A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
12 pág.
alegações finais  - memoriais

Pré-visualização | Página 1 de 4

EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ DE DIREITO DA SEGUNDA VARA CRIMINAL DA CIRCUNSCRIÇÃO JUDICIÁRIA DE TAGUATINGA – DISTRITO FEDERAL
Processo nº 2012.07.1.000000-0
 Carlota Joaquina, Brasileira, solteira, residente e domiciliada na SQS, 200, Bloco Z, apartamento 001, nascida em 01 de agosto de 1984, por intermédio de seu advogado devidamente constituído, procuração em anexo, vem, respeitosamente, perante Vossa Excelência, com fulcro no art. 403, §3º, do Código de Processo Penal, apresentar alegações finais em forma de 
MEMORIAIS
pelos motivos de fato e de direito que adiante passará a expor.
I – BREVE SÍNTESE DA DEMANDA
 Trata-se de Denúncia na qual o Ministério Público atribui à acusada a prática do ilícito tipificado no art. 155, caput, c/c art. 14, II, ambos do Código Penal. Em resumo, conforme se extrai da peça exordial, no dia 02 de maio de no Shopping Pátio Brasil, nesta cidade, a acusada, foi detida ao sair da loja Marisa, portando 3 blusas da loja Marisa, produtos estes avaliados em R$ 70,00 (setenta reais), conforme laudo de avaliação econômica acostado aos autos.
A acusação apresentou alegações finais postulando pela condenação da acusada nos termos da denúncia. Em que pese a respeitável tese esposada pelo ilustre representante do Ministério Público, não merece prosperar a pretensão acusatória, conforme dispõe a defesa a seguir.
II. – DAS PRELIMINARES E NULIDADES:
II.I -DA PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO PUNITIVA
 O processo em tela se encontra diante da sua extinção pela prescrição. A prescrição penal é a perda do poder de punir do Estado, causada pelo decurso do tempo fixado em lei, sendo uma verdadeira sanção (sentido de consequência pela não-realização do preceito da norma).
A lei estabelece o prazo para o Estado concluir o processo criminal, ou executar a sentença penal condenatória. Não observado, opera-se prescrição, respectivamente, da pretensão punitiva e da pretensão executória.
As causas interruptivas da prescrição são tomadas como dados cronológicos. Não se tem em conta a legalidade, ou ilegalidade da decisão judicial. A relevância se restringe a policiar o desenvolvimento do ius persequendi, impedir que a instauração, ou transcorrer do processo se alonguem de modo intolerável.
Nos termos do art. 109, V, do CP., "a prescrição se verifica em 4 anos, se o máximo da pena é igual a um ano ou, sendo superior, não excede a dois". Assim, temos a ocorrência da prescrição retroativa (art. 110 e §§, do CP.), que também se vale da pena concreta aplicada pela sentença, mas conta seu prazo para o passado, sujeitando-se às causas de interrupção previstas no art. 117 do CP.
Deve-se observar que o prazo prescricional de 4 anos (correspondente à pena de dois anos) foi ultrapassado entre a data em que o juiz entregou a sentença em cartório e a data do recebimento da denúncia.
O fato de já ter transcorrido alguns anos para se fazer o presente requerimento não importa, pois quanto ao momento da prescrição o que importa é a data real em que ela se verificou e não o instante em que foi declarada. O que importa é que ela tenha acontecido dentro dos seus limites temporais.
 A prescrição é instituto de direito material, inexistindo preclusão a seu respeito. Ademais, inocorreu, qualquer das causas impeditivas da prescrição, constantes no art. 116 do CP. Destarte, a punibilidade do Reqte. está fulminada pela ocorrência da prescrição da pretensão punitiva, nos termos da combinação dos arts. 107, IV, primeira figura, 109, V, 110, § 1º, todos do Código Penal. Daí o presente pedido.
II.II – PRELIMINAR DE NULIDADE DO PROCESSO POR CERCEAMENTO DE DEFESA
Nos termos do artigo 400 do Código de Processo Penal: 
Art. 400. Na audiência de instrução e julgamento, a ser realizada no prazo máximo de 60 (sessenta) dias, proceder-se-á à tomada de declarações do ofendido, à inquirição das testemunhas arroladas pela acusação e pela defesa, nesta ordem, ressalvado o disposto no art. 222 deste Código, bem como aos esclarecimentos dos peritos, às acareações e ao reconhecimento de pessoas e coisas, interrogando-se, em seguida, o acusado. (Redação dada pela Lei nº 11.719, de 2008) (grifos nossos)
No presente caso percebemos que durante a realização da audiência de instrução e julgamento houve a inversão na ordem de formulação das perguntas. Em primeiro lugar deveria ter havido a tomada de delcarações do ofendido, no caso o tomador da loja Marisa, para em um segundo momento passar à inquirição das testemunhas arroladas pela acusação e pela defesa, nesta ordem, ressalvado o disposto no art. 222 deste Código, bem como aos esclarecimentos dos peritos, às acareações e ao reconhecimento de pessoas e coisas, interrogando-se, em seguida, o acusado. Entretanto, o tomador foi ouvido não em primeiro lugar como é a praxe, mas em penúltimo lugar, antes apenas do acusado. Tal fato gera nulidade da audiência instrutória por ocasionar o error in procedendo. 
Sendo assim, a não realização do interrogatório do condutor no início da da instrução, nos termos do artigo 400 do Código de Processo Penal, constitui violação aos princípios do devido processo legal e da ampla defesa e por conseguinte gera a nulidade da audiência. A jurisprudência também se encontra neste sentido:
APELAÇÃO. Artigo 33, da Lei 11.343/06. Condenação. RECURSO DEFENSIVO. Preliminares. Nulidade da audiência instrutória. Error in procedendo, eis que o interrogatório foi o primeiro ato a ser realizado, em clara violação do artigo 400, do Código de Processo Penal. Inversão na ordem de formulação das perguntas, em desrespeito ao artigo 212, do Código de Processo Penal. Mérito. Absolvição, ao argumento de fragilidade probatória. Fixação das penas-base nos mínimos legais (...) (TJ-RJ - APL: 00374909220128190014 RJ 0037490-92.2012.8.19.0014, Relator: DES. KATIA MARIA AMARAL JANGUTTA, Data de Julgamento: 16/09/2014, SEGUNDA CAMARA CRIMINAL, Data de Publicação: 19/09/2014 12:53) (grifos nossos)
APELAÇÃO. Artigo 33 e 35, c/c 40, VI, todos da Lei 11.343/06, na forma do artigo 69, do Código Penal. Condenação. RECURSO DEFENSIVO. Preliminares. Nulidade da Sentença, por erro in procedendo, eis que o interrogatório foi o primeiro ato a ser realizado, em clara violação do artigo 400, do Código de Processo Penal, com a redação da pela Lei 11.709/2008, que é posterior à Lei antidrogas, não havendo, assim, como vigorar o princípio da especialidade. Nulidade da Audiência instrutória, por violação ao sistema do cross examination, porquanto houve inversão na ordem de formulação das perguntas, desrespeitando-se, assim, o artigo 212, do Código de Processo Penal. Mérito. Absolvição, ao argumento de fragilidade probatória. Fixação das penas-base nos mínimos legais. Aplicação da causa de diminuição do artigo 33, § 4º, da Lei 11.343/06. Abrandamento do regime prisional para o aberto. (...) (TJ-RJ - APL: 00136640320138190014 RIO DE JANEIRO CAMPOS DOS GOYTACAZES 3 VARA CRIMINAL, Relator: KATIA MARIA AMARAL JANGUTTA, Data de Julgamento: 05/08/2014, SEGUNDA CÂMARA CRIMINAL, Data de Publicação: 22/10/2014)
Tal entendimento advém como forma de preservar o princípio maior dentro do Direito Penal que é o do devido Processo Legal. Nesses termos, vislumbra-se que o procedimento adotado no citado feito compromete o desenvolvimento válido e regular do processo. Neste sentido, roga-se para que seja declarada nula a audiência realizada, a fim de que o ato seja renovado.
III – DO MÉRITO
 III.1 – Da Absolviçao - Da Insuficiência de Provas
À luz do que foi possível descobrir na instrução judicial, torna-se inafastável a absolvição da acusada. Isso porque não há um conjunto probatório sóbrio e completo para embasar uma sentença condenatória em relação à ré, eis que não há prova segura sobre a autoria delitiva.
Excelência, conforme contextualizado em audiência de instrução o condutor que foi ouvido em primeiro lugar afirmou que a ré subtraiu mercadorias que deu origem a presente ação penal. Contudo, o próprio condutor trás em seu relato que