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Atlas de Técnicas de Bloqueios Regionais

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psicológicas, da ansiedade à depressão psíquica. O uso 
inadequado de analgésicos e/ou tranqüilizantes pode agravar estes 
problemas. 
Tratamento: Abordagem Principal 
(1) Bloqueio do Simpático: gânglio estrelado (cabeça, tronco 
e membros superiores) e gânglio simpático lombar a nível de 
L2 (pélvis e membros inferiores). 
Para os bloqueios diagnósticos e terapêuticos usa-se soluções de 
anestésico local pouco concentradas em volumes de 5 a 7ml para o 
gânglio estrelado e l0 ml para o simpático lombar. Nos casos 
favoráveis haverá alívio imediato e total da dor. Indica-se uma série 
de 5 bloqueios em dias sucessivos ou alternados, obtendo-se uma 
melhoria gradativa da sintomatologia. 
(2) Se houver recusa do paciente ou contra-indicações como o 
uso de anticoagulantes, as alternativas são: estimulação elétrica 
transcutânea (TENS) ou o bloqueio simpático regional intravenoso, 
realizado com a técnica de anestesia regional intravenosa com 
guanetidina (l0 mg) ou reserpina (l-2mg) associado a anticoagulante 
(heparina 500U) e quantidades variáveis de anestésico local. A 
desvantagem da técnica é a necessidade do uso de garrote em um 
membro comprometido com DSR e a hipotensão arterial ortostática 
posterior. 
(3) Bloqueio do Ponto Doloroso: Se há pontos dolorosos 
miofasciais, o bloqueio da zona de gatilho com anestésico local 
associado ou não a antiinflamatórios é desejável. 
Como medida adjuvante institui-se analgésicos, antidepressivos, 
tranqüilizantes e fisioterapia. Preconiza-se ainda os corticóides, 
bloqueadores alfa e beta adrenérgicos, anticonvulsivantes e os 
inibidores dos canais de cálcio. 
Evolução do tratamento: 
1. Se após cada bloqueio da primeira série nota-se evolução 
para cura (diminuição da dor e da hiperpatia), indica-se uma segunda 
série até 5 bloqueios. Nestes casos uma boa alternativa 
é o uso do TENS ou do bloqueio simpático regional intravenoso. 2. 
Se após cada bloqueio o alívio da dor é temporário, esgotados todos 
os recursos, indica-se a simpatectomia. Prefere-se a simpatectomia 
cirúrgica se o paciente é jovem e em bom estado geral. A 
simpatectomia química com neurolítico é preferível nos pacientes 
idosos em mal estado. 
Causalgia 
A causalgia é um tipo especial de DSR em que a dor se 
desenvolve após lesão evidente de um nervo periférico. O termo foi 
criado para definir dor em queimação, hiperatividade simpática e 
alterações tróficas, que se desenvolviam em feridos de guerra por 
projétil de arma de fogo. Na II Guerra a incidência de causalgia foi 
de 2,5 a 5% dos casos de lesão de nervos periféricos. 
O desenvolvimento deste tipo de dor incapacitante tem au-
mentado com os acidentes de motocicletas, que determinam 
estiramentos ou arrancamentos do plexo braquial ou retrações e 
seqüelas de cirurgias em nervos periféricos, venopunção e injeções 
musculares lesando diretamente um nervo. 
O ciático está envolvido em 40% dos casos, o mediano em 35%, 
o plexo braquial em 13% e o restante envolve os intercostais, 
occipital e a cauda eqüina. O ciático e o mediano são os nervos mais 
acompanhados pelas fibras simpáticas eferentes que se destinam aos 
membros inferior e superior, respectivamente. O quadro clínico se 
caracteriza por: 
1. Dor em queimação, superficial, contínua, intensa, espontânea, 
quase sempre acompanhada de alodinia e hiperpatia, após lesão 
parcial ou total de um nervo. Na maioria das vezes, a lesão do nervo 
é parcial e aparece a dor na primeira semana em 80% dos casos; e 
localiza-se na mão ou pé, distais a lesão nervosa. Posteriormente 
irradia-se para todo o membro afetado, migrando para outras regiões, 
como o membro oposto; 
2. A dor é agravada pelos movimentos, estresse, estímulos 
térmicos, sonoros e luminosos. Por isso, os pacientes se isolam. O 
frio ou o calor podem agravar, aliviar ou inalterar a sintomatologia, 
mostrando que o desarranjo neuronal é maior que o vascular. O 
medo, a angústia, a ansiedade e o isolamento desencadeiam a 
depressão psíquica, que agrava a dor. 
3. Dor que persiste acima de cinco semanas. É o tempo que se 
estipula para o diagnóstico diferencial com dor proveniente de lesão 
em tecido não nervoso; 
4. Sinais e sintomas relacionados com a hiperatividade simpá-
tica e as alterações tróficas semelhantes a DSR. Não é necessário 
tecido distrófico nem lesão nervosa para se caracterizar DSR e 
causalgia. Nas fases precoces pode não ocorrer alterações vaso-
motoras e sudomotoras. A presença destas alterações indicam 
agravamento. 
5. Desaparecimento total da dor imediatamente após o bloqueio 
simpático. Esta resposta é típica e essencial para o diagnóstico de 
causaigia. 
O prognóstico é variável de acordo com a precocidade do 
tratamento, persistindo a dor acima de seis meses em 85% e acima de 
um ano em 25% dos casos. 
Tratamento: Abordagem Principal 
Para fins diagnósticos e prognósticos os bloqueios do simpático 
são eficazes, havendo desaparecimento imediato da dor. O valor 
terapêutico é questionável, 50% apresentam bons resultados com 
anestésicos locais. Indica-se 3 a 5 bloqueios com anestésico local e 
se a resposta for temporária, preconiza-se simpatectomia cirúrgica 
ou química. Os resultados cirúrgicos são variáveis (12-97%). O 
insucesso deve-se a incompleta desaferentação simpática. Um terço 
destes pacientes mostram recorrência da dor, mas, de forma menos 
intensa, num período de até oito anos. 
Como medida adjuvante utilizam-se analgésicos, tranqüili-
zantes, antidepressivos e anticonvulsivantes. 
A dor pós simpatectomia cirúrgica química pode aparecer 
abruptamente entre o 10º e 14º dias, podendo regredir esponta-
neamente. Ela localiza-se na área de inervação simpática corres-
pondente a desaferentação com características variáveis; em pontada, 
câimbras e em crises. O tratamento inclui analgésicos, anti- 
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depressivos, tranqüilizantes e anticonvulsivantes. A persistência da 
sintomatologia leva a indicação de bloqueio peridural ou de gânglios 
simpáticos da região. 
Herpes zoster 
O Herpes zoster é uma neurodermatovirose causada pelo vírus 
Varicela zoster, caracterizado por dor unilateral, limitada quase 
sempre a um dermátomo inervado por um nervo espinhal ou craniano 
e com erupção vesicular. Ele pode ser abordado em duas etapas: Fase 
Aguda e Fase Crônica (Neuralgia Pós-Herpética —NPH). 
Fase Aguda: A infecção envolve, preferencialmente, os der-
mátomos da região torácica. Quando o trigêmeo é afetado a raiz que 
dá origem ao nervo oftálmico, é a mais atingida. A incidência é igual 
nos dois sexos (3 a 5:1.000), aumentando com a idade (2/3 dos casos 
acima de 50 anos) e, principalmente, nos indivíduos 
imunossuprimidos (20:100). 
O vírus penetra nas terminações nervosas sensitivas localizadas 
na pele e se dirigem em direções centrípeta até o gânglio dorsal, 
permanecendo em forma latente, até diminuição da resistência geral 
do hospedeiro. A ativação do vírus tem sido relacionada com trauma, 
doenças malignas (Hodkins, Aids, Leucemia) e terapia 
imunossupressiva (esteróides, irradiação, antimetabólitos). Os vírus 
multiplicam-se no gânglio espinhal, vão às terminações nervosas, 
onde se reproduzem outra vez. Na pele determinam erupções 
agrupadas de máculas e pápulas avermelhadas (Fig. 59 e 60), que se 
transformam rapidamente em vesículas e pústulas (Fig. 61) que 
caracterizam a doença. Se o vírus não atinge as terminações nervosas 
da pele, resulta um quadro doloroso segmentar sem erupção. 
A dor em queimação segmentar é resultado da inflamação do 
gânglio e neurite periférica, resultando disestesia, hiperalgia, alodinia 
e hiperpatia. Em alguns pacientes, ocorre dor intensa na fase pré-
vesicular, que aparece na primeira semana, desaparecendo em torno 
do trigésimo dia. O envolvimento da raiz dorsal (radiculite) e de 
segmentos da medula (mielite) são freqüentes. A inflamação da raiz

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