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ÚNICA EDUCACIONAL FACULDADES UNIDAS DO NORTE DE MINAS – FUNORTE CURSO DE GRADUAÇÃO EM MEDICINA VETERINÁRIA BOVINOCULTURA DE LEITE: PROJETO GIR LEITEIRO ADRIANA MENDES MARTINS CHRISTIAN YGOR DO VALE SILVA DIEGO VINI BRAGA MARTINS GERALDA GABRIELE DA SILVA LÍVIA ANDRADE AGUIAR GOMES CAIRES ROBERTO CURY JÚNIOR MONTES CLAROS – MG 2017 ADRIANA MENDES MARTINS CHRISTIAN YGOR DO VALE SILVA DIEGO VINI BRAGA MARTINS GERALDA GABRIELE DA SILVA LÍVIA ANDRADE AGUIAR GOMES CAIRES ROBERTO CURY JÚNIOR BOVINOCULTURA DE LEITE: PROJETO GIR LEITEIRO Trabalho apresentado ao curso de Medicina Veterinária, como requisito parcial para aprovação na disciplina Bovinocultura de Leite. Professor(a): Daniel Ananias de Assis Pires. MONTES CLAROS – MG 2017 Projeto Gado de Leite Vacas Gir Vacas de 480 kg. Produção 4500 kg de leite por lactação. Taxa de reforma de 20. Determine a composição do rebanho. Faça e descreva o planejamento nutricional deixando indicado o calculo da dieta para o lote de maior produção. Faça o planejamento e descreva o manejo sanitário do rebanho. Faça o planejamento e descreva o manejo reprodutivo do rebanho. Fazer planta baixa da fazenda, do curral e da sala de ordenha. Apresentação do projeto, parte escrita e a apresentação oral. 1 - Alimentos concentrados: farelo de girassol, farelo de milho, farelo algodão, farelo de sorgo, uréia, polpa cítrica, caroço de algodão. 2- Alimentos volumosos: Silagem de sorgo, cana, Brachiaria brizantha, Cynodon, capim elefante. Natalidade 80% Mortalidade 5% Idade ao 1º parto 36 meses Período de lactação 9 meses Vacas totais 115 Lactação Secas Problema Bezerros M e F 0 a 1 ano Novilhas de 1 a 2 anos Novilhas de 2 a 3 anos Touros Total SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................... 8 1. 1 Caracterização da propriedade............................................................................................. 8 1. 2 Histórico de Bovino da Raça Gir ......................................................................................... 8 1. 3 Adaptação ............................................................................................................................ 9 1. 4 Características da Raça ........................................................................................................ 9 1. 5 Produção Leiteira ............................................................................................................... 11 1. 6 Comércio ........................................................................................................................... 12 1. 7 Índices Zootécnicos ........................................................................................................... 12 2 PLANEJAMENTO E MANEJO NUTRICIONAL .......................................................... 13 2. 1 Nutrição de Bezerros ......................................................................................................... 13 2. 2 Nutrição de Novilhas ......................................................................................................... 15 2. 3 Nutrição de Vacas .............................................................................................................. 16 2. 3. 1 Nutrição de Vacas Secas (60 dias pré – parto) .............................................................. 16 2. 3. 2 Nutrição de Vacas no Pós – Parto (parto até 100 dias) ................................................. 17 2. 3. 3 Nutrição de Vacas no Meio da Lactação (101 aos 200 dias) ........................................ 18 2. 3. 4 Nutrição de Vacas no Final da Lactação (201 aos 305 dias) ......................................... 18 2. 3. 5 Touros ............................................................................................................................ 18 3 ALIMENTOS ....................................................................................................................... 19 3. 1 Concentrados Utilizados na Propriedade ........................................................................... 19 3. 1. 1 Farelo de Girassol .......................................................................................................... 19 3. 1. 2 Farelo de Milho ............................................................................................................. 20 3. 1. 3 Farelo de Algodão e Caroço de Algodão....................................................................... 21 3. 1. 4 Ureia .............................................................................................................................. 22 3. 1. 5 Polpa Cítrica .................................................................................................................. 23 3. 2 Volumosos Utilizados na Propriedade .............................................................................. 24 3. 2. 1 Silagem de Sorgo ........................................................................................................... 24 3. 2. 2 Cana-de-açúcar .............................................................................................................. 25 3. 2. 3 Brachiaria brizantha ..................................................................................................... 26 3. 2. 4 Cynodon ........................................................................................................................ 27 3. 2. 5 Capim Elefante .............................................................................................................. 27 4 COMPOSIÇÃO DO REBANHO ....................................................................................... 29 4. 1 Vacas Gir: Características do Rebanho ............................................................................. 29 4. 2 Cálculos para determinar composição do Rebanho ........................................................... 29 5 CÁLCULO DA DIETA PARA O LOTE DE MAIOR PRODUÇÃO ............................ 30 5. 1 Alimento volumoso Brachiaria brizantha a pasto associado com Farelo de Milho (energia) e Farelo de algodão (proteína)................................................................................... 31 5. 2 Alimento volumoso Silagem de sorgo Associado com Farelo de Milho (energia) e Farelo de Algodão (proteína). .............................................................................................................. 33 5. 3 Alimento volumoso Silagem de Cana-de-açúcar + Capim Elefante associado com Farelo de Milho (energia) e Farelo de Girassol (proteína). ................................................................. 36 5. 5 Necessidade de quantidade de Brachiaria brizantha para o plantel de animais. .............. 39 5. 6 Quantidade de silagem de sorgo para o plantel de animais. .............................................. 39 5. 6. 1 Quantidade de silos de sorgo ......................................................................................... 40 5. 8 Quantidade de silagem de cana-de-açúcar associado a capim elefante para o plantel de animais. ................................................................................................................................ 41 5. 6. 1 Quantidadede silos de cana-de-açúcar associado a capim elefante .............................. 42 6 MANEJO REPRODUTIVO DE VACAS GIR LEITEIRAS .......................................... 42 6. 1 Práticas de Manejo Reprodutivo de Vacas Gir Leiteiras ................................................... 42 6. 2 Plantel da Fazenda ............................................................................................................. 43 6. 2. 1 Desmame e Escolha das Bezerras ................................................................................. 44 6. 2. 2 Escolha das Novilhas ..................................................................................................... 45 6. 2. 3 Escolha dos Touros ........................................................................................................ 47 6. 3 Estação Reprodutiva de Novilhas ...................................................................................... 47 6. 4 Estação Reprodutiva de Vacas .......................................................................................... 49 6. 4. 1 Descarte de Vacas e Reposição de Matrizes ................................................................. 50 6. 4. 1. 1 Idade .......................................................................................................................... 50 6. 4. 1. 2 Problemas de Infertilidade ......................................................................................... 50 6. 4. 1. 3 Habilidade Materna ................................................................................................... 51 6. 5 Intervalo Entre Partos ........................................................................................................ 52 6. 6 Identificação de Cio ........................................................................................................... 53 6. 7 Programa de Inseminação .................................................................................................. 54 6. 8 Taxa de Concepção ............................................................................................................ 55 6. 9 Diagnósticos Gestacional .................................................................................................. 55 6. 10 Período de Secagem das Vacas ....................................................................................... 56 6. 11 Parto ................................................................................................................................. 56 6. 11. 1 Problemas Durante o Parto .......................................................................................... 56 6. 11. 2 Involução Uterina ........................................................................................................ 57 6. 12 Restabelecimento do Cio Pós – Parto e Nova Inseminação ............................................ 57 6. 13 Eficiência Reprodutiva .................................................................................................... 58 7 MANEJO PROFILÁTICO DO REBANHO LEITEIRO ............................................... 59 7. 1 Cuidados com o Bezerro.................................................................................................... 59 7. 1. 1 Colostragem ................................................................................................................... 60 7. 1. 1. 1 Colostragem Artificial ............................................................................................... 60 7. 1. 2 Cura de Umbigo ............................................................................................................ 60 7. 1. 3 Triagem para Tristeza Parasitária Bovina (TPB) .......................................................... 61 7. 1. 4 Manejo de Aleitamento ................................................................................................. 63 7. 1. 5 Diarreias ........................................................................................................................ 63 7. 1. 6 Pneumonias .................................................................................................................... 64 7. 2 Cuidados com as Novilhas e Vacas ................................................................................... 64 7. 3 Controle de Mastite ........................................................................................................... 65 7. 4 Prevenção de Problemas Podais ........................................................................................ 66 7. 5 Prevenção de Problemas Reprodutivos ............................................................................. 66 7. 6 Controle Geral de Verminoses .......................................................................................... 66 7. 7 Controle Geral de Ectoparasitas: Carrapatos ..................................................................... 66 7. 8 Controle de Moscas ........................................................................................................... 67 7. 9 Vacinação .......................................................................................................................... 67 7. 7 Controle de Raiva .............................................................................................................. 68 7. 8 Controle de Febre Aftosa ................................................................................................... 69 8 INSTALAÇÕES PARA GADO LEITEIRO GIR ............................................................ 69 8. 1 Terreno............................................................................................................................... 69 8. 2 Orientações das Instalações ............................................................................................... 69 8. 3. 3 Currais ........................................................................................................................... 71 8. 3. 4 Sala de Ordenha ............................................................................................................. 71 8. 3. 5 Pastos ............................................................................................................................. 72 8. 3. 6 Piquetes para Vacas no Pré-Parto .................................................................................. 74 8. 4 Separação de Vacas em Lotes ........................................................................................... 74 8. 4. 1 Por Dias em Lactação – DEL ........................................................................................ 74 8. 4. 2 Por Mérito Leiteiro ........................................................................................................ 74 8. 5 Áreas de Pasto ................................................................................................................... 75 8. 6 Áreas com Plantação de Cana-De-Açúcar......................................................................... 75 8. 7 Áreas com Plantação de Sorgo .......................................................................................... 75 8. 8 Áreas com Plantação de Capim Elefante ........................................................................... 75 8. 9 Área Pulmão ...................................................................................................................... 75 CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................................. 76 REFERÊNCIAS ..................................................................................................................... 771 INTRODUÇÃO 1. 1 Caracterização da propriedade Fazenda Localizada a 75 km (próximo BR 365) do município de Montes Claros tendo como proprietário o Senhor João Pereira Costa. É especializada na criação de vacas da raça Gir para a produção de Leite e venda de bezerros machos após desmame. A propriedade possui um total de 130 hectares ou 1.400.00 m 2 divididos em áreas de pastejo com Brachiaria brizantha e plantações de forrageiras como capim elefante, cana-de- açúcar e sorgo que utilizados para produção de silagem nos períodos secos e picados e servidos a coxo na época das águas. Possui uma casa sede e uma casa de caseiro. Possui currais de alvenaria com coxos e bebedouros, sendo um dos currais com brete coberto. Possui instalações como sala de ordenha, casa para armazenagem de leite com tanque de resfriamento, sala de almoxarifado, um pequeno galpão para armazenagem de ração e ao lado um pequeno escritório. Há um rio que passa dentro das delimitações da propriedade. 1. 2 Histórico de Bovino da Raça Gir O Gir é uma raça bovina zebuína originária da Índia, das regiões de Gir na Península de Kathiawar, sendo considerada uma das raças de criação mais antiga (ACGZ, 2012). Os primeiros exemplares da raça Gir, provavelmente, devem ter sido introduzidos no Brasil por volta de 1906, em uma das importações efetuadas por Teófilo Godoy. No entanto, o Sr. Wirmondes Machado Borges, criador no Triângulo Mineiro, afirmou ter sido o introdutor da raça no Brasil em 1919. Mais quatro importações da Índia, ocorridas em 1930, 1955, 1960 e 1962, foram extremamente importantes para a formação do Gir brasileiro (ACGZ, 2012). Na década de 30, alguns criadores identificaram em diferentes plantéis, exemplares Gir que se destacavam por sua capacidade leiteira. O Gir Leiteiro é resultado da seleção efetuada por entidades governamentais (Em Umbuzeiro na Paraíba e em Uberaba em Minas Gerais na Fazenda Getúlio Vargas) e por criadores particulares nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, que fundamentaram seu trabalho dando ênfase na seleção para leite. Formou-se um biotipo especializado, com produções aferidas que permitem distinguir os animais pelo desempenho e por conhecimento do nível de produção de sua linhagem, desde bisavós, avós, mãe, pai, irmãos e filhas (ACGZ, 2012). Figura 01: Gir Leiteiro. Fonte: http://gadosdeleita.blogspot.com.br/2013/12/gir-leiteiro-origem-india.html. 1. 3 Adaptação O Gir Leiteiro é reconhecidamente o zebuíno de maior produtividade leiteira em clima tropical. A raça apresenta características adequadas, oportunas e peculiares para alcançar crescentes níveis de progresso na pecuária leiteira mundial (ABCGIL, 2015). Por ser uma raça originária da Índia, um país tropical, e com muitas semelhanças das condições climáticas brasileiras, o Gir Leiteiro encontrou no Brasil ambiente propício para expressar seu potencial na produção de leite. A raça caracteriza-se pela resistência a endo e ectoparasitas. Outra característica é o sistema termorregulador que permite que a vaca tolere altas temperaturas sem entrar em estresse térmico, comum em outras raças leiteiras, principalmente as europeias. Tem grande capacidade de converter pastagens em leite, tornando o custo de produção da atividade mais baixo do que os animais confinados. Por apresentar maior rusticidade e resistência a raça dispensa a grande utilização de medicamentos e carrapaticidas que deixam resíduo no leite (ABCGIL, 2015). 1. 4 Características da Raça Na aparência geral da raça a cabeça apresenta-se com perfil ultra-convexo, média, fina e seca, com a fronte larga e marrafa jogada pra trás, não podendo apresentar nimbure. Possui chanfro reto, estreito e delicado, o focinho preto e largo, úmido, com narinas dilatadas, os lábios grossos e firmes, a boca grande e olhos de formato elíptico, brilhantes e de pigmentação escura, protegidos por rugas das pálpebras superiores e cílios pretos, orelhas de comprimento médio começando em forma de tubo enrolada sobre si mesma, abrindo em seguida para fora, curvando para dentro na ponta e voltada para a face (“gavião”). Os chifres são escuros, simétricos, grossos na base, saindo para baixo e para trás, de seção elíptica se dirigindo para cima e curvando para dentro. Em relação à pele e pigmentação, os pelos são finos, curtos e sedosos. A pele é preta ou escura, permitindo melhor tolerância à incidência solar (ABCGIL, 2015). A vaca Gir Leiteira deve apresentar ossatura forte e limpa. Quanto à angulosidade o animal deve ter formato triangular de lado, de frente e por cima, com grande capacidade respiratória, cardíaca e digestiva, com garupa ampla. O Pescoço deve ser médio, leve, oblíquo, alto e bem inserido à cabeça e harmoniosamente implantado ao tronco, com musculatura pouco evidente, descarnado, no entanto, no bordo superior, a musculatura apresenta-se mais desenvolvida. A barbela deve ser média, enrugada, solta e flexível, começando bífida debaixo da ganacha (ABCGIL, 2015). A região dorso-lombo longilínea deve ser retilínea, ampla e forte. A linha dorso- lombar deve ser proporcional ao conjunto do animal, equilibrada quanto à horizontalidade e largura, comprida no dorso e larga no lombo seguindo com a bacia comprida e ancas largas e aparentes. A garupa deve ser larga com comprimento e nivelamento o que irá refletir numa melhor ou pior conformação de pernas, pés e do úbere, bem como à facilidade de parto. Os íleos e ísquios devem ser largos e espaçados, guardando as devidas proporções. Deve possuir um bom nivelamento de garupa, com inclinação entre íleos e ísquios (ângulo da garupa) de 200° a 300°. O osso sacro não deve ser saliente (ABCGIL, 2015). Em relação à capacidade corporal o tórax deve ser amplo e profundo, devendo apresentar costelas largas e longas, oblíquas e chatas, bem arqueadas, afastadas entre si, sem acúmulo de gordura, indicando grande capacidade cardiorrespiratória. Para sua capacidade digestiva o abdômen deve ser longo, largo, limpo e alto. Deve ser volumoso permitindo visualizar a forma de “barril”. O corpo de uma vaca Gir boa produtora de leite deve ter altura e comprimento compatível com sua idade. O ideal são animais de tamanho mediano, pois são os mais eficientes em um sistema de produção a pasto. Os flancos (vazio) devem ter pele fina e evidente e apresentar ligeira concavidade (ABCGIL, 2015). No sistema mamário o úbere deve ser amplo, comprido, largo e profundo, apresentando grande capacidade de armazenagem de leite, volume compatível com a idade e estádio da lactação, fazendo pregas quando vazio. A consistência deve ser macia e elástica (glanduloso). Seu piso deve ser nivelado e não ultrapassar a linha do jarrete. Deve apresentar ainda proporcionalidade entre a parte anterior e posterior. Os quartos anteriores devem se apresentar avançados para frente e aderidos ao ventre e os quartos posteriores bem projetados para trás e para cima. O ligamento central possui grande importância devendo ser forte e bem evidente, garantindo a sustentação e integridade do úbere que deve estar bem aderido à região inguinal. Quando visto por trás, evidencia-se o sulco do ligamento suspensor central. As características do ligamento central estão diretamente ligadas à longevidade do úbere e permanência do animal no rebanho (ABCGIL, 2015). Os membros anteriores devem ser de tamanho médio com ossatura forte, espáduas compridas e oblíquas, inserindo harmoniosamente ao tórax, o braço e antebraço com musculatura pouco evidente, com joelhos e mãos bem posicionados. O ângulo dos pés deve ser de aproximadamente 45°. Nos membros posteriores as pernas devem ser limpas,mas com boa cobertura muscular, não devendo apresentar culote pronunciado, com tendões e ligamentos evidentes. Vistos por trás, os membros posteriores devem ser bem afastados um do outro para dar lugar a um úbere volumoso. Deve possuir aprumos íntegros, com articulações fortes, angulação correta e jarretes bem posicionados. O ângulo das quartelas nos cascos deve ser de aproximadamente 45° (ABCGIL, 2015). Figura 02: Modelo da “Vaca Ideal” da raça Gir Leiteiro segundo a Associação Brasileira dos Criadores de Gir Leiteiro (ABCGIL). Fonte: http://girleiteiro.org.br/?conteudo,150. 1. 5 Produção Leiteira O Leite produzido pelas vacas Gir leiteiro é de grande qualidade nutricional. O Gir Leiteiro produz um leite com grande porcentagem de gordura (4,2%) e proteína (3,1%), sendo assim um produto bastante apreciado pela indústria de laticínios. Outra vantagem é a produção do Leite A2, que diminui a incidência de alergias a determinada proteína do leite, comum em outras raças leiteiras (ABCGIL, 2015). A produção média do Gir Leiteiro (3.254 kg/305 dias) corresponde a mais de três vezes a média nacional (960 kg). A duração de lactação é de 305 dias com média diária de 12 kg de leite. No Brasil possui mais de 2.000 vacas raça Gir, com lactações acima de 5.000 kg e com 500 animais com produções acima de 7.000 kg. Em Torneio Leiteiro já se alcançou 49 kg de leite/dia (TROPICAL GENÉTICA, 2016). 1. 6 Comércio Atualmente, Segundo a Associação Brasileira dos Criadores de Gir Leiteiro (ABCGIL), fundada em 1980, o Gir Leiteiro passa por um período de acelerado desenvolvimento. A pecuária leiteira de países tropicais necessita de opções que permitam uma exploração mais eficiente dentro de suas realidades econômica e ambiental sendo que o Gir Leiteiro se adequa a esta exigência leiteiras (ABCGIL, 2015). O interesse por animais ou sêmen da raça está em crescente expansão, não só no Brasil, como em todo o mundo tropical. O Gir Leiteiro vem sendo utilizado cada vez mais para o cruzamento de animais com algum grau de sangue europeu com a finalidade de promover a heterose ou choque de sangue. Este cruzamento tem o objetivo de aumentar a rusticidade, vigor e docilidade dos animais sem causar prejuízo para a produção leiteira (ABCGIL, 2015). Com o Programa Nacional de Melhoramento do Gir Leiteiro – PNMGL, implementado em 1985, ocorreu à promoção do melhoramento genético da raça Gir Leiteiro por meio da identificação e seleção de touros geneticamente superiores para as características de produção (leite, gordura, proteína e sólidos totais), de conformação e de manejo, realizando teste de progênie para identificar os valores genéticos dos touros leiteiros (ABCGIL, 2015). 1. 7 Índices Zootécnicos Conhecer os índices zootécnicos da Raça Gir Leiteiro permite melhor manejo reprodutivo e produtivo dos animais do sistema. Permite ajustar o rebanho a obter índices satisfatórios além ser uma ferramenta para a escolha e seleção de um rebanho leiteiro com melhor produção. Tabela 01: Índices Zootécnicos Raça Gir Leiteiro Intervalo entre partos 14 – 16 meses (420 – 480 dias). Duração da lactação 9,5 – 10 meses (293 – 305 dias). Produção média de leite por lactação (10 meses) 3.254 kg – 4.527 kg (10 kg – 12 kg leite dia). Idade a 1° cria 44 – 46 meses (3,5 – 4 anos) ou 300 kg de PV. Período de Gestação 9,5 meses (280 – 290 dias). Leite Gordura: 4,04% Proteína: 3,03% Lactose: 4,58% Sólidos Totais: 12,81% Fonte: LEDIC, 1993; QUEIROZ, 2012; VILAS BOAS, 2013; PRATA et al., 2014. 2 PLANEJAMENTO E MANEJO NUTRICIONAL Um sistema de alimentação para vacas em lactação, para ser implementado, é necessário considerar o nível de produção, o estágio da lactação, a idade da vaca, o consumo esperado de matéria seca, a condição corporal, tipos e valor nutritivo dos alimentos a serem utilizados (EMBRAPA, 2003). 2. 1 Nutrição de Bezerros Ao nascer, o bezerro é um monogástrico, com o estômago apresentando características diferentes do ruminante adulto, não sendo capaz de utilizar alimentos sólidos, tem reflexo para mamar e todas as condições fisiológicas e bioquímicas para utilizar o leite. Sob condições normais de alimentação e manejo, em sessenta a noventa dias este bezerro se transforma em ruminante com habilidade para sobreviver com alimentos volumosos e concentrados, com o rúmen-retículo apresentando atividade microbiana relevante, desenvolvimento de papilas em suas paredes e capacidade de absorção de nutrientes pelas paredes do rúmen-retículo (EMBRAPA, 2003). A fase de aleitamento é natural. No aleitamento natural, o bezerro obtém o leite mamando diretamente no úbere da vaca. O aleitamento artificial consiste em fornecer a dieta líquida em balde, mamadeira ou similar e também pode ser utilizado de forma a racionalizar o manejo dos animais, ordenhar com mais higiene e controlar a quantidade de leite ingerida pelo bezerro. Em ambos os tipos de aleitamento, o importante é fornecer colostro o mais rápido possível, garantindo a sobrevivência do bezerro nas primeiras semanas após o nascimento e fornecer os anticorpos (EMBRAPA, 2003). O concentrado inicial a ser fornecido aos bezerros, do nascimento até os 60 ou 70 dias de idade, independente do sistema de aleitamento utilizado. Os alimentos concentrados precisam ser de boa qualidade, como grãos de milho, farelo de girassol, farelo de algodão, farelo de soja e misturas minerais e vitamínicas para garantir ganho de peso dos animais. A utilização de ureia nos concentrados iniciais para bezerros recomenda-se o seu uso somente após os três meses de idade, quando o rúmen estará desenvolvido o suficiente para utilizar o nitrogênio não proteico da dieta. Após o desmame, o consumo de concentrado aumentará rapidamente, devendo-se limitar a quantidade fornecida para estimular o consumo de volumoso. Tem-se sugerido o fornecimento de 1 a 2 kg de concentrado com 12% de proteína bruta e 66% de nutrientes digestíveis totais - NDT, dependendo da qualidade do alimento volumoso utilizado (EMBRAPA, 2003). Um bom volumoso, feno ou verde picado, deve ser fornecido desde a segunda semana de idade, sendo que podemos usar cana-de-açúcar associado com capim elefante ainda novo. Também se pode deixar o bezerro ingerir o pasto junto com a mãe. Antes dos três meses de idade as silagens não devem ser utilizadas, pois não propiciaram desenvolvimento do rumem (EMBRAPA, 2003). Quando o bezerro estiver consumindo 600 a 800 g de concentrado por dia, de maneira consistente, ele estará pronto para ser desmamado, independentemente de sua idade, tamanho ou peso. Porém do sistema Gir leiteiro este só será desmanado quando a mãe for entrar em período de secagem, pois está só faz a descida do leite com o bezerro ao pé. O cálculo do ganho de peso médio diário é calculado subtraindo o peso ao desmame pelo peso ao nascimento, dividido pelo número de dias entre o desmame e o nascimento. O ganho de peso médio diário deve ser superior a 0,350 kg dia (EMBRAPA, 2003). A água deve estar à disposição desde a primeira semana de idade, precisando ser limpa e de uma fonte confiável (EMBRAPA, 2003). Figura 03: Bezerra Gir. Fonte: http://www.fazendacabeceiradoprata.com.br/blog/nasce-framboesa-bezerra-gir- leiteiro-2/. 2. 2 Nutrição de Novilhas Do início desta fase, dos 80 - 90 kg de peso vivo até a puberdade, o monitoramento do ganho de peso diário é fundamental, não devendo ultrapassar 900 g por dia. Este procedimento evita a má-formação da glândula mamária (acúmulo de gordura e menor quantidade de tecidosecretor de leite) resultando em menor produção de leite durante a primeira lactação. A idade à primeira cobrição determinará a alimentação das novilhas nesta fase. O peso vivo para cobrição das novilhas da raça Gir deve ser de 300 kg (EMBRAPA, 2003). Pastos de excelente qualidade e bem manejados podem suprir os nutrientes para o crescimento das novilhas, desde que uma mistura mineral esteja sempre à disposição. A suplementação volumosa na época seca deve ser feita com forragens verdes picadas como cana-de-açúcar, capim elefante e silagens. Para o fornecimento de volumosos em cochos, é necessário minimizar a competição por alimento entre os animais manejados em grupos. Para isto, é importante propiciar aos animais área de cocho suficiente, permitindo que todos tenham chance de se alimentar, sendo a área de cocho calculada considerando 0,7 m 2 para cada animal (EMBRAPA, 2003). O fornecimento de concentrado às novilhas é dependente da idade, da qualidade do alimento volumoso utilizado e do plano de alimentação adotado. Em geral, até os seis meses, é necessário o fornecimento de 1 a 2 kg de concentrado com 12% de proteína bruta e 61% de nutrientes digestíveis totais. As novilhas devem ter à sua disposição água fresca e limpa diariamente (EMBRAPA, 2003). 2. 3 Nutrição de Vacas O estágio da lactação afeta a produção e composição do leite, o consumo de alimentos e mudanças no peso vivo do animal. Nas duas primeiras lactações da vida de uma vaca leiteira, deve-se fornecer alimentos em quantidades superiores àquelas que deveriam estar recebendo em função da produção de leite, pois estes animais ainda continuam em crescimento, com necessidades nutricionais bastante elevadas. Assim, recomenda-se que aos requerimentos de mantença sejam adicionados 20% a mais para novilhas de primeira cria e 10% para vacas de segunda cria (EMBRAPA, 2003). Recomenda-se alimentar as vacas primíparas separadas das vacas mais velhas. Este procedimento evita a dominância, aumentando o consumo de matéria seca. Vacas que ganham muito peso antes do parto apresentam apetite reduzido devido ao aumento de leptina que se acumula do tecido adiposo, menores produções de leite, distúrbios metabólicos como cetose, fígado gorduroso e deslocamento do abomaso, além de baixa resistência aos agentes de doenças (EMBRAPA, 2003). 2. 3. 1 Nutrição de Vacas Secas (60 dias pré – parto) É o período compreendido entre a secagem e o próximo parto. Em rebanhos bem manejados, sua duração é de 60 dias. É fundamental para que haja transferência de nutrientes para desenvolvimento do feto, que é acentuado nos últimos 60 - 90 dias que precedem o parto, a glândula mamária regenere os tecidos secretores de leite e acumule grandes quantidades de anticorpos, proporcionando maior qualidade e produção de colostro, essencial para a sobrevivência da cria recém-nascida (EMBRAPA, 2003). O suprimento de proteína, energia, minerais e vitaminas é muito importante, mas deve-se evitar que a vaca ganhe muito peso nesta fase, para reduzir a incidência de problemas no parto e durante a fase inicial da lactação. Isso se deve, principalmente, à redução na ingestão de alimentos pós-parto, o que normalmente se observa com vacas que parem gordas. Assim pode se reduzir o fornecimento de alimentos proteicos e manter alimentação com volumoso de qualidade para que o animal entre no período seco sem grandes perdas (EMBRAPA, 2003). Nas duas semanas que antecedem ao parto deve-se iniciar o fornecimento de pequenas quantidades do concentrado formulado para as vacas em lactação, para que se adaptem à dieta que receberão após o parto. As quantidades a serem fornecidas variam de 0,5 a 1% do peso vivo do animal, dependendo da sua condição corporal. O teor de cálcio da dieta de vacas no final da gestação deve ser reduzido para evitar problemas com febre do leite após o parto. A mistura mineral (com nível baixo de cálcio) deve estar disponível, à vontade, em cocho coberto (EMBRAPA, 2003). 2. 3. 2 Nutrição de Vacas no Pós – Parto (parto até 100 dias) As vacas, nas primeiras semanas após o parto, não conseguem consumir alimentos em quantidades suficientes para sustentar a produção crescente de leite neste período, até atingir o pico, o que ocorre em torno de cinco a sete semanas após o parto. O pico de consumo de alimentos só será atingido posteriormente, em torno de nove a dez semanas pós-parto. Por isso, é importante que recebam uma dieta que possa permitir a maior ingestão de nutrientes possível, evitando que percam muito peso e tenham sua vida reprodutiva comprometida. Esse período é conhecido como o período de balanço energético negativo. Gráfico 01: curva de lactação de vacas leiteiras. Fonte: http://boinarede.blogspot.com.br/2017/03/avaliacao-da-condicao-corporal-em.html. No gráfico acima podemos observar que o pico de produção de leite ocorre anteriormente ao pico de ingestão de matéria seca. Deve-se fornecer volumoso de boa qualidade com suplementação, com concentrados e mistura mineral adequada. Vacas de alto potencial de produção devem apresentar um consumo de matéria seca equivalente à pelo menos 4% do seu peso vivo, no pico de consumo. Uma regra prática para determinar a quantidade de volumoso a ser fornecida é monitorar a sobra ou o excesso que fica no cocho. Caso não haja sobras ou se sobrar menos do que 10% da quantidade total fornecida no dia anterior, aumente a quantidade de volumoso a ser fornecida. Caso haja muita sobra, reduza a quantidade. O concentrado para vacas em lactação deve apresentar 18 a 22% de proteína bruta (PB) e acima de 70% de nutrientes digestíveis totais (NDT), na base de 1 kg para cada 2,5 kg de leite produzidos. Pode-se utilizar uma mistura simples à base de milho moído e farelo de soja ou de algodão, calcário e sal mineral ou, dependendo da disponibilidade, soja em grão moída ou caroço de algodão. Vacas em lactação requerem uma quantidade muito grande de água, assim ela deve estar à disposição dos animais, à vontade e próxima dos cochos. Normalmente as vacas consomem 8,5 litros de água para cada litro de leite produzido. Quando a temperatura ambiente se eleva, nos meses de verão, o consumo de água aumenta substancialmente. 2. 3. 3 Nutrição de Vacas no Meio da Lactação (101 aos 200 dias) Neste período, as vacas já recuperaram parte das reservas corporais gastas no início da lactação e já entraram em balanço energético positivo, ou seja, já está ingerido o máximo de matéria seca. Uma boa suplementação garantirá que a redução de leite me relação ao pico de lactação não seja tão grande. O fornecimento de concentrado deve ser feito com 18 a 20% de proteína bruta, na proporção de 1 kg para cada 3 kg de leite produzidos acima de 5 kg, na época das chuvas, e a mesma relação acima de 3 kg iniciais de leite produzido, durante o período seco do ano. 2. 3. 4 Nutrição de Vacas no Final da Lactação (201 aos 305 dias) Neste período as vacas devem recuperar suas reservas corporais e a produção de leite já é bem menor que nos períodos anteriores. Devem-se alimentar as vacas para evitar que ganhem peso em excesso, mas que tenham alimento suficiente, principalmente na época seca do ano, para repor as reservas corporais perdidas no início da lactação. É o período em que ocorre a secagem do leite, encerrando-se a lactação atual e o início da preparação para o próximo parto e lactação subsequente. 2. 3. 5 Touros Os touros devem receber volumosos de boa qualidade, além de 2 kg de concentrado com 65% de NDT e cerca de 20% de proteína. O concentrado fornecido às vacas secas ou novilhas podeser usado. Água de boa qualidade e podem ser fornecidos a vontade além de misturas minerais quando se julgar necessário. Figura 04: Touro Gir. Fonte: http://revistagloborural.globo.com/Noticias/Criacao/Boi/noticia/2014/12/pecuaria- morre-touro-gir-conhecido-por-filhas-leiteiras-de-alta-produtividade.html. 3 ALIMENTOS A utilização de alimentos na propriedade é feito de acordo com as necessidades dos animais, épocas do ano em que alguns alimentos estão disponíveis e de acordo com condição financeira para a aquisição dos alimentos, principalmente de concentrados, e de acordo com o valor de mercado, sendo que há o ajuste de outras suplementações minerais quando há aquisição de concentrados de baixa qualidade nutricional. 3. 1 Concentrados Utilizados na Propriedade 3. 1. 1 Farelo de Girassol O girassol pode ser oferecido como alimento alternativo para ruminantes na forma de torta, farelo e silagem, sendo sua quantidade de uso variável em função da espécie e da forma como é oferecido (PEREIRA et al., 2016). A cultura do girassol apresenta fácil adaptação a diferentes condições edafoclimáticas, sendo cultivado desde o sul até o norte do país o ano todo. O farelo de girassol tem sua composição diretamente ligada à quantidade de casca que é removida do grão e o processo utilizado para a extração do óleo. Quando as cascas são preservadas, o farelo apresenta altos teores de fibras e menor potencial energético o que causa queda na qualidade do produto. Apresenta ainda composição química semelhante a farelos de outras oleaginosas tendo, porém, um maior conteúdo de resíduo mineral (cinzas) e fibras. Apresenta quantidade de aminoácidos relativamente balanceada apesar de ser deficiente em lisina, mas apresenta valores interessantes de aminoácidos sulfurados que são limitantes nas leguminosas (PEREIRA et al., 2016). Furlan et al., (2001) recomendam a substituição da proteína do farelo de soja pela proteína do farelo de girassol até o nível de 30%, o que corresponde a cerca de 15% de inclusão de farelo de girassol nas rações (SOARES, 2012). Tabela 02: Composição química do Farelo de Girassol. Nutriente % MS 90 PB 26,80 EE 4,07 FDN 42,40 FDA 27,80 NDT 59,34 Fonte: TAVERNARI, F. C, 2008. 3. 1. 2 Farelo de Milho O milho é considerado um concentrado energético, ou seja, possui menos de 18 % de fibra bruta (FB) e menos de 20% de proteína bruta (PB) (GONÇALVES et al., 2009). O milho pode ser processado e fornecido moído, gelatinizado, floculado, laminado e misturado a forragem, sendo que a forma de fornecimento para o animal afeta na digestibilidade e na absorção. Pode ser utilizado em até 70% do concentrado na alimentação do animal. O grão de milho é composto por 60% de amido, 6,5% de casca, 10% de glúten, 5% de gérmen e 15% de água. Tabela 03: Composição química do Milho Grão. Nutriente % MS 87,64 PB 9,11 EE 4,07 FDN 13,98 FDA 4,08 NDT 87,24 Fonte: Daniel Ananias de Assis Pires Figura 05: Farelo de Milho. Fonte: http://www.mfrural.com.br/busca.aspx?palavras=farelo+milho. 3. 1. 3 Farelo de Algodão e Caroço de Algodão O farelo de algodão é a segunda fonte proteica do mundo, além de fornecer fibra e energia. Possui baixo caroteno e vitamina A, baixo teor de cálcio, baixa lisina, sendo uma boa fonte de riboflavina, ácido pantotênico, colina, niacina e tiamina. Pode ser utilizado até 30% da dieta de vacas de leite. O algodão não deve ser utilizado quando em caroço, pois possui o gossipol que é um fator antinutricional, que ao se acumular no organismo do animal leva a lesões no fígado, possui efeito cardiotóxico, causa hemólise, enfisema pulmonar e problemas de fertilidade. Tabela 04: Composição química do Farelo de Algodão Nutriente % MS 90,18 PB 35,05 EE 1,38 FDN 36,70 FDA 31,24 NDT 69,77 Fonte: Daniel Ananias de Assis Pires. Figura 06: Farelo de algodão. Fonte: http://www.mfrural.com.br/busca.aspx?palavras=farelo+algodao 3. 1. 4 Ureia A ureia tem sido usada na alimentação de bovinos por adequar a ração com proteína degradável no rumem e por possuir baixo custo, diminuindo assim o custo com suplementação proteica em sistemas de criação de gado leiteiro (GUIMARÃES JUNIOR, 2007). É um composto orgânico cristalino, de cor branca, solúvel em água e álcool. É considerada um composto nitrogenado não proteico (NNP). Teoricamente a fornecer 100 g de ureia na dieta do ruminante resultaria em produção de cerca de 290 g de proteína bruta de origem microbiana. No rumem é rapidamente desdobrada em amônia e CO2. A ureia não possui nenhum mineral em sua composição. Sendo também necessário usar misturas minerais como o enxofre (GUIMARÃES JUNIOR, 2007). O fornecimento de ureia costuma ser feito junto a volumosos de baixa qualidade, porém em sistemas que não se costuma usar a ureia os animais precisam passar por processo de adaptação para não ocorrer casos de intoxicação. Tabela 05: Composição Química da ureia. Compostos % Nitrogênio 46,4 Biureto 0,55 Água 0,25 Amônio livre 0,008 Cinzas 0,003 Ferro e Chumbo 0,003 Fonte: GUIMARÃES JUNIOR, 2007. 3. 1. 5 Polpa Cítrica A polpa cítrica (PC) é um subproduto da indústria da laranja ou outras frutas, caracterizada por seu elevado valor energético, 13% inferior ao do milho, segundo NRC, 1996 e por possuir peculiaridades de fermentação que a coloca como produto intermediário entre volumoso e concentrado. Além da vantagem econômica, a época de produção é favorável. Como a safra da laranja é iniciada em maio e concluída em janeiro, esse período coincide com a entressafra de grãos como o milho e com a época de escassez de forragem (MENDES, 2006). Apesar de ser considerado um concentrado energético, a polpa cítrica apresenta teor maior de fibra do que os concentrados energéticos tradicionais, principalmente em relação aos valores de FDA e FDN. A pectina, principal constituinte da polpa cítrica, é considerada um carboidrato estrutural, perfazendo a fibra, mas nutricionalmente é considerada parte da fração carboidratos não estruturais pelas suas características peculiares de degradação ruminal. É conhecida a importância da fibra em rações para animais ruminantes, uma vez que esta atua na manutenção da motilidade ruminal e estímulo à ruminação (MENDES, 2006). Em vacas em lactação pode substituir parte dos grãos em até 20% da MS ou 4kg/cab./dia. Em novilhas e vacas secas até 30% da MS da dieta, em bezerros até 60 dias fornecer apenas até 10% da MS da dieta e em bezerros acima de 60 dias fornecer até 30% da MS da dieta. Tabela 06: Composição química da polpa cítrica. Nutriente % MS 87,95 PB 7,15 EE 3,28 FDN 24,31 FDA 23,01 NDT 65,17 Fonte: Daniel Ananias de Assis Pires. 3. 2 Volumosos Utilizados na Propriedade Os volumosos constituem o principal alimento de ruminantes. Em relação as vacas de leite é necessário o fornecimento de volumosos em boa quantidade e qualidade para que essas tenham e mantenham uma boa produção de leite. 3. 2. 1 Silagem de Sorgo O uso de silagem de sorgo representa uma das principais formas de suplementação de volumosos para o rebanho bovino nacional. É uma espécie que apresenta grandes variabilidades genéticas para as características nutricionais, havendo, portanto, enorme potencial de exploração da mesma e programas de melhoramento capazes de desenvolver híbridos modernos de alto valor nutritivo, que proporcionariam alto desempenho animal, semelhante aos obtidoscom silagens de bons híbridos de milho. Vacas leiteiras alimentadas com silagem de sorgos de alta produção de grãos produziram mais leite que as alimentadas com silagem de sorgo do tipo forrageiro. Tabela 07: Composição química da silagem de sorgo. Nutriente % MS 30-33 PB 4,02 EE 2-3 FDN 71,60 FDA 25-30 NDT 69,65 Fonte: PELEGRINI, M. 2011. 3. 2. 2 Cana-de-açúcar A cana-de-açúcar é um alimento forrageiro muito usado nos períodos de estiagem no Brasil, devido ao fato de poder ser produzida em quantidade nessa, ter custo relativo baixo de produção, além de fornecer grande quantidade de matéria fibrosa aos bovinos, contribuindo para que nessa época, estes não sofram tanto com a perda de peso (MARSÃO; GONÇALVES, 2012). É importante ressaltar que a cana-de-açúcar possuiu alto teor de fibra e açúcar, fornecendo energia aos animais, porém possui baixas quantidades de proteína que precisam ser respostas a esses animais de outras formas (grãos), assim seu uso nunca deve ocorrer de forma exclusiva, pois afeta diretamente o consumo, a digestibilidade velocidade de trânsito das fibras no sistema digestivo, não atendendo as necessidades de mantença dos animais (VALVASORI; PAULINO, 2007). A ureia misturada a cana-de-açúcar funciona como o substrato de nitrogênio para a microbiota ruminal, que o principal ponto a ser manter estável em períodos de dificuldades de fornecimento nutricional para os animais. É importante ressaltar que a ureia é fator toxico para os ruminantes (produção de amônia) quando usada de forma e em quantidades incorretas, assim tanto a quantidade como a velocidade de administração e adaptação dos animais deve ser ajustada (TORRES, 2014). Nos rebanhos leiteiros, devido à alta exigência feita sobre esses animais, não se permite somente o uso da cana-de-açúcar com ureia e sal mineral, pois não será suficiente para suprir as necessidades enérgicas e de produção desses animais, assim é necessário à suplementação com outras fontes de proteína e energia como farelo de soja, milho, farelo de algodão ou arroz, para garantir que esses não percam muito em peso e nem diminuam drasticamente a produção de leite (VALVASORI; PAULINO, 2007). Tabela 08: Composição química da cana-de-açúcar. Nutriente % Matéria seca 26,5 PB 2,60 FDN 50,41 FDA 40,6 Celulose 34,5 Lignina 6,1 Matéria Mineral 4,1 Digestibilidade 57,9 Grau brix 21,0 Fonte: RIBEIRO, L. S.O. et al., 2009. 3. 2. 3 Brachiaria brizantha Tem como principais características resistência às cigarrinhas-das-pastagens, alta produção de forragem, persistência, boa capacidade de rebrota, tolerância ao frio, à seca e ao fogo. Exige solos bem drenados, de média a alta fertilidade onde produz de 8 a 20 toneladas de matéria seca por hectare, por ano (EMBRAPA, 2014). Tabela 09: Composição química da Brachiaria Brizantha. Nutriente % MS 21 PB 10 EE 1,9 FDN 66,8 FDA 36,8 NDT 52 Fonte: LOPES, F. C. F. et al., 2010. Figura 07: Pasto de Brachiaria brizantha. Fonte: http://sementesalvorada.com/sementes/brachiaria-brizantha-cv-mg4/. 3. 2. 4 Cynodon Há várias espécies de Cynodon, chamadas de gramas bermuda, onde destacam-se o Tifton 85 e o Coast-cross. No caso do pastejo rotativo, a Embrapa Gado de leite tem recomendado a utilização de 1 dia de ocupação e 32 dias de descanso no período seco e 25 dias no período das águas (PREDEIRA, 2013). Com boa fertilidade de solo e manejo adequado, os Cynodons comumente proporcionam produção de matéria seca superior a 20 t de MS/ha/ano, com valor nutritivo que pode ser considerado bom, ao redor de 11 a 13% de PB e 58 a 65% de digestibilidade. Apresentam ainda distribuições estacionais de crescimento mais uniformes (proporção relativa da produção total no “inverno” e no “verão”) quando comparados a outros capins (PREDEIRA, 2013). Tabela 10: Composição química do capim Cynodon. Nutriente % MS 63,8 PB 7,9-12,4 FDN 79,0 a 94,3 FDA 43,6 – 57,8 Fonte: CECATO, U. 2008. 3. 2. 5 Capim Elefante O capim elefante (Pennisetum purpureum) é uma gramínea que apresenta características como alta produção de biomassa, boa adaptação aos diversos tipos de solos e boa aceitação pelos animais. É tradicionalmente usada para corte e silagem sendo que seu uso para pastejo vem crescendo nos últimos anos, principalmente para vacas em lactação. Além disso, deve-se considerar, ainda, o uso do capim-elefante na forma de forragem conservada, como alternativa para alimentação animal na época seca do ano (CÓSER, 2000). Em relação à adaptação e tolerância cresce bem a altitudes de até 1.500 metros e a temperatura de 18 a 30°C, podendo suportar o frio e até geadas dependendo do cultivar. Possui baixa tolerância à seca, podendo atravessar a estação seca com baixa produção se possuir raízes profundas, sendo mais bem aproveitada na época de seca quando ensilado. Adapta-se bem a maioria dos solos, exceto solos mal drenados. A produção em toneladas pode chegar a 300 toneladas, sendo que exige solos bem nutridos, sem baixo pH e alumínio. Tabela 11: Composição química do Capim Elefante com 112 dias de idade. Nutriente % MS 20,89 PB 3,16 EE 2,52 FDN 34,64 FDA 46,63 NDT 67,5 Fonte: http://www.ebah.com.br/content/ABAAAhDyUAJ/barragens-subterrneas?part=2. Figura 08: Capim elefante. Fonte: http://sfagro.uol.com.br/viveiristas-sao-licenciados-para-a-venda-de-novo-capim- elefant 4 COMPOSIÇÃO DO REBANHO 4. 1 Vacas Gir: Características do Rebanho Natalidade: 80 % Mortalidade: 5% Idade ao 1° parto: 36 meses Período de Lactação: 9 meses VACAS TOTAIS: 115 4. 2 Cálculos para determinar composição do Rebanho Vacas Paridas: 115 – 100% 100x = 9.200 x = 92 vacas paridas. x – 80% x = 9.200 100 Vacas em Lactação (10 meses) 92 – 12 meses 12x = 920 x = 77 vacas em lactação. x – 10 meses x = 920 12 Vacas Secas = vacas paridas – vacas em lactação. 92 vacas paridas – 77 vacas em lactação = 15 vacas secas. Vacas Problemas = vacas totais – (vacas em lactação + vacas secas). 115 vacas totais – (77 vacas em lactação + 15 vacas secas) 115 vacas totais – 92 vacas = 23 vacas problemas. Bezerros Machos e Fêmeas de 0 a 1 ano. 92 bezerros – 5% de mortalidade = 92 x 0,05 = 4,6, aproximadamente 5 bezerros vieram ao óbito. Assim 92 bezerros – 5 bezerros que morreram = 87 bezerros. Considerando 1/2 fêmeas e machos = 87/2 = 44 bezerras e 43 bezerros ou vice e versa. Novilhas de 1 a 2 Anos (idade ao primeiro parto de 24 meses). Taxa de reforma: 20% 115 – 100% 100x = 2.300 x = 23 novilhas de 1 a 2 anos. x – 20% x = 2.300 100 Novilhas de 2 a 3 anos (idade ao primeiro parto ≥ 24 meses a 36 meses) 115 – 100% 100x = 2.300 x = 23 novilhas de 2 a 3 anos. x – 20% x = 2.300 100 Touros: 1 touro para cada 50 vacas, assim 115/50 = 2,3 ou seja 3 touros. Composição do Rebanho: -Vacas em Lactação: 77 vacas. -Vacas secas: 15 vacas.-Vacas Problemas: 23 vacas. -Bezerros Macho e Fêmeas de 0 a 1 ano: 87 bezerros (44 F e 43 M). -Novilhas de 1 a 2 anos: 23 novilhas. -Novilhas de 2 a 3 anos: 23 novilhas. -Touros: 3 touros TOTAL DO REBANHO: 251 animais. 5 CÁLCULO DA DIETA PARA O LOTE DE MAIOR PRODUÇÃO Para vacas mantidas a pasto, durante o período de menor crescimento do pasto, há necessidade de suplementação com volumosos: capim-elefante verde picado, cana-de-açúcar adicionada de 1% de ureia, silagem, feno ou forrageiras de inverno. Para vacas de alta produção leiteira ou animais confinados, podemos fornecer milho ou sorgo à vontade. No caso da propriedade a dieta consiste em pastejo em piquetes de capim Brachiaria Brizantha no período das águas, em que se possuem pastos verdes. Também é fornecido em coxo, suplementação mineral e de concentrados para completar as exigências dos animais. No período de seca em que há escassez de forragens, trabalha-se com silagem de sorgo e silagem de cana-de-açúcar associada a capim elefante. A dieta é fornecida de forma completa, ou seja o volumoso misturado ao concentrado necessário. O cálculo para a dieta dos grupos de vacas leiteiras, que também é o grupo de maior produção e assim maiores exigências esta descrito abaixo considerando a alimentação a pasto e no coxo nos períodos secos. 5. 1 Alimento volumoso Brachiaria brizantha a pasto associado com Farelo de Milho (energia) e Farelo de algodão (proteína). Vacas com 480 kg de peso vivo, com produção média de 4.500 kg de leite por lactação (10 meses), assim o animal produz (4.500/10 = 450 kg leite por mês, 450/30 = 15 kg de leite dia) 15 kg de leite por dia. Alimento Volumoso: Brachiaria Brizantha. PB: 10% NDT: 52% FDN: 50% MS: 20% Alimentos Concentrados: Farelo de Milho PB: 9,11% NDT: 87,24% Farelo de Algodão: PB: 35,05% NDT: 69,77% Exigência de mantença do animal Kirchof (2004) em Tabelas para Cálculos da Alimentação de Bovinos Leiteiros. Produção: PB → 364 g NDT → 4 kg Mantença: PB → 100 g NDT → 350 kg Ingestão de matéria seca: 3,5% do Peso Vivo (PV). FDN: 1,6% do PV. Exigência total: PB = 364 g + 100 (15) = 364 + 1.500g = 1.864 g ou 1, 87 kg. NDT = 4.000g + 350 g (15) = 4.000 + 5.250 = 9.250 ou 9,25 kg. Ingestão de matéria seca: 3,5% de 480 kg = 16,80 kg Ingestão de FDN = 1,6% de 480 = 7,68. O animal pode ingerir 75% de FDN, ou seja pode ingerir 75% de 7,68 = 5,76 de FDN do alimento volumoso. Assim: 1 – 05 0,5x = 5,76 x = 11,52 kg. x – 5,76 x = 5,76 0,5 O animal pode ingerir 16,80 kg e já ingeriu 11,52 kg, assim este ainda pode ingerir (16,80 kg – 11,52) 5,28 kg de alimento concentrado. A Brachiaria brizantha fornece : PB: 10% de 11, 52 = 1,152 kg de proteína. NDT: 52% de 11, 52 = 6 kg de energia. Assim ainda falta para a vaca consumir: PB: 1,87 – 1, 15 = 0,72 kg de proteína; NDT: 9,25 – 6 = 3, 25 de energia. O animal ainda pode ingerir 5, 28 kg de concentrado para tentar suprir a falta de proteína e energia que não é oferecido pela Brachiaria brizantha. Considerando a proteína ainda faltam 0,72, assim: PB: 5,28 – 100% 5, 28x = 72 x = 13,63% 0,72 – x x = 72 5,28 Farelo de Milho: 9,11 % de PB. Farelo de Algodão: 35,05 % de PB. FM: 9,11 - = 21,42 + FA: 35,05 - = 4,52 = 25,94% FM = 25, 94% – 100 25, 94x = 452 x = 17, 42% 13,63% 4, 52 – x x = 452 25, 94 FA : 25, 94% – 100 25, 94x = 2.142 x = 82, 57% 21, 42 – x x = 2.142 25, 94 Do concentrado que ainda pode ser ingerido: FM: 17, 42% de 5, 28 kg = 0,92 kg; FA: 82, 57% de 5, 28 kg = 4, 35kg; Quantidade de proteína: FM: 9,11% de 0,92 kg = 0,084 kg Supre 1,60 kg de proteína (0,084 + 1,52 kg) FA: 35,05% de 4,35 kg = 1, 52 kg Porém a necessidade proteica da vaca é de 1,87kg, assim ainda fica faltando 0,27 kg de proteína (1,87 kg – 1,60 kg). Quantidade de energia: FM: 87,24 % de 0,92 kg = 0,80 kg Supre 3, 83 kg de energia (0,80 + 3, 03) FA: 69,77% de 4, 35 kg = 3,03 kg Porém a necessidade energética da vaca é de 9, 25 kg, assim ainda falta 5, 42 de energia (9, 25 kg – 5,42 kg). Podemos completar com até 0, 88 litros de óleo que fornecerá mais 1, 98 de energia, assim de 5, 42 de energia, ainda irá faltar 3,44 kg (5,42 kg – 1,98 kg). Também podemos suplementar os animais com fornecimento de ureia (40 a 50 gramas / 100 kg), sal mineral e enxofre. 5. 2 Alimento volumoso Silagem de sorgo associado com Farelo de Milho (energia) e Farelo de Algodão (proteína). Vacas com 480 kg de peso vivo, com produção média de 4.500 kg de leite por lactação (10 meses), assim o animal produz (4.500/10 = 450 kg leite por mês, 450/30 = 15 kg de leite dia) 15 kg de leite por dia. Alimento Volumoso: Silagem de Sorgo PB: 4,02% NDT: 69,65% FDN: 71,60% Alimentos Concentrados: Farelo de Milho PB: 9,11% NDT: 87,24% Farelo de Algodão: PB: 35,05% NDT: 69,77% Exigência de mantença do animal Kirchof (2004) em Tabelas para Cálculos da Alimentação de Bovinos Leiteiros. Produção: PB → 364 g NDT → 4 kg Mantença: PB → 100 g NDT → 350 kg Ingestão de matéria seca: 3,5% do Peso Vivo (PV). FDN: 1,6% do PV. Exigência total: PB = 364 g + 100 (15) = 364 + 1.500g = 1.864 g ou 1, 87 kg. NDT = 4.000g + 350 g (15) = 4.000 + 5.250 = 9.250 ou 9,25 kg. Ingestão de matéria seca: 3,5% de 480 kg = 16,80 kg Ingestão de FDN = 1,6% de 480 = 7,68. O animal pode ingerir 75% de FDN, ou seja pode ingerir 75% de 7,68 = 5,76 de FDN do alimento volumoso. Assim: 1 – 0,716 0,716x = 5,76 x = 8,04 kg. x – 5,76 x = 5,76 0,716 O animal pode ingerir 16,80 kg e já ingeriu 8,04 kg, assim este ainda pode ingerir (16,80 kg – 8,04) 8,76 kg de alimento concentrado. A Silagem de sorgo fornece: PB: 4,02% de 8,76 = 0,35 kg de proteína. NDT: 69,65 % de 8,76 = 6,10 kg de energia. Assim ainda falta para a vaca consumir: PB: 1,87 – 0,35 = 1,52 kg de proteína; NDT: 9,25 – 6,10 = 3,15 kg deenergia. O animal ainda pode ingerir 8, 76 kg de concentrado para tentar suprir a falta de proteína e energia que não é oferecido pela Silagem de sorgo. Considerando a proteína ainda faltam 1,52, assim: PB: 8,76 – 100% 8,76x = 152 x = 17,35% 1,52 – x x = 152 8,76 Farelo de Milho: 9,11 % de PB. Farelo de Algodão: 35, 05 % de PB. FM: 9,11 - = 17.7 + FA: 35,05 - = 8,24 = 25,94% FM = 25, 94% – 100 25, 94x = 824 x = 31,76% 8,24 – x x = 824 25, 94 FA : 25,94% – 100 25, 94x = 1.770 x = 68,23% 17,7 – x x = 1.770 25, 94 Do concentrado que ainda pode ser ingerido: FM: 31,76% de 8,76 kg = 2,78 kg; FA: 68,23% de 8,76 kg = 5,97 kg; Quantidade de proteína: 17,35% FM: 9,11% de 2,78 kg = 0,25 kg Supre 2,34 kg de proteína (0,25 + 2,06) FA: 35,05% de 5,97 kg = 2,09 kg Como a vaca precisa de 1,87 de proteína é a silagem misturada fornece 2,34 kg de proteína, irá suprir bem o animal. Quantidade de energia: FM: 87,24 % de 2.78 kg = 2.43 kg Supre 6,6 kg de energia (2,43 + 4,17) FA: 69,77% de 5,97 kg = 4,17 kg Porém a necessidade energética da vaca é de 9, 25 kg, assim ainda falta 2,65 kg de energia (9,25 kg – 6,6 kg). Podemos completar com até 0, 88 litros de óleo que fornecerá mais 1, 98 de energia, assim de 2,65 de energia, ainda irá faltar 0,67 kg (2,65 kg – 1,98 kg). Também podemos suplementar os animais com fornecimento de ureia (40 a 50 gramas / 100 kg), sal mineral e enxofre. 5. 3 Alimento volumoso Silagem de Cana-de-açúcar + Capim Elefante associado com Farelo de Milho (energia) e Farelo de Girassol (proteína). Vacas com 480 kg de peso vivo, com produção média de 4.500 kg de leite por lactação (10 meses), assim o animal produz (4.500/10 = 450 kg leite por mês, 450/30 = 15 kg de leite dia) 15 kg de leite por dia. Alimento Volumoso: Silagem de Cana-de-açúcar + Capim Elefante PB: 5,76% NDT: 127,5% FDN: 85,05% Alimentos Concentrados: Farelo de Milho PB: 9,11% NDT: 87,24% Farelo de Girassol: PB: 26,80 NDT: 59,34% Exigência de mantença do animal Kirchof (2004) em Tabelas para Cálculos da Alimentação de Bovinos Leiteiros. Produção: PB → 364 g NDT → 4 kg Mantença: PB → 100 g NDT → 350 kg Ingestão de matéria seca: 3,5% do Peso Vivo (PV). FDN: 1,6% do PV. Exigência total: PB = 364 g + 100 (15) = 364 + 1.500g = 1.864 g ou 1, 87 kg. NDT = 4.000g + 350 g (15) = 4.000 + 5.250 = 9.250 ou 9,25 kg. Ingestão de matéria seca: 3,5% de 480 kg = 16,80 kg Ingestão de FDN = 1,6% de 480 = 7,68. O animal pode ingerir 75% de FDN, ou seja pode ingerir 75% de 7,68 = 5,76 de FDN do alimento volumoso. Assim: 1 – 0,85 0,85x = 5,76 x = 6,78 kg. x – 5,76 x = 5,76 0,85 O animal pode ingerir 16,80 kg e já ingeriu 6,78 kg, assim este ainda pode ingerir (16,80 kg – 6,78) 10,02 kg de alimento concentrado. A silagem de cana-de-açúcar + capim elefante fornece: PB: 5,76% de 6,78 = 0,3905 kg de proteína. NDT: 127,5% de 6,78 = 8,65 kg de energia. Assim ainda falta para a vaca consumir: PB: 1,87 – 0,390 = 1,47 kg de proteína; NDT: 9,25 – 8,65 = 0,6 kg de energia. O animal ainda pode ingerir 10,00 kg de concentrado para tentar suprir a falta de proteína e energia que não é oferecido pela silagem de cana-de-açúcar + capim elefante. Considerando a proteína ainda faltam 1,47, assim: PB: 10 – 100% 10x = 147 x = 14,7% 1,47 – x x = 147 10 Farelo de Milho: 9,11 % de PB. Farelo de Algodão: 26,80 % de PB. FG: 26,80 - = 12,1 + FM: 9,11 - = 5,59 = 17,69% FM = 17,69% – 100 25, 94x = 1.210 x = 68,40% 12,1 – x x = 1.210 17,69 FA: 17,69 % – 100 17,69x = 559 x = 31,60% 5,59 – x x = 559 17,69 Do concentrado que ainda pode ser ingerido: FG: 68,40% de 10 kg = 6,84 kg; FM: 31,60% de 10 kg = 3,16 kg; Quantidade de proteína: FM: 9,11% de 3,16 kg = 0,28 kg Supre 2,11 kg de proteína (0,28 + 1,83 kg) FG: 26,80% de 6,84 kg = 1,83 kg Como a vaca precisa de 1,87 de proteína é a silagem misturada fornece 2,11 kg de proteína, irá suprir bem o animal. Quantidade de energia: FM: 87,24 % de 3,16 kg = 2,75 kg Supre 6,80 kg de energia (2,75 + 4,05) FG: 59,34% de 6,84 kg = 4,05 kg Porém a necessidade energética da vaca é de 9, 25 kg, assim ainda falta 2,45 de energia (9, 25 kg – 6,80 kg). Podemos completar com até 0, 88 litros de óleo que fornecerá mais 1, 98 de energia, assim de 2,45 de energia, ainda irá faltar 0,47 kg (2,45 kg – 1,98 kg). 14,7% Também podemos suplementar os animais com fornecimento de ureia (40 a 50 gramas / 100 kg), sal mineral e enxofre. 5. 5 Necessidade de quantidade de Brachiaria brizantha para o plantel de animais. Consumo diário dos animais: 87 bezerros = 5 kg cada/dia 87 x 05 = 435 kg/dia 46 novilhas = 20 kg cada/dia 46 x 20 = 920 kg/dia 115 vacas = 40 kg cada/dia 115 x 40 = 4.600 kg/dia 3 touro = 50 kg cada/dia 03 x 50 = 150 kg /dia TOTAL DE: 6.105 kg/ dia de volumoso. No Norte de Minas Gerais considera-se 3 meses como sendo “águas”. Acrescenta-se mais 1 mês de suplementação, assim a Brachiaria brizantha precisa permanecer no pasto por 4 meses. Então: 120 dias x 6.105/dia = 732.600 kg ou 732,6 toneladas de Brachiaria brizantha precisam ser plantados para suprir a necessidade de volumoso dos animais por dia em 4 meses. Ainda se considera 20% de perda de pastagem, precisando assim acrescer mais 20% a área de plantio: 20% de 732,6 T = 146,12 732, 6 T + 146,52 = 879,12 T de Brachiaria brizantha que precisa ser produzida. A área plantada de Brachiaria brizantha (considerando densidadede 15 T/hectare) será de: 879,12/15 T = aproximadamente 58 hectares ou 580.000 m 2 de pastagem. 5. 6 Quantidade de silagem de sorgo para o plantel de animais. Consumo diário dos animais: 87 bezerros = 5 kg cada/dia 87 x 05 = 435 kg/dia 46 novilhas = 20 kg cada/dia 46 x 20 = 920 kg/dia 115 vacas = 40 kg cada/dia 115 x 40 = 4.600 kg/dia 3 touro = 50 kg cada/dia 03 x 50 = 150 kg /dia TOTAL DE: 6.105 kg/ dia de volumoso. No Norte de Minas Gerais considera-se 8 meses como época de “seca” e em que os animais precisam de suplementação á coxo, pois não grande oferta de pastagens. Acrescenta- se mais 1 mês de suplementação, assim o silo precisa durar em torno de 9 meses. Então: 270 dias x 6.105/dia = 1.648350 kg ou 1.648,35 toneladas de silagem de sorgo para suprir a necessidade de volumoso dos animais por 9 meses. Ainda se considera 20% de perda de pastagem, precisando assim acrescer mais 20% a área de plantio: 20% de 1.648,35 T = 329,7 1.648,35 T + 329,7 = 1978 T de silagem precisam ser produzida. A área plantada de sorgo (considerando densidade de 40 T/hectare) será de: 1978/40 T = aproximadamente 50 hectares ou 500.000 m 2 de plantação de sorgo. Como na propriedade também irá se produzir metades dos silo de cana-de-açúcar associado a capim elefante, será plantado metade da área de sorgo: 50 hectare/2 = 25 hectares de sorgo. 5. 6. 1 Quantidade de silos de sorgo Produção de silo trincheira: Silo trincheira: 1.000 m 2 ; Comprimento: 30 m; Altura: 2 m; Base menor: 4 m; Base maior: 5 m; Área do silo é = 5 + 4 x 2/2 = 9 m 2 Volume = área x comprimento = 9 x 30 = 270 m2. Assim, 1000 kg – 1m3 x = 270.000 m2 ou 270 toneladas de sorgo. x – 270 A área plantada foi de 25 hectares de sorgo que supre 989 T de volumoso (1.978/2). E 989 T/270 = 3 silos de 270 m 2 e 1 silo de 135 m 2 . A outra parte do volumoso será suprimo com o outro silo (cana-de-açúcar + capim elefante). Espessura de corte do silo por dia será: 1 m 3 – 1.000 kg 1000x = 6.105 x = 61,05 m3 x – 6.105 x = 6.105 61,05 m3 = 9 m2 x C 1.000 C = 61,05 m 3 /9 m 2 = 6,8 metros. Serão retirados do silo 6,8 metros de sorgo por dia que serão devidamente distribuídos entre os animais. 5. 8 Quantidade de silagem de cana-de-açúcar associado a capim elefante para o plantel de animais. Consumo diário dos animais: 87 bezerros = 5 kg cada/dia 87 x 05 = 435 kg/dia 46 novilhas = 20 kg cada/dia 46 x 20 = 920 kg/dia 115 vacas = 40 kg cada/dia 115 x 40 = 4.600 kg/dia 3 touro = 50 kg cada/dia 03 x 50 = 150 kg /dia TOTAL DE: 6.105 kg/ dia de volumoso. No Norte de Minas Gerais considera-se 8 meses como época de “seca” e em que os animais precisam de suplementação á coxo, pois não grande oferta de pastagens. Acrescenta-se mais 1 mês de suplementação, assim o silo precisa durar em torno de 9 meses. Então: 270 dias x 6.105/dia = 1.648350 kg ou 1.648,35 toneladas de silagem de para suprir a necessidade de volumoso dos animais por 9 meses. Ainda se considera 20% de perda de pastagem, precisando assim acrescer mais 20% a área de plantio: 20% de 1.648,35 T = 329,7 1.648,35 T + 329,7 = 1.978 T de silagem precisam ser produzida. A área plantada de cana-de-açúcar (considerando densidade de 100 T/hectare) será de: 1.978/100 T = aproximadamente 20 hectares ou 200.000 m 2 de plantação. Como na propriedade também irá se produzir metades dos silos de sorgo será plantada metade da área: 20 hectare/2 = 10 hectares de cana-de-açúcar. A área plantada de capim elefante (considerando densidade de 120 T/hectare) será de: 1.978/120 T = aproximadamente 16 hectares ou 160.000 m 2 de plantação. Como na propriedade também irá se produzir metades dos silos de sorgo será plantada metade da área: 16 hectare/2 = 8 hectares de capim elefante. 5. 6. 1 Quantidade de silos de cana-de-açúcar associado a capim elefante Produção de silo trincheira: Silo trincheira: 1.000 m 2 ; Comprimento: 30 m; Altura: 2 m; Base menor: 4 m; Base maior: 5 m; Área do silo é = 5 + 4 x 2/2 = 9 m 2 Volume = área x comprimento = 9 x 30 = 270 m2. Assim, 1000 kg – 1m3 x = 270.000 m2 ou 270 toneladas x – 270 A área plantada foi de 10 hectares de cana-de-açúcar + 8 hectares de capim elefante que supre 989 T de volumoso (1.978/2). E 989 T/270 = 3 silos de 270 m 2 e 1 silo de 135 m 2 . A outra parte do volumoso será suprimo com o silo de sorgo. Espessura de corte do silo por dia será : 1 m 3 – 1.000 kg 1000x = 6.105 x = 61,05 m3 x – 6.105 x = 6.105 61,05 m3 = 9 m2 x C 1.000 C = 61,05 m 3 /9 m 2 = 6,8 metros. Serão retirados do silo 6,8 metros de silo por dia que serão devidamente distribuídos entre os animais. No momento da administração das silagens é importante que se misture a quantidade concentrado para suprir necessidades proteicas e energéticas dos animais, assim o animal estará recebendo uma dieta completa. 6 MANEJO REPRODUTIVO DE VACAS GIR LEITEIRAS 6. 1 Práticas de Manejo Reprodutivo de Vacas Gir Leiteiras Diversas são as práticas de manejo dentre elas podemos citar a escolha do plantel (macho e fêmeas), o estabelecimento da estação reprodutiva de novilhas e vacas, manejo diferenciado das primíparas, descartes de animais que não são produtivos, reposição de matrizes, intervalo de partos menor, identificação dos cios corretamente, escolha da monta natural e ou inseminação artificial, controle dos fatores que interferem na concepção, diagnóstico precoce de gestação, uso de técnicas corretas de manejo no período seco, parto e pós-parto estas práticas levaram o produtor a alcançar um eficiente sistema produtivo (FIGUEIRÓ et al., 2007). Uma das metas é evitar o ato de endogamia pelo acasalamento de linhagens geneticamente não relacionadas. O índice de reprodução dos animais em uma propriedade leiteira deve ser elevado, garantindo que atividade produtiva torne-se lucrativa. É indispensável que se alcance a meta de uma parição/ano/vaca, assegurando a lactação, produção de novilhas e tourinhos, garantindo rentabilidade ao produtor. Nas práticas de manejo reprodutivo vários fatores devem ser considerados como a compreensão e experiência do produtor e do técnico sobre a ambiência, a sanidade e se há disponível recursos naturais, técnicos e financeiros necessários para implantar as práticas de manejo, visando uma eficiência reprodutiva com índices bons (JUNIOR et al., 2014). Para que um manejo reprodutivo seja adequado este deve ser baseado em uma observação acurada do que ocorre com o rebanho, sendo convertida de alguma maneira em uma escrita zootécnica mínima, possibilitando uma análise que objetiva índices e medidas para se tomar uma decisão sobre as medidas que serão implantadas na propriedade (JUNIOR et al., 2014). Para alguns proprietários quando se utiliza a monta natural à taxa de prenhez é mais elevada quando comparada a monta natural com a inseminação artificial, isto é em decorrência da falha na detecçãodo cio. Sendo assim quando a ocorre a detecção do cio e a inseminação artificial corretamente o resultado da taxa de prenhez é igual ao da monta natural. A utilização de reprodutores não provados para o acasalamento não é recomendado, podendo ocorrer índice reprodutivos insatisfatórios caso houver problemas reprodutivos. A monta natural tem indicação quando a propriedade não tem pessoas com treinamento específico para fazer a observação e detecção do cio e a inseminação artificial, não dispõe de recursos básicos para a implantação da IA ou quando o ganho genético não é importante (ALVES, 2016). 6. 2 Plantel da Fazenda As fêmeas que irão compor o rebanho devem ser selecionadas antes do início da estação reprodutiva, formando os lotes da propriedade, devem apresentar um bom escore corporal e estarem ciclando normalmente (FIGUEIRÓ et al., 2007). Os machos que serão destinados ao plantel deve passar por uma seleção, observando características tais como: escore corporal, condição orgânica, avaliação da progênie, aprumos e caracteres fenotípicos (FIGUEIRÓ et al., 2007) Deve ser realizada a avaliação do sistema reprodutivo dos animais, por meio da utilização de exames andrológico/ginecológico completo, sendo realizado antes de cada estação reprodutiva, verificando a inexistência de anomalias e processos inflamatórios (FIGUEIRÓ et al., 2007). Assim de acordo com a composição do rebanho o plantel é composto por 115 vacas para a produção de leite, 87 bezerros, 46 novilhas e 3 touros. 6. 2. 1 Desmame e Escolha das Bezerras Em casos de bezerros da raça Gir Leiteiro, o aleitamento deve ser do tipo natural, uma vez que as vacas Gir não descem o leite sem o bezerro ao pé; sendo necessária a presença do bezerro para estimular a descida do leite, o que torna o aleitamento artificial uma prática de difícil execução, pois o bezerro teria de ser levado duas vezes ao dia até a vaca para a realização da ordenha, aumentando assim o custo de mão de obra para esse manejo (GUIMARÃES, 2012). No aleitamento natural, os animais irão mamar diretamente nas vacas no intervalo entre as ordenhas. A quantidade de leite fornecida durante o aleitamento natural apresenta difícil controle, uma vez que o método deixa a critério do ordenhador determinar aos animais o consumo total de leite, tornando na maioria dos casos, um método empírico. Para reduzir esse tipo de problema, deve-se realizar o treinamento da mão de obra, para diminuir o desperdício e a diferença de desempenho, proporcionado assim o bom desenvolvimento dos bezerros (GUIMARÃES, 2012). Os bezerros da raça Gir podem ser desmamados aos 90 dias de idade indo para ordenha apenas para que a vaca desça o leite, não necessitando mais deixar leite residual para eles. Para um bom desempenho, os bezerros irão receber alimentos concentrados e volumosos de boa qualidade e deverá ser servidos à vontade, já a partir da segunda semana de vida, até os quatro meses de idade (GUIMARÃES, 2012). O volumoso deve ser de boa qualidade (de preferência feno de boa qualidade com 12% de PB e 62% de NDT) deve ser fornecido à vontade, a partir da 2ª semana até o quarto mês de idade. Após os quatro meses de idade, durante o período das águas, os bezerros podem ser manejados em pastagem de boa qualidade, recebendo 1,5 kg de concentrado/cabeça/dia até seis meses de idade. Após esse período devem ser manejados exclusivamente em pastagem de boa qualidade (GUIMARÃES, 2012). No período da seca, deverá ser administrado aos animais volumoso de boa qualidade. Após os quatro mês de idade poderá ser fornecido cana com ureia, substituindo a forragem da pastagem. No período da seca, os animais poderão receber 1 a 2 kg de suplemento concentrado, já que a cana + ureia não disponibiliza ganhos de peso suficientes. A suplementação com concentrado deve se alongar durante todo o período de estiagem (GUIMARÃES, 2012). Dos seis aos doze meses, as novilhas deverão ser mantidas somente a pasto, durante o período das águas até o parto, utilizando manejo adequado que permita alta qualidade de forragem e ganho de peso próximo a 600 g/dia (GUIMARÃES, 2012). Durante o período seco, para essa fase de manejo, pode-se utilizar a estratégia do pastejo diferido, que consiste em vedação estratégica de uma área de pastagem no final de janeiro. Nesse sistema, deve ser administrado aos animais o sal proteinado para intensificar a potência da utilização da forragem, propiciando um ganho de 250 g/cab/dia. No sistema de pastejo diferido, devemos trabalhar com uma oferta de forragem duas a três vezes maiores que o consumo do animal, estimulando a seleção da forragem com maior consumo de Matéria Seca (GUIMARÃES, 2012). O sistema de pastejo diferido deve ser trabalhado com uma oferta de forragem (OF) de 7%, pois a forragem é de pior qualidade, quando comparada com o manejo de pastejo rotacionado (OF = 4 a 5%), fato que se deve ao avançado estádio de crescimento (GUIMARÃES, 2012). 6. 2. 2 Escolha das Novilhas Algumas características são desejáveis na avaliação de novilhas para qualificá-las de acordo com sua capacidade reprodutora, tal como o tórax deve ser amplo e profundo, deve apresentar costelas largas e longas, oblíquas e chatas, bem arqueadas, afastadas entre si, sem acúmulo de gordura, o que indica grande capacidade cardiorrespiratória (ABCGIL, 2016). O abdômen do animal deve ser longo, largo, limpo e alto, deve ser volumoso permitindo visualizar a forma de “barril”, indicando grande capacidade digestiva. Uma boa vaca produtora de leite deve ter altura e comprimento compatível com sua idade, animais de tamanho mediano, pois são os mais eficientes em um sistema de produção a pasto (LEÃO et al., 2013). Os flancos (vazio) devem ter pele fina e evidente e apresentar ligeira concavidade. No sistema mamário o úbere deve ser amplo, comprido, largo e profundo, apresentando grande capacidade de armazenagem de leite, volume compatível com a idade e estádio da lactação, fazendo pregas quando vazio. A consistência deve ser macia e elástica (glanduloso) e não fibroso (carnudo), seu piso deve ser nivelado e não ultrapassar a linha do jarrete. Deve apresentar ainda proporcionalidade entre a parte anterior e posterior. Os quartos anteriores devem se apresentar avançados para frente e aderidos ao ventre e os quartos posteriores bem projetados para trás e para cima (LEÃO et al., 2013). O quarto posterior é o responsável por 60% da produção de leite. Deve ser amplo e volumo, com ligamentos fortes e bem aderidos na região inguinal. Já o quarto anterior deve ser amplo e volumoso, com inserção suave no abdômen, possuindo ligamentos fortes e bem aderidos (ABCGIL, 2016). As tetas devem se apresentar íntegras e simétricas, ter comprimento de 5 a 7 cm, diâmetro de ± 3,3 cm, espaçadas entre si, centradas no quarto, verticais e paralelas, perpendiculares ao solo. A vascularização deverá ser bem conformada e com bastante drenagem através de diversas veias aparentes, tortuosas, de preferência ramificadas e penetrando por dois ou mais orifícios, além de possuir, no abdome, veia mamária de grosso calibre. Os membros anteriores deverão ser de tamanho médio com ossatura forte; espáduas compridas e oblíquas, inserindo harmoniosamente ao tórax, o braço e antebraço com musculatura pouco evidente, com joelhos e mãos bem posicionados. O ângulo dos pés deve ser de aproximadamente 45 o (LEÃO et al., 2013). As pernas deverão ser limpas, mas com boa cobertura muscular, não devendo apresentar culote pronunciado, com tendões e ligamentos evidentes. Vistos por trás, os membros posteriores devem ser bem afastados um do outro para dar lugara um úbere volumoso, deve possuir aprumos íntegros, com articulações fortes, angulação correta e jarretes bem posicionados, o ângulo das quartelas nos cascos deve ser de aproximadamente 45 o (LEÃO et al., 2013). 6. 2. 3 Escolha dos Touros Uma das principais características que se associam ao desempenho reprodutivo apresentado pelos machos é o volume testicular, a quantidade de sêmen é determinada em touros que possuem maior volume de testículos. A seleção para perímetro escrotal não traz beneficio direto em termos econômicos e nem para a fertilidade, a qual só pode ser qualificada pelo exame andrológico completo (PEREIRA et al., 2000). O perímetro escrotal apresenta vantagens como fácil e acurada mensuração, elevada herdabilidade e repetibilidade. Touros que apresentam maior volume de testículos tem uma concentração espermática maior no ejaculado, sendo assim produz maior número de dose de sêmen e cobre número elevado de vacas (JÚNIOR, 2009). Para a escolha do touro deve-se avaliar a conformação e capacidade (40%) o animal deve ser bem harmonioso e apresentar equilíbrio entre as partes do corpo, a garupa (15%) deve apresentar aspecto comprido, largo, limpo, bem nivelada e harmoniosa com o lombo, os ossos das pernas e pés (25% devem ser planos e chatos, com estrutura óssea forte, apresentando mobilidade adequada, o ângulo do casco deve ser alto, o talão profundo e os aprumos posteriores devem ser paralelos), o animal deve ter aspecto anguloso, suas costelas devem ser abertas e arqueadas (VERNASCHI, 2016). Após ser feito os critérios de seleção deve-se realizar a avaliação genética dos animais, baseando-se no desempenho do individuo ou de sua progênie, após isso realizar o acasalamento (VERNASCHI, 2016). O teste de progênie é a prova zootécnica mais eficaz para identificar os valores genéticos dos touros e assim pode-se promover o melhoramento genético em rebanhos leiteiros. Este programa foi inserido no Brasil, em 1985 (LEDIC, 1996), com a raça Gir, visando identificar reprodutores com desempenho positivo para produção de leite objetivando assegurar melhoria no nível genético desta população de animais. 6. 3 Estação Reprodutiva de Novilhas Com o uso estratégico de pastagens cultivadas de maior disponibilidade e qualidade durante a estação seca, uma melhor condição nutricional é proporcionada às novilhas que serão enxertadas e também às novilhas de 1ª cria, sendo assim, as novilhas paridas (primíparas) possuem menor desgaste orgânico, favorecendo ao aparecimento do 1° cio fértil e as novilhas a serem enxertadas atingem mais rapidamente a condição corporal desejada (SANTOS, 2016). A estação reprodutiva das novilhas deve ter início e término de 25-45 dias antes que a das vacas, uma vez que as novilhas de 1ª cria apresentam intervalos maiores entre parto e primeiro cio fértil, quando comparado com as vacas, sendo que o tamanho associado a seu peso (desenvolvimento corporal) é mais importante que a idade. A idade à época de maturidade sexual vai depender da raça e da alimentação. Cada raça tem seu peso ideal à primeira concepção e este peso deve ser respeitado, se o criador desejar que este animal atinja seu total desenvolvimento. Mesmo que estas novilhas entrem em cio antes desta condição, elas não devem ser cobertas, pois se corre o risco de não conseguir manter as exigências nutritivas ao seu bom desenvolvimento. Se as novilhas forem acasaladas com bom desenvolvimento corporal e não sofrerem restrição alimentar, durante a gestação e no pós-parto, é possível que elas retornem com cio fértil após 45 dias. Entretanto, a frequência e a intensidade da amamentação poderão atrasar consideravelmente o retorno ao cio fértil (SANTOS, 2016). Fornecer boa alimentação às futuras vacas é uma condição indispensável ao perfeito desenvolvimento e à obtenção de bons resultados. Como as novilhas deverão entrar em reprodução mais cedo que as vacas, na mesma estação reprodutiva, deverão ser trabalhadas em pastos separados. Novilhas de 1ª cria podem rejeitar seus bezerros, o que não é comum, pois a grande maioria aceita e cuida de suas crias. Acontece que isso não se pode prever com antecedência, no entanto, tem-se observado que, quando há intervenção nos partos (parto distorcido) ocorre maior incidência de rejeição ao bezerro, assim como quando do momento do parto (natural), os peões se apoderam do bezerro para curar umbigo, tatuar, aplicar medicamentos, etc. antes mesmo de a vaca limpar o bezerro e este ter mamado o colostro (primeiro leite).Para que isto ocorra com menos frequência, as novilhas devem, assim como as vacas, serem colocadas em pastos maternidade, em ambiente calmo. E o manejo com o bezerro recém-nascido acontecer após o bezerro mamar o colostro (SANTOS, 2016). Muitas novilhas, talvez por estarem com o úbere muito cheio (com muito leite e até mesmo inflamado), sentem dor e não deixa o recém-nascido mamar, assim, o peão deve interferir, prendendo a vaca e colocando o bezerro para mamar nos quatro peitos de forma igual, "esgotando" a vaca logo em seguida. Repetir esta operação tantas vezes quantas forem preciso, até que o bezerro consiga mamar sozinho. A estação reprodutiva de inverno pode ser aconselhada somente para novilhas que não atingiram desenvolvimento para a estação reprodutiva de primavera-verão, e que ficariam "passadas" para a estação seguinte onde o criador pode "ganhar" alguns meses. Isto é uma pode ser prejudicial, uma vez que, desta forma, estaremos criando datas diferentes de manejo, e com isso, aumentando a mão de obra e despadronizando os lotes, etc., o que geralmente não é indicado (SANTOS, 2016). 6. 4 Estação Reprodutiva de Vacas O início da estação reprodutiva é dependente de qual época o produtor deseja que aconteçam os nascimentos e a desmama, já que a gestação leva nove meses e meio, ela pode ter seu início programado por igual período antes da primeira parição. A estação reprodutiva deve-se concentrar nos períodos de melhor fornecimento de alimentos, uma vez que as exigências nutritivas para reprodução são mais altas, sendo assim o nascimento ocorre nos períodos secos onde a ocorrência de doenças é menor. Na estação reprodutiva, com a Inseminação Artificial associada ao repasse com touro, costuma-se utilizar os primeiros 25 ou 45 ou 65 dias apenas com Inseminação Artificial (a fêmea tem condições de apresentar 1, 2 ou 3 cios) (SANTOS, 2016). A redução do período reprodutivo deve ser feita de forma gradual, eliminando-se, a cada ano, de 1 a 2 meses até atingir-se a duração ideal, variando de propriedade para propriedade. Com uma "pressão de seleção" maior (eliminação de animais pelos mais variados motivos) pode-se melhorar esse tempo, sem ocorrer perdas, pois uma vez com o valor econômico do descarte, adquirir (fazer a reposição) novas matrizes (novilhas, vacas paridas e/ou prenhes), normalmente quando a estação reprodutiva é muito longa, isto nos indica que não só este fator deve ser corrigido, na determinada propriedade, pois sempre está associado a várias outras formas de manejo não se encontram adequadas. Mesmo com a redução do intervalo entre partos, estaríamos fazendo uma seleção negativa para fertilidade, além do que, os nascimentos resultantes da chamada "estação de inverno" ocorreriam na estação das águas, o que não é aconselhável, e, as práticas de manejo se estenderiam ainda por longo período no ano (SANTOS, 2016). A implantação da técnica de Inseminação Artificial em fazendas sem estação reprodutiva definida pode ser feita de forma rápida através da seleção de matrizes e formação dos lotes, pastos reservados, treinamento de mão-de-obra (formaçãode pessoas capacitadas a realizar inseminação) e aquisição de materiais. As demais condições, a grande maioria das propriedades possui, mas não devemos esquecer que cabe ao Veterinário (após observar e analisar a propriedade como um todo) a palavra técnica final, assumir assim posição decisiva para o sucesso ou o fracasso da implantação da técnica de I.A. 6. 4. 1 Descarte de Vacas e Reposição de Matrizes 6. 4. 1. 1 Idade O descarte pela idade geralmente atinge matrizes normalmente acima dos 10 anos, pois as mesmas passam a desmamar bezerros mais leves, e também possuem maior dificuldade de emprenhar. Considerando-se quatro anos a idade média para a primeira cria, e o descarte com 10 anos de idade, a vaca deixa, em média, de 4 a 5 crias. É uma produção que muito pode ser melhorada se reduzir a idade à primeira cria e o intervalo entre partos (MILLEN, 1988). A seleção para reposição de novilhas deverá anteceder ao período reprodutivo, com base no seu fenótipo (aparência externa), mérito genético (genótipo) e seu desenvolvimento corporal (idade e condição corporal). Em situações normais, é recomendável que a cada ano, sejam substituídas cerca de 15 a 20% das matrizes, com a finalidade de obter apenas matrizes jovens e de idade média, até no máximo 8-9 anos (com vida reprodutiva de 4-6 anos). O abate indiscriminado de fêmeas, geralmente devido a problemas econômicos em determinadas épocas, faz com que acarrete em falta de exemplares para a reposição após essa época. Sempre existirão fazendas em que as condições de solo e pastagens não permitem outro tipo de exploração, que não seja a de cria. Portanto, sempre haverá reposição, até mesmo porque, com o abate indiscriminado, muitos criadores se dedicam mais à cria visando o mercado futuro. 6. 4. 1. 2 Problemas de Infertilidade Entende-se por infertilidade pelo ato de não concepção e está diretamente associada a diversos fatores, como a repetição de cios (mesmo quando inseminadas pela técnica correta, ocorre o retorno do cio), anestros prolongados (pós-parto, desequilíbrio nutricional, metrite, etc.), defeitos congênitos (genéticos), infecções genitais, uso impróprio de medicamentos, estresse, etc., sendo que na maioria dos casos a causa principal é o desequilíbrio nutricional ou a restrição alimentar (MILLEN, 1988). A estes fatores negativos também estão associados os abortos que podem ocorrer por diversas causas, como por exemplo, os agentes infecciosos, fetos que apresentam defeitos genéticos, mumificados ou macerados, toxinas, estresse, uso impróprio de medicamentos, desequilíbrios nutricionais, manejos inadequados (transportes), acidentes traumáticos (porteiras de mangueiros, quando dos apartes e até mesmo os provocados, etc.). Definir o diagnóstico da causa do aborto é essencial para determinar o destino da matriz e as medidas profiláticas que serão tomadas no rebanho, sempre que houver necessidade de prevenção. As vacas vazias (após terem sido inseminadas ou cobertas) ao "toque" (diagnóstico de gestação) ou as de baixa produtividade, após a estação reprodutiva, devem ser descartadas, a fim de, com isso, fazermos a pressão de seleção por fertilidade e habilidade materna, isto normalmente ocorre no início do período seco. Embora tendo como principal fator da baixa fertilidade, o fator nutricional, não está diretamente relacionado ao descarte, mas sim, à fertilidade (MILLEN, 1988). 6. 4. 1. 3 Habilidade Materna A habilidade materna (capacidade de criar bezerros sadios e desmamá-los pesados), embora muitas vezes não levadas em consideração, traz prejuízos de enorme monta. Matrizes que não desmamam bezerros pesados são ditas sem habilidade materna, não sendo consideradas boas mães. Os motivos geralmente são: por defeitos de úbere como o de possuir peitos muito grossos (onde o recém-nascido tem dificuldade de sugar no momento da amamentação); ou peitos secos, entre inúmeras causas; não produzir leite suficiente; além da natural diminuição de produção de leite quando a vaca esta com idade avançada; mães as que rejeitam sua seus bezerros, dentre outras causas. Figura 09: Matrizes Gir Leiteiro Fonte: http://www.acgz.com.br/secao_racas.php?pagina=5. 6. 5 Intervalo Entre Partos Intervalo de partos é um dos parâmetros muito importantes de caráter métrico relevante na avaliação do comportamento reprodutivo de um rebanho, sendo resultante da ação das características herdadas pelo animal em conjunto com o meio (CAMPOS, 2011). Observa-se que, na raça Gir à semelhança da idade ao primeiro parto, é relativamente alto (16 meses), uma vez que o ideal seria entre 12 e13 meses. No entanto, verifica-se que a média do intervalo aumenta apenas dois dias (de 16,1 para 16,2 meses) quando se consideram os rebanhos de maiores propriedades e com maior escala de produção. Ainda que essas médias para intervalos de partos sejam consideradas altas, é de suma importância observar que o aumento da produção de leite (de 2.599 para 3.930 kg) não foi ocasionado por um grande aumento no intervalo de partos, como alguns criadores constantemente argumentam. Isso significa que é possível, à semelhança da idade ao primeiro parto, reduzir o intervalo de partos sem que interfira na produção de leite (MARTINEZZ et al., 2000). É dependente ás práticas de manejo como, por exemplo, nos quesitos nutricionais, reprodutivos, profilático-sanitários e de fatores tanto patológicos quanto fisiológicos (CAMPOS, 2011). O episódio de intervalos de partos curtos irá contribuir para maiores ganhos genéticos por propiciarem maior vida útil e, consequentemente, maior intensidade seletiva, bem como, menores intervalos entre gerações (CAMPOS, 2011). Tabela 12: Número de observações (N), médias ± desvios padrão (x ± s), envolvendo intervalos entre partos na raça bovina Gir, segundo diferentes autores. 6. 6 Identificação de Cio O cio é o período em que a vaca ou a novilha aceita a monta ou cobrição. A cada 21 dias esse período ocorre nos animais que não estão prenhes. Pode durar de 10 a 30 horas, dependendo de fatores como raça, presença de doenças, temperatura e manejo (CAMARGO, 2001). A detecção de cio é feita através da observação de cio, sendo que as próprias vacas são usadas como referências. Detectadas, exames ginecológicos são realizados, quando possível, pelo veterinário responsável pela propriedade. Caso não seja possível a realização de exame ginecológico antes da inseminação, está é feita por um funcionário responsável e após 25 dias é feito exame ginecológico para verificar se ocorreu a prenhez. É de suma importância que se conheça os sinais do cio para obtenção de uma boa eficiência na identificação. A principal característica do cio é quando a fêmea aceita a monta de um touro ou de outra vaca do rebanho. Além deste outros sinais existem para auxiliar na detecção do cio, sendo chamados de sinais secundários. Geralmente os animais no período do cio ficam mais agitados, procuram outra vaca, mugindo ou lambendo e cheirando outros animais do rebanho com frequência. Tentam montar em outras animais que podem ou não estar no cio. Os animais em cio podem apresentar perda de pêlos próximo a inserção da cauda, sendo provocado pela monta de outro animal. Durante o cio ocorre a presença de muco na vulva ou muco seco grudado no períneo e cauda. A vulva fica avermelhada e edemaciada além do normal. Queda na produção de leite e diminuição do apetite pode ocorrer no dia do cio (CAMARGO, 2001). Os rufiões com burçal marcador é um dos métodos mais utilizados, estes são machos que passaram pelo processode cirurgia preparados para a prevenção da liberação do dos espermatozoides ou a cópula. Também podem ser utilizadas novilhas que foram tratadas com testosterona e vacas com ovários císticos ou tratadas com testosterona. O buçal marcador é reservatório com corante ligado a um cabresto, no qual um mecanismo com uma esfera facilita a saída da tinta pela pressão no dorso da vaca montada (BONATO, 2012). A falha na detecção do estro contribui para o aumento do IPC (intervalo partoconcepção) e como consequência para o aumento do IEP (intervalo entre partos). Propriedades que tenham deficiência na detecção do estro devem melhorar o manejo, fazendo observações duas vezes ao dia, usando rufiões ou fêmeas androgenizadas, e também através de programas de sincronização (LEITE et al., 2001). 6. 7 Programa de Inseminação É um processo de reprodução em que o sêmen do touro é colocado pelo médico veterinário no útero da vaca, no momento certo, usando aparelhos especiais, visando à fecundação. (EMATER, 2001). A inseminação artificial é feita entre 24 e 36 meses de idade para novilhas Gir, levando em consideração se estão ou não apitas para serem inseminadas, e após 25 dias é necessária uma nova visita para que seja feita exames como o uso do ultrassom para analisar se a inseminação foi realizada com sucesso, caso não tenha ocorrido deve se instalar um novo protocolo de inseminação artificial no animal. Falhas reprodutivas, idade avançada dos animais e principalmente a baixa produção de leite são os critérios básicos para o descarte das fêmeas adultas (CAMPOS, 2011). Como processo de inclusão para o processo de inseminação artificial deve-se observar e optar por vacas bem nutridas, saudáveis, sem problemas de reprodução e bem manejadas na realização da inseminação artificial, deve-se tomar o máximo cuidado com a higiene, evitando assim contaminação e a possibilidade de transmissão de doenças sexualmente transmissíveis, infeciosas entre outras para os animais da propriedade. (EMATER, 2001). Quando o cio da vaca aparece pela manhã, deve-se inseminá-la à tarde e quando o cio é notado á tarde, deve-se inseminar a vaca na manhã do dia seguinte. O momento ideal para realização da inseminação artificial é no final do cio, ou quando ela começa a não aceitar a monta do rufião ou da companheira. O processo de inseminação artificial pode ser feita em tronco coberto, estábulo ou sala de ordenha. (EMATER, 2001). Como vantagem a inseminação artificial melhora o aproveitamento dos bons reprodutores, melhora os índices de fertilidade, possibilita o melhoramento do rebanho em curto prazo, possibilita o melhoramento do rebanho em curto prazo, permite relativo investimento em relação a aquisição de um bom reprodutor, possibilita o uso de sêmen dos melhores touros, economia na manutenção do rebanho pela menor necessidade de touros na propriedade e fornecer alternativas de cruzamentos. Como limitações podem-se citar principalmente a necessidade de pessoal habilitado e custos com técnico capacitado, tanto para realização da inseminação como para realização dos exames ginecológicos. 6. 8 Taxa de Concepção Após o útero involuído e garantido o cio antes de 90 dias pós-parto, e esse sendo devidamente identificada, a meta passa a ser a obtenção de uma boa taxa de concepção, o que vai depender de vários aspectos como a correta aplicação da técnica da inseminação artificial (horário da IA, em função do início do cio, sêmen de boa qualidade e perícia do inseminador). 6. 9 Diagnósticos Gestacional O primeiro passo para se implantar o manejo reprodutivo em um rebanho leiteiro é a identificação de fêmeas gestantes ou não na propriedade. Após a identificação separam-se as vacas gestantes e começa a conhecer o rebanho em termos reprodutivos. Existem vários métodos para diagnosticar vacas gestante em bovinos raça Gir como: palpação retal, ultrassonografia, Doppler, dosagem de p4 e etc, (FERREIRA, 2010). Sendo mais comum no caso do rebanho Gir especializado, o uso da palpação retal e ultrassonografia. No nono dias de gestação é possível identificar a vesícula embrionária por ultrassom, chegando a 100% após o 25º dia de gestação, sendo assim o diagnóstico com maior eficiência deve ser realizado no 26º dia. Aos 42 dias, pode ser visualizados os placentomas, e aos 57 dias, o feto esta bem formado e definido (FERREIRA, 2010). 6. 10 Período de Secagem das Vacas O período de secagem das vacas compreende os dois últimos meses de gestação, é de suma importância esse tipo de dado, uma vez que se deve adotar de práticas especiais, com a finalidade de proporcionar boas condições de parição e proteção a saúde da futura cria. Nesse período a vaca deve realizar o desenvolvimento de 2/3 do feto e a recuperação de reservas nutricionais para um próximo parto e a nova lactação. A secagem da vaca deverá ocorrer pelo menos 60 dias antes do parto, independentemente da produção, pois deverá promover o descanso do úbere, fato necessário para intensificar a regeneração e formação de alvéolos (unidades secretoras do leite), preparando-os para a nova lactação. Os animais deverão ser conduzidos para o piquete-maternidade, no mínimo 15 dias antes do parto, com o intuito de facilitar uma possível intervenção no parto e também auxiliar nos cuidados com o recém-nascido. O piquete-maternidade deve ser limpo, drenado, de fácil acesso e observação, de preferência próxima ao estábulo, com disponibilidade de água e sal mineral. 6. 11 Parto A representatividade do parto para o produtor significa o início de uma nova lactação e o nascimento de mais animais para constituir o plantel. A expulsão do feto ocorre de uma a três horas e vai do início do rompimento da bolsa até a saída completa do feto. Nas primíparas pode durar de quatro a seis horas. Deverá ser feito um acompanhamento do parto fazendo as anotações em fichas, indicando a data, sexo e peso do bezerro, nome do pai e da mãe, condição corporal da vaca (escore) logo após o parto. Vacas que ocorreram parto distócico ou traumático e que apresente rompimento dos lábios vulvares deverão ser tratadas imediatamente após o parto, pelo médico veterinário, uma vez que há a necessidade de evitar a proliferação bacteriana que possa levar a uma infecção. 6. 11. 1 Problemas Durante o Parto Entre vários problemas no parto como distorcias, retenção de placenta, feto em posição incorreta no útero, entre outros, vemos a necessidade de manejo diferenciado em vacas prenhes (CAMPOS e MIRANDA, 2012). Problemas nutricionais também são muito comuns em vacas condicionadas em propriedades de grande produção, sendo assim é necessário um reajuste no oferecimento de nutrientes a esses animais, o teor de proteína da dieta (volumoso mais concentrado) da vaca nesse período não deve ser inferior a 14% na base da matéria seca (MS). Procurando evitar que a vaca esteja muito gorda, pois há riscos de problemas no parto. Assim, de 20 a 30 dias antes do parto, as vacas devem ser conduzidas ao pasto ou ao piquete maternidade, que deve estar seco, limpo e localizado próximo às instalações principais, para permitir alimentação diferenciada, observações frequentes e assistência, caso ocorra algum problema por ocasião do parto (CAMPOS e MIRANDA, 2012). A recomendação geral é que durante os primeiros 6 meses de gestação, vacas gordas podem perder peso, vacas em bom estado corporal devem manter o peso e vacas magras devem ganhar peso. Durante o último terço da gestação, todas as vacas devem ganhar em torno de 600 g a 800 g por dia, mesmo que seja necessário fornecer-lhes alimentação suplementar ao volumoso, buscando esses índicese com manejo profilático correto, irá diminuir as chances de problemas recorrentes durante o parto (CAMPOS e MIRANDA, 2012). 6. 11. 2 Involução Uterina A involução uterina envolve contração física, necrose e liberação das carúnculas, regeneração do endométrio e eliminação bacteriana. A involução uterina se dá em escala logarítmica com a principal mudança ocorrendo durante os primeiros dias do pós-parto. Tem a duração de cerca de 30 a 60 dias em taurinos e 100 a 120 dias em zebuínos (MORAES, 2014). 6. 12 Restabelecimento do Cio Pós – Parto e Nova Inseminação O puerpério é o período que ocorre após o parto e persiste até o restabelecimento da condição normal de uma fêmea não prenhe. Caracteriza-se pela ocorrência de alterações fisiológicas no útero para prepará-lo para o recebimento de uma nova gestação. Esse período abrange uma fase de inatividade ovariana e sexual previamente ao retorno à ciclicidade. É variável e pode ser afetado por fatores tais como: 1- produção leiteira, 2 - amamentação, 3 - nutrição, 4 - escore de condição corporal (ECC) e 5 - condições uterinas (3). O retorno à ciclicidade pode ser tardio em decorrência do balanço energético negativo (BEN), retenção de placenta, infecções uterinas e distorcias. Esse fato afeta a taxa de concepção e consequentemente o intervalo entre partos (MORAES, 2014). O monitoramento do estado de saúde da vaca, perda de condição corporal, além do tratamento de distúrbios tanto infecciosos quanto metabólicos no início da lactação podem auxiliar no controle dos distúrbios de fertilidade no período do pós-parto. Além do mais, o manejo nutricional é importante para reduzir a incidência de retenção de placenta, o que por sua vez é um fator de risco para a metrite. É de extrema valia o correto manejo alimentar no pré-parto para manutenção de boa condição corpórea ao parto, idealizando-se que sejam mantidos escores entre 3,25 a 3,5 no parto (escala de 1 a 5) com perda de menos de 0,5 unidade de escore corporal no pós-parto. Isso irá prevenir o BEN prolongado e a ocorrência de enfermidades metabólicas. A alta eficiência reprodutiva é dependente da involução uterina (dentro de 50 dias pós-parto), volta à ciclicidade, eficiência na detecção do estro e altas taxas de concepção/serviço (MORAES, 2014). A reduzida eficiência reprodutiva pode diminuir a rentabilidade, aumentar os dias em aberto, intervalo entre partos, número de serviços/concepção, gastos com a reposição de animais e mão de obra especializada. Para maiores ganhos econômicos, objetiva-se que a concepção ocorra antes dos 60 dias pós-parto ou ainda dentro dos primeiros 85 dias pós-parto para idealizar-se o intervalo entre partos de 12 meses. Causas fisiológicas, de manejo e o próprio sistema de exploração podem interferir nesse objetivo (MORAES, 2014). 6. 13 Eficiência Reprodutiva A eficiência reprodutiva é mais influenciada pelo meio ambiente do que pela herança genética, pois é de baixa herdabilidade como a maioria das características reprodutivas. Sendo assim, as fêmeas que possuírem baixa eficiência reprodutiva não deverão ser mantidas no quadro de cria. Uma eficiência reprodutiva deve ser associada a diversas formas de manejo como uma estação de monta de curta duração, a fim de que o período de maior requerimento nutricional, que é a lactação, coincida com o de maior oferta de alimentos onde as exigências nutritivas são maiores, dessa maneira, as demais atividades de manejo poderão ser aplicadas nas épocas certas. A eficiência reprodutiva (ER) é medida pelo número de bezerros desmamados por ano, em relação ao número de fêmeas em idade de reprodução. E.R. = n° bezerros desmamados / fêmea / ano. Em casos de criações extensivas, devemos estabelecer índices superiores a uma média de 85% de eficiência reprodutiva embora a média em criações extensivas seja bem menor. A taxa de não retorno ao cio (prenhez ao primeiro serviço), para ser considerada boa, deve ficar acima de 75% (a média está em torno de 65-70%). O índice de serviço/concepção (inseminadas e prenhas) pode ficar abaixo de 1,5/1,7 dose por prenhes (a média está em torno de 1,8-2,2). É calculado dividindo o número de doses utilizadas pelo número de vacas prenhas. 7 MANEJO PROFILÁTICO DO REBANHO LEITEIRO O manejo sanitário tem como intenção a prevenção de doenças e o bem-estar animal, assim otimizado a produção e reprodução. Na maioria das vezes a prevenção é o meio mais econômico do que o tratamento. As medidas de higiene e profilaxia sanitária (limpeza e higienização das instalações zootécnicas, desinfecção umbilical do recém-nascido, ingestão precoce de colostro) e quando se pretende manter os animais aptos a resistir à ação dos patógenos, são utilizadas as medidas de profilaxia médica (vacinação, vermifugação e banhos carrapaticidas). O manejo sanitário deve ser realizado considerando as ocorrências das doenças no rebanho. Somente com os dados anteriores é que se pode analisar e tomar iniciativas para suprimir ou implementar medidas a fim de evitar que os animais venham a contrair doenças que possam prejudicar a produção leiteira (DANTAS et al., 2010). 7. 1 Cuidados com o Bezerro Os cuidados com os bezerros devem começar ainda na fase de gestação, principalmente no aspecto nutricional, as deficiências de energias minerais e vitaminas são consideradas as mais importantes (CAMPOS et al., 2012). Nas primeiras semanas de vida, os bezerros necessitam de maiores cuidados e proteção, devido a sua elevada susceptividade as infecções (OLIVEIRA, 2012). Logo após o nascimento deve-se remover as membranas fetais e os mucos do nariz e da boca quando necessário. A vaca costuma a lamber o bezerro, ajudando a secar o pelo e estimular a circulação e respiração (CAMPOS et al., 2012). Em vacas primíparas ou com baixa capacidade materna, este instinto pode não ocorrer, neste caso é necessário o auxílio humano para desobstruir as vias respiratórias (SOUSA, 2014). O manejo desses animais deve ser orientado, com finalidade de diminuir a profilaxia de todas as doenças de ocorrência comum no rebanho. Os cuidados básicos poderão contribuir para redução da morbidade, da mortalidade e de usos de medicamentos (OLIVEIRA, 2012). 7. 1. 1 Colostragem No colostro bovino é encontrado três importantes imunoglobulinas: IgG, IgM e IgA. A principal imunoglobulina presente no colostro e em maior quantidade (90%), é a IgG, responsável pela imunidade sistêmica do organismo do animal (SALLES, 2011). É necessário o bezerro mamar o colostro o quanto antes, até 6 horas após o nascimento, porque a quantidade de imunoglobulinas diminui no leite conforme a vaca vai sendo ordenhada. E também devido ao fato da absorção de imunoglobulinas no intestino do bezerro também diminuir com o passar do tempo (SALLES, 2011). A placenta da vaca não permite a passagem de anticorpos da mãe para o feto. Dessa maneira os bezerros são totalmente dependentes do consumo de colostro para adquirir imunidade (imunidade passiva) até que seu organismo comece a produzir seus próprios anticorpos (imunidade ativa). As imunoglobulinas são responsáveis pela imunização do organismo, ou seja, realizam a defesa do organismo. O bezerro começa a produzir seus próprios anticorpos depois de duas a três semanas de vida (SALLES, 2011).. 7. 1. 1. 1 Colostragem Artificial O fornecimento artificial de colostro pode ser considerado um eficiente processo, uma vez que é um método prático, de fácil aplicação e pouco oneroso. Quando realizado de maneira correta o aleitamento artificial do colostro também proporciona níveis adequados de imunoglobulinas ao bezerro neonato.A criação de um “banco de colostro”, que significa a estocagem do colostro que sobra produzido pelas vacas leiteiras, podendo ser uma alternativa às propriedades que enfrentam altos índices de mortalidade de bezerros (FILHO, 2010). 7. 1. 2 Cura de Umbigo A cura de umbigo deve ser feita o mais rápido possível após o nascimento do bezerro com solução de iodo 7%. Deve-se realizar a imersão duas vezes ao dia, durante cinco dias consecutivos ou até que o coto umbilical esteja complemente seco. O iodo deve ser aplicado sob a forma de imersão permitindo a entrada da solução no coto umbilical, recomenda-se a utilização de aplicadores sem retorno. Não são recomendas outras soluções para cura do umbigo, por não conseguir de fato desidratar o coto umbilical. O coto umbilical é a principal porta de entrada de microrganismos causadores de doenças no recém-nascido. A cura do umbigo é importante para proteger contra a entrada de microrganismos (MACHADO et al., 2014). O local do nascimento e da criação das bezerras nos primeiros dias de vida é muito importante para o controle das infecções umbilicais, este local deve ser limpo e seco para que o umbigo não esteja exposto às contaminações do ambiente (MACHADO et al., 2014). Figura 10: Cura de umbigo com iodo 7 – 10%. Fonte: http://www.fazendacabeceiradoprata.com.br/blog/page/45/ 7. 1. 3 Triagem para Tristeza Parasitária Bovina (TPB) A Tristeza Parasitária Bovina afeta a produção tanto de carne como de leite (KIKUGAWA, 2009). O carrapato Rhipicephalus (Boophilus) microplus transmite para o bovino dois protozoários a Babesia bovis e Babesia bigemina, responsável pela doença denominada babesiose, e uma rickettsias, a Anaplasma marginale, que causa a anaplasmose, do qual esta pode ainda ser transmitida mecanicamente por dípteros hematófagos como a Stomoxys calcitrans, tabanídeos, culicídeos e fômites. A babesiose e a anaplasmose em bovinos é conhecida popularmente como tristeza parasitária bovina (TPB), que se manifesta clinicamente por febre, anemia, hemoglobinúria, icterícia, falta de apetite, prostração e pelo arrepiado, determinando alta mortalidade em rebanhos sensíveis (MANICA, 2013). A anaplasmose também pode ser transmitida mecanicamente por meio de agulhas infectadas instrumentos de castração e descorna e por transfusão sanguínea. As raças zebuínas como o Gir Leiteiro também são tão susceptíveis à TPB quanto às raças europeias, entretanto os zebuínos são menos afetados, devido a sua resistência a infestações maciças por carrapatos (KIKUGAWA, 2009). A maior taxa de manifestação da doença ocorre nos animais entre seis a doze meses de idade, principalmente em animais que não tiveram uma boa colostragem ou tiveram algum outro processo infeccioso que o enfraqueceu. É incomum a ocorrência de infecção nos animais com mais de cinco anos de idade (IKUGAWA, 2009). A triagem pode ser feita através de exame clínico simples com aferição de temperatura, sendo em bezerros temperaturas acima de 39,5°, associadas a mucosas claras, fraqueza e diminuição da lactação pode ser um indicativo. O exame direto de esfregaços sanguíneos colhidos de ponta de orelha é o principal método diagnóstico empregado, pois além da praticidade é o método que apresenta o mais baixo custo, podendo ser realizados nas próprias propriedades pelo veterinário caso possua material necessário (microscópio, agulhas, laminas e corante pelo método Panótico rápido (BARROS, 2009). O tratamento é feito com aceturato de diminazeno, dipropionato de imidocarb e antibióticos (tetraciclina ou oxitetraciclina) (ALMEIDA, 2011). Figura 11: Rhipicephalus (Boophilus) microplus: vetor dos patógenos responsáveis pela TPB. Fonte: http://parasitipedia.net/index.php?option=com_content&view=article&id=2543&Itemid=281 9. 7. 1. 4 Manejo de Aleitamento Para bezerros da raça Gir Leiteiro, o aleitamento deve ser o natural, pois as vacas Gir não descem o leite sem o bezerro ao pé necessitando da presença do bezerro para estimular a descida do leite, tornando o aleitamento artificial difícil, pois o bezerro teria de ser levado duas vezes ao dia até a vaca para a realização da ordenha, aumentando o custo de mão de obra para esse manejo. Assim, os bezerros mamam diretamente nas vacas no intervalo entre as ordenhas. Figura 12: Bezerro Gir em aleitamento natural. Fonte: http://m.milkpoint.com.br/mypoint/mobile/fotos.aspx?pg=11 7. 1. 5 Diarreias Uma doença comum que acomete os bezerros nesta fase é a diarreia. O animal com diarreia se caracteriza por apresentar fezes líquidas. O principal efeito desta enfermidade é a desidratação que normalmente é a causa principal da morte. Nesse caso, é realizada a fluidoterapia oral por sonda nasogástrica ou mamadeira. Para a fluidoterapia calcule-se a quantidade de fluido necessário (reposição: % de desidratação x peso corporal; manutenção: 50 ml/kg/dia e perdas futuras: 50 a 100 ml/kg/dia) e retira-se a quantidade de leite que este já ingere. O soro oral é feito a base de 5g de NaCl, 1 g de cloreto de potássio, 4g de bicarbonato de sódio e 20 g de glicose de milho para cada 1 litro de água fresca e de boa qualidade. O animal que apresenta a doença fica apático, não se alimenta de forma adequada, muitas vezes apresenta respiração acelerada e vai aos poucos apresentando sinais de desidratação como pele seca e olhos fundos, e por fim as extremidades apresentam baixas temperaturas, seguido de morte. A diarreia pode ser de causa nutricional, quando os animais não estão habituados com certo tipo de alimentação, por exemplo, quando há troca de concentrado ou quando a água ou alimento está contaminado por fungos ou outros micro- organismos (RECK, 2009). 7. 1. 6 Pneumonias Pneumonia é doença mais comum das vias respiratórias. Vários são os fatores que predispõe os animais às pneumonias. Entre os mais conhecidos estão o stress, a condição local dos mecanismos imunológicos de defesa, animais que tiveram mal colostragem ou que apresentam alguma imunossupressão. Fatores como ambientes sujos e húmidos e aglomeração de animais também contribuem para o desenvolvimento da patologia. O tratamento vai depender da causa e etiologia da doença. Para as pneumonias de origem viral, como as causadas por IBR, BVD, PI3 e Vírus Respiratório Sincicial Bovino (BRSV), são utilizados a vacinação do rebanho como medida preventiva. Quando infecções bacterianas que ocorrem na maioria das vezes de forma secundária ao vírus. o uso de antibióticos é de extrema importância, sendo os mais eficazes as penicilinas, sulfas e quinolonas. Em casos mais graves e com comprometimento do estado geral do animal, devemos fazer um tratamento auxiliar com a utilização de soros, antipiréticos e anti- inflamatórios (FERREIRA et al., 2008). 7. 2 Cuidados com as Novilhas e Vacas Medidas higiênico-sanitárias em vacas e novilhas devem ser monitoradas quanto ao aparecimento de doenças e recebimento de tratamento correto quando patologias forem identificadas. É importante que se empregue protocolos de vacinação para garantir que novilhas cheguem saldáveis na idade de iniciar a vida reprodutiva e que as vacas mantenham sua vida reprodutiva sendo que as vacinas antes do parto garantirão a passagem de anticorpos importantes para o bezerro durante a colostragem. 7. 3 Controle de Mastite A mastite constitui-se na enfermidade mais comum em vacas leiteiras, o que acarreta prejuízos significativos ao produtor. Nas suas principais formas de apresentação, clínica e subclínica, a doença é causada por uma grande diversidade de microrganismos. Paraa prevenção da mastite deve-se seguir o “Programa dos seis pontos de controle da mastite” com o objetivo de diminuir e prevenir a ocorrência de mastites nos rebanhos, além de determinar menos gastos com prevenção em relação aos gastos com tratamentos (MELO, 2010). O primeiro ponto sugere uma correta rotina de ordenha com realização de pré-dipping que incluem teste da caneca preta e limpeza e desinfecção dos tetos e pós-dipping, que no caso das vacas Gir não é feito com os tetos em imersão em iodo, pois após a ordenha o bezerro mama o leite residual e realiza a limpeza, além de promover a fechadura do orifício do teto (DANTAS et al., 2010). O segundo ponto sugere o tratamento dos animais com mastites clínicas evitando que essas permaneçam como foco contaminante para outros animais, criando também linhas de ordenha, onde animais identificados com mastites clínicas e subclínicas passem a ser ordenhados após os animais sadios (DANTAS et al., 2010). O terceiro ponto indica a utilização de antibióticos e secagem em todos os animais doentes para que estes não permaneçam com elevação alta de CSS (DANTAS et al., 2010). O quarto ponto indica a limpeza, manutenção e adequando funcionamento dos equipamentos de ordenha, que juntamente como a mão do tratador, são a principal causa de contagio entre os animais sadios e doentes, além do material de ordenha defeituoso causar injurias nos tetos, predispondo a infecções (DANTAS et al., 2010). O quinto ponto indica fazer a identificação, segregação e descarte de vacas cronicamente infectadas, principalmente os animais com casos de mastites recorrentes ou que se mantem com CSS alta após tratamentos. Sendo o descarte de animais um grande prejuízo para o produtor (DANTAS et al., 2010). E o sexto ponto que sugere um manejo adequado do ambiente de permanência dos animais, para evitar os casos de mastites ambientais que resultam, na maioria das vezes, na mastite clínica, que leva o animal ao estado de doença, gerando maiores perdas e custos (DANTAS et al., 2010). 7. 4 Prevenção de Problemas Podais Deve-se evitar a acidose para não levar os animais a quadros de laminite. Realizar no mínimo dois casqueamentos por ano dos animais (1º no final da lactação e 2º quarto mês de gestação), fazer o ajuste do piso das instalações, higienizar locais de permanência dos animais com remoção de fezes e umidade. Usar de pé de lúvio com solução de sulfato de cobre ou formaldeído de 5 a 10% que deve ser trocada a cada 400 passadas (DANTAS et al., 2010). 7. 5 Prevenção de Problemas Reprodutivos Algumas perdas devido a aborto são esperadas, porém o máximo aceitável é de 3%. As perdas devido às doenças da reprodução são representativas e merecem atenção. O controle só é alcançado por meio de um programa sanitário preventivo como vacinação de animais conta brucelose e IBR. Doenças como neosporose, apesar de não comum, devem ser levadas em consideração principalmente quando se fizer aquisição de touros. Deve-se controlar possíveis casos de leptospirose, pois a patologia também leva as vacas a abortarem e contaminarem pastos e rios. 7. 6 Controle Geral de Verminoses As medidas de controle a serem implementadas, baseiam-se no conhecimento da complexidade que envolve os parasitas nas diferentes fases evolutivas, devendo levar cinco consideração à fase de vida livre na pastagem e fase de vida parasitária no animal. O controle da fase de livre dos vermes é difícil e trabalhoso, pois estes podem estar amplamente distribuídos nas pastagens, assim o ideal é se fazer o controle na fase de vida parasitária com a aplicação de vermífugos (DANTAS et al., 2010). É importante haver variância nos antiparasitários utilizados para não predispor os vermes a adquirirem resistência aos medicamentos. 7. 7 Controle Geral de Ectoparasitas: Carrapatos Devem-se controlar os carrapatos, quando em maior incidência, com pulverização individual, procurando-se mudar a base do produto a cada ano. Eliminar totalmente a presença de carrapatos não é ideal, pois é interessante que os bezerros, principalmente quando ainda estão imunizados pelos anticorpos da mãe tenham contato com possíveis parasitas causadores da TPB. Assim, estes já poderão desenvolver imunidade ativa, evitando o aparecimento do quadro da doença. Normalmente rebanhos zebuínos como animais da raça Gir não tem grandes problemas com carrapatos devido as suas características de maior resistência, porém o controle sempre se faz necessário para evitar grandes populações de carrapatos. 7. 8 Controle de Moscas Dentre as espécies que mais parasitam e causam prejuízos na criação de bovinos destacam-se a mosca-dos-chifres (Haematobia irritans), a mosca-dos-estábulos (Stomoxys calcitrans), a mosca doméstica (Musca doméstica), a mosca do berne (Dermatobia hominis) e a principal mosca causadora das bicheiras ou miíases (Cochliomyia hominivorax) (BRITO et al., 2007). Com o início do período chuvoso, a infestação por mosca-dos- chifres em bovinos aumenta, assim é necessário se fazer tratamentos com banhos de pulverização com medicamentos ou aplicação de inseticidas no dorso dos animais. Além dos tratamentos estratégicos, outra medida que auxilia no controle da mosca- dos-chifres é a manutenção de um ambiente favorável ao desenvolvimento do besouro conhecido como “rola-bosta” nas pastagens já que o inseto quebra o bolo fecal expondo as larvas e permitindo a entrada de raios de sol e assim secagem das fezes (BRITO et al., 2007). Figura 12: Mosca-dos-chifres (Haematobia irritans) Fonte: http://dddrinbauru.com.br/biblioteca/biblioteca-de-pragas/moscas/ 7. 9 Vacinação Em um programa sanitário têm-se algumas vacinas de uso obrigatório, como por exemplo, a vacinação contra Brucelose e Febre Aftosa. A vacinação contra a brucelose é feita com a vacina B19, é realizada somente para as fêmeas na idade entre três e oito meses. Esta vacinação só pode ser realizada, sob responsabilidade de médicos veterinários cadastrados nos serviço de defesa sanitária animal de seu estado de atuação. Fêmeas com idade acima de oito meses não podem ser vacinadas com a B19, uma vez que a vacinação nesta idade pode causar interferência nos testes de diagnóstico da brucelose. Os animais vacinados contra brucelose são marcados no lado esquerdo da cara com um “V” e o dígito final do ano vigente (FREITAS, 2012). A vacina contra aftosa também é obrigatória e deve ser aplicada conforme indicado pelos órgãos de defesa sanitária do estado. No Estado de Minas Gerais essa vacinação é realizada em maio (em todo o rebanho) e em novembro (nos animais com idade até 24 meses) (GASPAR et al., 2015). A vacinação contra clostridiose é realizada aos 3 e 6 meses de vida. A tuberculose é controlada no rebanho através dos testes de tuberculinização dos animais antes de serem introduzidos no rebanho, assim como sorologia para Brucelose. O teste da tuberculinização é feito com a aplicação de tuberculina PPD bovina em animais de idade igual ou superior a seis semanas de vida. A aplicação é feita na prega caudal, fazendo-se a leitura 72 horas após. Os animais positivos são eliminados do rebanho. A vacinação contra o carbúnculo sintomático (manqueira) é realizada em todos os animais acima de três meses de idade e repetida a cada seis meses. É nesta idade que os animais estão mais susceptíveis ao desenvolvimento da enfermidade (GASPAR et al., 2015). 7. 7 Controle de Raiva Para o controle da raiva foi instituído o Programa Nacional de Controle da Raiva dos Herbívoros e outras Encefalopatias – PNCRH em 2005, que tem como finalidade baixar a prevalênciada doença na população de herbívoros domésticos. A estratégia de atuação do programa é baseada na adoção da vacinação dos herbívoros domésticos, do controle de transmissores e de outros procedimentos de defesa sanitária animal que visam à proteção da saúde pública e o desenvolvimento de fundamentos de ações futuras para o controle dessa enfermidade que causa grande prejuízo econômico à pecuária nacional. O programa preconiza que a vacinação dos herbívoros seja realizada com vacina contendo vírus inativado, na dosagem de 2 ml por animal, independentemente da idade, sendo aplicada por via subcutânea ou intramuscular (DANTAS et al., 2010). 7. 8 Controle de Febre Aftosa No Brasil, a partir do Programa Nacional de Erradicação da Febre Aftosa (PNEFA) o controle da doença é feito por meio da vacinação sistemática, com a vacina oleosa de ação prolongada, de acordo com calendário sanitário da região. Essa vacinação conseguirá levar à erradicação da febre aftosa e à criação de novas áreas livres no País, conforme com critérios da Organização Internacional de Epizootias (OIE), órgão mundial que controla a ocorrência das doenças no mundo. Em geral a vacina contra a febre aftosa é aplicada, de 6 em 6 meses, a partir do 3º mês de idade. Na aplicação devem ser obedecidas às recomendações do fabricante em relação à dosagem, tempo de validade, método de conservação (DANTAS et al., 2010). 8 INSTALAÇÕES PARA GADO LEITEIRO GIR 8. 1 Terreno O terreno da fazenda propriedade possui boas características de drenagem, firme, com terras boas para plantio de sorgo, cana-de-açúcar e capim elefante, além de pastagens de Brachiaria brizantha. Possui um pequeno rio que passa em uma das laterais da propriedade que servem como bebedouros a animais e também de onde se consegue retirar água para irrigação das plantações de sorgo. A água utilizada para bebedouros e instalações da fazenda provém de poço artesiano. Há rede de energia elétrica. Possui arvores nas áreas de pastagens e próximo aos currais e piquetes mais próximos da propriedade para garantir sombra para os animais. 8. 2 Orientações das Instalações A orientação das instalações é um fator intimamente relacionado com o clima do local, assim em condições de clima tropical e subtropical, como ocorre em nosso hemisfério, as coberturas são orientadas, normalmente, no sentido leste-oeste, para que no verão haja menor incidência de radiação solar no interior das instalações e maior insolação da face norte no inverno. 8. 3. 1 Instalações Específicas 8. 3. 2 Bezerreiros Como a raça Gir necessita do bezerro para descida do leite, estes serão alojado em piquetes até o momento das ordenhas. Os bezerros também são divididos de acordo com a idade, sendo os bezerros de 0 a 10 dias permanecem com a mãe e os bezerros de 10 a 30 dias ficam inicialmente em piquete separado, depois seguem a divisão em piquetes de acordo com a divisão das vacas por dias de leite em lactação. O piquete para os bezerros de 10 a 30 dias constitui-se em instalações com área de cobertura, solo inclinado para drenagem, coxo para o inicio do fornecimento de alimento concentrado e com área de pastagem de capim Brachiaria brizantha e caixa de cimento com água. Após o período de desmana das vacas, as bezerras vão para piquetes coletivos para animais de 11meses a 1,9 anos, e ao machos são vendidos. Figura 13: Vaca Gir com bezerro recém-nascido. Fonte: http://www.fazendacabeceiradoprata.com.br/blog/nasce-terceiro-bezerro-gir-leiteiro- na-fazenda-cabeceira-do-prata/, Figura 14: Bezerras e bezerras Gir em piquete. Fonte: http://gir-leiteiro.com/page/6/ 8. 3. 3 Currais Os currais são planejados de forma a permitir a entrada das vacas na sala de ordenha. Cada lote é trazido para o curral de forma separada, assim como os bezerros que ficam aguardando em outro curral ao lado. Os currais são cobertos para evitar estresse térmico dos animais antes da ordenha, possuem coxos e bebedouros. A propriedade possui cinco currais que se ligam entre si. Um dos currais é equipado com um corredor que dá acesso a um brete usado processo de inseminação, avaliação ginecológica das fêmeas, vacinação, marcação entre outras atividades em que se precisa conter os animais. 8. 3. 4 Sala de Ordenha A sala de ordenha precisa devem permitir que os animais sejam ordenhados em até 1 hora, ou 60 minutos e cada vaca deve ser ordenhada em um período de 6 minutos para o sistema de ordenha ser considerado eficiente. Assim como no plantel temos em 10 meses 77 vacas lactantes, ou seja por dia se tira o leite de 77 animais, assim: 77 vacas x 6 minutos / 60 minutos = 8 vacas a cada 6 minutos. A sala de ordenha possui ordenhadeira mecânica instalada em forma de “espinha de peixe” com oito saídas. As vacas são dispostas em fila indiana em corredor, sendo considerado 1,80 para cada animal, assim o corredor precisa ter (1,8 m x 8) 14,5 metros. As oito vacas entram no corredor, e em um corredor ao lado entram os bezerros já que animais da raça Gir só descem o leite na presença do bezerro. As vacas passam pelo pré – dipping (teste da caneca preta e desinfecção do teto com solução iodo) antes da acoplagem das teteiras. A ordenha é feita em sistema fechado e o leite é enviado direto para o tanque de resfriamento em uma sala adjacente. Ao lado da sala do tanque de refrigeração também existe um pequeno almoxarifado para armazenagem de materiais utilizados no manejo com os animais (materiais de limpeza, medicamentos e utensílios). Após finalização da ordenha os animais saem por um corredor de acesso ao curral onde passam por lava-pés e pé de lúvio. No caso dos animais Gir não se realizam o pré – dipping, pois os bezerros ainda mamam o leite residual promovendo fechadura do orifício do teto. Porém é importante que exista coxo com oferta de alimento. Em relação a estrutura, as salas de ordenha devem possui piso não abrasivo e fácil de ser limpo. Deve possuir água disponível e materiais de limpeza para higienização da mão dos ordenadores. A limpeza do sistema de retirada de leite também é feita em sistema fechado, e pelo menos uma vez por semana as teteiras passam por limpeza individual. Figura 15: Exemplo de corredor de ordenha de um rebanho Girolando, mas que também se aplica a animais da raça Gir leiteiro. Fonte: http://www.resumaodeveterinaria.com.br/manejo-de-ordenha/. 8. 3. 5 Pastos Os pastos serão compostos principalmente por braquiária do gênero Brachiaria Brizantha devido as suas características resistência e de boa capacidade de rebrota, além de produzir bem (8-20 T/he). Como descrito anteriormente os pasto serão devidos em um piquete para bezerros de 0 a 30 dias, considerando 7 nascimento em 1 mês (77/10) terá em torno de (7 x 30 m 2 ) 210 m 2 . O três piquetes para bezerros a partir de 30 dias terão cada um em torno de (70/3) (24 x 325 m 2 ) 7.800 m 2 , totalizando 23.400 m 2 . O piquete para novilhas de 11 a 1,9 anos (23 novilhas) considerando 40 m 2 (23 x 375 m 2 ) terá em torno de 8.586 m 2 . E para novilhas de 2 a 3 anos também serão necessários piquetes com 8.586 m 2 . O piquete para os três touros terá em torno de 300 m 2 (3 x 935 m 2 ). O piquete de maternidade para vacas e para novilhas (Parindo 7 animais por mês, 77/10 = 7 bezerros por mês) possuirá em torno de 3.675 m 2 , considerando a área para cada animal de 525 m 2 . È importante que separe vacas de novilhas, assim o piquete pode ser divido ao meio. O piquete para vacas no inicio delactação (média de 25 vacas por lote considerando 77/3 lotes) com (25 x 525 m 2 ) 13.060 m 2 . Os piquetes de vacas no meio da lactação e vacas em fim de lactação também terão em torno de 13.060 m 2 . O piquete para vacas secas (15 vacas) terá em torno de (15 x 525 m 2 ) 7.840 m 2 . De acordo com os piquetes necessários haverá um total de - Piquete para bezerros de 0 a 30 dia = 210 m 2 . - Três piquetes para bezerros a partir de 30 = 23.400 m 2 . - Piquete para novilhas de 11 a 1,9 anos = 8.586 m 2 . - Piquete para novilhas de 2 a 3 anos = 8.586 m 2 . - Piquete para os três touros = 2.800 m 2 . - Piquete de maternidade para vacas e para novilhas = 3.675 m 2 , podendo ser dividido em dois piquetes de 1.837,5 m 2 para se separar vacas e novilhas. - Piquete para vacas no inicio de lactação = 13.060 m 2 . - Piquetes de vacas no meio da lactação = 13.060 m 2 . - Piquetes para vacas no fim de lactação = 13.060 m 2 . P - Piquete para vacas secas = 7.840 m 2 . A área total de piquetes com pastos de acordo com a necessidade de piquetes corresponde há (210 m 2 + 23.400 m 2 + 8.586 m 2 + 8.586 m 2 + 2.800 m 2 + 3.675 m 2 + 13.060 m 2 + 13.060 m 2 + 13.600 m 2 + 7.840 m 2 ) 94. 277 m 2 ou 10 hectares. De acordo com o cálculo de necessidade de Brachiaria brizantha para suprimir os animais em meses das águas é de um total de 59 hectares, ainda pode ser construir mais áreas de piquetes possibilitando a rotação de pastagens, sendo que cada piquete precisa descansar em torno de 35 dias para a entrada dos animais novamente. Os piquetes serão ajustados a necessidades de cada grupo de animais, sendo que as vacas e novilhas paridas podem ter maior espaço para pastagens devido a maior exigência de alimentos para produção. 8. 3. 6 Piquetes para Vacas no Pré-Parto Os piquetes para vacas no pré parto ou os piquetes de maternidade precisam ter boas condições de higiene, áreas bem ventiladas mas sem correntes de vento, áreas secas com boa cobertura vegetal, boa drenagem e sombra de pelo mesmo 4m 2 por animal e se possível ter formas de sombras móveis para evitar acúmulo de barro, fezes e urina, deve possuir áreas com boa cobertura vegetal e que possibilite a observação dos animais e do parto da vaca. Além disso, precisa oferecer fácil acesso a água de boa qualidade e alimentos. É importante separar os piquetes de maternidade para novilhas e vacas evitando competição. 8. 4 Separação de Vacas em Lotes 8. 4. 1 Por Dias em Lactação – DEL Em relação dos dias de leite as vacas serão separadas em recém paridas até 100 dias de lactação. Outro grupo com de 101 a 200 dias de leite e um terceiro grupo com 201 á 305 dias de leite. Também haverá um grupo de vacas secas a partir de 306 dias á 480 dias. Considerando uma média de 28-29 vacas por lote (77/4). 8. 4. 2 Por Mérito Leiteiro Para se fazer a separação dos animais por mérito leiteiro é necessário conhecer o teor de gordura do leite de cada animal, assim será possível fazer a divisão por leite corrigido para 4% de gordura. Considerando um teor médio de gordura do leite de vaca Gir de 4,2% temos uma vaca com 480 kg produzindo uma média de 15 kg de leite dia. Então: 0,4 x 15kg leite + 15 kg (4,2% x 15 kg leite) 6 + 15 kg (0,63) 6 + 9,45 = 15,45 Todos os animais que apresentação 15,45 ou muito próximo para leite corrigido para 4% de gordura ficariam no mesmo lote pois as necessidades e exigências de produção seria a mesma, sendo possível melhorar o manejo nutricional. Porém o método apesar de ideal não tem sido muito utilizado devido ao custo (exame para saber o teor de gordura de leite de cada animal) e também por falta de estruturas como numero maior de piquetes. 8. 5 Áreas de Pasto A área total de pastos será composta por 59 hectare, ou 590.000 m 2 compostos de Brachiaria brizantha, para suprir as necessidade de alimentos dos animais na época das “chuvas” como demonstrados nos cálculos na página 35. 8. 6 Áreas com Plantação de Cana-De-Açúcar A área total de plantio de cana de açúcar corresponde á 10 hectares ou 100.000 m 2 para a produção de silagem associada a capim elefante como demonstrado na página 37. 8. 7 Áreas com Plantação de Sorgo A área de plantação de sorgo corresponde a 25 hectares ou 250.000 m 2 que também serão utilizados para a produção de silagem no período seco. Demostrado na página 35. 8. 8 Áreas com Plantação de Capim Elefante A área de plantação de capim elefante correspondem á 8 hectares ou 80.000 m 2 . O capim elefante produzido será utilizado na produção de silagem associado à cana-de-açúcar como demonstrado na pagina 37. Cana-de-açúcar e capim elefante também são picados e misturados à suplementação para serem colocados nos coxos dos animais pós ordenha. 8. 9 Área Pulmão A área pulmão da fazenda, ou área de mata nativa corresponde a 20 % da área de pastagem e plantio da fazenda. O total de área de pastagem é de 50 hectare de Brachiaria brizantha. Logo, o restante da área de pastagens e plantio corresponderá a 80% da área total das pastagens. Então: 80% -- 50 80x = 5.000 x = 62,50 hectares 100% -- x x = 5.000 80 20% de 62,50 hectares correspondem a aproximadamente á 12,5 hectares ou 125.000 m 2 de área pulmão. CONSIDERAÇÕES FINAIS Compreender um sistema de produção de leite em relação a necessidade nutricional, manejo reprodutivo, manejo sanitário e as necessidades de instalações, permite ao produtor ter controle sobre o processo produtivo tornando mais fácil seu trabalho como gestor, garantindo assim que a atividade realmente seja lucrativa. REFERÊNCIAS ABCGIL. Associação Brasileira dos criadores de Gir Leiteiro. 2015. Disponível em: <http://girleiteiro.org.br>. Acessado em 10 de jun. de 2017. ACGZ. Associação dos criadores gaúchos de Zebu. Raça Gir Leiteiro. 2012. Disponível em: <http://www.acgz.com.br/secao_racas.php?pagina=5>. Acessado em: 10 de jun. de 2017. ALMEIDA, K. S. Tristeza parasitária bovina – revisão de literatura. Disponível em: <http://faef.revista.inf.br/imagens_arquivos/arquivos_destaque/H47A3I5XMKM0TiE_2013- 6-26-11-20-44.pdf>. Acessado em: 16 de junho. 2017. ALVES, A.A.P. 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