Práticas II e III   Determinações de acidez
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Práticas II e III Determinações de acidez


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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RECÔNCAVO DA BAHIA
CENTRO DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS, AMBIENTAIS E
 BIOLÓGICAS \u2013 CCAAB 
RENECLEIDE VIANA DOS SANTOS
PRÁTICAS I E II: DETERMINAÇÃO DO ALUMÍNIO TROCÁVEL E DA ACIDEZ POTENCIAL (H + AL)
CRUZ DAS ALMAS - BA
2016 
RENECLEIDE VIANA DOS SANTOS
PRÁTICAS I E II: DETERMINAÇÃO DO ALUMÍNIO TROCÁVEL E DA ACIDEZ POTENCIAL (H + AL)
COMPONENTE: CCA301 -
	QUÍMICA E FERTILIDADE SO SOLO
PROF. RESPONSÁVEL: Washington Luis
CRUZ DAS ALMAS - BA
2016
Práticas I e II: Determinação do alumínio trocável e da acidez potencial (H + Al)
1. INTRODUÇÃO
A reação do solo é uma das características fisiológicas mais notáveis na sua solução, ela pode ser ácida, alcalina ou neutra. Como os microrganismos e os vegetais superiores são demasiadamente sensíveis aos seus ambientes químicos, há muito tempo se concede grande realce à reação do solo e aos fatores a ela associados. O hidrogênio e o alumínio (cátions adsorvidos) são os principais responsáveis pela acidez do solo. Existem diferentes mecanismos pelos quais estes dois exercem suas influências, que dependem do nível de acidez do solo e da fonte de carga negativa dos coloides do solo, assim como da sua natureza (BRADY, 1989). 
A acidificação do solo é um processo que ocorre à medida que os cátions básicos adsorvidos nos coloides do solo vão sendo deslocados para a solução do solo por íons H+. Este é um processo natural, principalmente em regiões de clima úmido onde o elevado índice de chuva favorece ainda mais a dissolução do CO2 do ar e do solo nas águas das chuvas produzindo H2CO3 e mantendo, como principal fonte, os íons H+ na solução do solo e ainda a água promovendo a percolação dos cátions básicos através do perfil do solo (MONIZ, 1975).
Segundo Moniz (1975) a acidez do solo é representada basicamente por dois componentes: a fase sólida, representada pelas argilas, a matéria orgânica e os óxidos de ferro e alumínio, que estão em equilíbrio com a fase líquida ou a solução do solo. Os íons H+ dissociados na fase líquida são denominados acidez ativa, que é estimada pelo pH. Já a acidez trocável (extraída com solução não tamponada) se refere ao Al3+ que está ligado às cargas permanentes do solo por forças eletrostáticas. Ela é denominada também de acidez das cargas permanentes. A acidez das cargas permanentes, em conjunto com as cargas dependentes (que vão até o pH do solo) é dita como acidez potencial.
Na fase sólida do solo, a distribuição entre formas de Al trocável e Al não trocável, a qual inclui o Al-MO, é obtida com o emprego de diferentes extratores. O teor de Al trocável é extraído com solução de KCl 1mol L-1, que corresponde à fração adsorvida por forças eletrostáticas, formando complexos de esfera externa (KIEHL,1979).
O teor de alumínio trocável é importante na avaliação da capacidade de troca de cátions (CTC) dos solos, ou da saturação da CTC efetiva em alumínio. Em algumas regiões do Brasil, o teor de Al trocável no solo é utilizado como referência para o cálculo da necessidade de calagem dos solos. Como o alumínio é considerado o cátion predominante da acidez trocável na maioria dos solos brasileiros, o resultado obtido na titulação do extrato de solo em KCl 1 mol L-1 com NaOH 0,025 mol L-1 é considerado como sendo o teor de Al (Embrapa, 1997). No entanto, os teores reais de alumínio ficam mascarados pois é determinada a acidez trocável do solo devido não só ao Al trocável, mas também a outras formas de acidez, principalmente em solos ricos em matéria orgânica. Portanto, nos casos em que é necessária a determinação específica desse cátion, a titulação poderá ser inadequada, devendo-se optar por outra técnica (KAMPRATH, 1970).
A acidez potencial ou total representada por H+ e Al3+ é determinada através de uma solução tamponada a pH 7,0. Esta acidez depende da sua CTC, uma vez que, quanto mais elevada ela for, maior será a quantidade de íons H+ e Al3+ que poderão ser adsorvidos (MONIZ, 1975).
Segundo RAIJ (1991), no Brasil, a determinação da acidez potencial por acetato de cálcio 0,5 mol L-1 é usada por grande número de laboratórios. Esse método requer grande quantidade desse reagente por amostra e visualização do indicador durante a titulação é difícil. Outro fator que limita a sua utilização é que ele subestima os valores de H+ e Al3+ em solos com pH acima de 6,0 por causa do tamponamento deficiente da solução de acetato de cálcio em pH próximo de 7,0, tornando-se necessário realizar a correção dos resultados encontrados.
O acetato de cálcio em solução apresenta-se dissociado em íon acetato e íon cálcio. O ácido acético apresenta baixa constante de equilíbrio iônico. Então se colocando em uma solução que apresente o íon acetato em contato com o solo, este íon acetato irá retirar maior número possível de prótons (H+) do mesmo solo, regenerando, desta forma o ácido acético. A solução de acetato de cálcio 1N pH 7, 0 extrai tanto os íons de H como os de Al3+. 
 Embora o método do pH SMP tenha sido inicialmente desenvolvido para a determinação da necessidade de calagem (RAIJ et al., 1987), no Brasil, vários estudos foram realizados com ajustes de regressões e possibilitam estimar a acidez potencial a partir do pH da solução SMP. Entretanto, poucos desses estudos incluíram solos com elevados teores de matéria orgânica. O H+ e Al3+ encontram-se adsorvidos na superfície dos coloides dos solos; em geral o Al está adsorvido de forma iônica ao passo que o H+ pode estar adsorvido sob forma mais iônica e covalente.
Os solos podem ser naturalmente ácidos devido à própria pobreza em bases do material de origem, ou a processos de gênese que favorecem a retirada de elementos básicos como K, Ca, Mg, Na, etc. Podem também ter sua acidez elevada por cultivos e adubações constantes que levam a tal processo. A escala de pH varia de 0 a 14; em solos podem ser encontrados valores de 3 a 10, com variações mais comuns em solos brasileiros entre 4,0 a 7,5. Solos com pH abaixo de 7 são considerados ácidos, já os com pH acima de 7 são alcalinos. A acidez do solo é, na maioria das vezes, um dos principais fatores que restringem a produção em áreas agrícolas brasileiras. A deposição de matéria orgânica pode promover o aumento no pH do solo na camada superficial, pela troca ou complexação dos íons H e Al, por Ca, Mg, K e outros compostos presentes no resíduo vegetal, aumentando assim a saturação por bases (AMARAL et al., 2004).
2. MATERIAIS E MÉTODOS
2.1. DETERMINAÇÃO DO ALUMÍNIO TROCÁVEL
A aula prática de determinação do alumínio trocável foi desenvolvida no Laboratório de Química do solo, situado na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, campus Cruz das Almas. O princípio utilizado foi o do método volumétrico por titulação com hidróxido de sódio, após a extração do Al3+ na presença de azul de bromotimol como indicador após a extração do solo com KCl 1 mol. L-1.Para o procedimento, utilizou-se amostras de solo já devidamente preparadas (deixadas para secar ao ar e posteriormente dissociadas em peneiras de 2mm de diâmetro) do Cambissolo Vértico (CV) da região de Irecê e de dois Latossolos Amarelos (LA) da região de Cruz das Almas, um com cultivo de pastagem e outro com cultivo de mangueira. As amostras de solo (TFSA) foram devidamente homogeneizadas no saco, para haver mistura íntima entre as partículas mais finais e mais grossas. Primeiramente, mediu-se 10 cm3 de cada tipo de solo em um cachimbo (dando três batidas no mesmo para que se assegurasse o volume correto da amostra) e posteriormente transferiu-se cada uma das medidas para erlenmeyers de 125 mL (devidamente identificados). Com a ajuda de uma proveta graduada, adicionou-se 100 mL de uma solução de cloreto de potássio (KCl) nos três erlenmeyers. Além da adição desta solução num erlenmeyer puro, sendo chamada de amostra em \u201cbranco\u201d, feita para medir a acidez