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Gramatica da Língua Francesa   MEC

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fU.ME . 'Indaçal naell.al .. ..... r .• ". 
, 
GRAMATICA 
, 
DA LINGUA 
FRANCESA 
ROBERTO ALVIM CORREA 
SARY HAUSER STEINBERG 
FEN AME - fundaçao nacional de material escolar 
MINIST - RIO DA E D U CAÇAO E U L TURA 
Esta l' ediçâo da Gramatica da Lingua Francesa foi pu­
blicada pela FENAlUE - Fundaçâo Nacional de Material 
Escolar (ex-Campanha Nacional de Material de Ensino) 
sendo Presidente da Republica 0 Excelentîssimo Senhor 
Marechal Arthur da Costa e Sîlva, e Ministro de Es­
tado da Educaçâo e Cultu;'a 0 Deputado Tarso Dutra. 
ROBERTO ALVIM CORRÊA 
Prof essor Catedrlitîco de Lingua e Lîteratura Francesa da Fa­
culdade de Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro. 
Professor Catedrâtico de Literatura Francesa da Faculdade de 
Filosofia da Pontificia Universidade Cat6lica do Rio de Janeiro. 
Professor Catedrâtico de Literatura Francesa da Faculdadc Ca­
t6lica de Filosofia, Ciências e Letras de Petrôpolis. 
SARY HAUSER STEINBERG 
Profess6ra de Francês do Colégio de Aplicaçao da Universida­
d e Federal do Rio de Janeiro. Profcssôra de Francès da Faeul­
dade de Lctras da Univcrsidade Federal do Rio de Janeiro. 
Professôra de Audiovisual da Cadeira de Prâtica de Ensino de 
Frances da Univcrsidade Federal do Rio de Janeiro. Profcssôra 
de Francês do Colégio Pedro II - Externato. Orientadora Pe­
dagogica do Ensîno do Francês do Colégîo Nova Friburgo da 
Fundaçào GetuJîo Vargas_ 
o DicionArio Escolar Frances-Portugues e Português-Francês, redigido pelo 
Professor Roberto Alvim Corréa para a Campanha Nacional de Matcrial de En­
sino, em 1965 alcançou trés ediç6es, num total de trezentos e quarenta mil exem­
plares. Apresenta-nos, agora, 0 ilustre Catedrâtico de Lingua e Literatura Fran' 
cesa da Faculdade de Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro, de par­
ceria com a Pro[essôra Sary Hauser Steinberg, esta magnifica Gramatica da 
Lingua Francesa, em ediçâo de cem mil exemplares, com 0 objetivo de difundir 
no Brasil 0 ensino do Francês, através da fonologia, lexicologia e sintaxiologia 
modernizadas, de carater idiomatico, nos moldes peculiares da modelar lingua 
que Hio bem dominam. 
Podemos desde jâ antecipar 0 grande exito que êste fecundo trabalho ob­
terA, porque a influéncia da França sôbre a nossa cultura foi muito pronun­
ciada, principalmente no Século XIX e no inicio do Século atuaI. A nossa elite, 
entâo, falava correntemenle 0 idioma de Pascal e conhecia 0 sentido gaulês e 
o sentido precioso como clementos da integraçao e harmonia do espirito fran­
cës. Corn essa segura orientaçao, formàvamos a nossa mentalîdade, adquirindo 
conhecimentos artîsticos e Iîterarios, cientificos e técnicos, juridicos c filos6fi­
cos; e admitiamos a validade do tradicional adagio: lodo homem culto tem duas 
pâtrias : a sua, e depois, a França. 
As coisas, entretanto, mudaram. 0 nosso pais influenciou-se por outras cul­
turas de projeçào internacional, que se infiltraram no povo por intcrmédio do 
cinema, imprensa, publicaçôes de tôda natureza, rAdio e televisâo. 
Nada hA de negativo nesse falo. 0 Brasil é francamenle receptivo. e como 
tal internacionalista e cosmopolita, ainda que, atualmente, a sua maior preo' 
cupaçâo seja afirmar a sua pr6pria e autentica cultura, baseada nas condiçôes 
do nosso homem e da nossa terra, para a realizaçào de um nôvo humanismo. 
exigido pelos imperativos dos nossos tempos. 
Todo brasileiro culto. pela fOrça das circunstancias, estuda diversos idio· 
mas estrangeiros, para estar à altura da época e poder acompanhar-lhe 0 de­
senvolvimento le.:::noI6gico. Na ausencia de uma lingua universal Cientifica, 
torna-se poliglota, e esforça-se por compreender 0 alemao, 0 inglés, 0 frances, 
o itaHano, 0 espanhol e mais 0 grego e 0 lalim classicos. 
Nao apresenta grande valor cultural esse poliglotismo. Por isso H. G. Wells 
quando concebeu 0 mundo como estado federal universal, propOs, para a sua 
C08m6po/is, 0 frances coma lingua (mica. W. Somerset Maugham acha lamen­
tâvel perda de tempo a aquisiçao de conhecimentos superficiais de diversos idio­
mas estrangeiros. No seu entender, mclhor seria dominar uma Iingua univer­
sai como 0 franœs, que possui magnifica Iileratura e é falada por todos os 
povos cultos. Eis b que diz no seu THE SUMMING UP: "When the intelligentsia 
took IIp Russia 1, remembering that Cato had begun ta learn Greek when he 
was eighty, set about learn/ng Russian, but 1 had by then lost my youtMul 
enthusiasm. 1 nover got farther than being able ta read the plays of Chekhov 
and have long since forgotten the litt le J knew. J think now that these scJtemes 
of mine were a trifle nonsensical. Words are no important, but their meanings, 
and it 1S of no spiritual advantage that J can see to know half-a-dozen lan­
gll�ges. J have met polyg/ots; 1 have not noticed that they were wiser than 
the rest of us". 
Em relaçao ao poliglotismo, José Ortega y Gasset é ainda mais severo, 
quando pondera no seu EL ESPECTADOR-VIII: "La ellesti6n es eomplicada. 
Habria que investjgar antes un tema mas amplio: qué es eso de hablor otro 
idioma. i Se puede en sem hablar otro îdioma' Al hacerlo, i no nos eolocamos 
en la aetîtud intima de imitor a algun pr6jim01 Y vivir imitando, i no es 
una payusadu '1 
La gente se haee demasiado fricil 10 que llama hablar lenguas. El transita 
a otro idioma no se puede ejecutar sin previo abandono de nuestra persona­
lidad, y, por tanto, de nuestra vida auténtica. Para hablar lino. [enyua ex/ralla, 
la primera que haee falta es tlolverse durante un rato mas 0 menas 1mbéci/; 
Zogrado esto puede uno verbalizar en todos los idiomas deI mundo sin exeessivll 
dificultad". 
Nâo h a duvida sôbrc a veracidade de tais observaçôes. No seu Iivro SUR 
L'ART DE LA VIE acentuou Herman de Keyserling: "le "polyglottisme" n'a 
aucune valeur; comme po/yglolte, aUCUn génie n'a jamais égalé un Levantin 
exceptionnellement versatile ni tel célèbre maître d'h6tel. Le problème n'est 
pas de communiquer avec d'mitres pal' des moyens divers, ni d'être capable 
de traduire tlne expression par une autre - tâche irréalisable pour quiconque 
comprend Ime langue d fond - mais d'atteindre lm nivealt supérietlr de rétre 
qui permet de penser originellement ét naturellement de différentes mantères. 
Le polyglotte ordinaire, le tradllelellr courant et celui qui sait jouer des r6les 
divers selon les langues qlt'il. parle, est inférieur d l'homme monophone pro­
fond, si étroit qu'il soit. C'est 1JOUrqlwi, juSqlù' un niveau intellectuel assez 
élevé, la monophonie est préférable". 
Analisemos, entretanto, 0 lado positivo da questao. No estudo de uma 
lîngua estrangeira, desenvolvemos a mem6ria. 0 ouvido e a vontade. A me­
m6ria, pela rctenç1i.o das palavras e expressôes; 0 ouvido, ao aprcendermo.i 
a significaçào dos vocabulos e das trascs; a vontade, porque, sem eslôrço e 
persistência, nJo é possivel assimilaI" 0 nôvo idioma. Através dêsse estudo, 
feito com amplitude, também podemos adquirir a alma de um povo e 0 es­
pil"ito de uma cuHura. Dai 0 valor do conhecimcnto de um idioma para 0 
desenvolvimento da perSQnalidadc e da sociabilidade. f::sse conhecimento tarn­
bém é do mais alto alcanee social. Facilita 0 cntendimento entre os povos e 
estreita as relaçôes nas mais diversas esferas, coma da politiea. economia, 
ciéncia, filosofia c euHura. 0 estudo de uma lingua universal, muito especial­
mente, alarga os horizontes mentais pela penetraçao em nôvo sentido da vida, 
aumenta os meios e recur.iOS de expl"essiio e amplia a es fera da socialidade 
pelos mûlliplos contactos que possibilita. 
Podemos aplicar essas consideraÇÔes ao estudo do franœs no BrasU, porque 
muito nos interessa acompanhar a presente evoluçiio da cuHura francesa, uma 
das herdeiras das humanidades greco-laUnas e coluna vertebral da cultura euro­
péia, no seu esfonx> de seguir novos fumos, compativeis com 0 espirito

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