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11
O Periodonto Normal
Introdução
Michael G. Newman
O periodonto consiste em tecidos de recobrimento e suporte do 
dente: gengiva, ligamento periodontal, cemento e osso alveolar. Ele 
foi dividido em duas partes: a gengiva, cuja principal função é pro-
teger os tecidos subjacentes, e o aparato de inserção, composto 
pelo ligamento periodontal, cemento e osso alveolar. O cemento é 
considerado parte do periodonto porque, juntamente com o osso, 
serve de suporte para as fi bras do ligamento periodontal.
O periodonto está sujeito a variações morfológicas e funcionais, 
assim como a mudanças associadas à idade. Esta seção lida com 
as características normais dos tecidos do periodonto, já que esse 
conhecimento realmente é necessário para o entendimento da 
doença periodontal.
Os tecidos moles e duros que cercam os implantes dentais 
possuem muitas características similares e algumas diferenças 
importantes, quando comparados ao tecido periodontal, como 
discutido mais adiante, no Capítulo 68.
PARTE 1
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12
 SUMÁRIO DO CAPÍTULO 
 MUCOSA ORAL 
 GENGIVA 
 Características Clínicas 
 Características Microscópicas 
 Correlação das Características Clínicas 
e Microscópicas 
 LIGAMENTO PERIODONTAL 
 Fibras Periodontais 
 Elementos Celulares 
 Substância Fundamental 
 Funções do Ligamento Periodontal 
 CEMENTO 
 Permeabilidade do Cemento 
 Junção Amelocementária 
 Junção Cementodentinária 
 Espessura do Cemento 
 Reabsorção e Reparo do Cemento 
 Exposição do Cemento à Cavidade Oral 
 PROCESSO ALVEOLAR 
 Células e Matriz Intercelular 
 Parede do Alvéolo 
 Medula Óssea 
 Periósteo e Endósteo 
 Septo Interdentário 
 Topografi a Óssea 
 Fenestração e Deiscência 
 Remodelação do Osso Alveolar 
 DESENVOLVIMENTO DO APARATO 
DE INSERÇÃO 
 Cemento 
 Ligamento Periodontal 
 Osso Alveolar 
 Migração Fisiológica dos Dentes 
 FORÇAS EXTERNAS E O PERIODONTO 
 VASCULARIZAÇÃO DAS ESTRUTURAS 
DE SUPORTE 
CAPÍTULO 2
 Anatomia do Periodonto 
 Joseph P. Fiorellini , Daniel W.K. Kao , David M. Kim e N. Guzin Uzel 
periodonto normal fornece o supor te necessário para 
manter os dentes em funç ão. Ele consiste em quatr o 
componentes principais: gengiva, ligamento periodontal, 
cemento e osso alveolar. Cada um desses componentes periodontais 
é distinto na sua localização, arquitetura tecidual, composição bio-
química e composição química, mas todos eles atuam em conjunto 
como uma única unidade. Pesquisa recente revelou que os compo-
nentes da matriz extracelular de um compar timento periodontal 
podem infl uenciar as atividades celulares das estruturas adjacentes. 
Portanto, as alterações patológicas que ocorrem em um componente 
periodontal podem ter ramifi cações signifi cativas para a manutenção, 
o reparo ou a regeneração de outros componentes do periodonto. 18 
 Este capítulo discute primeiramente os componentes estruturais 
do periodonto normal e, depois, descreve o seu desenvolvimento, 
vascularização, inervação e funções. 
 MUCOSA ORAL 
 A mucosa oral consiste nas três zonas a seguir: 
 1. A gengiva e o r evestimento do palato dur o, denominados 
 mucosa mastigatória . 
 2. O dorso da língua, revestido pela mucosa especializada . 
 3. A m ucosa oral que r eveste o r estante da c avidade oral. A 
 gengiva é a parte da mucosa oral que recobre o processo alveo-
lar dos maxilares e circunda o colo dos dentes. 
 GENGIVA 
 Características Clínicas 
 No adulto, a gengiva normal recobre o osso alveolar e a raiz dental 
em nível coronal à junção cemento-esmalte. A gengiva é dividida 
anatomicamente em marginal , inserida e área interdental . Embora 
cada tipo de gengiva exiba consideráv el variação na diferenciação, 
histologia e espessura, de acordo com a sua demanda funcional, todos 
os tipos são especifi camente estruturados para funcionar de forma 
adequada contra danos mecânicos e microbianos. 7 Ou seja, a estru-
tura específi ca de diferentes tipos de gengiva refl ete a sua efi cácia 
como uma barreira à penetração de microrganismos e agentes nocivos 
mais profundamente no tecido. 
 Gengiva Marginal . A gengiva marginal, ou não inser ida , é a 
porção terminal ou borda da gengiva ao redor dos dentes em forma 
 O 
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13CAPÍTULO 2 Anatomia do Periodonto
de colar ( Figs. 2-1 e 2-2 ). 6 Em torno de 50% dos c asos, ela é 
demarcada da gengiva inser ida adjacente por uma depr essão linear 
rasa, o sulco gengival livre . 6 N ormalmente medindo apr oximada-
mente 1 mm de largura, a gengiva marginal forma a par ede de 
tecido mole do sulco gengival e pode ser separada da super fície 
dental com uma sonda per iodontal. 
 O ponto mais apical do arco côncavo da gengival marginal é 
chamado de zênite gengival . Suas dimensões apicocoronal e mesiodis-
tal variam entre 0,06-0,96 mm. 173 
 Sulco Gengival . O sulco gengival é um espaço raso ou fenda 
ao redor do dente delimitado pela super fície dental de um lado e o 
epitélio de revestimento da gengiva marginal livre no outro. Possui 
a forma de V e mal permite a entrada de uma sonda per iodontal. 
A determinaç ão c línica da pr ofundidade do sulco gengival é um 
importante parâmetro de diagnóstico. Sob condições absolutamente 
normais e ideais, a profundidade do sulco é de z ero ou próximo a 
0 mm. 107 Essas condições estr itas de normalidade podem ser pr o-
duzidas experimentalmente apenas em animais livres de germes ou 
após intenso e pr olongado controle do biofi lme. 13,50 
 Na gengiva humana c linicamente normal, um sulco de alguma 
profundidade pode ser encontrado. A profundidade desse sulco, como 
determinado em secções histológicas, foi determinada em 1,8 mm, 
com variações de 0-6 mm 199 ; outros estudos relataram 1,5 mm 294 e 
0,69 mm. 95 A avaliação clínica usada para determinar a profundidade 
do sulco envolve a introdução de um instrumento metálico, a sonda 
periodontal e a estimativa da distância que ela penetra. A profundi-
dade histológica de um sulco não pr ecisa ser exatamente igual 
à profundidade de penetração da sonda. A chamada profundidade 
de sondagem de um sulco gengival clínico normal em seres humanos 
é de 2-3 mm ( Cap. 30 ). 
 Gengiva Inserida . A gengiva inser ida é contínua com a gen-
giva marginal. Ela é fi rme, resiliente e fortemente ligada ao periós-
teo do osso al veolar subjacente . O aspecto v estibular da gengiva 
inserida se estende à mucosa alveolar relativamente frouxa e móvel, 
e é demarcada pela junção mucogengival ( Fig. 2-2 ). 
 A largura da gengiva inserida é outro parâmetro clínico impor-
tante. 7 É a distância entre a junção mucogengival e a projeção na 
superfície externa do fundo do sulco gengival ou da bolsa periodontal. 
Ela não deve ser confundida com a largura da gengiva queratinizada 
porque a última inclui também a gengiva marginal ( Fig. 2-2 ). 
 A largura da gengiva inser ida no aspecto vestibular varia em 
diferentes áreas da boca. 41 Ela é geralmente maior na r egião dos 
incisivos (3,5-4,5 mm na maxila e 3,3-3,9 mm na mandíbula) e mais 
estreita nos segmentos posteriores (1,9 mm na maxila e 1,8 mm nos 
primeiros pré-molares inferiores; 6 Fig. 2-3 ). 
 Em razão de a junção mucogengival permanecer estacionária ao 
longo da vida adulta, 4 mudanças na largura da gengiva inserida são 
causadas pelas modifi cações na posição da sua porção coronal. A 
largura da gengiva inserida aumenta com a idade 4 e em dentes su-
praerupcionados. 5 Na face lingual da mandíbula, a gengiva inserida 
termina najunção da mucosa alveolar lingual, a qual é contínua com 
a mucosa de revestimento do assoalho da língua. A superfície palatina 
da gengiva inserida na maxila se mistura imperceptivelmente com a 
mucosa palatina, igualmente fi rme e resiliente. 
 Gengiva Interdental . A gengiva inter dental ocupa a ameia 
gengival, que é o espaço interproximal abaixo da área de contato dos 
dentes. A gengiva interdental pode ser piramidal ou ter a forma de 
“ col ”. Na primeira, a ponta da papila está loc alizada imediatamente 
abaixo do ponto de contato; a última apr esenta uma depr essão em 
forma de vale que conecta a papila v estibular e lingual, em confor-
midade com a forma do contato inter proximal 63 ( Figs. 2-4 e 2-5 ). 
 A forma da gengiva em determinado espaço interdental depende 
do ponto de contato entre dois dentes adjacentes e da presença ou 
ausência de algum grau de retração. A Figura 2-6 descreve as varia-
ções na gengiva interdental normal. 
 Figura 2-1 Gengiva normal em adulto jov em. O bserve a demar cação 
(linha mucogengival; setas ) entre a gengiva inserida e a mucosa alveolar mais 
escura. 
Mucosa alveolar
Junção mucogengival
Sulco marginal
Gengiva inserida
Gengiva marginal ou livre
Sulco gengival
 Figura 2-2 O diagrama mostra os pontos de r eferência anatômicos da 
gengiva. Figura 2-3 Largura média da gengiva inser ida na dentição permanente. 
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PARTE 1 O Periodonto Normal14
 As superfícies vestibular e lingual são afi ladas em direção à área 
de contato interproximal, enquanto as superfícies mesial e distal são 
levemente côncavas. As bordas laterais e as pontas das papilas in-
terdentais são formadas pela gengiva marginal dos dentes adjacentes. 
A porção central consiste em gengiva inserida ( Fig. 2-7 ). 
 Se um diastema estiver presente, a gengiva torna-se fi rmemente 
aderida ao osso interdental e forma uma superfície lisa e arredondada 
sem papilas interdentais ( Fig. 2-8 ). 
 Características Microscópicas 
 O exame microscópico revela que a gengiva é composta de um epi-
télio externo escamoso estratifi cado e do tecido conjuntivo central 
subjacente. Embora o epitélio seja predominantemente celular por 
natureza, o tecido conjuntivo é menos celular e composto principal-
mente por fi bras colágenas e substância fundamental. Esses dois 
tecidos estão considerados separadamente. * 
 * Uma descr ição detalhada da histologia gengival pode ser encontrada 
em S chroeder H E: Th e per iodontium, N ew York, 1986, S pringer-
Verlag; e em Biological structure of the normal and diseased periodon-
tium, Periodontology 2000 13, 1997. 
 Figura 2-7 Papila interdental ( seta ) com porção central formada por gen-
giva inserida. A forma da papila var ia de acordo com a dimensão da ameia 
gengival. (Cortesia do Dr. Osvaldo Costa.) 
A B
C D
 Figura 2-6 Diagramas comparando as var iações anatômic as do col inter dental na gengiva normal ( lado esquerdo ) e após r etração gengival ( lado direit o ). 
 A e B , Segmento anterior inferior, vistas v estibular e v estibulolingual, respectivamente. C e D , Região poster ior inferior, vistas v estibular e v estibulolingual, 
respectivamente. Os pontos de contato dentais são mostrados por mar cações pretas nos dentes infer iores individuais. 
 Figura 2-8 Ausência de papila interdental e de col onde o contato do dente 
proximal está faltando. (Cortesia do Dr. Osvaldo Costa.) 
 Figura 2-5 Secção vestibulolingual (macaco) mostra o col entre as papilas 
interdentais v estibular e lingual. O col é r evestido por epitélio esc amoso 
estratifi cado não queratinizado. 
 Figura 2-4 Local de extraç ão mostra a papila inter dental v estibular e 
palatina e o col entre elas ( seta ). 
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15CAPÍTULO 2 Anatomia do Periodonto
 Epitélio Gengival 
 Aspectos Gerais da Biologia do Epitélio . Historicamente, 
pensava-se que o compartimento epitelial funcionava apenas como 
barreira física à inserção gengival subjacente e à infecção. Contudo, 
agora se acr edita que as células epiteliais desempenham um papel 
ativo na defesa inata do hospedeir o por r esponder às bactér ias de 
maneira interativa, 69 o que signifi ca que o epitélio par ticipa ativa-
mente da r esposta à infecç ão, da sinaliz ação de outras r eações do 
hospedeiro e da integração das respostas imunes inata e adquir ida. 
Por exemplo, as células epiteliais podem responder às bactérias pelo 
aumento na proliferação, alteração dos eventos de sinalização celu-
lar, mudanças na diferenciação e morte celular, e, por fi m, alterações 
na homeostase tecidual. 69 Para entender essa nova perspectiva das 
respostas de defesa inata epitelial e o papel do epitélio na saúde e 
doença gengival, é importante compreender sua função e estrutura 
básicas ( Quadro 2-1 ). 
 O epitélio gengival consiste em um r evestimento contínuo de 
epitélio escamoso estratifi cado, e as três diferentes áreas podem ser 
defi nidas a partir de pontos de vista morfológico e funcional: epitélio 
externo ou oral, epitélio sulcular e epitélio juncional. 
 O principal tipo celular do epitélio gengival, bem como de outros 
epitélios escamosos estratifi cados, é o queratinócito . Outras células 
encontradas no epitélio são as células c laras ou não queratinócitos, 
que incluem as células de L angerhans, as células de Merkel e os 
melanócitos. 
 A principal função do epitélio gengival é proteger as estruturas 
profundas, enquanto permite o intercâmbio seletivo com o meio 
ambiente oral. Isso é alcançado pela proliferação e diferenciação dos 
queratinócitos. 
 A proliferação dos queratinócitos ocorre por mitose na camada 
basal e, menos frequentemente, nas camadas suprabasais, em que 
uma pequena proporção de células permanece com comportamento 
proliferativo, enquanto um grande número começa a migrar para a 
superfície. 
 A diferenciação envolve o processo de queratinização, que consiste 
nas progressões de eventos bioquímicos e morfológicos que ocorrem 
na célula à medida que migram da camada basal ( Fig. 2-9 ). As prin-
cipais alterações morfológicas são (1) achatamento progressivo da 
célula com prevalência aumentada de tonofi lamentos, (2) junções 
intercelulares aliadas à produção de grânulos de querato-hialina e (3) 
desaparecimento do núc leo. (Consulte Schroeder 236 para mais 
detalhes.) 
 Um completo processo de queratinização leva à produção de uma 
camada córnea superfi cial ortoqueratinizada similar à da pele , sem 
núcleos no estrato córneo e estrato granuloso bem def inido 
 Funções 
 Barreira mecânica, química, microbiana e contra água 
 Funções de sinalização 
 Integridade da Arquitetura 
 Adesão célula-célula 
 Lâmina basal 
 Citoesqueleto de queratina 
 Tipo Celular Principal 
 Queratinócito 
 Outros Tipos Celulares 
 Células de Langerhans 
 Melanócitos, células de Merkel 
 Renovação Constante 
 Substituição de células danifi cadas 
 Adesão Célula-Célula 
 Desmossomos, aderências juncionais 
 Junções oclusivas, junções tipo gap 
 Lâmina Basal-Célula 
 Síntese de componentes da lâmina basal 
 Hemidesmossomos 
 QUADRO 2-1 Funções e Características do Epitélio Gengival 
 Modifi cada de Dale BA: Periodontol 2000 30:71, 2002. 
Estrato
córneo
Estrato
granuloso
Estrato
espinhoso
Estrato
basal
Gotícula
de lipídio
Querato-hialina
Grânulos
lamelares
Tonofibrilas
Complexo de Golgi
Espaço intercelular
Desmossomo
Mitocôndria
Retículo endoplasmático
rugoso
Membrana basal
 Figure 2-9 Diagrama mostrando célu-
las representativas de vár ias camadas do 
epitélio escamoso estratifi cado conformeobservado pela micr oscopia eletr ônica. 
 (Modifi cada de Weinstock A: In Ham 
AW: Histology ed 7, Philadelphia, 1974, 
Lippincott.) 
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PARTE 1 O Periodonto Normal16
( Fig. 2-10 ). Apenas algumas áreas do epitélio gengival externo são 
ortoqueratinizadas; as outras áreas gengivais são cobertas por epitélio 
paraqueratinizado ou não queratinizado, 46 e considerado pertencente 
a estágios intermediários de queratinização. Essas áreas podem 
amadurecer ou se desdiferenciar sob distintas condições fi siológicas 
ou patológicas. 
 No epitélio paraqueratinizado , o estrato córneo retém núcleos 
picnóticos e os grânulos de querato-hialina estão dispersos, não 
dando origem a um estrato granuloso. O epitélio não queratinizado 
(embora as citoqueratinas sejam o principal componente, como em 
todos os epitélios) não tem estrato granuloso nem córneo, enquanto 
as células superfi ciais possuem núcleos viáveis. 
 Técnicas de imuno-histoquímica, gel de eletroforese e imunotrans-
ferência têm identifi cado o padrão característico das citoqueratinas 
possíveis em cada tipo epitelial. As proteínas da queratina são com-
postas por diferentes subunidades de polipeptídeos caracterizadas por 
seus pontos isoelétricos e pesos moleculares. Eles são numerados em 
sequência contrária aos seus pesos moleculares. Geralmente, as células 
basais começam a sintetizar queratinas de baixo peso molecular, como 
a K19 (40 kD), e expressam outras queratinas de alto peso molecular 
à medida que migram para a superfície. O polipeptídeo da queratina 
K1 (68 kD) é o principal componente do estrato córneo. 61 
 Outras proteínas não relacionadas às queratinas são sintetizadas 
durante o processo de maturação. As mais extensivamente estudadas 
são a queratolinina e a involucrina , as quais são precursoras de uma 
estrutura quimicamente resistente (o envelope) localizada abaixo da 
membrana celular, e a fi lagrina , cujos precursores estão armazenados 
nos grânulos de querato-hialina. Na transição súbita para a camada 
córnea, os grânulos de querato-hialina desaparecem e dão origem à 
fi lagrina, que forma a matriz das células epiteliais mais diferenciadas, 
o corneócito . 
 Assim, no estado de completa difer enciação, os corneócitos são 
principalmente formados por feixes de tonofi lamentos de queratina 
incorporados em uma matr iz amorfa de filagrina e circundados 
por um resistente envelope sob a membrana celular. Os padrões 
imuno-histoquímicos dos diferentes tipos de queratina, de proteínas 
do envelope e de fi lagrina mudam sob estímulos normais ou patoló-
gicos, modifi cando o processo de queratinização. 130-132 
 A microscopia eletrônica revela que os queratinócitos estão in-
terconectados por estruturas na periferia das células chamadas de 
 desmossomos . 156 Esses desmossomos têm uma estr utura típica que 
consiste em duas placas de adesão densas, nas quais as tonofi brilas 
se inserem, e uma linha intermediária, elétron-densa, no comparti-
mento extracelular. Os tonofi lamentos, que são a expressão morfo-
lógica do citoesqueleto de proteínas de queratina, irradiam um 
aspecto em forma de escova a partir das placas de adesão para o cito-
plasma das células. O espaço entre as células mostra projeções cito-
plasmáticas semelhantes a microvilos que se estendem para o espaço 
intercelular e, muitas vezes, se interdigitam. 
 Formas de conexão de células epiteliais menos fr equentemente 
observadas são as junções oc lusivas ( zonae occludens ), nas quais as 
membranas das células adjacentes parecem estar fusionadas. 273,292 
Evidências sugerem que essas estruturas permitem que íons e pe-
quenas moléculas passem de uma célula para outra. 
 A concentração de organelas citoplasmáticas varia entre os dife-
rentes estratos epiteliais. As mitocôndrias são mais numerosas no 
estrato mais profundo e reduzem em direção à superfície da célula. 
 De acordo com isso, a demonstração histoquímica da desidroge-
nase succínica, da nicotinamida adenina dinucleotídeo, da citocromo 
oxidase e outras enzimas mitocondr iais revelam um ciclo tricarbo-
xílico mais ativo nas células basais e parabasais, em que a proximidade 
do suprimento sanguíneo facilita a produção de energia através do 
processo de glicólise aeróbica. 
 De maneira inversa, enzimas do desvio da pentose (uma via al-
ternativa da glicólise), como glicose-6-fosfatase, aumentam a sua 
atividade em direção à superfície. Essa via produz grande quantidade 
de produtos intermediários para a produção de ácido ribonucleico 
(RNA) que, por sua vez, pode ser usado para a síntese de proteínas 
de queratinização. Esse padrão histoquímico está de acor do com o 
volume aumentado e a quantidade de tonofi lamentos observados nas 
células que alcançam a superfície; a intensidade da atividade é pro-
porcional ao grau de diferenciação. 74,85,129,206 
A B
 Figura 2-10 A , Micr oscopia eletr ônica de varr edura da gengiva queratiniz ada mostra queratinócitos achatados e seus limites na super fície da gengiva 
(1.000 × ). B , Microscopia eletrônica de varredura da gengiva marginal na extremidade do sulco gengival mostra vários queratinócitos prestes a serem esfoliados 
(3.000 × ) (De Kaplan GB, Pameijer CH, Ruben MP: J Periodontol 48:446, 1977.) 
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17CAPÍTULO 2 Anatomia do Periodonto
 As células mais superiores da camada espinhosa contêm nume-
rosos grânulos densos, os queratinossomos ou corpos de Odland , que 
são lisossomos modifi cados. 
 Eles contêm grande quantidade de fosfatase ácida, uma en-
zima envolvida na destruição das membranas das organelas, que 
ocorre repentinamente entre os estratos granuloso e córneo , e 
durante a cimentação intercelular das células córneas. Assim, a 
fosfatase ácida é outra enzima bastante r elacionada ao grau de 
queratinização. 47,127,289 
 Células não queratinócitas estão presentes no epitélio gengival, 
assim como em outros epitélios de Malpighi. Os melanócitos são 
células dendríticas localizadas nas camadas basal e espinhosa do 
epitélio gengival. Eles sintetizam melanina em organelas denomi-
nadas pré-melanossomos ou melanossomos 62,233,258 ( Fig. 2-11 ). 
 Eles contêm tirosinase, que hidrolisa a tirosina em di-hidroxifeni-
lalanina (dopa), que por sua vez é progressivamente convertida em 
melanina. Os grânulos de melanina são fagocitados e mantidos 
dentro de outras células do epitélio e do tecido conjuntivo, chamadas 
 melanófagos ou melanóforos . 
 As células de Langerhans são células dendríticas localizadas entre os 
queratinócitos em todos os níveis suprabasais ( Fig. 2-12 ). Elas per-
tencem ao sistema fagocitário mononuclear (sistema reticuloendotelial) 
como monócitos modifi cados derivados da medula óssea. Contêm 
grânulos alongados e são consideradas macrófagos com possíveis 
propriedades antigênicas. 74 As células de Langerhans desempenham 
um papel importante na reação imune como células apresentadoras 
de antígenos para linfócitos. Elas contêm grânulos g-específi cos (grâ-
nulos de Birbeck) e possuem intensa atividade da adenosina trifosfata-
se. Foram encontradas no epitélio oral da gengiva normal e em menores 
quantidades no epitélio sulcular ; estão provavelmente ausentes do 
epitélio juncional da gengiva normal. 
 As células de Merkel estão localizadas nas camadas mais profundas 
do epitélio, ancoradas às terminações nervosas e conectadas às células 
adjacentes pelos desmossomos. Elas têm sido identifi cadas como 
perceptores táteis. 191 
 O epitélio está unido ao tecido conjuntivo subjacente pela lâmina 
basal de 300-400 Å de espessura, encontrando-se aproximadamente 
a 400 Å abaixo da camada basal do epitélio. 149,241,260 A lâmina basal 
consiste em uma lâmina lúcida euma lâmina densa. Os hemides-
mossomos das células epiteliais basais estão em contato com a lâmina 
lúcida, que é composta principalmente da glicoproteína laminina. A 
lâmina densa é composta de colágeno tipo IV. 
 A lâmina basal, claramente distinguível em nível ultraestrutural, 
está conectada a uma condensação reticular das fi brilas do tecido 
conjuntivo subjacente (principalmente colágeno tipo IV ) pelas fi -
brilas de ancoragem. 186,218,263 As fi brilas de ancoragem têm 750 nm 
de comprimento do término do epitélio ao término do tecido con-
juntivo, onde elas aparecem formando laços em torno das fi bras 
colágenas. O complexo de lâmina basal e fi brilas é positivo para o 
ácido periódico de Schiff (PAS) e a linha argirofílica é observada em 
nível óptico 243,264 ( Fig. 2-13 ). A lâmina basal é permeável a fl uidos, 
mas age como barreira contra substâncias particuladas. 
 Características Estruturais e Metabólicas de Diferentes 
Áreas do Epitélio Gengival . O componente epitelial da gen-
giva apresenta variações morfológicas que refl etem a adaptaç ão teci-
dual ao dente e ao osso al veolar. 237 Essas variações incluem o epitélio 
oral, o epitélio sulcular e o epitélio juncional. Enquanto o epitélio oral 
e o epitélio sulcular têm funç ão altamente pr otetora, o epitélio jun-
cional apresenta muito mais funções e é de consideráv el importância 
na regulação da saúde tecidual. 18 É atualmente r econhecido que as 
células epiteliais não são “espectadoras passivas” nos tecidos gengivais; 
Mf
M
 Figura 2-11 Gengiva pigmentada de c ão mostra melanócitos ( M ) na 
camada epitelial basal e melanóforos ( Mf ) no tecido conjuntivo (técnica de 
Glucksman). 
BC
E
G
Cc
P
 Figura 2-13 Gengiva humana normal corada pelo método histoquímico 
do ácido per iódico de S chiff ( PAS ). A membrana basal ( B ) é vista entr e o 
epitélio ( E ) e o tecido conjuntiv o subjacente ( C ). No epitélio , o mater ial 
glicoproteico ocorr e nas células e nas membranas celular es das c amadas 
córnea ( H ) e granulosa ( G ) subjacente. O tecido conjuntivo apresenta uma 
substância fundamental amor fa, difusa e fi bras colágenas. As par edes dos 
vasos sanguíneos se destac am claramente nas projeções papilares do tecido 
conjuntivo ( P ). 
 Figura 2-12 Epitélio gengival humano, aspecto oral. Técnica da imunope-
roxidase mostrando células de L angerhans. 
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PARTE 1 O Periodonto Normal18
ao contrár io, elas são metabolic amente ativas e c apazes de r eagir a 
estímulos externos por meio da síntese de inúmeras citocinas, molé-
culas de adesão, fatores de crescimento e enzimas. 18 
 Epitélio Oral (Externo) . O epitélio oral ou externo recobre a crista 
e a superfície externa da gengiva marginal e a superfície da gengiva 
inserida. N a média, o epitélio oral possui 0,2-0,3 mm de espes-
sura. Ele é queratiniz ado ou paraqueratinizado ou apresenta várias 
combinações dessas condições ( Fig. 2-14 ). No entanto, a superfície 
prevalente é a paraqueratinizada. 32,46,290 
 O epitélio oral é composto por quatr o camadas: estrato basal 
(camada basal), estrato espinhoso (camada de células espinhosas), 
estrato granuloso (camada granulosa) e estrato córneo (camada 
corneifi cada). 
 O grau de queratinização gengival diminui com a idade e o início 
da menopausa, 203 mas não está necessariamente relacionado às dife-
rentes fases do ciclo menstrual. 133 A queratinização da mucosa oral 
varia em diferentes áreas na seguinte ordem: palato (mais queratini-
zado), gengiva, porção ventral da língua e mucosa jugal (menos 
queratinizada). 184 
 As queratinas K1, K2, K10 a K12, que são específi cas para a di-
ferenciação da epiderme, são expressas imuno-histoquimicamente 
com grande intensidade em áreas ortoqueratinizadas e com menos 
intensidade em áreas paraqueratinizadas. K6 e K16, características 
de epitélios altamente proliferativos, e K5 e K14, citoqueratinas es-
pecífi cas de estratifi cação, também estão presentes. As áreas para-
queratinizadas expressam K19, que está muitas vezes ausente do 
epitélio ortoqueratinizado normal. 37,209 
 De acordo com a completa ou quase completa maturaç ão, as 
reações de histoenzima para a fosfatase ácida e enzimas do desvio da 
pentose estão muito fortes. 48,129 
 O glicogênio pode acumular-se intracelularmente quando não 
está completamente degradado por qualquer uma das vias da glicólise. 
Portanto, a sua concentração na gengiva normal está inversamente 
relacionada ao grau de queratinização 242,290 e infl amação. 73,278,281 
 Epitélio Sulcular . O epitélio sulcular r eveste o sulco gengival 
( Fig. 2-15 ). Ele é um epitélio escamoso estratifi cado não queratiniza-
do fi no sem cristas epiteliais e se estende do limite coronal do epitélio 
juncional à crista da gengival marginal ( Fig. 2-16 ). Geralmente apre-
senta muitas células com degeneração hidrópica. 32 
 Assim como outro epitélio não queratinizado, o epitélio sulcular 
não tem estratos granuloso e córneo nem as citoqueratinas K1, K2 
e K10 a K12, mas possui a K4 e a K13, também chamadas citoque-
ratinas tipo esofágicas. Ele também expressa a K19 e normalmente 
não possui células de Merkel. 
 Estudos histoquímicos de enzimas têm revelado consistentemente 
menor grau de atividade no epitélio sulcular do que no epitélio ex-
terno, particularmente no caso de enzimas relacionadas à queratini-
zação. A enzima glicose-6-fosfatase desidrogenase expressou reação 
fraca e homogênea em todos os estratos, ao contrário do gradiente 
crescente em direção à superfície observado na camada córnea do 
epitélio. 129 A marcação da fosfatase ácida é negativa, 47 embora lisos-
somos tenham sido descritos em células esfoliadas. 150 
 Apesar dessas características morfológicas e químicas, o epitélio 
sulcular tem o potencial de se queratiniz ar se (1) for rebatido e ex-
posto à cavidade oral 45,49 ou (2) a microbiota do sulco for completa-
mente eliminada. 51 De maneira inversa, o epitélio externo perde sua 
A
Cc
G
E
Ba
C
E
Pq
Ba
B
E
Ba
A
 Figura 2-14 Variações no epitélio gengival. A , Queratinizado. B , Não queratinizado. C , Paraqueratinizado. Camada córnea ( Cc ), camada granular ( G ), camada 
de células espinhosas ( E ), camada basal ( Ba ), células superfi ciais achatadas ( A ), camada paraqueratótica ( Pq ). 
Ep
E
EL
 Figura 2-15 Vista por micr oscopia eletrônica de varr edura da super fície 
epitelial frente ao dente em um sulco gengival humano normal. O epitélio 
( Ep ) mostra células desc amando, alguns er itrócitos dispersos ( E ) e poucos 
leucócitos emergentes ( L ). (1.000 × .) 
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19CAPÍTULO 2 Anatomia do Periodonto
queratinização quando é colocado em contato com o dente. 51 Esses 
achados sugerem que a irritação local do sulco previne a queratini-
zação sulcular. 
 O epitélio sulcular é extremamente importante porque pode atuar 
como membrana semipermeável através da qual produtos bacterianos 
passam da gengiva para o fl uido gengival e tecidual penetrando no 
sulco. 272 Ao contrário do epitélio juncional, no entanto, o epitélio 
sulcular não é abundantemente infi ltrado por neutrófi los polimor-
fonucleares (PMNs) e parece ser menos permeável. 18 
 Epitélio Juncional . O epitélio juncional consiste em uma faixa de 
epitélio escamoso estratifi cado não queratinizado em forma de colar. 
Possui 3-4 camadas de espessura no início da vida, mas o número de 
camadas aumenta com a idade para 10 ou até mesmo 20. Igualmen-
te, o epitélio juncional se afunila a par tir da extr emidade coronal, 
que deve ter 10-29 células de largura para uma ou duas células na 
sua extremidade apical, localizadana junç ão cemento-esmalte nos 
tecidos saudáveis. Essas células podem ser agr upadas em dois es-
tratos: a c amada basal que r eveste o tecido conjuntiv o e a c amada 
basal que se estende para a super fície dental. O compr imento do 
epitélio juncional varia de 0,25-1,35 mm ( Fig. 2-17 ). 
 O epitélio juncional é formado pela confl uência do epitélio oral 
e o epitélio reduzido do esmalte durante a erupção dental. Contudo, 
o epitélio reduzido do esmalte não é essencial para a sua formação; 
na verdade, o epitélio juncional é completamente restabelecido após 
a instrumentação ou cirurgia da bolsa e se forma ao r edor de 
implantes. 153 
 As camadas celulares não justapostas ao dente exibem numerosos 
ribossomos livres e proeminentes estruturas ligadas à membrana, 
como os complexos de Golgi e os vacúolos citoplasmáticos, presu-
mivelmente fagocíticos. Corpos semelhantes a lisossomos também 
estão presentes, mas a ausência de queratinossomos (cor pos de 
Odland) e de fosfatase ácida histoquimic amente demonstrável, 
correlacionada ao baixo grau de diferenciação, pode refl etir em baixa 
eso
tc
ej
cd
 Figura 2-16 Espécime de biópsia humana embebida em epon mostra um 
sulco gengival r elativamente normal. A par ede de tecido mole do sulco 
gengival é composta por epitélio sulcular oral ( eso ) e seu tecido conjuntiv o 
subjacente ( tc ), enquanto a base do sulco gengival é formada pela super fície 
descamada do epitélio juncional ( ej ). O espaço do esmalte é delineado por 
uma estr utura cuticular densa ( cd ). A linha de demar cação r elativamente 
forte existe entre o epitélio juncional e o epitélio sulcular oral ( seta ) e vários 
leucócitos polimorfonucleares ( pmn ) podem ser vistos atrav essando o epi-
télio juncional. O sulco contém células sanguíneas vermelhas resultantes da 
hemorragia ocorrida no momento da biópsia (391 × ; detalhe, 55 × ). (De 
Schluger S, Youdelis R, Page RC: Periodontal disease, Philadelphia, 1977, Lea 
& Febiger.) 
E
D
A
a
ERE
EO
EO
E
D a
EJ
EO
RE
EJ
C
S
E
B C
 Figura 2-17 Processo de erupção em dente de gato . A , Dente não er upcionado. Dentina ( D ), remanescentes da matriz de esmalte ( E ), epitélio reduzido do 
esmalte ( ERE ), epitélio oral ( EO ), artefato ( a ). B , Dente em er upção formando o epitélio juncional ( EJ ). C , Dente completamente er upcionado. Sulco com 
debris epiteliais ( S ), cemento ( C ) e restos epiteliais ( RE ). 
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PARTE 1 O Periodonto Normal20
capacidade de defesa contra o acúmulo do biofi lme bacteriano no 
sulco gengival. Achados morfológicos similares foram descritos na 
gengiva de ratos livres de germes. Os PMNs são encontrados roti-
neiramente no epitélio juncional tanto de ratos convencionais como 
de ratos livres de germes. 301 A pesquisa mostrou que, embora nume-
rosos PMNs em migração sejam evidentes e presentes em torno do 
epitélio juncional saudável, considerável aumento no número de 
PMNs pode ser esperado com o acúm ulo de biofi lme dental e in-
fl amação gengival. 18 
 Os diferentes polipeptídeos de queratina do epitélio juncional pos-
suem um padrão histoquímico específi co. O epitélio juncional expressa 
K19, que está ausente do epitélio queratiniz ado, e as citoqueratinas 
específi cas de estratifi cação K5 e K14. 229 Morgan et al. 185 relataram que 
reações para demonstrar K4 ou K13 revelaram uma mudança repentina 
entre o epitélio sulcular e o epitélio juncional. A área juncional é o único 
epitélio estratifi cado não queratinizado na cavidade oral que não sin-
tetiza esses polipeptídeos específi cos. Outro comportamento particular 
do epitélio juncional é a falta de expressão de K6 e K16, as quais estão 
geralmente ligadas a epitélios altamente proliferativos, embora a taxa 
de renovação das células do epitélio juncional seja muito alta. 
 Semelhante ao epitélio sulcular, o epitélio juncional exibe 
menos atividade de enzimas glicolític as do que o epitélio oral e 
não possui atividade de fosfatase ácida. 47,129 
 O epitélio juncional está ader ido à superfície dental (adesão 
epitelial) por meio de uma lâmina basal interna. Ele está unido ao 
tecido conjuntivo por uma lâmina basal externa que tem a mesma 
estrutura que qualquer outra união entre tecidos epitelial e conjuntivo 
em qualquer parte do corpo. 157,163 
 A lâmina basal interna consiste em uma lâmina densa (adjacente 
ao esmalte) e uma lâmina lúcida na qual os hemidesmossomos estão 
inseridos. Os hemidesmossomos têm um papel decisiv o na fi rme 
união das células à lâmina basal interna na superfície dental. 
 Dados recentes sugerem que os hemidesmossomos também 
podem atuar como sítios específi cos de transdução de sinal e, assim, 
participar da regulação da expressão gênica, proliferação e diferen-
ciação celular. 136 Filamentos orgânicos parecem se estender a partir 
do esmalte para a lâmina densa. 262 O epitélio juncional adere ao 
cemento afi brilar presente na coroa (geralmente restrito a uma área 
de 1 mm da junção cemento-esmalte) 239 e ao cemento radicular de 
maneira semelhante. 
 Foi relatada evidência histoquímica para a presença de polissaca-
rídeos neutros na área da adesão epitelial. 277 Os dados também mos-
traram que a lâmina basal do epitélio juncional se assemelha àquela 
das células endoteliais e epiteliais quanto à laminina, mas difere em 
relação à lâmina basal interna, que não tem colágeno tipo IV. 144,228 
Esses achados indicam que as células do epitélio juncional estão 
envolvidas na produção de laminina e desempenham papel funda-
mental no mecanismo de adesão. 
 A união do epitélio juncional ao dente é reforçada pelas fi bras 
gengivais, as quais ligam a gengiva marginal à super fície dental. 
Por essa razão, o epitélio juncional e as fi bras gengivais são con-
siderados uma unidade funcio nal, citados como unidade 
dentogengival . 160 
 Em conclusão, geralmente é dito que o epitélio juncional apr e-
senta várias características estruturais e funcionais únicas que con-
tribuem para prevenir a superfície dental subgengival da colonização 
pelo biofi lme bacteriano patogênico. 209 Primeiro, o epitélio juncional 
está fi rmemente aderido à superfície dental, formando uma barreira 
epitelial contra o biofi lme bacteriano. Segundo, ele permite acesso 
do fl uido gengival, células infl amatórias e componentes do sistema 
imunológico de defesa do hospedeiro à gengiva marginal. Terceiro, 
as células do epitélio juncional apr esentam rápida renovação, que 
contribui para o equilíbr io hospedeiro-parasita e permite rápido 
reparo do dano tecidual. Alguns investigadores também indicaram 
que as células do epitélio juncional têm capacidade endocítica igual 
à dos macrófagos e neutrófi los e que essa atividade pode ser protetora 
por natureza. 58 
 Desenvolvimento do Sulco Gengival . Após a formaç ão 
completa do esmalte , este é cober to com o epitélio reduzido do 
esmalte (ERE), que está ader ido ao dente por uma lâmina basal e 
hemidesmossomos. 158,261 Quando o dente penetra a m ucosa oral, o 
ERE se une ao epitélio oral e se transforma no epitélio juncional. 
Assim que o dente er upciona, esse epitélio unido se condensa ao 
longo da coroa e os ameloblastos, que formam a camada interna do 
ERE ( Fig. 2-17 ), e gradualmente tornam-se células epiteliais esca-
mosas. A transformação do ERE em epitélio juncional acontece em 
direção apical sem interromper a adesão ao dente. De acordo com 
Schroeder e Listgar ten, 239 esse processo leva 1-2 anos. 
 O epitélio juncional é uma estrutura que está continuamente se 
autorrenovando, com atividade mitótica ocorrendo em todas as ca-
madas de células. 158,261 
 As células epiteliais em regeneração se movem em direção e ao 
longo da superfície dental em sentidocoronal ao sulco gengival, onde 
elas são desprendidas 22 ( Fig. 2-18 ). As células-fi lhas em migração 
proporcionam adesão contínua à superfície dental. A força da união 
epitelial ao dente ainda não foi medida. 
 O sulco gengival é formado quando o dente er upciona na cavi-
dade oral. Nesse momento, o epitélio juncional e o E RE formam 
uma faixa larga aderida à superfície do dente, próximo da ponta da 
coroa até a junção cemento-esmalte. 
 O sulco gengival é um espaço ou sulco raso em forma de V, 
entre o dente e a gengiva, que circunda a ponta da coroa recém-
erupcionada. No dente completamente erupcionado, apenas o 
epitélio juncional persiste. O sulco consiste em um espaço raso localizado 
EO
E
ERE
EJ
CA
C
 Figura 2-18 Epitélio juncional em um dente em er upção. O epitélio jun-
cional ( EJ ) é formado pela junção do epitélio oral ( EO ) e o epitélio reduzido 
do esmalte ( ERE ). O cemento afi brilar ( CA ) é às v ezes formado sobr e o 
esmalte após degeneração do ERE. As setas indic am o movimento cor onal 
das células epiteliais em r egeneração, que se m ultiplicam mais rapidamente 
no EJ do que no EO . E , esmalte; C , cemento radicular . Padrão similar de 
renovação celular existe no dente completamente er upcionado. (Modifi cada 
de Listgarten MA: J Can Dent A ssoc 36:70, 1970.) 
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21CAPÍTULO 2 Anatomia do Periodonto
coronalmente à adesão do epitélio juncional e delimitado pelo dente em 
um lado e pelo epitélio sulcular no outro. A extensão coronal do sulco 
gengival é a gengiva marginal. 
 Renovação do Epitélio Gengival . O epitélio oral está sob 
contínua renovação. A sua espessura é mantida pelo equilíbrio entre 
a nova formação celular nas camadas basal e espinhosa e a descama-
ção das células antigas na superfície. A atividade mitótica apresenta 
periodicidade de 24 horas, com as maior es e menor es taxas ocor-
rendo pela manhã e pela noite , respectivamente. 262 A taxa mitótica 
é maior em áreas não queratinizadas e está aumentada na gengivite, 
sem diferenças signifi cativas quanto ao gêner o. As opiniões div er-
gem sobre se a taxa mitótica está aumentada 162,163,181 ou diminuída 15 
com a idade. 
 A taxa mitótica em animais experimentais varia entre diferentes 
áreas do epitélio oral em or dem decrescente: mucosa oral, palato 
duro, epitélio sulcular, externa da gengiva marginal e gengiva inse-
rida. 9,114,162,279 Foi relatado o tempo de renovação para diferentes áreas 
do epitélio oral em animais exper imentais: palato, língua e mucosa 
jugal, 5-6 dias; gengiva, 10-12 dias, sendo requerido o mesmo tempo 
ou até maior com o aumento da idade; e epitélio juncional, 1-6 
dias. 22,255 
 Em relação ao epitélio juncional, anteriormente se pensava que 
apenas as células epiteliais voltadas para a lâmina basal externa se 
dividiam rapidamente. No entanto, evidências revelam que número 
signifi cativo de células, como as células basais ao longo do tecido 
conjuntivo, é capaz de sintetizar ácido desoxirribonucleico (DNA), 
demonstrando sua atividade mitótica. 226,227 O rápido desprendimento 
das células remove efetivamente bactérias que aderem às células 
epiteliais e é, portanto, uma parte importante dos mecanismos de 
defesa na junção dentogengival. 209 
 Estruturas Cuticulares nos Dentes . O termo cutícula des-
creve uma fi na estrutura acelular com matr iz homogênea, às vezes 
circunscrita por bordas lineares claramente demarcadas. 
 Listgarten 161 classifi cou as estruturas cuticulares em revestimentos 
de origem do desenvolvimento e adquiridas. Os revestimentos adqui-
ridos incluem aqueles de origem exógena como a saliva, as bactérias, 
o cálculo e as manchas superfi ciais ( Caps. 21 e 22 ). Os revestimentos 
de origem do desenvolvimento são aqueles formados normalmente 
como parte do desenvolvimento do dente e inc luem o ERE, o ce-
mento coronal e a cutícula dental. 
 Após a formação completa do esmalte, o epitélio ameloblástico 
é reduzido a uma ou duas c amadas de células que permanecem 
aderidas à superfície do esmalte por hemidesmossomos e uma lâmina 
basal. Esse ERE representa ameloblastos pós-secretores e células do 
estrato intermediário do órgão do esmalte. 
 Em algumas espécies animais, o ERE desaparece total e muito 
rapidamente, colocando assim a superfície do esmalte em contato 
com o tecido conjuntivo. As células do tecido conjuntivo depositam, 
então, uma fi na camada de cemento conhecida como cemento coro-
nário sobre o esmalte. Em seres humanos, manchas fi nas de cemento 
afi brilar podem ser vistas, às vezes, na metade cervical da coroa. 
 A microscopia eletrônica mostrou cutícula dental composta por 
uma camada de material orgânico homogêneo de espessura variável 
(aproximadamente 0,25 � m) sobrejacente ao esmalte dental. Ela 
não é mineralizada e nem sempre está presente. Em alguns casos, é 
depositada próximo à junção cemento-esmalte sobre uma camada 
de cemento afi brilar, que por sua vez recobre o esmalte. A cutícula 
pode estar presente entre o epitélio juncional e o dente . Estudos 
histoquímicos ultraestruturais constataram que a cutícula dental é 
proteica 145 e pode ser um acúm ulo de componentes do fluido 
tecidual. 90,238 
 Fluido Gengival (Fluido Sulcular) . A importância do fl uido 
gengival é que ele pode ser r epresentado tanto por um transudato 
quanto por um exsudato . O fl uido gengival contém vasta gama de 
fatores bioquímicos, ofer ecendo uso potencial como biomar cador 
de diagnóstico ou pr ognóstico do estado biológico do per iodonto 
na saúde e doenç a. 84 ( Cap. 6 ). 
 O fl uido gengival contém componentes do tecido conjuntivo, 
epitelial, células infl amatórias, soro e microrganismos que habitam 
a margem gengival ou o sulco (bolsa). 82 Em um sulco saudável, a 
quantidade de fl uido gengival é muito pequena. Durante a infl ama-
ção, no entanto, o fl uxo do fl uido gengival aumenta e sua composição 
começa a se assemelhar à de um exsudato infl amatório. 60 
 A principal via de difusão do fl uido gengival é através da mem-
brana basal, por meio dos espaços intracelulares relativamente amplos 
do epitélio juncional e depois para o sulco. 209 Acredita-se que o fl uido 
gengival (1) purifi que o material do sulco, (2) contenha proteínas 
plasmáticas que podem melhorar a adesão do epitélio ao dente , (3) 
possua propriedades antimicrobianas e (4) exerça atividade de an-
ticorpo para defender a gengiva. 
 Tecido Conjuntivo Gengival . Os pr incipais componentes 
do tecido conjuntivo gengival são as fi bras colágenas (em torno de 
60% em volume), fi broblastos (5%), vasos, nervos e matriz (aproxi-
madamente 35%). 
 O tecido conjuntivo da gengiva é conhecido como lâmina própria 
e consiste em duas camadas: (1) uma camada papilar , subjacente ao 
epitélio, que consiste em projeções papilares entre as cristas epiteliais; 
e (2) uma camada reticular contígua com o per iósteo do osso 
alveolar. 
 O tecido conjuntivo possui um compartimento celular e outro 
extracelular compostos por fi bras e substância fundamental. Assim, 
o tecido conjuntivo gengival é basicamente um tecido conjuntivo 
fibroso que possui elementos que se or iginam diretamente 
do tecido conjuntivo da mucosa oral, bem como algumas fi bras 
(dentogengivais) que se or iginam do folículo dental em 
desenvolvimento. 18 
 A substância fundamental preenche o espaço entre as fi bras e as 
células, é amorfa e possui alto conteúdo aquoso . É composta por 
proteoglicanos, principalmente ácido hialurônico e sulfato de con-
droitina, e glicoproteínas, principalmente fi bronectina. As glico-
proteínas são responsáveis pela frac a reação PAS-positiva da 
substância fundamental. 85 A fi bronectina liga os fi broblastos às fi bras 
e muitos outros componentesda matr iz intercelular, ajudando a 
mediar a adesão e migração celulares. A laminina, outra glicopro-
teína encontrada na lâmina basal, serve para aderi-la às células 
epiteliais. 
 Os três tipos de fi bras do tecido conjuntivo são colágenos, reti-
culares e elásticos. O colágeno tipo I forma a massa da lâmina própria 
e proporciona força tênsil ao tecido gengival. O colágeno tipo IV 
(fi bra reticular argirofílica) se ramifi ca entre os feixes de colágeno 
tipo I e é contínuo com as fi bras da membrana basal e as paredes dos 
vasos sanguíneos. 163 
 O sistema de fi bras elásticas é composto de fi bras oxitalânicas, 
elaunínicas e elastinas distribuídas entre as fi bras colágenas. 57 
 Portanto, os feixes de colágeno densamente agrupados que estão 
ancorados no cemento acelular de fi bras extrínsecas logo abaixo da 
porção terminal do epitélio juncional formam o tecido conjuntiv o 
de inserção. A estabilidade dessa inserção é o fator-chave para limitar 
a migração do epitélio juncional. 58 
 Fibras Gengivais . O tecido conjuntiv o da gengiva marginal é 
densamente colagenoso e contém um sistema pr oeminente de 
feixes de fi bras colágenas chamado fi bras gengivais . Elas consistem 
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PARTE 1 O Periodonto Normal22
em colágeno tipo I. 218 As fi bras gengivais possuem as seguintes 
funções: 
 1. Unir fi rmemente a gengiva marginal contra o dente . 
 2. Promover a rigidez necessária para resistir às forças da mas-
tigação sem serem defl etidas da super fície dental. 
 3. Unir a gengiva marginal livre ao cemento radicular e à gen-
giva inserida adjacente. 
 As fi bras gengivais são organizadas em três grupos: gengivodental, 
circular e transeptal. 148 
 Grupo Gengivodental . As fi bras gengivodentais são aquelas nas 
superfícies vestibular, lingual e inter proximal. Elas estão inser idas 
no cemento logo abaixo do epitélio na base do sulco gengival. Nas 
superfícies v estibular e lingual, elas se pr ojetam do cemento na 
conformação semelhante a um leque em dir eção à crista e à super-
fície externa da gengiva marginal, terminando abaixo do epitélio 
( Figs. 2-19 e 2-20 ). Elas também se estendem externamente ao 
periósteo dos ossos al veolares vestibular e lingual, terminando na 
gengiva inserida ou misturando-se com o per iósteo do osso. Inter-
proximalmente, as fi bras gengivodentais estendem-se em direção à 
crista da gengiva interdental. 
 Grupo Circular . As fi bras cir culares percorrem através do tecido 
conjuntivo da gengiva marginal e inter dental, e circundam o dente 
de forma semelhante a um anel. 
 Grupo Transeptal . Localizadas na r egião interproximal, as fi bras 
interproximais formam feixes hor izontais que se estendem entr e o 
cemento de dois dentes pr óximos, nos quais estão inser idas. Elas 
se encontram na área entre o epitélio da base do sulco gengival e a 
crista do osso inter dental e, às v ezes, são c lassifi cadas como fi bras 
principais do ligamento periodontal. 
 Page et al. 202 também descreveram (1) um gr upo de f ibras 
semicirculares que se insere em uma superfície proximal de um dente, 
imediatamente abaixo da junção cemento-esmalte, circunda a gengiva 
marginal vestibular ou lingual e se insere na outra superfície proximal 
do mesmo dente; e (2) um grupo de fi bras transgengivais que se insere 
na superfície proximal de um dente, atravessa o espaço interdental 
diagonalmente, circunda a superfície vestibular ou lingual do dente 
adjacente, atravessa de novo diagonalmente o espaço interdental e 
se insere na superfície proximal do próximo dente. 
 Acredita-se que forças de tração na matriz extracelular produzidas 
por fi broblastos sejam forças responsáveis pela geração de tensão no 
colágeno. Isso mantém os dentes fi rmemente ligados uns aos outros 
e ao osso alveolar. 
 Elementos Celulares . O elemento celular pr edominante no 
tecido conjuntiv o é o fi broblasto. N umerosos fi broblastos são 
encontrados entre os feixes de fi bras. Os fi broblastos são de origem 
mesenquimal e desempenham impor tante papel no desenv olvi-
mento, na manutenç ão e no r eparo do tecido conjuntiv o gengival. 
Tal como acontece com o tecido conjuntiv o em outras par tes do 
corpo, os fi broblastos sintetiz am fi bras colágenas e elástic as, bem 
como glicoproteínas e glicosaminoglicanos da substância intercelu-
lar amorfa. Os fi broblastos também regulam a degradação do colá-
geno através da fagocitose e secr eção de colagenases. 
 A heterogeneidade dos fi broblastos é, atualmente, um aspecto 
bem estabelecido dos fi broblastos do periodonto. 231 Embora a sig-
nifi cância biológica e clínica dessa heterogeneidade não esteja clara, 
parece que ela é necessária para o funcionamento normal dos tecidos 
na saúde, na doença e no reparo. 18 
FC
F
C
O
 Figura 2-19 Secção vestibulolingual da gengiva marginal mostra as fi bras 
gengivais ( F ) que se estendem do cemento ( C ) à cr ista da gengiva para a 
superfície gengival externa e externamente ao per iósteo do osso ( O ). Fibras 
circulares ( FC ) são mostradas em secção transversal entre os outros grupos. 
 (Cortesia de Sol Ber nick.) 
1
4
2
3
 Figura 2-20 Diagrama mostrando as fi bras gengivodentais que se esten-
dem do cemento ( 1 ) à cr ista gengival ( 2 ) até a super fície externa e ( 3 ) 
externamente ao periósteo da cortical vestibular. As fi bras circulares ( 4 ) são 
mostradas na secção transversal. 
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23CAPÍTULO 2 Anatomia do Periodonto
 Os mastócitos, que estão distribuídos por todo o corpo, são nu-
merosos no tecido conjuntivo da mucosa oral e da gengiva. 53,250,251,293 
 Macrófagos fi xos e histiócitos estão presentes no tecido conjuntivo 
gengival como componentes do sistema fagocítico mononuclear 
(sistema reticuloendotelial) e são derivados dos monócitos sanguí-
neos. As células adiposas e os eosinófi los , embora escassos, também 
estão presentes na lâmina própria. 
 Na gengiva clinicamente normal, pequenos focos de plasmócitos 
e linfócitos são encontrados no tecido conjuntivo próximo à base do 
sulco ( Fig. 2-21 ). Neutrófi los podem ser vistos em número relativa-
mente grande, tanto no tecido conjuntivo gengival quanto no sulco. 
Essas células infl amatórias geralmente estão presentes em pequena 
quantidade na gengiva clinicamente normal. 
 Especulações sobre se pequenas quantidades de leucócitos devem 
ser consideradas um componente normal da gengiva ou um infi ltrado 
infl amatório incipiente, sem expressão clínica, são de importância 
mais teórica do que c línica. Os linfócitos estão ausentes quando a 
normalidade gengival é julgada por r igorosos critérios clínicos ou 
sob condições experimentais especiais, 13,196 mas são praticamente 
constantes na gengiva normal e saudável, mesmo antes de completar 
a erupção dental. 152,169,235 
 Estudos imuno-histoquímicos que utilizam anticorpos mono-
clonais identifi caram as diferentes subpopulações de linfócitos. O 
infi ltrado da área abaixo do epitélio juncional da gengiva saudável 
em dentes recém-erupcionados em crianças é composto principal-
mente de linfócitos T (auxiliar ou helper , citotóxico, supressor e na-
tural killer ) 12,100,248 e, portanto, poderia ser interpretado como tecido 
linfoide normal envolvido no sistema de reconhecimento de defesa 
inicial. Com o decorrer do tempo, os linfócitos B e os plasmócitos 
aparecem em maiores proporções para a produção de anticorpos 
específi cos contra antígenos já r econhecidos e que estão sempre 
presentes no sulco da gengiva clinicamente normal. 240 
 Reparo do Tecido Conjuntivo Gengival . Em razão da alta 
taxa de r enovação, o tecido conjuntiv o da gengiva possui notavel-
mente boa c apacidade regenerativa e de cic atrização. Na verdade, 
ele é um dos melhor es tecidos de cic atrização no organismo e 
geralmente mostra pouca evidência de formação de cicatrizes após 
procedimentos cirúrgicos. Isso provavelmente é causado pela rápida 
reconstrução da ar quitetura fi brosa dos tecidos. 180 N o entanto , a 
capacidade r eparativa do tecido co njuntivo gengival não é tão 
grande quanto a do ligamento per iodontal ou do tecido epitelial. 
 Suprimento Sanguíneo, Linfático e Nervos . A microcir-
culação, os vasos sanguíneos e os vasos linfáticos desempenham 
importante papel na drenagem do fl uido tecidual e na disseminação 
da infl amação. Na gengivite e na per iodontite, a microcirculação e 
a formação vascular alteram muito a rede vascular diretamente sob 
o epitélio sulcular gengival e o epitélio juncional. 172 
 Os vasos sanguíneos são facilmente evidenciados nas secções his-
tológicas por meio de reações imuno-histoquímicas contra proteínas 
das células endoteliais (fator VIII e moléculas de adesão). Antes de 
essas técnicas serem desenvolvidas, os padrões de vascularização dos 
tecidos periodontais foram descritos utilizando-se reações histoenzi-
máticas para fosfatase alcalina e adenosina trifosfatase por causa da 
grande atividade dessas enzimas nas células endoteliais. 55,302 
 Os dentes são uma das pouc as estruturas que penetram o tegu-
mento, ou seja, eles vão de dentr o para fora do cor po. Dessa 
forma, o epitélio gengival e o tecido conjuntiv o ser vem como 
barreira única para as alterações orais. Além disso, as formas dos 
dentes são funcionalmente adaptadas e , por tanto, a mor fologia 
da barreira é adaptada para se correlacionar com a forma dentá-
ria. Por exemplo, a ár ea de contato var ia entre os dentes, assim 
como o formato do col da gengiva inter dental. Talvez o mais 
importante sejam as qualidades funcionais (e pr ovavelmente 
subestimadas) da barr eira gengival. O epitélio por si só é um 
sistema orgânico complexo com extraordinárias funções imunes. 
Além disso, o fl uido gengival e os tecidos conjuntiv os são com-
plexos e singularmente adaptados em face de alterações como 
aquelas associadas a idade , doença e trauma. Sobreposta a essa 
barreira única e as qualidades funcionais está a r esposta consis-
tente e pr edominantemente bem-sucedida contra a alteraç ão 
microbiana persistente. A última r esposta nessa ár ea é um sis-
tema complic ado e entr elaçado de alterações teciduais e r es-
postas celulares do sistema im une. 
 A integridade do complexo dentogengival depende da manu-
tenção de uma camada epitelial intacta, com o epitélio juncional 
formando um selante no sulco gengival. Esse selante opera 
devido à funç ão das fi bras gengivais densas de colágeno tipo I, 
que fornecem a massa e a r esistência à traç ão para manter os 
tecidos em posição apertada no colo dentár io. 
 Procedimentos dentários, como alisamento radicular , proce-
dimentos r estauradores subgengivais e as técnic as de r etração 
gengival da cor oa e ponte , danifi cam o epitélio e o tecido con-
juntivo gengival. 
 O epitélio sulcular oral e o epitélio juncional possuem grande 
capacidade de se r estabelecer em cur to per íodo de r enovação de 
1-6 dias, e os fi broblastos também podem pr oduzir novas fi bras 
colágenas. É essencial que os procedimentos dentários sejam o mais 
atraumáticos possível, de forma que um volume sufi ciente de fi bras 
colágenas gengivais seja mantido para possibilitar a cic atrização 
gengival pr óximo às raíz es. Isso faz com que um r evestimento 
epitelial novo e intacto do sulco gengival seja prontamente recons-
tituído e, portanto, cicatrize sem nenhuma perda de inserção. 
 TRANSFERÊNCIA CIENTÍFICA 
 Figura 2-21 Secção da gengiva c linicamente normal mostra algum grau 
de infl amação, que está quase sempr e presente próximo à base do sulco . 
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PARTE 1 O Periodonto Normal24
 A perfusão com tinta nanquim também foi utilizada para estudar 
a distribuição vascular em animais exper imentais. A injeção e a sub-
sequente demonstração da peroxidase permitem a identifi cação dos 
vasos sanguíneos e os estudos de permeabilidade. 245 A reação do PAS 
também realça as paredes dos vasos através de uma linha positiva na 
membrana basal. 243 As células endoteliais também expressam atividade 
da 5-nucleotidase. 128 A microscopia eletrônica de varredura pode ser 
usada após injeção de plástico dentro dos vasos através da artéria ca-
rótida, seguida por corrosão dos tecidos moles. 87 Além disso, a medida 
do fl uxo por meio do laser Doppler fornece um meio não invasivo para 
observar modifi cações do fl uxo sanguíneo relacionadas à doença. 8 
 As três fontes de suprimento sanguíneo para a gengiva são as 
seguintes ( Figs. 2-22 e 2-23 ): 
 1. Arteríolas supraperiosteais ao longo das super fícies vestibular 
e lingual do osso alveolar, das quais capilares se estendem ao 
longo do epitélio sulcular e entr e as cr istas epiteliais da 
superfície externa gengival. 78,115,8 Ramos ocasionais das arte-
ríolas passam atrav és do osso al veolar para o ligamento 
periodontal ou percorrem a cr ista do osso al veolar. 
 2. Vasos do ligamento periodontal , que se estendem para a gengiva 
e anastomosam com os c apilares na área do sulco. 
 3. Arteríolas , que emergem da cr ista do septo inter dental, 87 
estendem-se paralelamente à crista óssea e se anastomosam com 
vasos do ligamento per iodontal, com c apilares nas ár eas crevi-
culares gengivais e com vasos que per correm a crista alveolar. 
 Abaixo do epitélio da superfície gengival externa, os capilares se 
estendem para o tecido conjuntivo papilar entre as cristas epiteliais 
na forma de alças terminais de grampos de cabelo, com ramos efe-
rentes e aferentes, espirais e varizes 55,115 ( Fig. 2-24 ; Fig. 2-23 ). As 
alças estão, algumas vezes, unidas por ligações cruzadas, e capilares 
achatados servem de vasos reservas quando a circulação é aumentada 
em resposta à irritação. 101 
 Figura 2-22 Diagrama de uma arteríola que penetra o osso alveolar inter-
dental para supr ir os tecidos inter dentais ( esquerda ) e uma ar teríola supra-
periosteal sobr e o osso al veolar v estibular, que envia ramos ao tecido 
circunjacente ( direita ). 
S
O
 Figura 2-23 Suprimento sanguíneo e cir culação per iférica da gengiva. 
Perfusão dos tecidos com tinta nanquim. Observe o plexo c apilar paralelo 
ao sulco ( S ) e as alças capilares na camada papilar externa. Observe também 
os vasos supraper iosteais externamente ao osso ( O ), que suprem a gengiva, 
e um vaso do ligamento per iodontal que se anastomosa com o plexo do 
sulco. (Cortesia de Sol Ber nick.) 
d
g
A
B
s
lp
 Figura 2-24 Vista por micr oscopia eletr ônica de varr edura dos tecidos 
gengivais palatinos de molar de rato após per fusão vascular de plástico e 
dissolução do tecido mole . A , Vista oral dos c apilares gengivais: d , dente; 
papila inter dental ( cabeça da set a ) — 180 × . B , Vista do lado do dente . 
Observe os vasos do plexo pr óximo aos epitélios sulcular e juncional. As 
cabeças de seta apontam para os vasos na ár ea do sulco com alterações 
infl amatórias moderadas. g , cr ista da gengiva marginal; s , fundo do sulco 
gengival; lp , vasos do ligamento per iodontal (150 × ). (Cortesia de N.J. Sel-
liseth e K. Selvig, Universidade de Bergen, Noruega.) 
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25CAPÍTULO 2 Anatomia do Periodonto
 Ao longo do epitélio sulcular, os capilares estão organizados em 
um plexo achatado que anastomosa e se estende paralelamente ao 
esmalte a partir da base do sulco para a margem gengival. 55 Na área 
docol , ocorre um padrão misto de anastomose capilar e alças. 
 Como mencionado, mudanças anatômicas e histológicas foram 
mostradas na microcirculação gengival com gengivite. Estudos pros-
pectivos da vasculatura gengival em animais demonstraram que , na 
ausência da infl amação, a rede vascular está organizada em um padrão 
repetitivo, regular e em camadas. 55,221 Em contrapartida, a vasculatura 
da gengiva infl amada exibe um padrão irregular do plexo vascular, com 
os microvasos apresentando aparência anelada, dilatada e enrolada. 221 
 O papel do sistema linfático de r emover o excesso de fl uidos, 
debris celulares e proteicos, microrganismos e outros elementos é 
importante no controle da difusão e na resolução do processo infl a-
matório. 170 A drenagem linfática da gengiva ocorre nos vasos linfáticos 
do tecido conjuntivo papilar. 244 Ela progride para a rede coletora 
externa ao periósteo do processo alveolar, em seguida para os linfo-
nodos regionais, particularmente o grupo submandibular. Além disso, 
os vasos linfáticos logo abaixo do epitélio juncional se estendem até 
o ligamento periodontal e acompanham os vasos sanguíneos. 
 Elementos neurais estão amplamente distr ibuídos por todos os 
tecidos gengivais. Dentro dos tecidos conjuntivos gengivais, a maioria 
das fi bras nervosas é mielinizada e está intimamente associada aos 
vasos sanguíneos. 164 A inervação gengival é derivada das fi bras pro-
venientes dos nervos no ligamento periodontal e dos nervos labiais, 
bucais e palatinos. 30 As estruturas nervosas a seguir estão presentes 
no tecido conjuntivo: uma malha de fi bras argirofílicas terminais, 
algumas das quais se estendem até o epitélio; corpúsculos táteis do 
tipo Meissner; bulbos terminais de Krause , que são receptores de 
temperatura; e fusos encapsulados. 14 
 Correlação das Características Clínicas 
e Microscópicas 
 A compreensão das características clínicas normais da gengiva requer 
a capacidade de interpretá-las em termos das estruturas microscópi-
cas que elas representam. 
 Cor . A cor da gengiva marginal e inserida é geralmente descrita como 
“rosa coral” e resulta do supr imento vascular, da espessura, do grau de 
queratinização do epitélio e da pr esença de células que contêm pig-
mento. A cor varia entre diferentes pessoas e parece estar correlacionada 
à pigmentação cutânea. É mais c lara em indivíduos loir os com pele 
clara do que em indivíduos de pele e c abelos escuros ( Fig. 2-25 ). 
 A gengiva inserida é demarcada da mucosa alveolar adjacente na 
face vestibular por uma linha mucogengival claramente defi nida. A 
mucosa alveolar é vermelha, lisa e brilhante, em vez de rosa e ponti-
lhada. A comparação da estrutura microscópica da gengiva inserida 
com a da mucosa alveolar fornece uma explicação para a diferença 
na aparência. O epitélio da mucosa alveolar é mais fi no, não é que-
ratinizado e não contém cr istas epiteliais ( Fig. 2-26 ). O tecido 
conjuntivo da mucosa alveolar é frouxamente organizado e os vasos 
sanguíneos são mais numerosos. 
 Pigmentação Fisiológica (Melanina) . A melanina é um 
pigmento marrom não derivado da hemoglobina com as seguintes 
características: 
 • É responsável pela pigmentação normal da pele , da gengiva 
e do restante da mucosa oral. 
 • Está presente em todos os indivíduos normais, muitas vezes 
não em quantidade sufi ciente para ser detectada c linica-
mente, mas ausente ou se veramente diminuída em albinos. 
 • A pigmentação melânica na cavidade oral é proeminente em 
indivíduos negros ( Fig. 2-25 ). 
 • O ácido ascór bico r egula negativamente a pigmentaç ão 
melânica nos tecidos gengivais. 252 
 De acordo com Dummett, 75 a distribuição da pigmentação oral 
em indivíduos negros é a seguinte: gengiva, 60%; palato duro, 61%; 
mucosa oral, 22%; e língua, 15%. A pigmentação gengival ocorre 
como coloração arroxeada difusa ou manchas marrons e castanho-
claras de formas irregulares. Ela pode aparecer na gengiva tão precoce 
quanto em três horas após o nascimento e , muitas vezes, é a única 
evidência de pigmentação. 75 
 A repigmentação oral se refere ao reaparecimento clínico da pig-
mentação melânica após um período de despigmentação clínica da 
mucosa oral resultante de fatores químicos, térmicos, cirúrgicos, far-
macológicos ou idiopáticos. 76 Informações sobre a repigmentação dos 
tecidos orais após procedimentos cirúrgicos são extremamente limi-
tadas, e nenhum tratamento defi nitivo é oferecido nesse momento. 
A B
 Figura 2-25 A , Gengiva c linicamente normal em 
adulto jovem. B , Gengiva pr ofundamente pigmen-
tada (melanótic a) em adulto de meia-idade . (De 
Glickman I, Smulow JB: Periodontal disease: clinical, 
radiographic, and histopathologic features, Philadelphia, 
1974, Saunders.) 
MA
GI
GM
V
GM
MP
P
 Figura 2-26 Mucosa oral, super fícies v estibular e palatina. A super fície 
vestibular ( V ) mostra a gengiva marginal ( GM ), a gengiva inser ida ( GI ) e a 
mucosa alveolar ( MA ). A linha dupla marca a junção mucogengival. Observe 
as diferenças no epitélio e tecido conjuntivo na gengiva inserida e na mucosa 
alveolar. A super fície palatina ( P ) mostra a gengiva marginal ( GM ) e a 
espessa mucosa palatina queratinizada ( MP ). 
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PARTE 1 O Periodonto Normal26
 Tamanho . O tamanho da gengiva corr esponde à soma total da 
maior par te dos elementos celular es e inter celulares, e seu supr i-
mento vascular . A alteraç ão no tamanho é uma c aracterística 
comum da doença gengival. 
 Contorno . O contorno ou forma da gengiva var ia consideravel-
mente e depende da forma dos dentes e do seu alinhamento no 
arco, da loc alização e do tamanho da ár ea do contato pr oximal e 
das dimensões das ameias v estibular e lingual. 
 A gengiva marginal envolve o dente em forma de colar e segue 
um contorno festonado nas superfícies vestibular e lingual. Ela forma 
uma linha reta ao longo dos dentes com super fícies relativamente 
planas. Em dentes com convexidade mesiodistal pronunciada (p. ex., 
caninos superiores) ou dentes em vestibuloversão, o contorno arquea-
do normal é acentuado e a gengiva fi ca localizada mais apicalmente. 
Nos dentes com linguoversão, a gengiva é horizontal e mais espessa 
( Fig. 2-27 ). Além disso, o biotipo do tecido gengival varia signifi ca-
tivamente. Gengiva fi na e clara é encontrada em um terço da popu-
lação, principalmente em mulheres com dentes fi nos e com faixa 
estreita de tecido queratinizado, ao passo que gengiva espessa e clara 
com faixa ampla de tecido queratinizado está presente em dois terços 
da população, principalmente nos homens. 72 
 Forma . A forma da gengiva inter dental é r egida pelo contorno 
das superfícies proximais dos dentes e pela loc alização e forma das 
ameias gengivais. 
 Quando as superfícies proximais das coroas são relativamente 
planas no sentido vestibulolingual, as raízes estão próximas umas 
das outras, o osso interdental é fi no no sentido mesiodistal e as 
ameias gengivais e a gengiva inter dental são estreitas no sentido 
mesiodistal. Por outro lado, quando as superfícies proximais se dis-
tanciam da área de contato, o diâmetro mesiodistal da gengiva in-
terdental é maior ( Fig. 2-28 ). A altura da gengiva interdental varia 
com a localização do ponto de contato proximal. Assim, na região 
anterior da dentição, a papila interdental tem a forma piramidal, ao 
passo que, na região de molares, a papila é mais plana no sentido 
vestibulolingual. 
 Consistência . A gengiva é fi rma e r esiliente e, com exceç ão da 
gengiva marginal livre, fortemente ligada ao osso subjacente. A natu-
reza colágena da lâmina pr ópria e sua contiguidade com o m ucope-
riósteo do osso alveolar determinam a fi rmeza da gengiva inser ida. 
As fi bras gengivais contr ibuem para a fi rmeza da gengiva marginal. 
 Textura Superfi cial . A gengiva apr esenta textura superfi cial 
semelhante a casca de laranja e é citada como pontilhada ( Fig. 2-25 ). 
O pontilhado é mais bem visualizado ao secar a gengiva. A gengiva 
inserida é pontilhada, ao passo que a gengiva marginal , não . A porção 
central da papila interdental é geralmente pontilhada, mas as bordas 
marginais são lisas. O padrão e a extensão do pontilhado var iam 
entre os indivíduos e entre as diferentes áreas da cavidade bucal. 110,221 
O pontilhado é menos proeminente nas superfícies linguais do que 
nas vestibulares e pode estar ausente em algumas pessoas. 
 O pontilhado varia com a idade. Está ausente na infância, aparece 
em algumas crianças em torno dos cinco anos de idade, aumenta até 
a idade adulta e frequentemente começa a desaparecer nos idosos. 
 Microscopicamente, o pontilhado é produzido pela alternância 
das protuberâncias arredondadas e depressões na superfície gengival. 
A camada papilar do tecido conjuntivo se projeta para dentro das 
elevações, e as áreas elevadas e de depressão estão cobertas por epi-
télio escamoso estratifi cado ( Fig. 2-29 ). O grau de queratinização e 
a proeminência do pontilhado parecem estar relacionados. 
 Figura 2-27 Contorno espesso e em formato de platô da gengiva em dente 
com linguov ersão agravada pela irr itação loc al c ausada pelo acúm ulo de 
biofi lme. 
A B
 Figura 2-28 Forma da papila gengival interdental correlacionada à forma 
dos dentes e ameias. A , Papilas interdentais largas. B , Papilas interdentais 
estreitas. 
 Figura 2-29 Biópsia gengival do paciente mostrado na Fig. 2-7 , demons-
trando ele vações e depr essões ( setas ) alternadas na gengiva inser ida r es-
ponsáveis pela aparência pontilhada. 
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27CAPÍTULO 2 Anatomia do Periodonto
 A microscopia eletrônica de varredura mostrou considerável 
variação na forma, mas profundidade do pontilhado relativamente 
constante. Em menor aumento, é vista uma super fície ondulada, 
interrompida por depressões irregulares de 50 � m de diâmetro. Em 
maior aumento, micropoços celulares são vistos. 62 
 O pontilhado é uma forma de adaptação especializada ou reforço para 
a função . É uma característica da gengiva saudável, e a redução ou 
perda do pontilhado é um sinal comum de doença gengival. Quando 
a gengiva restabelece a saúde após o tratamento , a aparência de 
pontilhado é restaurada. 
 A textura superfi cial da gengiva também está r elacionada à pre-
sença e ao grau de queratiniz ação epitelial. A queratinização é con-
siderada uma adaptação protetora à função. Ela aumenta quando a 
gengiva é estimulada pela escovação dental. No entanto, uma pesquisa 
com enxertos gengivais livres ( Cap. 63 ) mostrou que, quando o tecido 
conjuntivo é transplantado de uma área queratinizada para uma área 
não queratinizada, ele se torna um tecido revestido por epitélio que-
ratinizado. 142 Esse achado sugere que a determinação do tipo de su-
perfície epitelial se baseia na genética do tecido conjuntivo. 
 Posição . A posição da gengiva se refere ao nível em que a margem 
gengival está ader ida ao dente. 
 Quando o dente irrompe na cavidade oral, a margem e o sulco 
estão na ponta da coroa; à medida que a erupção progride, eles podem 
ser vistos mais próximos da raiz. Durante esse processo de erupção 
dental, como descrito anteriormente, o epitélio juncional, o epitélio 
oral e o epitélio reduzido do esmalte são submetidos a extensas al-
terações e remodelação para manter a profundidade fi siológica rasa 
do sulco. Sem essa remodelação do epitélio, o resultado seria um 
relacionamento anatômico anormal entre a gengiva e o dente. 
 Erupção Dental Contínua . De acor do com o conceito de 
erupção contínua, 107 a erupção não cessa quando os dentes encon-
tram os seus antagonistas funcionais, mas continua por toda a vida. 
A erupção consiste em uma fase ativa e uma passiva. Erupção ativa 
é o movimento do dente em dir eção ao plano oc lusal, enquanto 
 erupção p assiva é a exposiç ão dos dentes pela migraç ão apic al da 
gengiva. 
 Esse conceito distingue entre coroa anatômica (porção do dente 
coberta por esmalte) e raiz anatômica (porção do dente coberta por 
cemento), e entre coroa clínica (parte do dente que foi descoberta de 
sua gengiva e se projeta para a cavidade oral) e raiz clínica (porção 
do dente coberta pelos tecidos periodontais). Quando os dentes al-
cançam seus antagonistas funcionais, o sulco gengival e o epitélio 
juncional estão ainda sobre o esmalte, e a coroa clínica corresponde 
aproximadamente a dois terços da coroa anatômica. 
 Gottlieb e Orban 107 acreditavam que as erupções ativa e passiva 
aconteciam ao mesmo tempo. A erupção ativa é coordenada pela 
atrição; os dentes erupcionam para compensar a substância do dente 
desgastado pelo atrito. A atrição reduz a coroa clínica e a previne de 
se tornar desproporcionalmente longa em relação à raiz clínica; assim, 
evita o excessivo poder de alavanca nos tecidos periodontais. Ideal-
mente, a taxa de erupção ativa acompanha o r itmo com o desgaste 
dental, preservando a dimensão vertical da dentição. 
 À medida que os dentes erupcionam, o cemento é depositado nos 
ápices e regiões de bifurcações dos dentes, e é formado osso ao longo 
do fundo do alvéolo e na crista do osso alveolar. Dessa forma, parte 
da substância dental perdida pela atrição é substituída pelo alonga-
mento da raiz e a profundidade do alvéolo é mantida para suportar 
a raiz. 
 Embora originalmente pensado como um processo fi siológico 
normal, a erupção passiva é agora considerada um processo patológico. 
A erupção passiva é dividida nos quatro estágios a seguir ( Fig. 2-30 ): 
 Estágio 1: Os dentes alc ançam o plano oc lusal. O epitélio jun-
cional e a base do sulco gengival estão sobr e o esmalte. 
 Estágio 2: O epitélio juncional prolifera de forma que parte dele 
está sobre o cemento e parte está sobre o esmalte. A base do 
sulco ainda está sobr e o esmalte. 
 Estágio 3: Todo o epitélio juncional está sobr e o cemento e a 
base do sulco está na junção cemento-esmalte. À medida que 
o epitélio juncional pr olifera da cor oa para a raiz, ele não 
permanece na junç ão cemento-esmalte por mais tempo do 
que em qualquer outra ár ea do dente. 
 Estágio 4: O epitélio juncional pr oliferou ainda mais sobr e o 
cemento. A base do sulco está sobr e o cemento , uma par te 
do qual está exposta. A proliferação do epitélio juncional em 
direção à raiz é acompanhada pela degeneraç ão das fi bras 
gengivais e do ligamento per iodontal e sua separaç ão do 
dente. A c ausa dessa degeneraç ão não é conhecida. Atual-
mente, acr edita-se que ela seja o r esultado da infl amação 
crônica; portanto, um processo patológico. 
 Como se observa, a aposição óssea acompanha a erupção ativa. 
A distância entre a extremidade apical do epitélio juncional e a crista 
óssea alveolar permanece constante durante a erupção dental contí-
nua (1,07 mm). 95 
 A exposição do dente pela migração apical da gengiva é chamada 
de retração gengival ou atrofi a . De acordo com o conceito de erupção 
contínua, o sulco gengival pode estar localizado na coroa, na junção 
cemento-esmalte ou na raiz, dependendo da idade do paciente e do 
estágio da erupção. Contudo, alguma exposição da raiz com a idade 
seria considerada normal e denominada retração fi siológica . Nova-
mente, esse conceito não é aceito atualmente. Exposição excessiva é 
denominada retração patológica ( Cap. 13 ). 
 LIGAMENTO PERIODONTAL 
 O ligamento periodontal é composto de um tecido conjuntivo com-
plexo vascular e altamente celularque cir cunda a raiz dentária e a 
conecta à parede interna do osso alveolar. 177 Ele é contíguo com o 
tecido conjuntivo da gengiva e comunica-se com os espaços medu-
lares através de canais vasculares no osso. Embora a largura média 
do espaço do ligamento periodontal seja documentada como sendo 
cerca de 0,2 mm, existe variação considerável. O espaço periodontal 
está diminuído ao redor dos dentes que não estão em funç ão e dos 
dentes não erupcionados, mas está aumentado nos dentes submetidos 
a hiperfunção. 
EJ
EJ
EJ
EJ
 Figura 2-30 Representação diagramátic a dos quatr o passos na er upção 
passiva de acor do com Gottlieb e O rban. 107 1 , A base do sulco gengival 
( seta ) e o epitélio juncional ( EJ ) estão sobr e o esmalte . 2 , A base do sulco 
gengival ( seta ) está sobre o esmalte e par te do epitélio juncional está sobr e a 
raiz. 3 , A base do sulco gengival ( seta ) está na junç ão cemento-esmalte e o 
epitélio juncional inteir o sobre a raiz. 4 , A base do sulco gengival ( seta ) e 
o epitélio juncional estão na raiz. 
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PARTE 1 O Periodonto Normal28
 Fibras Periodontais 
 Os elementos mais importantes do ligamento per iodontal são as 
fi bras principais, que são colágenas e organizadas em feixes, e seguem 
um curso ondulado quando visualiz adas em seção longitudinal 
( Fig. 2-31 ). As porções terminais das fi bras principais que são inse-
ridas no cemento e osso são denominadas f ibras de S harpey 
( Fig. 2-32 ). Os feixes da fi bra principal consistem em fi bras indivi-
duais que formam uma rede anastomosada contínua entre o dente e 
o osso. 25,29 Uma vez embebidas na parede do alvéolo ou no dente, as 
fi bras de Sharpey calcifi cam em grau signifi cativo. Elas estão asso-
ciadas a abundantes proteínas não colágenas tipicamente encon-
tradas no osso e também r ecentemente identifi cadas no cemento 
dentário. 33,134,177 Notável entre essas proteínas estão a osteopontina 
e a sialoproteína do osso. Acredita-se que essas proteínas contribuam 
com a regularização da mineralização e com a coesão tecidual nos 
sítios de força biomecânica elevada. 177 
 O colágeno é uma proteína composta de diferentes aminoácidos, 
os mais importantes dos quais são a prolina, a hidroxilisina e a hi-
droxiprolina. 52 A quantidade de colágeno em um tecido pode ser 
determinada por seu conteúdo de hidroxiprolina. O colágeno é res-
ponsável pela manutenção de um arcabouço e de uma modulação 
tecidual, e exibe ampla variedade de diversidades. 83 Existem pelo 
menos 19 espécies de colágeno r econhecidas codificadas por 
pelo menos 25 genes separados, dispersos entre 12 cromossomos. 83 
 A biossíntese do colágeno ocorre no interior dos fi broblastos para 
formar as moléculas de tropocolágeno. Estas agregam-se em microfi -
brilas que são acondicionadas juntas para formar as fi brilas. As fi brilas 
colágenas possuem uma estriação transversa com periodicidade ca-
racterística de 64 nm; essa estriação é causada pelo arranjo sobreposto 
das moléculas de tropocolágeno. Nos colágenos tipos I e I II, essas 
fi brilas associam-se para formar as fi bras, e no colágeno tipo I as 
fi bras associam-se para formar os feixes ( Fig. 2-33 ). 
 O colágeno é sintetizado pelos fi broblastos, condroblastos, os-
teoblastos, odontoblastos e outras células. Os diversos tipos de colá-
geno são distinguíveis através da sua composição química, distribuição, 
função e morfologia. 140 As fi bras principais são compostas princi-
palmente do colágeno tipo I, 216 enquanto as fi bras reticulares são 
compostas de colágeno tipo III. O colágeno tipo IV é encontrado na 
lâmina basal. 217,219 A expressão do colágeno tipo XII durante o de-
senvolvimento dentário é cronometrada com o alinhamento e a 
organização das fi bras periodontais e limitada no desenvolvimento 
dentário pelas células dentro do ligamento periodontal. 166 O colágeno 
tipo IV também foi imunolocalizado no ligamento per iodontal e 
gengiva. 86 
 A confi guração molecular das fi bras colágenas fornece então uma 
resistência à tração maior do que a do aço . Consequentemente, o 
colágeno transmite uma combinação única de fl exibilidade e resis-
tência aos tecidos. 140 
 As fi bras principais do ligamento periodontal estão arranjadas 
em seis grupos que se desenvolvem sequencialmente no desenvolvi-
mento radicular: as fi bras transeptais, da crista alveolar, horizontais, 
oblíquas, apicais e inter-radiculares ( Fig. 2-34 ). 
 Grupo Transeptal . As fi bras transeptais estendem-se inter-
proximalmente sobre a cr ista óssea al veolar e estão embebidas no 
cemento dos dentes adjacentes ( Fig. 2-35 ). Elas são r econstruídas 
mesmo após a destr uição do osso al veolar devido à doenç a perio-
dontal. Essas fi bras podem ser consideradas como per tencentes à 
gengiva, pois não possuem inser ção óssea. 
 Figura 2-32 Fibras colágenas embebidas no cemento ( esquerda ) e osso 
( direita ) — corante de prata. Observe as fi bras de Sharpey dentro do feixe 
ósseo ( BB ) sobrejacente ao osso lamelar. 
 Figura 2-31 As fi bras pr incipais do ligamento per iodontal seguem um 
curso ondulado quando seccionadas longitudinalmente. A função formativa 
do ligamento per iodontal é ilustrada pelos osteoides e osteoblastos 
recém-formados ao longo da super fície óssea pr eviamente r eabsorvida 
( esquerda ) e os cementoides e cementoblastos ( direita ). O bserve as fi bras 
embebidas nos tecidos c alcifi cados em formação ( setas ). V , canais vasculares. 
Feixe
Fibra
Microfibrila
Fibrila
 Figura 2-33 Microfi brilas colágenas, fi brilas, fi bras e feixes. 
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29CAPÍTULO 2 Anatomia do Periodonto
 Grupo da Crista Alveolar . As fi bras da crista alveolar esten-
dem-se obliquamente do cemento logo abaixo do epitélio juncional 
da crista alveolar ( Fig. 2-36 ). As fi bras também correm do cemento 
sobre a crista alveolar à camada fi brosa do periósteo cobrindo o osso 
alveolar. As fi bras da crista alveolar previnem a extrusão do dente 54 
e resistem aos movimentos dentários laterais. A incisão dessas fi bras 
durante a cirurgia periodontal não aumenta a mobilidade dentár ia 
a menos que tenha ocorr ido perda signifi cativa de inserção. 99 
 Grupo Horizontal . As fi bras hor izontais estendem-se em 
ângulo r eto ao longo do eixo do dente , do cemento ao osso 
alveolar. 
 Grupo Oblíquo . As fi bras oblíquas, o maior gr upo no liga-
mento per iodontal, estendem-se do cemento em dir eção coronal 
obliquamente ao osso ( Fig. 2-34 ). Elas sustentam o peso do 
estresse mastigatório vertical e o transformam em tensão no osso 
alveolar. 
 Grupo Apical . As fi bras apic ais irradiam-se de maneira bas-
tante irregular do cemento ao osso na região apical do alvéolo. Elas 
não ocorrem nas raízes incompletamente formadas. 
 Grupo Inter-radicular . As fi bras inter-radiculares espa-
lham-se do cemento do dente nas ár eas de fur ca dos dentes 
multirradiculares. 
 Outros feixes de fi bra bem formados interdigitam em ângulos 
retos ou afunilam-se ao redor e entre os feixes de fi bra arranjados 
regularmente. Fibras colágenas arranjadas menos regularmente são 
encontradas no tecido conjuntivo intersticial entre os grupos de fi bra 
principal; esse tecido contém os vasos sanguíneos, linfáticos e 
nervos. 
 Embora o ligamento periodontal não contenha elastina madura, 
duas formas imaturas são encontradas: oxitalânica e elaunina. As 
fibras também denominadas oxitalânicas 92,105 correm paralelas à 
superfície radicular em direção vertical e inclinam-se para se inserir 
no cemento 92 no terço cervical da raiz. Acredita-se que elas regulem 
o fl uxo vascular. 91 Uma malha elástica foi descrita no ligamentoperiodontal 135 como sendo composta de muitas lamelas de elastina 
com fi bras oxitalânicas periféricas e fi bras de elaunina. Foi demons-
trado que as fi bras oxitalânicas desenvolvem-se novamente no liga-
mento periodontal regenerado. 224 
 As fi bras periodontais são remodeladas pelas células do ligamento 
periodontal para se adaptar às necessidades fi siológicas 270,300 e em 
resposta aos diferentes estímulos. 282 
 Além desses tipos de fi bras, pequenas fi bras colágenas associadas 
às fi bras colágenas principais maiores foram descritas. Essas fi bras 
correm em todas as direções, formando um plexo chamado plexo 
fi brilar indiferente. 249 
 Elementos Celulares 
 Quatro tipos de células foram identifi cadas no ligamento periodontal: 
células do tecido conjuntivo, células epiteliais, células do sistema 
imune e células associadas aos elementos neurovasculares. 26 
 As células do tecido conjuntivo incluem fi broblastos, cementoblastos 
e osteoblastos. Os fi broblastos são as células mais comuns no liga-
mento periodontal e aparecem como células ovoides ou alongadas 
orientadas ao longo das fi bras principais, exibindo processos como 
 Figura 2-34 Diagrama dos grupos da fi bra principal. 
 Figura 2-35 Fibras transeptais ( F ) na cr ista do osso inter dental. 
 Figura 2-36 Secção de um molar de rato mostrando as fi bras da cr ista 
alveolar radiando-se coronalmente. 
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PARTE 1 O Periodonto Normal30
pseudopodia. 215 Essas células sintetizam colágeno e possuem a c a-
pacidade de fagocitar as fi bras colágenas “velhas” e as degradam 270 
através da hidrólise enzimática. Portanto, a renovação do colágeno 
parece ser regulada pelos fi broblastos em um processo de degradação 
intracelular do colágeno não envolvendo a ação da colagenase. 24 
 Existem subpopulações de fi broblastos fenotipicamente distintas 
e funcionalmente diferentes no ligamento periodontal adulto. Elas 
parecem idênticas nos níveis de microscopia óptica e eletrônica, 117 
mas possuem diferentes funções, como secreção de diferentes tipos 
de colágeno e produção de colágeno. 
 Os osteoblastos e os cementoblastos, assim como os osteoclastos 
e os odontoclastos, também foram obser vados no cemento e nas 
superfícies ósseas do ligamento periodontal. 
 Os restos epiteliais de Malassez formam uma treliça no ligamento 
periodontal e aparecem como aglomerados isolados de células ou 
fi lamentos entrelaçados ( Fig. 2-37 ), dependendo do plano de corte 
da seção microscópica. A continuidade com o epitélio juncional foi 
sugerida em experimentos animais. 108 Os restos epiteliais são consi-
derados remanescentes da bainha radicular de Her twig, a qual se 
desintegra durante o desenvolvimento radicular ( Fig. 2-37 , A). 
 Os restos epiteliais estão distr ibuídos próximo ao cemento por 
todo o ligamento periodontal da maior parte dos dentes e são mais 
numerosos na área apical 212 e na área cervical. 284,285 Eles diminuem 
em número com a idade 254 através de degeneração ou desapareci-
mento ou sofrem calcifi cação para tornarem-se cementículos. As 
células são circundadas por uma lâmina basal distinta, interconectadas 
por hemidesmossomos e contêm tonofi lamentos. 24 
 Apesar de suas propriedades funcionais ainda serem consideradas 
pouco claras, 265 foi relatado que os restos epiteliais contêm fatores 
de crescimento de queratinócitos e têm sido mostrados como posi-
tivos para o receptor de neurotrofi na tirosina-quinase A. 94,286,296 Além 
disso, os restos epiteliais proliferam quando estimulados 266,271,280 e 
participam da formação dos cistos per iapicais e cistos radiculares 
laterais. 
 As células de defesa no ligamento periodontal incluem neutrófi los, 
linfócitos, macrófagos, mastócitos e eosinófi los. Essas células, assim 
como aquelas associadas aos elementos neurovasculares, são similares 
às células nos outros tecidos conjuntivos 
 Substância Fundamental 
 O ligamento periodontal também contém grande proporção de 
substância fundamental, preenchendo os espaços entre as fi bras e as 
células. Ela consiste em dois componentes principais: glicosamino-
glicanos, como o ácido hialurônico e os proteoglicanos, e glicopro-
teínas, como a fi bronectina e a laminina. A substância fundamental 
também possui alto conteúdo de água (70%). 
 Os proteoglicanos da superfície celular participam de diversas 
funções biológicas, incluindo adesão celular, interações célula-célula 
e célula-matriz, ligação a vários fatores de crescimento como corre-
ceptores, e reparo celular. 297 Por exemplo, a fi bromodulina , pequeno 
proteoglicano rico em sulfato de queratano e leucina, foi recente-
mente identifi cado no ligamento periodontal bovino. 288 Um estudo 
mais detalhado dos proteoglicanos no ligamento per iodontal foi 
realizado usando culturas de fi broblastos do ligamento humano. 151 
 O ligamento periodontal também pode conter massas calcifi cadas 
denominadas cementículos , os quais estão ader idos ou desinseridos 
das superfícies radiculares ( Fig. 2-38 ). 
 Os cementículos podem desenvolver-se dos restos epiteliais 
calcifi cados, ao redor de pequenas espículas de cemento ou osso al-
veolar traumaticamente deslocado dentro do ligamento periodontal, 
das fi bras de Sharpey calcifi cadas e de vasos calcifi cados e trombo-
sados dentro do ligamento periodontal. 182 
 Funções do Ligamento Periodontal 
 As funções do ligamento per iodontal são categorizadas em física, 
formativa e remodeladora, nutricional e sensitiva. 
 Funções Físicas . As funções físicas do ligamento per iodontal 
compreendem as seguintes: 
 1. Provisão de um “invólucro” de tecido mole para pr oteger os 
vasos e ner vos da lesão oc asionada por forças mecânicas. 
 2. Transmissão das forças oclusais ao osso. 
 3. Inserção dos dentes ao osso . 
 4. Manutenção dos tecidos gengivais nas suas r elações apr o-
priadas com os dentes. 
 5. Resistência ao impacto das for ças oclusais (absorção do choque). 
 Figura 2-37 Restos epiteliais de Malassez. A, Dente em 
erupção em gato . F ragmentação da bainha radicular de 
Hertwig dando or igem aos r estos epiteliais loc alizados ao 
longo e pr óximo da super fície radicular . B, Ligamento 
periodontal humano com r estos epiteliais em formato de 
roseta ( setas ) localizados próximo ao cemento ( C ). 
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31CAPÍTULO 2 Anatomia do Periodonto
 Resistência ao Impacto das Forças Oclusais (Absor-
ção do Choque) . Duas teor ias r elativas ao mec anismo de 
suporte dentário foram consideradas: as teor ias tensional e do sis-
tema viscoelástico. 
 A teoria tensional do suporte dentário afi rma que as fi bras prin-
cipais do ligamento per iodontal são o pr incipal fator no suporte 
dentário e na transmissão de forças ao osso. Quando a força é apli-
cada na coroa, as fi bras principais primeiro desdobram-se e endirei-
tam-se e, depois, transmitem as forças ao osso alveolar, causando 
deformação elástica do alvéolo ósseo. Finalmente, quando o osso 
alveolar atingiu seu limite, a carga é transmitida ao osso basal. Muitos 
investigadores acharam essa teor ia insufi ciente para explicar a evi-
dência experimental disponível. 
 A teoria do sistema viscoelástico afi rma que o deslocamento dentário 
é altamente controlado pelos movimentos do fl uido, com as fi bras pos-
suindo apenas papel secundário. 31,44 Quando as forças são transmitidas 
ao dente, o fl uido extracelular passa do ligamento periodontal para os 
espaços medulares do osso através de foraminas na lâmina cribriforme. 
Essas perfurações da lâmina cribriforme conectam o ligamento perio-
dontal à porção esponjosa do osso alveolar e são mais abundantes noterço cervical do que nos terços médio e apical ( Fig. 2-39 ). 
 Após depleção dos fl uidos teciduais, os feixes de fi bra absorvem 
a frouxidão e encurtam-se. Isso leva à estenose do vaso sanguíneo. A 
contrapressão arterial causa dilatamento dos vasos e a passagem dos 
ultrafi ltrados de sangue para o interior dos tecidos, causando assim 
a reposição dos fl uidos teciduais. 31 
 Transmissão das Forças Oclusais ao Osso . O arranjo das 
fi bras pr incipais é similar a uma ponte suspensa ou uma r ede. 
Quando uma for ça axial é aplic ada a um dente , ocorre tendência 
de deslocamento da raiz para dentr o do alvéolo. As fi bras oblíquas 
alteram o seu padrão ondulado, não tensionado, assumem seu com-
primento total e sustentam a maior par te da for ça axial. Q uando 
uma força horizontal ou de basculamento é aplicada, ocorrem duas 
fases do movimento dentário. A primeira ocorre dentro dos limites 
do ligamento per iodontal, e a segunda pr oduz um desloc amento 
das lâminas ósseas v estibular e lingual. 71 O dente r otaciona sobre 
um eixo que pode alterar conforme a for ça aumenta. 
 A porção apical da raiz move-se na direção oposta à porção co-
ronal. Em áreas de tensão, os feixes de fi bra principal estão esticados 
em vez de ondulados. Em áreas de pressão, as fi bras são comprimidas, 
o dente é deslocado e existe distorção correspondente do osso na 
direção do movimento radicular. 207 
 Em dente unirradicular, o eixo de rotação está localizado na área 
entre os terços apical e médio da raiz ( Fig. 2-40 ). O ápice radicular 187 
e a metade coronal da raiz clínica foram sugeridos como outras lo-
calizações do eixo de rotação. O ligamento periodontal, que possui 
forma de ampulheta, é mais estreito na região do eixo de rotação 67,147 
( Tabela 2-1 ). Nos dentes multirradiculares, o eixo de rotação está 
localizado no osso entre as raízes ( Fig. 2-41 ). Em conformidade com 
a migração fi siológica mesial dos dentes, o ligamento periodontal é 
mais fi no na superfície radicular mesial do que na superfície distal. 
 Função Formativa e Remodeladora . O ligamento perio-
dontal e as células do osso al veolar estão expostos a for ças f ísicas 
em resposta a mastigaç ão, parafunção, fala e movimento dentár io 
ortodôntico. 175 As células do ligamento per iodontal participam da 
formação e r eabsorção do cemento e osso , que ocorr em no movi-
mento dentário fi siológico, da acomodação do periodonto às forças 
oclusais e do r eparo das lesões. 
 Variações na atividade enzimática celular estão correlacionadas 
com o processo de remodelação. 96-98 Embora forças aplicadas possam 
 Figura 2-38 Cementículos no ligamento per iodontal: um está livr e e o 
outro aderido à super fície dentária. 
 Figura 2-39 Foramina perfurando a lâmina dura (mandíbula de c achorro). 
 Figura 2-40 Esquerda , Diagrama do dente (pré-molar inferior) em estado 
de repouso. Direita , Quando uma for ça é exer cida no dente , nesse c aso na 
direção vestibulolingual ( seta ), o dente r otaciona ao r edor do fulcr o ou do 
eixo de rotação (círculo preto na raiz). O ligamento per iodontal é compr i-
mido nas áreas de pressão e distendido nas ár eas de tensão. 
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PARTE 1 O Periodonto Normal32
induzir alterações vasculares e infl amatórias reativas nas células do 
ligamento periodontal, evidência atual sugere que essas células pos-
suem um mecanismo para responder diretamente às forças mecânicas 
através da ativação de vários sistemas sinalizadores mecanossensiti-
vos, incluindo a adenilato ciclase, os canais iônicos ativados por es-
tiramento e por alterações na organização do citoesqueleto. 175 
 A formação de cartilagem no ligamento per iodontal, embora 
incomum, pode representar um fenômeno metaplásico no r eparo 
desse ligamento após lesão. 20 
 O ligamento periodontal está constantemente sofrendo remode-
lação. As células velhas e as fi bras são quebradas e substituídas por 
novas, e a atividade mitótica pode ser observada nos fi broblastos e 
nas células endoteliais. 188 Os fi broblastos formam as fi bras colágenas, e 
as células mesenquimais residuais desenvolvem-se em osteoblastos 
e cementoblastos. Portanto, a taxa de formação e diferenciação dos 
osteoblastos, cementoblastos e fi broblastos afeta a taxa de formação 
do colágeno, cemento e osso. 
 Estudos radioautográfi cos com timidina, prolina e glicina radio-
ativas indicam alta taxa de renovação de colágeno no ligamento 
periodontal. A taxa da síntese de colágeno é duas vezes mais rápida 
do que aquela na gengiva e quatro vezes mais rápida do que a da pele, 
como estabelecido no molar de rato. 256 Também ocorre rápida reno-
vação dos glicosaminoglicanos sulfatados nas células e na substância 
fundamental amorfa do ligamento periodontal. 21 
 Deve ser notado que a maior ia desses estudos foi realizada em 
roedores, e a informação em primatas e humanos é escassa. 238 
 Funções Nutricionais e Sensitivas . O ligamento per io-
dontal fornece nutr ientes ao cemento , ao osso e à gengiva atrav és 
de vasos sanguíneos e também provê a drenagem linfática (discussão 
posterior). 
 Em relação a outros ligamentos e tendões, o ligamento periodon-
tal é um tecido altamente vascularizado e quase 10% do seu volume 
no molar de roedores é de vasos sanguíneos. 35,176 Esse conteúdo re-
lativamente alto de vaso sanguíneo pode fornecer um amortecimento 
hidrodinâmico às forças aplicadas, assim como altas taxas de perfusão 
ao ligamento periodontal. 175 
 O ligamento periodontal é abundantemente supr ido com fi bras 
nervosas sensitivas capazes de transmitir sensações táteis, pressóricas 
e álgicas através do trajeto trigeminal. 14,30 Os feixes nervosos passam 
dentro do ligamento periodontal da área periapical e através dos canais 
do osso alveolar que seguem o curso dos vasos sanguíneos. Os feixes 
dividem-se em fi bras mielínicas únicas, que por fi m perdem suas 
bainhas de mielina e terminam em um dos quatro tipos de terminação 
neural: (1) terminações livres, que possuem confi guração semelhante 
a uma árvore e carregam a sensação de dor; (2) mecanorreceptores 
parecidos com Ruffi ni, localizados principalmente na área apical; (3) 
corpúsculos espiralados de Meissner, também mecanorreceptores, 
encontrados principalmente na região do terço médio radicular; e (4) 
terminações fusiformes de pressão e vibração, as quais são circundadas 
por uma cápsula fi brosa e localizadas principalmente no ápice. 91,168 
 Regulação da Largura do Ligamento Periodontal . 
 Algumas das características mais interessantes do ligamento periodon-
tal em seres humanos são a sua adaptabilidade para alterar rapidamente 
a força aplicada e sua capacidade de manter sua largura nas dimensões 
constantes por toda a vida. 176 Essas são medidas impor tantes da 
homeostase do ligamento per iodontal, fornecendo informações sobr e 
a função dos mecanismos biológicos que fortemente regulam o meta-
bolismo e as organizações espaciais das populações celulares envolvidas 
na formação do osso, do cemento e das fi bras do ligamento periodon-
tal. Além disso , a c apacidade das células do liga mento per iodontal 
 TABELA 2-1 Espessura do Ligamento Periodontal de 172 Dentes de 15 Seres Humanos 
Média da Crista Alveolar 
(mm)
Média do Terço Médio 
Radicular (mm) Média do Ápice (mm) Média Dentária (mm)
Idades 11–1 
 683 dentes de 4 mandíbulas
0,23 0,17 0,24 0,21
Idades 32-50 
 36 dentes de 5 mandíbulas
0,20 0,14 0,19 0,18
Idades 51–67 
 35 dentes de 5 mandíbulas
0,17 0,12 0,16 0,15
Idade 24 (1 caso) 
 18 dentes de 1 mandíbula
0,16 0,09 0,15 0,13
 Modifi cada de Coolidge ED: J Am Dent Assoc 24:1260, 1937. 
 Figura 2-41 Vista microscópica de um molar de rato submetido a for ças 
ocluso-horizontais.O bserve as ár eas alternadas alargadas e estr eitas do 
ligamento periodontal conforme o dente r otaciona ao redor do seu eixo de 
rotação. O eixo de r otação é o espaço inter-radicular . 
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33CAPÍTULO 2 Anatomia do Periodonto
em sintetizar e secr etar grande var iedade de moléculas r eguladoras é 
um componente essencial da r emodelação tecidual e da homeostase 
do ligamento periodontal. 175 
 CEMENTO 
 O cemento é um tecido mesenquimal calcifi cado e avascular que forma 
a cobertura externa da raiz anatômica. Os dois tipos pr incipais de 
cemento são o acelular ( primário ) e o celular ( secundário ). 106 Ambos 
consistem em uma matriz interfi brilar calcifi cada e fi brilas colágenas. 
 As duas principais fontes de fi bras colágenas no cemento são (1) 
as fi bras de Sharpey ( extrínsecas ), as quais são a porção embebida das 
fi bras principais do ligamento periodontal 219 e formadas pelos fi bro-
blastos; e (2) as fi bras que pertencem à matriz do cemento ( intrín-
secas ), que são produzidas pelos cementoblastos. 246 Os cementoblastos 
também formam os componentes não colagenosos da substância 
fundamental interfi brilar como os proteoglicanos, as glicoproteínas 
e as fosfoproteínas. Os proteoglicanos mais provavelmente exercem 
um papel na regulação das interações célula-célula e célula-matr iz, 
ambas no desenvolvimento normal, assim como na regeneração do 
cemento. 17 Além disso, estudos imuno-histoquímicos mostraram que 
a distribuição dos proteoglicanos está intimamente associada aos 
cementoblastos e cementócitos. 1,2 
 A maior proporção da matriz orgânica do cemento é composta de 
colágenos tipo I (90%) e tipo III (cerca de 5%). As fi bras de Sharpey, 
que constituem uma proporção considerável do volume do cemento, 
são compostas principalmente de colágeno tipo I. 211 O colágeno tipo 
III parece revestir as fi bras de Sharpey de colágeno tipo I. 16 
 O cemento acelular é o pr imeiro cemento formado, cobrindo 
aproximadamente o terço cervical ou metade da raiz, e não contém 
células ( Fig. 2-42 ). O cemento é formado antes de o dente atingir o 
plano oclusal, e sua espessura var ia de 30-230 � m. 254 As fi bras de 
Sharpey constituem a maior parte da estrutura do cemento acelular, 
o qual possui o papel pr incipal no suporte dentário. A maioria das 
fi bras está inserida, aproximadamente, em ângulo reto com a super-
fície radicular e penetra profundamente no cemento, mas outras 
entram em diversas direções. Seu tamanho, número e distribuição 
aumentam com a função. 125 As fi bras de Sharpey são completamente 
calcifi cadas, com os cristais minerais orientados paralelos às fi brilas, 
assim como na dentina e no osso , exceto em uma z ona ampla de 
10-50 � m próximo à junção cementodentinária, onde elas são apenas 
parcialmente calcifi cadas. As porções periféricas das fi bras de Sharpey 
no cemento ativamente mineralizado tendem a ser mais calcifi cadas 
do que nas regiões interiores, de acordo com evidência obtida através 
da microscopia eletrônica de varredura. 139 O cemento acelular tam-
bém contém fi brilas colágenas intrínsecas, as quais são calcifi cadas e 
irregularmente arranjadas ou paralelas à superfície. 238 
 O cemento celular formado após o dente ter atingido o plano 
oclusal, é mais irregular e contém células (cementócitos) em espaços 
individuais (lacunas) que se comunicam umas com as outras através 
de um sistema anastomosante de canalículos ( Fig. 2-43 ). O cemento 
celular é menos calcifi cado do que o tipo acelular. 126 As fi bras de 
Sharpey ocupam uma porção menor do cemento celular e são sepa-
radas pelas outras fi bras que estão arranjadas paralelas à super fície 
radicular ou de maneira irregular. As fi bras de Sharpey podem estar 
completa ou parcialmente calcifi cadas ou podem possuir núc leo 
central não calcifi cado circundado por uma borda calcifi cada. 137,246 
 Os cementos acelular e celular estão arranjados em lamelas sepa-
radas por linhas incr ementais paralelas ao longo eixo da raiz 
( Figs. 2-42 e 2-43 ). Essas linhas representam “períodos de repouso” 
na formação de cemento e são mais mineralizadas do que o cemento 
adjacente. 220 Além disso, a perda da parte cervical do epitélio redu-
zido do esmalte no momento da er upção dentária pode colocar 
porções do esmalte maduro em contato com o tecido conjuntivo, o 
qual então depositará um cemento acelular do tipo afi brilar sobre 
o esmalte. 159 
 Figura 2-42 Cemento acelular ( AC ) mostrando linhas incr ementais cor-
rendo paralelas ao longo eixo do dente . Essas linhas r epresentam o cresci-
mento aposicional do cemento . O bserve as linhas fi nas e le ves corr endo 
dentro do cemento perpendicular à superfície; elas representam as fi bras de 
Sharpey do ligamento per iodontal ( PL ). D , dentina (300 × ). 
 Figura 2-43 Cemento celular ( CC ) mostrando os cementócitos r epou-
sando no inter ior das lacunas. O cemento celular é mais espesso do que o 
cemento acelular ( Fig. 2-45 ). Também existe evidência de linhas incremen-
tais, mas elas são menos distintas do que no cemento acelular . As células 
adjacentes à superfície do cemento no espaço do ligamento periodontal ( PL ) 
são os cementoblastos. D , dentina (300 × ). 
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PARTE 1 O Periodonto Normal34
 Com base nesses achados, Schroeder 135,136 classifi cou o cemento 
da seguinte forma: 
 Cemento acelular afi brilar (CAA) não contém células nem fi bras 
colágenas extr ínsecas e intr ínsecas, exceto por uma subs-
tância fundamental mineralizada. O CAA é um produto dos 
cementoblastos e encontrado no cemento cor onário em 
humanos, com espessura de 1-15 � m. 
 Cemento acelular de fi bras extrínsecas (CAFE) é composto quase 
inteiramente de feixes densamente compactados de fi bras de 
Sharpey e não possui células. O C AFE é pr oduzido por 
fi broblastos e cementoblastos e é encontrado no terço cervi-
cal das raízes em seres humanos, mas pode estender-se mais 
apicalmente. Sua espessura está entr e 30-230 � m. 
 Cemento celular estratifi cado misto (CCEM) é composto de fi bras 
extrínsecas (S harpey) e fi bras intr ínsecas, e pode conter 
células. O CCEM é um coproduto dos fi broblastos e cemen-
toblastos, e em ser es humanos apar ece pr incipalmente no 
terço apic al das raíz es e ápices e nas ár eas de fur ca. S ua 
espessura varia de 100-1.000 � m. 
 Cemento celular de fi bras intrínsecas (CCFI) contém células, mas 
não fi bras colágenas extr ínsecas. O C CFI é formado por 
cementoblastos e, nos seres humanos, preenche as lacunas de 
reabsorção. 
 O cemento intermediário é uma z ona pobremente defi nida pró-
xima à junção cementodentinária de certos dentes que parece 
conter remanescentes celulares da bainha de Hertwig embe-
bido em uma substância fundamental c alcifi cada. 80,155 
 O conteúdo inorgânico do cemento (hidroxiapatita Ca 10 [Po 4 ] 6 [OH] 2 ) 
é de 45-50%, o que é menor do que o do osso (65%), do esmalte (97%) 
ou da dentina (70%). 304 As opiniões diferem sobre se a microdureza 
aumenta 192 ou diminui com a idade, 287 e nenhuma relação foi estabele-
cida entre a idade e o conteúdo mineral do cemento. 
 É bem conhecido que os extratos de proteína do cemento maduro 
promovem a adesão celular e a migração celular, e estimulam a síntese 
proteica dos fi broblastos gengivais e das células do ligamento perio-
dontal. 230 Estudos sobre o cemento identifi caram proteínas de adesão 
com RGD motifs (sequências Arg-Gli-Asp): sialoproteína óssea, 
osteopontina e osteonectina. 40,177 A sialoproteína óssea e a osteopon-
tina são expressas durante o desenvolvimento inicial da raiz dentária 
através de células ao longo da superfície radicular, e acredita-se quepossuam papel importante na diferenciação das células progenitoras 
de cementoblastos em cementoblastos. 111,230 
 Algumas das moléculas únicas ao cemento foram descritas. Um 
estudo recente investigou o papel da proteína de adesão ao cemento 
(CAP), uma proteína colágena derivada do cemento. Foi demons-
trado que a CAP promove a adesão e disseminação dos tipos celulares 
mesenquimais, com os osteoblastos e os fi broblastos do ligamento 
periodontal mostrando melhor adesão do que os fi broblastos gengi-
vais e os queratinócitos. 225 Além disso, Ikewaza et al . 124 relataram a 
caracterização do fator de crescimento derivado do cemento (CGF), 
o qual é uma molécula de fator de cr escimento tipo I semelhante à 
insulina. O CGF mostrou aumentar a proliferação dos fi broblastos 
gengivais e das células do ligamento periodontal. 
 Permeabilidade do Cemento 
 Em animais muito jovens, o cemento acelular e o cemento celular 
são muito permeáveis e permitem a difusão de corantes da polpa e 
da superfície radicular externa. A permeabilidade do cemento dimi-
nui com a idade. 36 
 Junção Amelocementária 
 O cemento na junção amelocementária e imediatamente adjacente 
a ela é de especial impor tância nos procedimentos de raspagem 
radicular. Três tipos de reações envolvendo o cemento podem existir 
na JAC. 193 Em cerca de 60-65% dos c asos, o cemento sobrepõe o 
esmalte ( Fig. 2-44 ); em cerca de 30% existe uma junção de topo de 
margem com margem; e em 5-10%, o cemento e o esmalte não se 
encontram. No último caso, a recessão gengival pode resultar em 
sensibilidade acentuada devido à dentina exposta. 
 Junção Cementodentinária 
 A área apical terminal do cemento onde ele encontra a dentina do 
canal radicular interno é conhecida como junção cementodentinária 
( JCD). Quando o tratamento do canal radicular é executado, o material 
obturador deve estar na JCD. Parece não haver aumento nem dimi-
nuição na espessura da JCD com a idade; sua espessura parece man-
ter-se relativamente estável. 259 A microscopia eletrônica de varredura 
dos dentes humanos revela que a JCD possui 2-3 � m de largura. A 
camada pobre em fi brilas contém quantidade signifi cativa de proteo-
glicanos e fi brilas misturadas entre o cemento e a dentina. 298,299 
 Espessura do Cemento 
 A deposição de cemento é um processo contínuo que progride em 
taxas variáveis através de toda a vida. A formação do cemento é mais 
rápida nas regiões apicais, onde ela compensa a erupção dentária, a 
qual por si só compensa o atrito. 
 A espessura do cemento na metade cor onária da raiz var ia de 
16-60 � m ou cerca da espessura de um cabelo. Ele atinge sua maior 
espessura (cerca de 150-200 � m) no terço apical e nas áreas de furca. 
É mais espesso nas superfícies distais do que nas superfícies mesiais, 
provavelmente por causa da estimulação funcional da direção mesial 
ao longo do tempo. 70 Entre 11-70 anos de idade, a espessura média 
do cemento aumenta três vezes mais, com o maior aumento na região 
apical. Espessuras médias de 95 � m na idade de 20 anos e 215 � m 
na idade de 60 anos foram relatadas. 303 
 Anormalidades na espessura do cemento podem var iar desde 
ausência ou escassez do cemento celular ( aplasia cementária ou hipo-
plasia ) a uma deposição excessiva de cemento ( hiperplasia cementária 
ou hipercementose ). 154 
 O termo hipercementose refere-se a uma espessura proeminente 
do cemento. Ela é um fenômeno altament e relacionado à idade e 
pode estar localizada em um dente ou afetar toda a dentição. Devido 
à variação fi siológica considerável na espessura do cemento entr e 
diferentes dentes na mesma pessoa e também entr e indivíduos dife-
rentes, a distinção entre hipercementose e espessamento fi siológico do 
cemento é, algumas vezes, difícil. Todavia, a proliferação excessiva 
do cemento pode ocorrer em amplo espectro de condições neoplá-
sicas e não neoplásicas, incluindo cementoblastoma benigno, fi broma 
cementifi cante, displasia cementária periapical, displasia cemento-
óssea fl orida e outras lesões fi bro-ósseas benignas. 154 
D
30%
D
60-65%
D
5-10%A B C
 Figura 2-44 Variações normais da mor fologia dentária na junção amelo-
cementária. A , Espaço entr e o esmalte e o cemento com dentina ( D ) 
exposta. B , Relação topo a topo do esmalte e cemento . C , Cemento sobre-
pondo o esmalte. 
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35CAPÍTULO 2 Anatomia do Periodonto
 A hipercementose ocorre como espessamento generalizado do 
cemento, com aumento nodular do terço apical da raiz. Ela também 
aparece na forma de excrescências semelhantes a espinhos (picos 
cementários) criados tanto pela coalescência de cementículos que 
aderem à raiz quanto pela c alcifi cação das fi bras periodontais nas 
áreas de inserção no cemento. 155 
 Radiografi camente, uma sombra radiolúcida do ligamento perio-
dontal e uma lâmina dura radiopaca são quase sempre observadas na 
borda externa de uma área de hipercementose, envelopando-a con-
forme estaria no cemento normal. 154 Por outro lado, de um ponto de 
vista diagnóstico, a displasia cementária periapical, a osteíte conden-
sante e a osteopetrose periapical focal podem ser diferenciadas da 
hipercementose, pois todas estas entidades estão loc alizadas fora 
da sombra do ligamento periodontal e da lâmina dura. 295 
 A etiologia da hipercementose varia e não está completamente 
compreendida. O tipo de hipercementose em forma de espinho 
geralmente resulta da tensão excessiva dos apar elhos ortodônticos 
ou das forças oclusais. O tipo generalizado ocorre em uma variedade 
de circunstâncias. Em dentes sem antagonistas, a hipercementose é 
interpretada como um esforço de manter o r itmo com a erupção 
dentária excessiva. Em dentes sujeitos a baixo grau de irr itação pe-
riapical devido a uma doença periodontal, ela é considerada uma 
compensação para a inserção fi brosa destruída do dente. O cemento 
é depositado adjacente ao tecido per iapical infl amado. A hiperce-
mentose de toda a dentição pode ocorrer em pacientes com doença 
de Paget. 223 Outros distúrbios sistêmicos que podem levar à hiper-
cementose ou associar-se a ela incluem acromegalia, artrite, calcinose, 
febre reumática e bócio da tireoide. 154 
 A hipercementose por si só não r equer tratamento. Ela pode 
representar um problema se o dente afetado necessitar de extraç ão. 
Nos dentes multirradiculares, o seccionamento do dente pode ser 
necessário antes da extração. 19 
 Reabsorção e Reparo do Cemento 
 Os dentes permanentes não sofrem reabsorção fi siológica como os 
dentes decíduos. Contudo, o cemento dos dentes erupcionados, assim 
como dos não erupcionados, está sujeito a alterações reabsortivas que 
podem ser de proporção microscópica ou sufi cientemente extensas 
para apresentar uma alteração radiografi camente detectável no con-
torno radicular. 
 A reabsorção microscópica do cemento é extremamente comum; 
em um estudo, ela ocorreu em 236 dos 261 dentes (90,5%). 120 O 
número médio das áreas de reabsorção por dente foi de 3,5. Das 922 
áreas de reabsorção, 708 (76,8%) estavam localizadas no terço apical 
da raiz, 177 (19,2%) no terço médio e 37 (4,0%) no terço gengival. 
Aproximadamente 70% de todas as ár eas de reabsorção estavam 
confi nadas ao cemento sem envolvimento da dentina. 
 A reabsorção do cemento pode ser causada por fatores locais ou 
sistêmicos ou ocorrer sem etiologia aparente (isto é, idiopática). As 
condições locais que causam reabsorção do cemento incluem trauma 
oclusal 198 ( Fig. 2-45 ); movimento ortodôntico; 119,197,222 pressão oca-
sionada por dentes em erupção mal alinhados, cistos e tumores, 146 
dentes sem antagonistas funcionais; dentes inclusos, replantados ou 
transplantados; 3,137 doença periapical; e doença periodontal. As 
condiçõessistêmicas citadas como predispondo ou induzindo a 
reabsorção do cemento incluem defi ciência de cálcio, 138 hipotireoidis-
mo, 23 osteodistrofi a fi brosa hereditária 274 e doença de Paget. 233 
 A reabsorção do cemento aparece microscopicamente como 
concavidades semelhantes a baías na superfície radicular ( Fig. 2-46 ). 
As células gigantes multinucleadas e os grandes macrófagos mononu-
cleares são geralmente encontrados adjacentes ao cemento submetido 
à reabsorção ativa ( Fig. 2-47 ). Diversos sítios de reabsorção podem 
coalescer para formar uma grande área de destruição. O processo de 
reabsorção pode estender-se para a dentina subjacente e até mesmo 
para a polpa, mas é usualmente indolor. A reabsorção do cemento 
não é necessariamente contínua e pode alternar com per íodos de 
reparo e de deposição de novo cemento. O cemento recém-formado 
é demarcado da raiz por uma linha profunda de coloração irregular, 
denominada linha de reversão , que delimita a borda da reabsorção 
prévia. Estudo recente mostrou que as linhas de reversão nos dentes 
humanos contêm poucas fi brilas colágenas e altamente acumuladas 
de proteoglicanos com mucopolissacarídeos (glicosaminoglicanos) 
e que essa fi brila misturada ocorre somente em alguns locais entre o 
 Figura 2-45 Reabsorção do cemento associada a for ças oc lusais exces-
sivas. A , S ecção histológic a de pequeno aumento dos dentes anter iores 
inferiores. B , Micrografi a de grande aumento do ápice do incisiv o central 
esquerdo encurtado pela reabsorção do cemento e dentina. Observe o reparo 
parcial das áreas erodidas ( setas ) e cementículo na dir eita superior. 
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PARTE 1 O Periodonto Normal36
cemento reparador e a dentina reabsorvida ou cemento. 298,299 As fi -
bras embebidas do ligamento periodontal restabelecem uma relação 
funcional no novo cemento. 
 O reparo do cemento requer a presença de tecido conjuntivo 
viável. Se o epitélio proliferar dentro de uma área de reabsorção, o 
reparo não ocorrerá. O reparo do cemento pode ocorrer em dentes 
desvitalizados, assim como nos dentes vitais. 
 Evidência histológica demonstra que a formação do cemento é 
essencial para a maturação apropriada do periodonto, tanto no de-
senvolvimento quanto na regeneração dos tecidos periodontais per-
didos. 230 Ou seja, uma variedade de macromoléculas presentes na 
matriz extracelular do periodonto provavemente exerce um papel 
regulador na cementogênese. 171 
 A regeneração do cemento requer cementoblastos, mas a origem 
dos cementoblastos e os fatores moleculares que regulam o seu re-
crutamento e a sua diferenciação não são completamente compreen-
didos. Pesquisa recente, contudo, fornece um melhor entendimento; 
por exemplo, os restos epiteliais de Malassez são as únic as células 
epiteliais odontogênicas que permanecem no periodonto após a erup-
ção dos dentes, e eles podem ter alguma função no reparo e na rege-
neração do cemento sob condições específi cas. 116 Os restos de Malassez 
podem ser relacionados ao reparo do cemento através da ativação do 
seu potencial em secretar proteínas da matriz que foram expressas no 
desenvolvimento dentário, como as amelogeninas, as enamelinas e as 
proteínas da bainha. Diversos fatores de crescimento foram mostrados 
como sendo efetivos na regeneração do cemento, incluindo membros 
da superfamília dos fatores transformadores de crescimento (proteínas 
morfogenéticas do osso), fator de crescimento derivado de plaqueta, 
fator de crescimento semelhante à insulina e derivados da matriz do 
esmalte 141,230 ( Fig. 2-48 ). 
 Anquilose . A fusão do cemento e do osso alveolar com oblitera-
ção do ligamento per iodontal é denominada anquilose . A anquilose 
ocorre em dentes com r eabsorção do cemento, o que suger e que ela 
representa uma forma de reparo anormal. A anquilose também pode 
se desenvolver após infl amação per iapical crônica, reimplante den-
tário e trauma oc lusal, e ao r edor de dentes inc lusos. 
 Essa condição é relativamente incomum e ocorre mais frequen-
temente na dentição decídua. 178 
 A anquilose resulta em reabsorção da raiz e na sua substituiç ão 
gradual por tecido ósseo. Por essa razão, os dentes reimplantados que 
anquilosam perderão suas raízes após 4-5 anos e esfoliarão. Clinica-
mente, os dentes anquilosados não possuem a mobilidade fi siológica 
 Figura 2-46 Micrografi a eletr ônica de varr edura da raiz exposta por 
doença periodontal mostrando grande ár ea de r eabsorção ( R ). São visíveis 
remanescentes do ligamento per iodontal ( P ) e c álculo ( C ). A fi ssura da 
superfície dentár ia ocorre como r esultado da técnic a de pr eparo (160 × ). 
 (Cortesia do Dr. John Sottosanti, La Jolla, CA.) 
 Figura 2-47 Reabsorção do cemento e dentina. Um osteoclasto multinuclear 
é obser vado em X . A dir eção da r eabsorção é indic ada pela seta. Observe a 
frente de reabsorção festonada na dentina ( D ). O cemento é uma faixa corada 
escura no canto superior e infer ior direito. P , Ligamento periodontal. 
D
NC
PDL
PDL
D
NC
RB
D: Dentina; NC: novo cemento; PDL: novo ligamento periodontal inserido ao novo
cemento; RB: materiais residuais de enxerto ósseo (β-TCP)
 Figura 2-48 Histologia c línica humana mostr ou 
que o nov o cemento e as novas fi bras do L PD for-
maram-se no defeito per iodontal tratado com fator 
BB de cr escimento humano der ivado de plaquetas 
com fosfato � -tricálcio. (Cortesia do D r. Daniel WK 
Kao, Filadélfi a.) 
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37CAPÍTULO 2 Anatomia do Periodonto
dos dentes normais, o que é um sinal diagnóstico de r eabsorção 
anquilótica. Além disso, esses dentes usualmente possuem som 
metálico especial durante a percussão e, se o processo anquilótico 
perdurar, eles ficarão em infraoclusão. 93 Contudo, o diagnóstico 
clínico da anquilose através dos testes de mobilidade e per cussão 
somente é confi ável quando pelo menos 20% da superfície radicular 
está afetada. 10 
 Conforme o ligamento per iodontal é substituído por osso na 
anquilose, a propriocepção é perdida, pois os receptores de pressão 
no ligamento periodontal são deletados ou não funcionam correta-
mente. Além disso, o movimento fi siológico e a erupção dos dentes 
não poderá mais ocorrer e, portanto, a capacidade dos dentes e do 
periodonto em se adaptarem aos níveis alterados de força ou às di-
reções da força é altamente reduzida. 175 Radiografi camente, as lacunas 
de reabsorção são preenchidas com osso, e o espaço do ligamento 
periodontal é perdido. 
 Como não podem ser encontradas causas defi nitivas na reabsor-
ção radicular anquilótica, nenhum tratamento previsível pode ser 
sugerido. As modalidades de tratamento var iam de abordagem 
conservadora, como intervenção restauradora, à extração cirúrgica 
do dente afetado. 189 
 Quando os implantes de titânio são coloc ados nos maxilares, a 
cicatrização resulta em osso que é formado em aposiç ão direta ao 
implante sem tecido conjuntivo interposto. Isso pode ser interpretado 
como uma forma de anquilose . Como a reabsorção do implante 
metálico não pode ocorrer, o implante permanece indefi nidamente 
“anquilosado” ao osso. Também uma bolsa periodontal verdadeira 
não se formará, pois a proliferação apical do epitélio ao longo da raiz, 
um elemento-chave na formação da bolsa, não é possível devido à 
anquilose. 
 Exposição do Cemento à Cavidade Oral 
 O cemento torna-se exposto na c avidade oral nos casos de recessão 
gengival e como resultado da perda de inserção na formação da bolsa. 
O cemento é sufi cientemente permeável para ser penetrado nesses 
casos por substâncias orgânicas, íons inorgânicos e bactérias. A invasão 
bacteriana do cemento ocorre frequentementena doença periodontal 
( Cap. 13 ). Pode desenvolver-se cárie de cemento ( Cap. 13 ). 
 PROCESSO ALVEOLAR 
 O processo alveolar é a porção da maxila e da mandíbula que forma 
e sustenta os alvéolos dentários. Ele se forma quando o dente erup-
ciona para fornecer inserção óssea ao ligamento per iodontal em 
formação e desaparece gradualmente após a perda dentária. 
 Uma vez que os processos alveolares se formam e sofrem remo-
delação com a formação e erupção do dente, eles são estruturas ósseas 
dependentes do dente. 233 Portanto, o tamanho, a forma, a localização 
e a função dos dentes determinam a sua morfologia. Curiosamente, 
embora o crescimento e o desenvolvimento dos ossos dos maxilares 
determinem a posição dos dentes, certo grau de reposicionamento 
dos dentes pode ser obtido através das forças oclusais e em resposta 
aos procedimentos ortodônticos que dependem da c apacidade de 
adaptação do osso alveolar e dos tecidos periodontais associados. 257 
 O processo alveolar é constituído de: 
 1. Uma lâmina externa de osso cor tical formada por osso har-
vesiano e lamelas ósseas compactas. 
 2. Parede interna do alvéolo de osso compacto e fi no denominado 
 osso alv eolar pr opriamente, que é obser vado como a lâmina 
dura nas radiografi as. Histologicamente, ele contém uma série 
de aber turas ( lâmina cr ibriforme ) atrav és das quais os feixes 
neurovasculares conectam o ligamento periodontal ao compo-
nente central do osso al veolar, o osso esponjoso . 
 3. Trabéculas esponjosas, entr e elas duas c amadas compactas, 
que agem como osso alveolar de suporte. O septo interdental 
consiste em osso de suporte esponjoso incluso em uma borda 
compacta ( Fig. 2-49 ). 
 Além disso, os ossos dos maxilares incluem o osso basal, que é a 
porção do maxilar localizada apicalmente mas não relacionada aos 
dentes ( Fig. 2-50 ). 
 O processo alveolar é dividido em áreas separadas em uma base 
anatômica, mas funciona como uma unidade, com todas as par tes 
inter-relacionadas no suporte dos dentes. As Figuras 2-51 e 2-52 
mostram as proporções relativas do osso esponjoso e do osso com-
pacto que formam o processo alveolar. A maioria das porções vestibu-
lar e lingual dos al véolos é formada somente por osso compacto; o 
osso esponjoso circunda a lâmina dura nas áreas apical, apicolingual 
e inter-radicular. 
 Figura 2-49 Secção mesiodistal atrav és de molar es infer iores de uma 
jovem de 17 anos de idade , obtidos na autópsia. O bserve o septo ósseo 
interdental entre o primeiro e o segundo molar. As lâminas ósseas corticais 
densas representam o osso al veolar propriamente (lâminas cr ibriformes) e 
são sustentadas por trabéculas de osso esponjoso. O terceiro molar ainda se 
encontra nos estágios iniciais da formaç ão radicular e er upção. 
Lâmina cortical
Osso esponjoso
Canal
mandibular
PROCESSO
ALVEOLAR
OSSO BASAL
 Figura 2-50 Secção através do maxilar humano com os dentes in situ . As 
linhas pontilhadas indicam a separação entre o osso basal e o osso al veolar. 
 (Redesenhada de Ten Cat e AR: O ral hist ology: dev elopment, st ructure, and 
function, ed 4, St Louis, 1994, Mosby.) 
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PARTE 1 O Periodonto Normal38
 Células e Matriz Intercelular 
 Os osteoblastos , as células que produzem a matriz orgânica do osso, 
são diferenciados das células foliculares pluripotentes. O osso alveolar 
é formado durante o crescimento fetal através de ossifi cação intra-
membranosa e consiste em uma matr iz calcifi cada com osteócitos 
inclusos dentro dos espaços denominados lacunas . Os osteóci-
tos estendem processos dentro de canalículos que se irradiam a partir 
das lacunas. Os canalículos formam um sistema anastomosante 
através da matriz intercelular do osso, o qual traz oxigênio e nutrien-
tes aos osteócitos através do sangue e remove os produtos da degra-
dação metabólica. Os vasos sanguíneos ramifi cam-se extensivamente 
e atravessam pelo periósteo. O endósteo repousa adjacente à vascula-
tura medular. O crescimento ósseo ocorre através de aposição de uma 
matriz orgânica que é depositada pelos osteoblastos. Os sistemas 
harvesianos ( ósteons ) são os mecanismos internos que trazem o 
suprimento vascular aos ossos muito espessos para serem supridos 
somente pelos vasos superfi ciais. Eles são encontrados principalmente 
nas lâminas corticais internas e no próprio osso alveolar. 
 O osso é constituído de dois ter ços de matéria inorgânica e um 
terço de matéria orgânica. A matéria inorgânica é composta princi-
palmente de minerais de cálcio e fosfato, juntamente com hidroxila, 
carbonato, citrato e traços de outros íons, 103,104 como sódio, magnésio 
e fl úor. Os sais minerais estão na forma de cristais de hidroxiapatita 
de tamanho ultramicroscópico e constituem aproximadamente dois 
terços da estrutura do osso. 
 A matriz orgânica 77 consiste principalmente em colágeno tipo I 
(90%), 188 com pequena quantidade de proteínas não colágenas como 
osteocalcina, osteonectina, proteína morfogenética do osso, fosfopro-
teínas e proteoglicanos. 214 A osteopontina e a sialoproteína óssea são 
proteínas de adesão celular que par ecem ser importantes para a 
adesão dos osteoclastos e osteoblastos. 165 Além disso, fatores pará-
crinos, incluindo citocinas, quimiocinas e fatores de crescimento, têm 
sido implicados no controle local das condensações mesenquimais 
que ocorrem no início da organogênese. Esses fatores provavelmente 
exercem um papel proeminente no desenvolvimento dos processos 
alveolares. 257 
 Embora o tecido ósseo alveolar esteja constantemente alterando 
sua confi guração interna, ele retém aproximadamente a mesma forma 
desde a infância até a vida adulta. A deposição óssea pelos osteoblas-
tos é balanceada pela reabsorção dos osteoclastos durante a remode-
lação e a renovação tecidual. É bem conhecido que o númer o de 
osteoblastos diminui com o envelhecimento; contudo, nunca foi 
relatada nenhuma alteraç ão pr onunciada no númer o de 
osteoclastos. 195 
 A remodelação é o principal caminho das alterações ósseas de 
forma, resistência a forças, reparo das feridas e homeostase de cálcio e 
fosfato no corpo. Além disso, a união da reabsorção óssea com forma-
ção óssea constitui um dos princípios fundamentais através do qual o 
osso é necessariamente remodelado através de toda a vida. A remode-
lação óssea envolve a coordenação das atividades das células de duas 
diferentes linhagens, os osteoblastos e os osteoclastos, os quais formam 
e reabsorvem os tecidos conjuntivos mineralizados do osso. 257 
 A regulação da remodelação óssea é um processo complexo en-
volvendo fatores hormonais e locais agindo de maneira autócrina e 
parácrina na geração e atividade das células ósseas difer enciadas. 257 
O osso contém 99% dos íons de cálcio do corpo e, portanto, é a maior 
fonte de liberação de cálcio quando os níveis corporais de cálcio 
diminuem; isso é monitorado pela glândula paratireoide. A redução 
do cálcio no sangue é mediada por receptores nas células principais 
das glândulas paratireoides, que então liberam o hormônio parati-
reóideo (HPT). O HPT estimula os osteoblastos a liberarem in-
terleucina 1 e inter leucina 6, as quais estimulam os monócitos a 
migrar para a área óssea. O fator inibidor da leucemia (FI L), se-
cretado pelos osteoblastos, coalescem os monócitos em osteoclastos 
multinucleados, que então reabsorvem o osso, liberando íons cálcio 
da hidroxiapatita dentro do sangue. Essa liberação normaliza o nível 
sanguíneo de cálcio. O mecanismo de feedback dos níveis sanguíneos 
normais de cálcio inativa a secreção de HPT. Entretanto, os osteo-
clastos reabsorvem a matriz orgânica juntamente com a hidroxiapa-
tita. A degradação do colágeno da matr iz orgânica libera váriossubstratos osteogênicos, que são covalentemente ligados ao colágeno, 
e isso em troca estimula a diferenciação dos osteoblastos, que por 
fi m depositam osso. Essa interdependência dos osteoblastos e os-
teoclastos na remodelação é chamada de acoplamento . 
 Figura 2-51 Proporções relativas do osso esponjoso e osso compacto em 
uma secção longitudinal vestibulolingual de A , molares inferiores; B , incisi-
vos laterais; C , caninos; D , primeiros pré-molares; E , segundos pré-molares; 
 F , primeiros molares; G , segundos molares; H , terceiros molares. 
Maxila
Mandíbula
 Figura 2-52 Formato das raízes e a distribuição do osso circunjacente em 
uma secção transversa da maxila e mandíbula ao nív el da metade da raiz. 
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39CAPÍTULO 2 Anatomia do Periodonto
 A matriz óssea estabelecida pelos osteoblastos é osteoide não 
mineralizado. Quando novo osteoide está sendo depositado, o os-
teoide mais antigo depositado sob a superfície torna-se mineralizado 
conforme as frentes de mineralização avançam. 
 A reabsorção óssea é um processo complexo morfologicamente 
relacionado à aparência das superfícies ósseas erodidas (lacunas de 
Howship) e das células m ultinucleadas grandes (osteoc lastos; 
 Fig. 2-53 ). Os osteoclastos se originam do tecido hematopoéti-
co 56,112,201 e são formados pela fusão das células mononucleares das 
populações assíncronas. 27,143,205,269 Quando os osteoclastos estão 
ativos, em vez de em repouso, eles possuem uma borda elaborada-
mente desenvolvida com pregas através da qual acredita-se que as 
enzimas sejam secretadas. 283 Essas enzimas digerem a porção orgâ-
nica do osso. A atividade dos osteoc lastos e a morfologia da borda 
pregueada pode ser modifi cada e regulada por hormônios como o 
HPT (indiretamente) e a calcitonina, que possui receptores na mem-
brana do osteoclasto. 
 Outro mecanismo de reabsorção óssea envolve a criação de 
um ambiente acidifi cado na superfície óssea, levando à dissolução 
do componente mineral do osso. Esse evento pode ser produzido 
por diferentes condições, incluindo uma bomba de próton através 
da membrana celular do osteoc lasto, 34 de tumores ósseos e da 
pressão local, 201 traduzida através da atividade secr etora do 
osteoclasto. 
 Ten Cate 269 descreveu a sequência de e ventos no processo de 
reabsorção da seguinte forma: 
 1. Ligação dos osteoc lastos à super fície óssea mineralizada. 
 2. Criação de um ambiente ácido fechado atrav és da aç ão da 
bomba de pr óton, o qual desmineraliz a o osso e expõe a 
matriz orgânica. 
 3. Degradação da matr iz orgânica exposta aos seus aminoáci-
dos constituintes atrav és da aç ão das enzimas liberadas, 
como a fosfatase ácida e a c atepsina. 
 4. Sequestro dos íons minerais e aminoácidos dentr o do 
osteoclasto. 
 Notavelmente, os eventos celulares e moleculares envolvidos na 
remodelação óssea possuem forte similaridade com muitos aspectos 
de infl amação e reparo. A relação entre as moléculas da matriz, como 
osteopontina, sialoproteína do osso, SPARC (proteína secretada, 
ácida, rica em cisteína) e osteocalcina, e a coagulação do sangue e a 
cicatrização da ferida são claramente evidentes. 257 
 Parede do Alvéolo 
 A parede do alvéolo é constituída de osso lamelar denso, o qual está 
arranjado em sistemas harvesianos e osso agregado. Osso agregado é 
o nome dado ao osso adjacente ao ligamento periodontal que contém 
grande número de fi bras de Sharpey 291 ( Fig. 2-54 ). Ele é caracteri-
zado por lamelas arranjadas em camadas paralelas à raiz, com linhas 
aposicionais intervenientes ( Fig. 2-55 ). O osso agregado está loca-
lizado dentro do próprio osso alveolar. Algumas fi bras de Sharpey 
são completamente calcifi cadas, mas a maioria contém um núcleo 
central não calcifi cado dentro de uma camada externa calcifi cada. 246 
O osso agregado não é exclusivo dos maxilares; ele ocorre através de 
todo o sistema esquelético onde os ligamentos e m úsculos estão 
aderidos. 
 A porção esponjosa do osso alveolar consiste em trabéculas que 
envolvem os espaços medulares de formato irregular revestidas por 
uma camada fi na de células endosteais achatadas. Ocorre ampla 
variação no padrão trabecular do osso esponjoso, 204 o qual é afetado 
pelas forças oclusais. A matriz das trabéculas esponjosas consiste em 
lamelas irregularmente separadas por linhas de r eabsorção e incre-
mentais profundamente coradas indicativas de atividade óssea prévia, 
com um sistema harvesiano ocasional. 
 O osso esponjoso é encontrado predominantemente nos espaços 
inter-radicular e interdental, e em quantidades limitadas v estibular 
ou lingualmente, exceto no palato. No ser humano adulto, existe mais 
osso esponjoso na maxila do que na mandíbula. 
 Medula Óssea 
 No embrião e no recém-nascido, as cavidades de todos os ossos são 
ocupadas por medula vermelha hematopoética. A medula vermelha 
gradualmente sofre uma alteração fi siológica para o tipo de medula 
inativa gordurosa ou amarela. No adulto, a medula do maxilar é 
normalmente o último tipo, e a medula v ermelha é encontrada 
somente nas costelas, esterno, vértebras, crânio e úmero. Contudo, 
focos de medula óssea vermelha são ocasionalmente observados nos 
maxilares, frequentemente acompanhados de reabsorção das trabé-
culas ósseas. 42 Localizações comuns são a tuberosidade da maxila, as 
áreas dos molares superiores e inferiores, e dos pré-molares, e a sínfi se 
e o ângulo mandibular, que podem ser visíveis radiografi camente 
como áreas de radioluscência. 
 Figura 2-53 Osso alveolar de rato . Vista histológica de dois osteoc lastos 
multinucleados nas lacunas de Howship . 
 Figura 2-54 Penetração profunda das fi bras de S harpey dentro do osso 
agregado (molar de rato). 
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PARTE 1 O Periodonto Normal40
 Periósteo e Endósteo 
 Camadas de tecido conjuntivo osteogênico diferenciado cobrem 
todas as superfícies ósseas. O tecido que cobre a superfície externa 
do osso é denominado periósteo , enquanto o tecido que r eveste as 
cavidades ósseas internas é chamado de endósteo . 
 O periósteo consiste em uma camada interna composta de os-
teoblastos circundada por células osteoprogenitoras, as quais possuem 
potencial de diferenciar-se em osteoblastos, e uma camada externa 
rica em vasos sanguíneos e ner vos, composta de fi bras colágenas e 
fi broblastos. Feixes de fi bras colágenas periosteais penetram o osso, 
ligando o periósteo ao osso. O endósteo é composto de uma únic a 
camada de osteoblastos e, algumas vezes, de pequena quantidade de 
tecido conjuntivo. A camada interna é a c amada osteogênica, e a 
camada externa é a camada fi brosa. 
 Os eventos celulares no periósteo modulam o tamanho ósseo 
através da duração da vida individual, e a alteração no tamanho do 
osso é provavelmente o resultado do equilíbrio entre as atividades 
periosteais osteoblásticas e osteoclásticas. Atualmente, pouco se sabe 
sobre o controle da atividade per iosteal osteoblástica ou sobre a 
importância clínica das variações na formação óssea periosteal. 200 
Além do mais, a natureza e o impacto da reabsorção óssea periosteal 
são virtualmente não explorados. 
 Septo Interdental 
 O septo interdental é constituído de osso esponjoso limitado pelas 
lâminas cribriformes da parede alveolar (lâmina dura ou o próprio 
osso alveolar) dos dentes em aproximação e pelas lâminas cor ticais 
lingual e vestibular ( Fig. 2-56 ). Se o espaço interdental for estreito, 
o septo pode consistir somente em uma lâmina cribriforme. Em um 
estudo, por exemplo, o espaço entre os segundos pré-molares infe-
riores e os primeiros molares consistiu em lâmina cribriforme e osso 
esponjoso em 85%dos casos, e somente em lâmina cribriforme nos 
15% remanescentes. 118 Se as raízes estiverem muito próximas, uma 
“janela” irregular pode aparecer no osso entre as raízes adjacentes 
( Fig. 2-57 ). 
 Entre os molares superiores, o septo consiste em lâmina cr i-
briforme e osso esponjoso em 66,6% dos c asos, é composto so-
mente de lâmina cr ibriforme em 20,8% e apresenta fenestração 
em 12,5%. 118 
 A determinação radiográfi ca da proximidade radicular é impor-
tante ( Caps. 31 e 33 ). A angulação mesiodistal da cr ista do septo 
interdental encontra-se usualmente paralela a uma linha desenhada 
entre as junções amelocementárias dos dentes adjacentes. 214 A dis-
tância entre a crista do osso alveolar e a junção amelocementária em 
adultos jovens varia entre 0,75-1,49 mm (média de 1,08 mm). Essa 
distância aumenta com a idade para uma média de 2,81 mm. 95 To-
davia, esse fenômeno pode não ser tanto uma função da idade como 
da doença periodontal. 
 As dimensões mesiodistal e vestibulolingual e a forma do septo 
interdental são governadas pelo tamanho e convexidade das coroas 
de dois dentes adjacentes, assim como pela posição dos dentes nos 
maxilares e pelo seu grau de erupção. 214 
 Topografi a Óssea 
 O contorno ósseo normalmente está de acordo com a proeminência 
das raízes, com a intervenção das depressões verticais que se afunilam 
em direção à margem ( Fig. 2-58 ). A anatomia óssea al veolar varia 
entre os pacientes e possui implicações clínicas importantes. A altura 
e a espessura das lâminas ósseas vestibular e lingual são afetadas pelo 
alinhamento dos dentes, pela angulação da raiz ao osso e pelas forças 
oclusais. 
 Nos dentes em vestibuloversão, a margem do osso vestibular está 
localizada muito mais apicalmente do que nos dentes com alinha-
mento adequado. A margem óssea é estreitada a uma borda em faca 
e apresenta um arco acentuado na direção do ápice. Nos dentes em 
linguoversão, a lâmina óssea vestibular é mais espessa do que o nor-
mal. A margem é brusca, arredondada e horizontal, em vez de ar-
queada. O efeito da angulação raiz-osso na altura do osso alveolar é 
mais notável nas raízes palatinas dos molares superiores. A margem 
óssea está localizada mais apicalmente nas raízes, o que forma ân-
gulos relativamente agudos com o osso palatino. 122 A porção cervical 
da lâmina alveolar é, algumas vezes, consideravelmente mais espessa 
na superfície vestibular, aparentemente como reforço contra as forças 
oclusais ( Fig. 2-59 ). 
 Fenestração e Deiscência 
 Áreas isoladas nas quais a raiz está desnuda de osso e a super fície 
radicular está coberta somente por periósteo e gengiva sobrejacente 
são denominadas fenestrações . Nessas áreas, o osso marginal está 
intacto. Quando as áreas desnudas estendem-se através do osso 
marginal, o defeito é denominado deiscência ( Fig. 2-60 ). 
 Figura 2-55 Osso agregado associado à migraç ão fi siológica mesial dos 
dentes. A , S ecção hor izontal atrav és das raíz es do molar no pr ocesso de 
migração mesial ( esquerda , mesial; direita , distal). B , S uperfície radicular 
mesial mostrando r eabsorção do osso ( setas ). C , Superfície radicular distal 
mostrando o osso agregado que foi parcialmente substituído por osso denso 
no lado medular. LP , ligamento per iodontal. 
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41CAPÍTULO 2 Anatomia do Periodonto
 Tais defeitos ocorrem aproximadamente em 20% dos dentes; eles 
ocorrem mais frequentemente no osso vestibular do que no osso 
lingual, são mais comuns nos dentes anteriores do que nos dentes 
posteriores, e são frequentemente bilaterais. Evidência microscópica 
de reabsorção lacunar pode estar presente nas margens. A causa 
desses efeitos não é c lara. Contornos radiculares proeminentes, 
má posição e protrusão vestibular da raiz combinadas com lâmina 
óssea delgada são fatores predisponentes. 81 A fenestração e a deis-
cência são importantes, pois elas podem complic ar o resultado da 
cirurgia periodontal. 
 Remodelação do Osso Alveolar 
 Em contraste com a sua rigidez aparente, o osso alveolar é o menos 
estável dos tecidos periodontais, pois sua estrutura está em estado 
constante de fl uxo. Quantidade considerável de remodelação interna 
ocorre através de reabsorção e formação, a qual é r egulada por 
infl uências locais e sistêmicas. As infl uências locais incluem exigên-
cias funcionais no dente e alterações relacionadas à idade nas células 
ósseas. As infl uências sistêmicas são provavelmente hormonais (p. ex., 
HPT, calcitonina ou vitamina D3). 
 Figura 2-56 Septo interdental. A , Radiografi a da ár eas dos incisiv os infer iores. Observe a lâmina dura pr oeminente. B , Septo interdental entre os dentes 
anteriores inferiores mostrados em A . Existe uma le ve redução na altura óssea com o alargamento do ligamento per iodontal nas ár eas coronárias. A porção 
esponjosa central é limitada pelas lâminas cr ibriformes ósseas densas do al véolo, que formam a lâmina dura ao r edor dos dentes na radiografi a. As inserções 
do músculo mentoniano são observadas entre os caninos e os incisivos laterais. (De Glickman I, Smulow J: Periodontal disease: clinical, radiographic, and histopat-
hologic features, Filadélfi a, 1974, Saunders.) 
 Figura 2-57 “Janela” sem osso entr e as raíz es m uito pr óximas dos 
molares. 
 Figura 2-58 O contorno ósseo normal adapta-se à pr oeminência das 
raízes. 
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PARTE 1 O Periodonto Normal42
 A remodelação do osso al veolar afeta sua altura, contorno e 
densidade, e é manifestada nas seguintes tr ês áreas: adjacente ao 
ligamento periodontal, em relação ao periósteo das lâminas vestibu-
lar e lingual, e ao longo da super fície endosteal dos espaços 
medulares. 
 DESENVOLVIMENTO DO APARATO 
DE INSERÇÃO 
 Após a coroa estar formada, o estrato intermediár io e o retículo 
estrelado do órgão do esmalte desaparecem. Os epitélios externo e 
interno do órgão do esmalte permanecem e formam o epitélio 
reduzido do esmalte. A porção apical deste constitui a bainha 
radicular epitelial de Hertwig, a qual continuará a crescer apical-
mente e determinará a forma da raiz. Antes do início da formação 
radicular, a bainha radicular inclina-se horizontalmente na futura 
JAC, estreitando a aber tura cervical e formando o diafragma 
epitelial . O diafragma epitelial separa o folículo dentário da papila 
dentária. 
 Após o início da formação da dentina radicular, a bainha radicular 
de Hertwig rompe-se e parcialmente desaparece; as células remanes-
centes formam os aglomerados epiteliais ou cor dões conhecidos 
como restos epiteliais de Malassez ( Fig. 2-37 , A). Nos dentes multir-
radiculares, o diafragma epitelial cresce de tal forma que extensões 
em forma de língua desenvolvem-se horizontalmente, deixando es-
paços para cada uma das futuras raízes formar-se. 
 O papel da bainha radicular epitelial de Hertwig no desenvolvi-
mento radicular, especialmente conforme ela se relaciona com o início 
da cementogênese, tornou-se foco de pesquisa. 276 Com base em 
vários estudos, agora é geralmente aceito que existe um per íodo 
transitório de secreção de proteínas, incluindo sialoproteína óssea, 
osteopontina e amelina, pelas células da bainha radicular epitelial de 
Hertwig. 38,88 Além disso, estudos demonstram que os fator es 
de crescimento e diferenciação podem exercer papéis no desenvolvi-
mento do aparato de inserção dos tecidos periodontais. Foi demons-
trado que as células pluripotentes do folículo dentário diferenciam-se 
em osteoblastos, cementoblastos ou fi broblastos periodontais. 247 
 Cemento 
 A ruptura da bainha radicular de Her twig permite que as células 
mesenquimais do folículo dentário entrem em contato com adentina, 
onde elas iniciam a formação de uma camada contínua de cemento-
blastos. Com base nos estudos imuno-histoquímicos e ultraestrutu-
rais, Th omas 275 et al. 35,167 especularam que os cementoblastos também 
podem ser de origem epitelial (bainha radicular de Hertwig), os quais 
sofreriam uma transformação mesenquimal epitelial. 
 A formação do cemento inicia-se por deposiç ão de uma malha 
de fi brilas colágenas irregularmente arranjadas esparsamente dis-
tribuídas em uma substância fundamental ou matr iz chamada de 
 pré-cemento ou cementoide . Isso é seguido por uma fase de maturação 
da matriz, que subsequentemente mineraliza para formar o cemento. 
Os cementoblastos, que são inicialmente separados do cemento por 
cementoide não calcifi cado, algumas vezes tornam-se envolvidos 
dentro da matriz e são aprisionados. Uma vez aprisionados, eles são 
referidos como cementócitos e permanecerão viáv eis de maneira 
similar àquela dos osteócitos. 
 Uma camada de tecido conjuntivo conhecida como folículo den-
tário circunda o órgão do esmalte , incluindo a bainha radicular 
epitelial conforme ela se desenvolve. A zona imediatamente em 
contato com o órgão dentário e contínua com o ectomesênquima da 
papila dentária é chamada de folículo dentário 267,268,271 e consiste em 
fi broblastos não diferenciados. 
 Ligamento Periodontal 
 Conforme a coroa atinge a mucosa oral durante a erupção dentária, 
esses fi broblastos tornam-se ativos e iniciam a produção de fi brilas 
colágenas. Elas inicialmente não possuem or ientação, mas logo 
adquirem orientação oblíqua ao dente. Os primeiros feixes colágenos 
aparecem então na região imediatamente apical à junção ameloce-
mentária e dão origem ao grupo de fi bras gengivodentais. Conforme 
a erupção do dente progride, fi bras oblíquas adicionais aparecem e 
tornam-se inseridas no cemento recém-formado e no osso. As fi bras 
transeptais e da cr ista alveolar desenvolvem-se quando o dente 
 Figura 2-59 Variação na por ção cervical da lâmina al veolar vestibular. A , Conformação semelhante à plataforma. B , Lâmina vestibular comparativemente 
estreita. 
 Figura 2-60 Deiscência no canino e fenestração do pr imeiro pré-molar. 
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43CAPÍTULO 2 Anatomia do Periodonto
emerge na cavidade oral. A deposição do osso alveolar ocorre simul-
taneamente com a organização do ligamento periodontal. 256 
 Estudos em macaco-esquilo mostraram que, durante a erupção, 
as fi bras de Sharpey do cemento aparecem primeiro, seguidas das 
fi bras de Sharpey que emergem do osso. 109 As fi bras de Sharpey são 
menos numerosas e mais amplamente espaçadas do que aquelas que 
emergem do cemento. Em estágio poster ior, as fibras alveolares 
estendem-se para a zona média para juntarem-se ao comprimento 
das fi bras cementárias e atingem sua orientação clássica, espessura e 
força quando a função oclusal é estabelecida. 
 Investigações iniciais sugeriram que as fi bras individuais, em vez 
de serem contínuas, consistiam em duas partes separadas emendadas 
no meio do caminho entre o cemento e o osso em uma z ona que é 
chamada de plexo intermediário. O plexo foi relatado no ligamento 
periodontal dos incisivos em crescimento contínuo, mas não nos 
dentes posteriores dos roedores 121,179,305 ou nos dentes em er upção 
ativa de seres humanos e macacos 109 e não depois de os dentes atin-
girem o plano oc lusal. Supõe-se que o rearranjo das terminações 
fi brosas no plexo acomode a er upção dentária sem necessitar da 
incorporação de novas fi bras no dente e no osso. 179 A existência de 
tal plexo, contudo, não foi confi rmada por dados autorradiográfi cos 
e outros estudos, e é considerado um artefato microscópico. 238 
 O ligamento periodontal em desenvolvimento, assim como o 
ligamento periodontal maduro, contém células-tronco que retêm 
o potencial de diferenciação em osteoblastos, cementoblastos e 
fi broblastos. 174 
 Osso Alveolar 
 Logo antes da mineralização, os osteoblastos iniciam a produção de 
vesículas da matriz. Essas vesículas contêm enzimas, como a fosfatase 
alcalina, que ajudam a iniciar a nucleação dos cristais de hidroxiapa-
tita. Conforme esses cristais crescem e se desenvolvem, eles formam 
nódulos de osso coalescente, os quais, com o crescimento rápido não 
orientado das fi bras colágenas, são a subestrutura do tecido ósseo e 
o primeiro osso formado no al véolo. Posteriormente, através de 
deposição óssea, remodelação e secreção de fi bras colágenas orien-
tadas em camadas, o osso lamelar maduro é formado. 28,29 
 Os cristais de hidroxiapatita são geralmente alinhados com os 
seus longos eixos paralelos às fi bras colágenas e parecem ser deposi-
tados sobre e dentro das fi bras colágenas no osso lamelar maduro. 
Dessa forma, a matriz óssea é capaz de suportar o estresse mecânico 
elevado aplicado durante a sua função. 
 O osso alveolar desenvolve-se ao redor de cada folículo dentário 
durante a osteogênese. Quando um dente decíduo é esfoliado, seu 
osso alveolar é reabsorvido. O dente permanente sucessor move-se 
para o seu lugar, desenvolvendo seu próprio osso alveolar a partir do 
seu próprio folículo dentário. Conforme a raiz dentária se forma e 
os tecidos circunjacentes se desenvolvem e amadurecem, o osso al-
veolar emerge com o osso basal desenvolvendo-se separadamente, e 
os dois tornam-se uma estrutura contínua. Embora o osso al veolar 
e o osso basal possuam origens intermediárias diferentes, ambos são 
por fi m derivados do ectomesênquima da crista neural. 
 O osso basal mandibular inicia a mineralização na saída do nervo 
mentoniano do forame mental, enquanto o osso basal da maxila inicia 
na saída do nervo infraorbitário do forame infraorbitário. 
 Migração Fisiológica dos Dentes 
 O desenvolvimento dentário não termina quando a er upção ativa 
está completada e os dentes estão em oclusão funcional. Com o 
tempo e com o desgaste, as áreas de contato proximal dos dentes são 
achatadas, e os dentes tendem a se mover mesialmente. Isso é deno-
minado migração mesial fi siológica . Por volta dos 40 anos de idade, ela 
resulta em redução de cerca de 0,5 cm do co mprimento do arco 
dentário desde a linha média até os terceiros molares. O osso alveolar 
é reconstruído em concordância com a migração fi siológica mesial 
dos dentes. A reabsorção óssea é aumentada nas áreas de pressão ao 
longo das superfícies mesiais dos dentes, e novas camadas de osso 
agregado são formadas nas áreas de tensão nas super fícies distais 
( Fig. 2-55 ). 
 FORÇAS EXTERNAS AO PERIODONTO 
 O periodonto existe com o objetivo de sustentar os dentes durante 
a função e depende da estimulação que ele recebe da função para a 
preservação da sua estrutura. Portanto, um equilíbrio constante e 
sensitivo está pr esente entre as for ças externas e a estr utura 
periodontal. 
 O osso alveolar sofre remodelação fi siológica constante em res-
posta às forças externas, particularmente as forças oclusais. O osso é 
removido das áreas onde ele não é mais necessário e adicionado às 
áreas onde está sendo requisitado. 
 A parede do alvéolo refl ete a capacidade de resposta do osso al-
veolar às forças externas. Os osteoblastos e o osteoide recém-formado 
revestem o alvéolo nas áreas de tensão; os osteoclastos e a reabsorção 
óssea ocorrem nas áreas de pressão. As forças exercidas no dente 
também podem infl uenciar o número, a densidade e o alinhamento 
das trabéculas esponjosas. As trabéculas ósseas estão alinhadas no 
trajeto do estresse por tensão e compressão para fornecer a resistência 
máxima à força oclusal com o mínimo de substância óssea 102,253 
( Fig. 2-61 ). Quando as forças estão aumentadas, as trabéculas ósseas 
esponjosas aumentam em número e espessura, e osso pode ser adi-
cionado à superfície externa das lâminasvestibular e lingual. 
 Um estudo mostrou que a presença do antagonista da for ça 
oclusal e a severidade da doença periodontal aumentam a extensão 
da reabsorção do tecido periodontal. 68 
 O ligamento periodontal também depende da estimulação for-
necida pela função para preservar sua estrutura. Dentro dos limites 
fi siológicos, o ligamento periodontal pode acomodar a função au-
mentada com aumento na largura ( Tabela 2-2 ), espessamento dos 
seus feixes de fi bra e aumento no diâmetro e no número das fi bras 
de Sharpey. As forças que excedem a capacidade adaptativa do pe-
riodonto produzem uma lesão denominada trauma oclusal . Já que o 
trauma oclusal só pode ser confi rmado histologicamente, o clínico é 
desafi ado a usar indicadores substitutos clínicos e radiográfi cos na 
tentativa de facilitar e auxiliar o seu diagnóstico 113 ( Cap. 20 ). 
 Quando as forças oclusais são reduzidas, o número e a espessura 
das trabéculas são reduzidos. 66 O ligamento per iodontal também 
 Figura 2-61 Trabéculas ósseas r ealinhadas per pendicularmente à raiz 
mesial do molar inc linado. 
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PARTE 1 O Periodonto Normal44
atrofi a, parecendo adelgaçado, e as fi bras são reduzidas em número 
e densidade, desorientadas 11,213 e por fi m arranjadas paralelas à su-
perfície radicular ( Fig. 2-62 ). Esse fenômeno é denominado atrofi a 
por desuso ou atrofi a afuncional . Nessa condição, o cemento permanece 
não afetado 66 ou espessado, e a distância da JAC à crista alveolar está 
aumentada. 208 
 A função oclusal reduzida causa alterações na microvasculatura 
periodontal, como oclusão dos vasos sanguíneos e redução no número 
de vasos sanguíneos. 123 Por exemplo, Murrel et al. 190 relataram que a 
aplicação e a remoção da força ortodôntica produziram alterações 
signifi cativas no número e na densidade dos vasos sanguíneos; con-
tudo, nenhuma explicação baseada em evidência existe sobre por que 
a força estimulou tais mudanças no número de vasos sanguíneos. 
 Acredita-se que o movimento dentár io ortodôntico resulte em 
remodelação óssea específi ca ao sítio na ausência de infl amação. É 
bem reconhecido que as forças tensionais estimularão a formação e 
a atividade das células osteoblásticas, enquanto as forças compressivas 
promoverão atividade osteoclástica. 257 
 VASCULARIZAÇÃO DAS ESTRUTURAS 
DE SUPORTE 
 O suprimento sanguíneo às estruturas de suporte do dente é oriundo 
das artérias alveolares superior e inferior da mandíbula e maxila, e 
alcança o ligamento periodontal através de três fontes: vasos apicais, 
vasos penetrantes do osso al veolar e vasos anastomosantes da 
gengiva. 64 
 Os ramos dos vasos apicais suprem a região apical do ligamento 
periodontal antes de os vasos entrarem na polpa dentária. Os vasos 
transalveolares são ramos dos vasos intrasseptais que per furam a 
lâmina dura e entram no ligamento. Os vasos transeptais continuam 
a vascularizar a gengiva; esses vasos gengivais, por sua vez, anasto-
mosam-se com os vasos do ligamento per iodontal da r egião 
cervical. 87 
 Os vasos dentro do ligamento per iodontal estão contidos nos 
espaços intersticiais do tecido conjuntivo frouxo entre as fi bras prin-
cipais e conectados em um plexo entrelaçado que corre longitudi-
nalmente e mais próximo ao osso do que ao cemento 55 ( Figs. 2-63 
e 2-64 ). O suprimento sanguíneo aumenta dos incisivos para os 
molares; é maior no terço gengival dos dentes unirradiculares, menor 
no terço apical e no terço médio; é igual nos terços apical e médio 
dos dentes multirradiculares; é levemente maior nas super fícies 
mesial e distal do que nas super fícies vestibular e lingual; é maior 
nas superfícies mesiais dos molares inferiores do que nas superfície 
distais. 33 
 O suprimento vascular ao osso entra nos septos inter dentais 
através de canais nutrientes juntamente com veias, nervos e linfáticos. 
As arteríolas dentárias, que também ramifi cam-se das artérias alveo-
lares, enviam tributárias através do ligamento periodontal, e alguns 
pequenos ramos entram nos espaços medulares através de perfurações 
 TABELA 2-2 Comparação da Largura Periodontal do Dentes 
em Função e dos Dentes sem Função em Homem de 38 Anos 
de Idade 
LARGURA MÉDIA DO ESPAÇO 
PERIODONTAL (mm)
Entrada do 
Alvéolo
Metade do 
Alvéolo
Fundo do 
Alvéolo
Função pesada: 
 Segundo pré-molar 
superior esquerdo 
0,35 0,28 0,30
Função leve: 
 Primeiro pré-molar inferior 
esquerdo 
0,14 0,10 0,12
Sem função: 
 Terceiro molar superior 
esquerdo 
0,10 0,06 0,06
 Modifi cada de Kronfeld R: J Am Dent Assoc 18:1242, 1931. 
 Figura 2-62 Ligamento periodontal atrófi co ( P ) de um dente sem função. 
Observe a margem esc alonada do osso al veolar ( B ), indicando que ocorreu 
reabsorção. C , cemento. 
 Figura 2-63 Suprimento vascular do per iodonto de mac aco (perfundido 
com nanquim). Observe os vasos longitudinais no ligamento per iodontal e 
artérias alveolares passando atrav és dos c anais entre a medula óssea ( M ) e 
o ligamento per iodontal. D , dentina. (Cortesia do D r. S ol Bernic k, L os 
Angeles.) 
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45CAPÍTULO 2 Anatomia do Periodonto
na lâmina cribriforme. Pequenos vasos emanados do osso compacto 
vestibular e lingual também entram na medula e no osso 
esponjoso. 
 A drenagem venosa do ligamento per iodontal acompanha o 
suprimento arterial. As vênulas recebem o sangue através de uma 
rede abundante de capilares. Além disso, as anastomoses arteriove-
nosas passam pelos capilares e são observadas com mais frequência 
nas r egiões apic al e inter-radicular ; sua signif icância é 
desconhecida. 
 Os linfáticos complementam o sistema de drenagem venosa. Os 
canais linfáticos drenam a região logo abaixo do epitélio juncional, 
passam dentro do ligamento periodontal e acompanham os vasos 
sanguíneos dentro da região periapical. 43 A partir daí, eles passam 
através do osso alveolar para o canal dentário inferior na mandíbula 
ou para o canal infraorbitário na maxila, e depois para os linfonodos 
submaxilares.
 REFERÊNCIAS 
 As referências estão disponíveis no site: www.elsevier.com.
br/odontoconsult . 
 
 O per iodonto normal é uma estr utura dinâmic a únic a e com-
plexa. Cada um dos seus componentes (gengiva, ligamento 
periodontal, cemento e osso) possui funções distintas que são 
capazes de adaptar-se durante a vida da estr utura. Por exemplo, 
conforme os dentes respondem às forças ou migram mesialmente 
com o desgaste, o tecido ósseo é r eabsorvido no lado de pressão 
e adicionado no lado de tensão . O cemento similarmente 
adapta-se ao desgaste das for ças oc lusais dos dentes atrav és de 
deposição na área apical da raiz dentária. O ligamento periodon-
tal por si só está na ár ea de grande renovação, o que permite ao 
dente não somente ser suspenso no osso al veolar, mas também 
responder às for ças intermediár ias. Portanto, embora apar ente-
mente estática, a estr utura de supor te dentária é constituída de 
componentes do per iodonto que são estr uturas altamente espe-
cializadas, adaptadas e dinâmic as. 
 A funç ão do ligamento per iodontal é quase similar a um 
sistema viscoelástico que absor ve o pr imeiro movimento de 
carga, com as fi bras colágenas tornando-se como uma fase 
secundária de r esposta às for ças de c arga. Isso dá ao ligamento 
periodontal uma qualidade de absor vedor de choque , assim 
como uma tendência hidráulic a de responder à c arga axial com 
pressão aumentada que neutraliz a o movimento dentár io dire-
cionado apicalmente. 
 Quando um dente é submetido a uma c arga oclusal aumen-
tada, ele é levemente deprimido; quando livre decarga, tem um 
efeito rebote. 
 Portanto, a corr eção das r estaurações “altas” através do des-
gaste pode necessitar de duas ou mais checagens ao longo de 2-5 
minutos. Além disso , o uso de mater iais de cor po pesado para 
impressões de coroa e ponte com pressão constante pode causar 
intrusão do dente, seguida por um efeito rebote de extrusão após 
a impressão ser removida. O resultado será uma restauração que 
fi cará alta. 
 A atenç ão a essas pr opriedades do ligamento per iodontal 
pode permitir aos c línicos modifi car seus pr ocedimentos 
clínicos. 
 TRANSFERÊNCIA CIENTÍFICA 
 Figura 2-64 Suprimento vascular do ligamento per iodontal em molar es 
de rato, como observado pela microscopia eletrônica de varredura após per-
fusão com corrosivo plástico e tecidual. Áreas médias e apicais do ligamento 
periodontal, como mostrado com os vasos sanguíneos longitudinais do ápice 
( inferior ) à gengiva ( superior ), vasos per furantes entrando no osso ( b ) e 
muitas conexões transversas ( cabeças de seta ). Vasos apicais ( a ) formam uma 
capa que se conecta com os vasos pulpar es. (Cortesia de NJ S elliseth and 
K Selvig, Universidade de Bergen, Noruega.) 
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