Apostila Instituições de Direito
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Apostila Instituições de Direito


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UNIP - Curso de Contábeis - Disciplina: Instituições de Direito
Série: 2 e 3º Semestre - Professor: Edílson Mendes \u2013 2013
INSTITUIÇÕES DE DIREITO
Introdução ao Direito 
Origem e finalidade do Direito
O Direito faz parte de nossas vidas desde o início da civilização. Estamos permanentemente envolvidos com relações de direito as quais não podemos evitar.
Diversos são os significados para a palavra Direito como norma, lei, regra, faculdade etc.
Por definição, Direito é o conjunto de princípios, regras e de instituições destinado a regular a vida humana em sociedade.
Em análise aos elementos constantes no conceito apresentado, vejamos:
(i) O Direito representa um conjunto, pois é composto de várias partes organizadas, formando um sistema;
(ii) Na qualidade de ciência, possui princípios próprios (exemplos: princípio da boa-fé, razoabilidade, proporcionalidade);
(iii) O Direito possui diversas regras sendo que, algumas delas, estão sintetizadas em códigos e em inúmeras leis esparsas;
(iv) Instituições são entidades que perduram no tempo. O Direito tem várias delas, como os sindicatos, os órgãos do Poder Judiciário, do Poder Executivo etc.
No início da civilização, imperava a lei do mais forte. De modo a garantir sua sobrevivência, o homem primitivo buscava recursos para enfrentar seus inimigos naturais para, aos poucos, submetê-los ao seu domínio.
O homem, como ser gregário, vivia em grupos e, na vigência da lei do mais forte surgiam rivalidades envolvendo o patrimônio ou suas mulheres. Desse modo, aparece o primeiro elemento do direito: o respeito pela coisa alheia. O homem começou a compreender que o direito é o respeito à propriedade, à vida e à liberdade de outrem.
A fim de disciplinar e viabilizar a vida social tornou-se necessário a imposição de regras para organizar a conduta das pessoas, umas com relação às outras. Vivendo em sociedade, o homem encontra na ordem jurídica o instrumento para sua sobrevivência. 
Enfim, o Direito tem por finalidade a realização da paz e da ordem social atingindo, inclusive as relações individuais das pessoas.
Direito Natural x Direito Positivo
Até aqui sabemos que para que haja paz e ordem social os homens são submetidos compulsoriamente às regras impostas pelo Estado. No entanto, é interessante conhecer o chamado Direito Natural que nasce a partir do momento que surge o homem.
O direito natural pode ser entendido como uma idéia abstrata do Direito, o ordenamento ideal, correspondente a uma justiça superior e anterior. Em outras palavras, seria um sistema de normas que independe do direito positivo que por sua vez, é o complexo de normas jurídicas válidas num dado país.
O direito natural antecede e subordina o direito positivo (ou direito posto) que prescreve comportamentos e tem origem político/social. Tomas Hobbes descreve o direito natural como \u201ca liberdade que cada homem tem de usar livremente o próprio poder para a conservação da vida e, portanto, para fazer tudo aquilo que o juízo e a razão considerem como os meios idôneos para a consecução desse fim\u201d (Leviatã, 1ª parte, cap. XIV). Entretanto, Hobbes considera que o direito natural só leva à guerra de todos contra todos e à destruição mútua, sendo necessária a criação de um direito positivo, garantido pelo poder centralizado que estabelecerá regras de convívio e pacificação.
Assim, a fim de promover a paz e ordem social, o Estado impõe regras de conduta por meio de seus órgãos legislativos. No entanto, a imposição dessas regras apenas se torna eficaz quando os sujeitos que a elas estão submetidos sofrem uma sanção no caso de seu descumprimento. Em outras palavras, a sanção no Direito existe para que a norma seja cumprida, quando a submissão não ocorre espontaneamente.
Conforme exposto anteriormente, o direito positivo, também denominado pelos juristas de direito objetivo é o complexo de normas jurídicas válidas num dado país, sendo a regra vigente positiva para reger as relações humanas, imposta coercitivamente à obediência de todos, a fim de disciplinar a atividade dos homens, instituindo e mantendo a ordem social.
Em contraposição ao direito objetivo, existe o direito subjetivo que é a prerrogativa que as pessoas possuem para exigir seu direito quando violado. Assim, podemos citar como exemplo o art. 1228 do Código Civil que assegura ao proprietário a faculdade de usar, gozar e dispor da coisa, e o direito de reavê-la do poder de quem quer que injustamente a possua ou detenha. Se alguém se apodera injustamente de um bem seu, poderá acionar o Poder Judiciário (direito subjetivo) para o reconhecimento de um direito, que o direito objetivo me concede.
Direito Público x Direito Privado
Apesar da unidade do sistema normativo, o Direito divide-se em dois grandes ramos: O Direito Público e o Direito Privado.
O Direito Público envolve a organização do Estado, em que são estabelecidas normas de ordem pública, que não podem ser mudadas pela vontade das partes, como a obrigação de pagar tributos. É o conjunto de normas que regulam as atividades da União, Estados, Distrito Federal, Territórios, Municípios, autarquias e demais entidades de caráter público, criadas por lei, portanto, Poder Público
O Direito Público se subdivide ainda em Direito Externo e Interno. O Direito Externo é composto por regras, convenções ou tratados que disciplinam as relações entre as Nações, onde o Brasil sempre está presente em um dos pólos, como país soberano.
O Direito Público Interno é aquele que vigora apenas dentro do nosso país e abrange diversos ramos do Direito, tais como: Direito Constitucional, Administrativo, Tributário, Processual e Penal.
Por sua vez, Direito Privado é o conjunto de normas que regulam as atividades dos particulares. No que se refere ao Direito Privado, este se encontra subdividido em Direito Comum e Direito Especial. A classificação em Direito Comum se dá por exclusão, ou seja, não sendo norma enquadrada no Direito Especial, será, então, de Direito Comum representado pelo Direito Civil. Os ramos que compõem o Direito Especial são: o Direito do Consumidor e o Direito do Trabalho.
Ramos do Direito Positivo 
Conforme exposto no texto anterior, o Direito Positivo subdivide-se em Direito Público e Direito Privado. Neste momento contemplaremos um panorama sobre os diversos ramos do direito positivo.
Direito (Público) Interno
Direito Constitucional \u2013 visa a regulamentar a estrutura básica do Estado e suas metas, além de fixar os direitos fundamentais da pessoa humana.
Direito Administrativo \u2013 conjunto de regras destinadas ao funcionamento da administração pública no que concerne às relações entre a Administração e administrados.
Direito Tributário - cuida da forma de instituição e arrecadação de tributos e tem por escopo a obtenção da receita para o Estado.
Direito Processual \u2013 disciplina a atividade do Poder Judiciário e dos que a ele recorrem.
Direito Penal \u2013 visa à repressão dos delitos; é um conjunto de leis que define os crimes e estabelece as penas.
Direito Privado
Direito Civil \u2013 regula as relações jurídicas das pessoas. O Código Civil de 2002 é dividido em Parte Geral e Parte Especial. Na Parte Geral são tratadas, entre outras matérias, das pessoas naturais e jurídicas, do domicílio, dos bens, dos fatos e negócios jurídicos. A Parte Especial versa sobre obrigações e contratos, títulos de crédito, direito de empresa, sociedades simples e empresariais, direito das coisas, direito de família, tutela e curatela, direito das sucessões.
Direito do Trabalho \u2013 regula a relação de emprego e as situações conexas (empregados domésticos, avulsos, temporários e pequenos empreiteiros), bem como a aplicação das medidas de proteção ao trabalhador.
Direito do Consumidor \u2013 conjunto de regras protetoras das relações de consumo, para impor aos fabricantes ou intermediários a responsabilidade pela qualidade dos produtos com a intervenção do Estado para evitar que cláusulas contratuais sejam impostas unilateralmente