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Fundamentos da
Língua Latina 
São Cristóvão/SE
2007
José Raimundo Galvão
Projeto Gráfi co e Capa
Hermeson Alves de Menezes
Diagramação
Nycolas Menezes Melo
Ilustração
Alysson Prado dos Santos
Edgar Pereira Santos Neto
Manuel Messias de Albuquerque Neto
Revisão
Lara Angélica Vieira de Aguiar
Elaboração de Conteúdo
José Raimundo Galvão
S237I Galvão, José Raimundo.
 Fundamentos da Língua Latina / José Raimundo Galvão -- São 
 Cristóvão: Universidade Federal de Sergipe, CESAD, 2007.
 1. Língua latina. 2. Latim. 3. Gramática latina I. Título.
CDU 81=124(091)
Copyright © 2007, Universidade Federal de Sergipe / CESAD.
Nenhuma parte deste material poderá ser reproduzida, transmitida e gravada 
por qualquer meio eletrônico, mecânico, por fotocópia e outros, sem a prévia 
autorização por escrito da UFS.
FICHA CATALOGRÁFICA PRODUZIDA PELA BIBLIOTECA CENTRAL
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE
Funadmentos da Língua Latina
Presidente da República
Dilma Vana Rousseff
Ministro da Educação
Fernando Haddad
Secretário de Educação a Distância
Carlos Eduardo Bielschowsky
Reitor
Josué Modesto dos Passos Subrinho 
Vice-Reitor
Angelo Roberto Antoniolli
Chefe de Gabinete
Ednalva Freire Caetano
Coordenador Geral da UAB/UFS
Diretor do CESAD
Antônio Ponciano Bezerra
Vice-coordenador da UAB/UFS
Vice-diretor do CESAD
Fábio Alves dos Santos
Diretoria Pedagógica
Clotildes Farias de Sousa (Diretora)
Diretoria Administrativa e Financeira 
Edélzio Alves Costa Júnior (Diretor)
Sylvia Helena de Almeida Soares
Valter Siqueira Alves
Coordenação de Cursos
Djalma Andrade (Coordenadora)
Núcleo de Formação Continuada
Rosemeire Marcedo Costa (Coordenadora)
Núcleo de Avaliação
Hérica dos Santos Matos (Coordenadora)
Carlos Alberto Vasconcelos
Núcleo de Serviços Gráfi cos e Audiovisuais 
Giselda Barros
Núcleo de Tecnologia da Informação
João Eduardo Batista de Deus Anselmo
Marcel da Conceição Souza
Raimundo Araujo de Almeida Júnior
Assessoria de Comunicação
Edvar Freire Caetano
Guilherme Borba Gouy
Coordenadores de Curso
Denis Menezes (Letras Português)
Eduardo Farias (Administração)
Haroldo Dorea (Química)
Hassan Sherafat (Matemática)
Hélio Mario Araújo (Geografi a)
Lourival Santana (História)
Marcelo Macedo (Física)
Silmara Pantaleão (Ciências Biológicas)
Coordenadores de Tutoria
Edvan dos Santos Sousa (Física)
Raquel Rosário Matos (Matemática)
Ayslan Jorge Santos da Araujo (Administração)
Carolina Nunes Goes (História)
Rafael de Jesus Santana (Química)
Gleise Campos Pinto Santana (Geografi a)
Trícia C. P. de Sant’ana (Ciências Biológicas)
Vanessa Santos Góes (Letras Português)
Lívia Carvalho Santos (Presencial)
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE
Cidade Universitária Prof. “José Aloísio de Campos”
Av. Marechal Rondon, s/n - Jardim Rosa Elze
CEP 49100-000 - São Cristóvão - SE
Fone(79) 2105 - 6600 - Fax(79) 2105- 6474 
NÚCLEO DE MATERIAL DIDÁTICO
Hermeson Menezes (Coordenador)
Marcio Roberto de Oliveira Mendonça
Neverton Correia da Silva
Nycolas Menezes Melo
AULA 1
Importânica e atualidade do latim...................................................... 07
AULA 2
Origem e expansão do latim.............................................................. 21
AULA 3 
Alfabeto e fonologia do latim ............................................................. 33
AULA 4
Análise sintática e articulação das palavras em latim ....................... 41
AULA 5
As declinações latinas ....................................................................... 53
AULA 6
Estudo dos nomes da 2ª declinação ................................................. 65
AULA 7
Estudo do verbo esse (ser) ............................................................... 75
AULA 8
Adjetivos de 1ª classe ....................................................................... 83
AULA 9
Morfologia dos verbos de 1ª conjugação .......................................... 95
AULA 10 
Terceira declinação - nomes masculinos e femininos ..................... 107
AULA 11
Nomes neutros da 3ª declinação ......................................................117
AULA 12
Morfologia dos verbos de 2ª conjugação ........................................ 129
AULA 13
Adjetivos de 2ª classe ..................................................................... 141
AULA 14
Estudo dos nomes de 4ª e 5ª declinação ........................................ 153
AULA 15
Morfologia dos verbos de 3ª conjugação ........................................ 265
Sumário
AULA 16
Morfologia dos advérbios e das preposições .................................. 181
AULA 17
Morofologia dos verbos de 4ª conjugação ...................................... 195
AULA 18
Morofologia dos pronomes .............................................................. 205
AULA 19
Conjunções e interjeições ............................................................... 223
AULA 20 
Formação de palavras ..................................................................... 233
IMPORTÂNCIA E
ATUALIDADE DO LATIM
META
Mostrar a importância do latim e a sua atualidade no âmbito da língua portuguesa;
Demonstrar a profunda relação entre o latim e o português;
Explorar elementos conhecidos no léxico e nas expressões inseridas na prática da língua portuguesa.
OBJETIVOS
Ao fi nal desta aula o aluno deverá ser capaz de:
reconhecer a importância do latim a partir da 
sua atualidade na prática da língua portuguesa;
identifi car elementos comuns às línguas latina e 
portuguesa;
reavaliar o conceito de “língua morta” com que 
se classifi ca o latim; e analisar a maneira pela 
qual as formas latinas são recuperadas nos 
termos derivados e expressões que compõem 
o discurso de certas áreas do saber.
Aula
1
8
Fundamentos da Língua Latina
INTRODUÇÃO
Caro aluno, seja bem vindo aos primeiros contatos formais com a língua 
latina. Você, certamente, terá gran-
des surpresas com esta disciplina. Primeiro, porque você vai perceber 
que o estudo do latim não é tão complicado como se fala que é. Depois, 
porque você já conhece muita coisa de latim. Este conhecimento, acredite, 
vai contribuir para melhor aprofundamento da língua portuguesa. Tomara 
que você aprenda a gostar do latim e deseje seguir novos rumos na área de 
Letras, motivado pelo fascínio que o estudo de latim pode despertar em você.
O estudo da língua latina é de suma importância para o curso de Letras, 
desde que não se adote uma didática em que se prioriza a memorização de 
regras e fórmulas para as quais não se evidencia um sentido lógico. Infeliz-
mente, os próprios professores de latim e os métodos por eles empregados 
no trato com essa língua são os maiores responsáveis pela antipatia e rejeição 
que marcou a disciplina ao longo dos tempos. É claro que o pleno domínio 
da língua latina exige aprofundamento constante, o que, às vezes, requer 
esforço e dedicação de longos períodos de concentração nos estudos.
 No entanto, as informações aqui propostas que devem compor o 
estudo das Letras são de ordem prática e visam à percepção das bases 
latinas que entram na constituição da língua portuguesa, como também de 
outras línguas românicas. 
Fique tranqüilo: aqui não se pretende formar especialistas. O espaço lim-
itado de tão poucas aulas também não seria sufi ciente para realizar tal intento.
A razão de ser destas aulas é, principalmente, suscitar o interesse pela 
própria língua portuguesa abrindo os horizontes para a compreensão mais 
ampla de suas bases que se fi xam na língua latina. Além disso, elas lhe 
trarão grandes benefícios para os estudos no curso de Letras. Muita coisa 
dependerá de você. Sucesso!
Línguas 
românicas 
Termo com que são 
identifi cadas todas 
as línguas prove-
nientes do latim: 
português, francês, 
espanhol, italianoetc. Outras des-
ignações também 
possíveis: línguas 
neolatinas ou novi-
latinas, romances e 
romanços.
9
Importância e atualidade do latim Aula
1IMPORTÂNCIA
 DO LATIM 
Costuma-se caracterizar o latim como “língua morta”. 
Você já se perguntou o que isto signifi ca? Difi cilmente 
encontramos alguém que busca assimilar o signifi cado de tal expressão. 
O latim é realmente uma língua morta, mas no sentido em que ela não é 
mais usada por nenhuma comunidade como meio de comunicação escrita 
ou oral. Ninguém, por exemplo, será forçado a estudar o latim para poder 
comunicar-se em qualquer lugar do mundo para onde se dirija. Nenhum 
aeroporto do mundo será obrigado a expor letreiros em latim para orientar 
os transeuntes. O mesmo não acontece com o inglês, o francês, que possuem 
localização defi nida; nem mesmo com o grego e o hebraico, línguas antigas 
como o latim, mas ainda usadas por comunidades específi cas de falantes.
Além do Estado do Vaticano, o qual ainda tem o latim como língua 
ofi cial, em nenhum outro lugar do mundo esta língua será necessária como 
tal. Até se pode dizer que o latim não é mais sufi cientemente estudado na 
formação dos religiosos católicos, sendo cada vez mais raros os membros 
do clero que o dominam e o empregam com fi rmeza.
Tem-se a impressão, portanto, de que o estudo do latim, por causa 
das próprias circunstâncias nas quais se encontra, jamais será recuperado 
em sua totalidade, a não ser pelas universidades que mantêm os cursos 
de letras clássicas ou por especialistas que necessitem fazê-lo para a plena 
compreensão de documentos escritos nessa língua.
Não há razão, pois, para alimentar saudosismos e imaginar a volta tri-
unfal do latim, mas é igualmente lamentável que se queira excluir comple-
tamente as abordagens de língua latina dos cursos de Letras como já se fez 
em todo o ensino brasileiro.
10
Fundamentos da Língua Latina
AS LÍNGUAS NEOLATINAS 
Entre as fi lhas do latim, as chamadas línguas neolatinas, no-
vilatinas ou românicas, o português é aquela que guarda maior 
afi nidade com a língua mãe. Mesmo que tenham existido grandes 
transformações na passagem do latim ao português, as marcas la-
tinas continuam vigentes no léxico da atualidade e – o que é mais 
interessante – os falantes conseguem circular entre as formas sem 
qualquer tipo de embaraço. 
Para citar alguns exemplos, eis a seguir um demonstrativo de 
como as formas latinas de onde o português se originou são recu-
peradas em muitos termos derivados:
Latim Português Latim nos derivados
Vitrum, i 
Taurus, i
Capra, ae 
Probabilis, e 
Hodie 
Pluvia, ae 
Aqua, ae 
Pectus, pectoris
Cor, cordis 
Vidro
Touro
Cabra 
 Provável
Hoje
Chuva
Água 
Peito 
Coração
Vitral, vitrifi car, vitrine
Taurino
 Caprino, capricórnio
Probabilidade, probabilístico
 Hodierno
Pluvial, pluviômetro
Aquário, aquarela, aquoso
Expectorar, expectorante
Cordial, concordar, recordar
Até os falantes mais simples costumam circular com desenvoltura en-
tre as palavras derivadas acima e outras tantas e variar as suas incidências, 
escolhendo, na situação concreta de uso, aquela que melhor se adapta ao 
contexto. Nessas circunstâncias e aplicado ao ensino das letras, o ensino do 
latim faz compreender a razão de ser da diferenciação das formas, sendo 
constatada a presença latina em grande parte do léxico português. 
Existem alguns meios de demonstrar tal presença, sobretudo no uso constante 
pelos falantes, atestando muito maior utilização do latim do que se pode imaginar. 
Para você, que já é um estudante de Letras, porém, este conhecimento deve ser 
ativado a fi m de torná-lo capaz de identifi car e explicar as marcas latinas, o que 
terá, como conseqüência, o domínio cada vez maior do léxico. Aos poucos, vai-se 
percebendo a lógica que permeia a constituição das palavras e as possíveis variações 
das formas, também conhecidas, nos estudos morfológicos, como alomorfi a.
O conhecimento e a aplicação progressiva dos metaplasmos con-
duzem à maior liberdade no trato com as palavras, segundo os princípios 
pelos quais, em circunstâncias idênticas, os efeitos esperados serão sempre 
os mesmos. Tal processo de análise, uma vez iniciado, não tem previsões de 
chegar a um ponto fi nal, até porque as palavras de origem latina constituem 
a maior quantidade em língua portuguesa.
Alomorfi a 
Expressão grega 
que signifi ca outra 
forma, numa alusão 
à possibilidade que 
tem uma palavra 
de apresentar mais 
de uma forma para 
expressar o mesmo 
conceito, sem sair, 
porém, da família 
a que pertence. Ex-
emplo: provável / 
probabilidade. Este 
fenômeno lingüísti-
co retoma, quase 
sempre, as bases 
latinas da língua.
11
Importância e atualidade do latim Aula
1Pode-se dizer que, de certa forma, se fala latim, um latim modifi cado 
cuja versão atual se chama língua portuguesa. Em nosso léxico, inclusive, 
percebem-se as bases latinas, uma das razões para reconhecer que o latim 
representa importante contribuição no conhecimento de nossa língua.
Recentemente, um fenômeno curioso se destacou nas instâncias políti-
cas superiores: o esquema tão badalado de corrupção que recebeu o nome 
de mensalão. Claro que não vamos aqui tecer comentários a esse respeito, 
mas você já se perguntou por que todos os brasileiros entenderam esta 
expressão criada a partir desse acontecimento sem que suscitasse qualquer 
problema de compreensão? O termo foi construído sobre as bases latinas 
mens, mensis, que se tornou mês na língua portuguesa. Para evitar a infl uên-
cia e a retomada do latim, o melhor termo seria mesalão, assim como se tem 
mesada, ambos referindo-se a mês. Percebe-se, no entanto, que, nesse caso, 
se pôs em prática algo internalizado assim como se tem a forma latina de 
mês na palavra menstruação. Daí a construção mensalão ser incorporada 
naturalmente em nosso léxico.
Outros meios de reconhecer as marcas latinas podem ser explorados 
e não representam qualquer estranhamento para os rios do português. 
Observe quantas palavras você já conhece que têm bases latinas:
Metaplasmos 
Expressão grega que 
se refere ao mecanis-
mo pelo qual as pala-
vras são plasmadas, 
ou seja, trabalhadas, 
seguindo determi-
nados princípios ou 
leis que se aplicam 
diante das mesmas 
circunstâncias. Por 
exemplo: a relação 
entre p/b é um meta-
plasmo, daí cabra/ca-
prino; abelha/apiário. 
Metaplasmo e alo-
morfi a são conceitos 
que se completam.
I - Os signos do zodíaco e seus respectivos adjetivos:
1- Aquário / aquariano (aqua, ae = água).
2 - Peixes / pisciano (piscis, piscis = peixe).
3 - Áries / ariano (aries, arietis = carneiro).
4 - Touro / taurino ( taurus, tauri = touro).
5 - Gêmeos / geminiano ( geminus, i = gêmeo). 
6 - Câncer/ canceriano ( cancer, canceris = caranguejo).
7 - Leão / leonino ( leo, leonis = leão).
8 - Virgem / virginiano ( virgo, virginis = virgem).
9 - Libra / libriano ( libra, librae = balança).
10 - Escorpião / escorpiano (scorpion, scorpionis = 
escorpião).
11- Sagitário / sagitariano (sagitta, sagittae = seta).
12 - Capricórnio / capricorniano (capra, caprae = cabra).
12
Fundamentos da Língua Latina
 II – As formas superlativas dos adjetivos:
1- Amável / amabilíssimo (amabilis, amabile = amável).
2- Amargo / amaríssimo (amarus, amari = amargo).
3- Agudo / acutíssimo (aucutus, acuti = agudo).
4- Azedo / acérrimo (acer, acris, acre = azedo).
5- Cruel / crudelíssimo (crudelis, crudele = cruel).
6- Doce / dulcíssimo (dulcis, dulce = doce).
7- Fiel / fi delíssimo (fi delis, fi dele = fi el).
8- Frio / frigidíssimo (frigidus, frigidi = frio).
9- Nobre / nobilíssimo (nobilis, nobile = nobre).
10- Pobre / paupérrimo (pauper, pauperis = pobre).
ATIVIDADES 
Pesquise em gramáticas e dicionários da língua portuguesa e apresente 
outras formas dos superlativos dos adjetivosque comprovam a retomada 
perfeita do latim no léxico português.
COMENTÁRIO SOBRE AS ATIVIDADES
Você encontrará, provavelmente, palavras como negro, cujo superlativo 
é nigérrimo; magro que tanto pode ser macérrimo (marca latina) quanto 
você poderá encontrar a forma magríssimo. Mas não se esqueça de 
que aqui o seu trabalho é buscar a recuperação das formas latinas. 
III – Os elementos químicos da tabela periódica:
1 - Au / ouro (aurus, auri = ouro).
2 - Ag / prata (argentum, argenti = prata).
3 - Cu / cobre (cuprum, cupri = cobre).
4 - Pb / chumbo (plumbum, plumbi = chumbo).
5 - Na / sódio (natrium, natrii = sódio).
13
Importância e atualidade do latim Aula
1IV – Termos do direito
1 - Habeas corpus. (Que tu tenhas corpo livre).
2 - Sub lege. (Sob a lei).
3 - Causa mortis. (A causa da morte).
4 - In dubio, pro reo. (Em caso de dúvida, seja-se a favor do réu).
Sendo o Direito Romano o grande inspirador de leis e princípios no 
ocidente, muitas expressões jurídicas estão recheadas de latim e estão em 
constante uso no cotidiano:
V – A igreja católica imprimiu marcas latinas em expressões reli-
giosas de uso corrente:
1 - Corpus Christi (Corpo de Cristo)
2 - Agnus Dei (Cordeiro de Deus)
3 - Requiem (Descanso).
4 - Mater Christi (Mãe de Cristo)
5 - Via Sacra (Caminho sagrado).
6 - Ora pro nobis (Ora por nós).
7 - Sedes sapientiae (Sede, assento de sabedoria).
VI – Outras expressões latinas já se encontram consagradas e aparecem 
naturalmente implicadas no contexto das frases de língua portuguesa:
1 - Et coetera (etc.) (e as coisas restantes).
2 - Honoris causa (por causa da honra).
3 - Grosso modo (de modo grosseiro, superfi cial).
4 - A priori (a princípio)
5 - In loco (no local).
6 - Ipsis litteris (com as mesmas letras).
7 - Sine die (sem dia).
8 - Vide Bula (vê, observa na bula)
9 - Alibi (outro lugar).
14
Fundamentos da Língua Latina
VII – Certos produtos são colocados no comércio com rótulos em 
língua latina:
1- Plus Vita (mais vida)
2- Natu Nobilis (nascido nobre)
3- Carpe Diem (aproveita o dia!)
4- Lacrima Christi (lágrima de Cristo).
5- Primus (primeiro).
6- Domus (casa).
VIII – Objetos, lugares, estabelecimentos, organizações costumam 
popularizar-se pela marca latina com que são identifi cados:
1- Vade Mecum (vai comigo).
2- Stella maris (estrela do mar).
3- Pueri Pax (paz da criança).
4- Opus Dei (obra de Deus).
5- Agenda, Merenda, Reprimenda, Legenda.
6- Apud (junto de)
7- Ibidem (aí mesmo).
Esses exemplos são apenas algumas demonstrações de quanto o latim 
está presente nas construções do português e de outras línguas, não só 
românicas. É fácil perceber como muitas expressões latinas passaram a 
integrar o discurso de certas áreas do conhecimento humano.
O estudo do latim vai além da necessidade de compreensão dos me-
canismos do português. O latim possui um grande poder de exercitar o 
desenvolvimento do raciocínio, razão pela qual muitos países, cujos idiomas 
não pertencem às origens latinas, incluem, por um período razoável de 
tempo, o ensino do latim entre as disciplinas do currículo de seus alunos. 
Na verdade, o latim é rico em suas formas fl exionais, na diversidade da 
ordem dos termos da oração, na variedade de constru ções de um período, 
aspectos que exigem concentração e oferecem novas possibilidades ao 
pensamento e ao discurso, prevenindo-os contra a aridez intelectual tão 
freqüente até mesmo nas universidades.
Tenha certeza de uma coisa: você estará descobrindo a grande riqueza 
da língua portuguesa, seu vocabulário, a variação de formas dos vocábulos 
de uma mesma família, as noções básicas de etimologia, a compreensão de 
muitos elementos de ortografi a e acentuação, as fl exões de ordem sintática, 
15
Importância e atualidade do latim Aula
1a confi guração semântica de certos termos, enfi m, tenha a certeza de que 
a sua visão da própria língua nunca mais será a mesma.
ATIVIDADES
1. Faça um breve resumo sobre a importância do latim na atualidade.
COMENTÁRIO SOBRE AS ATIVIDADES
A leitura atenta das considerações acima vai dar a você, caro aluno, 
uma visão da importância e atualidade do latim e, com certeza, você 
começará a ter interesse por esta disciplina no currículo de Letras desde 
o momento em que perceber a profunda relação entre o português 
e o latim. O estudo do latim terá resultados surpreendentes no 
desenvolvimento do raciocínio, da argumentação, da lógica, elementos 
básicos para o trato efi ciente com outras áreas do saber.
2. Associe às seguintes palavras latinas os termos conhecidos e em pleno 
uso na atualidade, como no modelo a seguir:
a) Digitus = dedo: digital, digitação, digitador etc.
b) Populus = povo: __________________________________________
c) Signum = sinal: ____________________________________________
d) Manus = mão: ____________________________________________
e) Periculum = perigo: ________________________________________
f) Littera = letra: ____________________________________________
COMENTÁRIO SOBRE AS ATIVIDADES
É importante você ir percebendo, pouco a pouco, as marcas latinas 
no léxico português. Elas aparecem em muitíssimas palavras. Com o 
tempo, você vai observando, mediante pequenas modifi cações, este 
trânsito entre o latim e o português e o que se pode esperar quando 
as mesmas circunstâncias se repetem. Nisto também se encontra um 
excelente exercício de ortografi a, mas esse assunto estará presente em 
muitos momentos do curso.
16
Fundamentos da Língua Latina
3. Escreva frases em português em cujo contexto se enquadrem perfeita-
mente as seguintes expressões latinas:
a) Pro labore. ______________________________________________
b) Per capita._______________________________________________
c) Sine qua non.____________________________________________
d) Ad referendum. __________________________________________
e) Curriculum Vitae. ________________________________________
f) Vide verso. ______________________________________________
g) Fac simile. ______________________________________________
COMENTÁRIO SOBRE AS ATIVIDADES
Muitas expressões latinas encontram-se perfeitamente incorporadas ao 
exercício da língua portuguesa. Aqui você deve enquadrar as expressões 
acima em contextos específi cos como: As experiências in vitro (em 
vidro, no laboratório) estão facilitando a cura de várias doenças.
Os produtos in natura (na natureza, naturais) garantem outra 
qualidade de vida.
Como você pode observar, essas expressões latinas aparecem nas frases 
e não são traduzidas, mas não difi cultam a sua compreensão. Além de 
construir frases segundo os modelos acima, procure também colocar, 
entre parênteses, o signifi cado das expressões empregadas.
4. O sentido de muitas palavras do português recupera maior vita- lidade 
quando é percebido o signifi cado profundo de suas bases latinas. Assim, 
após tomar conhecimento do signifi cado de certas palavras, interprete o 
que elas imprimem às frases do português: 
a) Os corpos estão todos carbonizados (Carbo, carbonis = carvão). ____
_________________________________________________________
b) Este texto certamente não passou pelo crivo de minha avaliação (Cribrum, 
i = peneira). ________________________________________________
c) A polícia localizou um corpo crivado de balas (Cribrare= peneirar). ___
_________________________________________________________
d) Eu realmente te considero muito (sidus, sideris = astro, planeta, es-
trela)._____________________________________________________
e) Você não consegue discernir o certo do errado. (Cernere = peneirar). 
________________________________________________________
17
Importância e atualidade do latim Aula
1
COMENTÁRIO SOBRE AS ATIVIDADES
É muito pouco compreender que os corpos carbonizados estão 
queimados. Ora, se carbonizados vem do latim carbo, carbonis, os 
corpos, na realidade,viraram carvão, o que é muito mais forte e mais 
real. Assim pode acontecer com muitas palavras, como as sugeridas 
nesse exercício.
CONCLUSÃO 
Esta aula deve ser o ponto de partida de uma série de apreciações sobre 
o latim. É indispensável que você deseje 
realmente enveredar-se pelo caminho do reconhecimento do papel do 
latim na formação do estudante de Letras. Estes passos vão exigir de você 
total empenho para realizar as tarefas propostas e motivar, daqui por diante, 
a máxima curiosidade para reconhecer a presença do latim em lugares nos 
quais você nunca imaginou que ele estivesse, sobretudo na confi guração do 
léxico português e na facilidade com que das formas evoluídas se faz, em-
bora inconscientemente, um retorno necessário e enriquecedor ao próprio 
vocabulário vernáculo.
Na próxima aula, será realizado um percurso histórico e geográfi co 
mostrando como o latim, antes uma simples língua falada no Lácio, na 
Península Itálica, vai tornar-se uma grande potência lingüística e dar origem 
a outros tantos falares, entre os quais o português.
18
Fundamentos da Língua Latina
RESUMO
Embora identifi cado como “língua morta”, o latim jamais perderá a sua 
importância, cabendo ao profi ssional de Letras reconhecer a sua atualidade nos 
inúmeros traços lingüísticos que o identifi cam em outras línguas e na grande 
contribuição cultural que o faz presente em muitas áreas do saber humano. 
Atualmente, por exemplo, testemunha-se uma grande retomada da 
música gregoriana. Sua maior característica consiste na perfeita combi-
nação entre a melodia de cunho popular, o canto chão como é conhecido, 
e a língua latina que lhe serve de base. 
Outro ponto de revitalização do latim pode ser percebido na quantidade 
considerável de obras recentes tratando da língua latina em si mesma e de 
propostas didáticas que venham facilitar e tornar agradável o seu ensino. 
Por muitas razões, portanto, pode-se dizer que o latim jamais desa-
parecerá. A designação de língua morta que a ele se atribui deve ser em-
pregada com reservas, pois trata-se de um morto que não se acostumou 
com a sepultura.
Música 
gregoriana 
Essa é a música 
adotada pela igreja 
católica há sécu-
los. Recebe este 
nome em alusão 
ao papa Gregório, 
que a estru-turou 
e lhe deu grande 
impulso. Também 
é conhecida como 
can to -chão , ou 
canto-plano, por 
ser especialmente 
concebida para a 
execução popular, 
isto é, sem notas 
muito agudas, nem 
notas muito graves. 
Atualmente o canto 
gregoriano, cujos 
textos são todos em 
latim, estão ampla-
mente divulgados. 
Você pode encon-
t ra r exce len tes 
gravações moder-
nas em maravilho-
sos CDs.
Praemonitus est Praemunitus
“Ecce! Illud accidit eis qui semper ungues mordent!!”
19
Importância e atualidade do latim Aula
1REFERÊNCIAS
ALMEIDA, Napoleão Mendes de. Gramática latina. São Paulo: Saraiva, 
1995.
CARDOSO, Zélia de Almeida. Iniciação ao latim. São Paulo: Ática, 1989.
GONZAGA, Maria Cristina de Brito. Frases de latim forense. São Paulo: 
Livraria de Direito, 1994.
LUIZ, Antônio Filardi. Dicionário de expressões latinas. São Paulo: 
Atlas, 2002.
MACHADO, Luiz. Uma nova visão do latim pelo uso da inteligência. 
Rio de Janeiro: Cidade do Cérebro, 1999.
VIARO, Mário Eduardo. Por trás das palavras. São Paulo: Globo, 2004.
_______. Importância do latim na atualidade. Revista de ciências hu-
manas e sociais. São Paulo: Unisa, v. 1, n. 1, p. 7-12, 1999.
ORIGEM E EXPANSÃO DO
LATIM
META
Situar o espaço histórico-geográfi co onde o latim se originou;
Apresentar as razões que explicam a extensão do latim e das línguas neolatinas entre as quais se 
encontra o português.
OBJETIVOS
Ao fi nal desta aula, o aluno deverá:
reconhecer o processo histórico, político e cultural por cujo meio o latim se expandiu e se diversifi cou;
conceituar substrato, superstrato e adstrato;
identifi car as variedades do latim nas regiões por onde se propagou e a sua pertinência na atualidade; 
e distinguir os fatores externos e internos das variações do latim.
PRÉ-REQUISITOS
Ter em mãos um atlas geográfi co e um livro de História Geral que trate sobre a expansão romana.
Aula
2
Legionários romanos 
(Fonte: http://www.vroma.org).
22
Fundamentos da Língua Latina
INTRODUÇÃO
Na aula 1, você viu a importância e a atualidade do latim, que, apesar 
de ser considerado língua mor-
ta, continua presente na atualidade sob diversas formas. 
Esta aula vai expor o processo de expansão do latim e as circunstâncias 
que favoreceram a sua aquisição como a língua mais importante em várias 
partes do globo.
De uma simples língua primitivamente falada na região do Lácio – Itália 
central – em meados do século VIII a.C., vão ter origem outras tantas atu-
almente conhecidas como neolatinas, novilatinas ou românicas.
O surgimento de tais variações que se afi rmam como novos idiomas 
não ocorreria sem o caráter dinâmico da comunicação. Nesta perspec-
tiva, o ambiente lingüístico e o meio sócio-cultural criaram as condições 
para que aparecessem falares diversos. Cada comunidade adotava o latim, 
somando-o ao seu falar já existente. Daí a diversidade dos falares, na qual 
se acha o português.
Para o estudioso de Letras, o conhecimento do processo de transfor-
mação do latim e o conseqüente surgimento dos diferentes romances pode 
ajudar a melhor compreender a dinâmica das variações que, ainda hoje, 
ocorrem no seio da própria língua portuguesa. Pode-se dizer, então, que, 
de certa maneira, o nosso português hoje vigente é o próprio latim trans-
formado. Aliás, até o português do Brasil apresenta diferenças signifi cativas 
do português de Portugal.
Romances 
Aprenda a distin-
guir romance de 
romântico e ro-
mance de români-
co. Ao primeiro 
termo corresponde 
à concepção da 
maioria das pes-
soas: são as obras 
literárias de fundo 
sentimental, amo-
roso, passional etc. 
O segundo termo, 
também conheci-
do como ro-maço 
ou romance cor-
responde as lin-
guas provenientes 
do latim, a língua 
de Roma. Assim, 
o português é um 
romance, o francês 
é um romance etc.
23
Origem e expansão do latim Aula
2LATIM 
O nome latim associa-se ao lácio, ou seja, o latim é, na sua origem, a 
língua do Lácio, região que hoje 
corresponde à cidade de Roma e suas cercanias.
Os fi lólogos relacionam uma língua a uma determinada família. O 
reconhecimento de algumas semelhanças entre as línguas leva-nos a crer 
na existência de um falar mais antigo do qual se originaram. No contexto 
de uma ampla rede de línguas assemelhadas, o latim pertence à família das 
indo-européias, assim como o osco e o umbro, língua da Úmbria. 
As semelhanças entre esses três idiomas (o latim, o osco e o umbro) 
fazem supor a existência de uma língua única, que se convencionou chamar 
de Itálica, à qual pertencem outros idiomas falados na mesma época.
Mapa do Lácio.
Filólogos 
São aqueles que 
estudam rigorosa-
mente os documen-
tos escritos antigos 
e sua transmissão, 
para estabelecer, 
interpretar e edi-
tar textos. Também 
estudam cientifi-
camente o desen-
volvimento de uma 
língua ou de família 
de línguas, em es-
pecial a pesquisa 
de sua his tór ia 
m o r f o l ó g i c a e 
fonológica baseada 
em documentos es-
critos e na crítica 
dos textos redigidos 
nessas línguas.
Osco
Língua do Sâmnio 
(Samnium) e da 
Cam-pânia (Cam-
pania).
24
Fundamentos da Língua Latina
Em perspectiva mais ampla, o grupo das Itálicas pertenceria a uma 
família bem maior à qual se relacionariam todas as línguas oriundas do 
hipotético indo-europeu. É esta uma tentativa de buscar uma língua comum 
que teria dado origem a uma grande parte dos falares da humanidade. Em 
resumo: o latim é uma língua do grupo Itálico da família indo-européia 
à qual também pertencem outros grupos: o índio,o irânio, o armênio, o 
frígio, o hitita, o tocário, o grego, o albanês, o ilírio, o celta, o germânico, 
o báltico e o eslavo.
O conceito de línguas indo-européias refere-se, pois, aos grandes gru-
pos de línguas acima destacados, que são faladas hoje na Europa e em parte 
da Ásia. Tais idiomas, incluindo, pois, os do grupo itálico a que pertence o 
latim, encontram-se aparentados entre si como se fossem todos derivados 
de uma fala antiqüíssima e mãe comum de todos eles. Esta língua ancestral 
e hipotética não se conserva na atualidade, e ninguém sabe como ela era 
exatamente. Entretanto, é possível afi rmar que a língua indo-européia existiu, 
num determinado momento da nossa história, pois os fi lólogos, através de 
comparações de textos antigos, a reconstituíram observando os pontos em 
comum entre todos esses dialetos.
Eles supuseram que o indo-europeu foi falado por um grupo que se 
dispersou, alguns milênios antes da era cristã, por motivos até hoje descon-
hecidos, espalhando-se pela Europa e pela Ásia onde o primitivo idioma se 
disseminou e se diversifi cou. Resumindo: o termo língua indo-européia, ou 
proto-língua, refere-se à língua primitiva ou fundamental. Todas as outras 
que dela se originam são identi-
fi cadas como dialetos ou línguas 
indo-européias.
Tais línguas aparentadas entre 
si formam o que se chama Tronco 
Lingüístico Indo-europeu e a cada 
grupo daí proveniente se pode 
particularizar mediante expressões, 
como: indo-germânicas, indo-
celtas, indo-irânico etc. O latim é, 
portanto, língua indo-européia, do 
grupo indo-itálico. 
A história do latim também 
não foi diferente. Durante o longo 
período em que foi utilizado como 
língua viva, sofreu profundas 
transformações, o que se deve ao 
próprio caráter dinâmico e evolu-
tivo das línguas. O latim foi levado 
a todos os territórios conquistados 
pelos romanos e, dessa maneira, a 
Ancestral 
Aquilo que per-
tence aos antepas-
sados, tudo quanto 
se refere à cultura 
e costumes antigos.
Hipotética
Algo que está sob 
hipótese, ou seja, 
carente de provas e 
demonstrações que 
garantam a veracid-
ade dos fatos.
25
Origem e expansão do latim Aula
2língua originariamente falada no Lácio e em outras regiões da Itália nunca 
mais foi a mesma.
Roma e todo o seu império não tinham preocupações com sua própria 
língua em relação às políticas de imposição aos novos povos dominados 
por eles. As tropas romanas não se deslocavam para divulgar a língua latina. 
Eles estavam interessados, na maioria das vezes, em conquistar mais terras 
para aumentar seu poder econômico e político. 
 O latim vai, por assim dizer, na bagagem dos conquistadores e coloniza-
dores. Essa língua que saía de Roma junto com seus soldados, funcionários da 
administração, comerciantes, artesãos era a língua popular, o sermo vulgaris 
em oposição ao sermo urbanus, ou seja, o falar das classes eruditas, dos escri-
tores e oradores, conhecido e utilizado por um número limitado de habitantes.
Como se percebe, já existiam variações dentro do próprio latim e foi 
esse latim das classes populares que se espalhou pelos domínios de Roma. 
Da mesma forma, percebemos essas variações em nossa língua atual. Tanto 
você pode dizer “nós vamos”, como “a gente vai”. As duas formas estão 
corretas sob o ponto de vista do uso padrão da língua portuguesa. Mas 
sabemos que a forma “a gente vai” é mais popular, é mais coloquial do que 
a forma “nós vamos”. 
Sermo vulgaris 
Também chama-
do de latim pop-
ular, rústico e 
vulgar, era uti-
lizado pelo povo 
s e m g r a n d e s 
preocupações 
quanto ao uso 
erudito.
Sermo urbanus
Também conhe-
cido como latim 
clássico, literário 
ou erudito, era 
a língua dos es-
critores e ora-
dores, a exemplo 
de César, Cícero, 
Virgílio, Horácio, 
Tito Lívio etc.
Expansão do latim no Mundo Ocidental (Fonte: www.geocities.com).
26
Fundamentos da Língua Latina
Para melhor entendermos a transformação progressiva do latim, é 
necessário conhecermos as diversas fases ou momentos classifi cados de 
acordo com os períodos históricos de sua evolução. A primeira delas é o 
período pré-histórico. Essa denominação foi dada ao momento em que a 
língua latina fora usada nos primeiros tempos, ou seja, por volta do séc. VIII 
a.C. Depois, ele foi suplantando os outros falares da região e estendeu-se 
por toda a península itálica.
Nos fi ns do III século a. C., começam as conquistas romanas em ter-
ritórios que comportam praticamente toda a Europa Ocidental e parte da 
Europa Oriental, o Norte da África e as regiões da Ásia Menor.
ATIVIDADES
 Destaque as razões que levaram o latim a tornar-se a língua da Península 
Itálica, de grande parte da Europa e de algumas faixas da África do Norte.
COMENTÁRIO SOBRE AS ATIVIDADES
O latim, por se tratar de uma língua, não foi sozinho a nenhum lugar. 
Os soldados romanos, que falavam o latim vulgar, ao conquistarem as 
terras da Península Itálica, de grande parte da Europa e de algumas faixas 
da África do Norte, levavam consigo sua língua. Daí o latim ser falado 
nessas regiões. Em outras palavras, as causas da expansão do latim no 
mundo estão diretamente ligadas à expansão do Império Romano.
O latim, inicialmente, sofreu infl uência do etrusco (língua não indo-
européia), do gaulês e, sobretudo, do grego cuja cultura os romanos pro-
curavam imitar e assimilar.
Nos períodos da República e do Império, a língua latina já apresentava 
dois níveis fundamentais: o sermo urbanus e o sermo vulgaris. Foi o latim 
vulgar que saiu de Roma para representar a língua do invasor, do dominador 
e para ser prestigiado e imitado pelos povos dominados.
Períodos do Império Romano
Monarquia: séculos VIII a V a.C.;
República: séculos V a II a.C.;
Império: séculos I a.C. a século V d.C;
No século V. d.C., precisamente em 476, acontece a queda do 
Império Romano do Ocidente.
27
Origem e expansão do latim Aula
2ATIVIDADES
Caracterize os níveis fundamentais da língua latina.
COMENTÁRIO SOBRE AS ATIVIDADES
Da mesma forma que temos uma língua culta e uma outra menos 
formal, o latim também apresentava esses dois níveis: o erudito que 
se empregava na literatura dos grandes oradores, pois obedecia às 
normas gramaticais da escrita; e o popular que não possuía uma forma 
escrita e, dessa maneira, era menos rígido e muito mais variado do que 
o latim clássico.
Assim, qualquer dialeto que já era falado pelas comunidades invadidas 
pelos romanos era denominada de substrato, quer dizer, a língua de base de 
uma população, pois, em nenhum dos territórios conquistados, os romanos 
teriam encontrado um povo mudo, sem qualquer expressão lingüística de 
suas comunicações.
O latim, por sua vez, aparece como superstrato, a língua que vem de 
fora, de cima, falada por um menor número de pessoas, mas com grande 
poder político e econômico, o que leva a superar paulatinamente os idiomas 
nativos. Do contato da língua do invasor romano com cada substrato, vão 
surgir os romanços ou romances, as novas línguas fi lhas do latim, dentre 
elas, o português.
Muitas vezes, observa-se uma convivência natural e sem atritos entre 
idiomas, situação em que perduram contribuições paralelas com elementos 
que vêm de ambos os lados. A isso denomina-se de adstrato, persistindo, 
num mesmo ambiente lingüístico, características diferenciadas nas quais 
se percebem origens distintas como tantas vezes aconteceu no contato do 
latim com o grego.
28
Fundamentos da Língua Latina
CONCLUSÃO 
A expansão do latim em grande parte do mundo, ainda que tenha 
transformado em falares diversos, é, com 
certeza, bem mais signifi cativa do que o seria se estivesse permanecido 
no território de origem. Sem o movimento dos romanos para o exterior, 
provavelmente não aconteceriam as grandes transformações do latim e 
nem o extraordinárioefeito multiplicador, hoje confi rmado por grande 
parte das línguas modernas.
RESUMO
Esta aula forneceu bases para bem situar o latim, suas origens e sua 
expansão. O reconhecimento dos espaços geográfi cos e da periodização 
histórica contribui para uma visualização mais ampla, não somente do fator 
lingüístico, mas de todo o contexto cultural, político, econômico e social que 
fez a língua de Roma tornar-se um idioma importante pela grande herança 
que deixou para a humanidade. O latim foi levado a pontos distantes do 
seu território de origem e teve grande efeito na formação de outras línguas, 
dada a aproximação com outras culturas para as quais serviu de superstrato 
lingüístico. O conhecimento dessa realidade leva a perceber como o dina-
mismo das línguas vivas proporciona grandes variações num processo que 
até hoje se verifi ca com o desenvolvimento das línguas modernas. O nosso 
português é o próprio latim transformado. 
29
Origem e expansão do latim Aula
2
Gratias ante Cenam
Viator quidam, dum iter per siluam 
facit, leoni occurrit uitam petens geni-
bus nixus est. Nihil tamen factum est, 
sed ubi aperuit leonem quoque genibus 
nixum uidit.
Viator, “Tunc quoque,” inquit, “uitam 
petis?”
Leo, “Minime uero”, inquit, “Gratias 
ante cenam ago.”
ATIVIDADES
A leitura atenta das considerações expostas e a visualização dos mapas 
e gráfi cos vão permitir a você, caro aluno, atingir a meta aqui proposta. 
Observe com atenção esses recursos didáticos, procurando compreender 
os dados que eles querem transmitir. É de suma importância situar histórica 
e geografi camente as origens e a expansão do latim e compreender a con-
ceituação básica que envolve a questão de sua diversifi cação em outros 
idiomas, até para melhor captar a confi guração da língua portuguesa e toda 
a dinâmica da variação, assunto em grande pauta na atualidade.
1. Agora marque com um x as afi rmações corretas:
a) Na Península Ibérica dominada pelos romanos, o latim se classifi ca como 
língua de substrato ( ).
b) O basco é uma língua indo-européia. ( ).
c) O grego moderno pertence ao grupo helênico das línguas indo-européias.
d) Grande parte da valorização do latim se deve à importância que a Igreja 
Católica lhe conferiu. ( )
e) As línguas românicas derivam do latim pelos bons escritos dos autores 
clássicos. ( ).
f ) Mesmo com todo o poderio de Roma, o latim jamais conseguiu desbancar 
defi nitivamente o grego. ( )
g) Os romanos tinham sérias preocupações lingüísticas entre as suas am-
bições de domínio sobre o mundo. ( )
30
Fundamentos da Língua Latina
COMENTÁRIO SOBRE AS ATIVIDADES
Você deve, com certeza, ter marcado os itens c,d e f. Isto porque, ao que 
se sabe, entre famílias linguísticas do indo-europeu, o grego pertence 
ao grupo helênico. O latim deve muito ao grego e os romanos têm 
na civilização Helênica muitas bases para defi nir a sua própria cultura 
. Muitas vezes aparece a expressão greo-romana como destaque para 
as fortes semelhanças entre as duas culturas, sendo, porém, muito 
grande a dívida do latim em relação ao grego.
Helênico 
Esta palavra e out-
ras como helenis-
mo, hele-nístico, 
helenização etc., 
dizem respeito às 
considerações so-
bre a infl uência da 
Grécia para a cul-
tura do mundo.
2. Sem qualquer recurso de dicionário, tente decifrar o que querem dizer 
as frases latinas a seguir:
a) Roma est in Italia. 
b) Italia poeninsula longa est. 
c) Sicilia insula magna et agradabilis est.
d) Rosa esta alba est rubra.
e) Aquila non captat muscas.
COMENTÁRIO SOBRE AS ATIVIDADES
Você conseguiu traduzir as frases da questão 2? Veja que elas não são 
difíceis porque se parecem muito com o nosso português. A primeira 
frase, por exemplo, signifi ca Roma está na Itália. Observe como se 
assemelha ao português. A curiosidade é o verbo “ser” (est) também 
aparecer com o sentido de “estar”, o que não é novidade, pois no 
português isso também acontece: “O senhor é (está) convosco”. 
“Deus seja (esteja) contigo” etc. Cabe a você buscar nas outras frases 
a compreensão do latim a partir das semelhanças com o português.
3. Nas palavras destacadas das frases da questão 2, reconheça semelhanças 
entre o latim e o português:
INSULA / MAGNA / AGRADABILIS / ALBA / RUBRA / AQUILA 
/ CAPTAT.
4. Estabeleça correlação entre as palavras latinas e os termos que aparecem 
destacados nas frases portuguesas:
a) Ele é obrigado a tomar INSULINA todos os a dias.
b) Algum estado brasileiro tem capital INSULAR? 
c) Você possui um espírito MAGNÂNIMO.
31
Origem e expansão do latim Aula
2d) A raça ALBINA sofre com a luminosidade.
e) Aquele rapaz tem nariz AQUILINO.
f) CAPTASTE o que eu te disse?
COMENTÁRIO SOBRE AS ATIVIDADES
Viu que foi o latim a língua base da nossa língua? A insulina, por 
exemplo, é uma palavra que vem do latim insùla,ae que signifi ca ilha, 
porque essa substância (a insulina) é secretada numa área do pâncreas 
chamada ilhotas de Langerhans. Insular também é uma palavra que 
tem a mesma origem de insulina, ou seja, uma capital insular signifi ca 
uma capital que é uma ilha. Alguém que tem um espírito magnânimo 
é alguém bondoso, generoso, grandioso. Essa palavra tem a sua base 
no latim magnus, a, um que signifi ca grande, nobre e generoso. Daí, 
Carlos Magno, quer dizer, Carlos o Grande. O mesmo se diga de Leão 
Magno, Gregório Magno e de tantos termos que possuem a mesma 
raiz: magnânimo, magnífi co, magnitude, magnifi cência etc. Tente fazer 
o mesmo com as outras palavras.
REFERÊNCIAS
CARDOSO, Zélia de Almeida. Iniciação ao latim. São Paulo: Ática, 1989.
COMBA, Júlio. Gramática latina. São Paulo: Salesiana, 1981.
SOARES, João S.. Latim 1 – Iniciação ao latim e à civilização romana. 
Coimbra: Almedina, 1999.
TARALLO, Fernando. Tempos lingüísticos. São Paulo: Ática, 1994.
ALFABETO E FONOLOGIA 
DO LATIM
META
Apresentar os sons da língua latina e as suas possíveis pronúncias;
Demonstrar a posição do acento tônico pela quantidade de tempo que a pronúncia de cada sílaba 
requer.
OBJETIVOS
Ao fi nal desta aula, o aluno deverá: 
identifi car os elementos fonéticos que compõem a língua latina;
reonhecer o alfabeto latino e a sua relação com o alfabeto português;
relacionar as pronúncias latinas entre si, reconhecendo particularidades na articulação das 
sílabas; e identifi car as posições do acento latino, em conformidade com as noções da quantidade 
de tempo que se deve demorar em cada sílaba.
PRÉ-REQUISITOS
Leitura das aulas 1 e 2.
Aula
3
34
Fundamentos da Língua Latina
INTRODUÇÃO 
Caro aluno, o reconhecimento dos sons é o primeiro momento de 
contato com uma nova língua. Se você 
estuda uma língua moderna, este trabalho torna-se mais fácil porque 
hoje são muitos os recursos para captar, na mais perfeita sutileza, os dife-
rentes sons ou fonemas que compõem uma língua. 
Quando se trata de línguas antigas, mortas ou desaparecidas, essa tarefa 
se mostra bem mais complexa, devido à inexistência ou total carência de 
registros de toda ordem, sendo os registros sonoros inteiramente impossíveis 
de se obter. Parece complexa a tarefa de identifi car os sons de uma língua 
antiga, uma vez que não se dispõe de provas registradas da modalidade oral 
da língua antiga que se deseja conhecer. 
O ensino das línguas contemporâneas desconhece esse problema, so-
bretudo depois dos grandes avanços na arte de registrar os sons. No caso 
específi co do latim, porém, a tarefa é, de certa forma, simplifi cada, haja 
vista as considerações de gramáticos romanos que se ocuparam do assunto 
fornecendo descrições dos fonemas da língua em certas épocas.
As três pronúncias latinas aqui apresentadas são hipóteses, sendo 
permitida qualquer uma delas à escolha de quem pratica o latim. Ainda 
assim, recomenda-se, para facilitar ao máximo os estudos,que o estudante 
se atenha a uma delas. Convém, no entanto, dizer que a pronúncia tradi-
cional é aquela à qual os ouvidos já estão habituados, não causando muita 
estranheza ao principiante.
35
Alfabeto e fonologia do latim Aula
3ALFABETO E FONOLOGIA 
O alfabeto latino foi adaptado do alfabeto grego por ter sido este levado 
a Roma pelos etruscos, os quais o 
utilizaram relativamente muito cedo, como atestam as primeiras 
inscrições do século VII ou VI a.C. Por muito tempo, o alfabeto latino 
constou de 21 letras:
a/b/c/d/e/f/g/h/i/k/l/m/n/o/p/q/r/ s/t/u/x. 
No século I a. C., a fi m de transcrever certas palavras gregas, as letras 
/y/ e /z/ foram acrescentadas ao alfabeto, que passou a conter 23 letras.
Como se percebe, as letras /j/ e /v/ não existiam no alfabeto original. 
A função dessas letras até hoje associadas, respectivamente, ao /i/ e ao /u/ 
pode ser notada em palavras nas quais constituem exemplos de alomorfi as. 
Por exemplo, a inscrição posta sobre a cabeça do Cristo crucifi cado “INRI” 
traduz Jesus Nazareno Rei dos Judeus e aí se tem o /i/ substituindo o /j/, 
assim como se tem no léxico atual a variação das formas /maior/ e /major/ 
para dizer exatamente o mesmo conceito.
No que diz respeito à relação /u/ e /v/, tem-se:
riuus > rivus > rival
neurologia > nevralgia
Observem-se também as possibilidades de pronúncia da letra w, ora 
relacionando-a ao /u/, como é o caso de Wellington, ora relacionando-a 
ao /v/, como em Walter.
As consoantes /x/ e /z/ são duplas e têm o som /ks/ e /dz/, respec-
tivamente.
A fi m de evitar confusão no uso do latim, aqui será apresentada a 
pronúncia tradicional, cabendo a você, estudante, realizar pesquisas e 
estabelecer paralelismos, a fi m de perceber as diferentes possibilidades de 
pronúncia. 
Entenda, porém, que esse é um elemento secundário para quem quer 
conhecer o latim. E tenha certeza de que, aos poucos, você estará habitu-
ado com a maneira de pronunciar as palavras, reconhecendo que você já 
dominava grande parte do conhecimento nesta área. 
A Pronúncia Tradicional difere da pronúncia do português nestes casos:
1. Os ditongos ae e oe soam e:
Exemplo: Regina Coeli (céli), Curriculum vitae (vite) e et coetera (et 
cétera). O uso do trema (¨) serve para desfazer o ditongo nos casos acima. 
Ex: Pöeta.
2. Os grupos ch, ph e th soam respectivamente k, f, t: 
Ex.: brachium (brákium), philosophus (fi lósofus) e thesaurus (tesáurus).
3. A sílaba ti, quando seguida de vogal, soa ci : laetitia (Letícia). Esta sílaba, 
porém, embora seguida de vogal, soa igual ao português, quando está no 
início da palavra ou quando é precedida por s, x ou t: tiara, ostium, mixtio, 
Alomorfi as 
Termos que dizem 
o mesmo conceito, 
na mesma família, 
apenas tendo alter-
nados os metaplas-
mos.
36
Fundamentos da Língua Latina
Bruttium.
4. A vogal u soa sempre: quintus (qüintus).
5. O x soa ks e o y soa i: exemplum (eksemplum), Lyra (lira).
Observações gerais:
a) Evite-se o som mudo do e e do o, e todo som nasal, ou seja, e é sempre e, 
o é sempre o e não como em português (menino = mininu). Assim mare 
(mare e não mari), dono (dóno e não dônu), amamus (amámus e não amâmus).
b) Pronunciem-se todas as consoantes, também as geminadas, mas não 
se acrescente nenhum outro som.: Stella (sté-la e não Estela).
c) O m fi nal soa como na palavra inglesa him e não como em jardim.
ACENTUAÇÃO DAS PALAVRAS
Em latim, como em outras línguas, a sílaba é formada por um conjunto 
de fonemas pronunciados em uma só emissão de voz. Assim, a sílaba pode 
ser representada por uma só vogal (a-mo), por um ditongo (ae-ter-nus, 
au-rum, Eu-ro-pa) ou por conjuntos de uma ou duas sílabas consoantes 
mais vogal ou ditongo (ro-sas, pra-tum, coe-lum, proe-li-um) ou conjun-
tos terminados por consoantes (for-tis). Se terminar em vogal, a sílaba é 
chamada aberta e, terminando em consoante, a sílaba é chamada fechada.
Para defi nir a posição da sílaba tônica nas palavras, o latim trabalha com 
a noção de quantidade. A língua desconhece os acentos à semelhança do 
português. Apenas duas marcas indicam se a tônica deve estar no mesmo 
lugar do indicativo da quantidade ou se deve recuar para a sílaba anterior. 
Também desconhece a posição da tônica 
na última sílaba. Assim, o latim não pos-
sui palavras oxítonas e, tal como em 
português, a sílaba tônica jamais virá 
antes da proparoxítona. 
Em que consiste a quantidade?
Esse elemento de prosódia que se 
perdeu nas línguas românicas representa 
a duração de vogais ou sílabas, que po-
dem ser longas ( __ ) ou breves . Uma 
vogal ou sílaba longa leva o dobro do 
tempo de uma vogal ou sílaba breve para 
ser articulada.
Portanto, uma longa equivale a duas 
breves: __ =. Você pode pensar na teo-
ria musical e fazer a mesma relação de 
valores: uma semibreve equivale a duas 
mínimas; uma mínima equivale a duas 
colcheias e assim sucessivamente.
Geminadas 
Geminadas são as 
consoantes gêmeas, 
ou seja, que apa-
recem duplicadas 
numa sílaba. Ex.: 
illuminatio.
Oxítonas 
São aquelas em que 
a sílaba tônica re-
cai sobre a última, 
como em café, caju, 
abacaxi etc.
37
Alfabeto e fonologia do latim Aula
3Você vai notar, ao logo do curso, que o latim tem pronúncias diferen-
tes, mas que não perturbam a compreensão do texto oral. Na escrita, essas 
marcas já vêm impressas e basta um pouco de atenção para situar a tônica 
no seu devido lugar, conforme a orientação seguinte:
 Onde estiver a marca da longa, aí também estará a tônica: docere = docére.
 E onde estiver a marca da breve, a tônica virá para a sílaba anterior: 
discere = díscere. Esses exemplos são de fácil associação, pois, no primeiro, 
trata-se do verbo ensinar e, no segundo, do verbo aprender.
A QUANTIDADE E SUAS REGRAS
Aqui você terá uma breve noção de como as sílabas são consideradas 
em latim. Este é um dos assuntos mais difíceis no trato com a língua, pois 
comporta uma centena de regras, todas bastante complicadas. Em muitos 
textos, tentando facilitar a compreensão do acento latino, costuma-se 
recorrer ao mesmo sinal do português, o acento agudo ( ´). Você vai ver 
muito este procedimento em textos que servem de base para os ofícios, 
celebrações e documentos da Igreja Católica: Dóminus, pópulus, árborem 
etc. Esta postura, no entanto, não é recomendável, visto que o latim não 
possui este tipo de acento. 
A difi culdade, contudo, só existe para as palavras com três ou mais 
sílabas. Os outros casos são de fácil solução. Como foi dito, o acento não 
vai jamais para a última sílaba. Nesse caso, se a palavra só tem duas sílabas, 
ela será sempre paroxítona. O problema está nas palavras com três ou mais 
sílabas, as quais podem ter a tônica na penúltima ou na antepenúltima. 
Neste caso, a atenção deve ser maior, sobretudo se a marca da quantidade 
não estiver grafada. Para tanto, algumas orientações se fazem necessárias:
a - Em princípio, uma vogal é breve quando é seguida de outra vogal: cus-
todiam, pueros, Amulius.
b - Uma sílaba pode ser longa por natureza ou por posição. É longa por 
natureza se contém uma 
vogal longa ou um ditongo: 
Roma, Rex, Rheam, misit, 
amoena. É longa por posição 
se a vogal é seguida por duas 
consoantes (exceto oclusiva 
seguida de líquida) ou de 
uma consoante dupla ou 
geminada: custodiam, infan-
tes, postea, mitto, examen.
Ao contrário do que 
veio a acontecer nas línguas 
neolatinas em que o acento é 
38
Fundamentos da Língua Latina
de intensidade, o acento em latim era de altura ou melódico e só, secundari-
amente, de intensidade.
A tendência, porém, já predominava, desde o século V d.C., não só para 
o acento de intensidade como também para tornar-se norma tanto no latim 
culto quanto no latim vulgar. Assim, as marcas de altura e de quantidade 
foram desaparecendo e hoje se pronunciao latim como se pronuncia o 
português, imprimindo maior força à sílaba tônica. 
 Você vai reconhecer como é difícil distinguir na pronúncia as sílabas 
breves das longas, mas uma breve noção pode elucidar parte do problema. 
eram (eram = breve) por oposição a Felix ( felix = longa).
 opera ( ópera = breve) por oposição a Roma (Roma = longa).
A quantidade da penúltima sílaba, porém, é fundamental para a orto-
fonia do latim em palavras com 3 ou mais sílabas. Assim:
a) O acento recai sobre a penúltima sílaba, se esta for longa: infantes, 
Palatino.
b) O acento recai sobre a antepenúltima, se a penúltima for breve: Amulis, 
custodiam, pueros, Romulus, condidit.
c) Nas palavras de duas sílabas, o acento sempre recai sobre a penúltima: 
Rheam, dedit.
Eis a razão pela qual, em português, a maioria das palavras tem o acento 
na penúltima sílaba.
ATIVIDADES
1. Pesquise as três pronúncias possíveis do latim e estabeleça um quadro 
de comparações:
Ortofonia 
orto= correto; fo-
nia= som. Daí, or-
tofonia significa 
pronúncia correta.
CONCLUSÃO 
A incomparável clareza do alfabeto latino não impõe muitas difi cul-
dades para um leitor contemporâneo, em-
bora não seja possível determinar a pronúncia exata da língua latina 
no tempo dos romanos.
39
Alfabeto e fonologia do latim Aula
3RESUMO
Num primeiro contato com uma língua, um dos aspectos mais impor-
tantes é o reconhecimento dos sons que a compõem. Assim, no latim, o 
alfabeto foi adaptado do Grego, e somente depois de algum tempo é que 
teremos as 23 letras que já conhecemos hoje. O maior problema está na 
pronúncia, uma vez que não temos registros orais, mas as descrições feitas 
pelos romanos acerca dos fonemas da língua contribuíram signifi cantemente 
para os estudos posteriores do latim. A pronúncia tradicional prevê deter-
minadas regras, às vezes, diferindo das regras do português, como é o caso 
dos ditongos /ae/ que se pronunciam /oe/ em latim; às vezes, respeitando, 
imitando-as, como é o caso da acentuação de algumas palavras paroxítonas.
ATIVIDADES
2. Colecione palavras com acentos em posições variadas e relacione-as 
entre si.
REFERÊNCIAS 
CARDOSO, Zélia de Almeida. Iniciação ao latim. São Paulo: Ática, 1989.
COMBA, Júlio. Gramática latina. São Paulo: Salesiana D. Bosco, 1981.
MACHADO, Luiz. Uma nova visão do latim pelo uso da inteligência. 
Rio de Janeiro: Cidade do Cérebro, 1999.
SOARES, João S. Latim 1 - Iniciação ao latim e à civilização romana. 
Coimbra: Almadina, 1999.
ANÁLISE SINTÁTICA E 
ARTICULAÇÃO DAS PALAVRAS 
EM LATIM
META
Revisar os conhecimentos de análise sintática para os estudos da língua latina;
Demonstrar a associação de funções e casos no contexto das frases latinas.
OBJETIVOS
Ao fi nal desta aula, o aluno deverá:
avaliar o funcionamento de uma língua fl exional;
reconhecer a ligação entre análise sintática e língua latina; e
descrever os casos latinos e sua distribuição nas diferentes funções da sintaxe.
PRÉ-REQUISITOS
Leitura das aulas anteriores e conhecimentos básicos de análise sintática, segundo as normas 
gramaticais.
Aula
4
Sintaxe espacial (Fonte: http://urbanidades.arq.br).
42
Fundamentos da Língua Latina
INTRODUÇÃO 
Caro aluno(a), na língua latina, as palavras variáveis não possuem apenas 
duas formas – uma do singular, outra 
do plural – como acontece com as línguas modernas. Certas línguas 
antigas, como o latim e o grego, são consideradas fl exionais, pois as ter-
minações das palavras devem variar de acordo com a função sintática que 
elas exerçam na frase. 
Assim, jamais você vai ter certeza da terminação de uma palavra se 
não conhecer a sua posição sintática na frase e, para isso, você precisa ter 
um conhecimento seguro de análise sintática. 
Essa exigência não vai parecer tão árdua se você estiver disposto a re-
visar um assunto que, certamente, já foi estudado diversas vezes na escola. 
Por outro lado, aproveite a ocasião e tente assimilar o conhecimento desse 
assunto para nunca mais esquecer.
Começamos, pois, com um trabalho de revisão de análise sintática de 
acordo com as normas da gramática tradicional. Não procure decorar re-
gras, tente apenas entender os conceitos e exercitar a sua aplicação prática 
em qualquer circunstância. Se você, por exemplo, assimilou o que seja um 
objeto direto, um adjunto adnominal etc., não há como não reconhecê-los 
no contexto das frases. O domínio deste conhecimento é indispensável 
para trabalhar o latim.
(Fonte: http://img362.imageshack.us).
43
Análise sintática e articulação das palavras em latim Aula
4ANÁLISE SINTÁTICA E ARTICULAÇÃO 
Os estudos de gramática apresentam duas possibilidades de análise 
das palavras. Uma delas é a morfológica, tradicionalmente chamada de 
análise léxica, em cuja prática são detectadas e explicadas as classes a que 
as palavras pertencem, bem como as suas diferentes partes – prefi xos, 
radicais, sufi xos, vogais de ligação, desinências - que, somadas, formam um 
conjunto harmonioso, ou seja, a confi guração fi nal com que as palavras 
são usadas pelos falantes. Esse tipo de análise será visto na aula 19, quando 
trataremos do processo de formação das palavras. No entanto, durante o 
desenvolvimento do curso, você irá tomando conhecimento desse processo, 
haja vista a necessidade de conhecer os componentes imediatos da palavra 
para exercitar a aplicação de desinências ao radical.
Nesta aula, porém, o seu interesse deve concentrar-se na identifi cação 
das funções sintáticas que as palavras assumem nas frases para relacioná-
las entre si e imprimir sentido à sentença. Para trabalhar as palavras latinas, 
você precisa ter um bom conhecimento de análise sintática. 
Observe como a função sintática interfere na forma das palavras. Você 
já deve ter visto as expressões latinas que são apresentadas a seguir. Nelas 
a palavra DEUS vai aparecer em formas variadas a depender da função 
sintática exercida na frase. Em português, não haveria qualquer alteração, 
seria a forma DEUS para qualquer função. No latim, é diferente. Observe:
a) DEUSdet ou DEUSdedit (nomes de pessoas – signifi cando (que) Deus 
dê ou (foi) Deus (que) deu. Como sujeito das duas frases, a forma é DEUS.
b) Agnus DEI (signifi ca Cordeiro DE DEUS (divino). Na função de ad-
junto adnominal restritivo, a forma DEUS que serviu para o sujeito nas 
frases anteriores, já não serve mais para esta frase. A forma correta é DEI.
c) DEO gratias ( quer dizer graças A DEUS ). A palavra Deus agora é um 
objeto indireto e deve ser escrita DEO.
d) Te DEUM laudamos (parte de um canto de ação de graças (louvamos-te 
Deus). Agora, como objeto direto, a forma da palavra já deve ser DEUM.
 O exemplo acima é apenas 
um demonstrativo de como o latim 
trabalha suas palavras. Imagine que 
esse processo deve ser feito com 
todas as palavras variáveis, de modo 
especial, substantivos e adjetivos. 
Não adianta, portanto, decorar 
uma única forma de cada palavra e 
nem se desesperar imaginando uma 
loucura de formas para assimilar. 
Fique tranqüilo! Você não vai 
precisar memorizar nada. Você 
Morfológica 
Diz respeito às for-
mas que as palavras 
apresentam na lin-
guagem. Nesse es-
tudo são analisadas 
as configurações 
de gênero, número, 
classes e os proces-
sos de formação a 
que obedecem as 
palavras.
Léxica
Repertório de pala-
vras de uma língua, 
o inventário de to-
dos os termos usa-
dos para a efetiva-
ção de uma língua.
Sintática
Combinação entre 
funções devidam-
ente reconhecidas 
para, fi nalmente, ser 
possível a comuni-
cação além da sim-
ples palavra isolada 
e no contexto mais 
amplo da frase.
Criação de Adão (detalhe), de Michelangelo (Fonte: http://studentorgani-
zations.missouristate.edu).
44
Fundamentos da Língua Latina
receberá um quadro em que todas as formas estarão contidas.Se você souber 
análise sintática e estiver bem certo da função das palavras nas frases, irá 
buscar no lugar certo do quadro aquela forma que lhe interessa, naquele 
momento, para aquela frase específi ca. 
Certamente não é um trabalho muito fácil, sobretudo pela falta de 
segurança em análise sintática, assunto já tantas vezes estudado. Tenha 
certeza de uma coisa: será bem mais difícil a questão da sintaxe do que do 
próprio latim em si mesmo. 
O terror do latim sempre foi a obrigação de saber de cor as declina-
ções, os verbos. Esse método está superado, embora muitos mestres ainda 
o adotem – até por certo prazer doentio de mostrar que os alunos nada 
sabem. Fazendo isso, estão desestimulando os alunos e negando ao latim as 
boas chances de ser uma disciplina agradável, leve, cuja necessidade, pelo 
menos nos cursos de Letras, é inquestionável. 
Portanto, nada de decoreba! Importante é saber consultar, é saber 
buscar no lugar certo, depois de ter plena consciência da função de cada 
palavra na frase em apreço. 
REVISANDO A ANÁLISE SINTÁTICA
Para o estudo do latim, é indispensável conhecer os termos da oração, 
ou seja, de uma palavra ou conjunto de palavras com que se exprime o 
pensamento.
As gramáticas são unânimes em referir-se aos termos da oração por 
ordem de importância: 
Essenciais > Integrantes >Acessórios.
Aqui se faz uma proposta em que alguns dados podem ajudar a mel-
hor compreender o assunto. Por ordem de importância, observe sinais e 
números e a própria designação usada para cada termo:
1. + (mais) Essenciais: signifi ca dizer que não se pode expressar um pensam-
ento sem estes termos. Eles demonstram o que é a essência da comunicação. 
São eles o sujeito e o predicado. 
2. + ou – (mais ou menos) Integrantes ou Complementares: signifi ca dizer 
que eles ajudam, completam o pensamento, mas não são totalmente ne-
cessários. Sem eles, a frase fi ca sem complemento, mas não sem a essência. 
São eles: o objeto direto, o objeto indireto, o complemento nominal e o 
agente da passiva.
3. – (menos) Acessórios: signifi ca dizer que eles não têm grande importância 
na compreensão da frase; funcionam como enfeites. São eles: o adjunto 
adnominal, o adjunto adverbial e o aposto (o vocativo é analisado como 
um caso à parte, mas muitos o concebem como termo acessório).
 O estudo do latim vai exigir de você um completo senso de identifi -
cação de cada termo. Aqui não é conveniente fazer uma revisão completa 
45
Análise sintática e articulação das palavras em latim Aula
4do assunto, mas procure entender o verda deiro signifi cado de cada termo 
e muitas difi culdades desaparecerão. Por exemplo:
TERMOS ESSENCIAIS
Sujeito – para o latim, não importa se é o que sofre ou pratica a ação. 
Importa que ele é sub-jectus, ou seja, o que está lançado por baixo da ação 
verbal. Assim, em frases como “Pedro caiu”, “Pedro morreu”, “Pedro 
comprou”, “Pedro gosta”, “Pedro concede”, por baixo da ação verbal está 
o sujeito “Pedro”.
Predicado – é o que diz, é o que se prega. Praedicare é dizer, falar. Nas 
frases acima, os verbos são os predicados. O que se pregou, se falou de 
Pedro é que ele caiu, morreu, comprou etc. Certamente não faz parte da 
essência do predicado informar se ele caiu agora, ontem, de fraqueza, da 
escada etc. Esses elementos são termos acessórios e não têm importância 
para a essência da compreensão da mensagem.
TERMOS INTEGRANTES
Quando os verbos ou os nomes querem complementos, os termos 
integrantes vão aparecer. Nas frases que ilustram o sujeito, ninguém vai 
perguntar: “morreu o quê?”. Mas alguém pode querer saber “comprou o 
quê?”. É que os verbos são diferentes. O verbo transitivo quer um comple-
mento: o verbo intransitivo, porém, não o requer.
Os termos que completam o sentido das frases são: o objeto direto, o 
objeto indireto, o complemento nominal e o agente da passiva. 
Ob-jectus, diferentemente do sub-jectus, é lançado diante de, depois de. 
Isso pode acontecer diretamente (sem preposição, como no caso do objeto 
direto) e indiretamente (com preposição, como no caso do objeto indireto).
Esse mesmo complemento, se for pedido por um nome, será um 
complemento nominal. Alguém que diz: “acho que ainda não estou apto...”, 
certamente vai ouvir a pergunta: “apto para quê?” Isso ocorre porque o 
nome apto exige um complemento que esclareça o sentido da frase.
O agente da passiva supõe alguém que age (agente) para que o outro 
sofra a ação. Importante é saber distinguir a voz do verbo, se é ativa, pas-
siva ou refl exiva. Na frase: “A criança foi atacada pelo cão”, o verbo está 
na voz passiva, logo o termo em destaque é o AGENTE DA PASSIVA. O 
cão agiu para a criança sofrer a ação.
46
Fundamentos da Língua Latina
TERMOS ACESSÓRIOS
Os termos acessórios têm um sentido semelhante ao que conhecemos, 
por exemplo, sobre acessórios de um carro (adesivos, antena, som etc.). Na 
oração, existem elementos que apenas enfeitam, não tendo peso sobre a 
signifi cação essencial da mensagem. Pedro (sujeito) caiu (predicado) ontem 
da escada por causa da fraqueza (acessórios).
Outro exemplo: O governador (sujeito) concedeu (predicado) audiência 
(integrante) a grevistas (integrante) ontem à tarde no gabinete (acessórios).
Como você percebe, essas noções básicas servem para situar a im-
portância do conhecimento de análise sintática para o estudo do latim. Para 
melhor domínio do assunto, é recomendável fazer uma revisão completa 
com apoio de uma boa gramática.
(Fonte: http://modaparausar.fi les.wordpress.com).
OS CASOS LATINOS
Para bem trabalhar o latim, é necessário identifi car com segurança os 
termos da oração na frase e a função exata de cada termo. O latim exige que 
as palavras sejam distribuídas de acordo com os casos apropriados a cada 
função. São seis os casos latinos que assim se distribuem pelas diferentes 
funções sintáticas:
1. Nominativo – É o caso do sujeito e do predicativo do sujeito. É tam-
bém o caso em que se enuncia simplesmente um nome e, por vezes, o da 
exclamação. 
2. Genitivo – É o caso do adjunto adnominal restritivo ( possessivo ou 
qualifi cativo, representado por um substantivo e precedido da preposição 
de) e alguns complementos nominais de substantivos e do partitivo. Para 
não confundir-se: a ocorrência do genitivo exige a preposição DE cercada 
47
Análise sintática e articulação das palavras em latim Aula
4de substantivo: Imperador (substantivo) DE Roma (substantivo), logo o 
segundo termo (Roma) é um genitivo. O mesmo não acontece com Cheguei 
(verbo) DE Roma (substantivo) em que o segundo termo (Roma) é um 
adjunto adverbial de lugar – ablativo.
3. Vocativo – É o caso do chamado, da interpelação e, por vezes, da ex-
clamação.
4. Dativo – É o caso do objeto indireto e alguns complementos adnominais.
5. Ablativo – É o caso dos adjuntos adverbiais não preposicionados ou 
regidos por preposições especiais, do agente da passiva, do complemento 
de comparação, do sujeito de particípio em orações reduzidas (ablativo 
absoluto) a depender da preposição.
6. Acusativo - É o caso do objeto direto, da exclamação, e do sujeito e do 
predicativo em orações infi nitivas, predicativo do objeto direto e adjuntos 
adverbiais a depender da preposição.
ATIVIDADES
Agora você construirá um quadro relacionando os casos latinos às fun-
ções sintáticas específi cas. Neste quadro, além de cada caso relacionado à 
função sintática específi ca (e nenhuma função sintática deve ser esquecida), 
é necessário eleborar frases em português que ilustrem cada situação. Esta 
atividade vai permitir uma assimilação completa da relação dos casos latinos 
com as funções sintáticas.
Sem esta segurança, fi ca impraticável a compreensão do latim e o 
prosseguimento dos estudos nesta área.
COMENTÁRIO SOBRE AS ATIVIDADES
Como você percebe, cada palavra declinável latina possui12 formas, 
sendo 6 para o singular e 6 para o plural. A escolha de uma dessas 
formas vai depender, primeiramente, do número e aí já se eliminam 6 
formas, caso esteja a palavra no singular ou no plural. Daí, a escolha 
das seis formas em questão vai ser orientada pela função sintática da 
palavra na frase. 
Há também que se reconhecer o Adjunto Adnominal Restritivo. Este 
vem sempre precedido em português pela preposição de e leva a palavra 
regida por esta para o caso genitivo. 
Ex.: Imperador de Roma – de Roma – é restritivo – vai para o genitivo.
Imperador Romano – romano. Vai acompanhar Imperador em gênero, 
número e caso.
Não sendo, portanto, restritivo, o adjunto é um simples adjetivo, 
48
Fundamentos da Língua Latina
concordando em gênero, número e caso com o substantivo que ele 
determina. Por isso, você pôde ver que, na relação entre casos e 
funções, não aparece o adjunto adnominal, nem aparece o aposto. 
Essas funções sintáticas podem ir para qualquer caso, a depender do 
elemento principal a que estejam ligadas. Assim, você pode encontrar 
aposto e adjunto adnominal em qualquer dos casos latinos a depender 
da posição sintática do termo fundamental (sujeito, vocativo, objeto 
direto etc.) Aí eles terão o mesmo caso das funções principais a que 
eles servem.
Observe os seguintes exemplos e veja como aposto e adjunto 
adnominal podem estar relacionados a qualquer caso:
Aposto e adjunto adnominal do sujeito: José, meu fi lho, esteve aqui. 
Objeto direto: Encontrei José, meu fi lho, na porta de casa.
Adjunto adnominal restritivo: Os livros de José, meu fi lho, foram 
roubados.
Agente da passiva: Todo este trabalho foi realizado por José, meu fi lho.
Objeto indireto: Dei os melhores livros a José, meu fi lho.
Vocativo: José, meu fi lho, tem paciência!
Adjunto adverbial: Resolvi sair com José, meu fi lho.
Na distribuição das funções entre os casos, você notou que, apesar de 
exercer função bem secundária, o vocativo tem um caso só para ele.
ATIVIDADES
Reconheça as funções sintáticas das palavras em destaque e identifi que 
os casos latinos a que elas se destinam. Justifi que, de forma breve, sua 
resposta.
a) Encontrei Maria saindo de casa.
b) A mãe de Pedro plantou rosas brancas no jardim adubado.
c) Pedro, meu fi lho, olha com quem andas!
d) Dei presentes valiosos ao fi lho de minha tia.
e) As crianças desaparecidas foram localizadas por aquele policial.
49
Análise sintática e articulação das palavras em latim Aula
4
COMENTÁRIO SOBRE AS ATIVIDADES
Aos poucos você vai aprendendo a associar os casos latinos às funções 
sintáticas, e esta compreensão é fundamental para trabalhar as frases 
e dominar o mecanismo da língua. Aceite, portanto, a sugestão de 
fazer uma séria revisão de análise sintática de acordo com a gramática 
tradicional. Isso deve ser realizado imediatamente, porque é impossível 
progredir no conhecimento do latim sem este domínio de análise 
sintática.
CONCLUSÃO 
Em latim, não existe uma forma única para as palavras variáveis, mas 
elas devem variar de confi guração de acor-
do com a função sintática exercida nas frases.
Um exemplo, em português, pode ilustrar o processo das declinações: 
a forma do pronome pessoal eu é própria do sujeito, enquanto as formas 
me ou mim são específi cas para a função de complemento. Assim, você 
pode dizer: Eu vou chegar atrasado hoje / Traga um livro para eu ler. Mas 
deverá dizer: Traga um livro para mim. Você poderia ajudar-me. Também 
em português, em alguns casos, existem formas específi cas para funções 
sintáticas específi cas.
Não é preciso precipitar-se! As funções sintáticas relacionadas aos 
casos latinos serão sempre revistas e explicadas, facilitando, assim, a mais 
completa assimilação do tema.
De início você certamente terá difi culdade, mas tenha plena convicção 
de que o domínio da análise sintática pode ser maior problema do que o 
latim em si mesmo.
50
Fundamentos da Língua Latina
RESUMO
Esta aula mostrou os procedimentos de uma língua fl exional. Em latim 
as palavras se declinam, isto é, elas variam a forma de acordo com a função 
sintática das palavras nas frases. As palavras vão ganhando a forma apro-
priada e isto faz com que uma determinada forma sirva para uma frase, mas 
não sirva em outra frase se a função sintática não for a mesma. Existem, para 
cada palavra declinável, seis formas do singular e seis do plural. Você não 
precisa decorar as declinações, pois encontrará, no quadro, todas as formas 
que a palavra tem para serem usadas de acordo com a função sintática. 
Conhecendo o número da palavra na frase, você já elimina seis formas. 
Dentre as outras seis formas do número específi co, a escolha vai ser de-
terminada pela função sintática, ou seja, o caso será aquele que contempla 
exatamente a função sintática em pauta.
ATIVIDADES
As atividades propostas visam ao pleno conhecimento das funções 
sintáticas e à distribuição correta dos casos latinos:
I – Responda:
1. O que signifi ca dizer que o latim é uma língua fl exional?
2. O que é declinar uma palavra?
3. O que você entendeu por caso?
4. Quais são os casos latinos? 
5. Por que na distribuição das funções sintáticas pelos casos latinos não há 
referência ao caso do aposto e do adjunto adnominal? Explique.
COMENTÁRIO SOBRE AS ATIVIDADES
Quanto ao item 1, sabemos que, diferentemente das línguas modernas, 
o latim possui desinências próprias para cada função sintática, mas 
as formas estão apresentadas no quadro das declinações, você não 
precisa decorar nada, basta saber consultar.
Já no item 2, lembre-se que declinar signifi ca descer, cair (o sol declina 
no horizonte) e é este o processo das palavras em latim: você deve 
ir descendo na lista de cada declinação, de forma vertical, até achar a 
forma apropriada a cada frase que está sendo trabalhada.
Referente ao item 3, esclarecemos que o nome ocaso; signifi ca queda 
(o sol está no seu ocaso; Maria esta de caso com o porteiro) ou seja, 
quedado, pendido em direção a. O processo de declinação é, pois, um 
processo de queda, de cima para baixo, você vai descendo até achar 
a forma que convém à frase em questão.
51
Análise sintática e articulação das palavras em latim Aula
4
No tocante ao item 4, lembramos que os casos latinos são seis e eles 
já foram apresentados nesta lição, é só recordá-los.
Referente ao item 5, relembramos que aposto e adjunto adnominal 
podem direcionar-se a qualquer caso a depender do termo fundamental 
a que eles se ligam.
II – Identifi que com F ou V o Falso ou o Verdadeiro:
1. O ablativo é o caso do adjunto adnominal restritivo ( ).
2. O nominativo é o único caso do sujeito ( ).
3. O objeto indireto destina-se ao caso dativo ( ). 
4. O predicativo do sujeito pode ir para o acusativo ( ).
COMENTÁRIO SOBRE AS ATIVIDADES
As respostas a esta questaõa já foram comentadas durante a aula. Tente 
comparar as suas respostas com o conteúdo expresso na aula.
III- . Na frase: Quando saí de Roma, senti saudades, a expressão sublinhada 
é um adjunto adnominal restritivo por causa da preposição de?
COMENTÁRIO SOBRE AS ATIVIDADES
A resposta é não. A preposição DE, que caracteriza o adjunto 
adnominal restritivo, deve estar cercada de substantivos, o que não se 
verifi ca na frase em questão.
REFERÊNCIAS
CARDOSO, Zélia de Almeida. Iniciação ao latim. São Paulo: Ática, 1989.
COMBA, Júlio. Gramática latina. São Paulo: Salesiana, 1981.
FURLAN, Oswaldo Antônio. Latim para o português. Florianópolis: 
EDUFSC, 2006.
MACHADO, Luiz. Uma nova visão do latim pelo uso da inteligência. 
Rio de Janeiro: Cidade do Cérebro, 1999. 
SOARES, João S. Latim 1 – Iniciação ao latim e à civilização romana. 
Coimbra: Almedina, 1999.
TARALLO. Fernando. Tempos lingüísticos. São Paulo: Ática, 1994.
AS DECLINAÇÕES LATINAS. 
ESTUDOS DA PALAVRA DE 1ª
DECLINAÇÃO
META
Explicaro mecanismo das declinações latinas. 
Exercitar o trato com palavras da 1ª declinação.
OBJETIVOS
Ao fi nal desta aula, o aluno deverá:
reconhecer o funcionamento das declinações latinas; 
estabelecer a relação dos casos latinos com as funções sintáticas; 
representar, em quadro sinótico, a relação entre as diferentes declinações; e 
identifi car os nomes da primeira declinação no contexto das frases.
PRÉ-REQUISITOS
Conhecimentos básicos de análise sintática segundo as normas gramaticais.
Aula
5
54
Fundamentos da Língua Latina
INTRODUÇÃO 
Olá, nesta aula você vai observar uma grande diferença do latim para 
o português e outras línguas moder-
nas. Em latim, as palavras variáveis são declinadas, isto é, elas mudam 
de forma de acordo com a função sintática. Na verdade, ao radical das 
palavras, que geralmente não se altera, são acrescentadas terminações que 
caracterizam cada caso especifi camente.
Em latim se diz que as palavras têm casos, têm quedas, como se cos-
tuma dizer que a pessoa tem um caso, está de caso, está caída para o lado 
de outra. Os casos são, pois, quedas, fl exões, deslocamentos, que as palavras 
apresentam, obedecendo ao que pedem as funções sintáticas desempenhadas 
por elas nas frases.
Esta aula introduz as declinações latinas, elemento de fundamental 
importância para o domínio da língua, ponto de partida para o desenvolvi-
mento dos estudos nesta área. 
Declinações 
Declinar significa 
descer, cair, ou seja, 
as palavras deslo-
cam-se a partir da 
forma do nomina-
tivo, que é, geral-
mente, o primeiro 
caso pela ordem em 
que se apresentam.
No latim não 
existem artigos.
55
As declinações latinas: estudo das palavras de 1ª declinação Aula
51A DECLINAÇÃO 
Em latim, há palavras invariáveis: elas terão sempre a mes ma forma 
em qualquer circunstância nas frases. Assim, tal 
como em português, os advérbios, preposições, conjunções, interjeições 
e numerais cardinais (exceto 1, 2 e 3) são palavras invariáveis. 
Para as outras classes de palavras, usa-se a declinação. Substantivos, 
adjetivos, pronomes, numerais ordinais (os que funcionam como adjetivos) 
são palavras declináveis, isto é, fl exionam de acordo com os casos que 
correspondem às funções sintáticas por elas desempenhadas nas frases. O 
verbo também pertence à categoria das palavras variáveis e são também 
declinados nas suas formas nominais. Para as outras fl exões dos verbos, o 
termo usado é conjugação. Os verbos, portanto, se conjugam.
Quando se diz que, em latim, os nomes se fl exionam, estamos dizendo 
que eles assumem formas diferentes em gênero, número e caso.
Os substantivos apresentam raízes signifi cativas e elementos que a 
eles se juntam, tais como prefi xos, sufi xos, vogais temáticas e de ligação e 
desinências. As raízes são os elementos que garantem o signifi cado da pa-
lavra. Tais raízes nem sempre são de fácil identifi cação, pois, muitas vezes, 
representam o produto de longa evolução.
Observe o exemplo da palavra latina AMOR (amor). A raiz desta palavra 
é AM, a partir da qual várias combinações são possíveis:
�
are = amar
icus = amigo
ica = amiga
icitia = amizade
or = amor
AM
A palavra AMOR ainda traz outras possibilidades de variação se ela 
for declinada, ou seja, se for usada em suas diversas associações de formas, 
segundo a confi guração da palavra pelas suas funções sintáticas nas frases.
Exemplo:
 Genitivo Dativo Ablativo Acusativo Vocativo
Singular Amoris Amori Amore Amorem
 do amor ao amor pelo amor o amor
Plural Amorum Amoribus Moribus Amores Amores
 Dos amores Aos amores Pelos amores Os amores Ó amores
56
Fundamentos da Língua Latina
Como se vê, de uma mesma raiz se constituem outras formas que cor-
respondem a outras signifi cações que os acréscimos ou as permutas vão 
permitindo realizar.
Desde cedo, para estudar o latim, você vai ter necessidade de isolar 
a raiz das palavras, pois é a elas que as desinências se somam, bem como 
outros elementos que vão conferindo maior riqueza às palavras.
Esse trabalho é de grande utilidade também para o estudo do português. 
Em suma: você vai perceber que as bases de signifi cado são numericamente 
bem menores do que os desdobramentos que podem ser realizados a partir 
das mesmas.
Esse processo pode ser aplicado a todas as palavras da língua. Veja, por 
exemplo, a associação de Amor às palavras latinas Pavor (pavor), Horror 
(horror), Timor (temor) etc. Assim se pode dizer que Amor, Amare, Am-
abam, Amavi, Amicus, Amica, Amicitia etc. têm a mesma raiz, enquanto 
Amor, Pavor, Horror, Timor possuem o mesmo sufi xo.
Outras associações são igualmente possíveis e você as verá durante o curso, 
desvendando, pouco a pouco, o mistério das palavras, seu encanto, sua riqueza.
Conhecer o radical de cada palavra, saber isolá-lo é a base para declinar 
corretamente, ou seja, juntar ao radical a desinência que faz corresponder 
às necessidades reais da linguagem.
AS DECLINAÇÕES LATINAS
Em latim, existem 5 declinações. Na realidade, trata-se de 5 listas 
que apresentam as formas que as palavras devem ter de acordo com 
a declinação a que pertencem. Não existe uma só palavra variável 
que não encontre lugar na sua lista específi ca. Assim, as palavras 
que pertencem à determinada declinação terão todas as mesmas formas, 
as mesmas desinências. 
Nesta aula, você vai con-
hecer a 1ª declinação. É a 
declinação mais fácil e nela 
geralmente se enquadram as 
palavras femininas terminadas 
em A, como em português: 
chuva, mesa, vida, veia, coroa, 
rainha etc.
Em latim, além dos gêner-
os masculino e feminino, existe 
também o gênero neutro. Era 
de se esperar que, ao gênero 
neutro, pertencessem os nomes 
de seres inanimados, sem movi-
Uma palavra não 
pode pertencer a mais 
de uma declinação.
57
As declinações latinas: estudo das palavras de 1ª declinação Aula
5mento próprio, mas o critério de classifi cação de gênero não obedece, neces-
sariamente, a essa lógica. Importante é saber o gênero de uma palavra antes 
de realizar qualquer trabalho com ela, e um bom dicionário sempre fornece 
esse dado. Aos poucos, você vai se habituando à classifi cação das palavras 
por gênero e vai compreendendo como acontece o gênero neutro, pois são 
muitas as palavras a ele pertencentes. 
A 1ª declinação não possui palavras do gênero neutro; possui pouquíssimas 
palavras masculinas e tem a quase totalidade de palavras do gênero feminino.
De modo geral, a confi guração de gênero é a mesma do português, 
mas não se pode ter total segurança por esse caminho, pois, muitas vezes, 
as surpresas acontecem, até mesmo porque, na passagem do latim para o 
português, as palavras do gênero neutro foram direcionadas para o mas-
culino ou para o feminino. Exemplo:
Cor, cordis (coração) em latim é neutro; em português é masculino.
Bellum, I (guerra) em latim é neutro; em português é feminino.
Observe, nestas formas pronominais do português, a confi guração 
dos três gêneros:
Masculino Feminino Neutro
este esta isto
esse essa isso
aquele aquela aquilo
algum alguma algo
todo toda tudo
Há resquícios no português que fazem perceber o que era a confi gu-
ração de gênero em latim.
Como já foi dito, de modo geral, você pode tomar como referência 
a mesma classifi cação de gênero usada no português, pois a maioria das 
palavras conserva a mesma distribuição atual do português. Surpresas, 
porém, acontecem:
Pons, pontis (ponte) – em latim é do gênero masculino. O mesmo acon-
tece com fons, fontis (fonte), dolor, doloris (dor), color, coloris (cor) etc. 
Abyssus, abyssi (abismo) é feminina, enquanto malus, mali (macieira) 
é do gênero masculino.
Você poderá achar estranho quando encontrar a combinação dessas 
palavras com algum adjetivode dupla forma: in fonte vivo (na fonte viva); 
dolor meus (minha dor) etc. Daí que, para total segurança, é aconselhável 
trabalhar antes o substantivo e, em seguida, o adjetivo a ele ligado, obedecendo 
ao gênero expresso pelo substantivo, pois, seguindo a lógica do português, a 
tendência seria dizer: in fonte viva ou dolor mea, o que seria um erro.
58
Fundamentos da Língua Latina
AS PALAVRAS NO DICIONÁRIO
Os substantivos latinos são sempre apresentados no singular (a não 
ser que a palavra só seja usada no plural) na forma do nominativo, tendo, 
em seguida, a forma do genitivo. Essa é a maneira pela qual está sendo 
informada a declinação a que a palavra 
pertence. 
Na apresentação do genitivo, estão 
contidas duas informações importantes 
sobre a palavra em questão: sua declinação 
e o radical para trabalhar os demais casos.
Logo, ao buscar uma palavra no di-
cionário, o genitivo sempre virá logo após 
a forma do nominativo. Assim, se alguém 
perguntar: como se diz vida, chuva, mesa 
em latim, a resposta não pode ser apenas: 
vita, pluvia, mensa, respectivamente. Esta 
resposta foi incompleta, pois apenas for-
neceu o nominativo da palavra e, como 
existem nominativos iguais de declinação 
para declinação, não se sabe exatamente a 
que lista recorrer para fl exionar a palavra. 
A resposta ideal, portanto, será fornecer 
o nominativo e o genitivo de cada palavra. 
Logo, completando a informação, se dirá: 
vida, chuva, mesa em latim são, respec-
tivamente: vita, vitae / pluvia, pluviae / 
mensa, mensae ou simplesmente vita, ae/ 
pluvia, ae/ mensa, ae, não havendo neces-
sidade de repetir o radical quando for o 
mesmo para os dois casos.
O segundo elemento de informação 
(o genitivo) é indicativo seguro de que essas palavras fazem parte da primeira 
declinação. Não há como direcioná-las para nenhuma das outras quatro. 
Observe o que pode acontecer ao serem dadas as palavras somente com a 
forma do nominativo:
Dominus (senhor); Venus (Vênus); Manus (mão).
Essas três palavras não parecem pertencer à mesma declinação? Mas a 
terminação do nominativo em US pode ocorrer na 2ª, 3ª e 4ª declinações. E 
aí? Para onde direcioná-las? Só será possível fazê-lo com segurança depois 
de conhecida a forma do genitivo:
Dominus, Domini (Genitivo terminado em I – 2ª declinação).
Venus, Veneris (Genitivo terminado em IS – 3ª declinação).
59
As declinações latinas: estudo das palavras de 1ª declinação Aula
5Manus, manus (Genitivo terminado em US – 4ª declinação). 
É somente através do genitivo que poderemos diferenciar as declinações 
a que pertencem as palavras, como nesse caso acima.
Considere ainda este exemplo: 
Regina (rainha) e clima (clima) pertencem à mesma declinação? Apar-
entemente, sim. Mas antes de dar uma resposta defi nitiva, vamos verifi car 
o genitivo:
Regina, reginae = nome feminino de 1ª declinação.
Clima, climatis = nome masculino de 3ª declinação.
Em resumo: conhecer o genitivo das palavras é condição indispen-
sável para ter certeza de sua declinação e também para conhecer o radical 
quando este for diferente do nominativo. O genitivo é, pois, o pai (genitor) 
da palavra. É dele que os outros casos se formam. Observe: do genitivo 
climatis (raiz climat) obtêm-se os derivados:
Climático / climatério / aclimatar / aclimatado etc. 
As declinações, como já se disse, são cinco e elas se identifi cam pelo 
genitivo, que não é igual em nenhuma delas:
1ª Declinação: Genitivo – AE
2ª Declinação: Genitivo – I
3ª Declinação: Genitivo – IS
4ª Declinação: Genitivo – US
5ª Declinação: Genitivo – EI
PRIMEIRA DECLINAÇÃO
Você agora vai estudar a 1ª declinação. Não esqueça: você vai apre-
nder a fl exionar todas as palavras que se enquadram nesse modelo, neste 
esquema denominado de 1ª declinação. Somente podem ser declinadas por 
esse paradigma as palavras que tenham o nominativo singular em A e o 
genitivo singular em AE. 
Situada a palavra nessa lista, esqueça as outras. Todas as palavras dessa 
lista vão apresentar as mesmas formas para os respectivos casos. Os casos 
latinos, como já se disse, são seis. Isto é: cada palavra declinada tem seis 
formas para o singular e seis formas para o plural. São eles: nominativo 
(N); genitivo (G); dativo (D); ablativo (AB); vocativo (V); acusativo (AC). 
A ordem dos casos aqui adotada é livre. Você pode encontrar outras 
distribuições e isso em nada inviabiliza o trabalho com o latim. Você só não 
vai encontrar distribuição que não comece pelo nominativo. Aqui optou-se 
por incluir o genitivo logo após o nominativo, obedecendo à apresentação 
das palavras no dicionário. Mas ainda uma vez se diga: a ordem na dis-
tribuição dos casos é inteiramente arbitrária e em nada altera o emprego 
correto das formas.
60
Fundamentos da Língua Latina
Os dicionários sempre registram os substantivos, 
dando por extenso o nominativo, vindo, logo após, a 
terminação do genitivo. Não é preciso repetir o radical 
a não ser que ele varie de um caso para outro.
Exemplo:
Pluvia, ae (chuva) / fl ama, ae (chama) / populus, 
i (povo).
Mas, havendo alteração na forma do radical, a 
apresentação será:
Magister, magistri (mestre) / pectus, pectoris 
(peito) / semen, seminis (semente).
Conheça agora como se fl exionam as palavras 
de 1ª declinação. Lembre-se, mais uma vez, que nesta 
declinação se enquadra a grande maioria de palavras 
femininas terminadas em A.
Todos os substantivos da 1ª declinação se declinam 
como rosa, ae:
 Singular Exemplos Plural Exemplos
Nominativo Ros-a Rosa, a rosa, Ros-ae Rosas, as rosas,
uma rosa umas rosas
Genitivo Ros-ae De rosa, da, Ros-arum De rosas, das,
de uma rosa de umas rosas
Dativo Ros-ae Para a rosa, Ros-is Para as rosas,
à rosa às rosas
Acusativo Ros-am Rosa, a rosa, Ros-as Rosas, as rosas,
uma rosa umas rosas
Vocativo Ros-a Rosa, ó rosa Ros-ae Rosas, ó rosas
Ablativo Ros-a Com, em, sem, Ros-is Com, em, sem,
pela ...rosa pelas...rosas
Esse é o modelo, o paradigma para de clinar qualquer palavra que se 
enquadre na 1ª declinação. As desinências serão sempre as mesmas, pois elas 
são próprias da 1ª declinação; o que muda é o radical, pois este elemento 
é diferente de palavra para palavra. Assim, para declinar qualquer outra 
palavra pertencente a esta declinação, basta isolar o seu radical e substituí-
lo na lista acima pelo radical ros (próprio da palavra rosa) e conservar as 
mesmas desinências específi cas de cada caso.
Faça um teste com a palavra fl ama, ae (chama). O radical é fl am e ele 
vai na lista ocupar o lugar de ros. As desinências permanecem as mesmas. 
61
As declinações latinas: estudo das palavras de 1ª declinação Aula
5Assim, se você quiser o acusativo singular, a forma será fl amam, substitu-
indo rosam. 
Usando ainda a palavra fl ama, ae, quem vai dizer a forma de que você 
vai precisar é a frase com a qual você está trabalhando.
Exemplo: Eu dominei a chama que ameaçava destruir meus livros. 
Nessa frase, a expressão a chama exerce a função sintática de objeto direto, 
logo você só pode usar a forma do acusativo singular (fl amam), pois este 
é o caso do objeto direto. 
Se a expressão estivesse no plural (Eu dominei as chamas...), sem alte-
ração, portanto, da função sintática, a forma seria fl amas, que corresponde 
ao plural do mesmo acusativo.
Viu como é fácil? É preciso, porém, muita atenção na identifi cação do 
radical e fazer corretamente a análise sintática para ter certeza de onde ir 
buscar a forma exata que a frase requer.
ATIVIDADES
Agora é com você. Coloque em latim as palavras destacadas nas frases 
e justifi que o uso das formas:
a) As crianças oferecem rosas, com carinho, às mestras.
b) As riquezas da vida são as alegrias do coração. 
c) Contemplo a lua e as estrelas.COMENTÁRIO SOBRE AS ATIVIDADES
Observe, caro aluno, que a primeira atitude será a de reconhecer a 
que função sintática pertencem os termos grifados. No item a), por 
exemplo, rosas exerce a função sintática de objeto direto porque quem 
oferece, oferece alguma coisa, certo? O termo às mestras, por sua 
vez, está exercendo a função de objeto indireto, porque as crianças 
oferecem rosas (objeto direto), a alguém (objeto indireto). No quadro 
da Aula 4, vimos que o objeto direto corresponde ao acusativo, e o 
objeto indireto, ao dativo. Sabendo-se também que rosas e mestras, 
em latim, pertencem à primeira declinação e, observando os modelos 
desta aula, vamos obter as seguintes formas: rosas, magistris. Assim, 
no item b), temos da vida exercendo a função de genitivo, portanto 
fi cará vitae, e as alegrias, a função de predicativo = nominativo, que, 
em latim, fi cará laetitiae. No item c), tanto a lua, quanto as estrelas 
exercem a mesma função, de objeto direto = acusativo. Assim, em 
latim, teremos lunam e stellas.
VOCABULÁRIO
Rosa, ae = Rosa
Magistra, ae = Mestra
Vita, ae = Vida
Laetitia, ae = Alegria
Luna, ae = Lua
Stella, ae = Estrela.
62
Fundamentos da Língua Latina
Outra difi culdade constante está em não saber identifi car com segurança 
o radical. Por exemplo: a palavra pluvia, ae (chuva) tem como radical a forma 
pluvi. Esta palavra se enquadra perfeitamente no modelo acima, mas é preciso 
ter cuidado nos casos dativo e ablativo plural, que terão a confi guração pluviis 
(com dois I, sendo um do radical e outro da desinência dos casos).
Compreendidos esses primeiros passos, importa agora realizar muitos 
exercícios para fi xar bem a aprendizagem das formas latinas, dos casos e sua 
relação com a sintaxe, da separação do radical e acréscimo de cada forma 
no momento do uso etc.
CONCLUSÃO 
Você percebeu que, sem ter o domínio da análise sintática, fi ca impos-
sível saber escolher a forma da palavra 
que cada frase requer. Você vai ver que a difi culdade não está tanto no 
latim, mas está na análise sintática. Daí ser necessária uma revisão constante 
desste assunto em frases que apresentem uma mesma palavra ocupando 
funções sintáticas diversas. Tendo esse domínio, você vai ver como o estudo 
do latim se torna agradável e bastante útil para o pleno conhecimento da 
língua portuguesa.
63
As declinações latinas: estudo das palavras de 1ª declinação Aula
5RESUMO
Essa aula permitiu conhecer como o latim trabalha suas palavras pelo 
sistema das declinações. Você aprendeu também como citar as palavras 
latinas e como situá-las no dicionário, sempre esperando conhecer a forma 
do genitivo para enquadrá-la no paradigma específi co e conseguir todas as 
formas possíveis a partir do radical também fornecido pelo genitivo. A 1ª 
declinação é o contato inicial com o processo das declinações latinas. A 
lista em que aparecem as variadas formas de uma palavra, cuja escolha vai 
depender do conhecimento de sintaxe, é muito simples e já pode dar impulso 
ao trabalho com um número signifi cativo de palavras. Conhecendo esta 
declinação, a grande maioria das palavras femininas em A já pode ser trab-
alhada, o que corresponde a uma quantidade signifi cativa do léxico latino.
 ATIVIDADES
As atividades propostas visam ao pleno conhecimento das palavras 
da 1ª declinação. A partir de agora, os conhecimentos de análise sintática 
serão cada vez mais exigidos, desde as frases simples com que se introduz 
o assunto, até as frases mais complicadas que o desenvolvimento dos es-
tudos vai exigindo.
1. Responda:
a) Como se dá a distribuição de gênero na primeira declinação?
b) Quais os casos que apresentam formas iguais no singular e no plural da 
1ª declinação?
c) A quantas declinações pode pertencer uma mesma palavra?
d) Por que o genitivo deve ser dado logo após o nominativo de cada palavra?
d) Qual a terminação do genitivo singular de cada declinação?
COMENTÁRIO SOBRE AS ATIVIDADES
Este exercício faz revisão do conteúdo desta aula. Para responder 
corretamente às questões, importa retornar atentamente a todos os 
itens abordados a fi m de que os assuntos sejam facilmente assimilados.
64
Fundamentos da Língua Latina
2. Construa frases em português que esgotem todas as possibilidades de 
tradução das formas latinas:
a) Litteris (littera, ae = letra)
b) Plumae (pluma, ae = pena)
c) Mensa (mensa, ae = mesa).
3. De que forma a palavra chuva (pluvia, ae) será escrita em latim nas 
seguintes frases? Justifi que:
a) Chove, chuva, chove sem parar!
b) A chuva destruiu os meus planos para o feriado!
c) Sem a chuva, a natureza morre.
4. Assinale como traduzir e o que diferencia as frases a seguir:
a) Maria vidit Martam.
b) Martam vidit Maria.
COMENTÁRIO SOBRE AS ATIVIDADES
Na questão 2, deve-se criar frases em português encaixando o termo 
latino, com isso você perceberá a pertinência das formas. Mas, isso 
só é possível se for bem feita a análise sintática. O mesmo acontece 
na questão 3, em que é dada a frase em português para qual se pede 
a forma latina.
Quanto à questão 4, é um alerta para a posição das palavras nas frases 
latinas. Em que interfere a ordem na tradução?
REFERÊNCIAS
CARDOSO, Zélia de Almeida. Iniciação ao latim. São Paulo: Ática, 1989.
COMBA, Júlio. Gramática latina. São Paulo: Salesiana, 1981.
FURLAN, Oswaldo Antônio. Latim para o português. Florianópolis: 
EDUFSC, 2006.
MACHADO, Luiz. Uma nova visão do latim pelo uso da inteligência. 
Rio de Janeiro: Cidade do Cérebro, 1999. 
SOARES, João S. Latim I - Iniciação ao latim e à civilização romana. 
Coimbra: Almedina, 1999.
TARALLO. Fernando. Tempos lingüísticos. São Paulo: Ática, 1994.
VOCABULÁRIO
Maria, ae = Maria
Marta, ae = Marta
Vidit = Viu.
ESTUDO DOS NOMES DA 2ª 
DECLINAÇÃO
META
Demonstrar o mecanismo da 2ª declinação e apresentar as diferenciações de gênero em latim a partir 
do conhecimento das declinações estudadas.
OBJETIVOS
Ao fi nal desta aula, o aluno deverá:
reconhecer o funcionamento da 2ª declinação latina;
distinguir a diversidade de gênero contida na 2ª declinação;
identifi car em quadro sinótico a relação entre as diferentes declinações estudadas; e
exercitar frases que contemplem, ao mesmo tempo, palavras de 1ª e 2ª declinação.
PRÉ-REQUISITOS
Conhecimentos de análise sintática segundo as normas gramaticais.
Aula
6
66
Fundamentos da Língua Latina
INTRODUÇÃO 
Esta aula compreende as palavras da 2ª declinação. Ao contrário da 1ª 
declinação, que acabou de ser estudada, 
esta declinação é mais complexa porque possui certas particularidades 
que é preciso considerar, bem como contém palavras pertencentes aos 
três gêneros. Predomina, porém, o gênero masculino e, ao contrário da 1ª 
declinação, são bem poucas as palavras do gênero feminino nela contidas. 
Por outro lado, importa lembrar que as palavras do gênero neutro também 
aqui existem em número razoável.
Não há nada, porém, que espante. É mais um passo que você vai dar 
no conhecimento da língua latina, mas o processo é o mesmo que foi usado 
para trabalhar as palavras da aula anterior.
 Muita atenção, segurança na análise sintática dos termos a serem tra-
balhados e tudo vai sendo processado satisfatoriamente. 
67
Estudo dos nomes da 2ª declinação Aula
62ª DECLINAÇÃO 
Cada declinação latina tem suas particularidades. Da 1ª declinação, foi 
dito que era o terreno das palavras femi-
ninas terminadas em A, que as palavras masculinas eram pouquíssimas 
e que não comportava palavras do gênero neutro.
A segunda declinação, contrariamente, é composta de grande número 
de palavras masculinas. As palavras femininas podem ser contadas a dedo. 
No entanto, são muitas também as palavras do gênero neutro, e elas pos-
suem algumas confi gurações específi cas.
Com o estudo desta declinação, você irá percebendo a diferenciação degênero em latim, e esse estudo, associado aos conhecimentos da declinação 
anterior, já introduz o tema dos adjetivos de 1ª classe, os quais nada mais 
são do que uma retomada das formas de 1ª e 2ª declinações.
Você já pode perceber que o estudo do latim é um todo articulado, e 
os assuntos se encadeiam, de sorte que qualquer conhecimento abordado 
vai servindo de lastro para os temas subseqüentes.
Como se deu na declinação anterior, é imprescindível o conhecimento 
do genitivo singular para situar a palavra e reconhecer-lhe a forma do radical. 
Um dado novo é que você vai encontrar mais de uma forma do nomi-
nativo singular, algo inexistente na declinação anterior. Assim serão as pos-
sibilidades de terminação do nominativo singular:
Us - Dominus, i (senhor).
Er– Magister, magistri (mestre).
Ir - Vir, i (varão).
Um – Signum, 1 (sinal).
Observação: a terminação de nominativo singular em um é exclusiva 
das palavras do gênero neutro.
Este pequeno detalhe de mais de uma terminação do nominativo sin-
gular não difi culta em nada o processo de fl exão das palavras. Em todas 
elas você pode perceber que a forma do genitivo é sempre I, que é a marca 
da segunda declinação. Logo, excetuando essas pequenas particularidades, 
as palavras se enquadram perfeitamente no seu paradigma. 
68
Fundamentos da Língua Latina
Quadro 1 - Palavras em us.
Casos Modelo Tradução
Nominativo Popul-us Povo, o povo, um povo
Genitivo Popul-i De povo, do/ de um povo
Singular Dativo Popul-o Para/ ao povo
Acusativo Popul-um Povo, o/ um povo
Vocativo Popul-e Povo, ó povo
Ablativo Popul-o Com, no, pelo...povo
Nominativo Popul-i Povos, os/ uns povos
Genitivo Popul-orum De/ dos/ de uns povos
Plural Dativo Popul-is Para/ aos povos
Acusativo Popul-os Povos, os/ uns povos
Vocativo Popul-i Povos, ó povos
Ablativo Popul-is Com, nos, pelos...povos
Esse é o paradigma para declinar a maior parte das palavras de 2ª 
declinação. Como foi sugerido na aula anterior, o radical acima pode ser 
substituído por qualquer outro desde que a palavra se enquadre nesta lista 
para ser declinada. Por exemplo:
Angelus, i (anjo)/ Dominus, i (senhor)/ mundus, i (mundo)/ lupus, i 
(lobo). São palavras que podem ser declinadas pelo modelo acima. 
Observação: quando se apresenta a possível tradução de cada caso 
latino, há que se levar em conta que, em latim, não existe artigo. Por esta 
razão, onde o latim comporta uma simples preposição ou mesmo um sub-
stantivo sem o artigo, em português podem ser acrescentados os artigos, 
ampliando as chances de detalhes na tradução das sentenças.
Exemplo: a expressão Mapa Mundi pode ser entendida como Mapa de 
Mundo, Mapa do Mundo, Mapa de um Mundo. Isto é, apenas um simples 
detalhe que o momento da tradução vai dizer que expressão escolher.
Quadro 2 - Palavras em er.
�
Casos Modelo Tradução
Nominativo Magist-er Mestre, o mestre, um mestre
Genitivo Magistr-i De mestre, do/ de um mestre
 Singular Dativo Magistr-o Para, a/ ao mestre
Acusativo Magistr-um Mestre, o/ um mestre
Vocativo Magist-er Mestre, ó mestre
Ablativo Magistr-o Com, no, pelo...mestre
Nominativo Magistr-i Mestres, os/ uns mestres
Genitivo Magistr-orum De/ dos/ de uns mestres
 Plural Dativo Magistr-is Para, a/ aos mestres
Acusativo Magistr-os Mestres, os/ uns mestres
Vocativo Magistr-i Mestres, ó mestres
Ablativo Magistr-is Com, nos, pelos...mestres
69
Estudo dos nomes da 2ª declinação Aula
6Por esse paradigma, podem ser declinadas as palavras puer, i (criança), 
arbiter, arbitri (juiz), liber, libri (livro) e outras da mesma confi guração. Você 
pode perceber que as diferenças são pequenas em relação ao paradigma 
das palavras em US:
a) Pequena divergência no radical do nominativo e do genitivo, daí ser 
o genitivo que serve de modelo para os outros casos.
b) As formas do nominativo e do vocativo são iguais no singular e no 
plural. Esse detalhe é constante em todas as declinações, exceto nas palavras 
de 2ª declinação em us, assim mesmo nem todas. 
Observados esses pequenos detalhes, você vai ver que todos os outros 
casos têm formas iguais às do primeiro modelo (Quadro 1).
As palavras em ir são tão poucas e de uso tão raro que não se faz 
necessário apresentar um quadro só para elas. Pode-se muito bem seguir 
o modelo acima, guardando apenas o detalhe referente ao singular do 
nominativo e do vocativo.
Tenha certeza de que, aos poucos, você vai se acostumando com o 
sistema das declinações, sobretudo quando for trabalhando as palavras no 
contexto das frases e for percebendo as formas que as palavras assumem 
em razão da função sintática que desempenham.
Quadro 3 - Palavras do gênero neutro
Casos Modelo Tradução
Nominativo Sign-um Sinal, o sinal, um sinal
Genitivo Sign-i De sinal, do/ de um sinal
Singular Dativo Sign-o Para/ ao sinal
Acusativo Sign-um Sinal, o/ um sinal
Vocativo Sign-um Sinal, ó sinal
Ablativo Sign-o Com, no, pelo...sinal
Nominativo Sign-a Sinais, os/ uns sinais
Genitivo Sign-orum De/ dos/ de uns sinais
Plural Dativo Sign-i s Para/ aos sinais
Acusativo Sign-a Sinais, os/ uns sinais
Vocativo Sign-um Sinais, ó sinais
Ablativo Sign-i s Com, nos, pelos...sinais
Pelo paradigma acima, são declinadas todas as palavras do gênero neu-
tro desta declinação: bellum, i (guerra), miraculum, i (milagre), exemplum, i 
(exemplo), periculum, i (perigo) etc. É muito fácil identifi car as palavras do 
gênero neutro de 2ª declinação: toda palavra que apresentar a terminação 
do nominativo em um e do genitivo em I não deixa qualquer dúvida, pois 
pertence à relação dos nomes neutros.
70
Fundamentos da Língua Latina
É muito importante conhecer o gênero da palavra antes de qualquer 
trabalho com ela. Não se pode direcionar a palavra para outra lista que não 
seja aquela à qual realmente pertence. Mesmo que a palavra seja da mesma 
declinação, a questão do gênero é de grande importância, pois os gêneros 
têm listas específi cas.
OUTRAS OBSERVAÇÕES SOBRE
A 2ª DECLINAÇÃO
As palavras do gênero neutro têm iguais as formas do nominativo, 
vocativo e acusativo no singular (um) e no plural (a).
As formas do dativo e do ablativo são iguais em qualquer gênero e número.
Seu maior trabalho consiste em ter todo o cuidado na identifi cação da lista 
certa na qual declinar a palavra. Em seguida, realizar corretamente a análise 
sintática e buscar a forma exata que a palavra deve ter na frase em questão.
Outra observação importante, como já foi dito na primeira declinação, 
é conhecer o radical de cada palavra, saber isolá-lo para juntar a ele cada 
desinência que faz corresponder às necessidades reais daquela frase com a 
qual se está trabalhando.
71
Estudo dos nomes da 2ª declinação Aula
6CONCLUSÃO 
Esta aula mostrou como fl exionar as palavras da 2ª decli nação. O 
procedimento é sempre o mesmo: a palavra é 
apresentada com o seu genitivo, o que fornece duas informações 
importantes: a declinação a que pertence e a forma do radical com a qual 
todos os demais casos serão fl exionados. Você não vai precisar decorar 
nada, pois os paradigmas apresentados contêm todas as desinências. O mais 
difícil, certamente, será escolher a forma adequada, o que só será possível 
mediante um bom conhecimento de análise sintática.
Apesar de mais complexa por comportar palavras dos três gêneros, a 
2ª declinação não vai criar maiores difi culdades, pois as listas com as varia-
ções são anexadas para serem utilizadas, e não memorizadas. Você até vai 
ver que, com o tempo, muita coisa será assimilada pelo hábito de repetir 
e criar analogias.
Conhecidas as duas primeiras declinações, você já está preparando 
as bases para construir frases mais amplas e fi car mais à vontade com um 
vocabulário mais extenso. 
Observe várias vezes os paradigmas das duas declinações estudadas. 
Tente substituiros radicais dos paradigmas pelos de outras palavras. Toda 
a efi ciência do aprendizado vai depender, daqui por diante, da freqüência 
dos exercícios.
RESUMO
As palavras que se declinam em latim obedecem a paradigmas e mudam 
as suas formas sempre de acordo com eles. Este trabalho, quando feito 
em pleno conhecimento da análise sintática, vai dando maior segurança ao 
estudante e tornando mais agradável o contato com a língua latina.
O latim é uma língua cheia de exceções, mas não se preocupe: quando 
isso ocorrer, um bom dicionário sempre alertará a respeito.
Esta disciplina, pelo pouco espaço de tempo que lhe é destinado, apenas 
alertará para as questões básicas do conhecimento da língua. 
72
Fundamentos da Língua Latina
 ATIVIDADES
As atividades aqui propostas visam ao maior domínio das formas la-
tinas e sua relação com as funções sintáticas e à distribuição correta entre 
os casos latinos:
1. Responda:
a) Quais as principais características da 2ª declinação?
b) Em qual paradigma deve enquadrar-se a palavra lignum, i (lenho). Por quê?
c) Pelo mesmo paradigma de Dominus, i (senhor) pode ser declinada a 
palavra donum, i (dom, presente)? Justifi que.
d) Entre as palavras regina, ae (rainha) e regnum, i (reino) reconheça formas 
com terminações iguais. O que, porém, as diferencia? Explique.
2. A expressão regina coeli (rainha do céu) é uma mistura de palavras da 
1ª (regina, ae) e 2ª (coelum, i) declinações. Transpostada para o plural, a 
expressão seria ______
3. As expressões Agnus Dei, Corpus Christi, Mapa mundi, Vox populi, 
Anno Domini apresentam em comum a segunda palavra terminada em I. 
Responda, portanto,
a) A que declinação pertencem estas palavras?
b) Em que caso estão colocadas? Por quê?
c) Qual o elemento comum que aparece na tradução para o português. 
Explique.
4. Existe diferença de tradução nas frases abaixo? Por quê?
a) Petrus vidit Paulum.
b) Paulum vidit Petrus.
5. Construa frases em português que esgotem todas as possibilidades de 
tradução dos termos latinos:
Pericula (periculum, i= perigo).
Pueri (Puer, i = criança)
Digitis (digitus, i = dedo)
Bello (bellum, i = guerra).
6. Preencha as lacunas com as palavras latinas correspondentes de acordo 
com a função sintática exercida por elas nas frases. Justifi que.
a)O povo (_____________) reconhece os sinais (_____________) dos 
perigos.
b) As mestras e os mestres (________________________) fi zeram grandes 
elogios aos alunos (_____________________).
c) Os pais de Antônio e de Cláudio (______________) elogiaram as vitórias 
(_______) dos fi lhos (_______________).
7. Pesquise no dicionário e relacione palavras latinas das declinações estu-
dadas e seu signifi cado. Reconheça as marcas deixadas por essas palavras 
no léxico português.
8. Observando as formas latinas que aparecem nesta aula, reconheça as 
marcas deixadas por elas em palavras da língua portuguesa.
VOCABULÁRIO
Petrus, i = Pedro
Vidit = viu
Paulus, i = Paulo
73
Estudo dos nomes da 2ª declinação Aula
6
COMENTÁRIO SOBRE AS ATIVIDADES
O exercício 1 leva ao contato inicial com as formas das palavras 
assoicadas às funções sintáticas. Desinências iguais nem sempre 
remetem às mesmas funções ou confi gurações de genêro. Seu trabalho 
é visualizar bem essas formas e caracterizá-las.
No item b, lembre-se que a terminação da palavra lignum, i é um,i, 
portanto, ela pertence ao paradigma da 2ª declinação. Desta declinação 
fazem parte as palavras latinas terminadas em us, er, ir e um.
No item c, observe que, apesar de serem da 2ª declinação, essas palavras 
diferem quanto ao gênero. Dominus, i será declinada conforme o 
Quadro 1, por onde é declinada a maior parte das palavras da segunda 
conjugação. A palavra lignum, i, ao contrário, não usará o mesmo 
paradigma, pois faz parte do gênero neutro, usando, assim, o mesmo 
modelo da palavra signum, i, apresentada no Quadro 3.
No item d, caro aluno, perceba que a diferença está na declinação de 
que fazem parte. Regina, ae pertence à 1ª declinação, enquanto regnum, 
i pertence à 2ª declinação.
Para o exercício 2, basta que você utilize os paradigmas da 1ª e da 2ª 
declinações, respectivamente. Antes, porém, é necessário que você 
identifi que a que casos pertencem. Veja que, pelas terminações, regina 
é nominativo ou vocativo e coeli é genitivo. Daí, teremos Reginae 
coelorum.
No exercício 5, a forma pericula é plural e do nominativo, vocativo 
e acusativo, palavra que pertence ao gênero neutro da 2ª declinação 
(cf. Quadro 3). Para construir frases em português que contemplem 
a forma latina em pauta, é preciso ter atenção às funções sintáticas 
exercidas pelo nominativo, vocativo e acusativo no plural. Assim, 
estarão corretas frases como:
Os grandes perigos não me amedrontam (sujeito).
Ó perigos, hei de dominar-vos (vocativo).
Encontrei muitos perigos ao longo da vida (acusativo).
Nos três casos, a palavra perigos terá, no latim, a forma pericula. Realize 
o mesmo com as outras palavras.
No exercício 6, as lacunas vão ser preenchidas com os termos que 
aparecem no vocabulário, mas a identifi cação da forma correta só 
acontecerá se a função sintática estiver perfeitamente identifi cada.
Compare, mais uma vez, o que já se disse: o latim parece ser mais fácil 
do que a análise sintática, pois as desinências, que sempre são dadas, 
só serão bem escolhidas se a função sintática estiver corretamente 
identifi cada.
74
Fundamentos da Língua Latina
O hábito de consultar o dicionário é imprescindível para bem trabalhar 
o latim. O exercício 7 pede que você encontre palavras da 1ª e 2 ª 
declinação. A base da pesquisa é sempre o segundo elemento que vem 
junto à palavra encontrada, ou seja, o seu genitivo.
Assim, toda palavra de 1ª declinação terá nominativo em a e genitivo 
em ae. Exemplo: fl ama, ae. Não se encaixa, portanto, nesta declinação 
a palavra clima, climatis. Esta palavra, apesar de ter o nominativo em a, 
como na 1ª declinação, apresenta o genitivo em is, marca das palavras 
de 3ª declinação.
O mesmo acontece com digitus, i (dedo) - 2ª; spiritus, us (espírito) - 4ª 
declinação.
Lembre-se: não é o nominativo, mas sim o genitivo, o elemento que 
remete a palavra para a sua verdadeira declinação.
Exercício 8: as marcas latinas dedo (em latim digitus, i) estão presentes 
em digito, digital, digitador, digitação etc.
REFERÊNCIAS
CARDOSO, Zélia de Almeida. Iniciação ao latim. São Paulo: Ática, 1989.
COMBA, Júlio. Gramática latina. São Paulo: Salesiana, 1981.
FURLAN, Oswaldo Antônio. Latim para o português. Florianópolis: 
EDUFSC, 2006.
MACHADO, Luiz. Uma nova visão do latim pelo uso da inteligência. 
Rio de Janeiro: Cidade do Cérebro, 1999. 
SOARES, João S. Latim 1 – Iniciação ao latim e à civilização romana. 
Coimbra: Almedina, 1999.
TARALLO. Fernando. Tempos lingüísticos. São Paulo: Ática, 1994.
ESTUDO DO VERBO ESSE (SER)
META
Apresentar o emprego do verbo esse (ser) na estruturação de frases latinas.
OBJETIVOS
Ao fi nal desta aula, o aluno deverá:
distinguir as noções básicas dos elementos que compõem a 
morfologia verbal latina;
exercitar a derivação verbal a partir do conhecimento das 
formas primitivas;
estabelecer o mecanismo de conjugação do verbo esse e 
seu funcionamento na sintaxe latina;
trabalhar frases que contemplem o verbo esse e seus 
derivados;
reconhecer a apresentação dos verbos nos dicionários; e
realizar exercícios de tradução contemplando algumas 
especifi cidades verbais.
PRÉ-REQUISITOS
Todas as aulas anteriores, priorizando os conhecimentos 
de análise sintática.
Jamais esqueça: o latim é um todo organizado e muito bem 
articulado em todas as suas partes, daí nada do que já foi 
visto pode ser dispensado.
Aula
7
76
Literatura Brasileira II
INTRODUÇÃO 
A morfologia dos verbos latinos é muito complexa. Os verbos repre-
sentam grande parte do estudo da língua latina euma riqueza de possibilidades bem maior do que nas línguas modernas.
O latim, mediante a conjugação dos seus verbos, consegue expressar, 
com grande sutileza de detalhes, aspectos da ação verbal já não mais exis-
tentes nas línguas românicas.
O conhecimento do verbo esse (ser) constitui uma grande base para o 
estudo dos outros verbos, porquanto vem ampliar as variedades de expressão 
da linguagem quando ele é empregado como auxiliar.
As difi culdades iniciais não devem servir de bloqueio pra a continuidade 
dos estudos até porque, como tem ocorrido no estudo das declinações, nada 
será exigido pelo caminho da memorização. Tudo, portanto, só depende de 
sua boa vontade e do desejo de prosseguir.
77
Literatura e teatro naturalista do Brasil: Aluísio Azevedo e Artur Azevedo Aula
7VERBO ESSE (SER) 
A morfologia dos verbos latinos, apesar de ser bem mais complexa do 
que em português, possui elementos co-
muns de conjugação que vale a pena recordar: são bastante próximas 
as confi gurações de tempo, modo, pessoa, número, voz e conjugação. As 
formas nominais também se assemelham: gerúndios e particípios.
O verbo esse é irregular, ou melhor, como em português, é de uma 
irregularidade especial, cabendo-lhe a denominação de anômalo, por apre-
sentar signifi cativas mudanças nos radicais, fugindo, portanto, a uma certa 
padronização.
Em latim, o verbo esse pode ser traduzido por ser, estar, existir, a de-
pender da exigência de cada contexto. Aliás, também o português conhece o 
uso do verbo ser no sentido de estar e existir em expressões como: O Senhor 
é convosco (Dominus (est) tecum); No princípio era o Verbo (In principio 
erat Verbum). Tal acepção acontece muitas vezes em textos religiosos.
O latim, como sempre se vai observar, apresenta os seus verbos me-
diante as formas dos tempos primitivos. Isso acontece porque, desta ma-
neira, é possível visualizar as diferenças de radicais quando elas existirem. 
Assim, qualquer dicionário jamais apresentará apenas a forma no infi nitivo 
para identifi car um verbo latino. Nos dicionários, portanto, assim será 
apresentado o verbo ser: sum, es, fui, esse. É muito comum também que 
se apresente um verbo mediante a forma do presente do indicativo: verbo 
sum, verbo amo, verbo habeo etc. 
As formas primitivas são: 1ª e 2ª pessoas do singular do presente do 
indicativo; 1ª pessoa do singular do pretérito perfeito; supino (tempo in-
existente em português) e infi nitivo.
Assim, são estes os tempos primitivos do verbo ser:
Sum, Es (eu sou, tu és) – Os tempos daqui derivados são denominados 
de INFECTUM.
Fui (eu fui) – Os tempos daqui derivados são denominados de Per-
fectum. 
O VERBO ESSE (SER) NÃO POSSUI
 O SUPINO
Raramente os verbos latinos vão aparecer com os pronomes pessoais 
(Cogito, ergo sum). A presença do pronome pessoal não faz parte da con-
jugação dos tempos; quando ele aparecer, é por questão de ênfase de uma 
ação: Ergo sum pastor bonus. A língua portuguesa, por sua vez, viu-se 
obrigada a usar o recurso do pronome pessoal, haja vista a incidência de 
formas iguais para pessoas diferentes num mesmo tempo verbal.
Embora seja um verbo irregular, o verbo esse é estudado antes dos 
78
Literatura Brasileira II
outros das diferentes conjugações, dada a grande importância deste verbo 
para a composição das frases e como elemento auxiliar na confi guração 
de outros verbos.
Observe agora o quadro de conjugação do verbo esse:
�
 Presente
 Imperfeito
 Futuro imperfeito
 Perfeito
 Futuro anterior
 Indicativo Subjuntivo
 sum = sou sim =seja
 es sis
 est sit
 sumus simus
 estis sitis
 sunt sint
 eram = era essem = fosse
 eras esses
 erat esset
 eramus essemus
 eratis essetis
 erant essent
 ero = serei
 eris
 erit
 erimus
 eritis
 erunt
 fui = fui, tenho sido fuerim = tenha sido
 fuist fueris
 fuit fuerit
 fuimus fuerimus
 fuistis fueritis
 fuerunt fuerint
 fueram = fora, tinha sido fuissem = tivesse sido
 fueras fuisses
 fuerat fuisset
 fueramus fuissemus
 fueratis fuissetis
 fuerant fuissent
 fuero = terei sido
 fueris
 fuerit
 fuerimus
 fueritis
 fuerint
 Mais-que-perfeito
79
Literatura e teatro naturalista do Brasil: Aluísio Azevedo e Artur Azevedo Aula
7Imperativo Infinitivo Participio
es = sê esse = ser
 Presente este = sede
esto fore (invariável), ou fu- futurus, a , um
turum, amum esse = que vai ser,
 Futuro = ir ser, dever ser que deve ser,
 para ser
estote
sunto
 Passado fuisse = ter sido
Pelo mesmo modelo são conjugados os seus deriva-
dos. Na verdade, tais verbos nada mais são do que as 
formas do verbo esse, do quadro acima, acrescidas de 
preposições em forma de prefi xos, que vêm acrescentar 
um sentido novo conforme as preposições costumam 
fazer, sobretudo direcionando para diferentes pontos o 
aspecto verbal: ab = afastamento, ad = proximidade etc.
Eis, pois os compostos de sum
Absum, abes, abfui, abesse = estar ausente.
Adsum, ades, adfui, adesse = estar presente.
Desum, dees, defui, deesse = faltar.
Insum, ines, infui, inesse = estar em.
Intersum, interes, inerfui, interesse = estar entre.
Obsum, obes, obfui, obesse = prejudicar.
Praesum, praees, praefui, preaesse = estar à frente.
Subsum, subes, subfui, subesse = estar debaixo.
Supersum, superes, superfui, superesse = sobreviver
Outras derivações:
Prosum, prodes, profui, prodesse = ser a favor de (exige o acréscimo 
do d ao prefi xo antes das formas começadas por vogal).
Possum, potes, potui, posse = poder. Este verbo tem a raiz pot (potente, 
em português) e o infi nitivo posse (possível, em português).
O verbo esse carece de particípio presente, supino e de gerúndio.
Como se disse anteriormente, o verbo esse pode ter os seguintes sig-
nifi cados:
a) Ser – verbo de ligação. Assim, vem seguido de predicativo, concordando 
com o sujeito em caso.
Puer est bonus – Marta discipula est.
b) Estar – Si essetis nobiscum...
c) Existir ou haver - Neste caso vem sem predicativo e irá para o plural se 
no plural estiver o sujeito.
Deus est - Quid est?
d) Morar – Esse in his locis.
80
Literatura Brasileira II
e) Ser próprio de, ser dever de (constrói-se com genitivo) – Est magistri 
docere.
f) Ser para, servir de, trazer, causar – (constrói-se com dativo, chamado de 
interesse) – Esse detrimento.
g) Ficar, estar situado – Urbs qui est inter...
Tais particularidades vão aparecendo à proporção que as frases forem 
sendo elaboradas e aos poucos se vai percebendo a sutileza de signifi cado que 
o verbo pode imprimir à sentença. É uma questão de prática, de exercício.
 ATIVIDADES
1. Responda:
a) Por que os verbos latinos devem ser apresentados com os seus tempos 
primitivos?
b) Quais são os tempos primitivos do verbo esse?
c) Quais as possíveis traduções do verbo esse no contexto das frases?
d) Alguma vez em português o verbo ser pode ser empregado com outro 
sentido? Exemplo.
e) Como se constroem os derivados do verbo esse? Exemplo.
f) Os derivados de esse que caso regem? Explique.
g) Considerando a relação dos verbos derivados de esse, reconheça termos 
da língua portuguesa que deles provenham. Explique. 
2. Traduza do latim:
a) Bona consilia senum juvenibus saepe profuerunt et semper proderunt.
b) Agri sine cultura nunquam fructuosi esse poterunnt.
c) Deus semper fuit, sed non fuit autem semper homo mortalis.
VOCABULÁRIO
Bonus, a, um – bom, boa / Consilium, I – conselho / Senex, senis = 
velho / Juvenis, juvenis = jovem /Saepe = muitas vezes / semper = 
sempre / Prodesse (ver lição acima).
Ager, agri – campo / sine = sem (+ablativo) / unquam = nunca / Esse 
e posse (ver lição acima) / Fructuosus, a, um = frutuoso, proveitoso.
Deus, i – Deus / Sed = mas / non = não / Homo, hominis =homem 
/ mortalis, e = mortal.
81
Literatura e teatro naturalista do Brasil: Aluísio Azevedo e Artur Azevedo Aula
73. Transponha para o latim:
a) Não havia trigo no acampamento dos soldados.
b) Os verdadeiros amigos não desampararão os amigos nas desventuras.
c) Os homens bons e sábios nunca poderão ser desgraçados.
VOCABULÁRIO 
Não = non / Trigo = fromentum, i / No = in + ablativo / Soldado = 
Miles, militis / Acampamento = Crastra, orum / Verdadeiro = Verus, 
a, um / Amigo = Amicus, i / Desamparar = desum (consultar lição 
acima) / Nas = In + ablativo / Desventura = Res, rei + Aaversus, a, 
um / Homem = Homo, hominis / Bons = Bonus, a, um / Sábio = 
Sapiens, sapientis / Nunca = Nunquam / Poder = Posse (consultar 
lição acima) / Ser = Esse (consultar lição acima) / Desgraçado = 
Miser, misera, um.
COMENTÁRIO SOBRE AS ATIVIDADES
A Atividade 1 retoma as informações básicas sobre o verbo esse, seus 
derivados e suas modalidades de uso. É importante ir percebendo a 
questão da regência e as pequenas diferenças de signifi cado que o uso 
dos prefi xos pode ir acrescentando à base, ou seja, ao verbo esse, e até 
constatar como, muitas vezes, a língua portuguesa os assume.
A Atividade 2 retoma o mecanismo da tradução dando maior ênfase 
ao reconhecimento dos verbos estudados nesta aula. Observe que 
o reconhecimento da função sintática é a base para desenvolver 
corretamente o exercício, por isso este assunto deve ser dominado 
com total segurança.
A exemplo do exercício 2, o exercício 3 trabalha as frases partindo do 
português. O processo é semelhante, sendo sempre necessário usar 
o recurso da análise sintática para trabalhar corretamente os casos. 
82
Literatura Brasileira II
CONCLUSÃO 
Esta aula introduz o conhecimento das conjugações verbais latinas 
tendo por base o verbo ser, que é um verbo de liga-
ção, mas que possui os seus derivados para os quais se deve prestar 
atenção quando a regência exigir algum caso específi co.
O estudo do verbo esse abre caminho para o conhecimento das conju-
gações latinas nas quais se vai perceber o recurso do verbo ser no momento 
de trabalhar certas formas, sobretudo a voz passiva.
RESUMO
O latim trabalha seus verbos a partir dos tempos primitivos, os quais 
fornecem a confi guração dos tempos derivados. É preciso habituar-se a 
ver a apresentação dos verbos como faz o dicionário fornecendo os tem-
pos primitivos para todo e qualquer verbo. Existe também a necessidade 
de ir assimilando as formas próprias de cada pessoa, número, tempo ou 
modo e ir também familiarizando-se com a prática de isolar os radicais e 
acrscentar-lhes as desinências devidas. Tudo isso você vai adquirindo com 
o tempo, sempre recorrendo aos quadros para realizar um trabalho seguro 
e consciente.
REFERÊNCIAS
CARDOSO, Zélia de Almeida. Iniciação ao latim. São Paulo: Ática, 1989.
COMBA, Júlio. Gramática latina. São Paulo: Salesiana, 1981.
FURLAN, Oswaldo Antônio. Latim para o português. Florianópolis: 
EDUFSC, 2006.
MACHADO, Luiz. Uma nova visão do latim pelo uso da inteligência. 
Rio de Janeiro: Cidade do Cérebro, 1999. 
SOARES, João S. Latim 1 – Iniciação ao latim e à civilização romana. 
Coimbra: Almedina, 1999.
TARALLO. Fernando. Tempos lingüísticos. São Paulo: Ática, 1994.
ADJETIVOS DE 1ª CLASSE
META
Apresentar o mecanismo dos adjetivos de 1ª classe e associá-los à fl exão dos substantivos.
OBJETIVOS
Ao fi nal desta aula, o aluno deverá:
revisar os conhecimentos das declinações estudadas (1ª 
e 2ª declinações);
revisar a confi guração de gênero em língua latina;
identifi car o emprego dos adjetivos na função sintática 
de adjunto adnominal;
distinguir, com base nos conhecimentos de língua 
portuguesa, os adjetivos de 1ª e 2ª classe; e exercitar 
frases latinas contendo adjetivos em diferentes posições 
sintáticas.
PRÉ-REQUISITOS
Domínio de análise sintática e das palavras de 1ª e 2ª 
declinações.
Aula
8
84
Fundamentos da Língua Latina
INTRODUÇÃO 
As palavras reconhecidas como adjetivos servem para fortalecer a 
compreensão dos nomes, imprimindo-lhes 
detalhes que ampliam e facilitam o processo de identifi cação mediante 
a apresentação de qualidades. Desta forma, eles devem combinar com os 
nomes em tudo. Em latim, se diz que devem ter a mesma confi guração que 
os substantivos tiverem: gênero, número, caso e função sintática.
Eles se dividem em adjetivos de 1ª e 2ª classe e possuem declinação 
específi ca para cada classifi cação. Os de 1ª classe, objeto de estudo desta 
aula, seguem a mesma forma dos nomes de 1ª e 2ª declinações. Nada que 
cause espanto. Basta que você esteja atento ao assunto estudado, o qual 
vai ser agora ampliado, permitindo trabalhar frases mais complexas e mais 
ricas de detalhes.
85
Adjetivos de 1ª classe Aula
8ADJETIVOS DE 1ª CLASSE 
Para você compreender a diferença entre primeira e segunda classe, 
use o raciocínio seguinte: os adjetivos cha-
mados de primeira classe possuem formas que se tornam diferentes 
a depender do gênero do substantivo. Pertencem à primeira classe adjeti-
vos como: bom/boa, negro/negra, sadio/sadia, preguiçoso/preguiçosa, 
sagrado/sagrada etc.
Assim, você pode dizer que “O menino é bom” e “A menina é boa”; 
“O rio é negro” e “A cultura é negra”; “O livro é sagrado”, “A Bíblia é 
sagrada” e “O templo (do gênero neutro em latim) é sagrado”. Como em 
português, o adjetivo há de ter o mesmo gênero do substantivo e, em latim, 
o cuidado deve ser redobrado por causa da existência do gênero neutro. 
Nada é complicado; essa é apenas uma novidade com a qual você rapida-
mente se acostumará.
Os adjetivos aqui estudados, ditos de 1ª classe, são declinados exata-
mente como as palavras de 1ª e 2ª declinações, como será explicado mais 
adiante. 
Os adjetivos de 1ª classe são sempre apresentados no nominativo 
singular, numa ordem que contempla os gêneros masculino, feminino e 
neutro. Não é preciso mostrar a forma do genitivo porque eles estarão 
sempre assim distribuídos: masculino (segue a 2ª declinação), feminino 
(segue a 1ª declinação), e neutro (segue a 2ª declinação no quadro específi co 
dos nomes neutros).
No dicionário, portanto, você, ao procurar um adjetivo latino de 1ª 
classe, vai encontrar uma informação como esta:
Sanus, sana, sanum = sadio. Ou vai encontrar o que é mais comum: 
Sanus, a, um. Esta informação está mostrando a feição de cada palavra a 
depender do seu gênero. Como o radical san é igual para todos os gêneros, 
não se costuma repeti-lo nas formas do feminino e do neutro.
A combinação com os substantivos na mesma função sintática leva 
as terminações a serem idênticas porque se está lidando com palavras do 
mesmo gênero e da mesma declinação.
Populus, i = povo. Populus sanus (povo sadio).
Vita, ae = vida. Vita sana (vida sadia). 
Exemplum, i = exemplo. Exemplum sanum (exemplo sadio). 
Se, como se disse, a ordem apresentada pelo dicionário é sempre esta: 
masculino, feminino e neutro da forma do nominativo singular, você deve 
prestar muita atenção para seguir o gênero do substantivo em pauta e es-
colher o adjetivo que a ele se relacione pelo gênero correspondente.
Não é demais insistir nesta informação: para os adjetivos, não é 
necessário apresentar o genitivo correspondente como se fez com os 
substantivos. Os adjetivos 1ª classe serão sempre declinados pela segunda 
86
Fundamentos da Língua Latina
declinação (masculinos), pela primeira declinação (femininos) e pela segunda 
declinação (nomes neutros).
Eis outros exemplos:
Bonus, bona, bonum = bom, boa. Ou melhor: Bonus, a, um. Quase 
não é preciso repetir o radical para as formas do feminino e do neutro, 
a não ser que haja qualquer modifi cação entre as formas de cada gênero. 
Muitos adjetivos, como também ocorreu com os substantivos, pos-
suem o nominativo singular em ER. Aí uma pequena alteraçãose verifi ca:
Niger, nigra, um = negro, negra. Sem apresentar o radical da forma 
feminina, você poderia ter a impressão de que o correto seria niger, nigera, 
nigerum. Um erro, portanto, nas formas do feminino e do neutro.
Por outro lado, são de 2ª classe adjetivos que em português só apre-
sentam uma forma que vai servir tanto para os nomes masculinos quanto 
para os femininos, tais como dócil, forte, pobre, agradável etc. Assim, “O 
menino é dócil” e “A menina é dócil”; “O vento é forte” e “A casa é forte”; 
“O dia é agradável”, “A noite é agradável”, e assim por diante.
Tais adjetivos serão estudados após o conhecimento da 3ª declinação, 
pois são fl exionados de acordo com esse paradigma. 
Nesta aula, você vai aprender a combinar os substantivos de 1ª e 2ª 
declinações com os adjetivos de primeira classe. O nome é o elemento 
principal de sua atenção, por isso aconselha-se sempre trabalhar primeiro 
o substantivo, pois ele é que é considerado o núcleo daquilo que se quer 
expressar. O adjetivo vem em seguida e deve combinar com ele em gênero, 
número e caso. Mesmo que em português você faça frases colocando in-
distintamente o adjetivo antes ou depois do substantivo e em latim isso 
também seja possível, aqui é melhor você sempre imaginar primeiro o sub-
stantivo. O adjetivo virá depois e lhe obedecerá em tudo, repetindo: tendo o 
mesmo gênero, número e caso que 
o substantivo tiver. É exatamente 
como em português: não é pos-
sível dizer: “Menino bonita”. 
Esta recomendação vai evi-
tar, certamente, o que é muito 
freqüente em alguns falantes do 
português, ou seja, construção 
de frases como: “Foi marcado, 
para a próxima semana, a reunião 
com os formandos”. O que está 
em destaque mostra a falta de 
concordância de gênero, ocorrida 
simplesmente porque o substan-
tivo aparece depois da forma 
nominal do verbo, que funciona 
87
Adjetivos de 1ª classe Aula
8como adjetivo. Por outro lado, você nunca vai ouvir de nenhum falante a 
frase: A reunião com os formandos foi marcado para a próxima semana. 
Quem também costuma dizer assim são os falantes de língua estrangeira 
que ainda não dominam a questão de gênero em português. O mesmo 
pode ocorrer com você ao tentar raciocinar os gêneros latinos com base 
no português. Nem sempre, porém, as palavras latinas possuem exata-
mente o mesmo gênero que em português. Portanto, confi ra o gênero de 
cada palavra antes de realizar qualquer frase com ela e, para facilitar o seu 
trabalho, imagine sempre o substantivo colocado antes do adjetivo e este 
combinando com ele em gênero número e caso. 
Este cuidado com o latim deve ser mais intenso por causa da existên-
cia do gênero neutro, o qual deverá levar o adjetivo também para a forma 
neutra. Desta maneira, mais uma vez se recomenda, antes de qualquer 
exercício, procurar saber o gênero a que pertence o substanti vo com que 
se vai trabalhar. Por exemplo: a palavra sinal (signum, i) em latim pertence 
ao gênero neutro. Se você raciocinar com base no português, certamente 
colocará o adjetivo no gênero masculino, descaracterizando completamente 
a estruturação do latim. O erro ainda será mais fácil de acontecer se você 
colocar o adjetivo antes do substantivo numa frase como:
Eternos sinais de Deus são as maravilhas da natureza.
O melhor raciocínio para chegar à tradução em latim é:
Sinais eternos de Deus são as maravilhas da natureza. Assim, trabal-
hando em primeiro lugar o substantivo, você vai receber a informação sobre 
o seu gênero e imediatamente fi cará atento para também colocar o adjetivo 
na forma do gênero neutro. A frase em latim fi cará:
Signa aeterna Dei mirabilia naturae sunt.
Exercite um pouco mais esta frase. Dadas as palavras do latim, procure 
analisar sintaticamente cada termo e justifi car a confi guração das formas.
Substantivos de 1ª e 2ª declinações combinados com adjetivos de 1ª 
classe apresentarão sempre terminações iguais em qualquer circunstância ou 
função sintática desempenhada na frase. Isso é lógico, pois tais adjetivos são 
declinados segundo o paradigma dessas declinações. Assim, 
fi ca muito fácil exercitar frases combinando substantivos e 
adjetivos nas condições acima. Neste aspecto, nem é preciso 
buscar muito as formas dos adjetivos, basta dar a eles a mesma 
terminação dos substantivos que estão qualifi cando.
Observe os seguintes exemplos: 
Puer piger nunquam discipulus bonus erit. (Menino 
preguiçoso nunca será bom aluno).
Colocada no feminino, a frase seria:
Puella pigra nunquam discípula bona erit. (Menina 
preguiçosa nunca será boa aluna).
As palavras têm função de sujeito e predicativo do sujeito, fi cando, por 
VOCABULÁRIO
Signum, i = sinal
Aeternus, a, um = eterno, a
Deus, i = Deus
Mirabilia, ae = maravilha
Natura, ae = natureza
Sunt = são (verbo).
88
Fundamentos da Língua Latina
isso, no caso nominativo. Observe como as terminações dos adjetivos são 
as mesmas dos substantivos e assim sempre ocorrerá, pois estamos lidando 
com palavras das mesmas declinações. Isso, porém, não vai ser sempre as-
sim. Haverá uma diferença quando forem combinados adjetivos de 1ª classe 
com palavras de outras declinações ou adjetivos de 2ª classe (que seguem 
a terceira declinação) com palavras de outras declinações.
Veja a mesma diferença em português:
Menino sadio/ Menina sadia...
Menino pobre/ Menina pobra...
Você já pode observar algumas divergências entre palavras de 1ª e 2ª 
declinações e adjetivos de 1ª classe. Na verdade, isso acontece porque, nesta 
categoria, existem substantivos e adjeti-
vos cujo nominativo singular termina 
em us e er. Com isso, a depender da 
combinação, podem ocorrer divergên-
cias de desinências. Observe as formas 
seguintes, que são divergentes, mas 
todas completamente corretas:
Magister bonus/Discipulus piger 
(Mestre bom/Discípulo preguiçoso).
A compreensão desse fenômeno 
vai ocorrendo aos poucos. Não se afl ija 
por isso. Os exercícios irão facilitar o 
domínio das formas e as suas possíveis 
combinações. Esta pequena diferença 
somente acontece com os nomes mas-
culinos. No que se refere aos nomes 
femininos e neutros, a igualdade de 
formas sempre acontece quando se 
trata de combinar 1ª e 2ª declinações 
com adjetivos de 1ª classe.
Pluvia magna; Pluviae magnae; Pluviarum magnarum; Pluviis magnis 
= grande(s) chuva(s).
Miraculum magnum; Miracula magna; Miraculo magno; Miraculis 
Magnis etc = grande(s) milagre(s)...
 No que tange à função sintática, os adjetivos funcionam como adjun-
tos adnominais e, assim sendo, não possuem caso defi nido como acontece 
com as outras funções sintáticas. Isso porque, servindo ao substantivo, vão 
estar sempre ligados a ele em gênero, número e caso. Desta maneira, você 
encontrará o adjunto adnominal em todos os casos latinos a depender da 
posição ocupada pelo substantivo.
Outra tendência errada em relação aos adjetivos é esperar terminações 
idênticas aos substantivos aos quais se juntam. Coisas do tipo: puer boner 
89
Adjetivos de 1ª classe Aula
8
ATIVIDADES
Comece a observar a função de adjunto adnominal exercida pelos 
adjetivos em diferentes posições sintáticas. Analise-os e identifi que o caso 
latino correspondente: 
a) A menina bonita é também estudiosa.
b) Ó menino preguiçoso, valoriza a tua vida.
c) A dedicação dos bons mestres foi elogiada pelo conselho diretor.
d) Encontrei no belo jardim da nossa escola animais raros.
e) As grandes guerras deixam eternos sinais na nossa vida.
f) Nos templos sagrados dos povos antigos, as crianças eram sacrifi cadas 
aos poderosos deuses.
g) Marta, minha querida fi lha, ganhou novos prêmios.
h) Marta, minha querida fi lha, ouve os bons exemplos do teu mestre!
(em lugar de puer bonus), disciulus nigrus (em lugar de discipulus niger) etc. 
Para não cometer tais faltas, é preciso ter muita certeza da forma própria 
do adjetivoantes de decliná-lo.
CONCLUSÃO 
O estudo dos adjetivos é parte importante do conhecimento do latim. 
Com isso, você pode realizar frases 
mais elaboradas e dominar o livre trânsito entre as palavras. 
É também, no caso dos adjetivos de 1ª classe, um ótimo exercício 
com as palavras de 1ª e 2ª declinações, pois eles são fl exionados 
tendo essas declinações por modelo. É, portanto, o mesmo quadro 
que serve de base para os referidos substantivos que vai ser a base 
de onde os adjetivos aqui referidos encontram as desinências de 
cada caso latino. 
Daí em diante, o processo é sempre o mesmo, basta somente 
ter atenção e analisar corretamente as palavras em cada frase, 
identifi cando as funções sintáticas a cada momento de uso.
90
Fundamentos da Língua Latina
RESUMO
Nesta aula você estudou os adjetivos de 1ª classe. Você deve assimilar 
que o latim possui adjetivos de 1ª e 2ª classe e, pela própria confi guração do 
português, é possível compreender tal classifi cação, sobretudo buscando a 
tradução exata de cada termo a fi m de desfazer alguns equívocos. Se você, no 
processo de tradução, recorrer a palavras sinônimas, deverá ter muita aten-
ção para não enganar-se na identifi cação das classes. Por exemplo: em latim 
Magnus, a, um e Calidus, a, um, dizem, respectivamente, magno e cálido, mas 
usando os sinônimos grande e quente, o que é perfeitamente normal, você 
poderá, erradamente, associar as formas latinas aos adjetivos de 2ª classe.
Os adjetivos funcionam como adjuntos adnominais e, assim sendo, não 
possuem caso latino defi nido. Eles concordam sempre em gênero, número 
e caso com os substantivos aos quais se juntam, por isso você vai encontrar 
adjetivos em todas as funções sintáticas.
O paradigma para declinar os adjetivos de 1ª classe será sempre baseado 
nas palavras de 1ª e 2ª declinações, daí recomendar-se refl etir as frases 
sempre a partir dos substantivos; são eles que vão receber as qualidades de 
alto, baixo, pequeno, novo, sadio, bom etc. 
A classifi cação de adjunto adnominal também se aplica aos numerais 
ordinais, a alguns pronomes e a certas formas nominais dos verbos, como 
se verá mais adiante.
O latim possui três gêneros: masculino, feminino e neutro. Os adjetivos 
são apresentados nos dicionários com a forma do nominativo singular con-
tendo a confi guração de cada gênero. Não é preciso dar a forma do genitivo, 
como se faz com os substantivos, porque já se sabe que o paradigma para 
decliná-los é o mesmo da 1ª e 2ª declinação.
ATIVIDADES
Uma série de questões vai cobrar os seus conhecimentos sobre os 
adjetivos de 1ª classe e a articulação com que se fl exionam em latim. Estas 
questões gerais fazem parte da compreensão desta classe de palavras e 
servem de base para as atividades posteriores.
1. Responda:
a) Que função sintática exercem os adjetivos nas frases latinas?
b) Por que motivo no quadro das declinações não se encontra um caso 
específi co para o adjunto adnominal?
c) O que você compreendeu pela distinção de 1ª e 2ª classe atribuída aos 
adjetivos latinos? Explique essa diferença com base no próprio português.
d) Como são apresentados os adjetivos de 1ª classe nos dicionários latinos? 
e) Como se declinam os adjetivos de 1ª classe?
91
Adjetivos de 1ª classe Aula
8f) Costuma-se repetir ou não o radical dos adjetivos ao apresentá-los. Ex-
plique. 
g) Os gêneros das palavras latinas são os mesmos em por-
tuguês? Explique.
2. Análise e tradução:
a) Preencha as lacunas com as palavras destacadas no texto 
colocadas em latim. Justifi que o emprego das formas: (Não 
se esqueça de sempre trabalhar o substantivo em primeiro 
lugar).
a.1. As crianças amam a boa mestra.
a.2. Pedro, meu mestre, viajou para a Itália.
a.3. Confi ei aos bons anjos a minha sorte.
a.4. O futuro de nossos fi lhos depende de nós.
a.5. As crianças são motivadas pelos grandes exemplos dos pais. 
a.6. Apareceram negros sinais no céu.
b) Construa frases em português nas quais se enquadrem 
perfeitamente as expressões latinas a seguir:
b.1. Reginae nostrae.
b.2. Populi antiqui.
b.3. Templa sacra.
b.4. Puero pigro.
b.5. Vita sana.
b.6. Discipulorum bonorum.
Obs.: Não é preciso repetir as palavras que já foram dadas 
em exercícios da mesma lição. Se alguma palavra de um 
novo exercício, portanto, não constar no vocabulário cor-
respondente, basta procurá-la em listas anteriores.
c) Apesar das desinências iguais, as expressões latinas 
abaixo são diferentes em gênero, número, caso e signifi -
cado. Explique tais diferenças recorrendo às listas das 
declinações. 
Terra nostra Bella nostra
Terra, ae = terra Bellum, i = guerra
Noster, nostra, um = nosso, a.
d) Reconheça em superlativos da língua portuguesa a base 
de derivação dos seguintes adjetivos latinos:
Pius, a, um = piedoso, a ________________________________
Frigidus, a, um = frio __________________________________
Calidus, a, um = quente ________________________________
Acutus, a, um = agudo _________________________________
Sacer, sacra, um= sagrado, a _____________________________
Amarus, a, um = amargo, a ______________________________
Macer, macra, um = magro, a ____________________________
VOCABULÁRIO
Bonus, a, um = bom, boa
Magistra, ae = mestra
Petrus, i = Pedro
Magister, magistri = mestre
Meus, a, um = meu, minha
Angelus, i = anjo
Noster, nostra, um = nosso, a
Filius, i = fi lho
Magnus, a um = magno, a 
(grande)
Exemplum, i = exemplo
Signum, i = sinal
Niger, nigra, um = negro, a
VOCABULÁRIO
Regina, ae = rainha
Populus, i = povo
Antiquus, a, um = antigo, a
Templum, i = templo
Sacer, sacra, um = sagrado, a
Puer, pueri = menino
Piger, pigra, um = preguiço-
so, a
Vita, ae = vida
Sanus, a, um = sadio, a
Discipulus, i = discípulo
92
Fundamentos da Língua Latina
COMENTÁRIO SOBRE AS ATIVIDADES
Questão 2
a) Aqui você exercita os conhecimentos de análise sintática e reconhece 
a persistência das formas de acordo com a identifi cação da cada função. 
Sem este trabalho não é impossível trabalhar corretamente o latim. 
Neste exercício, ainda não se trata de efeturar a tradução completa dos 
termos da oração; apenas se pede que você transponha para o latim 
os termos em destaque a fi m de acentuar o pleno domínio de cada 
função sintática em questão. Por exemplo, no item “a.1”, a expressão 
em destaque boa mestra exerce na frase a função de objeto direto 
pedida como complemento do verbo amar, que é transitivo direto. 
Como no latim esta fração sintática pede o acusativo, a resposta correta 
é magistram bonam, pois ambas as palavras pertencem à primeira 
declinação, cuja desinência do acusativo singular é am.
Os demais itens do quesito seguem a mesma lógica e você deve apenas 
estar bem atento às funções sintáticas a fi m de escolher corretamente 
as formas latinas.
Após efetuar o exercício, tente retrabalhar todos os itens, variando, desta 
vez, o número (singular e plural) da expressão em destaque. Assim, no 
item”a.1”, a expressão a boa mestra, irá para o plural as boas mestras, 
que em latim, observadas a função sintática e apertinencia do caso, terá 
a forma magistras bonas (objeto direto - acusativo plural - 1ª declinação).
b. Neste item, você vai aprender que determinadas formas latinas 
podem servir a mais de uma função sintática, haja vista a própria 
confi guração dos casos que, muitas vezes, apresenta equivalência, o que 
pode confundir o estudante no início do contato com a língua latina. 
Assim, considerando o item “b.1”, você pode notar que a expressão 
reginae nostrae pode contemplar os seguintes casos latinos:
- Genitivo singular
- Dativo singular
- Nominativo plural
- Vocativo plural
Isso acontece porque a desinência AE corresponde aos casos 
acima destacados. Assim, para realizar o exercício, você tem quatro 
possibilidades de frases em português a depender do caso que você 
queira contemplar:Genitivo singular: As palavras da nossa rainha são sábias (adjunto 
adnominal resttitivo).
Dativo singular: As crianças ofereciam fl ores a nossa rainha (objeto 
indireto).
93
Adjetivos de 1ª classe Aula
8
Nominativo plural: As nossas rainhas desprezam o povo (sujeito).
Vocativo plural: Nossas rainhas, escutai os clamores do povo! 
(vocativo).
Estas frases são simples sugestões, mas você pode criar uma infi nidade 
de exemplos com base nos modelos acima apresentados.
c. Algumas expressões latinas, pela semelhança de formas, podem 
confundir o iniciante, pensando tratar-se da mesma declinação, do 
mesmo caso, do mesmo gênero etc.
Procure esclarecer este equívoco nas expressões dadas, identifi cando 
declinação, caso, função, gênero e número a que pertencem as palavras.
d. As marcas latinas no português podem ser vistas na formação 
dos superlativos dos adjetivos, os quais retomam com exatidão a 
confi guração do latim. É assim, por exemplo, no superlativo de pobre = 
paupérrimo (pauper é pobre em latim). Faça o mesmo com as palavras 
sugeridas no exercício.
REFERÊNCIAS
CARDOSO, Zélia de Almeida. Iniciação ao latim. São Paulo: Ática, 1989.
COMBA, Júlio. Gramática latina. São Paulo: Salesiana, 1981.
FURLAN, Oswaldo Antônio. Latim para o português. Florianópolis: 
EDUFSC, 2006.
MACHADO, Luiz. Uma nova visão do latim pelo uso da inteligência. 
Rio de Janeiro: Cidade do Cérebro, 1999. 
SOARES, João S. Latim 1 – Iniciação ao latim e à civilização romana. 
Coimbra: Almedina, 1999.
TARALLO, Fernando. Tempos lingüísticos. São Paulo: Ática, 1994.
MORFOLOGIA DOS VERBOS
DE 1ª CONJUGAÇÃO
META
Mostrar como se conjuga, segundo o modelo, qualquer verbo de 1ª conjugação nas vozes ativa e 
passiva.
OBJETIVOS
Ao fi nal desta aula, o aluno deverá:
identifi car a morfologia dos verbos latinos;
revisar o processo de conjugação a partir das formas 
primitivas dos verbos;
exercitar o mecanismo de tradução das frases latinas; e
conjugar, segundo o modelo, qualquer verbo de 1ª 
conjugação sempre na contextualização das frases.
PRÉ-REQUISITOS
Leitura das aulas anteriores.
Aula
9
96
Fundamentos da Língua Latina
INTRODUÇÃO 
Já foi dito que a morfologia dos verbos latinos é bastante complexa e 
não é no espaço mínimo destas poucas aulas que se vai conseguir abordar 
ou esgotar todo o assunto. Até as pessoas que avançaram consideravelmente 
nos estudos do latim sentem difi culdades de assimilar toda a estrutura verbal. 
De vez em quando, as surpresas aparecem e é preciso estar atento a elas, 
mas nada que não se possa enfrentar.
Infelizmente, nestas poucas aulas, o assunto vai ser ligeiramente tratado 
em comparação à vastidão do conteúdo, mas o essencial será visto, per-
mitindo o exercício de boas frases e pequenos textos.
O objetivo, porém, terá sido alcançado se você conseguir compreender 
o mecanismo das conjugações latinas e, como sempre se disse ao longo 
deste curso, nada será exigido no plano da memorização. Importante é saber 
buscar, no lugar certo, as informações necessárias e, para tanto, será de muita 
valia o domínio da própria língua portuguesa. Você verá que muitas difi cul-
dades não existiriam se o conhecimento do português fosse mais seguro.
Se você tiver plena convicção das noções de conjugação, tempo, modo, 
pessoa, número, voz, e formas nominais, isto já será um bom caminho 
percorrido. Para o latim, é ainda necessário dominar a compreensão de 
tempos primitivos e derivados, informação que será bastante útil para a 
fl exão mesmo dos verbos em português.
Você vai ter acesso a quadros de cada conjugação nas vozes ativa e 
passiva. O seu trabalho será familiarizar-se com elas e saber consultá-las 
no momento conveniente. 
Importa também rever as informações referentes ao verbo esse (ser), 
pois muitas delas são pertinentes aos verbos em geral, sobretudo na con-
stituição da voz passiva.
97
Morfologia dos verbos de 1ª conjugação Aula
91ª CONJUGAÇÃO 
Conjugar um verbo é fl exioná-lo, ou seja, esgotar todos os recursos que 
determinam as variações de tempo, modo, pessoa, número e voz.
Pessoa - As pessoas verbais não costumam fi gurar na conjugação das 
formas, e nem é necessário, pois em latim não existe a confusão causada pela 
igualdade de certas formas. Em português, porém, como saber se as formas 
amava, ame, amaria etc. referem-se à 1ª ou 3ª pessoa sem que as pessoas 
eu ou ele - ela sejam colocadas antes dessas formas? A conjugação latina, 
portanto, dispensa os pronomes pessoais correspondentes, que seriam:
�
ego 1ª pessoa Am-o
 Singular tu 2ª pessoa Am-as
ille 3ª pessoa Am-at
nos 1ª pessoa Am-amus
 Plural vos 2ª pessoa Am-atis
illi 3ª pessoa Am-ant
Raramente, os pronomes pessoais aparecem ligados a alguma forma 
verbal: 
Ego sum pastor bonus. 
Filius meus es tu etc.
O normal, porém, é que não sejam empregados. Acostume-se, pois, a 
ouvir os verbos latinos dispensando os pronomes pessoais, habituando-se, 
antes, às formas que caracterizam, de modo quase invariável, cada pessoa.
Número – Como em português, os verbos apresentam singular e plural, 
de acordo com o que exigir o número do sujeito. Assim:
Amo fi lium meum / Amamus fi lios nostros.
Amas fi liam tuam? / Amatis fi lias vestras?
Disciplus amat / Discipuli amant.
Pelo exemplo acima, percebem-se as terminações de número, que 
apresentam pequenas variações na estrutura temporal e modal.
Modo – A maneira como se realiza a ação expressa pelo verbo em latim 
tem as seguintes denominações:
a) Indicativo – indica a ação expressa pelo verbo de maneira real, categórica, 
defi nida, quer o juízo seja afi rmativo, quer seja negativo, quer seja inter-
rogativo: amo, sofram, disseras, não fareis etc.
b) Subjuntivo – indica que o verbo não tem sentido caso não venha sub-
ordinado a outro verbo. Ninguém entenderá se dissermos digas, mas se 
dissermos quero que digas.
c) Imperativo – é o modo da ordem, da exortação, da súplica: Dizei-me a 
verdade.
98
Fundamentos da Língua Latina
d) Infi nitivo – é o modo impessoal e relata a ação do verbo sem fl exionar-
se de acordo com as pessoas gramaticais. O português possui o infi nitivo 
pessoal, o qual é inexistente em latim, mas o verbo latino dispõe de três 
modalidades de infi nitivo: presente, passado e futuro. 
Formas nominais – As variantes impessoais conhecidas como for-
mas nominais são o particípio (presente, passado e futuro), o gerúndio 
(gerundivo) e o supino. Este último, que não existe em português, é uma 
forma especial do infi nitivo, invariável, indicando fi nalidade.
 Tempo – Flexões especiais indicam nos verbos as variações de tempo: 
presente, passado e futuro. 
O presente não se divide.
O passado, também conhecido como pretérito, possui três modalidades: 
imperfeito, perfeito e mais-que-perfeito.
O futuro se apresenta como imperfeito, futuro do presente simples 
(como do português) e perfeito ou anterior, correspondente ao nosso futuro 
do presente composto.
Não existem em latim o futuro do pretérito nem o futuro do subjuntivo. 
Mais tarde você saberá como substituí-los no contexto das frases latinas.
Voz – importa saber distinguir as vozes ativa e passiva. Importa tam-
bém conhecer as modalidades sintética e analítica. O ponto de referência é 
o conhecimento desses itens no português, daí a necessidade de fazer uma 
boa revisão desses assuntos.
A voz passiva em latim tem a forma analítica nos tempos derivados 
do perfectum; nos demais tempos, utiliza a forma sintética. Em português, 
ambas as modalidades são possíveis em todas as for-
mas do verbo, havendo, muitas vezes, a incidência do 
uso alternado de ambas as formas sem distinção ou 
alteração de sentido:
Faça-se a tua vontade! (sintética)
Seja feita a tua vontade! (analítica)
O emprego, porém, da forma sintética, além de 
restringir-se à terceira pessoa, é meio complicado,haja 
vista a possibilidade de raciocínio em torno da inde-
terminação do sujeito, construção semelhante pelo uso 
da partícula se. Ainda que os gramáticos insistam em 
dizer que a voz passiva só pode acontecer com verbos 
transitivos diretos, é muito difícil forçar o raciocínio 
em certas frases contra a indeterminação do sujeito:
As crianças são mortas ainda no ventre das mães. 
(analítica)
Matam-se as crianças ainda no ventre das mães. 
(sintética)
99
Morfologia dos verbos de 1ª conjugação Aula
9A forma sintética, no raciocínio geral, tem a conotação de um ato 
suicida ou assassino das crianças.
No latim, as formas sintéticas são desinenciais e não precisam da 
partícula se. Elas são imediatamente visíveis no contexto das frases. No 
português, o processo mental para assimilar as modalidades da passiva é 
bem mais complicado.
Observe este outro exemplo:
As pontes serão construídas no próximo ano.
As pontes se construirão no próximo ano.
Outra observação a ser feita é que o latim, ao usar o verbo esse nas 
formas analíticas, não o faz corresponder aos tempos que ele ajuda a formar. 
Assim, amatus sum não traduz o presente sou amado, como se poderia 
imaginar, mas fui amado, correspondendo, portanto, ao pretérito perfeito.
ATIVIDADES
Para atestar essa informação, observe no quadro da voz passiva os 
outros tempos em que tal procedimento ocorre. Faça a correlação entre 
as formas do verbo esse e o sentido que eles expressam nos tempos que 
ajudam a formar.
Agora vai ser apresentado um quadro contendo o verbo de 1ª conjuga-
ção Amare fl exionado na íntegra. Poderia ser dado qualquer outro do mesmo 
grupo, não importa. Basta tão somente aplicar o modelo, substituindo o 
radical pelo do verbo desejado e acrescentar-lhe as desinências devidas. 
Exemplo:
Amare / Cantare / Ambulare / Volare (voz ativa)
Amari / Cantari / Ambulari / Volari (voz passiva)
Nos verbos regulares, o processo é muito tranqüilo. Basta ter atenção 
e saber separar o radical e aplicar-lhe as desinências devidas de acordo com 
o que a frase o exigir. 
100
Fundamentos da Língua Latina
1ª Conjugação regular - Voz ativa.
Amo, as, avi, atum, are.
�
Presente
Imperfeito
Futuro imperfeito
Perfeito
Futuro anterior
Indicativo Subjuntivo
amo = amo amem =ame
amas ames
amat amet
amamus amemus
amatis ametis
amant ament
amabam = amava amarem = amasse
amabas amares
amabat amaret
amabamus amaremus
amabatis amaretis
amabant amarent
amabo = amarei
amabis
amabit
amabimus
amabitis
amabunt
amavi = amei, tenho amado amaverim = tenha amado
amavisti amaveris
amavit amaverit
amavimus amaverimus
amavistis amaveritis
amaverunt amaverint
amaveram = amara, tinha amado amavissem = tivesse amado
amaveras amavisses
amaverat amavisset
amaveramus amavissemus
amaveratis amavissetis
amaverant amavissent
amavero = terei amado
amaveris
amaverit
amaverimus
amaveritis
amaverint
Mais-que-perfeito
101
Morfologia dos verbos de 1ª conjugação Aula
9
 Imperativo Infinitivo Participio
 ama = ama amare = amar amans, amantis
 Presente = que ama
 amate = amai
 amato amaturum, am, um esse amaturus, a , um
 = ir amar, dever amar = que vai amar,
 que deve amar,
 Futuro para amar
amatote
amanto
 Passado amavisse = ter amado
Gerúndio Supino
 Gen. amandi = de amar amatum = para amar
 Dat. amando amatu = de amar, por amar
 Abl. amando = amando
 Ac. (ad) amandum = (para) amar
102
Fundamentos da Língua Latina
�
Indicativo Subjuntivo
amor = Sou amado amer = seja amado
amaris ameris ou amere
amatur ametur
amamur amemur
amamini amemini
amantur amentur
amabar = era amado amarer = fosse amado
amabaris ou amabare amareris ou amarere
amabatur amaretur
amabamur amaremur
amabamini amaremini
amabantur amarentur
amabor = serei amado
amaberis ou amabere
amabitur
amabimur
amabimini
amabuntur
amatus, a, um sum =fui amado amatus, a um sim = tenha sido amado
amatus, a, um es amatus, a um sis
amatus, a, um est amatus, a um sit
amati, ae, a sumus amati, ae, a simus
amati, ae, a estis amati, ae, a sitis
amati, ae, a sunt amati, ae, a sint
amatus, a, um eram = amatus, a, um essem =
fora ou tinha sido amado tivesse sido amado
amatus amatus, a um esses
amatus, a, um erat amatus, a um esset
amati, ae, a eramus amati, ae, a essemus
amati, ae, a aratis amati, ae, a essetis
amati, ae, a erant amati, ae, a essent
amatus, a, um ero = terei sido amado
amatus, a, um eris
amatus, a, um erit
amati, ae, a erimus
amati, ae, a eritis
amati, ae, a erunt
Presente
Imperfeito
Futuro imperfeito
Perfeito
Mais-que-perfeito
Futuro anterior
1ª Conjugação regular - Voz passiva.
Amor, amari.
Imperativo Infinitivo Particípio
(amare) = sê amado amari = ser amado
Presente (amamini) = sede amados
amatum, iri = seve ser
Futuro amado, ir ser amado
(invariável)
Passado amatum, am, um esse amatus, a, um
=ter sido amado = amado
103
Morfologia dos verbos de 1ª conjugação Aula
9CONCLUSÃO 
As difi culdades naturais apresentadas pelos verbos latinos podem ser 
afastadas pela aplicação correta da téc-
nica de separar radicais e acrescentar-lhes as desinências devidas. O 
paradigma apresentado em cada tabela deve ser consultado a todo instante, 
sendo possível, assim, trabalhar todos os verbos da referida conjugação. A 
1ª conjugação é a mais fácil, mas o seu domínio já permite trabalhar frases 
contemplando todas as possíveis fl exões que o verbo comporta. 
RESUMO
Os verbos latinos apresentam grande complexidade devido às riquezas 
de sutileza com que são caracterizadas as possibilidades de uso. A difi cul-
dade, porém, acentua-se quando se exige a memorização de listas inteiras 
de conjugações das quais muitas formas nunca 
serão usadas. Não usamos esta metodologia em 
nossas aulas. A única coisa indispensável é saber 
buscar no lugar certo as formas apropriadas a 
cada contexto de uso no exercício das frases. 
Importa, para isso, saber associar as formas lati-
nas às confi gurações da língua portuguesa, num 
perfeito domínio das noções de tempo, modo, 
pessoa, número, voz e conjugação. 
O quadro está aí, sempre à sua disposição, 
mas a consulta a ela fi cará inviabilizada se você 
não dominar a mesma confi guração em língua 
portuguesa. Esta aula e as demais tratando dos 
verbos devem ser, portanto, uma ótima ocasião 
para atualizar os seus conhecimentos de verbo 
no português.
O latim costuma sempre apresentar os seus 
verbos com a informação de seus tempos primi-
tivos. Esse método também se mostra perfeito 
para o pleno domínio dos verbos em português. 
No caso dos verbos irregulares, por exemplo, 
os tempos primitivos fazem ver imediatamente 
onde estarão as irregularidades no momento da 
conjugação. Outro elemento de suma importân-
cia reside no conhecimento seguro dos radicais e no isolamento desses em 
relação aos afi xos e desinências. 
104
Fundamentos da Língua Latina
ATIVIDADES
1. Responda:
a) Que é conjugar um verbo?
b) O que signifi ca dizer que os verbos se fl exionam em pessoa? Exempli-
fi que.
c) O que signifi ca dizer que os verbos se fl exionam em número? Exem-
plifi que.
d) Qual a diferença de aspecto entre os modos indicativo e subjuntivo? 
Exemplifi que.
e) Quais as possibilidades de aspecto do modo imperativo? Exemplifi que.
f) Qual a diferença de tradução entre as formas (amabant, amabunt, ament)? 
Explique.
g) Reconheça as mesmas formasacima nos seguintes verbos:
Ambulare (andar) 
Volare (voar)
Vocare (chamar)
Adjuvare (ajudar)
h) Apresente derivados dos verbos do exercício anterior em palavras do 
léxico português.
i) Quais são as formas primitivas de um verbo?
j) Com base nos tempos primitivos amo, amas, amavi, amatum, amare, 
apresente as formas correspondentes de:
Comparare (comparar)__________________________________
Nare (nadar) __________________________________________
Plorare (chorar) _______________________________________
Appropinquare (aproximar) _____________________________
Osculare (beijar) _______________________________________
2. Preencha as lacunas com as formas do verbo Amare pedidas nos parên-
teses. Apresente, em seguida, a tradução das frases, justifi cando as formas 
latinas pela função sintática:
a) Pueri nostri ___________________ magnam naturam Brasiliae (Presente 
do indicativo - 3ª plural).
b) Filios nostros semper __________________.
(Presente do subjuntivo - 1ª plural).
c) Discipuli boni ___________________ magistris.
(Futuro imperfeito - 3ª plural – Voz passiva).
105
Morfologia dos verbos de 1ª conjugação Aula
9
COMENTÁRIO SOBRE AS ATIVIDADES
Questão 1.
Este questionário (a-f) revisa os conceitos ligados aos verbos e exercita 
o trato com a 1ª conjugação. Embora esses verbos sejam mais fáceis, é 
necessário ter muita atenção na articulação e na substituição das formas. 
As sutilezas no emprego dos tempos, modos, pessoas, números, vozes 
e conjugações só é possível dominar com segurança pela realização de 
inúmeros exercícios, tendo sempre por recurso a consulta aos quadros 
correspondentes.
Importa conhecer os tempos primitivos de cada verbo a ser trabalhado, 
informação fornecida sempre pelos dicionários. Importa também saber 
isolar os radicais e acrescentar-lhes as desinências exigidas pelas frases.
A pertinência do ensino do latim na atualidade associa-se à sua ligação 
com a língua portuguesa. Assim como ocorreu na declinação das 
palavras, os verbos latinos (sobretudo os irregulares) mostram esta 
relação, suscitando a realização de pesquisas em torno da formação 
do léxico português.
O item “h” cobra este trabalho de conhecimento das marcas latinas 
no nosso léxico, caminho aberto para grandes investigações.
Questão 2.
Visa ao preenchimento de lacunas com as formas verbais pedidas nos 
parênteses. O recurso aos quadros não pode ser dispensado.
REFERÊNCIAS
CARDOSO, Zélia de Almeida. Iniciação ao latim. São Paulo: Ática, 1989.
COMBA, Júlio. Gramática latina. São Paulo: Salesiana, 1981.
FURLAN, Oswaldo Antônio. Latim para o português. Florianópolis: 
EDUFSC, 2006.
MACHADO, Luiz. Uma nova visão do latim pelo uso da inteligência. 
Rio de Janeiro: Cidade do Cérebro, 1999. 
SOARES, João S.. Latim 1 – Iniciação ao latim e à civilização romana. 
Coimbra: Almedina, 1999.
TARALLO, Fernando. Tempos lingüísticos. São Paulo: Ática, 1994.
TERCEIRA DECLINAÇÃO –
NOMES MASCULINOS E
FEMININOS
META
Apresentar as palavras da terceira declinação.
OBJETIVOS
Ao fi nal desta aula, o aluno deverá:
ser capaz de: identifi car o mecanismo de declinar as palavras latinas;
reconhecer a declinação mais complexa e como trabalhar as palavras nela contidas;
associar a 3ª declinação às declinações anteriormente estudadas e aos adjetivos de 1ª classe, em 
frases latinas; e
trabalhar o verbo esse e os de 1ª conjugação combinando-os com palavras masculinas e femininas da 
3ª declinação.
PRÉ-REQUISITOS
Leitura das aulas anteriores.
Aula
10
108
Fundamentos da Língua Latina
INTRODUÇÃO 
O estudo da 3ª declinação permite ampliar o horizonte das palavras 
latinas. Essa declinação, além de conter 
palavras dos três gêneros, representa a maior concentração das pala-
vras da língua. Possui também grande variedade de formas no nominativo 
singular, inviabilizando a manutenção de um paradigma generalizado na 
apresentação das palavras.
Por outro lado, revela a grande riqueza do latim, a vastidão do seu vo-
cabulário e as profundas marcas deixadas no léxico da língua portuguesa.
É um dos itens mais complexos do estudo do latim, mas nada existe 
que não possa ser completamente dominado.
O mecanismo de declinação é exatamente o mesmo já conhecido das 
declinações anteriores e o conhecimento dos casos obedece às mesmas 
normas da análise sintática por demais conhecidas e exercitadas.
Nada de memorização inconseqüente. A consulta ao quadro continua 
sendo, agora mais do que nunca, o elemento de apoio para a concretização 
de um trabalho refl etido, consciente e efi caz.
109
Terceira declinação – nomes masculinos e femininos Aula
103ª DECLINAÇÃO 
A 3ª declinação sempre foi vista como uma das grandes difi culdades 
do estudo do latim. Realmente, você vai 
estranhar alguns aspectos que caracterizam a fl exão das palavras nela 
contidas, haja vista a quantidade de exceções com que as palavras se podem 
apresentar. Tudo isso, porém, é observado nas gramáticas e são difi culdades 
que vão aparecendo à proporção em que cresce a complexidade das frases. 
Portanto, progressivamente, os problemas vão sendo sanados.
Esta aula trata das palavras dos gêneros masculino e feminino. O gênero 
neutro será objeto de uma aula à parte.
Estudando as palavras da 3ª declinação, você está colocando as bases 
para trabalhar os adjetivos de 2ª classe, pois estes são fl exionados pelos 
paradigmas desta declinação.
A surpresa, à primeira vista, é perceber a diversidade de terminações 
existentes no nominativo singular. Esta particularidade, conquanto existente 
na 2ª declinação, era de tão pequena proporção que dava para guardá-las 
imediatamente.
Recordando: 2ª declinação – Terminações possíveis do nominativo 
singular:
��
Masculino US (dominus, i)
e Feminino ER (puer, i)
IR (vir, i)
Neutro UM (bellum, i)
Observação: mesmo apresentando diversidade de formas no nomi-
nativo singular, o genitivo é sempre o mesmo para todas as formas, para 
todos os gêneros. Este dado permite situar com segurança cada palavra na 
sua devida declinação.
Com a 3ª declinação acontece o mesmo: podem ser várias as termina-
ções do nominativo singular, mas a terminação do genitivo será a mesma 
para todas as palavras independentemente do seu gênero (terminação is). 
Eis algumas possíveis terminações do nominativo singular dos nomes de 
3ª declinação – Gêneros masculino e feminino:
Pax, pacis = paz.
Rex, regis = rei.
Nix, nivis = neve.
Vox, vocis = voz.
Dux, ducis = chefe.
110
Fundamentos da Língua Latina
Exemplar, exemplaris = exemplar.
Pater, patris = pai.
Labor, laboris = trabalho.
Societas, societatis = sociedade
Homo, hominis = homem.
Urbs, urbis = cidade.
Natio, nationis = nação.
Ars, artis = arte.
Virtus, virtutis = virtude.
Sal, salis = sal.
Sol, solis = sol.
Dolor, doloris (M) = dor.
Clima, climatis = clima.
Fons, fontis (M) = fonte.
Bonitas, bonitatis = bondade.
Dos, dotis = dote.
Infans, infantis = infante.
Mens, mensis = mês.
Avis, avis = ave.
Miles, militis = soldado.
Por esses exemplos, você percebe a variedade de formas que podem 
apresentar o nominativo singular da 3ª declinação. Cada forma diferenciada 
acima comporta uma série de palavras da mesma confi guração. Existe, 
porém, o genitivo singular que vem logo após a forma do nominativo e 
ele é o ponto de igualdade entre todas as palavras. Não importa, pois, se 
as formas do nominativo são divergentes; o genitivo is é comum a todas 
as palavras da relação acima e isso assegura que todas elas só podem ser 
declinadas pelo quadro da terceira declinação.
Não sendo possível e nem necessário apresentar todas as divergências 
no quadro da declinação, o nominativo singular (e o vocativo, que é sempre 
igual a ele) vai aparecer com o indicativo várias. No momento de declinar 
qualquer palavra desta declinação, basta substituir o indicativo várias pela 
forma donominativo que é dada junto com a palavra a ser trabalhada.
111
Terceira declinação – nomes masculinos e femininos Aula
10
��
Nominativo várias
Genitivo is
Dativo i
 Singular Acusativo em
Vocativo várias (igual ao nominativo)
Ablativo e (i)
Nominativo es
Genitivo um (ium)
 Plural Dativo ibus
Acusativo es
Vocativo es
Ablativo ibus
Eis o quadro para declinar masculinos e femininos da 3ª declinação.
Declinação Rex, regis = Rei.
Agora, observe a palavra Rex declinada: Rex, regis = Rei:
Nominativo Rex Rei, o, um rei.
Genitivo Reg-is De, do, de um rei.
Dativo Reg-i Ao, para o rei.
Singular Acusativo Reg-em Rei, o, um rei.
Vocativo Rex (igual ao nominativo) Rei, ó rei
Ablativo Reg-e Com, por, sem...reis.
Nominativo Reg-es Reis, os, uns reis.
Genitivo Reg-um De, dos, de uns reis.
Plural Dativo Reg-ibus Aos, para os reis.
Acusativo Reg-es Reis, os, uns reis.
Vocativo Reg-es Reis, ó reis.
Ablativo Reg-ibus Com, por, sem...reis
Esta palavra tomada por modelo pode ser substituída por qualquer 
outra da mesma natureza. Basta observar como a palavra foi apresentada. 
O indicativo várias, contido no quadro geral, vai ceder lugar à forma do 
nominativo que vem com a palavra que se quer trabalhar. Conseqüente-
mente, faz-se o mesmo com o vocativo, o qual tem sempre a mesma forma 
do nominativo. Assim, a forma Rex vai aparecer por duas vezes, ocupando 
o lugar de várias.
Para os outros casos, toma-se o radical do genitivo, no caso reg, o qual 
se obtém isolando a terminação is. Este radical é a base para todos os casos 
112
Fundamentos da Língua Latina
do singular e do plural. Basta acrescentar a ele as terminações comuns a 
todas as palavras masculinas e femininas da 3ª declinação.
Por outro lado, o radical também serve para formar os termos da língua 
portuguesa relativos ao conceito de Rei.
Exemplo:
Régio / Regalia/ Reger/ Regência/ Regime/ Regimento/ Registro etc.
ATIVIDADES
Tente declinar as seguintes palavras:
Lex, legis = lei/ Leo, leonis = leão/ Miles, militis = soldado/ Arbor, 
arboris = árvore.
Tente também, a partir do radical dessas palavras, identifi car palavras 
derivadas na língua portuguesa.
A indicação de gênero deve vir sempre ao lado da palavra dada, mas, 
quando isso não acontece, a palavra em questão conservou o mesmo gênero 
na passagem para o português.
As palavras latinas, em sua grande maioria, vieram para o português 
mediante a forma do genitivo singular. Daí ser necessário apresentar o geni-
tivo logo após o nominativo das palavras que se pretende declinar. Genitivo 
signifi ca genitor, elemento de origem, como se fosse o pai da palavra. E é 
curioso observar, sobretudo conhecendo as palavras da terceira declinação, 
como o português conserva as formas latinas em suas alomorfi as. 
Assim, fala-se de lei (lex em latim), mas o que se refere a este conceito 
é também expresso pela forma latina oriunda do genitivo singular legis, de 
cujo radical se obtém: legal, legítimo, legislar, legislador, legalista etc.
Uma pequena observação ajuda a declinar convenientemente as palavras 
desta declinação. É importante saber distinguir entre palavras parissílabas 
e imparissílabas, conforme tenham ou não o mesmo número de sílabas no 
nominativo e no genitivo.
São, portanto, parissílabas: avis, avis = ave; nubes, nubis = nuvem; 
senex, senis = velho.
Importa não confundir os conceitos e não imaginar que parissílabas 
sejam palavras que possuem número par de sílabas. Uma palavra de três 
sílabas pode muito bem ser parissílaba desde que tenha o mesmo número 
de sílabas no nominativo e no genitivo.
As palavras ditas imparissílabas, por sua vez, são aquelas que têm no 
genitivo singular uma ou mais sílabas a mais no nominativo. Assim, uma 
palavra de duas sílabas no nominativo pode ser imparissílabas:
Dux, ducis (chefe) / Urbus, urbis (cidade) / Labor, laboris (trabalho) 
/ Homo, hominis (homem) etc.
Alomorfi as ou 
alomorfe 
Termo usado em 
morfologia para 
referir-se a outras 
formas que a pala-
vra pode apresentar 
sem sair da família a 
que elas pertencem. 
Do grego, alomorfe 
quer dizer “outra 
forma”. Não se deve 
confundir este dado 
com a sinonímia. 
Usando os sinôni-
mos, estamos bus-
cando outras formas 
para dizer os mes-
mos conceitos, mas 
recorrendo a outras 
famílias de pala-
vras. Na alomor-
fi a, pelo contrário, 
permanecendo na 
mesma família, ou 
seja, conservando 
as mesmas carac-
terísticas gráficas 
e fonéticas (escrita 
e som), os concei-
tos são ditos com 
pequenas variações.
113
Terceira declinação – nomes masculinos e femininos Aula
10O grande problema consiste em saber com exatidão a forma do genitivo 
plural dessas palavras (se em UM ou em IUM). Sabendo, porém, distinguir 
palavras parissílabas e imparissílabas, e sabendo também isolar o radical de 
uma palavra (retirando-se a terminação própria do genitivo singular, que, 
na terceira declinação é IS, fi ca mais fácil compreender a regra geral:
a) Os nomes imparissílabos, cujo radical termina em uma só consoante, têm 
o genitivo plural em UM. Exemplo: Libertas, libertis (liberdade) / Homo, 
hominis (homem) / Natio, nationis (nação) etc.
b) Os nomes parissílabos, bem como os imparissílabos cujo radical termina 
em duas ou mais consoantes, têm o genitivo plural em IUM. Exemplo: Nox, 
noctis (noite) / Civis, civis (cidadão) / Ars, artis (arte).
Não se assuste, porém, se você encontrar exceções. O latim possui 
incontáveis exceções, mas a melhor saída, em caso de dúvida, é recorrer a 
um bom dicionário.
Observe esta exceção: Pater, patris (pai) / Mater, matris (mãe) / Frater, 
fratis (irmão) etc. fazem o genitivo plural em UM, fugindo, portanto, à regra.
ATIVIDADES
1. Responda:
a) O que signifi ca a referência várias que aparece no quadro dos nomes de 
3ª declinação?
b) Quantas vezes o indicativo várias aparece na declinação dos nomes 
masculinos e femininos? Em quais casos? Dê Exemplo.
c) O que diferencia um nome parissílabo de um imparissílabo? Exemplo.
d) Que importância tem tal diferenciação na hora de declinar as palavras 
de terceira declinação? Explique.
e) Decline em todos os casos as palavras Frater, fratis (irmão) e Soror, sororis 
(irmã) juntamente com o adjetivo bonus, a, um (bom, boa).
f) As palavras de terceira declinação apresentam bem mais visivelmente a 
importância do genitivo singular. Explique.
g) Consultando um dicionário, reconheça casos de alomorfi as em palavras 
da língua portuguesa.
h) Apresente casos que possuem terminações iguais nas palavras de terceira 
declinação.
2. Construa frases em português que contemplem todas as possibilidades 
de tradução das expressões latinas:
Mens sana (Mens, mentis = mente / Sanus, a, um = são, sã, sadio, a).
Leges nostras (Lex, legis = lei / Noster, nostra, um = nosso, a)
Partribus magnis (Pater, patris = Pai / Magno, a = grande).
3. a) Às formas das palavras de 3ª declinação: urbi / rationibus / dolores 
114
Fundamentos da Língua Latina
(m) acrescente, respectivamente, os adjetivos Pulcher, pulchra, um = bonito, 
a / Plenus, a, um = pleno, a / Multus, a, um = muito, a / 
realizado a exata combinação dos casos. Justifi que.
b) Recorrendo à forma do genitivo singular, identifi que 
termos da língua portuguesa derivados das palavras do vo-
cabulário.
4. Após realizar a análise sintática de todos os termos, transponha para o 
latim.
a) Os pais elogiam os bons costumes dos fi lhos.
b) Os perfumes e as cores das nossas fl ores são vários.
c) Muitos imperadores romanos eram amigos dos bons oradores.
VOCABULÁRIO
Urbus, urbis = cidade
Ratio, rationis = razão
Dolor, doloris = dor(M).
VOCABULÁRIO
Pater, patris = pai / Laudo, as, avi, atum, are = louvar / Mos, moris = 
costume / Filius, i = fi lho / Odor, odoris = perfume / Color, coloris 
(M) = cor / Flos, floris (M) = fl or / Varius, a, um = variado, a / 
Multus, a, um = muito, a / Imperator, oris = imperador / Romanus, 
a, um = romano, a / Sum, es, fui, esse = ser / Amicus, i = antigo / 
Orator, oratoris = orador.
COMENTÁRIO SOBRE AS ATIVIDADES
O questionário procura sintonizar o aluno com os assuntos estudados 
nesta aula na medida em que realiza uma revisão dos conteúdos, 
sobretudo recordando a terminologia específica que o assunto 
comporta. Busca-se também recordar o processo de declinação das 
palavras e a sua correlação com as funções sintáticas em cada texto 
das frases. Ainda se visa ao processo das declinações estudadas e 
à associação entre elas. Isso permite reconhecer as diferenças ou 
semelhanças de formas e o que há de comum entre declinações diversas.
Recomenda-se também criar o hábito de consultar constantemente 
os bons diconários. Muitas coisas se esclarecem com o recurso do 
dicionário, além do enriquecimento que se adquire com a busca de 
palavras e seus signifi cados.
A atividade 2 retoma uma técnica já apresentada que consiste em dar 
expressões latinas e perceber as possibilidades de tradução que elas 
comportam. Você vai ver como formas iguais podem remeter a funções 
sintáticas diferentes.
115
Terceira declinação – nomes masculinos e femininos Aula
10No item b, buscam-se correspondentes das palavras dadas dentro do 
léxico português.
A questão 4 é um exercício de transposição para o latim, o que só será 
possível mediante o domínio seguro da análise sintática.
CONCLUSÃO 
A terceira declinação aumenta o campo de conhecimento do latim. É 
a declinação mais difícil e que 
possui maior número de palavras. É também a mais rica, sobretudo 
porque muitas palavras apresentam formas diferentes para o radical de uma 
mesma palavra. Isso, porém, só vem enriquecer o conhecimento da língua 
e trazer a feliz constatação de que a língua portuguesa e outras línguas 
românicas também assimilaram no seu léxico todas essas formas diferencia-
das. Basta recordar o que já se disse sobre as alomorfi as. É neste momento 
que se percebe grande variedade de formas já existentes no próprio latim.
116
Fundamentos da Língua Latina
RESUMO 
Os nomes masculinos e femininos de 3ª declinação possuem confi gu-
ração própria, diferenciada, portanto dos nomes neutros, apesar de algumas 
semelhanças de determinados casos. Para tudo, porém, a consulta ao quadro 
é uma obrigação constante, a não ser que você prefi ra repetir de cor tudo 
o que essa e outras declinações comportam.
Importante é saber isolar o radical a partir do genitivo singular, que 
sempre é dado juntamente com cada palavra, como é de praxe no latim, e 
acrescentar-lhe as desinências próprias de cada caso.
Importa repetir exercícios, realizar pequenas frases tendo as palavras 
em todas as posições sintáticas para que você possa bem reconhecer as 
diferenças associadas às funções sintáticas. Com isso, certamente, você 
mesmo perceberá a estranheza das formas quando as funções sintáticas 
não estiverem perfeitamente associadas.
Com o tempo, você irá associando declinações diversas, adjetivos de 
ambas as classes, palavras de gêneros diferentes. Trata-se de um trabalho 
inteligente para o qual se necessita de muita atenção e raciocínio. O estudo 
do latim é progressivo e muita coisa é assimilada por força de exercícios 
que o próprio aluno vai aprendendo a construir a partir da modifi cação das 
frases que lhe são propostas.
REFERÊNCIAS
ALMEIDA, Napoleão Mendes de. Gramática latina. São Paulo: Saraiva, 
1995.
FARIA, Ernesto. Dicionário latino-português. Rio de Janeiro: 2003.
_____________. Vocabulário latino. Rio de Janeiro: Garnier, 2001.
REZENDE, Antônio Martinez de. Latina Essertia. Belo Horizonte: 
UFMG, 2000.
REZENDE E SILVA, Arthur. Frases e curiosidades latinas. Rio de 
Janeiro: Garnier, 2001.
SARAIVA, F. R. dos Santos. Dicionário latino-português. Rio de Janeiro: 
Ganier, 2000.
NOMES NEUTROS DA 
3ª DECLINAÇÃO
META
Mostrar a fl exão dos nomes neutros da 3ª declinação e trabalhar essas palavras no contexto das 
frases latinas.
OBJETIVOS
Ao fi nal desta aula, o aluno deverá:
reconhecer a distinção de gênero da 3ª declinação;
assimilar o mecanismo de fl exão dos nomes neutros da 3ª declinação;
exercitar frases latinas empregando palavras dos três gêneros das declinações estudadas em 
articulação com os adjetivos de 1ª classe; e 
realizar pequenos exercícios de tradução do portugu
PRÉ-REQUISITOS
Como se disse no início deste curso, os conhecimentos do latim são acumulativos, daí ser necessário 
sempre revisar o conteúdo das aulas anteriores a fi m de conseguir maior domínio da disciplina 
estudada.
Aula
11
118
Fundamentos da Língua Latina
INTRODUÇÃO 
Você já ouviu falar que, das declinações latinas, a 3ª é a mais complexa, 
mas é também a que apresenta maior 
riqueza de vocabulário. Pelo conhecimento desta declinação, as pos-
sibilidades de desenvolvimento das frases latinas vão sendo ampliadas, 
exigindo, porém, muito mais cuidado e concentração nos estudos.
Nunca é demais repetir que o espaço reduzido deste curso é apenas 
uma introdução ao estudo do latim, mas os elementos de base são aqui 
colocados, visando a uma perspectiva de conjunto para que o aluno com-
preenda o funcionamento da língua latina.
Não é preciso ter preocupação com memorizar fórmulas. As tabelas 
são dadas para serem usadas e consultadas a qualquer momento, até du-
rante as avaliações. Importante é que você tenha assimilado o mecanismo 
com que o latim articula suas palavras e saiba aplicá-lo com segurança em 
qualquer circunstância. 
Esta aula é mais um passo no domínio do latim. Esteja, portanto, atento 
às particularidades que caracterizam os nomes neutros da 3ª declinação.
119
Nomes neutros da 3ª declinação Aula
11NOMES NEUTROS 
As palavras do gênero neutro da 3ª declinação, assim 
 como ocorreu na 2ª, possuem algumas característi-
cas que merecem atenção especial.
Inicialmente, é importante frisar que a distribuição por gênero deve 
estar bastante clara antes de trabalhar qualquer palavra. Como em português 
não existe o gênero neutro, o estudante de latim deve estar sempre muito 
atento às palavras que devem ser trabalhadas.
Geralmente a indicação de gênero é dada imediatamente após a forma 
do genitivo singular como é de praxe apresentar as palavras latinas. Você 
não tem nenhuma obrigação de saber o gênero de cor ou raciocinar como 
se estivesse lidando com termos da língua portuguesa, e fi car transferindo 
para o latim o gênero a que pertencem as palavras do português. É verdade 
que, a ausência do indicativo de gênero ao lado de uma palavra pode, muitas 
vezes, deixar implícito que seu gênero é o mesmo em português; por esta 
razão, muitos julgam ser redundante fornecer tal informação. Isso pode até 
ocorrer, mas em se tratando dos nomes neutros, a ausência da informação 
sobre o gênero impede que se decline a palavra de 3ª declinação justamente 
por não se saber, para tanto, a que lista se deva recorrer. Os nomes neutros, 
repetimos, devem ser declinados mediante tabela específi ca.
Na 2ª declinação (e na 4ª, como você verá mais tarde) o gênero é logo 
percebido na forma de apresentar a palavra, pois os nomes neutros pos-
suem sempre a mesma confi guração: Nominativo = UM e genitivo= I. 
Exemplo: SignUM, signI = sinal.
(Na 4ª declinação, como será visto mais adiante, a terminação dos neu-
tros é sempre esta: nominativo U e genitivo US. Exemplo: GenU, genUS = 
joelho). Quando se tratar de palavras das declinações 1ª e 5ª, tal problema 
não existirá, pois elas não possuem palavras do gênero neutro.
Com a 3ª declinação, porém, torna-se necessário fornecer o indicativo 
de gênero, pois são muito variadas as formas do nominativo singular, o que 
difi culta a realização de uma listagem completa.
Por outro lado, a fl exão dosnomes neutros de 3ª declinação, aliada às 
declinações dos nomes masculinos e femininos desta mesma declinação, 
anteriormente apresentadas, vem completar as informações necessárias 
para realizar a fl exão dos adjetivos de 2ª classe, conforme se verá adiante.
Agora observe a tabela para a fl exão dos nomes neutros da declinação 
que está sendo estudada nesta aula:
120
Fundamentos da Língua Latina
Nominativo Várias
Genitivo is
Singular Dativo i
Acusativo Várias (igual ao nominativo)
Vocativo Várias (igual ao nominativo)
Ablativo e (ou i)
Nominativo a (ou ia)
Genitivo um (ou ium)
Plural Dativo ibus
Acusativo a ou ia (igual ao nominativo)
Vocativo a ou ia (igual ao nominativo)
Ablativo ibus
Como você percebe, as terminações dos nomes neutros apresentam 
muitas semelhanças em relação às dos nomes masculinos e femininos; alguns 
casos, porém, possuem características próprias. Preste muita atenção para os 
casos Nominativo, Vocativo e Acusativo, que, assim como foi mostrado na 
2ª e vai ser mostrado na 4ª declinação, possuem formas iguais no singular 
e no plural. Tal informação já facilita consideravelmente a assimilação das 
desinências. Basta tão somente ter consciência de que, mesmo apresentando 
desinências iguais, os casos não são os mesmos e, sintaticamente, trata-se 
de funções diversas como convém a cada caso.
Não se preocupe agora com as exceções, ou seja, quando houver pos-
sibilidade de mais de uma desinência para um mesmo caso. Esse detalhe 
será assimilado com o tempo, mas preste atenção, desde já, à diferença de 
casos nas frases abaixo, embora as formas permaneçam iguais:
Tomemos, por exemplo, a palavra coração, em latim COR, CORDIS 
(N), pertencente, como se pode ver, à 3ª declinação, gênero neutro:
1. Cor tuum bonum est = O teu coração é bom. 
2. Deus amat cor bonum = Deus ama o coração bom.
3. Canta, Cor meum!... = Canta, meu coração!...
Nas três frases, a palavra coração tem a mesma forma em latim (cor), 
no entanto elas não são iguais em termos de caso, pois, em cada frase, 
ocupam posições sintáticas diferentes. Na primeira, trata-se de um sujeito-
nominativo; na segunda, ela exerce função de objeto direto-acusativo; na 
terceira frase, a palavra é um vocativo-vocativo. É preciso, pois, ter ciência 
de que a igualdade das formas pode estar remetendo a funções sintáticas 
diferentes. Isso é possível porque, no gênero neutro, os casos nominativo, 
121
Nomes neutros da 3ª declinação Aula
11acusativo e vocativo apresentam formas exatamente iguais. Você deve 
estar muito atento para perceber esta sutileza de detalhes que conduz, 
no entanto, a funções sintáticas diversas, implicando, 
portanto, a obrigação de traduções diferentes para uma 
mesma forma da palavra.
Você percebe que as variações nas desinências não 
são assim tão numerosas. Mais difícil mesmo é dominar a 
sintaxe e compreender a função específi ca de cada caso e a 
sua possível tradução para o português. Observe também 
que, no plural, os casos Dativo e Ablativo possuem formas 
iguais (terminação IBUS) e isto exige a mesma atenção para 
ver claramente que função sintática cada caso contempla e, 
assim, efetuar corretamente a tradução quando tal forma 
aparecer no contexto das frases. 
Segundo o modelo da tabela acima, podem ser decli-
nadas todas as palavras pertencentes ao gênero neutro da 
3ª declinação. Como se deu na fl exão dos masculinos e femininos, o termo 
VÁRIAS é apenas um indicativo das possibilidades de terminações com 
que se apresenta o caso nominativo. Na hora de declinar a palavra, basta 
apenas substituir tal termo pela forma que foi dada juntamente com a palavra 
com a qual se deseja trabalhar. Observe, por exemplo, a fl exão da palavra 
CORPUS, CORPORIS (N) = corpo. Trata-se de uma palavra do gênero 
neutro da 3ª declinação. CORPUS é a forma do nominativo singular e ela 
vai substituir a expressão VÁRIAS. O genitivo singular é CORPOR IS, 
que tem o radical CORPOR para a formação de todos os outros casos no 
singular e no plural, com exceção do singular dos casos vocativo e acusativo, 
que devem ser iguais ao nominativo CORPUS.
Veja agora a palavra CORPUS, CORPORIS declinada segundo a tabela 
que lhe é própria:
Nominativo corpus Corpo, o, um corpo
Genitivo corpor- is De, do, de um corpo
 Singular Dativo corpor - i A, para, ao, a um corpo
Acusativo corpus Corpo, o, um corpo
Vocativo corpus Corpo, ó corpo
Ablativo corpor - e Em, no, sem, pelo corpo
Nominativo corpor - a Corpos, os, uns corpos
Genitivo corpor - um De, dos, de uns corpos
 Plural Dativo corpor - ibus A, para, aos, a uns corpos
Acusativo corpor - a Corpos, os, uns corpos
Vocativo corpor - a Corpos, ó corpos
Ablativo corpor - ibus Em, nos, sem, pelos corpos
122
Fundamentos da Língua Latina
Observe bem os casos que, no singular e no plural, são iguais ao 
nominativo. Observe ainda a substituição do termo VÁRIAS pela forma 
do nominativo que é dada com a palavra que se quer trabalhar ou que 
se busca no dicionário. Depois, a partir do genitivo singular, você terá o 
radical para trabalhar os demais casos no singular e no plural. A técnica é 
sempre a mesma e todas as palavras do gênero neutro devem enquadrar-se 
no esquema das tabelas acima.
OBSERVAÇÃO importante deve ser feita sobre algumas palavras 
neutras da 3ª declinação cujo nominativo singular termina em uma das três 
possibilidades: AR, E, AL (fácil de gravar AREAL). Essas palavras têm a 
seguintes particularidades:
a) O ablativo singular em I.
b) Os três casos iguais do plural em IA.
c) O genitivo plural em IUM.
Nesta série enquadram-se palavras como Mare, maris = mar; Animal, 
is = animal; Exemplar, is = exemplar, cópia.
Excetuando as observações acima, as palavras seguem, nos outros casos, 
a mesma declinação dos outros nomes neutros de 3ª declinação.
Tente declinar essas três palavras, buscando na tabela todas as formas 
que elas comportam.
ATIVIDADES 
1. Com base nas informações acima, tente declinar, no singular e no plural, 
as palavras neutras de 3ª declinação: Flumen, fl uminis = rio; Caput, capitis 
= cabeça; Vulnus, vulneris = ferida; Semen, seminis = semente.
COMENTÁRIO SOBRE AS ATIVIDADES
Este exercício permite visualizar as diferentes possibilidades de fl exão 
das palavras neutras de 3ª declinação. É necessário sempre fazer 
a associação entre casos e funções sintatícas e imaginar frases que 
justifi quem as possibilidades que as palavras comportam.
2. Depois de perceber todas as formas que essas palavras podem apresentar, 
procure agora, tomando por base o radical do genitivo, reconhecer palavras 
que delas foram derivadas na língua portuguesa. Você vai observar como o 
radical latino permanece o mesmo nas palavras do português. Este fenô-
meno torna-se bem mais visível nos nomes pertencentes à 3ª declinação e 
tal percepção já é um grande passo para visualizar o processo de formação 
das palavras desde o latim, em cujo modelo a língua portuguesa plantou as 
123
Nomes neutros da 3ª declinação Aula
11bases de seu vocabulário. Com este exercício, você também compreenderá 
a razão de ser do caso genitivo, o qual, além de indicar a que declinação 
pertence a palavra, fornece também o radical, a partir do qual se encontram 
as bases para a criação de novos termos e conseqüente ampliação do léxico.
Exemplo: do radical do genitivo SEMIN, nasceram em português:
SEMIN ário/ disSEMINar / SEMIN al / inSEMINação etc. Realize 
o mesmo processo com as outras palavras da relação acima.
Exercendo grande fascínio sobre o aluno de latim, este trabalho pode 
ser realizado com inúmeras palavras da 3ª declinação (e das outras também, 
mas, nesta declinação, a relação entre o latim e o português mostra-se bem 
mais interessante).
Conhecendo as fl exões da 3ª declinação, o estudo do latim vai-se tor-
nando mais complexo e as possibilidades de realização de frasestornam-se 
mais amplas. Agora você já pode combinar palavras das três declinações 
estudadas e associá-las aos adjetivos de 1ª classe. Este exercício permitirá 
ver a igualdade ou a diversidade de formas, conforme as combinações efet-
uadas. É claro que palavras de 1ª e 2ª declinações associadas aos adjetivos 
de 1ª classe terão quase sempre as mesmas desinências. Isto é óbvio, pois 
tais adjetivos são declinados pelas duas primeiras declinações, observadas 
as devidas confi gurações de gênero. 
Algumas divergências de forma, no entanto, podem ocorrer em se 
tratando de combinar os adjetivos de 1ª classe com as palavras da 3ª 
declinação em qualquer um dos três gêneros. A mesma divergência você 
vai perceber quando combinar esses mesmos adjetivos com palavras da 
4ª e 5ª. Aí o cuidado deve ser redobrado na 4ª declinação porque formas 
iguais nem sempre remetem aos mesmos casos dos adjetivos de 1ª classe. 
Na hora certa, porém, isto será explicado e comprovado.
Agora, a título de exercício, identifi que, buscando o apoio de um di-
cionário de latim, a declinação, o(s) caso(s), o gênero, 
o número e as traduções dos substantivos abaixo 
em sua combinação com os adjetivos de 1ª classe. 
Justifi que as diferenças de desinências ocorridas e as 
possibilidades de tradução de acordo com as funções 
sintáticas possíveis.
Este exercício permite associar declinações e 
gêneros diferentes. Com o vocabulário a seguir, você 
deve situar as palavras em suas respectivas listas para 
decliná-las. Quando o gênero não aparecer ao lado das 
palavras, é que elas pertencem ao mesmo gênero em 
português. O vocabulário ajuda, mas não dispensa o 
uso do dicionário. Habitue-se a consultá-lo sempre.
Populus amicus/ Populos amicos/ Puer niger/ 
Regina nostra/ Exemplum bonum/ Miraculis multis/ 
Dominus noster/ Homo sanctus/ Ratio magna/ Le-
124
Fundamentos da Língua Latina
ges justae/ Cordibus nostris/ Magistri boni/ Lectioni pulchrae/ Personas 
gratas/ Nationes multae/ Corporum frigidorum/ Tempora antiqua/ Ludi 
sacri/ Templo romano/ Plumae albae/
Populus, i = povo/ Amicus, a, um = amigo, a/ Puer, i = menino/ 
Niger, nigra, um = negro, a/ Regina, ae/ Noster, nostra, um = nosso, 
a/ Exemplum, i = exemplo/ Bonus, a, um = bom, boa/ Miraculum, i = 
milagre/ Multus, a, um = muito, a/ Dominus, i = senhor/ Homo, hominis 
= homem/ Sanctus, a, um = santo, a/ Ratio, rationis = razão/ Magnus, 
a, um = magno, grande/ Lex, Legis = lei/ Justus, a, um = justo, a/ Cor, 
cordis (N) = coração/ Magister, magistri = mestre/ Lectio, lectionis = 
lição/ Pulchrer, pulchra, um = belo, a/ Persona, ae = pessoa/ Gratus, a, 
um =grato, a/ Natio, nationis = nação/ Corpus, corporis (N) = corpo/ 
Frigidus, a, um = frio, a/ Tempus, temporis (N) = tempo/ Antiquus, a, um 
= antigo, a/ Ludus, i = jogo/ Sacer, sacra, um = sagrado, a/ Templum, i 
= templo/ Romanus, a, um = romano, a/ Pluma, ae = pena/ Albus, a, 
um = alvo, branco, a. 
COMENTÁRIO SOBRE AS ATIVIDADES
A mesma divergência você vai perceber quando combinar esses mesmo 
adjetivos com palavras da 4ª e 5ª. Aí o cuidado deve ser redobrado 
na 4ª declinação porque formas iguais nem sempre remetem aos 
mesmos casos dos adjetivos de 1ª classe. Na hora certa, porém, isto 
será explicado e comprovado.
ATIVIDADES
I – Responda:
1. O que signifi ca a referência VÁRIAS que aparece na tabela dos nomes 
de 3ª declinação?
2. A que casos tal referência se aplica na declinação dos nomes neutros?
3. A 3ª declinação apresenta ainda mais visível a importância do genitivo 
singular. Explique.
4. Uma palavra de 3ª declinação pode estar associada aos adjetivos de 1ª 
classe. Explique como fi cam as desinências dos nomes masculinos, femi-
ninos e neutros nessa situação.
5. Existe alguma terminação igual entre os nomes neutros de 3ª e de 2ª 
declinação? Em que casos isso acontece?
II – Na expressão: MENS SANA IN CORPORE SANO (Mente sadia 
em corpo sadio), o adjetivo de 1ª classe Sanus, a, um = são, sadio, aparece 
ligado às palavras MENS, MENTIS (F) = mente e CORPUS, CORPORIS 
125
Nomes neutros da 3ª declinação Aula
11(N) = corpo, ambas de 3ª declinação. Analise sintaticamente a sentença 
latina, explicando, pela função sintática, a variedade de formas do adjetivo.
III – Construa frases em português que contemplem todas as possibilidades 
de tradução das expressões latinas:
TEMPUS NOVUM (Tempus, temporis (N) = tempo/ Novus, a, um = 
novo, a.
CORDA NOSTRA (Cor, cordis (N) = coração/ Noster, nostra, um = 
nosso, a.
NOMINUM MAGNORUM (Nomen, nominis (N) = nome/ Magnus, a, 
um = magno, a; grande.
IV a – Às formas neutras de 3ª declinação: LUNINI, ONERIS, FLUMI-
NUM acrescente, respectivamente, os adjetivos Plenus, a, um = pleno, a/ 
Altus, a, um = alto, a/ Pulcher, pulchra, um = belo, a/ realizando a exata 
combinação dos casos. Justifi que.
IV b – Recorrendo à forma do genitivo singular, identifi que termos da língua 
portuguesa derivados das palavras do vocabulário desta aula.
V – Após realizar a análise sintática de todos os termos, transponha para 
o latim.
1. O tempo curará as grandes feridas dos homens.
2. As boas obras revelam os corações dos homens justos.
3. Os mares profundos são perigosos para os nossos marinheiros.
COMENTÁRIO SOBRE AS ATIDADES
Não costumamos repetir as palavras que já apareceram no vocabulário. 
Se elas aparecerem no contexto de outros exercícios, fi que, portanto, 
muito atento para encontrá-las quando se fi zer necessário.
Vocabulário
Sano, as, avi, atum, are = curar, sanar/ Vulnus, vulneris (N) = ferida/ 
Opus, operis (N) = obra/ Revelo, as, avi, atum, are = revelar/ Mare, 
maris (N) = mar/ Profundus, a, um = profundo, a/ Periculosus, a, 
um = perigoso, a/ Nauta, ae = marinheiro.
126
Fundamentos da Língua Latina
CONCLUSÃO 
Com o estudo dos nomes neutros da 3ª declinação ampliam-se as pos-
sibilidades para a realização de frases, 
pois a maioria das palavras latinas está localizada nesta declinação. 
Por outro lado, a articulação entre nomes das três principais declinações 
estudadas, adjetivos de 1ª classe e verbos até aqui conhecidos possibilita 
maior quantidade de elementos mediante os quais o mecanismo do latim 
vai fi cando mais visível.
Um exemplo de erro desta natureza: a expressão correta é LATO 
SENSU (quando estudar a 4ª declinação, você entenderá a razão disso), 
mas certamente você já deve ter visto em vários lugares: LATO SENSO 
ou LATU SENSU, erros motivados pela tendência a acreditar que o adje-
tivo, para estar no mesmo caso do substantivo, deve apresentar a mesma 
desinência que este tem. Tal falha lembra certas combinações em língua 
portuguesa feitas por pessoas que acham, por exemplo, que substantivos, 
artigos e adjetivos, uma vez juntos, devem obrigatoriamente terminar de 
formas iguais, tal como se ouve por aí: A radia, Maria Ribeira, aparelhagem 
médica-cirúrgica etc.
Prepare-se para cometer erros semelhantes: isso faz parte do processo 
de aprendizagem do latim, o qual, assim como o português ou qualquer 
outra língua, pode suscitar conclusões precipitadas a qualquer pessoa inex-
periente. Você pode até encarar tudo isso com um certo senso de humor e, 
com o tempo, você vai se divertir com suas próprias falhas ao compará-las 
com outras de igual natureza que todos cometem.
RESUMO
Os nomes neutros da 3ª declinação possuem confi guração própria; nada, 
porém, que cause maiores difi culdades. Cada aula de latim aqui apresentada 
aborda um tema específi co e os assuntos vão se acumulando de tal maneira 
que os conhecimentos das aulas anteriores vão-se tornando indispensáveis 
na compreensão do todo. As tabelas contendo as desinências próprias das 
palavras do gênero neutro e mostrando o exemplo de uma palavra declinada 
são modelos para serem consultados, exercitados e aplicados em situações 
concretas de frases que explorem todas as possibilidades sintáticas dos 
nomes.Quanto mais exercícios você fi zer, tanto maiores serão as chances 
de fi xação e domínio dos conteúdos.
Você pode enriquecer os exemplos tomando uma série de novas pa-
lavras no dicionário e tentando aplicar-lhes o modelo próprio ao gênero 
neutro até mesmo com o intuito de conhecer as palavras neutras em latim 
e familiarizar-se com esta característica latina que o português não conhece.
Importante é saber isolar o radical a partir do genitivo singular, que 
127
Nomes neutros da 3ª declinação Aula
11sempre é dado juntamente com cada palavra, como é de praxe no latim, e 
acrescentar-lhe as desinências próprias de cada caso. 
Repetindo esse exercício com muitas palavras isoladamente e/ou no 
contexto das frases, você terminará por memorizar as formas sem ser ob-
rigado jamais a isso, mas por força do hábito e da prática em construções 
de frases inteligentes, que contemplem todas as funções da sintaxe.
Trabalhar os substantivos associados aos adjetivos de 1ª e, mais tarde, 
de 2ª classe, força a correção de certas falhas tão comuns aos iniciantes 
no latim. Você não será o primeiro a cometer as falhas tão conhecidas 
aos professores desta língua: isolamento mal feito do radical, confusão na 
junção das desinências, associação incorreta das formas dos substantivos 
e adjetivos, confusão na tradução de casos que possuem formas iguais etc.
PRÓXIMA AULA
Na próxima aula, você conhecerá a fl exão dos verbos de segunda con-
jugação nas vozes ativa e passiva. 
REFERÊNCIAS
ALMEIDA, Napoleão Mendes de. Gramática latina. São Paulo: Saraiva, 
1995.
CARDOSO, Zélia de Almeida. Iniciação ao latim. São Paulo: Ática, 1989.
COMBA, Júlio. Gramática latina. São Paulo: Salesiana, 1981.
GALVÃO, José Raimundo. Alomorfi as do léxico português. Aracaju: 
EDUFS, 2008.
GONZAGA, Maria Cristina de Brito. Frases de latim forense. São Paulo: 
Livraria de Direito, 1994.
LUIZ, Antônio Filardi. Dicionário de expressões latinas. São Paulo: 
Atlas, 2002.
MACHADO, Luiz. Uma nova visão do latim pelo uso da inteligência. 
Rio de Janeiro: Cidade do cérebro, 1999.
SOARES, João S.. Latim 1 – Iniciação ao latim e à civilização romana. 
Coimbra: Almedina, 1999.
VIARO, Mário Eduardo. Por trás das palavras. São Paulo: Globo, 2004.
______ Importância do latim na atualidade. Revista de Ciências Hu-
manas e Sociais. São Paulo: Unisa, v. 1, n. 1, p. 7-12, 1999.
MORFOLOGIA DOS VERBOS
DE 2ª CONJUGAÇÃO
META
Apresentar a fl exão dos verbos de segunda conjugação nas vozes ativa e passiva.
OBJETIVOS
Ao fi nal desta aula, o aluno deverá:
distinguir os verbos latinos pela conjugação a que 
pertencem;
aplicar as formas verbais em todas as suas 
confi gurações no contexto de pequenas frases 
latinas;
exercitar a derivação verbal a partir do 
conhecimento das formas primitivas;
reconhecer as características das conjugações 
estudadas mediante a comparação das formas; e
realizar exercícios de tradução, reconhecendo as 
marcas de tempo, modo, pessoa, número e voz.
PRÉ-REQUISITOS
O verbo esse (ser) e os verbos de 1ª conjugação, 
que foram estudados anteriormente, devem ser 
pré-requisitos para o desenvolvimento desta aula. 
As formas devem ser comparadas a fi m de que se 
evidenciem as características de cada conjugação 
e os mecanismos de construção de parte da voz 
passiva com o auxílio do verbo esse (ser).
Os demais assuntos referentes às declinações 
tornam-se também indispensáveis para o 
prosseguimento dos estudos.
Jamais esqueça: o latim é um todo organizado e muito bem articulado em todas as suas partes, daí 
nada do que já foi visto pode ser dispensado.
Aula
12
130
Fundamentos da Língua Latina
INTRODUÇÃO 
Retome o texto introdutório das lições 7 e 9, referentes aos verbos esse 
(ser) e aos de 1ª conjugação. As mes-
mas observações valem para os de 2ª conjugação, abordados nesta aula. 
Importa sempre conhecer, antes de qualquer trabalho com os verbos, os 
seus tempos primitivos. Neles estão contidas as particularidades que devem 
ser observadas para obter a totalidade das formas. Trata-se de um processo 
inteligente segundo o qual, conhecendo apenas um verbo da conjugação 
em apreço, é possível trabalhar qualquer outro da mesma espécie. Você não 
está obrigado a decorar fórmulas ou listas inteiras de tempos, modos etc. 
Isso pode até acontecer por força do hábito, mas, em princípio, você apenas 
precisa saber consultar as tabelas, isolar os radicais e aplicar as desinências.
Vamos, então, conhecer os verbos de 2ª conjugação, ou melhor, vamos 
nos familiarizar com as tabelas que mostram todas as possibilidades de 
articulação verbal nas vozes ativa e passiva. 
131
Morfologia dos verbos de 2ª conjugação Aula
12MORFOLOGIA 
O latim, como já se disse, possui quatro conjugações verbais que se 
identifi cam pelo infi nitivo de acordo 
com a ordem das vogais:
1ª conjugação – terminação em ARE (longo) – CANT – ARE = cantar. 
(pronúncia: cantáre).
2ª conjugação - terminação em ERE (longo) DEL – ERE = destruir, 
apagar. (pronúncia: delére)
3ª conjugação – terminação em ERE (breve) LEG – ERE = ler 
(pronúncia: légere).
4ª conjugação – terminação em IRE (longo) AUD – IRE = ouvir 
(pronúncia: audíre).
Você pode perceber a semelhança de formas existente entre a 2ª e a 3ª 
conjugações, pois ambas possuem o infi nitivo caracterizado pela vogal E. 
A diferença, no entanto, está na quantidade de tempo com que se pronun-
cia a sílaba, o que faz a 2ª conjugação ser longa e a 3ª ser breve. Observe 
acima a diferença marcada pelo acento no infi nitivo das duas conjugações. 
O acento aqui colocado não existe em latim; ele está apenas indicando o 
lugar da sílaba tônica a fi m de que a diferença entre as duas conjugações em 
apreço seja bem visualizada. A marca latina, característica da quantidade, é 
( ) colocada sobre a longa e ( ) colocada sobre a breve. 
Essas duas conjugações se assemelham, portanto, na forma do infi ni-
tivo, mas é impossível conjugar qualquer verbo de uma conjugação usando a 
tabela da outra. Com o tempo você vai-se adaptando a esta particularidade, 
mas, de início, é preciso ter muito cuidado para não conduzir o verbo à tabela 
errada e, assim, inviabilizar todo o trabalho. Um exemplo bem prático para 
assimilar a diferença está nos verbos DOCÉRE = ensinar (2ª conjugação) 
e DÍSCERE = aprender (3ª conjugação).
Outra informação prática é obtida na própria apresentação dos tempos 
primitivos: se a primeira pessoa do presente do indicativo termina em EO 
(deleo = eu destruo), o infi nitivo é longo e se trata da 2ª conjugação = 
delére; se este mesmo tempo primitivo termina em O (lego = eu leio) ou 
em IO (capio = eu tomo), é sinal de que o infi nitivo é breve e se trata da 
3ª conjugação légere e cápere.
Na passagem do latim para o português, as duas conjugações se fun-
diram, de tal maneira que possuímos a 2ª conjugação em ER, na qual nem 
sempre se encontram necessariamente os verbos latinos destas conjugações: 
STUDÉRE, de 2ª conjugação latina, tornou-se ESTUDAR em português, 
indo, portanto, para a 1ª conjugação.
Apresentamos agora as tabelas contendo os paradigmas para fl exionar 
todos os verbos de 2ª conjugação nas vozes ativa e passiva. O verbo dado 
por modelo é DELERE = destruir, apagar, cujos tempos primitivos são os 
132
Fundamentos da Língua Latina
seguintes: Deleo, deles, delevi, deletum, delere, ou seja, deleo, es, evi, etum, 
ere, pois não se costuma repetir o radical quando ele é o mesmo para todos 
os tempos primitivos.
Pelo mesmo modelo são conjugados os verbos: Habere = Ter/ Monere 
= admoestar/ Docere = aprender/ Videre = ver/ Debere = dever etc.
133
Morfologia dos verbos de 2ª conjugação Aula
12
��
Indicativo Subjuntivo
deleo = destruo deleam = destrua
deles deleas
delet deleat
delemus deleamus
deletis deleatis
delent deleant
delebam = destuía delerem = destruíssedelebas deleres
delebat deleret
delebamus deleremus
delebatis deleretis
delebant delerent
delebo = destruirei
delebis
delebit
delebimus
delebitis
delebunt
delevi = destuí, tenho destruído deleverim = tenha
 destruído
delevisti deleveris
delevit deleverit
delevimus deleverimus
delevistis deleveritis
deleverunt deleverint
deleveram = destruíra, delevissem = tivesse
 tinha destruído destruído
deleveras delevisses
deleverat delevisset
deleveramus delevissemus
deleveratis delevissetis
deleverant delevissent
delevero = terei destruído
deleveris
deleverit
deleverimus
deleveritis
deleverint
Presente
Imperfeito
Futuro Imperfeito
Perfeito
Mais que Perfeito
Futuro Anterior
2ª CONJUGAÇÃO
VOZ ATIVA
DELEO, ES, EVI, ETUM, ERE
134
Fundamentos da Língua Latina
2ª CONJUNGAÇÃO ATIVA
Imperativo Infinitivo Participio
dele = destrói delere = destruir delens, delentis
Presente = que destrói
delete = destruí
deleto deleturum, am, um esse =deleturus, a, um
Futuro deletote ir desruir, dever destruir = que vai
delento destruir, que
 deve destruir,
 para destruir
Passado delevisse = ter destruído
Gerúndio Supino
Gen. delendi = de destruir deletum = para destruir
Dat. delendo deletu = de destruir, por destruir
Abl. delendo = destruindo
Ac. (ad) deledum = (para) destruir
J Ç
"Qui multum habet, plus cupit". 
Quem muito tem, mais deseja. 
"Non mortem timemus, sed cogitationem mortis". 
Não tememos a morte, mas o pensamento da morte. 
 Seneca
Seneca (Fonte: http://pt.wikibooks.org)
135
Morfologia dos verbos de 2ª conjugação Aula
122ª CONJUGAÇÃO
VOZ PASSIVA
DELEOR, DELERI
��
Indicativo Subjuntivo
deleor = sou destruído delear = seja destruído
deleris delearis ou deleare
deletur deleatur
delemur deleamur
delemini deleamini
delentur deleantur
delebar = era destuído delerer = fosse destruído
delebaris ou delebare delereris ou delerere
delebatur deleretur
delebamur deleremur
delebamini deleremini
delebantur delerentur
delebor = serei destruído
deleberis ou delebere
delebitur
delebimur
delebimini
delebuntur
deletus, a, um sum= fui destruído deletus, a, um sim=
 tenha sido destruído
deletus, a, um es deletus, a, um sis
deletus, a, um es deletus, a um sit
deleti, ae, a sumus deleti, ae, a simus
deleti, ae, a estis deleti, ae, a sitis
deleti, ae, a sunt deleti, ae, a sint
deletus, a, um eram = deletus, a, um essem =
 fora ou tinha destruído tenha sido destruído
deletus, a, um eras deletus, a, um esses
deletus, a, um erat deletus, a, um esset
deleti, ae, eramus deleti, ae, a essemus
deleti, ae, a eratis deleti, ae, a essetis
deleti, ae, a erant deleti, ae, a erunt
deleti, ae, a essent deletus, a, um, ero =
terei sido destruído
deletus, a, um eris deletus, a, um erit
deleti, ae, a erimus
deleti, ae, a eritis
Presente
Fututo
Imperfeito
Imperfeito
Perfeito
Mais-que-
Perfeito
Futuro
Anterior
136
Fundamentos da Língua Latina
Imperativo Infinitivo Participio
(delere) = sê destruído deleri = ser destruído
Presente (delemini) = sede
 destruídos
deletum iri = deve
Futuro ser destruído, ir
ser destruído(invariável)
deletum, am, um essedeletus, a, um =
Passado = ter sido destruído destruído
Gerundivo
delendus, a, um = deve ser destruído
137
Morfologia dos verbos de 2ª conjugação Aula
12CONCLUSÃO 
A morfologia verbal latina, como foi possível visualizar nesta aula, é 
muito complexa, sendo impossível, no 
curto espaço deste curso, compreender e assimilar os seus mínimos 
detalhes.
O que aqui se deseja transmitir é a confi guração das vozes ativa e pas-
siva dos verbos regulares das quatro conjugações latinas e, assim mesmo, 
de forma bastante elementar.
Sempre estaremos insistindo na necessidade de o aluno familiarizar-
se com a consulta às tabelas, buscando observar atentamente o modelo 
e tentando aplicar o mesmo processo a qualquer outro verbo da mesma 
conjugação. 
O trabalho não é muito fácil, mas se você tiver pleno domínio do re-
conhecimento do radical no verbo que foi tomado por modelo e souber 
substituí-lo pelo de qualquer outro da mesma espécie, verá que as desinên-
cias se encaixam perfeitamente, facilitando a técnica da conjugação. Com 
o tempo, a prática vai-se tornando mais tranqüila, sobretudo se você tiver 
bom conhecimento das fl exões verbais do próprio português.
Jamais se esqueça de uma coisa: as tabelas estão aí para serem manusea-
das, consultadas até mesmo no instante das avaliações, pois muito mais que 
exercitar a memorização, importa aguçar o raciocínio, trabalhar a lógica e 
tornar-se capaz de fl exionar, em todas as modalidades possíveis, qualquer 
verbo da mesma conjugação.
RESUMO
As conjugações 2ª e 3ª muito se assemelham, pois ambas fazem o 
infi nitivo em ERE. A diferença está na localização da sílaba tônica, a qual, 
na 2ª conjugação, é longa. 
Os verbos desse grupo seguem modelo próprio aqui apresentado em 
tabelas mostrando todas as fl exões possíveis. Para tanto, serviu de modelo 
o verbo delere, como poderia ter sido qualquer outro do grupo. Importante 
é saber realizar as substituições e circular seguramente por todos os tempos, 
modos, pessoas e números. As frases é que vão dizer a forma a ser buscada e 
nisto você perceberá a riqueza de detalhes que os verbos latinos comportam.
Os dicionários vão sempre fornecer os tempos primitivos de qualquer 
verbo, mediante os quais será possível obter todas as formas derivadas.
É preciso treinar muito, substituindo o verbo tomado como modelo 
por qualquer outro da mesma conjugação. 
138
Fundamentos da Língua Latina
ATIVIDADES
1. Responda:
a) Quais as características do infi nitivo dos verbos latinos para cada con-
jugação?
b) O que assemelha e diferencia as formas do infi nitivo nas 2ª e 3ª conju-
gações?
c) Comparando tabelas dos verbos latinos com as de língua portuguesa 
apresentadas por qualquer gramática, quais as semelhanças e diferenças em 
todos os aspectos da fl exão verbal (tempo, modo, pessoa, número, voz)?
d) Segundo o paradigma apresentado, conjugue o verbo HABERE (ter) 
nas formas do presente do subjuntivo, pretérito perfeito do indicativo e 
pretérito mais-que-perfeito do subjuntivo.
2. Pesquise em um dicionário latino outros verbos que pertençam às con-
jugações até aqui conhecidas (1ª e 2ª) e procure conjugá-los, segundo a 
orientação que foi dada nas abordagens sobre os verbos latinos.
3. Traduza do latim e realize a análise sintática dos termos de cada oração:
a) Scriptores clarorum vitam virorum narrabunt.
b) Columbae mínimo strepitu terrentur.
c) Ciceronis libri valde placent et semper placebunt.
d) A magistris bonis docemur et docebimur.
e) Hostium adventum non timebimus.
4. a) A conhecida expressão jurídica HABEAS CORPUS contém um verbo 
de 2ª conjugação (Habeo, es, habui, habitum, habere = ter) e um nome neu-
tro de 3ª declinação (Corpus, corporis = corpo). Procure localizar na tabela 
a forma verbal, identifi cando todas as suas características (tempo, modo, 
pessoa, número, voz) e realize a tradução da expressão latina, justifi cando 
também a função sintática do substantivo.
b) Como fi cará esta expressão ao ser colocada no plural?
COMENTÁRIO SOBRE AS ATIVIDADES
As questões do item 1, reforçam a assimilação dos conteúdos. 
Comparando tabelas, é possível identifi car semelhanças e diferenças 
entre conjugações.
Já no item 2, a pesquisa ao dicionário acrescenta novos dados ao 
conteúdo estudado.
A análise sintática assegura o bom direcionamento da tradução, no item 
3. É preciso ter consciência de cada forma a partir da função sintática 
que as palavras exercem nas frases. Observe, primeiramentea forma 
verbal em que número se encontra. Sendo plural, por exemplo, você 
139
Morfologia dos verbos de 2ª conjugação Aula
12deverá achar o sujeito igualmente na forma do plural. Em seguida, 
observe se o verbo requer complementos e, assim, aparecerão os 
objetos. Finalmente vêm os adjuntos adverbiais, termos acessórios 
da oração.
Vocabulário:
Scriptor, scriptoris = escritor/ Clarus, a, um = ilustre/ Vita, ae = vita/ 
Vir, viri = varão, homem/ narro, as, avi, atum, are = narrar.
Columba, ae = pomba/ minimus, a, um = mínimo/ Strepitus, us = 
ruído/ Térreo, es, terrui, territum, ere = amedrontar/ Cicero, Ciceronis 
= Cícero/ Líber, libri = livro/ Valde (advérbio) = muito/ Placeo, es, 
placui, placitim, ere = agradar/ et (conj. ) = e/ semper (adv.) sempre/ 
A (preposição que rege ablativo) = por, pelo, pela, pelos, pelas / 
Magoster, magistri = mestre/ Bonus, a, um = bom, boa/ Doceo, 
es, docui, doctum, ere = ensinar/ Hostes, hostis = inimigo/ Non 
(advérbio ) = não/ Timeo, es, timui, ere = temer/ Adventus, us = 
chegada, vinda.
No item 4, uma expressão latina de uso consagrado deve ser 
compreendida na pertinência das formas e nas suas possíveis 
comutações.
Este trabalho pode aplicar-se a outras expressões latinas de uso 
frequente.
A língua latina prima pela ordem indireta dos termos da oração. Em 
latim nunca se surpreenda de ver as palavras completamente misturadas 
no contexto das frases, algo que faz a beleza da língua, mas causa 
grande difi culdade para o iniciante, o qual redobrará o raciocínio para 
aproximar os termos uns dos outros, tentando colocá-los em ordem 
direta a fi m de facilitar a tradução.
Este processo recebe o nome de HIPERBATO, fi gura muito estimada 
pelos escritores mais antigos da própria língua portuguesa, mas de 
difícil assimilação pelos atuais falantes da língua. Ademais, o latim pode, 
com muita facilidade, utilizar este recurso estilístico por se tratar de uma 
língua em que as palavras possuem desinência própria para cada caso. 
Assim, esteja onde estiver, cada termo da oração será imediatamente 
percebido no latim, devido à forma pela qual se confi gura. Em 
português isso se torna mais complicado, podendo, inclusive gerar 
ambigüidade. Na verdade, na medida em que os casos latinos foram 
desaparecendo e as línguas modernas optaram por formas únicas para 
as palavras, impôs-se a necessidade de defi nir as posições das funções 
sintáticas no contexto das frases.
É preciso, portanto, ter muita atenção na hora de traduzir do latim. A 
melhor maneira está em reconhecer palavras de desinências iguais e 
tentar aproximá-las para tecer o sentido do todo. O verbo, em geral, 
140
Fundamentos da Língua Latina
vem no fi m da frase, mas o seu reconhecimento é de suma importância 
para localizar o sujeito (singular ou plural) e buscar os complementos 
exigidos pela transitividade do verbo.
Este também é um processo de assimilação lenta, mas que se fi rma 
depois de uma série de exercícios para os quais é imprescindível 
dominar a morfologia e a sintaxe dos verbos em português.
PRÓXIMA AULA
Na próxima aula, você aprenderá a empregar os adjetivos de 2ª classe 
e relacioná-los no contexto das frases. 
REFERÊNCIAS
ALMEIDA, Napoleão Mendes de. Gramática latina. São Paulo: Saraiva, 
1995.
CARDOSO, Zélia de Almeida. Iniciação ao latim. São Paulo: Ática, 1989.
COMBA, Júlio. Gramática latina. São Paulo: Salesiana, 1981.
FARIA, Ernesto. Dicionário latino português. Belo Horizonte: Garnier, 
2003.
__________. vocabulário latino. Belo Horizonte: Garnier, 2001.
FERREIRA, Antonio Gomes. Dicionário de Português - Latim. Porto: 
Porto, 1997.
GONZAGA, Maria Cristina de Brito. Frases de latim forense. São Paulo: 
Livraria de Direito, 1994.
LUIZ, Antônio Filardi. Dicionário de expressões latinas. São Paulo: 
Atlas, 2002.
MACHADO, Luiz. Uma nova visão do latim pelo uso da inteligência. 
Rio de Janeiro: Cidade do cérebro, 1999.
SARAIVA, F. R. dos Santos. Dicionálrio Latino-português. Belo Hori-
zonte: Garnier, 2000.
SOARES, João S. Latim 1 – Iniciação ao latim e à civilização romana. 
Coimbra: Almedina, 1999.
VIARO, Mário Eduardo. Por trás das palavras. São Paulo: Globo, 2004.
________. Importância do latim na atualidade. Revista de Ciências 
Humanas e Sociais. São Paulo: Unisa, v. 1, n. 1, p. 7-12, 1999.
ADJETIVOS DE 2ª CLASSE
META
 Apresentar os adjetivos de 2ª classe em qualquer circunstância das frases latinas.
OBJETIVOS
Ao fi nal desta aula, o aluno deverá:
distinguir adjetivos de 1ª e 2ª classe e relacioná-los no 
contexto das frases;
associar a fl exão dos adjetivos de 2ª classe às palavras 
da 3ª declinação; e
exercitar frases latinas em que os adjetivos de 2ª classe 
apareçam associados a palavras das declinações 
estudadas.
PRÉ-REQUISITOS
O maior pré-requisito para os adjetivos de 2ª classe é o 
pleno domínio da 3ª declinação e das confi gurações de 
gênero. No entanto, nenhum dos assuntos conhecidos 
pode ser dispensado, porquanto o exercício das frases 
será tanto mais rico quanto mais aproveitados forem os 
temas abordados, sempre na perspectiva de um todo 
homogêneo e articulado.
Aula
13
142
Fundamentos da Língua Latina
INTRODUÇÃO 
Se você compreendeu bem o mecanismo de fl exão das palavras de 3ª 
declinação, se você assimilou inteligentemente 
as confi gurações de gênero, não terá grandes difi culdades para declinar 
os adjetivos de 2ª classe. Este tema, na verdade, nada mais é do que um 
prolongamento dos estudos da 3ª declinação, observadas algumas particu-
laridades mínimas concernentes ao trato com alguns nomes e a perfeita 
combinação entre substantivos e adjetivos, visto exercerem estes a função 
sintática de adjuntos adnominais, exigindo, pois, concordância em gênero, 
número e caso com os substantivos aos quais se ligam.
Esteja, porém, preparado para ver exemplos de concordâncias perfeitas 
em gênero, número e caso - como deve, obrigatoriamente, acontecer - sem 
que, necessariamente, apresentem as mesmas desinências. Tal fato vai acon-
tecer, muitas vezes, na articulação entre palavras de diferentes declinações, 
entre adjetivos de 1ª e 2ª classe, entre palavras de 1ª e 2ª declinação e adje-
tivos de 2ª classe e entre palavras de 3ª declinação e adjetivos de 1ª classe. 
Mais tarde, com as palavras de 4ª e a 5ª declinação, o problema se amplia.
Esta parece ser uma difi culdade muito grande a transpor, mas não se preo-
cupe: a maioria dos alunos de latim a experimenta e vence: faz parte do processo.
Esta aula é mais um avanço no conhecimento do latim, permitindo maiores 
realizações no âmbito das frases e, por isso mesmo, exigindo maiores cuidados 
a fi m de que se possa trabalhar sem embaraços palavras de várias declinações, 
em cuja articulação, como se disse, a mesma função sintática pode apresentar 
desinências diferentes.
Mais uma vez, recomendamos total segurança em relação à sintaxe, 
pois muitos problemas do latim 
se esclarecem no domínio da 
análise sintática, que, por sua 
vez, remete aos casos corretos e 
às desinências apropriadas.
Vamos em frente! Qualquer 
difi culdade deve remeter à ta-
bela para uma consulta tranqüila 
e esclarecedora. O estudo do 
latim não pode ser uma arma, 
um foco de medo e de trau-
mas. Deve, sim, ser agradável, 
inteligente e prático, causando, 
inclusive, maiores benefícios 
ao exercício da própria língua 
portuguesa.
(Fonte: http://pt.wikipedia.org).
143
Adjetivos de 2ª classe Aula
13ADJETIVOS 
Os adjetivos ditos de 2ª classe podem ser percebidos pela própria 
confi guração do português. Nesta clas-
sifi cação, podem ser incluídos aqueles adjetivos que aparecem no por-
tuguês com uma única forma servindo aos gêneros masculino e feminino, 
tais como: fácil, doce, pobre, amável, silvestre, terrestre, prudente, veloz, 
feliz etc. (Exemplo: o homem é pobre; a mulher é pobre e, assim, suces-
sivamente).Para facilitar o estudo, costuma-se dividir os adjetivos de 2ª classe 
em parissílabos e imparissílabos, conforme apresentem ou não o mesmo 
número de sílabas entre as formas do nominativo e genitivo no singular.
1. Os adjetivos parissílabos dividem-se em dois grupos:
a) BIFORMES – são aqueles que possuem duas 
terminações no nominativo singular, sendo uma para 
o masculino e feminino e outra para o neutro. Nos 
dicionários, estes adjetivos são sempre apresentados 
como a palavra seguinte: Brevis (M e F), breve (N) = 
breve. Isso quer dizer que tal adjetivo tem a mesma 
forma para os gêneros masculino e feminino (brevis) 
e outra forma para o gênero neutro (breve). Os ad-
jetivos biformes e triformes de 2ªclasse, assim como 
os de 1ª, não são apresentados com o seu genitivo. 
Cuidado, pois, para não pensar que a segunda forma 
(breve) seja equivalente ao genitivo singular tal como 
acontece na apresentação dos substantivos.
Tais adjetivos possuem as seguintes particu-
laridades:
a) Ablativo singular terminado em I. (brevi)
b) Como nos nomes parissílabos, fazem o geni-
tivo plural em IUM. (brevium)
c) Possuem os casos nominativo, vocativo e 
acusativo iguais: no singular (breve) e no plural em 
IA (brevia)(N). (No plural são iguais também nos 
mesmos casos: (Breves)(M-F)
144
Fundamentos da Língua Latina��
Nominativo Brev is Brev e
Genitivo Brev is Brev is
Dativo Brev i Brev i
Acusativo Brev em Brev e
Vocativo Brev is Brev e
Ablativo Brev i Brev i
Nominativo Brev es Brev ia
Genitivo Brev ium Brev ium
Dativo Brev ibus Brev ibus
Acusativo Brev es Brev ia
Vocativo Brev es Brev ia
Ablativo Brev ibus Brev ibus
Singular
Plural
Masculino e feminino Neutro
Conforme este modelo, declinam-se os adjetivos omnis, e = todo/ 
fortis, e = forte/ utilis, e = útil/ dulcis, e = doce/ amabilis, e = amável/ 
fi delis, e = fi el/ humilis, e = humilde etc.
Agora você vai declinar em todos os casos as seguintes combinações:
Homo, hominis = homem + fortis, e = forte – Homem forte.
Mulier, mulieris = mulher + dignus, a, um = digno, a - mulher digna. 
(Atenção: o adjetivodignus, a, um é de 1ª Classe)
Cor, cordis (N) = coração + humilis, e = humilde - Coração humilde.
Observação: os adjetivos biformes são a confi guração de maior quan-
tidade em latim.
Este exercício permite observar desinências iguais ou diferentes para 
os mesmos casos a depender ou não da correspondência de formas.
Mais exercícios virão com o mesmo propósito.
b) TRIFORMES – esses adjetivos possuem três formas distintas no 
nominativo singular, sendo uma para cada gênero. A ordem de apresenta-
ção é sempre a mesma: masculino, feminino e neutro. Exemplo: acer, acris, 
acre = azedo. Neste aspecto se parecem com os de 1ª classe, pois estes são 
todos triformes e também apresentados na forma distinta para cada gênero 
no nominativo singular.
A única diferença de declinação entre biformes e triformes é que estes 
possuem uma forma em ER para o masculino, no nominativo e vocativo 
do singular; no mais, a declinação é exatamente igual aos biformes.
Eis o modelo para declinar os parissílabos biformes:
145
Adjetivos de 2ª classe Aula
13Eis um modelo de como são declinados os triformes:
Nominativo Ac er Acr is Acr e
Genitivo Acr is Acr is Acr is
Dativo Acr i Acr i Acr i
Acusativo Acr em Acr em Acr e
Vocativo Ac er Acr is Acr e
Ablativo Acr i Acr i Acr i
Nominativo Acr es Acr es Acr ia
Genitivo Acr ium Acr ium Acr ium
Dativo Acr ibus Acr ibus Acr ibus
Acusativo Acr es Acr es Acr ia
Vocativo Acr es Acr es Acr ia
Ablativo Acr ibus Acr ibus Acr ibus
Masculino Feminino Neutro
Singular
Plural
Por este mesmo modelo, podem ser declinados os adjetivos: campester, 
campestris, campestre = campestre/ celeber, celebris, celebre = célebre/ 
puter, putris, putre = podre etc.
Agora continue a fazer exercícios. Tente declinar em todos os casos as 
seguintes combinações, contemplado adjetivos de 1ª e 2ª classes: Homo, 
hominis = homem + Celeber, celebris, e = célebre + pius, a, um = piedoso, 
a. (Homem célebre e piedoso)
Vita, ae = vida + Silvester, silvestris, e = silvestre + Sanus, a, um = 
sadio, a. (Vida silvestre e sadia)
Tempus, temporis (N) = tempo + Celer, celeris, e = rápido + Frigidus, 
a, um = frio, a. (Tempo rápido e frio)
2. Os adjetivos imparissílabos de 2ª classe não possuem, como o nome 
indica, o mesmo número de sílabas nas formas com que são apresentados. 
Eles só possuem uma única forma para o nominativo singular dos três 
gêneros, por isso são chamados de UNIFORMES. A segunda forma que 
aparece após o nominativo é o genitivo singular, tal como acontece na 
apresentação dos substantivos. 
Subdividem-se em dois grupos: ao primeiro pertencem os que possuem 
o genitivo plural em IUM e ao segundo os que têm o genitivo plural em UM. 
Fazem o genitivo plural em IUM os imparissílabos cujo radical termina 
em duas consoantes (Prudens, prudentis = prudente) ou em c (Velox, 
velocis = veloz).
146
Fundamentos da Língua Latina
(Fonte: http://www.aigialos.departament.googlepages.com)
Curiosidade: o latim e o grego se assemelham? Pesquise!
Observe agora esses nomes declinados, os quais vão servir de modelo 
para a declinação de todos os outros da mesma espécie:
Nominativo Prudens Prudens
Genitivo Prudent is Prudent is
Dativo Prudent i Prudent i
Acusativo Prudent em Prudens
Vocativo Prudens Prudens
Ablativo Prudent i Prudent i
Nominativo Prudent es Prudent ia
Genitivo Prudent ium Prudent ium
Dativo Prudent ibus Prudent ibus
Acusativo Prudent es Prudent ia
Vocativo Prudent es Prudent ia
Ablativo Prudent ibus Prudent ibus
Singular
Plural
Masculino e feminino Neutro
147
Adjetivos de 2ª classe Aula
13
Observe que as desinências são muito parecidas de um gênero a outro. 
Outra palavra modelo: Velox, velocis = veloz.
��
Nominativo Velox Velox
Genitivo Veloc is Veloc is
Dativo Veloc i Veloc i
Acusativo Veloc em Velox
Vocativo Velox Velox
Ablativo Veloc i Veloc i
Nominativo Veloc es Veloc ia
Genitivo Veloc ium Veloc ium
Dativo Veloc ibus Veloc ibus
Acusativo Veloc es Veloc ia
Vocativo Veloc es Veloc ia
Ablativo Veloc ibus Veloc ibus
Masculino e feminino Neutro
Singular
Plural
Dada a forte semelhança entre muitas desinências, nem seria necessária 
a apresentação das tabelas acima. Isso, porém, está sendo feito para que você 
visualize muito bem a declinação das palavras que serviram de modelo. Com 
este paradigma, você poderá exercitar um sem-número de palavras, desde 
148
Fundamentos da Língua Latina
que elas sejam da mesma espécie das que foram escolhidas por modelo.
É preciso ter bastante cuidado com o acusativo singular, que no mas-
culino e feminino possui a terminação EM e no neutro possui, assim como 
o vocativo, a mesma forma do nominativo.
Os particípios presentes dos verbos latinos terminam em NS e se decli-
nam como prudens, prudentis. Assim como em português, podem funcionar 
como verbos ou substantivos. Sendo substantivos, fazem o ablativo singular 
em E: fervente aqua (enquanto a água fervia), a sapiente (por um sábio). 
Por outro lado, se funcionam como adjetivos, fazem o ablativo singular em 
I: ferventi aqua (com a água que ferve, fervente), a sapienti viro (por um 
homem sábio). Tais sutilezas de análise, porém, o estudante vai adquirindo 
com o tempo e mediante contínuos exercícios.
CONCLUSÃO 
Os adjetivos de 2ª classe vêm acrescentar novas possibilidades ao 
conhecimento do latim, con-
tribuindo para o exercício de frases mais elaboradas, nas quais se bus-
cam associações inteligentes para as mesmas funções sintáticas, fruto da 
aplicação criteriosa de todo o conteúdo até então estudado.
Primeiro livro em latim impresso em Paris, em 1470, com cartas de Gasparino Barizzi, de Bergamo 
(Fonte: http://www.novomilenio.inf.br).149
Adjetivos de 2ª classe Aula
13RESUMO
A distinção entre as duas classes dos adjetivos pode ser percebida 
pela confi guração da própria língua portuguesa. Em latim, os de 1ª classe 
seguem para o masculino a 2ª declinação; para o feminino a 1ª declinação; 
e para o neutro a 2ª declinação no gênero neutro. Assim, eles sempre são 
apresentados em três formas do nominativo singular (triformes) a exemplo 
de Sanus, a, um = sadio, a ou Piger, pigra, um = preguiçoso, a. É útil fazer 
uma revisão deste assunto.
Os adjetivos que se declinam segundo o paradigma dos substantivos da 3ª 
declinação são chamados de 2ª classe. Eles podem ser triformes, biformes ou 
uniformes, conforme apresentem, respectivamente, três, duas ou apenas uma 
forma no nominativo singular dos gêneros. A esta confi guração correspondem, 
na mesma ordem, as palavras acer, acris, acre; fortis, forte e velox, velocis.
Como acontece com os adjetivos de 1ª classe, não se usa apresentá-los 
com a forma correspondente do genitivo singular. Nos de 2ª classe os geni-
tivos aparecem somente na apresentação dos uniformes, isso quer dizer que 
esta modalidade de adjetivos possui a mesma confi guração dos substantivos.
Aos poucos você vai-se acostumando com a terminologia com que são 
trabalhadas as palavras latinas. O mais importante, no entanto, é exercitar o 
mecanismo de fl exão das palavras, sempre obedecendo à função sintática 
desempenhada nas frases. Exercendo a função de adjuntos adnominais, 
devem os adjetivos combinar em gênero, número e caso com os substan-
tivos aos quais se juntam sem que, no entanto, tal combinação implique, 
necessariamente, a mesma desinência. 
Enfi m, as tabelas são apresentadas para constante consulta, visando 
a uma assimilação criteriosa e à realização de exercícios inteligentes e 
proveitosos.
ATIVIDADES
I - Responda:
1. Como distinguir adjetivos de 1ª e de 2ª classe?
2. A que declinação obedecem os adjetivos de 2ª classe?
3. O que signifi ca os termos triformes, biformes e uniformes aplicados aos 
adjetivos de 2ª classe?
4. Quais as características da declinação de cada modalidade? Exemplo.
5. O que acontece com as desinências dos adjetivos de 2ª classe quando 
associados às palavras de 3ª declinação? Exemplo.
6. Qual a relação entre os adjetivos de 2ª classe e os particípios presentes 
dos verbos? 
7. Decline celer, celeris, celere= célere, rápido, a.
8. Qual o acusativo singular de clemens, clementis = clemente (para os 
três gêneros)?
150
Fundamentos da Língua Latina
II – Construa uma tabela contendo a declinação das palavras populus, i = 
povo, natura, ae = natureza e vinum, i = vinho, associadas aos adjetivos 
silvester, silvestris, silvestre = silvestre e bonus, a, um = bom, boa.
Neste exercício, você bem pode visualizar a semelhança e a diversidade de 
desinências mesmo que se trate de casos idênticos, pois, na verdade, você 
está combinando palavras da mesma ou de declinações diferentes. 
III – No exercício seguinte, a palavra Homo, hominis = homem aparece 
associada a adjetivos das duas classes. Justifi que as formas das desinências, 
identifi cando também os possíveis casos em que as expressões se encontram. 
Em seguida, escreva frases em português que esgotem as possibilidades 
de tradução das expressões, justifi cando-as pela função sintática exercida. 
HOMINES BONOS/ HOMINES BONI/ HOMINIBUS BONIS/ HO-
MINI BONO/ HOMINI SAPIENTI/ HOMINIBUS SAPIENTIBUS/ 
HOMO SAPIENS/ HOMINUM SAPIENTIUM/
Vocabulário:
Homo, hominis = homem/ Bonus, a, um = bom, boa/ Sapiens, sapientis 
= sábio.
IV - Transponha para o latim após realizar a análise sintática:
1. Todos os povos da terra desejam reis sábios e justos.
2. A caridade abranda todas as tristezas dos homens infelizes.
3. As almas inocentes das crianças encantam os corações dos pais e das mães.
Vocabulário:
 Todo, toda = Omnis, e / Povo = Populus, i/ Terra = Terra, ae/ Rei = 
Rex, regis/ Sábio = Sapiens, sapientis / Justo = Justus, a, um/ Desejar = 
Desidero, as, avi, atum, are.
Caridade = Caritas, caritatis/ Tristeza = Tristitia, ae/ Homem = Homo, 
hominis/ Miser, misera, um = infeliz/ Abrandar = Mitigo, as, avi, atum, are.
Alma = Anima, ae/ Inocente = Inocens, inocentis/ Criança = Puer, pueri 
(M)/ Coração = Cor, cordis (N)/ Pai = Pater, patris/ Mãe = Mater, matris.
V – Traduza do latim para o português após fazer a análise sintática dos 
termos:
1. Exempla clarorum et sapientium virorum omnibus hominibus utilia sunt.
2. Divitum vita hominum voluptates magnas ministrat.
3. Celebria erant Jovis oracula populis antiquis.
Vocabulário:
Exemplum, i = exemplo/ Clarus, a, um = ilustre/ et = e/ Sapiens, sapientis 
= sábio/ Vir, viri = varão/ Omnis, e = todo, a/ Homo, hominis = homem 
/ Utilis, e = útil/ Sum, es, fui, esse = ser.
Dives, divitis = rico/ Vita, ae = vida/ Voluptas, voluptatis = prazer, volú-
pia/ Magnus, a, um = grande/ Ministro, as, avi, atum, are = proporcionar.
Celeber, celebris, celebre = célebre/ Juppiter, Jovis = Júpiter/ Oraculum, 
i = oráculo/ Populus, i = povo/ Antiquus, a, um = antigo, a.
151
Adjetivos de 2ª classe Aula
13
COMENTÁRIO SOBRE AS ATIVIDADES
No item I, as questões querem reforçar a compreensão dos conteúdos.
Quanto ao item II, usamos substantivos e adjetivos associados. Por 
que formas iguais e diferentes?
A execução do item II, leva a aprender a fl exão de palavras associadas 
de declinações diferentes.
Nos itens IV e V, o bom exercício da análise sintática vai garantir a 
pertinência da tradução do latim ao português e vice-versa. 
PRÓXIMA AULA
Depois de conhecer os adjetivos de 2ª classe, mais adiante você estudará 
os nomes de 4ª e 5ª declinações.
REFERÊNCIAS
ALMEIDA, Napoleão Mendes de. Gramática latina. São Paulo: Saraiva, 
1995.
CARDOSO, Zélia de Almeida. Iniciação ao latim. São Paulo: Ática, 1989.
COMBA, Júlio. Gramática latina. São Paulo: Salesiana, 1981.
FARIA, Ernesto. Dicionário latino português. Belo Horizonte: Garnier, 
2003.
FERREIRA, Antonio Gomes. Dicionário de Português - Latim. Porto: 
Porto, 1997.
GONZAGA, Maria Cristina de Brito. Frases de latim forense. São Paulo: 
Livraria de Direito, 1994.
LUIZ, Antônio Filardi. Dicionário de expressões latinas. São Paulo: 
Atlas, 2002.
MACHADO, Luiz. Uma nova visão do latim pelo uso da inteligência. 
Rio de Janeiro: Cidade do cérebro, 1999.
SARAIVA, F. R. dos Santos. Dicionálrio Latino-português. Belo Hori-
zonte: Garnier, 2000.
SOARES, João S. Latim 1 – Iniciação ao latim e à civilização romana. 
Coimbra: Almedina, 1999.
VIARO, Mário Eduardo. Por trás das palavras. São Paulo: Globo, 2004.
__________. Importância do latim na atualidade. Revista de ciências 
humanas e sociais. São Paulo: Unisa, v. 1, n. 1, p. 7-12, 1999.
ESTUDO DOS NOMES DE
4ª E 5ª DECLINAÇÕES
META
Mostrar o mecanismo de fl exão das palavras de 4ª e 5ª declinações e empregá-las corretamente no 
contexto das frases.
OBJETIVOS
Ao fi nal desta aula o aluno deverá:
identifi car as desinências de 4ª e 5ª declinações;
associar as palavras dessas declinações aos conteúdos já estudados;
reconhecer as semelhanças e diferenças de formas no desempenho das funções sintáticas; e
realizar pequenos exercícios de tradução do português para o latim e vice-versa, tendo agora o 
conhecimento de todas as declinações e dos adjetivos de 1ª e 2ª classes.
PRÉ-REQUISITOS
Domínio das declinações dos substantivos, adjetivos e verbos até aqui estudados.
Aula
14
154
Fundamentos da Língua Latina
INTRODUÇÃO 
O estudo das duas declinações aqui abordado completa o conhecimento 
sobre os substantivos latinos e seus 
mecanismos de fl exão. É claro que as informações até aqui fornecidas 
têm caráter bastante elementar, mas o sufi ciente para dar prosseguimento 
aos estudos.
Se você consultar uma gramática, vai tomar conhecimento de muitas 
particularidades, características e exceções envolvendo a declinaçãodos 
nomes latinos. Tais detalhes, no entanto, pertencem a conhecimentos mais 
aprofundados. A depender de seu interesse em aprofundar os estudos do 
latim, eles poderão ser objeto de estudos posteriores para os quais qualquer 
gramática oferece subsídios sufi cientes.
As declinações aqui em apreço, embora consideradas as mais simples 
até porque comportam um número reduzido de palavras, possuem também 
certas particularidades a serem observadas.
A prática até agora desenvolvida com as outras declinações conduz, 
igualmente, à maior segurança e tranqüilidade na abordagem das palavras 
de 4ª e de 5ª declinação.
Com esta aula completam-se as informações sobre as fl exões dos nomes 
latinos e você estará apto para trabalhar qualquer palavra da língua em frases 
mais amplas e em maior quantidade mesmo sabendo que irá utilizar muito 
pouco as duas declinações aqui abordadas, sobretudo a 5ª declinação.
155
Terceira declinação – nomes masculinos e femininos Aula
144ª E 5ª
DECLINAÇÕES 
Você agora vai estudar as duas declinações mais simples do latim. O 
fato de as duas serem abordadas numa só 
aula não signifi ca que elas possuem afi nidades de formas entre si. Pelo 
contrário, são declinações de desinências bastante diversifi cadas entre si. 
Apresentamos as duas numa só aula porque ambas possuem um número 
reduzido de palavras – a 5ª, sobretudo – tornando o assunto bastante sucinto 
e sendo elas usadas poucas vezes.
Você vai perceber maior semelhança da 4ª com a 2ª e da 5ª com a 3ª, 
sendo necessário, por causa disso, redobrar os cuidados para não confundir 
as listas na hora de fl exionar as palavras. Importa ainda observar que, antes 
da passagem do latim para o português, algumas palavras de 5ª declinação 
já migravam para a 1ª. Assim, Materies, ei / Luxuries, ei / Barbaries, ei 
tornaram-se, respectivamente, Materia, ae/ Luxuria, ae/ Barbaria, ae, re-
duzindo ainda mais o número de palavras da 5ª declinação.
O genitivo singular, sempre apresentado logo após o nominativo, será 
o elemento seguro na hora de distribuir as palavras em suas respectivas 
declinações.
1 4
Nominativo us ua
Genitivo uum uum
Dativo ibus (ubus) ibus
Acusativo us ua
Vocativo us ua
Ablativo ibus (ubus) ibus
Nominativo us u
Genitivo us us (u)
Dativo ui u
Acusativo um u
Vocativo us u
Ablativo u u
Singular
Plural
Masculino e feminino Neutro
156
Fundamentos da Língua Latina
Agora observe as desinências dos nomes de 4ª declinação: 
Agora veja palavras declinadas segundo o modelo. Inicialmente, 
apresentamos a fl exão dos masculinos e femininos. Tomemos a palavra 
FRUCTUS, US (M) = Fruto. Poderia também ser uma palavra feminina 
como MANUS, US e as desinências seriam as mesmas.
 Singular Plural
Nominativo Fruct us – o, um fruto Fruct us – os, uns frutos
Genitivo Fruct us – de, do, de um fruto Fruct um – dos, de uns frutos
Dativo Fruct ui – ao, para o fruto Fruct ibus – aos, para frutos
Acusativo Fruct um - o, um fruto Fruct us - os, uns frutos
Vocativo Fruct us – ó fruto Fruct us - ó frutos
Ablativo Fruct u – em, sem, por fruto Fruct ibus - em, sem, frutos
 Singular Plural
Nominativo Gen u – o, um joelho Gen ua – os, uns joelhos
Genitivo Gen us - (ou genu) de, do... Gen uum – de, dos joelhos
Dativo Gen u - a, para o joelho Gen ibus – a, para os joelhos
Acusativo Gen u – o, um joelho Gen ua – os, uns joelhos
Vocativo Gen u – ó joelho Gen ua – ó joelhos
Ablativo Gen u – em, no, sem joelho Gen ibus – em, no, sem...
Por este mesmo paradigma, declinam-se Spiritus, us = espírito/ Exer-
citus, us = exército/ Sensus, us = sentido/ Currus, us = carro/ Nurus, us 
(F) = nora/ Socrus, us (F) = sogra/ Anus, us (F) = velha etc.
Agora observe a declinação de um nome neutro. Tomemos a palavra 
GENU, US = Joelho. No singular as palavras neutras de 4ª declinação 
praticamente possuem a mesma desinência para todos os casos. O único 
caso diferente é o genitivo, o qual possui, contudo, duas formas.
A igualdade de desinências para todos os casos já refl ete, dentro do 
próprio latim, uma tendência das línguas românicas de reduzir todas as 
palavras declináveis a apenas duas formas, uma para o singular e outra 
para o plural. No latim, porém, essa uniformidade de desinências difi culta 
a identifi cação de cada caso em contextos isolados ou de menor amplitude. 
Nesta hora, é de suma importância o papel dos adjetivos, uma vez que eles 
podem ajudar a precisar a ocorrência de alguns casos aos quais se ligam. 
Assim, isoladamente, a forma GENU pode traduzir qualquer caso do 
singular. No entanto, a expressão GENU LASSO, isto é, o substantivo re-
157
Terceira declinação – nomes masculinos e femininos Aula
14forçado por um adjetivo (Lassus, a, um = cansado) indica necessariamente a 
incidência de um dativo ou de um ablativo. Por sua vez, a forma GENU(S) 
LASSI remete ao genitivo; GENU LASSUM traduz o nominativo, o voca-
tivo e o acusativo. Você viu como a presença do adjetivo, com suas formas 
mais precisas, ajuda na defi nição dos casos? Tudo isso força o raciocínio 
e vem mais uma vez confi rmar que o latim se opera por lógica para a qual 
a simples memorização termina complicando, ou melhor, reduzindo as 
chances de um estudo criterioso e efi caz. 
Como forma de exercício continue a combinação acima, mostrando 
como fi cam todos os casos do plural.
A 4ª declinação também ajuda a compreender certas palavras da língua 
portuguesa que possuem apenas uma forma para o singular e o plural: vírus, 
bônus, ônus, ânus, húmus etc.
CUIDADO! Muito cuidado mesmo, para não confundir a 4ª declina-
ção com a 2ª, pois, como se pôde ver, algumas desinências se assemelham. 
Por outro lado, o hábito de ver a desinência US (populus = povo) sempre 
associada aos nomes masculinos de 2ª declinação pode causar difi culdade 
em perceber formas do gênero femi-
nino da 4ª declinação terminadas em 
US (manus = mão). Por causa disso, 
você mesmo conhecerá a tentação de 
escrever MANUS SANUS em lugar de 
MANUS SANA (mão sadia).
Tal confusão vai desaparecendo 
na medida em que forem associadas 
palavras de 4ª declinação aos adjetivos 
de 1ª e de 2ª classes. Para tanto, realize 
o exercício agora proposto declinando 
as seguintes palavras:
a) SPIRITUS BONUS ET NOBILIS
b) MANUS SANA ET VELOX
c) GENU MORBIDUM ET FRAGILE
Vocabulário: Spiritus, us = espírito/ Bonus, a, um = bom, boa/ No-
bilis, e = nobre.
Manus, us (F) = mão/ Sanus, a, um = sadio, a/ Velox, velocis = veloz.
Genu, us (N) = joelho/ Morbidus, a, um = doente/ Fragilis, e = frágil.
Certos nomes da 4ª declinação fazem o dativo e o ablativo plural 
em UBUS em vez de IBUS. Exemplo: Lacus, us = lago/ Acus, us (F) = 
agulha/ Tribus, us (F) = tribo/ Pecu, us (N) = rebanho. Isso acontece por 
questões fonéticas ou, em outros casos, para evitar confusão de formas 
entre declinações, a exemplo de Partus, us = parto (Partubus) e Pars, partis 
= parte (Partibus).
158
Fundamentos da Língua Latina
5ª DECLINAÇÃO
Agora passamos a conhecer a 5ª declinação, a última e a mais simples 
de todas. Possui um número ínfi mo de palavras 
e até se pode dizer que apenas dois nomes (RES, 
REI = coisa e DIES, DIEI = dia) constituem 
verdadeiramente esta declinação. Os outros 
poucos nomes não são declinados em todos 
os casos. 
Esta declinação não possui nomes neu-
tros e, praticamente, todas as suas palavras são 
femininas com exceção de Dies, diei = dia, que, 
a depender do signifi cado, pode ser do gênero 
masculino ou feminino: o dia incerto é feminino. 
Exemplo: Dies irae, dies illa = Dia de ira, aquele 
dia (illa = feminino); o dia conhecido, certo, é 
masculino. Exemplo: Dignare, Domine, die isto sine peccato nos custodire 
= Digna-te, Senhor, neste dia (isto = masculino) guardar-nos ser pecado).
Agora observe os paradigmas para fl exionar qualquer palavra de 5ªdeclinação: 1 4
 Singular Plural
Nominativo ES ES
Genitivo EI ERUM
Dativo EI EBUS
Acusativo EM ES
Vocativo ES ES
Ablativo E EBUS
Apresentamos a palavra DIES, EI = dia, fl exionada:
1 4
Nominativo Di es – o, um dia Di es – os, uns dias
Genitivo Di ei – de, do, de um dia Di erum – de, dos dias
Dativo Di ei – ao, para o dia Di ebus – aos, para os dias
Acusativo Di em – o, um dia Di es – os, uns dias
Vocativo Di es – ó dia Di es – ó dias
Ablativo Di e – em, no, sem dia Di ebus – em, nos, sem dias
 Singular Plural
159
Terceira declinação – nomes masculinos e femininos Aula
14Os demais nomes, como se disse, não são usados no plural, havendo, 
porém, certos deles que, no plural, são usados apenas nos casos em ES: 
Pernicies, ei = estrago/ Fides, ei = fé/ Spes, ei = esperança/ Durities, ei 
= dureza etc.
Aqui se encerram as abordagens sobre a declinação dos substantivos, 
permitindo trabalhar, a partir de agora, todos os nomes declináveis da 
língua latina.
Você deve ter notado a grande variedade de desinências distribuídas por 
entre as diversas declinações. O reconhecimento da lista certa para declinar 
as palavras é sempre possível se o genitivo singular vier imediatamente após 
a forma do nominativo. Habitue-se a esta prática e você não terá qualquer 
dúvida sobre onde situar cada palavra. 
Muitas desinências são iguais de uma declinação a outra, mas isso não 
se constata em relação ao genitivo, pois não existe genitivo singular igual 
de declinação para declinação. 
EM RESUMO: Eis as terminações dos genitivos de cada declinação, 
válidas para todos os gêneros:
Singular Plural
1ª declinação – AE ARUM 
2ª declinação – I ORUM
3ª declinação – IS UM/IUM
4ª declinação – US UUM 
5ª declinação – EI ERUM 
Apresentamos agora um quadro sinótico, contendo todas as desinências 
de todas as declinações. Este quadro que tivemos o cuidado de elaborar 
é um modo prático de visualizar, de uma só vez, todas as possibilidades 
que abrangem as palavras latinas. Pode-se dizer que boa parte do latim se 
encontra neste quadro-resumo. Ele é para ser usado, consultado, trans-
formado em objeto de estudo de grande utilidade para realizar frases em 
latim e compreender os textos apresenta-
dos para tradução. Com esta tabela você 
estará carregando, por onde for, a língua 
latina perfeitamente visualizada em suas 
possíveis fl exões. 
O domínio seguro da análise sintática 
continua sendo o ponto de apoio para 
bem trabalhar o latim. Olhando com 
atenção a tabela, você poderá realizar ex-
ercícios mentais que permitam imaginar 
de que forma se revestiria cada palavra 
em contexto sintático específi co. Se você 
160
Fundamentos da Língua Latina
visualizar o quadro na vertical, estará percebendo todas as possibilidades 
de uma declinação qualquer. Na ótica horizontal, por sua vez, você con-
hecerá a relação entre declinações e as possíveis formas manifestadas nas 
palavras quando estão cumprindo funções sintáticas idênticas. Trata-se de 
um exercício divertido com explorações variadas das palavras de diferentes 
declinações articuladas entre si.
CONCLUSÃO
Com esta aula conclui-se o estudo de todos os nomes declináveis em 
latim, ou seja, substantivos e adjetivos. 
Palavras de outras classes também declináveis fazem parte de um tema 
de estudo específi co. A base, porém, é o pleno domínio das cinco declina-
ções associado a uma total segurança sobre análise sintática. 
Os pronomes, por exemplo, fazem parte de um grupo de palavras 
bastante utilizadas no exercício da língua. A forma pela qual os pronomes 
se fl exionam tem muita semelhança com a declinação dos nomes em geral; 
muitas desinências são comuns e de fácil assimilação. Isto você vai constatar 
na aula 18.
Por sua vez, os numerais ordinais e as formas nominais dos verbos estão 
em perfeita sintonia com as fl exões dos nomes, sobretudo dos adjetivos de 
1ª classe no que se refere aos numerais, certos particípios e as formas com 
que se obtém a voz passiva analítica.
Tais assuntos, porém, serão dominados pouco a pouco, no exercício 
prático da língua.
161
Terceira declinação – nomes masculinos e femininos Aula
14Recomendamos, mais uma vez, a utilização constante do QUADRO 
SINÓTICO aqui apresentado e, por meio dele, o desenvolvimento de 
exercícios contemplando o maior número possível de palavras de todas as 
declinações e destas articuladas entre si.
RESUMO
Com esta aula conclui-se o estudo de todos os nomes declináveis em 
latim, ou seja, substantivos e adjetivos. 
Palavras de outras classes também declináveis fazem parte de um tema 
de estudo específi co. A base, porém, é o pleno domínio das cinco declina-
ções associado a uma total segurança sobre análise sintática. 
Os pronomes, por exemplo, fazem parte de um grupo de palavras 
bastante utilizadas no exercício da língua. A forma pela qual os pronomes 
se fl exionam tem muita semelhança com a declinação dos nomes em geral; 
muitas desinências são comuns e de fácil assimilação. Isto você vai constatar 
na aula 18.
Por sua vez, os numerais ordinais e as formas nominais dos verbos estão 
em perfeita sintonia com as fl exões dos nomes, sobretudo dos adjetivos de 
1ª classe no que se refere aos numerais, certos particípios e as formas com 
que se obtém a voz passiva analítica.
Tais assuntos, porém, serão dominados pouco a pouco, no exercício 
prático da língua.
Recomendamos, mais uma vez, a utilização constante do QUADRO 
SINÓTICO aqui apresentado e, por meio dele, o desenvolvimento de 
exercícios contemplando o maior número possível de palavras de todas as 
declinações e destas articuladas entre si.
162
Fundamentos da Língua Latina
ATIVIDADES
1. Por que as declinações 4ª e 5ª são consideradas as mais simples em latim? 
Explique.
2. Quais as palavras da 5ª declinação que possuem todas as formas no 
singular e no plural?
3. Qual o critério para utilizar IBUS ou UBUS nas palavras da 4ª declinação? 
Em que casos do plural isso acontece?
4. A 4ª declinação possui muitas formas iguais para o singular e o plural. 
Qual o recurso que pode auxiliar na identifi cação dos casos? Exemplifi que.
5. Que semelhanças apresentam no plural as terminações do genitivo,
a) CARPE DIEM, eis um tema lírico muito grato ao poeta Horácio.
b) Para surpresa de todos, a reunião foi adiada SINE DIE.
c) Analise sintaticamente os termos latinos e realize a transposição de ambas 
as expressões para o plural. 
III – Acrescentando ao substantivo dia os adjetivos Bonus, a, um e Felix, 
felicis, à primeira expressão e os adjetivos Certus, a, um e possibilis, e à 
segunda expressão, tem-se:
CARPE DIEM ___________et _______________________
SINE DIE ____________________et ___________________
Observação: Considere a questão de gênero da palavra dies, ei explicada 
nesta aula.
IV – Compreendendo a função sintática dos termos da oração, explique o 
que diferencia as formas das palavras Pai, Filho e Espírito Santo nas frases:
In nomine Patris et Filii et Spiritus Sancti (Em nome do Pai, do Filho e do 
Espírito Santo).
Gloria Patri et Filio et Spiritui Sancto (Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito 
Santo).
Vocabulário:
In = Em – preposição que rege ablativo/ Nomen, nominis (N) = Nome/ 
Pater, Patris = Pai/ Filius, i = Filho/ Spiritus, us = Espírito/ Sanctus, a, 
um = Santo, a/ Gloria, ae = Glória.
V – Explique sintaticamente as expressões LATO SENSU e STRICTO 
SENSU.
Vocabulário: Sensus, us = senso,sentido/ Strictus, a, um = estrito, a/ Latus, 
a, um = largo, amplo, a.
VI – TRADUZA do latim após realizar a análise sintática dos termos:
a) Belorum exitus incerti semper erunt.
b) Magnam fructuum copiam divinabamus.
c) Fortuna est rerum domina et magistra.
d) Si spes est signum boni, mali signum metus est.
VII – Após realizar a análise sintática, transponha para o latim:
a) A história explica as coisas e as causas das coisas.
163
Terceira declinação – nomes masculinos e femininos Aula
14b) Nossas esperanças são frágeis e vãs.
c) O exército romano dominou o mundo.
Vocabulário:
Historia, ae = história/ Explico, as, avi, atum, are = explicar/ Res, ei = coisa/ 
Causa, ae = causa/ Noster, nostra, um = nosso, a/ Spes, spei = esperança/ 
fragilis, e = frágil/ Vanus, a, um = vão, vã/ Exercitus, us = exército/ 
Romanus, a, um = romano/ Domino, as, avi, atum, are = dominar / Mun-
dus, i = mundo. Carpo, is, carpsi, carptum, carpere = colher, aproveitar/ 
Sine = sem – preposição que rege ablativo (a preposição é invariável, não 
se declina). Bellum, i = guerra/ Exitus, us = êxito, sucesso/ Incertus, a, um 
= incerto, a/ Magnus, a, um = grande/ Fructus, us = fruto/ Copia, ae = 
abundância/ Sum, es, fui, esse = ser/ semper = sempre/ Divino, as, avi, 
atum, are = adivinhar, pressentir/ Fortuna, ae = sorte/ Res, rei = cosa/ 
domina, ae = senhora/ magistra, ae = mestra/ Spes, spei = esperança / 
Si = se (conjunção – indeclinável)/ Malum, i = mal/ Signum, i = sinal/ 
Bonum, i = bem/ Metus, i = medo. do dativo e do ablativo de 5ª com as 
outras declinações? 
II. Compreendendo a função sintática de cada termo da oração, explique 
a diferença formal da palavra DIES, EI = dia, nas expressões latinas que 
aparecem nas frases abaixo:
COMENTÁRIO SOBRE AS ATIVIDADES
I - Com este exercício se pretende revisar elementos básicos na 
compreensão das declinações aqui estudadas. A qualquer dúvida, 
deve-se recorrer às explicações contidas nesta aula.
II - Uma palavra pode adquirir feições diversas a depender da função 
sintática que desempenha nas frases. Aqui se trata de elaborar a mesma 
palavra em circunstâncias diferentes. O intuito é forçar o raciocínio e 
tomar consciência das possibilidades a que levam as funções sintáticas 
nas frases.
III - Expressões latinas de uso corrente são trabalhadas mediante 
acréscimos. Este exercício retoma os adjetivos de 1ª e 2ª classes e eles 
são trabalhados conjuntamente, evidenciando diferentes formas na 
mesma função sintática.
IV - O que faz a mesma expressão adquirir feições diversas em latim? 
Certamente, a função sintática conduz à escolha exata do caso latino. 
Este exercício é bastante prático porque lida com a percepção de 
formas para uma mesma expressão.
164
Fundamentos da Língua Latina
V - Para melhor compreender expressões latinas em pleno uso na 
atualidade, as expressões aqui analisadas evidenciam a diferença de 
formas exigida pela função sintática.
VI e VII - Análise sintática e tradução. Os exercícios de tradução 
do latim ao português e vice-versa vão dinamizando a prática com a 
estrutura dessas línguas . O recurso é sempre o mesmo: identifi car o 
verbo e ver o tipo de sujeito que ele requer (singular ou plural) bem 
como os complementos que comportar e, fi nalmente, os adverbiais, 
se houver.
Não costumamos repetir as palavras que já apareceram no vocabulário. 
Se elas aparecerem no contexto de outros exercícios, fi que, portanto, 
muito atento para encontrá-las quando se fi zer necessário.
PRÓXIMA AULA
Logo mais você identifi cará a morfologia dos verbos de 3ª conjugação, 
conhecendo as fl exões dos verbos nas vozes ativa e passiva. 
REFERÊNCIAS
ALMEIDA, Marcos. Latim para todos. Aracaju: J. Andrade, 2007.
ALMEIDA, Napoleão Mendes de. Gramática latina. São Paulo: Saraiva, 
1995.
CARDOSO, Zélia de Almeida. Iniciação ao latim. São Paulo: Ática, 1989.
COMBA, Júlio. Gramática latina. São Paulo: Salesiana, 1981.
FURLAN, Oswaldo Antônio. Latim para o português. Florianópolis: 
EDUFSC, 2006.
GONZAGA, Maria Cristina de Brito. Frases de latim forense. São Paulo: 
Livraria de Direito, 1994.
LUIZ, Antônio Filardi. Dicionário de expressões latinas. São Paulo: 
Atlas, 2002.
MACHADO, Luiz. Uma nova visão do latim pelo uso da inteligência. 
Rio de Janeiro: Cidade do cérebro, 1999.
SOARES, João S.. Latim 1 – Iniciação ao latim e à civilização romana. 
Coimbra: Almedina, 1999.
STOCK, Lco. Conjugação dos verbos latinos. Lisboa: Presença, 2000.
WILLIAMS, Edwin B. Do Latim ao português. Rio de Janeiro: Tempo 
Brasileiro, 1975.
VIARO, Mário Eduardo. Por trás das palavras. São Paulo: Globo, 2004.
_________ Importância do latim na atualidade. Revista de ciências 
humanas e sociais. São Paulo: Unisa, v. 1, n. 1, p. 7-12, 1999.
MORFOLOGIA DOS VERBOS
DE 3ª CONJUGAÇÃO
META
Mostrar as fl exões dos verbos de terceira conjugação nas vozes ativa e passiva.
OBJETIVOS
Ao fi nal desta aula o aluno deverá:
distinguir os verbos latinos pela conjugação a que pertencem;
aplicar as formas verbais em todas as suas confi gurações no contexto de pequenas frases latinas;
exercitar a derivação verbal a partir do conhecimento das formas primitivas;
destacar semelhanças e diferenças entre a 2ª e 3ª conjugações verbais;
reconhecer as características das conjugações estudadas mediante a comparação das formas; e 
realizar exercícios de tradução, reconhecendo as marcas de tempo, modo, pessoa, número e voz.
PRÉ-REQUISITOS
Os mesmos pré-requisitos apontados no estudo dos verbos anteriormente estudados valem também 
para os verbos da 3ª conjugação. Além do mais, os assuntos que tratam da declinação dos nomes 
devem ser revistos seguramente. 
Aula
15
166
Fundamentos de Língua Latina
INTRODUÇÃO 
Nesta altura, você já deve transitar com desenvoltura por todas as 
declinações e saber associá-las umas às outras, recorrendo aos substantivos 
e adjetivos como palavras de base para a realização das frases.
Importante é sempre associar os conhecimentos adquiridos, numa per-
spectiva de conjunto onde os trabalhos são efetuados na maior serenidade, 
buscando-se mais o raciocínio do que a memorização inconseqüente. Daí 
a necessidade de se estar sempre consultando os dicionários, as tabelas e 
os quadros sinóticos.
A 3ª conjugação é mais um avanço no conhecimento do latim. Como 
se disse das conjugações anteriormen-te abordadas, através dos tempos 
primitivos, que sempre são dados pelos dicionários, é possível chegar-se 
a todas as confi gurações com que os verbos são caracterizados. Retome 
o texto introdutório das lições 7, 9 e 12, referentes aos verbos esse (ser) 
e aos de 1ª e 2ª conjugações. As mesmas observações valem para os de 
3ª conjugação, abordados nesta aula. Importa sempre conhecer, antes de 
qualquer trabalho com os verbos, os seus tempos primitivos. Neles estão 
contidas as particularidades que devem ser observadas para obter a totali-
dade das formas. 
As conjugações 2ª e 3ª muito se assemelham, por isso é preciso ter aten-
ção para não confundir as formas do infi nitivo, pois é impossível conjugar 
qualquer verbo que não seja usando o paradigma de sua própria conjugação.
Temos mostrado nas aulas anteriores como é bastante simples o pro-
cesso de fl exão dos verbos. Trata-se de algo prático e inteligente, sendo 
fundamental conhecer apenas um verbo da conjugação em apreço para, 
então, trabalhar qualquer outro da mesma espécie. Você não está obrigado 
a decorar fórmulas ou listas inteiras de tempos, modos etc. A memorização 
pode até acontecer por força do hábito, mas, em princípio, você apenas 
precisa saber consultar as tabelas, isolar os radicais e aplicar as desinências.
Vamos, então, conhecer os verbos de 3ª conjugação, ou melhor, vamos 
nos familiarizar com as tabelas que mostram todas as possibilidades de 
articulação verbal nas vozes ativa e passiva.
167
Morfologia dos verbosde 3ª conjugação Aula
153ª CONJUGAÇÃO 
À 3ª conjugação latina pertencem os verbos cujo infi nitivo apresenta 
terminação em ERE (breve) LEG- ERE = ler (pronúncia: légere). Repare 
que a 2ª conjugação também apresentava o infi nitivo com a terminação 
em ERE. A diferença entre as duas, porém, consiste na posição da sílaba 
tônica, pois nos verbos de 2ª conjugação a terminação do infi nitivo é longa: 
DEL-ERE (pronúncia: delére). 
Compare bem as duas formas do infi nitivo das conjugações em apreço:
2ª conjugação: DELÉRE - 3ª conjugação: LÉGERE. Se você percebeu 
a diferença, tente agora realizar uma série de exercícios procurando verbos 
que se enquadrem em um ou outro modelo.
Outra maneira de reconhecer se o verbo pertence à 2ª ou à 3ª conjuga-
ção está indicada na primeira pessoa do singular do presente do indicativo, 
forma verbal que aparece em primeiro lugar na relação dos tempos primi-
tivos com que são apresentados todos os verbos nos dicionários latinos. 
Desta forma, se a 1ª pessoa do presente do indicativo terminar em EO, o 
verbo, certamente, pertence à 2ª conjugação, tendo, portanto, o infi nitivo 
em ERE longo. Observe:
Presente do indicativo – DELEO – infi nitivo DELÉRE (longo), logo 
se trata de 2ª conjugação.
Se, por outro lado, a 1ª pessoa do presente do indicativo terminar em 
O ou IO, o infi nitivo deverá terminar em ERE breve. Observe:
Presente do indicativo – LEGO – infi nitivo LÉGERE (breve), logo 
se trata de 3ª conjugação ou 
Presente do indicativo – CAPIO – infi nitivo CÁPERE (breve), logo 
se trata também de 3ª conjugação.
Esta observação é muito importante porque os verbos só podem ser 
fl exionados segundo o modelo da conjugação que lhes é própria e, apesar 
de certas semelhanças formais, as diferenças entre a 2ª e a 3ª conjugações 
são consideráveis.
Na verdade, tais observações já foram colocadas quando foi estudada 
a 2ª conjugação - aula 12 – mas é sempre bom recordá-las para evitar 
equívocos no momento do uso.
Agora você vai conhecer o modelo de fl exão dos verbos de 3ª conju-
gação. Observe atentamente as tabelas contendo todas as confi gurações 
destes verbos nas vozes ativa e passiva. Para a mais completa visualiza-
ção, as tabelas compreendem os verbos Lego (leio) e Cápio (tomo). As 
pequenas diferenças formais entre ambos até dispensariam a apresentação 
de dois verbos, pois se trata de uma mesma conjugação. Estamos, no en-
tanto, facilitando ao máximo a fi m de evitar qualquer equívoco e, por isso, 
recomendamos que você observe atentamente as tabelas e realize várias 
substituições empregando verbos da mesma espécie. Assim procedendo, 
168
Fundamentos de Língua Latina
você vai-se familiarizando com todos os verbos. A sistemática é sempre a 
mesma: isolar o radical do verbo apresentado como padrão e substituí-lo 
pelo radical de qualquer outro da mesma conjugação: as desinências são as 
mesmas para todos e se enquadram perfeitamente facilitando o uso correto.
 3ª CONJUGAÇÃO
VOZ ATIVA
LEGO, IS, LEGI, LECTUM, ERE
Pelo mesmo modelo são conjugados os verbos: Discere (disco) = 
aprender; Facere (fácio)= fazer; Dicere (dico) = dizer; Mittere (mitto) = 
enviar; Lenire (lenio) = abrandar; 
Observe que os verbos de 3ª conjugação possuem duas formas exata-
mente iguais para tempos diferentes. Trata-se das 1ª pessoas do singular do 
presente do subjuntivo e do futuro imperfeito. Assim, a forma legam pode 
signifi car, respectivamente, eu leia ou eu lerei, a depender do contexto. Esta 
mesma característica acontece com os verbos da 4ª conjugação e também 
na voz passiva de ambas as conjugações.
169
Morfologia dos verbos de 3ª conjugação Aula
15
Indicativo Subjuntivo
lego = leio legam = leia
legis legas
legit legat
legimus legamus
legitis legatis
legunt legant
legebam = lia legerem = lesse
legebas legeres
legebat legeret
legebamus legeremus
legebatis legeretis
legebant legerent
legam = lerei
leges
leget
legemus
legetis
legent
legi = li, tenho lido legerim = tenha lido
legisti legeris
legit legerit
legimus legerimus
legistis legeritis
legerunt legerint
legeram=lera, tinha lido legessem = tenha lido
legeras legisses
legerant legisset
legeramus legissemus
legeratis legissetis
legerant legissent
legero = terei lido
legeris
legerit
legerimus
legeritis
legerint
Presente
Futuro imperfeito
Imperfeito
Perfeito
Mais-que-
perfeito
Futuro
anterior
170
Fundamentos de Língua Latina
Imperativo Infinitivo Participio
 lege = lê legere = ler legens, legentis
Presente = que lê
 legite = lede
 legito lecturum, am, um esse lecturus, a um
 = ir ler, deve ler = que vai ler,
 Futuro que deve ler,
 para ler
legitote
legunto
 Passado legisse = ter lido
 Gerúndio Supino
 Gen. legendi = de ler lectum = para ler
 Dat. legendo lectu = de ler, por ler
 Abl. legendo = lendo
 Ac. (ad) legendum = (para) ler
3ª CONJUNGAÇÃO ATIVA
(Fonte: http://pt.wikibooks.org).
Tradução literal: “Louvam aquelas (coisas), mas lêem estas (coisas)!”
171
Morfologia dos verbos de 3ª conjugação Aula
15
Indicativo Subjuntivo
capio= tomo capiam = tome
capis capias
capit capiat
capimus capiamus
capitis capiatis
capiunt capiant
capiebam = tomava caperem = tomasse
capiebas caperes
capiebat caperet
capiebamus caperemus
capiebatis caperetis
capiebant caperent
capiam = tomarei
capies
capiet
capiemus
capietis
capient
cepi = tomei, tenho tomado ceperim = tenha tomado
cepisti ceperis
cepit ceperit
cepimus ceperimus
cepistis ceperitis
ceperunt ceperint
ceperam=tomara, tinha tomado cepissem = tivesse tomado
ceperas cepisses
ceperant cepisset
ceperamus cepissemus
ceperatis cepissetis
ceperant cepissent
cepero = terei tomado
ceperis
ceperit
ceperimus
ceperitis
ceperint
Presente
Futuro Imperfei-
to
Imperfeito
Perfeito
Mais-que-
perfeito
Futuro
Anterior
3ª CONJUNGAÇÃO
VOZ ATIVA
CAPIO, IS, CEPI, CAPTUM, ERE
172
Fundamentos de Língua Latina
VARIANTE DA 3ª ATIVA
Imperativo Infinitivo Particípio
 cape = toma capere = tomar capiens, capientis
Presente = que toma
capite = tomai
capito capturum, am, um esse capturus, a um
= ir tomar, dever tomar = que vai tomar,
Futuro que deve tomar,
 para tomar
capitote
capiunto
 Passado cepisse = ter tomado
 Gerúndio Supino
 Gen. capiendi = de tomar captum = para tomar
 Dat. capiendo captu = de tomar, por tomar
 Abl. capiendo = tomando
 Ac. (ad) capiendum = (para) tomar
173
Morfologia dos verbos de 3ª conjugação Aula
1515aula
Indicativo Subjuntivo
legor= sou lido legar = seja lido
legeris legaris ou legare
legitur legatur
legimur legamur
legunini legamini
leguntur legantur
legebar = era lido legerer = fosse lido
legebaris ou legebare legereris ou legerere
legebatur legeretur
legebamur legeremur
legebamini legeremini
legebantur legerentur
legar = serei lido
legeris ou legere
legetur
legemur
legemini
legentur
lectus, a um sum = fui lido lectus, a um sim = tenha sido lido
lectus, a um es lectus, a, um sis
lectus, a um est lectus, a, um sit
lecti, ae, a sumus lecti, ae, a simus
lecti, ae, a estis lecti, ae, a sitis
lecti, ae, a sunt lecti, ae, a sint
lectus, a um eram = fora ou lectus, a, um essem = tivesse
 tinha sido lido sido lido
lectus, a, um eras lectus, a, um esses
lectus, a, um erat lectus, a, um esset
lecti, ae, a eramus lecti, ae, a essemus
lecti, ae, a eratis lecti, ae, a essetis
lecti, ae, a erant lecti, ae, a assent
lectus, a, um ero = terei sido lido
lectus, a, um eris
lectus, a, um eris
lecti, ae, a erimus
lecti, ae, a eritis
lecti, ae, a erunt
Presente
Futuro
Imperfeito
Imperfeito
Perfeito
Mais-que-
Perfeito
Futuro
Anterior
3ª CONJUNGAÇÃO
VOZ PASSIVA
LEGOR, LEGI
174
Fundamentos de LínguaLatina
Imperativo Infinitivo Particípio
(legere) = sê lido legi = ser lido
Presente (legimini) = sede lidos
lectum iri = dever ser
Futuro lido, ir ser lido
 (invariáriavel)
 Passado lectum, am, um esse = lectus, a, um = lido
 ter sido lido
 GERÚNDIO
 Legendus, a, um = deve ser lido
175
Morfologia dos verbos de 3ª conjugação Aula
153ª CONJUNGAÇÃO
VOZ PASSIVA
CAPIOR, CAPI
15aula
Presente
Futuro
Imperfeito
Imperfeito
Perfeito
Mais-que-
Perfeito
Futuro
Anterior
Indicativo Subjuntivo
capior= sou tomado capiar = seja tomado
caperis capiaris ou capiare
capitur capiatur
capimur capiamur
capimini capiamini
capiuntur capiantur
capiebar = era tomado caperer = fosse tomado
capiebaris ou capiebare capereres ou caperere
capiebatur caperetur
capiebamur caperemur
capiebamini caperemini
capiebantur caperentur
capiar = serei tomado
capieres ou capiere
capietur
capiemur
capiemini
capientur
captus, a, um sum = fui tomado captus, a, um sim = tenho sido
 tomado
captus, a, um es captus, a, um sis
captus, a um est captus, a, um sit
capti, ae, a sumus capiti, ae, a simus
capti, ae, a estis capti, ae, a sitis
capti, ae, a sunt capti, ae, a sint
captus, a, um eram = fora ou captus, a, um essem = tivesse
 tinha sido tomado tomado
captus, a, um eras captus, a, um esses
captus, a, um erat captus, a, um esset
capti, ae, a eramus capti, ae, a essemus
capti, ae, a erantis capti, ae, a essetis
capti, ae, a erant capti, ae, a essent
captus, a, um ero = terei sido tomado
captus, a, um eris
captus, a, um erit
capti, ae, a erimus
capti, ae, a eritis
176
Fundamentos de Língua Latina
Imperativo Infinitivo Particípio
 (capere) = sê tomado legi = ser lido
Presente (capimini) = sede
 tomados
captum iri = dever ser
Futuro tomado, ir ser to-
 mado (invariáriavel)
captum, am, um esse = captus, a, um =
Passado ter sido tomado tomado
Gerúndio
 capiendus, a, um = deve ser tomado
CONCLUSÃO 
Esta aula vem reforçar o que já se disse sobre a complexidade dos 
verbos latinos. E olhe bem que aqui só estamos apresentando os verbos 
regulares. As difi culdades com os verbos irregulares são maiores, mas podem 
ser sanadas pelo conhecimento dos tempos primitivos, os quais, como você 
já sabe, compõem as informações necessárias para a percepção de um ou 
mais radicais que um mesmo verbo pode conter.
O importante é sempre praticar exercícios, buscar nos dicionários 
verbos que sejam da mesma conjugação estudada e que, por isso, se en-
quadram nos mesmos modelos. Com o tempo, a prática vai levando a uma 
assimilação consciente e muitas frases poderão ser trabalhadas, sobretudo 
se você tiver bom conhecimento das fl exões verbais do próprio português.
Sempre recomendamos a mesma coisa: as tabelas foram elaboradas para 
serem manuseadas, consultadas até mesmo no instante das avaliações, pois 
estamos querendo tornar o conhecimento do latim uma coisa agradável, 
sendo importante muito mais que exercitar a memorização, aguçar o ra-
ciocínio, trabalhar a lógica e tornar capaz a fl exão, em todas as modalidades 
possíveis de qualquer verbo da mesma conjugação.
A esta altura, depois do contato com três conjugações latinas, você já 
está habilitado para exercitar frases que contemplem todas as possibilidades 
que as fl exões oferecem, sendo ainda mais perceptíveis as confi gurações de 
tempo, modo, pessoa, número, voz, assim como as formas nominais, que 
se assemelham às declinações dos substantivos e adjetivos.
Só resta agora conhecer a 4ª conjugação (tema da aula 17) para você 
formar um juízo completo do que são as fl exões mais usuais dos verbos 
latinos. 
177
Morfologia dos verbos de 3ª conjugação Aula
15RESUMO
A 3ª conjugação muito se assemelha com a 2ª, pois ambas fazem o 
infi nitivo em ERE. A diferença está na localização da sílaba tônica, a qual, 
na 2ª conjugação é longa e na 3ª é breve. 
Os verbos desse grupo, assim como os das conjugações anteriormente 
estudadas, seguem modelo próprio aqui apresentado em tabelas mostrando 
todas as fl exões possíveis. Para tanto, foram escolhidos os verbos legere e 
capere, como poderiam ser utilizados quaisquer outros verbos do mesmo 
grupo. As pequenas particularidades nada possuem que interfi ra na essência 
das características comuns a ambos. É recomendável, porém, que você esta-
beleça paralelos e reconheça as pequenas sutilezas que as duas modalidades 
apresentam, embora pertencentes à mesma conjugação.
ATIVIDADES
1. Responda:
a) Quais as características do infi nitivo dos verbos latinos para cada con-
jugação? (Revisão).
b) O que assemelha e diferencia as formas do infi nitivo de 2ª e 3ª conjuga-
ções? Comente. (Revisão).
c) Confi ra na tabela como se diz em latim: lerei/ eu leia; eu lia/ ele lia; 
aprenderei; aprendeste/ aprendestes/ foi lido; eram tomados. Justifi que.
d) Pesquise na tabela a identifi cação completa (tempo, modo, pessoa, 
número e voz) de: deleamus, delevissetis, deleremini, delebuntur, deleti 
sumus, deleamur. (Revisão)
e) Com base nos verbos dados por modelo (legere e capere), apresente 
as formas dos seguintes verbos de 3ª conjugação: aprenderemos (disco 
- discere); faziam (facio - facere); Que tu conduzas/ tu conduzirás (duco 
- ducere).
2. a) Explique a forma verbal da expressão latina CARPE DIEM (carpo, 
is, carpsi, carpitum, carpere = colher, aproveitar/ Dies, ei = dia).
b) Transponha para o plural esta mesma expressão.
3. Identifi que nas tabelas de 2ª e 3ª conjugações as formas verbais que se 
substantivaram na língua portuguesa: agenda (ago, is, egi, actum, agere = 
agir), merenda (mereo, es, merui, mertitum, ere = merecer, ganhar), legenda 
(lego, is, legi, lectum, ere = ler), colendo (colo, is, colui, cultum, ere = cultivar, 
honrar). Explique o sentido dessas expressões no atual léxico português.
4. Transponha para o latim após reconhecer as funções sintáticas de cada 
termo da oração:
a) A morte é o verdadeiro fi m de nossas vidas e destruirá nossas esperanças.
b) Sempre vencerás as tuas dores com a grandeza do teu espírito.
c) Os bons livros não serão lidos pelos alunos preguiçosos.
Vocabulário
Mors, mort is = 
morte/ Sum, es, 
fui , esse = ser/ 
Terminus, i = ter-
mo, fim/ Vita, ae 
= vida/ Verus, a, 
um = verdadeiro, 
a/ Noster, nostra, 
um = nosso, a/ Et 
(conj.) = e/ Deleo, 
es, evi, etum, ere = 
destruir/ Spes, ei = 
esperança/ Semper 
(adv.) = sempre/ 
Vinco, is, vici, vic-
tum, ere = vencer/ 
Magnus, a, um = 
magno, a; grande/ 
Dolor, doloris (M) 
= dor/ Tuus, a, um 
= teu, tua/ Cum 
(prep.) = com (rege 
ablativo)/ Magnitu-
do, magnitudinis = 
178
Fundamentos de Língua Latina
COMENTÁRIO SOBRE AS ATIVIDADES
1. Exercitando as tabelas dos verbos, mediante comutações, é possivel 
entender a variedade das formas. Os itens a e b encontram suas 
respostas na consulta ao conteúdo desta aula. Trata-se, apenas, de uma 
revisão do que foi exposto. Os itens c e d levam ao domínio progressivo 
das formas verbais em todas os seus aspectos. É um trabalho de 
consulta às tabelas, substituição das formas na perspectiva de trabalhar 
todos os tempos, modos etc. e, de acordo com o paradigma, usar 
qualquer verbo que se enquadra no modelo.
2. Compreendendo expressões latinas e modificando-as pela 
comutação, os itens a e b, retomam a proposta anterior a partir de uma 
expressão latina de amplo conhecimento, algo que pode ser feito com 
outras tantas expressões.
3. Compreendendo as marcas latinas no português mediante o uso 
do gerúndio, o exercício III retoma a prática de identifi car o latim 
na atualidade da língua protuguesa como já se tem feito em outros 
momentos deste curso.
4. Análise sintática e tradução. O exercício IV lida com a tradução do 
protuguês para o latim e, maisuma vez, renova-se a insistência pelo 
conhecimento seguro da análise sintática completado pela consulta às 
listas das declinações.
PRÓXIMA AULA
Na próxima aula, você conhecerá a morfologia dos advérbios e das 
preposições latinas, além de suas confi gurações no contexto das frases. 
REFERÊNCIAS
ALMEIDA, Marcos. Latim para todos. Aracaju: J. Andrade, 2007.
ALMEIDA, Napoleão Mendes de. Gramática latina. São Paulo: Saraiva, 
1995.
CARDOSO, Zélia de Almeida. Iniciação ao latim. São Paulo: Ática, 1989.
COMBA, Júlio. Gramática latina. São Paulo: Salesiana, 1981.
FURLAN, Oswaldo Antônio. Latim para o português. Florianópolis: 
EDUFSC, 2006.
GONZAGA, Maria Cristina de Brito. Frases de latim forense. São Paulo: 
Livraria de Direito, 1994.
grandeza/ Spiritus, 
us = espírito/ Bo-
nus, a, um = bom, 
boa/ Líber, libri = 
livro/ Non (adv.) 
= não/ A (prep.) = 
por, pelo, pela, pe-
los, pelas/ Discipu-
lus, i = discípulo, 
aluno/ Piger, pigra, 
um = preguiçoso, a.
179
Morfologia dos verbos de 3ª conjugação Aula
15LUIZ, Antônio Filardi. Dicionário de expressões latinas. São Paulo: 
Atlas, 2002.
MACHADO, Luiz. Uma nova visão do latim pelo uso da inteligência. 
Rio de Janeiro: Cidade do cérebro, 1999.
SOARES, João S.. Latim 1 – Iniciação ao latim e à civilização romana. 
Coimbra: Almedina, 1999.
STOCK, Lco. Conjugação dos verbos latinos. Lisboa: Presença, 2000.
WILLIAMS, Edwin B.. Do Latim ao português. Rio de Janeiro: Tempo 
Brasileiro, 1975.
VIARO, Mário Eduardo. Por trás das palavras. São Paulo: Globo, 2004.
_________ Importância do latim na atualidade. Revista de ciências 
humanas e sociais. São Paulo: Unisa, v. 1, n. 1, p. 7-12, 1999.
MORFOLOGIA DOS ADVÉRBIOS
E DAS PREPOSIÇÕES
META
Apresentar os advérbios e as preposições latinas e o seu emprego no contexto das frases.
OBJETIVOS
Ao fi nal desta aula o aluno deverá:
reconhecer a morfologia dos advérbios e das preposições latinas e suas confi gurações no contexto 
das frases;
identifi car o papel dos advérbios e das preposições na função de adjuntos adverbiais;
distinguir preposições que regem ablativo e/ou acusativo, reconhecendo o signifi cado que imprimem 
na articulação com as palavras;
associar as preposições latinas aos diversos prefi xos que contribuem para a formação das palavras 
tanto no latim quanto no português; e
exercitar a comutação de prefi xos percebendo o signifi cado que as preposições imprimem, de modo 
especial, aos verbos.
PRÉ-REQUISITOS
Todas as aulas anteriores; revisão dos conceitos de adjunto adverbial e suas diferentes confi gurações.
Aula
16
182
Fundamentos da Língua Latina
INTRODUÇÃO
O latim, assim como o português, possui palavras invariáveis. A elas 
não se aplica o processo de conjugação com que são fl exionados os verbos 
e nem o processo de declinação com que são caracterizados os substantivos, 
adjetivos, pronomes, numerais ordinais e formas nominais dos verbos. As 
palavras invariáveis, portanto, não sofrem qualquer tipo de fl exão. Deste 
grupo de palavras fazem parte advérbios, preposições, conjunções e inter-
jeições. Eles já vêm na forma pronta para serem usados nas frases.
Por confi gurarem nas frases a função de adjunto adverbial, advérbios e 
preposições serão estudados numa mesma lição. O estudo das palavras assim 
classifi cadas é de muito mais fácil assimilação que o das palavras variáveis. As 
frases, porém, podem ser mais trabalhadas com a exploração dos adjuntos 
adverbiais, o que vai, certamente, conduzir as sentenças para o terreno das 
circunstâncias que envolvem a comunicação humana. Por esta razão, deve 
ser redobrado o cuidado daqui por diante, sendo imprescindível revisar 
os conceitos de tempo, modo, lugar, afi rmação, negação etc. viabilizados 
pelo emprego das palavras aqui estudadas. As abordagens iniciadas durante 
esta aula estarão sendo complementadas com o conhecimento posterior 
das conjunções, momento em que serão exploradas as confi gurações de 
coordenação e subordinação.
(Fonte: http://www.enciclopedia.com.pt).
183
Morfologia dos advérbios e das preposições Aula
16ADVÉRBIOS E PREPOSIÇÕES 
Os advérbios latinos, assim como em português, são palavras que se 
justapõem aos verbos (Correr depressa ou apressadamente), aos adjetivos 
(sempre alegre) ou aos próprios advérbios (muito cedo). Normalmente, 
os advérbios não se juntam aos substantivos. Assim, se você encontrar 
frases do tipo: Maria é muito menina, saiba que o advérbio muito está, na 
verdade, dando intensidade ao adjetivo ameninada, do qual o substantivo 
assumiu o lugar.
Alguns advérbios latinos podem ser considerados como palavras 
primitivas, independentes. Este é o caso dos advérbios de afi rmação sic 
e ita (assim), também empregados como advérbios de modo. É o caso 
também dos de negação non, ne e haud (não); de alguns advérbios de 
tempo, como ante (antes), post (depois), nunc (agora), olim (outrora), cras 
(amanhã), saepe (freqüentemente); ou de lugar, como ultra (além), supra 
(acima), infra (abaixo), circa (em torno de), prope (perto). Muitos desses 
advérbios funcionam também como preposições, adquirindo, neste caso, 
regência específi ca.
Outra parte dos advérbios (de lugar, tempo, modo) é formada a partir 
de radicais nominais, aos quais se juntam sufi xos especiais, ou de duas ou 
mais palavras (variáveis ou não) justapostas ou aglutinadas.
Alguns advérbios de lugar são formados com radicais de pronomes 
demonstrativos, mediante o acréscimo de uma partícula. Assim acontece 
com hic (aqui), cuja partícula se incorpora ao próprio pronome, de istic 
(aí) e de illic (ali). Outros equivalem ao ablativo de um pronome: alio (para 
outro lugar) e quo (para onde). Outros ainda apresentam radical de adjetivo 
e terminação equivalente ao que seria uma desinência nominal de palavras 
sem vogal temática: longe e late = longe.
Alguns advérbios de tempo são formados com radicais de substanti-
vos (noctu = de noite) ou de adjetivos (subito = subitamente); outros são 
formados pela justaposição de prefi xos a advérbios de lugar como adhuc 
(até agora) e abhinc (a partir de agora); de advérbios a pronomes, como 
postea (em seguida), de advérbios a substantivos, como quotannis (todos os 
anos) e pela aglutinação de pronomes a substantivos hodie < hoc die (hoje).
Os advérbios de modo, em sua grande maioria, são formados por meio 
de radicais de adjetivos aos quais se anexa um elemento de valor sufi xal, tal 
como um, presente em verum (verdadeiramente) – na realidade uma termina-
ção de acusativo singular neutro – o ou e, como se vê em falso (falsamente) 
ou docte (sabiamente) – terminações do ablativo singular. Como se disse 
anteriormente, advérbio é uma classe de palavra não declinável, mas nem 
por isso se dispensa o conhecimento das declinações, pois muitas formas 
atuais se fi xaram a partir de determinados casos.
184
Fundamentos da Língua Latina
Há vários sufi xos formadores de advérbios de modo: -ter (vehementer 
= veementemente), -iter, (fortiter = fortemente) –itus( funditus = desde 
as fundações), - ito (fortuito = fortuitamente) –im (partim = em parte).
Existem advérbios de modo que admitem comparativo e superlativo. 
Para construir o comparativo de superioridade, usa-se o prefi xo –ius (longius 
= mais longe); para os de igualdade e inferioridade, usam-se os advérbios 
tam e minus, que passam a formar perífrases com o advérbio em questão: 
tam forte (tão fortemente), minus forte (menos fortemente).
Pela adjunção dos sufi xos –issime e –lime, constrói-se o superlativo de 
superioridade dos advérbios: fortissime (muito fortemente) e facilime (muito 
facilmente); o de inferioridade obtém-se por meio de perífrase contendo o 
advérbio minime: minime facile (o menos facilmente).
Os advérbios de quantidade, magis (mais), minus (menos), multum 
(muito), nimis (excessivamente), paulo (pouco), satis (suficientemente) 
podem modifi car verbos ou adjetivos: Multum legebas (lias muito).
Existem advérbios interrogativos entre os quais se destacam: ubi? 
(onde), unde? (de onde), quando? (quando), quandiu? (por quanto tempo), 
quomodo? (como), quid? (por quê), cur? (por quê), quin? (por que não), quan-
tum? (quanto), quousque? (até quando).
A interrogação latina também se expressa por meio de partículas que 
substituem os advérbios ou pronomes interrogativos. Tais partículas (ne, 
num) se unem às palavras ou aparecem isoladas e podem ser traduzidas por 
acaso, porventura ou simplesmente não ser traduzidas. Elas são uma espécie 
de reforço ou de alerta para que o leitor expresse o questionamento da frase: 
Legistine epistolam quam tibi scripsi? (Tu leste, por acaso, a carta que te escrevi?).
Os advérbios são distribuídos segundo as circunstâncias que indicam, 
sendo as de maior destaque:
1. Lugar: 
Ubi = onde – emprega-se com verbos que indicam permanência, estar em.
Unde = donde – emprega-se com verbos que indicam proveniência.
Qua = por onde – emprega-se para indicar passagem por algum lugar.
Quo = aonde – emprega-se com verbos que indicam movimento em 
direção para.
Existe uma forma prática de guardar a correlação dos advérbios de 
lugar: onde, donde, por onde e para onde. 
2. Tempo: 
Quotidie = todos os dias.
Cras = amanhã.
Deinde = depois, em seguida.
Diu = por muito tempo.
Dum = enquanto (durante o tempo em que).
Heri = ontem.
Hodie = hoje.
185
Morfologia dos advérbios e das preposições Aula
16Nunc = Agora.
Postridie = no dia seguinte.
Pridie = na véspera.
Saepe = muitas vezes.
Semper = sempre.
Simul = ao mesmo tempo.
3. Modo:
Bene = bem.
Male = mal.
Facile = facilmente.
Diffi cile = difi cilmente.
Fortiter = fortemente.
Feliciter = felizmente.
Prudenter = prudentemente.
Quoque = também.
Daqui por diante e após o conhecimento das preposições, todo o tra-
balho consiste em elaborar frases que explorem as diversas circunstâncias 
pelas quais os advérbios respondem.
PREPOSIÇÕES
As preposições são palavras invariáveis que regem substantivos, palavras 
substantivadas ou pronomes, estabelecendo relação de dependência entre 
estes e outros elementos da oração. Segundo o próprio nome indica, é uma 
palavra posicionada antes de outra (pré + posição) e isso em latim implica 
que a palavra que vem depois dela, ou seja, o termo por ela regido, deve ser 
colocado no caso específi co que a preposição pedir. Assim, em latim se diz 
que as preposições podem reger somente acusativo ou somente ablativo ou, 
no caso de duas delas (in e sub), podem pedir os dois casos, mas indicam 
circunstâncias diferentes a depender do caso que estiverem regendo.
Muitas preposições se tornaram prefi xos na língua portuguesa, amplian-
do as possibilidades de signifi cado que as palavras podem apresentar. Assim, 
tomando, por exemplo, o verbo pôr, é possível perceber as variações que a 
comutação das preposições pode causar a uma mesma base, alterando-lhe 
o signifi cado, mudando a direção de um mesmo verbo: apor (ad = direção 
para)/ antepor (ante = perante)/ compor (cum = companhia)/ contrapor 
(contra = sentido contrário)/ depor (de = para baixo)/ expor (ex = para 
fora)/ impor (in = para dentro)/ interpor (inter = dentro de)/ justapor (juxta 
= ao lado de)/ opor (ob = diante de)/ pospor (post = depois de)/ repor 
(retro = para trás)/ supor (sub = abaixo de)/Transpor (trans= além de).
Eis a relação das preposições que regem acusativo:
186
Fundamentos da Língua Latina
Ad (para, a) – (no português, você tanto encontra adverso como en-
contra avesso).
Ante (perante) (anteparar > amparar).
Apud (junto a) (expressão usada nas indicações bibliográfi cas de tra-
balhos científi cos, quando se cita um autor com base em outra fonte que 
não ele próprio).
Circa/ circum (ao redor de) (cercania, circunferência).
Contra (contra) (contravenção).
Erga (para com).
Extra (fora de) (extraordinário).
Infra (abaixo de) (infra-estrutura).
Inter (entre) (interdisciplinar).
Intra (dentro de) (intramuscular).
Juxta (perto de) (justaposição).
Ob (por causa de, diante de) (oblação/ oferta).
Per (através de, por meio de) (percorrer).
Post (depois de) (posteridade).
Prope (perto de) (apropinquar).
Propter (por causa de).
Super (sobre, acima de) (superstição).
Supra (sobre, acima de) (suprapartidário).
Trans (além de) (translúcido, trasladar, traduzir, trespassar).
187
Morfologia dos advérbios e das preposições Aula
16Todas essas preposições pedem que as palavras por elas regidas sejam 
colocadas no acusativo. Essa afi rmação pode ser constatada em inúmeras 
expressões latinas em uso na língua portuguesa: 
Ad juditia
Ad referendum
Ante Christum
Inter vivos
Intra muros
Per capita
Post scriptum.
Eis agora a relação das preposições que regem ablativo:
A/ ab/ abs (por, afastamento de) (abdicar, abstenção).
Coram (diante de).
Cum (com) (condizente).
De (a respeito de, para baixo) (depreciar).
E/ ex (fora de) (evadir, exportar, esgotar).
Prae (por causa de, antes de) (previdência).
Pro (em favor de, em lugar de) (produzir, pronome).
Sine (sem) (sincero).
Essas preposições pedem que as palavras por elas regidas sejam coloca-
das no ablativo. Como aconteceu com as preposições de acusativo no item 
precedente, você pode constatar essa afi rmação em inúmeras expressões 
latinas em uso pelos falantes do português, ou melhor, expressões consa-
gradas pelo uso universal:
Sine die
Pro labore
Ab initio
A priori
A posteriori
Ab origine
Ex offi cio
As preposições in e sub podem apresentar regência nos dois casos, 
acusativo e ablativo. O signifi cado, porém, difere de um caso a outro. Um 
exemplo bem conhecido pode ilustrar essa afi rmação:
In natura (regência de ablativo) = Lugar onde, na natureza.
In memoriam (regência de acusativo) = lugar para onde, para a memória.
Agora, a título de exercício, observando as expressões latinas, reconheça 
a regência da preposição IN e identifi que o seu signifi cado:
In loco
188
Fundamentos da Língua Latina
In altum
In vitro
Continuando o exercício, pesquise expressões latinas em 
que apareçam preposições e identifi que a sua regência e sig-
nifi cado.
Advérbios e preposições desempenham nas frases a função 
sintática de adjuntos adverbiais, porquanto servem para defi nir 
as diversas circunstâncias da ação e da vida humana. Tais ad-
juntos podem vir expressos de diferentes formas:
1. Por um simples advérbio. Exemplo: As aulas começam agora. 
Neste caso, o adjunto adverbial é o próprio advérbio e, para 
traduzi-lo, basta colocar o advérbio na forma correspondente 
em latim, não havendo necessidade de determinar-lhe um caso, 
pois os advérbios não se declinam
2. Por uma preposição e seu complemento. Exemplo: Maria es-
teve na escola. Neste caso, usa-se a preposição correspondente 
(IN), a qual, por designar uma circunstância de lugar onde, leva 
para o ablativo a palavra regida. Assim, a palavra escola terá a 
forma do caso ablativo.
3. Por uma oração. Exemplo: Maria fi ca doente quando chega o inverno. Trata-
se aqui de uma oração subordinada temporal, cuja construção será feita 
com o auxílio de conjunção, assunto que será visto no momento oportuno.
Conhecendo, portanto, os advérbios e as preposições com suas regên-
cias específi cas, as frases latinas já podem ser mais elaboradas e, somados 
todos os recursos até aqui acumulados, os exercícios se tornam mais ricos. 
É preciso, porém, ter muita atenção e assegurar um raciocínio lógico e não 
esquecer de consultar o material do curso, bem como os dicionários e as 
gramáticas da língua latina.
Observe a formação curiosa de algumas palavras do português oriun-
das de combinações latinas, as quais contemplam advérbios, preposições, 
substantivos, adjetivos etc.:
AGORA = (in) hac hora (nesta hora).
HOJE = (in) hoc die (neste dia).ÁLIBI = al + ibi (outro aí).
DIUTURNAMENTE = (diu = por muito tempo).
PROCRASTINAR = (cras = amanhã) = adiar.
HODIERNO = referente a hoje.
POSTERGAR = (post = depois) = deixar o trabalho para depois.
SATISFAZER = (satis = bastante) = fazer o bastante.
APOSTILA = (ad + post + illa) = para depois destas coisas.
189
Morfologia dos advérbios e das preposições Aula
16CONCLUSÃO
A morfologia dos advérbios e preposições, como, aliás, das palavras 
indeclináveis em geral, é facilitada pela 
forma única que a palavra possui, já pronta, portanto, para ser utilizada 
sem necessidade de recorrer às tabelas para uma confi guração de acordo 
com a função sintática, como aconteceu com substantivos e adjetivos.
A preocupação maior é dominar a questão sintática e reconhecer os 
elementos das frases distribuídos em diferentes funções. As preposições 
serão sempre apresentadas com a indicação da regência específi ca e a con-
sulta às tabelas continua sendo recomendada, razão pela qual não há o que 
amedrontar no estudo do latim.
RESUMO
Advérbios e preposições foram o tema desta aula. Trata-se de palavras 
indeclináveis e, por isso, dispensam a consulta à lista das declinações. As 
palavras destas classes já se encontram prontas para uso. O trabalho consiste 
em identifi car as circunstâncias que elas imprimem à linguagem funcionando 
na qualidade de adjuntos adverbiais.
As preposições podem reger ablativo ou acusativo. Esta informação é 
sempre passada ao ser dada uma preposição. Basta ter o cuidado de dire-
cionar a palavra por ela regida para o caso específi co.
Muitas preposições entram como prefi xos na composição das palavras, 
sobretudo dos verbos, acrescentando-lhes direcionamento preciso. Você 
pode escolher certos verbos e substituir os prefi xos, percebendo a técnica 
de trabalhar os signifi cados pela comutação dos elementos. Este é um 
trabalho interessante que vem ampliar o conhecimento do vocabulário e o 
livre curso entre as palavras.
ATIVIDADES
1. Responda:
a) O que é um advérbio? Exemplo.
b) O que se entende por modifi car quando se diz que uma palavra modifi ca 
outra?
c) Quais são as classes de palavras que os advérbios costumam modifi car? 
Dê exemplos.
d) O que é uma preposição? Exemplo. 
d) O que signifi ca dizer que as preposições latinas regem casos? Quais são 
esses casos?
e) Cite exemplos de uma mesma preposição regendo dois casos.
190
Fundamentos da Língua Latina
f) O que signifi ca a expressão ibidem, que aparece nas normas de citações 
bibliográfi cas?
g) Como se confi guram os adjuntos adverbiais em latim? Dê exemplos.
h) Redija três frases ou orações que exemplifi quem o advérbio muito modi-
fi cando um adjetivo, um verbo e um advérbio.
i) Diga cinco advérbios de modo em latim.
II – Transponha para o latim após reconhecer as funções sintáticas de cada 
termo da oração:
a) O bom mestre passeia agora nos belos jardins de Roma com os discípulos.
b) Os homens sempre escreverão grandes livros sobre a amizade e sobre 
a velhice.
c) Os grandes oradores excitam o povo contra as obras dos homens maus.
d) Outrora, nos templos sagrados, os povos antigos imolavam homens aos 
grandes deuses em lugar de vítimas.
Vocabulário:
Bonus, a, um = bom, boa/ Magister, magistri = mestre/ Ambulo, as, avi, 
atum, are = passear/ In + ablativo = Em/ Nunc = agora/ Grossus, a, um 
= grosso, a/ grosseiro, a/ Modus, i = modo.
Pulcher, pulchra, um = belo, a/ Hortus, i = jardim/ Roma, ae = Roma/ 
Cum + ablativo = com/ Discípulus, i = discípulo/ 
Homo, hominis = homem/ Semper = sempre/ Scribo, is, scripsi, scriptum, 
ere = escrever / Magnus, a, um = magno, a; grande/ Líber, Libri = livro/ 
De + ablativo = sobre, a respeito de/ Amititia, ae = amizade/ Senectus, 
senectutis = velhice.
Orator, oratoris = orador/ Infl ammo, as, avi, atum are = excitar, infl amar/ 
Populus, i = povo/ Contra + acusativo = contra/ Opus, operis (N) = obra/ 
Improbus, a, um = mau, má/
Olim = outrora/ Templum, i = tempo/ Sacer, sacra, um = sagrado, a/ 
Antiquus, a, um = antigo, a/ Immolo, as, avi, atum, are = imolar/ Deus, 
dei = deus/ Pro + ablativo = em lugar de/ Victima, ae = vítima.
3. Recordando os adjuntos adverbiais, analise sintaticamente e identifi que 
as circunstâncias contidas nas expressões latinas que aparecem no contexto 
das frases:
a) Grosso modo, é este o resumo do fi lme a que assisti.
b) A pós-graduação stricto sensu ainda não foi reconhecida.
c) O governador foi inspecionar as obras in loco.
d) Quem te falou que o pro labore ia ser pago antes do Natal?
e) A renda per capita dos brasileiros ainda é muito baixa.
f) Se a reunião for adiada sine die, as pessoas perderão o estímulo.
g) Depois de várias articulações inter muros, os parlamentares dobraram 
seus salários.
Vocabulário:
Strictus, a, um = restrito/ Sensus, us = senso, sentido.
In + ablativo = em, no/ Locus, i = lugar.
191
Morfologia dos advérbios e das preposições Aula
16Pro + ablativo = em favor de/ Labor, laboris = trabalho, labor.
Per + acusativo = por/ Caput, capitis (N) = cabeça.
Sine + Ablativo = sem/ Dies, ei = dia.
Inter + acusativo = entre/ Murus, i = muro.
4. Pesquise nos dicionários diferentes verbos aos quais se pode acrescentar 
sutilezas de signifi cado mediante a comutação dos prefi xos, que, na realidade, 
são as preposições aqui estudadas. Este processo 
pode ser exercitado tanto no latim quanto no português, a exemplo de 
PLICARE = dobrar
A plicar(e)
COM plicar(e)
EX plicar(e)
IM plicar(e)
RE plicar(e)
SU plicar(e)
COMENTÁRIO SOBRE AS ATIVIDADES
1. A resposta às questões aqui formuladas encontra-se nas exposições 
desta aula. Basta realisar os conteúdos teóricos.
2. A proposta da tradução segue os mesmos critérios dos execícios 
anteriores.
3. A comutação das preposições usadas com prefi xos, sobretudo 
nos verbos, vem evidenciar a sutileza de detalhes, algo que pode ser 
percebido em inúmeros verbos (admitir, transmitir etc.) O mesmo pode 
ser feito com substantivos (comissão - demissão - promissão - remissão 
etc.) Outras expressões latinas podem ser baseadas neste processo.
4. A pesquisa nos dicionários é de suma importância para o 
enriquecimento do léxico.
192
Fundamentos da Língua Latina
ATIVIDADES
A ilustração na página anterior contem várias expressões que revelam 
circunstâncias normalmente expressas por advérbios e preposições em latim 
e em português. Exemplo pós-graduação (a preposição pós (português) 
equivale à latina post. 
I - Busque outros exemplos. justifi que-os.
II - Exercite a comutação usando outras palavras do anúncio. veja que 
exercício interessante!
193
Morfologia dos advérbios e das preposições Aula
16PRÓXIMA AULA
Logo mais, você conhecerá a morfologia dos verbos de 4ª conjugação, 
quando será apresentada a fl exão de tais verbos nas vozes ativa e passiva.
REFERÊNCIAS
ALMEIDA, Napoleão Mendes de. Gramática latina. São Paulo: Saraiva, 
1995.
CARDOSO, Zélia de Almeida. Iniciação ao latim. São Paulo: Ática, 1989.
COMBA, Júlio. Gramática latina. São Paulo: Salesiana, 1981.
GONZAGA, Maria Cristina de Brito. Frases de latim forense. São Paulo: 
Livraria de Direito, 1994.
LUIZ, Antônio Filardi. Dicionário de expressões latinas. São Paulo: 
Atlas, 2002.
MACHADO, Luiz. Uma nova visão do latim pelo uso da inteligência. 
Rio de Janeiro: Cidade do cérebro, 1999.
SOARES, João S.. Latim 1 – Iniciação ao latim e à civilização romana. 
Coimbra: Almedina, 1999.
VIARO, Mário Eduardo. Por trás das palavras. São Paulo: Globo, 2004.
_________ Importância do latim na atualidade. Revista de ciências 
humanas e sociais. São Paulo: Unisa, v. 1, n. 1, p. 7-12, 1999.
MORFOLOGIA DOS VERBOS
DE 4ª CONJUGAÇÃO
META
Apresentar a fl exão dos verbos de quarta conjugação nas vozes ativa e passiva.
OBJETIVOS
Ao fi nal desta aula o aluno deverá:
distinguir os verbos latinos pela conjugação a que pertencem;
aplicaras formas verbais em todas as suas confi gurações no contexto de pequenas frases latinas;
exercitar a derivação verbal a partir do conhecimento das formas primitivas;
reconhecer as características das conjugações estudadas mediante a comparação das formas no 
trato com um mesmo verbo e com outros da própria conjugação ou de conjugações diversas; e
realizar exercícios de tradução, reconhecendo as marcas de tempo, modo, pessoa, número e voz.
PRÉ-REQUISITOS
Os mesmos pré-requisitos apontados no estudo dos verbos anteriormente estudados valem também 
para os verbos da 4ª conjugação. Além do mais, os assuntos que tratam da declinação dos nomes 
devem ser revistos seguramente. 
Aula
17
196
Fundamentos de Língua Latina
INTRODUÇÃO 
Nesta altura, você, aluno de latim, já deve transitar com desenvoltura 
por todas as declinações e saber associá-las umas às outras, recorrendo aos 
substantivos e adjetivos como palavras de base para a realização das frases.
O conhecimento dos advérbios e das preposições reforça consider-
avelmente a qualidade das frases e amplia as possibilidades em torno das 
sentenças que podem ser trabalhadas, agora explorando, em grande parte, 
a questão dos adjuntos adverbiais. 
Insistimos na necessidade de realizar constantes associações entre os 
assuntos estudados, sempre buscando uma visão de conjunto e primando 
pelo raciocínio bem mais do que exercitando a memorização inconseqüente. 
A esta altura, a consulta aos dicionários, gramáticas e outros materiais de 
apoio vai-se tornando indispensável, até porque é impossível apresentar 
todas as palavras da língua ou explorar todas as confi gurações gramaticais.
Habitue-se, pois, a um trabalho de consulta, pesquisa, refl exão, descobe-
rta e verá como o estudo do latim se torna interessante e prático, revelando-
se de grande utilidade para os trabalhos lingüísticos.
VERBOS DA 4ª CONJUGAÇÃO A 4ª 
A conjugação é última da série de base sobre o conhecimento dos 
verbos latinos. Não existem, porém, grandes surpresas para quem já travou 
contato com as conjugações precedentes. Você vai perceber que a mesma 
estruturação se repete entre as conjugações, observadas apenas as particu-
laridades de cada uma.
197
Morfologia dos verbos de 4ª conjugação Aula
17A marca da 4ª conjugação é a terminação do infi nitivo em IRE (audire 
= ouvir). Este verbo servirá de modelo nesta explanação e sempre reco-
mendamos o mesmo processo: o acréscimo das mesmas desinências ao 
radical de qualquer outro verbo da mesma conjugação.
Como se disse das conjugações anteriormente abordadas, através dos 
tempos primitivos, que sempre são dados pelos dicionários, é possível chegar-
se a todas as confi gurações com que os verbos são caracterizados. Retome o 
texto introdutório das lições 7, 9, 12 e 15, referentes aos verbos esse (ser) e aos 
de 1ª, 2ª e 3ª conjugações. As mesmas observações valem para os de 4ª con-
jugação, abordados nesta aula. Importa sempre conhecer, antes de qualquer 
trabalho com os verbos, os seus tempos primitivos. Neles estão contidas as 
particularidades que devem ser observadas para obter a totalidade das formas. 
A 4ª conjugação possui algumas semelhanças com a 3ª e você as per-
ceberá comparando as tabelas. 
Temos mostrado nas aulas anteriores como é bastante simples o pro-
cesso de fl exão dos verbos. Trata-se de algo prático e inteligente, sendo 
fundamental conhecer apenas um verbo da conjugação em apreço para, 
então, trabalhar qualquer outro da mesma espécie. Você não está obrigado 
a decorar fórmulas ou listas inteiras de tempos, modos etc. A memorização 
pode até acontecer por força do hábito, mas, em princípio, você apenas 
precisa saber consultar as tabelas, isolar os radicais e aplicar as desinências.
Vamos, então, conhecer os verbos de 4ª conjugação, ou melhor, vamos 
nos familiarizar com as tabelas que mostram todas as possibilidades de ar-
ticulação verbal nas vozes ativa e passiva. À 4ª conjugação latina pertencem 
os verbos cujo infi nitivo apresenta terminação em IRE (longo) AUD-IRE = 
ouvir (pronúncia: audíre). Eis ainda outras características desta conjugação:
- a 1ª pessoa do singular do presente do indicativo termina em –io (audio).
- a vogal característica da conjugação é i, que se conserva em todas as 
formas verbais.
- as terminações do futuro imperfeito e do presente do subjuntivo são as 
mesmas da 3ª conjugação.
A língua portuguesa não possui uma 4ª conjugação verbal. Por muito 
tempo, associou-se o verbo pôr (e seus derivados) a uma pretensa conjuga-
ção cujo infi nitivo terminaria em or, segundo a ordem mesma das vogais. 
O latim, no entanto, desconhece terminação verbal em ore, não havendo, 
portanto, motivo para tirar tal conclusão. O verbo pôr, da língua portuguesa, 
é, na verdade, derivado de pónere, da 3ª conjugação latina, obedecendo ao 
seguinte processo evolutivo: ponere > poner > poer >pôr. Somente este 
verbo e seus derivados passaram por tal evolução. 
Aqui estão as tabelas contendo um paradigma da 4ª conjugação – vozes 
ativa e passiva:
Pelo mesmo modelo são conjugados os verbos: Venire = vir (e deriva-
dos)/ Custodire = guardar/ Partire = partir/ Finire = fi ndar/ Comperire 
= conhecer, descobrir etc.
198
Fundamentos de Língua Latina
4ª CONJUNGAÇÃO VOZ ATIVA AUDIO, IS, IVI, 
ITUM, IRE
Indicativo Subjuntivo
audio= ouço audiam = ouça
audis audias
audit audiat
audimus audiamus
auditis audiatis
audiunt audiant
audiebam = ouvia audirem = ouvisse
audiebas audires
audiebat audiret
audiebamus audiremus
audiebatis audiretis
audiebant audirent
audiam = ouvirei
audies
audiet
audiemus
audietis
audient
audivi = ouvi, tenho ouvido audiverim = tenha ouvido
audivisti audiveris
audivit audiverit
audivimus audiverimus
audivistis audiveritis
audiverunt audiverint
audiveram=ouvira, tinha ouvido audivissem = tivesse ouvido
audiveras audivisses
audiverat audivisset
audiveramus audivissemus
audiveratis audviissetis
audiverant audivissent
audivero = terei ouvido
audiveris
audiverit
audiverimus
audiveritis
audiverint
Presente
Futuro
Imperfeito
Imperfeito
Perfeito
Mais-que-
Perfeito
Futuro
Anterior
199
Morfologia dos verbos de 4ª conjugação Aula
174ª CONJUGAÇÃO ATIVA
Imperativo Infinitivo Participio
audi = ouve audire = tomar audiens, audientis
Presente = que ouve
audite = ouvi
audito auditurum, am, um esse auditurus, a um
= ir ouvir, dever ouvir = que vai ouvir,
Futuro que deve ouvir,
 para ouvir
auditote
audiunto
 Passado audivisse = ter ouvido
 Gerúndio Supino
 Gen. audiendi = deouvir auditum = para ouvir
 Dat. audiendo auditu = de ouvir, por ouvir
 Abl.audiendo = ouvindo
 Ac. (ad)audiendum = (para)ouvir
(Fonte: http://img365.imageshack.us).
200
Fundamentos de Língua Latina
4ª CONJUNGAÇÃO VOZ PASSIVA AUDIOR, AUDIRI
Indicativo Subjuntivo
audior= sou ouvido audiar = seja ouvido
audiris audiaris ou audiare
auditur audiatur
audimuri audiamur
audimini audiamini
audiuntur audiantur
audiebar= era ouvido audirer = fosse ouvido
audiebaris ou audiebare audireris ou audirere
audiebatur audiretur
audiebamur audiremur
audiebamini audiremini
audiebantur audirentur
audiar = serei ouvido
audieris ou audiere
audietur
audiemur
audiemini
audientur
auditus, a, um sum = fui ouvido auditus, a, um sim = tenha sido
 ouvido
auditus, a, um es auditus, a, um sis
auditus, a, um est auditus, a, um sit
auditi, ae, a sumus auditi, ae, a simus
auditi, ae, a estis auditi, ae, a sitis
auditi, ae, a sunt auditi, ae, a sint
auditus, a, um eram=fora ou tinha auditus, a, um essem = tivesse
 sido ouvido sido ouvido
auditus, a, um eras auditus, a, um esses
auditus, a, um erat auditus, a, um esset
auditi, ae, a cramus auditi, ae, a essemus
auditi, ae, a eratis auditi, ae, a essetisauditi, ae, a erant auditi, ae, a essent
auditus, a, um ero = terei sido ouvido
auditus, a, um eris
auditus, a, um erit
auditi, ae, a erimus
auditi, ae, a, eritis
auditi, ae, a erunt
Presente
Futuro
Imperfeito
Imperfeito
Perfeito
Mais-que-
Perfeito
Futuro
Anterior
201
Morfologia dos verbos de 4ª conjugação Aula
17
Imperativo Infinitivo Particípio
(audire) = sê ouvido audiri = ser ouvido
Presente (audimini) = sede
 ouvidos
auditum iri = dever ser
Futuro ouvido, ir ser ou-
 vido (invariáriavel)
auditum, am, um esse = auditus, a, um =
Passado ter sido ouvido ouvido
Gerúndio
 audiendus, a, um = deve ser ouvido
CONCLUSÃO 
Depois desta aula, você já conhece um modelo de cada conjugação 
latina. A partir daí, é possível fl exionar qualquer verbo, desde que relacionado 
corretamente de acordo com a tabela que lhe convém. As difi culdades serão 
sanadas quanto maior for o número de exercícios realizados. Aos poucos, 
também, até a conjugação dos verbos irregulares estará sendo assimilada. 
Para chegar ao domínio seguro na aplicação dos verbos, é imprescindível 
tomar como ponto de partida as formas primitivas de cada verbo.
Aqui se completa a confi guração das vozes ativa e passiva dos verbos 
regulares das quatro conjugações latinas. Esta apresentação ainda é bastante 
elementar, mas o sufi ciente para conceber e desenvolver a fl exão de qualquer 
verbo no contexto das frases. 
Como se disse, existem os verbos irregulares para os quais as formas 
primitivas facilitam o reconhecimento das variações nos radicais, sendo 
sempre iguais as fl exões de tempo, modo, pessoa, número e voz que se 
devem acrescentar a cada radical.
Esteja sempre atento às tabelas, cultive o hábito de pesquisar em 
gramáticas e dicionários mesmo no momento das avaliações. O bom aluno 
de latim não é aquele que memoriza fórmulas, mas o que se torna capaz de 
refl etir, conceituar, associar e buscar as coisas no seu devido lugar, tendo 
sempre o cuidado de compreender a correlação entre o latim e o português.
202
Fundamentos de Língua Latina
RESUMO
A 4ª conjugação faz o infi nitivo em IRE, sendo, portanto, I a vogal 
temática que vai vigorar em todas as fl exões que o verbo comportar.
As tabelas apresentadas dão conta de todas as fl exões possíveis. Im-
porta saber realizar as substituições e circular seguramente por todos os 
tempos, modos, pessoas e números. As frases é que vão dizer a forma a ser 
buscada e nisto você perceberá a riqueza de detalhes que os verbos latinos 
comportam, demonstrando tanto mais habilidade quanto maior segurança 
possuir das conjugações em língua portuguesa.
Dos dicionários você pode colher os tempos primitivos de qualquer 
verbo, mediante os quais as fl exões se processam naturalmente.
A melhor forma de assimilação consiste em treinar muito, realizando 
comutações inteligentes em frases que contemplem todas as possibilidades 
a que o verbo está sujeito. Vá em frente, portanto! 
ATIVIDADES 
1. Responda:
a) Os verbos da 4ª conjugação latina como terminam no infi nitivo? Exemplo.
b) Conjugue o verbo venire (vir) no presente do indicativo – voz ativa e 
passiva, acentuando com o máximo cuidado as sílabas tônicas.
c) Conferindo na tabela, como se diz em latim: ouviam, ouviremos, ouvistes, 
ouça, ouvissem? Justifi que.
d) Pesquise na tabela a identifi cação completa (tempo, modo, pessoa, 
número e voz) de: audiamus, audiemus, audimos, audivisti, audiverint e 
audivisset.
e) Consultando as tabelas da 4ª conjugação, você vai perceber que, por duas 
vezes, aparecem as formas audiam (voz ativa) e audiar (voz passiva). Em 
que elas se assemelham e se diferenciam?
2. Traduza do latim após reconhecer as funções sintáticas de cada termo 
da oração:
a) Tempus animi nostri magnos dolores leniet.
b) Discipuli audientes praecepta magistrorum magnorum ab omnibus 
laudentur.
c) Custodimus corpora nostra, custodiamus etiam spiritus et mentes.
d) Propter fi lios nostros veniebamus in Romam.
e) Audite, amici, exempla bona patrum vestrorum!
f) Petrus et Paulus, discipuli sapientes, lectiones magnas et exempla bona 
magistri audiunt.
Vocabulário: 
Tempus, temporis (N) = tempo/ i = Animus, i = ânimo, espírito/ noster, 
203
Morfologia dos verbos de 4ª conjugação Aula
17nostra, um = nosso, a/ Magnus, a, um = magno, a; grande/ Dolor, doloris 
(M) = dor/ Lenio, is, lenivi, itum, ire = abrandar/ 
Discipulus, i = discípulo/ Audio, is, ivi, itum, ire = ouvir/ Praeceptum i = 
preceito, determinação/ Magister, magistri = mestre/ Laudo, as, avi, atum, 
are = louvar – voz passiva/ Ab (preposição + ablativo) = por/ Omnis, e 
= todo, a/ 
Custodio, is, ivi, itum, ire = guardar, cuidar/ Corpus, corporis (N) = corpo/ 
etiam = também/ Spiritus, us = espírito/ Mens, mentis = mente/
Propter (preposição + acusativo) = por causa de/ Filius, i = fi lho/ Venio, 
is, vivi, ventum venire = vir/ In (preposição + acusativo) = para/ Roma, 
ae = Roma.
Amicus, i = amigo/ Bonus, a, um = bom, boa/ Exemplum, i = exemplo/ 
Pater, patris = pai/
Vaester, vestra, um = vosso, a.
Petrus, i = Pedro/ Paulus. I = Paulo/ Sapiens, sapientis: sábio, a/ Lectio, 
lectionis = lição/ Exemplum, i = exemplo.
COMENTÁRIO SOBRE AS ATIVIDADES
1. Trabalhando as tabelas, é possível comentar formas e perceber 
sutilezas de detalhes na identificação das características verbais 
(tempo, modo, pessoa, voz etc.). Este exercício repete o que já foi feito 
anteriormente no estudo das outras conjugações.
2. A boa tradução latina é fruto da plena compreensão das funções 
sintáticas das palavras nas frases.
PRÓXIMA AULA 
Na próxima aula, você conhecerá o mecanismo de fl exão dos pronomes.
REFERÊNCIAS
ALMEIDA, Napoleão Mendes de. Gramática latina. São Paulo: Saraiva, 
1995.
CARDOSO, Zélia de Almeida. Iniciação ao latim. São Paulo: Ática, 1989.
COMBA, Júlio. Gramática latina. São Paulo: Salesiana, 1981.
GONZAGA, Maria Cristina de Brito. Frases de latim forense. São Paulo: 
Livraria de Direito, 1994.
LUIZ, Antônio Filardi. Dicionário de expressões latinas. São Paulo: 
Atlas, 2002.
204
Fundamentos da Língua Latina
MACHADO, Luiz. Uma nova visão do latim pelo uso da inteligência. 
Rio de Janeiro: Cidade do cérebro, 1999.
SOARES, João S.. Latim 1 – Iniciação ao latim e à civilização romana. 
Coimbra: Almedina, 1999.
VIARO, Mário Eduardo. Por trás das palavras. São Paulo: Globo, 2004.
___________ Importância do latim na atualidade. Revista de ciências 
humanas e sociais. São Paulo: Unisa, v. 1, n. 1, p. 7-12, 1999.
MORFOLOGIA DOS PRONOMES
META
Apresentar o mecanismo de fl exão dos pronomes e empregá-los corretamente no contexto das frases.
OBJETIVOS
Ao fi nal desta aula o aluno deverá:
descrever a morfologia dos pronomes latinos e sua funcionalidade no âmbito da sintaxe;
identifi car os pronomes em sua variada classifi cação e em sua relação com palavras de outras 
classes;
associar a fl exão dos pronomes à declinação dos nomes em geral, reconhecendo semelhanças e 
diferenças; e
exercitar frases com variados exemplos do emprego de pronomes.
PRÉ-REQUISITOS
Conhecimento da declinação das palavras e das fl exões verbais. Revisão de análise sintática.
Aula
18
206
Fundamentos da Língua Latina
INTRODUÇÃO 
Os pronomes desempenham um papel peculiar pela dupla função que 
exercem no plano semântico. São palavras variáveis que se fl exionam me-
diante o processo de declinação, assim como ocorre com os substantivos 
e adjetivos. Muitas formas com que os pronomes se confi guram são exata-
mente iguais às dos nomes, por isso o conhecimento das declinações muito 
contribui para perceber as fl exões pronominais. Apesar de tal semelhança, 
não se pode enquadrar todos os pronomes no sistema das declinações até 
aqui estudado, exceção feita aos possessivos, que, em todas as pessoas, 
seguem exatamentea confi guração dos adjetivos de 1ª classe: meus, a, um/ 
tuus, a, um/ suus, a, um/ noster, nostra, um/ vester, vestra, um.
Para os outros pronomes, existem tabelas específi cas, embora tam-
bém funcionem como adjuntos adnominais, função muito apropriada aos 
adjetivos.
Você vai ter conhecimento das tabelas que dão conta das fl exões dos 
pronomes, mas sempre trabalhando na mesma perspectiva: consultar, com-
parar, conferir sem grandes preocupações de memorização.
(Fonte: http://www.cacarecos.fi les.wordpress.com)
207
Morfologia dos pronomes Aula
18PRONOMES 
A concepção de pronome, segundo indica a própria pa-forme se con-
stata no exercício da língua:
1. PRONOME - designando a função adjetiva, exercendo papel de deter-
minante que se põe ao lado de (PRO = ao lado de, em favor de), ou seja, 
ao lado do nome a fi m de reforçá-lo tal como fazem os adjetivos no âmbito 
das frases. Em português, usando a mesma conceituação, costuma-se dizer: 
campanha pro natal das crianças, no sentido de dar apoio.
Sintaticamente, nesta acepção, os pronomes, da mesma forma que os 
adjetivos, funcionam como adjuntos adnominais. Nesta função sintática, 
os pronomes adjetivos concordam em gênero, número e caso com o sub-
stantivo ao qual se ligam.
Na frase: ESTE LIVRO É MEU LIVRO, aparecem as formas pronomi-
nais este e meu, uma demonstrativa e outra possessiva, respectivamente. 
Ambas, não tendo dispensado o substantivo livro, ao qual determinam, 
funcionam como pronomes adjetivos e sintaticamente como adjuntos 
adnominais de livro. O latim os denomina de adjetivos possessivos, de-
monstrativos etc., terminologia outrora também adotada pelo português.
Estabeleça o paralelismo de signifi cado entre as frases:
a) Bom livro é livro caro. (adjetivos – ao lado dos nomes – adjuntos ad-
nominais)
b) Este livro é livro meu. (pronomes adjetivos – ao lado dos nomes – ad-
juntos adnominais)
Repetindo o que já se disse, em ambos os casos, tem-se a função sintática 
de adjuntos adnominais e, assim, adjetivos e pronomes adjetivos devem 
concordar em gênero, número e caso com os substantivos a que se ligam.
2. PRONOME - designando a função substantiva e tomando o lugar 
do próprio nome: aqui o pronome substitui o nome e se põe em lugar de 
(PRO = em lugar de), ou seja, em lugar do nome, dispensando-o da frase, 
pois, como fazem os substantivos, eles designam alguma coisa, são a própria 
coisa. Exemplo disso é o termo profeta, o que fala em lugar de. 
Sintaticamente, nesta acepção, os pronomes, da mesma forma que os 
substantivos, porque designam os seres, podem assumir qualquer função 
sintática: sujeito, predicativo do sujeito, objeto direto, agente da passiva etc. 
Pelos exemplos a seguir, vai-se constatar que tais pronomes dispensam o 
nome e a eles remetem sem que estes estejam presentes.
Na frase: ESTE LIVRO É MEU LIVRO, os pronomes adjetivos vão-se 
transformar em pronomes substantivos de várias maneiras:
a) Este é meu livro (este, dispensando o substantivo, assumiu o lugar dele 
e virou pronome substantivo, tornando-se o sujeito da frase, função ante-
riormente assumida por livro).
b) Este livro é meu (agora foi meu que realizou o processo anterior e pas-
208
Fundamentos da Língua Latina
sou sintaticamente a exercer a função de predicativo do sujeito que era 
assumida por livro).
c) Este é meu (os dois pronomes se tornaram substantivos, pois o sub-
stantivo livro foi dispensado em ambos os casos e a função de sujeito e 
predicativo do sujeito é assumida pelo pronome).
Assim, toda vez que toma o lugar do nome confi gura-se o pronome 
substantivo. O latim o denomina simplesmente de pronomes possessivos, 
demonstrativos etc., terminologia outrora também adotada pelo português, 
como já se disse.
Tais princípios são básicos para reconhecimento do papel desempen-
hado pelos pronomes. Para decliná-los, porém, importa consultar as listas 
específi cas. Dos possessivos já se ressaltou que possuem as mesmas fl exões 
dos adjetivos de 1ª classe. Os outros pronomes apresentam muitas formas 
iguais às das declinações dos nomes, mas é necessário conhecer cada tabela. 
O difícil seria exigir-se de você uma memorização rápida e incondicional 
como ainda se faz muito nos cursos de latim que por aí vigoram. Não que-
remos formar repetidores; queremos, sim, desenvolver o hábito da consulta, 
da comparação, da pesquisa e, sobretudo, do raciocínio lógico.
A classifi cação dos pronomes é muito vasta, mas tentaremos apresentar, 
embora de forma bastante esquemática, as subclasses e suas particularidades.
PRONOMES PESSOAIS
Tais pronomes indicam a pessoa do discurso como sempre se ensinou 
em português: a pessoa que fala (1ª), a pessoa com quem se fala (2ª) e a 
pessoa de quem se fala (3ª). Em latim eles são desnecessários em sua forma 
subjetiva, pois não se costuma conjugar os verbos com os pronomes já que 
as desinências pessoais são bem marcadas nas formas verbais. São, porém, 
enfáticos, expressivos. Enquanto complemento verbal, os pronomes pes-
soais desempenham seu papel gramatical.
Possuem declinação própria e a primeira pessoa do singular apresenta 
raízes diferentes no nominativo e nos demais casos.
Observe a fl exão dos pronomes pessoais:
As formas verbais não costumam aparecer com o pronome pessoal: 
Cogito, ergo sum. ([Eu] penso, logo [eu] existo – Descartes). Raramente, 
é possível encontrá-los associados aos verbos: Ego sum pastor bonus (Eu 
sou o bom pastor – Jesus).
As 1ª e 2ª pessoas não possuem o vocativo. Às vezes, quando se quer 
reforçar o discurso, o vocativo pode aparecer, sendo a sua forma igual à do 
nominativo. O vos omnes qui transitis per viam...(Ó vos todos que passais 
pelo caminho – Lamentações – Bíblia).
As formas do ablativo construídas com a preposição cum, traduzindo 
os adjuntos adverbiais de companhia, usam colocar a preposição após o 
209
Morfologia dos pronomes Aula
18pronome: mecum, tecum, secum, nobiscum, vobiscum, em lugar de cum 
me, cum te, cum se, cum nobis, cum vobis, como era de se esperar. O por-
tuguês, curiosamente, constrói esta modalidade de pronomes deixando duas 
vezes a preposição com, antes e depois dos pronomes: comigo, contigo, 
consigo, conosco, convosco. Será que não bastaria dizer com nós ou nos 
co(m)? São as idiotices da língua; idiotices no verdadeiro sentido, coisas 
próprias, particularidades.
Um resquício das declinações latinas pode ser visto nas formas atuais 
dos pronomes pessoais em português. Como acontece no latim, EU é forma 
que só traduz a função do sujeito; MIM só traduz o objeto indireto e assim 
por diante. Por isso, a língua culta não aceita expressões como Maria matou 
eu de raiva ou Maria mim matou de raiva, pois, na função de objeto direto 
que a frase expressa, a forma do pronome de 1ª pessoa no singular é me. 
Logo, deve-se dizer: Maria matou-me ou me matou de raiva.
EXERCÍCIO - Os pronomes pessoais podem ser vistos em muitas 
expressões latinas ainda em pleno uso pelos falantes de outras línguas, que 
os incorporam em seus discursos, a exemplo de:
VADE MECUM
HODIE MIHI, CRAS TIBI. (Expressão colocada em muitos cemi-
térios)
TU QUOQUE, FILI MI, BRUTE?
MISERERE NOSTRI ou NOBIS.
ORA PRO NOBIS.
DOMINUS TECUM.
MEMENTO MEI, QUIA NON OBLIVISCAR TUI.
QUI NOM EST MECUM CONTRA ME EST.
TE DEUM LAUDAMUS
Pesquise o signifi cado de cada expressão e procure enquadrá-las em 
frases da língua portuguesa.
210
Fundamentos da Língua Latina
2ª Pessoa
3ª Pessoa
Nominativo Ego Eu
Genitivo Mei De mim
 Singular Dativo Mihi Me, a, para mim
Acusativo Me Me
Ablativo Me Por, em, sem...mim
Nominativo Nos Nós
Genitivo Nostrum e nostri De nós
 Plural Dativo Nobis Nos, a, para nós
Acusativo Nos Nos
Ablativo Nobis Por, em, sem...nós
Nominativo Tu Tu
Genitivo Tui De ti
 Singular Dativo Tibi Te, a, para ti
Acusativo Te Te
AblativoTe Por, em, sem...ti
Nominativo Vos Vós
Genitivo Vestrum e Vestri De vós
 Plural Dativo Vobis Vos, a, para vós
Acusativo Vos Vos
Ablativo Vobis Por, em, sem... vós
Genitivo Sui De si
 Singular Dativo Sibi se, a, para si
 e Acusativo Se Se
 Plural Ablativo Se Por, em...si
PRONOMES POSSESSIVOS
Essa modalidade de pronomes, conforme se disse acima, declina-se 
segundo o modelo dos adjetivos de 1ª classe: Meus, a, um = 1ª pessoa; 
Tuus, a, um = 2ª pessoa; Suus, a, um 3ª pessoa. 
Em latim é preciso ter cuidado para não confundir o emprego da 3ª 
pessoa aplicada à pessoa com quem se fala (2ª pessoa), construção muito 
211
Morfologia dos pronomes Aula
18freqüente em português, devido ao uso de você. Em português, portanto, 
pode ser ambígua a frase: Eu vi João com a sua noiva. O interlocutor pode 
fi car na dúvida: a noiva de quem? Dele João ou minha com quem se está 
falando? Em latim esta confusão não existe: seu, sua sempre se referem à 3ª 
pessoa, logo, na frase acima, a referência será unicamente à noiva dele, de 
João. A confi guração latina também acontece em outras línguas românicas, 
a exemplo do francês.
PRONOMES DEMONSTRATIVOS
Os pronomes demonstrativos servem para indicar, mostrar as pessoas 
do discurso. Eles modifi cam ou substituem os substantivos indicando a 
posição do ser a que se referem em relação às pessoas do discurso, tal como 
se dá em português: perto da 1ª pessoa ou proximidade temporal e local = 
Hic, haec, hoc; próximo da 2ª pessoa e às vezes usado com sentido pejorativo 
= iste, ista, istud; e próximo da 3ª pessoa ou mostrando distanciamento da 
1ª e da 2ª = ille, illa, illud.
A declinação desses pronomes como dos outros que a seguir serão 
apresentados obedece a uma confi guração específi ca. É claro que muitas 
formas vão, imediatamente, fazer lembrar a declinação dos substantivos e 
adjetivos, mas existem muitas particularidades que dizem respeito unica-
mente à fl exão dos pronomes.
Capa revista (Fonte: http://fesmippb.org.br).
212
Fundamentos da Língua Latina
Pesquise: o que é um “Vade mecum” para determinados profi ssionais? 
(Advogados, médicos, padres etc.)
Eis como são declinados:
HIS, HAEC, HOC = Este, esta, isto.
Nominativo Hi Hae Heac
Genitivo Horum Harum Horum
Dativo His His His
Acusativo Hos Has Haec
Ablativo His His His
Masculino Feminino Neutro
Nominativo Hic Haec Hoc
Genitivo Huius Huius Huius
Dativo Huic Huic Huic
Acusativo Hunc Hanc Hoc
Ablativo Hoc Hac Hoc
Singular
Plural
Nominativo Isti Istae Ista
Genitivo Istorum Istarum Istorum
Dativo Istis Isti Isti
Acusativo Istos Istas Ista
Ablativo Istis Istis Istis
Nominativo Iste Ista Istud
Genitivo Istius Istius Istius
Dativo Isti Isti Isti
Acusativo Istum Istam Istud
Ablativo Isto Ista Isto
Singular
Plural
Masculino Feminino Neutro
ISTE, ISTA, ISTUD = Esse, essa, isso.
O caso vocativo não é usado como em português, não faz sentdio 
construir frases do tipo:
O’ este menino, vem cá!
213
Morfologia dos pronomes Aula
18
Ruinas (Fonte: http://fesmippb.org.br).
ILLE, ILLA, ILLUD = Aquele, aquela, aquilo.
Nominativo Illi Illae Illa
Genitivo Illorum Illarum Illorum
Dativo Illis Illis Illis
Acusativo Illos Illas Illa
Ablativo Illis Illis Illis
Nominativo Ille Illa Illud
Genitivo Illius Illius Illius
Dativo Illi Illi Illi
Acusativo Illum Illam Illud
Ablativo Illo Illa Illo
Singular
Plural
Masculino Feminino Neutro
214
Fundamentos da Língua Latina
Ao lado desses pronomes, costuma-se classifi car como demonstrativo 
o anafórico is, ea, id (este, esta, isto), empregado freqüentemente na função 
de pronome pessoal de terceira pessoa (ele, ela) ou em associação com o 
relativo qui, quae, quod em expressões como is qui = aquele que, quem. 
O tempo e a freqüência de uso é que darão o pleno domínio das formas 
e a total segurança no momento de empregá-los. Mais uma vez, o aluno 
deverá constantemente consultar as tabelas e também compará-las entre si.
IS, EA, ID = Este, esta, isto.
Masculino Feminino Neutro
Nominativo Is Ea Id
Genitivo Eius Eius Eius
Dativo Ei Ei Ei
Acusativo Eum Eam Id
Ablativo Eo Ea Eo
Nominativo Ei Eae Ea
Genitivo Eorum Earum Eorum
Dativo Eis Eis Eis
Acusativo Eos Eas Ea
Ablativo Eis Eis Eis
Singular
Plural
215
Morfologia dos pronomes Aula
18IDEM, EADEM, IDEM = O mesmo, a mesma, o mesmo.
Nominativo Eidem Eaedem Eadem
Genitivo Eorundem Earundem Eorundem
Dativo Eisdem Eisdem Eisdem
Acusativo Eosdem Easdem Eadem
Ablativo Eisdem Eisdem Eisdem
Nominativo Idem Eadem Idem
Genitivo Eiusdem Eiusdem Eiusdem
Dativo Eidem Eidem Eidem
Acusativo Eundem Eandem Idem
Ablativo Eodem Eadem Eodem
Masculino Feminino Neutro
Singular
Plural
Nominativo Ipse Ipsa Ipsum
Genitivo Ipsius Ipsius Ipsius
Dativo Ipsi Ipsi Ipsi
Acusativo Ipsum Ipsam Ipsum
Ablativo Ipso Ipsa Ipsa
Nominativo Ipsi Ipsae Ipsa
Genitivo Ipsorum Ipsarum Ipsorum
Dativo Ipsis Ipsis Ipsis
Acusativo Ipsos Ipsas Ipsa
Ablativo Ipsis Ipsis Ipsis
Singular
Plural
Masculino Feminino Neutro
IPSE, IPSA, IPSUM = O próprio, a própria, o próprio.
216
Fundamentos da Língua Latina
PRONOMES RELATIVOS
Os pronomes relativos são muito empregados em português. Até reco-
mendam os gramáticos que sejam refeitas as frases que apresentam o uso 
excessivo do que. Por outro lado, os professores demasiadamente apegados 
às regras gramaticais se deleitam cobrando dos alunos o conhecimento 
completo das funções do que, tema que já fez muita gente considerar in-
tragável a língua portuguesa. 
O tema do relativo que tornou-se complexo porque, na passagem 
do latim para o português, todas as formas do singular e do plural que a 
declinação dos relativos comportava foram reduzidas a uma só: que. Em 
outras palavras: o latim possuía formas do que para cada gênero, número, 
caso, coisa que o português simplifi cou:
O menino que surgiu aqui (em latim = qui – masculino, singular, sujeito)/ 
A menina que surgiu aqui (em latim = quae - feminino, singular, sujeito)/ O 
exemplo que surgiu aqui (em latim = quod – neutro, singular, sujeito).
O menino que eu vi aqui (em latim = quem – masculino, singular - ob-
jeto direto)/ A menina que eu vi aqui (em latim = quam – feminino, singu-
lar, objeto direto)/ O exemplo que eu vi aqui (em latim = quod – neutro, 
singular, objeto direto). E assim por diante.
Você pode observar que em português a forma que é a mesma para todas 
as frases, ainda que ocorram variações de gênero, número ou função sintática.
Continue o exercício, construindo frases em português que contem-
plem o relativo que em diferentes gêneros, números e funções sintáticas, 
identifi cando, ao mesmo tempo, a forma latina correspondente para cada 
variação que você construir. Desta forma, todas as possibilidades dos rela-
tivos podem ser visualizadas e você perceberá com maior clareza como o 
latim concebe este tipo de pronome no exercício da língua. Assim você 
estará percebendo, igualmente, as confi gurações sintáticas dos relativos 
na língua portuguesa. São muito freqüentes os apagamentos das funções 
sintáticas do relativo que, sobretudo no exercício da oralidade em frases 
do tipo: A rua que eu moro/ A pessoa que eu me casei/ O menino que a 
mãe morreu/ As patroas que eu trabalhei nas casas...etc.
217
Morfologia dos pronomes Aula
18Conferindo a tabela da fl exão dos relativos, IDENTIFIQUE como 
seria cada um desses que em latim e JUSTIFIQUE a sua resposta.
CONSTRUA outros exemplos.
Agora veja a declinação desses pronomes:
QUI, QUAE, QUOD = O qual, a qual, o qual.
Nominativo Qui Quae Quae
Genitivo Quorum Quarum Quorum
Dativo Quibus Quibus Quibus
Acusativo Quos Quas Quae
Ablativo Quibus Quibus Quibus
Nominativo Qui Quae Quod
GenitivoCuius Cuius Cuius
Dativo Cui Cui Cui
Acusativo Quem Quam Quod
Ablativo Quo Qua Quo
Masculino Feminino Neutro
Singular
Plural
Embora haja outros pronomes relativos em latim, o mais freqüente 
e comum é qui, quae, quod, assim como se mostrou na tabela acima. Em 
estudos posteriores, você pode completar em qualquer gramática latina o 
conhecimento deste assunto e de outros, os quais o curto espaço destas 
aulas não permitiu esgotar.
PRONOMES INTERROGATIVOS
Assim como aconteceu com os relativos, o pronome interrogativo 
concorda inteiramente com o substantivo. As formas também em muito 
se assemelham, o que reduz as difi culdades no trato com eles.
Observe a declinação dos interrogativos, comparando-a com os rela-
tivos contemplados na tabela acima:
QUIS, QUAE, QUID = Quem, que? 
218
Fundamentos da Língua Latina
Nominativo Quis Quae Quid
Genitivo Cuius Cuius Cuius
Dativo Cui Cui Cui
Acusativo Quem Quam Quid
Ablativo Quo Qua Quo
Nominativo Qui Quae Quae
Genitivo Quorum Quarum Quorum
Dativo Quibus Quibus Quibus
Acusativo Quos Quas Quid
Ablativo Quibus Quibus Quibus
Singular
Masculino Feminino Neutro
Plural
PRONOMES INDEFINIDOS
Os mais freqüentes dos indefi nidos são quis, quae (ou qua), quid 
(alguém), cuja declinação é exatamente igual à do interrogativo, e aliquis, 
aliqua, alquid (alguém), composto do primeiro. Outros indefi nidos existem 
dos quais não faremos menção neste curso. Como já se disse, na medida 
em que a necessidade de aprofundamento se fi zer necessária, você terá às 
mãos os recursos que remetam à pesquisa. Importante é trabalhar pequenas 
frases, reconhecer as formas associadas às funções sintáticas e realizar vários 
exercícios, nos quais se enquadrem todos os assuntos já vistos.
219
Morfologia dos pronomes Aula
18CONCLUSÃO 
O estudo dos pronomes vem completar os conhecimen-tos sobre a 
fl exão das palavras variáveis, embora os pronomes não se enquadrem per-
feitamente nas tabelas destinadas aos substantivos e adjetivos.
As tabelas referentes a cada modalidade de classifi cação garantem o 
emprego seguro das formas, sempre associadas à função sintática desem-
penhada pelos pronomes no contexto das frases.
Sendo o latim uma língua sintética, os pronomes muito contribuem 
para tornar as sentenças mais curtas e mais precisas, reforçando os nomes 
ou evitando repetições desnecessárias e, até mesmo, embelezando-lhes o 
estilo e ressaltando a riqueza da língua.
Como sempre acontece com as palavras variáveis latinas, as listas de 
declinações são inevitáveis, mas, na perspectiva que se vem imprimindo a 
este curso, é preciso afastar toda sorte de impacto e até de certo terrorismo 
que, infelizmente, ainda caracteriza o estudo do latim. Não se constitui 
nenhum defeito ou atraso insistir na necessidade de o aluno familiarizar-se 
com a consulta às tabelas, dicionários, gramáticas e manuais. O assunto 
referente aos pronomes pode ser encontrado com muita propriedade nesses 
compêndios.
RESUMO
A morfologia dos pronomes, não resta dúvida, é bastante complexa, 
mas nada que bloqueie o acesso ao pleno domínio do assunto. Você já deve 
ter percebido que a grande difi culdade para o estudo do latim não reside 
no próprio latim, mas na defi ciência de compreensão da própria língua 
portuguesa. Os pronomes possuem classifi cações diversas, mas elas são as 
mesmas a que estamos habituados no estudo do português. Para iniciar, 
quem domina os conceitos básicos em português já está a caminho da 
compreensão do próprio latim: possessivos, demonstrativos, relativos etc. 
O que signifi ca esta terminologia que o português herdou do latim?
Parte da morfologia dos pronomes (os possessivos) segue exatamente 
a declinação dos adjetivos de 1ª classe. E este assunto já foi plenamente 
contemplado nas aulas anteriores. Os outros pronomes (os relativos, in-
defi nidos etc.) possuem confi guração própria, mas nada que esteja inteira-
mente distante das declinações dos nomes. Um trabalho comparativo vai 
comprovar esta afi rmação e afastar ainda mais o fantasma da complexidade.
Até os pronomes pessoais, que apresentam características bem mar-
cantes, aqui e ali se aproximam do plano geral das declinações latinas.
Enfi m, as listas estão aí. Utilize-as a todo tempo.
220
Fundamentos da Língua Latina
ATIVIDADES 
1. Responda:
a) O que diferencia as funções adjetiva e substantiva dos pronomes? Ex-
emplo.
b) Sintaticamente, como se comportam os pronomes sendo eles adjetivos 
ou substantivos? Apresente exemplos bastante ilustrativos.
c) O que signifi cam as diferenças formais do pronome pessoal: MEI/ 
MIHI/ ME? Dê exemplos com frases do português para cada uma dessas 
formas. Justifi que.
d) Como se dizem em latim os pronomes pessoais contidos nas expressões: 
para ti/ sem ti/ de nós? JUSTIFIQUE.
e) Como o latim trabalha a preposição com (cum + ablativo) associada aos 
pronomes pessoais? Exemplo.
f) Explique a morfologia dos pronomes demonstrativos a partir da prox-
imidade do locutor para com as pessoas do discurso.
g) Comparando as tabelas das declinações dos substantivos e adjetivos com 
as tabelas de declinação dos pronomes, identifi que as formas semelhantes.
h) Como o latim articula o pronome relativo que? Na passagem para o 
português, o que houve com a confi guração deste pronome?
2. Pesquise o signifi cado dos pronomes nas seguintes expressões latinas que 
aparecem inseridas nas frases da língua portuguesa. Justifi que:
- Antes de começar a reunião, Pedro foi designado secretário ad hoc.
- Vou te repetir ipsis litteris o que eu ouvi.
- Como pensas terminar a casa se não tens os cum quibus?
- A fala dele é um verdadeiro qui pro quo.
- A honestidade é condição sine qua non para a seriedade na política.
- Se os ricos mantêm o status quo, como pode o país crescer?
3. Reconheça as formas latinas do pronome relativo que nas seguintes frases 
do português. Justifi que.
a) O livro a que me referi está esgotado.
b) Nas noites em que não durmo prefi ro ver televisão.
c) O homem que eu vi estava perdido na praça.
d) A vida que eu levo não é fácil.
PRÓXIMA AULA
Na próxima aula, o assunto a ser discutido compreende o emprego das 
conjunções e interjeições.
221
Morfologia dos pronomes Aula
18REFERÊNCIAS
ALMEIDA, Napoleão Mendes de. Gramática latina. São Paulo: Saraiva, 
1995.
CARDOSO, Zélia de Almeida. Iniciação ao latim. São Paulo: Ática, 1989.
COMBA, Júlio. Gramática latina. São Paulo: Salesiana, 1981.
GONZAGA, Maria Cristina de Brito. Frases de latim forense. São Paulo: 
Livraria de Direito, 1994.
LUIZ, Antônio Filardi. Dicionário de expressões latinas. São Paulo: 
Atlas, 2002.
MACHADO, Luiz. Uma nova visão do latim pelo uso da inteligência. 
Rio de Janeiro: Cidade do cérebro, 1999.
SOARES, João S.. Latim 1 – Iniciação ao latim e à civilização romana. 
Coimbra: Almedina, 1999.
VIARO, Mário Eduardo. Por trás das palavras. São Paulo: Globo, 2004.
___________ Importância do latim na atualidade. Revista de ciências 
humanas e sociais. São Paulo: Unisa, v. 1, n. 1, p. 7-12, 1999.
CONJUNÇÕES E INTERJEIÇÕES
META
Apresentar o emprego das conjunções latinas no processo de coordenação e subordinação em que 
as frases se constroem e as interjeições latinas.
OBJETIVOS
Ao fi nal desta aula o aluno deverá:
identifi car a morfologia das conjunções e sua funcionalidade na construção das frases latinas;
reconhecer a importância do processo de coordenação e subordinação na elaboração das sentenças;
defi nir a função sintática das orações subordinadas para as quais contribuem as diferentes 
conjunções como cláusula adverbial ou substantiva;
distinguir as circunstâncias que envolvem a comunicação e elaborar textos pertinentes; e
conhecer as interjeições e o seu efeito nas frases latinas.
PRÉ-REQUISITOS
Conhecimento acumulado dos temas estudados. Noções de análise sintáticae revisão de orações 
coordenativas e subordinativas.
Aula
19
224
Fundamentos da Língua Latina
CONJUNÇÕES E INTERJEIÇÕES 
As conjunções marcam as condições de coordenação e subordinação 
entre as idéias. Existe uma lista bastante signifi cativa de palavras desta 
classe que podem expressar mais de uma circunstância tanto no latim 
como no português. Um exemplo disso é a conjunção como. Perceba a 
diferença semântica que imprime às frases a depender da combinação 
com a forma verbal:
Ele age como costumam agir as crianças. (conformidade)
Como estava doente, cancelou todos os seus compromissos. (causa)
Conjunção 
Esta palavra latina 
tem o seu corre-
spondente na língua 
grega: SÍNDETO. 
As orações que 
contêm conjun-
ções são chamadas 
de SINDÉTICAS. 
Sem as conjunções 
visivelmente ex-
pressas, as orações 
d e n o m i n a m - s e 
ASSINDÉTICAS 
e se, pelo contrário, 
possuem mais de 
uma conjunção, as 
orações são chama-
das de POLISSIN-
DÉTICAS. Essas 
modalidades são 
comuns no latim e 
no português.
INTRODUÇÃO 
As conjunções são palavras invariáveis que servem para conectar pa-
lavras ou orações. Grande parte das dis-cussões em torno da elaboração 
textual passa pelo estudo das conjunções. Existe uma lógica que perpassa 
o conhecimento destas partículas para o perfeito encadeamento das idéias, 
para cuja compreensão é indispensável saber articular conjunções e tem-
pos verbais. Desta articulação melhor se evidenciam as circunstâncias que 
envolvem as expressões da linguagem em todas as modalidades exigidas 
no exercício da língua.
As interjeições, embora não interfi ram na questão sintática das frases, 
merecem algumas observações nesta aula, uma vez que também se en-
quadram no léxico latino.
225
Conjunções e interjeições Aula
19Vejam como Maria anda. (modo)
Como um cordeiro, ele não protesta nem reage. (comparação).
Os estudos de coerência textual exploram por demais as sutilezas de 
signifi cado que as conjunções podem acrescentar à linguagem. Além do 
mais, elas são vistas como elementos de ligação e encadeamento para ga-
rantir a lógica do discurso.
Um estudo mais amplo das conjunções latinas destina-se a quem pre-
tende aprofundar-se no conhecimento da língua e para isso existe biblio-
grafi a vasta. Trata-se de uma exploração complexa, pois as sentenças mais 
difíceis da língua latina trazem as conjunções no seu âmbito, sobretudo as 
que executam a subordinação. Apesar da difi culdade, torna-se fascinante 
perceber os indicativos de causa, fi nalidade, concessão, condição, confor-
midade etc. que as conjunções podem evidenciar e, como se disse acima, 
algumas conjunções podem imprimir efeitos diversos à linguagem.
Experimente identifi car na língua portuguesa os efeitos diversos de 
certas conjunções e identifi car as formas verbais que participam destas 
alterações.
Aqui apresentamos, sucintamente, o quadro das conjunções latinas.
CONUNÇÕES COORDENATIVAS
a) Copulativas (aditivas): et, ac, que, atque com o signifi cado de e. A partícula 
que é acrescentada no fi nal de uma palavra e unida a ela. Assim, tanto faz 
dizer Petrus et Paulus ou dizer Petrus Paulusque. Este recurso é muito 
comum na linguagem poética.
b) Disjuntivas (alternativas): aut, vel, ve, sive, seu com o signifi cado de ou.
c) Adversativas: at, sed, verum, tamen com o signifi cado de mas.
d) Explicativas: nam, namque, enim com o signifi cado de com efeito.
e) Conclusivas: ergo, igitur com o signifi cado de portanto.
Observe algumas conjunções coordenadas em expressões conhecidas:
- Da mihi animas et coetera tolle. (Dá-me as almas e carrega o restante)
- Dura lex, sed lex. (A lei é dura, mas é a lei)
- Libertas quae sera tamen. (A liberdade ainda que tarde)
- Cogito, ergo sum. (Penso, logo [portanto] existo)
Observe que, como em português, tais conjunções apenas coordenam 
as idéias, mas cada oração tem vida independente da outra, isto é, pode ser 
compreendida isoladamente.
CONUNÇÕES SUBORDINATIVAS
As subordinativas exigem mais atenção, pois articulam frases mais 
complexas, sendo uma das orações dependente da principal. Como acon-
tece em português, pela constância de exercícios é que se vai aprendendo 
226
Fundamentos da Língua Latina
a lidar com elas e, mesmo assim, em muitos casos, não é fácil discernir a 
confi guração exata que elas imprimem à frase. A este respeito, basta recordar 
as complexas funções do que tão cobradas em aulas de gramática.
Eis aqui algumas subordinativas:
a) Finais: ut, uti, quo, ne com o signifi cado de que, para que, para que não.
b) Consecutivas: ut, ita ut, ut non, quin com o signifi cado de de tal forma 
que, de tal forma que não. 
c) Temporais: ubi, cum, quando (quando), dum (enquanto), donec, quoad 
(até que), postquam (depois que), antequam (antes que).
d) Causais: quod, quia (porque), cum, quoniam (pois que), ut (visto que).
e) Comparativas: quam (que), ut (como), sicut (assim como).
f) Concessivas: quanquam, etsi, etiamsi, quamvis (embora, ainda que).
g) Condicionais: si (se), nisi (a não ser que), sive (ou se), modo, dummodo 
(contanto que).
h) Integrantes: ut (que), ne, quin, quominus (que ...não), quod (o fato de que).
Assim como em português, muitas conjunções desempenham papéis 
múltiplos, assumindo, conforme o caso, signifi cações diferentes e exigindo 
o verbo em modo específi co.
Muitas vezes a conjunção é apenas subentendida sem que neces-
sariamente venha expressa na frase e, outras vezes, a frase pode apresentar 
repetição da mesma conjunção num só contexto.
ORAÇÕES SUBSTANTIVAS (SUJEITO ACUSATIVO 
OU ORAÇÃO INFINITIVA)
A oração subordinada substantiva possui uma particularidade sintática 
de largo uso em latim. Trata-se, na verdade, da oração subordinada sub-
stantiva objetiva direta reduzida de infi nitivo. Eis um exemplo: O general 
mandou o povo recuar. A oração subordinada o povo recuar constrói-se 
em latim com o sujeito (o povo) no acusativo e o verbo no infi nitivo. Na 
verdade, o sujeito da oração subordinada (o povo) também funciona como 
objeto direto da oração principal: O general mandou o povo (o povo) re-
cuar. O sujeito da subordinada (por ser também objeto direto da principal) 
é colocado no latim no acusativo, que é o caso do objeto direto. 
Em português, o mesmo se verifi ca e pode ser mais visível em con-
struções com os pronomes pessoais. Esses pronomes do caso reto (eu, tu, 
ele-ela, nós, vós, eles-elas) sempre devem exercer a função de sujeito. Nas 
orações de que aqui se trata, esses mesmos pronomes do caso oblíquo 
(me, te, se, o, a, nos, vos, os, as) é que passam a exercer a função de sujeito. 
Exemplos: O diretor deixou-me entrar na sala e não O diretor deixou 
eu entrar na sala.
A polícia mandou-o sair depressa e não A polícia mandou ele sair 
depressa.
227
Conjunções e interjeições Aula
19
Tais construções sempre acontecem com verbos que expressam decla-
ração, conhecimento (dizer, afi rmar, crer, saber, mandar etc.).
O latim vulgar costuma desdobrar tais orações com o auxílio da con-
junção integrante que. Assim também acontece em português, facilitando 
por demais o seu uso. Ambas as formas estão corretas, mas o desdobra-
mento da oração vem sendo, desde o latim vulgar, o modo mais simples 
de expressar o mesmo conteúdo. Deste modo, as mesmas orações dos 
exemplos acima tornam-se:
O diretor deixou que eu entrasse na sala.
A polícia mandou que ele saísse depressa.
Em outras palavras: enquanto o latim erudito prefere dizer Creio Deus 
ser infi nito. (Credo Deum infi nitum esse), o latim vulgar, desdobrando a 
oração, dirá Creio que Deus é infi nito (Credo quod Deus est infi nitus). Como 
se pode ver, o latim clássico coloca o sujeito e o predicativo do sujeito no 
acusativo Deum/ infi nitum e o verbo vai para o infi nitivo, esse. 
Em português, ainda são encontradas muitas construções semelhantes:Creio não haver mais tempo...julgo não ser mais necessário...etc.
Em outras palavras: eis os procedimentos para traduzir orações sub-
ordinadas como: Creio que Deus existe, julgo que Pedro é culpado etc.:
- o que não se traduz;
- o sujeito vai para o acusativo;
- o verbo vai para o infi nitivo;
(Fonte: http://www.mariarafart.com).
228
Fundamentos da Língua Latina
- se o verbo da subordinada for um verbo de ligação, o predicativo irá 
também para o acusativo.
Agora é possível ao aluno distinguir as formas do infi nitivo com seus 
tempos específi cos:
Infi nitivo presente: Creio que Pedro vem/ Credo Petrum venire.
Infi nitivo passado: Creio que Pedro veio/ Credo Petrum venisse.
Infi nitivo futuro: Creio que Pedro virá/ Credo Petrum venturum esse.
O processo de construção das frases obedece sempre aos mesmos 
critérios: sujeito no acusativo e verbo no infi nitivo, mas sempre observado 
o tempo exato em que se diz o infi nitivo: presente, passado ou futuro.
INTERJEIÇÕES
Cabe aqui uma palavra fi nal sobre as interjeições. Trata-se, em muitos 
casos, de palavras equivalentes a expressões inarticuladas que exprimem 
sentimentos ou sensações. Algumas são monossilábicas e não se revestem 
de conteúdo signifi cativo, podendo variar de conotação a depender da 
infl exão da voz ou das circunstâncias em que sejam pronunciadas. É o 
caso, por exemplo, de ah!,a!, o!, interjeições que servem para expressar dor, 
espanto, alegria, surpresa.
Tais sons apenas acompanham os sentimentos expressos no discurso, 
e muitos deles nunca tiveram sentido algum. Todas as línguas, todas as cul-
turas possuem essas entonações para dar maior expressividade ao discurso, 
traduzindo em pequenos ruídos os sentimentos que o homem pode emitir 
nas mais variadas situações.
Eis algumas interjeições latinas:
1. Sons desprovidos de sentido:
Oh! Oho! = dor, admiração. Oh, me miserum!
Heu, eheu! = ai! oh! 
Eia! = alegria.
Vae = ameaça.
Ecce = apresentação.
2. Substantivos e verbos empregados como interjeições:
Pax! = saudação.
Malum = maldição.
Hercule! = por Hércules.
Ave! = saudação.
Salve! = saudação.
Age! Agite! = coragem.
Este foi só um demonstrativo a fi m de não deixar de abordar este as-
sunto. É, porém, um tema sem muita importância e sem maiores compli-
cações no momento de uso, até mesmo porque não interfere na estrutura 
sintática das frases.
229
Conjunções e interjeições Aula
19
RESUMO
As conjunções realizam conexão entre palavras e orações num processo 
que pode ser de coordenação ou de subordinação. A lista de conjunções 
apresentada vai, pouco a pouco, familiarizando o estudante no trato com 
esta classe de palavras. Importa perceber o que cada uma destas partículas 
pode acrescentar à linguagem e as circunstâncias que elas defi nem no mo-
mento do uso. É necessário ainda reconhecer a variedade de sentidos que 
uma mesma conjunção acarreta.
As interjeições, por sua vez, não interferem na essência das sentenças; 
apenas, como recurso estilístico, conseguem traduzir a expressividade hu-
mana que comporta o gesto da comunicação.
(Fonte: http://blog.uncovering.org).
CONCLUSÃO 
As conjunções permitem elaborar frases mais complexas e, a partir 
desta aula, os textos já podem ser en-frentados, sobretudo no que tange ao 
processo de tradução do latim ao português. As noções de análise sintática 
devem ser revistas de modo especial no que tange aos adjuntos adverbiais 
e às diferentes circunstâncias que as conjunções podem viabilizar.
As interjeições são meros instrumentos estilísticos, ou seja, recursos 
expressivos que acrescentam ênfase ao discurso.
230
Fundamentos da Língua Latina
COMENTÁRIO SOBRE AS ATIVIDADES
1. A questão I revisa os conteúdos básicos desta aula. Trata-se de 
assimilar conceitos e saber demonstrá-los através de exemplos 
criados por você mesmo. Tais exemplos podem ser socializados, para 
enriquecimento das ilustrações que expressam a compreensão do 
assunto.
2. Saber distinguir as funções do “que” é o primeiro passo para trabalhar 
certas orações subordinadas. Aqui se evidenciam as subordinadas 
adjetivas e as substantivas e a diferença de trato que cada uma requer. 
ATIVIDADES
1.Responda:
a) Qual o papel das conjunções? 
b) Explique a diferença entre coordenação e subordinação.
c) Apresente orações em português que ilustrem a coordenação e a sub-
ordinação.
d) Mostre exemplos no latim e no português de uma mesma conjunção que 
imprime signifi cado diverso ao discurso. 
e) Como se constroem em latim as orações subordinadas substantivas 
objetivas diretas? Exemplo.
f) O sujeito da frase em latim pode ir para o acusativo? A língua portuguesa 
também conhece processo semelhante? Explique e dê exemplos.
g) No caso de o sujeito se colocar no acusativo, existindo um predicativo 
do sujeito, para que caso deverá direcionar-se? Exemplo.
h) Que efeito produz nas frases o uso das interjeições? Cite algumas inter-
jeições latinas.
i) Como se chama o que pelo qual se inicia a subordinada substantiva ob-
jetiva direta?
2. Identifi que a diferença entre o que das seguintes orações:
- Sei que a vida dos homens é breve.
- Sempre amarei a vida que Deus me deu.
Transponha para o latim essas duas orações. Explique o processo. Coloque 
a 1ª oração nas duas formas possíveis.
3. Construa orações em português que ilustrem todas as modalidades de 
orações coordenativas e subordinativas.
231
Conjunções e interjeições Aula
19
PRÓXIMA AULA
Mais adiante, você verá como se dá o processo de formação das pa-
lavras latinas.
REFERÊNCIAS
ALMEIDA, Napoleão Mendes de. Gramática latina. São Paulo: Saraiva, 
1995.
CARDOSO, Zélia de Almeida. Iniciação ao latim. São Paulo: Ática, 1989.
COMBA, Júlio. Gramática latina. São Paulo: Salesiana, 1981.
GONZAGA, Maria Cristina de Brito. Frases de latim forense. São Paulo: 
Livraria de Direito, 1994.
LUIZ, Antônio Filardi. Dicionário de expressões latinas. São Paulo: 
Atlas, 2002.
MACHADO, Luiz. Uma nova visão do latim pelo uso da inteligência. 
Rio de Janeiro: Cidade do cérebro, 1999.
SOARES, João S.. Latim 1 – Iniciação ao latim e à civilização romana. 
Coimbra: Almedina, 1999.
VIARO, Mário Eduardo. Por trás das palavras. São Paulo: Globo, 2004.
___________ Importância do latim na atualidade. Revista de ciências hu-
manas e sociais. São Paulo: Unisa, v. 1, n. 1, p. 7-12, 1999.
Vocabulário:
Scio = sei/ Quia = que/ vita, ae = vida/ Homo, hominis = homem/ 
Sum, es, fui, esse = ser/ Brevis, e = breve.
Amo, as, avi, atum, are = amar/ qui, quae, quod = que, o qual, a qual/ 
Deus, Dei = Deus/ Do, das, dedi, datum, dare = dar/ Ego, mei = 
eu, me. 
3. O pleno domínio das conjunções manifesta-se na construção de 
frases que ilustram a distinção de cada modalidade.
FORMAÇÃO DAS PALAVRAS
META
Apresentar o mecanismo de formação das palavras latinas e sua correlação com a língua portuguesa.
OBJETIVOS
Ao fi nal desta aula o aluno deverá:
defi nir o processo de formação das palavras latinas;
reconhecer as marcas latinas nas palavras da língua portuguesa;
descrever provérbios, ditados e expressões latinas em pleno uso na atualidade;
identifi car a incorporação de termos latinos no discurso da língua portuguesa; e
reconhecer a contribuição do latim para o desenvolvimento do raciocínio e a expressão da linguagem 
no mundo de hoje.
PRÉ-REQUISITOS
Todos os conhecimentos das aulas anteriores. Atitude de investigação para com as diversas marcas 
deixadas pelo latim no exercício atual da língua.
Aula
20
234
Fundamentos da Língua Latina
INTRODUÇÃO 
Não se pode negar que o latim é uma língua morta. Não existe no 
mundo inteiro qualquer comunidade lingüística fazendo uso corrente do 
latim para garantir a comunicação oral e escrita entre as pessoas e, sob esta 
ótica, é inquestionável reconhecer que o latim morreu. 
Observe, porém, esta comparação:imagine você aquele boneco chama-
do “João teimoso” com o qual crianças e adultos se divertem justamente 
pela sua resistência em não querer fi car deitado, quieto. Ele estará sempre 
lutando para se pôr de pé. Com o latim acontece o mesmo e o mais inter-
essante é que não é ele, língua morta, que luta para reerguer-se, é o mundo 
que precisa dele e a ele recorre consciente ou inconscientemente.
Nesta aula, a última desta série, tenta-se evidenciar as diversas marcas 
pelas quais se comprova a presença viva do latim nas línguas modernas. De 
um lado, estão as línguas românicas, nas quais, como oriundas do latim, se 
percebem traços e mais traços de uma língua mãe que lhes serviu de base. 
De outro lado, estão tantos idiomas, a exemplo do inglês, que, mesmo per-
tencendo a outra família lingüística, servem-se do latim e do grego como 
base para muitas de suas composições lexicais, sobretudo no que se refere 
às terminologias, as quais, via latim e grego, já se encontram incorporadas 
ao vocabulário universal. 
Basta recordar-se de áreas como a botânica, a química, o direito, a 
medicina, a fi losofi a e outras tantas, cuja precisão conceitual melhor se 
concretiza sobre as bases das línguas clássicas.
Estas poucas aulas, como sempre foi aqui reforçado, são apenas um 
breve ilustrativo da pertinência e viabilidade do conhecimento do latim na 
atualidade, sobretudo em se tratando de um curso de Letras, no qual se 
discutem aspectos da linguagem humana para cuja abordagem não podem 
ser negligenciadas as considerações sobre as bases históricas da língua, 
ou melhor, da língua portuguesa, última fl or surgida do seio da língua do 
antigo Lácio.
235
Formação das palavras Aula
20FORMAÇÃO DAS PALAVRAS 
Considerada por alguns como parte da morfologia; por outros, como 
parte do vocabulário, a formação das palavras é um dado importante no 
ensino do latim. A língua portuguesa, por sua vez, também trabalha as 
palavras imitando o procedimento que herdou da língua mãe. 
Como parte da morfologia, busca-se conhecer os elementos consti-
tutivos da palavra (prefi xos, sufi xos, desinências, radicais) como forma 
habitual pela qual as palavras se formam. As pessoas assimilaram o modelo 
e, mesmo inconscientemente, recorrem a ele quando querem criar novos 
termos que se vão incorporando, pouco a pouco, ao vasto repertório de 
que se constitui o léxico.
Tais elementos, acrescidos à raiz, não modifi cam precisamente o 
sentido fundamental da palavra, mas apenas lhe conferem um novo matiz 
semântico. Sem esses recursos, o léxico estaria muitís-simo reduzido às suas 
bases e, conseqüentemente, as possibilidades de denominação das coisas 
seriam muito restritas. 
Existem muito mais objetos a serem denominados do que nomes 
com os quais denominá-los. O léxico de uma língua seria muitíssimo mais 
extenso se houvesse um nome específi co para cada objeto da realidade. 
Não sendo assim, porém, acontece, muitas vezes, a repetição dos mesmos 
nomes para designar coisas variadas, daí o uso constante de polissemias, das 
quais todas as línguas possuem variados exemplos. A que remete mesmo a 
palavra manga? A uma fruta? A uma peça do vestuário? A um lugar onde 
pascem os rebanhos? A uma forma do verbo mangar? A tudo isso e ainda 
podendo ser a mais alguma coisa?
(Fonte: http://www.toolong.com).
236
Fundamentos da Língua Latina
Tais empréstimos são muito freqüentes, manifestando uma das modali-
dades pelas quais o léxico se multiplica. Outros modos de formar palavras 
são muito bem apresentados por Hevaldo Heckler et alii num trabalho 
muito efi ciente sobre a Estrutura das Palavras (Cf. Anexo 05, p. 399-400). 
O importante é ver, na maioria das palavras da língua portuguesa, as marcas 
visíveis e indeléveis da língua latina. A este respeito, deve ser citada outra 
obra de muito valor. Trata-se do livro Por trás das palavras, de Mário Edu-
ardo Viaro, onde se pode vislumbrar a análise criteriosa das marcas latinas 
no léxico português. E este reconhecimento é algo curioso, pelo qual a 
maioria das pessoas, mesmo sem ser especialista na área, fi ca fascinada. É 
assim que muitos trabalhos de etimologia conseguem atrair a atenção e o 
interesse do grande público.
As pessoas demonstram grande curiosidade por saber a origem dos 
nomes próprios, sendo inegável o encanto quando se descobre a relação 
entre as palavras e as coisas. É neste momento que o latim, mais do que 
qualquer outra língua, faz transparecer a riqueza deixada no vocabulário 
da língua portuguesa.
Vamos apresentar o processo de forma bem simples e de fácil com-
preensão. Você lembra do caso chamado genitivo? Esta palavra está ligada a 
uma família onde se encontra o termo genitor, que quer dizer pai. O genitivo 
é, pois, o caso gerador da palavra. É dele que se tira o radical que serve de 
base para a declinação dos outros casos latinos, daí por que todos os sub-
stantivos em latim devem ser apresentados com a forma do seu respectivo 
genitivo singular. É do genitivo também que se depreende a forma que 
vão ter as palavras da língua portuguesa quando forem isolados todos os 
acréscimos (prefi xos, sufi xos, desinências). Esta forma corresponde exata-
mente ao radical latino do genitivo da palavra em questão. Esta manifestação 
pode ser bem mais visível nas palavras da 3ª declinação, cujas diferenças 
de radical entre o nominativo e o genitivo no singular são bem acentuadas. 
Podem ser vistas também nos tempos primitivos dos verbos, cujas marcas 
de irregularidades aparecem também nas palavras da língua portuguesa.
Observe estes exemplos:
A palavra nome, como qualquer palavra em latim, deve ser apresentada 
com as formas do singular do nominativo e do genitivo. Assim, pois, é que 
ela aparece nos dicionários: NOMEN, NOMINIS (N). O segundo elemento 
é, pois, a forma no genitivo singular: NOMINIS. Isolando a desinência IS, 
que é a marca do genitivo singular de todas as palavras da 3ª declinação, vai 
sobrar a forma NOMIN e é daí que o português vai originar todas as pala-
vras desta mesma família, ou seja, para dizer tudo o que se refere a NOME. 
Etimologia 
Estudo da origem 
das palavras. Os 
gregos denomina-
vam de ÉTIMO, 
a marca de ver-
dade que se pode 
identifi car em cada 
palavra, isto é, o el-
emento que garante 
o seu significado 
e vai-se constitu-
indo em famílias 
de palavras, todas 
e las expl icadas 
pelo elemento de 
origem comum. O 
mesmo ÉTIMO 
remete, pois, ao 
mesmo signifi cado 
e em torno dele, 
mediante acrésci-
mos, as palavras 
vão manifestando 
sutilezas diversas e 
ampliando as pos-
sibilidades de de-
nominar as coisas.
237
Formação das palavras Aula
20Pode comprovar agora:
adNOMINal
deNOMINar
NOMINativo
deNOMINação
deNOMINador
inNOMINável
proNOMINal
(Fonte: http://www.latim.ufsc.br).
Viu como é interessante? É a forma do genitivo singular que gera todas 
as palavras da mesma família, ou seja, ela vai aparecer em todos os termos 
que contêm o signifi cado de NOME. Os elementos em letras minúsculas 
são os acréscimos: prefi xos, sufi xos, desinências, isto é, elementos que 
imprimem sutilezas de detalhes, sem, contudo, modifi car-lhes as bases. 
Nota-se que a base, isto é o radical, é comum a todas as palavras da família, 
assegurando-lhes a mesma essência, o mesmo signifi cado fundamental.
Tente aplicar este mesmo processo a outras tantas palavras e o resultado 
será o mesmo. Faça o teste:
LUMEN, LUMINIS (N) = luz.
SEMEN, SEMINIS (N) = semente.
PECTUS, PECTORIS (N) = peito.
COR, CORDIS (N) = coração.
ORDO, ORDINIS (F) = ordem.
Com os verbos irregulares acontece o mesmo processo, tendo o por-
tuguês assimilado todas as irregularidades existentes no latim.
Observe os tempos primitivos do verbo pôr:
PONO, PONIS, POSUI, POSITUM, PONERE. A irregularidade 
deste verbo é constatada pelas diferentes formas de radical que apresenta.PON/ POS/ POSIT (POST) e o português as herdou:
comPONente
disPONível
disPONibilidade
imPONente
intransPONível
POSe
aPOSITivo
dePOSITado
proPÓSITo
suPOSITório
POSTo
POSTe
238
Fundamentos da Língua Latina
POSTal
imPOSTo
imPOSTação
imPOSTor
suPOSIÇão
e muitos outros derivados.
Assim pode ser feito com outros verbos:
Mitto, mittis, misi, missum, mittere = enviar.
Ago, agi, egi, actum, agere = agir.
Tango, tangis, tetigi, tactum, tangere = tocar.
As marcas latinas ainda são bastante visíveis nos constantes metaplas-
mos, pelos quais certos sons se correspondem.
No quadro sinótico a seguir, mostram-se os metaplasmos, seus exem-
plos aplicados às palavras e a retomada da forma antiga, mais próxima, 
portanto, da raiz latina. Na coluna dos metaplasmos, destacam-se as cor-
respondências esperadas no processo de transformação. Tem-se, na coluna 
intermediária, o exemplo ilustrativo de cada metaplasmo e, na última coluna, 
estão as alomorfi as, ou seja, as formas de onde provieram as transformações 
segundo as regras, tendo essas palavras maior ou menos intensidade de uso, 
conforme sejam mais afeitas ao domínio erudito ou popular
Não existe muita difi culdade, nem mesmo para o falante mais simples, 
de efetuar a passagem de determinados sons a outros. Este é um excelente 
recurso para compreender as razões da nossa ortografi a. 
Faculdade < facultativo
Abelha < apiário
Compreender < compreensivo
Sessão > sede
Cessão > ceder
Seção > setor, seccional
Feliz < felicidade, felicíssimo
Segredo < secreto
ETC. ETC. ETC
(Fonte: http://www.lago.com.br).
239
Formação das palavras Aula
20Nós estamos recorrendo ao latim a todo instante, ainda que inconsci-
entemente. Observe como o latim está presente na atualidade:
QUADRO SINÓTICO DAS ALOMÓRFICAS
METAPLASMOS EXEMPLOS RETOMADA
P>B caPram>caBra caPrino, caPricórnio
B>V arBorem>árVore arBorizar, arBóreo
T>D peTram>peDra peTrificar, peTróleo
C(K)-QU>G-GU luCrare>loGraraQUa>aGUa luCro, luCrativoaQUático, aQUoso
C(s)-X>Z viCinum>viZinho viCinal
cruCem>cruZ cruCial, cruCifixo
D>S auDere>ouSar auDácia, auDaz
D, L, N, G suDore>suor suDorese, suDário
 (desaparecimento saLutem>saúde saLutar, saLústio
 entre vogais) eGo>eu eGoísmo, eGoísta
luNam>lua luNar, luNático
GN>NH puGNum>puNHo impuGNar, repuGNância
coGNoscere>coNHecer coGNição, coGNitivo
CL, FL, PL,>CH CLavem>CHave CLave, conCLave
FLammam>CHama inFLamável, FLâmula
PLuviam>CHuva PLuvial, Pluviômetro
N>~(til) maNum>mão maNual, maNobra
oncePTivo, noCTívago
PT,CT>IT,UT concPTum>conceITo defeCTivo
doCTorem>doUTor
defeCTum>defeito
CULUM, A; oCULUM>oLHo oCULar, oCULista
ALUM, A; coeciCULA>Cecília
 CLO, A>LHO, A;
 LIO, A
F>V multiFarium>multiVário
auriFicem>ouriVes
triFolium>treVo
I>J maIorem>maJor maIoridade, maIoria
U>V riUm>riO rioVal, riValidade
AU>OU,OI lAUrum>lOUro, lOIro Lauro, lAUreado
TION>CION>ÇÃO naTIONem>naÇÃO naCIONal, naCIONalidade
concepTION>conceiÇÃO anticoncepCIONal
secTIONem>se(c)ÇÃO secCIONar, secCIONal
I>E pIllum>pÊlo depIlar, depIlação
digItum>dEdo dIgitar, dIgotador
mInorem>mEnor mInorar, mInoritário
U>O, O>U pUtrem>pOdre pUtrefeito, pUtrefaçãa
iOcum>lUgar lOcar, deslOcar
240
Fundamentos da Língua Latina
Ainda, o latim:
PRODUTOS COMERCIAIS:
Sabonete SENSUS
Pão PLUS VITA
TERMINOLOGIA DAS CITAÇÕES CIENTÍFICAS
APUD
IN
ET ALII
IBIDEM
OPUS CITATA
TERMOS JURÍDICOS
PRO RATA
HABEAS CORPUS
IN DUBIO PRO REO
AD NUTUM
AD REFERENDUM
AD JUDITIA
EXPRESSÕES INCLUÍDAS NO DISCURSO
ET COETERA
GROSSO MODO
PRO LABORE
PER CAPITA
MAPA MUNDI
VOX POPULI
POST SCRIPTUM
LATO SENSU
STRICTO SENSU
SINE DIE
CARPE DIEM
EXPRESSÕES RELIGIOSAS
AGNUS DEI
CORPUS CHRISTI
ANNO DOMINI
SEDES SAPIENTIAE
MATER DEI
241
Formação das palavras Aula
20REGINA COELI
MATER CHRISTI
NOMES DE INSTITUIÇÕES
ESCOLA PUERI PAX
CURSO PRAETORIUM
ATIVIDADES
1. Responda:
a) Em que sentido o latim é mesmo uma língua morta?
b) Em que sentido o latim ainda está muito vivo? Exemplo.
c) Como reconhecer as marcas latinas no português? Exemplos.
d) O que se pode ver do latim nos termos da informática: internauta, deletar, 
digitar (e seus cognatos)?
e) Qual a importância do caso genitivo na formação das palavras do por-
tuguês? Exemplos a partir palavras ARBITER, ARBITRI = juiz e LUX, 
LUCIS = luz.
f) Que tipo de acréscimos se pode fazer ao radical da palavra RADIX, 
RADICIS = raiz?
g) O que signifi ca etimologia? Identifi que a etimologia da palavra CAL-
CULUM, I = pedra.
h) Existe uma forte relação entre certas palavras e os objetos que elas no-
meiam. Identifi que, pois, a relação entre a palavra latina CRIBRUM, I = 
peneira, e o termo CRIVADO, da língua portuguesa.
2. Realize um vasto trabalho de pesquisa identifi cando as marcas latinas 
em diversos aspectos da vida moderna. Tente traduzir e compreender as 
expressões dentro de contextos específi cos.
3. Construa frases em português contextualizando as seguintes expressões 
latinas. Explique sintaticamente cada termo latino:
IPSIS LITTERIS
AB ORIGINE
CAUSA MORTIS
HONORIS CAUSA
242
Fundamentos da Língua Latina
CONCLUSÃO 
[O latim tem grande importância na atualidade, estando presente em 
muitos aspectos da vida moderna, seja pelo emprego expressamente visível 
de expressões da língua incorporadas ao discurso corrente, seja pelas marcas 
deixadas na formação da grande maioria das palavras do português.
É difícil, portanto, deixar de utilizar o latim. Para o estudante de Le-
tras, tal necessidade se acentua, sobretudo quando se deseja desvendar o 
verdadeiro sentido das palavras, conhecer as razões das regras ortográfi cas 
e possuir um domínio amplo do léxico português.
RESUMO
O conhecimento do latim contribui indiscutivelmente para o perfeito domínio 
das palavras. Muitas expressões latinas estão perfeitamente incorporadas ao dis-
curso, não só do português, que é uma língua derivada do latim, mas também 
por muitos outros idiomas, sobretudo quando se trata de usar uma terminologia 
comum que facilite a compreensão universal da linguagem científi ca.
Há um processo de formação das palavras com o qual o falante, mesmo 
sem ser especialista na área das letras, vai assimilando no próprio exercício 
da língua, sendo capaz de lidar com as palavras de forma bastante pertinente.
O estudante de Letras, contudo, após os conhecimentos mínimos do 
latim, já se torna capaz de ir desvendando o mistério das palavras e conhecer-
lhes os signifi cados mais profundos e as possibilidades de novas composições.
Cabe exercitar a curiosidade, o interesse em realizar pesquisas, consultar 
dicionários, conhecer as expressões latinas de uso mais freqüente e ir-se 
aprofundando num terreno de dimensões imprevisíveis, mas também de 
compensações muito gratifi cantes.
O material que ilustra esta última lição é inspirado na capa do meu livro 
Alomorfi as do léxico português.
Com este trabalho tento visualizar a relação do latim com o português, 
algo bem mais profundo do que comumente se imagina ou se comenta. 
O costume tem sido alertar para expressões latinas incluídas nas frases ou 
vigentes no exercício do Direito, do discurso católico e outras. Isso, porém, 
é muito pouco, pois o latim está bem mais presente e é usado em muitas 
outras ocasiões, sobretudo para se obter o pleno domínio do léxico e para 
se ampliar, consideravelmente, o vocabulário.
A idéia remete ao relógio do tempo (ampulheta) e o destaque não é apenas 
diacrônio, mas igualmente sincrônico, ou, melhor dizendo, pancrônico, ou 
seja, no pleno entendimento de um tempo global no qual latim e português se 
inserem. Nesta perspectiva, as letras vêm do latim (parte superior) e chegam 
ao português com algumas transformações (parte inferior) que se mantêm 
na atualidade sem, contudo, haver uma eliminação das formas anteriores. 
243
Formaçãodas palavras Aula
20Deste modo, latim e português constituem, sem qualquer embaraço, as for-
mas atuais da língua: as palavras conseguem expressar conceitos de forma 
diversa (alomorfi a) sem sair da família a que pertencem, dando, assim, maior 
amplitude ao léxico e não causando qualquer problema ao falante, o qual faz, 
tranquilamente, alternância entre ambas a depender da necessidade de uso.
A correspondência das fontes usadas para cada metaplasmo leva à 
compreensão das variações ocorridas pelas quais as formas latinas adquirem 
novas confi gurações, permanecendo, no entanto, na família a que pertencem.
Observe bem que não se trata do processo de sinonímia pelo qual as 
palavras dizem os mesmos conceitos, mas em diferentes famílias.
Aqui o processo é denominado de alomorfi a, ou seja, outra forma, 
caracterizando-se, pois, pela aquisição de novas formas gráfi cas e fônicas 
sem sair da família específi ca.
Recorrendo aos metaplasmas, é possível dar nova feição, outra forma 
às palavras para dizer os mesmos conceitos. Assim, quem diz ViDro e 
ViTrifi car está dizendo exatamente a mesma ambiência conceitual.
A noção de metaplasmo indica um trabalho pelo qual as palavras são 
plasmadas, tal como faz o oleiro com o barro bruto, imprimindo-lhe novas 
feições, num verdadeiro trabalho de arte plástica.
Exemplos: a letra B que aparece na parte superior da ampulheta tem 
a mesma fonte da letra V da parte inferior, que é a feição nova com que se 
244
Fundamentos da Língua Latina
apresenta no português. Servem de ilustração para este exemplo as palavras 
probabilis (latim) > provável (português), mas você pode observar como a 
forma latina não desaparece na atualidade, daí probabilidade, probabilístico etc.
O desenho da ampulheta é um desafi o. Tente descobrir outras cor-
respondências sempre orientado pela associação da fonte das letras para 
expressar o mesmo fenômeno. Depois disso, busque exemplifi cação no 
léxico da atualidade.
Esta é a melhor forma de demonstrar a importância do latim nos dias 
atuais. Divirta-se e aprenda e, por este meio, surpreenda-se do quanto de 
latim você já conhece.
Último conselho: não rejeite o latim. Não alimente o fantasma de que 
o latim é difícil, é língua morta, é desnecessário. Você sabe mais latim do 
que imaginava. O seu trato com a língua portuguesa, depois de estudar este 
pouco de latim, jamais será o mesmo. Tenho certeza!
REFERÊNCIAS
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ALMEIDA, Napoleão Mendes de. Gramática latina. São Paulo: Saraiva, 
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GONZAGA, Maria Cristina de Brito. Frases de latim forense. São Paulo: 
Livraria de Direito, 1994.
LUIZ, Antônio Filardi. Dicionário de expressões latinas. São Paulo: 
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Rio de Janeiro: Cidade do cérebro, 1999.
SOARES, João S.. Latim 1 – Iniciação ao latim e à civilização romana. 
Coimbra: Almedina, 1999.
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WILLIAMS, Edwin B.. Do Latim ao português. Rio de Janeiro: Tempo 
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VIARO, Mário Eduardo. Por trás das palavras. São Paulo: Globo, 2004.
_________ Importância do latim na atualidade. Revista de ciências 
humanas e sociais. São Paulo: Unisa, v. 1, n. 1, p. 7-12, 1999.

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