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Tema 5: Distribuições de probabilidades de variáveis aleatórias discretas Nos temas anteriores, estudamos as regras básicas para o cálculo de probabilidades de eventos simples. A distribuição de probabilidades de variáveis aleatórias discretas é representada por um gráfico, tabela ou fórmula que especifica a probabilidade associada com cada valor possível que a variável aleatória pode assumir (SINGPURWALLA, 2013). As análises das distribuições de probabilidades possibilitam a construção de modelos que nos auxiliam no entendimento de fenômenos do mundo real. Esse tema tratará do conceito de função de probabilidade, de algumas medidas resumo para variáveis aleatórias discretas e de um dos principais modelos para casos onde há o interesse em investigar a ocorrência de sucesso ou fracasso de um determinado evento: a distribuição binomial. Função de probabilidade Denomina-se função de probabilidade de uma variável aleatória discreta X que admite x x x1 2 3, , ... como possíveis valores aquela que relaciona cada valor de ix com a sua probabilidade de ocorrência, ou seja, i ip x P X x . Segundo Martins (2010), algumas importantes propriedades da função de probabilidade são: a. i ip x para todos x 0, b. i i p x 1 1 Nesse caso, a distribuição de probabilidade de X é representada através de pares i ix p x ; , i 1,2,3... , os quais podem ser expressos por meio de uma tabela, um gráfico ou uma fórmula. Valor esperado ou média de uma variável aleatória discreta Um importante parâmetro a ser definido é a média de uma variável aleatória discreta: x( ) . Suponha que X represente uma variável aleatória discreta, ou seja, possui um número finito de valores kx x x x1 2 3, , ... . Assim, o valor esperado de X (ou esperança matemática de X) ou simplesmente a média de X é dada por (MARTINS, 2010): k x i i i E x x p x ( ) 1 Clique no link a seguir e assista a um vídeo que traz uma explicação aprofundada sobre a distribuição de probabilidade. https://www.youtube.com/watch?v=V2sfnVikFXA Variância e desvio padrão de uma variável aleatória discreta Da mesma forma que definimos a média de uma variável aleatória discreta, definimos o grau de dispersão desses valores em torno da média, denominado variância de uma variável aleatória discreta x 2 ( ) . Assim, seja X uma variável aleatória discreta, a variância de X é dada por (MARTINS, 2010): x xVar x E x 22 ( ) ( ) Expandindo a expressão acima, alcançamos a seguinte expressão: x xE x 2 2 2 ( ) ( ), sendo: k k i i x i i i i E x x p x e x p x 2 2 ( ) 1 1 Analogamente ao conceito de desvio padrão, já discutido na aula 1, pode-se definir o desvio padrão de uma variável aleatória discreta x( ) como a raiz quadrada positiva da variância, sendo expressa por: x x 2 ( ) ( ) . Distribuição binomial Considere uma sequência de ensaios onde se deseja determinar a ocorrência de sucesso ou fracasso de determinado evento, ou seja, uma sequência de ensaios de Bernoulli. Essa sequência deve seguir algumas premissas ou condições, que são (PORTAL ACTION, 2014): a. Admite-se que para cada ensaio há apenas duas possibilidades, ou seja, há a chance de ocorrência (sucesso (S)) e não ocorrência (fracasso (F)). b. Os ensaios são independentes, isso é, o resultado de um ensaio não afeta de maneira alguma o resultado de qualquer outro ensaio. c. A probabilidade ocorrência (S) será expressa por p e é considerada a mesma para cada ensaio. Consequentemente, a probabilidade de não ocorrência será calculada por 1-p. A probabilidade de um ponto amostral com sucessos nos k primeiros ensaios e falhas nos n-k ensaios seguintes é: n kkp p 1 Observe que o número de pontos do espaço amostral que atende essa premissa é igual ao número de possibilidades com que se consegue escolher k ensaios para a ocorrência de sucesso entre o total de n ensaios, pois nos n-k ensaios deverão ocorrer falhas. Este número pode ser expresso como o número de combinações de n elementos tomados k a k, ou seja: n n k n kk ! ! ! Assim, para k n1,2,3... : n kknP X k p p k 1 . De uma maneira mais formal, podemos definir uma distribuição binomial como (PORTAL ACTION, 2014): seja X o número de sucessos obtidos na realização de n ensaios de Bernoulli independentes, diremos que X tem distribuição binomial com parâmetros n e p, em que p é a probabilidade de sucesso em cada ensaio, se sua função de probabilidade for dada por: n kknp x P X k p p k 1 . Clique no link a seguir e tenha mais informações sobre a distribuição binomial. https://www.youtube.com/watch?v=oe2NBKv572U Exemplo (BUSSAB e MORETTIN, 2011): Dez peças são extraídas, ao acaso, com reposição, de um lote contendo 500 peças. Qual é a probabilidade de que todas sejam defeituosas, sabendo-se que 10% das peças do lote são defeituosas? Solução: Neste caso temos que n = 10 ensaios de Bernoulli, cada um com P(S) = P(peça defeituosa) = p = 0,1, ou seja, a probabilidade de ocorrência do evento ou sucesso é representada como a ocorrência de uma peça defeituosa. Assim, k = 10, pois se espera sucesso em todos os ensaios realizados. Se X indicar o número de peças defeituosas na amostra, queremos calcular P (X = 10). Através da definição da distribuição binomial temos: P X 10 1010 101010 0,1 1 0,1 0,1 . 10 Logo, a probabilidade de que todas as peças sejam defeituosas é de 100,1 .