Apostila - Imunologia
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Apostila - Imunologia

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ou fracamente imunogênicos. Ou seja, a capacidade de estimular a resposta
imunológica varia entre os antígenos de um determinado microorganismo. Geralmente os

antígenos (proteínas, polissacarídeos) localizados na superfície do agente (capsídeo, envelope

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viral; parede ou cápsula bacteriana) são os mais imunogênicos.

Aspectos estruturais

As células do sistema imunológico, através de seus receptores de superficie (TCR, BCR),
reconhecem locais ou sítios específicos de cada antígeno e não o antígeno inteiro. Isso deve-se

ao fato dos sítios de reconhecimento do antígeno pelos TCR e BCR serem pequenos e só

estabelecerem contato com uma pequena região do antígeno. Os sítios conjugadores de antígeno
(região variável das Igs), por exemplo, só estabelecem contato com uma seqüência de 6 a 8
aminoácidos de um antígeno protéico. Esses sítios de reconhecimento e ligação são chamados de

epitopos ou determinantes antigênicos. Cada antígeno pode conter um ou vários epitopos,

dependendo do seu tamanho. Moléculas grandes de proteína geralmente possuem dezenas de

epitopos. Em um mesmo antígeno, alguns epitopos são mais efetivos do que outros na indução

de resposta imunológica. Esses epitopos são chamados imunodominantes. Os epitopos

imunodominantes estão geralmente localizados na superficie dos antígenos e são hidrofilicos.

Porções localizadas internamente na molécula e hidrofóbicas têm pouca chance de ser um

epitopo imunogênico.

 Os epitopos podem ser constituídos de aminoácidos ou resíduos de açúcar dispostos

linearmente ou fazendo parte de uma estrutura tridimensional. Epitopos com estrutura

tridimensional podem ser denaturados por ação do calor ou determinados químicos. Quando o
epitopo é formado pela sequência linear de aminoácidos, é chamado de epitopo linear, contínuo

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ou sequencial. Esse tipo de epitopo é geralmente reconhecido por linfócitos T. Linfócitos TCD8

reconhecem epitopos lineares de 8 a 12 (média 9) aminoácidos; linfócitos TCD4 reconhecem
epitopos lineares de 16-20 aminoácidos. Quando a estrutura que é reconhecida pelo sistema
imunológico é uma estrutura tridimensional, com um certo formato, é denominado de epitopo

conformacional. Esses tipos de epitopos são reconhecidos por linfócitos B, através de seus

receptores (anticorpos) de superfície. Nesses casos, o que é reconhecido é a forma
(conformação), e não a sequência de aminoácidos. Linfócitos B reconhecem epitopos formados
por 6 a 8 aminoácidos.

Denomina-se imunogenicidade a capacidade de um determinado antígeno de induzir uma

resposta imunológica. A imunogenicidade de um determinado antígeno varia com vários fatores:

1.Composição química

As proteínas geralmente são os melhores imunógenos. Estimulam a resposta humoral (através da
estimulação direta de linfócitos B) e celular (linfócitos TCD4). Proteínas grandes geralmente são
melhores imunógenos do que proteínas pequenas. Polissacarídeos raramente são bons

imunógenos. Possuem alguma atividade antigênica quando ligados à proteínas (glicoproteínas).
Estimulam apenas linfócitos B (estimulação direta pela ligação aos BCRs). Não induzem
resposta por linfócitos TCD4. Lipídios não são bons imunógenos quando não estão ligados à

proteínas. São muito comuns no organismo e são facilmente degradáveis. Ácidos nucléicos
(RNA, DNA) têm alouma atividade antigênica, sobretudo quando conjugados à proteínas. Em
algumas doenças autoimunes ocorre formação de anticorpos anti-DNA.

2. Tamanho da molécula

 Teoricamente, quanto maior a molécula do antígeno, maior será o número epitopos e

conseqüentemente maior será a sua imunogenicidade. Moléculas maiores também são mais

facilmente fagocitadas por macrófagos, facilitando o seu reconhecimento e apresentação. Os

imunógenos mais potentes são geralmente proteínas com peso molecular superior a 100 kDa.

Moléculas pequenas e solúveis não são facilmente fagocitadas, o que prejudica o seu
processamento e reconhecimento pelo sistema imunológico.

3. Dose do antígeno

 A intensidade da resposta imunológica aumenta em resposta a um aumento

da dose de antígeno, até um certo limite. Quando esse limiar é ultrapassado, não há aumento da
resposta e pode haver o estabelecimento de um estado de não-resposta chamado genericamente de

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tolerância. Doses maciças de antígeno podem levar à imunotolerância.

4. Complexidade química e estabilidade

Quanto mais complexa for a estrutura molecular do antígeno, maior será a sua capacidade de
induzir uma resposta imunológica eficiente. Moléculas de polissacarídeos e proteínas complexas

são bons imunógenos. Da mesma forma, quando mais estável for um antígeno, mais intensa será a

resposta imunológica produzida contra ele. Antígenos que são facilmente e rapidamente

metabolisados não constituem-se em bons imunógenos pois não permanecem longo tempo

estimulando o sistema imunológico. O uso de adjuvantes pode aumentar a resposta imunológica a
esses tipo de antígeno.

Antígenos T dependentes e independentes

 Antígenos T dependentes: São antígenos que dependem das células T (linfócitos TCD4) para
estimular a resposta imunológica. Antígenos protéicos não induzem a formação de anticorpos

sem a participação de TCD4. A proliferação de linfócitos B para originar plasmócitos secretores

de anticorpos para um antígeno protéico depende de dois sinais: 1. Um sinal resultante da ligação

direta do BCR com o antígeno protéico; 2. Outro sinal (interleucinas 4, 5, 10) enviado pelos
linfócitos TCD4 ao reconhecerem o mesmo antígeno. Ou seja, linfócitos B e TCD4 reconhecem
simultaneamente o antígeno e respondem: o linfócito B prolifera auxiliado pelas interleucinas

produzidas pelo linfócito TCD4. O resultado é a produção de plasmócitos secretores dos

anticorpos específicos para oantígeno em questão. A capacidade de induzir resposta imune

celular mediada por linfócitos T é característica dos antígenos T dependentes. As proteínas são

linfócitos T dependentes.

Antígenos T independentes: São antígenos que podem estimular a resposta imune sem estimular

os linfócitos TCD4. Esses antígenos são reconhecidos diretamente pelos BCR/anticorpos na

superficie dos linfócitos B, desencadeando sua proliferação e produção de anticorpos

específicos. São capazes de estimular diretamente os linfócitos B, atuando como mitógenos. São

moléculas grandes, poliméricas com unidades repetidas em sua superfície. São geralmente

polissacarídeos bacterianos, mas também algumas proteínas poliméricas de platelmintos.

Estimulam somente a resposta humoral, pois não estimulam os linfócitos T (T independentes).

Reconhecimento de antígeno

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 A distinção entre o que é próprio e o que é estranho (não-próprio) ao organismo constitui-se no
ponto chave da resposta imunológica. Antígenos próprios devem ser reconhecidos como tal e não

devem induzir resposta imunológica, sob risco de desenvolver-se enfermidades auto-imunes. Por

outro lado, antígenos estranhos (não-próprios) devem induzir uma resposta imunológica capaz de
eliminá-los do organismo. Por isso, o reconhecimento de antígenos não-próprios (distinguindo-os
dos próprios) é o evento central da resposta imunológica. É através desse reconhecimento que
células B e T são estimuladas e proliferam, originando células efetoras (plasmócitos, Th, CTL)
que irão agir especificamente contra o antígeno que as estimulou. O reconhecimento de antígeno

é a etapa inicial da resposta imunológica e geralmente ocorre no local de contato entre o antígeno

e as células linfóides, ou seja, nos linfonodos, acúmulos linfóides (MALT, Placas de Peyer) e
baço.

 Os linfócitos B, TCD4 (auxiliares) e TCD8 (citotóxicos) reconhecem antígenos de formas
diferentes. Em todos
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