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Atlas de Técnicas de Bloqueios Regionais

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anterior resulta em alterações motoras transitórias. 
Os sintomas neurológicos da fase aguda cessam com a cura, que 
ocorre entre 2 a 3 semanas nas crianças e adultos jovens e, entre 3 a 4 
semanas nos idosos. Esta fase pode ser diminuída com agente 
antiviral. Os corticosteróides e o bloqueio simpático reduzem a 
incidência de neuralgia pós-herpética. 
Tratamento: 
1. Bloqueios do Simpático: os bloqueios repetidos apressam a 
cura das vesículas, secando-as, independente de tratamento tópico. A 
dor é aliviada por um tempo prolongado e reduzem a incidência de 
NPH (Fig. 62, 63, 64 e 65). A sua indicação depende da intensidade 
da dor e, os bloqueios devem ser feitos em dias subseqüentes ou 
alternados até o alívio definitivo da dor e melhora acentuada das 
vesículas. 
2. Bloqueios de Terminações Nervosas: A infiltração das ter-
minações nervosas das áreas atingidas ou das zonas cutâneas dos 
trajetos nervosos produz alívio e melhora das lesões. 
 
Fig. 60: Paciente 81 anos. Herpes zoster no 5° dia de evolução. Em 
uso de analgésicos sem alívio da dor. Indicado bloqueio peridural 
seguido de bloqueio das terminações nervosas. 
Fig. 61: Paciente 44 anos. Herpes zoster no 18º. dia de evolução. Em 
uso de analgésicos, hipnoanalgésicos e tranqüilizantes, sem alívio da 
dor. Indicado uma série de bloqueios do gânglio estrelado. 
 
Fig. 62: Paciente de 62 anos. 
Nevralgia pós-herpética. Lesões 
cicatriciais localizadas no ombro direito. Dor em 
queimação. Discretos sinais de síndrome de Claude 
Bernard-Horner após bloqueio do gânglio estrelado. 
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Fig. 63: I.° dia após bloqueio. Discreta queixa de dor. Nota-se 
vesículas secas e evidente disseminação da erupção herpética. 
Fig. 64: 4º dia de evolução. Sem queixas de dor ou parestesias 
após dois bloqueios pendurais e três bloqueios de terminações 
nervosas. 
Fig. 65: 45". dia após 12 bloqueios do gânglio estrelado. Sem queixas 
de dor e discreta parestesia. 
 
3. Anestésico Local Venoso: Na impossibilidade de bloqueio 
simpático, anestésicos locais podem ser usados por via venosa. 
4. Como medida adjuvante, recomenda-se a associação de 
analgésicos, tranqüilizantes e antidepressivos. 
Fase Crônica: A neuralgia pós-herpética é caracterizada pela 
persistência da dor de 4 a 6 semanas após o início da doença e a cura 
das lesões cutâneas. A despigmentação e cicatrizes facilitam o 
diagnóstico(Fig. 62). É o estágio final resultante de lesões 
permanentes das fibras nervosas e de suas bainhas. Ocorre em 10% 
dos casos, sendo mais comum nos pacientes acima de 60 anos. É 
freqüente quando houver dor intensa e persistente na fase aguda. Os 
diabéticos são pré-dispostos a infecção herpética e susceptíveis ao 
desenvolvimento da NPH. 
O quadro é agravado por paroxismos de dor tipo choque e 
déficit sensitivo, podendo estar associado à alodinia e hiper-patia. 
Sensações disestésicas de enformigamento, bichos caminhando ou 
perfurando a pele, são relatados. Esta seqüência mostra a dificuldade 
que envolve o tratamento, que pode regredir em pouco tempo em 
alguns, persistindo durante meses em outros. Acrescente-se nestes 
pacientes, quase sempre idosos, alterações psicológicas, familiar e 
social. 
Tratamento: Não há tratamento eficaz. Deve-se eleger técnicas 
pouco agressivas para evitar lesões iatrogênicas. 
1. Bloqueios do Simpático: Os bloqueios dos gânglios ou 
nervos periféricos com anestésico local aliviam temporariamente os 
sintomas. Quanto mais precoce a sua administração, melhor o 
resultado. Os corticoesteróides no espaço pendurai têm algum valor. 
Os neurolíticos são contra-indicados em nervos periféricos, pelo risco 
da desaferentação. 
2. Estimulação Elétrica Transcutânea: Por ser método não 
invasivo, pode ser empregado, embora os resultados sejam pouco 
estimulantes. 
3. Indica-se anestésico local venoso, quando os bloqueios não 
são possíveis. 
4. Os antidepressivos tricíclicos (amitriptilina) em doses mo-
deradas estão indicados. Seus efeitos são notáveis mesmo em 
indivíduos não deprimidos. Podem ser usados em associação com 
derivados fenotiazínicos e anticonvulsivantes. 
Contra-Indicações: Os procedimentos neurocirúrgicos como a 
neurectomia periférica, risotomia e cordotomia são contra-indicados. 
Dor Visceral 
Bloqueio dos nervos simpáticos que suprem as vísceras torá-
cicas ou abdominais são usados nas dores intensas,que não são 
aliviadas por outro tratamento. 
Dores torácicas devido a embolia pulmonar, aneurisma da aorta, 
angina pectoris e infarto do miocárdio podem ser aliviadas com 
bloqueio do gânglio estrelado. Dores abdominais como a pancreatite 
aguda ou crônica têm sido tratadas com bloqueio do plexo celíaco. 
Dores crônicas de origem cancerosa e de outras etiologias 
podem ser beneficiadas com os bloqueios do simpático. Compressão 
ou infiltração tumoral de raízes, plexos ou nervos, determinam dor 
em queimação constante semelhante ao da causalgia. Infiltração de 
linfáticos e de vasos sangüíneos determinam linfan-gite ou 
vasoespasmo. Dores devido ou associado a terapêutica cirúrgica 
(pós-amputação de membros, linfoedema, neuromas), quimioterapia 
(polineuropatias, mucosites), radioterapia (fibrose de plexos 
nervosos, herpes zoster) podem ser beneficiados com bloqueios do 
simpático. Os melhores resultados são obtidos com bloqueio do 
plexo celíaco no tratamento das dores provenientes dos tumores 
realizados no andar superior do abdômen, desde que não haja 
comprometimento somático. A indicação desse bloqueio com 
neurolíticos reservava-se a pacientes terminais, após esgotar os 
recursos cirúrgicos, radioterápicos, quimioterápicos e uso de 
hipnoanalgésicos. Preconiza-se sua aplicação em fases intermediárias 
quando há maior probabilidade de não haver propagação e infiltração 
da moléstia cancerosa, possibilitando abolição ou diminuição da 
necessidade de analgésicos, longo tempo de ação, menor incidência 
de náuseas e vômitos, melhora do trânsito intestinal e melhora do 
estado geral do pacientes. 
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Bloqueio do Gânglio Estrelado 
 AS Oliveira, TSA & CA Sanchez, TSA 
Considerações Anatômicas 
O gânglio estrelado é formado pela fusão com-
pleta ou parcial do gânglio simpático cervical inferior 
e do primeiro torácico. A fusão completa que ocorre 
em 80% dos casos, resulta no gânglio cervicotorácico 
de forma estrelar ou fusiforme, com dimensões apro-
ximadas de 2,5 cm de altura por 1 cm de espessura. 
A cadeia simpática na porção cervical está limita-
da por uma bainha originada da aponeurose do pesco-
ço, separada das estruturas ósseas por uma fina massa 
muscular pré-vertebral e envolta por tecido areolar e 
adiposo. O gânglio situa-se entre a região antero-
lateral do corpo da T. vértebra cervical, na base do 
processo transverso e o colo da 1a. costela. Sua locali-
zação é anterior e próxima à artéria vertebral, poste-
rior ao conjunto vasculonervoso do pescoço. Mantém 
relações com o plexo braquial, nervo laríngeo recor-
rente, artérias subclávia e tireoidiana inferior. O gân-
glio estrelado do lado direito está situado próximo à 
cúpula pleural e o do lado esquerdo situa-se 1 a 2 
cm acima. 
Do gânglio estrelado partem os ramos comuni-
cantes cinzentos para os 1°. e 8º nervos cervicais e 
para o 8°. torácico. O gânglio estrelado liga-se aos 
demais gânglios cervicais e envia ramos periféricos 
pelas artérias correspodentes aos plexos cardíacos, à 
cavidade craniana, ao plexo tireoidiano inferior, 
plexo subclávio, plexo da mamária interna e, ocasio-
nalmente, para o nervo frênico (Fig. 66). 
Técnicas de Bloqueio 
A técnica anterior ou paratraqueal é a mais sim-
ples e segura. O paciente é colocado em decúbito 
dorsal com os braços ao longo do corpo e um pequeno 
travesseiro debaixo dos ombros, que permite discreta 
extensão da cabeça, que deve ser mantida na linha 
média. Esta posição retifica o esôfago

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