A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
Slides de Direito Financeiro sobre Dívida Pública

Pré-visualização | Página 1 de 2

Entre receitas e despesas: a questão do endividamento público
Gleicy vasques
Ufms
17fev2016
Qual a diferença entre Déficit Público e Dívida Pública?
Endividamento público – como e diante de quais condições o Estado pode captar recursos externamente para suprir necessidades públicas, nos casos em que as receitas auferidas ordinariamente não dão conta de fazer frente a todas as despesas que devem ser realizadas.
Dívida pública consolidada ou fundada – montante total, apurado sem duplicidade, das obrigações financeiras do ente da Federação, assumidas em virtude de leis, contratos, convênios ou tratados e da realização de operações de crédito, para amortização em prazo superior a doze meses. (art. 29, I, LRF)
Obrigações do ente que tenham sido assumidas a médio e longo prazo.
Operações de curto prazo, se as receitas delas provenientes estiverem previstas no orçamento.
Precatórios incluídos no orçamento, mas não pagos em um determinado exercício.
Títulos de responsabilidade do Banco Central do Brasil.
Dívida pública mobiliária – representada por títulos emitidos pela União, inclusive os do Banco Central do Brasil, Estados e Municípios. (art. 29, II, LRF).
Sobre o BACEN, cabe lembrar, que não é mais permitida a emissão de títulos, tendo em vista o disposto no art. 34 da LRF, que previu como data limite os títulos emitidos até 04/05/2002.
A distinção entre os dois tipos está centrada no instrumento de realização: 
A dívida pública consolidada decorre de obrigações para a realização de obras e prestação de serviços, seja em decorrência de empréstimos com instituições financeiras, seja em razão de contratos precedidos de licitação ou pagamento de pessoal (decorrente de lei);
Já a dívida pública mobiliária resulta, especificamente, da emissão de títulos da dívida pública pelos entes da Federação.
Outros dois conceitos relevantes são:
Operações de crédito – trata-se do instrumento pelo qual a dívida pública é gerada, em que é realizada uma operação de empréstimo que, de um lado, gera receita e, de outro, despesa, ou seja, gera dívida pública.
Concessão de garantia – uma caução prestada por ente da Federação em face de uma operação de crédito.
Limites de Endividamento, controle e providências em caso de excesso
Dívida mobiliária da União – Emissão de títulos federais – caberá ao Presidente da República encaminhar projeto de lei ao Congresso Nacional acerca dos limites aplicáveis (art. 30, II, LRF e art. 48, XIV, CR).
Revisão de limites – em proposta encaminhada ao Legislativo pelo Presidente da República, nos casos de alteração dos fundamentos dos limites inicialmente propostos, tendo-se em vista razões de instabilidade econômica ou alterações nas políticas monetárias ou cambial (art. 30, §6º, LRF).
Dívida consolidada da União – art. 30, I, LRF e art. 52, VI, CR – definido por Resolução do Senado Federal – 43/2001, não há, atualmente, qualquer limite de endividamento para União, seja em relação a dívida consolidada, seja quanto à dívida imobiliária. O limite atinge apenas os Estados, Distrito Federal e Municípios.
O art. 7º da referida Resolução estabelece limites tanto para a realização de operações de crédito interno quanto para o comprometimento anual da receita com o serviço da dívida (i.e. amortizações, juros e demais encargos).
Em relação ao limite global em um exercício financeiro, este será de 16% da receita corrente líquida, quanto aos valores vinculados com amortizações, juros e outros encargos 11,5%, também da receita corrente líquida.
Quanto as medidas de controle:
O controle será realizado a cada quadrimestre, caso seja verificado excesso ao final desse período, deverá haver recondução em até doze meses, ou seja, nos três quadrimestres seguintes.
A relação dos entes que incorrem em excesso será divulgada mensalmente pelo Ministério da Fazenda, sendo que as providências aplicam-se tanto para a dívida consolidada quanto para a dívida mobiliária do ente.
A recondução diz respeito as providências a serem adotadas por parte dos entes, as quais resultem na diminuição do patamar de endividamento.
Durante o excesso, portanto, o ente não poderá realizar qualquer operação de crédito e deverá obter resultado primário necessário para recondução da dívida ao limite.
A exceção se dá naquelas operações de crédito que visem refinanciar o principal atualizando a dívida mobiliária.
Quanto ao resultado primário, cabe lembrar, que é o resultado da diferença entre receitas e despesas de um determinado exercício.
Se inclusos também as receitas e despesas relativas à dívida pública, estaremos diante do resultado nominal.
Para que ocorra a recondução da dívida ao limite, podem ser realizadas limitações de empenho, desde que não se refiram a repartição da arrecadação tributária, nem tampouco, as despesas relativas à dívida pública, como encargos, juros, etc.
Caso o ente não obtenha sucesso em sua empreitada, ficará ele impedido de receber quaisquer transferências voluntárias da União ou dos Estados.
Cabe ressalvar, a verificação de excesso no primeiro quadrimestre do último ano de mandato do Chefe do Poder Executivo.
Neste caso deverá ocorrer a aplicação imediata das restrições, quais sejam: não poderá realizar qualquer operação de crédito e deverá obter resultado primário necessário para a recondução da dívida ao limite, independentemente de observância de prazo para a recondução.
Condições para a contratação das operações de crédito
Compete ao Ministério da Fazenda verificar o cumprimento dos limites e condições para a realização das operações de crédito de cada ente da Federação, mesmo que as operações tenham sido realizadas por empresas controladas, direta ou indiretamente.
O interessado na operação de crédito deverá apresentar ao Ministério da Fazenda um pedido, cujo conteúdo contemplará elementos fáticos, relativos ao custo/benefício e interesse econômico e social da captação externa de recursos e elementos normativos.
Quanto aos elementos normativos deve-se demonstrar a existência de prévia autorização legislativa para a contratação da operação de crédito.
Essa autorização poderá estar na própria LOA ou em créditos adicionais abertos para essa finalidade, ou ainda, em uma lei específica.
Além disso, as receitas geradas pelo endividamento não poderão ser superiores às despesas de capital.
Caso tal ocorra, o ente deverá constituir uma reserva específica na LOA para garantir que a parcela excedente da dívida será paga.
Quando se tratar de uma operação de crédito externa, cabe ressaltar a proibição da cláusula compensatória, que consiste na possibilidade de compensação automática entre créditos e débitos, na hipótese de inadimplência do devedor.
Portanto, a obrigação do credor de seguir os meios usuais de cobrança da dívida, evitando o deslocamento de verbas para a quitação do débito, sem a previsão legal respectiva.
Na hipótese de descumprimento das normas da LRF, haverá nulidade dos contratos celebrados, e essa consequência atinge a instituição financeira e o ente da Federação de formas diversas.
Do ponto de vista da instituição, com o cancelamento do contrato, ela deverá receber apenas o valor principal, ficando vedados quaisquer acréscimos decorrentes de juros ou outros encargos financeiros.
Do ponto de vista do ente, a devolução deverá ser realizada no mesmo exercício de ingresso dos recursos, caso isso não ocorra, deverá ser consignada uma reserva específica na LOA para o exercício seguinte.
Enquanto não houver a devolução, o ente ficará sujeito às penalidades previstas e não poderá receber transferências voluntárias, contratar operações de crédito ou obter garantia de outro ente.
Outras restrições às operações de crédito
Fica vedada a emissão de títulos pelo BACEN, como forma de controlar mais rigidamente o endividamento público, na medida em que o BACEN deve operar a política monetária apenas com os Títulos do Tesouro Nacional.
Fica vedada a realização de operações de crédito entre os entes da Federação, trata-se de medida que visa garantir o equilíbrio