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FLUÍDOS BIOLÓGICOS
 EVOLUÇÃO -- ORGANISMOS VIVOS -- COMUNICAÇÃO -- ESTRUTURAS ANATÔMICAS -- 
EVOLUÇÃO DA ESPÉCIE HUMANA.
 Regulação: - pH.
 -Composição iônica.
 -Volume liquido.
Em 4000 a.C. povos egípcios, mesopotâmeos, dentre outros já estudavam a urina baseando-se em seus aspectos e características.
Hipócrates 400 a.C., fez o primeiro relato racional da urina referente a situações clínicas do paciente para diagnóstico.
A MÁTULA frasco transparente em forma de bexiga se tornou o emblema do profissional médico em seu atendimento domiciliar, onde através da observação da variação de cor, odor, volume, turvação e ate presença de açúcar na amostra, fornecia valiosas informações sobre diversas patologias.
PARACELSUS ( 1493 - 1541 ), crítico do diagnóstico da aparência da urina, utilizou seus conhecimento em alquimia para adicionar uma dimensão química à análise.
 EXAMES DE URINA
 O exame de urina pode ser considerado sob dois pontos de vistas gerais:
Diagnóstico e tratamento de doença renal ou do trato urinário.
Detecção de doenças metabólicas ou sistêmicas não relacionadas com o rim.
Obs: Proteinúria é indicativo de doença renal (glomerulonefrite, nefropatia diabética).
A confirmação de doença renal pode ser feita pelo encontro de cilindros e células epiteliais no exame do sedimento.
	 
FORMAÇÃO DA URINA
 O rim possui extraordinária habilidade de selecionar e reter substâncias essenciais. Ele retém água, faz o balanço eletrolítico e contribui para o equilíbrio Ácido/ Base.
 No adulto 1 litro de sangue perfunde os dois rins a cada minuto. O filtrado tem um pH de 7,4 e uma osmolalidade similar à do plasma (cerca de 285 mOsm/ kg ). O filtrado apresenta concentrações finais que variam de acordo com o estado de hidratação. O líquido emergente de cada ducto coletor do nefron já é considerado urina, passara para pelve renal, ureteres, bexiga e finalmente uretra. Nos estados patológicos, este fluido é alterado química e citológicamente.
		
COMPOSIÇÃO URINÁRIA
	A urina contém potássio, sulfatos e outras substâncias contendo enxofre, como sulfitos e cisteina. Além do material nitrogenado e dos sais, a urina normal contém pequenas quantidades de açucares (Pentoses) que variam de acordo com a dieta.
 Os solutos na urina em maior quantidade são: uréia e cloreto de sódio. A excreção de sódio e cloretos estão relacionados à dieta. A estes chamamos constituintes químicos.
 O produto oriundo do sedimento urinário como: eritrócito, células, cilindros, cristais e leucócitos (a diapedese, movimento migratório de leucócitos dos vasos sangüíneos para os tecidos, justifica a presença destes na urina). A estes elementos do sedimento chamamos de constituintes microscópicos. 
Coleta urinária
Amostra para rotina
Análises quantitativas
Exames bacteriológicos
 A amostra de urina deve ser coletada num recipiente limpo, seco e deve ser analisado antes de duas horas após a emissão. Se a análise for demorada, as amostras de urina devem ser refrigeradas ou preservadas. 
 Alterações por decomposição da urina
pH baixo: glicose convertida em ácidos e álcoois por bactérias e leveduras. 
pH alto: degradação da uréia por bactérias com formação de amônia.
Glicose negativa: utilização por bactérias e outros. (glicólise)
Nitrito negativo: Nitritos convertidos em nitrogênios que evaporam.
Nitrito positivo: nitritos produzidos por bactérias. 
Bilirrubina negativa: destruição pela luz. 
 		Amostras de rotina
 Para a maioria dos exames rotineiros utiliza-se preferencialmente a primeira amostra do dia (primeira micção), pois a mesma encontra-se mais concentrada favorecendo a análise de proteínas, nitritos e exames microscópicos. Contudo, uma amostra colhida aleatoriamente é geralmente mais conveniente para o paciente e será adequada para a maioria dos propósitos de rastreio.
 A utilização de assepsia para evitar contaminação dessa amostra é necessária, pois previne contaminação por bactérias, hemorragias e ou secreções vaginais.
 	Urinas de 24 horas
 Substâncias como hormônios, proteínas e eletrólitos são excretados variavelmente durante um período de 24 horas, Uma melhor comparação de valores diários pode ser feita com coletas de 24 horas do que amostras aleatórias. Eventuais erros contidos nas análises quantitativas dessas amostras devem-se à falhas no procedimento de coleta, tais como: Perda de uma amostra colhida; falha ao descartar a primeira amostra; preservação defeituosa ou falha na refrigeração.
 	 Urinas para exames bacteriológicos
 Utiliza-se o jato médio colhido assepticamente, mas a cateterização ou aspiração suprapúbica da bexiga é algumas vezes necessárias. A cultura bacteriológica deve ser feita imediatamente, caso não seja possível à amostra deverá ser conservada a quatro graus (4°C) ate o cultivo. Utilizamos amostras de 24 horas para o cultivo de schistossoma e onchocerca.
 		Amostra de risco
Uso de luvas.
Tubos de centrífugas tampados.
Amostra de pacientes com AIDS, HEPATITE requer cuidados especiais.
Recipientes descartáveis e com tampas.
Se ocorrer contaminação externa do frasco, este deverá ser limpo com álcool a 70% .
 		Padronização
Volume de urina examinada: 12 ml
Duração e velocidade de centrifugação: 1500 a 2500 RPM durante 5 minutos (altas velocidades e tempo de centrifugação excessivo podem quebrar os cilindros.).
Exame e laudo.
 		Componentes de urinálise
Avaliação da amostra
Testes físicos
Exame químico
Exame do sedimento
Avaliação da amostra: Etiquetagem, acondicionamento, sinais visíveis de contaminação, procedimentos operacionais padrão.
Testes físicos: Aparência (cor), características (claridade), odor, volume urinário.
Cor: A cor amarela da urina é devida ao pigmento urocromo e a pequenas quantidades de urobilina e uroeritrinas. Acredita-se que a excreção do urocromo seja proporcional ao ritmo metabólico e está aumentado durante a febre, tireotoxicose e inanição. A urina clara em um indivíduo normal segue a alta ingestão de líquidos, as urinas mais escuras podem ocorrer devido à retenção de líquidos.
 A urina normalmente concentrada pode mostrar um depósito sedimentário. O muco do trato urinário e genital é visto como pequenas manchas nebulosas. Alguns corantes de alimentos e doces colorem a urina, bem como drogas usadas para investigação e terapia.
Claridade: A urina é essencialmente clara. Uma urina nebulosa não é característica de patogenia por si só. A turvação pode ocorrer devido à precipitação de cristais não patológicos denominados amorfos.
 Os fosfatos e carbonatos precipitam em urinas alcalinas, sendo dissolvidos através da adição de ácido acético. O ácido úrico e uratos formam uma nuvem branca, rosa ou laranja em urina ácida, sendo dissolvidos pelo aquecimento a 60 graus. Os leucócitos formam uma nuvem branca similar porem não se dissolvem na presença de ácido acético diluído. O crescimento bacteriano causará uma opalescência
Uniforme que não é removida pela acidificação ou filtração por papel.
Odor: A urina normal possui um odor fraco, aromático de origem desconhecida. Sua importância se faz necessária ao identificarmos amostras colhidas a mais de duas horas e que demonstram um estado de decomposição. A falta de odor em urina de pacientes com deficiência renal aguda coincide com necrose tubular.
Volume urinário: O volume médio de uma urina de 24 horas é de 1200 a 1500 ml, sendo a faixa normalde 600 a 2000 ml. A urina noturna não excede 400 ml. A poliúria, aumento do volume urinário, comum em diabetes mellitus e ou insípidos. Dietas ricas em sal e proteínas exigem uma ingesta maior de água para a excreção. Algumas drogas exercem um efeito diurético, entre elas a cafeína, álcool, tiazidas e outros diuréticos.
 A oligúria é a excreção de menos de 500 ml de urinas diárias e a anúria é a completa supressão da formação de urina. A privação de água causará uma diminuição no volume urinário antes mesmo que os sinais de desidratação apareçam.
Quilúria: Fenômeno raro. Consiste na presença de linfa na urina. Está associado a filarióse com obstrução do fluxo linfático e de ruptura de vasos linfáticos na pelve renal, ureteres, bexiga ou uretra. A aparência urinária irá variar em decorrência da presença de linfa, pode ser: normal, opalescente ou leitosa.
 A atenção é toda especial nos casos de pseudo-quilúria, pois o uso de cremes vaginais para o tratamento de cândida com base parafina podem induzir ao erro diagnóstico.
Lipidúria: Presença de glóbulos gordurosos na urina. Estes aparecem mais freqüentemente com a síndrome nefrótica. A lipidúria também está presente em um grande número de pacientes que sofreram grandes traumas esqueléticos com uma ou mais fraturas nos ossos longos ou pélvicos.
Diminuição do volume urinário: A privação de água causará uma diminuição no volume urinário antes mesmo que os sinais de desidratação apareçam.
 
Situações Patológicas da Oligúria. 
Desidratação
Isquemia Renal
Doenças Renais
Obstruções
Desidratação: Em vômitos prolongados, diarréias e estados febris, a perda de água corpórea sem reposição adequada resulta em desidratação e hemoconcentração. A oligúria também ocorrerá quando a água é transferida dos compartimentos intravasculares para os extravasculares com edema.
Isquemia Renal: Decorrente do baixo fluxo sangüíneo em virtude da deficiência do coração ou a hipotensão. Representa causa comum de necrose tubular e deficiência renal aguda. Essas causas estão associadas com a baixa excreção de sódio e a alta densidade urinária.
Doenças Renais: Uremia com densidade urinária baixa; concentração de sódio elevada; podem ser evidenciados proteinúrias, cilindros e células renais.
Obstruções: A hidronefrose bilateral, conseqüência da obstrução do trato urinário, pode está associada a um declínio no fluxo urinário e mesmo com a Anúria.
 Osmolalidade e Densidade
 
 O volume de urina excretada e a concentração de soluto são controlados pelo rim para manter a homeostase dos fluidos e eletrólitos corpóreos. A inabilidade em concentrar ou diluir a urina é uma indicação de doença renal ou deficiência hormonal.
 A determinação da densidade urinária ou osmolalidade deve dar uma indicação da concentração total de soluto urinário.
 O complexo processo de reabsorção muitas vezes é a primeira manifestação de uma lesão renal. A densidade de uma amostra de urina é definida não só pelo número de partículas presentes, mas também por seu tamanho. Os principais responsáveis pela densidade da urina são: Uréia, os cloretos e os fosfatos. A glicose e os contrastes radiológicos quando presentes, elevam de forma importante à densidade da urina.
 Utilizam-se os termos: Isostenúria para urinas com densidade de 1010, hipostenúria para valores abaixo e hiperestenúria para valores acima.
 Testes Químicos
 A metodologia da fita reagente representa o foco principal do exame químico da urina. Podem ser necessárias testes confirmatórios ou outras metodologias para certas populações de pacientes ou em circunstâncias especiais.
Cuidados especiais com fita reagente: - Ácido Ascórbico, Pyridium.
Guardar em local fresco e seco.
Proteger da umidade e calor excessivos.
Não usar fita com pastilhas descoradas.
Conservar o recipiente tampado.
Não tocar a área de testes com os dedos.
 pH na Urina
 É o reflexo da habilidade do rim em manter a concentração iônica do hidrogênio no plasma e nos líquidos extracelulares. A atividade metabólica do corpo produz ácidos que não podem ser extraídos pelos pulmões (ácido sulfúrico e fosfórico), mas também pequenas quantidades de ácido pirúvico, lático e cítrico e alguns corpos cetônicos. As células tubulares trocam íons hidrogênio por sódio do filtrado glomerular tornando a urina ácida. Os íons de hidrogênio são excretados na forma de amônia (NH4+).
 O pH normal varia de 5,0 a 8,0 na dependência dos efeitos metabólicos. A ingestão alta de proteínas são produzidos mais sulfatos e fosfatos, acidificando a urina.
 Uma dieta rica em vegetais pode elevar o pH da urina acima de 6,0. Durante o sono uma moderada acidose respiratória pode tornar essa urina mais ácida, ou seja, uma dieta rica em alimentos protéicos e algumas frutas podem baixar o pH urinário.
 Proteína na Urina
 Pessoas normais podem exceder os níveis normais durante exercícios ou na desidratação. A proteinúria pode ocorrer na ausência de doenças do trato urinário em pacientes com hemorragias ou depleção de sal ou doenças febris. Estas podem causar isquemia relativa e desidratação.
 A detecção de uma quantidade anormal de proteínas na urina é um indicador confiável de doença renal porque as proteínas possuem uma velocidade tubular máxima de absorção muito baixa
, assim o aumento da filtração ou da produção rapidamente satura o mecanismo de reabsorção.
A proteinúria pode ser classificada em 4 categorias:
Pré-Renal
Glomerular
Tubular
Pós-Renal
Principais causas de Proteinúria:
Lesão Glomerular
Reabsorção Deficiente
Mieloma Múltiplo
Pré-Eclâmpsia
Doenças renais decorrentes do Diabetes Mellitus.
Doença Glomerular: Por definição, causa proteinúria. Permite a penetração de albumina, saturando a solução e inviabilizando sua reabsorção.
Síndrome Nefrótica: Está associada a doenças glomerulares e é diagnosticada quando a excreção de proteínas for maior que 3,0 a 3,5 g/dia. A síndrome clássica é caracterizada por baixo nível Sérico de albumina, edema generalizado e lipídeos aumentados (colesterol, triglicérides).
 Quando lipídeos são perdidos na urina, são encontrados no sedimento urinário muito cilindros granulosos, gordurosos e células epiteliais.
Proteína de Bence Jones: Está associada com o mieloma múltiplo, macroglobulinemia e linfomas malignos. Evidenciamos tais proteínas por testes eletroforéticos e imunoeletroforéticos.
 Freqüentemente, encontra-se proteinúria em conjunto com: Hemoglobinúria, cilindros, hemácias e leucócitos no exame microscópico.
 
Glicose na Urina
 A quantidade de glicose que aparece na urina depende do nível de glicose sérica, da taxa de filtração glomerular e do grau de reabsorção tubular. Geralmente a glicose está presente na urina quando os níveis sangüíneos são superiores a 180 mg/dl. 
 Os níveis de glicose variam durante o dia, e é normal a glicosúria após uma refeição rica em glicose. É importante lembrar que a primeira urina da manhã nem sempre representa uma amostra de jejum, de modo que o paciente deve ser instruído a esvaziar a bexiga e colher a Segunda amostra.
Diabetes Mellitus: O paciente diagnosticado com esta patologia tem hiperglicemia que resulta em glicosúria, quando é excedido o limiar renal para glicose. Com a necessidade de metabolizar proteínas e também gorduras, os níveis de cetona se elevam no sangue e urina, e sua excreção resulta emacidose metabólica.
 Glicosúria e hiperglicemia podem ser encontradas em distúrbios do sistema nervoso central, tumores cerebrais, doenças hipotalâmicas e queimaduras e etc. As doenças do fígado, doenças de armazenamento de glicogênio, obesidade e alimentação após dieta de fome estão também associados a glicosúria.
 Na gravidez, há um aumento na taxa de filtração glomerular e toda a glicose pode não ser absorvida. A glicosúria pode aparecer em níveis relativamente baixos de glicose sangüínea.
Bilirrubina: Está aumentada nas condições onde a bilirrubina conjugada está elevada no soro. As pesquisas de bilirrubina e de urobilinogênio, são úteis no diagnóstico diferencial das icterícias.
Urobilinogênio: Normalmente existe em pequenas quantidades na urina, menos de 1 mg/dl.
 Observa-se elevação da quantidade de urobilinogênio nas hepatopatias, nos distúrbios hemolíticos e nas porfirinúrias. A sua ausência significa obstrução do ducto biliar, que impede a passagem normal de bilirrubina para o intestino.
Hemoglobinúria: A hemoglobinúria pode ocorrer como resultado da lise de hemácias, produzida no trato urinário, ou pode ser causada por hemólise intravascular e conseqüente filtração de hemoglobinas através dos glomérulos. No caso de hemólise intravascular não será encontrada a presença de hemácias no sedimento. 
Doenças renais com hemoglobinúria: Glomerulonefrite, Pielonefrites, cistites, Cálculos e tumores.
 
SEDIMENTOSCOPIA
Hemácias: As hemácias são encontradas na urina de pessoas normais em pequenas quantidades. Todas as hemácias presentes na urina se originam do sistema vascular. O número aumentado de hemácias na urina representa o rompimento da integridade da barreira vascular, por injúria ou doença, na membrana glomerular ou no trato geniturinário. As condições que resultam em hematúria incluem várias doenças renais como glomerulonefrites, pielonefrites, cistites, cálculos, tumores e traumas. Qualquer condição que resulte em inflamação ou comprometa a integridade do sistema vascular pode resultar em hematúria. A possibilidade de contaminação menstrual deve ser considerada em amostras colhidas de mulheres. A ocorrência de hemácias e cilindros na urina após exercícios intensos é comum.
Leucócitos: Os leucócitos podem entrar na urina através, do fenômeno da diapedese, de qualquer ponto ao longo do trato urinário ou através de secreções genitais. O aumento do número de piócitos na urina é chamado de piúria. Pode resultar de infecções bacterianas ou de outras doenças renais ou do trato urinário. As infecções que compreendem pielonefrite, cistite, protatite e uretrite podem ser vistas acompanhadas de bactérias ou não. A piúria também está presente em patologias não infecciosas, com o lúpus eritematoso sistêmico, glomerulonefrite e os tumores.
Cristais: São formados pela precipitação dos sais da urina submetidos a alterações no pH, na temperatura e na concentração o que afeta a sua solubilidade. 
Cilindros: São exclusivamente renais e forma-se principalmente no interior da luz do túbulo contornado distal e do ducto coletor. O principal componente dos cilindros é a proteína Tamm-Horsfall, que é uma mucoproteína secretada somente pelas células tubulares renais. A presença de cilindros urinários é chamada cilindrúria. O achado de muitos cilindros céreos indica prognóstico desfavorável. Assim, os tipos de cilindros encontrados no sedimento representam diferentes condições clínicas.
 Dividem-se:
Hemáticos
Leucocitários
Células Epiteliais
Leucocitários
Hialinos
Hialinos: São compostos primariamente por uma matriz homogênia de proteína e são os mais comumente observados na urina. As presenças de 0 a 2 por campo de pequeno aumento são consideradas normais, assim como quantidades elevadas em situações fisiológicas como exercício físico intenso, febre, desidratação e estresse emocional.
Hemáticos: Os cilindros hemáticos estão associados à doença renal intrínseca. Suas hemácias são freqüentemente de origem glomerular, como na glomerulonefrite.Mas podem também resultar de dano tubular. A detecção e monitoramento dos cilindros hemáticos permitem uma avaliação da evolução do tratamento no paciente.
Leucocitários: Indicam infecção ou inflamação renal e necessitam de investigação clínica. Quando a origem dos leucócitos é glomerular, encontra-se no sedimento grande quantidade de cilindros leucocitários e cilindros hemáticos. Quando é tubular, pielonefrite, os leucócitos migram para o lúmen tubular e são incorporados na matriz do cilindro.
Cilindros de Células Epiteliais: O cilindro epitelial tem origem no túbulo renal e resultam da descamação de células que os revestem. São encontrados após exposição a substâncias nefrotóxicas ou podem estar associados a infecções virais como Citomegalovírus. São, muitas vezes, observados em conjunto com cilindros de hemácias e leucócitos. 
Granulosos: Podem estar presentes no sedimento, após exercício vigoroso. Entretanto, quando aumentados representam doença renal glomerular ou tubular. Os grânulos são resultados da desintegração de cilindros celulares ou agregados de proteínas plasmáticas, imunocomplexos e globulinas.
Céreos: Representa um estado avançado do cilindro hialino. Ocorrem quando há estase prolongada por obstrução tubular e são freqüentemente chamados de cilindros da insuficiência renal. São comumente encontrados em rejeição de transplantes, insuficiência renal crônica, hipertensão maligna, e outras doenças renais agudas.
Muco: O muco é uma proteína fibrilar produzida pelo epitélio tubular renal e pelo epitélio vaginal. O aumento de filamentos de muco na urina está associado à contaminação vaginal e ou processos inflamatórios.
Células Epiteliais: Resultam da descamação normal das células velhas, enquanto outras representam lesão epitelial por processos inflamatórios ou doenças renais.
ERROS INATOS DO METABOLISMO
 A urina tem sido usada por muitos anos para tria doenças metabólicas, incluindo aquelas determinadas por herança genética. Muitas dessas doenças estão associadas com retardamento mental, degeneração do sistema nervoso e falha no desenvolvimento.
 A aminoacidúria é causada por uma deficiência enzimática afetando o metabolismo de aminoácidos, o substrato e outros metabólitos se acumulam no caminho, causando aumento dos níveis dos fluídos corpóreos e excreção urinária. Desta forma podemos observar a fenilcetonúria (PKU) aumentada na urina, enquanto seus níveis séricos permanecem praticamente os mesmos.
 A cistenúria é o transporte defeituoso de cisteina pelas células dos túbulos renais e intestinos, é transmitido como uma característica autossômica recessiva. A cistina é a única que cristaliza.
 A cistenúria é um distúrbio comum de aminoácido. Ocorrem igualmente em ambos os sexos. A cisteina é algumas vezes detectada nos pacientes com doença tubular renal. As crianças com estas doenças podem Ter ataques e tromboses e tornarem-se mentalmente retardadas.
 Ao examinar-mos uma amostra de urina, deve estar atenta a presença de cristais incolores de cistina. A urina terá um pH ácido.
 A fenilcetonúria é uma doença inata autossomal recessiva, com a ausência de enzima hepática ativa fenilalanina hidroxilase, que tem como finalidade metabolizar a fenilalanina e outros metabólitos. O retardamento mental é o mais importante achado clínico. Como tratamento utilizasse o controle rigoroso da dieta pobre em fenilalanina.
 A tirosina ocorre quando há um metabolismo anormal dos derivados de tirosina e da fenilalanina da dieta. Isto pode ser parte de um distúrbio generalizado de aminoácidos associados com doença hepática. 
 Ocorre hipertirosinemia transitória em crianças de baixo peso ao nascimento, é também encontrada em crianças assintomática testadas nos programasde triagem.
Distúrbios de Carboidratos: Glicosúria e outras mellitúrias (Frutose, lactose, pentose e sacarose). A deficiência de lactose é um problema muito comum que leva a cólicas intestinais dolorosas e diarréia osmótica após ingestão de alimentos contendo lactose. Esta intolerância pode causar disfunção hepática e dano tubular renal.
Distúrbios de Pirimidinas e Purinas: Doença comum à gota primária está associada com uma superprodução de ácido úrico, uma hipoexcreção, ou ambos. A doença é caracterizada pela perda de pele devido a ferimentos causados pelo próprio paciente. A urina contém grandes quantidades de ácido úrico, que pode colorir as fraldas com um depósito laranja-vermelho. A hematúria pode acompanhar a formação de pedras. Os níveis sangüíneos do ácido úrico são cerca de 10 mg/dl e os urinários ultrapassam 1mg/mg de creatinina excretada.
 CONTROLE DE QUALIDADE
 Envolve uma monitorização contínua de todos os aspectos do procedimento.
Padronização: é essencial para precisão em urinálise.
Capacidade Técnica e Aprendizado Contínuo.
Um manual de procedimentos bem escrito.
Inscrição em controles de qualidades Externos.
Todo o resultado do controle de qualidade deve ser registrado.
Nos ensaios devemos utilizar soluções de controle.
LÍQUIDO SEMINAL
 A evolução das técnicas de análise de líquido seminal tem contribuído na obtenção de informações diagnósticas mais precisas, seguras e com maior reprodutibilidade, permitindo a padronização dos resultados das patologias relacionadas à infertilidade.
 Na investigação de infertilidade, é importante reconhecer o exame do sêmen. Devemos incluir um histórico detalhado e um exame físico geral do homem associados a outros exames, tais como: função tiroidiana, supra renal e pituitária ou até biópsia testicular. Qualquer resultado anormal do exame do sêmen aconselha-se repeti-lo duas ou mais vezes.
 FISIOLOGIA DO LÍQUIDO SEMINAL
 O sêmen é constituído, fundamentalmente, pôr espermatozóides em suspensão no líquido seminal, sendo formado pelos testículos e órgãos reprodutores acessórios. A função do líquido seminal é fornecer um meio nutritivo e com volume adequado para o transporte dos espermatozóides até o muco endocervical.
 O sêmen é ejaculado sob a forma líquida e transforma -se quase que imediatamente em uma forma gelatinosa altamente viscosa, opaca, branco-acinzentada e assim permanecendo por 20 a 30 minutos, retornando então à forma líquida com pH ligeiramente alcalino. Os responsáveis por essa mudança são produtos prostáticos e das vesículas seminal, como a fosfatase ácida, ácido cítrico, a frutose e as prostaglandinas. O tabagismo pode interferir diminuindo o volume seminal. A viscosidade aumentada ou a liquefação incompleta interferem na motilidade dos espermatozóides. O plasma seminal possui a propriedade de ativar a motilidade do espermatozóide.
OS COMPONENTES DO SÊMEN SÃO DERIVADOS DOS SEGUINTES ÓRGÃOS:
Testículos: Os espermatozóides, que constituem menos de 5% do volume seminal, são o único tipo de célula presente no sêmen normal. São armazenados no epidídimo até a liberação durante a ejaculação. No epidídimo os espermatozóides são inativos devidos altas concentrações de carnitina e gliceril-fosforilcolina e baixo suprimento de oxigênio. Podem sobreviver armazenados durante até um mês.
Vesículas Seminais: Responsável por 60% do volume do sêmen. O líquido viscoso, neutro ou ligeiramente alcalino é muitas vezes amarelo ou mais fortemente pigmentado devido à presença de flavina. As vesículas também são a maior fonte de frutose do sêmen, que é o maior nutriente dos espermatozóides. A vesícula também é importante no fornecimento do substrato responsável pela coagulação do sêmen após a ejaculação.
Próstata: Contribui com cerca de 20% do volume seminal. A secreção prostática é rica em enzimas proteolíticas e fosfatase ácida, sendo responsável pela coagulação e liquefação do sêmen.
Epidídimo, vasos eferentes e outros: Contribuem com cerca de menos de 10 a 15% do volume. O epidídimo secreto um número de proteína s no lúmen tubular que são essenciais a motilidade do esperma.
 O espermograma avalia a capacidade de produção testicular de espermatozóides normais. Por Ter uma execução relativamente simples é o principal exame de triagem, na investigação da infertilidade masculina.
 Os valores alterados do número de espermatozóides não são considerados tão importantes, visto que valores inferiores a 20 milhões, apontados como fracamente alterados, podem levar a fecundação bem sucedida. A fertilidade também está relacionada com alterações da motilidade, velocidade e morfologia. A motilidade é uma das características mais importantes dos espermatozóides, pois, quando imóveis, serão incapazes de alcançar o óvulo. Grandes períodos de abstinência, o percentual de espermatozóides aumenta.
 COLETA
 A coleta do sêmen deve ser feita através da masturbação, no ambiente laboratorial ou domiciliar, contanto que o tempo entre a coleta e a realização da análise não pode ultrapassar 30 minutos, para que a viabilidade da amostra seja mantida. Nos casos de coleta domiciliar a avaliação da liquefação primária e secundária não é realizada.
 O recipiente da coleta é específico e estéril, pois outros materiais podem causar toxicidade aos espermatozóides com prejuízo da viscosidade e motilidade. O tempo de abstinência recomendado é 3 a 5 dias, podendo, mediante solicitação médica, ser realizado com o tempo de abstinência desejado. Existe uma grande variabilidade no número de espermatozóides presentes em cada ejaculação. Atualmente, recomenda-se que uma nova amostra seja colhida com um intervalo de duas a quatro semanas, quando houver a necessidade de confirmação de parâmetros seminais alterados em uma primeira amostra.
 EXAME MACROSCÓPICO
Características Físicas: O sêmen é um coágulo altamente viscoso, opaco, branco ou cinza esbranquiçado, que tem odor característico de mofo ou acre. Em 10 a 20 minutos este coágulo se tornara liquefeito espontaneamente e um líquido translúcido, turvo, viscoso levemente alcalino (pH 7,7). Alterações de pH (ácido) estão relacionados a processos neoplásicos.
 A viscosidade pode ser avaliada enquanto se verte a amostra liquefeita, do recipiente de coleta para um vidro graduado, para afeição do volume. O aumento da viscosidade é significativo quando de alguma forma compromete a motilidade.
Coagulação e Liquefação: Ocorre em três estágios: 1- A coagulação resulta da ação de uma enzima prostática coagulante semelhante ao fibrinogênio, formada pela vesícula seminal. 2- A liquefação é iniciada por enzimas prostáticas. 3- Os fragmentos de proteínas são degradados em aminoácidos livres e amônia pela ação de enzimas proteolíticas como a pepsina.
Volume: O volume normal é de 1 a 5 ml. Volumes aumentados estão relacionados com infertilidade devido à baixa concentração de espermatozóides. Volumes diminuídos estão associados à baixa penetração de muco endocervical pelo esperma.
 EXAME MICROSCÓPICO
Contagem espermática: Utiliza-se uma câmara de neubauer com volumes de diluição iguais aos leucócitos e uma solução diluente: bicarbonato de sódio, formalina, água destilada. Aguarda-se 2 minutos a sedimentação e inicia-se a contagem em 2 quadrantes multiplicando o resultado por 100.000.
Motilidade: Para avaliar a motilidade, adiciona-se a uma lâmina previamente aquecida uma gota do esperma liquefeito e entre lâmina e lamínula verifica-se o percentual de espermatozóides móveis.
Morfologia espermática: A morfologia espermática é avaliada realizando-se, em esfregaço corado pelo papanicolau. No mínimo 200 espermatozóidesdevem ser avaliados em imersão e registrados os percentuais. Deve ser notada também a presença de células sangüíneas e epiteliais.
 TESTE DE SIMMS-HUHNER PÓS COITAL
 Durante o ciclo menstrual o muco cervical sofre alterações de quantidades e qualidades. Durante a fase ovulatória, o muco apresenta as melhores condições para penetração e sobrevivência dos espermatozóides. 
 O muco cervical colhido após o coito é observado quanto à quantidade, à qualidade de filância, à cristalização e ao número de espermatozóides nele encontrado.
 Para a coleta recomenda-se que a mulher esteja na metade do ciclo menstrual e o cônjuge com cinco dias de abstinência sexual.
ANALISE DO MATERIAL DO LÍQUIDO SEMINAL
VOLUME
ASPECTO
COR
pH
REAÇÃO
SPTZ
SPTZ MÓVEIS
SPTZ VIVOS
MOTILIDADE
CELULARIDADE
 LIQUOR
 O líquido cefalorraquidiano é um fluido límpido e incolor, com raros elementos figurados e com características bioquímicas e imunológicas próprias. Ele ocupa as cavidades ventriculares do sistema nervoso central, os espaços subaracnóides, espinhal, perineurais e o canal central da medula.
 Desempenha diversas funções: protege contra traumatismo e movimentos bruscos, exerce uma função imunológica protetora e representa um vínculo para excreção e difusão de substâncias.
 É formada em sua maior parte pelos plexos coróides, em um volume diário em torno de 450 ml. Parte deste volume é reabsorvido pelo sistema venoso. Normalmente, o seu volume total em um adulto é em média 140 ml. O volume puncionado não deve exceder a 1/7 do volume total: em torno de 20 ml no adulto, 12 ml na infância e 6 ml em recém - nascido. O material deve ser analisado imediatamente após a coleta, sendo importante cuidados na conservação e transporte para a manutenção da integridade de amostra. 
 A barreira hematocefálica impede a passagem de constituintes plasmáticos, incluindo proteínas, para o líquido cefalorraquidiano. As concentrações de determinadas substâncias no LCR são reguladas dentro de limites estreitos: K, Ca, Mg. A glicose e a creatinina difundem-se livremente, mas necessitam varias horas para o equilíbrio.
 O exame LCR é subdividido em:
Exame Físico: aspecto, cor.
Exame Microscópico: Citologia global e Específica
Exame Bioquímico: Glicose, Proteína, LDH, CK, ALA.
Exame Imunológico: Eletroforese imunoglobulinas.
EXAME FÍSICO
ASPÉCTO: O líquor normal tem aspecto límpido, tipo água de rocha, apresentando-se turvo aumento do número de células (leucócitos, hemácias), pela presença de bactérias, fungos ou contraste radiológico. O aspecto hemorrágico indicará uma hemorragia subaracnóidea ou um acidente de punção.
Diagnóstico diferencial: presença de coágulo indica acidente de punção.
Aspecto do sobrenadante após centrifugação: no acidente de punção se apresenta límpido; nas hemorragias Xantocrômico no momento da coleta, pela prova dos três tubos, quando se avalia a variação do aspecto do primeiro para o terceiro tubo. Se o aspecto clarear, sugere acidente de punção, se não modificar, sugere hemorragia pré-existente.
COR: Normal é incolor. O líquido Xantocrômico indica a presença de bilirrubina ou hemólise. Em recém-nascido, a xantocromia é um achado normal que ocorre pela imaturidade anatômica e funcional da barreira hematocefálica e é proporcional aos níveis séricos de bilirrubina.
Obs: A cor acastanhada se da pela presença de metahemoglobina e a vermelha pela presença de oxihemoglobina.
 EXAME QUÍMICO
Proteínas: Normalmente difunde-se do plasma para LCR. Estão presentes em baixas concentrações incluindo o fibrinogênio e o b-lipoproteínas. Seus valores de referencia giram entre 12 a 60 mg/dl. As proteínas estão aumentadas nas meningites bacterianas ou tuberculosas, abscesso cerebral, AVC, e alguns casos de esclerose múltipla e doenças neoplásicas. Outra causa importante para a elevação de proteínas no LCR é o aumento da permeabilidade da barreira hematocefálica e ou a diminuição da remoção das moléculas protéicas nas vilosidades aracnoideanas.
 A síntese aumentada, cerca de 3 mg/dia, de imunoglobulinas dentro de linfócitos e células plasmáticas do SNC pode ocorrer em condições associadas com infiltrados linfocíticos e plasmáticos do SNC.
 A concentração de proteínas diminuídas, 10 mg/dl ou menos, no LCR pode ser causada por: (1) vazamento do LCR por ruptura dural causada por ���uma (Rinorréia ou Otorréia de LCR); (2) retirada de grandes volumes (Pneumoencefalografia); (3) pressão intracraniana aumentada ou (4) Hipertiroidismo.
 A utilização da relação entre os valores da albumina no soro e no líquor como um índice de avaliação da permeabilidade da barreira hematocefálica.
 Albumina no LCR em mg/dl
 Albumina Sérica em g/dl
 Este índice encontra-se abaixo de 9. Valores elevados são encontrados em acidentes de punção, e em situações que levem a um aumento da permeabilidade da barreira hematoencefálica, ou sua imaturidade, como acontece no periodo neonatal.
 ÍNDICES BARREIRA
- abaixo de 9 intacta
- 9 a 14 leve comprometimento
- 14 a 30 moderado comprometimento
- 30 a 100 comprometimento severo
- acima de 100 quebra da barreira
 A eletroforese de proteínas é utilizada no diagnóstico de doenças inflamatórias e desmielinizantes só SNC.
Imunoglobulinas: Utiliza-se a relação entre os valores séricos e os valores no LCR, para avaliar sua produção intratecal. Esta relação é expressa como um índice, que varia normalmente entre 3 e 8 .
 IgG no LCR em mg/dl
 IgG Sérico em g/dl
Este índice, dividido pelo índice de albumina, dá origem a um novo índice, que quando aumentado reflete o aumento da síntese de IgG. Os valores normais são de até a 77.
Albumina no LCR em mg/dl / albumina sérica em g/dl
IgG no líquor em mg/dl / IgG sérica em g/dl
 Os valores para este índice são de até 3 mg/dia . Valores aumentados são encontrados na esclerose múltipla e em outras doenças neurológicas inflamatórias, infecções pelo HIV, meningites por criptococos entre outras.
Glicose: Corresponde a 60 a 70 % da concentração plasmática. Valores diminuídos podem ser encontrados nas meningites agudas e crônicas de diferentes etiologias, hipoglicemia sistêmica, Sarcoidose, Neoplasias comprometendo as meninges.
LDH: É considerada elevada quando a relação Líquor/ Soro for > 0,1. São causas da elevação: Necrose, Isquemia, Meningite, leucemia, linfoma e carcinoma Metastático. É utilizado também como diagnóstico diferencial entre acidente de punção e hemorragia, quando se eleva proporcionalmente ao grau de hemorragia.
CK: A elevação da fração BB da ck ocorre em hemorragia subaracnóidea, trombose cerebral, lesões desmielinizantes, Síndrome Guillain-Barré, tumores primários e metastáticos, meningoencefalite viral, meningite bacteriana, hidrocefalia e traumatismo craniano.
Ácido Lático : Sua determinação é importante na diferenciação de meningites por bactérias , fungos ou micobactérias das meningites virais . Nas meningites virais ,o nível de ácido lático raramente excede 25 mg/dl a 30 mg/dl . Em contraste , nas outras formas de meningites está usualmente presente em níveissuperiores a 35 mg/dl . O aumento do lactato está intimamente associado ao baixo nível de glicose ( meningite bacteriana ).
 CITOLOGIA GLOBAL E ESPECÍFICA
EXAME MACROSCÓPICO
 O LCR é claro , com aparência e viscosidade comparáveis à água . O LCR turvo ou nebuloso pode ser produzido por leucócitos, eritrócitos, microorganismos, aspiração de gordura epidural durante a punção lombar ou meios de contrastes radiológicos.
 Raramente ocorre a formação de coágulo de coágulo devido ao aumento de fibrinogênio associado às condições como: trauma de punção, bloqueio subaracnoideano, meningite turbeculosa. 
 A hemorragia subaracnoideana está associada com a xantocromia, provocada pela liberação de hemoglobina dos eritrócitos hemolisados. A xantocromia refere-se a uma cor de rosa-pálido à laranja ou amarela no sobrenadante do LCR centrifugado. A lise do eritrócito é provocada pela perda de proteínas e lipídeos do LCR , que são necessários para estabilizar a membrana eritrocitário . Assim, o exame para xantocromia deve ser realizado dentro de uma hora após a coleta para evitar resultado falso positivos.
EXAME MICROSCÓPICO
 A presença de hipercitose neutrofílica sugere um processo inflamatório agudo. Apesar de presente de forma fugaz nos processos virais e assépticos, ou aumento de células, com predomínio de polimorfonucleares é mais característicos nos processos bacterianos agudos.
 A presença de hipercitose linfocitária sugere um processo crônico. O predomínio de células mononucleares é observado nas patologias neurológicas crônicas, meningites virais, nos processos tuberculosos, na cisticercose e criptococose.
 A presença de eosinófilos aumentados ocorre nas doenças parasitárias, especialmente na cistecercose, triquinose e esquistossomose. 
 Nas primeiras horas após a hemorragia subaracnóidea ocorre uma reação celular com predomínio de neutrófilos, algumas células plasmocitárias e raramente eosinófilos. Após 24 - 48 horas surgem os macrófagos. Durante a análise microscópica pode ser observado também a presença de células oriundas de tumores primários ou metastático do SNC .
Meningites Citologia Polimorfo mononucleares proteína Glicose
Bacteriana >que 500 predomínio - 80-500 baixa
Vírus <que 500 - Predomínio 30-100 normal
Tuberculosa <que 500 - predomínio 50-300 baixa
Fungos <que 500 cel - predomínio 25-200 nor-baixa
 ESTUDOS MICROBIOLÓGICOS
 A coloração do gram com o exame microscópico é o passo inicial na avaliação microbiológica do LCR. Sua sensibilidade é cerca de 60 a 90% ; Podem ocorrer resultados falsos negativos com menos de 1000 células /mm3 no LCR. Podem ocorrer resultados falso positivos na coloração de gram com precipitação de corantes, lâminas contaminadas e ou soluções contaminadas.
 As causas comuns de meningites incluem Hemophilus influenzae, Neisseria meningitidis e streptococos pneumoniae. Para os tipos comuns de meningites bacterianas os métodos de cultura aeróbios fornecem uma sensibilidade de aproximadamente 80 a 90% .
 A semeadura ocorre em ágar sangue/chocolate e tioglicolato meio de enriquecimento tanto aeróbio quanto anaeróbio.
 LÍQUIDO PLEURAL
 É continuamente produzido pela pleural parietal por filtração do plasma, através do endotélio vascular em uma quantidade média de 1 a 15ml , sendo absorvido pela pleura visceral . Localiza-se entre as duas faces da pleura, separando-as. O líquido é formado pela filtração do plasma através do endotélio capilar, a uma velocidade controlada pela pressão capilar, pressão osmótica do plasma e permeabilidade capilar. Apesar de o líquido pleural não coagular, devido a baixa concentração de fibrinogênio, as amostras devem ser coletadas em tubos heparinizados, porque os líquidos anormais freqüentemente contêm fibrinogênio e podem coagular após coleta.
CLASSIFICAÇÕES DAS EFUSÕES PLEURAIS
Transudatos
Exudatos
Transudatos : São acúmulos de líquidos devido a pressão hidrostática aumentada nos capilares pleurais ou a diminuição da pressão oncótica do plasma . Causas: Insuficiência Cardíaca Congestiva , Cirrose Hepática , Síndrome Nefrótica .
Exudatos: São causados pelo aumento da permeabilidade capilar ou pela reabsorção linfática diminuída. Causas: Infecções, Neoplasias.
INFECÇÕES:
Tuberculose (alta percentagem de linfócitos)
Pneumonia bacteriana
Pneumonia viral ou Micoplasma
Infarto Pulmonar
Infecção da Pleura
LES
Doença Reumatóide
NEOPLASIAS
Carcinoma Broncogênico
Carcinoma Metastático
Linfoma
OBS.: EFUSÃO é o acumulo de líquidos no espaço Pleural .
 Classicamente, a proteína do líquido pleural é usada para distinguir Transudatos e Exudatos. Sua concentração normal é de 1 a 2 g/dl .
Transudatos = Proteínas abaixo de 3,0 g/dl
Exudatos = Proteínas acima de 3,0 g/dl
 EXAME FÍSICO
 O líquido pleural normal tem aspectos límpidos e cor amarelo pálido . Apresenta-se hemorrágico em processos traumáticos e no hemotórax, turvo nos processos inflamatórios e leitosos nos derrames quilosos (obstrução do canal torácico) ou psudo-quilósos (derrames crônicos).
 CITOLOGIA GLOBAL E ESPECÍFICA
 A contagem global de células tem valor limitado no auxílio do diagnóstico diferencial dos derrames pleurais. Valores acima de 1000 células são encontrados nos exudatos. 
 O predomínio de neutrófilos acontece em 90% dos casos de pneumonia, infarto pulmonar e pancreatite. Apenas 10% dos transudatos apresentam predomínio de polimorfonucleares.
 O predomínio de linfócitos ocorre nas inflamações crônicas, tuberculose, LES, Linfoma, Uremia, Artrite Reumatoide. A eosinofilia acontece em processos inespecíficos como o pneumotórax , traumas , derrames pós-operatórios , infarto pulmonar e ICC . Aparece também nas doenças parasitárias, infecções por fungos e síndromes de hipersensibilidade. 
OBS.: A formação “in vivo” de células LE é incomum, mas pode ocorrer em líquido pleural associado com lúpus Eritematoso Sistêmico disseminado .
 ANÁLISE QUÍMICA
Glicose: São considerados normais níveis semelhantes aos plasmáticos. Valores considerados diminuídos abaixo de 60 mg/dl ou quando a relação de glicose líquido/soro for inferior a 0, 5, encontrados nos Empiemas , Tuberculose , Lúpus , Doenças Reumáticas e na ruptura do Esôfago .
Proteínas: A concentração de proteína é um dos fatores que norteiam a classificação dos líquidos orgânicos em exsudatos e transudatos. Os transudatos são derrames causados por fatores mecânicos que influenciam a formação e ou a reabsorção. A Cirrose hepática, Síndrome Nefrótica e ICC cursam com níveis de proteínas abaixo de 50% dos níveis plasmáticos.
 Os exudatos são derrames causados por lesão do revestimento mesotelial, com aumento da permeabilidade capilar ou diminuição da reabsorção linfática. Neoplasias, Doenças do Colágeno (LES), cursam com níveis de proteínas 50% acima dos plasmáticos.
Amilase: Sua atividade no líquido pleural é elevada (aproximadamente duas vezes a da amilase sérica). Ex: Pancreatite aguda e Ruptura Esofagiana. Cerca de 10% das efusões malignas possuem atividade da amilase elevada.
LDH: Seus níveissão sempre analisados em relação aos níveis séricos. Os exsudatos possuem uma relação líquido/soro maior que 0,6 e os transudatos menor que 0,6. Está elevada em algumas Neoplasias, Pleurite Reumatóide.
Adenosina Deaminase: Encontram-se aumentadas nos derrames pleurais tuberculosos.
CEA: (Antígeno Carcinoembrionário) possui uma sensibilidade de aproximadamente 60 a 70% para o Câncer do Pulmão e 40 a 50 % para outras malignidades.
 ESTUDOS MICROBIOLÓGICOS
 As bactérias mais comuns associadas com o derrame pleural são o Staphilococcus aureus e as espécies coliformes. Deve ser realizada pesquisa para anaeróbio e aeróbio nas amostras. A sensibilidade do GRAM gira em torno de 50 a 80 % e do BAAR de 10 a 25 % .
 A sensibilidade para cultura de tuberculose é de 30 % , porem a combinação Biópsia Pleural, BAAR e cultura aumentam o grau de sensibilidade para 75 a 90 % .
 LÍQUIDO PERITONEAL OU ASCÍTICO
 A presença de mais de 50 ml de líquido ascítico na cavidade peritoneal já é patológica, podendo ocorrer por doenças que envolvam primariamente ou não o peritônio. Sua coleta é feita por punção abdominal no quadrante inferior esquerdo, onde a alça intestinal tem mais mobilidade, o que diminui os riscos de acidentes.
 O líquido ascítico assim como o pleural é um filtrado do plasma que se forma por aumentada pressão hidrostática capilar ou diminuição da pressão oncótica do plasma (Transudatos) e por aumento da permeabilidade capilar ou diminuição da reabsorção.
TRANSUDATOS
ICC
Cirrose Hepática
Pericardites
Hipoalbuminemia
Síndrome Nefrótica
Obstrução da Veia Hepática
EXSUDATOS
Tuberculose
Neoplasias Primárias
Neoplasias Metastática
Pancreatites
Esquistossomose
 EXAME FÍSICO
Aspecto, Cor, Densidade.
ASPECTO
Exsudatos: turvos ou purulentos
Transudatos: Límpidos, Serosos, Hemorrágicos (Processos Malignos, Tuberculose, Pancreatite aguda).
COR: Normalmente possui cor amarelo palha; Encontra-se amarelo turvo ou alaranjado quando hemorrágico; Amarelo ouro nas icterícias e esverdeado na perfuração da vesícula biliar, Colecistite e punção intestinal.
DENSIDADE: Menor que 1016 nos transudatos, e maior que 1016 nos Exsudatos.
 EXAME QUÍMICO
Proteínas: A concentração de proteína sérica é um dos fatores que norteiam a classificação dos líquidos orgânicos em Exsudatos e transudatos. O teor de proteínas é influenciado de forma importante por alterações do líquido extracelular e dos mecanismos de formação e reabsorção.
Glicose: Em níveis semelhantes aos do plasma, estando abaixo de 60 mg/dl na tuberculose e na carcinomatose Peritoneal. Níveis elevados podem ser encontrados nos diabetes descompensados.
Amilase: Níveis aumentados podem ser encontrados em Úlceras pépticas perfuradas, Obstrução Intestinal, Pancreatites, Trombose mesentéricas e Necrose das alças intestinais. A relação da amilase no líquido ascítico e a do soro maior que dois é características de lesões pancreáticas, Pancreatite e lesões traumáticas.
LDH: Seus níveis são sempre relacionados com o soro. Os exsudatos a relação é maior que 0,6 e nos transudatos menor que 0,6. Níveis muitos elevados são encontrados nas Neoplasias.
 OUTRAS DOSAGENS
Mucoproteínas, triglicérides, Leucino-aminopeptidase.
Mucoproteínas: Níveis elevados na Tuberculose e Carcinomatose Peritoneal. Níveis baixo na Cirrose Hepática.
Triglicérides : Níveis superior aos plasmáticos encontrados na Ascíte quilosa .
Leucino-aminopeptidase: Muito elevada nas Neoplasias.
 LÍQUIDO SINOVIAL
 O líquido sinovial é um ultrafiltrado do plasma acrescido de substâncias sintetizadas pela própria sinóvia. Mantém a integridade, age como lubrificante e nutriente para cartilagem articular. Somente pequenas quantidades de proteínas de alto peso molecular, como fibrinogênio e globulinas, são adicionados a este ultrafiltrado.
 A artrocentese deve ser realizada com anestesia local, tomando-se a precaução de não injetar o anestésico intra-articular e de realizar uma rigorosa assepsia antes da punção. O material colhido deve ser distribuído em frascos: com heparina para exame físico, bioquímico e imunológico e com EDTA para citologia global. As lâminas para citologia específica devem ser preparadas no momento da coleta e secas à temperatura ambiente e, um frasco estéril deve ser colhido para a análise microbiológica. O exame deve ser realizado imediatamente após a coleta, para não prejudicar a qualidade da análise, especialmente da dosagem de glicose.
 EXAME FÍSICO
Viscosidade: É um dos parâmetros mais importante do exame físico. O líquido normal possui uma alta viscosidade que depende diretamente da concentração de ácido hialurônico. Diminuições da viscosidade são encontradas em processos inflamatórios (sendo a alteração proporcional à intensidade do processo) como a artrite reumatóide, gotosa e séptica.
Aspecto: O normal é cristalino. A turvação ocorre pelo aumento da celularidade, e é referida em cruzes (1 a 4 +), ou por presença de cristais, fibrina. Os líquidos quiloso ou pseudoquiloso podem aparecer na artrite tuberculosa, artrite reumática crônica ou gotosa aguda, ou ainda, mais raramente, no LES. O líquido sinovial purulento aparece na artrite séptica aguda.
Cor: A cor normal é incolor ou amarelo pálido. O líquido sinovial esverdeado pode ser encontrado em associação com a artrite séptica por Hemophilus influenzae, na artrite reumática crônica e na gota aguda. O líquido hemático ocorre em fraturas, tumores, traumas externos ou de punção, na hemofilia mais raramente na artrite séptica e artrite reumatóide.
 CITOLOGIA GLOBAL E ESPECÍFICA
 
 O líquido sinovial normal é praticamente acelular. Possuem cerca de 20% de polimorfonucleares e os outros 80% mononucleares: monócitos, linfócitos e histiócitos. Valores aumentados de polimorfonucleares podem ser encontrados nas artrites sépticas, gota e artrite reumatóide. Porem pode ser observado também predomínio de linfócitos na artrite reumatóide.
 Em líquido turvo, onde a contagem global seja alta e necessite diluição da amostra, deve ser usada salina em lugar do ácido acético, porque este precipitará o ácido hialurônico e formará grumos de leucócitos.
 Se o líquido sinovial for altamente viscoso, deve ser incubado com hialuronidase antes da contagem. Se estiverem presentes grandes números de eritrócitos , eles podem ser lisados usando um dos seguintes métodos : ( 1 ) diluição com saponina a 1% em salina ; ( 2 ) diluição com salina a 0,3N ; ( 3 ) diluição com HCL 0,1N.
 O limite superior normal para contagem leucocitária e de aproximadamente 200 / mm3. Já que pode ocorrer a degeneração dos leucócitos uma hora após a coleta da amostra, as contagens devem ser feitas imediatamente.
 Eosinófilos acima de 2% tem sido relatado no carcinoma metastático, febre reumática aguda, verme de Guiné, artrite reativa causada por Strongilóides.
 EXAMES PARA CRISTAIS
 Cinco tipos gerais de cristais endógenos podem precipitar em ou ao redor de articulações e causar sintomas de artrite clínica: Urato monossódico, Pirofosfato de cálcio, Apatita, Lipídios e Oxalato de Cálcio. As condições clínicas correspondentes têm sido denominadas “Gota”.
 Os cristais de urato de sódio (gota), pirofosfato de cálcio (Condrocalcinose), Hidroxiapatita (Sinovite cristal induzida) e Colesterol (artrite reumatóide) podem ser encontrados pela pesquisa à microscopiade luz polarizada.
 EXAME QUÍMICO
Glicose: Níveis semelhantes ao do plasma. Nos processos inflamatórios a diferença pode chegar a 40 mg / dl. Quanto maior a diferença maior o processo inflamatório.
Proteínas: Níveis inferiores ao plasma. Encontram-se elevado nas artropatias inflamatórias, artrites sépticas e reumáticas.
 ESTUDOS MICROBIOLÓGICOS
 A coloração de gram deve ser feita como parte da rotina. A coloração do gram é positiva em aproximadamente 75% em pacientes com infecções estafilocócicas ; 50% na artrite séptica . A coloração de Ziehl-Neelsen (BAAR) possui uma sensibilidade de 20% .
 A cultura de líquido sinovial é positiva na maioria dos pacientes com artrite bacteriana não gonocócica. As culturas para Micobacteria tuberculosis são positivas em 80% de pacientes com artrite tuberculosa.
 LÍQUIDO PERICARDICO
 Uma pequena quantidade de líquido pericárdico está normalmente presente. O aumento do líquido na cavidade pericárdica pode ser produzido por inflamação, tumor ou hemorragia.
 EXAME MACROSCÓPICO
 O líquido pericárdico normal é claro, amarelo-pálido e varia de 10 a 50 ml de volume. Podem ocorrer efusões hemorrágicas em uma grande variedade de condições, incluindo pericardite idiopática hemorrágica, Síndromes pós-enfarto do miocardio, pericardite tuberculosa, LES, doença reumatóide, carcinoma matastático entre outros.
 CAUSAS DE EFUSÕES PERICÁRDICAS
Infecção 
Pericardite bacteriana
Tuberculose
Pericardite Fúngica ou Viral
Neoplasias 
Carcinoma Metastático
Linfoma
Hemorrágica 
Trauma 
Terapia anticoagulante
Metabólico 
Uremia
Doença Reumatóide
LES
 EXAME MICROSCÓPICO
 As contagens das células vermelhas e de hematócrito são úteis para documentar as efusões hemorrágicas, mas tem pouco valor no diagnóstico diferencial.A contagem de leucócitos totais tem algum valor no diagnóstico diferencial. Apesar de, em algumas contagens de leucócitos acima de 10.000 /mm3 sugerem pericardite bacteriana.
 ANÁLISES QUÍMICAS
Proteína: Possuem pouco valor diagnóstico
Glicose: Pode estar diminuída (abaixo de 40 mg/dl) nas efusões devido à infecção bacteriana ou tuberculosa, doença reumatóide e malignidade. Porem possui valor diagnóstico limitado.
Lipídios: As determinações de colesterol e triglicérides, juntamente com a eletroforese das lipoproteínas, podem ser úteis no diagnóstico diferencial das efusões quilosas versus pseudoquilosas.
 EXAMES MICROBIOLÓGICOS
 As estruturas razoáveis para a sensibilidade da coloração de gram e de cultura na pericardite bacteriana seriam respectivamente de 50 e 80%.
 Na pericardite tuberculosa, a sensibilidade do BAAR e de cultura são aproximadamente 50%. Porem na biópsia esse percentual sobe para 90 %.
 ESCARRO
 As secreções traqueobroquiais são uma mistura inconstante de plasma, água, eletrólitos e mucina. À medida que essas secreções passam através do trato respiratório alto e baixo, tornam-se contaminadas com esfoliação celular, secreções das glândulas nasais e salivares e pela flora bacteriana normal da cavidade oral. Esta mistura de secreções e particular é geralmente denominado escarro.
 Ao contrário das infecções das vias aéreas superiores, as que acometem o trato respiratório inferior tendem a ser mais grave, principalmente quando causadas por gram negativos em doentes hospitalizados e debilitados. Grande parte dessas infecções é de etiologia bacteriana.
 Sob adequado estímulo imunológico ou inflamatório, mastócitos, eosinófilos e as células plasmáticas podem contribuir para a formação dessas secreções. Ocorre um volume indeterminado do escarro como um transudatos do plasma nos capilares mucosos e nas condições normais este fenômeno parece ser bastante pequeno. Porém, com inflamação grave, o líquido traqueal pode ser virtualmente somente um transudado plasmático.
 A composição química do escarro revela que este é composto de aproximadamente 95 % de água e 5% de sólidos totais. Os sólidos são principalmente carboidratos, proteínas, lipídios e ácido Desoxirribonucléico (DNA). Esses sólidos aumentam em quantidade com o aumento da inflamação. O DNA origina-se do rompimento de leucócitos, macrófagos e das células epiteliais bronquiais e em algumas doenças como na fibrose Cística pode aumentar até 30 vezes além dos níveis normais.
 Apesar do grande número de microorganismos viáveis inalados, o trato respiratório se mantém virtualmente estéril. Dois mecanismos são responsáveis por este efeito: O Sistema Mucociliar e o Sistema Macrofagoalveolar.
 COLETA DA AMOSTRA
 Para a maioria dos exames, a primeira amostra da manhã é a melhor, por que apresenta as secreções pulmonares acumuladas durante a noite. Contudo, a maioria das secreções traqueobronquiais não é eliminada pela boca, mas é deglutida durante o sono.
 Deve-se frisar a importância de se colher escarro e não saliva para obter-se um resultado útil. Colher o material antes da ingestão de alimentos sólidos ou líquidos. Em pacientes com expectoração escassa recomenda-se o aumento da ingestão de líquidos no dia anterior ao exame. O material deve ser entregue no prazo de duas horas. Não resfriar.
 EXAME MACROSCÓPICO DO ESCARRO
 No exame grosseiro do escarro os seguintes encontros macroscópicos são importantes e devem ser notados. 
Consistência e Aparência
Cor
Odor
Consistência e Aparência: O escarro pode ser descrito como líquido (Seroso), mucóide, purulento, sanguinolento ou as combinações destes. Usualmente as doenças específicas têm consistência e aparência características. P.ex: Edema Pulmonar, seroso, espumoso e tingido de sangue. Nas amostras normais de escarro, a aparência é clara e aquosa e qualquer opacidade resulta de material celular suspenso.
Cor: É determinada pelo material nele contido e, muitas vezes, a cor pode indicar o processo patológico. A cor do escarro, porém, não é um indicador confiável da composição celular. Uma cor amarela indica que o pus e células epiteliais estão presentes e é comumente visto nos processos pneumônicos. Quando associada à coloração verde, pode-se considerar as Pseudomonas como agente etiológico. Contudo, o escarro que permanece em repouso por mais de 24 horas tornam-se acinzentados devido à degradação de neutrófilos.
Odor: Usualmente não há odor presente no escarro normal ou patológico, mas se a decomposição bacteriana se iniciou no corpo ou após expectoração, pode estar presente uma variedade de odores. Condições supurativas como abscessos pulmonares, tuberculose cavitária ou gangrena produzem os odores mais pútridos.
 EXAME MICROSCÓPICO
 O exame das amostras coradas revela melhor todas as bactérias e células. Após a realização dos esfregaços, devemos seca-lo, depois flambar, para fixar e matar todos os organismos infecciosos, antes de cora-los.
 As células sangüíneas são mais bem identificadas com coloração de wright ou Giemsa. Os neutrófilos podem estar presentes, em quase todas as amostras de escarro como células parcialmente desintegradas, e sua presença intacta freqüentemente, indica uma infecção piogênica. Os eosinófilos são encontrados em grande número no escarro de pacientes com Asma Brônquica. Os eritrócitos estão usualmente presentes como contaminantes, mas em grandenúmero indicam um exsudato ou hemorragia.
 PROCESSAMENTO DO ESCARRO
 As amostras de escarro devem ser triadas por exame microscópico antes de ser cultivadas. Já que muitos organismos potencialmente patogênicos são comumente encontrados na orofaringe, não pode ser confiavelmente interpretado.
 Ao passar pela cavidade oral o escarro contamina-se com a rica microbiota anaeróbia e aeróbia local, tornando o material inadequado para a investigação de infecções anaeróbias pulmonares e apresenta grande número de resultados falso-positivos e negativos, quando comparados com os obtidos por aspirado traqueal, coletado por Broncoscopia ou punção transtorácica.
 A cultura deve ser correlacionada com a coloração prévia do gram. Se forem vistos muitos organismos na coloração de gram, mas se houver pouco ou nenhum crescimento na cultura, então ou o meio de cultura foi inadequado ou a flora foi suprimida por antibióticos. Os anaeróbios requerem atenção especial, porque o escarro não é uma amostra adequada para cultura. 
 LAVADO BRONCOALVEOLAR (BAL)
 A cultura quantitativa do lavado broncoalveolar é importante no diagnóstico de pneumonia associada à ventilação assistida, onde a contagem a partir de 104 colônias por mililitros é indicativa de pneumonia bacteriana. Abaixo desses valores, sugere contaminação da orofaringe. O material após ser colhido pelo médico deverá ser enviado ao laboratório no prazo de uma hora.
Exames Solicitados
Gram
Pesquisa de Fungos
Cultura para aeróbios
Cultura para anaeróbios
Cultura para Mycoplasma
BAAR
Cultura para BK
Cultura para Fungos
TSA