Prévia do material em texto
11 O Periodonto Normal Introdução Michael G. Newman O periodonto consiste em tecidos de recobrimento e suporte do dente: gengiva, ligamento periodontal, cemento e osso alveolar. Ele foi dividido em duas partes: a gengiva, cuja principal função é pro- teger os tecidos subjacentes, e o aparato de inserção, composto pelo ligamento periodontal, cemento e osso alveolar. O cemento é considerado parte do periodonto porque, juntamente com o osso, serve de suporte para as fi bras do ligamento periodontal. O periodonto está sujeito a variações morfológicas e funcionais, assim como a mudanças associadas à idade. Esta seção lida com as características normais dos tecidos do periodonto, já que esse conhecimento realmente é necessário para o entendimento da doença periodontal. Os tecidos moles e duros que cercam os implantes dentais possuem muitas características similares e algumas diferenças importantes, quando comparados ao tecido periodontal, como discutido mais adiante, no Capítulo 68. PARTE 1 C0565.indd 11C0565.indd 11 2/8/13 5:41:24 PM2/8/13 5:41:24 PM 12 SUMÁRIO DO CAPÍTULO MUCOSA ORAL GENGIVA Características Clínicas Características Microscópicas Correlação das Características Clínicas e Microscópicas LIGAMENTO PERIODONTAL Fibras Periodontais Elementos Celulares Substância Fundamental Funções do Ligamento Periodontal CEMENTO Permeabilidade do Cemento Junção Amelocementária Junção Cementodentinária Espessura do Cemento Reabsorção e Reparo do Cemento Exposição do Cemento à Cavidade Oral PROCESSO ALVEOLAR Células e Matriz Intercelular Parede do Alvéolo Medula Óssea Periósteo e Endósteo Septo Interdentário Topografi a Óssea Fenestração e Deiscência Remodelação do Osso Alveolar DESENVOLVIMENTO DO APARATO DE INSERÇÃO Cemento Ligamento Periodontal Osso Alveolar Migração Fisiológica dos Dentes FORÇAS EXTERNAS E O PERIODONTO VASCULARIZAÇÃO DAS ESTRUTURAS DE SUPORTE CAPÍTULO 2 Anatomia do Periodonto Joseph P. Fiorellini , Daniel W.K. Kao , David M. Kim e N. Guzin Uzel periodonto normal fornece o supor te necessário para manter os dentes em funç ão. Ele consiste em quatr o componentes principais: gengiva, ligamento periodontal, cemento e osso alveolar. Cada um desses componentes periodontais é distinto na sua localização, arquitetura tecidual, composição bio- química e composição química, mas todos eles atuam em conjunto como uma única unidade. Pesquisa recente revelou que os compo- nentes da matriz extracelular de um compar timento periodontal podem infl uenciar as atividades celulares das estruturas adjacentes. Portanto, as alterações patológicas que ocorrem em um componente periodontal podem ter ramifi cações signifi cativas para a manutenção, o reparo ou a regeneração de outros componentes do periodonto. 18 Este capítulo discute primeiramente os componentes estruturais do periodonto normal e, depois, descreve o seu desenvolvimento, vascularização, inervação e funções. MUCOSA ORAL A mucosa oral consiste nas três zonas a seguir: 1. A gengiva e o r evestimento do palato dur o, denominados mucosa mastigatória . 2. O dorso da língua, revestido pela mucosa especializada . 3. A m ucosa oral que r eveste o r estante da c avidade oral. A gengiva é a parte da mucosa oral que recobre o processo alveo- lar dos maxilares e circunda o colo dos dentes. GENGIVA Características Clínicas No adulto, a gengiva normal recobre o osso alveolar e a raiz dental em nível coronal à junção cemento-esmalte. A gengiva é dividida anatomicamente em marginal , inserida e área interdental . Embora cada tipo de gengiva exiba consideráv el variação na diferenciação, histologia e espessura, de acordo com a sua demanda funcional, todos os tipos são especifi camente estruturados para funcionar de forma adequada contra danos mecânicos e microbianos. 7 Ou seja, a estru- tura específi ca de diferentes tipos de gengiva refl ete a sua efi cácia como uma barreira à penetração de microrganismos e agentes nocivos mais profundamente no tecido. Gengiva Marginal . A gengiva marginal, ou não inser ida , é a porção terminal ou borda da gengiva ao redor dos dentes em forma O C0565.indd 12C0565.indd 12 2/8/13 5:41:26 PM2/8/13 5:41:26 PM 13CAPÍTULO 2 Anatomia do Periodonto de colar ( Figs. 2-1 e 2-2 ). 6 Em torno de 50% dos c asos, ela é demarcada da gengiva inser ida adjacente por uma depr essão linear rasa, o sulco gengival livre . 6 N ormalmente medindo apr oximada- mente 1 mm de largura, a gengiva marginal forma a par ede de tecido mole do sulco gengival e pode ser separada da super fície dental com uma sonda per iodontal. O ponto mais apical do arco côncavo da gengival marginal é chamado de zênite gengival . Suas dimensões apicocoronal e mesiodis- tal variam entre 0,06-0,96 mm. 173 Sulco Gengival . O sulco gengival é um espaço raso ou fenda ao redor do dente delimitado pela super fície dental de um lado e o epitélio de revestimento da gengiva marginal livre no outro. Possui a forma de V e mal permite a entrada de uma sonda per iodontal. A determinaç ão c línica da pr ofundidade do sulco gengival é um importante parâmetro de diagnóstico. Sob condições absolutamente normais e ideais, a profundidade do sulco é de z ero ou próximo a 0 mm. 107 Essas condições estr itas de normalidade podem ser pr o- duzidas experimentalmente apenas em animais livres de germes ou após intenso e pr olongado controle do biofi lme. 13,50 Na gengiva humana c linicamente normal, um sulco de alguma profundidade pode ser encontrado. A profundidade desse sulco, como determinado em secções histológicas, foi determinada em 1,8 mm, com variações de 0-6 mm 199 ; outros estudos relataram 1,5 mm 294 e 0,69 mm. 95 A avaliação clínica usada para determinar a profundidade do sulco envolve a introdução de um instrumento metálico, a sonda periodontal e a estimativa da distância que ela penetra. A profundi- dade histológica de um sulco não pr ecisa ser exatamente igual à profundidade de penetração da sonda. A chamada profundidade de sondagem de um sulco gengival clínico normal em seres humanos é de 2-3 mm ( Cap. 30 ). Gengiva Inserida . A gengiva inser ida é contínua com a gen- giva marginal. Ela é fi rme, resiliente e fortemente ligada ao periós- teo do osso al veolar subjacente . O aspecto v estibular da gengiva inserida se estende à mucosa alveolar relativamente frouxa e móvel, e é demarcada pela junção mucogengival ( Fig. 2-2 ). A largura da gengiva inserida é outro parâmetro clínico impor- tante. 7 É a distância entre a junção mucogengival e a projeção na superfície externa do fundo do sulco gengival ou da bolsa periodontal. Ela não deve ser confundida com a largura da gengiva queratinizada porque a última inclui também a gengiva marginal ( Fig. 2-2 ). A largura da gengiva inser ida no aspecto vestibular varia em diferentes áreas da boca. 41 Ela é geralmente maior na r egião dos incisivos (3,5-4,5 mm na maxila e 3,3-3,9 mm na mandíbula) e mais estreita nos segmentos posteriores (1,9 mm na maxila e 1,8 mm nos primeiros pré-molares inferiores; 6 Fig. 2-3 ). Em razão de a junção mucogengival permanecer estacionária ao longo da vida adulta, 4 mudanças na largura da gengiva inserida são causadas pelas modifi cações na posição da sua porção coronal. A largura da gengiva inserida aumenta com a idade 4 e em dentes su- praerupcionados. 5 Na face lingual da mandíbula, a gengiva inserida termina najunção da mucosa alveolar lingual, a qual é contínua com a mucosa de revestimento do assoalho da língua. A superfície palatina da gengiva inserida na maxila se mistura imperceptivelmente com a mucosa palatina, igualmente fi rme e resiliente. Gengiva Interdental . A gengiva inter dental ocupa a ameia gengival, que é o espaço interproximal abaixo da área de contato dos dentes. A gengiva interdental pode ser piramidal ou ter a forma de “ col ”. Na primeira, a ponta da papila está loc alizada imediatamente abaixo do ponto de contato; a última apr esenta uma depr essão em forma de vale que conecta a papila v estibular e lingual, em confor- midade com a forma do contato inter proximal 63 ( Figs. 2-4 e 2-5 ). A forma da gengiva em determinado espaço interdental depende do ponto de contato entre dois dentes adjacentes e da presença ou ausência de algum grau de retração. A Figura 2-6 descreve as varia- ções na gengiva interdental normal. Figura 2-1 Gengiva normal em adulto jov em. O bserve a demar cação (linha mucogengival; setas ) entre a gengiva inserida e a mucosa alveolar mais escura. Mucosa alveolar Junção mucogengival Sulco marginal Gengiva inserida Gengiva marginal ou livre Sulco gengival Figura 2-2 O diagrama mostra os pontos de r eferência anatômicos da gengiva. Figura 2-3 Largura média da gengiva inser ida na dentição permanente. C0565.indd 13C0565.indd 13 2/8/13 5:41:27 PM2/8/13 5:41:27 PM PARTE 1 O Periodonto Normal14 As superfícies vestibular e lingual são afi ladas em direção à área de contato interproximal, enquanto as superfícies mesial e distal são levemente côncavas. As bordas laterais e as pontas das papilas in- terdentais são formadas pela gengiva marginal dos dentes adjacentes. A porção central consiste em gengiva inserida ( Fig. 2-7 ). Se um diastema estiver presente, a gengiva torna-se fi rmemente aderida ao osso interdental e forma uma superfície lisa e arredondada sem papilas interdentais ( Fig. 2-8 ). Características Microscópicas O exame microscópico revela que a gengiva é composta de um epi- télio externo escamoso estratifi cado e do tecido conjuntivo central subjacente. Embora o epitélio seja predominantemente celular por natureza, o tecido conjuntivo é menos celular e composto principal- mente por fi bras colágenas e substância fundamental. Esses dois tecidos estão considerados separadamente. * * Uma descr ição detalhada da histologia gengival pode ser encontrada em S chroeder H E: Th e per iodontium, N ew York, 1986, S pringer- Verlag; e em Biological structure of the normal and diseased periodon- tium, Periodontology 2000 13, 1997. Figura 2-7 Papila interdental ( seta ) com porção central formada por gen- giva inserida. A forma da papila var ia de acordo com a dimensão da ameia gengival. (Cortesia do Dr. Osvaldo Costa.) A B C D Figura 2-6 Diagramas comparando as var iações anatômic as do col inter dental na gengiva normal ( lado esquerdo ) e após r etração gengival ( lado direit o ). A e B , Segmento anterior inferior, vistas v estibular e v estibulolingual, respectivamente. C e D , Região poster ior inferior, vistas v estibular e v estibulolingual, respectivamente. Os pontos de contato dentais são mostrados por mar cações pretas nos dentes infer iores individuais. Figura 2-8 Ausência de papila interdental e de col onde o contato do dente proximal está faltando. (Cortesia do Dr. Osvaldo Costa.) Figura 2-5 Secção vestibulolingual (macaco) mostra o col entre as papilas interdentais v estibular e lingual. O col é r evestido por epitélio esc amoso estratifi cado não queratinizado. Figura 2-4 Local de extraç ão mostra a papila inter dental v estibular e palatina e o col entre elas ( seta ). C0565.indd 14C0565.indd 14 2/8/13 5:41:29 PM2/8/13 5:41:29 PM 15CAPÍTULO 2 Anatomia do Periodonto Epitélio Gengival Aspectos Gerais da Biologia do Epitélio . Historicamente, pensava-se que o compartimento epitelial funcionava apenas como barreira física à inserção gengival subjacente e à infecção. Contudo, agora se acr edita que as células epiteliais desempenham um papel ativo na defesa inata do hospedeir o por r esponder às bactér ias de maneira interativa, 69 o que signifi ca que o epitélio par ticipa ativa- mente da r esposta à infecç ão, da sinaliz ação de outras r eações do hospedeiro e da integração das respostas imunes inata e adquir ida. Por exemplo, as células epiteliais podem responder às bactérias pelo aumento na proliferação, alteração dos eventos de sinalização celu- lar, mudanças na diferenciação e morte celular, e, por fi m, alterações na homeostase tecidual. 69 Para entender essa nova perspectiva das respostas de defesa inata epitelial e o papel do epitélio na saúde e doença gengival, é importante compreender sua função e estrutura básicas ( Quadro 2-1 ). O epitélio gengival consiste em um r evestimento contínuo de epitélio escamoso estratifi cado, e as três diferentes áreas podem ser defi nidas a partir de pontos de vista morfológico e funcional: epitélio externo ou oral, epitélio sulcular e epitélio juncional. O principal tipo celular do epitélio gengival, bem como de outros epitélios escamosos estratifi cados, é o queratinócito . Outras células encontradas no epitélio são as células c laras ou não queratinócitos, que incluem as células de L angerhans, as células de Merkel e os melanócitos. A principal função do epitélio gengival é proteger as estruturas profundas, enquanto permite o intercâmbio seletivo com o meio ambiente oral. Isso é alcançado pela proliferação e diferenciação dos queratinócitos. A proliferação dos queratinócitos ocorre por mitose na camada basal e, menos frequentemente, nas camadas suprabasais, em que uma pequena proporção de células permanece com comportamento proliferativo, enquanto um grande número começa a migrar para a superfície. A diferenciação envolve o processo de queratinização, que consiste nas progressões de eventos bioquímicos e morfológicos que ocorrem na célula à medida que migram da camada basal ( Fig. 2-9 ). As prin- cipais alterações morfológicas são (1) achatamento progressivo da célula com prevalência aumentada de tonofi lamentos, (2) junções intercelulares aliadas à produção de grânulos de querato-hialina e (3) desaparecimento do núc leo. (Consulte Schroeder 236 para mais detalhes.) Um completo processo de queratinização leva à produção de uma camada córnea superfi cial ortoqueratinizada similar à da pele , sem núcleos no estrato córneo e estrato granuloso bem def inido Funções Barreira mecânica, química, microbiana e contra água Funções de sinalização Integridade da Arquitetura Adesão célula-célula Lâmina basal Citoesqueleto de queratina Tipo Celular Principal Queratinócito Outros Tipos Celulares Células de Langerhans Melanócitos, células de Merkel Renovação Constante Substituição de células danifi cadas Adesão Célula-Célula Desmossomos, aderências juncionais Junções oclusivas, junções tipo gap Lâmina Basal-Célula Síntese de componentes da lâmina basal Hemidesmossomos QUADRO 2-1 Funções e Características do Epitélio Gengival Modifi cada de Dale BA: Periodontol 2000 30:71, 2002. Estrato córneo Estrato granuloso Estrato espinhoso Estrato basal Gotícula de lipídio Querato-hialina Grânulos lamelares Tonofibrilas Complexo de Golgi Espaço intercelular Desmossomo Mitocôndria Retículo endoplasmático rugoso Membrana basal Figure 2-9 Diagrama mostrando célu- las representativas de vár ias camadas do epitélio escamoso estratifi cado conformeobservado pela micr oscopia eletr ônica. (Modifi cada de Weinstock A: In Ham AW: Histology ed 7, Philadelphia, 1974, Lippincott.) C0565.indd 15C0565.indd 15 2/8/13 5:41:34 PM2/8/13 5:41:34 PM PARTE 1 O Periodonto Normal16 ( Fig. 2-10 ). Apenas algumas áreas do epitélio gengival externo são ortoqueratinizadas; as outras áreas gengivais são cobertas por epitélio paraqueratinizado ou não queratinizado, 46 e considerado pertencente a estágios intermediários de queratinização. Essas áreas podem amadurecer ou se desdiferenciar sob distintas condições fi siológicas ou patológicas. No epitélio paraqueratinizado , o estrato córneo retém núcleos picnóticos e os grânulos de querato-hialina estão dispersos, não dando origem a um estrato granuloso. O epitélio não queratinizado (embora as citoqueratinas sejam o principal componente, como em todos os epitélios) não tem estrato granuloso nem córneo, enquanto as células superfi ciais possuem núcleos viáveis. Técnicas de imuno-histoquímica, gel de eletroforese e imunotrans- ferência têm identifi cado o padrão característico das citoqueratinas possíveis em cada tipo epitelial. As proteínas da queratina são com- postas por diferentes subunidades de polipeptídeos caracterizadas por seus pontos isoelétricos e pesos moleculares. Eles são numerados em sequência contrária aos seus pesos moleculares. Geralmente, as células basais começam a sintetizar queratinas de baixo peso molecular, como a K19 (40 kD), e expressam outras queratinas de alto peso molecular à medida que migram para a superfície. O polipeptídeo da queratina K1 (68 kD) é o principal componente do estrato córneo. 61 Outras proteínas não relacionadas às queratinas são sintetizadas durante o processo de maturação. As mais extensivamente estudadas são a queratolinina e a involucrina , as quais são precursoras de uma estrutura quimicamente resistente (o envelope) localizada abaixo da membrana celular, e a fi lagrina , cujos precursores estão armazenados nos grânulos de querato-hialina. Na transição súbita para a camada córnea, os grânulos de querato-hialina desaparecem e dão origem à fi lagrina, que forma a matriz das células epiteliais mais diferenciadas, o corneócito . Assim, no estado de completa difer enciação, os corneócitos são principalmente formados por feixes de tonofi lamentos de queratina incorporados em uma matr iz amorfa de filagrina e circundados por um resistente envelope sob a membrana celular. Os padrões imuno-histoquímicos dos diferentes tipos de queratina, de proteínas do envelope e de fi lagrina mudam sob estímulos normais ou patoló- gicos, modifi cando o processo de queratinização. 130-132 A microscopia eletrônica revela que os queratinócitos estão in- terconectados por estruturas na periferia das células chamadas de desmossomos . 156 Esses desmossomos têm uma estr utura típica que consiste em duas placas de adesão densas, nas quais as tonofi brilas se inserem, e uma linha intermediária, elétron-densa, no comparti- mento extracelular. Os tonofi lamentos, que são a expressão morfo- lógica do citoesqueleto de proteínas de queratina, irradiam um aspecto em forma de escova a partir das placas de adesão para o cito- plasma das células. O espaço entre as células mostra projeções cito- plasmáticas semelhantes a microvilos que se estendem para o espaço intercelular e, muitas vezes, se interdigitam. Formas de conexão de células epiteliais menos fr equentemente observadas são as junções oc lusivas ( zonae occludens ), nas quais as membranas das células adjacentes parecem estar fusionadas. 273,292 Evidências sugerem que essas estruturas permitem que íons e pe- quenas moléculas passem de uma célula para outra. A concentração de organelas citoplasmáticas varia entre os dife- rentes estratos epiteliais. As mitocôndrias são mais numerosas no estrato mais profundo e reduzem em direção à superfície da célula. De acordo com isso, a demonstração histoquímica da desidroge- nase succínica, da nicotinamida adenina dinucleotídeo, da citocromo oxidase e outras enzimas mitocondr iais revelam um ciclo tricarbo- xílico mais ativo nas células basais e parabasais, em que a proximidade do suprimento sanguíneo facilita a produção de energia através do processo de glicólise aeróbica. De maneira inversa, enzimas do desvio da pentose (uma via al- ternativa da glicólise), como glicose-6-fosfatase, aumentam a sua atividade em direção à superfície. Essa via produz grande quantidade de produtos intermediários para a produção de ácido ribonucleico (RNA) que, por sua vez, pode ser usado para a síntese de proteínas de queratinização. Esse padrão histoquímico está de acor do com o volume aumentado e a quantidade de tonofi lamentos observados nas células que alcançam a superfície; a intensidade da atividade é pro- porcional ao grau de diferenciação. 74,85,129,206 A B Figura 2-10 A , Micr oscopia eletr ônica de varr edura da gengiva queratiniz ada mostra queratinócitos achatados e seus limites na super fície da gengiva (1.000 × ). B , Microscopia eletrônica de varredura da gengiva marginal na extremidade do sulco gengival mostra vários queratinócitos prestes a serem esfoliados (3.000 × ) (De Kaplan GB, Pameijer CH, Ruben MP: J Periodontol 48:446, 1977.) C0565.indd 16C0565.indd 16 2/8/13 5:41:34 PM2/8/13 5:41:34 PM 17CAPÍTULO 2 Anatomia do Periodonto As células mais superiores da camada espinhosa contêm nume- rosos grânulos densos, os queratinossomos ou corpos de Odland , que são lisossomos modifi cados. Eles contêm grande quantidade de fosfatase ácida, uma en- zima envolvida na destruição das membranas das organelas, que ocorre repentinamente entre os estratos granuloso e córneo , e durante a cimentação intercelular das células córneas. Assim, a fosfatase ácida é outra enzima bastante r elacionada ao grau de queratinização. 47,127,289 Células não queratinócitas estão presentes no epitélio gengival, assim como em outros epitélios de Malpighi. Os melanócitos são células dendríticas localizadas nas camadas basal e espinhosa do epitélio gengival. Eles sintetizam melanina em organelas denomi- nadas pré-melanossomos ou melanossomos 62,233,258 ( Fig. 2-11 ). Eles contêm tirosinase, que hidrolisa a tirosina em di-hidroxifeni- lalanina (dopa), que por sua vez é progressivamente convertida em melanina. Os grânulos de melanina são fagocitados e mantidos dentro de outras células do epitélio e do tecido conjuntivo, chamadas melanófagos ou melanóforos . As células de Langerhans são células dendríticas localizadas entre os queratinócitos em todos os níveis suprabasais ( Fig. 2-12 ). Elas per- tencem ao sistema fagocitário mononuclear (sistema reticuloendotelial) como monócitos modifi cados derivados da medula óssea. Contêm grânulos alongados e são consideradas macrófagos com possíveis propriedades antigênicas. 74 As células de Langerhans desempenham um papel importante na reação imune como células apresentadoras de antígenos para linfócitos. Elas contêm grânulos g-específi cos (grâ- nulos de Birbeck) e possuem intensa atividade da adenosina trifosfata- se. Foram encontradas no epitélio oral da gengiva normal e em menores quantidades no epitélio sulcular ; estão provavelmente ausentes do epitélio juncional da gengiva normal. As células de Merkel estão localizadas nas camadas mais profundas do epitélio, ancoradas às terminações nervosas e conectadas às células adjacentes pelos desmossomos. Elas têm sido identifi cadas como perceptores táteis. 191 O epitélio está unido ao tecido conjuntivo subjacente pela lâmina basal de 300-400 Å de espessura, encontrando-se aproximadamente a 400 Å abaixo da camada basal do epitélio. 149,241,260 A lâmina basal consiste em uma lâmina lúcida euma lâmina densa. Os hemides- mossomos das células epiteliais basais estão em contato com a lâmina lúcida, que é composta principalmente da glicoproteína laminina. A lâmina densa é composta de colágeno tipo IV. A lâmina basal, claramente distinguível em nível ultraestrutural, está conectada a uma condensação reticular das fi brilas do tecido conjuntivo subjacente (principalmente colágeno tipo IV ) pelas fi - brilas de ancoragem. 186,218,263 As fi brilas de ancoragem têm 750 nm de comprimento do término do epitélio ao término do tecido con- juntivo, onde elas aparecem formando laços em torno das fi bras colágenas. O complexo de lâmina basal e fi brilas é positivo para o ácido periódico de Schiff (PAS) e a linha argirofílica é observada em nível óptico 243,264 ( Fig. 2-13 ). A lâmina basal é permeável a fl uidos, mas age como barreira contra substâncias particuladas. Características Estruturais e Metabólicas de Diferentes Áreas do Epitélio Gengival . O componente epitelial da gen- giva apresenta variações morfológicas que refl etem a adaptaç ão teci- dual ao dente e ao osso al veolar. 237 Essas variações incluem o epitélio oral, o epitélio sulcular e o epitélio juncional. Enquanto o epitélio oral e o epitélio sulcular têm funç ão altamente pr otetora, o epitélio jun- cional apresenta muito mais funções e é de consideráv el importância na regulação da saúde tecidual. 18 É atualmente r econhecido que as células epiteliais não são “espectadoras passivas” nos tecidos gengivais; Mf M Figura 2-11 Gengiva pigmentada de c ão mostra melanócitos ( M ) na camada epitelial basal e melanóforos ( Mf ) no tecido conjuntivo (técnica de Glucksman). BC E G Cc P Figura 2-13 Gengiva humana normal corada pelo método histoquímico do ácido per iódico de S chiff ( PAS ). A membrana basal ( B ) é vista entr e o epitélio ( E ) e o tecido conjuntiv o subjacente ( C ). No epitélio , o mater ial glicoproteico ocorr e nas células e nas membranas celular es das c amadas córnea ( H ) e granulosa ( G ) subjacente. O tecido conjuntivo apresenta uma substância fundamental amor fa, difusa e fi bras colágenas. As par edes dos vasos sanguíneos se destac am claramente nas projeções papilares do tecido conjuntivo ( P ). Figura 2-12 Epitélio gengival humano, aspecto oral. Técnica da imunope- roxidase mostrando células de L angerhans. C0565.indd 17C0565.indd 17 2/8/13 5:41:35 PM2/8/13 5:41:35 PM PARTE 1 O Periodonto Normal18 ao contrár io, elas são metabolic amente ativas e c apazes de r eagir a estímulos externos por meio da síntese de inúmeras citocinas, molé- culas de adesão, fatores de crescimento e enzimas. 18 Epitélio Oral (Externo) . O epitélio oral ou externo recobre a crista e a superfície externa da gengiva marginal e a superfície da gengiva inserida. N a média, o epitélio oral possui 0,2-0,3 mm de espes- sura. Ele é queratiniz ado ou paraqueratinizado ou apresenta várias combinações dessas condições ( Fig. 2-14 ). No entanto, a superfície prevalente é a paraqueratinizada. 32,46,290 O epitélio oral é composto por quatr o camadas: estrato basal (camada basal), estrato espinhoso (camada de células espinhosas), estrato granuloso (camada granulosa) e estrato córneo (camada corneifi cada). O grau de queratinização gengival diminui com a idade e o início da menopausa, 203 mas não está necessariamente relacionado às dife- rentes fases do ciclo menstrual. 133 A queratinização da mucosa oral varia em diferentes áreas na seguinte ordem: palato (mais queratini- zado), gengiva, porção ventral da língua e mucosa jugal (menos queratinizada). 184 As queratinas K1, K2, K10 a K12, que são específi cas para a di- ferenciação da epiderme, são expressas imuno-histoquimicamente com grande intensidade em áreas ortoqueratinizadas e com menos intensidade em áreas paraqueratinizadas. K6 e K16, características de epitélios altamente proliferativos, e K5 e K14, citoqueratinas es- pecífi cas de estratifi cação, também estão presentes. As áreas para- queratinizadas expressam K19, que está muitas vezes ausente do epitélio ortoqueratinizado normal. 37,209 De acordo com a completa ou quase completa maturaç ão, as reações de histoenzima para a fosfatase ácida e enzimas do desvio da pentose estão muito fortes. 48,129 O glicogênio pode acumular-se intracelularmente quando não está completamente degradado por qualquer uma das vias da glicólise. Portanto, a sua concentração na gengiva normal está inversamente relacionada ao grau de queratinização 242,290 e infl amação. 73,278,281 Epitélio Sulcular . O epitélio sulcular r eveste o sulco gengival ( Fig. 2-15 ). Ele é um epitélio escamoso estratifi cado não queratiniza- do fi no sem cristas epiteliais e se estende do limite coronal do epitélio juncional à crista da gengival marginal ( Fig. 2-16 ). Geralmente apre- senta muitas células com degeneração hidrópica. 32 Assim como outro epitélio não queratinizado, o epitélio sulcular não tem estratos granuloso e córneo nem as citoqueratinas K1, K2 e K10 a K12, mas possui a K4 e a K13, também chamadas citoque- ratinas tipo esofágicas. Ele também expressa a K19 e normalmente não possui células de Merkel. Estudos histoquímicos de enzimas têm revelado consistentemente menor grau de atividade no epitélio sulcular do que no epitélio ex- terno, particularmente no caso de enzimas relacionadas à queratini- zação. A enzima glicose-6-fosfatase desidrogenase expressou reação fraca e homogênea em todos os estratos, ao contrário do gradiente crescente em direção à superfície observado na camada córnea do epitélio. 129 A marcação da fosfatase ácida é negativa, 47 embora lisos- somos tenham sido descritos em células esfoliadas. 150 Apesar dessas características morfológicas e químicas, o epitélio sulcular tem o potencial de se queratiniz ar se (1) for rebatido e ex- posto à cavidade oral 45,49 ou (2) a microbiota do sulco for completa- mente eliminada. 51 De maneira inversa, o epitélio externo perde sua A Cc G E Ba C E Pq Ba B E Ba A Figura 2-14 Variações no epitélio gengival. A , Queratinizado. B , Não queratinizado. C , Paraqueratinizado. Camada córnea ( Cc ), camada granular ( G ), camada de células espinhosas ( E ), camada basal ( Ba ), células superfi ciais achatadas ( A ), camada paraqueratótica ( Pq ). Ep E EL Figura 2-15 Vista por micr oscopia eletrônica de varr edura da super fície epitelial frente ao dente em um sulco gengival humano normal. O epitélio ( Ep ) mostra células desc amando, alguns er itrócitos dispersos ( E ) e poucos leucócitos emergentes ( L ). (1.000 × .) C0565.indd 18C0565.indd 18 2/8/13 5:41:38 PM2/8/13 5:41:38 PM 19CAPÍTULO 2 Anatomia do Periodonto queratinização quando é colocado em contato com o dente. 51 Esses achados sugerem que a irritação local do sulco previne a queratini- zação sulcular. O epitélio sulcular é extremamente importante porque pode atuar como membrana semipermeável através da qual produtos bacterianos passam da gengiva para o fl uido gengival e tecidual penetrando no sulco. 272 Ao contrário do epitélio juncional, no entanto, o epitélio sulcular não é abundantemente infi ltrado por neutrófi los polimor- fonucleares (PMNs) e parece ser menos permeável. 18 Epitélio Juncional . O epitélio juncional consiste em uma faixa de epitélio escamoso estratifi cado não queratinizado em forma de colar. Possui 3-4 camadas de espessura no início da vida, mas o número de camadas aumenta com a idade para 10 ou até mesmo 20. Igualmen- te, o epitélio juncional se afunila a par tir da extr emidade coronal, que deve ter 10-29 células de largura para uma ou duas células na sua extremidade apical, localizadana junç ão cemento-esmalte nos tecidos saudáveis. Essas células podem ser agr upadas em dois es- tratos: a c amada basal que r eveste o tecido conjuntiv o e a c amada basal que se estende para a super fície dental. O compr imento do epitélio juncional varia de 0,25-1,35 mm ( Fig. 2-17 ). O epitélio juncional é formado pela confl uência do epitélio oral e o epitélio reduzido do esmalte durante a erupção dental. Contudo, o epitélio reduzido do esmalte não é essencial para a sua formação; na verdade, o epitélio juncional é completamente restabelecido após a instrumentação ou cirurgia da bolsa e se forma ao r edor de implantes. 153 As camadas celulares não justapostas ao dente exibem numerosos ribossomos livres e proeminentes estruturas ligadas à membrana, como os complexos de Golgi e os vacúolos citoplasmáticos, presu- mivelmente fagocíticos. Corpos semelhantes a lisossomos também estão presentes, mas a ausência de queratinossomos (cor pos de Odland) e de fosfatase ácida histoquimic amente demonstrável, correlacionada ao baixo grau de diferenciação, pode refl etir em baixa eso tc ej cd Figura 2-16 Espécime de biópsia humana embebida em epon mostra um sulco gengival r elativamente normal. A par ede de tecido mole do sulco gengival é composta por epitélio sulcular oral ( eso ) e seu tecido conjuntiv o subjacente ( tc ), enquanto a base do sulco gengival é formada pela super fície descamada do epitélio juncional ( ej ). O espaço do esmalte é delineado por uma estr utura cuticular densa ( cd ). A linha de demar cação r elativamente forte existe entre o epitélio juncional e o epitélio sulcular oral ( seta ) e vários leucócitos polimorfonucleares ( pmn ) podem ser vistos atrav essando o epi- télio juncional. O sulco contém células sanguíneas vermelhas resultantes da hemorragia ocorrida no momento da biópsia (391 × ; detalhe, 55 × ). (De Schluger S, Youdelis R, Page RC: Periodontal disease, Philadelphia, 1977, Lea & Febiger.) E D A a ERE EO EO E D a EJ EO RE EJ C S E B C Figura 2-17 Processo de erupção em dente de gato . A , Dente não er upcionado. Dentina ( D ), remanescentes da matriz de esmalte ( E ), epitélio reduzido do esmalte ( ERE ), epitélio oral ( EO ), artefato ( a ). B , Dente em er upção formando o epitélio juncional ( EJ ). C , Dente completamente er upcionado. Sulco com debris epiteliais ( S ), cemento ( C ) e restos epiteliais ( RE ). C0565.indd 19C0565.indd 19 2/8/13 5:41:42 PM2/8/13 5:41:42 PM PARTE 1 O Periodonto Normal20 capacidade de defesa contra o acúmulo do biofi lme bacteriano no sulco gengival. Achados morfológicos similares foram descritos na gengiva de ratos livres de germes. Os PMNs são encontrados roti- neiramente no epitélio juncional tanto de ratos convencionais como de ratos livres de germes. 301 A pesquisa mostrou que, embora nume- rosos PMNs em migração sejam evidentes e presentes em torno do epitélio juncional saudável, considerável aumento no número de PMNs pode ser esperado com o acúm ulo de biofi lme dental e in- fl amação gengival. 18 Os diferentes polipeptídeos de queratina do epitélio juncional pos- suem um padrão histoquímico específi co. O epitélio juncional expressa K19, que está ausente do epitélio queratiniz ado, e as citoqueratinas específi cas de estratifi cação K5 e K14. 229 Morgan et al. 185 relataram que reações para demonstrar K4 ou K13 revelaram uma mudança repentina entre o epitélio sulcular e o epitélio juncional. A área juncional é o único epitélio estratifi cado não queratinizado na cavidade oral que não sin- tetiza esses polipeptídeos específi cos. Outro comportamento particular do epitélio juncional é a falta de expressão de K6 e K16, as quais estão geralmente ligadas a epitélios altamente proliferativos, embora a taxa de renovação das células do epitélio juncional seja muito alta. Semelhante ao epitélio sulcular, o epitélio juncional exibe menos atividade de enzimas glicolític as do que o epitélio oral e não possui atividade de fosfatase ácida. 47,129 O epitélio juncional está ader ido à superfície dental (adesão epitelial) por meio de uma lâmina basal interna. Ele está unido ao tecido conjuntivo por uma lâmina basal externa que tem a mesma estrutura que qualquer outra união entre tecidos epitelial e conjuntivo em qualquer parte do corpo. 157,163 A lâmina basal interna consiste em uma lâmina densa (adjacente ao esmalte) e uma lâmina lúcida na qual os hemidesmossomos estão inseridos. Os hemidesmossomos têm um papel decisiv o na fi rme união das células à lâmina basal interna na superfície dental. Dados recentes sugerem que os hemidesmossomos também podem atuar como sítios específi cos de transdução de sinal e, assim, participar da regulação da expressão gênica, proliferação e diferen- ciação celular. 136 Filamentos orgânicos parecem se estender a partir do esmalte para a lâmina densa. 262 O epitélio juncional adere ao cemento afi brilar presente na coroa (geralmente restrito a uma área de 1 mm da junção cemento-esmalte) 239 e ao cemento radicular de maneira semelhante. Foi relatada evidência histoquímica para a presença de polissaca- rídeos neutros na área da adesão epitelial. 277 Os dados também mos- traram que a lâmina basal do epitélio juncional se assemelha àquela das células endoteliais e epiteliais quanto à laminina, mas difere em relação à lâmina basal interna, que não tem colágeno tipo IV. 144,228 Esses achados indicam que as células do epitélio juncional estão envolvidas na produção de laminina e desempenham papel funda- mental no mecanismo de adesão. A união do epitélio juncional ao dente é reforçada pelas fi bras gengivais, as quais ligam a gengiva marginal à super fície dental. Por essa razão, o epitélio juncional e as fi bras gengivais são con- siderados uma unidade funcio nal, citados como unidade dentogengival . 160 Em conclusão, geralmente é dito que o epitélio juncional apr e- senta várias características estruturais e funcionais únicas que con- tribuem para prevenir a superfície dental subgengival da colonização pelo biofi lme bacteriano patogênico. 209 Primeiro, o epitélio juncional está fi rmemente aderido à superfície dental, formando uma barreira epitelial contra o biofi lme bacteriano. Segundo, ele permite acesso do fl uido gengival, células infl amatórias e componentes do sistema imunológico de defesa do hospedeiro à gengiva marginal. Terceiro, as células do epitélio juncional apr esentam rápida renovação, que contribui para o equilíbr io hospedeiro-parasita e permite rápido reparo do dano tecidual. Alguns investigadores também indicaram que as células do epitélio juncional têm capacidade endocítica igual à dos macrófagos e neutrófi los e que essa atividade pode ser protetora por natureza. 58 Desenvolvimento do Sulco Gengival . Após a formaç ão completa do esmalte , este é cober to com o epitélio reduzido do esmalte (ERE), que está ader ido ao dente por uma lâmina basal e hemidesmossomos. 158,261 Quando o dente penetra a m ucosa oral, o ERE se une ao epitélio oral e se transforma no epitélio juncional. Assim que o dente er upciona, esse epitélio unido se condensa ao longo da coroa e os ameloblastos, que formam a camada interna do ERE ( Fig. 2-17 ), e gradualmente tornam-se células epiteliais esca- mosas. A transformação do ERE em epitélio juncional acontece em direção apical sem interromper a adesão ao dente. De acordo com Schroeder e Listgar ten, 239 esse processo leva 1-2 anos. O epitélio juncional é uma estrutura que está continuamente se autorrenovando, com atividade mitótica ocorrendo em todas as ca- madas de células. 158,261 As células epiteliais em regeneração se movem em direção e ao longo da superfície dental em sentidocoronal ao sulco gengival, onde elas são desprendidas 22 ( Fig. 2-18 ). As células-fi lhas em migração proporcionam adesão contínua à superfície dental. A força da união epitelial ao dente ainda não foi medida. O sulco gengival é formado quando o dente er upciona na cavi- dade oral. Nesse momento, o epitélio juncional e o E RE formam uma faixa larga aderida à superfície do dente, próximo da ponta da coroa até a junção cemento-esmalte. O sulco gengival é um espaço ou sulco raso em forma de V, entre o dente e a gengiva, que circunda a ponta da coroa recém- erupcionada. No dente completamente erupcionado, apenas o epitélio juncional persiste. O sulco consiste em um espaço raso localizado EO E ERE EJ CA C Figura 2-18 Epitélio juncional em um dente em er upção. O epitélio jun- cional ( EJ ) é formado pela junção do epitélio oral ( EO ) e o epitélio reduzido do esmalte ( ERE ). O cemento afi brilar ( CA ) é às v ezes formado sobr e o esmalte após degeneração do ERE. As setas indic am o movimento cor onal das células epiteliais em r egeneração, que se m ultiplicam mais rapidamente no EJ do que no EO . E , esmalte; C , cemento radicular . Padrão similar de renovação celular existe no dente completamente er upcionado. (Modifi cada de Listgarten MA: J Can Dent A ssoc 36:70, 1970.) C0565.indd 20C0565.indd 20 2/8/13 5:41:46 PM2/8/13 5:41:46 PM 21CAPÍTULO 2 Anatomia do Periodonto coronalmente à adesão do epitélio juncional e delimitado pelo dente em um lado e pelo epitélio sulcular no outro. A extensão coronal do sulco gengival é a gengiva marginal. Renovação do Epitélio Gengival . O epitélio oral está sob contínua renovação. A sua espessura é mantida pelo equilíbrio entre a nova formação celular nas camadas basal e espinhosa e a descama- ção das células antigas na superfície. A atividade mitótica apresenta periodicidade de 24 horas, com as maior es e menor es taxas ocor- rendo pela manhã e pela noite , respectivamente. 262 A taxa mitótica é maior em áreas não queratinizadas e está aumentada na gengivite, sem diferenças signifi cativas quanto ao gêner o. As opiniões div er- gem sobre se a taxa mitótica está aumentada 162,163,181 ou diminuída 15 com a idade. A taxa mitótica em animais experimentais varia entre diferentes áreas do epitélio oral em or dem decrescente: mucosa oral, palato duro, epitélio sulcular, externa da gengiva marginal e gengiva inse- rida. 9,114,162,279 Foi relatado o tempo de renovação para diferentes áreas do epitélio oral em animais exper imentais: palato, língua e mucosa jugal, 5-6 dias; gengiva, 10-12 dias, sendo requerido o mesmo tempo ou até maior com o aumento da idade; e epitélio juncional, 1-6 dias. 22,255 Em relação ao epitélio juncional, anteriormente se pensava que apenas as células epiteliais voltadas para a lâmina basal externa se dividiam rapidamente. No entanto, evidências revelam que número signifi cativo de células, como as células basais ao longo do tecido conjuntivo, é capaz de sintetizar ácido desoxirribonucleico (DNA), demonstrando sua atividade mitótica. 226,227 O rápido desprendimento das células remove efetivamente bactérias que aderem às células epiteliais e é, portanto, uma parte importante dos mecanismos de defesa na junção dentogengival. 209 Estruturas Cuticulares nos Dentes . O termo cutícula des- creve uma fi na estrutura acelular com matr iz homogênea, às vezes circunscrita por bordas lineares claramente demarcadas. Listgarten 161 classifi cou as estruturas cuticulares em revestimentos de origem do desenvolvimento e adquiridas. Os revestimentos adqui- ridos incluem aqueles de origem exógena como a saliva, as bactérias, o cálculo e as manchas superfi ciais ( Caps. 21 e 22 ). Os revestimentos de origem do desenvolvimento são aqueles formados normalmente como parte do desenvolvimento do dente e inc luem o ERE, o ce- mento coronal e a cutícula dental. Após a formação completa do esmalte, o epitélio ameloblástico é reduzido a uma ou duas c amadas de células que permanecem aderidas à superfície do esmalte por hemidesmossomos e uma lâmina basal. Esse ERE representa ameloblastos pós-secretores e células do estrato intermediário do órgão do esmalte. Em algumas espécies animais, o ERE desaparece total e muito rapidamente, colocando assim a superfície do esmalte em contato com o tecido conjuntivo. As células do tecido conjuntivo depositam, então, uma fi na camada de cemento conhecida como cemento coro- nário sobre o esmalte. Em seres humanos, manchas fi nas de cemento afi brilar podem ser vistas, às vezes, na metade cervical da coroa. A microscopia eletrônica mostrou cutícula dental composta por uma camada de material orgânico homogêneo de espessura variável (aproximadamente 0,25 � m) sobrejacente ao esmalte dental. Ela não é mineralizada e nem sempre está presente. Em alguns casos, é depositada próximo à junção cemento-esmalte sobre uma camada de cemento afi brilar, que por sua vez recobre o esmalte. A cutícula pode estar presente entre o epitélio juncional e o dente . Estudos histoquímicos ultraestruturais constataram que a cutícula dental é proteica 145 e pode ser um acúm ulo de componentes do fluido tecidual. 90,238 Fluido Gengival (Fluido Sulcular) . A importância do fl uido gengival é que ele pode ser r epresentado tanto por um transudato quanto por um exsudato . O fl uido gengival contém vasta gama de fatores bioquímicos, ofer ecendo uso potencial como biomar cador de diagnóstico ou pr ognóstico do estado biológico do per iodonto na saúde e doenç a. 84 ( Cap. 6 ). O fl uido gengival contém componentes do tecido conjuntivo, epitelial, células infl amatórias, soro e microrganismos que habitam a margem gengival ou o sulco (bolsa). 82 Em um sulco saudável, a quantidade de fl uido gengival é muito pequena. Durante a infl ama- ção, no entanto, o fl uxo do fl uido gengival aumenta e sua composição começa a se assemelhar à de um exsudato infl amatório. 60 A principal via de difusão do fl uido gengival é através da mem- brana basal, por meio dos espaços intracelulares relativamente amplos do epitélio juncional e depois para o sulco. 209 Acredita-se que o fl uido gengival (1) purifi que o material do sulco, (2) contenha proteínas plasmáticas que podem melhorar a adesão do epitélio ao dente , (3) possua propriedades antimicrobianas e (4) exerça atividade de an- ticorpo para defender a gengiva. Tecido Conjuntivo Gengival . Os pr incipais componentes do tecido conjuntivo gengival são as fi bras colágenas (em torno de 60% em volume), fi broblastos (5%), vasos, nervos e matriz (aproxi- madamente 35%). O tecido conjuntivo da gengiva é conhecido como lâmina própria e consiste em duas camadas: (1) uma camada papilar , subjacente ao epitélio, que consiste em projeções papilares entre as cristas epiteliais; e (2) uma camada reticular contígua com o per iósteo do osso alveolar. O tecido conjuntivo possui um compartimento celular e outro extracelular compostos por fi bras e substância fundamental. Assim, o tecido conjuntivo gengival é basicamente um tecido conjuntivo fibroso que possui elementos que se or iginam diretamente do tecido conjuntivo da mucosa oral, bem como algumas fi bras (dentogengivais) que se or iginam do folículo dental em desenvolvimento. 18 A substância fundamental preenche o espaço entre as fi bras e as células, é amorfa e possui alto conteúdo aquoso . É composta por proteoglicanos, principalmente ácido hialurônico e sulfato de con- droitina, e glicoproteínas, principalmente fi bronectina. As glico- proteínas são responsáveis pela frac a reação PAS-positiva da substância fundamental. 85 A fi bronectina liga os fi broblastos às fi bras e muitos outros componentesda matr iz intercelular, ajudando a mediar a adesão e migração celulares. A laminina, outra glicopro- teína encontrada na lâmina basal, serve para aderi-la às células epiteliais. Os três tipos de fi bras do tecido conjuntivo são colágenos, reti- culares e elásticos. O colágeno tipo I forma a massa da lâmina própria e proporciona força tênsil ao tecido gengival. O colágeno tipo IV (fi bra reticular argirofílica) se ramifi ca entre os feixes de colágeno tipo I e é contínuo com as fi bras da membrana basal e as paredes dos vasos sanguíneos. 163 O sistema de fi bras elásticas é composto de fi bras oxitalânicas, elaunínicas e elastinas distribuídas entre as fi bras colágenas. 57 Portanto, os feixes de colágeno densamente agrupados que estão ancorados no cemento acelular de fi bras extrínsecas logo abaixo da porção terminal do epitélio juncional formam o tecido conjuntiv o de inserção. A estabilidade dessa inserção é o fator-chave para limitar a migração do epitélio juncional. 58 Fibras Gengivais . O tecido conjuntiv o da gengiva marginal é densamente colagenoso e contém um sistema pr oeminente de feixes de fi bras colágenas chamado fi bras gengivais . Elas consistem C0565.indd 21C0565.indd 21 2/8/13 5:41:46 PM2/8/13 5:41:46 PM PARTE 1 O Periodonto Normal22 em colágeno tipo I. 218 As fi bras gengivais possuem as seguintes funções: 1. Unir fi rmemente a gengiva marginal contra o dente . 2. Promover a rigidez necessária para resistir às forças da mas- tigação sem serem defl etidas da super fície dental. 3. Unir a gengiva marginal livre ao cemento radicular e à gen- giva inserida adjacente. As fi bras gengivais são organizadas em três grupos: gengivodental, circular e transeptal. 148 Grupo Gengivodental . As fi bras gengivodentais são aquelas nas superfícies vestibular, lingual e inter proximal. Elas estão inser idas no cemento logo abaixo do epitélio na base do sulco gengival. Nas superfícies v estibular e lingual, elas se pr ojetam do cemento na conformação semelhante a um leque em dir eção à crista e à super- fície externa da gengiva marginal, terminando abaixo do epitélio ( Figs. 2-19 e 2-20 ). Elas também se estendem externamente ao periósteo dos ossos al veolares vestibular e lingual, terminando na gengiva inserida ou misturando-se com o per iósteo do osso. Inter- proximalmente, as fi bras gengivodentais estendem-se em direção à crista da gengiva interdental. Grupo Circular . As fi bras cir culares percorrem através do tecido conjuntivo da gengiva marginal e inter dental, e circundam o dente de forma semelhante a um anel. Grupo Transeptal . Localizadas na r egião interproximal, as fi bras interproximais formam feixes hor izontais que se estendem entr e o cemento de dois dentes pr óximos, nos quais estão inser idas. Elas se encontram na área entre o epitélio da base do sulco gengival e a crista do osso inter dental e, às v ezes, são c lassifi cadas como fi bras principais do ligamento periodontal. Page et al. 202 também descreveram (1) um gr upo de f ibras semicirculares que se insere em uma superfície proximal de um dente, imediatamente abaixo da junção cemento-esmalte, circunda a gengiva marginal vestibular ou lingual e se insere na outra superfície proximal do mesmo dente; e (2) um grupo de fi bras transgengivais que se insere na superfície proximal de um dente, atravessa o espaço interdental diagonalmente, circunda a superfície vestibular ou lingual do dente adjacente, atravessa de novo diagonalmente o espaço interdental e se insere na superfície proximal do próximo dente. Acredita-se que forças de tração na matriz extracelular produzidas por fi broblastos sejam forças responsáveis pela geração de tensão no colágeno. Isso mantém os dentes fi rmemente ligados uns aos outros e ao osso alveolar. Elementos Celulares . O elemento celular pr edominante no tecido conjuntiv o é o fi broblasto. N umerosos fi broblastos são encontrados entre os feixes de fi bras. Os fi broblastos são de origem mesenquimal e desempenham impor tante papel no desenv olvi- mento, na manutenç ão e no r eparo do tecido conjuntiv o gengival. Tal como acontece com o tecido conjuntiv o em outras par tes do corpo, os fi broblastos sintetiz am fi bras colágenas e elástic as, bem como glicoproteínas e glicosaminoglicanos da substância intercelu- lar amorfa. Os fi broblastos também regulam a degradação do colá- geno através da fagocitose e secr eção de colagenases. A heterogeneidade dos fi broblastos é, atualmente, um aspecto bem estabelecido dos fi broblastos do periodonto. 231 Embora a sig- nifi cância biológica e clínica dessa heterogeneidade não esteja clara, parece que ela é necessária para o funcionamento normal dos tecidos na saúde, na doença e no reparo. 18 FC F C O Figura 2-19 Secção vestibulolingual da gengiva marginal mostra as fi bras gengivais ( F ) que se estendem do cemento ( C ) à cr ista da gengiva para a superfície gengival externa e externamente ao per iósteo do osso ( O ). Fibras circulares ( FC ) são mostradas em secção transversal entre os outros grupos. (Cortesia de Sol Ber nick.) 1 4 2 3 Figura 2-20 Diagrama mostrando as fi bras gengivodentais que se esten- dem do cemento ( 1 ) à cr ista gengival ( 2 ) até a super fície externa e ( 3 ) externamente ao periósteo da cortical vestibular. As fi bras circulares ( 4 ) são mostradas na secção transversal. C0565.indd 22C0565.indd 22 2/8/13 5:41:46 PM2/8/13 5:41:46 PM 23CAPÍTULO 2 Anatomia do Periodonto Os mastócitos, que estão distribuídos por todo o corpo, são nu- merosos no tecido conjuntivo da mucosa oral e da gengiva. 53,250,251,293 Macrófagos fi xos e histiócitos estão presentes no tecido conjuntivo gengival como componentes do sistema fagocítico mononuclear (sistema reticuloendotelial) e são derivados dos monócitos sanguí- neos. As células adiposas e os eosinófi los , embora escassos, também estão presentes na lâmina própria. Na gengiva clinicamente normal, pequenos focos de plasmócitos e linfócitos são encontrados no tecido conjuntivo próximo à base do sulco ( Fig. 2-21 ). Neutrófi los podem ser vistos em número relativa- mente grande, tanto no tecido conjuntivo gengival quanto no sulco. Essas células infl amatórias geralmente estão presentes em pequena quantidade na gengiva clinicamente normal. Especulações sobre se pequenas quantidades de leucócitos devem ser consideradas um componente normal da gengiva ou um infi ltrado infl amatório incipiente, sem expressão clínica, são de importância mais teórica do que c línica. Os linfócitos estão ausentes quando a normalidade gengival é julgada por r igorosos critérios clínicos ou sob condições experimentais especiais, 13,196 mas são praticamente constantes na gengiva normal e saudável, mesmo antes de completar a erupção dental. 152,169,235 Estudos imuno-histoquímicos que utilizam anticorpos mono- clonais identifi caram as diferentes subpopulações de linfócitos. O infi ltrado da área abaixo do epitélio juncional da gengiva saudável em dentes recém-erupcionados em crianças é composto principal- mente de linfócitos T (auxiliar ou helper , citotóxico, supressor e na- tural killer ) 12,100,248 e, portanto, poderia ser interpretado como tecido linfoide normal envolvido no sistema de reconhecimento de defesa inicial. Com o decorrer do tempo, os linfócitos B e os plasmócitos aparecem em maiores proporções para a produção de anticorpos específi cos contra antígenos já r econhecidos e que estão sempre presentes no sulco da gengiva clinicamente normal. 240 Reparo do Tecido Conjuntivo Gengival . Em razão da alta taxa de r enovação, o tecido conjuntiv o da gengiva possui notavel- mente boa c apacidade regenerativa e de cic atrização. Na verdade, ele é um dos melhor es tecidos de cic atrização no organismo e geralmente mostra pouca evidência de formação de cicatrizes após procedimentos cirúrgicos. Isso provavelmente é causado pela rápida reconstrução da ar quitetura fi brosa dos tecidos. 180 N o entanto , a capacidade r eparativa do tecido co njuntivo gengival não é tão grande quanto a do ligamento per iodontal ou do tecido epitelial. Suprimento Sanguíneo, Linfático e Nervos . A microcir- culação, os vasos sanguíneos e os vasos linfáticos desempenham importante papel na drenagem do fl uido tecidual e na disseminação da infl amação. Na gengivite e na per iodontite, a microcirculação e a formação vascular alteram muito a rede vascular diretamente sob o epitélio sulcular gengival e o epitélio juncional. 172 Os vasos sanguíneos são facilmente evidenciados nas secções his- tológicas por meio de reações imuno-histoquímicas contra proteínas das células endoteliais (fator VIII e moléculas de adesão). Antes de essas técnicas serem desenvolvidas, os padrões de vascularização dos tecidos periodontais foram descritos utilizando-se reações histoenzi- máticas para fosfatase alcalina e adenosina trifosfatase por causa da grande atividade dessas enzimas nas células endoteliais. 55,302 Os dentes são uma das pouc as estruturas que penetram o tegu- mento, ou seja, eles vão de dentr o para fora do cor po. Dessa forma, o epitélio gengival e o tecido conjuntiv o ser vem como barreira única para as alterações orais. Além disso, as formas dos dentes são funcionalmente adaptadas e , por tanto, a mor fologia da barreira é adaptada para se correlacionar com a forma dentá- ria. Por exemplo, a ár ea de contato var ia entre os dentes, assim como o formato do col da gengiva inter dental. Talvez o mais importante sejam as qualidades funcionais (e pr ovavelmente subestimadas) da barr eira gengival. O epitélio por si só é um sistema orgânico complexo com extraordinárias funções imunes. Além disso, o fl uido gengival e os tecidos conjuntiv os são com- plexos e singularmente adaptados em face de alterações como aquelas associadas a idade , doença e trauma. Sobreposta a essa barreira única e as qualidades funcionais está a r esposta consis- tente e pr edominantemente bem-sucedida contra a alteraç ão microbiana persistente. A última r esposta nessa ár ea é um sis- tema complic ado e entr elaçado de alterações teciduais e r es- postas celulares do sistema im une. A integridade do complexo dentogengival depende da manu- tenção de uma camada epitelial intacta, com o epitélio juncional formando um selante no sulco gengival. Esse selante opera devido à funç ão das fi bras gengivais densas de colágeno tipo I, que fornecem a massa e a r esistência à traç ão para manter os tecidos em posição apertada no colo dentár io. Procedimentos dentários, como alisamento radicular , proce- dimentos r estauradores subgengivais e as técnic as de r etração gengival da cor oa e ponte , danifi cam o epitélio e o tecido con- juntivo gengival. O epitélio sulcular oral e o epitélio juncional possuem grande capacidade de se r estabelecer em cur to per íodo de r enovação de 1-6 dias, e os fi broblastos também podem pr oduzir novas fi bras colágenas. É essencial que os procedimentos dentários sejam o mais atraumáticos possível, de forma que um volume sufi ciente de fi bras colágenas gengivais seja mantido para possibilitar a cic atrização gengival pr óximo às raíz es. Isso faz com que um r evestimento epitelial novo e intacto do sulco gengival seja prontamente recons- tituído e, portanto, cicatrize sem nenhuma perda de inserção. TRANSFERÊNCIA CIENTÍFICA Figura 2-21 Secção da gengiva c linicamente normal mostra algum grau de infl amação, que está quase sempr e presente próximo à base do sulco . C0565.indd 23C0565.indd 23 2/8/13 5:41:47 PM2/8/13 5:41:47 PM PARTE 1 O Periodonto Normal24 A perfusão com tinta nanquim também foi utilizada para estudar a distribuição vascular em animais exper imentais. A injeção e a sub- sequente demonstração da peroxidase permitem a identifi cação dos vasos sanguíneos e os estudos de permeabilidade. 245 A reação do PAS também realça as paredes dos vasos através de uma linha positiva na membrana basal. 243 As células endoteliais também expressam atividade da 5-nucleotidase. 128 A microscopia eletrônica de varredura pode ser usada após injeção de plástico dentro dos vasos através da artéria ca- rótida, seguida por corrosão dos tecidos moles. 87 Além disso, a medida do fl uxo por meio do laser Doppler fornece um meio não invasivo para observar modifi cações do fl uxo sanguíneo relacionadas à doença. 8 As três fontes de suprimento sanguíneo para a gengiva são as seguintes ( Figs. 2-22 e 2-23 ): 1. Arteríolas supraperiosteais ao longo das super fícies vestibular e lingual do osso alveolar, das quais capilares se estendem ao longo do epitélio sulcular e entr e as cr istas epiteliais da superfície externa gengival. 78,115,8 Ramos ocasionais das arte- ríolas passam atrav és do osso al veolar para o ligamento periodontal ou percorrem a cr ista do osso al veolar. 2. Vasos do ligamento periodontal , que se estendem para a gengiva e anastomosam com os c apilares na área do sulco. 3. Arteríolas , que emergem da cr ista do septo inter dental, 87 estendem-se paralelamente à crista óssea e se anastomosam com vasos do ligamento per iodontal, com c apilares nas ár eas crevi- culares gengivais e com vasos que per correm a crista alveolar. Abaixo do epitélio da superfície gengival externa, os capilares se estendem para o tecido conjuntivo papilar entre as cristas epiteliais na forma de alças terminais de grampos de cabelo, com ramos efe- rentes e aferentes, espirais e varizes 55,115 ( Fig. 2-24 ; Fig. 2-23 ). As alças estão, algumas vezes, unidas por ligações cruzadas, e capilares achatados servem de vasos reservas quando a circulação é aumentada em resposta à irritação. 101 Figura 2-22 Diagrama de uma arteríola que penetra o osso alveolar inter- dental para supr ir os tecidos inter dentais ( esquerda ) e uma ar teríola supra- periosteal sobr e o osso al veolar v estibular, que envia ramos ao tecido circunjacente ( direita ). S O Figura 2-23 Suprimento sanguíneo e cir culação per iférica da gengiva. Perfusão dos tecidos com tinta nanquim. Observe o plexo c apilar paralelo ao sulco ( S ) e as alças capilares na camada papilar externa. Observe também os vasos supraper iosteais externamente ao osso ( O ), que suprem a gengiva, e um vaso do ligamento per iodontal que se anastomosa com o plexo do sulco. (Cortesia de Sol Ber nick.) d g A B s lp Figura 2-24 Vista por micr oscopia eletr ônica de varr edura dos tecidos gengivais palatinos de molar de rato após per fusão vascular de plástico e dissolução do tecido mole . A , Vista oral dos c apilares gengivais: d , dente; papila inter dental ( cabeça da set a ) — 180 × . B , Vista do lado do dente . Observe os vasos do plexo pr óximo aos epitélios sulcular e juncional. As cabeças de seta apontam para os vasos na ár ea do sulco com alterações infl amatórias moderadas. g , cr ista da gengiva marginal; s , fundo do sulco gengival; lp , vasos do ligamento per iodontal (150 × ). (Cortesia de N.J. Sel- liseth e K. Selvig, Universidade de Bergen, Noruega.) C0565.indd 24C0565.indd 24 2/8/13 5:41:48 PM2/8/13 5:41:48 PM 25CAPÍTULO 2 Anatomia do Periodonto Ao longo do epitélio sulcular, os capilares estão organizados em um plexo achatado que anastomosa e se estende paralelamente ao esmalte a partir da base do sulco para a margem gengival. 55 Na área docol , ocorre um padrão misto de anastomose capilar e alças. Como mencionado, mudanças anatômicas e histológicas foram mostradas na microcirculação gengival com gengivite. Estudos pros- pectivos da vasculatura gengival em animais demonstraram que , na ausência da infl amação, a rede vascular está organizada em um padrão repetitivo, regular e em camadas. 55,221 Em contrapartida, a vasculatura da gengiva infl amada exibe um padrão irregular do plexo vascular, com os microvasos apresentando aparência anelada, dilatada e enrolada. 221 O papel do sistema linfático de r emover o excesso de fl uidos, debris celulares e proteicos, microrganismos e outros elementos é importante no controle da difusão e na resolução do processo infl a- matório. 170 A drenagem linfática da gengiva ocorre nos vasos linfáticos do tecido conjuntivo papilar. 244 Ela progride para a rede coletora externa ao periósteo do processo alveolar, em seguida para os linfo- nodos regionais, particularmente o grupo submandibular. Além disso, os vasos linfáticos logo abaixo do epitélio juncional se estendem até o ligamento periodontal e acompanham os vasos sanguíneos. Elementos neurais estão amplamente distr ibuídos por todos os tecidos gengivais. Dentro dos tecidos conjuntivos gengivais, a maioria das fi bras nervosas é mielinizada e está intimamente associada aos vasos sanguíneos. 164 A inervação gengival é derivada das fi bras pro- venientes dos nervos no ligamento periodontal e dos nervos labiais, bucais e palatinos. 30 As estruturas nervosas a seguir estão presentes no tecido conjuntivo: uma malha de fi bras argirofílicas terminais, algumas das quais se estendem até o epitélio; corpúsculos táteis do tipo Meissner; bulbos terminais de Krause , que são receptores de temperatura; e fusos encapsulados. 14 Correlação das Características Clínicas e Microscópicas A compreensão das características clínicas normais da gengiva requer a capacidade de interpretá-las em termos das estruturas microscópi- cas que elas representam. Cor . A cor da gengiva marginal e inserida é geralmente descrita como “rosa coral” e resulta do supr imento vascular, da espessura, do grau de queratinização do epitélio e da pr esença de células que contêm pig- mento. A cor varia entre diferentes pessoas e parece estar correlacionada à pigmentação cutânea. É mais c lara em indivíduos loir os com pele clara do que em indivíduos de pele e c abelos escuros ( Fig. 2-25 ). A gengiva inserida é demarcada da mucosa alveolar adjacente na face vestibular por uma linha mucogengival claramente defi nida. A mucosa alveolar é vermelha, lisa e brilhante, em vez de rosa e ponti- lhada. A comparação da estrutura microscópica da gengiva inserida com a da mucosa alveolar fornece uma explicação para a diferença na aparência. O epitélio da mucosa alveolar é mais fi no, não é que- ratinizado e não contém cr istas epiteliais ( Fig. 2-26 ). O tecido conjuntivo da mucosa alveolar é frouxamente organizado e os vasos sanguíneos são mais numerosos. Pigmentação Fisiológica (Melanina) . A melanina é um pigmento marrom não derivado da hemoglobina com as seguintes características: • É responsável pela pigmentação normal da pele , da gengiva e do restante da mucosa oral. • Está presente em todos os indivíduos normais, muitas vezes não em quantidade sufi ciente para ser detectada c linica- mente, mas ausente ou se veramente diminuída em albinos. • A pigmentação melânica na cavidade oral é proeminente em indivíduos negros ( Fig. 2-25 ). • O ácido ascór bico r egula negativamente a pigmentaç ão melânica nos tecidos gengivais. 252 De acordo com Dummett, 75 a distribuição da pigmentação oral em indivíduos negros é a seguinte: gengiva, 60%; palato duro, 61%; mucosa oral, 22%; e língua, 15%. A pigmentação gengival ocorre como coloração arroxeada difusa ou manchas marrons e castanho- claras de formas irregulares. Ela pode aparecer na gengiva tão precoce quanto em três horas após o nascimento e , muitas vezes, é a única evidência de pigmentação. 75 A repigmentação oral se refere ao reaparecimento clínico da pig- mentação melânica após um período de despigmentação clínica da mucosa oral resultante de fatores químicos, térmicos, cirúrgicos, far- macológicos ou idiopáticos. 76 Informações sobre a repigmentação dos tecidos orais após procedimentos cirúrgicos são extremamente limi- tadas, e nenhum tratamento defi nitivo é oferecido nesse momento. A B Figura 2-25 A , Gengiva c linicamente normal em adulto jovem. B , Gengiva pr ofundamente pigmen- tada (melanótic a) em adulto de meia-idade . (De Glickman I, Smulow JB: Periodontal disease: clinical, radiographic, and histopathologic features, Philadelphia, 1974, Saunders.) MA GI GM V GM MP P Figura 2-26 Mucosa oral, super fícies v estibular e palatina. A super fície vestibular ( V ) mostra a gengiva marginal ( GM ), a gengiva inser ida ( GI ) e a mucosa alveolar ( MA ). A linha dupla marca a junção mucogengival. Observe as diferenças no epitélio e tecido conjuntivo na gengiva inserida e na mucosa alveolar. A super fície palatina ( P ) mostra a gengiva marginal ( GM ) e a espessa mucosa palatina queratinizada ( MP ). C0565.indd 25C0565.indd 25 2/8/13 5:41:49 PM2/8/13 5:41:49 PM PARTE 1 O Periodonto Normal26 Tamanho . O tamanho da gengiva corr esponde à soma total da maior par te dos elementos celular es e inter celulares, e seu supr i- mento vascular . A alteraç ão no tamanho é uma c aracterística comum da doença gengival. Contorno . O contorno ou forma da gengiva var ia consideravel- mente e depende da forma dos dentes e do seu alinhamento no arco, da loc alização e do tamanho da ár ea do contato pr oximal e das dimensões das ameias v estibular e lingual. A gengiva marginal envolve o dente em forma de colar e segue um contorno festonado nas superfícies vestibular e lingual. Ela forma uma linha reta ao longo dos dentes com super fícies relativamente planas. Em dentes com convexidade mesiodistal pronunciada (p. ex., caninos superiores) ou dentes em vestibuloversão, o contorno arquea- do normal é acentuado e a gengiva fi ca localizada mais apicalmente. Nos dentes com linguoversão, a gengiva é horizontal e mais espessa ( Fig. 2-27 ). Além disso, o biotipo do tecido gengival varia signifi ca- tivamente. Gengiva fi na e clara é encontrada em um terço da popu- lação, principalmente em mulheres com dentes fi nos e com faixa estreita de tecido queratinizado, ao passo que gengiva espessa e clara com faixa ampla de tecido queratinizado está presente em dois terços da população, principalmente nos homens. 72 Forma . A forma da gengiva inter dental é r egida pelo contorno das superfícies proximais dos dentes e pela loc alização e forma das ameias gengivais. Quando as superfícies proximais das coroas são relativamente planas no sentido vestibulolingual, as raízes estão próximas umas das outras, o osso interdental é fi no no sentido mesiodistal e as ameias gengivais e a gengiva inter dental são estreitas no sentido mesiodistal. Por outro lado, quando as superfícies proximais se dis- tanciam da área de contato, o diâmetro mesiodistal da gengiva in- terdental é maior ( Fig. 2-28 ). A altura da gengiva interdental varia com a localização do ponto de contato proximal. Assim, na região anterior da dentição, a papila interdental tem a forma piramidal, ao passo que, na região de molares, a papila é mais plana no sentido vestibulolingual. Consistência . A gengiva é fi rma e r esiliente e, com exceç ão da gengiva marginal livre, fortemente ligada ao osso subjacente. A natu- reza colágena da lâmina pr ópria e sua contiguidade com o m ucope- riósteo do osso alveolar determinam a fi rmeza da gengiva inser ida. As fi bras gengivais contr ibuem para a fi rmeza da gengiva marginal. Textura Superfi cial . A gengiva apr esenta textura superfi cial semelhante a casca de laranja e é citada como pontilhada ( Fig. 2-25 ). O pontilhado é mais bem visualizado ao secar a gengiva. A gengiva inserida é pontilhada, ao passo que a gengiva marginal , não . A porção central da papila interdental é geralmente pontilhada, mas as bordas marginais são lisas. O padrão e a extensão do pontilhado var iam entre os indivíduos e entre as diferentes áreas da cavidade bucal. 110,221 O pontilhado é menos proeminente nas superfícies linguais do que nas vestibulares e pode estar ausente em algumas pessoas. O pontilhado varia com a idade. Está ausente na infância, aparece em algumas crianças em torno dos cinco anos de idade, aumenta até a idade adulta e frequentemente começa a desaparecer nos idosos. Microscopicamente, o pontilhado é produzido pela alternância das protuberâncias arredondadas e depressões na superfície gengival. A camada papilar do tecido conjuntivo se projeta para dentro das elevações, e as áreas elevadas e de depressão estão cobertas por epi- télio escamoso estratifi cado ( Fig. 2-29 ). O grau de queratinização e a proeminência do pontilhado parecem estar relacionados. Figura 2-27 Contorno espesso e em formato de platô da gengiva em dente com linguov ersão agravada pela irr itação loc al c ausada pelo acúm ulo de biofi lme. A B Figura 2-28 Forma da papila gengival interdental correlacionada à forma dos dentes e ameias. A , Papilas interdentais largas. B , Papilas interdentais estreitas. Figura 2-29 Biópsia gengival do paciente mostrado na Fig. 2-7 , demons- trando ele vações e depr essões ( setas ) alternadas na gengiva inser ida r es- ponsáveis pela aparência pontilhada. C0565.indd 26C0565.indd 26 2/8/13 5:41:51 PM2/8/13 5:41:51 PM 27CAPÍTULO 2 Anatomia do Periodonto A microscopia eletrônica de varredura mostrou considerável variação na forma, mas profundidade do pontilhado relativamente constante. Em menor aumento, é vista uma super fície ondulada, interrompida por depressões irregulares de 50 � m de diâmetro. Em maior aumento, micropoços celulares são vistos. 62 O pontilhado é uma forma de adaptação especializada ou reforço para a função . É uma característica da gengiva saudável, e a redução ou perda do pontilhado é um sinal comum de doença gengival. Quando a gengiva restabelece a saúde após o tratamento , a aparência de pontilhado é restaurada. A textura superfi cial da gengiva também está r elacionada à pre- sença e ao grau de queratiniz ação epitelial. A queratinização é con- siderada uma adaptação protetora à função. Ela aumenta quando a gengiva é estimulada pela escovação dental. No entanto, uma pesquisa com enxertos gengivais livres ( Cap. 63 ) mostrou que, quando o tecido conjuntivo é transplantado de uma área queratinizada para uma área não queratinizada, ele se torna um tecido revestido por epitélio que- ratinizado. 142 Esse achado sugere que a determinação do tipo de su- perfície epitelial se baseia na genética do tecido conjuntivo. Posição . A posição da gengiva se refere ao nível em que a margem gengival está ader ida ao dente. Quando o dente irrompe na cavidade oral, a margem e o sulco estão na ponta da coroa; à medida que a erupção progride, eles podem ser vistos mais próximos da raiz. Durante esse processo de erupção dental, como descrito anteriormente, o epitélio juncional, o epitélio oral e o epitélio reduzido do esmalte são submetidos a extensas al- terações e remodelação para manter a profundidade fi siológica rasa do sulco. Sem essa remodelação do epitélio, o resultado seria um relacionamento anatômico anormal entre a gengiva e o dente. Erupção Dental Contínua . De acor do com o conceito de erupção contínua, 107 a erupção não cessa quando os dentes encon- tram os seus antagonistas funcionais, mas continua por toda a vida. A erupção consiste em uma fase ativa e uma passiva. Erupção ativa é o movimento do dente em dir eção ao plano oc lusal, enquanto erupção p assiva é a exposiç ão dos dentes pela migraç ão apic al da gengiva. Esse conceito distingue entre coroa anatômica (porção do dente coberta por esmalte) e raiz anatômica (porção do dente coberta por cemento), e entre coroa clínica (parte do dente que foi descoberta de sua gengiva e se projeta para a cavidade oral) e raiz clínica (porção do dente coberta pelos tecidos periodontais). Quando os dentes al- cançam seus antagonistas funcionais, o sulco gengival e o epitélio juncional estão ainda sobre o esmalte, e a coroa clínica corresponde aproximadamente a dois terços da coroa anatômica. Gottlieb e Orban 107 acreditavam que as erupções ativa e passiva aconteciam ao mesmo tempo. A erupção ativa é coordenada pela atrição; os dentes erupcionam para compensar a substância do dente desgastado pelo atrito. A atrição reduz a coroa clínica e a previne de se tornar desproporcionalmente longa em relação à raiz clínica; assim, evita o excessivo poder de alavanca nos tecidos periodontais. Ideal- mente, a taxa de erupção ativa acompanha o r itmo com o desgaste dental, preservando a dimensão vertical da dentição. À medida que os dentes erupcionam, o cemento é depositado nos ápices e regiões de bifurcações dos dentes, e é formado osso ao longo do fundo do alvéolo e na crista do osso alveolar. Dessa forma, parte da substância dental perdida pela atrição é substituída pelo alonga- mento da raiz e a profundidade do alvéolo é mantida para suportar a raiz. Embora originalmente pensado como um processo fi siológico normal, a erupção passiva é agora considerada um processo patológico. A erupção passiva é dividida nos quatro estágios a seguir ( Fig. 2-30 ): Estágio 1: Os dentes alc ançam o plano oc lusal. O epitélio jun- cional e a base do sulco gengival estão sobr e o esmalte. Estágio 2: O epitélio juncional prolifera de forma que parte dele está sobre o cemento e parte está sobre o esmalte. A base do sulco ainda está sobr e o esmalte. Estágio 3: Todo o epitélio juncional está sobr e o cemento e a base do sulco está na junção cemento-esmalte. À medida que o epitélio juncional pr olifera da cor oa para a raiz, ele não permanece na junç ão cemento-esmalte por mais tempo do que em qualquer outra ár ea do dente. Estágio 4: O epitélio juncional pr oliferou ainda mais sobr e o cemento. A base do sulco está sobr e o cemento , uma par te do qual está exposta. A proliferação do epitélio juncional em direção à raiz é acompanhada pela degeneraç ão das fi bras gengivais e do ligamento per iodontal e sua separaç ão do dente. A c ausa dessa degeneraç ão não é conhecida. Atual- mente, acr edita-se que ela seja o r esultado da infl amação crônica; portanto, um processo patológico. Como se observa, a aposição óssea acompanha a erupção ativa. A distância entre a extremidade apical do epitélio juncional e a crista óssea alveolar permanece constante durante a erupção dental contí- nua (1,07 mm). 95 A exposição do dente pela migração apical da gengiva é chamada de retração gengival ou atrofi a . De acordo com o conceito de erupção contínua, o sulco gengival pode estar localizado na coroa, na junção cemento-esmalte ou na raiz, dependendo da idade do paciente e do estágio da erupção. Contudo, alguma exposição da raiz com a idade seria considerada normal e denominada retração fi siológica . Nova- mente, esse conceito não é aceito atualmente. Exposição excessiva é denominada retração patológica ( Cap. 13 ). LIGAMENTO PERIODONTAL O ligamento periodontal é composto de um tecido conjuntivo com- plexo vascular e altamente celularque cir cunda a raiz dentária e a conecta à parede interna do osso alveolar. 177 Ele é contíguo com o tecido conjuntivo da gengiva e comunica-se com os espaços medu- lares através de canais vasculares no osso. Embora a largura média do espaço do ligamento periodontal seja documentada como sendo cerca de 0,2 mm, existe variação considerável. O espaço periodontal está diminuído ao redor dos dentes que não estão em funç ão e dos dentes não erupcionados, mas está aumentado nos dentes submetidos a hiperfunção. EJ EJ EJ EJ Figura 2-30 Representação diagramátic a dos quatr o passos na er upção passiva de acor do com Gottlieb e O rban. 107 1 , A base do sulco gengival ( seta ) e o epitélio juncional ( EJ ) estão sobr e o esmalte . 2 , A base do sulco gengival ( seta ) está sobre o esmalte e par te do epitélio juncional está sobr e a raiz. 3 , A base do sulco gengival ( seta ) está na junç ão cemento-esmalte e o epitélio juncional inteir o sobre a raiz. 4 , A base do sulco gengival ( seta ) e o epitélio juncional estão na raiz. C0565.indd 27C0565.indd 27 2/8/13 5:41:55 PM2/8/13 5:41:55 PM PARTE 1 O Periodonto Normal28 Fibras Periodontais Os elementos mais importantes do ligamento per iodontal são as fi bras principais, que são colágenas e organizadas em feixes, e seguem um curso ondulado quando visualiz adas em seção longitudinal ( Fig. 2-31 ). As porções terminais das fi bras principais que são inse- ridas no cemento e osso são denominadas f ibras de S harpey ( Fig. 2-32 ). Os feixes da fi bra principal consistem em fi bras indivi- duais que formam uma rede anastomosada contínua entre o dente e o osso. 25,29 Uma vez embebidas na parede do alvéolo ou no dente, as fi bras de Sharpey calcifi cam em grau signifi cativo. Elas estão asso- ciadas a abundantes proteínas não colágenas tipicamente encon- tradas no osso e também r ecentemente identifi cadas no cemento dentário. 33,134,177 Notável entre essas proteínas estão a osteopontina e a sialoproteína do osso. Acredita-se que essas proteínas contribuam com a regularização da mineralização e com a coesão tecidual nos sítios de força biomecânica elevada. 177 O colágeno é uma proteína composta de diferentes aminoácidos, os mais importantes dos quais são a prolina, a hidroxilisina e a hi- droxiprolina. 52 A quantidade de colágeno em um tecido pode ser determinada por seu conteúdo de hidroxiprolina. O colágeno é res- ponsável pela manutenção de um arcabouço e de uma modulação tecidual, e exibe ampla variedade de diversidades. 83 Existem pelo menos 19 espécies de colágeno r econhecidas codificadas por pelo menos 25 genes separados, dispersos entre 12 cromossomos. 83 A biossíntese do colágeno ocorre no interior dos fi broblastos para formar as moléculas de tropocolágeno. Estas agregam-se em microfi - brilas que são acondicionadas juntas para formar as fi brilas. As fi brilas colágenas possuem uma estriação transversa com periodicidade ca- racterística de 64 nm; essa estriação é causada pelo arranjo sobreposto das moléculas de tropocolágeno. Nos colágenos tipos I e I II, essas fi brilas associam-se para formar as fi bras, e no colágeno tipo I as fi bras associam-se para formar os feixes ( Fig. 2-33 ). O colágeno é sintetizado pelos fi broblastos, condroblastos, os- teoblastos, odontoblastos e outras células. Os diversos tipos de colá- geno são distinguíveis através da sua composição química, distribuição, função e morfologia. 140 As fi bras principais são compostas princi- palmente do colágeno tipo I, 216 enquanto as fi bras reticulares são compostas de colágeno tipo III. O colágeno tipo IV é encontrado na lâmina basal. 217,219 A expressão do colágeno tipo XII durante o de- senvolvimento dentário é cronometrada com o alinhamento e a organização das fi bras periodontais e limitada no desenvolvimento dentário pelas células dentro do ligamento periodontal. 166 O colágeno tipo IV também foi imunolocalizado no ligamento per iodontal e gengiva. 86 A confi guração molecular das fi bras colágenas fornece então uma resistência à tração maior do que a do aço . Consequentemente, o colágeno transmite uma combinação única de fl exibilidade e resis- tência aos tecidos. 140 As fi bras principais do ligamento periodontal estão arranjadas em seis grupos que se desenvolvem sequencialmente no desenvolvi- mento radicular: as fi bras transeptais, da crista alveolar, horizontais, oblíquas, apicais e inter-radiculares ( Fig. 2-34 ). Grupo Transeptal . As fi bras transeptais estendem-se inter- proximalmente sobre a cr ista óssea al veolar e estão embebidas no cemento dos dentes adjacentes ( Fig. 2-35 ). Elas são r econstruídas mesmo após a destr uição do osso al veolar devido à doenç a perio- dontal. Essas fi bras podem ser consideradas como per tencentes à gengiva, pois não possuem inser ção óssea. Figura 2-32 Fibras colágenas embebidas no cemento ( esquerda ) e osso ( direita ) — corante de prata. Observe as fi bras de Sharpey dentro do feixe ósseo ( BB ) sobrejacente ao osso lamelar. Figura 2-31 As fi bras pr incipais do ligamento per iodontal seguem um curso ondulado quando seccionadas longitudinalmente. A função formativa do ligamento per iodontal é ilustrada pelos osteoides e osteoblastos recém-formados ao longo da super fície óssea pr eviamente r eabsorvida ( esquerda ) e os cementoides e cementoblastos ( direita ). O bserve as fi bras embebidas nos tecidos c alcifi cados em formação ( setas ). V , canais vasculares. Feixe Fibra Microfibrila Fibrila Figura 2-33 Microfi brilas colágenas, fi brilas, fi bras e feixes. C0565.indd 28C0565.indd 28 2/8/13 5:41:55 PM2/8/13 5:41:55 PM 29CAPÍTULO 2 Anatomia do Periodonto Grupo da Crista Alveolar . As fi bras da crista alveolar esten- dem-se obliquamente do cemento logo abaixo do epitélio juncional da crista alveolar ( Fig. 2-36 ). As fi bras também correm do cemento sobre a crista alveolar à camada fi brosa do periósteo cobrindo o osso alveolar. As fi bras da crista alveolar previnem a extrusão do dente 54 e resistem aos movimentos dentários laterais. A incisão dessas fi bras durante a cirurgia periodontal não aumenta a mobilidade dentár ia a menos que tenha ocorr ido perda signifi cativa de inserção. 99 Grupo Horizontal . As fi bras hor izontais estendem-se em ângulo r eto ao longo do eixo do dente , do cemento ao osso alveolar. Grupo Oblíquo . As fi bras oblíquas, o maior gr upo no liga- mento per iodontal, estendem-se do cemento em dir eção coronal obliquamente ao osso ( Fig. 2-34 ). Elas sustentam o peso do estresse mastigatório vertical e o transformam em tensão no osso alveolar. Grupo Apical . As fi bras apic ais irradiam-se de maneira bas- tante irregular do cemento ao osso na região apical do alvéolo. Elas não ocorrem nas raízes incompletamente formadas. Grupo Inter-radicular . As fi bras inter-radiculares espa- lham-se do cemento do dente nas ár eas de fur ca dos dentes multirradiculares. Outros feixes de fi bra bem formados interdigitam em ângulos retos ou afunilam-se ao redor e entre os feixes de fi bra arranjados regularmente. Fibras colágenas arranjadas menos regularmente são encontradas no tecido conjuntivo intersticial entre os grupos de fi bra principal; esse tecido contém os vasos sanguíneos, linfáticos e nervos. Embora o ligamento periodontal não contenha elastina madura, duas formas imaturas são encontradas: oxitalânica e elaunina. As fibras também denominadas oxitalânicas 92,105 correm paralelas à superfície radicular em direção vertical e inclinam-se para se inserir no cemento 92 no terço cervical da raiz. Acredita-se que elas regulem o fl uxo vascular. 91 Uma malha elástica foi descrita no ligamentoperiodontal 135 como sendo composta de muitas lamelas de elastina com fi bras oxitalânicas periféricas e fi bras de elaunina. Foi demons- trado que as fi bras oxitalânicas desenvolvem-se novamente no liga- mento periodontal regenerado. 224 As fi bras periodontais são remodeladas pelas células do ligamento periodontal para se adaptar às necessidades fi siológicas 270,300 e em resposta aos diferentes estímulos. 282 Além desses tipos de fi bras, pequenas fi bras colágenas associadas às fi bras colágenas principais maiores foram descritas. Essas fi bras correm em todas as direções, formando um plexo chamado plexo fi brilar indiferente. 249 Elementos Celulares Quatro tipos de células foram identifi cadas no ligamento periodontal: células do tecido conjuntivo, células epiteliais, células do sistema imune e células associadas aos elementos neurovasculares. 26 As células do tecido conjuntivo incluem fi broblastos, cementoblastos e osteoblastos. Os fi broblastos são as células mais comuns no liga- mento periodontal e aparecem como células ovoides ou alongadas orientadas ao longo das fi bras principais, exibindo processos como Figura 2-34 Diagrama dos grupos da fi bra principal. Figura 2-35 Fibras transeptais ( F ) na cr ista do osso inter dental. Figura 2-36 Secção de um molar de rato mostrando as fi bras da cr ista alveolar radiando-se coronalmente. C0565.indd 29C0565.indd 29 2/8/13 5:41:55 PM2/8/13 5:41:55 PM PARTE 1 O Periodonto Normal30 pseudopodia. 215 Essas células sintetizam colágeno e possuem a c a- pacidade de fagocitar as fi bras colágenas “velhas” e as degradam 270 através da hidrólise enzimática. Portanto, a renovação do colágeno parece ser regulada pelos fi broblastos em um processo de degradação intracelular do colágeno não envolvendo a ação da colagenase. 24 Existem subpopulações de fi broblastos fenotipicamente distintas e funcionalmente diferentes no ligamento periodontal adulto. Elas parecem idênticas nos níveis de microscopia óptica e eletrônica, 117 mas possuem diferentes funções, como secreção de diferentes tipos de colágeno e produção de colágeno. Os osteoblastos e os cementoblastos, assim como os osteoclastos e os odontoclastos, também foram obser vados no cemento e nas superfícies ósseas do ligamento periodontal. Os restos epiteliais de Malassez formam uma treliça no ligamento periodontal e aparecem como aglomerados isolados de células ou fi lamentos entrelaçados ( Fig. 2-37 ), dependendo do plano de corte da seção microscópica. A continuidade com o epitélio juncional foi sugerida em experimentos animais. 108 Os restos epiteliais são consi- derados remanescentes da bainha radicular de Her twig, a qual se desintegra durante o desenvolvimento radicular ( Fig. 2-37 , A). Os restos epiteliais estão distr ibuídos próximo ao cemento por todo o ligamento periodontal da maior parte dos dentes e são mais numerosos na área apical 212 e na área cervical. 284,285 Eles diminuem em número com a idade 254 através de degeneração ou desapareci- mento ou sofrem calcifi cação para tornarem-se cementículos. As células são circundadas por uma lâmina basal distinta, interconectadas por hemidesmossomos e contêm tonofi lamentos. 24 Apesar de suas propriedades funcionais ainda serem consideradas pouco claras, 265 foi relatado que os restos epiteliais contêm fatores de crescimento de queratinócitos e têm sido mostrados como posi- tivos para o receptor de neurotrofi na tirosina-quinase A. 94,286,296 Além disso, os restos epiteliais proliferam quando estimulados 266,271,280 e participam da formação dos cistos per iapicais e cistos radiculares laterais. As células de defesa no ligamento periodontal incluem neutrófi los, linfócitos, macrófagos, mastócitos e eosinófi los. Essas células, assim como aquelas associadas aos elementos neurovasculares, são similares às células nos outros tecidos conjuntivos Substância Fundamental O ligamento periodontal também contém grande proporção de substância fundamental, preenchendo os espaços entre as fi bras e as células. Ela consiste em dois componentes principais: glicosamino- glicanos, como o ácido hialurônico e os proteoglicanos, e glicopro- teínas, como a fi bronectina e a laminina. A substância fundamental também possui alto conteúdo de água (70%). Os proteoglicanos da superfície celular participam de diversas funções biológicas, incluindo adesão celular, interações célula-célula e célula-matriz, ligação a vários fatores de crescimento como corre- ceptores, e reparo celular. 297 Por exemplo, a fi bromodulina , pequeno proteoglicano rico em sulfato de queratano e leucina, foi recente- mente identifi cado no ligamento periodontal bovino. 288 Um estudo mais detalhado dos proteoglicanos no ligamento per iodontal foi realizado usando culturas de fi broblastos do ligamento humano. 151 O ligamento periodontal também pode conter massas calcifi cadas denominadas cementículos , os quais estão ader idos ou desinseridos das superfícies radiculares ( Fig. 2-38 ). Os cementículos podem desenvolver-se dos restos epiteliais calcifi cados, ao redor de pequenas espículas de cemento ou osso al- veolar traumaticamente deslocado dentro do ligamento periodontal, das fi bras de Sharpey calcifi cadas e de vasos calcifi cados e trombo- sados dentro do ligamento periodontal. 182 Funções do Ligamento Periodontal As funções do ligamento per iodontal são categorizadas em física, formativa e remodeladora, nutricional e sensitiva. Funções Físicas . As funções físicas do ligamento per iodontal compreendem as seguintes: 1. Provisão de um “invólucro” de tecido mole para pr oteger os vasos e ner vos da lesão oc asionada por forças mecânicas. 2. Transmissão das forças oclusais ao osso. 3. Inserção dos dentes ao osso . 4. Manutenção dos tecidos gengivais nas suas r elações apr o- priadas com os dentes. 5. Resistência ao impacto das for ças oclusais (absorção do choque). Figura 2-37 Restos epiteliais de Malassez. A, Dente em erupção em gato . F ragmentação da bainha radicular de Hertwig dando or igem aos r estos epiteliais loc alizados ao longo e pr óximo da super fície radicular . B, Ligamento periodontal humano com r estos epiteliais em formato de roseta ( setas ) localizados próximo ao cemento ( C ). C0565.indd 30C0565.indd 30 2/8/13 5:42:02 PM2/8/13 5:42:02 PM 31CAPÍTULO 2 Anatomia do Periodonto Resistência ao Impacto das Forças Oclusais (Absor- ção do Choque) . Duas teor ias r elativas ao mec anismo de suporte dentário foram consideradas: as teor ias tensional e do sis- tema viscoelástico. A teoria tensional do suporte dentário afi rma que as fi bras prin- cipais do ligamento per iodontal são o pr incipal fator no suporte dentário e na transmissão de forças ao osso. Quando a força é apli- cada na coroa, as fi bras principais primeiro desdobram-se e endirei- tam-se e, depois, transmitem as forças ao osso alveolar, causando deformação elástica do alvéolo ósseo. Finalmente, quando o osso alveolar atingiu seu limite, a carga é transmitida ao osso basal. Muitos investigadores acharam essa teor ia insufi ciente para explicar a evi- dência experimental disponível. A teoria do sistema viscoelástico afi rma que o deslocamento dentário é altamente controlado pelos movimentos do fl uido, com as fi bras pos- suindo apenas papel secundário. 31,44 Quando as forças são transmitidas ao dente, o fl uido extracelular passa do ligamento periodontal para os espaços medulares do osso através de foraminas na lâmina cribriforme. Essas perfurações da lâmina cribriforme conectam o ligamento perio- dontal à porção esponjosa do osso alveolar e são mais abundantes noterço cervical do que nos terços médio e apical ( Fig. 2-39 ). Após depleção dos fl uidos teciduais, os feixes de fi bra absorvem a frouxidão e encurtam-se. Isso leva à estenose do vaso sanguíneo. A contrapressão arterial causa dilatamento dos vasos e a passagem dos ultrafi ltrados de sangue para o interior dos tecidos, causando assim a reposição dos fl uidos teciduais. 31 Transmissão das Forças Oclusais ao Osso . O arranjo das fi bras pr incipais é similar a uma ponte suspensa ou uma r ede. Quando uma for ça axial é aplic ada a um dente , ocorre tendência de deslocamento da raiz para dentr o do alvéolo. As fi bras oblíquas alteram o seu padrão ondulado, não tensionado, assumem seu com- primento total e sustentam a maior par te da for ça axial. Q uando uma força horizontal ou de basculamento é aplicada, ocorrem duas fases do movimento dentário. A primeira ocorre dentro dos limites do ligamento per iodontal, e a segunda pr oduz um desloc amento das lâminas ósseas v estibular e lingual. 71 O dente r otaciona sobre um eixo que pode alterar conforme a for ça aumenta. A porção apical da raiz move-se na direção oposta à porção co- ronal. Em áreas de tensão, os feixes de fi bra principal estão esticados em vez de ondulados. Em áreas de pressão, as fi bras são comprimidas, o dente é deslocado e existe distorção correspondente do osso na direção do movimento radicular. 207 Em dente unirradicular, o eixo de rotação está localizado na área entre os terços apical e médio da raiz ( Fig. 2-40 ). O ápice radicular 187 e a metade coronal da raiz clínica foram sugeridos como outras lo- calizações do eixo de rotação. O ligamento periodontal, que possui forma de ampulheta, é mais estreito na região do eixo de rotação 67,147 ( Tabela 2-1 ). Nos dentes multirradiculares, o eixo de rotação está localizado no osso entre as raízes ( Fig. 2-41 ). Em conformidade com a migração fi siológica mesial dos dentes, o ligamento periodontal é mais fi no na superfície radicular mesial do que na superfície distal. Função Formativa e Remodeladora . O ligamento perio- dontal e as células do osso al veolar estão expostos a for ças f ísicas em resposta a mastigaç ão, parafunção, fala e movimento dentár io ortodôntico. 175 As células do ligamento per iodontal participam da formação e r eabsorção do cemento e osso , que ocorr em no movi- mento dentário fi siológico, da acomodação do periodonto às forças oclusais e do r eparo das lesões. Variações na atividade enzimática celular estão correlacionadas com o processo de remodelação. 96-98 Embora forças aplicadas possam Figura 2-38 Cementículos no ligamento per iodontal: um está livr e e o outro aderido à super fície dentária. Figura 2-39 Foramina perfurando a lâmina dura (mandíbula de c achorro). Figura 2-40 Esquerda , Diagrama do dente (pré-molar inferior) em estado de repouso. Direita , Quando uma for ça é exer cida no dente , nesse c aso na direção vestibulolingual ( seta ), o dente r otaciona ao r edor do fulcr o ou do eixo de rotação (círculo preto na raiz). O ligamento per iodontal é compr i- mido nas áreas de pressão e distendido nas ár eas de tensão. C0565.indd 31C0565.indd 31 2/8/13 5:42:03 PM2/8/13 5:42:03 PM PARTE 1 O Periodonto Normal32 induzir alterações vasculares e infl amatórias reativas nas células do ligamento periodontal, evidência atual sugere que essas células pos- suem um mecanismo para responder diretamente às forças mecânicas através da ativação de vários sistemas sinalizadores mecanossensiti- vos, incluindo a adenilato ciclase, os canais iônicos ativados por es- tiramento e por alterações na organização do citoesqueleto. 175 A formação de cartilagem no ligamento per iodontal, embora incomum, pode representar um fenômeno metaplásico no r eparo desse ligamento após lesão. 20 O ligamento periodontal está constantemente sofrendo remode- lação. As células velhas e as fi bras são quebradas e substituídas por novas, e a atividade mitótica pode ser observada nos fi broblastos e nas células endoteliais. 188 Os fi broblastos formam as fi bras colágenas, e as células mesenquimais residuais desenvolvem-se em osteoblastos e cementoblastos. Portanto, a taxa de formação e diferenciação dos osteoblastos, cementoblastos e fi broblastos afeta a taxa de formação do colágeno, cemento e osso. Estudos radioautográfi cos com timidina, prolina e glicina radio- ativas indicam alta taxa de renovação de colágeno no ligamento periodontal. A taxa da síntese de colágeno é duas vezes mais rápida do que aquela na gengiva e quatro vezes mais rápida do que a da pele, como estabelecido no molar de rato. 256 Também ocorre rápida reno- vação dos glicosaminoglicanos sulfatados nas células e na substância fundamental amorfa do ligamento periodontal. 21 Deve ser notado que a maior ia desses estudos foi realizada em roedores, e a informação em primatas e humanos é escassa. 238 Funções Nutricionais e Sensitivas . O ligamento per io- dontal fornece nutr ientes ao cemento , ao osso e à gengiva atrav és de vasos sanguíneos e também provê a drenagem linfática (discussão posterior). Em relação a outros ligamentos e tendões, o ligamento periodon- tal é um tecido altamente vascularizado e quase 10% do seu volume no molar de roedores é de vasos sanguíneos. 35,176 Esse conteúdo re- lativamente alto de vaso sanguíneo pode fornecer um amortecimento hidrodinâmico às forças aplicadas, assim como altas taxas de perfusão ao ligamento periodontal. 175 O ligamento periodontal é abundantemente supr ido com fi bras nervosas sensitivas capazes de transmitir sensações táteis, pressóricas e álgicas através do trajeto trigeminal. 14,30 Os feixes nervosos passam dentro do ligamento periodontal da área periapical e através dos canais do osso alveolar que seguem o curso dos vasos sanguíneos. Os feixes dividem-se em fi bras mielínicas únicas, que por fi m perdem suas bainhas de mielina e terminam em um dos quatro tipos de terminação neural: (1) terminações livres, que possuem confi guração semelhante a uma árvore e carregam a sensação de dor; (2) mecanorreceptores parecidos com Ruffi ni, localizados principalmente na área apical; (3) corpúsculos espiralados de Meissner, também mecanorreceptores, encontrados principalmente na região do terço médio radicular; e (4) terminações fusiformes de pressão e vibração, as quais são circundadas por uma cápsula fi brosa e localizadas principalmente no ápice. 91,168 Regulação da Largura do Ligamento Periodontal . Algumas das características mais interessantes do ligamento periodon- tal em seres humanos são a sua adaptabilidade para alterar rapidamente a força aplicada e sua capacidade de manter sua largura nas dimensões constantes por toda a vida. 176 Essas são medidas impor tantes da homeostase do ligamento per iodontal, fornecendo informações sobr e a função dos mecanismos biológicos que fortemente regulam o meta- bolismo e as organizações espaciais das populações celulares envolvidas na formação do osso, do cemento e das fi bras do ligamento periodon- tal. Além disso , a c apacidade das células do liga mento per iodontal TABELA 2-1 Espessura do Ligamento Periodontal de 172 Dentes de 15 Seres Humanos Média da Crista Alveolar (mm) Média do Terço Médio Radicular (mm) Média do Ápice (mm) Média Dentária (mm) Idades 11–1 683 dentes de 4 mandíbulas 0,23 0,17 0,24 0,21 Idades 32-50 36 dentes de 5 mandíbulas 0,20 0,14 0,19 0,18 Idades 51–67 35 dentes de 5 mandíbulas 0,17 0,12 0,16 0,15 Idade 24 (1 caso) 18 dentes de 1 mandíbula 0,16 0,09 0,15 0,13 Modifi cada de Coolidge ED: J Am Dent Assoc 24:1260, 1937. Figura 2-41 Vista microscópica de um molar de rato submetido a for ças ocluso-horizontais.O bserve as ár eas alternadas alargadas e estr eitas do ligamento periodontal conforme o dente r otaciona ao redor do seu eixo de rotação. O eixo de r otação é o espaço inter-radicular . C0565.indd 32C0565.indd 32 2/8/13 5:42:04 PM2/8/13 5:42:04 PM 33CAPÍTULO 2 Anatomia do Periodonto em sintetizar e secr etar grande var iedade de moléculas r eguladoras é um componente essencial da r emodelação tecidual e da homeostase do ligamento periodontal. 175 CEMENTO O cemento é um tecido mesenquimal calcifi cado e avascular que forma a cobertura externa da raiz anatômica. Os dois tipos pr incipais de cemento são o acelular ( primário ) e o celular ( secundário ). 106 Ambos consistem em uma matriz interfi brilar calcifi cada e fi brilas colágenas. As duas principais fontes de fi bras colágenas no cemento são (1) as fi bras de Sharpey ( extrínsecas ), as quais são a porção embebida das fi bras principais do ligamento periodontal 219 e formadas pelos fi bro- blastos; e (2) as fi bras que pertencem à matriz do cemento ( intrín- secas ), que são produzidas pelos cementoblastos. 246 Os cementoblastos também formam os componentes não colagenosos da substância fundamental interfi brilar como os proteoglicanos, as glicoproteínas e as fosfoproteínas. Os proteoglicanos mais provavelmente exercem um papel na regulação das interações célula-célula e célula-matr iz, ambas no desenvolvimento normal, assim como na regeneração do cemento. 17 Além disso, estudos imuno-histoquímicos mostraram que a distribuição dos proteoglicanos está intimamente associada aos cementoblastos e cementócitos. 1,2 A maior proporção da matriz orgânica do cemento é composta de colágenos tipo I (90%) e tipo III (cerca de 5%). As fi bras de Sharpey, que constituem uma proporção considerável do volume do cemento, são compostas principalmente de colágeno tipo I. 211 O colágeno tipo III parece revestir as fi bras de Sharpey de colágeno tipo I. 16 O cemento acelular é o pr imeiro cemento formado, cobrindo aproximadamente o terço cervical ou metade da raiz, e não contém células ( Fig. 2-42 ). O cemento é formado antes de o dente atingir o plano oclusal, e sua espessura var ia de 30-230 � m. 254 As fi bras de Sharpey constituem a maior parte da estrutura do cemento acelular, o qual possui o papel pr incipal no suporte dentário. A maioria das fi bras está inserida, aproximadamente, em ângulo reto com a super- fície radicular e penetra profundamente no cemento, mas outras entram em diversas direções. Seu tamanho, número e distribuição aumentam com a função. 125 As fi bras de Sharpey são completamente calcifi cadas, com os cristais minerais orientados paralelos às fi brilas, assim como na dentina e no osso , exceto em uma z ona ampla de 10-50 � m próximo à junção cementodentinária, onde elas são apenas parcialmente calcifi cadas. As porções periféricas das fi bras de Sharpey no cemento ativamente mineralizado tendem a ser mais calcifi cadas do que nas regiões interiores, de acordo com evidência obtida através da microscopia eletrônica de varredura. 139 O cemento acelular tam- bém contém fi brilas colágenas intrínsecas, as quais são calcifi cadas e irregularmente arranjadas ou paralelas à superfície. 238 O cemento celular formado após o dente ter atingido o plano oclusal, é mais irregular e contém células (cementócitos) em espaços individuais (lacunas) que se comunicam umas com as outras através de um sistema anastomosante de canalículos ( Fig. 2-43 ). O cemento celular é menos calcifi cado do que o tipo acelular. 126 As fi bras de Sharpey ocupam uma porção menor do cemento celular e são sepa- radas pelas outras fi bras que estão arranjadas paralelas à super fície radicular ou de maneira irregular. As fi bras de Sharpey podem estar completa ou parcialmente calcifi cadas ou podem possuir núc leo central não calcifi cado circundado por uma borda calcifi cada. 137,246 Os cementos acelular e celular estão arranjados em lamelas sepa- radas por linhas incr ementais paralelas ao longo eixo da raiz ( Figs. 2-42 e 2-43 ). Essas linhas representam “períodos de repouso” na formação de cemento e são mais mineralizadas do que o cemento adjacente. 220 Além disso, a perda da parte cervical do epitélio redu- zido do esmalte no momento da er upção dentária pode colocar porções do esmalte maduro em contato com o tecido conjuntivo, o qual então depositará um cemento acelular do tipo afi brilar sobre o esmalte. 159 Figura 2-42 Cemento acelular ( AC ) mostrando linhas incr ementais cor- rendo paralelas ao longo eixo do dente . Essas linhas r epresentam o cresci- mento aposicional do cemento . O bserve as linhas fi nas e le ves corr endo dentro do cemento perpendicular à superfície; elas representam as fi bras de Sharpey do ligamento per iodontal ( PL ). D , dentina (300 × ). Figura 2-43 Cemento celular ( CC ) mostrando os cementócitos r epou- sando no inter ior das lacunas. O cemento celular é mais espesso do que o cemento acelular ( Fig. 2-45 ). Também existe evidência de linhas incremen- tais, mas elas são menos distintas do que no cemento acelular . As células adjacentes à superfície do cemento no espaço do ligamento periodontal ( PL ) são os cementoblastos. D , dentina (300 × ). C0565.indd 33C0565.indd 33 2/8/13 5:42:05 PM2/8/13 5:42:05 PM PARTE 1 O Periodonto Normal34 Com base nesses achados, Schroeder 135,136 classifi cou o cemento da seguinte forma: Cemento acelular afi brilar (CAA) não contém células nem fi bras colágenas extr ínsecas e intr ínsecas, exceto por uma subs- tância fundamental mineralizada. O CAA é um produto dos cementoblastos e encontrado no cemento cor onário em humanos, com espessura de 1-15 � m. Cemento acelular de fi bras extrínsecas (CAFE) é composto quase inteiramente de feixes densamente compactados de fi bras de Sharpey e não possui células. O C AFE é pr oduzido por fi broblastos e cementoblastos e é encontrado no terço cervi- cal das raízes em seres humanos, mas pode estender-se mais apicalmente. Sua espessura está entr e 30-230 � m. Cemento celular estratifi cado misto (CCEM) é composto de fi bras extrínsecas (S harpey) e fi bras intr ínsecas, e pode conter células. O CCEM é um coproduto dos fi broblastos e cemen- toblastos, e em ser es humanos apar ece pr incipalmente no terço apic al das raíz es e ápices e nas ár eas de fur ca. S ua espessura varia de 100-1.000 � m. Cemento celular de fi bras intrínsecas (CCFI) contém células, mas não fi bras colágenas extr ínsecas. O C CFI é formado por cementoblastos e, nos seres humanos, preenche as lacunas de reabsorção. O cemento intermediário é uma z ona pobremente defi nida pró- xima à junção cementodentinária de certos dentes que parece conter remanescentes celulares da bainha de Hertwig embe- bido em uma substância fundamental c alcifi cada. 80,155 O conteúdo inorgânico do cemento (hidroxiapatita Ca 10 [Po 4 ] 6 [OH] 2 ) é de 45-50%, o que é menor do que o do osso (65%), do esmalte (97%) ou da dentina (70%). 304 As opiniões diferem sobre se a microdureza aumenta 192 ou diminui com a idade, 287 e nenhuma relação foi estabele- cida entre a idade e o conteúdo mineral do cemento. É bem conhecido que os extratos de proteína do cemento maduro promovem a adesão celular e a migração celular, e estimulam a síntese proteica dos fi broblastos gengivais e das células do ligamento perio- dontal. 230 Estudos sobre o cemento identifi caram proteínas de adesão com RGD motifs (sequências Arg-Gli-Asp): sialoproteína óssea, osteopontina e osteonectina. 40,177 A sialoproteína óssea e a osteopon- tina são expressas durante o desenvolvimento inicial da raiz dentária através de células ao longo da superfície radicular, e acredita-se quepossuam papel importante na diferenciação das células progenitoras de cementoblastos em cementoblastos. 111,230 Algumas das moléculas únicas ao cemento foram descritas. Um estudo recente investigou o papel da proteína de adesão ao cemento (CAP), uma proteína colágena derivada do cemento. Foi demons- trado que a CAP promove a adesão e disseminação dos tipos celulares mesenquimais, com os osteoblastos e os fi broblastos do ligamento periodontal mostrando melhor adesão do que os fi broblastos gengi- vais e os queratinócitos. 225 Além disso, Ikewaza et al . 124 relataram a caracterização do fator de crescimento derivado do cemento (CGF), o qual é uma molécula de fator de cr escimento tipo I semelhante à insulina. O CGF mostrou aumentar a proliferação dos fi broblastos gengivais e das células do ligamento periodontal. Permeabilidade do Cemento Em animais muito jovens, o cemento acelular e o cemento celular são muito permeáveis e permitem a difusão de corantes da polpa e da superfície radicular externa. A permeabilidade do cemento dimi- nui com a idade. 36 Junção Amelocementária O cemento na junção amelocementária e imediatamente adjacente a ela é de especial impor tância nos procedimentos de raspagem radicular. Três tipos de reações envolvendo o cemento podem existir na JAC. 193 Em cerca de 60-65% dos c asos, o cemento sobrepõe o esmalte ( Fig. 2-44 ); em cerca de 30% existe uma junção de topo de margem com margem; e em 5-10%, o cemento e o esmalte não se encontram. No último caso, a recessão gengival pode resultar em sensibilidade acentuada devido à dentina exposta. Junção Cementodentinária A área apical terminal do cemento onde ele encontra a dentina do canal radicular interno é conhecida como junção cementodentinária ( JCD). Quando o tratamento do canal radicular é executado, o material obturador deve estar na JCD. Parece não haver aumento nem dimi- nuição na espessura da JCD com a idade; sua espessura parece man- ter-se relativamente estável. 259 A microscopia eletrônica de varredura dos dentes humanos revela que a JCD possui 2-3 � m de largura. A camada pobre em fi brilas contém quantidade signifi cativa de proteo- glicanos e fi brilas misturadas entre o cemento e a dentina. 298,299 Espessura do Cemento A deposição de cemento é um processo contínuo que progride em taxas variáveis através de toda a vida. A formação do cemento é mais rápida nas regiões apicais, onde ela compensa a erupção dentária, a qual por si só compensa o atrito. A espessura do cemento na metade cor onária da raiz var ia de 16-60 � m ou cerca da espessura de um cabelo. Ele atinge sua maior espessura (cerca de 150-200 � m) no terço apical e nas áreas de furca. É mais espesso nas superfícies distais do que nas superfícies mesiais, provavelmente por causa da estimulação funcional da direção mesial ao longo do tempo. 70 Entre 11-70 anos de idade, a espessura média do cemento aumenta três vezes mais, com o maior aumento na região apical. Espessuras médias de 95 � m na idade de 20 anos e 215 � m na idade de 60 anos foram relatadas. 303 Anormalidades na espessura do cemento podem var iar desde ausência ou escassez do cemento celular ( aplasia cementária ou hipo- plasia ) a uma deposição excessiva de cemento ( hiperplasia cementária ou hipercementose ). 154 O termo hipercementose refere-se a uma espessura proeminente do cemento. Ela é um fenômeno altament e relacionado à idade e pode estar localizada em um dente ou afetar toda a dentição. Devido à variação fi siológica considerável na espessura do cemento entr e diferentes dentes na mesma pessoa e também entr e indivíduos dife- rentes, a distinção entre hipercementose e espessamento fi siológico do cemento é, algumas vezes, difícil. Todavia, a proliferação excessiva do cemento pode ocorrer em amplo espectro de condições neoplá- sicas e não neoplásicas, incluindo cementoblastoma benigno, fi broma cementifi cante, displasia cementária periapical, displasia cemento- óssea fl orida e outras lesões fi bro-ósseas benignas. 154 D 30% D 60-65% D 5-10%A B C Figura 2-44 Variações normais da mor fologia dentária na junção amelo- cementária. A , Espaço entr e o esmalte e o cemento com dentina ( D ) exposta. B , Relação topo a topo do esmalte e cemento . C , Cemento sobre- pondo o esmalte. C0565.indd 34C0565.indd 34 2/8/13 5:42:06 PM2/8/13 5:42:06 PM 35CAPÍTULO 2 Anatomia do Periodonto A hipercementose ocorre como espessamento generalizado do cemento, com aumento nodular do terço apical da raiz. Ela também aparece na forma de excrescências semelhantes a espinhos (picos cementários) criados tanto pela coalescência de cementículos que aderem à raiz quanto pela c alcifi cação das fi bras periodontais nas áreas de inserção no cemento. 155 Radiografi camente, uma sombra radiolúcida do ligamento perio- dontal e uma lâmina dura radiopaca são quase sempre observadas na borda externa de uma área de hipercementose, envelopando-a con- forme estaria no cemento normal. 154 Por outro lado, de um ponto de vista diagnóstico, a displasia cementária periapical, a osteíte conden- sante e a osteopetrose periapical focal podem ser diferenciadas da hipercementose, pois todas estas entidades estão loc alizadas fora da sombra do ligamento periodontal e da lâmina dura. 295 A etiologia da hipercementose varia e não está completamente compreendida. O tipo de hipercementose em forma de espinho geralmente resulta da tensão excessiva dos apar elhos ortodônticos ou das forças oclusais. O tipo generalizado ocorre em uma variedade de circunstâncias. Em dentes sem antagonistas, a hipercementose é interpretada como um esforço de manter o r itmo com a erupção dentária excessiva. Em dentes sujeitos a baixo grau de irr itação pe- riapical devido a uma doença periodontal, ela é considerada uma compensação para a inserção fi brosa destruída do dente. O cemento é depositado adjacente ao tecido per iapical infl amado. A hiperce- mentose de toda a dentição pode ocorrer em pacientes com doença de Paget. 223 Outros distúrbios sistêmicos que podem levar à hiper- cementose ou associar-se a ela incluem acromegalia, artrite, calcinose, febre reumática e bócio da tireoide. 154 A hipercementose por si só não r equer tratamento. Ela pode representar um problema se o dente afetado necessitar de extraç ão. Nos dentes multirradiculares, o seccionamento do dente pode ser necessário antes da extração. 19 Reabsorção e Reparo do Cemento Os dentes permanentes não sofrem reabsorção fi siológica como os dentes decíduos. Contudo, o cemento dos dentes erupcionados, assim como dos não erupcionados, está sujeito a alterações reabsortivas que podem ser de proporção microscópica ou sufi cientemente extensas para apresentar uma alteração radiografi camente detectável no con- torno radicular. A reabsorção microscópica do cemento é extremamente comum; em um estudo, ela ocorreu em 236 dos 261 dentes (90,5%). 120 O número médio das áreas de reabsorção por dente foi de 3,5. Das 922 áreas de reabsorção, 708 (76,8%) estavam localizadas no terço apical da raiz, 177 (19,2%) no terço médio e 37 (4,0%) no terço gengival. Aproximadamente 70% de todas as ár eas de reabsorção estavam confi nadas ao cemento sem envolvimento da dentina. A reabsorção do cemento pode ser causada por fatores locais ou sistêmicos ou ocorrer sem etiologia aparente (isto é, idiopática). As condições locais que causam reabsorção do cemento incluem trauma oclusal 198 ( Fig. 2-45 ); movimento ortodôntico; 119,197,222 pressão oca- sionada por dentes em erupção mal alinhados, cistos e tumores, 146 dentes sem antagonistas funcionais; dentes inclusos, replantados ou transplantados; 3,137 doença periapical; e doença periodontal. As condiçõessistêmicas citadas como predispondo ou induzindo a reabsorção do cemento incluem defi ciência de cálcio, 138 hipotireoidis- mo, 23 osteodistrofi a fi brosa hereditária 274 e doença de Paget. 233 A reabsorção do cemento aparece microscopicamente como concavidades semelhantes a baías na superfície radicular ( Fig. 2-46 ). As células gigantes multinucleadas e os grandes macrófagos mononu- cleares são geralmente encontrados adjacentes ao cemento submetido à reabsorção ativa ( Fig. 2-47 ). Diversos sítios de reabsorção podem coalescer para formar uma grande área de destruição. O processo de reabsorção pode estender-se para a dentina subjacente e até mesmo para a polpa, mas é usualmente indolor. A reabsorção do cemento não é necessariamente contínua e pode alternar com per íodos de reparo e de deposição de novo cemento. O cemento recém-formado é demarcado da raiz por uma linha profunda de coloração irregular, denominada linha de reversão , que delimita a borda da reabsorção prévia. Estudo recente mostrou que as linhas de reversão nos dentes humanos contêm poucas fi brilas colágenas e altamente acumuladas de proteoglicanos com mucopolissacarídeos (glicosaminoglicanos) e que essa fi brila misturada ocorre somente em alguns locais entre o Figura 2-45 Reabsorção do cemento associada a for ças oc lusais exces- sivas. A , S ecção histológic a de pequeno aumento dos dentes anter iores inferiores. B , Micrografi a de grande aumento do ápice do incisiv o central esquerdo encurtado pela reabsorção do cemento e dentina. Observe o reparo parcial das áreas erodidas ( setas ) e cementículo na dir eita superior. C0565.indd 35C0565.indd 35 2/8/13 5:42:06 PM2/8/13 5:42:06 PM PARTE 1 O Periodonto Normal36 cemento reparador e a dentina reabsorvida ou cemento. 298,299 As fi - bras embebidas do ligamento periodontal restabelecem uma relação funcional no novo cemento. O reparo do cemento requer a presença de tecido conjuntivo viável. Se o epitélio proliferar dentro de uma área de reabsorção, o reparo não ocorrerá. O reparo do cemento pode ocorrer em dentes desvitalizados, assim como nos dentes vitais. Evidência histológica demonstra que a formação do cemento é essencial para a maturação apropriada do periodonto, tanto no de- senvolvimento quanto na regeneração dos tecidos periodontais per- didos. 230 Ou seja, uma variedade de macromoléculas presentes na matriz extracelular do periodonto provavemente exerce um papel regulador na cementogênese. 171 A regeneração do cemento requer cementoblastos, mas a origem dos cementoblastos e os fatores moleculares que regulam o seu re- crutamento e a sua diferenciação não são completamente compreen- didos. Pesquisa recente, contudo, fornece um melhor entendimento; por exemplo, os restos epiteliais de Malassez são as únic as células epiteliais odontogênicas que permanecem no periodonto após a erup- ção dos dentes, e eles podem ter alguma função no reparo e na rege- neração do cemento sob condições específi cas. 116 Os restos de Malassez podem ser relacionados ao reparo do cemento através da ativação do seu potencial em secretar proteínas da matriz que foram expressas no desenvolvimento dentário, como as amelogeninas, as enamelinas e as proteínas da bainha. Diversos fatores de crescimento foram mostrados como sendo efetivos na regeneração do cemento, incluindo membros da superfamília dos fatores transformadores de crescimento (proteínas morfogenéticas do osso), fator de crescimento derivado de plaqueta, fator de crescimento semelhante à insulina e derivados da matriz do esmalte 141,230 ( Fig. 2-48 ). Anquilose . A fusão do cemento e do osso alveolar com oblitera- ção do ligamento per iodontal é denominada anquilose . A anquilose ocorre em dentes com r eabsorção do cemento, o que suger e que ela representa uma forma de reparo anormal. A anquilose também pode se desenvolver após infl amação per iapical crônica, reimplante den- tário e trauma oc lusal, e ao r edor de dentes inc lusos. Essa condição é relativamente incomum e ocorre mais frequen- temente na dentição decídua. 178 A anquilose resulta em reabsorção da raiz e na sua substituiç ão gradual por tecido ósseo. Por essa razão, os dentes reimplantados que anquilosam perderão suas raízes após 4-5 anos e esfoliarão. Clinica- mente, os dentes anquilosados não possuem a mobilidade fi siológica Figura 2-46 Micrografi a eletr ônica de varr edura da raiz exposta por doença periodontal mostrando grande ár ea de r eabsorção ( R ). São visíveis remanescentes do ligamento per iodontal ( P ) e c álculo ( C ). A fi ssura da superfície dentár ia ocorre como r esultado da técnic a de pr eparo (160 × ). (Cortesia do Dr. John Sottosanti, La Jolla, CA.) Figura 2-47 Reabsorção do cemento e dentina. Um osteoclasto multinuclear é obser vado em X . A dir eção da r eabsorção é indic ada pela seta. Observe a frente de reabsorção festonada na dentina ( D ). O cemento é uma faixa corada escura no canto superior e infer ior direito. P , Ligamento periodontal. D NC PDL PDL D NC RB D: Dentina; NC: novo cemento; PDL: novo ligamento periodontal inserido ao novo cemento; RB: materiais residuais de enxerto ósseo (β-TCP) Figura 2-48 Histologia c línica humana mostr ou que o nov o cemento e as novas fi bras do L PD for- maram-se no defeito per iodontal tratado com fator BB de cr escimento humano der ivado de plaquetas com fosfato � -tricálcio. (Cortesia do D r. Daniel WK Kao, Filadélfi a.) C0565.indd 36C0565.indd 36 2/8/13 5:42:06 PM2/8/13 5:42:06 PM 37CAPÍTULO 2 Anatomia do Periodonto dos dentes normais, o que é um sinal diagnóstico de r eabsorção anquilótica. Além disso, esses dentes usualmente possuem som metálico especial durante a percussão e, se o processo anquilótico perdurar, eles ficarão em infraoclusão. 93 Contudo, o diagnóstico clínico da anquilose através dos testes de mobilidade e per cussão somente é confi ável quando pelo menos 20% da superfície radicular está afetada. 10 Conforme o ligamento per iodontal é substituído por osso na anquilose, a propriocepção é perdida, pois os receptores de pressão no ligamento periodontal são deletados ou não funcionam correta- mente. Além disso, o movimento fi siológico e a erupção dos dentes não poderá mais ocorrer e, portanto, a capacidade dos dentes e do periodonto em se adaptarem aos níveis alterados de força ou às di- reções da força é altamente reduzida. 175 Radiografi camente, as lacunas de reabsorção são preenchidas com osso, e o espaço do ligamento periodontal é perdido. Como não podem ser encontradas causas defi nitivas na reabsor- ção radicular anquilótica, nenhum tratamento previsível pode ser sugerido. As modalidades de tratamento var iam de abordagem conservadora, como intervenção restauradora, à extração cirúrgica do dente afetado. 189 Quando os implantes de titânio são coloc ados nos maxilares, a cicatrização resulta em osso que é formado em aposiç ão direta ao implante sem tecido conjuntivo interposto. Isso pode ser interpretado como uma forma de anquilose . Como a reabsorção do implante metálico não pode ocorrer, o implante permanece indefi nidamente “anquilosado” ao osso. Também uma bolsa periodontal verdadeira não se formará, pois a proliferação apical do epitélio ao longo da raiz, um elemento-chave na formação da bolsa, não é possível devido à anquilose. Exposição do Cemento à Cavidade Oral O cemento torna-se exposto na c avidade oral nos casos de recessão gengival e como resultado da perda de inserção na formação da bolsa. O cemento é sufi cientemente permeável para ser penetrado nesses casos por substâncias orgânicas, íons inorgânicos e bactérias. A invasão bacteriana do cemento ocorre frequentementena doença periodontal ( Cap. 13 ). Pode desenvolver-se cárie de cemento ( Cap. 13 ). PROCESSO ALVEOLAR O processo alveolar é a porção da maxila e da mandíbula que forma e sustenta os alvéolos dentários. Ele se forma quando o dente erup- ciona para fornecer inserção óssea ao ligamento per iodontal em formação e desaparece gradualmente após a perda dentária. Uma vez que os processos alveolares se formam e sofrem remo- delação com a formação e erupção do dente, eles são estruturas ósseas dependentes do dente. 233 Portanto, o tamanho, a forma, a localização e a função dos dentes determinam a sua morfologia. Curiosamente, embora o crescimento e o desenvolvimento dos ossos dos maxilares determinem a posição dos dentes, certo grau de reposicionamento dos dentes pode ser obtido através das forças oclusais e em resposta aos procedimentos ortodônticos que dependem da c apacidade de adaptação do osso alveolar e dos tecidos periodontais associados. 257 O processo alveolar é constituído de: 1. Uma lâmina externa de osso cor tical formada por osso har- vesiano e lamelas ósseas compactas. 2. Parede interna do alvéolo de osso compacto e fi no denominado osso alv eolar pr opriamente, que é obser vado como a lâmina dura nas radiografi as. Histologicamente, ele contém uma série de aber turas ( lâmina cr ibriforme ) atrav és das quais os feixes neurovasculares conectam o ligamento periodontal ao compo- nente central do osso al veolar, o osso esponjoso . 3. Trabéculas esponjosas, entr e elas duas c amadas compactas, que agem como osso alveolar de suporte. O septo interdental consiste em osso de suporte esponjoso incluso em uma borda compacta ( Fig. 2-49 ). Além disso, os ossos dos maxilares incluem o osso basal, que é a porção do maxilar localizada apicalmente mas não relacionada aos dentes ( Fig. 2-50 ). O processo alveolar é dividido em áreas separadas em uma base anatômica, mas funciona como uma unidade, com todas as par tes inter-relacionadas no suporte dos dentes. As Figuras 2-51 e 2-52 mostram as proporções relativas do osso esponjoso e do osso com- pacto que formam o processo alveolar. A maioria das porções vestibu- lar e lingual dos al véolos é formada somente por osso compacto; o osso esponjoso circunda a lâmina dura nas áreas apical, apicolingual e inter-radicular. Figura 2-49 Secção mesiodistal atrav és de molar es infer iores de uma jovem de 17 anos de idade , obtidos na autópsia. O bserve o septo ósseo interdental entre o primeiro e o segundo molar. As lâminas ósseas corticais densas representam o osso al veolar propriamente (lâminas cr ibriformes) e são sustentadas por trabéculas de osso esponjoso. O terceiro molar ainda se encontra nos estágios iniciais da formaç ão radicular e er upção. Lâmina cortical Osso esponjoso Canal mandibular PROCESSO ALVEOLAR OSSO BASAL Figura 2-50 Secção através do maxilar humano com os dentes in situ . As linhas pontilhadas indicam a separação entre o osso basal e o osso al veolar. (Redesenhada de Ten Cat e AR: O ral hist ology: dev elopment, st ructure, and function, ed 4, St Louis, 1994, Mosby.) C0565.indd 37C0565.indd 37 2/8/13 5:42:07 PM2/8/13 5:42:07 PM PARTE 1 O Periodonto Normal38 Células e Matriz Intercelular Os osteoblastos , as células que produzem a matriz orgânica do osso, são diferenciados das células foliculares pluripotentes. O osso alveolar é formado durante o crescimento fetal através de ossifi cação intra- membranosa e consiste em uma matr iz calcifi cada com osteócitos inclusos dentro dos espaços denominados lacunas . Os osteóci- tos estendem processos dentro de canalículos que se irradiam a partir das lacunas. Os canalículos formam um sistema anastomosante através da matriz intercelular do osso, o qual traz oxigênio e nutrien- tes aos osteócitos através do sangue e remove os produtos da degra- dação metabólica. Os vasos sanguíneos ramifi cam-se extensivamente e atravessam pelo periósteo. O endósteo repousa adjacente à vascula- tura medular. O crescimento ósseo ocorre através de aposição de uma matriz orgânica que é depositada pelos osteoblastos. Os sistemas harvesianos ( ósteons ) são os mecanismos internos que trazem o suprimento vascular aos ossos muito espessos para serem supridos somente pelos vasos superfi ciais. Eles são encontrados principalmente nas lâminas corticais internas e no próprio osso alveolar. O osso é constituído de dois ter ços de matéria inorgânica e um terço de matéria orgânica. A matéria inorgânica é composta princi- palmente de minerais de cálcio e fosfato, juntamente com hidroxila, carbonato, citrato e traços de outros íons, 103,104 como sódio, magnésio e fl úor. Os sais minerais estão na forma de cristais de hidroxiapatita de tamanho ultramicroscópico e constituem aproximadamente dois terços da estrutura do osso. A matriz orgânica 77 consiste principalmente em colágeno tipo I (90%), 188 com pequena quantidade de proteínas não colágenas como osteocalcina, osteonectina, proteína morfogenética do osso, fosfopro- teínas e proteoglicanos. 214 A osteopontina e a sialoproteína óssea são proteínas de adesão celular que par ecem ser importantes para a adesão dos osteoclastos e osteoblastos. 165 Além disso, fatores pará- crinos, incluindo citocinas, quimiocinas e fatores de crescimento, têm sido implicados no controle local das condensações mesenquimais que ocorrem no início da organogênese. Esses fatores provavelmente exercem um papel proeminente no desenvolvimento dos processos alveolares. 257 Embora o tecido ósseo alveolar esteja constantemente alterando sua confi guração interna, ele retém aproximadamente a mesma forma desde a infância até a vida adulta. A deposição óssea pelos osteoblas- tos é balanceada pela reabsorção dos osteoclastos durante a remode- lação e a renovação tecidual. É bem conhecido que o númer o de osteoblastos diminui com o envelhecimento; contudo, nunca foi relatada nenhuma alteraç ão pr onunciada no númer o de osteoclastos. 195 A remodelação é o principal caminho das alterações ósseas de forma, resistência a forças, reparo das feridas e homeostase de cálcio e fosfato no corpo. Além disso, a união da reabsorção óssea com forma- ção óssea constitui um dos princípios fundamentais através do qual o osso é necessariamente remodelado através de toda a vida. A remode- lação óssea envolve a coordenação das atividades das células de duas diferentes linhagens, os osteoblastos e os osteoclastos, os quais formam e reabsorvem os tecidos conjuntivos mineralizados do osso. 257 A regulação da remodelação óssea é um processo complexo en- volvendo fatores hormonais e locais agindo de maneira autócrina e parácrina na geração e atividade das células ósseas difer enciadas. 257 O osso contém 99% dos íons de cálcio do corpo e, portanto, é a maior fonte de liberação de cálcio quando os níveis corporais de cálcio diminuem; isso é monitorado pela glândula paratireoide. A redução do cálcio no sangue é mediada por receptores nas células principais das glândulas paratireoides, que então liberam o hormônio parati- reóideo (HPT). O HPT estimula os osteoblastos a liberarem in- terleucina 1 e inter leucina 6, as quais estimulam os monócitos a migrar para a área óssea. O fator inibidor da leucemia (FI L), se- cretado pelos osteoblastos, coalescem os monócitos em osteoclastos multinucleados, que então reabsorvem o osso, liberando íons cálcio da hidroxiapatita dentro do sangue. Essa liberação normaliza o nível sanguíneo de cálcio. O mecanismo de feedback dos níveis sanguíneos normais de cálcio inativa a secreção de HPT. Entretanto, os osteo- clastos reabsorvem a matriz orgânica juntamente com a hidroxiapa- tita. A degradação do colágeno da matr iz orgânica libera váriossubstratos osteogênicos, que são covalentemente ligados ao colágeno, e isso em troca estimula a diferenciação dos osteoblastos, que por fi m depositam osso. Essa interdependência dos osteoblastos e os- teoclastos na remodelação é chamada de acoplamento . Figura 2-51 Proporções relativas do osso esponjoso e osso compacto em uma secção longitudinal vestibulolingual de A , molares inferiores; B , incisi- vos laterais; C , caninos; D , primeiros pré-molares; E , segundos pré-molares; F , primeiros molares; G , segundos molares; H , terceiros molares. Maxila Mandíbula Figura 2-52 Formato das raízes e a distribuição do osso circunjacente em uma secção transversa da maxila e mandíbula ao nív el da metade da raiz. C0565.indd 38C0565.indd 38 2/8/13 5:42:08 PM2/8/13 5:42:08 PM 39CAPÍTULO 2 Anatomia do Periodonto A matriz óssea estabelecida pelos osteoblastos é osteoide não mineralizado. Quando novo osteoide está sendo depositado, o os- teoide mais antigo depositado sob a superfície torna-se mineralizado conforme as frentes de mineralização avançam. A reabsorção óssea é um processo complexo morfologicamente relacionado à aparência das superfícies ósseas erodidas (lacunas de Howship) e das células m ultinucleadas grandes (osteoc lastos; Fig. 2-53 ). Os osteoclastos se originam do tecido hematopoéti- co 56,112,201 e são formados pela fusão das células mononucleares das populações assíncronas. 27,143,205,269 Quando os osteoclastos estão ativos, em vez de em repouso, eles possuem uma borda elaborada- mente desenvolvida com pregas através da qual acredita-se que as enzimas sejam secretadas. 283 Essas enzimas digerem a porção orgâ- nica do osso. A atividade dos osteoc lastos e a morfologia da borda pregueada pode ser modifi cada e regulada por hormônios como o HPT (indiretamente) e a calcitonina, que possui receptores na mem- brana do osteoclasto. Outro mecanismo de reabsorção óssea envolve a criação de um ambiente acidifi cado na superfície óssea, levando à dissolução do componente mineral do osso. Esse evento pode ser produzido por diferentes condições, incluindo uma bomba de próton através da membrana celular do osteoc lasto, 34 de tumores ósseos e da pressão local, 201 traduzida através da atividade secr etora do osteoclasto. Ten Cate 269 descreveu a sequência de e ventos no processo de reabsorção da seguinte forma: 1. Ligação dos osteoc lastos à super fície óssea mineralizada. 2. Criação de um ambiente ácido fechado atrav és da aç ão da bomba de pr óton, o qual desmineraliz a o osso e expõe a matriz orgânica. 3. Degradação da matr iz orgânica exposta aos seus aminoáci- dos constituintes atrav és da aç ão das enzimas liberadas, como a fosfatase ácida e a c atepsina. 4. Sequestro dos íons minerais e aminoácidos dentr o do osteoclasto. Notavelmente, os eventos celulares e moleculares envolvidos na remodelação óssea possuem forte similaridade com muitos aspectos de infl amação e reparo. A relação entre as moléculas da matriz, como osteopontina, sialoproteína do osso, SPARC (proteína secretada, ácida, rica em cisteína) e osteocalcina, e a coagulação do sangue e a cicatrização da ferida são claramente evidentes. 257 Parede do Alvéolo A parede do alvéolo é constituída de osso lamelar denso, o qual está arranjado em sistemas harvesianos e osso agregado. Osso agregado é o nome dado ao osso adjacente ao ligamento periodontal que contém grande número de fi bras de Sharpey 291 ( Fig. 2-54 ). Ele é caracteri- zado por lamelas arranjadas em camadas paralelas à raiz, com linhas aposicionais intervenientes ( Fig. 2-55 ). O osso agregado está loca- lizado dentro do próprio osso alveolar. Algumas fi bras de Sharpey são completamente calcifi cadas, mas a maioria contém um núcleo central não calcifi cado dentro de uma camada externa calcifi cada. 246 O osso agregado não é exclusivo dos maxilares; ele ocorre através de todo o sistema esquelético onde os ligamentos e m úsculos estão aderidos. A porção esponjosa do osso alveolar consiste em trabéculas que envolvem os espaços medulares de formato irregular revestidas por uma camada fi na de células endosteais achatadas. Ocorre ampla variação no padrão trabecular do osso esponjoso, 204 o qual é afetado pelas forças oclusais. A matriz das trabéculas esponjosas consiste em lamelas irregularmente separadas por linhas de r eabsorção e incre- mentais profundamente coradas indicativas de atividade óssea prévia, com um sistema harvesiano ocasional. O osso esponjoso é encontrado predominantemente nos espaços inter-radicular e interdental, e em quantidades limitadas v estibular ou lingualmente, exceto no palato. No ser humano adulto, existe mais osso esponjoso na maxila do que na mandíbula. Medula Óssea No embrião e no recém-nascido, as cavidades de todos os ossos são ocupadas por medula vermelha hematopoética. A medula vermelha gradualmente sofre uma alteração fi siológica para o tipo de medula inativa gordurosa ou amarela. No adulto, a medula do maxilar é normalmente o último tipo, e a medula v ermelha é encontrada somente nas costelas, esterno, vértebras, crânio e úmero. Contudo, focos de medula óssea vermelha são ocasionalmente observados nos maxilares, frequentemente acompanhados de reabsorção das trabé- culas ósseas. 42 Localizações comuns são a tuberosidade da maxila, as áreas dos molares superiores e inferiores, e dos pré-molares, e a sínfi se e o ângulo mandibular, que podem ser visíveis radiografi camente como áreas de radioluscência. Figura 2-53 Osso alveolar de rato . Vista histológica de dois osteoc lastos multinucleados nas lacunas de Howship . Figura 2-54 Penetração profunda das fi bras de S harpey dentro do osso agregado (molar de rato). C0565.indd 39C0565.indd 39 2/8/13 5:42:09 PM2/8/13 5:42:09 PM PARTE 1 O Periodonto Normal40 Periósteo e Endósteo Camadas de tecido conjuntivo osteogênico diferenciado cobrem todas as superfícies ósseas. O tecido que cobre a superfície externa do osso é denominado periósteo , enquanto o tecido que r eveste as cavidades ósseas internas é chamado de endósteo . O periósteo consiste em uma camada interna composta de os- teoblastos circundada por células osteoprogenitoras, as quais possuem potencial de diferenciar-se em osteoblastos, e uma camada externa rica em vasos sanguíneos e ner vos, composta de fi bras colágenas e fi broblastos. Feixes de fi bras colágenas periosteais penetram o osso, ligando o periósteo ao osso. O endósteo é composto de uma únic a camada de osteoblastos e, algumas vezes, de pequena quantidade de tecido conjuntivo. A camada interna é a c amada osteogênica, e a camada externa é a camada fi brosa. Os eventos celulares no periósteo modulam o tamanho ósseo através da duração da vida individual, e a alteração no tamanho do osso é provavelmente o resultado do equilíbrio entre as atividades periosteais osteoblásticas e osteoclásticas. Atualmente, pouco se sabe sobre o controle da atividade per iosteal osteoblástica ou sobre a importância clínica das variações na formação óssea periosteal. 200 Além do mais, a natureza e o impacto da reabsorção óssea periosteal são virtualmente não explorados. Septo Interdental O septo interdental é constituído de osso esponjoso limitado pelas lâminas cribriformes da parede alveolar (lâmina dura ou o próprio osso alveolar) dos dentes em aproximação e pelas lâminas cor ticais lingual e vestibular ( Fig. 2-56 ). Se o espaço interdental for estreito, o septo pode consistir somente em uma lâmina cribriforme. Em um estudo, por exemplo, o espaço entre os segundos pré-molares infe- riores e os primeiros molares consistiu em lâmina cribriforme e osso esponjoso em 85%dos casos, e somente em lâmina cribriforme nos 15% remanescentes. 118 Se as raízes estiverem muito próximas, uma “janela” irregular pode aparecer no osso entre as raízes adjacentes ( Fig. 2-57 ). Entre os molares superiores, o septo consiste em lâmina cr i- briforme e osso esponjoso em 66,6% dos c asos, é composto so- mente de lâmina cr ibriforme em 20,8% e apresenta fenestração em 12,5%. 118 A determinação radiográfi ca da proximidade radicular é impor- tante ( Caps. 31 e 33 ). A angulação mesiodistal da cr ista do septo interdental encontra-se usualmente paralela a uma linha desenhada entre as junções amelocementárias dos dentes adjacentes. 214 A dis- tância entre a crista do osso alveolar e a junção amelocementária em adultos jovens varia entre 0,75-1,49 mm (média de 1,08 mm). Essa distância aumenta com a idade para uma média de 2,81 mm. 95 To- davia, esse fenômeno pode não ser tanto uma função da idade como da doença periodontal. As dimensões mesiodistal e vestibulolingual e a forma do septo interdental são governadas pelo tamanho e convexidade das coroas de dois dentes adjacentes, assim como pela posição dos dentes nos maxilares e pelo seu grau de erupção. 214 Topografi a Óssea O contorno ósseo normalmente está de acordo com a proeminência das raízes, com a intervenção das depressões verticais que se afunilam em direção à margem ( Fig. 2-58 ). A anatomia óssea al veolar varia entre os pacientes e possui implicações clínicas importantes. A altura e a espessura das lâminas ósseas vestibular e lingual são afetadas pelo alinhamento dos dentes, pela angulação da raiz ao osso e pelas forças oclusais. Nos dentes em vestibuloversão, a margem do osso vestibular está localizada muito mais apicalmente do que nos dentes com alinha- mento adequado. A margem óssea é estreitada a uma borda em faca e apresenta um arco acentuado na direção do ápice. Nos dentes em linguoversão, a lâmina óssea vestibular é mais espessa do que o nor- mal. A margem é brusca, arredondada e horizontal, em vez de ar- queada. O efeito da angulação raiz-osso na altura do osso alveolar é mais notável nas raízes palatinas dos molares superiores. A margem óssea está localizada mais apicalmente nas raízes, o que forma ân- gulos relativamente agudos com o osso palatino. 122 A porção cervical da lâmina alveolar é, algumas vezes, consideravelmente mais espessa na superfície vestibular, aparentemente como reforço contra as forças oclusais ( Fig. 2-59 ). Fenestração e Deiscência Áreas isoladas nas quais a raiz está desnuda de osso e a super fície radicular está coberta somente por periósteo e gengiva sobrejacente são denominadas fenestrações . Nessas áreas, o osso marginal está intacto. Quando as áreas desnudas estendem-se através do osso marginal, o defeito é denominado deiscência ( Fig. 2-60 ). Figura 2-55 Osso agregado associado à migraç ão fi siológica mesial dos dentes. A , S ecção hor izontal atrav és das raíz es do molar no pr ocesso de migração mesial ( esquerda , mesial; direita , distal). B , S uperfície radicular mesial mostrando r eabsorção do osso ( setas ). C , Superfície radicular distal mostrando o osso agregado que foi parcialmente substituído por osso denso no lado medular. LP , ligamento per iodontal. C0565.indd 40C0565.indd 40 2/8/13 5:42:11 PM2/8/13 5:42:11 PM 41CAPÍTULO 2 Anatomia do Periodonto Tais defeitos ocorrem aproximadamente em 20% dos dentes; eles ocorrem mais frequentemente no osso vestibular do que no osso lingual, são mais comuns nos dentes anteriores do que nos dentes posteriores, e são frequentemente bilaterais. Evidência microscópica de reabsorção lacunar pode estar presente nas margens. A causa desses efeitos não é c lara. Contornos radiculares proeminentes, má posição e protrusão vestibular da raiz combinadas com lâmina óssea delgada são fatores predisponentes. 81 A fenestração e a deis- cência são importantes, pois elas podem complic ar o resultado da cirurgia periodontal. Remodelação do Osso Alveolar Em contraste com a sua rigidez aparente, o osso alveolar é o menos estável dos tecidos periodontais, pois sua estrutura está em estado constante de fl uxo. Quantidade considerável de remodelação interna ocorre através de reabsorção e formação, a qual é r egulada por infl uências locais e sistêmicas. As infl uências locais incluem exigên- cias funcionais no dente e alterações relacionadas à idade nas células ósseas. As infl uências sistêmicas são provavelmente hormonais (p. ex., HPT, calcitonina ou vitamina D3). Figura 2-56 Septo interdental. A , Radiografi a da ár eas dos incisiv os infer iores. Observe a lâmina dura pr oeminente. B , Septo interdental entre os dentes anteriores inferiores mostrados em A . Existe uma le ve redução na altura óssea com o alargamento do ligamento per iodontal nas ár eas coronárias. A porção esponjosa central é limitada pelas lâminas cr ibriformes ósseas densas do al véolo, que formam a lâmina dura ao r edor dos dentes na radiografi a. As inserções do músculo mentoniano são observadas entre os caninos e os incisivos laterais. (De Glickman I, Smulow J: Periodontal disease: clinical, radiographic, and histopat- hologic features, Filadélfi a, 1974, Saunders.) Figura 2-57 “Janela” sem osso entr e as raíz es m uito pr óximas dos molares. Figura 2-58 O contorno ósseo normal adapta-se à pr oeminência das raízes. C0565.indd 41C0565.indd 41 2/8/13 5:42:11 PM2/8/13 5:42:11 PM PARTE 1 O Periodonto Normal42 A remodelação do osso al veolar afeta sua altura, contorno e densidade, e é manifestada nas seguintes tr ês áreas: adjacente ao ligamento periodontal, em relação ao periósteo das lâminas vestibu- lar e lingual, e ao longo da super fície endosteal dos espaços medulares. DESENVOLVIMENTO DO APARATO DE INSERÇÃO Após a coroa estar formada, o estrato intermediár io e o retículo estrelado do órgão do esmalte desaparecem. Os epitélios externo e interno do órgão do esmalte permanecem e formam o epitélio reduzido do esmalte. A porção apical deste constitui a bainha radicular epitelial de Hertwig, a qual continuará a crescer apical- mente e determinará a forma da raiz. Antes do início da formação radicular, a bainha radicular inclina-se horizontalmente na futura JAC, estreitando a aber tura cervical e formando o diafragma epitelial . O diafragma epitelial separa o folículo dentário da papila dentária. Após o início da formação da dentina radicular, a bainha radicular de Hertwig rompe-se e parcialmente desaparece; as células remanes- centes formam os aglomerados epiteliais ou cor dões conhecidos como restos epiteliais de Malassez ( Fig. 2-37 , A). Nos dentes multir- radiculares, o diafragma epitelial cresce de tal forma que extensões em forma de língua desenvolvem-se horizontalmente, deixando es- paços para cada uma das futuras raízes formar-se. O papel da bainha radicular epitelial de Hertwig no desenvolvi- mento radicular, especialmente conforme ela se relaciona com o início da cementogênese, tornou-se foco de pesquisa. 276 Com base em vários estudos, agora é geralmente aceito que existe um per íodo transitório de secreção de proteínas, incluindo sialoproteína óssea, osteopontina e amelina, pelas células da bainha radicular epitelial de Hertwig. 38,88 Além disso, estudos demonstram que os fator es de crescimento e diferenciação podem exercer papéis no desenvolvi- mento do aparato de inserção dos tecidos periodontais. Foi demons- trado que as células pluripotentes do folículo dentário diferenciam-se em osteoblastos, cementoblastos ou fi broblastos periodontais. 247 Cemento A ruptura da bainha radicular de Her twig permite que as células mesenquimais do folículo dentário entrem em contato com adentina, onde elas iniciam a formação de uma camada contínua de cemento- blastos. Com base nos estudos imuno-histoquímicos e ultraestrutu- rais, Th omas 275 et al. 35,167 especularam que os cementoblastos também podem ser de origem epitelial (bainha radicular de Hertwig), os quais sofreriam uma transformação mesenquimal epitelial. A formação do cemento inicia-se por deposiç ão de uma malha de fi brilas colágenas irregularmente arranjadas esparsamente dis- tribuídas em uma substância fundamental ou matr iz chamada de pré-cemento ou cementoide . Isso é seguido por uma fase de maturação da matriz, que subsequentemente mineraliza para formar o cemento. Os cementoblastos, que são inicialmente separados do cemento por cementoide não calcifi cado, algumas vezes tornam-se envolvidos dentro da matriz e são aprisionados. Uma vez aprisionados, eles são referidos como cementócitos e permanecerão viáv eis de maneira similar àquela dos osteócitos. Uma camada de tecido conjuntivo conhecida como folículo den- tário circunda o órgão do esmalte , incluindo a bainha radicular epitelial conforme ela se desenvolve. A zona imediatamente em contato com o órgão dentário e contínua com o ectomesênquima da papila dentária é chamada de folículo dentário 267,268,271 e consiste em fi broblastos não diferenciados. Ligamento Periodontal Conforme a coroa atinge a mucosa oral durante a erupção dentária, esses fi broblastos tornam-se ativos e iniciam a produção de fi brilas colágenas. Elas inicialmente não possuem or ientação, mas logo adquirem orientação oblíqua ao dente. Os primeiros feixes colágenos aparecem então na região imediatamente apical à junção ameloce- mentária e dão origem ao grupo de fi bras gengivodentais. Conforme a erupção do dente progride, fi bras oblíquas adicionais aparecem e tornam-se inseridas no cemento recém-formado e no osso. As fi bras transeptais e da cr ista alveolar desenvolvem-se quando o dente Figura 2-59 Variação na por ção cervical da lâmina al veolar vestibular. A , Conformação semelhante à plataforma. B , Lâmina vestibular comparativemente estreita. Figura 2-60 Deiscência no canino e fenestração do pr imeiro pré-molar. C0565.indd 42C0565.indd 42 2/8/13 5:42:14 PM2/8/13 5:42:14 PM 43CAPÍTULO 2 Anatomia do Periodonto emerge na cavidade oral. A deposição do osso alveolar ocorre simul- taneamente com a organização do ligamento periodontal. 256 Estudos em macaco-esquilo mostraram que, durante a erupção, as fi bras de Sharpey do cemento aparecem primeiro, seguidas das fi bras de Sharpey que emergem do osso. 109 As fi bras de Sharpey são menos numerosas e mais amplamente espaçadas do que aquelas que emergem do cemento. Em estágio poster ior, as fibras alveolares estendem-se para a zona média para juntarem-se ao comprimento das fi bras cementárias e atingem sua orientação clássica, espessura e força quando a função oclusal é estabelecida. Investigações iniciais sugeriram que as fi bras individuais, em vez de serem contínuas, consistiam em duas partes separadas emendadas no meio do caminho entre o cemento e o osso em uma z ona que é chamada de plexo intermediário. O plexo foi relatado no ligamento periodontal dos incisivos em crescimento contínuo, mas não nos dentes posteriores dos roedores 121,179,305 ou nos dentes em er upção ativa de seres humanos e macacos 109 e não depois de os dentes atin- girem o plano oc lusal. Supõe-se que o rearranjo das terminações fi brosas no plexo acomode a er upção dentária sem necessitar da incorporação de novas fi bras no dente e no osso. 179 A existência de tal plexo, contudo, não foi confi rmada por dados autorradiográfi cos e outros estudos, e é considerado um artefato microscópico. 238 O ligamento periodontal em desenvolvimento, assim como o ligamento periodontal maduro, contém células-tronco que retêm o potencial de diferenciação em osteoblastos, cementoblastos e fi broblastos. 174 Osso Alveolar Logo antes da mineralização, os osteoblastos iniciam a produção de vesículas da matriz. Essas vesículas contêm enzimas, como a fosfatase alcalina, que ajudam a iniciar a nucleação dos cristais de hidroxiapa- tita. Conforme esses cristais crescem e se desenvolvem, eles formam nódulos de osso coalescente, os quais, com o crescimento rápido não orientado das fi bras colágenas, são a subestrutura do tecido ósseo e o primeiro osso formado no al véolo. Posteriormente, através de deposição óssea, remodelação e secreção de fi bras colágenas orien- tadas em camadas, o osso lamelar maduro é formado. 28,29 Os cristais de hidroxiapatita são geralmente alinhados com os seus longos eixos paralelos às fi bras colágenas e parecem ser deposi- tados sobre e dentro das fi bras colágenas no osso lamelar maduro. Dessa forma, a matriz óssea é capaz de suportar o estresse mecânico elevado aplicado durante a sua função. O osso alveolar desenvolve-se ao redor de cada folículo dentário durante a osteogênese. Quando um dente decíduo é esfoliado, seu osso alveolar é reabsorvido. O dente permanente sucessor move-se para o seu lugar, desenvolvendo seu próprio osso alveolar a partir do seu próprio folículo dentário. Conforme a raiz dentária se forma e os tecidos circunjacentes se desenvolvem e amadurecem, o osso al- veolar emerge com o osso basal desenvolvendo-se separadamente, e os dois tornam-se uma estrutura contínua. Embora o osso al veolar e o osso basal possuam origens intermediárias diferentes, ambos são por fi m derivados do ectomesênquima da crista neural. O osso basal mandibular inicia a mineralização na saída do nervo mentoniano do forame mental, enquanto o osso basal da maxila inicia na saída do nervo infraorbitário do forame infraorbitário. Migração Fisiológica dos Dentes O desenvolvimento dentário não termina quando a er upção ativa está completada e os dentes estão em oclusão funcional. Com o tempo e com o desgaste, as áreas de contato proximal dos dentes são achatadas, e os dentes tendem a se mover mesialmente. Isso é deno- minado migração mesial fi siológica . Por volta dos 40 anos de idade, ela resulta em redução de cerca de 0,5 cm do co mprimento do arco dentário desde a linha média até os terceiros molares. O osso alveolar é reconstruído em concordância com a migração fi siológica mesial dos dentes. A reabsorção óssea é aumentada nas áreas de pressão ao longo das superfícies mesiais dos dentes, e novas camadas de osso agregado são formadas nas áreas de tensão nas super fícies distais ( Fig. 2-55 ). FORÇAS EXTERNAS AO PERIODONTO O periodonto existe com o objetivo de sustentar os dentes durante a função e depende da estimulação que ele recebe da função para a preservação da sua estrutura. Portanto, um equilíbrio constante e sensitivo está pr esente entre as for ças externas e a estr utura periodontal. O osso alveolar sofre remodelação fi siológica constante em res- posta às forças externas, particularmente as forças oclusais. O osso é removido das áreas onde ele não é mais necessário e adicionado às áreas onde está sendo requisitado. A parede do alvéolo refl ete a capacidade de resposta do osso al- veolar às forças externas. Os osteoblastos e o osteoide recém-formado revestem o alvéolo nas áreas de tensão; os osteoclastos e a reabsorção óssea ocorrem nas áreas de pressão. As forças exercidas no dente também podem infl uenciar o número, a densidade e o alinhamento das trabéculas esponjosas. As trabéculas ósseas estão alinhadas no trajeto do estresse por tensão e compressão para fornecer a resistência máxima à força oclusal com o mínimo de substância óssea 102,253 ( Fig. 2-61 ). Quando as forças estão aumentadas, as trabéculas ósseas esponjosas aumentam em número e espessura, e osso pode ser adi- cionado à superfície externa das lâminasvestibular e lingual. Um estudo mostrou que a presença do antagonista da for ça oclusal e a severidade da doença periodontal aumentam a extensão da reabsorção do tecido periodontal. 68 O ligamento periodontal também depende da estimulação for- necida pela função para preservar sua estrutura. Dentro dos limites fi siológicos, o ligamento periodontal pode acomodar a função au- mentada com aumento na largura ( Tabela 2-2 ), espessamento dos seus feixes de fi bra e aumento no diâmetro e no número das fi bras de Sharpey. As forças que excedem a capacidade adaptativa do pe- riodonto produzem uma lesão denominada trauma oclusal . Já que o trauma oclusal só pode ser confi rmado histologicamente, o clínico é desafi ado a usar indicadores substitutos clínicos e radiográfi cos na tentativa de facilitar e auxiliar o seu diagnóstico 113 ( Cap. 20 ). Quando as forças oclusais são reduzidas, o número e a espessura das trabéculas são reduzidos. 66 O ligamento per iodontal também Figura 2-61 Trabéculas ósseas r ealinhadas per pendicularmente à raiz mesial do molar inc linado. C0565.indd 43C0565.indd 43 2/8/13 5:42:15 PM2/8/13 5:42:15 PM PARTE 1 O Periodonto Normal44 atrofi a, parecendo adelgaçado, e as fi bras são reduzidas em número e densidade, desorientadas 11,213 e por fi m arranjadas paralelas à su- perfície radicular ( Fig. 2-62 ). Esse fenômeno é denominado atrofi a por desuso ou atrofi a afuncional . Nessa condição, o cemento permanece não afetado 66 ou espessado, e a distância da JAC à crista alveolar está aumentada. 208 A função oclusal reduzida causa alterações na microvasculatura periodontal, como oclusão dos vasos sanguíneos e redução no número de vasos sanguíneos. 123 Por exemplo, Murrel et al. 190 relataram que a aplicação e a remoção da força ortodôntica produziram alterações signifi cativas no número e na densidade dos vasos sanguíneos; con- tudo, nenhuma explicação baseada em evidência existe sobre por que a força estimulou tais mudanças no número de vasos sanguíneos. Acredita-se que o movimento dentár io ortodôntico resulte em remodelação óssea específi ca ao sítio na ausência de infl amação. É bem reconhecido que as forças tensionais estimularão a formação e a atividade das células osteoblásticas, enquanto as forças compressivas promoverão atividade osteoclástica. 257 VASCULARIZAÇÃO DAS ESTRUTURAS DE SUPORTE O suprimento sanguíneo às estruturas de suporte do dente é oriundo das artérias alveolares superior e inferior da mandíbula e maxila, e alcança o ligamento periodontal através de três fontes: vasos apicais, vasos penetrantes do osso al veolar e vasos anastomosantes da gengiva. 64 Os ramos dos vasos apicais suprem a região apical do ligamento periodontal antes de os vasos entrarem na polpa dentária. Os vasos transalveolares são ramos dos vasos intrasseptais que per furam a lâmina dura e entram no ligamento. Os vasos transeptais continuam a vascularizar a gengiva; esses vasos gengivais, por sua vez, anasto- mosam-se com os vasos do ligamento per iodontal da r egião cervical. 87 Os vasos dentro do ligamento per iodontal estão contidos nos espaços intersticiais do tecido conjuntivo frouxo entre as fi bras prin- cipais e conectados em um plexo entrelaçado que corre longitudi- nalmente e mais próximo ao osso do que ao cemento 55 ( Figs. 2-63 e 2-64 ). O suprimento sanguíneo aumenta dos incisivos para os molares; é maior no terço gengival dos dentes unirradiculares, menor no terço apical e no terço médio; é igual nos terços apical e médio dos dentes multirradiculares; é levemente maior nas super fícies mesial e distal do que nas super fícies vestibular e lingual; é maior nas superfícies mesiais dos molares inferiores do que nas superfície distais. 33 O suprimento vascular ao osso entra nos septos inter dentais através de canais nutrientes juntamente com veias, nervos e linfáticos. As arteríolas dentárias, que também ramifi cam-se das artérias alveo- lares, enviam tributárias através do ligamento periodontal, e alguns pequenos ramos entram nos espaços medulares através de perfurações TABELA 2-2 Comparação da Largura Periodontal do Dentes em Função e dos Dentes sem Função em Homem de 38 Anos de Idade LARGURA MÉDIA DO ESPAÇO PERIODONTAL (mm) Entrada do Alvéolo Metade do Alvéolo Fundo do Alvéolo Função pesada: Segundo pré-molar superior esquerdo 0,35 0,28 0,30 Função leve: Primeiro pré-molar inferior esquerdo 0,14 0,10 0,12 Sem função: Terceiro molar superior esquerdo 0,10 0,06 0,06 Modifi cada de Kronfeld R: J Am Dent Assoc 18:1242, 1931. Figura 2-62 Ligamento periodontal atrófi co ( P ) de um dente sem função. Observe a margem esc alonada do osso al veolar ( B ), indicando que ocorreu reabsorção. C , cemento. Figura 2-63 Suprimento vascular do per iodonto de mac aco (perfundido com nanquim). Observe os vasos longitudinais no ligamento per iodontal e artérias alveolares passando atrav és dos c anais entre a medula óssea ( M ) e o ligamento per iodontal. D , dentina. (Cortesia do D r. S ol Bernic k, L os Angeles.) C0565.indd 44C0565.indd 44 2/8/13 5:42:15 PM2/8/13 5:42:15 PM 45CAPÍTULO 2 Anatomia do Periodonto na lâmina cribriforme. Pequenos vasos emanados do osso compacto vestibular e lingual também entram na medula e no osso esponjoso. A drenagem venosa do ligamento per iodontal acompanha o suprimento arterial. As vênulas recebem o sangue através de uma rede abundante de capilares. Além disso, as anastomoses arteriove- nosas passam pelos capilares e são observadas com mais frequência nas r egiões apic al e inter-radicular ; sua signif icância é desconhecida. Os linfáticos complementam o sistema de drenagem venosa. Os canais linfáticos drenam a região logo abaixo do epitélio juncional, passam dentro do ligamento periodontal e acompanham os vasos sanguíneos dentro da região periapical. 43 A partir daí, eles passam através do osso alveolar para o canal dentário inferior na mandíbula ou para o canal infraorbitário na maxila, e depois para os linfonodos submaxilares. REFERÊNCIAS As referências estão disponíveis no site: www.elsevier.com. br/odontoconsult . O per iodonto normal é uma estr utura dinâmic a únic a e com- plexa. Cada um dos seus componentes (gengiva, ligamento periodontal, cemento e osso) possui funções distintas que são capazes de adaptar-se durante a vida da estr utura. Por exemplo, conforme os dentes respondem às forças ou migram mesialmente com o desgaste, o tecido ósseo é r eabsorvido no lado de pressão e adicionado no lado de tensão . O cemento similarmente adapta-se ao desgaste das for ças oc lusais dos dentes atrav és de deposição na área apical da raiz dentária. O ligamento periodon- tal por si só está na ár ea de grande renovação, o que permite ao dente não somente ser suspenso no osso al veolar, mas também responder às for ças intermediár ias. Portanto, embora apar ente- mente estática, a estr utura de supor te dentária é constituída de componentes do per iodonto que são estr uturas altamente espe- cializadas, adaptadas e dinâmic as. A funç ão do ligamento per iodontal é quase similar a um sistema viscoelástico que absor ve o pr imeiro movimento de carga, com as fi bras colágenas tornando-se como uma fase secundária de r esposta às for ças de c arga. Isso dá ao ligamento periodontal uma qualidade de absor vedor de choque , assim como uma tendência hidráulic a de responder à c arga axial com pressão aumentada que neutraliz a o movimento dentár io dire- cionado apicalmente. Quando um dente é submetido a uma c arga oclusal aumen- tada, ele é levemente deprimido; quando livre decarga, tem um efeito rebote. Portanto, a corr eção das r estaurações “altas” através do des- gaste pode necessitar de duas ou mais checagens ao longo de 2-5 minutos. Além disso , o uso de mater iais de cor po pesado para impressões de coroa e ponte com pressão constante pode causar intrusão do dente, seguida por um efeito rebote de extrusão após a impressão ser removida. O resultado será uma restauração que fi cará alta. A atenç ão a essas pr opriedades do ligamento per iodontal pode permitir aos c línicos modifi car seus pr ocedimentos clínicos. TRANSFERÊNCIA CIENTÍFICA Figura 2-64 Suprimento vascular do ligamento per iodontal em molar es de rato, como observado pela microscopia eletrônica de varredura após per- fusão com corrosivo plástico e tecidual. Áreas médias e apicais do ligamento periodontal, como mostrado com os vasos sanguíneos longitudinais do ápice ( inferior ) à gengiva ( superior ), vasos per furantes entrando no osso ( b ) e muitas conexões transversas ( cabeças de seta ). Vasos apicais ( a ) formam uma capa que se conecta com os vasos pulpar es. (Cortesia de NJ S elliseth and K Selvig, Universidade de Bergen, Noruega.) C0565.indd 45C0565.indd 45 2/8/13 5:42:15 PM2/8/13 5:42:15 PM