A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
111 pág.
Atlas de Técnicas de Bloqueios Regionais

Pré-visualização | Página 4 de 30

da comissura labial, perpendicular à 
margem inferior da mandíbula. O forame mentoniano 
localiza-se na linha traçada num ponto à meia distância 
entre as margens superior e inferior da mandíbula. Após 
assepsia adequada, introduz-se uma agulha calibre 6 
através da pele até o osso. Aspira-se o êmbolo da seringa 
injetando-se, a seguir, 0,5 a 1 ml de solução anestésica. A 
exemplo da técnica intraoral, uma leve massagem, leva à 
melhor distribuição do anestésico (Fig. 25 e 26). 
Indicações 
Intervenções cirúrgicas no lábio inferior, mucosa gen-
gival e pele da região mentoniana. 
 
Fig. 25 e26- Bloqueio do nervo mentoniano. Técnica extraoral 
14 
Pode ser ainda utilizado como técnica adjuvante em 
extrações e tratamento dentário dos caninos, incisivos e 
primeiros pré-molares inferiores. 
Em indivíduos desprovidos de dentes, deve-se, prefe-
rencialmente, utilizar a técnica extraoral que fornece me-
lhores pontos de referência. 
Contra-Indicações 
Neurites pré-existentes e doenças da pele, principal-
mente, as infecções, constituem as principais contra-indi-
cações da técnica. 
Bloqueio do Nervo Maxilar 
JL Vieira, TSA & AMS Arantes Pereira, TSA 
 
 
Considerações Anatômicas 
O nervo maxilar deixando o gânglio de Gasser atraves-
sa o forame redondo maior do esfenóide para penetrar na 
fossa pterigomaxilar, onde divide-se em vários ramos: 
nervo orbitário, ramos nasais posteriores, nervos palati-
nos, nervo alveolar póstero-superior e nervo infraorbitá-
rio (Fig. 27). 
Área de Analgesia 
A nível cutâneo, o nervo maxilar confere sensibilidade 
à pálpebra inferior, região geniana, asa do nariz, lábio su-
perior, região malar e parte da região temporal (Fig. 28). 
As estruturas profundas por ele inervadas incluem o seio 
maxilar, a porção póstero-inferior da mucosa da fossa 
nasal, os dentes superiores e gengivas, pálato duro, pála-
to mole, a nasofaringe, amígdalas palatinas e as células 
etmoidais posteriores. 
Técnicas do Bloqueio 
A deposição de solução anestésica local na fossa pteri-
gomaxilar acarreta em bloqueio do nervo maxilar, da 
maioria de seus ramos, bem como do gânglio esfenopala-
tino. Existem cinco vias de acesso para esta fossa: a 
orbitária (abandonada), a via oral (na prática 
odontológica), a zigomática anterior (de Schlosser) e 
duas vias zigomáticas laterais. As três últimas são as mais 
simples e com menor incidência de complicações. 
Via Zigomática Anterior: O ponto de punção é locali-
zado no ângulo formado pelo processo coronóide do 
15 
 
Fig. 28 - Área de analgesia do bloqueio 
do nervo maxilar bilateral. 
 
Fig. 29, 30e31 - Bloqueio do nervo maxilar pela via 
zigomática anterior. 
ramo ascendente da mandíbula e o osso malar. Uma 
agulha com 8 cm e calibre 22 é introduzida, 
transversalmente à pele e dirigida, algo ascendente e 
posterior, até o contato ósseo com a tuberosidade maxilar 
(3-4 cm de profundidade). Ela é então recuada o 
suficiente para permitir sua reorientação mais posterior e 
ascendente. Se novo contato ósseo à profundidade 
semelhante é obtido, a manobra é repetida até que não se 
atinja mais a tuberosidade da maxila, quando então, a 
agulha penetra pela fissura pterigomaxilar na fossa 
acima citada. Neste momento, o bisel encontra-se a 5-6 
cm da pele e a agulha apontando para o fundo da órbita. 
Segue-se a injeção de 3-4 ml da solução anestésica, ou 
volume menor (2-3 ml) caso sejam obtidas parestesias 
(Fig. 29, 30 e 31). 
Via Infrazigomática: O local da punção esta localiza-
do imediatamente abaixo do arco zigomático em seu 
ponto médio, que é determinado colocando-se o dedo 
indicador sobre o côndilo da mandíbula (a frente do tra-
gus) e deslocando-se me seguida para a frente até cair na 
chanfradura sigmóide, entre o processo coronóide e o 
próprio côndilo. A ponta do dedo estará em contato com 
o ponto médio do arco zigomático (Fig. 31). Esse ponto é 
mais facilmente palpável solicitando-se ao paciente para 
abrir e fechar a boca durante a manobra. Uma agulha 
com 8 cm é introduzida perpendicular à pele até o 
contato ósseo com a face lateral do processo pterigóide 
do esfenóide, a cerca de 4 cm da pele. A agulha é então 
recuada até o subcutâneo e reintroduzida em direção 
levemente anteriorizada. 
Se novo contato ósseo é obtido à mesma profundida-
de, a manobra é repetida (podendo dar ligeira inclinação 
ascendente), até que não se encontre mais osso a uma 
profundidade de 5 cm. Nesse momento a agulha ultra-
passou a fissura pterigomaxilar e se encontra na fossa de 
mesmo nome, onde são injetados 3-4 ml de solução anes-
tésica. 
16 
 
Via Suprazigomática: O ponto da punção localiza-
se entre o arco zigomático e a borda lateral da órbita 
em contato com o próprio osso zigomático (Fig. 33). 
Uma agulha com 8 cm de comprimento é introduzida 
nesse ponto com inclinação levemente descendente. O 
contato com a face lateral do processo pterigóideo é 
obtido a 4-5 cm de profundidade, quando a agulha é 
recuada e reintroduzida um pouco mais anteriormente, 
até que não se faça mais contato ósseo com 5 ou mais 
cm de profundidade. A agulha se encontra na fossa 
pterigomaxilar, onde são injetados 3-4 ml da solução 
anestésica. 
Como a fissura pterigomaxilar é relativamente estrei-
ta, ela pode ser saltada durante a reorientação da agulha 
nas técnicas laterais, sendo que neste caso, a agulha fará 
contato com a tuberosidade da maxila. A agulha deve 
ser reorientada mais posteriormente (e ascendente na via 
infrazigomática) até a localização da fissura. 
Indicações: 
Além de sua utilidade em odontologia, o bloqueio do 
nervo maxilar pode ser empregado em: 
— nevralgia do trigêmeo na área suprida por sua segunda 
divisão, 
— cirurgias da maxila e seio maxilar, 
— cirurgias do nariz, sempre associado ao bloqueio do 
nervo nasociliar. 
Devido a certa agressividade que constitui o bloqueio 
do nervo maxilar, deve-se dar preferência ao bloqueio de 
seus ramos (infraorbitário, por exemplo) nos casos de 
procedimentos superficiais em sua área de analgesia. 
 
Fig. 32 e33 - Bloqueio do nervo maxilar pela via infrazigomática. 
 
Fig. 34 - Bloqueio do nervo maxilar pela via suprazigomática. 
Contra-Indicações e Complicações: 
Como contra-indicações incluímos as lesões infeccio-
sas ou não, no ponto de punção ou no trajeto da agulha e 
fenômeno de hipersensibilidade ao anestésico a ser em-
pregado. 
As complicações incluem: — punção da artéria 
maxilar com hematoma (18% dos casos) 
17 
— neurite maxilar por punção do nervo ou injeção intra- 
neural. 
Excetuando-se nas alcoolizações, a agulha deve ser re-
cuada alguns milímetros quando se obtém parestesias. 
— grandes volumes de anestésico local injetados na fossa 
pterigomaxilar podem ocasionar exoftalmia e edema 
palpebral. 
. — o direcionamento muito ascendente ou muito anterior 
da agulha na técnica infrazigomática pode levar à deposi-
ção de anestésico na órbita (através da fissura esfenopala-
tina) ou na cavidade nasal (pelo forame esfenopalatino) 
com possibilidades de hematomas. 
Bloqueio Retrobulbar 
 LFA Vanetti, TSA 
A injeção de anestésico local no espaço retrobulbar 
produz uma série de efeitos pelo bloqueio de diferentes 
funções em seu trajeto intraorbitário. Entre estes efeitos 
temos: 
1 - Analgesia intraocular que ocorre pelo bloqueio das 
fibras sensitivas que saem do globo ocular, em sua face 
posterior, nos nervos ciliares curtos e longos. 
2 - Acinesia dos músculos extrínsecos do olho pelo 
 
bloqueio dos III (óculomotor), IV (troclear) e VI 
(abducente) pares cranianos, que impedem a 
movimentação do globo. 
3 - Perda temporária da visão pela anestesia do nervo 
óptico, o que permite ao paciente tolerar os focos de luz 
utilizados durante a cirurgia. 
4 - Bloqueio do reflexo óculo-cardíaco, pela inibição

Crie agora seu perfil grátis para visualizar sem restrições.