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Água na Farmácia

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Água na Farmácia

a turbidez na água é decorrência da alteração 
da penetração da luz devido à presença de partículas em suspensão (ex.: plâncton, 
argilas, bactérias, poluição, etc), promovendo sua difusão e absorção (Macedo, 
2007). Os valores são expressos em Unidade Nefelométrica de Turbidez (UNT). A 
cor da água interfere negativamente na medida da turbidez, devido a sua 
propriedade de absorver luz. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o 
limite máximo de turbidez em água potável deve ser 5 UNT. As águas subterrâneas 
normalmente não apresentam problemas devido ao excesso de turbidez. Em alguns 
casos, águas ricas em íons Fe, podem apresentar uma elevação de sua turbidez 
quando entram em contato com o oxigênio do ar. 
Especificação para água potável: máximo de 5 UNT (BRASIL, 2004). 
 
Cloro residual livre: o cloro residual livre compreende a parte de cloro adicionada à 
água que não reagiu com agentes contaminantes ou com matéria orgânica. 
Essencialmente, constitui a quantidade de cloro que está livre para eliminar 
microorganismos nocivos. A presença de cloro residual livre é um indicativo do 
tratamento correto da água de abastecimento, sendo considerado também como um 
parâmetro de potabilidade da água. 
Especificação para água potável: mínimo de 0,2mg/L (BRASIL, 2004). 
 
Sólidos totais dissolvidos (STD): sólidos Totais Dissolvidos corresponde ao peso 
total dos constituintes minerais presente na água por unidade de volume. Os STD 
compreendem quimicamente os sólidos voláteis e fixos. Estes materiais passam 
pelos filtros, uma vez que se encontram dissolvidos. Dependendo da quantidade de 
substância dissolvidas na água, as propriedades físicas e químicas da água sofrem 
alterações. Para a potabilidade da água o valor de Sólidos Dissolvidos Totais não 
deverá ser maior que 1000mg/L (BRASIL, 2004). Um alto valor de STD pode 
promover efeitos adversos no consumidor como, por exemplo, um efeito laxativo. 
Um valor alto de STD também está correlacionado com uma maior velocidade de 
corrosão e incrustação em equipamentos. 
Especificação para água potável: máximo de 1000mg/L (BRASIL, 2004). 
 
 
2. Controle de qualidade microbiológico de água potável 
 
De acordo com a Portaria MS n° 518/2004, a água pot ável deve estar em 
conformidade com o padrão microbiológico descrito no quadro abaixo. 
 
Quadro: Padrão microbiológico de potabilidade de água para consumo humano 
Água Parâmetro Valor máximo permitido 
Água para consumo humano E. coli ou coliformes 
termotolerantes 
Ausência em 100 mL 
Água na saída do tratamento Coliformes totais Ausência em 100 mL 
E. coli ou coliformes 
termotolerantes 
Ausência em 100 mL 
Água tratada no sistema de 
distribuição (reservatórios e 
rede) Coliformes totais 
1) Sistemas que analisam 40 ou mais 
amostras por mês: 
- ausência em 100 mL em 95% das 
amostras examinadas 
2) Sistemas que analisam menos de 
40 amostras mês: 
- apenas uma amostra poderá 
apresentar mensalmente resultado 
positivo em 100 mL 
Fonte (BRASIL, 2004) 
Nota: Em 20% das amostras mensais para análise de coliformes totais nos sistemas de distribuição, 
deve ser efetuada a contagem de bactérias heterotróficas e, uma vez excedidas 500 unidades 
formadoras de colônia (UFC) por mL, devem ser providenciadas imediata recoleta, inspeção local e, 
se constatada irregularidade, outras providências cabíveis (BRASIL, 2004). 
 
2.1 Parâmetros microbiológicos que devem ser avaliados na água potável utilizada 
na farmácia (ANVISA, 2007) 
 
A água potável utilizada na farmácia magistral deve ter sua qualidade 
microbiológica também monitorada periodicamente de acordo com a legislação em 
vigor para as farmácias. Os microorganismos pesquisados e as contagens máximas 
aceitáveis são: 
 
Contagem total de bactérias (bactérias heterotróficas): determinação da 
densidade de bactérias que são capazes de produzir unidades formadoras de 
colônias (UFC), na presença de compostos orgânicos contidos em meio de cultura 
apropriada, sob condições pré-estabelecidas de incubação: 35,0, ± 0,5ºC por 48 
horas. 
Especificação para água potável: a contagem total de bactérias heterotróficas na 
água potável não deverá ser superior a 500 UFC/mL. 
 
Coliformes totais: compreendem as bactérias do grupo coliforme, incluindo bacilos 
gram-negativos ou anaeróbios facultativos, não formadores de esporos, oxidase-
negativos, capazes de desenvolver na presença de sais biliares ou agentes 
tensoativos que fermentam a lactose com produção de ácido, gás e aldeído a 35,0 ± 
0,5ºC em 24-48 horas, e que podem apresentar atividade da enzima ß -
galactosidase. Este grupo de microorganismos é composto por cerca de 20 
espécies, dentre as quais se encontram tanto bactérias originárias do trato intestinal 
de humanos como de outros animais de sangue quente. A maioria das bactérias do 
grupo coliforme pertence aos gêneros Escherichia, Citrobacter, Klebsiella e 
Enterobacter, embora vários outros gêneros e espécies pertençam ao grupo. 
Especificação para água potável: ausência em 100mL. 
 
Escherichia coli: a E. coli é uma bactéria do grupo coliforme que fermenta a lactose 
e manitol, com produção de ácido e gás a 44,5 ± 0,2ºC em 24 horas, produz indol a 
partir do triptofano, oxidase negativa, não hidroliza a uréia e apresenta atividade das 
enzimas ß galactosidase e ß glucoronidase, sendo considerada o mais específico 
indicador de contaminação fecal recente e de eventual presença de organismos 
patogênicos. 
Especificação para água potável: ausência em 100mL 
 
Coliformes termorresistentes (Coliformes fecais, Coliforme termotolerantes): 
compreendem um subgrupo de bactérias do grupo coliforme que fermentam a lactose a 44,5 
± 0,2ºC em 24 horas; tendo como principal representante a Escherichia coli, de origem 
exclusivamente fecal. Os coliformes termorresistentes distintos da E.coli podem ser 
provenientes de águas organicamente enriquecidas (contaminadas) como, por exemplo, 
com efluentes industriais ou matérias vegetais e solos em decomposição. Como os 
coliformes termorresistentes são detectados com facilidade, eles podem desempenhar uma 
importante função secundária como indicadores da eficácia dos processos de tratamento da 
água para bactérias fecais. 
 Especificação para água potável: ausência em 100mL 
 
 
 
 
3. Água Purificada: obtenção e controle da qualidade 
 
A água purificada pode ser considerada uma das matérias-primas mais 
importantes, pois é empregada diretamente na manipulação de uma série de 
preparações e também em alguns tipos de lavagem de materiais em que se 
emprega água purificada. 
A água purificada deve ser obtida a partir da água potável e tratada em um 
sistema que assegure a obtenção de uma água de acordo com as especificações 
farmacopéicas (Santos & Cruz, 2008). 
 
3.1 Principais processos de purificação de água empregados na farmácia 
 
Filtração: a filtração é um processo de purificação pelo qual são removidas as 
partículas sólidas “não dissolvidas” dispersas ao passar através de um material 
poroso (filtro). A eficiência da filtração é determinada pelo diâmetro do material 
filtrante. A filtração em si apresenta limitações que a impede de ser utilizada como 
único meio para obtenção de água purificada para uso farmacêutico (ex.: não é 
totalmente eficiente na eliminação de contaminação microbiana). Portanto, a filtração 
deve ser considerada como uma etapa inicial e complementar do processo de 
obtenção da água purificada, sendo sucedida por outros processos de purificação 
como a deionização e/ou destilação ou osmose reversa. 
 
Destilação: a destilação é um processo de purificação no qual ocorre mudanças de 
fases da água, passando inicialmente do estado líquido para vapor (100oC) e depois 
do vapor para o estado líquido novamente por condensação. As impurezas com o 
ponto de