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DIVERSIDADE NAS ORGANIZAÇÕES

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A importância da 
diversidade para as 
empresas: a diversidade 
como factor de 
competitividade 
empresarial
Presidente do GRACE – Grupo 
de Reflexão e Apoio à Cidadania 
Empresarial
João Duarte dos Reis
A questão da diversidade e da inclusão é transversal à sociedade e consequentemente a todas as formas de organização 
que nela existem. Um mundo global permite, e de alguma forma fomenta, a migração de conceitos, de tecnologia, de 
culturas, de inovação e, evidentemente, de pessoas. As sociedades são cada vez mais heterogéneas, são o que se poderá 
comparar a um imenso mosaico colorido e multifacetado e que necessita de algum tipo de cola que una todas as partes 
de forma harmoniosa.
É necessário despirmo-nos de preconceitos, e encararmos as diferenças exactamente como são, diferenças, compreenden-
do e tirando partido das vantagens que essas diferenças nos podem proporcionar.
As empresas têm e terão um papel cada vez mais relevante na sociedade, em todos os domínios e neste em particular. 
Como estruturas organizadas capazes de estabelecer princípios de funcionamento claros, universais e humanamente 
responsáveis, serão forças para a disseminação desses princípios, adaptando-se assim aos mercados onde operam e às 
suas necessidades. 
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The matter of diversity and social cohesion is transversal to society and, consequently, to all forms of organizations 
existing within it. A global world allows, and in certain ways fosters, the migration of concepts, of technology, of cul-
tures, of innovation and, of course, people. Societies are increasingly heterogeneous; they are what we might compare 
to an immense, coloured and multi-faceted mosaic that needs some type of glue that can join together all its parts in 
an harmonious way.
We have to let go of prejudice and face the differences exactly for what they are – differences – understanding and tak-
ing advantage of the benefits those differences can provide us.
Companies have now, and will have in the future, an ever increasing role in society, in all domains and in this one in 
particular. As organized structures capable of setting up clear working principles, universal and humanly responsible, 
they will be leverage for the dissemination of those principles, thus adapting themselves to the markets in which they 
operate and to their needs. 
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1. Globalização
Os desafios desencadeados pela globalização 
têm de ser encarados como um conjunto de novas 
oportunidades e de novos desafios, a favor das 
organizações e da humanidade. A diversidade e a 
inclusão são fenómenos emergentes que ganham 
maior protagonismo e importância pelo facto do 
mundo se ter transformado numa «aldeia global». 
Neste contexto, a diversidade e a inclusão devem 
ser observadas como valores estratégicos para a 
organização da sociedade do futuro. É aqui que 
se enquadra o valor da oportunidade. Seremos, 
certamente, mais competitivos se formos capa-
zes de aproveitar esta nova realidade em bene-
fício de todos. 
Numa sociedade existem pessoas e organiza-
ções sendo que, como é óbvio, as organizações 
são feitas por pessoas. Uma das recentes reali-
dades do mundo corporativo tem sido crescer 
por via de aquisições, fusões ou parcerias, o que 
se tem vindo a traduzir no aparecimento de me-
ga-organizações transnacionais. Todos nós, no 
âmbito da nossa vida profissional ou pessoal, 
de uma forma ou de outra, já interagimos com 
pessoas de diferentes origens e com valores dis-
tintos dos nossos. Já convivemos com a diferen-
ça. No entanto, este inter-relacionamento sofre 
a interferência e é muitas vezes ameaçado, pelo 
ressurgimento de conflitos étnicos, religiosos e 
culturais. Assim sendo, os valores da diversida-
de e da inclusão podem aqui ser utilizados como 
um instrumento de superação. As organizações, 
e as pessoas que delas fazem parte, serão cada 
vez mais globais, mas não trabalham em lugares 
abstractos. Muito pelo contrário, continuarão a 
realizar os seus negócios localmente, onde as pes-
soas vivem e trabalham, isto é, serão sempre parte 
do problema e deverão igualmente ser parte da 
solução. Nesta perspectiva, a globalização exige 
diversidade e inclusão.
2. As mais-valias 
A diversidade e a inclusão devem ser defini-
das como um instrumento estratégico no senti-
do de potenciar o valor das organizações. Estas 
devem ambicionar ser o parceiro local de elei-
ção como fornecedor e empregador, onde quer 
que estes operem. O desafio inerente será o de 
compreender a identidade cultural das pessoas 
e dos locais onde elas realizam os seus negócios, 
os seus valores, preocupações e desejos únicos. 
Uma cultura organizacional diversa e pluralis-
ta favorece a adaptação a essas mudanças por 
impor a convivência de grupos com diferentes 
culturas e particularidades. É a demonstração 
prática e objectiva de que a adopção de políti-
cas de promoção da diversidade confere maior 
flexibilidade à empresa, aumentando a capaci-
dade desta para se adaptar a novas situações ao 
mesmo tempo que consegue atrair os melhores 
colaboradores.
2.1. Para a organização
Adaptação aos mercados
Prevê-se que a maioria das empresas cresça 
substancialmente em tamanho e escala e que mui-
to do potencial de crescimento esteja fora dos 
seus países de origem. Nesta economia cada vez 
mais globalizada, uma empresa que seja diversa 
e inclusiva estará sempre um passo à frente na 
compreensão dos mercados, porque os seus co-
laboradores entendem e adaptam-se rapidamente 
a outras culturas e a outros costumes.
Produtividade, competitividade 
e resultados financeiros
Um ambiente diverso e inclusivo estimula a 
cooperação entre os profissionais da organiza-
ção na persecução de objectivos comuns, crian-
do as condições necessárias para que a produ-
tividade aumente. Uma equipa diversa é muito 
mais forte que uma equipa homogénea porque 
tem mais competências, tem uma capacidade de 
análise mais ampla e, consequentemente, conse-
gue definir estratégias de negócio mais consisten-
tes, mais acertadas e, portanto, mais produtivas. 
Uma empresa produtiva é, muito provavelmente, 
uma empresa competitiva. Cada vez mais para se 
vencer tem de se ser competitivo. A aposta na di-
versidade e na inclusão consolida a relação entre 
a produtividade e a competitividade e concorre 
para o bom desempenho financeiro das empre-
sas. Os programas de diversidade organizacional 
são também um factor diferenciador na atracção 
de novos investidores e clientes.
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Notoriedade da marca
Uma organização é forte se tiver uma imagem 
positiva junto da comunidade onde desenvolve 
as suas operações. Neste ambiente, os serviços 
ou produtos da empresa são, naturalmente, pre-
feridos e procurados. A publicidade em torno 
de uma prática discriminatória pode ser bastan-
te negativa para a organização, afectando a sua 
imagem junto dos consumidores e da opinião 
pública. Por outro lado, se a diversidade e a in-
clusão forem atributos característicos da empre-
sa, esta pode agregar qualidades positivas à sua 
imagem no mercado e, consequentemente, con-
seguir novos clientes, colaboradores e investido-
res. Qualquer investidor procura rentabilizar os 
seus activos de uma forma segura, e uma orga-
nização com uma boa imagem no mercado tem 
mais hipóteses que as demais. 
2.2. Para os colaboradores
Satisfação no trabalho
As políticas de diversidade e de inclusão esti-
mulam talentos e potenciam as capacidades indi-
viduais. Este é o ambiente ideal para desenvolver 
o aparecimento de novas competências e para 
permitir que a empresa avalie e promova os seus 
colaboradores com base nas capacidades efecti-
vas. Os vínculos dos colaboradores com a em-
presa reforçam-se quer pela maior dedicação ao 
trabalho, quer pelo orgulho declarado de perten-
cer àquela organização, de pertencerem ao que já 
alguém

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