GRUPOS DE TRABALHO 
SSaallaass ddee aauullaa –– FFAAIINNDD ee FFCCHH,, UUnniiddaaddee IIII 
 
Gênero e geração em sociedades indígenas 
Coordenadoras: Lauriene Seraguza Olegário e Souza (FAIND/UFGD) e Graziele 
Dainese (FCH/UFGD) | Debatedoras: Célia Foster Silvestre (UEMS) e Mariana 
Pereira (UFMS)Territórios e Territorialidades indígenas 
Coordenadoras: Rosa Sebastiana Colman (FAIND/UFGD) e Juliana Grasieli 
Bueno Motta (FCH/UFGD) | Debatedoras: Graziella Reis de Sant'Ana 
(FCH/UFGD) e Eliel Benites (FAIND/UFGD) 
 
 Educação Escolar Indígena em situações reserva, de acampamento e 
de retomada 
Coordenadores: Veronice Lovato Rossato (SED-MS), Noêmia dos Santos 
Pereira Moura (FCH/UFGD), Maria Aparecida Mendes de Oliveira 
(UFGD/FAIND) | Debatedoras: Judite Gonçalves Albuquerque (UNEMAT), 
Adir Casaro do Nascimento (UCDB), Anari Felipe Nantes (Secretaria Municipal 
de Educação) 
 
Saúde indígena 
Coordenadores: Catia Paranhos (FCH/UFGD) e Leandro Lucato Moretti (PUC-
SP) |Debatedor: Esmael Alves de Oliveira (FCH/UFGD) e Aline Castilho Crespe 
(FCH/UFGD) 
 
 
 
 Direitos indígenas e indigenistas 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
Coordenadores: Luiz Henrique Eloy Amado (PPGAS/MN/UFRJ) e Marco 
Antônio Delfino de Almeida (MPF/MS) | Debatedor: Luiza Gabriela Meyer 
(MPF/MS), Antônio Hilário Aguilera Urquiza (UFMS) 
 
 Rituais e práticas religiosas indígenas 
Coordenadores: Izaque João (Museu do Índio) e Antonio Dari Ramos 
(FAIND/UFGD) | Debatedora: Graziele Acçolini (FCH/UFGD) 
 
Movimentos Indígenas 
Coordenadores: Neimar de Sousa Machado (FAIND/UFGD) e Otoniel Ricardo 
(ATY GUASU) | Debatedor: Jorge Gomes (ATY GUASU) 
 
Regime de circulação de saberes indígenas 
Coordenadores: Cândida Graciela Chamorro Arguello (FCH/UFGD) e Augusto 
Ventura dos Santos (CestA/USP) | Debatedores: Lídio Cavanha Ramires (SED 
Caarapó) e Leif Ericksson Nunes Grunewald (FCH/UFGD) 
 
Estado e política indigenista 
Coordenadoras: Edir Neves Barbosa (FAIND/UFGD) e Silvana Jesus do 
Nascimento (PPGAS/UFRGS) | Debatedores: Renata Lourenço (UEMS) e José 
Manuel Flores Lopez (UNICAMP) 
 
Metodologias em pesquisas em etnologia indígena 
Coordenadoras: Beatriz dos Santos Landa (UEMS) e Tatiane Klein 
(CestA/USP) | Debatedores: Rodrigo Amaro de Carvalho (PPGAS/MN/UFRJ) e 
João Paulo Lima Barreto (UFAM) 
 
 Demarcação de Terras Indígenas 
Coordenadores: Rosely Aparecida Stefanes Pacheco (UEMS) e João Machado 
(FUNAI) | Debatedores: Diogo Oliveira (FUNAI) e Victor Ferri Mauro (UFMS) 
 
19h30 Sarau – Casa dos Ventos 
 
Sexta-feira, 07/10/2016 
AAnnffiitteeaattrroo ddaa RReeiittoorriiaa –– UUFFGGDD,, UUnniiddaaddee II 
7h30 Jehovasa e Orquestra Guarani Caarapó 
 
8h30 MESA REDONDA | Saberes e práticas na produção e 
recuperação do território 
Conferencistas: Bartomeu Melià (CEPAG-PY), Maria Inês Ladeira (CTI-SP) e 
Jorge Servin (INECIP – PY) | Debatedora: Leila Yvy Katu (ATY GUASU) | 
Mediadora: Maria Aparecida Mendes de Oliveira (FAIND/UFGD) 
 
11h Mostra de vídeo ASCURI | “Fogo Panambizinho” e “Pehengue Reko” 
 
12h Almoço 
 
13h30 Pa'i Kuara Rendy (Grupo de teatro) 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
 
14h MESA REDONDA | Contribuições da Antropologia para as 
pesquisas em epistemologias indígenas 
Conferencistas: Elizabeth Pissolatto (UFJF), Gilton Mendes (UFAM) e João 
Paulo Lima Barreto (UFAM) | Debatedora: Aline Crespe (FCH/UFGD) | 
Mediador: Neimar Machado (FAIND/UFGD) 
 
16h Mostra de vídeo ASCURI | “Cerro Marangatu” e “Yvy Katu” 
 
18h MESA REDONDA | Movimentos Kaiowá e Guarani em MS 
Conferencistas: Rosalino Ortiz (ATY GUASU), Tonico Benites (ATY GUASU, 
PPGAS-MN-UFRJ), Celso Aoki e Jorge Gomes (ATY GUASU) | Debatedor: 
Spensy Pimentel (UFSB) | Mediador: Levi Marques Pereira (FAIND/FCH) 
 
Sabado, 08/10/2016 
AAnnffiitteeaattrroo ddaa RReeiittoorriiaa –– UUFFGGDD,, UUnniiddaaddee II 
7h30 Jehovasa e Ñemongo'i (Grupo de dança) 
 
8h Mostra de vídeo ASCURI | “As Aventura de Perurimã” e “Tajuja” 
 
9h MESA REDONDA | Saberes, cosmos e seus habitantes 
Conferencistas: Valéria Macedo (Unifesp), Roseli Concianza e Valdomiro 
Aquino (ATY GUASU), Adriana Testa (Unicamp) | Debatedora: Lauriene 
Seraguza (FAIND/UFGD) 
 
11h30 Almoço 
 
13h30 MESA REDONDA | Formas de existir e de transformar 
Conferencistas: Izaque João (Museu do Índio), Tatiane Klein (CEstA/USP), 
Gersen Baniwa (UFAM) | Debatedor: Anastácio Peralta (ATY GUASU) | 
Mediador: Leif E. Grünewald (FCH/UFGD) 
 
15h40 Leitura de documento final 
 
16h Encerramento e chicha com os mestres tradicionais 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
Programação dos Grupos de Trabalho 
 
Local: Bloco A, FAIND – Unidade II 
Início: 14h 
1. Gênero e Geração em sociedades indígenas 
Coordenadoras: Lauriene Seraguza (FAIND/UFGD) e Graziele Dainese 
(FCH/UFGD) 
Debatedora: Célia Foster Silvestre (UEMS) e Mariana Pereira (UFMS) 
 
Local: UFGD, Unidade II, Bloco A, sala 01 
 
Autores Título 
Antonio Dari Ramos 
Masculinidades em conflito nas missões 
jesuíticas com indígenas 
Célia Maria Foster Silvestre 
Entretempos: os jovens kaiowá e guarani e a 
educação escolar indigena 
Elk Kelly Francismara 
Rodrigues 
Célia Maria Foster Silvestre 
Os guarani kaiowa da aldeia Guapo’y e o 
trabalho nos canaviais 
 
Daniele Lourenço Gonçalves 
Amon-Rá Antunes Bandeira 
de Melo 
Mulheres Terena da Aldeia Brejão T.I. 
Nioaque: Construção social e de gênero 
Davi Benites 
Mitãkarai: batismo de crianças guarani 
ñandeva no tekoha Potrero Guasu, município 
de Paranhos, MS 
Janes Romero 
A saúde da mulher Kaiowa nos dias atuais na 
Paraguasu 
Kelly Duarte Vera 
Dificuldades das mulheres Guarani e Kaiowa 
para concluir os estudos 
Lauriene Seraguza Olegário e 
Souza 
Notas sobre sexualidades e modos de 
resolução de conflitos entre os Kaiowa e 
Guarani 
 
Lindomar Lili Sebastião 
Os avanços das mulheres terena no campo de 
representação sociopolítico 
Mariana Pereira da Silva 
 
Gestação e Parto na perspectiva das Jarýi e das 
Agentes Indígenas de Saúde (AIS) 
Marlene Ricardi de Souza Mulheres Kaiowá e Guarani: invisibilidade e 
pertencimento 
Nívia Maria Trindade dos 
Santos 
Fernanda S. Fernandes 
Noêmia S.P. Moura 
Quem são elas? As trajetórias das mulheres 
intelectuais indígenas no ensino superior: 
experiências das Kaiowá e Guarani na 
Licenciatura Intercultural – Teko 
Arandu/UFGD 
Tania Fatima Aquino 
A iniciação feminina no contexto escolar 
Kaiowa Panambizinho: mitã kunhã ikoty 
onhemondya 
 
 
 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
GT 2 A: Territórios e Territorialidades Indígenas 
Coordenador: Eliel Benites (FAIND/UFGD) 
Debatedor: Graziella Reis de Sant'Ana (FCH/UFGD) 
 
Local: UFGD, Unidade II, Bloco A, sala 02 
 
Autores Título 
Aluizio Alfredo Carsten 
Noticias do valuto: presença e 
resistência indígena na bacia do rio 
das cinzas 
Beatriz Véra Árvores nativas no pirajuí 
Cajetano Vera 
 
Larvas de Aramanday Guasu 
(rhynchophorus palmarum (linnaeus, 
1958)) coleoptera: curculionidae como 
alimento tradicional entre os guarani 
ñandéva, na aldeia pirajuí, município 
de paranhos, mato grosso do sul: uma 
visão de segurança alimentar e 
sustentabilidade social 
Celuniel Aquino Valiente 
Uma análise da dinâmica social da 
reserva de Amambaí por via de 
conflito entre as Famílias kaiowá e 
Guarani 
Elâine da Silva Ladeia 
Alterações da paisagem e território 
ambiental: uma introdução à 
influência no ñande reko dos Guarani 
e Kaiowá 
Eliel Benites 
Teko, Tekoha ha Ñe’� como 
Fundamento da Educação Kaiowá 
Guarani 
Eliel Benites 
Gilmar Galache Renata Oliveira Costa 
O PROGRAMA MOSARÁMBIHÁRA: 
semeadores do bem viver Kaiowá 
Fábio do Espírito Santo Martins 
Terra Indígena Tekoá Mirim: 
Dissonâncias entre a Fala Mbyá 
Guarani e a Voz do Estado 
Gilmar Galache 
O audiovisual como ferramenta de 
luta pela garantia da retomadados 
territórios tradicionais guarani, 
kaiowá e terena: a experiência da 
ASCURI como fortalecimento do jeito 
de ser dos Povos Indígenas do Mato 
Grosso do Sul 
 
 
 
 
 
 
 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
GT 2 B: Territórios e Territorialidades Indígenas 
Coordenador: Rosa Sebastiana Colman (FAIND/UFGD) 
Debatedor: Juliana Grasieli Bueno Motta (FCH/UFGD) 
 
Local: UFGD, Unidade II, Bloco A, sala 03 
Autores Título 
Hildyanne Teixeira Costa Cruz 
Aline Castilho Crespe 
Comunidade indígena Apyka’i: formas 
de acomodação e preconceito 
 
Jerusa Cariaga Alves 
Etonomotânica: finalidade de uso das 
espécies presentes nos Quintais 
Agroflorestais da Reserva Te’yikuê, 
Caarapó – MS. 
Jéssica Maciel de Souza 
Antonio Hilário Urquiza Aguilera 
Etnografia das crianças Kaiowá da 
aldeia Laranjeira Ñanderu: a 
importância do território para a 
retomada das práticas culturais 
Juliana Grasiéli Bueno Mota 
O nosso lugar é tudo isso, o que a 
gente vê e não vê! O tekoha para os 
Guarani e Kaiowá em diálogo com o 
conceitos de território 
Norivalson da Silva Vieira 
Estela Márcia Rondina Scandola 
Diversidade de povos e formas de 
presença indígena no território do 
CRAS Vida Nova, em Campo Grande-
MS 
 
Paulo Apolinario Bispo 
Lauriene Seraguza Olegário e Souza 
Relações Sociais entre a Aldeia 
Indigena Jaguapiré e Assentamento 
Vitoria da Fronteira 
 
Rafael Allen Gonçalves Barboza 
 
Recordações da “Invernadinha”: 
Justiça cega em Terra de índio onde 
quem mata é os fazendeiros 
Rayane Pereira G. Costa 
Clóvis Antonio Brighenti 
Memórias e práticas transfronteiriças 
do povo Guarani 
 
Renan Pinna Nascimento 
O sarambi entre os Avá-Guarani como 
via de acesso para pensar ás disputas 
contemporâneas de demarcação de 
terras 
 
 
 
 
 
 
 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
GT 3 A - Educação Escolar Indígena em situações reserva, de 
acampamento e de retomada 
Coordenadores: Noêmia dos Santos Pereira Moura (FCH/UFGD) 
Debatedoras: Anari Felipe Nantes (Secretaria Municipal de Educação) 
 
Local: UFGD, Unidade II, Bloco A, sala 04 
 
Autores Título 
Algacir Amarília 
O Pibid interdisciplinar na aldeia 
guapo`y - Amambai 
Cleberson Ferreira 
Observação das aulas na Escola 
Municipal Indígena Araporã na aldeia 
Bororo, Dourados/MS 
Delfino Borvão 
PEDAGOGIA ARA KUATIA KARAI e 
ARA KUATIA KARAI REKO AVAETE 
GUARANI KAIOWÁ Emguyra , ara 
kuatia e na Perspectiva da 
comunidade ALV de Amambai MS 
Edimar Araujo 
Vanessa lescano Martins Material Indígena 
Francieli de Oliveira Meira 
O ensino de geografia: caminhos para 
a interculturalidade na educação 
escolar indígena 
Hemerson Vargas Catão 
Apontamentos Iniciais da 
Antroponímia Kaiowá. 
Ivanuza da Silva Pedro 
Maria Aparecida Mendes de Oliveira 
As casas de reza Kaiowá do 
Panambizinho: saberes indígenas e 
educação escolar 
Katia Regina Moura de Castro 
Etnografia Escolar na Reserva 
Indígena de Dourados: A problemática 
da língua materna 
Leticia Fernandes 
II Mostra Cultural Guarani 
Nhandewa: estratégias de 
ensino/aprendizagem entre os 
Guarani Nhandewa num contexto de 
retomada entre os indígenas da TI 
Ywy Porã/Posto Velho 
 
 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
 
GT 3 B - Educação Escolar Indígena em situações reserva, de 
acampamento e de retomada 
Coordenadores: Maria Aparecida Mendes de Oliveira (UFGD/FAIND) 
Debatedoras: Adir Casaro do Nascimento (UCDB) 
 
Local: UFGD, Unidade II, Bloco A, sala 05 
 
Autores Título 
Edson Escalante 
Conhecimento Kaiowá no ensino de 
matemática: proposta de material 
didático 
Marina Oliveira Barboza Brandão 
“A gente só copia”: concepções sobre o 
ensino de língua portuguesa em 
contexto indígena 
Marlene Gomes Leite 
Laura Roseli Pael Duarte e Thaiane 
Coral Fernandes 
Educação escolar indígena: “fazer falar 
o papel” 
Maurício José dos Santos Silva 
 
A efetividade do acesso de indígenas à 
educação superior e os desafios para a 
permanência. 
Mbo'y Jegua'i - Clara Almeida Barbosa 
Desafios e experiências enquanto 
estudante indígena de pós-graduação 
Micheli Alves Machado 
Multiculturalismo e diversidade 
cultural na reserva indígena de 
dourados- rid 
Rejane Aparecida Rodrigues Candado 
Formação continuada de professores: 
os saberes indígenas na escola 
municipal tekoha guarani 
Renata Silva de Souza 
Marta Coellho Castro Troquez 
Educação infantil indígena e as leis 
que garantem este direito 
 
 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
 
GT 3 C - Educação Escolar Indígena em situações reserva, de 
acampamento e de retomada 
Coordenadores: Veronice Lovato Rossato (SED-MS) 
Debatedoras: Judite Gonçalves Albuquerque (UNEMAT) 
 
Local: UFGD, Unidade II, Bloco A, sala 06 
 
Autores Título 
Rodrigo Novais de Menezes 
Educação e Diversidade: Onde cabe a 
diferença? 
Rosane Gonçalves Costa Ozorio 
Bianca Gabrieli Marafiga e Eliane 
Aparecida Miquiletti 
 
A interculturalidade na escola – a 
importância cultural para o século 
XXI 
Sandra Procópio da Silva 
Maristela Aquino Isfram e Anastácio 
Peralta 
Educação Escolar Indígena: entre a 
busca do Bem Viver e a realidade de 
luta pela terra 
Selma das Graças de Lima 
Antropologia e Educação: Uma 
etnografia da participação de alunos 
indígenas nas escolas públicas da 
cidade de Dourados. 
Solange Rodrigues da Silva 
Flaviana Gasparotti Nunes 
Educação escolar indígena nos 
municípios de Amambai (MS), 
Caarapó (MS) e 
Dourados (MS): geografias menores 
como potencialidade para diálogos 
interculturais 
Tania Milene Nugoli Moraes 
Antonio Hilário Aguilera Urquiza 
 
A relação com o aprender na aldeia 
Laranjeira Ñanderu: as crianças e o 
aprender 
Wagner Duran 
Educação tradicional dos guarani 
(tekoha Pirajui) na fronteira entre 
Paraguai e Brasil, MS 
 
 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
 
Gt 4 - Saúde indígena 
Coordenadores: Catia Paranhos (FCH/UFGD) e Leandro Moretti (PUC-SP), 
Debatedor: Esmael Alves de Oliveira (FCH/UFGD) e Aline Castilho Crespe 
(FCH/UFGD) 
 
Local: UFGD, Unidade II, Bloco A, sala 07 
 
Autores Título 
Adriele Freire de Souza 
Das falas contidas e vozes interditadas 
aos movimentos estratégicos de 
resistência: uma reflexão sobre as 
práticas institucionais de uma 
instituição hospitalar no MS 
Catia Paranhos Martins 
Desaprender 8 horas por dia: 
psicologia na saúde indígena 
Danilo Cleiton Lopes 
Atenção diferenciada à saúde indígena 
no município de Dourados, MS. 
Fernanda Casagranda 
Verônica Gronau Luz 
Segurança alimentar e nutricional: 
uma análise histórica das políticas 
voltadas aos indígenas no brasil 
Giuliana Mattiazzo Pessoa 
Suicídios Guarani Kaiowá: Território 
Tradicional e Identidade Étnica 
(tekoha) 
Leandro Lucato Moretti 
Modos de beber e sentidos do uso de 
bebidas alcoólicas em áreas indígenas: 
aproximações da psicologia social a 
perspectivas Kaiowá e Guarani. 
Lucia Pereira 
Lauriene Seraguza Olegário e Souza 
Plantas medicinais na cultura guarani 
kaiowá 
Paula Aparecida dos Santos Rodrigues 
Oguata Pyahu e o desafio de 
SUStentar (trans)formações e diretos 
em um novo caminhar na Saúde 
Indígena 
Regiani Magalhães de Oliveira 
Yamazaki 
Levantamento de teses produzidas nas 
Universidades do Brasil sobre Saúde 
Indígena no período de 1998-2016. 
Sonia Pavão 
Extração e usos de remédios de 
origem animal e vegetal na aldeia 
Limão Verde/amambai-ms 
Tatiane Pires Medina 
Saúdeda mulher Guarani da Reserva 
Pirajuí de Mato Grosso do Sul 
 
 
 
 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
GT 5 - Direitos indígenas e indigenistas 
Coordenadores: Luiz Henrique Eloy Amado (PPGAS/MN/UFRJ) e Marco 
Antônio Delfino de Almeida (MPF/MS) 
Debatedor: Luiza Gabriela Meyer (MPF/MS), Antônio Hilário Aguilera Urquiza 
(UFMS) 
 
Local: UFGD, Unidade II, Bloco A, sala 08 
 
Autores Título 
Adenilda Rocha Vilhalva Dom Quetito e sua família 
Edemir Braga Dias 
Ronsagela Angelin 
Cultura e direito frente aos conflitos 
territoriais com povos indígenas: um 
olhar sob o enfoque da 
transconstitucionalidade 
Jorge Pereira da Silva 
A circulação de dinheiros e 
mercadorias entre os Kaiowa e 
Guarani no comércio de Amambai-MS 
Lazaro Vera Familias kaiowá nos ervais de Caarapó 
Marta Soares Ferreira 
Célia Maria Foster Silvestre 
Estudantes Guarani e Kaiowá no 
Ensino Superior, Suas Vivencias e 
Relações 
Maucir Pauletti 
Pedro Sergio Dantas da Silva Carvalho 
Impasses no reconhecimento dos 
índios como sujeitos de direitos 
Nei di Maico Ricarte 
A organizaçao tradicional da aldeia 
Limao Verde antes e depois do SPI 
Robson Romero 
Discriminação e preconceito dos 
povos indígenas 
Sônia Rocha Lucas 
O Direito a Educação e a crianças 
Kaiowá e Guarani do Acampamento 
Pakurity 
 
 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
 
GT 6 - Rituais e práticas religiosas indígenas 
Coordenadores: Izaque João (Museu do Índio) e Antonio Dari Ramos 
(FAIND/UFGD) 
Debatedora: Graziele Acçolini (FCH/UFGD) 
 
Local: UFGD, Unidade II, Bloco A, sala 09 
 
Autores Título 
Dagmar Herculano 
O infanticídio indígena: um conflito 
entre a diversidade cultural e o 
estatuto da crainça e adolescente 
Jesus de Souza 
Valores dos instrumentos tradicionais 
religiosos dos kaiowa 
Kelly Mara Soares Dornelles 
Representações indígenas no PNBE 
2014 
Lílian Luana da Silva 
Um estudo de caso sobre os jovens 
Terena da 1°Congregação presente na 
Terra Indígena de Dourados 
Nilton Vera 
A influência das religiões na aldeia 
Porto Lindo, município de Japorã – 
MS 
Raul Claudio Lima Falcão 
Avatikyry: Representações e 
simbologias entre os Kaiowa de 
Panambizinho 
Rosalvo Ivarra Ortiz 
Cosmologia guarani- ñandheva, 
kaiowá e mb’ya: a partir de análise 
histórica, filosófica, arqueológica e 
antropológica 
Saulo Conde Fernandes 
Indígenas nas redes xamânicas 
contemporâneas e o consumo ritual de 
psicoativos 
Vicente Cretton Pereira 
O petyngua: -ka’u como viagem 
xamânica 
 
 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
GT 7 - Movimentos Indígenas 
 
Coordenadores: Neimar de Sousa Machado (FAIND/UFGD) e Otoniel Ricardo 
(ATY GUASU) 
Debatedor: Jorge Gomes (ATY GUASU) 
 
Local: UFGD, Unidade II, Bloco A, sala 10 
Autores Título 
Autores Título 
André Centurion 
Adriana Oliveira de Sales 
O ensino das linguagens na escola 
indígena de Japorã, MS. 
 
Edinaldo Martins 
Ava rekotee: cultura tradicional 
guarani na aldeia Porto Lindo 
Heliodoro de Almeida 
Adriana Oliveira de Sales 
É importante ofertar Educação 
Especial para os Guarani Kaiowá? 
 
Janete de Souza 
Ensino de Linguagens nos Anos Finais 
do Ensino Fundamental de Escola 
Indígenas. 
 
Josemar Benites 
Ocupação Tradicional da Aldeia 
Cerrito, Eldorado – MS 
Ludmila Ferreira Ribeiro 
Autonomia Guarani Charagua 
Iyambae: os desafios para superação 
da colonialidade do poder 
Noêmia dos Santos Pereira Moura 
Ane Caroline dos Santos e Átila Maria 
do Nascimento Corrêa 
A resistência do feminismo indígena: 
A luta das Mulheres Guarani Kaiowa 
Rafael Rodrigues Caceres 
Adriana Oliveira de Sales 
Memória e feitura de armadilhas 
guarani ñandeva 
Rosileide Barbosa de Carvalho 
Adriana Oliveira de Sales 
Ensino de Línguas na Aldeia Te'ýikue, 
Caarapó, MS. 
Valdenir Romero 
Genocídio dos povos indígenas após 
1915 
 
 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
GT 8 A - Regime de circulação de saberes indígenas 
Coordenadores: Cândida Graciela Chamorro Arguello (FCH/UFGD) 
Debatedor: Augusto Ventura dos Santos (CESTA/USP) 
 
Local: UFGD, Unidade II, FAIND, sala 17 
 
Autores Título 
Adma Cristina Salles de Oliveira 
Luciene Flores e Ana Claudia Duarte 
Mendes 
Sentidos: (des) encontros e encontros 
na invisibilidade dos saberes vivente / 
vidente em espaços ameríndios 
Ana Carolina Estrela da Costa 
O cinema Indígena no caminho da 
descolonização e da autonomia 
Augusto Ventura dos Santos 
Saberes e disposições guarani para 
com os brancos na obra de Egon 
Schaden 
Bruno Nascimento Huyer 
Sobre a jurualogia: crônicas Mbyá-
guarani no Cone Sul 
Dorival Ramires 
Maria Aparecida Mendes de Oliveira e 
Marianna Florentina Lima Alves de 
Oliveira Drumont 
Modos de saber Guarani Kaiowá na 
construção da casa de sape. 
Gilcacia Gündel Saldanha 
Graciela Chamorro 
Grafismo na comunidade kaiowá de 
Itay Ka’aguyrusu 
Graciela Chamorro 
Isabelle Combès 
Povos Indígenas Guarani falantes 
contemporâneos da América do sul 
Ilma Regina Castro Saramago de 
Souza 
Estabelecidos e outsiders: uma leitura 
acerca do lugar dos indígenas guarani 
 
 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
GT 8 B - Regime de circulação de saberes indígenas 
Coordenadores: Leif Ericksson Nunes Grunewald (FCH/UFGD) 
Debatedor: Lídio Cavanha Ramires (SED Caarapó) 
 
Local: UFGD, Unidade II, FAIND, sala 19 
 
Autores Título 
Josemar de Campos Maciel 
Yan Leite Chaparro Sobre aprender a ser índio 
Leif Grünewald A Gesta de Agayéguede 
Magno Adiala 
A importância dos Multimeios na 
educação Escolar Indígenas 
Maria Aparecida Mendes de Oliveira 
Conhecimento Tradicional e 
Conhecimento Cientifico: deferentes 
formas de Conhecimentos na 
Formação de Professores Indígenas 
Miguel Angelo Corrêa 
Perspectivas do audiovisual autoral 
realizado pelos povos indígenas de 
mato grosso do sul: elementos e 
reflexões para uma taxonomia 
preliminar 
Scheilla Guimarães da Silva 
Os Mocovís do gran chaco: um 
documento visual de identidades e 
temporalidades. 
Silvana Colombelli Parra Sanches 
Análise de aulas sobre territorialidade 
guarani com o ensino médio técnico e 
cursos superiores de agrárias em mato 
grosso do sul 
Talita Lazarin Dal’ Bó 
Estudantes indígenas nas 
universidades: sobre modos de 
conhecer, de traduzir e de transformar 
o conhecimento 
 
 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
GT 9 - Estado e política indigenista 
Coordenadoras: Edir Neves Barbosa (FAIND/UFGD) e Silvana Jesus do 
Nascimento (PPGAS UFRGS) 
Debatedor: Renata Lourenço (UEMS) e José Manuel Flores Lopez (UNICAMP) 
 
Local: UFGD, Unidade II, FAIND, sala 20 
 
Autores Título 
Almir Bauler 
Os povos indígenas, o Império e a 
questão de terras 
Elemir Soare Martins 
Silvana Jesus do Nascimento 
Desafios interculturais na reserva 
Te’ýikue, envolvendo famílias 
indígenas guarani e kaiowá e a 
assistência social para garantir o 
direito da criança indígena à escola 
Ellen Cristina de Almeida 
Assimilacionismo e protagonismo: os 
paradigmas orientadores de políticas 
para a população indígena 
Felipe Megeredo Correa O índio e a lavoura canavieira em MS 
Flávia Helena Braff Denes 
A atuação da rede socioassistencial na 
áreas de retomada Guarani e Kaiowá 
em Dourados/MS: limites, avanços e 
desafios 
Genildo Ramires 
Educação Tradicional do kaiowa 
antigamente comparando com atual 
Renata Lourenço 
Políticas indígenase indigenistas na 
escolarização dos Guarani e Kaiowá: 
diálogos possíveis? 
Renata Oliveira Costa 
Os objetivos de desenvolvimento do 
milênio e os povos indígenas – 
desafios do bem viver indígena: 
experiência de consulta participativa 
na Terra Indígena Pirakuá (Etnia 
Kaiowá Guarani – Mato Grosso do Sul 
– Brasil) 
Silvana Jesus do Nascimento 
Circulação de crianças indígenas: 
questões para além da cultura 
Viviane Scalon Fachin 
Políticas públicas estaduais de acesso 
e permanência para alunos indígenas 
ao ensino superior em mato grosso do 
sul 
 
 
 
 
 
 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
GT 10 A - Metodologias em pesquisas em etnologia indígena – 
Coordenadores: Tatiane Klein (CEstA/USP e ISA) 
Debatedor: Rodrigo Amaro de Carvalho (PPGAS/MN/UFRJ) 
 
Local: UFGD, Unidade II, FAIND, sala 21 
 
Autores Título 
Almires Martins Machado 
Ser indígena e antropólogo na 
pesquisa de campo entre ruidos e ecos 
Rodrigo Amaro de Carvalho 
Notas etnográficas acerca dos desafios 
e entraves teórico-metodológicos de 
uma pesquisa de campo na Reserva 
Indígena de Dourados/MS 
Claudineis Nunes Toca da onça jaguaretê kañyha 
Gabriel dos Santos Landa 
Os conflitos indígenas e sua 
representação através das fotografias 
nos jornais online de MS 
Josimara dos Reis Santos 
Beatriz dos Santos Landa 
Metodologias utilizadas na pesquisa 
com crianças kaiowá no bairro Vila 
Cristina/Tujú Puytã, em 
Amambai/Mato Grosso do Sul 
Joziane de Azevedo Cruz 
A construção do campo de pesquisa 
com crianças kaiowá 
Lívia Domiciano Cunha 
O que contam os guarani e kaiowá 
sobre o corte da cana? O avanço da 
fronteira agrícola moderna e a 
precarização das práticas espaciais 
guarani e kaiowa no Mato Grosso do 
Sul 
Marta Soares Ferreira 
 Indígenas em região urbana 
 
 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
GT 10 B - Metodologias em pesquisas em etnologia indígena – 
Coordenadores: Beatriz dos Santos Landa (UEMS) 
Debatedor: João Paulo Lima Barreto (UFAM) 
 
Local: UFGD, Unidade II, FAIND, sala 22 
 
Autores Título 
Martha Jeronimo Batista 
A realização da vida na Fronteira 
Bolívia/Brasil – alteridade e fronteiras 
pelas narrativas orais 
Noelí Cáceres Angu´a 
Robson Pires Arco e flecha dos Guarani 
Beatriz dos Santos Landa 
As pesquisas realizadas com/entre 
crianças guarani e kaiowá e as 
metodologias em processo de 
construção colaborativa 
Toninho Ortiz Goularte 
Chichá-atividades usando 
conhecimentos a partir de um 
conhecimento tradicional 
Yan Leite Chaparro 
Josemar de Campos Maciel 
Um relato transcrito pelo sorriso: 
caminhar 
Yan Leite Chaparro 
Josemar de Campos Maciel 
Reflexões metodológicas e a 
problemática do desenvolvimento: 
caminhar com os Guarani 
Zelia Vasque Ogapysy 
 
 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
 
GT 11 - Demarcação de Terras Indígenas 
Coordenadores: Rosely Aparecida Stefanes Pacheco (UEMS) e João Machado 
(FUNAI) 
Debatedor: Diogo Oliveira (FUNAI) e Victor Ferri Mauro (UFMS) 
 
Local: UFGD, Unidade II, FAIND, sala 23 
 
Autores Título 
Frederico Lambertucci 
María Gabriela Guillén Carías e Judite 
Stronzake 
Entre a resistência e o extermínio: a 
luta dos Guarani e Kaiowá no Mato 
Grosso do Sul pela demarcação das 
terras. 
Gianete Paola Butarelli 
Conflitos indígenas em mato grosso do 
sul: uma análise a partir da formação 
histórica, política e econômica do 
estado 
Gregório Oliveira Pinto Barciela Conflito de Toro Paso, demarcação. 
João Machado 
A Etnolinguagem de uma língua 
autóctone que retrata alguns 
componentes lingüísticos do ethos 
local: a origem de alguns nomes de 
seres vivos em Guarani-Kaiowa – 
características singulares da língua 
Lélio Loureiro da Silva 
As Demarcações de Terras Indígenas: 
um olhar nas páginas do jornal O 
Progresso 
Rafael Rondis Nunes de Abreu 
Priscila de Santana Anzoategui 
A terra é vida, despejo é morte: novas 
estratégias kaiowá e guarani na luta e 
recuperação de seus territórios 
Rosalvo Ivarra Ortiz 
Ane Caroline dos Santos e Noêmia dos 
Santos Pereira Moura 
O protagonismo terena na luta pela 
terra ao longo do século 
Rosely A. Stefanes Pacheco 
Terras ancestrais e disputas 
contemporâneas: um olhar sobre as 
demandas territoriais Guarani e 
Kaiowá 
Rosely Aparecida Stefanes Pacheco 
Gilmar Ribeiro Fernandes, Tiago 
Ferando Aquino Soares e Carlos 
Gabriel Stefanes Pacheco 
Sobre a participação de jovens 
indígenas guarani e kaiowá nos 
processos de (re)ocupação territorial: 
alguns aportes para o debate 
Victor Ferri Mauro 
Diferenças conceituais entre 
"imemorialidade" e "tradicionalidade" 
da ocupação de territórios indígenas 
 
 
 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
 
 
 
 
 
 
MASCULINIDADES EM 
CONFLITO NAS MISSÕES 
JESUÍTICAS COM INDÍGENAS 
 
Antonio Dari Ramos 
 
Resumo: A presença dos missionários jesuítas em mais de trinta povoados de 
indígenas na Antiga Província Jesuítica do Paraguai, conhecidos como reduções, 
ao longo de praticamente 160 anos, entre 1609 e 1767, impactou na forma como 
a maioria dos povos indígenas da região construíam e alimentavam socialmente 
suas percepções acerca do modo de ser homem, isto é, sobre a sua 
masculinidade. Uma vez que a missão estabeleceu um rígido controle acerca de 
práticas culturais ancestrais dos povos de fala Guarani, como a poligamia e a 
oferta de mulheres, a documentação histórica missionária descreve a maneira 
como os missionários agiam para desterrar tais costumes, mas também a 
incidência de inúmeros conflitos ocorridos entre os missionários e os homens 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
indígenas no âmbito desses povoados. O estudo realizado mostra que muitos 
homens indígenas aceitaram a nova moralidade, defendendo os missionários e o 
modo de ser cristão; outros, porém, se contrapuseram a ela, chegando inclusive 
à situação de entrar em lutas com os indígenas cristianizados e a de matar 
diversos padres com o argumento de que interferiam indevidamente no bom 
modo de ser antigo e em um dos seus elementos centrais, a poligamia, base da 
economia de reciprocidade. A presente comunicação será dedicada a analisar o 
referido processo histórico, utilizando como método analítico a hermenêutica. 
 
Palavras-chave: gênero; masculinidades; missões religiosas; indígenas. 
 
 
ENTRETEMPOS: OS JOVENS KAIOWÁ E GUARANI E A EDUCAÇÃO 
ESCOLAR INDIGENA 
 
Célia Maria Foster Silvestre 
UEMS/Amambai 
celiasilvestre@uems.br 
celia.silvestre@gmail.com 
FUNDECT 
 
RESUMO: A comunicação propõe reflexões a respeito da categoria de 
juventude entre os Kaiowá e Guarani e do envolvimento dos seus jovens na 
educação escolar indígena, a partir da pesquisa “Entretempos: experiências de 
vida e resistência entre os Kaiowá e Guarani e partir de seus jovens”, 
desenvolvida no período de 2007 a 2011, junto ao programa de Pós Graduação 
em Sociologia, nível doutorado, da FCL/UNESP/Araraquara/SP. A intenção, 
com a pesquisa, foi contribuir para a interlocução com a temática juvenil, 
direcionando as discussões para a especificidade das questões da juventude 
junto aos povos indígenas. A pesquisa foi desenvolvida a partir do método 
etnográfico e incorporou a análise de fontes escritas, como avaliações de curso, 
planos de aula, documentos oficiais e oficiosos, narrativas ocorridas em 
contextos públicos e as muitas conversas com pessoas, jovens ou não. O terreno 
de pesquisa foi o Curso Normal Médio – Formação de Professores Guarani e 
Kaiowá - “Ára Verá” e o Curso de Licenciatura InterculturalIndígena “Teko 
Arandu”, contando com a contribuição dos jovens professores Guarani e 
Kaiowá, especialmente da Aldeia Te’ýikue, município de Caarapó, Mato Grosso 
do Sul. 
 
Palavras-chave: Guarani e Kaiowá; Juventude; Educação escolar indígena. 
 
 
 
 
 
 
 
 
OS GUARANI KAIOWA DA ALDEIA GUAPO’Y E O TRABALHO NOS 
CANAVIAIS 
 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
Elk Kelly Francismara Rodrigues 
elkkeller@hotmail.com 
 
Célia Maria Foster Silvestre 
UEMS/Amambai 
celiasilvestre@uems.br 
 
UFGD? 
RESUMO: Este trabalho objetiva apresentar e discutir situações vividas por 
integrantes do povo Guarani e Kaiowá, trabalhadores nos canaviais. Existe um 
desconhecimento dos trabalhos desenvolvidos na aldeia e fora dela, que gera 
preconceitos. Por outro lado, essa forma de trabalho, conhecida como changa, 
causa impacto social na aldeia. A pesquisa procurou contribuir para dar 
visibilidade à atividade econômica entre os Guarani e Kaiowá, principalmente 
através do estudo a respeito das idas para o trabalho nos canaviais. Existem 
poucas pesquisas a respeito do tema, por não se reconhecer a importância 
econômica dos recursos gerados pelo trabalho dos indígenas. Essa invisibilidade 
também acontece em relação às condições de trabalho e às consequências para a 
vida do grupo familiar. Como sou Guarani Kaiowá e vejo o que acontece na 
aldeia, acredito que poderei contribuir para trazer informações e análises 
importantes sobre o assunto. A metodologia usada para a pesquisa foi a 
etnografia, dialogando com autores que desenvolvem pesquisas entre meu povo, 
como Katya Vieta, Levi Pereira e Antônio Brand. 
 
Palavras-chave: Guarani e Kaiowá, trabalho, história contemporânea. 
 
MULHERES TERENA DA ALDEIA BREJÃO T.I. NIOAQUE: 
CONSTRUÇÃO SOCIAL E DE GÊNERO 
 
Daniele Lourenço Gonçalves 
Amon-Rá Antunes Bandeira de Melo 
 
RESUMO: O presente trabalho visa pesquisar, através das histórias de vida de 
mulheres Terena da Aldeia Brejão, do município de Nioaque, como são 
construídas as relações sociais e de gênero nesta comunidade. Sabe-se que 
durante muito tempo às mulheres Terena eram delegadas apenas tarefas 
relativas ao ambiente doméstico e xamânico, porém esse quadro sofreu 
alterações, levando estas mulheres a participarem do contexto público e de 
papeis ocupados tradicionalmente por homens. 
 
PALAVRAS-CHAVE: Gênero, Construção Social e Mulheres Terena. 
 
 
 
 
 
MITÃKARAI: BATISMO DE CRIANÇAS GUARANI ÑANDEVA NO 
TEKOHA POTRERO GUASU, MUNICÍPIO DE PARANHOS, MS 
 
Davi Benites 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
 
RESUMO: Esta pesquisa vem sendo desenvolvida na aldeia Potrero Guasu que 
fica na fronteira Brasil e Paraguai, no município de Paranhos, Cone sul do Mato 
Grosso do Sul. O que me motivou a realizar esta pesquisa, foi uma observação 
que realizei e que desenvolvi uma preocupação sobre a mudança de 
comportamento de crianças e jovens no passado e atualmente. Segundo o Sr. 
Manuel Alegre Pires, de 74 anos de idade, morador da aldeia disse que as 
crianças e jovens do passado não são como hoje, porque tem nome. Isso 
significa que passou pelo ritual de batismo, por isso se comportam bem. E os 
jovens de hoje só amam mais o que não é bom, por ex: drogas, bebidas 
alcoolicas, suicidio, rebeldia, estupro etc. Através dessa pesquisa, quero junto 
com a comunidade entender que se procurarmos, podemos recuperar, mesmo 
que não totalmente, através das conversas com os mais velhos, e com os mais 
jovens, buscar um caminho de paz em nosso tekoha, e assim, valorizar e refletir 
para ser como um guia, rumo ao teko porã. 
 
PALAVRAS-CHAVE: educação tradicional guarani, ritual, batismo de 
crianças 
 
 
 
A SAÚDE DA MULHER KAIOWA NOS DIAS ATUAIS NA 
PARAGUASU 
 
Janes Romero 
 
RESUMO: A mulher Kaiowa em Paraguasu nos dias de hoje optam mais pelos 
medicamentos dos não indígenas. Entretanto, isto não acontece de modo 
tranquilo, mas sim em virtude da pressão exercida pela SESAI e pelos seus 
agentes indígenas na Paraguasu para que as mulheres sejam atendidas e 
medicadas via hospital, e não mais em casa ou com rezador como era 
antigamente. Mas será que esses medicamentos estão trazendo benefícios para 
a saúde da mulher Kaiowa? No ymaguare, o tempo dos avós, as crianças 
nasciam com apenas 2 kg e as de hoje nascem com 3 a 5 kg, por que isto 
acontece? Em razão disto, as mulheres estão tendo seus filhos através do parto 
cesárea, mas será que a cesárea é boa para a saúde da mulher kaiowa? Há 
muitas variedades de remédios caseiros existentes, remédios nativos que 
substituem os remédios brasileiros, mas há um maior consumo de remédio 
brasileiro pelas Kaiowa de Paraguasu. Estas reflexões surgiram, pois, tive um 
parto natural de gêmeos, e isto fez que com que eu me interessasse pela 
temática e quisesse investiga-la na minha comunidade. 
 
PALAVRAS-CHAVE: Mulher Kaiowa, saúde, parto. 
 
 
 
DIFICULDADES DAS MULHERES GUARANI E KAIOWA PARA 
CONCLUIR OS ESTUDOS 
Kelly Duarte Vera 
 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
RESUMO: Resumo: esta pesquisa surgiu a partir da observação de muitas 
meninas que não conseguem terminar seus estudos, principalmente o ensino 
médio. E também da dificuldade que eu passei dos desafios para terminar 
questão da distancia do preconceito na escola não indígena da minha trajetória. 
O estudo começou no ano de 2012 na aldeia Paraguasu onde conclui a educação 
básica. Atualmente resido na aldeia Bororó em Dourados-ms, onde percebi a 
mesma dificuldade. Dialoguei com algumas meninas quais as dificuldades que 
elas encontram na escola, conversei com uma senhora que falou da importância 
da educação tradicional e de respeitar os mais velhos. Escolhi esse tema, pois é 
importante saber qual a realidade e dificuldade que se encontram dentro da 
escola. Dentro desta pesquisa pude dialogar com elas e falar da importância de 
terem mais participação dentro da reserva em reuniões e encontros para assim 
elas terem conhecimento de como funciona as questões sociais da realidade 
onde ela s vivem, e assim de fato possam escolher naquilo que gostam para 
poder servir seus parentes na reserva. No final do trabalho pude perceber que 
elas se sentiram muito bem, e falaram da importância de abordar essa questão 
para jovens da escola. 
 
PALAVRAS-CHAVE: mulheres indígenas, trajetória de vida, dificuldades no 
estudo 
 
NOTAS SOBRE SEXUALIDADES E MODOS DE RESOLUÇÃO DE 
CONFLITOS ENTRE OS KAIOWA E GUARANI 
 
Lauriene Seraguza 
Doutoranda em Antropologia Social pelo PPGAS/USP 
 
 RESUMO: Neste texto pretendo observar modos de resolução de conflitos 
relacionados a sexualidade percebidos em alguns contextos específicos entre os 
Guarani e Kaiowa em Mato Grosso do Sul. Estima-se hoje que a população 
Kaiowa e Guarani ultrapasse as 50 mil pessoas, vivendo em mais de 90 áreas, 
sendo elas reservas, áreas em estudos (acampamentos/retomadas), áreas 
regularizadas e bairros urbanos. Estes conflitos relacionados a sexualidade se 
acirram em situações onde a tensão social perpassa por acusações de feitiçaria, 
de relações incestuosas e de violência sexual e aparecem, de modo latente, nas 
áreas de reserva ou situações de acampamentos, nas beiras de rodovias. Quando 
da proximidade da cidade destas áreas, inúmeras ações do Estado se voltam 
para a intervenção nestes conflitos, e também das igrejas, numa tentativa de 
intervir na organização social Kaiowa e Guarani, muitas vezes ignorando os 
modos específicos a cada área indígena de resolução de conflitos internos. É fato 
que tais situações, de reserva e acampamento, interferem nas relações de 
parentesco e ocasionam processos de desarticulação interna promovidos pelo 
Estado e resultam em violências múltiplasque são conectadas pelas pessoas 
kaiowa e guarani em geral como decorrentes das mudanças nos estilos das 
famílias (teko laja) no decorrer do tempo/espaço (ara). Desta forma, a partir da 
reflexão junto aos dados etnográficos registrados nesta população, etnografias 
sobre os Kaiowa, Guarani e Mbya e reflexões sobre sexualidade, política e 
relações de gênero entre os ameríndios, pretendo analisar situações etnográficas 
percebidas neste contexto e colocá-las em conexão para pensar os modos de 
resolução de conflitos internos adotados pelos Kaiowa e Guarani em situações 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
estratégicas com fins a escapar das intervenções dos não indígenas na vida 
cotidiana. 
 
Palavras-Chave: Mulheres Kaiowa e Guarani, Sexualidade, Mato Grosso do 
Sul, Política, relações de gênero. 
 
OS AVANÇOS DAS MULHERES TERENA NO CAMPO DE 
REPRESENTAÇÃO SOCIOPOLÍTICO. 
 
Lindomar Lili Sebastião 
Doutoranda em Ciências Sociais/Antropologia pela PUCSP. 
 
Resumo: O presente trabalho propõe descrever a atuação e os avanços da 
mulher indígena do grupo étnico Terena no campo de representação 
sociopolítico em suas comunidades, bem como as mudanças ocorridas ao longo 
do contato com a sociedade envolvente. A introdução da nova forma de 
organização trazida pelo purútuye- não indígena, a exemplo a implantação de 
Associações juridicamente legalizada como forma de interferência ao poder da 
liderança tradicional, a inserção das mulheres nos campos sociopolíticas e na 
hierarquia tradicional de composição exclusivo do homem, culminando na 
tentativa ao cargo de vereança. Esses avanços são papéis que lhes remetem ao 
protagonismo enquanto mulher indígena dentro e fora da sociedade indígena na 
contemporaneidade em que aos poucos elas conquistam voz e espaços. Além 
desses campos em que as mulheres vem conquistando, a inserção nas diversas 
instituições de ensino superior também tem sido um dos fatores relevantes para 
o protagonismo das Terena. No entanto, segundo Rodrigues (1994), o Terena é 
um povo oriundo do tronco linguístico Aruák, habitam o estado de Mato Grosso 
do Sul considerado o segundo estado do país a agregar maior número de 
população indígena, entre essa população, os Terena é composto em torno de 
vinte e três mil habitantes, dentre os aldeados (aqueles que residem em aldeias 
reservadas) e os desaldeados (aqueles que vivem nas cidades e em seu entorno). 
 
Palavras-chaves: Mulher Terena. Avanços. Protagonismo. 
 
GESTAÇÃO E PARTO NA PERSPECTIVA DAS JARÝI E DAS 
AGENTES INDÍGENAS DE SAÚDE (AIS) 
 
Mariana Pereira da Silva 
Mestre em Antropologia UFGD 
 
Neste artigo pretendo discutir algumas noções relacionadas ao cuidado sobre 
gestação e parto de mulheres indígenas Guarani e Kaiowá. Este trabalho foi 
realizado no diálogo com Jarýi e as Agentes Indígenas de Saúde (AIS), estas em 
alguns casos são parteiras ou em outros tem conhecimentos tradicionais 
relacionados ao parto advindos de suas relações com mães, sogras, tias e outras 
mulheres parteiras. Os discursos das mulheres mais velhas – jarýi (avós), 
também podem ser pensados, à luz ou sob a inspiração da noção de “itinerários 
terapêuticos”, ou seja, utilizados pelas mulheres indígenas, para acessar os 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
diversos mecanismos oferecidos pelas agências estatais. Os caminhos que elas 
percorrem até chegarem ao posto e aos profissionais de saúde, mostram uma 
gama de possibilidades dentro da própria comunidade. Assim, em relação aos 
cuidados com a saúde, em especial no tocante a gestação e parto, as mulheres 
indígenas estão nesse movimento de recriação de seus modos de fazer, que 
incluem elementos da biomedicina de modo a dar sentido aos procedimentos 
médicos aplicados ao seu contexto. Creio que há um longo caminho a percorrer 
no tocante a saúde indígena e seus atores, sejam eles AIS, parteiras, ñandesy, 
ñanderu, sejam eles os profissionais que trabalham nas áreas indígenas. Ao 
iniciar um movimento reflexivo posto neste artigo, a partir dos contextos de 
contato interétnico e de como são significados os encontros intermédicos, esse 
nos auxilie noutros caminhares. Dessa forma, busco dar continuidade aos 
estudos para compreender quais são as concepções das Agentes Indígenas de 
Saúde acerca da construção sobre o que é saúde, a partir, da descrição e 
percepção dos diferentes segmentos que há nas áreas indígenas. 
 
PALAVRAS-CHAVE: Intermedicalidade/Interculturalidade; Agentes 
Indígenas de Saúde; Mulheres; Guarani e Kaiowá. 
 
 
MULHERES KAIOWÁ E GUARANI: INVISIBILIDADE E 
PERTENCIMENTO 
Marlene Ricardi de Souza 
 
RESUMO: O trabalho ora apresentado diz respeito às mulheres Kaiowá e 
Guarani do estado do Mato Grosso do Sul, aos relatos dessas mulheres sobre 
suas trajetórias de vida, luta e sobrevivência, em meio a uma sociedade 
preconceituosa, a sul-mato-grossense. Os relatos aos quais nos referimos foram 
feitos/ditos pelas mulheres indígenas em ocasiões como: Aty Kunhanguê 
(Grande Assembleia das Mulheres Indígenas), na CPMI (Comissão Parlamentar 
Mista de Inquérito) da Violência contra as Mulheres do Senado Federal, que 
realizou oitiva e Audiência Pública no Mato Grosso do Sul e, na 4@ ação da 
Marcha Mundial das Mulheres (Movimento Feminista de atuação em âmbito 
internacional) em Dourados MS. O Mato grosso do Sul é o estado brasileiro com 
a segunda maior população indígena, e uma das unidades da federação que mais 
viola os direitos humanos e constitucionais dos povos indígenas que aqui 
habitam. A espoliação, a violência e as violações são uma constante há muitos 
séculos e continua a acontecer nos dias de hoje. Os Kaiowá e Guarani presentes 
no sul do estado e nos municípios em áreas de fronteira são os mais afetados 
por essa prática de violências, assassinatos e expropriação dos seus territórios 
ancestrais. Nesse contexto, as mulheres indígenas sofrem muitas privações, 
perseguições e violências. Essas mulheres são arrancadas de seus barracos no 
meio da noite, por tiros e fogo ateado em suas humildes moradias. Muitas vezes 
violentados, humilhadas, desassistidas. Todavia continuam a sua peregrinação e 
luta em suas aldeias, e nas áreas de retomada onde está o seu território de 
pertencimento: o seu Tekoha. A invisibilidade das vidas vividas por essas 
mulheres, das rezadoras (nhandesi), que são lideranças religiosas de suas 
comunidades, respeitadas por seu povo pela sabedoria, conhecimento e relação 
com a espiritualidade maior, às mulheres liderança das áreas de retomada. O 
objetivo desse artigo é visibilizar as mulheres indígenas que lutam 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
incessantemente enfrentando problemas em suas e de suas comunidades como 
a saúde, segurança, educação, violência doméstica e institucional. 
 
PALAVRAS-CHAVE: mulheres indígenas; invisibilidade; luta; CPMI da 
Violência contra as Mulheres; territórios tradicionais 
 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
"QUEM SOMOS “NÓS”? UM ENSAIO ANTROPOLÓGICO DE 
INSPIRAÇÃO FEMINISTA SOBRE “EUTRAS” NO ENSINO 
SUPERIOR" 
 
Nívia Mª T. dos Santos 
Licenciada em Ciências Sociais pela Universidade Federal da Grande Dourados 
– UFGD e Mestranda em Antropologia Sociocultural pelo PPGAnt/UFGD 
 niviatrindade01@gmail.com 
 
Fernanda S. Fernandes 
Bacharela em Arqueologia e Preservação Patrimonial pela Universidade Federal 
do Vale do São Francisco – UNIVASF e Mestranda em Antropologia 
Sociocultural pelo PPGAnt/UFGD arqueo.fsfernandes@gmail.com 
 
Noêmia S. P. Moura 
Doutora em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Campinas – 
UNICAMP. Docente no PPGAnt/UFGD 
 noemiamoura@ufgd.edu.br 
 
RESUMO: Este ensaio nasce de uma tentativa absolutamentemarginal de 
problematizar a questão de gênero no interior da teoria antropológica, de modo 
que seja possível mesclar autoras consagradas no desenvolvimento de uma 
antropologia de inspiração feminista com os dados etnográficos produzidos 
entre os Kaiowá e Guarani no Mato Grosso do Sul, bem como autores pós-
coloniais, vozes periféricas e poesia, eis que: um “isto”. O interesse com o 
experimento é pensar as relações de gênero entre esses coletivos étnicos fazendo 
ao mesmo tempo um exercício de auto-observação. A categoria mulher pode se 
pretender universalizadora? Em que consiste ser mulher para as mulheres 
Kaiowá e Guarani que estão em contexto universitário e em intenso contato com 
instituições interculturais? O que a antropologia tem a dizer sobre 
representação? Pode a disciplina potencializar outras formas de politicidade e 
de subjetividade? E de que forma outras áreas e outras pessoas podem nos 
ajudar a desenvolver uma “imaginação antropológica”? Tendo em vista que a 
produção do conhecimento é sempre política, nos permitimos uma 
desdisciplinarização, no intuito de acomodar “uma outra voz”. Nesse 
movimento, buscaremos não dizer “sobre elas”, mas “em relação com elas”. Por 
fim e frente ao exposto, o que se apresenta a priori é um esboço incompleto e 
repleto de fios soltos numa reflexão sem pretensões de um ponto de chegada, 
visto que o assunto é extremamente vasto. 
 
Palavras-chave: Gênero; Experimento; Licenciatura Intercultural 
 
A INICIAÇÃO FEMININA NO CONTEXTO ESCOLAR KAIOWA 
PANAMBIZINHO: MITÃ KUNHÃ IKOTY ONHEMONDYA 
 
Tania Fatima Aquino 
 
RESUMO: Esta pesquisa está sendo desenvolvida na terra indígena 
Panambizinho que fica no município de Dourados MS. O objetivo de fazer uma 
pesquisa é propor ações de iniciação feminina contexto escolar kaiowa, mita 
kunha ikoty onhemondya. As meninas indígenas kaiowa do Panambizinho a 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
partir de 11 e 12 anos de idade, quando aparecer os primeiros seios as mãe já 
avisa os pais pra ela poder parar de comer o alimentos de carne bovina e suínos 
e outros. E até as carne de animais. Ela somente pode comer só peixe lambari 
cozido e assado e arroz sem sal e sem óleo. Quando elas vem na escola para 
estudar as diretora e coordenadora e professoras e as merendeiras são avisados 
já. E na escola ela só come as frutas e bolachas sem sal. Isso ela espera ate vir a 
primeira menstruação. Quando ela já tiver menstruação ela avisa os pais e a 
mães já coloca 5 dias dentro da casa fechado, ninguém pode ver ela, só entra a 
mãe e leva comida e agua pro banho . Após 5 dias ela saem dentro da casa já 
com corte de cabelo, e com pintura no rosto com yrukum, os pais leva direto na 
casa do nhanderu, para fazer o jehovasa. Esse jehovasa é importante para não 
ter doença, dor de cabeça e a aquela doença epilepsia. Com a segunda 
menstruação, a menina volta de novo para dentro da casa só 3 dias. Depois de 
três dias ela já sai normal. Quando ela vai comer carne bovina, e carne suíno, e 
aves, tem que levar para o nhanderu fazer o jehovasa na carne para depois 
comer .A carne de tatu ela pode comer só com depois de dois anos .Depois de 
tudo com a fase de iniciação a menina kaiowa ela já e moça. 
 
PALAVRAS-CHAVE: mulher kaiowa, menstruação, ritual.
 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
NOTICIAS DO VALUTO: PRESENÇA E RESISTÊNCIA INDÍGENA NA 
BACIA DO RIO DAS CINZAS 
 
Aluizio Alfredo Carsten 
 
RESUMO: A região do valuto, como é referenciada na historiografia 
paranaense, diz respeito a bacia do rio Das Cinzas, localizada entre os vales do 
rio Itararé e Tibagi, no nordeste Paranaense. A historiografia que escreveu sobre 
a região, desconsiderou, e/ou ocultou as populações indígenas que habitaram e 
ainda habitam a bacia. Desde a década de 1950 que a ideia de Vazio 
Demográfico permeia os textos acadêmicos. No entanto, dados fornecidos pelas 
pesquisas arqueológicas registram ocupação desse território a no mínimo 
9630±40 anos AP. Além dos dados arqueológicos, foi possível evidenciar a 
presença indígena marcada em relatos de viajantes, documentos do Estado, 
notícias publicadas nos periódicos de época. A não presença dos povos 
indígenas na História tradicional dessa região demonstra que a ocultação dessas 
populações, não se deram ao acaso, ou por falta de informações, mas por 
questão ideológica, a serviço da colonização. Durante os séculos XIX e XX, 
houve uma intensa investida da sociedade nacional, sobre os territórios 
indígenas as margens dos rios Laranjinha e Cinzas. Apesar de todas as 
investidas contra seus modos de vida, e mesmo sobre suas vidas, os indígenas 
da etnia Guarani Nhandewa permanecem na região, ocupando terras 
demarcadas pela União, ou a espera de possível demarcação de novas terras. 
Além de aspectos históricos, a pesquisa aborda os atuais desafios dos Nhandewa 
da bacia do rio das Cinzas. 
 
PALAVRAS-CHAVE: Bacia do Rio das Cinzas, Populações Indígenas, Guarani 
Nhandewa, Paraná. 
 
 
ÁRVORES NATIVAS NO PIRAJUÍ 
Beatriz Véra 
 
RESUMO: Esta pesquisa foi desenvolvida na aldeia Pirajuí que fica no 
município de Paranhos, Mato Grosso do Sul. Um estudo dos nomes de tipos de 
árvores nativas que existem, saber o que representa para a comunidade e, em 
quais locais da aldeia, os tipos deárvores nativos e seus nomes na língua guarani 
português. Objetivo da pesquisa consistem em: a) colocar na escrita os tipos de 
árvores nativas que tem na aldeia Pirajuí e outros tipos que já desapareceu, ver 
o clima da região os tipos de clima durante umano; b) Conhecer, identificar os 
principais local de árvores nativas que são sagradospara a comunidade da 
região. Como procedimento técnico-metodológica, utilizou-se conversa com os 
mais velhos morador da aldeia Pirajuí e com os jovens e também foi utilizado os 
mapa antiga de Pirajuí. A importância de cuidados que as comunidades 
indígenas tem com a vegetação nativa de árvores em preservar. Durante a 
pesquisa foi visto como desafios a queimadas, o desmatamentos e as 
transformações vegetais com a presença de outras arvores não nativas. E uma 
aldeia indígena ainda muito rica em vegetação original, que preserva as encostas 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
dos rios, nascentes e solos. Assim podemos presenciar muitas plantas nativas 
dentro da aldeia Pirajuí. 
 
Palavras-chave: Reserva, Pirajuí e Árvores. 
 
LARVAS DE ARAMANDAY GUASU (Rhynchophorus palmarum 
(LINNAEUS, 1958)) COLEOPTERA: CURCULIONIDAE COMO 
ALIMENTO TRADICIONAL ENTRE OS GUARANI ÑANDÉVA, NA 
ALDEIA PIRAJUÍ, MUNICÍPIO DE PARANHOS, MATO GROSSO DO 
SUL: UMA VISÃO DE SEGURANÇA ALIMENTAR E 
SUSTENTABILIDADE SOCIAL 
 
Cajeteno Vera 
Biólogo na Coordenadoria Especial de Assuntos Indígenas de Dourados/MS. 
 E-mail: cajetanoverad@gmail.com 
 
RESUMO: Os povos indígenas do Estado de Mato Grosso do Sul possuíam 
territórios imensos. O processo de confinamento em terras pequenas 
inviabilizou a sustentabilidade dentro do modelo cultural de uso da terra que 
vinha sendo utilizado, com impactos na alimentação. Com esse novo modelo são 
detectados distúrbios alimentares como a desnutrição. Além da perda de seus 
territórios, houve assoreamento cultural, como as mudanças nos hábitos 
alimentares tradicionais. Um destes hábitos era o consumo de larvas de 
besouros. Para avaliar a possibilidade de utilizar esses conhecimentos, houve 
necessidade de recuperar as informações disponíveis através de entrevistas 
livres. Armadilhas, que se constituem em cortes de coqueiros foram usadas para 
atrair os besouros, coletar as larvas e capturar os adultos. Assim foi possível a 
identificação taxonômica e a análises bromatológicas. A obtenção das 
informações contou com o apoio da comunidade. Além de Rhynchophoruspalmarum foram também identificadas outras espécies, com Acrocomio 
aculeata (Larc) Lood. Identificada como planta hospedeira dos besouros. A 
composição bromatológica em base seca, das larvas coletadas no mês de 
setembro de 2010, mostrou elevado teor de gordura (43%) e proteína (23%) 
apontando para alimento altamente calórico. Os resultados obtidos confirmam 
o valor alimentar, pois, o teor proteico é equivalente ao encontrados em carne 
de aves e bovinos. Os indígenas dominam informações suficientes para retornar 
a esse recurso alimentar, como forma de estabelecer Segurança Alimentar, mas 
pode ser necessária reeducação alimentar para que o indígena Guarani não 
venha deixar de usar o alimento. As análises bromatológicas confirmam o que as 
literaturas já haviam descritas, que essas larvas são alimentos seguros. 
 
Palavras-chave: Indígenas Guarani, Etnoentomologia e Entomofagia 
 
 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
 
UMA ANÁLISE DA DINÂMICA SOCIAL DA RESERVA DE AMAMBAÍ 
POR VIA DE CONFLITO ENTRE 
AS FAMÍLIAS KAIOWÁ E GUARANI 
 
Celuniel Aquino Valiente 
 
RESUMO: As reservas dos Kaiowá e Guarani foram delimitadas no século 
passado através de projeto do governo federal. Elas foram criadas pelo Serviço 
de Proteção aos Índios-SPI entre 1915 e 1928, nos municípios de Dourados, 
Caarapó, Amambai, Tacuru, Paranhos, Japorã e Coronel Sapucaia. Nesses 
municípios criaram-se as reservas e, desse modo, agregaram no mesmo espaço 
uma heterogeneidade de grupos indígenas espalhados pelo Estado de Mato 
Grosso do Sul, expulsando-os de suas terras tradicionais. O superpovoamento 
da reserva acaba, nesse sentido, ocasionando diversas disputas e relações de 
conflitos. A reserva é uma sociedade, é uma figuração social que se 
fundamentou na perspectiva colonial, como já vimos acima o processo da 
construção da reserva, o impacto do resultado é conflito entre diversos grupos 
distintos entre si. O objetivo da pesquisa é estudar profundamente os conflitos e 
transformações em torno das famílias e grupos sociais Guarani e Kaiowá a partir 
das configurações da Reserva Amambaí. A pesquisa será realizada na Aldeia 
Amambaí, por via de entrevistas e pesquisa bibliográficas. Serão realizadas 
entrevistas com as famílias que residem em vários espaços da reserva e 
referenciais teóricos que discute o tema, com objetivo defazer acontecer às 
pesquisas teóricas e empíricas, a entrevista tem como objetivo de coletar as 
informações de dados objetivas e subjetivos. 
 
Palavras-chave: Guarani e Kaiowá; Reserva; Conflitos. 
 
ALTERAÇÕES DA PAISAGEM E TERRITÓRIO AMBIENTAL: UMA 
INTRODUÇÃO À INFLUÊNCIA NO ÑANDE REKO DOS GUARANI E 
KAIOWÁ 
Elâine Da Silva Ladeia 
FAIND/UFGD 
elaineladeia@ufgd.edu.br 
 
RESUMO: A abordagem etno-ecológica procura integrar ao estudo ecológico o 
conhecimento de como as populações percebem os recursos. A etnociência trata 
do estudo das percepções culturais do mundo e de como os indivíduos 
organizam essas percepções por meio da linguagem. Nesse sentido observamos 
que a natureza, e o ambiente em que está inserida no cotidiano das 
comunidades indígenas está intrinsecamente associada ao nande reko -modo de 
ser dos guarani e kaiowá, nela existem os jara – donos da natureza – estes de 
acordo com os etnoconhecimentos indígenas permitem ou não o uso dos 
recursos naturais para uso e sobrevivência das comunidades e seus indivíduos. 
LEFF(2012) define essa relação como ‘saber ambiental’ – que é o 
reconhecimento das identidades dos povos, suas cosmologias e seus saberes 
tradicionais como parte de suas formas culturais de apropriação de seu 
patrimônio de recuros naturais. Considerando a importância do ambiente para 
as comunidades indígenas Guarani e Kaiowá esse trabalho visa apresentar uma 
introdução sobre como as mudanças ambientais ocorridas nas aldeias indígenas 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
do Cone Sul de Mato Grosso do Sul, vêm provocando mudanças nos costumes 
tradicionais de alimentação, ritos culturais das etnias guarani e Kaiowá, bem 
como também na alimentação e jeito de ser desses indíviduos em suas 
comunidades. O trabalho introdutório foi realizado com os acadêmicos da 
Licenciatura Indígena Teko Arandu da FAIND/UFGD dentro das atividades de 
alternância realizadas no período de julho de 2015 a junho de 2016 em 14 
comunidades indígenas onde residem os mesmos, tendo sido realizados por 
meio de entrevistas com a comunidade escolar das aldeias, jovens, anciãos e 
mestres tradicionais. Os resultados obtidos de acordo com as entrevistas 
realizadas com os mestres tradicionais em particular, apontam que ao longo dos 
últimos 30-40 anos, o ambiente das comunidades sofreu muita alteração, 
considerando que em muitas delas a pré-existência da exploração de madeira 
para comércio, do uso de terras para agropecuária tornou o ambiente escasso de 
muitas espécies animais utilizadas para caça , diminuição de ervas e plantas de 
uso medicinal, alimentício e artesanal, bem como, trouxe danos as margens de 
rios, riachos e nascentes, acarretando problemas também quanto ao uso e 
disponibilidade de água nessas comunidades. Nessas terras, quando ocorre a 
formação de comunidades indígenas, o ambiente que já era prejudicado, foi 
sofrendo novas alterações e assim também alterando os costumes tradicionais 
desses indivíduos. 
O PROGRAMA MOSARÁMBIHÁRA: SEMEADORES DO BEM VIVER 
KAIOWÁ 
 
Eliel Benites 
Gilmar Galache 
Renata Oliveira Costa 
 
RESUMO: O Programa de Formação Mosarambihára teve sua discussão 
iniciada em um encontro realizado na Vila São Pedro (Dourados/MS) nos dias 
18 e 19 de novembro de 2013, quando um desenho inicial foi discutido entre as 
lideranças presentes. Esse primeiro desenho do programa oportunizou um tipo 
de formação diferenciada nas áreas de referência, inspirada na experiência de 
Caarapó com a Unidade Experimental ligada à Escola Indígena Nhandejara 
Polo, na aldeia Te’yikue, com mais de dez anos de trabalho de produção de 
alimento, como parte do currículo da escola. O acordo começou a ser negociado 
entre a UGP/GATI (Unidade Gestora do Projeto GATI – Gestão Ambiental e 
Territorial Indígena) e a ASCURI (Associação Cultural de Realizadores 
Indígenas), tendo sido assinada em julho de 2015. Durante um ano e meio de 
execução, o programa realizou diversos pré-módulos e módulos, seminário final 
e sistematização, assim como duas oficinas de audiovisual, uma em área Kaiowá 
Guarani e outra em área Terena. A atuação do Programa foi localizada nas áreas 
de referência do Projeto GATI: Terra Indígena Sassoró, Terra Indígena 
Jaguapiré, município de Tacuru e Terra Indígena Pirakuá, município de Bela 
Vista, além da Terra Indígena Te’yikuê, no município de Caarapó. Os 
mosarambihára são pessoas, geralmente jovens que se envolveram com o 
programa, por estarem mais sensíveis com a questão ambiental, da 
territorialidade e seus conflitos e da transmissão de conhecimentos tradicionais. 
O objetivo que guiou todas as ações foi compreender o processo histórico dos 
impactos ambientais sobre as terras e territorialidades indígenas e também o 
que significa todas essas questões na atualidade, ou seja, o que é a mata, a 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
floresta, as sementes, a agricultura na visão tradicional Kaiowá e Guarani. 
Assim, cada etapa do programa trouxe algum tipo de aprendizado sobre as 
articulações que devem ser feitas para o retorno (na grande maioria dos casos) 
ou a manutenção (em pouquíssimos casos) da sustentabilidade da vida nos 
territórios Guarani e Kaiowá. Todo planejamento feito pela equipe em algum 
ponto tornava-se orgânico e se modificava de acordo com as demandas, para 
que o módulo pudesse acontecer. Caso o planejamento fosse feito de uma forma 
que nãopudesse ser modificado, a equipe não teria conseguido realizar as 
atividades propostas. Nesse sentido, o presente trabalho pretende revelar 
alguns detalhes e possíveis recomendações para a continuidade do trabalho com 
os Mosarambihára. Igualmente pretende fazer uma análise sobre as 
contribuições do programa para com a gestão territorial das áreas Kaiowá e 
Guarani do Cone Sul do estado de Mato Grosso do Sul e para a compreensão de 
alguns aspectos da territorialidade indígena. 
 
TEKO, TEKOHA HA ÑE’� COMO FUNDAMENTO DA EDUCAÇÃO 
KAIOWÁ GUARANI 
 
Eliel Benites 
 
RESUMO: Este artigo discuti os fundamentos da educação tradicional Kaiowá 
a partir das experiência de vivenciar na escola indígena e nos espaços de 
formação dos professores Guarani Kaiowá na licenciatura Intercultural Teko 
Arandu. Tem como objetivo discutir a dinâmica da educação kaiowá na busca do 
teko araguyje (jeito sagrado de ser) partir da experiência de vivenciar com os 
mais velho da comunidade, do Movimento dos professores Guarani kaiowá. O 
artigo tem como foco central o teko (jeito de ser), no contexto da complexidade 
vivenciada pelos kaiowá como reserva e retomadas, contextualizando o processo 
da territorialização em diversos espaços submetido através da relação com seu 
entorno. 
 
Palavra-chave: educação kaiowá guarani, currículo e território. 
 
TERRA INDÍGENA TEKOÁ MIRIM: DISSONÂNCIAS ENTRE A FALA 
MBYÁ GUARANI E A VOZ DO ESTADO 
 
Fábio do Espírito Santo Martins 
 
RESUMO: A presença contemporânea do povo indígena Mbyá Guarani no 
litoral do estado de São Paulo enfatiza a necessidade de novas percepções que 
incidam sobre as relações entre eles e os juruá. Assim, é colocada a problemática 
a respeito da incompatibilidade entre os interesses sobre a ocupação da Serra do 
Mar, que, na atualidade se encontra praticamente toda circunscrita e integrada 
à espacialidade urbana, sobretudo, na Baixada Santista. Contudo, o Mbyá Rekó 
(o modo próprio de estar), mantém-se existindo, evidenciando a tendência da 
cultura de permanentemente reinventar-se. Então, este trabalho propõe 
evidenciar o processo de luta Mbyá no contexto da autodemarcação da Terra 
Indígena Tekoá Mirim, localizada no interior do Parque Estadual da Serra do 
Mar (PESM), localização esta, que fez com que as instâncias do Poder Executivo 
Municipal de Praia Grande, passassem a considerá-los invasores; além de 
corroborar para que os órgãos estaduais de proteção ambiental, principalmente 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
a Secretaria do Meio Ambiente, assumissem um posicionamento sobre a 
permanência dos Mbyá na Tekoá Mirim, que considera-a como contrária ao 
“corpus” legal que legisla sobre a ocupação humana nas Unidades de 
Conservação. Se iniciando deste modo, uma articulação político-administrativa 
para impossibilitar a continuidade dos indígenas no seu próprio território, 
ancestralmente ocupado e manejado de maneira equilibrada. Portanto, os Mbyá 
Guarani sabem de seus direitos constitucionais, e lutam para concretizá-los. 
Querem a acessibilidade plena a eles, o respeito à sua cultura e que se 
interrompa a opressão social, para que assim, se concretizem melhores 
condições de criação e recriação de seu Nhanderekó; condição esta, portanto, 
que ampliaria as possibilidades à existência das futuras gerações, esta sim, a 
preocupação fundamental dos mais velhos. 
 
Palavras-chave: territorialidades, mbyá guarani, protagonismo, 
autodemarcação. 
 
O AUDIOVISUAL COMO FERRAMENTA DE LUTA PELA GARANTIA 
DA RETOMADA DOS TERRITÓRIOS TRADICIONAIS GUARANI, 
KAIOWÁ E TERENA: A EXPERIÊNCIA DA ASCURI COMO 
FORTALECIMENTO DO JEITO DE SER DOS POVOS INDÍGENAS DO 
MATO GROSSO DO SUL. 
 
Gilmar Galache 
 
RESUMO: Para o saber comum da população é difícil conceber que haja Povos 
com saberes e línguas específicas e que estes lutam uma guerra diária para a 
sustentação de seu modo de ver e interagir com o universo. Em vários 
momentos a questão indígena é uma incógnita e as etnias são subjugadas ao 
conceito de raça. Teóricos, ao longo do tempo, permanecem tentando decifrar o 
que há de diferente no jeito de ser desses povos, com relação à sociedade 
dominante. Porém, vivemos um tempo bastante diferente daquele vivido 
quando os antigos referenciais teóricos foram construídos, aos quais as 
instituições de ensino superior no Brasil ainda teimam em se ater. Nos últimos 
50 anos, as políticas indigenistas tem se mostrado ineficazes na questão, 
resultando assim, num completo desastre na relação entre populações 
tradicionais e as sociedades envolventes. Equívocos à parte, nós indígenas 
vivemos hoje o resultado do desconhecimento do Estado e da aproximação de 
frentes que ocuparam essas lacunas, que por sua vez, trazem os antigos e piores 
conceitos de relações para as comunidades indígenas. Igrejas, política partidária 
e suas influências na gestão pública deixaram marcas irreparáveis no jeito de ser 
indígena. Nessa conjuntura, nossa geração veio sendo cunhada. De um lado as 
relações que nossos pais e avós mantinham com a sociedade envolvente; de 
outro, a sustentação do jeito de ser. Para alguns, um lado dessas forças acabou 
ganhando mais espaço, onde, infelizmente, o modo de ser do não-indígena 
gerou mais possibilidades de sobrevivência. Um fator importante para essa 
mudança de perspectiva foi o distanciamento das relações internas nas 
comunidades. A oralidade, por exemplo, sempre presente no cotidiano e atuante 
como difusor do saber ancestral, passa cada vez a ter menos importância. 
Partindo desse pressuposto, a ASCURI – Associação Cultural de Realizadores 
Indígenas, que desenvolve ações que vão desde oficinas de audiovisual 
internacionais, em parceria com a ECA – Escuela de Cine y Arte de La 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
Paz/Bolívia, à produções locais de filmes independentes que revelam esse modo 
de olhar o mundo, e que atua no fortalecimento do próprio Povo, e também na 
conscientização da sociedade não-indígena que mesmo com tantos anos de 
convivência se mantem aquém do entendimento profundo das relações. O 
presente trabalho traz uma reflexão sobre esse novo tempo, onde os indígenas 
do Mato Grosso do Sul, mais especificamente Terena (que predominam na 
região oeste do estado), e os Guarani e Kaiowá do Cone Sul do estado, divididos 
geograficamente pela Serra de Maracajú, ilhados em meio ao agronegócio voraz, 
utilizam as mesmas novas mídias do não-indígena, trazendo à tona a 
invisibilidade de séculos de colonização e criando estratégias de fortalecimento 
do jeito de ser inconscientemente adormecido, por décadas de bombardeamento 
midiático hegemônico. 
 
 
COMUNIDADE INDÍGENA APYKA’I: FORMAS DE ACOMODAÇÃO E 
PRECONCEITO 
 
Hildyanne Teixeira, hildyanne 
 Discente do curso de Ciências Sociais da UFGD – Dourados; 
PIBIC/UFGD 
(hildy-tc@hotmail.com); 
 
Aline Castilho Crespe 
Docente do curso de Ciências Sociais da UFGD, Dourados 
(alinecrespe@hotmail.com) 
 
RESUMO: O Mato Grosso do Sul é o segundo estado com maior população 
indígena do país e onde vive a maior etnia em termos numéricos, os índios 
Kaiowá. Estes grupos estão localizados na parte sul do estado, onde também 
está o município de Dourados, onde foi realizada a pesquisa. A cidade de 
Dourados tem a maior reserva indígena do país, com uma população de quase 
quinze mil habitantes. A Reserva Indígena de Dourados, criada pelo Serviço de 
Proteção aos Índios na década de 1910, está hoje cercada pela cidade e pelas 
fazendas. Fora de seus territórios tradicionais, conhecidos como tekoha, e 
dentro da reserva, os índios da etnia kaiowá encontram hoje dificuldades para 
se acomodarem no pequeno espaço demarcado e para darem continuidade aos 
modos de produção da vida possíveis no território indígena. Assim, para muitas 
famílias,a reserva não é vista como um bom lugar para viver, por conta da falta 
de espaço, da dificuldade para plantar, das situações de violência, entre outros 
motivos. Desse modo, algumas famílias indígenas procuram outros locais para 
se acomodarem, como a periferia da cidade de Dourados e as áreas de 
retomada, localizadas em todo entorno do município. Nesses locais de 
acomodação alternativos à reserva e próximos da cidade eles encontram mais 
acesso a empregos e serviços. Entretanto, apesar dessa relação de proximidade 
entre a população indígena e a população não indígena, essa situação tende a 
aumentar o preconceito étnico contra a população indígena. Para tratar sobre 
este tema realizei uma pesquisa em uma área de retomada denominada Apyka’i, 
localizada na BR 463, no município de Dourados. Na pesquisa pude fazer o 
mapeamento da população indígena no referido local, levantar dados sobre as 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
condições de acomodação destas famílias, entender as motivações que levam as 
famílias a estarem lá, bem como, sobre as situações de violência e preconceito 
em que muitas vezes são submetidos. 
 
Palavras chaves: Reserva Indígena. Kaiowá. Formas de acomodação. 
Dourados. 
 
ETONOMOTÂNICA: FINALIDADE DE USO DAS ESPÉCIES 
PRESENTES NOS QUINTAIS AGROFLORESTAIS DA RESERVA 
TE’YIKUÊ, CAARAPÓ – MS 
Jerusa Cariaga Alves 
Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Seropédica, RJ 
 
Resumo: Com a intervenção do Estado brasileiro nos Territórios Tradicionais 
Guarani e Kaiowá acarretou drásticas mudanças no modo ocupacional, 
realocando a etnia de forma compulsória em áreas delimitadas e ínfimas. A 
limitação do transito das pessoas e a nova política produtiva embasada na 
monocultura gerou grande fragilização no modo de ser e viver desse povo, 
impondo lhes uma nova relação com o território e a paisagem. Ao passar dos 
anos e em decorrência dessa política houve uma redução expressiva na 
biodiversidade das áreas indígenas, que passaram de exuberantes matas para 
atualmente serem compostas principalmente por espécies exóticas de 
gramíneas. Algumas famílias indígenas com apoio de projetos iniciaram 
discussões que tinha como primordial tentar reestruturar seus sistemas 
produtivos e embasados nas lembranças de suas áreas tradicionais antes da 
realocação nas aldeias iniciaram seus “micro tekoha” as quais caracterizamos 
como sendo Sistemas Agroflorestais devido a sua semelhança de estruturação. A 
presente pesquisa foi realizada na Reserva Indígena Te’yikuê que está localizada 
no município de Caarapó – Mato Grosso do Sul, Brasil. O trabalho foi conduzido 
a partir de entrevistas mistas semi - estruturadas in locco, no intuito de 
caracterizar os Sistemas Agroflorestais (SAFs), no período de agosto de 2014 a 
março de 2015. Tendo como base a metodologia de pesquisa "bola de neve" 
(snowball) associadas à técnica da turnê – guiada realizada em parceria com os 
mantenedores dos quintais. O presente estudo teve como objetivo gerar 
informações sobre os aspectos relacionados a finalidade de uso de todas as 
espécies presentes nos SAF caracterizando as como: alimentícias; ambientais; 
ornamentais, energéticas, madeireira e ritos tradicionais; com ou não a 
presença de animais. Segundo a pesquisa foi possível identificar dezenove SAFs 
sendo que todas estes foram implantadas ao entornos das casas das unidades 
familiares (UDF) Guarani e Kaiowá em virtude da necessidade levantadas pelas 
famílias de uma re-construção de paisagem após a antropização das áreas 
“micro tekoha”, foram encontrado 84 espécies vegetais, pertencentes a 68 
gêneros e 35 famílias e 5 espécies animais com principal finalidade principal de 
uso alimentar. 
 
Palavra-chave: paisagem; segurança alimentar; florestas nativas; 
conhecimento tradicional; segurança alimentar. 
 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
 
ETNOGRAFIA DAS CRIANÇAS KAIOWÁ DA ALDEIA LARANJEIRA 
ÑANDERU: A IMPORTÂNCIA DO TERRITÓRIO PARA A RETOMADA 
DAS PRÁTICAS CULTURAIS 
Jéssica Maciel de Souza 
Antonio Hilario Aguilera Urquiza 
 
Resumo: O presente texto é fruto de pesquisa de mestrado (PPGant/UFGD) 
em andamento, e tem como proposta apresentar o esboço de um estudo 
etnográfico sobre e com crianças Kaiowá em situação de acampamento na 
região sul do Estado de Mato Grosso do Sul, especificamente na aldeia 
Laranjeira Ñanderu, localizada no município de Rio Brilhante/MS. Esta 
proposta busca mapear e entender as relações estabelecidas com a terra, 
conhecer as violências sofridas pelas crianças Kaiowá e a relação destas com o 
meio em que vivem, e a atual retomada das práticas culturais. Essas crianças 
passam por situações de conflitos antes e durante o processo de retomada da 
terra, estabelecem processos de aprendizagem, dentre elas, a aprendizagem da 
própria cultura, a qual os indígenas chamam de retomada cultural. Encontram-
se em situação de grande precariedade em termos de garantias de direitos: 
sofrem com a falta de condições de saúde, educação, alimentação e, passam por 
um constante processo de aprendizagem, ou seja, as crianças seguem 
aprendendo, recebendo ensinamentos dos mais velhos em relação às práticas 
culturais Kaiowá. O objetivo desta pesquisa é conhecer e descrever este universo 
das crianças indígenas que vivem em situação de acampamento e fazer uma 
etnografia do seu cotidiano, conhecer os caminhos percorridos por elas dentro 
deste ambiente, observando e destacando as mesmas como produtoras de 
conhecimento. 
 
Palavras-chave: Território; Situação de Acampamento, Retomada, Crianças 
Kaiowá. 
 
 
O NOSSO LUGAR É TUDO ISSO, O QUE A GENTE VÊ E NÃO 
VÊ! O TEKOHA PARA OS GUARANI E KAIOWÁ EM DIÁLOGO COM 
O CONCEITOS DE TERRITÓRIO 
 
Juliana Grasiéli Bueno Mota 
E-mail: julianamota@ufgd.edu.br 
 
RESUMO: A seguinte frase, “O nosso lugar é tudo isso, o que a gente vê e não 
vê”, foi narrada por uma senhora Kaiowá, com aproximadamente 65 anos, ao 
explicar o significado da palavra tekoha durante uma Aty Guasu, 
no acampamento-tekoha Passo Piraju. Durante sua explicação esclareceu que 
“o tekoha é o lugar que a gente retoma”. “A gente lembra né. Tekoha é retomar 
nosso lugar de origem”. Tekoha é o território nosso né”. O objetivo deste artigo é 
discutir, refletir e compreender alguns aspectos da categoria nativa tekoha em 
diálogo com o conceito de território de Rogério Haesbaert (2009), como 
possibilidade de desvendar os sentidos, os significados e as estratégias políticas 
dos povos Guarani e Kaiowá em Mato Grosso do Sul, que perpassam, 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
consequentemente, as atuais formas de imaginar e reinventar os territórios 
étnicos ancestrais. Os procedimentos metodológicos foram construídos através 
de nossa experiência em trabalho de campo, por meio da observação 
participante e entrevistas em profundidade, que nos têm permitido aprender 
com os povos Guarani e Kaiowá e refletir sobre os avanços, limites e desafios de 
imaginarmos as possibilidades e desafios de compreensão do tekoha. 
 
DIVERSIDADE DE POVOS E FORMAS DE PRESENÇA INDÍGENA NO 
TERRITÓRIO DO CRAS VIDA NOVA, EM CAMPO GRANDE- MS. 
 
Norivalson da Silva Vieira 
Graduando Serviço Social 
UCDB 
 
Estela Márcia Rondina Scandola 
 
RESUMO: O tema deste trabalho trata da presença de indígena no território 
urbano de Campo Grande-MS, especificamente na periferia do bairro Vida Nova 
Região do Segredo. O estágio em Serviço Social na Política de Assistência Social 
possibilitou visibilizar a presença dos indígenas no território do CRAS/ Vida 
Nova. Posteriormente, tanto nos registros do CADÚNICO como nos 
atendimentos, novas formas de presença foram sendo observadas e 
consideradas. A presença de indígenas na zona urbana já foi compreendidapor 
muitos como uma forma discriminatória e, portanto, de não ser mais indígena, 
chamando-os de desaldeados, aculturado, integrado e, com isso, não 
destinatário da garantia de direitos de equidade. A Política Nacional de 
Assistência Social – PNAS tem a visão de indígenas nas aldeias tradicionais e, 
não reconhece a presença indígena ou, reconhecendo, não registra a diversidade 
étnica e de formas de presença. As conquistas da Constituição Federal de 1988 e 
da Convenção 169 da OIT garantem aos indígenas o respeito à cultura, valores e 
autodeterminação. Por isso, o objetivo desse artigo é “descrever a diversidade 
dos povos e formas de presença indígena no território do Centro de Referência 
de Assistência Social – CRAS / Vida Nova “Henedina Hugo Rodrigues”. A 
metodologia da pesquisa é qualitativa, a coleta de dados foi realizada nos bancos 
de dados oficiais, documentos institucionais do CRAS Vida Nova, em artigos 
científicos sobre o território e nos documentos do estágio em Serviço Social, 
especialmente o diário de campo. Os dados foram organizados em dois temas: 
formas de presença e diversidade étnica no território. A análise está baseada nos 
fundamentos do Serviço Social. Os resultados indicam que na área adstrita do 
CRAS Vida Nova, já foram identificadas: Aldeia Urbana, Acampamento, 
Comunidade Indígena em conjunto habitacional, agrupamentos familiares em 
bairros, famílias em conjuntos habitacionais e indígenas vivendo em famílias 
mistas ou não indígenas. Sobre a diversidade étnica, os depoimentos e dados 
oficiais indicam que vivem Guarani, Kaiowa, Kadiweu, Guató e Terena, sendo 
este último, o povo com maior número de presença. As considerações finais 
apontam que o estágio em Serviço Social e a atuação profissional comprometida 
com o projeto ético-político da categoria é uma possibilidade concreta de 
visibilizar as diversidades étnicas nos territórios em que atuam. As políticas 
públicas e a atuação profissional com povos indígenas podem ter significativos 
se considerarem a diversidade étnica e seus saberes como riqueza a ser agregada 
ao seu trabalho, garantindo a alteridade e apoiando a equidade de direitos. 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
 
Palavras-chave: Assistência Social, Indígenas Urbanos, Serviço Social. 
 
 
RELAÇÕES SOCIAIS TERRITORIAIS ENTRE INDIGENAS E 
ASSENTADOS 
 
Paulo Apolinario Bispo 
Lauriene Seraguza 
 
RESUMO: Este é um trabalho que será desenvolvido na Universidade Estadual 
de Mato Grosso do Sul e tem como objetivo principal a pesquisa na Aldeia 
Indígena Jaguapiré e Assentamento Vitoriam da Fronteira localizada no 
Município de Tacuru Estado de Mato Grosso do Sul através de referencia 
bibliográfica e pesquisa de campo, tem como foco principal mostrar para a 
sociedade acadêmica como é realidade dos produtores rurais que ali vivem e 
quais foram as fases que os trabalhadores passaram para conquistar suas 
propriedades e como os dois grupos convivem atualmente. Quais os benefícios 
que o Assentamento Vitoria da Fronteira trouxe para o Município e para a 
aldeia buscando sempre o ponto positivo e o negativo entre os dois grupos que 
convivem praticamente no mesmo Território, mas com característica diferente. 
Atualmente a Aldeia Indígena Jaguapire possui aproximadamente 300 famílias 
de etnia Guarani/ Kaiowa onde os mesmo vivem da agricultura, caça e pesca e 
com a ajuda do Governo Federal/FUNAI e do Governo do Estado de Mato 
Grosso do Sul onde são distribuídas mensalmente cestas básicas para as 
famílias para complementar a renda. O Assentamento Vitoria da Fronteira 
possui atualmente 288 familias de assentados onde os mesmo sobrevivem da 
agricultura e da pecuária. A maioria de seus produtos é vendida na cidade, a 
produção de leite é vendida para as empresas de laticínios e também é vendido 
na cidade nas casas e comércios locais. 
 
Palavras - chave: Duas Historia mesma realidade. 
 
RECORDAÇÕES DA “INVERNADINHA”: JUSTIÇA CEGA EM TERRA 
DE ÍNDIO ONDE QUEM MATA É OS FAZENDEIROS 
 
 Rafael Allen 
 
Resumo: Este artigo apresenta um estudo sobre a história e a memória dos 
mais velhos da comunidade Terena da Terra indígena Buriti, localizada entre 
os municípios de Dois Irmãos de Buriti e Sidrolândia, estado de Mato Grosso 
do Sul. Trata-se de um trabalho que mais especificamente pretende registrar 
a história (Terena) e a memória dos Terena sobre seu próprio território, 
através da minha participação na tradicional festa de São Sebastião 
(momento importante em que fiz meu trabalho de campo). A aldeia de Buriti 
festeja São Sebastião, um santo cristão/católico em sua origem, esses Terena 
tem consciência de que isso não faz com que eles sejam menos Terena. Ao 
contrário, o reconhecimento como Terena inclui em seu arcabouço cultural 
São Sebastião, como elemento Terena. Este reconhecimento se dá mesmo 
frente a toda complexidade da sociedade nacional/ regional em que estão 
inseridos, e como sujeitos protagonizam sua história também a partir de 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
apropriações do mundo do ‘outro’, englobados e englobando-os. O foco 
central deste artigo não é sobre esta festa, mas é voltado à etnicidade Terena 
e sua concepção sobre o seu território, assunto transmitido pela tradição oral 
às novas gerações. É uma tentativa de revitalizar e ressignificar as histórias 
dos tempos dos avós. Na atualidade os Terena sentem cada vez mais a 
importância em produzir e socializar novos conhecimentos sobre sua história, 
transmitido dos mais velhos para as gerações mais novas através da 
oralidade. Assunto considerado relevante do ponto de vista da comunidade e 
também para a reivindicação de direitos tradicionais territoriais na 
atualidade. 
 
Palavras-chave: Violência indígena, História indígena, Índios Terena, 
Terra Indígena Buriti. 
 
MEMÓRIAS E PRÁTICAS TRANSFRONTEIRIÇAS DO POVO 
GUARANI 
 
Rayane Pereira G. Costa 
Estudante de História na Universidade Federal da Integração Latino-Americana 
(UNILA) rayanecosta.pg7@gmail.com 
 
Clovis Antonio Brighenti 
Professor de História Indígena na Universidade Federal da Integração Latino-
Americana (UNILA) clovis.brighenti@unila.edu.br 
 
 
RESUMO: O presente artigo tem como objetivo problematizar as construções 
historiográficas das fronteiras nacionais e as práticas do povo Guarani a partir 
dos estudos sobre as dinâmicas de mobilidade, territorialidade e espacialidade 
na região da tríplice fronteira entre Paraguai, Argentina e Brasil e seus desafios 
na perspectiva sócio cultural e a organização dos Estados Nacionais. 
Constatamos que as políticas públicas são aplicadas de maneira diferentes em 
cada Estado tendo em comum desrespeito as dinâmicas próprias do povo. Os 
limites impostos pelas fronteiras geram formas distintas de resistência, 
passando por processos de desafios diários com a questão da mobilidade, 
muitas vezes impedidos de cruzá-las ou tendo que depender da benevolência de 
guardas nas aduanas, já que é comum a visita a parentes nascidos em outros 
lugares. O principal desafio é com a territorialidade onde ocorrem as disputas 
diretas ou indiretas pela conquista e recuperação de suas terras originárias. 
Nesse cenário a construção da Hidrelétrica de Itaipu Binacional no início dos 
anos 80 do século passado, é um marco histórico no processo de violação dos 
direitos humanos com o alagamento de mais de 40 Tekoha em ambas as 
margens do rio Paraná. A população ficou confinada em pequenos territórios e 
cercados de interferências externas como o agronegócio. Nesse cenário, os 
Guarani da margem esquerda do rio Paraná passaram a ser considerados 
estrangeiros, cunhados de paraguaios, mestiços ou integrados, em desrespeito 
total a sua identidade. Nesse contexto, desenvolvemos um projeto de pesquisa 
com Iniciação Científica(IC) a fim de compreender historicamente esse 
contexto sobre como se configuraram as formas de colonização. Nossa 
metodologia será um diálogo permanente com os saberes e práticas Guarani. 
Ainda não há dados conclusivos, porém já identificamos elementos que 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
apontem para estabelecer metodologias de compreensão desses desafios na 
dimensão micro (tríplice fronteira) e macro (âmbito continental) que nos 
auxiliarão ver essa população em seu diferentes contextos, sem disjunção o 
desconexão e tampouco, não perceber as particularidades dos contextos. 
 
Palavras-chave: Mobilidade, Territorialidade, Espacialidade, Estados 
Nacionais e Guaranis 
 
 
O SARAMBI ENTRE OS AVÁ-GUARANI COMO VIA DE ACESSO 
PARA PENSAR ÁS 
DISPUTAS CONTEMPORÂNEAS DE DEMARCAÇÃO DE TERRAS 
 
Renan Pinna Nascimento 
 UNILA 
 
RESUMO: O presente trabalho busca brevemente tentar contribuir com as 
investigações sobre os processos de deslocamentos forçados, despojos, esbulhos 
e expropriação territorial dos Avá-Guarani no estado do Paraná, ao longo do 
século XX, em especial, processos decorridos entre as décadas de 40 e 80. 
Procuraremos então (re)contextualizar alguns períodos importantes que 
marcaram os esbulhos dos Avá-Guarani da região, assim como, expor a 
permanência ininterrupta desses que, ainda assim,continuaram no território 
tradicional. O conceito nativo de “sarambi” (esparramo) nos serve aqui como 
chave para acessar algumas das memórias dos Avá-Guarani em relação a esses 
processos de esbulhos no Oeste do estado de Paraná. Nos levando, a conhecer, 
tanto a lógica do “sarambi” quanto os fatores que influenciaram esses 
esparramos acontecer. Logo brevemente, o trabalho propõe conhecer e 
reconstruir parte da história do território Avá-Guarani e, os processos de 
esbulhos que sofreram, por conta da colonização industrial, assim como, a 
inundação do lago de Itaipu, e as políticas desenvolvidaspor órgãos indigenistas 
no século passado. Para isso, usaremos relatos dos Avá-Guarani que contam 
sobre o seu passado e, poderemos perceber como esses processos orientam o 
presente. Um trabalho que pretende ser uma síntese de um trabalho mais longo 
que envolve memória e etnografia. A partir desse trabalho, podemos vir tentar 
compreender, os atuais processos de conflito pela demarcação de terras e a 
resistência dos Avá-Guarani desde os acampamentos indígenas, localizados nos 
municípios de Guaíra e Terra Roxa. 
 
Palavras-chave: avá-guarani, sarambi, resistência, estado, memória 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
 
 
O PIBID INTERDISCIPLINAR NA ALDEIA GUAPO`Y – AMAMBAI 
 
Algacir Amarília 
 
RESUMO: O presente trabalho pretende apresentar ações desenvolvidas 
através do Programa Institucional de Bolsas de Incentivo à Docência – PIBID, 
Subprojeto Interdisciplinar, UEMS de Amambai, referentes ao período de 2014 
a 2016, na Escola Municipal Mbo´eroy Guarani Kaiowá na aldeia Amambai 
(Guapo’y), Amambai- MS, com estudantes de ensino fundamental do 9° ano. 
Essas atividades aconteceram nas aulas de História, envolvendo acadêmicos do 
curso de Ciências Sociais e História, tornando efetiva a proposta do PIBID 
interdisciplinar. O projeto propõe trabalhar temas relacionados à vida na aldeia, 
ao território e à territorialidade, à história da educação escolar indígena, 
educação indígena. Favorece um olhar sociológico, antropológico e histórico 
sobre a vida na aldeia Amambai (Guapo´y), através da escola. A comunicação 
pretende expor as atividades e os resultados alcançados em sala de aula. Estas 
atividades consistiram, entre outras, em elaboração de mapas, levantamento das 
histórias contadas pelos mais velhos e visita de antigos professores não-índios, 
que proporcionou entender a história da escola indígena e do nosso modo de 
vida – nhande reko. 
 
Palavras-chave: Educação Escolar Indígena; Guarani e Kaiowá; PIBID; 
Interdisciplinaridade. 
 
OBSERVAÇÃO DAS AULAS NA ESCOLA MUNICIPAL INDÍGENA 
ARAPORÃ NA ALDEIA BORORO, DOURADOS/MS 
 
Cleberson Ferreira 
 
RESUMO: As observações foram feitos nas 4 áreas de disciplina, onde foram 
observadas as aula de Língua Portuguesa, Língua Guarani, Artes e Educação 
Física. Nessa observação nas 4 áreas identifiquei duas questões problemáticas: 
na aula de português a professora não tem muito diálogo com os alunos, ou seja, 
a professora de certa forma trabalha bem, na verdade ela trabalha com tradução 
das duas línguas, português e o guarani, mas o problema é que ela não fala a 
língua materna, o guarani. E dessa forma não há muito diálogo entre a 
professora e alunos falantes da língua materna, o ensino de língua portuguesa 
como segunda língua ela desconhece. E a outra questão é na disciplina de 
Educação Física, onde o professor não é indígena e trabalha só preparando os 
alunos de 6ª ao 9ª ano para ensino médio, o conteúdo ministrado por ele é por 
semestre, com as seguintes atividades: vôlei, handball, futsal e basquete. O 
professor desconhece a Educação Física tradicional, ele não trabalha com esses 
tipos de conteúdo, ele diz que os alunos devem estar preparados para o ensino 
médio. Foram esse dois problemas que eu identifiquei. As outras duas 
disciplinas estão bem em relação ao ensino diferenciado na Escola Municipal 
Indígena Ara porã. 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
 
Palavras-chave: educação escolar indígena, ensino, língua guarani. 
 
PEDAGOGIA ARA KUATIA KARAI E ARA KUATIA KARAI REKO 
AVAETE GUARANI KAIOWÁ EMGUYRA , ARA KUATIA E NA 
PERSPECTIVA DA COMUNIDADE ALV DE AMAMBAI MS 
 
Delfino Borvão 
Pós-Graduação 
ESAP 
PROFESSOR 
 
RESUMO: O artigo tem pressuposto de uso de palavras que resulta a 
interpretação e tem por como pesquisa teórico-empírico, com gancho biográfico 
do povo e interfaces sob o olhar alfabetização e letramento do povo, com 
arranjos histórico, filosófico, sociais,cuja a proposição de fortalecimento, 
revitalização e valorização do processos de ensino e aprendizagem na 
caracterização de conciliar a educação familiar e escolar do povo Guarani 
Kaiowa local;Bem como consolidar a manifestação, reconhecimento de 
cidadania no território com pratica da interculturalidade na perspectiva próprio 
e realidade do povo Guarani Kaiowá da Aldeia Limão Verde de Amambai. 
Ressaltar no contexto de múltiplas inteligências e saberes da pedagogia 
Indígena dos Guarani /Kaiowá, e de conceitos método de Paulo Freire e 
Psicogênes e interface interligado a dimensão da espiritualidade, cosmologia 
como elemento pratico para a alfabetização , letramento e domínio na 
Oralidade, leitura, escrita e interpretação. A educação no mundo Guarani e dos 
não indígenas de obter resultado de letramento, termos indicadores do sucesso 
das nossas crianças no principio Dogmática e cosmológica de resinificar o bem 
viver , bem-estar indicadores para o processo de ruptura de ensino tradicionais 
do sistema para inserção de novas pratica de ensino aprendizagem por 
transdisciplinariedade e interdisciplinar com isso enxergar a auto estima, para 
sobressair terra sem males na terra dos homem na aldeia. 
 
Palavras Chaves: Pedagogia específicos-crianças Guarani/ Kaiowá –
Alfabetização -ritos/ mito por incorporar kuatia Karai reko avaete 
 
 
MATERIAL INDÍGENA 
Edimar Araujo 
FAIND/UFGD 
Te’yikue 
 
Vanessa Lescano Martins 
 
RESUMO: Angu’a (Pilão): Feito de madeira de cedro, peroba, aroeira, cortar 
tamanho desejado, deixar em pé ou deitado, dar cortadinha em cima com 
enxada ou facão, depois colocar argila na beirada para não queimar, galho cego 
colocar em cima e queimar. Ao terminar de queimar, repetir o processoaté 
chegar no tamanho profundeza desejado. Serve para socar milho, arroz, 
amendoim, ponta ceco de mandioca, coco, cana, remédio. Esse instrumento e 
muito importante, tem utilidade para comunidade da etnia kaiowa e guarani, na 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
geração passada e atual. São feitos pelo mais velho, mulheres e o homens. De 
acordo com a cultura, masculino ou feminina mais novo não pode fazer o pilão, 
por quando seu filho nascer não terá anu (tepichai’ ĩ). Pela necessidade nela as 
mulheres ensina menina desde cedo até certa idade para aprender usar o 
instrumento. 
Tapekua (leque): São feitos de dois galhos com folha de coquinho (Pindo), os 
dois são cortados no tamanho desejado colocando junto um de baixo dos outros, 
transando folha do lado direito da folha vai ao lado esquerdo e folha do lado 
esquerdo vai para direita, passando entre a folha. Até no final da ponta da folha 
ou até no tamanho desejado. Serve para acender fogo, colocar batata, mandioca, 
peixe assado encima dele. Tapekua pode ser feito por qual quer pessoa, desde 
que sabe ou se é ensinada por alguém, isso e muito importante para guarani e 
kaiowa para usar no seu dia a dia dentro de casa. 
Monde Reikua jovai (armadilha que pode pegar animais de dois 
lados da trilha):Para fazer essa armadinha e preciso encontrar trilha 
frequentado pelos animais. Cortar galho reto de tamanho desejado colocando no 
lateral direito e esquerdo no mínimo 1/5 metro de comprimento. Cortar uma 
madeira grande, pesado para colocar em cima, cipó ou casca de sangra d’água 
para amarrar suporte do lateral direito, esquerdo e de cima. Essa armadilha 
serve para pegar animais grandes, como: tatu, porco de mato, cutia, paca e 
veado. Pode ser feito por homem, desde do adolescente até ao homem adulto. 
Quando armadilha for feito não pode peidar, se não a caça cheira o peido, foge e 
não volte mais transitar na mesma trilha. 
 
CONHECIMENTO KAIOWÁ NO ENSINO DE MATEMÁTICA: 
PROPOSTA DE MATERIAL DIDÁTICO 
Edson Escalante 
Faculdade Intercultural Indígena - Universidade Federal da Grande Dourados 
(FAIND-UFGD, Aldeia Pirakua município de Bela Vista , MS, Brasil. 
edsonquinhonesescalante@gmail.com 
 
Maria Aparecida Mendes de Oliveira Faculdade Intercultural Indígena - 
Universidade Federal da Grande Dourados (FAIND-UFGD), Dourados, MS, 
Brasil. E-mail: liamendeso@yahoo.com.br. 
 
RESUMO: O ensino de matemática em escolas indígenas tem sido motivo de 
reflexão constante, dada à necessidade de se levar em consideração o lugar em 
que a escola está localizada. Mais ainda, que grupo cultural e que 
conhecimentos estes alunos trazem para as escolas. Também, falta de materiais 
desenvolvidos na língua guarani ou a partir dos saberes indígenas é uma 
realidade. Considerando aspectos da cultura Guarani Kaiowá, foi realizado um 
trabalho de pesquisa junto aos mais velhos da aldeia Pirakua, a partir dos 
conhecimentos sobre alguns animais. Na cultura Kaiowá alguns bichos, animais, 
podem trazer situações negativas para a vida, ou seja, azar. Como resultado da 
pesquisa foi desenvolvido um jogo do peixe (pira). Neste jogo além de serem 
trabalhados os tipos de animais e o papel de agencia destes animais na nossa 
cultura, podemos abordar conteúdos de matemática diversos. Este trabalho é 
resultante da atividade proposta no Projeto de Alternância, do curso de 
Licenciatura Intercultural Indígena-Teko Arandu da Faculdade Intercultural 
Indígena FAIND/UFGD, habilitação em Matemática, que tinha como objetivo a 
elaboração de material didático, para as aulas de matemática na escola indígena, 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
tendo como referência as práticas e saberes tradicional. Para a pesquisa 
conversamos com pessoas mais velhas da aldeia. Temos como referência a 
etnomatemática produzida nas práticas da cultura Kaiowá. Percebemos por 
meio da pesquisa a importância de valorizarmos os artefatos da indígenas para a 
elaboração de materiais para trabalhar nas escolas das aldeias. 
 
Palavras-chave: Animais de vida negativa; etnomatemática kaiowá; ensino de 
matemática; jogo. 
 
 
O ENSINO DE GEOGRAFIA: CAMINHOS PARA A 
INTERCULTURALIDADE NA EDUCAÇÃO ESCOLAR INDÍGENA 
 
Francieli de Oliveira Meira 
Professora da Secretaria de Estado de Educação do Mato Grosso do Sul – 
SED/MS 
Mestranda do Programa de Pós-graduação em Geografia (PPGG) da 
Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) 
E-mail de contato: francieliomeira@hotmail.com 
 
RESUMO: O presente artigo demostra práticas pedagógicas no ensino-
aprendizagem da disciplina de Geografia em escolas indígenas Terena de 
Nioaque/MS. Resultado de pesquisa que realizamos na Terra Indígena de 
Nioaque sobre o ensino de Geografia, em que o nosso objetivo foi verificar como 
ocorrem a construções dos conhecimentos geográficos nas salas de aulas e 
analisar como o ensino de Geografia vem sendo desenvolvido nessas escolas. 
Desta forma foi preciso um mergulho no local de atuação dos professores de 
Geografia. Sendo assim, selecionamos algumas práticas desenvolvidas por uma 
professora pesquisada. Apresentaremos alguns desenhos que foram realizados 
por alunos do Ensino Fundamental, que trazem cenas do cotidiano das aldeias 
Terena de Nioaque/MS aproximando da discussão sobre o conceito de lugar. 
Pelas imagens selecionadas, percebemos que os alunos procuram demonstrar 
diferentes lugares na aldeia: a escola, o posto de saúde, a roça, o rio e a pesca, as 
frutas, entre outros, e suas significações. Nesses desenhos estão presentes as 
relações estabelecidas com o seu lugar, o que influencia diretamente na 
formação da identidade desses sujeitos. Observamos nessas imagens a 
disposição dos lugares e os acontecimentos cotidianos vivenciados pelos alunos. 
Acreditamos que esses elementos contribuem significativamente para o ensino 
de Geografia, quando trabalhado pelo professor. Os desenhos apresentados 
foram elaborados por alunos do Ensino Fundamental (6º ao 9º ano) no decorrer 
de um trabalho realizado pela professora de Geografia durante a semana de 
comemorações do Dia do Índio. Nesse trabalho, os alunos deveriam demonstrar 
os diversos lugares da aldeia e o cotidiano da comunidade, para posterior 
exposição em um mural na escola. O objetivo era fazer uma apresentação das 
aldeias para os visitantes, que iriam assistir às diversas apresentações realizadas 
no decorrer da comemorações. 
 
Palavras-chave: Ensino de Geografia; Terena; Lugar; Interculturalidade. 
 
 
 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
APONTAMENTOS INICIAIS DA ANTROPONÍMIA KAIOWÁ 
 
Hemerson Vargas Catão. 
 Letras –UFGD 
 
RESUMO: Partindo do pressuposto que a Onomástica, conforme aponta Duboi 
(1997), é o ramo da lexicologia que estuda a origem dos nomes próprios, e que 
pode ser dividida em antroponímia, que trata dos nomes próprios de pessoa, e 
toponímia, que estuda as origens e a significação dos nomes de lugar, este 
trabalho tem como objetivo levantar, descrever e analisar os antropônimos 
Kaiowá do Cone Sul de Mato Grosso do Sul, visando entender o sistema de 
nominação do povo e suas relações com o meio ambiente e a cultura. Os dados 
foram levantados em pesquisa de campo na T.I. Panambizinho, Dourados - MS. 
Buscamos também na literatura antropológica, reflexões sobre o sistema de 
nominação desse povo, sendo de fundamental importância os trabalhos de 
Chamorro (1995, 2015). Trata-se de uma pesquisa em faze inicial, mas com 
resultados interessantes a serem compartilhados, por meio dos quais, podemos 
compreender um pouco mais dos aspectos histórico-culturais do povo Kaiowá e 
suas relações com o sistema de nominação. 
 
Palavras-chave: Onomástica ; Antroponímia; Antroponímia Kaiowá. 
 
AS CASAS DE REZA KAIOWÁDO PANAMBIZINHO: SABERES 
INDÍGENAS E EDUCAÇÃO ESCOLAR 
 Ivanuza da Silva Pedro 
Faculdade Intercultural Indígena/Universidade Federal da Grande Dourados 
(FAIND/UFGD), Aldeia Panambizinho, Dourados, Mato Grosso do Sul, Brasil. 
 
Maria Aparecida Mendes de Oliveira 
Faculdade Intercultural Indígena/Universidade Federal da Grande Dourados 
(FAIND/UFGD), Aldeia Panambizinho, Dourados, Mato Grosso do Sul, Brasil. 
 
RESUMO:A casa de reza tem muita importância para a comunidade Kaiowá, 
pois tradicionalmente é um lugar sagrado e é a casa do xiru (cruz sagrada), era 
um recinto de habitação, suficientemente espaçosa para abrigar dezenas de 
pessoas. É a partir de pesquisa realizada na aldeia indígena Panambizinho, 
município de Dourados-MS, que identificamos modos de saber relacionados as 
práticas de construção de uma casa de reza. Estas práticas estão, também, 
relacionadas as diferentes formas de medidas de superfície, área e 
comprimento, tempo e localização, presentes entre os Kaiowá do Panambizinho. 
Ou seja, uma étnomatemática dos Kaiowá do Panambizinho. No presente 
trabalho temos como objetivo apontar a importância da casa de reza (oga pysy 
terã ongusu) na cultura Kaiowá e destacar elementos das práticas de construção 
da casa que podem estar presentes no currículo da escola indígena para a 
introdução de conceitos matemáticos. A pesquisa aponta que as casas de reza 
nesta aldeia tem resistido, mesmo que resinificadas, no entanto, cada vez mais 
com dificuldade de manutenção destas construções, dada a degradação do meio 
ambiente. Acreditamos que a pesquisa sobre os saberes indígenas e a ação 
pedagógica em sala de aula é cada dia mais importante na construção de uma 
escola indígena que atenda as diferentes formas de saber presentes nas práticas 
de um povo. 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
Palavras-chave: Casa de Reza; etnomatemática kaiowá; ensino de 
matemática; escola indígena. 
 
ETNOGRAFIA ESCOLAR NA RESERVA INDÍGENA DE DOURADOS: 
A PROBLEMÁTICA DA LÍNGUA MATERNA 
 
Katia Regina Moura de Castro 
Mestranda no Programa de Pós-graduação em História/PPGH /UFGD. 
 
RESUMO: Com base na pesquisa que estou realizando, pretendo apresentar 
algumas reflexões no que tange à manutenção e ao fortalecimento da língua 
materna dos povos indígenas. Diante da complexidade existente na Reserva 
Indígena de Dourados, as línguas indígenas sofreram um grande impacto 
devido à pressão da língua portuguesa sobre o cotidiano indígena, seja laboral 
ou de simples convivência com o entorno. A Reserva Indígena de Dourados 
possui duas Aldeias: Aldeia Bororó e Aldeia Jaguapiru. Sua criação é resultado 
de um projeto evidente de colonização e civilização que desconsiderou as 
especificidades étnicas e culturais de cada povo ali confinado: Kaiowá, Guarani 
e Terena. Foi ainda estimulada pela política indigenista oficial a interação 
forçada com a sociedade circundante a fim de promover e acelerar a integração, 
especialmente dos Guarani/Kaiowá, aos costumes da sociedade local e nacional. 
Portanto podemos notar o quanto a vida interna nas aldeias foi e continua a ser 
influenciada pelo contato externo com os não índios, que com certeza interfere 
na língua materna falada, mas também pela ação da escola e de outros agentes, 
sejam religiosos, civis ou do estado brasileiro. Entretanto, como é possível 
perceber através da investigação em curso, a escola pode ser um espaço de 
revitalização das línguas indígenas, processo garantido pela Constituição 
Federal de 1988 e por políticas públicas para a educação escolar indígena, como 
a Ação Saberes Indígenas na Escola e cursos de formação específicos, como a 
Licenciatura Intercultural Indígena Teko Arandu e Normal em Nível Médio Ára 
Verá. 
 
Palavras chave: língua materna; educação indígena; escola. 
 
 
II MOSTRA CULTURAL GUARANI NHANDEWA: ESTRATÉGIAS DE 
ENSINO/APRENDIZAGEM ENTRE OS GUARANI NHANDEWA NUM 
CONTEXTO DE RETOMADA ENTRE OS INDÍGENAS DA TI YWY 
PORÃ/POSTO VELHO 
Leticia Fernandes 
 
RESUMO: A Terra Indígena Ywy Porã/Posto Velho localizada no município de 
Abatiá-PR, região Norte do Paraná é fruto de uma retomada realizada em 2005 
pelos Guarani Nhandewa do antigo Posto do SPI, criado nas margens do Rio 
Laranjinha nas primeiras décadas do século XX, no contexto da frente de 
expansão agrícola na região, teve suas terras totalmente usurpadas por 
fazendeiros locais por volta de 1960. Desde a retomada, vivem nesse local que 
compreende 03 hectares (sem áreas agricultáveis) cerca de 80 pessoas (ou 18 
famílias) que aguardam a demarcação desse território. Nesses 10 anos de 
retomada, a garantia da educação escolar tem sido um dos grandes desafios 
para os indígenas que residem nesse local, que enfrentam problemas 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
relacionados desde a falta de infraestrutura na escola, equipamentos e 
contratação de funcionários. Apesar das adversidades enfrentadas, para garantir 
a oferta de uma educação escolar indígena diferenciada e que leve em conta os 
aspectos tradicionais da etnia, no final do ano de 2015, a organização e 
realização II Mostra Cultural Guarani Nhandewa: “515 anos de luta, 10 
anos de história e nossos guerreiros continuarão”, numa parceria entre 
escola e comunidade, se constitui num exemplo de êxito da articulação de 
saberes tradicionais com a matriz curricular vigente. Realizada entre os dias 
11,12 e 13 de novembro de 2015, o evento contou com um grande número de 
visitantes e durante os três dias foram realizadas atividades como apresentações 
culturais, palestras, mostra e comercialização de artesanato, gincana cultural, 
trilha na mata, circuito de armadilhas e apresentações de atividades envolvendo 
outras escolas indígenas da região. A realização desse evento possibilitou que 
várias atividades, realizadas a princípio apenas no contexto da II Mostra 
Cultural, fossem incorporadas ao cotidiano escolar, possibilitando desse modo, 
o fortalecimento de seus aspectos culturais. 
PALAVRAS-CHAVE: Educação Escolar Indígena, articulação entre escola e 
comunidade, Mostra Cultural. 
 
“A GENTE SÓ COPIA”: CONCEPÇÕES SOBRE O ENSINO DE LÍNGUA 
PORTUGUESA EM CONTEXTO INDÍGENA 
 
Marina Oliveira Barboza Brandão 
UFGD 
 
Resumo: Este trabalho tem como objetivo apresentar os resultados de uma 
pesquisa que teve como finalidade diagnosticar, compreender e refletir sobre o 
ensino de língua portuguesa no contexto bilíngue de uma escola indígena de 
uma reserva indígena da região de Dourados/MS. A área tem uma população 
indígena bastante representativa, sendo que nas aldeias estão presentes 03 
etnias: Guarani, Kaiowá e Terena. Sabe-se que o Referencial Curricular Nacional 
para as Escolas Indígenas/RCNEI, bem como outros documentos oficiais sobre 
educação intercultural indígena apontam para a garantia de educação 
intercultural, bilíngue e diferenciada para a população indígena. Contudo, a 
escola onde a pesquisa foi realizada possui um público em que a maioria das 
crianças é falante da língua indígena, mas, ao ingressarem na escola, aos poucos 
vão aprendendo o português e deixando de falar a língua indígena na escola e na 
comunidade, o que vem ao encontro da realidade do ensino do português no 
Brasil, que sempre teve uma perspectiva homogeneizante. A língua caracteriza-
se como objeto de poder e identidade de um povo, entretanto, no contexto 
indígena, a imposição do português como língua única está muito presente. 
Neste trabalho pretende-se apresentar as reflexões sobre as práticas de ensino e 
concepções de ensino e aprendizagem de língua portuguesa presentes na 
comunidade analisada. Acreditamos que a reflexão sobre o modo de ver e tratar 
a língua implica em movimentos para a promoção de ações interculturais que 
promovam um olhar crítico sobre o tratamentoque se dá aos sujeitos bilíngues 
nas aldeias da região e sobre os preconceitos linguísticos que enfrentam. Assim, 
pretende-se colocar em evidência quais os conceitos de ensino de língua 
subjacentes nas escolhas e práticas docentes no contexto intercultural indígena 
da região. Nossa perspectiva teórica terá como norte as reflexões da Linguística 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
Aplicada e as pesquisas em educação escolar indígena e ensino de língua 
portuguesa como segunda língua. 
 
Palavras-chave: língua portuguesa; contexto indígena; ensino/aprendizagem 
 
 
EDUCAÇÃO ESCOLAR INDÍGENA: “FAZER FALAR O PAPEL” 
 
Marlene Gomes Leite 
Mestranda em Antropologia (PPGAnt)-UFGD. Bolsista: Capes. 
E-mail: marlenejuti@hotmail.com 
 
Laura Roseli Duarte 
Mestranda em Antropologia (PPGAnt)-UFGD. 
E-mail: laurapael@hotmail.com 
 
Thaianne Coral Fernandes 
Mestranda em Antropologia (PPGAnt)-UFGD. 
E-mail: thaianecoral@hotmail.com 
 
 
RESUMO: Este trabalho propõe uma breve reflexão sobre a educação escolar 
indígena como um movimento importante de “bricolage”, onde esse processo 
tornou-se para as famílias indígenas Guarani e Kaiowá um problema desafiador, 
provocando discussões sobre o “fazer falar o papel”. Assim a educação escolar 
foi entendida por algumas famílias como fonte de diversos saberes, prestígios e 
poder político dos não indígenas, um instrumento utilizado para entender os 
saberes não indígenas (BENITES, 2009). A escola que se tornou um espaço 
político nas aldeias, tem por finalidade responder as necessidades e demanda 
atual nessa constante caminhada, reforçando os conhecimentos tradicionais 
(BENITES, 2014). Para tanto, pensar a educação escolar, é pensar uma 
instituição originária dos povos não indígenas. Essa instituição introduzida pelo 
colonizador branco, por muitas décadas foi instrumento de dominação 
ideológica e opressão, uma “máquina de fazer brancos” precisamente por não 
valorizar a cultura e as línguas nativas existentes, impondo valores que não 
condiz com a realidade tradicional dos povos em questão. Somente a partir da 
Constituição Federal de 1988 o governo federal brasileiro, pressionado pelo 
movimento indígena e seus aliados, reconheceu a sociedade nacional como 
pluricultural, reconhecendo a organização social, os costumes, as línguas, as 
crenças e as tradições dos povos indígenas. No que tange a educação, ela 
assegurou que as comunidades indígenas utilizem suas línguas maternas e seus 
processos próprios de aprendizagem. Nesse sentido contemplamos algumas 
discussões dos professores indígenas do Teko Arandu, além de conversas com 
os professores da Escola Municipal Mbo’ero Arandu’i, localizada na aldeia 
Jarara município de Juti, MS, para abordar como se dá o processo educacional 
nessa localidade e o papel do professor indígena nesse contexto, contribuindo 
para o aprendizado acerca do tema em questão. 
 
Palavras- chave: Educação Escolar Indígena, Constituição Federal de 1988 e 
Professor Indígena. 
 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
 
A EFETIVIDADE DO ACESSO DE INDÍGENAS À EDUCAÇÃO 
SUPERIOR E OS DESAFIOS PARA A PERMANÊNCIA 
 
Maurício José dos Santos Silva 
 
RESUMO: Pesquisas apontam que o acesso de indígenas no cenário da 
educação superior tem crescido ano após ano, acredita-se que tal crescimento 
efetivou-se pela universalização do ensino fundamental e médio e das ações 
afirmativas voltadas para o ingresso e permanência nas universidades. Baseada 
em pesquisas bibliográficas e documental buscou-se compreender quais os 
caminhos traçados pelos indígenas ao longo de aproximadamente um século de 
educação formal e o recente acesso à educação superior, assim como as ações 
afirmativas ofertadas no Estado de Mato Grosso do Sul (MS), especificamente 
no município de Dourados – MS, visto que a cidade conta com 
aproximadamente 15 mil indígenas e duas Instituições de Ensino Superior (IES) 
públicas além de um Centro Universitário privado que proporcionam uma 
grande oferta de vagas para cursos de graduação em diversas áreas. O presente 
trabalho busca relacionar alguns programas e ações afirmativas ofertados aos 
estudantes indígenas na educação superior pelas IES e por outros organismos 
governamentais ou não governamentais a fim de favorecer a permanência 
destes nos cursos de graduação até sua conclusão e o processo de ressignificação 
identitária, uma vez que os indígenas deixam suas comunidades de origem, 
adentram no ambiente universitário e constantemente são desafiados a 
demonstrar sua capacidade intelectual, sua cultura e seu pertencimento étnico. 
 
Palavras-chave: Educação indígena; identidade; ação afirmativa. 
 
 
DESAFIOS E EXPERIÊNCIAS ENQUANTO ESTUDANTE INDÍGENA 
DE PÓS-GRADUAÇÃO 
 
Mbo'y Jegua'i - Clara Almeida Barbosa 
 
RESUMO: Meu nome é Mbo'y Jegua'i adotei um nome ocidental Clara Barbosa 
de Almeida para ser chamada mais fácil pela sociedade não indígena. Quero 
compartilhar um pouco minha história e experiências enquanto estudante 
indígena do Programa de PósGraduação em Integração Contemporânea – ICAL 
na Universidade Federal da Integração Latinoamericana – UNILA, em Foz do 
Iguaçu, PR. São muitos desafios enquanto estudante para entender a 
universidade e seu ensinamento de padrão ocidental; onde a instituição ainda 
não esta pronta para nos receber de acordo como somos, povos originários! 
Tento me adaptar com novo mundo onde eu vejo muitas coisas diferentes ao 
meu conhecimento nativo. Isso não significa que sou inferior aos demais que 
estudam comigo. No meu modo de ver, a universidade forma o aluno para 
disputar poder, para ser elite que tem autonomia para dominar o outro. 
Estamos na universidade para aprender a historia do ocidental, mas não para 
usar essa historia para nós. A universidade é apenas mais uma ferramenta que 
nos fornecem para uso cotidiano nas nossas comunidades, para voltar para as 
comunidades e trabalhar com os parentes Guarani Kaiowá e outras etnias no 
Brasil. Na universidade quem a maioria das pessoas chama de eles, somos nós, 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
povos originários, vistos como pessoas fora do mundo moderno, por isso sendo 
visto como inferiores. Quero dizer para eles que nós temos conhecimento que 
não se aprende na universidade, nem na escola, tem um saber indígena. 
Conseguimos nos adaptar ao mundo dos juruá, e eles não conseguem se adaptar 
ao nosso mundo, pois tudo é padrão, competitividade, poder. Espero que a 
universidade possa ser uma ponte, para pessoas que querem aprender, trocar 
conhecimentos, mais do que ter poder. Que seja um espaço prazeroso, e não um 
comércio. É o que espero da universidade, e quero compartilhar com os 
parentes que estão estudando seja nas reservas, nos acampamentos ou nas 
retomadas. 
 
Palavras-chave: educação indígena, universidade, saberes. 
 
 
MULTICULTURALISMO E DIVERSIDADE CULTURAL NA RESERVA 
INDÍGENA DE DOURADOS- RID 
Micheli Alves Machado 
Mestre em Educação 
 
RESUMO: Este artigo trata de uma reflexão sobre o multiculturalismo, que 
apesar de ser uma temática que esta na “moda” deve ser respeitada em cada 
povo e culturas distintas já que discute sobre a classe menos favorecidas. Traz 
uma discussão do multicultural entre o povo Guarani e Kaiowa da Reserva 
Indígena de Dourados (RID) relacionado à educação escolar. Trato também da 
interculturalidade, e do hibridismo cultural. O multiculturalismo como um 
fenômeno do nosso tempo, pois traz questionamentos e desafios, tais como o 
respeito à diferença e à diversidade. Mais para isso é necessário entender o que 
é cultura e diversidade cultural. 
 
Palavras-chave: Multiculturalismo, Cultura; Guarani e Kaiowá. 
 
 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI:DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
 
FORMAÇÃO CONTINUADA DE PROFESSORES: OS 
SABERES INDÍGENAS NA ESCOLA MUNICIPAL TEKOHA 
GUARANI 
 
Rejane A R Candado – UFMS /UCDB 
Doutoranda em Educação no Programa de Pós-Graduação Doutorado em 
Educação (UCDB). 
Linha de Pesquisa: Diversidade Cultural e Educação Indígena. 
Orientadora: Dra. Adir Casaro Nascimento. 
 rejanecandado@yahoo.com.br 
 
Resumo: Neste artigo faremos algumas considerações sobre programa “Ação 
Saberes Indígenas na Escola” desenvolvido na Escola Municipal Indígena de 
Educação Infantil e Ensino Fundamental Mbo’Ehao Tekoha Guarani - Polo, 
aldeia Porto Lindo, Japorã-MS. Este trabalho integra o projeto de tese em 
Educação, vinculado a Universidade Católica Dom Bosco, e ao Observatório da 
Educação. A Ação saberes Indígenas na Escola é um programa de formação 
continuada de professores no âmbito dos territórios etnoeducacionais, 
desenvolvido em parcerias com estados, municípios e instituições de Ensino 
Superior sob direção da Secretaria de Educação Continuada Alfabetização, 
Diversidade e Inclusão-SECADI/MEC. Dentre os objetivos do Programa 
destaco: a formação de professores indígenas da educação básica, bem como, 
oferecer subsídios e pesquisas que contribuam na elaboração de currículos, 
metodologias e processos de avaliação que atendam as especificidades dos 
processos de letramento, numeramento e conhecimentos dos povos indígenas, e 
a elaboração de materiais didáticos pedagógicos. A produção das informações 
foram referenciadas na etnografia pós-moderna em educação, através da 
pesquisa participante no acompanhamento das formações, nas observações e 
conversas com professores indígenas integrantes do Programa, da leitura de 
documentos oficiais e produções bibliográficas acerca do tema. As análises 
iniciais têm indicado para a vivacidade do conhecimento indígena, através das 
práticas pedagógicas, pois os professores fazem as suas escolhas, seja de 
conteúdo ou metodologia, a partir de suas epistemologias e dos pressupostos 
que a essa permeia, seja a religiosidade, e o desejo de educar um bom Guarani, 
desde a família a outros espaços educativos como a escola. 
Palavras-chave: saberes indígenas, tradução, educação escolar. 
 
EDUCAÇÃO INFANTIL INDÍGENA E AS LEIS QUE GARANTEM ESTE 
DIREITO 
 
Renata Silva de Souza/Universidade Federal da Grande Dourados 
 
Marta Coelho Castro Troquez 
 
Resumo: Este artigo é resultado do Trabalho de Conclusão de Curso de 
Graduação em Pedagogia1, que teve como temática a educação infantil de 
 
1 Sob a orientação da Professora Doutora Marta Coelho Castro Troquez. 
 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
crianças indígenas. A partir dos aportes da pesquisa qualitativa, procuramos 
investigar o que vem sendo discutido sobre a educação infantil indígena e como 
a comunidade indígena de Dourados vem se posicionando diante disso, 
especialmente, no que diz respeito à necessidade da oferta da Educação Infantil 
dentro da Reserva Indígena de Dourados, MS (RID). Para fundamentar a 
pesquisa, fizemos um estudo sobre a temática da educação escolar indígena e as 
Leis e diretrizes curriculares. A coleta de dados foi realizada por meio de 
entrevistas abertas na Escola Municipal Indígena Tengatuí Marangatú, situada 
na RID, onde foram entrevistadas 36 mães, um pai, 4 gestores, um diretor, uma 
coordenadora e 3 professores. Os resultados confirmam a necessidade do 
oferecimento de educação infantil das crianças indígenas da Reserva Indígena 
de Dourados. 
 
Palavras-chave: Educação escolar indígena; Educação Infantil Indígena; Pré-
Escola. 
 
 
EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE: ONDE CABE A DIFERENÇA? 
 
Rodrigo Novais de Menezes 
 
RESUMO: Este trabalho caracteriza-se como resultados preliminares da 
pesquisa desenvolvida no programa de pós-graduação em Antropologia na 
Universidade Federal da Grande Dourados. Com o intuito de evidenciar o 
processo de (in) visibilidade dos alunos indígenas no âmbito do cotidiano da 
escola Estadual Antônio Vicente Azambuja, localizada no distrito de Itahum na 
cidade de Dourados, por meio das analises de documentos legais da instituição e 
da observação participante de práticas educativas, assim como das relações que 
se estabelecem entre alunos\as indígenas com a escola (professores, 
coordenação, direção e funcionários no geral) e alunos/as não indígenas. 
Objetiva-se compreender a promoção da interculturalidade crítica no contexto 
das escolas públicas, procura-se questionar em que medida o modelo de 
educação pública ocidental ofertada nessa escola, considera e reconhece a 
diversidade étnica coexistente no cotidiano escolar. Alguns/as alunos/as 
indígenas são do acampamento indígena Guarani Kaiowá no entorno do distrito 
de Itahum, outros, residem no pequeno vilarejo que em sua totalidade 
concentra aproximadamente 4 mil habitantes. A partir da perspectiva da 
interculturalidade crítica (Tubino, 2005) e da descolonização epistêmica 
(Castro-Gomes, 2007) este trabalho busca evidenciar o modelo de educação 
ocidental, os mecanismos de dominação colonial, entremeados pelo discurso da 
interculturalidade funcional homogeneizador das diferenças. 
 
Palavras-Chaves: Educação escolar indígena, interculturalidade, 
descolonização. 
 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
 
A INTERCULTURALIDADE NA ESCOLA – A IMPORTÂNCIA 
CULTURAL PARA O SÉCULO XXI 
 
Rosane Gonçalves Costa Ozorio 
UFGD - Geógrafa e professora E.M.I Pa’i Chiquito-Chiquito Pedro da E.M. I Pa’i 
Chiquito-Chiquito Pedro E-mail: rosanecosta_ozorio@hotmail.com 
 
Bianca Gabrieli Marafiga 
Bióloga, mestre em Biologia Geral-Bioprospecção e professora da E.M. I Pa’i 
Chiquito-Chiquito Pedro. 
 
Eliane Aparecida Miqueletti 
Doutoranda e professora da Escola Estadual Floriano Viegas Machado. Professora 
gerenciadora das tecnologias (PROGETEC) da escola estadual Floriano Viegas 
Machado professora da E.M.I Pa’i Chiquito-Chiquito Pedro 
 
 
RESUMO: A interculturalidade é um processo que tem por base o 
reconhecimento do direito á diferença e a luta contra todas as formas de 
discriminação e desigualdade social”. Diferentes manifestações de preconceito, 
discriminação, diversas formas de violência – física, simbólica, bullying –, 
homofobia, intolerância religiosa, estereótipos de gênero, exclusão de pessoas 
deficientes, entre outras, estão presentes na nossa sociedade, assim como no 
cotidiano das escolas. A consciência desta realidade é cada vez mais forte entre 
educadores. Sendo assim, o intercâmbio entre escolas poderá promover de 
forma lúdica a interação entre culturas em todos os âmbitos. Neste sentido foi 
realizado um intercambio entre a escola estadual Floriano Viegas Machado e a 
escola municipal indígena Pa’i Chiquito – Chiquito Pedro localizada na aldeia 
Panambizinho. O principal objetivo foi oferecer aos alunos uma nova 
perspectiva de conhecimento cultural, social e ambiental, tendo em vista o 
deslocamento destes a escolas diferentes de sua realidade, na qual puderam 
apreciar outras realidades e vivencia-las. Isto porque a formação se dá por meio 
da relação que se estabelece entre teoria e prática, a partir do que o aluno é 
capaz de construir analisando a realidade por intermédio de suas 
fundamentações teóricas. Neste caso, o aluno foi o grande construtor do 
conhecimento e do desenvolvimento, auxiliando-o na tomada de decisões mais 
justas frente às questões de divergência social predominante em nosso país. 
 
Palavras – chave: Cultura; educação; intercâmbio escolar. 
 
 
EDUCAÇÃO ESCOLAR INDÍGENA: ENTRE A BUSCA DO BEM VIVER 
E A REALIDADE DE LUTA PELA TERRA 
Sandra Procópio da Silva 
Maristela Aquino Isfran 
Anastácio PeraltaRESUMO: Este trabalho é fruto de uma experiência iniciada no começo do ano 
de 2016, na Escola Municipal Indígena Lacuí Roque Isnard. O elemento 
mobilizador foi o tema da fome. A escola fica localizada na Reserva Indígena 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
Bororó, no município de Dourados-MS. A escola atende 200 crianças entre 06 a 
15 anos. Uma das razões pelas quais uma parte considerável vai para a escola é 
para ter oportunidade de realizar a única refeição do dia. Por trás desta situação 
está um longo histórico de perda de territórios tradicionais, e vários outros 
pontos que levam à situações de violência, dependência química ( drogas) e 
alcoolismo e transformações sistemáticas de costumes e hábitos alimentares 
milenares praticados pela comunidade, que colaboram para que o tema da fome 
se transformasse em um problema desta dimensão. Para os povos Guarani 
Kaiowa, seu território não reconhece as linhas oficiais demarcadas pelos 
governos do estado capitalista. Seu grande povo está entre Brasil, Paraguai e 
Argentina. Nas memórias de muitos anciãos, custa-lhes compreender a 
possibilidade de que a terra seja dividida entre nações. O modo de vida do povo 
Guarani Kaiowa é profundamente marcado pela espiritualidade, expressada em 
todos os momentos e movimentos na busca da Terra Sem Males. Sua relação é 
marcada pela concepção da Terra como mãe, portanto, aquela a quem se ama, 
cuida e respeita, e não se admite que a terra seja usada como objetivo de 
comércio. Portanto, a concepção de vida relaciona-se cotidianamente com o 
sagrado, como elemento fundante do todo do seu mundo. É nesse contexto que 
o termo Bem – Viver, tem sido amplamente utilizado para expressar essa 
relação dos povos indígenas com a luta por um mundo que supere a economia 
capitalista e pressuponha outras formas de relação entre seres humanos e 
natureza. É neste sentido que educação indígena vai muito além da educação 
escolar indígena. Educação, neste contexto, não pode ser explicada com 
palavras, se não a vivencia das múltiplas dimensões que compõe a vida no 
território e como um grande povo. A escola, historicamente, quando surge na 
humanidade, tem a tendência a servir as leis de mercado, e também de 
reprodução das ideias da classe dominante. No Brasil, não é diferente. Portanto, 
a escola indígena é uma conquista dentro dos marcos do estado democrático de 
direitos, ao mesmo tempo que é o conflito pela construção da contra hegemonia. 
Ou seja, “a escola que temos” e a “a escola que queremos”. 
 
Palavras-chave: Bem Viver, Educação Escolar Indígena, Educação Indígena, 
fome. 
 
 
ANTROPOLOGIA E EDUCAÇÃO: UMA ETNOGRAFIA DA 
PARTICIPAÇÃO DE ALUNOS INDÍGENAS NAS ESCOLAS PÚBLICAS 
DA CIDADE DE DOURADOS 
Selma das Graças de Lima 
selmasagali@hotmail.com 
 
RESUMO: O presente trabalho se propõe ao exercício de etnografar sobre a 
presença indígena em escolas públicas da cidade de Dourados. No espaço 
urbano, novas relações vão se estabelecer no interior da escola. Elas apontam 
para tensões e dificuldades nas relações entre alunos indígenas, profissionais de 
educação e com os demais alunos da escola. Por outro lado, institui formas de 
cooperação e amizade entre alunos indígenas e não indígenas. O trabalho é um 
resumo da Dissertação de Mestrado em Antropologia Sociocultural e discute 
essa situação de interação, considerando as diferentes percepções dos alunos 
indígenas, alunos não indígenas, professores, pais e demais funcionários da 
escola. A autora é professora efetiva da rede estadual de ensino e leciona para 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
alunos indígenas na cidade de Dourados, o que facilita a proximidade com o 
universo a ser pesquisado. Os dados apresentados resultam de entrevistas, 
conversas, registros dos alunos indígenas e observação do cotidiano da escola. A 
preocupação central foi investigar os motivos que levam os alunos indígenas a 
buscarem as escolas da cidade, tendo em conta que, em suas aldeias, as escolas 
indígenas oferecem educação intercultural. 
 
Palavras-chave: Alunos Indígenas, Preconceito, Educação Escolar Indígena. 
 
 
EDUCAÇÃO ESCOLAR INDÍGENA NOS MUNICÍPIOS DE AMAMBAI 
(MS), CAARAPÓ (MS) E DOURADOS (MS): GEOGRAFIAS MENORES 
COMO POTENCIALIDADE PARA DIÁLOGOS INTERCULTURAIS 
 
Solange Rodrigues da Silva 
Doutoranda em Geografia pela Universidade Federal da Grande Dourados- 
UFGD. so_ufms@hotmail.com 
 
Flaviana Gasparotti Nunes 
Profª Drª do Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade 
Federal da Grande Dourados - UFGD 
flaviananunes@ufgd.edu.br 
 
RESUMO: Esta pesquisa tem por objetivo central analisar as práticas dos 
professores de Geografia atuantes nas escolas indígenas dos municípios de 
Dourados (MS), Caarapó (MS) e Amambaí (MS) na tentativa de apontar 
possíveis geografias menores (derivas minoritárias dessas práticas) como 
potencialidades para a efetivação da educação intercultural. Visando contribuir 
para a reflexão sobre a educação intercultural, por meio da análise de práticas e 
percursos educativos desenvolvidos na área de Geografia, analisamos as 
propostas pedagógicas das escolas indígenas desses municípios e Identificamos, 
nas aulas de Geografia das escolas indígenas estudadas, a existência (ou não) de 
práticas e percursos educativos que se caracterizem como possíveis geografia 
menores. Para atingirmos os objetivos acima propostos, realizaremos como 
procedimentos metodológicos o levantamento e estudo bibliográfico sobre o 
tema; análise dos principais referenciais curriculares sobre educação escolar 
indígena no Brasil; identificação e mapeamento das escolas indígenas, 
levantamento e análise dos projetos pedagógicos das escolas, realização de 
entrevistas semi-estruturadas com coordenadores pedagógicos e professores de 
Geografia das escolas indígenas, acompanhamento in loco das aulas de 
Geografia nas escolas indígenas dos municípios pesquisados; Como esta é uma 
pesquisa ainda em desenvolvimento, apresentamos nesse artigo, apenas parte 
da análise realizada até o presente momento. 
 
Palavras-chave: Educação Intercultural, Geografia Menor, Escolas Indígenas. 
 
 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
A RELAÇÃO COM O APRENDER NA ALDEIA LARANJEIRA 
ÑANDERU: AS CRIANÇAS E O APRENDER 
 
Tania Milene Nugoli Moraes 
Antonio Hilario Aguilera Urquiza 
 
RESUMO: O presente artigo apresenta uma proposta de um estudo etnográfico 
com e sobre crianças indígenas que vivem em contexto de acampamento, no sul 
do estado de Mato Grosso do Sul, na aldeia Laranjeira Ñanderu, no município 
de Rio Brilhante. A partir dos procedimentos metodológicos do campo da 
Antropologia, particularmente o trabalho de campo, procura enfatizar os 
processos educacionais a partir de questões do cotidiano de aprendizagem das 
crianças no cotidiano da aldeia (educação não formal), e apresentar a relação de 
aprendizagem com os acontecimentos da aldeia. Sendo assim, a pesquisa, ainda 
em andamento, aqui apresentada se dispõe a levantar reflexões da relação 
destas crianças com a educação, levando em considerações questões 
pertinentes: como se dá a relação de aprendizagem nos acampamentos? Como 
acontece a pedagogia indígena, ou os processos próprios de aprendizagem? A 
partir de autores como Cohn, Brand, Nascimento, Tassinari, dentre outros, 
consideramos este estudo um caminho importante, pois assim poderemos ouvir 
a voz dessas crianças, levando em conta que estas populações vivem em uma 
situação de incertezas esperando decisões judiciais sobre seus territórios e sem 
atendimento dos órgãos competentes, nesse lugar estão em uma situação de 
vulnerabilidade, sem acesso a qualquer política pública, seja na questão 
alimentar, saúde, educação ou em qualquer outra área, exatamentepelo fato de 
não estarem em áreas regularizadas pelo Estado. É nesse sentido que a pesquisa 
procura estabelecer as relações de aprendizado além de valorizar a 
aprendizagem da cultura local, como ponto de partida para o empoderamento 
desta cultura. 
 
Palavras chave: crianças indígenas, kaiowá e guarani, pedagogia tradicional, 
situação de acampamento. 
 
 
EDUCAÇÃO TRADICIONAL DOS GUARANI (TEKOHA PIRAJUI) NA 
FRONTEIRA ENTRE PARAGUAI E BRASIL, MS 
Wagner Duran 
 
RESUMO: A pesquisa realizada por mim, a preocupação da nossa educação a 
principio, sumiu, foi esquecida pela família. A educação de uma criança recebe 
na gravidez da mãe, mãe, pai já conversava com o filho (a), depois de nascer 
recebe a educação dentro da casa o que pode fazer, comer, mexer, falar a mãe 
acompanha mais a dia a dia com o filho(a) (ani reguapy oga rokeme, ani 
reguapy tata´y arí, ita ari; realizei a minha entrevista com meu jaryi, tamõi). 
Levei tempo para conquistar a confiança dos mais velho(a), foi cedo as 4 horas 
da manhã para tomar chimarrão, tereré ouvir o conselho deles, enfrentei 
dificuldade mas sempre fui bem recebido porque carrego a palavra da minha 
mãe, pai o carinho respeito que tenho na minha educação própria para ter vida 
segura. Agradeço aos pais, mãe, vovó, avô por ter me ensinado passaram este 
conhecimento pra mim; a educação de uma criançã já recebe na gravidez da 
mãe até nascer: 1-desenvolver uma brincadeira com os alunos; como era as 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
saudações antigamente.2-menino sauda o mais velho, menina sauda uma idosa; 
escrever em guarani as saudações e desenhar em Quadrinho, traduzir em 
português depois apresentar. Observar e análise a atividade de pesquisa, 
entrevistada (o) sobre a educação tradicional indígena guarani. Os alunos 
indígenas devagar fazem o trabalho de pesquisa para produzir um livrinho: 
como era o ensino de uma criança dentro de casa ou o ensino educação dado 
pelos pai e mãe. Observar o trabalho de pesquisa o grupo todos participa, 
primeiro dialogar sobre o tema da pesquisa: grupo de três alunos ou Quatros e 
começar a pesquisa cada um dos pesquisem e relata o trabalho. Fazer cartaz e 
apresenta a pesquisa coletada pelos grupos em sala de aula na escola indígena 
aos colegas. Questionar os alunos sobre a pesquisa trabalhado e os colegas 
perguntem se ainda praticam a educação tradicional em casa na vivência de dia 
adia ou não praticam mais. Depois de terminar o seminário debate com os 
alunos sobre o trabalho que fizeram aprenderam algumas coisas como se sentiu 
na hora de entrevistar uma pessoa idosa(o) é importante a nossa educação 
guarani, instrumento que Deus nos deu um símbolo espírito de força da família. 
 
Palavras-chave: Educação Escolar indígena, infância, guarani. 
 
 
OS EMPRÉSTIMOS LINGUÍSTICOS ENCONTRADOS NA 
COMUNIDADE GUARANI E KAIOWA NA RESERVA INDÍGENA DE 
BORORO E JAGUAPIRU EM DOURADOS, MS 
 
Zenilton Fernandes 
 
RESUMO: O que o empréstimo linguístico está causando na língua indígena 
dentro da comunidade? O empréstimo está ajudando a fortalecer e valorizar a 
língua indígena ou está prejudicando? Podemos produzir materiais e onde 
poderemos fazer? Porque não existem tantos materiais que são produzidos na 
própria língua materna? Em relação de todas as línguas que adquirem o 
empréstimo na comunidade Guarani e Kaiowa, quem valoriza a língua 
tradicional são os mais velhos, na opinião dos mais velhos. Estas questões 
norteiam a minha investigação que pretendo apresentar, uma análise de 
empréstimos que se encontra na comunidade Guarani e Kaiowa na reserva 
indígena de Bororo e Jaguapiru em Dourados, MS. 
 
Palavras-chave: guarani e kaiowa, empréstimos linguísticos, língua guarani 
 
 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
DAS FALAS CONTIDAS E VOZES INTERDITADAS AOS 
MOVIMENTOS ESTRATÉGICOS DE RESISTÊNCIA: UMA 
REFLEXÃO SOBRE AS PRÁTICAS INSTITUCIONAIS DE UMA 
INSTITUIÇÃO HOSPITALAR NO MS 
 
Adriele Freire de Souza 
Universidade Federal da Grande Dourados – UFGD 
 
RESUMO: Este trabalho é um recorte da dissertação “Entre discursos e 
territorialidades: uma análise antropológica das práticas institucionais no 
Hospital Universitário da Grande Dourados – MS”, que buscou entender de que 
forma as várias territorialidades e discursos desta instituição de saúde 
moldavam e controlavam o comportamento dos sujeitos que circulavam por este 
território. A lógica de funcionamento desta instituição está alicerçada sobre o 
dispositivo disciplinar de esquadrinhamento dos sujeitos produzindo sobre eles 
um saber para dominá-los. Contudo, este fato não impede que movimentos de 
contrapoder ou de resistência ocorram dentro da instituição. Por um lado, há 
subjetividades ditas, como aquelas ligadas à pessoalidade e aos sujeitos 
transformados em índices, como o estatístico, econômico e pedagógico, entre 
outros. Por outro lado, há as vozes contidas e as falas interditadas, marcas 
características dos sujeitos indígenas e dos sujeitos psiquiátricos. Estes 
representam a marca da diferença radical e também aqueles que não se 
submetem à ordem vigente, tornando-se facilmente um hóspede malquisto. A 
partir desta problemática, o intuito do presente trabalho é refletir sobre as 
estratégias de resistência destes sujeitos frente aos poderes disciplinares que 
tentam submetê-los à ordem e apagar as diferenças. Assim, pretende-se 
apreender de que forma, mesmo tendo suas falas interditadas, esses sujeitos 
conseguem construir estratégias de fuga que subvertem à lógica dominante no 
hospital, pautado sob o olhar biomédico de saúde. 
 
 Palavras-chave: Instituição Hospitalar. Disciplina. Contrapoder. Diferenças. 
 
 
DESAPRENDER 8 HORAS POR DIA: PSICOLOGIA NA SAÚDE 
INDÍGENA 
Catia Paranhos Martins 
catiamartins@ufgd.edu.br 
 
RESUMO: Inspirada em "desaprender 8 horas por dia", um fragmento da 
poesia de Manoel de Barros, aponto considerações e questões sobre os desafios 
e as (des)aprendizagens necessárias no trabalho da Psicologia com os povos 
indígenas, principalmente os Guarani e os Kaiowá da região de Dourados - Mato 
Grosso do Sul. Problematizo as minhas experiências profissionais ao longo de 
uma década, a saber, como docente da Universidade Federal da Grande 
Dourados; no Programa de Residência Multiprofissional em Saúde do Hospital 
Universitário da Grande Dourados (ênfase em Saúde Indígena); por diversos 
pontos da atenção e da gestão no Sistema Único de Saúde (SUS), com destaque 
para a atuação no Ministério da Saúde, como consultora da Política 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
HumanizaSUS nas atividades em parceria com a Secretaria Especial de Saúde 
Indígena (SESAI). Neste cenário marcado pela monocultura de grãos, há 
indicativos de que o empobrecimento não é somente do solo, mas se produz um 
deserto para as invenções e as expressões dos diferentes modos de ser/estar no 
mundo. Das Ciências Humanas e Sociais ao campo da Saúde Coletiva, não 
faltam acúmulos que caracterizam as barbáries e as violações de direitos em que 
vivem os povos indígenas de Mato Grosso do Sul. Até quando? A que serve o 
desconhecimento e a invisibilidade dos povos indígenas? Como formar 
trabalhadores de saúde que respeitem as concepções de corpo, saúde e cuidado 
dos povos daqui? Como ampliar o compromisso ético com a vida? Considero 
que a qualificação do SUS e o fortalecimento da saúde como direito de 
cidadania, em especial na construção de uma saúde que respeite os saberes 
tradicionais, implica em muitas desaprendizagens. Dentre os inúmeros desafios, 
é urgente reaprender a viver e construir enfrentamentos coletivos às práticas 
biopolíticas de medicalização e aprisionamento da vida. 
 
Palavras-chave: Sistema Único de Saúde; Saúde indígena;Psicologia Social. 
 
 
ATENÇÃO DIFERENCIADA À SAÚDE INDÍGENA NO MUNICÍPIO DE 
DOURADOS, MS 
Danilo Cleiton Lopes 
 
RESUMO: A atenção diferenciada a Saúde Indígena mediante política pública, 
representada, sobretudo, pelo Sistema Único de Saúde (SUS), além de um 
direito constitucional, caracteriza-se como grande desafio para seus 
colaboradores. Isso porque colocam em relação conhecimentos ocidentais dos 
profissionais de saúde e os saberes tradicionais acumulados historicamente 
pelos povos indígenas. O município de Dourados – MS e parte da extensão do 
município de Itaporã – MS, compõem a maior reserva urbana do Brasil, com 
mais de 17 mil índios entre as etnias Terena, Guarani e Kaiowá. Configurando-
se em um território multicultural fértil, inclusive em suas ações de saúde, que 
tencionam seus atores nas relações interculturais. A partir da noção de 
biopolítica, lançamos luz sobre as características de governamentalidade das 
políticas públicas de saúde e suas estratégias de normatização e disciplina da 
população, que relacionadas a saúde indígena, presumem a imposição dos 
conhecimentos ocidentais etnocentrados, desconsiderando as alteridades.Tais 
práticas, se tomadas acriticamente, reverberam em ações colonizadoras, 
desperdiçando experiências e saberes valiosos acumulados historicamente pelos 
povos indígenas, mediante sua cosmologia. Sustentando a linha abissal 
existente entre o legal e ilegal, o verdadeiro e falso, e os saberes tidos como 
subalternos, mantendo-os do outro lado da linha. A política de atenção 
diferenciada em saúde para os povos indígenas, surge então como possibilidade 
de resistência a tais práticas e de viabilizar ações em saúde que considerem as 
especificidades sócio-histórico-culturais. Cartografar, isto é, acompanhar os 
processos, percursos e produções de saúde indígena no município de Dourados - 
MS, suas conexões de redes ou rizomas, nos possibilita a compreensão e a 
necessidade de aplicação do conceito de saúde ampliado. A partir de perspectiva 
transdisciplinar e totalizante, ou seja, a saúde compreendida em seus múltiplos 
aspectos. Deste modo, a atenção diferenciada em saúde aos povos indígenas, 
sobretudo aos Guaraní e Kaiowá, deve levar em conta condições e modos de 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
vida, ou seu ‘bom modo de ser’ teko porá, e sua relação com a ‘terra boa’ ou 
Tekoha Porã, corpo que se alonga e se estende, e os sustenta junto aos outros 
seres, física e espiritualmente. Território de lugar para todos, onde possam 
habitar e viver segundo seus costumes, espaço percorrido e humanizado, isto é, 
territorializado. Lugar de encontro onde se produz vida, onde se faz saúde(s). 
 
Palavras-chave: Saúde(s); Saberes Tradicionais; SUS; Resistência. 
 
 
SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL: UMA ANÁLISE 
HISTÓRICA DAS POLÍTICAS VOLTADAS AOS INDÍGENAS NO 
BRASIL 
 
Fernanda Casagranda 
Nutricionista Residente do Programa de Residência Multiprofissional em Saúde 
da UFGD – Área de Concentração: Atenção a Saúde Indígena. 
Email: fer.casagranda@yahoo.com.br. 
 
 Verônica Gronau Luz 
Docente da Faculdade de Ciências da Saúde – Curso de Nutrição da 
Universidade Federal da Grande Dourados – UFGD/MS. Email: 
veronicagronauluz@gmail.com. 
 
 
Resumo: A política voltada para as populações indígenas no Brasil tem origem 
em 1910 com a criação do SPI – Serviço de Proteção ao Índio, órgão guiado por 
princípios que visavam integrar e assimilar os indígenas brasileiros à sociedade 
nacional. O SPI, esteve de mãos dadas com o processo colonial que, ao longo dos 
anos, foi responsável pelo processo de territorialidade dos povos indígenas, 
caracterizado pela criação de pequenas reservas e pela retirada das suas terras 
de ocupação tradicional, motivos da paulatina perda da auto-sustentabilidade e 
da progressiva insegurança alimentar e nutricional, ações estas que, a partir de 
1967, passaram a ser exercidas pela Fundação Nacional do Índio – FUNAI. O 
presente estudo pretende, a partir de fontes documentais e bibliográficas, 
analisar a trajetória das políticas de saúde indígena, verificando continuidades e 
descontinuidades, com enfoque na área de alimentação e nutrição, 
principalmente na segurança alimentar e nutricional, tendo em perspectiva o 
contexto econômico, político e social do país, nos momentos históricos em que 
foram implantadas tais políticas. O final dos anos 1980, com a promulgação da 
Constituição Federal, marca o florescer de uma nova forma de olhar essas 
populações atentando para os indígenas como seres com direitos específicos, 
sendo-lhes reconhecidos as suas formas de organização social, costumes, 
línguas e acesso às terras de ocupação tradicional, bem como os direitos à 
autonomia, a consulta prévia, protagonismo e participação nas políticas que 
lhes afetam. Foi no bojo destas transformações que a FUNASA – Fundação 
Nacional de Saúde – assume a saúde indígena, descentralizando os 
atendimentos de baixa complexidade em 34 Distritos Sanitários Especiais 
Indígenas – DSEI, espalhados pelo país. Hoje, a saúde indígena é de 
responsabilidade da Secretaria Especial de Saúde Indígena – SESAI, órgão 
ligado ao Ministério da Saúde, por meio do Subsistema de Saúde Indígena do 
SUS. O presente estudo demonstra que o conhecimento das condições de 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
alimentação e nutrição dos povos indígenas do país assume uma importância 
que não se resume às relações entre a alimentação e os perfis de saúde destes 
povos. Ele constitui, já de início, uma “janela” para o acompanhamento e o 
entendimento dos processos de intensas mudanças socioeconômicas, culturais e 
ambientais a que estes povos vêm sendo submetidos desde os seus primeiros 
contatos com não índios e das implicações, sobre seus perfis de saúde e 
nutrição, daí decorrentes. 
 
Palavras chave: Saúde Indígena; Segurança Alimentar e Nutricional; Políticas 
Públicas. 
 
 
SUICÍDIOS GUARANI KAIOWÁ: TERRITÓRIO TRADICIONAL E 
IDENTIDADE ÉTNICA (TEKOHA) 
Giuliana Mattiazzo Pessoa 
Estudante Psicologia 
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo 
 
RESUMO: O trabalho que pretende ser apresentado é um recorte dos 
principais pontos da minha pesquisa de conclusão de curso (TCC) realizado na 
faculdade de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, em 
junho de 2016.* Este trabalho investiga os suicídios generalizados entre os 
jovens da etnia Guarani Kaiowá no Estado do Mato Grosso do Sul. A partir do 
método de análise documental, a pesquisa organiza informações referentes a 
esses suicídios - entre o período de 2000 a 2014 - tais como: nome e idade da 
vítima, terra onde residia, meio empregado, circunstâncias, incidência por 
localidade, além de outras informações qualitativas e quantitativas sobre os 
casos. Tendo em vista esses dados, o trabalho discute a relação entre os 
suicídios e a desapropriação dos Guarani Kaiowá de seus territórios 
tradicionais, desapropriação essa, legitimada pela justiça brasileira a partir de 
ordens de despejo ou simplesmente através da ausência do Estado nos conflitos 
entre indígenas e ruralistas. Para fundamentar essa discussão, o trabalho 
procura compreender o sentido da territorialidade Guarani Kaiowá a partir da 
palavra Tekoha (modo de ser Kaiowá) da língua Guarani. Concluí-se que essa 
vivência de territorialidade no território tradicional é fundamental para a 
organização social do grupo, para o repasse dos conhecimentos tradicionais, 
bem como para a produção de uma identidade étnica saudável e 
autodeterminada. Em suma, o trabalho desenvolve a hipótese de correlação 
entre a ocorrência de suicídios e a desapropriação territorial do povo Guarani 
Kaiowá, a partir do conceito de Identidade na perspectiva da psicologia social. 
Entende-se esse fenômenode suicídios generalizados como sintoma social, que 
deve ser analisado sob a ótica da saúde coletiva e necessita, em caráter de 
urgência, intervenções no âmbito das políticas públicas. As ideias desenvolvidas 
são fundamentas teoricamente através dos autores Valdelice Veron, Antônio 
Ciampa, Émile Durkheim, Sigmund Freud e Viveiros de Castro. O método 
utilizado foi a análise documental, na qual os documentos foram retirados de 
plataformas online das seguintes instituições: Instituto Sócio Ambiental (ISA), 
Fundação Nacional do Índio (FUNAI) e Conselho Indigenista Missionário 
(CIMI) 
 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
Palavras-chaves: Suicídio; Guarani Kaiowá ; Território Tradicional, 
Identidade Étnica 
 
MODOS DE BEBER E SENTIDOS DO USO DE BEBIDAS 
ALCOÓLICAS EM ÁREAS INDÍGENAS: APROXIMAÇÕES DA 
PSICOLOGIA SOCIAL A PERSPECTIVAS KAIOWÁ E GUARANI 
 
Leandro Lucato Moretti 
 
RESUMO: Historicamente, a introdução das bebidas destiladas pelos 
colonizadores europeus nos grupos indígenas e a construção do estigma do 
“índio bêbado”, estavam de acordo, e eram utilizados, com o objetivo de 
desorganizar esses coletivos. Nos dias atuais, as bebidas alcoólicas destiladas 
estão presentes, e são de fácil acesso, no cotidiano de áreas Kaiowá e Guarani, e 
frequentemente são consideradas como causa de conflitos internos e externos, 
desestruturação de parentelas, dependência, entre outros problemas, que 
podem levar, por exemplo, o enfraquecimento do poder familiar. Nesse sentido, 
torna-se relevante discutir sobre o uso das bebidas alcoólicas a partir de 
perspectivas Kaiowá e Guarani, buscando uma aproximação deste fenômeno 
pelas categorias que são próprias da cosmologia desse grupo. A partir disso, e da 
demanda frequentemente levantada para a psicologia na atuação com grupos 
indígenas, foi construído o projeto de pesquisa, ainda em andamento, que tem 
por objetivo conhecer e registrar os diferentes sentidos que a bebida alcoólica 
assume no cotidiano dessas pessoas, além de buscar conhecer como as políticas 
de saúde indígena dialogam com essa questão. Também é de interesse dessa 
pesquisa dialogar com os saberes e dispositivos terapêuticos tradicionais 
relacionados ao uso de bebidas alcoólicas e outras substâncias. Para tal, será 
utilizado o método etnográfico na aldeia Panambizinho, localizada no município 
de Dourados, Mato Grosso do Sul, onde já foi realizado trabalho de campo. É 
necessário conhecer os diferentes modos de beber, o processo de produção e 
como enfrentam a impossibilidade, devido ao confinamento, de produzir sua 
bebida fermentada tradicional, a chicha (kagwĩ), e as diferentes perspectivas 
que cercam essa questão, além de conhecer como veem a entrada histórica das 
bebidas destiladas em seus cotidianos. 
Palavras-chave: Kaiowá e Guarani; bebidas alcoólicas; saúde indígena; 
psicologia social. 
 
PLANTAS MEDICINAIS NA CULTURA GUARANI KAIOWÁ 
 
Lucia Pereira 
Lauriene Seraguza Olegario e Souza 
 
RESUMO: O presente trabalho visa apresentar o projeto de pesquisa que esta 
em desenvolvimento e será utilizado como ponto de partida na elaboração do 
trabalho de conclusão do curso de Ciências Sociais. Pretendemos avaliar a 
influência do uso do medicamento alopático na cultura Guarani Kaiowá, como 
também contextualizar o uso dessas plantas. Assim, buscaremos compreender 
os espaços ocupados pelas mulheres no manuseio das plantas medicinais 
Guarani Kaiowá. A pesquisa será realizada por meio de etnografia entrevistas 
com as mulheres que manuseiam as plantas medicinais e com base em estudos 
já realizados acerca dessa temática 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
Palavra-chave: plantas medicinais, medicamento alopático, mulheres Guarani 
Kaiowa. 
 
OGUATA PYAHU E O DESAFIO DE SUSTENTAR 
(TRANS)FORMAÇÕES E DIRETOS EM UM NOVO CAMINHAR NA 
SAÚDE INDÍGENA 
 
Paula Rodrigues 
 
RESUMO: Em (trans)formação no SUS, após a formação no Programa de 
Residência Multiprofissional em Saúde, com ênfase em Saúde Indígena, na 
UFGD, trago neste trabalho como profissional de saúde, o relato de experiência 
dos novos caminhos percorridos na saúde indígena, agora na Secretaria Especial 
de Saúde Indígena (SESAI), no Polo Base de Amambai/MS. Destaco as 
vivências na atenção primária em saúde nos municípios de Amambai, Coronel 
Sapucaia e Aral Moreira, contemplando as comunidades Guapoy (Amambai), 
Taquaperi, Guassuty, Guaiviry e Kurussu Ambá. Apresento o desafio de 
SUStentar em novos territórios e com inspiração na mobilidade kaiowá e 
guarani através do Oguata Pyahu (novo caminhar). Esse caminho segue sem 
fixação possibilitando (trans)formações e encantamentos. Junto à experiência 
vivenciada atualmente, estão as inquietações de estar em um lugar diferente, e 
receber o convite subjetivo a novas imersões e deslocamentos. Essa experiência 
apresenta, através do cuidado em saúde, a possibilidade de vivenciar as Políticas 
Públicas que buscam contemplar a diversidade dos povos e oferecer visibilidade 
às práticas tradicionais. Trago na bagagem de aprendizado e uso como norte a 
Educação Popular em Saúde, a Humanização, a Política Nacional de Atenção à 
Saúde dos Povos Indígenas, as Práticas Integrativas e Complementares do SUS, 
a Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicas entre outras 
ferramentas do Sistema Único de Saúde (SUS). Diante de toda a sistematização, 
fico curiosa para compreender como se dá a aplicabilidade de movimentos e 
lutas transformados em Política, indo, também, além do próprio sistema, para 
uma formação cidadã. Nesse sentido, apresento o investimento em espaços de 
diálogo, buscando favorecer a autonomia e o protagonismo dos kaiowá e 
guarani. Destacam-se as vinculações produzidas em rodas de conversa de 
forma horizontalizada com trabalhadores(as) de saúde, educadores(as), 
rezadores(as), usuários(as) e suas famílias, também em grupo de geração de 
renda que investe na agricultura familiar, no cultivo de plantas medicinais, na 
produção de artesanatos entre outras atividades, sempre com articulação em 
rede social e de saúde. A intenção é, a partir da construção coletiva e 
compartilhada, (re)construir e fortalecer laços identitários, valorizando a 
concepção dos povos indígenas sobre as alternativas, oportunidades e soluções 
que eles próprios encontram a partir de sua vida em comunidade para enfrentar 
os desafios e constituir-se como sujeitos de direito. 
 
Palavras-chave: Oguata Pyahu; Sistema Único de Saúde; Saúde Indígena; 
Kaiowá; Guarani 
 
 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
 
LEVANTAMENTO DE TESES PRODUZIDAS NAS UNIVERSIDADES 
DO BRASIL SOBRE SAÚDE INDÍGENA NO PERÍODO DE 1998-2016 
Regiani Magalhães de Oliveira Yamazaki 
Doutoranda em Educação Científica e Tecnológica 
Universidade Federal de Santa Catarina 
 
RESUMO: No Brasil há uma carência e uma fragmentação de registros 
históricos sobre a trajetória de contato dos povos indígenas e os reflexos dessa 
interação em relação aos perfis epidemiológicos. O perfil epidemiológico dos 
povos indígenas no Brasil sempre foi muito complexo, e as doenças infecciosas e 
parasitárias permanecem como importante causa de morbimortalidade. Uma 
dimensão particularmente pouco conhecida da epidemiologia dos povos 
indígenas no Brasil, diz respeito a emergência de doenças crônicas não-
transmissíveis. Buscamos por meio de uma pesquisa identificar quais são as 
doenças crônicas não transmissíveis e transmissíveis mais investigadas na 
academia. Assim, realizamos um levantamento de teses desenvolvidas no 
período de 1998 a 2016, nos programas de pós-graduação da Universidades 
Brasileiras, e na sequência identificamos as doenças mais investigadas nas teses 
levantadas. Foram identificadas 84 teses referente a temáticasaúde indígena, 
onde: 9 estão relacionadas à problemas respiratórios (tuberculose e 
pneumonia); 2 à doenças sexualmente transmissíveis; 3 à patologias intestinais 
e estomacais; 1 a síndrome metabólica; 5 ao câncer ; 2 a malária; 1 ao 
Trypanosoma cruzi: 1 a Leishmaniose tegumentar; 1 ao consumo de álcool; 1 ao 
suicídio; 3 a saúde mental; 3 a saúde bucal; 3 as doenças cardiovasculares; 5 a 
(in)segurança alimentar; 16 as políticas públicas de saúde indígena; 10 a 
etiologia indígena; 7 a educação em saúde e formação de agentes de saúde; 3 a 
saúde reprodutiva; 2 ao uso de medicamentos; 3 ao resgate histórico sobre 
processo de produção de saúde e doença indígena; 2 a atividade física; 1 a 
infecção fúngica crônica. Partindo do pressuposto de que as modificações na 
subsistência, dieta e atividade física de determinados grupos indígenas estão 
relacionadas as mudanças socioculturais e econômica, e de que estas têm 
promovido um quadro de morbimortalidade, concluímos que é muito reduzido 
a quantidade de teses desenvolvidas sobre as doenças crônicas não 
transmissíveis e doenças transmissíveis que tem atingido as comunidades 
indígenas no Brasil 
 
Palavras-chave: saúde indígena; morbimortalidade; doenças crônicas. 
 
EXTRAÇÃO E USOS DE REMÉDIOS DE ORIGEM ANIMAL E 
VEGETAL NA ALDEIA LIMÃO VERDE/AMAMBAI-MS 
Sonia Pavão 
RESUMO: Este trabalho está sendo realizado na Aldeia Limão Verde, 
município de Amambai-MS, entre o mês de julho a novembro de 2016. O 
objetivo geral é compreender a importância dos conhecimentos tradicional 
Kaiowá Guarani sobre Mymbakuéra - fauna e ka’aguytĩ - cerrado da Reserva 
Limão Verde, os objetivos específicos são: identificar os tipos de plantas 
medicinais do cerrado, conhecer os tipos de animais e plantas que servem de 
remédios para terapia e saúde indígena e a preservação dos conhecimentos e 
dos saberes que envolvem essas plantas e animais na visão Guarani kaiowá. A 
pesquisa estão sendo realizado através de levantamento sobre quais plantas e 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
gordura de animais que são utilizados para extração de remédios tradicionais 
pela comunidade. Para o levantamento será feito por meio de entrevistas com os 
mestres tradicionais, com os mais velhos, os pais, professores e alunos. Também 
estão sendo pesquisado por meio de fichamentos e citações, resenhas, 
argumentação direto e indiretos, revistas e internet. Espera se com a finalização 
desse trabalho realizar seja organizado material que contribuirá para a 
formação na escola indígena e também no registro dos saberes tradicionais em 
relação aos animais e vegetais. 
 
Palavras-chave: Palavras chave: Mymbakuéra (fauna), ka’aguytĩ (cerrado) e 
saberes tradicionais. 
 
SAÚDE DA MULHER GUARANI DA RESERVA PIRAJUÍ DE MATO 
GROSSO DO SUL 
Tatiane Pires Medina 
RESUMO: O tema trata sobre a saúde da mulher guarani da Reserva indígena 
Pirajuí no município de Paranhos, com objetivo de compreender a saúde a 
partir dos mais velhos e professor indígenas a pesquisa foi realizado com 
professor Edson Véra, Valentin Pires e rezador Aveliano Medina. A metodologia 
foi a partir do diálogo e entrevista aberta. Foi apontado a partir desse dialogo 
que os pai e as mãe guarani tem que ser exemplo para os filhos e ensinar pra ter 
uma postura mais higiênico dentro da casa em qualquer lugar, também, tem que 
estar saudável psicologicamente e espiritualmente, educar os filhos dentro de 
casa para respeitar seu próximo com humildade e solidariedade. Foi destaque 
nas discussões que os adolescente de hoje estão se prejudicando na saúde por 
causa do uso das drogas, bebida alcoólicas e por causa do consumo exagerado 
do fumo. Por isso, atualmente os adolescente não tem mais respeito, as 
mulheres não tem mais saúde devido a utilização das pílulas e injeção 
anticoncepcional. Antigamente as pessoas tinham uma vida mais saudável 
devido o consumo de alimentos saudável e de viver no seu território e com sua 
religião tradicional. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
 
DOM QUETITO E SUA FAMÍLIA 
 
Adenilda Rocha Vilhalva 
Neymar Machado de Souza 
 
RESUMO: Dom Quetito veio de uma família Vilhalva. Seu pai Alziro Correa 
Vilhalva e sua mãe dona Adriana Chimenez, segundo informação Dom Quetito e 
sua família, viviam nos arredores no atual Vila Campestre, algumas de suas 
famílias trabalhavam como diaristas para proprietários que se estabeleceram 
nas redondezas. Com o passar do tempo, um proprietário resolveu doar um 
pedacinho de terra a família do Dom Quetito, com 7 hectares, para construir 
suas moradias e fazer suas plantações. A família foi crescendo e começaram a 
construir mais casas e abriram mais espaços, naquela época tinha bastante lugar 
para caçar, pescar na região, tanto em terras já ocupadas por particulares como 
em terras sem regularização. A mata era fechada e assim o tempo foi passando, 
e foram derrubando a mata. Num determinado tempo o líder da família Alziro 
Correa Vilhalva recebeu um grupo do exército que vinha da cidade de Bela Vista. 
Esse grupo veio do quartel RCMEC, fizeram amizade com Alziro e começaram a 
visitar com frequência a família do Dom Quetito. O exército oferecia ajuda, 
como ferramentas, roupas, alimentação, remédios e em outras coisas mais. Com 
o tempo, começaram a chamar Alziro de ‘’capitão Alziro’’ pela ligação do líder 
com o exército brasileiro. Inclusive ele usava farda com distintivos feitos de 
moeda. Por isso ele ficou conhecido como capitão Alziro, e o cargo de capitão 
fazia referência ao seu papel de líder do grupo. O casal Alziro e Adriana tiveram 
uns 5 filhos. Com o falecimento de Alziro, seu filho, Dom Quetito, assumiu a 
liderança e casou com Quitéria. Os seus irmãos se casaram também e cada vez 
mais a família do Dom Quetito foi crescendo, a chácara de 7 hectares, onde 
Alziro se criou e criou seus filhos, foi registrada legalmente em seu nome. Assim 
a família do Dom Quetito permanece até hoje naquela região. No final da década 
de 1990, as famílias da comunidade se organizaram para retomar as terras das 
quais foram expulsas a partir da década de 1950. No início da década de 2000, a 
FUNAI iniciou a demarcação da área, que foi parcialmente reocupada pelas 
famílias. Quatro meses depois da primeira retomada do Ñanderu Marangatu, 
Dom Quetito Faleceu em Coroa Vermelha Monte Pascoal (Bahia), onde estava 
na mobilização dos povos indígenas do Brasil de 1500. Seu corpo foi trazido 
para a aldeia e sepultado na área retomada. Atualmente, a comunidade é 
liderada por seu filho Loretito. Dada a importância, dos líderes da família 
Vilhalva para a história da comunidade, a pesquisa pretende discorrer sobre as 
trajetórias destas lideranças. 
 
Palavras chave: Ñanderu Marangatu, terra indígena, trajetórias de lideranças 
kaiowá, Kaiowá. 
 
 
 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
CULTURA E DIREITO FRENTE AOS CONFLITOS TERRITORIAIS 
COM POVOS INDÍGENAS: UM OLHAR SOB O ENFOQUE DA 
TRANSCONSTITUCIONALIDADE 
 
Edemir Braga Dias 
Mestrando em Direito pelo Programa de Pós-Graduação stricto sensu – 
Doutorado e Mestrado em Direito da URI, Campus Santo Ângelo-RS 
 
Rosangela Angelin 
 Pós-Doutora pela Faculdades EST, São Leopoldo-RS. 
Doutora em Direito pela Universidade de Osnabrueck (Alemanha). 
 
RESUMO: Com a chegada dos colonizadores ao Novo Mundo, chegou também 
uma cultura diferente que impactava com a forma de viver dos povos originários 
desse território. A relação travada entre os colonizadores e os povos indígenas 
foi díspar: iniciou-se um processo para civilizar os povos locais e, a religião foi 
um importante mecanismo para impor a cultura europeia. As terras 
inicialmente que eram ocupadas por estes povosforam usurpadas e distribuídas 
conforme interesses dos europeus. Desde a colonização do território brasileiro, 
trava-se uma luta cultural e jurídica díspar, por vezes silenciosa ou silenciada, 
acerca do espaço territorial ocupado pelos colonizadores, seus descendentes e os 
povos que foram despossados de suas terras. Para compreender melhor os 
conflitos que seguem em torno de aspectos culturais e jurídicos, através de um 
estudo hipotético dedutivo, baseado em aspectos histórico-culturais e leituras 
jurídicas, a pesquisa busca analisar qual tem sido a influência da cultura 
colonizadora europeia nas relações humanas e nas disputas territoriais e de uso 
e acesso a bens naturais pelos povos indígenas. O estudo remete a algumas 
constatações: a) a ideologia cultural colonizadora e discriminatória contra os 
povos indígenas permanece forte no Brasil, renegando uma postura diacrônica 
frente a história; b) as legislações neste sentido têm sido integracionistas, 
desrespeitando, muitas vezes as culturas dos povos indígenas e afastando a 
possibilidade de um tranquilo convívio social c) a cosmovisão indígena acerca 
da terra e do uso dos recursos naturais foge das perspectivas liberais de 
propriedade. Isso tem gerado muitos conflitos, como por exemplo, o que tem 
ocorrido com o povo Mb’ya-Guarani da Tekoa Koenju, situada no Município de 
São Miguel das Missões, Estado do Rio Grande do Sul, onde existem conflitos 
com os proprietários lindeiros às terras ocupadas por este povo, pois os 
primeiros não reconhecendo limites territoriais, adentram nas propriedades 
vizinhas em busca de matéria prima para seus artesanatos. Por conseguinte, 
conflitos culturais e jurídicos são eminentes e o direito não tem logrado dirimi-
los de forma adequada. Por estarem localizados no âmbito constitucional, estes 
conflitos o transconstitucionalismo tem se demonstrado uma possível 
alternativa para a construção de um diálogo intercultural, dando uma atenção 
especial para culturas que se encontram à margem do próprio 
constitucionalismo, como é o caso dos povos indígenas, buscando pontos de 
encontro entre as ordens normativas que são diferentes, por meios 
extrajudiciais. 
 
Palavras-chave: Conversações culturais. Culturas. Povos indígenas. 
Transconstitucionalismo. Territorialidade. 
 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
 
A CIRCULAÇÃO DE DINHEIROS E MERCADORIAS ENTRE OS 
KAIOWA E GUARANI NO COMÉRCIO DE AMAMBAI-MS 
 
Jorge Pereira da Silva 
 
RESUMO: Através da pesquisa de campo, busco compreender as relações 
estabelecidas entre indígenas, comerciários, e empresas recrutadoras na região 
de Amambai, percebendo a circulação de dinheiros e mercadorias entre os 
indígenas no comércio em Amambai, sombreadas pelos direitos indigenistas e 
trabalhistas. Mais especificamente, este exercício focaliza no município de 
Amambai, MS e nas relações distintas que são estabelecidas entre Kaiowa e 
Guarani e pessoas não indígenas, enfatizando aquelas que se realizam entre 
bens e mercadorias no espaço intermunicipal. A escolha do cenário desta 
investigação se deu, sobremaneira, em virtude da forma como os comerciários 
citadinos estabeleciam relações com a população indígena, sombreados pelo 
processo de monetarização dessas pessoas, bem como das peculiaridades da sua 
lida com o dinheiro e com as relações de trabalho. 
 
Palavras-chave: mercadoria, dinheiro, direitos indígenas, mão-de-obra. 
 
 
FAMILIAS KAIOWÁ NOS ERVAIS DE CAARAPÓ 
 
Lazaro Vera 
 
RESUMO: A importância da participação das famílias dos kaiowa da aldeia 
te´yikue na época das colheita da erva no município de Caarapó, as famílias 
kaiowa que mora na reserva indígenas de Te´ýikue a mais que participou 
ajudar a colher e que fora contratada pelos capataz das fazenda daquela regiões 
no período 1918 nesse época as colheita das erva mate era feitos pelas kaiowa. 
As famílias karumbe e das famílias ñagyra, que participou e os outros famílias 
dessa região, onde as famílias deixava seu local para busca do trabalho nas 
regiões das aldeias, os trabalhos eram rígidos para os kaiowa, eram maltratado 
no local os trabalhos, eram forçado não tinha como descansar porque tinha 
alguém vigiando cada pessoa os kaiowa abria picaza [estrada],com facão os 
kaiowa fazia estrada pra retirar as ervas para levar em mbaravakua onde a erva 
secava, alguns kaiowa procurava onde se encontra os pé das erva.com pequena 
carriador no meio das matas os carro de boi caminhava com saco de ervas para 
casa do patrão. O lugar onde os kaiowa trabalhavam na retirada das erva se 
localiza laguna joha yvy soro piratiy e outra localidade como na região de 
Takuara e Guyra Roka Sayju onde se encontrava mais erva na região de 
campanário os kaiowa naquela época não ganhava dinheiro trabalhava a troco 
de mercadoria tinha que removido do seu lugar com as famílias indo atras do 
trabalho. O trabalho que os kaiowa, do tekoha Te´yikue, se repetiam vinte 
quatro horas para que os trabalhos reder, mas alguns famílias ficavam doentes 
não tinha remédio, alguns acabava morrendo por doença contagioso, alguns 
cortava as mão por não saber manusear as ferramentas. Os kaiowa passavam 
dificuldade nos trabalhos onde alguns que reagiam eram para pedir seu direito 
os capataz ameaçava ou apanhava dos capataz então os kaiowas ficava sem dizer 
nada. As famílias não tinha direito a nada, muita dificuldade passava nos locais 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
dos seus trabalhos ,enquanto deixava sua moradia o seu costume e o seu reko. 
As famílias kaiowa do tekoha te´yikue vinham deixando o seu território, por 
esses motivos enquanto a luta da sobrevivência por trabalho, mão de obra 
barata e sofria deste século o preconceito pelo não indígenas e deixando o seu 
lugar onde costumava caçar e fazer o seu jeroky e pescar onde as famílias dos 
kaiowas do tekoha te´ykue era livre no passado após de serem explorando 
continuam sendo um lutador e forte na sua organização como kaiowa do tekoha. 
 
 
ESTUDANTES GUARANI E KAIOWÁ NO ENSINO SUPERIOR, SUAS 
VIVENCIAS E RELAÇÕES. 
 
Marta Soares Ferreira (martamartinhasf@gmail.com); 
Célia Maria Foster Silvestre (celia.silvestre@gmail.com). 
 
RESUMO: O presente trabalho é resultado de uma monografia titulado 
“Vivências com os Kaiowá e Guarani no Ensino Superior” apresentada no último 
semestre de 2015, que apresenta aspectos das vivências dos e com os Guarani e 
Kaiowá que integram os cursos de Ciências Sociais e História da Universidade 
Estadual de Mato Grosso do Sul- UEMS, Unidade de Amambai/MS, no período 
de 2012 a 2015. Buscou-se pesquisa bibliográfica sobre os Kaiowá e Guarani e 
observação participante. A partir do método etnográfico, e as narrativas que 
evidenciam o fortalecimento da presença e da participação significativas dos 
Guarani e Kaiowá, no campo universitário em Amambai/MS. A ênfase recai nas 
ações desenvolvidas no PIBID – Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à 
Docência, Subprojeto Interdisciplinar, desenvolvido em duas escolas na Aldeia 
Guapo`y, onde vivem esses estudantes. Os Guarani (Nhandeva) e Kaiowá são 
falantes do idioma Guarani. Amambai, MS, segundo o IBGE (Instituto 
Brasileiro de Geografia e Estatística), conta com uma população de 34.730 
habitantes. Vivem cerca de 7.158 pessoas guarani e kaiowá em três aldeias: 
Amambai-Aldeia Guapo`y, Limão Verde e Jaguari. Representam cerca de um 
terço da população. Percebeu-se através das pesquisas que a UEMS, Unidade de 
Amambai, tem se constituído, em níveis cada vez maiores de volume e 
importância das ações, em espaço de formação e atuação política para os 
integrantes indígenas vinculados aos cursos ofertados, História e Ciências 
Sociais. Mas se valendo da atuação dos estudantes indígenas na universidade, 
relevância de seus conhecimentos próprios querelacionam com a aprendizagem 
acadêmica suas relações com professores, movimento estudantil e diversas 
atuações em projetos e estágios que os liga a aldeia e a academia. Os Guarani e 
Kaiowá seguem apoiando-se na formação acadêmica e se sentem fortalecidos 
com uma graduação, para mais e mais se posicionarem politicamente sobre a 
luta pela demarcação de terras. Este trabalho apresenta as relações e vivencias 
dos guarani com suas cosmologias, lutas por permanência na universidade, 
sendo que a perspectiva dos estudantes Kaiowá e Guarani sobre direito, 
compreende que não existe direito nenhum a ser conquistado fora da 
legitimidade dos territórios tradicionais, tornando assim como um direito por 
excelência. 
. 
Palavras Chaves: Vivências; Relações; Direito; PIBID e Kaiowá/ Guarani. 
 
 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
IMPASSES NO RECONHECIMENTO DOS ÍNDIOS COMO SUJEITOS 
DE DIREITOS 
Maucir Pauletti-Doutorando 
Pedro Sergio Dantas da Silva Carvalho- Acadêmico 
 
RESUMO: No contexto histórico que envolve todo o processo de ocupação da 
América Latina, os direitos originários daqueles que aqui se encontravam e que 
eram senhores absolutos de seus territórios foram simplesmente ignorados 
diante à voracidade da expansão da sociedade europeia. No Brasil, havia, em 
média, 8 milhões de índios das mais diversas etnias, com uma pluralidade 
étnica incalculável, com centenas de culturas diferentes, com crenças religiosas 
distintas e uma riqueza humana inigualável que, por diversos fatores, 
biológicos, sociais, econômicos, ocupacionais, foram, ao longo da história, sem 
qualquer pudor, sendo exterminados. Subjugados, os nativos, os povos 
originários destas terras tiveram apenas duas alternativas, as guerras ou a 
escravidão ou, ainda, a integração à sociedade civil chegante com o abandono do 
seu modo natural de ser e de viver. Este pensamento integracionista 
permaneceu por quase que toda a história do Brasil, vindo a ser derrubado 
apenas e, formalmente, pela Constituição de 1988 que com seus ideais 
pluralistas, visava proteger e respeitar esta diversidade cultural. Nesse contexto, 
o presente trabalho busca, por meio de uma revisão bibliográfica direcionada e 
um procedimento metodológico indutivo-analítico, identificar os impasses 
históricos no difícil processo de reconhecimento dos direitos dos índios como 
sujeitos, como cidadãos brasileiros, etnicamente diferentes, contemplados pelo 
contexto pluriétnico de nossa constituição. Observou-se que a demora no 
reconhecimento dos direitos dos povos indígenas deu-se, inicialmente, por 
conta da ganância da elite dominante europeia, e, em um segundo momento, 
pela falsa ideia de que a solução seria a assimilação cultural destes povos e por 
fim na situação atual onde, mesmo com toda a positivação dos direitos destes 
povos na Constituição Federal de 1988, ainda se faz presente o entendimento 
que não se deve reconhecer os direitos dos indígenas como cidadãos brasileiros. 
 
Palavras-chave: Direitos Humanos; Indígenas; Plurietnicidade; Diversidade 
Cultural; Processo de Reconhecimento dos Direitos. 
 
A ORGANIZAÇAO TRADICIONAL DA ALDEIA LIMAO VERDE 
ANTES E DEPOIS DO SPI 
Nei di Maico Ricarte 
 
RESUMO: Após a demarcação da aldeia Amambaí por volta de 1915, a área não 
foi totalmente ocupada pelos indígenas, em boa parte da terra era ocupado pelo 
não indígena que veio e se instalou. Devido a isso, em 1928, junto com as 
demais terras foram demarcadas, umas delas foi Limão Verde com intuito do 
governo (compensar) os indígena da aldeia Amambaí. Assim que aldeia limão 
verde foi oficializado no papel já considerado aldeia indígena o SPI foi buscar 
seu Horacio Fernandes de Dourados para assumir a função de capitão. Apesar 
de haver algumas famílias vivendo naquele local. Com seu capitão na aldeia, o 
SPI começou a impor o seu plano de estratégica de nova organização para o 
indígena. Segundo pesquisa tradicionalmente, os familiares se respeitavam 
muito, compartilhava a festa, ritual junto e festejava ,cada um tinha seu chefe 
maior, geralmente são os mais velho e as mais velhas do grupo com muito 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
conhecimento. A sustentabilidade e natural, o que precisava como: alimento, 
remédio e para plantação estava lá, no seu próprio tekoha (onde vive).Com a 
entrada do capitão na aldeia com o comando do SPI sem consideração alguma 
com a organização tradicional, foi implantado a política de organização muito 
diferenciado, onde talvez tivesse o inicio da individualização mais vantajosa no 
termo da sustentabilidade. Aldeia já tinha o seu limite, muitos eram trazidos de 
outras regiões para a aldeia. Com a entrada da missão a aliada fundamental do 
governo em integração indígena trazendo a escola, remédios, alguns alimentos, 
com tantas pessoas num lugar e o capitão decidindo quem entra e sai dando 
ordem .Os rezadores, os mais velho e as mais velhas que tinham tantos 
conhecimentos e a importância que eles tem para os seus parentes na questão 
de continuar passando a geração o nhandereko (nosso jeito de ser) foram 
simplesmente deixado de lado sem nenhum reconhecimento. Individualmente o 
capitão exercia seu poder, garantido seu bem estar e da sua família, ganhando 
alguns valores materiais, dinheiro vindo de fora, sentindo-se privilegiado, 
deixando a sua comunidade de lado. Enquanto isso a comunidade sem tem onde 
caçar, pescar, onde planta e achar um bom remédio natural começa a revolta 
contra o capitão. A organização interna na aldeia, talvez ganhou outra forma de 
organizar e pensar no grupo e de se vê como pessoa, cada um buscando seus 
interesse, o que não era parte do seu costume sempre em coletivo.Com essa 
intervenção de fora causou impacto muito grande na cultura indígena na aldeia 
Limão Verde em forma de se organizar. 
 
Palavras-Chave: Organização Social; Capitão; Reserva. 
 
 
DISCRIMINAÇÃO E PRECONCEITO DOS POVOS INDÍGENAS 
 
Robson Romero 
 
RESUMO: Desde a colonização vem se transformando os povos indígena, fazia 
guerra contra os povos nativos, massacre aos índio no século XVI. Isso se deu à 
origem do Serviço de Proteção ao Índio (SPI) em 1910, seu destino seria torna-
se trabalhador rural ou proletário urbano, estabeleceram a sua incapacidade. 
Visava proteger as terra e a cultura indígena, por outros, a transferência 
territorial dos nativos era liberar área destinado a colonização. Atuação 
incorporou técnica missionária tais como: distribuir presentes, vestir os índios. 
Nas primeiras décadas, destacou fundamental ao estudo das populações 
indígena em diversas regiões do país. Existe hoje no mundo 370 milhões 
indígenas, mais de 5 mil comunidade espalhado por 90 países, conquistaram 
perante o ONU no ano de 2007 a declaração sobre direito dos povos indígena. 
Esse fenômeno contribui para desumanização, quando nos referimos ao 
racismo, favorece a articulação da luta por seus direitos. Negros já conquistaram 
bastante visibilidade, os indígenas ainda são bastante precária. Há 500 anos 
eram milhões viviam relativamente em paz, a conquista desse território pelos 
povos europeus, com predomínio dos portugueses dizimou essa população. 
Eliminação de todas as formas de discriminação racial, desde o ano de 1969, 
preferência baseadas em raça e cor, descendência origem nacional ou étnica 
que tem por objetivo o conhecimento (igualdade e condições) de direito 
humanos e liberdade fundamentais no domínio político econômico social 
,cultura e qualquer outro domínio de vida pública. O racismo constitui-se crime 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
contra a igualdade de todas em nossa Constituição Federal. E a lei n°7.716/86, 
que define os crimes por descriminação, preconceito de raça, cor e etnia, 
procedêncianacional. Ao lado dessas leis federais, nosso código penal no artigo 
140 -prevê crime de injuria, ofendendo-lhe a dignidade ou decoro reclusão de 
três ano e multa. Na sociedade brasileira atual, um preconceito de classe social 
bastante forte em relação as pessoa indígena, discriminação trata-se um ato 
negativo, uma ação não permitir ou recusar a entrada no FORUNS judiciais, nos 
bares restaurantes, clubes e parques, deixar de dar emprego alguém por que e 
índio. Em 1973 foi promulgada a lei federal o estatuto do índio estabelecido na 
constituição federal d 1988. 
 
Palavras-chave: Direitos Indígenas; Discriminação; Colonização. 
 
 
O DIREITO A EDUCAÇÃO E A CRIANÇAS KAIOWÁ E GUARANI DO 
ACAMPAMENTO PAKURITY 
Sônia Rocha Lucas 
Mestranda Antropologia –UFGD 
 
RESUMO: O presente texto apresenta o resultado parcial de uma pesquisa de 
mestrado na Pós-graduação em Antropologia da UFGD e tem como objetivo 
apresentar a problemática vivida pelos indígenas da aldeia Pakurity, que devido 
a uma situação histórica vivem em área de retomada e em situação de 
acampamento, em busca, para além do reconhecimento de seu território, a 
criação de uma escola indígena em seu tekoha. A pesquisa bibliográfica e o 
trabalho de campo são o aporte teórico-metodológico, somado com a 
observação participante, diário de campo e outras formas de registro. Os autores 
que dão sustentação teórica são Brand (1993, 1997), Pereira (2004 e 2006), 
Chamorro (2015), Nascimento (2011), Pacheco de Oliveira (1998), Cavalcante 
(2013), Conh (2005), Crespe (2009 e 2015) e Aguilera Urquiza (2011). Pudemos 
perceber que por falta de acesso a políticas públicas, em especial a educação, 
dentro do acampamento as crianças são forçadas a fazerem uso das moradias 
móveis e se deslocarem de seu tekoha em busca ao acesso ao sistema de ensino, 
seja na reserva de Dourados, ou em outras cidades vizinhas. Nesse contexto 
como resultado parcial, o presente artigo apresenta a maneira como as crianças 
indígenas entendem a importância da implantação de uma escola dentro de sua 
aldeia. 
 
Palavras-chave: Crianças indígenas; Situação de Acampamento; Escola. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
 
O INFANTICÍDIO INDÍGENA: UM CONFLITO ENTRE A 
DIVERSIDADE CULTURAL E O ESTATUTO DA CRAINÇA E 
ADOLESCENTE 
 
Dagmar Herculano 
 
RESUMO: O presente trabalho tem como objetivo discutir a pratica de 
infanticídio indígena em algumas tribos brasileiras, abordando que tais atos 
praticados contra crianças ameríndicas fere profundamente o que diz o Estatuto 
da Criança e Adolescente, a prática do infanticídio indígena ainda é um grande 
tabu, pesquisadores sobre o assunto relatam que os órgãos do governo brasileiro 
ainda são coniventes com tais práticas, sob o argumento de que a comunidade 
indígena deve ter respeitada a sua cultura, como maneira de preservar a 
identidade. Todavia, apesar Do Estatuto da Criança e Adolescente garantir aos 
índios a proteção de seus costumes e tradições, esta também garante o direito à 
vida, que deve sobrepor à prática cultural. A mudança desse costume – 
infanticídio indígena – pode ser buscada pelo diálogo intercultural, 
acompanhada de políticas públicas de amparo às comunidades indígenas. 
 
Palavras-Chave: Estatuto da Criança e Adolescente; Infanticídio Indígena; 
Políticas Publicas. 
 
 
VALORES DOS INSTRUMENTOS TRADICIONAIS RELIGIOSOS DOS 
KAIOWA 
Jesus Souza 
 
RESUMO: Esta pesquisa surgiu através de meu interesse em sempre buscar 
informação com os mais velhos e com os rezadores Kaiowa. Como sou professor 
de Práticas Culturais na Escola Municipal Indígena Ñandejara Pólo, na aldeia 
Te´yikue em Caarapó, MS, nas turmas das séries iniciais e educação infantil 
surgiram essas vontades de conhecer um pouco das histórias e trajetórias do 
xiru. Ele sempre se faz presente em cada momento e em lugares que acontecem 
eventos, como o ritual dos rezadores. O trabalho trata do uso e da importância 
do xiru pelo ñanderu no passado e nos dias atuais. Por esse motivo procurei 
conhecer por meio de entrevistas orais e pesquisa de campo com rezadores, 
como acontece o processo de valorização deles na família, abordando aspecto da 
educação, saúde, crença e organização social. 
 
Palavras-chaves: Xiru; Kaiowa; Mato Grosso do Sul. 
 
 
REPRESENTAÇÕES INDÍGENAS NO PNBE 2014 
 
Kelly Mara Soares Dornelles 
kellywara@gmail.com 
 
RESUMO: Levando em consideração a urgência de tratarmos desses temas 
étnicos-raciais no espaço de formação escolar, a obra Karu Taru- O pequeno 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
pajé do autor Daniel Munduruku distribuída pelo PNBE 2014, trará através 
deste trabalho algumas reflexões sobre alguns costumes culturais de um povo 
indígena. Para isso, retomam-se os conceitos de representação e identidade, tais 
como concebidos na literatura e sociologia, contrapondo-os às noções indígenas 
de cultura e tradição, com o objetivo de entender como elas lidam com a 
permanência e a mudança cultural e a importância da literatura para propagar 
essa noção de alteridade. 
 
PALAVRAS-CHAVE: representação; identidade; literatura indígena. 
 
 
UM ESTUDO DE CASO SOBRE OS JOVENS TERENA DA 
1°CONGREGAÇÃO PRESENTE NA TERRA INDÍGENA DE 
DOURADOS 
 
Lílian Luana da Silva 
 
RESUMO:O presente projeto faz parte de uma pesquisa do mestrado em 
Antropologia/UFGD. A partir do arcabouço teórico-metodológico da 
Antropologia, a pesquisa tem como foco a temática juventude e em particular o 
grupo de jovens Terena da igreja conhecida como 1° Congregação atualmente 
Igreja Indígena Presbiteriana no Brasil, presente na aldeia Jaguapirú, Terra 
Indígena de Dourados/MS. O objetivo dessa pesquisa é analisar o papel da 1° 
Congregação, na aldeia Jaguapirú, Terra Indígena Horta Barbosa, no município 
de Dourados na vida dos jovens Terena. Verificar se a participação dos jovens na 
1° Congregação contribui na formação de lideranças Terena; perceber se a 
participação dos jovens Terena da 1° Congregação contribui em sua vida fora do 
espaço religioso; comparar a vida da juventude Terena da 1° Congregação com 
os não adeptos buscando perceber se essa participação produz alguma 
especificidade no grupo. 
 
Palavras chave: Indígenas; Jovens; 1° Congregação. 
 
 
A INFLUÊNCIA DAS RELIGIÕES NA ALDEIA PORTO LINDO, 
MUNICÍPIO DE JAPORÃ – MS. 
 
Nilton Vera 
Professor indígena da etnia Guarani na Escola Municipal Indígena de Porto Lindo. 
E-mail: niltonnhandeva@gmail.com 
 
RESUMO: Esta pesquisa está em desenvolvimento na área de ciências 
humanas da licenciatura intercultural indígena da Universidade Federal da 
Grande Dourados – UFGD. Escolhi esse tema porque tem uma grande 
importância para ser estudado dentro da Aldeia Porto lindo. Esta aldeia possui 
aproximadamente 7000 indígenas guarani nhandeva. Com esta pesquisa quero 
investigar sobre a religião indígena e não-indigena. Por religião indígena 
menciono as práticas de rezas como, por exemplo, Guachire, mitã karai, entre 
outras que o Guarani praticava frenquentemente nesta aldeia até 1994 e depois 
foram aos poucos se enfraquecendo. Pretendo explicar através das pesquisas 
porque ocorreu isso que até aqui cada vez mais vai desaparecendo a prática 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
religiosos indígenas. Da religião não-indígena como igrejas pentecostais e 
presbiteriana e outros, quero pesquisar com mais velhos ou lideranças ou 
próprio pastores sobre como se adentrou estas religiões não-indígenas dentro 
da aldeia e descobrir o período em que isto aconteceu, além de descobrir se 
houve participação do chefe da Funai ou capitão da aldeia. Desejo entender e 
comparar o trabalho espiritual da igrejas com as rezas. Descobrir se tem algunsobjetivos ou algumas semelhanças entre os trabalhos dos dois religião 
pertencente hoje na aldeia. Entre os temas a serem investigados, perguntarei 
aos parentes sobre o comportamento dos líderes religiosos não-indigenas e 
indigenas, considerando que a Aldeia Porto Lindo conta hoje com 25 
ministérios das igrejas e nenhuma casa de reza (Ogapysy). Nesta pesquisa 
quero explicitar a visão da comunidade sobre esse fato, qual o papel das igrejas 
dentro das aldeias: apoiam também a religião indigenas que já existia, ou a 
combatem, o que as igrejas têm a contribuir com a religião indígena (ex: jeroky, 
guachire, mitã karai e outro rituais indigenas). Pretendo esclarecer os leitores 
sobre as diferenças da religião que hoje aldeia enfrentam e qual e a função dos 
dois, se ele se combinam ou cada um pra si. Quero pesquisar sobre o batismo de 
rezas e da igrejas e quais são as finalidades dos batismos em ambas as religiões. 
 
Palavras-chave: religiosidades, rituais, colonialismo. 
 
 
AVATIKYRY: REPRESENTAÇÕES E SIMBOLOGIAS ENTRE OS 
KAIOWA DE PANAMBIZINHO 
 
Raul Claudio Lima FALCÃO 
Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) 
 
RESUMO: Incorporados a uma forma singular que pode constituir-se em uma 
linguagem sócio-política de resistência, mediatizados por sujeitos históricos 
capazes de transformar sua própria realidade, os rituais indígenas implicam em 
um processo vivo de rememoração e ressignificação permanente, constituindo 
assim, um movimento de dinamicidade estrutural e de eficácia simbólica. 
Entendendo que estas práticas se configuram em uma das principais 
manifestações de um povo, e que a partir destas, podemos caminhar para uma 
possível construção de uma reflexão sobre o universo das relações sociais 
formalizadas entre os membros deste grupo – e até mesmo com outros grupos – 
espaços e posições sociais, pretendo com a realização deste trabalho, apresentar 
uma análise etnográfica centrada a partir do Avatikyry2, um significativo ritual 
realizado pelos índios Kaiowa habitantes da Aldeia de Panambizinho localizada 
no município de Dourados, Estado do Mato Grosso do Sul. No intuito de 
delinear essa problemática sobre possíveis representações e simbologias 
incorporadas ou expostas no ritual, espero trabalhar com os seguintes aspectos: 
A complementaridade do espaço ritualístico, pensando além de seus limites (se 
houver); as relações sociais construídas dentro e fora da aldeia. O solo como 
 
2 Segundo CHAMORRO (1995, p.75) Avatiky é o milho. Avatikyry é a bebida feita do milho e 
que dá nome a festa que se celebra para batizar a nova colheita de milho, desta conceituação, constitui-se 
o nome: Festa do milho novo. In Kurusu Ñe’ëngatu: palavras que la historia no podría olvidar. Centro 
de Estudios Antropológicos de la Universidad Católica “Nuestra Señora de la Asunción”. Asunção – 
Paraguay. 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
sagrado e a importância do milho para o grupo: substância corporal e espiritual 
e como é vista essa relação do homem (índio e não índio) com a natureza. Sobre 
a importância da preservação linguagem materna e ritual. A corporalidade como 
idioma simbólico, noções sobre construção da pessoa Kaiowa, complexos de 
cura e adoecimento e como a deturpação do entendimento das práticas 
ritualísticas podem atribuir significações na sua vida cotidiana. Perceber e 
interpretar a questão da violência externa e interna (em relação a terra, o milho 
e ao povo Kaiowa) e realizar uma possível conexão ao ritual. Utilização de 
artefatos rituais e quais possíveis ligações com a atividade humana. O que os 
indígenas entendem sobre o ritual e qual a sua importância. 
Palavras-chave: Kaiowá; Avatikyry; Representações e simbologias; 
Resistência. 
 
COSMOLOGIA GUARANI- ÑANDHEVA, KAIOWÁ E MB’YA: A 
PARTIR DE ANÁLISE HISTÓRICA, FILOSÓFICA, ARQUEOLÓGICA E 
ANTROPOLÓGICA 
 
Rosalvo Ivarra Ortiz 
 
RESUMO: Este projeto de pesquisa tem como desígnio, fazer um levantamento 
histórico, filosófico, arqueológico e antropológico (foco principal da pesquisa) 
da cosmologia/mitologia dos grupos concernente ao Tronco Linguístico 
Guarani-Ñandheva, Kaiowá e Mb’ya (SCHADEN2, 1974), de dois estados 
brasileiros: Mato Grosso do Sul e Santa Catarina. Desta forma, buscará avençar- 
se como surgiram e transformaram- se a mitologia desses grupos étnicos ao 
longo da história (CADOGAN3, 1953a). Portanto, inicialmente serão inquiridos 
os primeiros relatos que referem- se à cosmologia Tupi- guarani (MONTOYA4, 
1645). As posteriori serão descritos os mitos sobre o exórdio, a alomorfia e o 
niilismo do mundo e seus incrementos (NIMUENDAJU5, 1912). Logo em 
seguida serão utilizados os métodos comparativos sobre a epistemologia e 
ontologia dos três grupos, onde assemelham- se e onde diferenciam- se uma das 
outras no que tangem à cosmovisão (ESPINA BARRIO6, 1992). É por limiar 
será analisado as lutas e as resistências de lideranças Guarani para acondicionar 
a sua cosmovisão frente ao transcurso do processo de catequização e 
colonização, que foram desenvolvidos desde o advento dos europeus ao atual 
Brasil (MELIÁ7, 1987). 
 
Palavras- chave: Mitologia Guarani. Diferenças Étnicas. 
Colonização/resistências. 
 
 
INDÍGENAS NAS REDES XANÂNICAS CONTEMPORÂNEAS E O 
CONSUMO RITUAL DE PSICOATIVOS 
 
Saulo Conde Fernandes 
Graduado em História pela UFMS, mestre em Antropologia pela UFGD. 
Membro do NEIP (Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos). 
Tutor na pós-graduação em EAD pela UFMS “Antropologia e História dos Povos 
Indigenas”. 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
 
RESUMO: Nas redes xamânicas contemporâneas entrecruzam-se modalidades 
religiosas diversas: xamanismos indígenas (em especial de etnias do tronco 
linguístico Pano, como Huni Kuin, Yawanawa, Arara); neo-xamanismos (novos 
modelos de espiritualidade, performances rituais, consumo e terapia, que 
mesclam elementos de diversas tradições); religiões ayahuasqueiras, 
principalmente o Santo Daime. Adquirem demasiada importância, neste 
circuito, as substâncias psicoativas consumidas ritualmente, denominadas de 
Medicinas da Floresta e tidas como capazes de curar física e espiritualmente. 
São elas: ayahuasca (bebida feita a partir da decocção do cipó Banisteriopsis 
caapi e da folha do arbusto Psychotria viridis), rapés (tabaco macerado com 
outras plantas), sananga (“colírio da floresta”, líquido feito com diferentes 
espécies de plantas), kambô (“vacina do sapo”, secreção da rã arbórea 
Phyllomedusa bicolor). Estas novas redes se configuram como circuitos, por 
onde circulam os atores sociais, os saberes, e as substâncias. A partir da aliança 
com setores daimistas e neo-xamânicos, indígenas oriundos da Amazônia 
Ocidental realizam rituais com as Medicinas em diversas localidades do mundo, 
num trâmite de transnacionalização das culturas religiosas das etnias Pano. 
Nessas redes de relações e interações culturais, tradições são ressignificadas, 
quando não inventadas. 
 
O PETYNGUA: -KA’U COMO VIAGEM XAMÂNICA 
 
Vicente Cretton Pereira 
Universidade Federal de Alfenas 
 
RESUMO: O presente trabalho busca analisar o xamanismo mbya guarani a 
partir da embriaguez (-ka’u), efeito do uso de tabaco. Dada a condição tekoaxy 
(“perecível”) desta terra em que se vive o uso de petyngua (cachimbo) constitui-
se num dispositivo fundamental de controle ou de bloqueio dos perigos que 
emanam de subjetividades maléficas que habitam o cosmo mbya. Embora o 
efeito do tabaco seja o de “embriagar” a pessoa, como o do álcool, ele é posto 
duplamente em oposição a este: se é preciso “saber beber”, evitando excessos no 
uso do álcool, dizem comumente que o xamã é alguém que precisa agüentar o 
excesso do uso de tabaco a fim de realizarsuas curas; além disso, se a bebida 
aproxima a pessoa do ponto de vista dos mortos, o petyngua faz o mesmo porém 
em relação à perspectiva dos deuses. O uso do petyngua, a qualquer momento 
do dia, manifesta uma afecção ou um desejo divino – é o nhe’ë (alma) que quer, 
me diziam – o que levou-me a pensar nas relações de distância (afastamento, 
aproximação) que são ativadas por este dispositivo. Como tanto o calor quanto o 
frio excessivos estão associados à aproximação dos espíritos dos mortos, sugeri 
que o uso do petyngua ajusta a temperatura do corpo a um grau mediano de um 
gradiente de calor, através de uma aproximação com os divinos e um 
simultâneo afastamento de potências causadores de males. Não se trataria 
assim, no xamanismo mbya, nem de esquentar a pessoa e tampouco de esfriá-la, 
mas sim de esfriar aquele que se encontra demasiado quente e de esquentar 
aquele que está gelado. 
 
Palavras-chave: Mbya Guarani; xamanismo; embriaguez. 
 
 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
 
 
O ENSINO DAS LINGUAGENS NA ESCOLA INDÍGENA DE JAPORÃ, 
MS. 
 
 André Centurion (FAIND/UFGD) 
 Adriana Oliveira de Sales (FAIND/UFGD) 
 
RESUMO: Essa comunicação tem como objetivo apresentar minha experiência 
no estágio de observação na área de linguagens da Licenciatura Intercultural 
Indígena –Teko Arandu. As observações foram feitas na Aldeia Porto Lindo, 
MS. Nessa aldeia, são aproximadamente 1200 alunos matriculados na rede 
municipal de ensino. Nesse sentido, as observações puderam mostrar o trato 
que se tem dado ao ensino de línguas de uma forma geral, a língua indígena e a 
língua portuguesa. Também artes e educação física. Fazendo e demonstrando 
esse diagnóstico poderemos conscientizar os alunos a preservar e fortalecer a 
cultura e a nossa língua materna, buscar identificar possíveis alternativas de 
superação e resistência na condução da ação de alfabetização na língua indígena 
guarani ñandeva ; e no melhor trato com a língua nos anos finais do ensino 
fundamental e ainda, como podemos melhorar o ensino de língua portuguesa 
como segunda língua, das artes e educação física. 
 
Palavras-chave: Educação escolar indígena, ensino de línguas , Língua 
Indígena, Língua Portuguesa. 
 
 
AVA REKOTEE: CULTURA TRADICIONAL GUARANI NA ALDEIA 
PORTO LINDO 
 
Edinaldo Martins- Guarani 
Acadêmico da UFGD da licenciatura intercultural indígena 
Aldeia porto lindo município de Japorã-MS 
 
RESMO: Essa pesquisa pretende refletir sobre as crianças da nossa aldeia. 
Lideranças, pais e professores, sempre se preocupam porque as crianças 
conhecem pouco a nossa história, a nossa cultura, a nossa tradição, enfim, o 
nosso teko. Então o objetivo seria refletir e conhecer o que é mesmo nossa 
cultura tradicional, como e o que fazer para valorizar, principalmente o 
fortalecimento da nossa cultura, que hoje está sendo influenciada pelas músicas 
populares, pela escola, pela língua portuguesa e pelos costumes dos brancos –
karai reko. A nossa cultura está sendo deixada, substituída pela cultura 
ocidental, isto é mais forte principalmente entre os mais jovens. Houve o 
enfraquecimento dos caciques, das lideranças, educação indígena, e dos 
conhecimentos tradicionais como armadilha, artesanato, dança, guaxiré, jogos, 
brincadeiras e entre outros. Portanto com essa pesquisa conhecer melhor a 
minha cultura, o modo de ser guarani rekotee de porto lindo e identificar como 
lideranças, tradicionais, pais e jovens, estão pensando as transformações pelas 
quais a cultura vem passando. E então pretendo primeiro conhecer a história 
das famílias, conversar com o cacique, rezadores para conhecer o nosso modo 
de ser desde o início, como era e como foi e o que podemos fazer para manter e 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
fortalecer novamente; porque hoje em dia na nossa aldeia em relação a isso 
pouco é valorizado, por isso meu objetivo é trazer o que cada um dos 
interlocutores pensa a respeito do nosso teko. 
 
Palavra-chave: transformações, cultura, criança indígena. 
 
 
É IMPORTANTE OFERTAR EDUCAÇÃO ESPECIAL PARA OS 
GUARANI KAIOWÁ? 
 
 Heliodoro de Almeida – UFGD/PIBID-D 
 Adriana Oliveira de Sales–UFGD/PIBID-D 
 
RESUMO: Essa comunicação tem como objetivo discutir sobre a educação 
especial para os povos Guarani/Kaiowá.O que me motivou a desenvolver esse 
trabalho é a inserção como professor na sala de recursos multifuncionais na 
escola extensão Loíde Bonfim Andrade na aldeia Te’yikue, município de 
Caarapó, MS.Por muito tempo, os estudante não avançavam em seu 
aprendizado escolar. Situações como repetência, não acompanhamento das 
aulas eram constantes, por esse motivo, iniciou-se uma procura das famílias por 
atendimentos às crianças com deficiências. Nesse sentido a escola se viu tendo 
que responder a demanda da comunidade. Por essa razão, apresento a 
experiência da implantação da sala de recursos multifuncional da escola 
indígena e apresento o trabalho que está sendo feito com jogos e estratégias 
para cada uma de suas necessidades apresentadas. A escola vem se atentando 
para essas diferenças por meio de palestras, orientações por escola e estratégias 
diferentes para saber atender esse público. Esse trabalho se torna relevante a 
medida em que suscita discussões de educação especial e cultura, direitos de 
escolarização e atendimento diferenciado para que se torne na escola um ensino 
diferenciado, especifico, bilíngue, intercultural e inclusivo. 
 
Palavras-chave: Educação Especial; povos indígenas; Educação e cultura. 
 
ENSINO DE LINGUAGENS NOS ANOS FINAIS DO ENSINO 
FUNDAMENTAL DE ESCOLA INDÍGENAS. 
Janete de Souza 
 
RESUMO: Essa comunicação tem como objetivo apresentar minha experiência 
no estágio de observação na área de linguagens da Licenciatura Intercultural 
Indígena –Teko Arandu. As observações foram feitas na Aldeia de Dourados, 
MS. As observações puderam mostrar o trato que se tem dado ao ensino de 
línguas de uma forma geral, a língua indígena e a língua portuguesa. Também 
artes e educação física. Fazendo e demonstrando esse diagnóstico poderemos 
conscientizar os alunos a preservar e fortalecer a cultura e a nossa língua 
materna, buscar identificar possíveis alternativas de superação e resistência na 
condução da ação de alfabetização na língua indígena ; e no melhor trato com a 
língua nos anos finais do ensino fundamental e ainda, como podemos melhorar 
o ensino de língua portuguesa como segunda língua, das artes e educação física. 
 
Palavras-chave: Linguagens, Escola Indígena, Ensino de Línguas 
 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
 
OCUPAÇÃO TRADICIONAL DA ALDEIA CERRITO, ELDORADO – MS 
 
 
 Josemar Benites 
Acadêmico indígena da etnia Guarani, área de ciências humanas, licenciatura 
intercultural indígena. E-mail: licenciaturaindigena@ufgd.edu.br. 
 
RESUMO: A escolha desta pesquisa “ocupação tradicional da aldeia Cerrito”, é 
uma forma de contar a história das famílias que foram removidas de suas terras 
tradicionais. Registrar como foi o inicio da chegadas dos karais (não- indigenas) 
e das cercas que limitaram nossa aldeia. A grande preocupação de realizar 
urgentes esta pesquisa é porque há pessoas, moradores e famílias antigas que 
ainda conhecem a história de remoção da aldeia Cerrito. Outras que conheciam 
já faleceram e muitas estão idosas. Por isso, o meu objetivo e resgatar a história 
e fazer reflexões sobre desse tema atraves de pesquisa de campo, emlivros e 
entrevistas com índios e não-índios que testemunharam as remoções. Uma das 
técnicas que utilizarei será a produção de mapas com os estudantes a partir dos 
depoimentos das famílias, indicando onde eles moraram e qual o nome dos 
lugares tradicionais. A pesquisa em livros será necessária para registrar a 
participação da igreja católica e da companhia matte larangeira no processo de 
aldeamento e exploração do trabalho indígena nos ervais. Durante este período, 
os mais antigos relatam que muitas terras foram ocupadas pelos karai (não-
índios), removendo famílias, muitas vezes com violência. O processo de 
remoção consistiu na apropriação ilegal tomando a posse da terra dos indigenas 
da regiao. E levantar quais líderes tomavam a frente na recuperação da terra na 
época para defender as poucas terras que sobraram para as famílias. 
 
Palavras-chave: Remoção, Aldeia Cerrito, Companhia Matte Larangeira, 
Igreja católica, exploração da mão-de-obra. 
 
AUTONOMIA GUARANI CHARAGUA IYAMBAE: OS DESAFIOS 
PARA SUPERAÇÃO DA COLONIALIDADE DO PODER 
 
 Ludmila Ferreira Ribeiro 
Mestranda em Integração Contemporânea da América Latina (PRPG-ICAL) 
Universidade de Integração Latino Americana (UNILA) 
 
RESUMO: Em Charagua, capital da Província boliviana de Cordillera território 
onde mais de 60 % da população é Guarani, uma nova etapa de concretização da 
autonomia indígena prevista na Constituição do Estado Plurinacional da Bolivia 
foi conquistada. Charagua é o primeiro município a se tornar autônomo. A 
Autonomia Guarani Charagua Iyambae é uma conquista histórica para os 
séculos de resistência da Nação Guarani que, dividida pelas fronteiras dos 
Estados Nacionais da Bolívia, Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, luta para 
reconstituir sua territorialidade. Na Bolívia, após a Batalha de Kuruyuqui, em 
1892, que resultou no assassinato de milhares de Guaranis, houve um longo 
período de silêncio e submissão. Muitas famílias migraram para a Argentina, 
outras tantas passaram a viver “apatronadas” trabalhando em fazendas em um 
sistema de semi-escravidão. Muitas outras mortes ocorreram na Guerra do 
Chaco até que a Nação Guarani começou a se reorganizar. Em 07 de fevereiro de 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
1987, em uma grande assembleia realizada no município de Charagua, foi 
fundada, a Asamblea del Pueblo Guarani - APG. 
 
A RESISTÊNCIA DO FEMINISMO INDÍGENA: A LUTA DAS 
MULHERES GUARANI KAIOWA 
Nôemia dos Santos Pereira Moura (Orientadora) 
Ane Caroline Dos Santos (graduanda) 
Átila Maria do Nascimento Corrêa (graduanda) 
 
Resumo: Torna- se de grande importância para as delimitações das líneas dos 
nossos conceitos de feminismo quanto movimento, a discussão das demandas, 
dizeres, que fluem a partir da maior visibilidade dos grupos étnicos quando geo-
ambientados. A poposta é de que possamos elucidar o contexto indígena 
brasileiro, tendo o feminismo nas sociedades ameríndias. A partir da década de 
90 os departamentos e organizações femininos na Amazônia brasileira 
começam, a reinvidicar em âmbito nacional e internacional pauta de e por suas 
mulheres, tais como os direitos de seu gênero, acarretando dessa forma o 
fortalecimento da luta, das mesmas diante o seu povo. Contextualizando no 
hoje, discorreremos sobre as interfaces da relação da mulher indígena com o 
trabalho, poder e sua participação na comunidade indígena guarani kaiowá. 
Tendo a atribuição do valor de seus papéis, mas para um gênero do que para o 
outro, cabe a elas auxiliar na renda familiar, na criação dos filhos e na 
resistência da cultura de seu povo em um cenário regado com o alcoolismo e 
perda da identidade por parte dos homens, que se tornam mais risíveis onde as 
reservas foram constituídas próximas aos espaços urbanos. 
 
Palavras-chave: Mulher Indígena, Resistência, Movimento feminista dentro 
da comunidade indígena. 
 
MEMÓRIA E FEITURA DE ARMADILHAS GUARANI ÑANDEVA 
 
 Rafael Rodrigues Caceres 
FAIND/UFGD 
 Adriana Oliveira de Sales 
FAIND/UFGD 
 
RESUMO: Essa comunicação visa registrar as armadilhas guarani, com o 
intuito de ensinar também depois nas escolas da minha comunidade , para que 
futuramente essas armadilhas não se percam. O motivo desse trabalho é 
desenvolver um ‘’cartão de memória’’ sobre as armadilhas guarani ñandeva, 
visto elas terem sido usadas durante muitas décadas para se conseguir as carnes 
frescas que a natureza oferecia. Com a natureza totalmente destruída, a 
utilidade dessas armadilhas foi se perdendo, como também o seu valor. Deste 
modo, os pais e os avôs foram deixando de ensinar a fazer essas armadilhas, 
pois não haveria onde as usar para pegar os alimentos que vêm da natureza, 
principalmente as carnes; Com as florestas desmatadas, essas armadilhas foram 
ficando esquecidas. Para não se perder totalmente nas nossas memórias e até 
mesmo para sempre, resolvi desenvolver esse trabalho, para buscar e registrar 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
essas armadilhas e explicar como elas eram feitas e onde eram utilizadas pelos 
guarani ñandevaBuscar registrar as armadilhas guarani ñandeva por meio de 
desenhos e fotos; Registrar para que tipos de animais da floresta essas 
armadilhas eram feitas;Saber quem as produzia; Buscar conhecer o passo-a-
passo da produção dessas armadilhas;Levar esses conhecimentos, num 
primeiro momento, às crianças da minha comunidade, para que elas saibam 
como os nossos antepassados usavam essas armadilhas a seu favor. 
 
Palavras-chave: Mémoria do guarani nãndeva, armadilhas, cultura 
 
ENSINO DE LÍNGUAS NA ALDEIA TE'ÝIKUE, CAARAPÓ, MS. 
 
 Rosileide Barbosa de Carvalho 
FAIND/UFGD 
 Adriana Oliveira de Sales 
FAIND/UFGD 
 
RESUMO: Essa comunicação tem como objetivo apresentar o Ensino de 
Línguas na Aldeia Te’ýikue de Caarapó. Essa pesquisa tem início com o 
diagnostico apresentado em 1997, que apontava a repetência 47% e abandono 
28% estudantes nas escolas da reserva indígena, esse panorama se confirma até 
os dias atuais. Esse é resultado de uma proposta de uma educação escolar 
pensada a partir de pensamento não indígena, o processo integracionista e 
assimilacionista por qual passaram os povos Guarani e Kaiowá, podemos 
destacar que há uma “guerra linguística” entre língua indígenas e língua 
portuguesa. Por essa razão, venho discutir como está o ensino de língua 
indígenas e língua portuguesa nessa aldeia. E ainda, apontar como se poderia 
pensar um ensino que valorize a língua materna e insira a língua indígena de 
fato onde ela deve estar, como segunda língua. 
 
Palavras-chave: Ensino de Línguas, Escola Indígena, Metodologias de ensino. 
 
GENOCÍDIO DOS POVOS INDÍGENAS APÓS 1915 
 
Valdenir Romero 
Acadêmico indígena da etnia Guarani, área de ciências humanas, licenciatura 
intercultural indígena. E-mail: licenciaturaindigena@ufgd.edu.br 
 
 
RESUMO: Esta pesquisa está em fase inicial e será desenvolvida como 
trabalho de conclusão de curso. O objetivo é conhecer como viviam os Guarani 
na época de 1915, como era sua vida antes de chegada da SPI (1915) e FUNAI 
(1969), além da chegada da missão evangélica alemã e os fazendeiros, além do 
impacto que estes agentes externos produziram sobre o nosso jeito de ser (teko). 
Em conversas com os mais velhos, percebi que naquele tempo os parentes se 
sustentavam, procuravamm os remédios e tratamentos tradicionais e 
produziam as próprias ferramentas, não havendo registro, até então de falta de 
alimento. Os entrevistadosem rodas de tereré me relataram que roçavam a 
mata, faziam carpida na roça. Os materiais utilizados eram variados, incluindo 
pedras. Após o período de 1915 e 1928, muita coisa mudou, nem sempre para a 
melhor, pois a chegada dos karai contribuiu para combater este modo de vida, 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
eliminando as práticas de vida coletivas tradicionais dos povos indígenas. A 
pesquisa será direcionada para ouvir os mais antigos sobre as estratégias para 
recuperar os conhecimentos indígenas guarani e kaiowá, que não estão 
esquecidos, apenas adormecidos, sendo possível ativá-los. O conhecimento 
indígena foi, em minha visão, afogado com a chegada da Funai, do SPI e da 
Missão. Esta é a razão pela qual desejo pesquisar este assunto. 
 
Palavras-chave: Genocídio, Aldeia Pirajuí, Funai, SPI, Missão, conhecimentos 
tradicionais guarani e kaiowá. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
 
SENTIDOS: (DES) ENCONTROS E ENCONTROS NA 
INVISIBILIDADE DOS SABERES VIVENTE / VIDENTE EM ESPAÇOS 
AMERÍNDIOS. 
 
Adma C. S. Oliveira 
Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Educação da UFMT (Universidade 
Federal de Mato Grosso) e professora da UEMS (Universidade Estadual de Mato 
Grosso do Sul). 
 
Luciene Flores 
Professora municipal do ensino básico- Escola Municipal Tengatui Marangatu – Polo 
Dourados/MS. 
 
 Ana D. Mendes 
Professora Doutora da área de literatura no curso de Letras - Português/Inglês, na 
UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul) Polo, Dourados –MS. 
 
RESUMO: O objetivo desta pesquisa é coletar vozes, a fim de compreender a 
identificação cultural, identificação, dos mitos e a relação de circularidade 
cultural do ser indígena. Permeada pela memória ancestral, por meio das 
escutas orais dos indígenas nos apropriamos dos estudos culturais que dialoga 
com a temática das relações ameríndias, pois ao olhar, ouvir e registrar as vozes 
indígenas revive - se a oralidade desvela-se a construção da identidade cultural 
do mito e o sentido desta oralidade que e transmitida de parentela a parentela, 
analisamos alguns pontos das práticas culturais presentes nos fazeres do 
contexto pesquisado, a partir de fragmentos da fala, colhida por meio da 
entrevista, e da análise do altar, consagrado no interior do espaço teofânico, 
especial localizado na residência de uma das escutas. Registramos e 
participamos do conhecer/reconhecer o espaço, também pela vivência de uma 
das pesquisadoras na comunidade. Considera-se relevante o lugar aldeado por 
pertencer à proximidade fronteiriça do Mato Grosso do Sul. As oralidades 
colaboram com o descortinar o outro olhar humano, olhar este 
histórico/ambiental/social/ancestral/educacional/religioso/cultural. Esta 
pesquisa de cunho etnográfico terá subsídio bibliográfico da fenomenologia 
merleaupontyana e dialogará com alguns apontamentos culturais coletados no 
sincretismo da: religião/memória, no contexto do meio social e singular da 
cultura Terena. 
 
Palavras-chave: Circularidades – Saberes – Fenomenologia 
 
 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
O CINEMA INDÍGENA NO CAMINHO DA DESCOLONIZAÇÃO E DA 
AUTONOMIA 
 
Ana Carolina Estrela da Costa 
 
RESUMO: A mostra "O Olhar Como Forma de Resistência", no festival 
Forumdoc.2016, na UFMG, reuniu dezenas de realizadores indígenas 
latinoamericanos, exibindo e comentando seus trabalhos. No cerne dos debates, 
a demanda pela ocupação, descolonização e transformação de instituições 
através do vídeo. Vimos experiências contrastantes, como, por exemplo, de 
cineastas bolivianos que conquistaram espaço nas políticas públicas nacionais, 
com redes de rádio/TV e centenas de produções. Mas os coletivos e cineastas 
brasileiros, como os Maxakali, Krahô, Xavante, Guarani, Kuikuro, Kaiowá, 
Kalapalo, mostraram ali um cinema distante daquele documentário com voz off 
explicando um contexto, pessoas respondendo a entrevistas, e imagens 
ilustrando o assunto com uma trilha sonora. A estratégia de cineastas e coletivos 
latinoamericanos, em geral, parecia ser produzir um material a partir das 
demandas locais para contrapor suas lutas à invisibilização nos meios de 
comunicação. Mas o "cinema indígena" brasileiro ali mostrado não se incomoda 
se o evento filmado não é completamente explicado, admitindo que filmadores e 
filmados construam o filme enquanto produzem aquilo que se filma. A direção 
primordial parece ser dos mestres dos ofícios e saberes filmados, e 
especialmente dos xamãs, que além de mediarem relações com os "donos" 
míticos/ancestrais desses saberes, são especialistas no olhar e na escuta: ou 
seja, justamente no que se põe em jogo no cinema. Filmes como os dos Krahô e 
dos Maxakali, que não necessariamente trazem discursos políticos de disputa 
por poder e negociação de direitos, constituem um exercício político-relacional. 
Eles trazem aos expectadores uma experiência sensível que suspende o tempo 
da "informação" e convoca nosso olhar e escuta para o encontro em que consiste 
a filmagem. Talvez por isso, terminado um filme Krahô, ao fim da mostra, o 
cineasta xavante Divino Tserewahú tenha declarado: "isso é que é cinema, 
indígena mesmo", reconhecendo, ali, a política relacional de um olhar que não 
só captura e informa. A incursão de pensadores indígenas no modelo acadêmico 
de produção de conhecimento atravessa desafios para implementar diálogos que 
resistam à colonização técnico-científica. Mas examinando recentes realizações 
cinematográficas indígenas brasileiras e a crescente demanda pela formação de 
cineastas e pela circulação de filmes, percebemos que o cinema, como tecnologia 
relacional e dinâmica de produzir e descrever eventos a partir do olhar e de 
escuta, permite mais autonomia aos realizadores, que submetem sua produção 
aos seus modos necessariamente coletivos de estabelecer e negociar relações, 
propor narrativas e experiências sensíveis, e produzir e fazer circular saberes. 
 
Palavras-chave: Cinema Indígena, políticas ameríndias, olhar e escuta. 
 
 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
SABERES E DISPOSIÇÕES GUARANI PARA COM OS BRANCOS NA 
OBRA DE EGON SCHADEN 
Augusto Ventura dos Santos 
RESUMO: O presente trabalho visa discutir um aspecto central dos escritos do 
antropólogo Egon Schaden sobre as populações guarani. Trata-se das 
considerações sobre saberes e disposições indígenas para com os brancos. Num 
primeiro momento, pretende-se reconstituir brevemente a argumentação geral 
do autor a respeito, que diagnostica “um dilema insolúvel” (Schaden, 1969: 117) 
ocasionado pela retroalimentação de três “fatores”: o “profundo anelo religioso” 
guarani, “a cataclismologia e, concretamente, o pavor da iminente destruição do 
mundo”, e “o estado de deprivation acarretado pelos contatos culturais” 
(Schaden, 1974 [1954]: 176). Tal retroalimentação levaria a uma situação crítica 
para a qual a “única alternativa possível” seria, segundo Schaden, “a resignação” 
dos guarani (Schaden, 1969: 117). Num segundo momento, propõe-se 
confrontar este diagnóstico, mostrando que, longe da resignação, as populações 
guarani conseguiram construir alternativas importantes no bojo da relação com 
os brancos que não estavam previstas em análises do tipo. Para embasar teórica 
e descritivamente este ponto, pretende-se remeter às reflexões do professor 
kaiowá Eliel Benites, contidas em sua dissertação de mestrado (Benites, 2014). 
Ao falar sobre seu engajamento no movimento de professores kaiowá e guarani 
e nos movimentos de aty guasu, Benites parece indicar uma outra maneira 
indígena de lidar com os karai que, a nosso ver, não foi devidamente ressaltada 
por Schaden em razão de sua análise estar fundamentada na noçãode 
aculturação. Pretende-se sugerir que a chave para compreender essa divergência 
analítica parece ser a diferença nas concepções que cada um guardava a cerca da 
ideia de “resistência cultural”. 
 
Palavras-chave: Egon Schaden; Modos de relação; Kaiowá e Guarani; Modos 
de Saber. 
 
 
SOBRE A JURUALOGIA: CRÔNICAS MBYÁ-GUARANI NO CONE 
SUL 
 
Bruno Nascimento Huyer 
 
RESUMO: Este trabalho traz algumas considerações preliminares a partir de 
pesquisa etnográfica que venho realizando entre os Mbyá-Guarani na região sul 
do Brasil e norte da Argentina no âmbito de meu mestrado ainda em 
andamento. Buscarei apresentar relatos e histórias relativos às alteridades, 
humanas e não-humanas, presentes no cotidiano Mbyá-guarani dando destaque 
a relação com os não-indígenas. O objetivo da pesquisa foi explorar um ponto de 
vista Mbyá-guarani sobre o colonialismo, investindo nas consequências 
antropológicas de algumas histórias e eventos nos quais pode-se destacar um 
profundo conhecimento indígena sobre as dinâmicas coloniais praticada pelo 
juruá (brancos, não-indígenas). Começando com a origem das juruá nhe’e 
(almas dos brancos) a partir de uma árvore de proporções colossais, onde uma 
lagarta as envia para esta terra, os brancos parecem possuir uma potência 
colonialista difícil de neutralizar. Se os tornam parentes, os Mbyá correm o risco 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
de uma miscigenação consumptiva; se ficam distantes demais eles não param de 
se multiplicar e seguir sobrepondo seus campos às matas. Nesta terra, os juruá 
(brancos) seguem desfazendo o acordo tácito da boa distância quando não 
escutam os ensinamentos divinos: “Para nós os brancos não pensam”, alguns 
Mbyá ressaltem, pois se a cabeça fabrica os pensamentos é com o coração que se 
deve pensar – algo visto como incapaz aos juruá. É através, portanto, destes 
eventos de contato e relação com o não-indígena, histórico-biográficos e 
também mitológicos, que buscarei pensar as noções mbyá sobre o relacionar-se 
com as diferenças, mais especificamente com os juruá. Esses acontecimentos 
contemporâneos parecem possibilitar a investigação de uma possível teoria 
mbyá sobre o colonialismo em geral, e sobre os brancos em particular. 
 
Palavras-chave: Mbyá-guarani; Parentesco; Colonialismo. 
 
 
 
MODOS DE SABER GUARANI KAIOWÁ NA CONSTRUÇÃO DA CASA 
DE SAPE 
 
Dorival Ramires 
Estudante da Licenciatura Intercultural Indígena – Teko Arandu, habilitação 
em Matemátcia, FAIND-UFGD. 
 
Maria Aparecida Mendes de Oliveira 
Professora da Licenciatura Intercultural Indígena – Teko Arandu, habilitação 
em Matemátcia, FAIND-UFGD, e-mail: liamendeso@yahoo.com.br 
 
Marianna Florentina Lima Alves de Oliveira Drumont 
Professora da Licenciatura Intercultural Indígena – Teko Arandu, habilitação 
em Matemátcia, FAIND-UFGD, e-mail: mariannaflima@gamil.com 
 
RESUMO: A pesquisa sobre os saberes indígenas e a ação pedagógica em sala 
de aula é cada dia mais importante na construção de uma escola indígena que 
atenda as diferentes formas de saber presentes nas práticas de um povo. Mais 
especificamente o ensino de matemática, nas es colas indígenas segue uma 
lógica onde não se considera os modos de saber presentes entre as comunidades 
indígenas. Este trabalho, é resultante de pesquisa, em andamento, realizada 
como atividade de Projeto de Alternância, desenvolvido no curso de 
Licenciatura Intercultural Indígena, habilitação em Matemática, da UFGD. Tem 
como objetivo a elaboração de recursos didáticos pensado a abordagem de 
ideias matemáticos presentes nas práticas de construção de uma casa de sape, 
dos Guarani Kaiowá. O trabalho é realizada na área Indígena Sasoró, município 
de Tacuru-MS. Nesta pesquisa buscamos, na construção das casas de sapê, 
apresentar a etnomatemática presente nesta prática. Abordamos 
principalmente as práticas de medida/representação de tempo/espaço, e o 
papel de cada sujeito no processo de construção de uma casa. Nestas práticas 
são mobilizadas lógicas de pensamento, organização e linguagem bem distintas 
da linguagem matemática presentes na escola. Entendemos que ao trazer a 
etnomatemática indígena para a ação pedagógica em escola indígena, em 
situação de reserva, colocamos em ação os diferentes conhecimentos em 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
diálogo. E um primeiro passo para pensarmos materiais didáticos específicos 
para o ensino das crianças indígenas. 
 
Palavras-chave: educação escola indígena; conhecimento indígena; 
etnomatemátcia. 
 
 
 
GRAFISMO NA COMUNIDADE KAIOWÁ DE ITAY KA’AGUYRUSU 
 
Gilcacia Gündel Saldanha 
Graciela Chamorro 
 
RESUMO: O presente trabalho apresenta os padrões gráficos conhecidos pela 
comunidade Kaiowá de Itay Ka‟aguyrusu, da Terra Indígena Panambi, no 
município de Douradina, Matogrosso do Sul, especialmente pelo seu líder, 
senhor Joel Hirto e por Dona Mereciana. Nesta monografia constam os 
grafismos desenhados, seus respectivos nomes em língua kaiowá com sua 
tradução ao português, os principais suportes onde eles são aplicados, assim 
como os conteúdos mais significativos e os desdobramentos desses padrões 
gráficos em outras expressões culturais. Para isto, recorremos à comparação dos 
padrões recolhidos em campo com os recolhidos por outros pesquisadores e 
pesquisadoras e com os próprios Kaiowá, entre os Guarani e os Mbya, bem 
como a mitos do grupo. Após leituras sobre arte e grafismo indígena, fizemos a 
coleta de material em campo, procedimento que se deu através de conversas e 
oficinas, na comunidade indígena e no Laboratório de Ensino e Pesquisa de 
História Indígena da FCH-UFGD, com as mestras e dos mestres tradicionais, de 
jovens da comunidade e estudantes de História Indígena da UFGD. Nestas 
oficinas foram pintados os panôs do laboratório. A pesquisa possibilitou um 
pequeno catálogo dos padrões gráficos e uma série de dados para futuros 
estudos, como o fato de os padrões gráficos estarem relacionados à percepção da 
natureza dos Kaiowá, aos seus conhecimentos, sentimentos e visão de mundo 
social e espiritual. Esses registros são uma forma de manter a memória e diante 
do seu relativo desconhecimento pelas novas gerações surgiu na comunidade o 
desafio de levar até a escola o conhecimento adquirido durante a pesquisa. Seria 
uma forma de revitalizar este aspecto da cultura kaiowá e contribuir para o 
fortalecimento da identidade étnica. 
 
 
 
POVOS INDÍGENAS GUARANI FALANTES CONTEMPORÂNEOS DA 
AMÉRICA DO SUL 
 
Graciela Chamorro 
Isabelle Combès 
 
RESUMO: Os povos indígenas Guarani falantes contemporâneos são 
descendentes dos povos Cários, Itatins, Carijós, Chiriguanaes e tantos outros 
que entraram em contato com os conquistadores europeus a partir da primeira 
metade do século XVI e aos quais os conquistadores e missionários foram 
progressivamente acomodando sob a denominação Guarani, levando em conta 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
para tal o parentesco entre as línguas faladas por esses indígenas. Esse 
parentesco continuou sendo assumido pelos investigadores posteriores – o caso 
emblemático é o de Alfred Métraux, a quem se deve a expressão “civilização 
tupi-guarani”. Da mesma forma, o livro de Egon Schaden, Aspectos 
Fundamentais da Cultura Guarani (1954), é uma das obras modernas que mais 
contribuíram para reunir e classificar as etnias Guarani falantes da metade do 
século XX no Brasil. A recepção da obra, porém, ultrapassou os objetivos do 
próprio autor. Ela foi muitas vezes utilizada para explicar situações distantes 
temporal e espacialmente daquelas analisadas no escopo do livro. Urge, pois, 
revisitar a obra, discuti-la, atualizá-la e ampliá-la. O objetivo central desta 
comunicação é, portanto, dar visibilidadeaos povos indígenas falantes de 
línguas Guarani na Argentina, na Bolívia, no Brasil e no Paraguai, recolocando, 
por um lado, a questão da diversidade étnica entre esses povos e, por outro, a 
construção do Guarani -modernamente também por antropólogos e pelos 
índios- como uma supra categoria étnica homogeneizante. 
 
ESTABELECIDOS E OUTSIDERS: UMA LEITURA ACERCA DO 
LUGAR DOS INDÍGENAS GUARANI 
 
 
Ilma Regina Castro Saramago de Souza 
Doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade 
Federal da Grande Dourados (UFGD). Membro do Grupo de Estudos e pesquisa 
em Educação Inclusiva (GEPEI). Realiza pesquisas voltadas para a temática da 
Educação Escolar Indígena. 
FAED/UFGD 
 
RESUMO: Os registros escritos apontam que a colonização dos indígenas 
Guarani ocorreu no final do século XVI e início do século XVII. Encontrados 
inicialmente pelos espanhóis e posteriormente pelos portugueses, os indígenas 
sofreram todos os tipos de abusos e opressões, inclusive em nome da civilização 
foram obrigados a abandonar a sua língua, a sua cultura e religião. Donos de um 
saber milenar tanto na arte quanto na zoologia, botânica e medicina perderam 
seu espaço social e geográfico. Como estranhos em sua própria terra tornaram-
se escravos, passando a servir de todas as formas os interesses daqueles que os 
colonizaram. Nessa perspectiva, este estudo é resultado das reflexões e 
inquietações que surgiram durante o Seminário “Tópicos em Educação: Leituras 
de Norbert Elias”, ministrado pelo Prof. Dr. Cas Wouters, da Utrecht University 
na Holanda, promovido pelo Grupo de Pesquisa Processo Civilizador da 
Universidade Federal da Grande Dourados. O trabalho busca refletir e discutir, 
a partir das elucubrações elisianas, as relações e as aproximações existentes 
entre os conceitos estabelecidos e outsiders e o contexto histórico dos indígenas 
Guarani. 
 
Palavras-chave: Colonização. Processo civilizador. Estabelecidos. Outsiders. 
 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
 
SOBRE APRENDER A SER ÍNDIO 
 
Josemar de Campos Maciel – UCDB 
Yan Leite Chaparro – UCDB 
 
RESUMO: Numa recente feira literária o antropólogo do Museu Nacional 
Eduardo Viveiros de Castro enunciou uma tarefa urgente e estranha para um 
povo colonizado e ocidentalizado, a de “aprender a ser índio”, antes que seja 
tarde demais. Na esteira de algumas de suas contribuições, sobretudo a sua 
proposição de considerar etnograficamente a sofisticação de populações 
indígenas para, em seguida, sofisticar filosoficamente a (im)possível 
generalização do modelo, o texto estende discretamente a reflexão, 
considerando alguns elementos nos quais a sofisticação de alguns modelos 
indígenas, expressos em seus discursos, parece ora um bálsamo a curar, ora um 
bisturi a cindir – ou um espelho, a revelar cisões de longa data, nos projetos 
insustentáveis de ocupação de um território instável e de exploração de um 
ambiente frágil, tecendo um leito de Procusto ou mesmo uma experiência de 
Ouroboros, na qual populações auto-denominadas “modernas” encontram mais 
tragédia do que a prometida linearidade do desenvolvimento interminável. O 
que se torna necessário erguer as densas e complexas reflexões e práticas no 
sentido de (des)ocultar os sujeitos, seus conhecimentos, práticas e modos de 
vida. Para que os movimentos (no campo do conhecimento, politico, social) de 
simetria assuma formas concretas. 
 
 
Palavras-chave: reflexões metodológicas; problemáticas do desenvolvimento; 
os Guarani. 
 
A GESTA DE AGAYÉGUEDE 
Leif Grünewald 
Doutorado Antropologia Social- PPGAS/UFF 
Pós-Doutorando PPGAnt/FCH/UFGD 
 
RESUMO: Esse trabalho consiste num estudo sobre um mito Ayoreo, um povo 
falante de uma língua Zamuco habitante do região do alto rio Paraguay, e traz 
em si um duplo objetivo. Primeiramente, traçar as linhas gerais da composição 
de um mundo que existia em modo mítico e de alguns níveis que o compunha, 
juntamente com seu simbolismo próprio, para então examinar suas 
transformações e atualizações num modo não-mítico, bem como a estrutura 
lógica comum a duas versões do mundo. 
 
Palavras-chave: Ayoreo, Mito, Transformação, Estrutura. 
 
A IMPORTÂNCIA DOS MULTIMEIOS NA EDUCAÇÃO ESCOLAR 
INDÍGENAS 
 
Magno Adiala 
 
RESUMO: Este trabalho tem como objetivo demostrar a importância de 
multimeios na educação escolar indígena, que ajuda na aproximação dos 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
estudantes jovens guarani da reserva Porto Lindo/yvy Katu com os líderes 
tradicionais e os mais velhos. Este trabalho tem como finalidade demostrar os 
vídeos produzido pelos jovens estudantes a partir da ação coletiva na escola com 
o envolvimento da comunidade no processo de produção de filmes. O vídeos 
pode ajudar no fortalecimento da educação tradicional para que possa ser um 
instrumento de orientação e registro dos saberes para as próximas geração. 
Assim este vídeos discuti os temas como: Tembi’u – alimentação, Tembi’u mi – 
alimentação tradicional guarani, mbaeicha ojejapo – a preparação. Foi feito a 
partir da observação e pesquisa dos estudantes da Escola Tekoha Guarani- Polo, 
Escola Estadual Japorã –extensão Jacareí, a Escola José de Alencar com apoio 
do projeto PROEX, Saberes e Fazeres do Nosso Cotidiano da Educação Escolar 
Indígena. Enfim, esta experiências mostrou como um Projeto Pedagógico ajuda 
as práticas do professor indígena na sua comunidade, a importância do meio de 
comunicação no sentido de fortalecer o saberes indígenas na escola e fortalecer 
os líderes tradicionais. 
 
Palavras chave: educação escolar indígena, multimeios e alimentação 
tradicional. 
 
CONHECIMENTO TRADICIONAL E CONHECIMENTO CIENTIFICO: 
DEFERENTES FORMAS DE CONHECIMENTOS NA FORMAÇÃO DE 
PROFESSORES INDÍGENAS 
 
Maria Aparecida Mendes de Oliveira 
Professora da Licenciatura Intercultural Indígena –Teko Arandu, FAIND-UFGD 
E-mail: liamendeso@yahoo.com.br 
 
RESUMO: O diálogo entre os conhecimentos tradicionais (conhecimentos 
indígenas) e os conhecimentos científicos (acadêmicos, escolarizados), e a 
influência destes diferentes regimes de conhecimento na formação de 
professores indígenas Guarani e Kaiowá que atuarão nas escolas indígenas, se 
configuram como ponto de interesse deste trabalho. O espaço de formação 
inicial de professores indígenas e a reflexão das ações desenvolvidas neste 
espaço pressupõe a formação do professor como pesquisador de suas próprias 
práticas. Possibilita uma compreensão sobre diferentes aspectos no ensino e na 
aprendizagem no contexto da escola indígena. Dentre estes aspectos está à 
escolha de quais conhecimentos serão valorizados na escola. No entanto, a 
forma de organização das escolas indígenas presentes nestas comunidades 
requerem outras formas de organização do espaço/tempo de aprendizagem. 
Isso é elemento importante para refletirmos sobre como circulam diferentes 
regimes de conhecimento na formação de professores indígenas. E para refletir 
sobre de que maneira estes conhecimentos interferem na prática destes 
professores nas escolas indígenas de suas comunidades. Assim este trabalho 
busca uma reflexão, inicial, sobre dilemas enfrentados atualmente em diferentes 
cursos específicos (interculturais) de formação de professores indígenas, em 
diferentes regiões do país, para promover a educação intercultural e bilíngue 
nas escolas indígenas. Trazemos para reflexão duas falas de professores, 
egressos da Licenciatura Intercultural Indígena – Teko Arandu, que evidenciam 
estes dilemas que envolvem a relação entre conhecimentos tradicionais e 
conhecimentos científicos, na formação de professores indígenas. 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
Palavras chave: conhecimentos tradicionais; conhecimentos científicos;regimes de conhecimento. 
 
 
PERSPECTIVAS DO AUDIOVISUAL AUTORAL REALIZADO 
PELOS POVOS INDÍGENAS DE MATO GROSSO DO SUL: 
ELEMENTOS 
E REFLEXÕES PARA UMA TAXONOMIA PRELIMINAR 
 
Miguel Angelo Corrêa 
Mestre em Comunicação Social/Jornalismo pela UFMS; Pós-Graduado Lato Sensu em 
Culturas e História dos Povos Indígenas (EAD/UFMS) 
Graduado em Administração de empresas (UFMS); Graduado em Comunicação / 
Jornalismo (UFMS); Técnico em eletrônica; Jornalista 
Documentarista; integrante do Grupo de Pesquisa Antropologia, Direitos Humanos e 
Povos Tradicionais da UFMS; do Grupo de Pesquisa Turismo e Meio Ambiente da 
UFMS; e do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas de MS (NEABI-MS) 
 
RESUMO: Os povos indígenas de Mato Grosso do Sul encontram-se numa 
situação bastante precária, há séculos resistindo a diversos processos de 
espoliação de suas terras e de seus direitos. Na maioria encontram-se na faixa 
de fronteira e têm problemas em sua representação social na mídia de massa 
nacional e na local que, via de regra, os discriminam e divulgam inverdades a 
seu respeito. Não obstante, eles têm, individual ou coletivamente, criado formas 
alternativas de se comunicar entre si e com os não indígenas, utilizando as 
chamadas Novas Tecnologias de Informação e Comunicação. Em especial as 
etnias Guarani, Kaiowá e Terena, ao longo das últimas décadas vêm realizando, 
através de movimentos, organizações ou iniciativas autônomas, vasta produção 
audiovisual autoral de maneira a apresentar e publicizar, dentre outras, suas 
visões de mundo, suas versões dos conflitos e da luta por direitos. Esta 
comunicação apresenta observações sobre os dados obtidos em trabalho de 
campo que mapeou boa parte destas produções audiovisuais, e propõe reflexões 
introdutórias para o desenvolvimento de uma taxonomia preliminar das 
mesmas, que apontaria para a existência de estruturação, objetivos e 
organização distintos. Haveriam obras, videastas e grupos com articulação, 
metas e estética mais próximas ao chamado 'mercado mainstrean' por um lado, 
e uma produção audaciosa, autônoma, inusitada, com aspectos autogeridos e 
'independentes', por outro. O trabalho de campo e as reflexões derivaram, 
principalmente, dos seguintes trabalhos do autor: a dissertação de mestrado 
“Audiovisual autoral dos povos indígenas de MS: mapeamento e análise”, 
defendida junto ao PPGCom/UFMS em 2015 e o livro “O índio e o cinema em 
Mato Grosso do Sul”, contemplado pelo Fundo de Investimentos Culturais de 
MS em 2016, no prelo. 
Palavras-Chave: cultura indígena; audiovisual; cinema; índio; Mato Grosso 
do Sul. 
 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
OS MOCOVÍS DO GRAN CHACO: UM DOCUMENTO VISUAL DE 
IDENTIDADES E TEMPORALIDADES 
 
Scheilla Guimarães da Silva 
scheillaguimaraes@gmail.com 
Enfermeira e Professora Ensino Superior 
 
RESUMO: Os escritos do missioneiro jesuíta Florian Paucke, que viveu entre 
os indígenas mocovís, também chamados de guaicurus, entre os anos de 1749 a 
1767, constitui um rico material etnográfico que registra a cultura mocoví e sua 
estada por dezoito anos na Redução de San Javier no atual território argentino. 
Esse artigo trata de forma sucinta das observações feitas por esse missioneiro 
desde sua partida da Europa até as Índias Ocidentais da América descrita na sua 
crônica Hacia allá y para acá. Una estada entre los indios Mocobíes -1749-1767, 
e representadas em uma série de aquarelas. Considerando suas imagens como 
um código cultural que permite várias interpretações, procuro lançar o meu 
próprio olhar sobre essas representações, atribuindo sentidos a essas imagens. 
Palavras-chave: Florian Puckes, missioneiro jesuíta, século XVIII, cultura 
indígena mocoví. 
 
ANÁLISE DE AULAS SOBRE TERRITORIALIDADE GUARANI COM 
O ENSINO MÉDIO TÉCNICO E CURSOS SUPERIORES DE 
AGRÁRIAS EM MATO GROSSO DO SUL 
 
Silvana Colombelli Parra Sanches 
Cientista Social 
Mestre em Saúde Coletiva 
Professora EBTT 
 
RESUMO: A prática educativa de escolas da zona rural em Mato Grosso do Sul 
atende o agronegócio e as demandas advindas do mercado de trabalho e da 
macro produção com objetivos de exportação e de suprir vagas de trabalho 
formal e qualificado. Entretanto, muitos estudantes matriculados nestas 
instituições tem uma trajetória que não vem do agronegócio e quase a totalidade 
não pertence a esta elite tão almejada em documentos como projetos político 
pedagógicos dos cursos de graduação e outros: são filhos de assentados, 
acampados, ribeirinhos, sitiantes, roceiros, peões, caseiros, pequenos 
comerciantes de cidades próximas a áreas de produção agropastoril, aldeias e 
parques ambientais. Estes estudantes necessitam de uma educação 
multidimensional que contemple não apenas as tecnologias voltadas ao 
agronegócio mas também o conhecimento que emana das sociedades indígenas, 
quilombolas, dos movimentos de luta pela terra, do saber popular. Para 
produzir uma educação diferenciada e inclusiva é preciso fazê-la, e, depois, 
analisar os resultados obtidos. É isto que se propôs aqui, ao abordar a temática 
Guarani e sua visão de território para este público objetivo durante as aulas de 
sociologia em campus rural de Instituto Federal durante o ano de 2016. Ao 
demonstrar as cosmologias vinculadas a noção de Tekohá Guasu e o sistema de 
plantio agrofloresta praticado pelo Guarani, descobriu-se que antes de 
introduzir etnosaberes no currículo, é preciso ensinar a elaborar as perguntas, e, 
pensar com mais alteridade, menos preconceito e numa perspectiva 
intercultural as diversidades e diferenças que perpassam o eu e o outro. 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
 
Palavras-chave: Territorialidade, Guarani, Ensino, Currículo. 
 
 
ESTUDANTES INDÍGENAS NAS UNIVERSIDADES: SOBRE MODOS 
DE CONHECER, DE TRADUZIR E DE TRANSFORMAR O 
CONHECIMENTO 
 
Talita Lazarin Dal’ Bó 
Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social/USP 
 
RESUMO: O campo de estudos da etnologia sul-ameríndia tem nos 
demostrado que os muitos modos de produção e circulação de conhecimento 
entre os povos indígenas se conectam a práticas como xamanismo, processos 
rituais, processos sensitivos, e se utilizam de prerrogativas como restrições, 
proibições, orientações, ou seja, quem pode, quando e de que modo produzir e 
circular determinados conhecimentos. No entanto, com o acesso recente e 
intenso de jovens indígenas a diferentes espaços, como as universidades e os 
ambientes acadêmicos, como ficaria o debate em torno desses regimes de 
conhecimento? É possível aproximar e permitir dialogar saberes e 
conhecimentos que se exprimem por processos diferentes? Ou ainda, é possível 
apostar em modos de tradução e de transformação desses conhecimentos? A 
partir do acompanhamento de experiências de estudantes indígenas de 
graduação na UFSCar e de estudantes indígenas de pós-graduação em 
Antropologia Social na UFAM, gostaria de propor nesse trabalho dois principais 
pontos para reflexão: 1) que os modos de conhecimento que se realizam nessas 
experiências podem ser percebidos não somente em ambientes de sala de aula e 
de pesquisa, mas se estendem a diversos momentos da formação universitária 
desses estudantes, demonstrando que a ideia de “conhecimento” deve ser 
ampliada para umas perspectiva que se atente a modos de se relacionar, de 
ocupar espaços, de constituir sujeitos políticos e de construir alianças e redes 
indígenas que se entremeiam no campus e para além dele; em síntese, de 
experimentar a vida universitária como um modo de conhecimento. 2) que o 
acompanhamento das experiências dos pós-graduandos indígenas em 
Antropologia tem nos levado a refletir sobre seus processos de produção de 
pesquisa como modos de tradução e de transformação de conhecimentos, cujos 
efeitosparecem caminhar para novas possibilidades de produções 
antropológicas, tanto no que diz respeito às metodologias de pesquisas quanto à 
produção de conceitos e categorias que se realizam nesses processos. Além 
disso, da necessidade de nos atentar também para todas as relações e 
subjetividades que se estabelecem nessas experiências, entre cada um desses 
estudantes/pesquisadores e os seus interlocutores principais de pesquisa, 
geralmente conhecedores ligados a eles por redes de parentelas e alianças, assim 
como entre eles e seus professores e orientadores acadêmicos, e entre eles 
próprios, e os efeitos que essas relações geram em suas produções de 
conhecimento antropológico. 
 
Palavras-chave: estudantes indígenas, modos de conhecer, modos de 
traduzir, antropologias indígenas. 
 
 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
 
OS POVOS INDÍGENAS, O IMPÉRIO E A QUESTÃO DE 
TERRAS 
 
Almir Bauler 
Doutorando em História – Universidade Federal da Grande Dourados 
 
RESUMO: A presente comunicação tem como eixo articulador o interesse de 
investigar a intensidade dos debates etnográficos que se travaram entre os 
letrados do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB) em meados do 
século XIX à luz do cenário oitocentista brasileiro: a construção de uma 
memória/história nacional que nos identificasse enquanto “nação e 
principalmente, de ocupação de “bolsões” de terras habitadas por diferentes 
etnias indígenas por novas frentes agrícolas e 
colonizatórias. Neste cenário, coube a estes letrados a tarefa de definir o 
lugar dos grupos humanos “dispersos” pelo território brasileiro - os indígenas. 
Estes se tornam, assim, alvo de acirrados debates que geraram o primeiro e 
único documento do século que nortearia as ações do Estado no trato com os 
nativos do território brasileiro: o Regulamento acerca das Missões de 
Catequese e Civilização dos Índios, de 1845. Assim, nesta comunicação, 
pretendemos cruzar algumas narrativas etnográficas da época, com a finalidade 
de compreendermos a intensidade dos debates travados, a polissemia de ideias, 
suas inflexões e sua práxis indigenista em meados do século XIX entre os 
indígenas guarani no sul do atual estado de Mato Grosso do Sul. 
 
Palavras -chave: Política indigenista. Instituto Histórico e Geográfico 
Brasileiro. Regulamento acerca das Missões de Catequese e civilização dos 
Índios. Barão de Antonina. 
 
 
DESAFIOS INTERCULTURAIS NA RESERVA TE’ÝIKUE, 
ENVOLVENDO FAMÍLIAS INDÍGENAS GUARANI E KAIOWÁ E A 
ASSISTÊNCIA SOCIAL PARA GARANTIR O DIREITO DA CRIANÇA 
INDÍGENA À ESCOLA 
 
Elemir Soare Martins 
Estudante Graduação 
FAIND/UFGD 
 
Silvana Jesus do Nascimento 
Doutoranda UFRGS 
 
RESUMO: O presente trabalho tem por objetivo descrever e analisar o 
contexto vivenciado pela família Guarani e Kaiowá em relação à educação 
tradicional e o desafio de manter suas crenças e costumes com a influência das 
atuações dos órgãos do Estado e da cultura envolvente. Este trabalho é resultado 
do diálogo com duas famílias uma kaiowá e outra Guarani, da Aldeia Te´yikue. 
Destacamos que estas famílias não aceita que os filhos vão à escola, porque tem 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
certos cuidados e acreditam que a escola trará mudanças no comportamento das 
crianças que não são desejáveis por seus pais. O funcionário do Cras defende e 
tenta aconselha-las que os filhos precisam estar na escola, também apresenta 
outra forma de educar os filhos conforme consta no Estatuto de Crianças e 
Adolescentes (ECA). Entendemos que, os Guarani e Kaiowá tem sua maneira de 
educar os filhos, ensinando-os a respeitar primeiramente sua religião, a 
natureza, os mais velhos, a levantar cedo para iniciar bem seus afazeres, etc. 
Dessa forma as crianças cresciam saudáveis, contribuindo muito a comunidade 
e criando um Tekohá feliz de viver. Porém, nos dias atuais isso vem 
apresentando outra perspectiva, as famílias na área de concentração desta 
pesquisa não estão conseguindo manter com saúde sua cultura, educação e 
religião devido a todas as intervenções sofridas pelas atuações do Estado. Nesse 
sentido, muitas famílias na reserva resistem ainda para manter educação 
tradicional, mesmo com toda mudança e Direitos. O trabalho pretende discutir 
essa questão com intuito de problematizar a atuação dessas instituições dentro 
da reserva e ajudar as comunidades compreenderem estas situações. 
 
Palavras-chave: Mitã Kaiowá e Guarani, Pehengue, Estado. 
 
 
ASSIMILACIONISMO E PROTAGONISMO: OS PARADIGMAS 
ORIENTADORES DE POLÍTICAS PARA A POPULAÇÃO INDÍGENA 
 
Ellen Cristina de Almeida 
FUNAI 
 
RESUMO: O presente trabalho tem o objetivo de apresentar um fragmento da 
dissertação defendida no ano de 2015 sobre as associações indígenas na Reserva 
de Dourados. No referido trabalho, as associações foram observadas como uma 
forma de organização política que os povos indígenas têm usado para acessarem 
políticas públicas, formando as chamadas redes socais (BARNES, 2010) e 
configurando processos políticos envolvendo setores do serviço público em 
vários níveis e esferas, bem como com organizações não-governamentais, cuja 
finalidade objetiva era o acesso a políticas públicas. Ao observar esse processo 
político envolvendo associações e políticas públicas, uma questão se sobressaiu 
– a atuação de paradigmas orientadores das ações e, consequentemente, a 
persistência da perspectiva assimilacionista justaposta ao paradigma do 
protagonismo indígena. 
 
Palavras-Chave: Associações Indígenas, Assimilacionismo, Protagonismo, 
Reserva Indígena de Dourados. 
 
 
O ÍNDIO E A LAVOURA CANAVIEIRA EM MS 
 
Felipe Megeredo Correa 
 
RESUMO: Desde o estabelecimento de não-índios no antigo Mato Grosso 
(atual Mato Grosso do Sul) a mão de obra indígena foi largamente utilizada na 
agropecuária. Empreendimentos comerciais, como a Companhia Matte 
Laranjeira também recrutaram-na para o trato nos ervais. A partir da década de 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
1980, as agroindústrias passam a ser o local por excelência da presença 
indígena, nos canaviais como cortadores de cana de açúcar. Com as políticas 
estatais de concentração dos índios em locais específicos, reservas indígenas, 
sem preocupação maior com as peculiaridades de cada grupo e seus modos de 
viver, estas tornaram-se locais precários para a pratica do modo tradicional de 
vivência. Soma-se a isso o crescente contato com o modo de produção e 
sociabilidade capitalista, que passou a exigir determinadas necessidades, estas 
eram supridas através do assalariamento. Nesse sentido, dois pontos principais 
podem ser considerados pela preferência da força de trabalho do índio: a 
proximidade das agroindústrias com as reservas e a experiência deles no trato 
agrícola. Na perspectiva indígena, as usinas sucroalcooleiras eram vistas como 
um dos poucos locais onde trabalhar, consequentemente, ganhar dinheiro. Na 
relação dos índios com o trabalho externo, estabeleceu-se algumas 
peculiaridades: havia intermediador indígena entre os cortadores de cana e as 
empresas; parcela do pagamento paga adiantado, deixada com familiares dos 
obreiros até seu retorno; trabalhavam no máximo 70 dias seguidos, pois 
alegavam desestrutura familiar por períodos mais longos; saíam em cinco 
turmas de 45 à 50, totalizando entre 225 e 250 indivíduos, como a quantidade 
de ausentes era expressiva, havia impactos diretos nos aldeamentos. Na lavoura 
canavieira o trabalho era pesado e degradante, explicitado nas horas 
extenuantes de atividades, comida insuficiente, acomodações inadequadas, 
descontos injustificados nos salários, doenças físicas e psicológicas, dentre 
outros. 
 
Palavras-chave: Índio, Changa, trabalho. 
 
 
A ATUAÇÃO DA REDE SOCIOASSISTENCIALNA ÁREAS DE 
RETOMADA GUARANI E KAIOWÁ EM DOURADOS/MS: LIMITES, 
AVANÇOS E DESAFIOS 
 
Flávia Helena Braff Denes 
 
Resumo: A Política Nacional de Assistência Social, através do Sistema Único 
da Assistência Social, tem como objetivos a proteção social, a defesa de direitos 
e a vigilância socioassistencial nos territórios, atuando de forma integrada às 
políticas setoriais. Dentre os princípios que regem a assistência social 
atualmente, estão a universalização dos direitos sociais, que busca fazer com 
que as políticas públicas alcancem seus destinatários, o respeito à autonomia, ao 
direito de convivência familiar e comunitária, bem como a igualdade de direitos 
no acesso ao atendimento, sem discriminação. Assim, a Assistência Social no 
Brasil tem construído uma trajetória importante para a ampliação do acesso aos 
direitos e aos mínimos sociais para sua população. No entanto, sendo o Brasil 
um país bastante plural, multiétnico, desenvolver uma política que abranja essa 
diversidade ainda constitui uma longa trajetória a ser construída. O presente 
trabalho buscou apreender a trajetória e o fluxo da rede socioassistencial no 
município de Dourados em relação à atuação junto a famílias indígenas, mais 
especificamente famílias Guarani e Kaiowá que vivem em áreas de retomadas 
dos territórios tradicionais na região, segundo a visão dos próprios profissionais 
que compõem essa rede. A pesquisa consistiu em entrevistas semiestruturadas 
com trabalhadores da assistência social que atuam diretamente com demandas 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
dessas áreas de disputa fundiária, através de instituições como o Centro de 
Referência da Assistência Social/CRAS, Centro de Referência Especializado de 
Assistência Social/CREAS, Conselho Tutelar e Viva Mulher, bem como 
representantes de outras agências indigenistas que compõem essa rede, como a 
Fundação Nacional do Índio/FUNAI e a Secretaria Especial de Saúde 
Indígena/SESAI, além de observações propiciadas pela vivência desta 
pesquisadora enquanto trabalhadora da rede socioassistencial do município. 
Como aporte teórico, foram utilizados trabalhos sobre a vida e história dos 
Guarani e Kaiowá, assim como a legislação indigenista e a documentação que 
regulamenta a assistência social no Brasil. 
 
Palavras-chave: Rede socioassistencial; Guarani e Kaiowá; retomadas; 
Dourados. 
 
EDUCAÇÃO TRADICIONAL DO KAIOWA ANTIGAMENTE 
COMPARANDO COM ATUAL 
 
Genildo Ramires 
 
RESUMO: A educação tradicional do kaiowa antigamente era era muito 
diferente comparando de hoje.Antes os pais e a mães conseguia educar seu filho 
de acordo com o regimento da sua família, quando os pais levanta as três horas 
de madrugada para tomar chimarrão já mandava as criança levantar para sentar 
ao redor do fogo e ali o mai. velho da família já começa a contar historia e 
ensina como pode se comporta dentro da sua família e na outra sociedade que 
não e a sua família. Os pais ensina os meninos na roça ,na caça,e pesca e entre 
outro tipo de atividade no decorrer do dia. Antigamente os pai não chicotava os 
seus filhos ,mas deixava de castigo,como mandar ir na roça plantar alguma coisa 
assim funcionava a educação tradicional do kaiowa. No decorrer do ano a 
educação tradicional do kaiowa vai se modificando ,hoje com a chegada da 
energia e da tecnologia na aldeia a educação tradicional vem se 
desvalorizando,por que hoje em dia as crianças não levanta mais de 
madrugada e nem dorme cedo,não faz jehovas ante de dormi ,em vez de fazer 
isso primeira coisa que eles vao fazer e ir na frente da televisão ou jogar no 
celular e eles já não obedece mais seus pais e a sua mãe com isso a educação 
tradicional do kaiowa vem se modificando cada vez mais. Com essa modificação 
na comunidade indígena muito jovem esta indo para o caminho errado, por isso 
hoje existe vários tipos de violência por que eles vem as coisa na televisão 
 
Palavras-chave: Educação; Kaiowá; Tradição. 
 
 
POLÍTICAS INDÍGENAS E INDIGENISTAS NA ESCOLARIZAÇÃO 
DOS GUARANI E KAIOWÁ: DIÁLOGOS POSSÍVEIS? 
 
Renata Lourenço 
Docente 
UEMS 
 
RESUMO: A elaboração de políticas públicas visando encampar os pleitos dos 
movimentos indígenas e indigenistas ao longo das últimas três décadas, suscita 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
inúmeras contradições que derivam, dentre outras questões, da 
in/compatibilidade entre a organização interna das aldeias, e o sistema escolar. 
Em diálogo estreito com professores e lideranças indígenas Guarani e Kaiowá, 
do cone sul do Estado de Mato Grosso do Sul, venho presenciando situações que 
despertam meu interesse em analisar com mais profundidade as incoerências 
provindas das ações governamentais. Como processar os conhecimentos e 
saberes tradicionais na escola, no dizer de alguns professores e anciões, 
seguindo “passo a passo” o caminho do “bem viver” (Teko Porã), alicerçado na 
“boa palavra” e no “exemplo”, pedras basilares da concepção de ensino dos 
Guarani e Kaiowá. Como re/construir escolas nas aldeias, que não sejam 
meramente instituições externas, mas que tenham como ponto de partida e 
chegada, os referencias da “cultura” indígena? Estas reflexões não são novas, 
mas o que me parece novo é como isto tem voltado a ser motivo de debate. É 
visível o distanciamento entre, de um lado, o que se tem como projeto de uma 
escola “diferenciada” e, de outro, as dificuldades e inconsistências de sua 
aplicabilidade. Contudo, no caso específico dos povos em questão, vejo um 
número significativo de professores, buscando trilhar novos caminhos. Muitos 
anciões que ocupam destaque nas aldeias, rezadores/xamãs vêm procurando 
fazer um diálogo importante com a escola, no dizer de alguns, quando esta os 
chamam. Avanço por ora, apenas uma hipótese, ainda por lapidar, a de que tal 
diálogo consiste na identificação de acordos pontuais entre regimes de 
conhecimentos incomensuráveis. Partindo destas premissas, considero 
relevante e oportuno refletir a escola segundo a visão dos anciões (rezadores ou 
não). Trata-se de um esforço em apreender possíveis caminhos para uma escola 
“diferenciada”, percorrendo o caminho inverso – da lógica interna à externa. O 
alcance do estudo que se propõe, estaria assim delimitado, às (im) 
possibilidades de escolas menos impositivas no âmbito das próprias 
comunidades em que se inserem. A relação tempo-espaço "ará", poderá prestar-
se como uma baliza inicial à análise das (in)adequações e antagonismos que 
permeiam a educação institucionalizada nas aldeias Guarani e Kaiowá. 
 
Palavras-chave: políticas de aldeias; políticas públicas; escola; Guarani; 
Kaiowá. 
 
 
OS OBJETIVOS DE DESENVOLVIMENTO DO MILÊNIO E OS POVOS 
INDÍGENAS – DESAFIOS DO BEM VIVER INDÍGENA: 
EXPERIÊNCIA DE CONSULTA PARTICIPATIVA NA TERRA 
INDÍGENA PIRAKUÁ (ETNIA KAIOWÁ GUARANI – MATO GROSSO 
DO SUL – BRASIL) 
 
Renata Oliveira Costa 
 
RESUMO: O Brasil é um dos países que mais avançaram no cumprimento das 
metas dos Objetivos do Milênio (ODM). As conquistas no país devem-se à 
implantação de políticas públicas que priorizaram as metas estabelecidas e ao 
engajamento dos diferentes atores públicos, privados e da sociedade civil. O 
grande desafio, no entanto, continua sendo a desigualdade nos resultados entre 
as populações e entre as regiões do país. Os oito objetivos do milênio, foram 
construídos e pactuados inicialmente por 189 países no ano de 2000, para 
serem cumpridos até o ano de 2015. Porém, de acordo com estudiosos das 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
questões indígenas no Brasil e na América Latina, esses objetivos não incluem 
aqueles povos que possuem direitos coletivos, pois são objetivos que levam em 
conta apenas os direitos do indivíduo. Os povos indígenas estãodentre os 
grupos populacionais mais vulneráveis às desigualdades no alcance das metas. 
O país possui muitos desafios a enfrentar para superar os indicadores. O maior 
deles é a descolonização dos povos indígenas em toda a América Latina. Nesse 
sentido, os povos indígenas sempre estiveram em uma posição de discriminação 
e marginalidade do sistema vigente. De acordo com o longo processo histórico, a 
grande maioria das políticas públicas elaboradas para atender suas necessidades 
estiveram voltadas à sua integração à cultura dominante. Por isso, inspirados na 
experiência da Colômbia (2013), onde os Objetivos do Milênio foram ampliados, 
o PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), junto à 
Secretaria de Governo da Presidência da República e à consultora Renata 
Oliveira Costa, com a valorosa contribuição da ASCURI (Associação Cultural de 
Realizadores Indígenas), iniciaram a discussão sobre a ampliação e inclusão das 
populações indígenas nos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), 
com novas metas a serem atingidas até o ano de 2030. Além disso, propuseram 
uma metodologia de consulta aos povos indígenas sobre os ODS. O trabalho foi 
realizado junto a uma das populações indígenas mais vulneráveis do país: os 
Kaiowá Guarani, do MS. Essa etnia vem passando por grandes enfrentamentos 
em sua região, principalmente em relação à pressão do agronegócio sobre seus 
territórios tradicionais. Como resultado de um processo histórico colonizador, 
os indígenas enfrentam a fome, a falta de água, a miserabilidade, a 
marginalidade, o preconceito, a violência e a falta de perspectivas de 
sustentabilidade, além da extrema dependência de ações governamentais 
emergenciais, como a distribuição de cesta de alimentos. O objetivo desse artigo 
é demonstrar o passo a passo da metodologia utilizada durante o trabalho, 
quando foram construídos os Objetivos do Bem Viver (Ñhandereko) de acordo 
com os moradores da Terra Indígena Pirakuá (Bela Vista – MS). 
 
 
CIRCULAÇÃO DE CRIANÇAS INDÍGENAS: QUESTÕES PARA ALÉM 
DA CULTURA 
 
Silvana Jesus do Nascimento 
 
RESUMO: Crianças, jovens e mulheres tem ganhado visibilidade pública como 
as principais vítimas da violência entre os indígenas no contexto mundial. A 
percepção do sofrimento da criança afeta os agentes do Estado e a sociedade 
envolvente impingindo-lhes o desejo de salvar tal público por meio de diversas 
tecnologias de governo. Proponho-me neste artigo levantar algumas questões a 
esse respeito, a luz da bibliografia sobre adoção internacional e transracial e da 
pesquisa que venho realizando em Mato Grosso do Sul, a respeito desta 
temática. Como referencial empírico para análise parto da descrição do processo 
de adoção de crianças kaiowá por famílias Terena. Com efeito, neste caso 
pretendo fazer um deslocamento das discussões sobre cultura para pensar nas 
assimetrias e hierarquias que envolvem a mediação do Estado nos 
deslocamentos de crianças entre coletivos e o modo como a interpretação da 
legislação parece favorecer certos modelos de família, religião e política em 
detrimento de outros. 
 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
Palavras-chave: Circulação de criança; Políticas pública; Indígenas. 
 
 
POLÍTICAS PÚBLICAS ESTADUAIS DE ACESSO E PERMANÊNCIA 
PARA ALUNOS INDÍGENAS AO ENSINO SUPERIOR EM MATO 
GROSSO DO SUL 
 
Viviane Scalon Fachin 
 
RESUMO: Esse trabalho intenta apresentar, analisar e avaliar duas políticas 
públicas estaduais executadas em Mato Grosso do Sul, uma de acesso e outra de 
permanência, voltadas para estudantes indígenas que queiram cursar o Ensino 
Superior e como tem sido seus efeitos no ingresso e na conclusão dos 
beneficiários. A política de acesso foi instituída na Universidade Estadual de 
Mato Grosso do Sul (UEMS) pela aprovação da Resolução COUNI/UEMS, de 17 
de julho de 2003, atendendo a Lei Estadual n.º 2.589, de 26 de dezembro de 
2002, que estabelece a reserva de 10% das vagas para alunos indígenas na 
UEMS. Essa legislação foi regulamentada pelo Estado, ouvidas as lideranças dos 
movimentos indígenas e a comunidade acadêmica e, a partir do vestibular de 
dezembro de 2003, em todos os cursos oferecidos nas Unidades Universitárias 
da UEMS foram reservadas 10% das vagas, o que no primeiro ano representou o 
acesso de 164 estudantes indígenas, num universo de 1640 vagas. Em 2005 o 
governo de Mato Grosso do Sul instituiu a política que visava à permanência dos 
estudantes indígenas no Ensino Superior, por meio do Programa Bolsa 
Universitária para Alunos Indígenas, criado pelo Decreto/MS n.º 11.856, de 12 
de maio de 2005, especificamente para atender aos alunos da UEMS, 
proporcionando um auxílio financeiro durante sua formação universitária e 
experiência profissional por meio do cumprimento de atividades que deveriam 
ser desenvolvidas em órgãos da administração pública federal, estadual, 
municipal e em organizações não-governamentais, de forma a facilitar sua 
inserção no mercado de trabalho posteriormente a sua formação e assegurar 
condições para a conclusão do ensino superior. Após os primeiros anos de 
execução, essa política foi fortalecida pela promulgação da Lei Estadual n.º 
3.783, de 16 de novembro de 2009 que criou o Programa Vale Universidade 
Indígena (PVUI), atualmente em vigor e sob a supervisão da Secretaria de 
Estado de Direitos Humanos, Assistência Social e Trabalho (SEDHAST/MS), 
atendendo aos alunos de todos os cursos oferecidos nas Unidades de Ensino da 
Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul. É sobre a formação, o ingresso e 
a conclusão desses jovens ao Ensino Superior em Mato Grosso do Sul que 
analisamos o papel desempenhado pela UEMS e pelo PVUI, a partir dos dados 
disponibilizados pela Diretoria de Assuntos Acadêmicos/UEMS e da 
Superintendência da SEDHAST, que propomos apresentar e avaliar a inserção 
propiciada pelas duas políticas públicas executadas no Estado de Mato Grosso 
do Sul. 
 
Palavras-chave: diversidade, educação, igualdade de oportunidade. 
 
 
 
 
 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
 
 
 
 
 
SER INDIGENA E ANTROPOLOGO NA PESQUISA DE CAMPO 
ENTRE RUIDOS E ECOS 
Almires Martins Machado 
 
RESUMO: A proposta insere-se no esforço de discorrer sobre o estar lá, na 
fusão dos horizontes, considerando o fato de o pesquisador ser e pertencer ao 
povo indígena guarani, estar transformando o tekoá (aldeia) em campo de 
pesquisa, e indubitavelmente vivenciando seu “anthropological blues” as 
avessas, com as interações na comunidade da qual espera levantar dados na 
observação participante, conforme o ensinado na academia que se deve ter o 
estranhamento em relação ao que sempre foi familiar, e ter constituída a 
autoridade etnográfica, se investindo no papel de aprendiz de antropólogo 
escrevendo sob o ponto de vista do indígena, quando também se é indígena, 
atentando-se ao texto e o contexto, apesar dos porem, entretanto, todavia, 
ponderações que se apresentam em campo. O desafio em ser o antropólogo 
arquiteto, engenheiro que planeja a construção da ponte entre o mundo 
indígena e não indígena, entre o ser sobrevivente, pensante (Guarani) e o ser 
indígena de papel. 
 
 
AS PESQUISAS REALIZADAS COM/ENTRE CRIANÇAS GUARANI E 
KAIOWÁ E AS METODOLOGIAS EM PROCESSO DE CONSTRUÇÃO 
COLABORATIVA 
 
 Beatriz dos Santos Landa – UEMS 
 
RESUMO: As pesquisas com crianças indígenas ampliaram-se 
significativamente nas últimas décadas, e a consolidação desta temática vem 
contribuindo para que as metodologias utilizadas para a produção dos dados 
necessários para compreender cada percurso sócio-histórico vivenciado por este 
segmento nas terras indígenas ou externo a elas venham se complexificando, 
muitas vezes com a participação destas crianças na proposição de algumas 
delas. Reservas, escolasnas áreas urbanas e rurais, terras indígenas, 
acampamentos à beira de estrada, áreas de retomadas e em processos de luta, 
periferias das grandes, médias e pequenas cidades, são alguns dos contextos 
aonde as crianças indígenas Guarani e Kaiowá estão inseridas e vivendo suas 
infâncias. O objetivo é apresentar e discutir como as metodologias utilizadas 
e/ou construídas/desenvolvidas nas pesquisas que estão sendo executadas 
com/sobre as crianças Guarani e Kaiowá, especialmente no Mato Grosso do Sul, 
cujos objetivos, buscam compreender as brincadeiras e brinquedos 
manipulados por elas, as relações que estabelecem com outras crianças e 
adultos com quem convivem, o uso do espaço, as identidades construídas em 
contextos urbanos e escolares, as subjetividades formadas na luta pela terra, 
entre outros temas, tem promovido o conhecimento neste campo. Etnografia e 
observação participante tem sido quase uma unanimidade nestas investigações, 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
entretanto, para cada contexto verifica-se a necessidade da associação de uma 
outra metodologia já consolidada ou que foi construída em parceria com as 
crianças e seu grupo familiar ampliado com vistas a compreender como esta 
etapa difere substancialmente das não indígenas. 
 
Palavras-chave: Criança Guarani e Kaiowá, Criança Indígena, Metodologia. 
 
 
TOCA DA ONÇA JAGUARETÊ KAÑYHA 
Claudineis Nunes 
RESUMO: O presente trabalho tem como objeto de pesquisa o jogo 'toca da 
onça" "jaguaretê kañyha". Este jogo foi muito praticado na aldeia Serrito 
município de Eldorado no Estado de Mato Grosso do Sul com as crianças 
guarani e Kaiowá nas escolas. Conta a historia que este jogo fazia parte da vida 
das crianças tanto em casa como na escola mas que com passar dos anos foi 
sendo esquecido e substituído por outros jogos dos não indígenas . A proposta 
de pesquisa contribuir para a valorização da cultura por meio do jogo e ainda 
propôs a sua utilização para o ensino de matemática como conteúdos números e 
operações, geometria, medidas e entre outros. 
 
Palavras-chave: Etnomatematica, Ensino de Matematica e Jogos Jaguarete 
Kañyha. 
 
OS CONFLITOS INDÍGENAS E SUA REPRESENTAÇÃO ATRAVÉS 
DAS FOTOGRAFIAS NOS JORNAIS ONLINE DE MS 
 
Gabriel dos Santos Landa 
landagabriel2@gmail.com 
 
RESUMO: O trabalho tem como principal objetivo analisar como as fotografias 
publicadas nos jornais online de Mato Grosso do Sul, principalmente no cone-
sul do estado apresentam e representam os conflitos por terra no estado. O 
artigo terá como principal foco os conflitos ocorridos em Caarapó em junho de 
2016. Atenta-se para o fato de que as fotografias não são unicamente um objeto, 
mas é também um ator social e representa a cultura em que se insere. A 
metedologia utilizada foi uma análise dos jornais da região sul do estado de MS 
e busca entender quais imagens eram utilizadas em cada matéria jornalística e 
qual a percepção que buscava-se transmitir com cada ângulo e foco e como tais 
detalhes podem transmitir uma mensagem específica. 
 
Palavras-chave: Fotografia; Imprensa; Indígena 
 
METODOLOGIAS UTILIZADAS NA PESQUISA COM CRIANÇAS 
KAIOWÁ NO BAIRRO VILA CRISTINA/TUJÚ PUYTÃ, EM 
AMAMBAI/MATO GROSSO DO SUL 
 
Josimara dos Reis Santos(SED/MS) 
Beatriz Landa (UEMS) 
 
RESUMO: O artigo demonstra as metodologias utilizadas em minha pesquisa 
de mestrado, cuja finalidade é compreender o processo de socialização de 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
crianças Kaiowá que se encontram em contexto urbano no bairro Vila Cristina, 
na cidade de Amambai, estado de Mato Grosso do Sul. Inicialmente discuto 
metodologias clássicas da antropologia, como a observação participante, a 
produção de diários de Malinowski (1984), o exercício do olhar, do ouvir e do 
escrever de Cardoso de Oliveira (2006) e a utilização de recursos tecnológicos 
Mauss (1993), com a intenção de evidenciar que essas metodologias são 
fundamentais, mas as pesquisas com crianças exigem metodologias específicas 
para apreender a compreensão destas sobre seu ambiente de vida. Busca-se 
apresentar os recursos metodológicos que se mostram necessários e aos mesmo 
tempo vão sendo incluídos na pesquisa e são decorrentes de técnicas 
desenvolvidas e utilizadas por antropólogos/as precursores neste tipo de 
temática como Margareth Mead e Ruth Benedict. A contribuição destas 
antropólogas nesta temática ocorreu através da utilização de desenhos e da 
interpretação que as crianças estabeleciam sobre os mesmos, recursos ainda 
importantes nas investigações atuais. Além disso, foram utilizados também a 
produção de redações, diários, fotografias, entrevistas, com a contribuição das 
crianças em decisões sobre o resultado final da investigação como os nomes com 
os quais seriam identificadas, e que se mostraram importantes na produção de 
dados, e que estão consagrados em estudos contemporâneos produzidos por 
pesquisadoras como Conh (2010), Flávia Pires (2007) e Kramer (2002). A 
compreensão de como ocorre o processo de socialização das crianças kaiowá da 
vila Cristina, que circulam por variados locais na cidade, na periferia e na 
reserva indígena que se localiza próximo, se valeu das metodologias 
apresentadas acima, que contribuíram na evidenciação de como produzem, 
reproduzem, dialogam, avaliam e interpretam as situações vivenciadas, no 
bairro em que residem. 
 
Palavras-chave: Metodologia com crianças indígenas, crianças indígenas, 
Kaiowá. 
 
 
A CONSTRUÇÃO DO CAMPO DE PESQUISA COM CRIANÇAS 
KAIOWÁ 
 
Joziane de Azevedo Cruz 
Mestre em Antropologia pela Universidade Federal da Grande Dourados 
 
RESUMO: As discussões sobre a temática criança e infância têm ganhado 
espaço nas abordagens antropológicas nas ultimas décadas no Brasil. Tais 
abordagens estão se consolidando e sendo trabalhadas nos diversos espaços 
sociais; como em etnias indígenas, no campo, na cidade, nos espaços da rua, nas 
religiões entre outros e despertando inquietações como: as formas como as 
crianças aprendem, ensinam, trocam saberes, o que elas representam nos 
grupos que pertencem, entre tantos outros aspectos que norteiam os trabalhos 
etnográficos que compõe a linha identificada como Antropologia da criança. Por 
meio de algumas reflexões que serão apresentados, foi possível perceber que a 
muitos desafios presentes na pesquisa com crianças na Antropologia. Como 
aporte teórico utilizo alguns estudos de Cohn (2005; 2013), Brougère (2010), 
Pires (2010), Condonho (2009), Escoura (2010), Lopes, Nunes e Macedo 
(2002), entre outros, os quais elegem a criança em suas discussões. A partir da 
leitura desses trabalhos, foi possível perceber que os brinquedos, as 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
brincadeiras, os jogos, as diferentes formas de aprendizados e os papéis que as 
crianças ocupam nos grupos em que participam se constituem em objetos 
legítimos de estudos para as ciências sociais. Nesse sentido, a presente reflexão, 
propõe-se a fazer alguns apontamentos referente à metodologia na pesquisa 
antropológica com crianças, para tanto, apresento alguns trabalhos etnográficos 
e como as pesquisadoras lidaram com os desafios presentes com esse novo 
sujeito das pesquisas antropológicas: as crianças- e estabeleço um paralelo com 
as experiências que obtive no campo de pesquisa com as crianças kaiowá 
durante a construção da dissertação. Foi necessária a contribuição de diversas 
ferramentas nesse exercício do campo, somadas a etnografia. Nesse sentido, 
pretendo apresentar parte dessas reflexões desenvolvidas durante o mestrado 
nos desafios e possibilidades das pesquisas com crianças na etnologia.O 
trabalho foi realizado na Aldeia Jaguapiru, localizada no município de 
Dourados/MS. 
 
Palavras chave: Crianças kaiowá; antropologia, metodologia. 
 
 
 
O QUE CONTAM OS GUARANI E KAIOWÁ SOBRE O CORTE DA 
CANA? O AVANÇO DA FRONTEIRA AGRÍCOLA MODERNA E A 
PRECARIZAÇÃO DAS PRÁTICAS ESPACIAIS GUARANI E KAIOWA 
NO MATO GROSSO DO SUL 
 
Lívia Domiciano Cunha 
Mestranda Geografia 
Universidade Federal Fluminense 
 
RESUMO: Ao longo da história de ocupação do sul do então estado do Mato 
Grosso políticas agrárias e indigenistas foram sendo instaladas no início do 
século XX sob a lógica desenvolvimentista de ocupação dos ditos “espaços 
vazios”, a partir de critérios geopolíticos de ocupação efetiva do território, o que 
fez emergir uma série de conflitos. Em 1910 cria-se o SPILTN (Serviço Nacional 
de Proteção aos Índios e de Localização dos Trabalhadores Nacionais) como um 
dos instrumentos do governo republicano vinculados a políticas relacionadas à 
colonização da região, além de criar as reservas indígenas objetivando abrir 
espaço para instalação de novas frentes econômicas (LIMA, 1992). A partir do 
controle dessas reservas com a instalação dos postos indígenas no seu interior, 
objetivava-se também promover ações de cunho civilizatório e viés 
evolucionista, para integrá-los à sociedade nacional como força de trabalho 
nacional. A exploração da força de trabalho indígena na região se deu em várias 
frentes, no ciclo extrativista na extração do erva mate, no desmate para a 
abertura de fazendas para os grãos e, mais recente, no corte da cana. Os povos 
guarani e kaiowa ressignificaram tais atividades inserindo-as em sua economia, 
vide a reconfiguração de suas práticas espaciais a medida em que a fronteira da 
agricultura moderna avançava e a alterava consideravelmente a materialidade 
espacial, logo, também sua forma de organização socioespacial. Na histografia 
oficial não há relatos destes povos a partir de sua narrativa sobre estes 
processos que atravessaram seu território em diferentes períodos, por essa 
razão o presente trabalho visa fazer um registro histórico-geográfico a partir da 
década de 80 destes povos sobre a atividade no corte da cana a partir de 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
levantamentos de relatos de vida sobre tais condições que a atividade no corte 
da cana era realizada. São de fundamental importância as seguintes leituras, 
Rosa Luxemburgo (1985), Harvey (2005, 2008), Clastres (1977), Hannerz 
(1997), Viveiros de Castro (2002), Almeida & Mura (2002), Lopes de Souza 
(2013), Schaden (1974), Souza Lima (1992). Tal como a realização de trabalho 
de campo na área de estudo para busca de dados primários e também o uso de 
banco de dados para a coleta de dados secundários CIMI, ISA, dentre outras 
fontes. 
 
Palavras-chave: Canavial; Mato Grosso do Sul; Guarani. 
 
A REALIZAÇÃO DA VIDA NA FRONTEIRA BOLÍVIA/BRASIL – 
ALTERIDADE E FRONTEIRAS PELAS NARRATIVAS ORAIS 
 
Martha Jeronimo Batista 
 
RESUMO: A produção de vida dos diferentes grupos humanos no espaço 
fronteiriço Bolívia/Brasil, resulta numa totalidade dinâmica e aparentemente 
incongruente; justamente a interação do diálogo, a oralidade que o 
corumbaense verte sobre seus lugares e viveres, incluindo o “lado boliviano”, tão 
rica de lembranças e de significados, parece perder o sentido quando se dispõe 
ao outro: a interação é parca e ríspida, e o reconhecimento do outro pela fala se 
faz de desumanização, numa associação de valores negativos que explicariam e 
abarcariam todos os costumes do outro. Também as histórias do distinto povo 
boliviano, imaterialmente se recriando pela oralidade, ainda que ausente na 
nossa história e cosmologia, revelam desde a sua ausência à recusa de sua 
compreensão, antagonismos que a simples observação faz inferir, mas não 
entender: apesar da cotidianeidade e da produção de vida em conjunto, que 
uniriam estes povos, a exclusão, a negação e o pejo sobressaem-se, como 
manifestação inegável deste espaço fronteiriço. Trata-se aqui, portanto, de 
apresentar a proposta de trabalho para a leitura deste cenário fronteiriço pelos 
realizadores deste fato social, os fronteiriços, que serão convidados a narrar, 
pela memória e pela realidade presente da fala, sua vida na fronteira: se chegou 
ou se nasceu, quando chegou, a que veio, os lugares em que viveu, os arranjos 
entre geração da família e do trabalho, etc, tecendo assim, as histórias de vida 
fronteiriças que também pelas condições de alteridade e identidade se 
contrapõem à ideologia e realização da Fronteira Nacional. A metodologia tem 
por base a coleta e análise de narrativas orais de vida, de fronteiriços que 
representem os distintos grupos humanos que vivem na fronteira, como 
kambas, corumbaenses e indígenas, com idade igual ou superior a 70 anos, que 
vivam (viveram) na região da Fronteira; bem como a de material publicitário, 
como jornais, revistas, periódicos e almanaques, produzidos e circulados na 
cidade de Corumbá entre os anos de 1870 a 1943, na forma de microfilmes, 
pertencentes ao Centro de Documentação Regional da Universidade Federal da 
Grande Dourados, e que revelariam, por sua vez, os filamentos da construção 
ideológica da Fronteira Nacional. 
 
PALAVRAS-CHAVE: Fronteira, oralidade, narrativas, Estado, Poder, 
subalternidade 
 
 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
INDÍGENAS EM REGIÃO URBANA 
 
Marta Soares Ferreira 
(martamartinhasf@gmail.com) 
 
RESUMO: O presente trabalho apresenta uma proposta de pesquisa em 
andamento, com suposta busca por diálogo, sugestões, orientações e olhares 
para a construção de uma futura dissertação. Através de uma pré-pesquisa junto 
á FUNAI de Amambai/MS, houve a possibilidade de acesso á registros em atas 
que trazem aspectos da realidade do grupo indígenas kaiowá e guarani 
moradores da Vila Satélite, região urbana do município de Aral Moreira/MS. Os 
moradores indígenas se referem à vila satélite como tekohá. Em documentações 
fornecidas pela FUNAI encontram-se narrativas de indígenas que nasceram e 
viveram em um lugar denominado por Joi’y –encontro de dois rios- antigo 
tekohá cercado por dois rios, que hoje é região agrícola. A proposta é estudar a 
configuração das relações desse grupo por morarem na região urbana, e ainda 
como se mobilizam de forma político e social. O objetivo seria de uma etnografia 
de como se dá as relações do grupo indígena morando em zona urbana, as lutas 
por direitos e o acesso às políticas públicas. Um dos critérios para a garantia de 
direitos aos povos indígenas, incluindo o direito ao território tradicional, é a 
manutenção dos modos próprios de vida. É a partir da valorização étnica e 
constituição de direitos que vários grupos indígenas ressurgem. Logo a condição 
de estarem fora da reserva seria, nesse sentido, um elemento contrário à 
garantia de direitos? O processo histórico de mobilidade que levaram esses 
indígenas a se estabeleceram nesse local é algo a ser pesquisado, mas, também, 
interessa entender como, uma vez estabelecidos, se organizam politicamente, 
quais são suas estratégias e demandas. Com base no problema buscar 
compreender como se dá as relações dos kaiowá e guarani naquele bairro; se 
realizam e como realizam sua praticas religiosas em condição urbana? No que 
trabalham? Como se dá a movimentação política do grupo diante dos 
departamentos públicos municipais e federais? Para se compreender sobre a 
relação de vivencias na vila satélite entre não indígenas e indígenas, propõem se 
aproximar da obra de Norbert Elias (2000) “Os estabelecidos e os outsiders”. A 
metodologia usada na pesquisa será o método etnográfico, com base no trabalho 
de Peter Gow (2006) e bibliografias da etnologia indígenas, a partir do 
pressuposto da diferença e da importânciade destacar as relações dos povos 
ameríndios que vivem próximos de não índios. 
 
 Palavras -chave: Indígenas, Relações, Direitos, Região Urbana, Vila Satélite. 
 
 
ANGU´A 
Noelí Cáceres 
RESUMO: O trabalho de pesquisa trata sobre o Angu´a (pilão) é um material 
Indígena que era muito usado pelos mais velhos, para moer alimentos como o 
milho para fabricação de bebida indígena como a Chicha, para preparação de 
remédios, como as raízes entre muitos outros. Sendo assim, a pesquisa é 
voltada para esse artefato indígena, verificou se que esse material pode ser 
utilizado para o ensino dos conceitos matemáticos. No conhecimento 
matemático a partir da nossa pesquisa, o Angu`a pode ser trabalho conteúdo de 
Geometria plana e espacial . A pesquisa esta em processo inicial sobre a cultura 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
e levantamento dos conteúdos matemáticos, mas se espera que as aulas com o 
uso Angu´a (artefato) poderá contribuir na valorização da cultura e no 
conhecimento matemático. 
 
Palavras-chave: Etnomatematica, Ensino de matemática, e cultura. 
 
 
ARCO E FLECHA DOS GUARANI 
Robson Pires 
RESUMO: O trabalho apresenta a história do arco e flecha na cultura do 
guarani na escola. A pesquisa visa à melhora da capacidade dos alunos durante 
a execução da aula, propondo aos alunos o desenvolvimento de uma série de 
atividades contextualizadas e interdisciplinar, que utilizará como recursos o 
arco e flecha. Este artefato é instrumento tradicional dos indígenas guarani, 
contribui para análise de informações apresentadas nas aulas teóricas e na 
praticas em sala de aula, ou seja, para uma aprendizagem significativa e assim 
buscando facilitar a compreensão do conteúdo matemático através de jogos e 
brincadeiras como os processos de contagem e a medida tradicional do guarani . 
Pois o arco e flecha e um instrumento tradicional que vem sendo preservado há 
séculos pelo guarani, pois e um instrumento de extrema importância para a 
comunidade de varias formas, para a sua sobrevivência, alimentação, defender 
os seus territórios entre outros. 
 
 
NOTAS ETNOGRÁFICAS ACERCA DOS DESAFIOS E ENTRAVES 
TEÓRICO-METODOLÓGICOS DE UMA PESQUISA DE CAMPO NA 
RESERVA INDÍGENA DE DOURADOS/MS 
 Rodrigo Amaro 
 
RESUMO: O presente trabalho objetiva apresentar e discutir o tortuoso 
caminho de pesquisa trilhado por mim na Reserva Indígena de Dourados. A 
princípio, estabeleci como foco o fenômeno do “rap indígena”, e todos os seus 
possíveis desdobramentos e rendimentos etnográficos. Todavia, o próprio 
percurso etnográfico, traçado de início para ser efetivado exclusivamente na 
Reserva Indígena de Dourados, me obrigou a trilhar outros caminhos e a 
frequentar outras aldeias, o que me colocou diante de outros objetos e questões. 
A partir dos dados etnográficos, e inspirados em estudos de casos como os 
apresentados por Jean Jackson (1984, 1995) e Beth Conklin (1997), que 
examinaram como a propagação e o crescimento do ambientalismo juntamente 
da difusão dos meios de tecnologias de comunicação nos anos 80 estão 
transformando as políticas interétnicas de auto-representação dos ativistas 
nativos, analisaremos como o rap indígena participa desse fenômeno dentro de 
seu contexto específico. Assim, analisaremos as incorporações das categorias 
ocidentais nas falas dos jovens rappers indígenas, sobretudo, advindas do 
universo escolar e acadêmico indígena e de ambientalistas não-índios, e as 
transformações pelas quais vem passando a cultura Kaiowá e Guarani por 
consequência desses diálogos. Em suma, pretendo apresentar problemas 
relativos, comuns a praticamente todas as minhas diferentes investidas de 
campo, isto é, discussões que tangenciam a questão da objetivação da cultura e 
da reflexividade cultural, e os consequentes efeitos e contra-efeitos da cultura 
sobre a “cultura” e vice-versa. Desse modo, além de expor os dilemas 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
metodológicos enfrentados durante minha entrada, minha consolidação e 
efetivação do meu campo, debaterei questões relativas ao efeito de uma dita 
educação diferenciada, juntamente do contexto do ativismo indígena e 
indigenista – inexorável e mais que necessário, por conta do quadro de violação 
dos direitos indígenas sul-matogrossenses – que acaba reificando e criando uma 
noção reificante e fetichizada de cultura, que não é própria ao universo 
ameríndio. 
Palavras-chave: objetivação, reflexividade cultural, cultura/”cultura”, Kaiowá 
e Guarani. 
 
CHICHÁ-ATIVIDADES USANDO CONHECIMENTOS A PARTIR DE 
UM CONHECIMENTO TRADICIONAL 
 
Toninho Ortiz Goularte 
 
RESUMO: A chicha e uma bebida típica dos indígenas guarani e kaiowa. Pode 
ser feita de milho, batata doce, cana de açúcar e mandioca (karaku). 
Especificamente os guaranis e kaiowa produzem mais e chicha de milho (avati), 
pode ser milho branco (avati moroti), milho amarelo que e o tupi (avati 
sa´yjuguasu e avati sa´yju´i), milho colorida (avati para). O milho branco não 
pode ser comercializado, pois ela e muito sagrado existe um ritual na hora de 
plantar e na colheita. Antigamente os alimentos como chicha de milho, 
mandioca vários outros, tinha que benzer para ser consumido. 
E um conhecimento tradicional que já vem de muitas gerações, existe vários 
tipos de milhos,tupi,milho com listra preta e branca,milho branco,etc.Por 
exemplo, se uma pessoa quer fazer xixá do milho branco,precisa fazer tipo um 
ritual. Podemos trabalhar com os alunos, e a quantidade (receita) do milho, e da 
cana de açúcar na produção de chicha. A capacidade de água para misturar.O 
tempo que leva para cozinhar ficar pronta, tempo da validade, temperatura, as 
datas das festividades. Em relação à matemática trabalharemos: medida de 
capacidade (massa e volume), medida de tempo (calendário e horas), 
temperatura, quantidade e também podemos inserir números e operações; 
situações de problemas. 
 
Palavras-chave: Conhecimento tradicional.Conhecimento matemático. 
Valorização dos saberes indígenas. 
 
UM RELATO TRANSCRITO PELO SORRISO: CAMINHAR 
 
Yan Leite Chaparro - UCDB 
Josemar de Campos Maciel - UCDB 
 
RESUMO: Um relato transcrito pelo sorriso, parte do sentido concreto 
primeiro de caminhar. O ensaio pede permissão ao leitor para ouvir a escrita 
por um espaço que caminha entre a literatura e a técnica. No final da tarde de 
um dia denso, o sorriso traduz ao pesquisador a reflexibilidade do caminhar, 
com e ao lado, não surdo, num jogo de espelhos que entrevê quanto a ação de 
pensar com os Guarani, pensar a questão dos povos originários, é pensar o Mato 
Grosso do Sul, o Brasil, a América Latina, o planeta Terra. O ensaio proposto 
reúne reflexões que constituem parte do processo de construção de uma 
pesquisa de doutorado em desenvolvimento local. Pesquisa que tem como 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
cunho central a reflexão metodológica que envolve o esforço teórico de 
organização de simetrias no campo do conhecimento, politico e social. O esforço 
começa pelo primeiro movimento, a construção do campo de pesquisa e a 
construção da escrita da pesquisa, no caminhar. Que por sua vez reflete o 
compromisso ético e êmico de construir e perceber (com) os Guarani. Não existe 
fuga quando se está ao lado do Outro, ou mesmo, quando se está defronte ao 
espelho. O caminho reflexivo metodológico desdobra-se na confecção 
etnográfica do campo e da escrita como entrefala com os Guarani. Trata-se de 
uma constante negociação, como ato de reconhecimento no qual esta mesma 
ação explicita a complexidade que a escrita em primeira-pessoa permite, se e 
quando se caminha lado a lado - colocando, compulsoriamente, o fazer 
científico frente ao espelho. A pesquisa, refletindo o tecido metodológico, de 
natureza etnográfica,inscreve uma trajetória de critica e desconstrução do 
modelo hegemônico e homogêneo do desenvolvimento, aquele que produz um 
modo de vida que, acima e abaixo da pele e do regime dos corpos, produz 
violências contra os Guarani e contra a sociedade “moderna”, mesmo que esta 
não perceba. 
 
 Palavras-Chave: o campo de pesquisa; a escrita da pesquisa; reflexibilidade; 
estudos do desenvolvimento; crítica ao desenvolvimento hegemônico. 
 
REFLEXÕES METODOLÓGICAS E A PROBLEMÁTICA DO 
DESENVOLVIMENTO: CAMINHAR COM OS GUARANI 
 
Yan Leite Chaparro – UCDB 
Josemar de Campos Maciel – UCDB 
 
Resumo: O escrito confeccionado em formato de artigo tem como objetivo 
apresentar o princípio reflexivo de caminho de uma pesquisa de doutorado em 
desenvolvimento local, pesquisa que tem como objetivo a reflexão metodológica 
com os Guarani, para a possível proposta de inversões e viradas em relação a 
complexa e real problemática em carne viva, dos planos e projetos de 
desenvolvimento (nacionais e internacionais), que compõe modos de vida que 
esquece a racional e lucida questão: só existe um planeta terra. Pesquisa que 
inicia a organização metodológica em primeira pessoa, explicitando reflexões no 
sentido ético e êmico, em relação a construção do campo e escrita da pesquisa, 
quando as vozes do campo e do pesquisador podem caminhar lado a lado com 
um objetivo comum. Instante onde se entende que a pesquisa trilha seu 
caminho em um entre-espaço, onde o pesquisador pode falar, com o Outro 
(pesquisado e pesquisador). E entende que a tênue linha entre pesquisador e 
“pesquisado” deve ser discutida no processo de construção da pesquisa, para 
que exista uma sintonia quando a escrita e as vozes entram em jogos nos 
campos do conhecimento, politico, social e econômico. Jogos que representam o 
processo histórico presente, onde os Guarani vivem em carne viva a educada 
perversidade da noção hegemônica e homogênea do desenvolvimento. 
 
Palavras-chave: reflexões metodológicas; problemáticas do desenvolvimento; 
desenvolvimento local; os Guarani. 
 
 
 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
OGAPYSY 
Zelia Vasque 
 
RESUMO: O trabalho de pesquisa apresenta como resultado a valorização da 
importância da casa de reza na cultura e do tekoha para os Guarani e Kaiowá 
desenvolvendo o conceito matemático. Os principais conteúdos a ser trabalhado 
no ensino aprendizagem, mostrando e comparando da forma mais prática e 
criativa de trabalhar ou desenvolver esses conceitos a partir desse material 
produzido. Ao realizar esse trabalho, conclui se que a casa de reza ogapysy, 
ñande ru e ñande sy, atualmente são pouco valorizado pela própria comunidade 
do seu tekoha, a maioria do nosso jovem e adolescente não sabem da existência 
e nem conhece, da importância da casa de reza. Durante a pesquisa percebeu-se 
que pouco indígenas conhecem e valorizam a casa de reza, devido a tecnologia 
que vem surgindo no decorrer do ano, somente as pessoas mais velho da 
comunidade sabem esses conhecimentos portanto logo ápos o resultado da 
pesquisa, nos professores, e futuro educadores vamos tentar resgatar e fazer o 
nosso educando a entender da importância de valorizar a cultura tradicional. 
 
Palavras-chave: Tekoha, Cultura e Valorização da casa de reza. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
 
ENTRE A RESISTÊNCIA E O EXTERMÍNIO: A LUTA DOS GUARANI 
E KAIOWÁ NO MATO GROSSO DO SUL PELA DEMARCAÇÃO DAS 
TERRAS. 
 
Frederico Lambertucci – FCH/UFGD 
María Gabriela Guillén Carías – FCH/UFGD 
Judite Stronzake – FAIND/UFGD 
 
RESUMO: O dramático extermínio que os povos originários do Brasil vivem 
atualmente finca suas profundas raízes na invasão européia, ponto de partida da 
configuração do modelo exportador de monocultivos que se perpetuou ao longo 
da história do país. Na atual fase histórica, a continuidade de tal modelo 
acontece através da preservação do latifúndio e a superexploração do trabalho 
articuladas à incorporação de novas tecnologias nas cadeias produtivas do 
agronegócio. Tais fatos obedecem à nova, porém irracional, lógica de 
valorização do capital comandada pela fração da burguesia financeira nacional e 
internacional. Tal matriz econômica, promovida sob mediação do Estado 
brasileiro, apresenta os limites absolutos do capital que apesar de oferecer ainda 
as promessas das ideologias do progresso estreitamente vinculadas à eficiência 
da produção material, anula toda e qualquer possibilidade de avanço social, 
sobretudo o que diz respeito aos povos originários. Se a Constituição Federal de 
1988 reconheceu o direito desses povos a suas terras tradicionais e abriu um 
espaço para a luta pela demarcação e homologação, o cenário vem sinalizando 
para o congelamento total desse processo pela via estatal. O objetivo do presente 
trabalho é discutir os nexos causais da impossibilidade de demarcação das 
terras indígenas sob mediação do estado vinculados ao momento de crise 
estrutural do capital e de transição global e a importância das lutas Guarani e 
Kaiowá no Mato Grosso do Sul, cuja resistência, impregnada de uma crítica 
radical ao sistema do capital, nos atenta não apenas para o aprofundamento da 
reprimarização produtiva no Brasil e a completa ruptura com a democracia 
formal, mas para os elementos de socialismo prático. 
 
Palavras-chave: Demarcação de terras; Guarani e Kaiowá; Commodities; 
Crise estrutural do capital; Capital fictício. 
 
 
CONFLITOS INDÍGENAS EM MATO GROSSO DO SUL: UMA 
ANÁLISE A PARTIR DA FORMAÇÃO HISTÓRICA, POLÍTICA E 
ECONÔMICA DO ESTADO 
 
Gianete Paola Bitarelli 
 
RESUMO: O objetivo do trabalho é investigar as raízes históricas que 
sustentam a realidade de conflitos imbricada na relação entre índios e não 
índios no estado de Mato Grosso do Sul (MS). Para tanto foi fundamental o 
desenvolvimento de uma investigação histórica das dimensões de política e 
economia, em um recorte temporal entre final do século XIX e o século XX 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
como forma de estabelecer a compreensão das características da organização 
recente do estado. Posteriormente foram caracterizados os processos históricos 
que marcam a problemática territorial indígena em Mato Grosso do Sul, com 
destaque às etnias Kaiowá e Guarani presentes na porção sul do estado. Por fim, 
empreende-se uma reflexão que busca conjugar os fatos e elementos históricos 
da estrutura político-econômica do estado aos elementos empíricos emergidos 
da realidade que permeia esses povos na região estudada. As conclusões 
evidenciam um contexto de extrema vulnerabilidade vivenciado pelos povos 
Kaiowá e Guarani em Mato Grosso do Sul, onde a constante violação de direitos 
humanos tem como gênese a problemática territorial. A morosidade das 
instituições em reconhecer e assegurar direitos territoriais provoca o 
acirramento de conflitos e consolida entre os não índios uma visão etnocêntrica 
que contempla a categoria “desenvolvimento” a partir, e apenas, de suas 
próprias referências. 
 
Palavras-chave: conflitos territoriais, demarcação de terras e 
desenvolvimento regional. 
 
CONFLITO DE TORO PASO, DEMARCAÇÃO 
 
Gregório Oliveira Pinto Barciela 
Graduando em Ciências Sociais pela UEMS - Amambai 
 
RESUMO: Para fazer este texto foi necessário buscar vídeos e documentários 
que mostram o ataque organizado por ruralistas na retomada de Toro Paso, 
dentro dos limites da TI Dourados-Amambaipegua I, já identificada pelos GI´s, 
fiz uma breve visita ao Tekoha de Toro-Paso onde acontecia o Aty Guasu, me 
baseei também em artigos e textos de Levi Marques Pereira e Antônio Brand. 
Pretendo observar nesse texto o atual conflito por terras noMato Grosso do Sul, 
onde ao reivindicarem suas terras como tradicionais, os Guarani e Kaiowa 
sofrem ataques de extermínio. Para compreender tais atitudes, coloco nessa 
etnografia diferentes valores e pontos de vistas distintos dos ameríndios sob a 
terra, seu tekoha. Por consequência da perda de moradias no final da década de 
70, período conhecido como “abertura das fazendas” os ameríndios iam 
gradativamente para as oito reservas demarcadas pela SPI no começo do século 
XX, causando um aumento da população, esse processo então é chamado de 
esparramo territorial que traria por consequência a fragmentação física e 
política Guarani e Kaiowa, afetando as relações de campo de produção para as 
condições materiais de exitência, parentesco, resistências, rituais, eventos 
festivos e política. Na luta para permanecerem/recuperar sua terra, reprodução 
física e cultural, uma das poucas opções para terem Toro Paso demarcado foi a 
retomada, com intuito de pressionar os órgãos responsáveis pela demarcação e 
o Compromisso de Ajuste de Conduta (CAC) feito entre a FUNAI e Ministério 
Público Federal. Quero analisar neste texto aspectos dessa fragmentação 
ocasionada pela expansão das fazendas do agronegócio que interferem na 
história das comunidades Kaiowa e Guarani. 
 
Palavras-Chave: Kaiowa e Guarani, Conflito por Terra, Demarcação. 
 
 
 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
 
A ETNOLINGUAGEM DE UMA LÍNGUA AUTÓCTONE QUE 
RETRATA ALGUNS COMPONENTES LINGÜÍSTICOS DO ETHOS 
LOCAL: A ORIGEM DE ALGUNS NOMES DE SERES VIVOS EM 
GUARANI-KAIOWA – CARACTERÍSTICAS SINGULARES DA 
LÍNGUA 
Prof. Mst. João Machado 
RESUMO: O presente artigo aborda e tenta demonstrar algumas 
características da língua Guarani-Kaiowa, que assemelha e ou se inspira nos 
fenômenos da natureza ou sons emitidos por animais ou pássaros que dá origem 
aos nomes de alguns seres vivos ou lugar no espaço territorial geográfico onde 
fala as línguas indígenas das etnias Guarani-Kaiowa. O estudo baseia-se, em 
pesquisas etnográficas e conceitos empíricos realizados no território lingüístico 
onde houve a extração da erva mate no Cone Sul do estado do Mato Grosso do 
Sul. A partir do escopo teórico da sociolingüística e geolinguistica, balizados 
pelos teóricos, (ALTENHOFEN, 2011, 2013ª – 2013b; 2014), (THUN, 2004) e 
(COSERIU, 1982). O estudo conclui sobre algumas palavras na língua étnica que 
assemelha com alguns tipos de sons emitidos por pássaros e ou seres da 
natureza e as variações. 
Palavras-Chave: Etnolinguagem, Língua Guarani-Kaiowa, Origens dos 
Nomes. 
 
AS DEMARCAÇÕES DE TERRAS INDÍGENAS: UM OLHAR NAS 
PÁGINAS DO JORNAL O PROGRESSO 
 
Lélio Loureiro da Silva 
Faculdade de Educação, Tecnologia e Administração de Caarapo - FETAC 
 
 
RESUMO: Esta apresentação destaca como o início do processo de retomada 
dos territórios tradicionais dos Kaiowa/Guarani foi retratado pelo jornal O 
Progresso na década de 1980. Nessa década, o movimento indígena ganhou 
destaque com a formação de várias organizações de defesa dos seus direitos, 
mudanças constitucionais e, consequentemente, acirrou a disputa entre 
indígenas e não indígenas pela posse da terra. Em Mato Grosso do Sul essa 
disputa foi registrada pela mídia impressa, com destaque para o jornal O 
Progresso, primeiro e mais antigo matutino do estado. Esse jornal, estabelecido 
ainda no antigo Mato Grosso, vai retratar as questões indígenas de forma dúbia 
já que seus articulistas foram fortemente influenciados pelos projetos 
governamentais desenvolvimentistas e pelo processo de formação da identidade 
sul-mato-grossense. O processo de formação da identidade sul-mato-grossense 
excluiu o elemento indígena, associado ao atraso, a barbárie, a selvageria, e 
enfatizou o desenvolvimento, o progresso e a “gente civilizada” dessa região do 
país, afastando assim o “estigma da barbárie”. Desta forma, o jornal O Progresso 
foi um incansável promotor desses ideais, reforçando as imagens de que os sul-
mato-grossenses seriam ordeiros, civilizados, economicamente desenvolvidos e 
modernos e, assim, identificados com os progressos da civilização. Em 
contraposição, o jornal fará uma negação sistemática do “natural”, que é visto 
como atraso e, assim, as populações indígenas serão identificadas como parte 
integrante desse “natural”, sendo necessário nessa construção identitária 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
silenciar o índio e estigmatizá-lo, promovendo uma negação de seu papel na 
formação histórica da região. 
 
Palavras-chave: indígena, mídia, demarcação, identidade. 
 
 
A TERRA É VIDA, DESPEJO É MORTE: NOVAS ESTRATÉGIAS 
KAIOWÁ E GUARANI NA LUTA E RECUPERAÇÃO DE SEUS 
TERRITÓRIOS 
 
Rafael Rondis Nunes de Abreu 
Mestrando em Antropologia da UFGD 
 
Priscila de Santana Anzoategui 
Mestranda em Antropologia da UFGD 
 
RESUMO: Neste trabalho analisaremos três retomadas de terra dos Kaiowá e 
Guarani em Mato Grosso do Sul: Kunumi Poty Vera, que fica próxima ao 
município de Caarapó; Apyka´i, no entorno de Dourados e Ñande Rú 
Marangatu, entre a cidade de Antônio João e o distrito de Campestre. As três 
retomadas ocorreram em períodos e contextos específicos e fazem parte de um 
processo de luta e resistência que se iniciou nos anos 80. Em consequência do 
reservamento e a da paralisação da demarcação de suas terras, há graves 
violações de direitos humanos e constitucionais, que se modificam com o passar 
dos anos. Após a promulgação da Constituição Federal de 1988, apesar dos 
avanços de paradigmas, poucos territórios foram demarcados pelo Estado 
brasileiro. Existe uma série de ofensivas jurídicas e políticas que visam à 
retirada de direitos indígenas por meio de alterações de dispositivos legais. A 
maioria dos processos demarcatórios tem sido judicializados, novas 
interpretações, regras, jurisprudências e teses têm surgido. Nos últimos anos, 
como tática de desarticulação da luta pelo território, ocorreram muitos 
assassinatos de lideranças indígenas, despejos, tentativas de homicídios, 
ameaças, etc. As movimentações de grupos contrários a demarcação dos 
territórios indígenas têm tentado colocar no banco dos réus o movimento 
indígena e seus apoiadores. Por outro lado, diante deste cenário de extrema 
violência, com grande repercussão, principalmente internacional, os Kaiowá e 
Guarani, tem apresentado estratégias distintas de defesa e recuperação de seus 
territórios, agregando novos elementos às suas lutas. Pretendemos abordar 
neste artigo as novas estratégias de defesa e luta que tem surgido nos últimos 
anos em resposta a este contexto. Essas novas estratégias vão desde articulações 
por meio das universidades, práticas midiáticas que se intensificaram nos 
últimos anos e diversas articulações e alianças estabelecidas nas retomadas de 
seus territórios. 
 
Palavras-chave: retomadas; kaiowá e guarani; resistência; luta; territórios; 
violência; estratégias. 
 
 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
O PROTAGONISMO TERENA NA LUTA PELA TERRA AO LONGO DO 
SÉCULO 
Rosalvo Ivarra Ortiz 
Graduando em Ciências Sociais 
UFGD 
Bolsista: Capes 
 E- mail: rosalvortiz@hotmail.com 
 
Ane Caroline dos Santos 
Graduanda em Ciências Sociais 
UFGD. 
Bolsista: Capes 
 E- mail: carol.santos43@hotmail.com 
 
Noêmia dos Santos Pereira Moura 
Professora Adjunta III da UFGD, licenciada e mestre em História com ênfase 
em História Indígena (UFMS), 
Doutora em Ciências Sociais/Etnologia (UNICAMP) 
 Coordenadora Institucional PIBID/UFGD 
Pesquisadora na etnia Terena 
E-mail: noemiamoura@ufgd.edu.br 
 
RESUMO: O objetivo dessa comunicação é apresentar duas situações de 
protagonismo 
Terena na luta pela terra ao longo do século XX e historiar o movimento Terena 
em defesade seus direitos. A metodologia utilizada foi à história oral e a 
etnografia (trabalho de campo), portanto um diálogo entre a História Indígena e 
a Antropologia. Os resultados apresentados foram de intensa movimentação dos 
indígenas para recuperação de seus territórios tradicionais. As duas situações 
reivindicativas em destaque demonstram que essa etnia e seus “guerreiros” 
(autodenominação dos homens que vão para frente dos embates com os 
fazendeiros) estão dispostos a retomar seus territórios, ao menos esses dos 
quais não se apartaram, para dar continuidade ao seu jeito de ser Terena. Os 
Terena atuais, pelo que pudemos perceber, foi tomando consciência de seu lugar 
social na sociedade brasileira. A partir desse movimento foram traçando novas 
estratégias políticas para ocupar novos espaços sócio-políticos. A arte da 
dissimulação faz parte do conjunto de táticas de negociação dos Terena e é 
amplamente utilizada pelas lideranças. Essas costumam concordar e aceitar as 
propostas que lhes são feitas em espaços não-indígenas de poder. Muitas vezes 
se comprometem a desenvolver as atividades propostas que lhes são favoráveis. 
Ou seja, concordam e se propõem a executar as atividades desde que sua 
população as aceite. Entretanto, se o grupo de apoio na aldeia discordar dos 
encaminhamentos propostos, simplesmente engaveta o projeto e suas ações. 
 
Palavras-chave: Protagonismo. Movimento Indígena. Território 
 
 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
TERRAS ANCESTRAIS E DISPUTAS CONTEMPORÂNEAS: UM 
OLHAR SOBRE AS DEMANDAS TERRITORIAIS GUARANI E 
KAIOWÁ 
 
Rosely A. Stefanes Pacheco 
Doutoranda em História, Linha 
de Pesquisa História Indígena, 
PPGH-UFGD (Universidade 
Federal da Grande Dourados) 
 Professora e pesquisadora Curso 
de Direito UEMS (Universidade 
Estadual de Mato Grosso do Sul) 
 E-mail: 
roselystefanes@gmail.com 
 
RESUMO: As significativas mudanças ocorridas nos últimos anos em termos 
das políticas para os povos indígenas no Brasil estão relacionadas com o 
surgimento das mobilizações indígenas, que, desde os anos oitenta, começaram 
a se consolidar em todo o território nacional. Com novos atores políticos, os 
movimentos indígenas começam a exigir perante o Estado, o reconhecimento de 
sua especificidade étnica e de seus direitos coletivos. Nesse sentido, este 
trabalho tem entre seus objetivos analisar a questão da dinâmica territorial 
empreendida pelos Guarani e Kaiowá, localizados no Estado de Mato Grosso do 
Sul, em especial a reivindicação por seus territórios e, assim, buscar 
compreender os conflitos estabelecidos entre os ruralistas e as comunidades 
indígenas, que ocorreram nos últimos anos neste espaço sul do Estado. Para 
tanto, entende-se que é necessário levar em consideração que o processo 
demarcatório de áreas indígenas em Mato Grosso do Sul, fruto de um TAC 
(Termo de Ajustamento de Conduta) entre Funai e Ministério Público Federal, 
está paralisado desde meados de 2013. Tal acordo não avançou para resolver os 
diversos casos de áreas reivindicadas, e ainda paralisou o estudo de 
identificação das demais áreas. Ademais, há que se considerar que as 
autoridades eleitas, tais como vereadores, deputados estaduais, deputados 
federais, senadores, prefeitos e governador, insistem em simplificar, 
desconsiderar o “problema”, e, ao agirem dessa maneira, rechaçam o 
enfrentamento da questão fundiária, causa maior dos conflitos entre ruralista e 
comunidades indígenas. 
 
Palavras-chave: Povos Indígenas, Guarani e Kaiowá, mobilização territorial, 
violações de direitos. 
 
 
SOBRE A PARTICIPAÇÃO DE JOVENS INDÍGENAS GUARANI E 
KAIOWÁ NOS PROCESSOS DE (RE)OCUPAÇÃO TERRITORIAL: 
ALGUNS APORTES PARA O DEBATE 
Rosely A. Stefanes Pacheco 
Doutoranda em História, PPGH-UFGD 
(Universidade Federal da Grande 
Dourados); Professora UEMS 
(Universidade Estadual de Mato Grosso 
do Sul); roselystefanes@gmail.com 
 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
Gilmar Ribeiro Fernandes 
Acadêmico indígena Guarani, 4º ano, 
Curso de Direito UEMS (Universidade Estadual 
de Mato Grosso do Sul); Endereço eletrônico 
gilmaradvocacia@hotmail.com 
 
Tiago Fernando Aquino Soares 
Acadêmico indígena Terena, 
Guarani e Kaiowá, 2º ano, Curso 
de Direito UEMS (Universidade 
Estadual de Mato Grosso do Sul); 
Endereço eletrônico 
tiagoaquinosoares@gmail.com 
 
Carlos Gabriel Stefanes Pacheco 
Acadêmico 1º ano, Curso de 
Direito UNIGRAN e Relações 
Internacionais UFGD (Universidade 
Federal da Grande Dourados); 
Endereço Eletrônico 
gabrielstefanes@yahoo.com.br 
 
RESUMO: Hodiernamente a juventude indígena tem sido objeto de diversos 
interesses. Temos que esta juventude emerge historicamente como um 
importante ator social que de alguma forma constrói o seu protagonismo. A sua 
participação política não pode ser medida a partir das mesmas perguntas e das 
mesmas práticas como se fazia anteriormente. É de se considerar a emergência 
destes “novos atores”, autodenominados jovens indígenas, buscando destacar 
suas ações dentro de um novo contexto que lhes é apresentado. Neste sentido, 
este trabalho tem entre seus objetivos verificar como ocorre a inserção e 
participação política dos jovens indígenas Guarani e Kaiowá da Reserva 
Indígena de Dourados, Estado de Mato Grosso do Sul, nos recentes processos de 
(re)ocupação territorial. Para tanto, entendemos que é importante analisar 
quem são estes jovens, quais são seus anseios enquanto jovens indígenas, que, 
por um lado estão inseridos em um contexto de extrema violência, e, por outro, 
apresentam-se como partícipes de ações em um campo aberto de possibilidades, 
no que se refere a viverem novas “situações”. Percebe-se que estes atores estão 
constantemente dialogando, sobretudo, com o espaço virtual, ilustrado pelas 
mídias sociais, em especial as redes sociais, em um sentido de aprimorar estas 
políticas e facilitar dinâmicas de comunicação à distância. Além do que, também 
utilizam estas novas tecnologias em favor da efetivação de direitos territoriais 
que consideram fundamentais para a manutenção de sua identidade enquanto 
indígenas. Desta forma, as ações destes jovens, consistem em movimentos de 
resistência, inseridos em uma nova cultura política. 
 
PALAVRAS-CHAVE: Jovens indígenas; participação política; (re)ocupação 
territorial; Guarani e Kaiowá 
 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL ETNOLOGIA GUARANI: DIÁLOGOS E CONTRIBUIÇÕES 
 
DIFERENÇAS CONCEITUAIS ENTRE "IMEMORIALIDADE" E 
"TRADICIONALIDADE" DA OCUPAÇÃO DE TERRITÓRIOS 
INDÍGENAS 
 
Victor Ferri Mauro 
 
RESUMO: A Constituição Federal de 1988, em seu artigo 231, reiterou a 
garantia dos direitos originários sobre as terras que os povos indígenas 
tradicionalmente ocupam e trouxe uma definição concisa e muito acertada do 
que são "terras tradicionalmente ocupadas pelos índios". Houve com isso uma 
ruptura paradigmática quanto ao tipo de vinculação dos grupos com o território 
que necessita ser comprovada. As leis até então vigentes e os procedimentos 
técnicos preconizavam a investigação da "imemorialidade" da ocupação das 
áreas, pressupondo uma continuidade temporal de longa duração dos índios 
com elas. Já a "tradicionalidade", conceito que passou a ser adotado pelo marco 
legal, se justifica muito mais pelo modo de ocupação do espaço e pela 
importância do território para a reprodução física e cultural dos povos que o 
habitam, de acordo com seus costumes e tradições. O que define a tônica deste 
trabalho, portanto, é a diferenciação dos conceitos de "imemorialidade" e 
"tradicionalidade" e as consequências de suas aplicações nos processos de 
identificação de Terras Indígenas. 
 
Palavras-chave: Imemorialidade, tradicionalidade, ocupação, demarcação, 
Terras Indígenas

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