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CENTRO UNIVERSITÁRIO ESTÁCIO do ceará – FIC
CURSO DE PSICOLOGIA
ATIVIDADE ESTRUTURADA I
CLÍNICA PSICANALÍTICA
NOME ALUNO E MATRICULA
ATIVIDADE ESTRUTURADA I:
Casos clínicos 
FORTALEZA – Ce
2017.1
QUESTÃO1- Analise o seriado “Sessão Terapia” - Otávio, 01,02 e 03 e faça uma dissertação de até 03 páginas, com fonte Arial tamanho 12 e espaçamento 1.5, para responder as questões:
a) Aponte no manejo do analista as regras do setting, o processo de transferência, a escuta do analista e a ansiedade do paciente (medo do paciente na sua relação com o analista).
b) Comente o que o analista faz (ou não) de correto do ponto de vista da técnica psicanalítica. Justifique a resposta.
As regras do setting
Algumas regras técnicas foram, anteriormente, postuladas por Freud. As quatros principais são a regra fundamental, onde se propõe que paciente deve falar livremente por associação livre de forma a expressar suas ideias e sentimentos; a regra da abstinência, o analista deve abster-se de um envolvimento profundo e pessoal com analisando de forma que possa atrapalhar o processo analítico, e paciente pede-se que se abstenha de tomar decisões precipitadas antes de submete-la a analise; a regra da neutralidade, onde Freud usou a “metáfora do espelho” para falar dessa regra, exemplificando que o analista deve estar atento a refletir aquilo que o paciente o transmitir, funcionando como espelho de suas palavras, sentimentos e comportamentos; por último, mas não menos importante, a regra da atenção flutuante é descrita como a capacidade de o analista colocar-se frente ao discurso do paciente de forma atenta e imparcial, o que “possibilita uma ‘escuta intuitiva’, a qual favorece a arte e criatividade psicanalítica.” (ZIMERMAN, 2008)
Diante disto, a postura e técnica do analista Théo, de Sessão de Terapia, deixa a desejar em estabelecer algumas das regras do setting. Uma falha cometida pelo analista foi o fato de não ter esclarecido como seria o processo de duração da terapia, bem como a forma em que ocorreriam os encontros, se esses aconteceriam semanal ou mensalmente. Outra conduta que vai de encontro às regras da Terapia Psicanalítica é não acordar o valor sessão logo em seu início, Otávio só falou a respeito disso apenas na segunda sessão, quando Otávio insistiu discutir a questão financeira por considerar algo de grande importância, além poder de domínio nas relações.
Houve um momento, mais especificamente ao final da primeira sessão, em que Téo, ao abrir a porta para Otávio ir embora, declarou que o mesmo poderia ligar a qualquer hora, essa situação denota um comportamento afetivo em relação ao paciente, visto que essa disponibilidade do terapeuta também deve ser um ponto a ser esclarecido antes do início da terapia. Essa conduta se choca com a regra da Abstinência, a qual Freud tanto enfatiza em sua obra e defende ser importante para que a terapia alcance um bom resultado.
A Transferência
O processo de transferência pode ser percebido no momento em que o paciente vivencia, com seu analista, aspectos relacionados à sua fantasia inconsciente, presente em suas relações, e no modo como percebe a si mesmo, o mundo e suas relações, ou seja, revive, repete, com o analista, aquilo que não resolveu e encena no setting angústias, medos, e sofrimento relacionados à sua relação com os objetos internos primários.
No caso em questão, em seu discurso, Otávio transfere para Théo seus medos e sentimentos de ataques do mundo externo e das pessoas que ama. Em sua primeira sessão, ao falar de sua filha, pergunta ao psicanalista se
Este tem filhos, pois só poderia saber o que ele sente se os tivesse. Altera-se ao dizer que teme pelo momento em que a filha está passando, ressaltando a insegurança do mundo. E diz: “É muito fácil perder o controle! ” Théo então a pergunta se ele na verdade não tem medo de perder o controle ali, nesse seu momento, em análise. E então faz uma devolutiva sobre os sentimentos de ataques e impotência que o paciente vinha relatando. Otávio começa a ter sintomas fóbicos e Théo tenta acalma-lo.
Conduta do Analista
Na descrição acima, observa-se que o analista atualiza o sentimento do paciente diante de suas relações no “aqui-agora-comigo” com o analista, na tentativa de proporcionar um insight afetivo e reflexivo ao paciente em questão.
No entanto, houve momentos no manejo de conteúdos transferências do paciente, que o analista faz perguntas e devolutivas com teor agressivo, o que, no caso em questão seria desaconselhado. Em pacientes com ansiedade persecutória esse tipo de retorno da parte do analista pode ser perigoso, visto que aquele pode sentir-se atacado e se instalar um ambiente hostil, onde as interpretações feitas pelo analista não terão efeito e poderá, até mesmo, serem desqualificadas. Tanto é que, diante de algumas inferências realizadas pelo analista, Otávio não demonstrou estar em acordo e chegou a reagir agressivamente não importância ao que Téo falava.
Ansiedade do paciente
O paciente se apresenta com ansiedade caracterizada como persecutória. Isso se apresenta em decorrência de fantasias inconscientes. Otávio julga que tudo e todos estão contra a sua pessoa, há, para ele, uma força negativa que vai de encontro ao que quer, e isso se evidencia, por exemplo, quando chega a chamar seus colegas de trabalho de ‘tubarões. Também pode-se percebe que o fato de não conseguir controlar as situações, tampouco as pessoas ao seu redor, deixa-o em um estado de completa fraqueza, sem possa ter domínio sobre isso.
Os ataques de ansiedade que vem acontecendo são em decorrência desse medo de perder o controle em relação aos negócios, às pessoas, em específico, à sua filha, a qual, pelos relatos de Otávio, está em uma tentativa de conquistar uma maior liberdade, bem como independência perante ao pai.
Para Otávio, o mundo e as pessoas querem estraçalha-lo, enganá-lo, ou em determinadas situações achar que a morte chegará para o levar, e a angústia de não poder evitar isso o devora.
A ansiedade persecutória se apresenta em vários momentos nas sessões. Inclusive o pagamento é uma forma que o Otávio encontra para tentar comunicar ao seu analista (Téo) que está no controle e também de constrange-lo.
QUESTÃO2- Considere o vídeo "EU MAIOR“ – Rubem Alves (no YOU TUBE) para responder as questões:
2.1- Qual a concepção de ser humano da psicanálise (quais as suas características)?Justifique a resposta.
2.2- Qual a relação das características do ser humano da psicanálise com o método psicanalítico (Associação Livre)? Justifique a resposta.
Obs: A atividade vale até (2,0 pontos).
Freud propõe uma visão de homem que uma parte é conhecida, o consciente, e outra parte é inconsciente, onde habita o desconhecido, e não temos pleno conhecimento de si mesmo, somo regidos por nossos desejos inconscientes. Para Freud, a natureza humana está ligada ao Id. “O id é a matriz da qual se originam o ego e o superego.” Inclui-se aqui tudo que se herda e está presente desde nascimento. (Hall; Lindzey; Campbell, p.53).
O Homem da psicanálise é um Homem faltoso, que anseia e busca seus desejos , regido por suas fantasias inconscientes e mecanismos de defesas, está sempre em contato com algum sofrimento,alguma angústia , cria , recria , recorda , repete e elabora seus conteúdos durante sua vida.
Percebemos no discurso de Rubem Alves que o ser humano não tem o total autoconhecimento consciente de si mesmo em relação ao seu planejamento de vida e busca da felicidade, sendo regido, portanto, por seus conteúdos inconscientes (desejos). E a partir dessa fala:‘‘Eu cheguei aonde cheguei porque tudo o que eu planejei na minha vida deu errado, sou escritor por acidente, já fui outras coisas e agora sou um velho. ’’ 
Compreendemos que ser humano é conduzido a determinados comportamentos e movimentos que muitas vezes escapam da consciência, sendo então conduzidos a determinadas situações pelo inconsciente.
Em relação às varias definições de felicidade que ele traz ele diz: ‘‘o que queremos é recuperar a felicidade efêmera que tivemos em algum momento, portanto, cada pessoa tem uma felicidade diferente’’ podemos perceber que ele fala de uma felicidade como se tudo fosse um nada e que um dia pudesse se tornar tudo e que nos estamos sempre na busca de uma completude, porém sendo difícil de alcançá-la, pois há coisas que não conseguimos nomear porque não sabemos ao certo o que estamos buscando. 
Podemos perceber no exemplo dado por ele em relação às ostras ‘‘a ostras felizes não produzem perolas, só as ostras que sofrem fazem perolas’’ e diz: ‘‘em muitas de minhas historias eu fui à ostra e sofri para produzir felicidade’’ que o ser humano está sempre busca de algo e que a dor o tira do comodismo fazendo com você possa criar algo. Desta forma nós estamos sempre movimentando nossos desejos e crescendo a partir disso. E há certas coisas que buscamos mais não sabemos o porquê buscamos, sendo isto atuação do inconsciente, mesmo assim sempre estamos repetindo esse movimento de ir à busca de algo, e a vida vai se fazendo nisso.
A Associação Livre, é o método no qual, vai proporcionar ao paciente falar tudo que vier a sua mente, nada do que foi dito em análise é gratuito, é a via de acesso aos conteúdos inconscientes.O paciente irá através da sua fala reviver o seu pior com analista. O que se viver em transferência é único, por isso cada sessão é única e trás material para interpretação sem que se faça necessário o analista usar de sessões passadas para tornar possível uma elaboração do paciente.
Percebe-se que no vídeo Rubem Alves fala de um homem aonde esta sempre deslocando o desejo na busca de uma felicidade. No entanto, o sujeito da psicanalise é um homem faltoso (o desejo esta na falta),que tem conteúdos inconscientes no qual não tem o domínio, pois é regido muitas vezes por esses conteúdos e repeti ações que ele não conseguiu elaborar. Portanto, em analise ele tem condição de elaborar esses conteúdos e conseguir mudanças. E através do sofrimento o homem busca satisfazer essas pulsões sublimando e deslocando esses conteúdos em vários momentos da vida, passando então, a estar sempre em movimento, em busca de algo que o satisfaça plenamente idealizando esta satisfação.
Através da Associação Livre o seu discurso vem à tona conteúdos inconscientes e em analise o paciente recorda, repete e elabora, ou seja, ele transforma suas repetições em algo que não lhe traga tanto sofrimento quando ele consegue desconstruir algumas fantasias que o paralisa e quando essas repetições são quebradas em analise é quando o sujeito consegue elaborar e se colocar no lugar que ele ocupa, permitindo-se ocupá-lo de fato. 
Somente através da associação livre é que no discurso do paciente, o analista consegue ter acesso aos seus conteúdos inconscientes e assim o analista trabalha a escuta e não o ouvir, escutando o sentimento do paciente e percebendo qual a fantasia e angustia que há em sua fala. Dessa forma o analista dá devolutivas para que o paciente possa se escutar e se perceber de uma forma que seja capaz de começar a elaborar esses conteúdos, que ele repete, mas não se dá conta porque é desconhecido para ele. Portanto é através das interpretações e desse olhar para própria fala, ele venha através da analise elaborar essas questões. 
QUESTÃO3- Analise o Caso Clínico abaixo, e descreva itens que se deve escutar em toda sessão de análise: O Tema: o que se repete (não confundir ouvir com ESCUTAR, o analista escuta), a Angústia: refere-se ao medo do paciente frente ao analista, a Transferência: é a manifestação do sofrimento do paciente na sessão e a Contratransferência: idealizar o sentimento do analista frente a angústia do paciente. E "ensaiar" uma interpretação a partir de alguma parte do relato do caso clínico. O analista deve ao longo da sessão interpretar! . Ressalto que, as respostas devem ser justificadas.
Obs: A atividade vale até (3,0 pontos).
TEMA: Desamparo
No discurso o sentimento de abandono aparece frequentemente.
“Queixa-se de ter sido sempre abandonada nessas relações às quais acredita ter se entregado [...] “
ANSIEDADE: De castração
Na fala da paciente aparece um sentimento de culpa por odiar a mãe o que é característica de uma ansiedade de castração.
“Estávamos brigadas no dia do aniversário dela. Senti culpa e acabei comprando um presente para surpreendê-la. ”
Sentimento intenso de ódio, principalmente direcionada às imagens das relações primarias (mãe e pai). Muito característica de uma falha na castração. Amor e ódio são elementos que se destacam na ansiedade de castração. Quando existe, na transferência, um direcionamento claro a uma figura.
TRANSFERÊNCIA:
Ela, aparentemente, tem medo que sua analista, assim como sua mãe e seu pai, falhe no socorro necessário. 
“Acredita que a mãe personaliza o fracasso, enquanto o pai, o socorro que não existiu. ” 
Logo em seguida ela pede socorro para a analista,
“Preciso de ajuda para sair de onde estou”. 
Colocando o analista em uma relação onde o analista é o salvador e ela a quem precisa ser salva.
CONTRATRANSFERÊNCIA:
O desejo de ajudar... de ter pena...e de mostrar que está pra tudo que ela precisar... o desejo de ocupar o espaço vazio deixado pelos pais.
INTERPRETAÇÕES:
As interpretações que serão apresentadas foram pensadas a partir de uma possível relação vivenciadas no setting analítico. Serão apresentadas quatro interpretações numa tentativa de simular uma aliança terapêutica em um certo nível de “maturidade”, uma vez que algumas dessas interpretações não seriam possíveis, pois em algum momento poderiam ser sentidas como agressivas por parte da paciente. Temos ciência que interpretar conteúdos com a figura da mãe é sempre muito delicado, mas como a própria paciente trouxe isso ao setting nos sentimos na obrigação de interpretar utilizando a imagem materna. 
Também levamos em consideração o fato de não ter sido depositado as falas propriamente ditas da paciente, e sim, um relato da terapeuta o que, a grosso modo, dificultou “devanear” essas possíveis interpretações.
“Queixa-se de ter sido sempre abandonada nessas relações às quais acredita ter se entregado, relatando surgimento de agressividade da parte dela a cada sensação de abandono. ”
“[...] de chamar a atenção da mãe para si de forma perversa. ” “ Certa vez rasguei minha roupa e fiquei no quintal a espera dela (mãe). ”
“[...] e ela nem deu conta. ” 
Me parece que o sentimento de abandono perpassa por várias relações suas, relações que julga ter se entregado. Talvez assim como se sentia em relação a sua mãe... que você investia, tentava chamar sua atenção, mas que todo esforço era em vão, pois sempre acabava no mesmo lugar de abandono. Talvez você tenha o receio de que isso se repita aqui, que você venha a se esforçar, tentar chamar minha atenção e eu nem dê conta.
“Estávamos brigadas no dia do aniversário dela. Senti culpa e acabei comprando um presente para surpreende-la. ”
Percebo que tudo que lhe suscita abandono lhe irrita, lhe deixa agressiva, faz com que você perca o controle, mas essa agressividade que a faz brigar e deixar intrigada também lhe suscita um sentimento de culpa. 
Ou seja, o ódio que descreve sentir por sua mãe lhe deixa culpada, culpada por odiar a quem deveria, na verdade, amar e ser amada. 
“[...] quando ainda era criança, a mãe falava muito mal do pai, o que lhe causava sentimento de ódio pela mãe, tendo em vista que o pai sempre que aparecia lhe dava algum brinquedinho ou a levava para passear. ” 
“[...] sentiu ter conhecido o próprio pai, que definiu como sendo alcoólatra, estúpido e desdenhoso. ”
“Evoca da memória não ter recebido orientações na infância, que acredita seria uma obrigação da mãe, orientações essas que, não as tendo, em muito prejudicada na vida adulta diante da realidade. ”
 
Me parece que eu represento duas figuras pra você.... Uma é figura paterna, que quando apenas lhe visitava dava presentes e levava para passear, assim como eu, que recebo você aqui em poucosencontros, algumas sessões e lhe escuto e me parece que isso pode ser sentido como algo prazeroso. Mas que com o passar do tempo também posso ser o pai no qual você detestou conhecer, o pai que antes julgava ser seu salvador, o ser que lhe tirava de uma relação baseada em abandono e ódio. Tem medo que eu, na verdade, seja estúpido e desdenhoso com você e que de nada faço para lhe salvar desse sentimento de ódio e insegurança.
A segunda figura seria a materna... tem medo que eu não lhe dê as orientações que poderiam facilitar sua vida, que eu retenha essas informações e não compartilhe com você e que por intermédio disso fracasse como seu analista e por consequência se sentir abandonada, desamparada por mim. 
“Preciso de ajuda para sair da onde estou”.
Me parece que ao pedir ajuda para sair de onde está 
Me pede para que eu seja esse pai idealizado que te leve para passear, que te tire do lugar onde você se sentia abandonada e descuidada.
Referências bibliográficas
GUSMÃO, S. M. L. A natureza humana segundo Freud e Rogers. Rev. UNIPE cadernos, n° 1, 1998.
SEGAL, Hanna. Introdução à Obra de Melanie Klein. Ed. ?. Rio de Janeiro: Imago, 1975.
ZIMERMAN, David. Fundamentos Psicanalíticos: Teoria, Técnica e Clínica (uma abordagem didática). Porto Alegre: Artmed, 2007.

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