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Fichamento Formação Econômica do Brasil de Celso Furtado

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economia nordestina nesse período consistiu num processo de involução econômica: o setor de alta produtividade ia perdendo importância relação e a produtividade da pecuária declinava à medida que crescia (havia pouca demanda externa e pouca demanda interna; ou seja, havia muita gente se agregando à pecuária e pouca economia externa à essa atividade para dinamizá-la e estimulá-la).
O nordeste foi se tornando uma economia em que grande parte da população produzia apenas o mínimo necessário para poder subsistir.
12. Contração econômica e expansão territorial
O século XVII constitui a etapa de maiores dificuldade na vida política da colônia. Em sua primeira metade, o desenvolvi da economia do açúcar foi interrompida pelas invasões dos holandeses (que subtraíram produção e produtos e sabotaram o fisco português). Depois, tem início a baixa dos preços provocada pela perda do monopólio. A rentabilidade da colônia baixou na medida em que crescia seu encargo para Portugal.
Narra o autor a grande dificuldade da colônia do Maranhão para sobreviver a partir de um quadro de desorganização política que levou sua população a subsistir parcamente por si só e com a caça de escravos indígenas. 
A medida que ia caçando autóctones para escravizar, os colonos iam adentrando na floresta e a conhecendo melhor, podendo a partir de então comercializar produtos florestais. Os jesuítas, no entanto, intervieram na predação dos indígenas, uma vez que tinham meios mais eficazes de incorporá-los à civilização colonizadora.
Ante a decadência do açúcar e a elevação do preço dos escravos, na região sul os couros passaram a ter maior importância.
PARTE TRÊS: Economia escravista mineira
13. Povoamento e articulação das regiões meridionais
Portugal tornou à idéia de buscar metais preciosos no seu quinhão americano. Com o conhecimento dos interiores pelos homens que ali residiam e com novos fluxos migratórios advindos da Metrópole começava, então, a busca pelo ouro. Até então as imigrações européias haviam sido escassas e financiadas pela Coroa com objetivos políticos, quando não era caso de imigração para investimento ou trabalho remunerado na indústria açucareira.
Não se exploravam grandes minas e sim o metal de aluvião que se encontrava no fundo de grandes rios.
O financiamento dessas correntes imigratórias se dava pelos próprios imigrantes. Estava presente ainda o trabalho escravo, mas como havia maior articulação e complexidade social, comparado ao período açucareiro, posto que agora a população era mais densa pela decorrência das migrações, os escravos não chegam a constituir a maior parte da população e pode até mesmo trabalhar por conta própria pagando certa renda periodicamente ao seu proprietário, existindo a possibilidade de comprar a sua liberdade.
A mineração era um empreendimento incerto no qual qualquer um podia se arriscar, com menos ou mais recursos. Não havia ligação à terra, pois a vida de uma lavra era incerta, e havia grande possibilidade de ascensão ou declínio social. A elevada lucratividade do negócio induzia a concentrar na própria mineração todos os recursos disponíveis. A excessiva concentração de recursos nos trabalhos mineratórios conduzia sempre a grandes dificuldades de abastecimento. A elevação do preço dos alimentos e animais de transporte nas regiões vizinhas constituiu o mecanismo de irradiação dos benefícios econômicos da mineração. A pecuária passa por uma verdadeira revolução com o advento da economia mineira.
Sistema de transporte: a região minera era montanhosa e distante do litoral, razão pela qual se via em dificuldades quanto aos meios de transporte – dificuldade essa que fora superada pela criação de tropas de mulas.
“(...) a economia mineira, através de seus efeitos indiretos, permitiu que se articulassem as diferentes regiões do sul do país”.
14. Fluxo da renda
Em algumas regiões a curva de produção subiu e baixou rapidamente, gerando grandes fluxos e refluxos de população; em outras, essa curva foi menos abrupta, gerando um desenvolvimento demográfico regular e fixação definitiva de importantes núcleos de população.
Se bem que a renda média da economia mineira haja sido mais baixa do que a do açúcar, seu mercado apresentava potencialidade muito maiores – tinha dimensões superiores porque a importação representava proporção menor do dispêndio total, além de a renda estar muito menos concentrada, dado que a proporção da população livre era maior. A população estava em grande parte reunida em grupos urbanos e semi-urbanos. A distância entre os portos e a região mineira encarecia os artigos importados. Tais fatores favoreceram o mercado interno. No entanto, não houve grande desenvolvimento manufatureiro, em parte porque não havia precedentes para tal e os imigrantes não tinham capacidade técnica, e em parte também porque o governo imperial coibia (mesmo Portugal carecia de desenvolvimento necessário nesse aspecto).
Situação de Portugal: primeiro, havia firmado um acordo com a Inglaterra que garantia prioridade dos vinhos portugueses com a contrapartida do não protecionismo com relação aos tecidos ingleses (mas os tecidos eram mais caros do que os vinhos, o que criava um déficit na balança comercial portuguesa). Nesse momento, começa a fluir ouro da colônia, havendo grande deslocamento populacional para a América, o que deixou a população local escassa, e havendo ainda investimentos não retornáveis feitos em obras públicas. Assim, com o déficit populacional e com o fluxo monetário não sendo retornável, Portugal não desenvolveu o setor manufatureiro, encontrando-se vulnerável quando da Revolução Industrial, sendo uma extensão agrícola da Inglaterra. A Inglaterra foi o único país da Europa que conseguiu efetivar investimentos no setor manufatureiros, por aspectos internamente favoráveis.
15. Regressão econômica e expansão da área de subsistência
Era natural que, com o declínio da era do ouro, viesse uma rápida e geral decadência. O sistema ia se atrofiando até se desagregar-se novamente em uma economia de subsistência. O trabalho escravo impediu que a crise criasse fricções sociais de maior vulto. Em poucas décadas o sistema mineiro se desarticulou completamente.
PARTE QUATRO: Economia de transição para o trabalho assalariado do século XIX
16. O Maranhão e a falsa euforia do fim da época colonial
“Observada em conjunto a economia brasileira se apresentava como uma constelação de sistemas em que alguns se articulavam entre si e outros permaneciam isolados. As articulações se operavam em torno do açúcar e do ouro, e articulada de forma mais frouxa ao núcleo do açúcar estava a pecuária”.
O único sistema que teve relativa prosperidade no final do século XVIII foi o Maranhão, que teve atenção do governo português para erradicar os jesuítas. Pombal ajudou a região criando uma companhia de comércio que financiaria o desenvolvimento da região (erradicou a escravidão indígena a que os jesuítas se dedicavam através de importação de escravos africanos, mudando a fisionomia étnica da região). Com a mudança no mercado mundial (independência dos EUA e Revolução Industrial), os dirigentes da campanha perceberam o crescimento na demanda pelo algodão e pelo arroz. Assim, o Maranhão teve excepcional prosperidade no período.
17. Passivo colonial, crise financeira e instabilidade política
Ocupado o reino português pelas tropas francesas, desapareceu o entreposto que representava Lisboa para o comércio da colônia. A abertura dos portos de 1808 segue pelos tratados de 1810 que transformavam a Inglaterra em potência privilegiada (que limitam a autonomia do governo brasileiro). A separação definitiva de Portugal em 1822 consolida a posição da Inglaterra, fazendo que o Brasil assuma a posição passiva que antes assumia Portugal. A única elite presente era a agrícola. “O desaparecimento do entreposto lusitano logo se traduziu em baixa de preços nas mercadorias importadas (...), facilidade de crédito mais amplas e outras óbvias vantagens para os agricultores”.
O governo agrícola brasileiro