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DIREITO DAS OBRIGACOES E RESPONSABILIDADE CIVIL 2013-1

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uma obrigação civil com toda a sua exigibilidade.
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Juros não estipulados. Sob a égide do antigo código, a obrigação de pagar 
juros não convencionados era inexigível, e quando realizada, poderia ser reti-
da. O atual código de 2002, em seu artigo 591, alterou a regra:
Art. 591. Destinando-se o mútuo a fi ns econômicos, presumem-se 
devidos juros, os quais, sob pena de redução, não poderão exceder a 
taxa a que se refere o art. 406, permitida a capitalização anual.
Sendo assim, somente nos empréstimos sem fi ns econômicos o pagamen-
to voluntário de juros não convencionados constituirá obrigação natural.
Obrigações propter rem
A distinção entre direitos reais e obrigacionais é um expediente que serve 
muito mais para fi ns teóricos do que para aplicação pratica dos profi ssionais 
jurídicos. Todavia, cumpre observar que essas diferentes modalidades de di-
reitos constantemente se relacionam. Não são universos de todo apartados e, 
nesse sentido, pode-se perceber situações onde o proprietário torna-se sujeito 
de obrigações somente por ser proprietário.
Um exemplo de obrigação propter rem é a necessidade de arcar com as 
despesas condominiais de imóveis, conforme dispositivo constante do artigo 
art. 1315 do Código Civil.12 A obrigação se vincula àquele que detém a pro-
priedade e não permanece com o mesmo no caso, por exemplo, de alienação 
do bem. O novo proprietário é quem arcará com as cotas vincendas, inclusi-
ve com aquelas que mesmo vencidas ainda não foram pagas.
Qualquer outro indivíduo que o suceda nessa posição de proprietário ou 
possuidor igualmente assumirá tal obrigação. Não obstante, o proprietário 
poderá liberar-se da obrigação no momento em que abdicar da condição de 
proprietário.
Analisando a etimologia da expressão propter rem percebe-se o conteúdo 
dessa obrigação: propter, como preposição signifi ca “em razão de”, “em vista 
de”. Trata-se, pois, de uma obrigação relacionada com a coisa (rem), uma 
obrigação que surge em vista dessa.
A obrigação propter rem contraria a espécie regular de obrigações. Nas 
obrigações civis, os sucessores a título particular não substituem em regra o 
sucedido em seu passivo. Já nas obrigações propter rem, o sucessor a título 
singular assume automaticamente as obrigações do sucedido, ainda que não 
saiba de sua existência. É o caso do adquirente de imóvel que deve arcar com 
todas as taxas condominiais em mora.
12 Art. 1315 do Código Civil: O condô-
mino é obrigado, na proporção de sua 
parte, a concorrer para as despesas de 
conservação ou divisão da coisa, e a 
suportar os ônus a que estiver sujeita. 
Parágrafo único. Presumem-se iguais as 
partes ideais dos condôminos.
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Ônus reais e obrigações propter rem
De forma sucinta, pode-se afi rmar que o ônus real é um gravame que recai 
sobre determinada coisa, restringindo o direito de um titular de um direito 
real. Diferentemente do dever, no ônus não há a fi gura da coatividade, po-
dendo a parte interessada praticar o ato ou não, e nesse caso, sujeita-se a parte 
às suas conseqüências.
Outras diferenças podem ser apontadas, dentre podem ser destacadas as 
seguintes:
Ônus reais Obrigações propter rem
A responsabilidade pelo ônus real é 
limitada ao bem onerado, 
ao valor deste. 
Na obrigação propter rem, o obrigado 
responde com seu patrimônio, 
sem limite. 
O ônus desaparece caso seja superado 
o seu objeto.
Os efeitos da obrigação real podem 
permanecer, ainda que desaparecida 
a coisa.
O ônus gera sempre uma 
prestação positiva.
Já a obrigação propter rem pode surgir 
com uma prestação negativa.
2. QUESTÃO DE CONCURSO:
Concurso para o cargo de Advogado do BNDES (2004)
40. João Carlos, proprietário de um apartamento, não efetua o pagamento 
das prestações condominiais há pelo menos 3 (três) anos, o que já foi inclu-
sive objeto de discussão em algumas Assembléias. No entanto, antes que o 
condomínio praticasse qualquer ato relativo à cobrança das prestações em 
atraso, João alienou o imóvel a Maria Santos, sendo a escritura devidamen-
te registrada no Registro Geral de Imóveis, para os devidos efeitos legais. 
Sabendo-se que, após um mês no apartamento, Maria foi citada em ação de 
cobrança proposta pelo condomínio, pode-se afi rmar que:
a) a cobrança em face de Maria não é legítima, apesar de se confi gurar 
obrigação propter rem, pois todos os condôminos tinham ciência 
dos débitos antes da negociação do imóvel;
b) a inércia do condomínio enquanto João estava no imóvel operou a 
remissão da dívida;
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c) a prestação condominial é uma obrigação propter rem, sendo legí-
tima a cobrança
d) João pode efetuar o pagamento extrajudicial, e entrar com ação de 
regresso contra Maria;
e) Maria não terá que pagar, pois o Código Civil de 2002 alterou a 
natureza da obrigação condominial, tornando-a obrigação intuitu 
personae.
Gabarito: 40 (c)
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AULA 6: CLASSIFICAÇÃO DAS OBRIGAÇÕES: OBRIGAÇÕES DE DAR, 
FAZER E NÃO-FAZER
EMENTÁRIO DE TEMAS:
Classifi cação das obrigações quanto ao objeto Obrigação de dar e restituir 
coisa certa Responsabilidade pela perda ou deterioração da coisa na obrigação 
de dar coisa certa Obrigações de fazer e não fazer
LEITURA OBRIGATÓRIA:
Birenbaum, Gustavo. “Classifi cação: Obrigações de dar, fazer e não fazer”, in 
Gustavo Tepedino (org) Obrigações: Estudos na perspectiva civil-consti-
tucional. Rio de Janeiro: Renovar, 2005; pp. 121/146.
LEITURAS COMPLEMENTARES:
Lôbo, Paulo Luiz Netto. Teoria Geral das Obrigações. São Paulo: Saraiva, 
2005; pp. 112/133. Tepedino, Gustavo, Moraes, Maria Celina Bodin de, 
e Barboza, Heloisa Helena. Código Civil interpretado conforme a Consti-
tuição da República, vol. I. Rio de Janeiro: Renovar, 2004; pp. 491/523.
1. ROTEIRO DE AULA:
Classificação das obrigações quanto ao objeto
Talvez a mais usual classifi cação das obrigações seja aquela que a divide em 
obrigações de dar, fazer e não fazer. Trata-se de uma classifi cação que tem em 
foco o objeto da relação obrigacional (prestação) para determinar o enqua-
dramento de cada obrigação analisada.
Na terminologia romana clássica, a prestação podia consistir num dare, 
num facere ou ainda num praestare. O facere, que hoje equivaleria à obri-
gação de fazer, englobava em seu conceito o que atualmente se defi ne como 
obrigação de não fazer.
A obrigação de dar indica o dever de transferir ao credor alguma coisa ou 
alguma quantia. A obrigação de fazer é aquela na qual o devedor se incumbe 
de praticar determinado ato, sendo essa ação a prestação. O objeto da obriga-
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ção é a própria prestação, ou seja, a realização de uma atividade. Por fi m, na 
obrigação de não fazer, deve o devedor se abster da prática de um determi-
nado ato. Essa é uma conduta omissiva, ou seja, uma abstenção de praticar 
determinado ato.
As obrigações de dar e fazer são obrigações positivas, ao passo que as obri-
gações de não fazer, marcadas pela necessidade de abstenção, são as obriga-
ções negativas.
Obrigação de dar e restituir coisa certa
A noção contida na obrigação de dar pode parecer bastante simples, pois 
consiste, em linhas gerais, na entrega de uma coisa. Contudo, há certos ca-
racteres que devem ser ressaltados, em especial, a distinção existente entre o 
nosso sistema jurídico e outras opções legislativas estrangeiras.
De acordo com a opção legislativa vigente, a obrigação de dar não importa 
na transferência efetiva da coisa, mas apenas num comprometimento de sua 
entrega. Isso refl ete uma reminiscência do Direito