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Sistema Imunológico

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Arlindo Ugulino Netto ● MEDRESUMOS 2016 ● IMUNOLOGIA 
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INTRODUÇÃO AO SISTEMA IMUNOLÓGICO 
 
 
O sistema imunológico (do latim: imuunis = 
insento de pagamento de impostos; logos = estudo, 
conhecimento), também conhecido como sistema 
imunitário, compreende todos os mecanismos pelos 
quais um organismo multicelular se defende de 
invasores internos, como bactérias, vírus ou parasitas. 
Portanto, a imunologia é a ciência que estuda o sistema 
imunitário: suas células e órgãos, sua fisiologia e 
patologia e suas reações com os demais sistemas 
orgânicos. 
Existem dois tipos de mecanismos de defesa: os inatos ou não específicos (imunidade inata), como a proteção 
da pele, a acidez gástrica, as células fagocitárias ou a secreção de lágrimas; e o sistema imunitário adaptativo 
(imunidade adquirida), como a ação direcionada dos linfócitos e a sua produção de anticorpos específicos. 
 Imunidade Inata: primeira linha de defesa do nosso organismo, com a qual, já nascemos. Como exemplo de um 
dos integrantes desse sistema têm-se os macrófagos e neutrófilos, células fagocitárias com receptores de 
baixa especificidade (MHC – Complexo Principal de Histocompatibilidade – é um complexo proteico da célula 
fagocitária responsável por apresentar o antígeno ao linfócito). 
 Imunidade Adquirida: sistema imunitário que se potencializa a partir da exposição à antígenos, sendo ela mais 
específica. Como exemplo de integrantes, têm-se os linfócitos com receptores CD (Classes de Diferenciações) 
muito mais específicos e seletivos. Esses receptores também determinam o grau de maturidade da célula. 
 
OBS
1
: Antígeno é toda partícula ou molécula capaz de iniciar uma resposta imune, a qual começa pelo reconhecimento 
pelos linfócitos e cumula com a produção de um anticorpo específico. Anticorpo (imunoglobulinas) são glicoproteínas 
sintetizadas e excretadas por células plasmáticas derivadas dos linfócitos B, os plasmócitos, presentes no plasma, 
tecidos e secreções que atacam proteínas estranhas ao corpo (antígenos), realizando assim a defesa do organismo 
(imunidade humoral). Depois que o sistema imunológico entra em contato com um antígeno (proveniente de bactérias, 
fungos, etc.), são produzidos anticorpos específicos contra ele. 
OBS²: Epítopo (determinante antigenico) são sequências de aminoácidos presentes na estrutura proteica do antígeno 
que é reconhecida por receptores específicos nos anticorpos. 
 
 
HISTÓRICO 
 Século XV: Chineses e turcos tentam induzir imunidade através da variolação. 
 1546: Girolamo Fracastoro, Univ. Pádua, diz "O contágio é uma infecção que passa de um para outro...a 
infecção se origina de partículas muito pequenas - imperceptíveis" 
 1798: Sir Edward Jenner, vacinação, o pai da imunologia, observou que os fazendeiros que contraíram varíola 
bovina ficavam protegidas da varíola humana. Inoculou então um menino de 8 anos com a varíola bovina e 
obteve resultados satisfatórios. A técnica foi denominada de “vacinação” (de vaca). 
 1879-1881: Louis Pasteur, vacinas atenuadas. Estava estudando a bactéria que causa a cólera, cultivando-a e 
injetando em galinhas. Ao voltar de férias, ele usou uma cultura velha para injetar e, surpreendentemente, as 
galinhas adoeceram mas melhoraram. Pasteur concluiu: cultura velha, e fez uma cultura fresca. Desta vez, como 
ele tinha poucas galinhas, resolveu usar algumas do experimento anterior. Resultado: as galinhas do 
experimento anterior sobreviveram e as não inoculadas previamente morreram. Pasteur reconheceu que o 
envelhecimento da cultura tinha enfraquecido a bactéria, a ponto de torná-la não letal, e aplicou este 
conhecimento para proteger outras doenças. Ele chamou a linhagem atenuada de VACINA, de vaca. Pasteur 
então produz vacinas para cólera, anthrax, e raiva. 
 Elie Metchnikoff, teoria dos fagócitos. Observou a fagocitose de esporos de fungos por leucócitos e antecipou a 
ideia de que a imunidade era devido às células brancas do sangue. Partiu daí a definição de imunidade celular. 
 1890: Emil von Behring e Kitasato, antitoxina da difteria. Demonstram que o soro de animais imunes à difteria 
pode transferir a proteção. Esse componente, antitoxina, era capaz de neutralizar, precipitar toxinas, aglutinar e 
lisar bactérias. Partiu daí a definição de imunidade humoral. 
 1974: Peter Doherty e Rolf Zinkernagel, descoberta da especificidade das respostas imunes mediadas por 
células T (restrição das células T). 
 1989: Tim Mosmann e Robert Kopfman, descoberta dos subtipos de células Th1/Th2, através do perfil de 
citocinas que produzem. 
Arlindo Ugulino Netto. 
IMUNOLOGIA 2016 
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SISTEMA IMUNE E HOMEOSTASIA 
 
 
Os sistemas imune, nervoso e endócrino são considerados os três principais sistemas de contato entre o 
indivíduo e seu meio ambiente. 
 Sistema Nervoso  origem embrionária: ectoderma; células: neurônios; substâncias: neurotransmissores. 
 Sistema Endócrino  origem embrionária: endoderma; substâncias: hormônios. 
 Sistema Imunológico  origem embrionária: mesoderma; células: leucócitos; substâncias: citocinas. 
 
As células do sistema imune, diferentemente das células desses outros dois sistemas, exercem suas funções 
circulando pelas mucosas e tecidos internos e identificando a entrada de moléculas próprias. Essas células utilizam 
como principais vias de entrada as mucosas e tecidos dos vasos sanguíneos e linfáticos, que seriam como estradas de 
acesso aos tecidos. 
 As respostas imunes adquiridas podem ser divididas em três fases: o reconhecimento do antígeno, a ativação 
dos linfócitos e a fase efetora. Todas as respostas imunes são iniciadas pelo reconhecimento do antígeno específico. 
Isso induz a ativação do linfócito que reconhece o antígeno e culmina na instalação de mecanismo efetores que 
medeiam a função fisiológica da resposta, ou seja, a eliminação do antígeno. Depois de eliminado o antígeno, a reação 
imune é atenuada e a homeostase é restaurada. 
 Reconhecimento dos Antígenos: todo indivíduo possui numerosos linfócitos derivados a partir de clones. Cada 
clone origina-se de um precursor único e é capaz de reconhecer e responder a um determinante antigênico 
distinto e, quando o antígeno entra, seleciona um clone específico pré-existente, ativando-o. Em um primeiro 
momento, a linha primordial de defesa imune – imunidade inata – entra em cena por meio de células 
apresentadoras de antígenos (macrófagos), que fagocitam e “digerem” o antígeno patogênico, degradando-o em 
nível de peptídeo (epítopo). Esse mesmo macrófago apresenta o epítopo aos linfócitos por meio do seu MHC. 
 Ativação dos Linfócitos: a ativação dos linfócitos requer dois sinais distintos: o primeiro é o antígeno e o 
segundo, os produtos microbianos ou os componentes das respostas imunes inatas aos micro-organismos. A 
exigência do antígeno (sinal 1) assegura que a resposta imune a seguir seja específica. A exigência de um 
estímulo adicional, desencadeado pelos micro-organismos ou por reações imunes inatas (sinal 2), assegura que 
as respostas imunes sejam induzidas quando necessárias (isto é, contra micro-organismos e outras substâncias 
nocivas), e não contra substâncias inócuas, incluindo os antígenos próprios. As respostas dos linfócitos aos 
antígenos e aos segundos sinais constituem da síntese de novas proteínas, proliferação celular e diferenciação 
em células efetoras e de memória. 
o Síntese de Novas proteínas: os linfócitos começam a transcrever os genes que anteriormente estavam 
silenciosos e a sintetizar uma variedade de novas proteínas (citocinas secretadas que estimulam o 
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crescimento e a diferenciação dos próprios linfócitos e de outras células efetoras; receptores de citocinas; e 
outras proteínas envolvidas na transcrição dos genes e na divisão das células). 
o Proliferação celular: