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Água na Farmácia

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Água na Farmácia

ebulição superior a 100oC permanecem na caldeira do destilador. A 
destilação consegue eliminar com efetividade a maioria dos sólidos inorgânicos, 
todos os compostos orgânicos com ponto de ebulição superior ao da água, bactérias 
e pirogênios. Ainda assim gases e alguns compostos orgânicos não são eliminados 
por este processo, necessitando de outros processos de purificação, 
complementares a destilação para uma efetiva remoção. 
 
Deionização ou desmineralização: a deionização é o processo que utiliza resinas 
sintéticas para permitir a troca seletiva de íons H+ ou OH- por cátions (Ca++, Mg++, 
Na+, etc) e ânions (Cl-, SO42- , CO32-, HCO3-, sílica e NO3-), presentes como 
impurezas na água. Em geral, utiliza-se uma resina catiônica e depois uma aniônica. 
O processo de deionização remove sólidos ionizáveis dissolvidos e gases ionizados 
dissolvidos. Não remove material orgânico dissolvido, material particulado, bactérias 
e pirogênio (Macedo, 2007). As resinas podem ser danificadas pela presença de 
cloro na água, sendo aconselhável que essa seja previamente filtrada, por filtro de 
carvão ativado, como forma de aumentar a vida útil da resina. Sabe-se que a água 
deionizada é facilmente contaminável após sua obtenção, não sendo, por este 
motivo, recomendado seu armazenamento. O equipamento empregado na obtenção 
da água deionizada é o deionizador, composto por resinas catiônicas e aniônicas em 
cartuchos separados ou de forma mista. Os deionizadores em que as resinas 
catiônicas e aniônicas encontram-se separadas são passíveis de regeneração. 
Nesse caso, as resinas catiônicas podem ser regeneradas com ácido clorídrico ou 
sulfúrico (2 a 4%p/v) e as resinas aniônicas com solução de hidróxido de sódio (2 a 
10% p/v). A eficiência do processo de deionização pode ser avaliada através da 
medida da condutividade. 
 
Osmose reversa: processo pelo qual a água é purificada por passagem através de 
membrana semipermeável contra um gradiente de concentração por ação da 
pressão mecânica exercida por uma bomba. A osmose reversa produz uma água de 
alta pureza química e microbiológica. O processo remove material particulado, 
pirogênios, microrganismos, material orgânico dissolvido, material inorgânico 
dissolvido e material insolúvel. Não remove gases ionizáveis dissolvidos (Macedo, 
2007). As membranas do aparelho de osmose reversa podem ser danificadas pelo 
cloro livre, presente na água potável, assim como por outros agentes oxidantes, 
sólidos em suspensão e dureza da água. É recomendável que a água seja 
previamente tratada para remoção destas impurezas, como, por exemplo, através da 
filtração em filtro de carvão ativado para remoção do cloro (Botet, 2006). 
 
 
 
 
3.2 Sugestão de sistema simplificado para purificação de água em farmácias 
 
 
 
 
 
 
Água de abastecimento 
da rede pública 
(cloro residual: min. 
0,2mg/L) 
 Filtração 
(filtro de alta vazão 
c/ leito filtrante 
capaz de reter 
partículas maiores 
que 10 µm) 
Reservatório 
de água 
(Caixa 
d’água) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Nota: 
- Em caso de água de abastecimento com elevada dureza (≥100mg/L), é recomendável a utilização 
de filtro abrandador previamente ao aparelho de osmose reversa (nesse caso, o abrandador poderia 
ser utilizado em substituição ao deionizador no sistema acima). 
- Atualmente é encontrado no mercado sistema de purificação de água integrando filtro de carvão 
ativado, deionizador e osmose reversa. 
 
3.3 Especificação farmacopéica físico-química da água purificada 
 
TESTES 
Análise Especificação 
Cor Incolor. 
Odor Inodoro. 
Turbidez Límpido. 
Acidez ou alcalinidade Deve passar no teste 
Substâncias oxidáveis Deve passar no teste. 
Amônio Máximo 0,2 ppm. 
Cálcio e Magnésio Deve passar no teste 
Cloretos Deve passar no teste. 
Nitratos Máximo 0,2 ppm. 
Sulfatos Deve passar no teste. 
Metais pesados* Máximo 0,1 ppm. 
pH 5,0 – 7,0 
Temperatura da amostra ----- 
Condutividade* 
Etapa 1a (TºC:_____Especificação: máx.______µS/cm) 
Etapa 2a (Especificação: max. 2,1µS/cm) 
Etapa 3a (pH*: ____ Especificação: máx. ____µS/cm) 
 Fonte:F.BRAS, 2005p.263, EP 5a ed, 2005) 
 * A determinação farmacopéica da condutividade da água purificada é realizada em até 3 etapas (ver descrição 
abaixo). 
 
3.4 Determinação da condutividade da água (F.BRAS IV, 2004) 
Filtração por 
carvão ativado 
(Filtro com carvão 
ativado para 
retenção de 
partículas > 5µm e 
remoção de cloro 
livre) 
Deionização 
(deionizador) 
Filtração 
por osmose 
reversa 
Destilação 
(destilador) 
 
O procedimento é realizado em até três etapas: 
 
Etapa 1: Determina-se a temperatura e a condutividade da água sem compensação 
automática da temperatura. Verificar na tabela abaixo, o valor de temperatura, a qual 
não é maior que a temperatura medida, ou seja, a temperatura menor mais próxima. 
O valor de condutividade correspondente a esta temperatura é o limite. Se o valor de 
condutividade, medido para determinada temperatura, não é maior que o 
especificado na tabela 1, a água obedece às exigências do teste para condutividade. 
Porém, se o valor é maior que o valor tabelado, deve-se proceder à etapa 2. 
 
Tabela: Valores limites para condutividade de acordo com a temperatura 
(somente para valores de condutividade sem compensação de temperatura) 
Temperatura Condutividade (µS/cm) 
0 0.6 
5 0.8 
10 0.9 
15 1.0 
20 1.1 
25 1.3 
30 1.4 
35 1.5 
40 1.7 
45 1.8 
50 1.9 
55 2.1 
60 2.2 
65 2.4 
70 2.5 
75 2.7 
80 2.7 
85 2.7 
90 2.7 
95 2.9 
100 3.1 
Fonte: (F. BRAS IV, 2004) 
 
Etapa 2: Transferir quantidade suficiente de água (100 mL ou mais) para recipiente 
apropriado e agitar a amostra. Ajustar a temperatura, se necessário a 25 ± 1°C e 
agitar a amostra vigorosamente, observando periodicamente a leitura do 
condutivímetro. Quando a mudança na condutividade (devido à absorção de dióxido 
de carbono - CO2 – atmosférico) é menor que 0,1µS/cm por 5 minutos, anotar a 
condutividade. Se a condutividade não é maior que 2,1 µS/cm, a água obedece às 
exigências para o teste de condutividade. Se a condutividade é maior que 2,1 µS/cm 
proceder à etapa 3. 
 
Etapa 3: Realizar o teste no intervalo de 5 minutos, desde a etapa anterior, 
mantendo a temperatura da amostra a 25 ± 1°C. Adici onar solução saturada de 
cloreto de potássio (0,3 mL para cada 100 mL de amostra) para a mesma amostra 
de água e determinar o pH com precisão de 0,1 unidades. Baseado no valor do pH 
consultar a tabela 2 e determinar o valor limite para condutividade de acordo com o 
pH obtido. Se a condutividade medida na etapa 2 não for maior que o valor limite 
determinado na tabela abaixo, a água atende o teste para condutividade. Se a 
condutividade medida é maior que o valor tabelado ou pH está fora da faixa de 5 a 7, 
a água não atende o teste para condutividade. Após medir o pH comparar a 
condutividade requerida de acordo com a seguinte tabela: 
 
Tabela: Valores de condutividade de acordo com o pH 
 (somente para amostras mantidas em atmosfera e temperatura equilibrada) 
pH Condutividade (µS/cm) 
5,0 4,7 
5,1 4,1 
5,2 3,6 
5,3 3,3 
5,4 3,0 
5,5 2,8 
5,6 2,6 
5,7 2,5 
5,8 2,4 
5,9 2,4 
6,0 2,4 
6,1 2,4 
6,2 2,5 
6,3 2,4 
6,4 2,3 
6,5 2,2 
6,6 2,1 
6,7 2,6 
6,8 3,1 
6,9 3,8 
7,0 4,6 
Fonte: ( F. BRAS IV, 2004) 
 
3.5 Especificação farmacopéica microbiológica da água purificada 
 
Ensaio Limite de aceitação* 
Contagem total de bactérias (bactérias 
heterotróficas) ≤ 10
2
 UFC/mL. 
Coliformes totais Ausente. 
Escherichia coli Ausente. 
Fonte: (F.BRAS, 2005, p. 263) 
 
Nota: A pesquisa de P. aeruginosa não é contemplada nos compêndios farmacopéicos. Entretanto, 
por se tratar de um microrganismo com