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Direito Civil II

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Indaial – 2019
Direito Civil ii
Prof.a Fabiane Brião Vaz
1a Edição
Copyright © UNIASSELVI 2019
Elaboração:
Prof.a Fabiane Brião Vaz
Revisão, Diagramação e Produção:
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI
Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri 
UNIASSELVI – Indaial.
Impresso por:
V393d
 Vaz, Fabiane Brião
 Direito civil II. / Fabiane Brião Vaz. – Indaial: UNIASSELVI, 2019.
 147 p.; il.
 ISBN 978-85-515-0356-0
 1. Direito civil. - Brasil. II. Centro Universitário Leonardo Da Vinci.
CDD 342.14
III
ApresentAção
Neste livro didático, intitulado Direito Civil II, você será introduzido 
ao Direito Civil. Inicialmente, você será apresentado às questões acerca das 
relações obrigacionais de uma perspectiva jurídica. Na Unidade 1 isso ocorrerá 
de maneira fragmentada entre quatro tópicos, sendo eles, respetivamente: 
Introdução ao Direito Civil, Teoria Geral das Obrigações, Classificação das 
Obrigações e Espécies de Obrigações.
 
Na segunda unidade deste livro, intitulada Cumprimento das 
obrigações, você vai adentrar mais profundamente na questão das obrigações. 
A partir daí iniciará os estudos acerca da extinção das obrigações dentro 
do ordenamento jurídico, identificando as diferentes maneiras de extinção 
das obrigações; constatando as ideias principais de formas de solvência dos 
negócios jurídicos. Tudo isso sem deixar de perceber as responsabilidades no 
âmbito do Direito Civil.
Por fim, na terceira unidade, intitulada Contratos, você será 
aproximado dos conhecimentos relativos às questões dos contratos civis, 
como garantidor dos direitos e deveres das relações obrigacionais. Para isso, 
é importante a consciência de que contratos se trata de uma matéria específica 
e de grande importância no âmbito do Direito Civil. 
 
Dessa forma, pretendemos que que você disponha dos ensinamentos 
aqui expressos, junto ao devido aproveitamento das aulas, para que adquira 
o conhecimento necessário para a prática efetiva de sua vida profissional.
Bons estudos!
Profª. Fabiane Brião Vaz
IV
Você já me conhece das outras disciplinas? Não? É calouro? Enfim, tanto para 
você que está chegando agora à UNIASSELVI quanto para você que já é veterano, há 
novidades em nosso material.
Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos os acadêmicos desde 2005, é 
o material base da disciplina. A partir de 2017, nossos livros estão de visual novo, com um 
formato mais prático, que cabe na bolsa e facilita a leitura. 
O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura interna foi aperfeiçoada com nova 
diagramação no texto, aproveitando ao máximo o espaço da página, o que também 
contribui para diminuir a extração de árvores para produção de folhas de papel, por exemplo.
Assim, a UNIASSELVI, preocupando-se com o impacto de nossas ações sobre o ambiente, 
apresenta também este livro no formato digital. Assim, você, acadêmico, tem a possibilidade 
de estudá-lo com versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador. 
 
Eu mesmo, UNI, ganhei um novo layout, você me verá frequentemente e surgirei para 
apresentar dicas de vídeos e outras fontes de conhecimento que complementam o assunto 
em questão. 
Todos esses ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos nas pesquisas 
institucionais sobre os materiais impressos, para que você, nossa maior prioridade, possa 
continuar seus estudos com um material de qualidade.
Aproveito o momento para convidá-lo para um bate-papo sobre o Exame Nacional de 
Desempenho de Estudantes – ENADE. 
 
Bons estudos!
NOTA
V
VI
VII
UNIDADE 1 – TEORIA GERAL DAS OBRIGAÇÕES ......................................................................1
TÓPICO 1 – INTRODUÇÃO AO DIREITO CIVIL ............................................................................3
1 INTRODUÇÃO .......................................................................................................................................3
2 NOÇÕES DE DIREITO CIVIL .............................................................................................................4
3 BENS ..........................................................................................................................................................8
3.1 BENS CONSIDERADOS EM SI MESMOS .....................................................................................8
3.2 BENS RECIPROCAMENTE CONSIDERADOS .......................................................................... 10
3.3 BENS CONSIDERADOS EM RELAÇÃO ÀS PESSOAS ............................................................ 11
3.4 BENS CONSIDERADOS EM RELAÇÃO A SUA COMERCIALIDADE ................................. 11
4 FATOS, ATOS E NEGÓCIOS JURÍDICOS ..................................................................................... 12
RESUMO DO TÓPICO 1........................................................................................................................ 15
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 16
TÓPICO 2 – TEORIA GERAL DAS OBRIGAÇÕES ........................................................................ 19
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 19
2 DIREITO DAS OBRIGAÇÕES .......................................................................................................... 19
3 ESTRUTURA E FUNÇÃO DO DIREITO DAS OBRIGAÇÕES .................................................. 21
RESUMO DO TÓPICO 2........................................................................................................................ 23
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 24
TÓPICO 3 – CLASSIFICAÇÃO DAS OBRIGAÇÕES...................................................................... 27
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 27
2 OBRIGAÇÃO CIVIL ............................................................................................................................ 27
3 OBRIGAÇÃO NATURAL E MORAL ............................................................................................... 30
4 OBRIGAÇÃO DE DAR E FAZER/NÃO FAZER ............................................................................. 32
RESUMO DO TÓPICO 3........................................................................................................................ 39
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 40
TÓPICO 4 – ESPÉCIES DE OBRIGAÇÕES ........................................................................................ 43
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 43
2 OBRIGAÇÃO LÍQUIDA X ILÍQUIDA ............................................................................................ 43
3 OBRIGAÇÃO SIMPLES X CUMULATIVA ..................................................................................... 45
4 OBRIGAÇÕES PURAS, CONDICIONAIS, MODAIS E A TERMO .......................................... 46
5 OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS X ACESSÓRIAS ............................................................................... 47
LEITURA COMPLEMENTAR ............................................................................................................... 49
RESUMO DO TÓPICO 4........................................................................................................................ 53
AUTOATIVIDADE .................................................................................................................................54
UNIDADE 2 – DO CUMPRIMENTO DAS OBRIGAÇÕES ........................................................... 57
TÓPICO 1 – TEORIA DO PAGAMENTO .......................................................................................... 59
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 59
2 NATUREZA JURÍDICA DO PAGAMENTO .................................................................................. 60
sumário
VIII
3 DAS CONDIÇÕES OBJETIVAS DO PAGAMENTO.................................................................... 64
4 DO PAGAMENTO INDEVIDO ........................................................................................................ 66
RESUMO DO TÓPICO 1........................................................................................................................ 68
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 69
TÓPICO 2 – OUTROS MODOS DE EXTINÇÃO DA OBRIGAÇÃO .......................................... 71
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 71
2 DAÇÃO EM PAGAMENTO ............................................................................................................... 71
3 PAGAMENTO POR CONSIGNAÇÃO ............................................................................................ 73
4 PAGAMENTO POR SUB-ROGAÇÃO ............................................................................................. 76
RESUMO DO TÓPICO 2........................................................................................................................ 78
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 79
TÓPICO 3 – EXTINÇÃO DA RELAÇÃO OBRIGACIONAL SEM PAGAMENTO ................... 83
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 83
2 MORA ..................................................................................................................................................... 83
3 CLÁUSULA PENAL ............................................................................................................................. 85
4 CESSÃO .................................................................................................................................................. 86
RESUMO DO TÓPICO 3........................................................................................................................ 88
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 89
TÓPICO 4 – RESPONSABILIDADES ................................................................................................. 91
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 91
2 ATO ILÍCITO E TEORIA DA REPARAÇÃO DO DANO ............................................................ 91
3 RESPONSABILIDADE CIVIL OBJETIVA E SUBJETIVA ............................................................ 92
4 RESPONSABILIDADE CIVIL CONTRATUAL E EXTRACONTRATUAL .............................. 93
LEITURA COMPLEMENTAR ............................................................................................................... 95
RESUMO DO TÓPICO 4........................................................................................................................ 98
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 99
UNIDADE 3 – CONTRATOS ..............................................................................................................101
TÓPICO 1 – TEORIA GERAL DOS CONTRATOS ........................................................................103
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................103
2 FUNDAMENTOS ...............................................................................................................................104
3 PRINCÍPIOS ........................................................................................................................................105
3.1 PRINCÍPIO DA AUTONOMIA DA VONTADE .......................................................................106
3.2 PRINCÍPIO DA OBRIGATORIEDADE DOS CONTRATOS ...................................................107
3.3 PRINCÍPIO DA RELATIVIDADE DOS EFEITOS DO CONTRATO ......................................109
3.4 PRINCÍPIO DO CONSENSUALISMO .......................................................................................109
3.5 PRINCÍPIO DA FUNÇÃO SOCIAL DO CONTRATO .............................................................109
3.6 PRINCÍPIO DA BOA-FÉ OBJETIVA ...........................................................................................110
3.7 PRINCÍPIO DO EQUILÍBRIO ECONÔMICO / JUSTIÇA CONTRATUAL ..........................111
4 FORMAÇÃO CONTRATUAL .........................................................................................................112
RESUMO DO TÓPICO 1......................................................................................................................114
AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................115
TÓPICO 2 – PRINCIPAIS ESPÉCIES DE CONTRATOS ..............................................................119
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................119
2 COMPRA E VENDA ..........................................................................................................................119
3 DOAÇÃO .............................................................................................................................................122
IX
4 EMPRÉSTIMO ....................................................................................................................................124
5 PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS ...........................................................................................................126
6 DEPÓSITO ...........................................................................................................................................126
7 FIANÇA ................................................................................................................................................128
RESUMO DO TÓPICO 2......................................................................................................................130
AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................131
TÓPICO 3 – EXTINÇÃO DOS CONTRATOS .................................................................................133
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................133
2 EXTINÇÃO NORMAL DOS CONTRATOS .................................................................................133
3 NULIDADE ..........................................................................................................................................135
4 PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA .....................................................................................................136
LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................137RESUMO DO TÓPICO 3......................................................................................................................142
AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................143
REFERÊNCIAS .......................................................................................................................................145
X
1
UNIDADE 1
TEORIA GERAL DAS OBRIGAÇÕES
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:
• compreender as noções de direito civil;
• identificar as diferenciações dos conceitos principais de direito civil;
• adentrar no mundo das obrigações jurídicas;
• constatar as ideias principais das teorias de relações civis;
• perceber a classificação das obrigações no direito civil;
• caracterizar as diferentes espécies de obrigações.
Esta unidade está dividida em quatro tópicos. No decorrer da unidade você 
encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado.
TÓPICO 1 – INTRODUÇÃO AO DIREITO CIVIL
TÓPICO 2 – DIREITO DAS OBRIGAÇÕES
TÓPICO 3 – CLASSIFICAÇÃO DAS OBRIGAÇÕES
TÓPICO 4 – ESPÉCIES DE OBRIGAÇÕES
2
3
TÓPICO 1
UNIDADE 1
INTRODUÇÃO AO DIREITO CIVIL
1 INTRODUÇÃO
Nesta unidade, caro acadêmico, você entrará no mundo do direito civil e 
será levado ao início dos estudos sobre as relações obrigacionais do conhecimento 
jurídico. Isso ocorrerá de maneira fragmentada em quatro tópicos, respetivamente: 
introdução ao direito civil; teoria geral das obrigações; classificação das obrigações 
e espécies de obrigações. Por fim, você terá as referências bibliográficas, as quais 
servem de indicação para que vá além da leitura obrigatória.
De acordo com Maria Helena Diniz (2010), doutrinadora de direito civil, 
uma obrigação é sempre originada a partir de um dever jurídico. Este tipo de 
dever é, por sua vez, um dever que nasce como consequência de algum direito 
que vigora sobre todos os cidadãos, os quais chamamos de direitos objetivos. 
É a partir disso que tem início as sanções a serem executadas por aqueles 
cidadãos que não cumprem seus respectivos deveres jurídicos. Maria Helena 
Diniz (2010) usa, como exemplos de deveres jurídicos, deveres como o de respeitar 
a vida e o de não danificar coisa alheia.
IMPORTANT
E
Adiante, constataremos que o termo “dever jurídico” é mais amplo que o termo 
“obrigações”, pois o primeiro abrange uma quantidade maior de deveres do que aqueles 
provenientes de negócios jurídicos. Veremos que eles são o berço das chamadas obrigações.
Podemos dizer, de maneira simplificada, que o conceito de obrigação 
corresponde ao direito que determinado indivíduo possui de exigir que seja feito 
o cumprimento de um dever previamente assumido por outro cidadão através de 
uma relação jurídica preliminarmente estabelecida entre eles. 
Nas palavras de outro doutrinador igualmente importante, Washington 
de Barros Monteiro (2012, p. 8): “a obrigação é a relação jurídica, de caráter 
transitório, estabelecida entre credor e devedor e cujo objeto consiste numa 
prestação pessoal econômica, positiva ou negativa, devida pelo primeiro ao 
segundo, garantindo-lhe o adimplemento através de seu patrimônio”.
UNIDADE 1 | TEORIA GERAL DAS OBRIGAÇÕES
4
Dessa maneira, é possível perceber que dentro das relações obrigacionais 
existe a figura de dois tipos de sujeitos. O primeiro é aquele que carecerá de 
receber determinada prestação, assim, é o indivíduo que possuirá o direito de 
exigir a solvência da obrigação outrora firmada. 
O cidadão observado no parágrafo anterior será o chamado sujeito ativo 
e, existindo mais de um sujeito ativo na mesma relação obrigacional, a obrigação 
deverá ser executada com cada um deles, de maneira que poderá ser paga ou no 
total para apenas um dos sujeitos ativos ou em partes para cada um deles. Fato que 
dependerá do tipo de relação jurídica estabelecida, as quais veremos mais adiante. 
O indivíduo envolvido no outro lado de uma relação obrigacional será 
aquele que chamaremos de sujeito passivo, este é de quem se exige o cumprimento 
da prestação. A prestação em questão será exaurida quando o sujeito passivo 
realizar a ação de dar, fazer ou não fazer alguma coisa em detrimento do interesse 
do sujeito ativo. 
Verificando a existência de mais de um sujeito passivo será possibilitada 
a realização de prestação parcial de cada sujeito ou total, de apenas um devedor, 
também dependendo do tipo de relação jurídica.
Podemos, então, concluir desde já que as obrigações serão sempre referentes 
a relações jurídicas. Além disso, as fontes das relações obrigacionais serão os fatos 
jurídicos em sentido amplo (lato sensu), provenientes da vontade humana.
2 NOÇÕES DE DIREITO CIVIL
A palavra “direito” pode ser aplicada com inúmeros significados. 
Dentre essas diferentes definições, a mais comumente aplicada e de mais fácil 
entendimento é a de que direito seria o conjunto de regulamentos universais e 
positivados que orientam a vida em sociedade. Logo, podemos dizer que o direito 
é formado por regras previamente estabelecidas que, ao serem devidamente 
inseridas no ordenamento jurídico do país, servirão como um farol norteador 
para todos os cidadãos residentes naquele território guiarem as atitudes que 
tomam em suas vidas em sociedade.
A partir desse entendimento, conseguiremos avaliar algumas vertentes 
importantes do direito, são elas: Direito Objetivo, Direito Subjetivo, Direito 
Natural, Direito Positivo, Direito Público e Direito Privado.
• Direito objetivo diz respeito às normas em si. É ele que estabelece a conduta 
social a ser adotada pelos indivíduos. 
• Direito subjetivo é a faculdade, a opção que o cidadão detém sobre os direitos 
que lhe são próprios. Este direito é referente aos direitos subjetivos dos 
cidadãos, e é assegurado através do direito objetivo.
TÓPICO 1 | INTRODUÇÃO AO DIREITO CIVIL
5
• Direito natural é aquele que está ligado aos preceitos de filosofia, é a ideia 
de uma justiça maior e anterior aos homens. São os direitos garantidos pela 
própria natureza humana, antes da criação de ordenamentos jurídicos e 
sociedade. Uma justiça superior.
• Direito positivo traduz as normas jurídicas que se encontram vigentes em 
determinado tempo e território. É o direito que já está posto em formato de 
lei. É de dentro deste direito que se extrai a ideia de direito público e privado 
que passamos a ver.
• Direito público é aquele que regula as relações entre diferentes estados, e, 
também, entre Estado e os indivíduos particulares. É o ramo do direito que dá 
prioridade ao interesse da coletividade.
 A aplicação do Direito público é obrigatória. Nesse ramo do direito, só é 
permitido que se faça o que está previamente contido em lei. Dentre as áreas 
de direito público, podemos destacar direito administrativo, constitucional, 
tributário, processo penal, entre outros.
• Por fim, o ramo do Direito privado é aquele que regulamenta as relações 
entre dois ou mais indivíduos particulares. Nas relações de direito privado, 
ao contrário do que acontece no direito público, é permitido que se faça tudo o 
que a lei não proíbe.
 São áreas de direito privado: o direito empresarial ou comercial, o direito 
do trabalho e o direito civil. Este último é que interessa ao nosso estudo 
neste livro didático. 
Direito civil é a área do direito que se dedica às relações jurídicas entre 
duas ou mais pessoas (físicas ou jurídicas) ou, ainda, entre pessoas e coisas. Essas 
relações podem ser pessoais, familiares, patrimoniais ou obrigacionais.
Para começar melhor absorção do que foi dito até aqui é necessário que 
se esmiúce alguns conceitos. Podemos iniciar trabalhando melhor a definição de 
pessoa dentro do nosso ordenamento jurídico. 
As pessoas são os sujeitos a quem se destinam os direitos e deveres 
conferidos nas normas legais. Há que se diferenciar pessoa de personalidade, 
esta última diz respeito à capacidadede um indivíduo ser ou não um sujeito de 
direito e deveres, uma pessoa. O início da personalidade, de acordo com o código 
civil, para as pessoas naturais ou físicas, acontece a partir do nascimento com 
vida e termina com a morte.
Outro conceito importante é o de capacidade, que é a aptidão para 
usufruir de direitos e cumprir com obrigações. No direito brasileiro, a chamada 
capacidade civil ou de direito é inerente à todas as pessoas.
A incapacidade está prevista apenas na modalidade de fato, também 
chamada de capacidade de exercício do direito, ou seja, em nosso ordenamento 
só existe incapacidade prevista para os exercícios de atos da vida civil. Sabemos 
então que os chamados incapazes não praticam, por si só, os atos da vida civil. 
Essa incapacidade pode ser absoluta ou relativa. 
UNIDADE 1 | TEORIA GERAL DAS OBRIGAÇÕES
6
A incapacidade absoluta significa que a pessoa não pode praticar qualquer 
ato da vida civil, sendo que a prática de um ato por pessoa absolutamente incapaz 
acarreta a sua nulidade, tendo em vista se tratar de proibição total. Portanto, 
para que o absolutamente incapaz possa praticar algum ato civil, ele deverá ser 
representado por uma pessoa capaz.
Os absolutamente incapazes se encontram descritos no art. 3º do Código 
Civil: “São absolutamente incapazes de exercer pessoalmente os atos da vida civil 
os menores de 16 (dezesseis) anos” (BRASIL, 2002, s.p.).
Já na incapacidade relativa, a lei permite que os relativamente incapazes 
pratiquem atos da vida civil, mas desde que assistidos. Na hipótese de praticarem 
atos sozinhos, o ato será anulável. São relativamente incapazes aqueles elencados 
no art. 4º do Código Civil:
Art. 4º São incapazes, relativamente a certos atos ou à maneira de os 
exercer: (Redação dada pela Lei nº 13.146, de 2015) (Vigência)
I - os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos;
II - os ébrios habituais e os viciados em tóxico; (Redação dada pela 
Lei nº13.146, de 2015) (Vigência)
III - aqueles que, por causa transitória ou permanente, não puderem 
exprimir sua vontade; (Redação dada pela Lei nº 13.146, de 
2015) (Vigência)
IV - os pródigos.
Parágrafo único. A capacidade dos indígenas será regulada por 
legislação especial. (Redação dada pela Lei nº 13.146, de 2015) (Vigência) 
(BRASIL, 2002, s.p.).
Assim, os absolutamente incapazes não praticam atos da vida civil, 
devendo sempre serem representados pelo representante legal (pai, mãe ou tutor). 
Já os relativamente incapazes, podem praticar atos da vida civil, mas desde que 
assistidos pelo representante legal (pai, mãe, tutor ou curador, conforme o caso).
O Estatuto da Pessoa com Deficiência, promulgado pela Lei nº 13.146, de 
2015 (Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência), teve, por finalidade, 
que atender à Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e seu 
Protocolo Facultativo para internalização de norma e, consequentemente, teve o 
objetivo de garantir os direitos fundamentais. O artigo 114 da referida lei, alterou 
expressamente o artigo 3º e 4º do Código Civil de 2002. Desta forma, atualmente 
está estabelecido que haverá incapacidade absoluta apenas para os menores de 16 
(dezesseis) anos, revogados os incisos I, II e III do artigo 3º. Ademais, o Estatuto 
alterou o artigo 4º, ao excluir a previsão de incapacidade relativa quando se tratar 
“deficiência mental, que tenham discernimento reduzido” (BRASIL, 2002, s.p.), 
bem como os excepcionais sem desenvolvimento mental completo.
A incapacidade civil cessará, de forma natural, quando a pessoa adquirir a 
maioridade civil, ao completar dezoito anos de idade, a partir de quando exercerá 
a capacidade civil de fato e de direito, adquirindo a capacidade civil plena.
TÓPICO 1 | INTRODUÇÃO AO DIREITO CIVIL
7
Porém, ainda é possível que a incapacidade seja suprimida pela 
emancipação, que pode ser: emancipação voluntária; emancipação judicial; e 
emancipação legal. Qualquer que seja a espécie de emancipação, essa acarretará 
a aquisição da capacidade civil.
O art. 5º do Código Civil estabelece as hipóteses que fazem cessar a 
incapacidade:
Art. 5º A menoridade cessa aos dezoito anos completos, quando a 
pessoa fica habilitada à prática de todos os atos da vida civil.
Parágrafo único. Cessará, para os menores, a incapacidade:
I - pela concessão dos pais, ou de um deles na falta do outro, mediante 
instrumento público, independentemente de homologação 
judicial, ou por sentença do juiz, ouvido o tutor, se o menor tiver 
dezesseis anos completos;
II - pelo casamento;
III - pelo exercício de emprego público efetivo;
IV - pela colação de grau em curso de ensino superior;
V - pelo estabelecimento civil ou comercial, ou pela existência de 
relação de emprego, desde que, em função deles, o menor com 
dezesseis anos completos tenha economia própria.
 
A emancipação voluntária ocorre quando os pais, por ato de vontade, 
reconhecem que o filho adquiriu maturidade suficiente para zelar por sua pessoa 
e pelas suas posses, seus bens, não havendo mais a necessidade de tutela, pelo 
Estado, na qualidade de incapaz. Para que ocorra a emancipação voluntária, é 
necessário que os pais sejam titulares do poder familiar, sendo o ato unilateral 
de cada um deles e deve ser realizada, obrigatoriamente, mediante lavratura de 
escritura pública, sendo que apenas produzirá efeitos após o registro.
Já a emancipação judicial é aquela pela qual o menor, sob tutela, ajuíza 
demanda judicial com o objetivo de ser emancipado civilmente, exonerando o seu 
tutor de qualquer obrigação. Só é possível quando completados dezesseis anos, 
desde que o tutor seja ouvido no processo, em favor do tutelado e seus efeitos 
também estão condicionados ao registro, nos termos do art. 9º, II, do Código Civil.
Por fim, a emancipação legal ocorre nas hipóteses expressamente 
previstas no ordenamento jurídico, sendo que a lei estabelece determinados fatos 
em que a pessoa natural supre sua incapacidade civil: a) casamento; b) exercício 
de emprego público efetivo; c) colação de grau em curso de ensino superior; e d) 
abertura de estabelecimento civil ou comercial ou relação de emprego, desde que 
possua economia própria, que se encontram descritas no art. 5º do Código Civil. 
A emancipação legal independe de escritura pública e registro e surtirá efeitos a 
partir do dia do fato jurídico.
Para dar início ao fio condutor que nos levará diretamente ao centro 
principal de nosso estudo, que é o direito das obrigações, área prevista na parte 
especial do Código Civil Brasileiro, passemos então a conceituar e entender 
cada segmento.
UNIDADE 1 | TEORIA GERAL DAS OBRIGAÇÕES
8
IMPORTANT
E
Com isso, neste momento, cabe conceituar bens de uma maneira básica, 
podendo-se resumir como tudo aquilo que pode ser útil para as pessoas, possuindo valor 
econômico e sendo suscetível de apropriação.
Bens são as coisas economicamente valoráveis que poderão servir para 
satisfazer tanto às necessidades de um indivíduo particular como às necessidades 
da comunidade. Isso tudo pode ocorrer tanto no plano material como espiritual, 
lembrando que bens são coisas e devemos nos ater que eles serão valores (materiais 
ou imateriais) passíveis de se tornarem objetos de uma relação jurídica.
Além disso é possível que façamos uma divisão no conceito de bens. 
Essa classificação se encontra nos artigos 79 a 103 do Código Civil brasileiro, em 
que aprendemos que os bens podem ser classificados de diferentes maneiras, 
conforme apresentamos a seguir.
3.1 BENS CONSIDERADOS EM SI MESMOS
a) Bens móveis: são aqueles que podem ser transportados sem que isso acarrete 
alteração de sua forma. A transferência desse tipo de bem ocorre pela entrega 
dele, o que chamamos de “tradição”, a forma mais simples de transferência. 
Estes bens são passíveis de penhora e se subdividem em:
 • Bens móveis por natureza: são os bens capazes de se movimentar tanto 
sozinhos por força própria como capazes de serem movimentados por força 
alheia a si mesmos. Exemplos:uma cadeira, um boi, um carro, um livro etc.
 • Bens móveis por disposição legal: são os direitos reais que recaem sobre 
os bens móveis. Exemplo: propriedade, usufruto, direitos de obrigação e suas 
ações respectivas, os direitos do autor.
 • Bens móveis por equiparação pela doutrina: a energia elétrica.
3 BENS
Antes de iniciarmos o estudo sobre relações jurídicas é de suma 
importância que se entenda e classifique o conceito de bens. Uma vez que bens é 
o foco central dessas relações, é por eles, ou por causa deles, que os indivíduos se 
dispõem a procurar seus direitos pelas vias judiciais.
Para começar, devemos nos lembrar de que a apreciação da palavra 
“coisa” significa tudo aquilo que é externo ao ser humano, tudo aquilo que não é 
pessoa. Assim, como exemplo de coisa podemos elencar desde figuras, como uma 
joia, um celular, uma caneta até figuras como terra, ar, água.
TÓPICO 1 | INTRODUÇÃO AO DIREITO CIVIL
9
IMPORTANT
E
É importante fixar que navios e aviões, apesar de serem registrados em órgãos 
específicos e serem passíveis de hipoteca, encontram-se nesta categoria. Eles são o que 
chamamos de bens móveis sui generis, possuidores de natureza especial.
b) Bens imóveis: diferente dos bens móveis, os bens imóveis são aqueles que não 
poderão ser transportados sem que se tenha como resultado disso a alteração 
ou destruição total de sua essência. A transferência desse tipo de bem ocorre 
através do registro no cartório de registro de imóveis. Importante destacar que, 
nesse caso, a promessa de compra e venda não é suficiente para que ocorra a 
transferência de propriedade. Em resumo, bens imóveis é tudo aquilo que se 
encontra ligado ao solo. Estes podem ser objeto de hipoteca e, para que sejam 
alienados por pessoas casadas é necessário que se tenha o consentimento do 
cônjuge, ato que no ordenamento jurídico chamamos de outorga uxória. Esses 
bens se subdividem em:
• Bens imóveis por natureza: é o solo e sua superfície somados aos seus acessórios 
(árvores, frutos) mais adjacências (espaço aéreo, subsolo).
• Bens imóveis por acessão física: tudo o que o homem incorpora de maneira 
permanente ao solo, tendo como consequência o impedimento de que se faça a 
remoção desse bem do solo sem que isso acarrete em sua destruição. Exemplos: 
sementes plantadas, construções. Os materiais provisoriamente separados de 
um prédio não perdem o caráter de imóveis.
• Bens imóveis por destinação: são bens que possuem serventia ao imóvel 
propriamente dito e não ao seu proprietário. Exemplos: máquinas, tratores, 
veículos etc. Podem, a qualquer momento, ser mobilizados. 
• Bens imóveis por disposição legal: são os chamados direitos reais que 
recaem sobre imóveis. Exemplos: direito de propriedade, de usufruto, o uso, a 
habitação, a servidão.
• Apólices da dívida pública: quando oneradas com a cláusula de 
inalienabilidade.
• Jazidas e as quedas d’água: que possuam aproveitamento para energia 
hidráulica. 
c) Bens infungíveis: são aqueles bens que não poderão ser substituídos. Não sendo 
passíveis de substituição por bens de sua mesma espécie, quantidade ou qualidade. 
Exemplo: os bens imóveis, um carro, um livro de edição esgotada, obras de arte. 
NOTA
Cabe lembrar que alguns bens adquirem a característica de infungível por seu 
valor sentimental/afetivo, como o caso de joias de família.
UNIDADE 1 | TEORIA GERAL DAS OBRIGAÇÕES
10
d) Bens fungíveis: são aqueles bens que podem ser substituídos por outros bens da 
mesma espécie, qualidade e quantidade. Exemplo: alimentos, dinheiro, papéis.
e) Bens divisíveis: são os bens que podem ser fracionados, partidos, divididos 
em diferentes porções reais que formem cada uma delas um todo perfeito. Isso 
sem que se tenha como consequência a alteração da essência do bem, a perda 
do seu valor econômico ou, ainda, acarrete algum prejuízo na sua utilização. 
Exemplo: terrenos, quantidade de comida.
f) Bens indivisíveis: são bens que são impossíveis de divisão sem que se altere 
sua essência. Bens que não podem ser divididos por determinação legal ou, 
ainda, por vontade das partes, uma vez que isto deixaria de formar um todo 
perfeito. Exemplo: desmanche de joias, régua e herança.
g) Bens consumíveis: são os bens móveis cujo o uso acarreta na destruição 
imediata da coisa. Bens que possibilitam apenas uma utilização, desaparecem 
com o consumo. Exemplo: cigarro, giz, alimentos, tinta de parede.
h) Bens inconsumíveis: são aqueles bens que podem ser utilizados repetidamente 
sem que se obtenha alterações na sua essência. Bens que não desaparecem com 
o consumo. Exemplo: roupas, livros.
i) Bens singulares: são os bens que chamamos de per si. São bens individualizados, 
coisas que, embora reunidas, são consideradas em sua individualidade. 
Exemplo: uma casa, um boi de rebanho.
j) Bens coletivos: são bens considerados apenas em conjunto, quando agregados ao 
todo, abrangendo uma universalidade. Exemplo: biblioteca, massa falida, herança.
3.2 BENS RECIPROCAMENTE CONSIDERADOS
a) Bens principais: são aqueles bens que existem por si mesmos, não existindo 
necessidade de outro bem para o caracterizar. Independem da existência de 
outros bens. Exemplo: terreno, joia, crédito.
b) Bens acessórios: são aqueles bens cuja existência pressupõe a existência prévia 
de um bem principal. Assim, quem for proprietário do bem principal será 
também proprietário do bem acessório. Um exemplo de fácil entendimento são 
as plantações, que são bens acessórios do terreno, bem principal. Esses bens se 
classificam em:
• Benfeitorias: são melhoramentos adimplidos em algum bem principal, 
podendo ser:
 ◦ Necessárias: as que têm por finalidade conservar ou evitar que o bem se 
deteriore. Exemplo: restauração de telhado, de assoalhos, de alicerces.
 ◦ Úteis: são as que aumentam ou melhoram o uso da coisa. Exemplo: garagem.
 ◦ Voluptuárias: são as de mero embelezamento. Exemplo: uma pintura 
artística, uma piscina etc.
• Frutos: podem ser:
 ◦ Naturais: da própria natureza. Exemplos: fruto de uma árvore, nascimento 
de um animal.
 ◦ Industriais: intervenção direta do homem, produto manufaturado.
TÓPICO 1 | INTRODUÇÃO AO DIREITO CIVIL
11
 ◦ Civis: rendimentos produzidos pela coisa principal. Exemplos: juros, aluguel.
• Produtos: são utilidades que se extraem da coisa. Exemplo: pedras de uma 
pedreira, minerais de uma jazida etc. 
3.3 BENS CONSIDERADOS EM RELAÇÃO ÀS PESSOAS
a) Bens particulares: bens que pertencem às pessoas físicas ou jurídicas de Direito 
Privado. Exemplo: um imóvel particular, um automóvel.
b) Bens públicos: são os bens que pertencem às entidades de Direito Público. 
Esses bens, segundo Venosa (2012), se subdividem em:
• Bens de uso comum do povo: os rios, os mares, ruas, praças, estradas etc.
• Bens de uso especial: são os bens públicos destinados ao serviço público. 
Exemplo: prédio da Secretaria da Fazenda
• Bens dominicais: são os bens que constituem o patrimônio da União, Estados 
e Municípios, sem uma destinação especial. Exemplo: terrenos da marinha.
OBSERVAÇÕES: os bens públicos são inalienáveis, com exceção dos dominicais 
(necessitam de autorização legislativa); todos os bens públicos são impenhoráveis e não 
podem ser hipotecados; nem podem ser objeto de usucapião (VENOSA, 2012).
ATENCAO
NOTA
CURIOSIDADE: o uso dos bens públicos de uso comum do povo pode ser 
gratuito ou oneroso. E Res Nullius é como chamamos os bens que não pertencem a 
ninguém, por exemplo, as pérolas no fundo do mar.
3.4 BENS CONSIDERADOS EM RELAÇÃO A SUA 
COMERCIALIDADE
a) Bens que se acham no comércio: não possuem impedimentos para ser 
adquiridos ou alienados.
b) Bens que se encontram fora do comércio: são os bens que não podem ser 
objeto de alienação ou oneração. Dividem-se em:
UNIDADE 1 | TEORIA GERAL DAS OBRIGAÇÕES
12
• Bens insuscetíveis de apropriação: são inapropriáveis e de uso exaurível. 
Exemplos: o ar, a luz solar, as águas do alto-mar.
• As legalmente inalienáveis: são os bens gravados com cláusula de 
inalienabilidade; os bensdas fundações; os bens públicos de uso comum e uso 
especial.
Assim, entendemos então que:
QUADRO 1 – BENS
BENS
Considerados em 
si mesmos
Reciprocamente 
considerados
Em relação às 
pessoas
Em relação à 
comercialidade
Bens móveis Bens principais Bens particulares
Bens que se 
acham no 
comércio
Bens imóveis Bens acessórios Bens públicos
Bens que se 
encontram fora 
do comércio
Bens infungíveis
FONTE: A autora
4 FATOS, ATOS E NEGÓCIOS JURÍDICOS
Para seguir os estudos a fim de absorver os fundamentos e estrutura do 
Direito das Obrigações, assim como sua importância no ordenamento jurídico 
brasileiro, é preciso que entendamos mais alguns conceitos simples. São eles: os 
fatos, os atos e os negócios jurídicos.
Fatos jurídicos são todos os acontecimentos que possuem como 
consequência a produção de efeitos jurídicos. Isso quer dizer que, diferentemente 
dos chamados “fatos comuns”, que são aqueles que não possuem repercussão 
no ordenamento jurídico, no direito são acontecimentos que acarretam em 
consequências jurídicas.
São fatos de onde nascem, subsistem ou se extinguem direitos. Como 
exemplo de fatos jurídicos temos desde o nascimento de uma pessoa, a produção 
de algum objeto e sua posterior comercialização, a chegada da maioridade civil 
até atos como adquirir contratos ou simplesmente morrer.
Para facilitar, classificamos os fatos jurídicos de maneira ampla, em fatos 
jurídicos naturais ou humanos. Sendo que os naturais, também chamados de 
fatos jurídicos em sentido estrito (ou, ainda, fatos involuntários) são aqueles fatos 
que ocorrem independentemente da ação humana e mesmo assim produzem 
consequências jurídicas. Esses fatos jurídicos naturais subdividem-se em:
TÓPICO 1 | INTRODUÇÃO AO DIREITO CIVIL
13
• ordinários: nascimento, morte, maioridade etc.;
• extraordinários: tempestade, tsunami, terremoto, caso fortuito ou força maior.
Já os fatos jurídicos humanos, também chamados de fatos jurídicos 
voluntários, são consequências de ações humanas. São, portanto, o que chamamos 
de atos jurídicos. Como exemplo, temos desde contratos até batidas de carro, 
separação judicial etc. Atos jurídicos são todos os acontecimentos decorrentes 
de ações voluntárias e lícitas que tenham como consequências repercussões 
jurídicas, atos que acarretam mudanças no mundo do direito. Esses atos possuem 
como finalidade imediata contrair, proteger, transferir, transformar ou eliminar 
direitos. Os atos jurídicos se encontram classificados da seguinte maneira:
• Atos jurídicos unilaterais: ocorrem quando, para a sua execução, se faça 
presente somente a manifestação de vontade de um agente. Exemplos: 
declaração de nascimento de filho, emissão de nota promissória etc.
• Atos jurídicos bilaterais: ocorrem quando, para a sua execução, é preciso que 
se faça presente a manifestação da vontade de dois agentes, criando entre eles 
uma relação jurídica. Exemplos: contrato de compra e venda. 
Ao nos depararmos com uma situação em que se faça presente o último 
caso visto anteriormente, ou seja, quando temos a presença de um ato jurídico 
bilateral, identificamos o que chamaremos de negócio jurídico.
A falta de algum elemento substancial do ato jurídico torna-o nulo 
(nulidade absoluta) ou anulável (nulidade relativa). A diferença entre o nulo e o 
anulável é uma diferença de grau ou gravidade, a critério da lei, vejamos:
• Nulidade absoluta: pode ser arguida a qualquer tempo, por qualquer pessoa, 
pelo Ministério Público e pelo juiz, inclusive, não admitindo convalidação nem 
ratificação.
• Nulidade relativa: ao contrário, só pode ser arguida dentro do prazo previsto, 
somente pelos interessados diretos, admitindo convalidação e ratificação 
(VENOSA, 2012).
Além disso, pode haver o que se designa ato jurídico inexistente. Isto é, 
um ato que contenha um grau de nulidade tão amplo e manifesto que acaba por 
dispensar a necessidade de ação judicial para que seja declarado sem efeito. Ainda, 
pode ocorrer casos em que verificamos os chamados atos jurídicos ineficazes. 
São eles os atos que possuem validade plena entre as partes envolvidas, porém 
não produzem efeitos em relação à determinada pessoa (ineficácia relativa) 
ou, ainda, em relação a todas as outras pessoas envolvidas no ato (ineficácia 
absoluta). Exemplos: alienação fiduciária não registrada, venda não registrada de 
automóvel, bens alienados pelo falido após a falência.
Para que tenhamos um negócio jurídico (ato jurídico bilateral) válido é 
preciso que se observe os seguintes requisitos:
a) agente capaz: o atuante deve ser capaz de praticar plenamente os atos da vida 
civil. 
UNIDADE 1 | TEORIA GERAL DAS OBRIGAÇÕES
14
Os absolutamente incapazes devem ser representados e os relativamente 
incapazes devem ser assistidos.
ATENCAO
b) Objeto lícito e possível: o objeto do ato jurídico deve ser permitido pelo direito 
e possível de ser efetivado.
c) Forma prescrita ou não vedada em lei: a forma dos atos jurídicos tem que ser 
a prevista em lei, se houver esta previsão, ou não proibida (VENOSA, 2012).
Assim, concluímos que um ato jurídico será nulo quando for praticado 
por pessoa absolutamente incapaz ou, também, quando não estiver revestido da 
maneira prescrita em lei ou, ainda, quando o objeto for ilícito ou não possível.
Os atos jurídicos aos que não se impõe forma especial prescrita em lei 
poderão provar-se mediante confissão, atos processados em juízo, documentos 
públicos e particulares, testemunhas, presunção, exames, vistorias e arbitramentos 
(VENOSA, 2012). 
Já a nulidade é um vício intrínseco ou interno do próprio ato jurídico. 
Assim, o ato jurídico será anulável quando as declarações de vontade emanarem 
de erro essencial, viciado por erro, dolo, coação ou simulação. 
A respeito da nulidade, pode-se afirmar que ela opera de pleno direito, 
podendo ser invocada por qualquer interessado ou também pelo Ministério 
Público. Quando ocorre nulidade, o negócio não poderá ser confirmado nem 
prevalecerá pela prescrição. Por fim, os negócios jurídicos podem ser:
• formais ou solares: casamento, testamento, compra/venda de imóveis etc.;
• não formais ou consensuais: locação, comodato etc.
OBSERVAÇÃO: Não serão admitidas como testemunhas: os loucos de todo 
gênero, os cegos e surdos (quando a ciência do fato, que se quer provar, dependa dos sentidos 
que lhes faltam), o interessado do objeto do litígio, bem como o ascendente e o descendente, 
ou o colateral até 3° grau de alguma das partes, por consanguinidade ou afinidade. 
FONTE: <https://www.jusbrasil.com.br/topicos/11483752/artigo-142-da-lei-n-3071-de-01-de-ja-
neiro-de-1916>. Acesso em: 22 jul. 2019
ATENCAO
15
Neste tópico, você aprendeu que:
• Entre as diferentes definições do termo direito, a mais comumente aplicada e 
de mais fácil entendimento é a de que direito seria o conjunto de regulamentos 
universais e positivados que orientam a vida em sociedade.
• Direito objetivo diz respeito às normas em si. É ele que estabelece a conduta 
social a ser adotada pelos indivíduos. 
• Direito subjetivo é a faculdade, a opção que o cidadão detém sobre os direitos 
que lhe são próprios.
• Direito natural é aquele que está ligado aos preceitos de filosofia, é a ideia de 
uma justiça maior e anterior aos homens.
• Direito positivo traduz as normas jurídicas que se encontram vigentes em 
determinado tempo e território.
• Direito público é aquele que regula as relações entre diferentes estados, e, 
também, entre estado e os indivíduos particulares.
• Direito privado é aquele que regulamenta as relações entre dois ou mais 
indivíduos particulares.
• Direito Civil é a área do direito que se dedica às relações jurídicas entre duas 
ou mais pessoas ou entre pessoas e coisas.
• Bens são as coisas economicamente valoráveis que poderão servir para satisfazer 
tanto às necessidades de um indivíduo particular como às necessidades da 
comunidade.
• Fatos jurídicos são todos os acontecimentos que possuem como consequência 
a produção de efeitos jurídicos.
• Atosjurídicos são todos os acontecimentos decorrentes de ações voluntárias e 
lícitas que tenham como consequências repercussões jurídicas.
• Quando temos a presença de um ato jurídico bilateral, identificamos o que 
chamaremos de negócio jurídico.
RESUMO DO TÓPICO 1
16
1 (Quadrix/CRP-17/RN – advogado/2018) Em sentido filosófico, é tudo o 
que satisfaz uma necessidade humana. Juridicamente falando, o conceito 
de coisas corresponde ao de bens. Tomando-se por base a classificação dos 
bens, assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) São bens fungíveis os bens móveis ou imóveis que possam ser 
substituídos por outros da mesma espécie, qualidade e quantidade.
b) ( ) Os bens podem ser divididos em consumíveis e não consumíveis, sendo 
certo que estes últimos, embora utilizados, preservem suas qualidades 
para os fins a que se destinem e, quando sofrerem deterioração, 
perecendo suas primitivas formas e sua utilidade, serão incluídos no 
conceito de bens consumíveis.
c) ( ) Os bens naturalmente divisíveis podem tornar-se indivisíveis por 
determinação da lei, não se admitindo, por outro lado, que, mediante 
um negócio jurídico, se estabeleça a indivisibilidade da coisa.
d) ( ) Ao se tratar dos bens reciprocamente considerados, tem-se que os frutos 
e produtos podem ser objeto de negócio jurídico, desde que separados 
do bem principal.
e) ( ) Os bens considerados em si mesmos podem ser divididos em móveis e 
imóveis, sendo que os primeiros são adquiridos pela simples tradição 
e os segundos dependem de escritura pública e registro em cartório 
competente, com exceção daqueles cujo valor seja inferior a trinta vezes 
o maior salário mínimo do País.
2 (FCC/TRT 15ª região – Analista judiciário/2018) Em relação aos bens:
a) ( ) Consideram-se como benfeitorias mesmo os melhoramentos ou 
acréscimos sobrevindos ao bem sem a intervenção do proprietário, 
possuidor ou detentor.
b) ( ) Os naturalmente divisíveis podem tornar-se indivisíveis somente por 
vontade das partes.
c) ( ) Os negócios jurídicos que dizem respeito ao bem principal como regra 
abrangem as pertenças, salvo as exceções legais.
d) ( ) Os materiais destinados a alguma construção, enquanto não forem 
empregados, conservam sua qualidade de móveis; readquirem essa 
qualidade os provenientes da demolição de algum prédio.
e) ( ) São consumíveis os bens móveis que podem substituir-se por outros da 
mesma espécie, qualidade e quantidade.
3 (FCC/ALESE – Analista Legislativo/2018) De acordo com o Código Civil, 
uma praça, um quadro assinado por renomado pintor e as energias que 
tenham valor econômico são considerados, respectivamente, bem:
AUTOATIVIDADE
17
a) ( ) Público de uso especial, bem fungível e bem imóvel.
b) ( ) Público de uso comum do povo, bem infungível e bem móvel.
c) ( ) Particular dominical, bem infungível e bem imóvel.
d) ( ) Público de uso comum do povo, bem infungível e bem imóvel.
e) ( ) Público de uso comum do povo, bem fungível e bem móvel.
4 (FADESP/MPA-PA – Auxiliar de administração/2012) A validade do negócio 
jurídico, além de outros requisitos, necessita de:
a) ( ) Agente eficaz.
b) ( ) Objeto aferível.
c) ( ) Assistência necessária.
d) ( ) Forma prescrita ou não defesa em lei.
e) ( ) Representante jurídico.
5 (IADES/AL-GO – Procurador/2019) Com base no Código Civil, a respeito 
dos negócios jurídicos, assinale a alternativa correta:
a) ( ) O silêncio não importa anuência, mesmo quando as circunstâncias ou os 
usos o autorizarem, e não for necessária a declaração de vontade expressa.
b) ( ) Nas declarações de vontade, atender-se-á mais ao sentido literal da 
linguagem do que à intenção nelas consubstanciada.
c) ( ) A validade da declaração de vontade não dependerá de forma especial, 
senão quando a lei expressamente a exigir.
d) ( ) Os negócios jurídicos benéficos e a renúncia interpretam-se 
ampliativamente.
e) ( ) A validade do negócio jurídico independe da capacidade do agente.
6 No que diz respeito às espécies de bens, leia com atenção as sentenças a 
seguir.
I- Bens móveis são, exclusivamente, materiais de construção, quando 
utilizados para finalidade de construir bens imóveis.
II- Bens divisíveis são aqueles que podem ser fracionados sem causar prejuízo 
no uso a que se destinam.
III- As edificações que se separam do solo e conseguem conservar sua 
unidade, mesmo quando removidas para outro local são classificadas 
como bens imóveis.
IV- Bens públicos pertencem às pessoas jurídicas de direito público e estão 
sujeitos à usucapião.
Agora assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) I, II e IV, apenas.
b) ( ) II e III, apenas.
c) ( ) III e IV, apenas.
d) ( ) I, II e III, apenas.
18
19
TÓPICO 2
TEORIA GERAL DAS OBRIGAÇÕES
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO
Uma vez que já absorvemos as questões acerca das noções básicas de 
Direito Civil, como os fatos jurídicos se transformam em negócios relevantes ao 
ordenamento, e assim criam negócios a partir das relações entre indivíduos e seus 
bens considerados civilmente, passamos agora a pensar nessas relações como 
sendo de natureza obrigacional.
 
Para isso, iremos destrinchar a chamada Teoria Geral das Obrigações, pela 
qual os doutrinadores de direitos se embasam na hora de observar quais cidadãos 
possuem quais deveres e direitos em relação a determinados bens. Por isso, 
analisaremos a estrutura e funções desses elementos tão importante ao Direito 
Civil, que são as relações obrigacionais. 
2 DIREITO DAS OBRIGAÇÕES
O vocábulo obrigação é originário do latim Obligatio, Obligationis, e quer 
dizer “o ato de obrigar”, “dever”. É uma palavra que diz respeito ao vínculo 
jurídico em que um indivíduo se encontra obrigado a dar, fazer ou não fazer 
alguma coisa em benefício de outro.
O direito das obrigações envolve o complexo de normas que tratam 
das relações jurídicas entre um devedor e credor. Essas regras estabelecem as 
responsabilidades que o devedor tem em relação ao credor. 
É o ramo do direito que especifica como deve se dar o cumprimento de 
determinada prestação de natureza econômica, além de garantir o compromisso 
das partes mediante seu patrimônio.
O direito das obrigações dá o suporte econômico para a sociedade, porque 
é por meio dele que circulam os bens e as riquezas. É o aglomerado das normas 
que regulamentam as relações jurídicas patrimoniais. 
O objeto da obrigação é considerado pela maior parte dos doutrinadores 
como a prestação que se difere do objeto material. A prestação seria o ato do 
devedor em entregar certo objeto ao credor. O credor não cobrará pelo objeto, 
mas sim pelo ato de sua entrega. O direito das obrigações, então, possui como 
objeto as prestações que um cidadão aufere em favor de outro indivíduo. 
UNIDADE 1 | TEORIA GERAL DAS OBRIGAÇÕES
20
As relações jurídicas abarcadas pelo direito das obrigações serão também 
denominadas por alguns como direitos de crédito, direitos pessoais ou obrigacionais.
ATENCAO
Obrigação é uma relação jurídica possuidora de caráter transitório que será 
estabelecida entre dois indivíduos, os quais chamaremos de devedor e de credor. 
Obrigação é o vínculo jurídico que liga o credor ao devedor, possibilitando 
que o último exija do primeiro o cumprimento de uma prestação pessoal e 
econômica, ou seja, esta relação jurídica tem como objetivo final a solvência de 
uma prestação pessoal econômica, que poderá ser positiva ou negativa, devida 
pelo primeiro sujeito mencionado (devedor) ao segundo (credor), que possui a 
garantia de adimplemento através do patrimônio econômico em questão.
Pode-se dizer que é característica marcante das obrigações o fato de elas 
expressarem de maneira mais enfática um direito da pessoa credora do que um 
dever da pessoa devedora, incidindo justamente no ato de fornecer meios para 
que o credor possa exigir do devedor o cumprimento da prestação previamente 
firmada entre as partes. 
O direito das obrigações procura resguardar o direito do credor que 
resultou diretamente de um negócio jurídicocontra o devedor. Percebemos, 
então, que as obrigações nascem quando ocorre a necessidade de aplicação das 
normas jurídicas sobre fatos que decorrem da seguinte relação: 
Credor  Prestação  Devedor
Para que identifiquemos determinada relação como sendo uma relação de 
obrigação é necessário que observemos alguns elementos, são eles:
1- Sujeito: é o elemento caracterizado por qualquer pessoa física ou jurídica que 
possua capacidade de comparecer de maneira ativa ou passivamente dentro de 
uma relação obrigacional.
• Sujeito ativo: é o que viemos chamando de credor, isto é, aquele a quem a 
prestação é devida. Deste modo, é ele quem deve agir ativamente buscando 
exigir os seus direitos decorrentes da obrigação firmada entre as partes.
• Sujeito passivo: é o sujeito a que chamamos de devedor, ou seja, aquele que 
deve realizar a prestação. Assim, é ele quem figurará no polo passivo da relação 
jurídica, é quem tem o dever de dar, fazer ou não fazer dentro da obrigação 
firmada entre as partes.
TÓPICO 2 | TEORIA GERAL DAS OBRIGAÇÕES
21
2- Objeto: o objeto da obrigação é a prestação que pode consistir em obrigação de 
dar, fazer ou não fazer. Essa prestação, para que seja válida no mundo jurídico, 
deve conter algumas características. O objeto deve ser: 
a) Lícito: deve existir possibilidade jurídica do objeto da obrigação. Exemplo: não 
se pode firmar negócio sobre a compra e venda de cocaína, substância ilícita, ou 
seja, se um devedor não cumprir sua obrigação de entregar um quilo de cocaína 
para um credor, este último não poderá procurar o poder judiciário para fazer 
com que o primeiro cumpra a sua palavra. 
b) Possível: deve existir também a possibilidade física para o cumprimento da 
obrigação em questão. Essa possibilidade abrange tudo aquilo que se encontrar 
dentro das forças humanas ou da natureza. Exemplo: é impossível viajar ao Sol, 
sendo inválido o contrato estabelecido com este objeto. Já a viagem à Lua, que 
é possível, não invalidaria o contrato.
c) Determinado ou determinável: é determinado o objeto de um contrato que 
seja específico, e determinável é um objeto que seja de fácil entendimento do 
que se trata. Exemplo: Objeto determinado = um carro do modelo tal, de cor 
vermelha, placa tal, chassi tal, ano tal. Objeto determinável = um carro qualquer 
de determinado modelo e ano. Ambos são objetos válidos.
d) Economicamente apreciável: deve existir a possibilidade de se auferir valor 
econômico ao objeto da obrigação.
3- Vínculo jurídico: é a conexão que amarra o devedor à obrigação de solver a 
prestação em favor do credor. Com esses elementos, temos então as chamadas 
relações obrigacionais, vejamos:
Sujeito Ativo  Vínculo  Sujeito Passivo
 Credor Prestação Devedor
(Dar – fazer – não fazer)
Ainda, como uma introdução ao direito das obrigações, é importante 
ressaltarmos que elas possuem duas fontes. Podem surgir tanto diretamente da 
lei quanto da vontade humana. No primeiro caso, a norma obriga que se cumpra 
alguma ação, que se aja de certa maneira diante de uma determinada relação 
jurídica. Já no segundo caso é quando primeiro se ocorre os fatos, as partes 
firmam negócios jurídicos que podem ser unilaterais, bilaterais ou até ilícitos, e 
posteriormente se percebe a existência de uma obrigação nesta relação.
3 ESTRUTURA E FUNÇÃO DO DIREITO DAS OBRIGAÇÕES
É evidente a importância do instituto das obrigações na qualidade de 
estrutura das relações civis. Dentro dos ramos de prática forense, os operadores 
do direito de maneira inevitável acabam utilizando as obrigações.
UNIDADE 1 | TEORIA GERAL DAS OBRIGAÇÕES
22
Isso ocorre principalmente nas relações econômicas, considerando que 
se pode enxergar essas relações como um alicerce da autonomia privada. Deste 
modo, podemos afirmar que a realidade social em que vivemos hoje desponta 
que o mundo moderno nos conduz para uma abundância de obrigações a serem 
adquiridas diariamente.
Os cidadãos contemporâneos sentem, com o grande progresso da 
tecnologia e, consequentemente, das comunicações midiáticas e da urbanização, 
uma enorme necessidade de consumo. Tal necessidade atingiu níveis desregrados, 
fato este que acarreta em atividade econômica cada vez mais acentuada. Isso tudo 
faz com que as normas jurídicas sejam cada vez mais voltadas para que essas 
atividades consigam ser concluídas de maneira a acarretar o menor ônus possível 
para as partes nelas envolvidas. Assim, controlando e regulamentando os fatos 
que constituem o chamado Direito das Obrigações. E, por fim, equilibrando as 
relações entre os sujeitos ativos e passivos.
É importante lembrar que os direitos se classificam entre os chamados 
direitos reais e os direitos pessoais. O primeiro é aquele que incide pontualmente 
sobre a coisa/objeto de direito, e, o segundo, aquele que recai especificamente 
no direito das obrigações, visto que ele aborda justamente as relações entre os 
sujeitos ativos e passivos.
Os direitos obrigacionais, pessoais ou de crédito se caracterizam por 
atribuírem a exigência de que algum indivíduo cumpra com determinada obrigação 
que contraiu outrem. Podemos então dizer que os direitos obrigacionais são direitos 
relativos, isso quer dizer que eles são direitos direcionados para determinadas 
pessoas. Além disso, são direitos a uma prestação positiva ou negativa, pois exigem 
que se cumpra pelo devedor algo em relação à prestação cobrada pelo credor.
23
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você aprendeu que:
• O direito das obrigações envolve o complexo de normas que tratam das relações 
jurídicas entre um devedor e credor.
• Direito das obrigações é o ramo do direito que especifica como deve se dar 
o cumprimento de determinada prestação de natureza econômica, além de 
garantir o compromisso das partes mediante seu patrimônio.
• O direito das obrigações possui como objeto as prestações que um cidadão 
aufere em favor de outro indivíduo. 
• Obrigação é uma relação jurídica possuidora de caráter transitório que será 
estabelecida entre dois indivíduos: o devedor e o credor. 
• Para que identifiquemos determinada relação como sendo uma relação de 
obrigação é necessário que observemos alguns elementos, são eles: sujeito, 
objeto e vínculo jurídico.
• Dentro dos ramos de prática forense, os operadores do direito de maneira 
inevitável acabam utilizando as obrigações.
• Os direitos obrigacionais, pessoais ou de crédito se caracterizam por atribuírem 
a exigência de que algum indivíduo cumpra com determinada obrigação que 
contraiu outrem.
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1 (INAZ DO PARÁ/CORE-PE – Assistente jurídico/2019) A palavra obrigação 
possui várias acepções de emprego cotidiano, no qual pelo menos duas são 
de destaque: a obrigação enquanto dever jurídico e a obrigação enquanto 
dever não jurídico. A obrigação que é sinônimo de dever, seja jurídico ou não, 
e a obrigação que é sinônimo de dever patrimonial são, respectivamente:
a) ( ) Lato sensu e stricto sensu.
b) ( ) Ab origine e ab intestato.
c) ( ) Capitis diminutio e capitis patrilis.
d) ( ) Casus deverdium e casus patronos.
e) ( ) Ex lege e ex officio.
2 (INAZ DO PARÁ/CREFITO 16ª REGIÃO/MA – Advogado/2018) Mário 
Alencar, estilista famoso no cenário das celebridades, foi contratado pela 
atriz de sucesso, Beatriz Varela, para criar e costurar seu vestido de noiva 
que seria utilizado no dia do casamento. A partir da hipótese narrada, 
assinale a afirmativa correta:
a) ( ) A relação obrigacional descrita tem como sujeito ativo Mário e sujeito 
passivo Beatriz em torno de uma obrigação cujo objeto imediato consiste 
em uma obrigação de fazer, fungível e que tem por fonte imediata a lei 
e fonte mediata o bem da vida desejado por Beatriz, que no caso é o 
vestido de casamento.
b) ( ) A relação obrigacional descrita tem como sujeito ativo Beatriz e sujeito 
passivo Mário, em torno de uma obrigação que consiste em uma 
obrigação de fazer, fungível e o objeto mediato, o vestido de noiva e 
que tem por fonte imediataa lei e fonte mediata o contrato.
c) ( ) O conflito obrigacional descrito tem como sujeito ativo Beatriz e sujeito 
passivo Mário, em torno de uma obrigação que consiste em uma 
obrigação de fazer, infungível e o objeto mediato, o vestido de noiva e 
que tem por fonte imediata a lei e fonte mediata o contrato.
d) ( ) Não houve relação obrigacional neste caso.
e) ( ) Por ser o vestido de noiva bem fungível, a relação obrigacional está 
eivada de nulidade.
3 (FMP Concursos/PGE-AC – Procurador do Estado/2017) Considere as 
seguintes afirmativas sobre o tema das obrigações no âmbito do Código 
Civil. Assinale a alternativa INCORRETA:
a) ( ) Se a obrigação for de restituir coisa certa, e esta, sem culpa do devedor, 
se perder antes da tradição, sofrerá o credor a perda, e a obrigação se 
resolverá, ressalvados os seus direitos até o dia da perda.
b) ( ) Incorre na obrigação de indenizar perdas e danos o devedor que recusar 
a prestação a ele só imposta, ou só por ele exequível.
AUTOATIVIDADE
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c) ( ) Extingue-se a obrigação de não fazer, desde que sem culpa do devedor, 
se lhe torne impossível abster-se do ato que se obrigou a não praticar.
d) ( ) Nas obrigações alternativas, a escolha cabe ao credor, se outra coisa não 
se estipulou.
e) ( ) A obrigação é indivisível quando a prestação tem por objeto uma coisa 
ou um fato não suscetíveis de divisão, por sua natureza, por motivo de 
ordem econômica ou pela razão determinante do negócio jurídico.
4 (IDECAN/Câmara de Aracruz-ES – Procurador Legislativo/2016) Nos 
termos do Código Civil brasileiro, quanto ao direito das obrigações, é 
INCORRETO afirmar que:
a) ( ) Na obrigação de dar coisa incerta, esta prescinde de indicação de gênero 
e quantidade.
b) ( ) Nas obrigações alternativas, a escolha cabe ao devedor, se outra coisa 
não se estipulou.
c) ( ) Não pode o devedor obrigar o credor a receber parte em uma prestação 
e parte em outra.
d) ( ) Se a prestação do fato tornar-se impossível sem culpa do devedor, 
resolver-se-á a obrigação.
e) ( ) Na obrigação de dar coisa incerta não se faz necessária a indicação de 
quantidade.
5 (FUNDEP/Prefeitura de Nossa Senhora do Socorro/SE – Procurador 
do Município/2014) A respeito do direito das obrigações, assinale a 
alternativa CORRETA:
a) ( ) Até a tradição da coisa, os frutos percebidos são do devedor e os 
pendentes do credor.
b) ( ) Nas obrigações de dar coisa incerta, determinadas pelo gênero e pela 
quantidade, a escolha pertence, necessariamente, ao devedor.
c) ( ) Nas obrigações alternativas, a escolha cabe ao devedor. Não havendo 
acordo, decidirá o juiz, findo o prazo por ele assinado para a deliberação.
d) ( ) O devedor, que paga a dívida, sub-roga-se no direito do credor em 
relação aos outros coobrigados.
e) ( ) A solidariedade, quando resulta da lei ou da vontade das partes, 
presume-se em favor do credor.
6 Maria, ao acompanhar o trabalho de Ângela pelas redes sociais e entender 
que é o tipo de pintura específica que pretende ter em sua casa, contratou 
Ângela para que esta se obrigasse, de maneira personalíssima, a fazer a 
pintura das paredes do quarto de seu bebê que está para nascer. Nesse caso, 
a obrigação de Ângela é de:
a) ( ) Fazer infungível.
b) ( ) Fazer fungível.
c) ( ) Dar coisa incerta.
d) ( ) Dar coisa certa.
e) ( ) Entregar fungível.
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TÓPICO 3
CLASSIFICAÇÃO DAS OBRIGAÇÕES
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO
Já iniciada a nossa introdução à Teoria Geral das Obrigações e ao 
adquirirmos entendimento acerca tanto da estrutura em que se organizam quanto 
das funções que desempenham as relações obrigacionais dentro do Direito 
Civil, passamos agora a, objetivamente, classificar as espécies de obrigações 
identificadas em nosso ordenamento jurídico.
Para isso, iniciaremos este tópico com as relações fundamentais para 
nosso livro didático, as relações civis. Após, passaremos pela averiguação das 
diferenças entre obrigações naturais e morais, a fim de identificar quais dizem 
respeito ao mundo jurídico e quais não. Por fim, seremos levados à classificação 
basilar de nosso Código Civil acerca das relações obrigacionais, identificando e 
entendendo as obrigações de dar, fazer e não fazer.
2 OBRIGAÇÃO CIVIL
Como já foi visto nos tópicos anteriores, obrigação no mundo jurídico é 
qualquer relação de crédito e débito que atinja o seu objetivo de solvência a partir 
do cumprimento desta. 
A obrigação civil é aquela da qual nasce um vínculo jurídico de prestação 
entre o credor e o devedor. Neste caso, o devedor da relação pode ser alvo 
de uma intervenção estatal por parte do credor, caso este não cumpra com a 
obrigação, ou seja, com o inadimplemento da obrigação, o credor terá o direito 
de intervir judicialmente para garantir o cumprimento por parte do devedor.
A natureza da obrigação civil pode ser pessoal, personalíssima e material:
a) Obrigação pessoal: é aquela que, apesar de assumida pelo devedor, poderá ser 
cumprida por uma terceira pessoa. 
b) Obrigação personalíssima: é aquela que somente poderá ser cumprida pelo 
devedor.
c) Obrigação material: é aquela que consiste na entrega de um determinado bem.
Além disso, é importante que saibamos que a obrigação civil possui por 
objeto alguma prestação que possa ser aferível de maneira econômica. A partir 
disso, as obrigações são classificadas da seguinte maneira:
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UNIDADE 1 | TEORIA GERAL DAS OBRIGAÇÕES
1) Quanto ao objeto
O objeto da obrigação pode ser mediato ou imediato.
a) Imediato: a conduta humana de dar, fazer ou não fazer. Exemplo: Obrigação 
da pessoa que vendeu um carro, devedor de obrigação, de dar a chave do carro 
adquirido para o credor, novo proprietário.
b) Mediato: é caracterizado pela prestação em si. Exemplo: O que vai ser dado? 
A chave.
2) Quanto aos seus elementos:
Como já visto anteriormente, a obrigação é composta por três elementos, 
que são:
a) Elemento subjetivo: representado pelos sujeitos da relação (ativo e passivo).
b) Elemento objetivo: representado pelo objeto da relação jurídica em questão. 
c) Vínculo jurídico existente entre os sujeitos da relação.
É a partir desses elementos que conseguimos classificar as obrigações em:
• Obrigação simples: são aquelas que aparecem representadas por todos os 
elementos de maneira singular. Isso quer dizer que uma obrigação simples 
será estruturada por apenas um sujeito ativo, um sujeito passivo e um objeto.
• Obrigação composta ou complexa: diferentemente das obrigações simples, 
estas aparecem representadas por algum dos elementos, podendo ser todos ou 
qualquer um deles de maneira plural. Exemplo: uma obrigação que contenha 
dois sujeitos ativos, um sujeito passivo e um objeto.
Entendemos, então, que:
QUADRO 2 – CLASSIFICAÇÃO DAS OBRIGAÇÕES
CLASSIFICAÇÃO DAS OBRIGAÇÕES
QUANTO AO 
OBJETO Imediato Mediato
QUANTO AOS 
ELEMENTOS Subjetivo Objetivo Vínculo jurídico
QUANTO 
AO MEIO E 
RESULTADO
Meio Resultado
FONTE: A autora
TÓPICO 3 | CLASSIFICAÇÃO DAS OBRIGAÇÕES
29
FONTE: A autora
As obrigações compostas ou complexas, por sua vez, se subdividem em: 
a) Obrigações cumulativas: os objetos apresentam-se somados, ou seja, estão 
associados à conjunção "e". Exemplo: O cidadão devedor X deve dar para o 
cidadão credor Y um carro e uma moto.
b) Obrigações alternativas: os objetos apresentam-se se alternando entre opções, 
ou seja, associados à conjunção "ou", pode ser um objeto substituído por outros, 
como opção do cidadão devedor. Exemplo: O cidadão devedor X deve dar para 
o cidadão credor Y o valor de R$ 10.000,00 ou um carro.
c) Obrigações divisíveis: é quando a obrigação possui mais de um sujeito ativo 
e o objeto aparece dividido entre mais de um sujeito. Exemplo: quando se tem 
obrigação de dar determinada quantia em dinheiro somada para mais de um 
sujeito credor. Como uma dívida em que o montante é de R$ 100.000,00 e se 
possui dois credores, então a solvência ocorre ao se pagar R$ 50.000,00 para 
cada um dos dois credores.
d) Obrigações indivisíveis:é quando a obrigação possui um objeto que não pode ser 
dividido entre mais de um sujeito ativo/credor. Exemplo: a entrega de um carro.
e) Obrigações solidárias: são aquelas obrigações que decorrem das leis ou da 
vontade das partes, independentemente da divisibilidade do objeto.
Para melhor absorção, visualizemos o esquema a seguir:
FIGURA 1 – SUBDIVISÃO DAS OBRIGAÇÕES
CLASSIFICAÇÃO
DAS
OBRIGAÇÕES
SIMPLES
COMPOSTA
Cumulativas
Alternativas
Divisíveis
Indivisíveis
Solidárias
Seguem alguns pontos relevantes sobre obrigações solidárias:
1- Essa solidariedade pode ser chamada tanto de solidariedade ativa quanto 
passiva. 
2- Isso irá variar conforme o polo de sujeitos que estará representado de maneira 
plural dentro da relação em questão.
3- Quando qualquer dos devedores pode responder pela dívida inteira, este 
terá direito de regresso contra o restante dos sujeitos que não realizou a 
prestação. Exemplo: X e Y são sujeitos passivos de uma obrigação. Z é o sujeito 
30
UNIDADE 1 | TEORIA GERAL DAS OBRIGAÇÕES
ativo e demanda a solvência total da dívida para X, que cumpre a prestação 
sozinho e, então, posteriormente, cobra de Y a parte que pagou a mais.
3) Quanto ao meio e resultado
a) Obrigação de meio: ocorre quando o cidadão devedor (o sujeito passivo da 
obrigação) se compromete em fazer a melhor utilização da sua sabedoria, meios 
e técnicas para alcançar o resultado firmado entre ele e a outra parte da obrigação 
(credor/sujeito ativo). Contudo, esta relação se firma sem que o primeiro sujeito 
(devedor) se encontre responsabilizado nos casos em que o desejo final pretendido 
entre as partes não seja alcançado. Exemplo: a contratação de um profissional 
advogado. Este deverá utilizar todos os meios para conseguir obter a sentença 
desejada por seu cliente, mas em nenhum momento será responsabilizado caso 
não consiga atingir tal objetivo.
b) Obrigação de resultado: ocorre quando o cidadão devedor (sujeito passivo) não 
apenas aproveita-se de todos os seus métodos, técnicas e sabedoria ao seu alcance 
para a chegar na aquisição do resultado pretendido. Mas, também, se compromete 
com a responsabilização caso o resultado alcançado seja diverso do esperado 
entre as partes. Dessa maneira, o cidadão devedor (sujeito passivo) só restará 
isento da obrigação firmada quando, finalmente, alcançar o resultado almejado 
pela parte credora (sujeito ativo). Exemplo: a contratação de uma empresa de 
transportes. O objetivo final da obrigação firmada é a entrega de determinado 
material para o credor (sujeito ativo). Assim, se mesmo com a utilização de todos 
os meios a disposição a transportadora não conseguir executar a entrega (obter o 
resultado), não estará exonerada da obrigação até que ela a execute.
3 OBRIGAÇÃO NATURAL E MORAL
É importante que neste subtópico consigamos separar este espaço para 
classificarmos a diferenciação entre obrigações do tipo natural e moral. Ocorre 
que ambas são igualmente importantes e verificam-se comumente dentro dos 
negócios jurídicos.
Quando se fala em moral, somos logo remetidos a uma obrigação 
proveniente da própria consciência humana. Esse tipo de obrigação, então, gera 
consequências apenas internas. Como exemplo podemos citar ações como não trair 
o namorado ou frequentar a igreja de sua religião em determinado dia da semana.
Percebemos, então, que dentro das relações obrigacionais o 
inadimplemento de uma obrigação moral não dá direito ao credor de reivindicar 
judicialmente a solvência da obrigação pelo devedor, uma vez que nesses casos 
a obrigação é simplesmente um dever de consciência.
Os embasamentos essenciais dos preceitos morais, assim como a 
execução de uma obrigação de cunho moral, sempre serão representados como 
uma generosidade e não como pagamento. 
TÓPICO 3 | CLASSIFICAÇÃO DAS OBRIGAÇÕES
31
IMPORTANT
E
Importante lembrar: o cidadão que por livre e espontânea vontade cumprir uma 
prestação moral, também não terá direito ao arrependimento.
A obrigação natural é possuidora de todas as particularidades de uma 
obrigação civil. Nesse tipo de obrigação é possível reconhecer a totalidade dos 
elementos de uma obrigação civil, quais sejam o credor, o devedor e o objeto. 
Entretanto, o fator que as diferencia é bastante essencial. A diferença está no 
fato de que, diferentemente de uma obrigação civil, a obrigação natural per si 
não traz a garantia jurídica de solvência da obrigação adquirida.
IMPORTANT
E
Diferentemente da obrigação moral, na obrigação natural não há que se falar em 
generosidade, uma vez que o cumprimento desta é considerado um adimplemento.
Na obrigação natural, o credor não possui a prerrogativa de exigência 
ao pagamento, assim como o devedor não pode exigir a devolução por 
arrependimento, e neste caso o objeto ficará nas mãos no credor a título de 
pagamento e não de generosidade.
Com isto, concluímos que, ao determinar os conceitos fundamentais, é 
possível chegar nas definições acertadas sobre obrigações civil, moral e natural, uma 
vez que cada uma possui pequenas características diferenciadoras umas das outras. 
Vemos, então, que a obrigação civil é aquela que dá ao credor o direito 
de exigência judicial, já a obrigação moral é apenas um ato de generosidade, e, 
ainda, a obrigação natural é aquela em que não existe o direito de exigência por 
parte do credor, mas de qualquer forma, a solvência da obrigação é tida como 
adimplemento. Vejamos de maneira simplificada:
• OBRIGAÇÃO CIVIL – existe vínculo jurídico o qual sujeita o devedor à 
realização de uma prestação em detrimento do interesse do credor. Isto confere 
ao credor o direito de ação contra o devedor inadimplente. 
• OBRIGAÇÃO MORAL – é aquela desempenhada com fundamento em 
dever de consciência, o que torna sua execução um ato de mera liberalidade 
e não de pagamento real. Não obstante, esse tipo de obrigação confere àquele 
32
UNIDADE 1 | TEORIA GERAL DAS OBRIGAÇÕES
que recebeu o pagamento a que chamamos de soluti retentio (retenção de 
pagamento, impedindo que o devedor uma vez tendo executado o pagamento, 
procure posterior restituição deste). Exemplo: o pagamento de gorjeta ao 
garçom. Uma vez pago, a indivíduo não poderá pedir de volta.
• OBRIGAÇÃO NATURAL – embora não possua o respaldo exigência 
através de ação judicial, o seu adimplemento (cumprimento, execução) 
representará um pagamento real e não mera liberalidade (generosidade). Este 
fato também confere ao credor a soluti retentio, de modo que, quem a cumpriu, 
não tem direito de posteriormente exigir a restituição. Exemplo: pagamento de 
dívida de jogo ilegal.
4 OBRIGAÇÃO DE DAR E FAZER/NÃO FAZER
Quanto à prestação das obrigações, temos a seguinte classificação: 
• Obrigações positivas: possuem como objeto uma prestação, um agir, que pode 
ser tanto de dar quanto de fazer algo, assim, possui a seguinte subclassificação:
a) Obrigações de dar (pode ocorrer sobre coisa certa ou coisa incerta).
b) Obrigações de fazer. 
• Obrigações negativas: possuem como objeto uma falta de ação, sendo estas as 
chamadas obrigações de não fazer.
Agora, encaminharemos o presente tópico para suas questões finais, assim, 
passaremos a analisar de forma bastante detalhada cada uma das classificações 
das obrigações quanto as suas prestações. Iniciaremos pela obrigação positiva de 
dar. No direito das obrigações, ela pode ter, juridicamente, três sentidos: 
1- Pode significar transferir a posse e a propriedade de alguma coisa;
2- Entregar alguma posse (exemplo: na locação, o locador tem a obrigação de 
transferir apenas a posse e não a propriedade), ou, ainda;
3- Restituir a posse e/ou a propriedade (exemplo: contrato de depósito). 
Fixa-se que, em qualquer um dos três sentidos apresentados, a obrigação de dar 
significa executar uma prestação de coisas.
ATENCAO
TÓPICO 3 | CLASSIFICAÇÃO DAS OBRIGAÇÕES
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A obrigação de dar, ainda, se encontra subclassificada em:
a) Dar coisa certa: é aquela em que a prestação está relacionada a um bem específico 
ou individualizado.