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Controle Social

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INTRODUÇÃO
O DIREITO COMO PROPULSOR E OBSTÁCULO DA MUDANÇA SOCIAL
 
 O CONCEITO DE MUDANÇA SOCIAL
 
A mudança social indica uma reestruturação das relações sociais.
“A mudança social indica uma modificação na forma como as pessoas trabalham, constituem famílias, educam seus filhos, se governam e dão sentido à vida” (Vago, 1997, p. 286). 
A sociologia parte do princípio que a sociedade encontra-se em transformação contínua: “a realidade social não é um estado constante, mas um processo dinâmico” (Sztompka, 1998, p. 358) O fenômeno da “mudança social” (social charge) começa a ser objeto de estudos específicos nas primeiras décadas do século XX (Ferrari, 1999, p. 271).
Podemos dizer que o objeto geral de todos os trabalhos de sociologia são as mudanças da sociedade no tempo.
Os sociólogos estudam principalmente as formas de mudança social (total ou parcial; lenta ou rápida; contínua ou descontínua) e as suas causas, distinguindo os fatores que desencadeiam um determinado processo de mudança. Entre eles situam-se os fatores geográficos, demográficos, ideológicos, econômicos, o contato entre as diversas sociedades (difusão de conhecimentos e valores) e as inovações, tais como as descobertas e invenções. A mudança social é sempre considerada como produto da combinação de vários fatores (Sztompka, 1998);
Relações entre o sistema jurídico e a mudança social
 
No âmbito da sociologia jurídica, “a mudança contínua das regras do direito constitui uma hipótese teórica fundamental” (Papachristou, 1984, p. 125). Esta hipótese constitui um elemento comum das várias abordagens da sociologia jurídica. Isto pode ser observado nos estudos de Marx e Engels sobre a determinação do direito pelas mudanças econômicas, nas análises de Durkheim sobre a passagem do direito repressivo ao direito restitutivo, nos estudos de Weber sobre a racionalidade do direito moderno e, recentemente, nas análises sobre a transformação do direito e do Estado na época da globalização. Constata-se assim o fenômeno da “dinâmica” ou mesmo do “evolucionismo” do direito (Papachristou, 1984, pp. 125-126). 
 LEGITIMIDADE E DIREITO.
 O DIREITO COMO FATOR DE CONSENSO SOCIAL
 1. MONOPÓLIO DE VIOLÊNCIA LEGAL
 
É muito comum ouvir, entre sociólogos do direito, as seguintes frases: o Estado mantém o monopólio da violência legítima; o Estado é um aparelho violento ou um mecanismo de violência. Estas afirmações, que provêm de Max Weber, indicam que o Estado, quer o indivíduo aceite ou não, tem a capacidade de impor a sua vontade. Weber definia o Estado como um mecanismo que consegue manter o monopólio do exercício legítimo da violência física.
 A palavra monopólio é de origem grega: monos = único e pôlion = venda, significando a prerrogativa exclusiva de venda.
As formulações exatas são: “Uma empresa com caráter de instituição política denominamos Estado, quando e na medida em que seu quadro administrativo reivindica com êxito o monopólio legítimo da coação física para realizar as ordens vigentes” (Weber, t991, p. 34). “Hoje, o Estado é aquela comunidade humana que, dentro de determinado território (...), reclama para si (com êxito) o monopólio da coerção física legítima..”.
 Das análises de Weber destacam-se três elementos
 a- Violência legítima. As manifestações de violência física (exercício de força e coação) podem ser divididas em duas categorias: aquelas que são aceitas pela maioria da população (violência legítima) e aquelas que são consideradas injustas, abusivas, sem justificação (violência ilegítima). A vítima de uma calúnia que arresta o caluniador e o mantém em prisão por dois anos exerce violência ilegítima, que a sociedade reprova e o Estado pune. 
O Estado que condena o mesmo caluniador a dois anos de detenção, aplicando o art, 138 do Código Penal, exerce um constrangimento legítimo. Hoje pode ser legítima somente a violência física que provém do Estado (exemplo: ação policial) ou é autorizada por ele (exemplo: legítima defesa).
 b) Violência legal. A justificação da violência legítima difere historicamente e depende do tipo de organização social. Nas sociedades modernas, a violência é aceita somente se fundamentada na lei estatal; em outras palavras, a violência legítima é, hoje, um sinônimo da violência legalmente prevista.
 c) Monopólio de violência. A prerrogativa exercer violência legítima pode ser difusa ou centralizada. Na Idade Média era frequentemente permitida a vingança. Nas sociedades modernas a violência legítima é centralizada; o Estado é a única organização social que possui esta prerrogativa em seu território.
Resumindo. A coação física é considerada legítima nas sociedades modernas se for fundamentada numa lei estatal e exercida por autoridades do Estado ou — em casos excepcionais — por quem foi legalmente habilitado para isto.
 
Um exemplo nos oferece a política tributária. O governo pode exigir o pagamento de impostos, fundamentado na legislação tributária. Se uma pessoa se nega a pagá-los, o governo conta com meios para constrangê-la a efetuar este pagamento. Portanto, o Estado pode impor a sua política, exercendo o “monopólio da violência legal”, dado que o Estado é a única instância social que possui aparelhos de violência fortes e também legais. Os aparelhos do Estado atuam, em geral, com o monopólio da coação física legitima (...). Este é considerado a única fonte do ‘direito’ de exercer coação” (Weber, 1999, pp. 525-526). 
Segundo Kelsen (2000, pp. 40-41), a ordem jurídica possui o “monopólio da coação” e o Estado moderno “representa uma ordem jurídica centralizada no mais elevado grau”.
A base nas normas jurídicas, que lhes oferecem a possibilidade (competência) de atuar, estabelecendo as finalidades e os limites desta atuação. Neste sentido podem exercer uma violência legal (prevista e regulada através de normas jurídicas) e aplicar o direito independentemente da vontade dos cidadãos.
Um criminoso pode constranger uma pessoa, com ameaça ou violência física, a entregar sua carteira. Esta é uma forma de violência ilegal, contrária à lei e, como tal, punível. Quando o Estado constrange alguém a pagar impostos empregando, se for necessário, até violência física —, exerce um poder, que lhe confere a lei. 
O Estado atua de forma legal e emprega a violência somente para enfrentar a resistência da pessoa que se nega a cumprir uma obrigação legalmente estabelecida.
Outros exemplos oferecem as condutas que infringem a legislação penal. Se alguém se nega a respeitar a propriedade privada e pratica furtos, o Estado pode impor, através da sua violência, um limite à sua conduta, levando-o à prisão. Assim os aparelhos do Estado (neste caso a polícia) nos ameaçam com o constrangimento e, se for o caso, exercem o constrangimento (arresto do infrator, inclusive com violência física).
Porém, apesar de ser um aparelho violento, o Estado é fundamentado no consentimento (aceitação) por parte da população, e a sua atuação também gera consenso. Assim, um governo que tem uma boa política social, consegue suscitar a adesão dos cidadãos, ou seja, a população passa a apoiá-lo.
 A obtenção do consenso é um tema de extrema importância para o Estado, sendo o fundamento de sua legitimidade. O emprego de violência gera custos materiais para o poder político, ademais de causar uma situação de tensão e instabilidade. Por esta razão, os detentores do poder têm todo o interesse de minimizar o uso de violência, procurando obter a adesão da população e o cumprimento voluntário das obrigações. 
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 Exemplo: Se todos os brasileiros se negarem a servir o exército, o governo tem meios militares e policiais, para constrangê-los ao cumprimento desta obrigação constitucional. Mas qualquer um pode imaginar quais seriam as dificuldades práticas e as consequências políticas de um tal empreendimento.
 
2. LEGITIMIDADE DO PODER

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