Prévia do material em texto
1 UNISA – UNIVERSIDADE SANTO AMARO Resenha Direito Penal - Tomo 2º - pags. 257-286. Capítulo XXXI: Formas de Realização do Fato Punível. BRUNO, Anibal. Direito Penal. São Paulo: Editora Forense Direito Penal II Docente: Flávio Torresi Nome: Ana Paula Sousa Vieira RA: 3303519 4º Semestre A Período: Noturno 2 UNIDADE E PLURALIDADE DE AGENTES, CODELINQUENTES O fato punível pode ser praticado por um ou mais agentes, podendo estes formarem uma única totalidade mediante o interesse em comum, chegando ao concurso de agentes, participantes ou codelinquentes. Na época ante imperial, recusava-se a tratar com distinção os agentes, pois ensejava a mesma penalidade a todos. Já doutrina tradicional remonta o direito romano, que distingue a penalidade segundo a natureza da participação, adotada pela relação estabelecida pela causalidade (delimitação da responsabilidade penal, em outras palavras o estabelecimento da influência/ nexo causal). Neste caso, o agente mesmo codelinquente é punível pela sua ação, omissão, e contribuição para a pratica do ato criminoso. Neste tópico se estabelece como área de análise mais delicada a causalidade física e a realidade jurídica (realidade objetiva – quanto maior sua proximidade com o fato ocorrido - ou subjetiva do fato punível) e seus vários graus de participação (sua vontade). A participação do agente dependera da concorrência do nexo causal para estabelecer a sua responsabilidade penal através da intensidade a partir da participação. Pressupostos do concurso de delinquentes. A distinção da participação e responsabilização deriva do (s) crime (s) e a quantidade de agentes que cooperaram ou não para a ação. Neste aspecto a teoria pluralista considera que para cada agente há a realização de um crime, devendo cada um responder por sua ação punindo sua participação que é distinta. A teoria majoritária prevê que independentemente da quantidade de agente envolvidos, se o resultado objetivado for comum, há um único crime. Sendo assim, todos os atos são frações de um conjunto unitário. Este é o elemento material do concurso pois cada um possui uma condição para o resultado final. Já o elemento subjetivo é formado pela vontade e a consciência das partes, distinguindo os coautores e o autor. Logo, se houve apenas o a conduta imprudente ou negligente, não há culpa em sentindo estrito. 3 Autoria e coautoria Estas são duas formas de concurso de agentes. O autor é o agente que realizar o ato previsto penalmente, já a coautoria, quando outro (s) agente (s) que auxilia o ato principal, fazendo com que haja um trabalho em conjunto. Neste caso, não é necessário que todos pratiquem o mesmo ato, mas requer que seja estabelecido um nexo entre as ações. Autoria mediata Ocorre quando o agente pratica o crime com auxílio de um terceiro sem culpa ou dolo, apenas o erro. Neste caso, a penalidade é transferida tão somente ao agente mediato, que é o verdadeiro autor, ficando o terceiro isento da culpa, carecendo da hipótese de concurso de agentes. O autor diz ainda que este possui o ânimo de autor, e tem consciência da exclusão da culpabilidade do agente intermediário. Participação propriamente dita Neste caso se distingue o instigador do cúmplice, observando o grau de participação. Neste caso há de ter mais de um ato punível, sendo que o principal é necessário para que se crie um acessório que requer que entre ao menos em fase de execução. Instigação Esse é o agente que determina ou estimula alguém a prática de um delito, como mencionado no texto, este possui autoria intelectual ou psíquica. Nesse caso, há a vontade desse “alguém” para a prática do crime, dando consequência a sua determinação, estabelecendo assim um nexo causal, que se interrompido pelo instigador para impedir o resultado, não chegando sequer a fase de execução não há que se falar em punibilidade. Entretanto, se comprovado o nível de periculosidade, pode ser aplicado a medida de segurança. Outra característica neste caso, é o estabelecimento de uma espécie de hierarquia para a execução do crime. Cumplicidade 4 É estabelecida quando há o auxílio de um segundo agente para a execução do crime. Se distingue em cumplicidade primária (quando o auxílio é indispensável para o resultado), e a cumplicidade secundária (apenas facilita, mas não é indispensável). Tal auxilio requer o vínculo de participação e a consciência da prática. Agente provocador A conduta é afastada do instigador comum, pois mesmo induzindo a prática delituosa por um terceiro, o agente não possui a intenção de que o delito seja consumado, mas, deseja assim obter alguma espécie de vantagem sobre o provocado. O provocador não responderá pela culpa, se este conseguir impedir a consumação do ato. Se não conseguir evitá-lo, responderá por culpa ou a depender da punibilidade por dolo. Participação nas várias espécies de crimes Pode dar-se tanto em crimes dolosos, quanto culposos, sendo possível também a concorrência de pessoas não revestidas de qualidades, desde que uma das pessoas envolvidas possua. Neste caso, como não há a possibilidade de ato revestido de culpa em crime doloso, ou vice-versa, se exclui a condição do concurso de agentes e considera-se um crime distinto para cada um deles. Participação por omissão Realiza-se a partir de um ato inativo voluntário, quando ao agente era cabido o dever de agir, e ele deixa de atuar com vontade e consciência para cooperar com a consumação do ato. Pode haver omissão em crime comissivo (a ação de omitir-se para que se obtenha um determinado resultado), assim como podemos constatar omissão em crime próprio ou impróprio. Sendo a omissão o elemento principal para o fato. A presença durante o ato, ou a não denunciação à autoridade pública de um fato delituoso, não se caracteriza uma participação punível. É chamada de conivência, se este não tiver o dever jurídico de agir (art. 13, § 2º do CP). 5 Momento do concurso Todos os agentes concorrem a execução do mesmo evento. Podendo ser feita de diversas maneiras, até sua consumação, após esta não é mais possível. Mas o ato posterior de manter a execução (por exemplo no caso de sequestro), possui o caráter de participação, como nos casos de crimes permanentes, que se perduram enquanto não for constatado a consumação. Punibilidade A punibilidade é dada através das condições para o fato. A princípio a pena para aquele que que apenas contribuiu com o fato a princípio é a mesma, permitindo se assim, apenas alteração para uma taxa de penalidade maior ou menor. A exemplo, se o agente agir sob coação resistível, este terá atenuante conforme explicação do texto. Ipsis litteris “A razão com que se justificam estas causas especiais de agravação é a da maior periculosidade do agente que a sua atitude revela. Assim justifica a exposição de motivos do código. ” Utilizando-se também do critério da culpabilidade explorado em texto. Participação e medida de segurança Neste caso, se os agentes envolvidos, apresentarem um grau de periculosidade, sem que se enquadre qualquer forma de punição até o momento, pode-se decretar a medida de segurança, que será a liberdade vigiada, isso por causa do grau de periculosidade que oferece a coletividade. Circunstâncias comunicáveis e incomunicáveis Ipsis litteris “a participação de cada um dos consórcios adere ao fato, não à pessoa dos outros agentes.” É um termo típico, utilizado para influenciar a graduação da pena. As circunstânciasmateriais ou objetivas são as que se envolvem diretamente para a realização do fato e as formas de execução. Já as subjetivas ou pessoais possuem um caráter como o próprio nome diz, pessoal, caracterizado pelas condições para a intensidade do dolo ou culpa entre o agente e a vítima. Concurso necessário 6 O concurso necessário se refere a pluralidade de agentes envolvidos para estimar a condição de punibilidade e sua forma, pela subjetividade da figura típica do agente. Quanto ao concurso eventual, o autor diz que, pertence a crimes como o adultério, a bigamia, a greve, a conspiração, a rixa e alguns outros do gênero. Isso porque mais de um crime caminha na mesma direção para o mesmo resultado. Neste caso, cada um dos envolvidos responde como autor, salvo se a lei prevê punibilidade de apenas um dos agentes, como no rapto consensual. No concurso eventual, ocorre a colaboração de agentes necessários. A multidão criminosa Este se refere a um crime coletivo, criados e dissolvidos espontaneamente, a partir de uma ideia particular, inflamada por sentimentos antissociais. O autor coloca da seguinte maneira: “É uma arrancada de animais enfurecidos, levados pelos meneurs, mas esses mesmos, arrastados por esse espírito da multidão amotinada, já estão difícil de dominar.” Nesse caso, há aqueles que se deixam influenciar pelo tumulto, e para estes considera-se atenuante comum, desde que o tumulto não seja ilícito e estes não sejam os inspiradores ou reincidentes (neste caso, poderá ter penalidade agravada. Arts. 61, 63 e 65 do CP).