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Indaial – 2019
Direito Civil ii
Prof.a Fabiane Brião Vaz
1a Edição
Copyright © UNIASSELVI 2019
Elaboração:
Prof.a Fabiane Brião Vaz
Revisão, Diagramação e Produção:
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI
Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri 
UNIASSELVI – Indaial.
Impresso por:
V393d
 Vaz, Fabiane Brião
 Direito civil II. / Fabiane Brião Vaz. – Indaial: UNIASSELVI, 2019.
 147 p.; il.
 ISBN 978-85-515-0356-0
 1. Direito civil. - Brasil. II. Centro Universitário Leonardo Da Vinci.
CDD 342.14
III
ApresentAção
Neste livro didático, intitulado Direito Civil II, você será introduzido 
ao Direito Civil. Inicialmente, você será apresentado às questões acerca das 
relações obrigacionais de uma perspectiva jurídica. Na Unidade 1 isso ocorrerá 
de maneira fragmentada entre quatro tópicos, sendo eles, respetivamente: 
Introdução ao Direito Civil, Teoria Geral das Obrigações, Classificação das 
Obrigações e Espécies de Obrigações.
 
Na segunda unidade deste livro, intitulada Cumprimento das 
obrigações, você vai adentrar mais profundamente na questão das obrigações. 
A partir daí iniciará os estudos acerca da extinção das obrigações dentro 
do ordenamento jurídico, identificando as diferentes maneiras de extinção 
das obrigações; constatando as ideias principais de formas de solvência dos 
negócios jurídicos. Tudo isso sem deixar de perceber as responsabilidades no 
âmbito do Direito Civil.
Por fim, na terceira unidade, intitulada Contratos, você será 
aproximado dos conhecimentos relativos às questões dos contratos civis, 
como garantidor dos direitos e deveres das relações obrigacionais. Para isso, 
é importante a consciência de que contratos se trata de uma matéria específica 
e de grande importância no âmbito do Direito Civil. 
 
Dessa forma, pretendemos que que você disponha dos ensinamentos 
aqui expressos, junto ao devido aproveitamento das aulas, para que adquira 
o conhecimento necessário para a prática efetiva de sua vida profissional.
Bons estudos!
Profª. Fabiane Brião Vaz
IV
Você já me conhece das outras disciplinas? Não? É calouro? Enfim, tanto para 
você que está chegando agora à UNIASSELVI quanto para você que já é veterano, há 
novidades em nosso material.
Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos os acadêmicos desde 2005, é 
o material base da disciplina. A partir de 2017, nossos livros estão de visual novo, com um 
formato mais prático, que cabe na bolsa e facilita a leitura. 
O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura interna foi aperfeiçoada com nova 
diagramação no texto, aproveitando ao máximo o espaço da página, o que também 
contribui para diminuir a extração de árvores para produção de folhas de papel, por exemplo.
Assim, a UNIASSELVI, preocupando-se com o impacto de nossas ações sobre o ambiente, 
apresenta também este livro no formato digital. Assim, você, acadêmico, tem a possibilidade 
de estudá-lo com versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador. 
 
Eu mesmo, UNI, ganhei um novo layout, você me verá frequentemente e surgirei para 
apresentar dicas de vídeos e outras fontes de conhecimento que complementam o assunto 
em questão. 
Todos esses ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos nas pesquisas 
institucionais sobre os materiais impressos, para que você, nossa maior prioridade, possa 
continuar seus estudos com um material de qualidade.
Aproveito o momento para convidá-lo para um bate-papo sobre o Exame Nacional de 
Desempenho de Estudantes – ENADE. 
 
Bons estudos!
NOTA
V
VI
VII
UNIDADE 1 – TEORIA GERAL DAS OBRIGAÇÕES ......................................................................1
TÓPICO 1 – INTRODUÇÃO AO DIREITO CIVIL ............................................................................3
1 INTRODUÇÃO .......................................................................................................................................3
2 NOÇÕES DE DIREITO CIVIL .............................................................................................................4
3 BENS ..........................................................................................................................................................6
3.1 BENS CONSIDERADOS EM SI MESMOS .....................................................................................7
3.2 BENS RECIPROCAMENTE CONSIDERADOS ............................................................................9
3.3 BENS CONSIDERADOS EM RELAÇÕES ÀS PESSOAS ........................................................... 10
3.4 BENS CONSIDERADOS EM RELAÇÃO A SUA COMERCIALIDADE ................................. 10
4 FATOS, ATOS E NEGÓCIOS JURÍDICOS ..................................................................................... 11
RESUMO DO TÓPICO 1........................................................................................................................ 14
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 15
TÓPICO 2 – TEORIA GERAL DAS OBRIGAÇÕES ........................................................................ 17
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 17
2 DIREITO DAS OBRIGAÇÕES .......................................................................................................... 17
3 ESTRUTURA E FUNÇÃO DO DIREITO DAS OBRIGAÇÕES .................................................. 19
RESUMO DO TÓPICO 2........................................................................................................................ 21
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 22
TÓPICO 3 – CLASSIFICAÇÃO DAS OBRIGAÇÕES...................................................................... 25
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 25
2 OBRIGAÇÃO CIVIL ............................................................................................................................ 25
3 OBRIGAÇÃO NATURAL E MORAL ............................................................................................... 28
4 OBRIGAÇÃO DE DAR E FAZER/NÃO FAZER ............................................................................. 30
RESUMO DO TÓPICO 3........................................................................................................................ 37
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 38
TÓPICO 4 – ESPÉCIES DE OBRIGAÇÕES ........................................................................................ 41
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 41
2 OBRIGAÇÃO LÍQUIDA X ILÍQUIDA ............................................................................................ 41
3 OBRIGAÇÃO SIMPLES X CUMULATIVA ..................................................................................... 43
4 OBRIGAÇÕES PURAS, CONDICIONAIS, MODAIS E A TERMO .......................................... 44
5 OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS X ACESSÓRIAS ............................................................................... 45
LEITURA COMPLEMENTAR ............................................................................................................... 47
RESUMO DO TÓPICO 4........................................................................................................................ 51
AUTOATIVIDADE .................................................................................................................................52
UNIDADE 2 – DO CUMPRIMENTO DAS OBRIGAÇÕES ........................................................... 55
TÓPICO 1 – TEORIA DO PAGAMENTO .......................................................................................... 57
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 57
2 NATUREZA JURÍDICA DO PAGAMENTO .................................................................................. 58
sumário
VIII
3 DAS CONDIÇÕES OBJETIVAS DO PAGAMENTO.................................................................... 62
4 DO PAGAMENTO INDEVIDO ........................................................................................................ 64
RESUMO DO TÓPICO 1........................................................................................................................ 66
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 67
TÓPICO 2 – OUTROS MODOS DE EXTINÇÃO DA OBRIGAÇÃO .......................................... 69
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 69
2 DAÇÃO EM PAGAMENTO ............................................................................................................... 69
3 PAGAMENTO POR CONSIGNAÇÃO ............................................................................................ 71
4 PAGAMENTO POR SUB-ROGAÇÃO ............................................................................................. 74
RESUMO DO TÓPICO 2........................................................................................................................ 76
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 77
TÓPICO 3 – EXTINÇÃO DA RELAÇÃO OBRIGACIONAL SEM PAGAMENTO ................... 81
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 81
2 MORA ..................................................................................................................................................... 81
3 CLÁUSULA PENAL ............................................................................................................................. 83
4 CESSÃO .................................................................................................................................................. 84
RESUMO DO TÓPICO 3........................................................................................................................ 86
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 87
TÓPICO 4 – RESPONSABILIDADES ................................................................................................. 91
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 91
2 ATO ILÍCITO E TEORIA DA REPARAÇÃO DO DANO ............................................................ 91
3 RESPONSABILIDADE CIVIL OBJETIVA E SUBJETIVA ............................................................ 92
4 RESPONSABILIDADE CIVIL CONTRATUAL E EXTRACONTRATUAL .............................. 93
LEITURA COMPLEMENTAR ............................................................................................................... 95
RESUMO DO TÓPICO 4........................................................................................................................ 98
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 99
UNIDADE 3 – CONTRATOS ..............................................................................................................101
TÓPICO 1 – TEORIA GERAL DOS CONTRATOS ........................................................................103
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................103
2 FUNDAMENTOS ...............................................................................................................................104
3 PRINCÍPIOS ........................................................................................................................................105
3.1 PRINCÍPIO DA AUTONOMIA DA VONTADE .......................................................................106
3.2 PRINCÍPIO DA OBRIGATORIEDADE DOS CONTRATOS ...................................................107
3.3 PRINCÍPIO DA RELATIVIDADE DOS EFEITOS DO CONTRATO ......................................109
3.4 PRINCÍPIO DO CONSENSUALISMO .......................................................................................109
3.5 PRINCÍPIO DA FUNÇÃO SOCIAL DO CONTRATO .............................................................109
3.6 PRINCÍPIO DA BOA-FÉ OBJETIVA ...........................................................................................110
3.7 PRINCÍPIO DO EQUILÍBRIO ECONÔMICO / JUSTIÇA CONTRATUAL ..........................111
4 FORMAÇÃO CONTRATUAL .........................................................................................................112
RESUMO DO TÓPICO 1......................................................................................................................114
AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................115
TÓPICO 2 – PRINCIPAIS ESPÉCIES DE CONTRATOS ..............................................................119
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................119
2 COMPRA E VENDA ..........................................................................................................................119
3 DOAÇÃO .............................................................................................................................................122
4 EMPRÉSTIMO ....................................................................................................................................124
IX
5 PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS ...........................................................................................................126
6 DEPÓSITO ...........................................................................................................................................126
7 FIANÇA ................................................................................................................................................128
RESUMO DO TÓPICO 2......................................................................................................................130
AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................131
TÓPICO 3 – EXTINÇÃO DOS CONTRATOS .................................................................................133
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................133
2 EXTINÇÃO NORMAL DOS CONTRATOS .................................................................................133
3 NULIDADE ..........................................................................................................................................135
4 PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA .....................................................................................................136
LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................137RESUMO DO TÓPICO 3......................................................................................................................142
AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................143
REFERÊNCIAS .......................................................................................................................................145
X
1
UNIDADE 1
TEORIA GERAL DAS OBRIGAÇÕES
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:
• compreender as noções de direito civil;
• identificar as diferenciações dos conceitos principais de direito civil;
• adentrar no mundo das obrigações jurídicas;
• constatar as ideias principais das teorias de relações civis;
• perceber a classificação das obrigações no direito civil;
• caracterizar as diferentes espécies de obrigações.
Esta unidade está dividida em quatro tópicos. No decorrer da unidade você 
encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado.
TÓPICO 1 – INTRODUÇÃO AO DIREITO CIVIL
TÓPICO 2 – DIREITO DAS OBRIGAÇÕES
TÓPICO 3 – CLASSIFICAÇÃO DAS OBRIGAÇÕES
TÓPICO 4 – ESPÉCIES DE OBRIGAÇÕES
2
3
TÓPICO 1
UNIDADE 1
INTRODUÇÃO AO DIREITO CIVIL
1 INTRODUÇÃO
Nesta unidade, caro acadêmico, você entrará no mundo do direito civil e 
será levado ao início dos estudos sobre as relações obrigacionais do conhecimento 
jurídico. Isso ocorrerá de maneira fragmentada em quatro tópicos, respetivamente: 
introdução ao direito civil; teoria geral das obrigações; classificação das obrigações 
e espécies de obrigações. Por fim, você terá as referências bibliográficas, as quais 
servem de indicação para que vá além da leitura obrigatória.
De acordo com Maria Helena Diniz (2010), doutrinadora de direito civil, 
uma obrigação é sempre originada a partir de um dever jurídico. Este tipo de 
dever é, por sua vez, um dever que nasce como consequência de algum direito 
que vigora sobre todos os cidadãos, os quais chamamos de direitos objetivos. 
É a partir disso que tem início as sanções a serem executadas por aqueles 
cidadãos que não cumprem seus respectivos deveres jurídicos. Maria Helena 
Diniz (2010) usa, como exemplos de deveres jurídicos, deveres como o de respeitar 
a vida e o de não danificar coisa alheia.
IMPORTANT
E
Adiante, constataremos que o termo “dever jurídico” é mais amplo que o termo 
“obrigações”, pois o primeiro abrange uma quantidade maior de deveres do que aqueles 
provenientes de negócios jurídicos. Veremos que eles são o berço das chamadas obrigações.
Podemos dizer, de maneira simplificada, que o conceito de obrigação 
corresponde ao direito que determinado indivíduo possui de exigir que seja feito 
o cumprimento de um dever previamente assumido por outro cidadão através de 
uma relação jurídica preliminarmente estabelecida entre eles. 
Nas palavras de outro doutrinador igualmente importante, Washington 
de Barros Monteiro (2012, p. 8): “a obrigação é a relação jurídica, de caráter 
transitório, estabelecida entre credor e devedor e cujo objeto consiste numa 
prestação pessoal econômica, positiva ou negativa, devida pelo primeiro ao 
segundo, garantindo-lhe o adimplemento através de seu patrimônio”.
UNIDADE 1 | TEORIA GERAL DAS OBRIGAÇÕES
4
Dessa maneira, é possível perceber que dentro das relações obrigacionais 
existe a figura de dois tipos de sujeitos. O primeiro é aquele que carecerá de 
receber determinada prestação, assim, é o indivíduo que possuirá o direito de 
exigir a solvência da obrigação outrora firmada. 
O cidadão observado no parágrafo anterior será o chamado sujeito ativo 
e, existindo mais de um sujeito ativo na mesma relação obrigacional, a obrigação 
deverá ser executada com cada um deles, de maneira que poderá ser paga ou no 
total para apenas um dos sujeitos ativos ou em partes para cada um deles. Fato que 
dependerá do tipo de relação jurídica estabelecida, as quais veremos mais adiante. 
O indivíduo envolvido no outro lado de uma relação obrigacional será 
aquele que chamaremos de sujeito passivo, este é de quem se exige o cumprimento 
da prestação. A prestação em questão será exaurida quando o sujeito passivo 
realizar a ação de dar, fazer ou não fazer alguma coisa em detrimento do interesse 
do sujeito ativo. 
Verificando a existência de mais de um sujeito passivo será possibilitada 
a realização de prestação parcial de cada sujeito ou total, de apenas um devedor, 
também dependendo do tipo de relação jurídica.
Podemos, então, concluir desde já que as obrigações serão sempre referentes 
a relações jurídicas. Além disso, as fontes das relações obrigacionais serão os fatos 
jurídicos em sentido amplo (lato sensu), provenientes da vontade humana.
2 NOÇÕES DE DIREITO CIVIL
A palavra “direito” pode ser aplicada com inúmeros significados. 
Dentre essas diferentes definições, a mais comumente aplicada e de mais fácil 
entendimento é a de que direito seria o conjunto de regulamentos universais e 
positivados que orientam a vida em sociedade. Logo, podemos dizer que o direito 
é formado por regras previamente estabelecidas que, ao serem devidamente 
inseridas no ordenamento jurídico do país, servirão como um farol norteador 
para todos os cidadãos residentes naquele território guiarem as atitudes que 
tomam em suas vidas em sociedade.
A partir desse entendimento, conseguiremos avaliar algumas vertentes 
importantes do direito, são elas: Direito Objetivo, Direito Subjetivo, Direito 
Natural, Direito Positivo, Direito Público e Direito Privado.
• Direito objetivo diz respeito às normas em si. É ele que estabelece a conduta 
social a ser adotada pelos indivíduos. 
• Direito subjetivo é a faculdade, a opção que o cidadão detém sobre os direitos 
que lhe são próprios. Este direito é referente aos direitos subjetivos dos 
cidadãos, e é assegurado através do direito objetivo.
TÓPICO 1 | INTRODUÇÃO AO DIREITO CIVIL
5
• Direito natural é aquele que está ligado aos preceitos de filosofia, é a ideia 
de uma justiça maior e anterior aos homens. São os direitos garantidos pela 
própria natureza humana, antes da criação de ordenamentos jurídicos e 
sociedade. Uma justiça superior.
• Direito positivo traduz as normas jurídicas que se encontram vigentes em 
determinado tempo e território. É o direito que já está posto em formato de 
lei. É de dentro deste direito que se extrai a ideia de direito público e privado 
que passamos a ver.
• Direito público é aquele que regula as relações entre diferentes estados, e, 
também, entre Estado e os indivíduos particulares. É o ramo do direito que dá 
prioridade ao interesse da coletividade.
 A aplicação do Direito público é obrigatória. Nesse ramo do direito, só é 
permitido que se faça o que está previamente contido em lei. Dentre as áreas 
de direito público, podemos destacar direito administrativo, constitucional, 
tributário, processo penal, entre outros.
• Por fim, o ramo do Direito privado é aquele que regulamenta as relações 
entre dois ou mais indivíduos particulares. Nas relações de direito privado, 
ao contrário do que acontece no direito público, é permitido que se faça tudo o 
que a lei não proíbe.
 São áreas de direito privado: o direito empresarial ou comercial, o direito 
do trabalho e o direito civil. Este último é que interessa ao nosso estudo 
neste livro didático. 
Direito civil é a área do direito que se dedica às relações jurídicas entre 
duas ou mais pessoas (físicas ou jurídicas) ou, ainda, entre pessoas e coisas. Essas 
relações podem ser pessoais, familiares, patrimoniais ou obrigacionais.
Para começar melhor absorção do que foi dito até aqui é necessário que 
se esmiúce alguns conceitos. Podemos iniciar trabalhando melhor a definição de 
pessoa dentro do nosso ordenamento jurídico. 
As pessoas são os sujeitos a quem se destinam os direitos e deveres 
conferidos nas normas legais. Há que se diferenciar pessoa de personalidade, 
esta última diz respeito à capacidadede um indivíduo ser ou não um sujeito de 
direito e deveres, uma pessoa. O início da personalidade, de acordo com o código 
civil, para as pessoas naturais ou físicas, acontece a partir do nascimento com 
vida e termina com a morte.
Outro conceito importante é o de capacidade, que é a aptidão para 
usufruir de direitos e cumprir com obrigações. No direito brasileiro, a chamada 
capacidade civil ou de direito é inerente à todas as pessoas.
A incapacidade está prevista apenas na modalidade de fato, também 
chamada de capacidade de exercício do direito, ou seja, em nosso ordenamento 
só existe incapacidade prevista para os exercícios de atos da vida civil. Sabemos 
então que os chamados incapazes não praticam, por si só, os atos da vida civil. 
Essa incapacidade pode ser absoluta ou relativa. 
UNIDADE 1 | TEORIA GERAL DAS OBRIGAÇÕES
6
Absolutamente incapazes, de acordo com o nosso Código Civil (2002), são:
a) os indivíduos menores de dezesseis anos; 
b) aqueles indivíduos que, por enfermidade ou deficiência mental, não possuírem 
o discernimento necessário para a prática dos atos civis;
c) também aqueles que, mesmo que transitoriamente, não puderem expressar 
suas vontades.
Já os cidadãos enquadrados como relativamente incapazes pelo Código 
Civil brasileiro (2002) são:
a) os maiores de dezesseis anos e menores de dezoito anos;
b) os ébrios (alcoólatras) habituais;
c) os viciados em tóxicos;
d) os que por deficiência mental tenham seu discernimento reduzido;
e) os excepcionais, indivíduos sem desenvolvimento mental completo;
f) os pródigos, indivíduos que esbanjam gastos, não sendo responsáveis o 
suficiente para agir sem dilapidar o próprio patrimônio.
A maneira de suprir as incapacidades civis que dispomos são:
a) para os absolutamente incapazes: representação judicial (por cidadão que goze 
de capacidade civil plena). O absolutamente incapaz não participa com seu 
representante judicial dos atos civis praticados;
b) para os relativamente incapazes: assistência judicial (por cidadão que goze de 
capacidade civil plena). O relativamente incapaz participa, com seu assistente 
judicial, dos atos civis praticados.
Vistos e relembrados os conceitos principais e funções de direito e direito 
civil, cabe agora direcionarmos nossos estudos para algumas especificações de 
conceitos que serão bastante utilizados nesse livro. 
Para dar início ao fio condutor que nos levará diretamente ao centro principal 
de nosso estudo, que é o direito das obrigações, área prevista na parte especial do 
Código Civil Brasileiro, passemos então a conceituar e entender cada segmento.
3 BENS
Antes de iniciarmos o estudo sobre relações jurídicas é de suma 
importância que se entenda e classifique o conceito de bens. Uma vez que bens é 
o foco central dessas relações, é por eles, ou por causa deles, que os indivíduos se 
dispõem a procurar seus direitos pelas vias judiciais.
Para começar, devemos nos lembrar de que a apreciação da palavra 
“coisa” significa tudo aquilo que é externo ao ser humano, tudo aquilo que não é 
pessoa. Assim, como exemplo de coisa podemos elencar desde figuras, como uma 
joia, um celular, uma caneta até figuras como terra, ar, água.
TÓPICO 1 | INTRODUÇÃO AO DIREITO CIVIL
7
IMPORTANT
E
Com isso, neste momento, cabe conceituar bens de uma maneira básica, 
podendo-se resumir como tudo aquilo que pode ser útil para as pessoas, possuindo valor 
econômico e sendo suscetível de apropriação.
Bens são as coisas economicamente valoráveis que poderão servir para 
satisfazer tanto às necessidades de um indivíduo particular como às necessidades 
da comunidade. Isso tudo pode ocorrer tanto no plano material como espiritual, 
lembrando que bens são coisas e devemos nos ater que eles serão valores (materiais 
ou imateriais) passíveis de se tornarem objetos de uma relação jurídica.
Além disso é possível que façamos uma divisão no conceito de bens. 
Essa classificação se encontra nos artigos 79 a 103 do Código Civil brasileiro, em 
que aprendemos que os bens podem ser classificados de diferentes maneiras, 
conforme apresentamos a seguir.
3.1 BENS CONSIDERADOS EM SI MESMOS
a) Bens móveis: são aqueles que podem ser transportados sem que isso acarrete 
alteração de sua forma. A transferência desse tipo de bem ocorre pela entrega 
dele, o que chamamos de “tradição”, a forma mais simples de transferência. 
Estes bens são passíveis de penhora e se subdividem em:
 • Bens móveis por natureza: são os bens capazes de se movimentar tanto 
sozinhos por força própria como capazes de serem movimentados por força 
alheia a si mesmos. Exemplos: uma cadeira, um boi, um carro, um livro etc.
 • Bens móveis por disposição legal: são os direitos reais que recaem sobre 
os bens móveis. Exemplo: propriedade, usufruto, direitos de obrigação e suas 
ações respectivas, os direitos do autor.
 • Bens móveis por equiparação pela doutrina: a energia elétrica.
IMPORTANT
E
É importante fixar que navios e aviões, apesar de serem registrados em órgãos 
específicos e serem passíveis de hipoteca, encontram-se nesta categoria. Eles são o que 
chamamos de bens móveis sui generis, possuidores de natureza especial.
UNIDADE 1 | TEORIA GERAL DAS OBRIGAÇÕES
8
b) Bens imóveis: diferente dos bens móveis, os bens imóveis são aqueles que não 
poderão ser transportados sem que se tenha como resultado disso a alteração 
ou destruição total de sua essência. A transferência desse tipo de bem ocorre 
através do registro no cartório de registro de imóveis. Importante destacar que, 
nesse caso, a promessa de compra e venda não é suficiente para que ocorra a 
transferência de propriedade. Em resumo, bens imóveis é tudo aquilo que se 
encontra ligado ao solo. Estes podem ser objeto de hipoteca e, para que sejam 
alienados por pessoas casadas é necessário que se tenha o consentimento do 
cônjuge, ato que no ordenamento jurídico chamamos de outorga uxória. Esses 
bens se subdividem em:
• Bens imóveis por natureza: é o solo e sua superfície somados aos seus acessórios 
(árvores, frutos) mais adjacências (espaço aéreo, subsolo).
• Bens imóveis por acessão física: tudo o que o homem incorpora de maneira 
permanente ao solo, tendo como consequência o impedimento de que se faça a 
remoção desse bem do solo sem que isso acarrete em sua destruição. Exemplos: 
sementes plantadas, construções. Os materiais provisoriamente separados de 
um prédio não perdem o caráter de imóveis.
• Bens imóveis por destinação: são bens que possuem serventia ao imóvel 
propriamente dito e não ao seu proprietário. Exemplos: máquinas, tratores, 
veículos etc. Podem, a qualquer momento, ser mobilizados. 
• Bens imóveis por disposição legal: são os chamados direitos reais que 
recaem sobre imóveis. Exemplos: direito de propriedade, de usufruto, o uso, a 
habitação, a servidão.
• Apólices da dívida pública: quando oneradas com a cláusula de 
inalienabilidade.
• Jazidas e as quedas d’água: que possuam aproveitamento para energia 
hidráulica. 
c) Bens infungíveis: são aqueles bens que não poderão ser substituídos. Não sendo 
passíveis de substituição por bens de sua mesma espécie, quantidade ou qualidade. 
Exemplo: os bens imóveis, um carro, um livro de edição esgotada, obras de arte. 
NOTA
Cabe lembrar que alguns bens adquirem a característica de infungível por seu 
valor sentimental/afetivo, como o caso de joias de família.
d) Bens fungíveis: são aqueles bens que podem ser substituídos por outros bens da 
mesma espécie, qualidade e quantidade. Exemplo: alimentos, dinheiro, papéis.
TÓPICO 1 | INTRODUÇÃO AO DIREITO CIVIL
9
e) Bens divisíveis: são os bens que podem ser fracionados, partidos, divididos 
em diferentes porções reais que formem cada uma delas um todo perfeito. Isso 
sem que se tenha como consequência a alteração da essência do bem, a perda 
do seu valor econômico ou, ainda, acarrete algum prejuízo na sua utilização. 
Exemplo: terrenos, quantidade de comida.
f) Bens indivisíveis: são bens que são impossíveis de divisão sem que se altere 
sua essência.Bens que não podem ser divididos por determinação legal ou, 
ainda, por vontade das partes, uma vez que isto deixaria de formar um todo 
perfeito. Exemplo: desmanche de joias, régua e herança.
g) Bens consumíveis: são os bens móveis cujo o uso acarreta na destruição 
imediata da coisa. Bens que possibilitam apenas uma utilização, desaparecem 
com o consumo. Exemplo: cigarro, giz, alimentos, tinta de parede.
h) Bens inconsumíveis: são aqueles bens que podem ser utilizados repetidamente 
sem que se obtenha alterações na sua essência. Bens que não desaparecem com 
o consumo. Exemplo: roupas, livros.
i) Bens singulares: são os bens que chamamos de per si. São bens individualizados, 
coisas que, embora reunidas, são consideradas em sua individualidade. 
Exemplo: uma casa, um boi de rebanho.
j) Bens coletivos: são bens considerados apenas em conjunto, quando agregados ao 
todo, abrangendo uma universalidade. Exemplo: biblioteca, massa falida, herança.
3.2 BENS RECIPROCAMENTE CONSIDERADOS
a) Bens principais: são aqueles bens que existem por si mesmos, não existindo 
necessidade de outro bem para o caracterizar. Independem da existência de 
outros bens. Exemplo: terreno, joia, crédito.
b) Bens acessórios: são aqueles bens cuja existência pressupõe a existência prévia 
de um bem principal. Assim, quem for proprietário do bem principal será 
também proprietário do bem acessório. Um exemplo de fácil entendimento são 
as plantações, que são bens acessórios do terreno, bem principal. Esses bens se 
classificam em:
• Benfeitorias: são melhoramentos adimplidos em algum bem principal, 
podendo ser:
 ◦ Necessárias: as que têm por finalidade conservar ou evitar que o bem se 
deteriore. Exemplo: restauração de telhado, de assoalhos, de alicerces.
 ◦ Úteis: são as que aumentam ou melhoram o uso da coisa. Exemplo: garagem.
 ◦ Voluptuárias: são as de mero embelezamento. Exemplo: uma pintura 
artística, uma piscina etc.
• Frutos: podem ser:
 ◦ Naturais: da própria natureza. Exemplos: fruto de uma árvore, nascimento 
de um animal.
 ◦ Industriais: intervenção direta do homem, produto manufaturado.
 ◦ Civis: rendimentos produzidos pela coisa principal. Exemplos: juros, aluguel.
UNIDADE 1 | TEORIA GERAL DAS OBRIGAÇÕES
10
• Produtos: são utilidades que se extraem da coisa. Exemplo: pedras de uma 
pedreira, minerais de uma jazida etc. 
3.3 BENS CONSIDERADOS EM RELAÇÕES ÀS PESSOAS
a) Bens particulares: bens que pertencem às pessoas físicas ou jurídicas de Direito 
Privado. Exemplo: um imóvel particular, um automóvel.
b) Bens públicos: são os bens que pertencem às entidades de Direito Público. 
Esses bens, segundo Venosa (2012), se subdividem em:
• Bens de uso comum do povo: os rios, os mares, ruas, praças, estradas etc.
• Bens de uso especial: são os bens públicos destinados ao serviço público. 
Exemplo: prédio da Secretaria da Fazenda
• Bens dominicais: são os bens que constituem o patrimônio da União, Estado 
e Municípios, sem uma destinação especial. Exemplo: terrenos da marinha.
OBSERVAÇÕES: os bens públicos são inalienáveis, com exceção dos dominicais 
(necessitam de autorização legislativa); todos os bens públicos são impenhoráveis e não 
podem ser hipotecados; nem podem ser objeto de usucapião (VENOSA, 2012).
ATENCAO
NOTA
CURIOSIDADE: o uso dos bens públicos de uso comum do povo pode ser 
gratuito ou oneroso. E Res Nullius é como chamamos os bens que não pertencem a 
ninguém, por exemplo, as pérolas no fundo do mar.
3.4 BENS CONSIDERADOS EM RELAÇÃO A SUA 
COMERCIALIDADE
a) Bens que se acham no comércio: não possuem impedimentos para ser 
adquiridos ou alienados.
b) Bens que se encontram fora do comércio: são os bens que não podem ser 
objeto de alienação ou oneração. Dividem-se em:
TÓPICO 1 | INTRODUÇÃO AO DIREITO CIVIL
11
• Bens insuscetíveis de apropriação: são inapropriáveis e de uso exaurível. 
Exemplos: o ar, a luz solar, as águas do alto-mar.
• As legalmente inalienáveis: são os bens gravados com cláusula de 
inalienabilidade; os bens das fundações; os bens públicos de uso comum e uso 
especial.
Assim, entendemos então que:
QUADRO 1 – BENS
BENS
Considerados em 
si mesmos
Reciprocamente 
considerados
Em relação às 
pessoas
Em relação à 
comercialidade
Bens móveis Bens principais Bens particulares
Bens que se 
acham no 
comércio
Bens imóveis Bens acessórios Bens públicos
Bens que se 
encontram fora 
do comércio
Bens infungíveis
FONTE: A autora
4 FATOS, ATOS E NEGÓCIOS JURÍDICOS
Para seguir os estudos a fim de absorver os fundamentos e estrutura do 
Direito das Obrigações, assim como sua importância no ordenamento jurídico 
brasileiro, é preciso que entendamos mais alguns conceitos simples. São eles: os 
fatos, os atos e os negócios jurídicos.
Fatos jurídicos são todos os acontecimentos que possuem como 
consequência a produção de efeitos jurídicos. Isso quer dizer que, diferentemente 
dos chamados “fatos comuns”, que são aqueles que não possuem repercussão 
no ordenamento jurídico, no direito são acontecimentos que acarretam em 
consequências jurídicas.
São fatos de onde nascem, subsistem ou se extinguem direitos. Como 
exemplo de fatos jurídicos temos desde o nascimento de uma pessoa, a produção 
de algum objeto e sua posterior comercialização, a chegada da maioridade civil 
até atos como adquirir contratos ou simplesmente morrer.
Para facilitar, classificamos os fatos jurídicos de maneira ampla, em fatos 
jurídicos naturais ou humanos. Sendo que os naturais, também chamados de 
fatos jurídicos em sentido estrito (ou, ainda, fatos involuntários) são aqueles fatos 
que ocorrem independentemente da ação humana e mesmo assim produzem 
consequências jurídicas. Esses fatos jurídicos naturais subdividem-se em:
UNIDADE 1 | TEORIA GERAL DAS OBRIGAÇÕES
12
• ordinários: nascimento, morte, maioridade etc.;
• extraordinários: tempestade, tsunami, terremoto, caso fortuito ou força maior.
Já os fatos jurídicos humanos, também chamados de fatos jurídicos 
voluntários, são consequências de ações humanas. São, portanto, o que chamamos 
de atos jurídicos. Como exemplo, temos desde contratos até batidas de carro, 
separação judicial etc. Atos jurídicos são todos os acontecimentos decorrentes 
de ações voluntárias e lícitas que tenham como consequências repercussões 
jurídicas, atos que acarretam mudanças no mundo do direito. Esses atos possuem 
como finalidade imediata contrair, proteger, transferir, transformar ou eliminar 
direitos. Os atos jurídicos se encontram classificados da seguinte maneira:
• Atos jurídicos unilaterais: ocorrem quando, para a sua execução, se faça 
presente somente a manifestação de vontade de um agente. Exemplos: 
declaração de nascimento de filho, emissão de nota promissória etc.
• Atos jurídicos bilaterais: ocorrem quando, para a sua execução, é preciso que 
se faça presente a manifestação da vontade de dois agentes, criando entre eles 
uma relação jurídica. Exemplos: contrato de compra e venda. 
Ao nos depararmos com uma situação em que se faça presente o último 
caso visto anteriormente, ou seja, quando temos a presença de um ato jurídico 
bilateral, identificamos o que chamaremos de negócio jurídico.
A falta de algum elemento substancial do ato jurídico torna-o nulo 
(nulidade absoluta) ou anulável (nulidade relativa). A diferença entre o nulo e o 
anulável é uma diferença de grau ou gravidade, a critério da lei, vejamos:
• Nulidade absoluta: pode ser arguida a qualquer tempo, por qualquer pessoa, 
pelo Ministério Público e pelo juiz, inclusive, não admitindo convalidação nem 
ratificação.
• Nulidade relativa: ao contrário, só pode ser arguida dentro do prazo previsto, 
somente pelos interessados diretos, admitindo convalidação e ratificação 
(VENOSA, 2012).
Além disso, pode haver o que se designa ato jurídico inexistente. Isto é, 
um ato que contenha um grau de nulidade tão amplo e manifesto que acaba por 
dispensar a necessidade de ação judicial para que seja declarado sem efeito. Ainda, 
pode ocorrer casos em que verificamos os chamadosatos jurídicos ineficazes. 
São eles os atos que possuem validade plena entre as partes envolvidas, porém 
não produzem efeitos em relação à determinada pessoa (ineficácia relativa) 
ou, ainda, em relação a todas as outras pessoas envolvidas no ato (ineficácia 
absoluta). Exemplos: alienação fiduciária não registrada, venda não registrada de 
automóvel, bens alienados pelo falido após a falência.
Para que tenhamos um negócio jurídico (ato jurídico bilateral) válido é 
preciso que se observe os seguintes requisitos:
a) agente capaz: o atuante deve ser capaz de praticar plenamente os atos da vida 
civil. 
TÓPICO 1 | INTRODUÇÃO AO DIREITO CIVIL
13
Os absolutamente incapazes devem ser representados e os relativamente 
incapazes devem ser assistidos.
ATENCAO
b) Objeto lícito e possível: o objeto do ato jurídico deve ser permitido pelo direito 
e possível de ser efetivado.
c) Forma prescrita ou não vedada em lei: a forma dos atos jurídicos tem que ser 
a prevista em lei, se houver esta previsão, ou não proibida (VENOSA, 2012).
Assim, concluímos que um ato jurídico será nulo quando for praticado 
por pessoa absolutamente incapaz ou, também, quando não estiver revestido da 
maneira prescrita em lei ou, ainda, quando o objeto for ilícito ou não possível.
Os atos jurídicos aos que não se impõe forma especial prescrita em lei 
poderão provar-se mediante confissão, atos processados em juízo, documentos 
públicos e particulares, testemunhas, presunção, exames, vistorias e arbitramentos 
(VENOSA, 2012). 
Já a nulidade é um vício intrínseco ou interno do próprio ato jurídico. 
Assim, o ato jurídico será anulável quando as declarações de vontade emanarem 
de erro essencial, viciado por erro, dolo, coação ou simulação. 
A respeito da nulidade, pode-se afirmar que ela opera de pleno direito, 
podendo ser invocada por qualquer interessado ou também pelo Ministério 
Público. Quando ocorre nulidade, o negócio não poderá ser confirmado nem 
prevalecerá pela prescrição. Por fim, os negócios jurídicos podem ser:
• formais ou solares: casamento, testamento, compra/venda de imóveis etc.;
• não formais ou consensuais: locação, comodato etc.
OBSERVAÇÃO: Não serão admitidas como testemunhas: os loucos de todo 
gênero, os cegos e surdos (quando a ciência do fato, que se quer provar, dependa dos sentidos 
que lhes faltam), o interessado do objeto do litígio, bem como o ascendente e o descendente, 
ou o colateral até 3° grau de alguma das partes, por consanguinidade ou afinidade. 
FONTE: <https://www.jusbrasil.com.br/topicos/11483752/artigo-142-da-lei-n-3071-de-01-de-ja-
neiro-de-1916>. Acesso em: 22 jul. 2019
ATENCAO
14
Neste tópico, você aprendeu que:
• Entre as diferentes definições do termo direito, a mais comumente aplicada e 
de mais fácil entendimento é a de que direito seria o conjunto de regulamentos 
universais e positivados que orientam a vida em sociedade.
• Direito objetivo diz respeito às normas em si. É ele que estabelece a conduta 
social a ser adotada pelos indivíduos. 
• Direito subjetivo é a faculdade, a opção que o cidadão detém sobre os direitos 
que lhe são próprios.
• Direito natural é aquele que está ligado aos preceitos de filosofia, é a ideia de 
uma justiça maior e anterior aos homens.
• Direito positivo traduz as normas jurídicas que se encontram vigentes em 
determinado tempo e território.
• Direito público é aquele que regula as relações entre diferentes estados, e, 
também, entre estado e os indivíduos particulares.
• Direito privado é aquele que regulamenta as relações entre dois ou mais 
indivíduos particulares.
• Direito Civil é a área do direito que se dedica às relações jurídicas entre duas 
ou mais pessoas ou entre pessoas e coisas.
• Bens são as coisas economicamente valoráveis que poderão servir para satisfazer 
tanto às necessidades de um indivíduo particular como às necessidades da 
comunidade.
• Fatos jurídicos são todos os acontecimentos que possuem como consequência 
a produção de efeitos jurídicos.
• Atos jurídicos são todos os acontecimentos decorrentes de ações voluntárias e 
lícitas que tenham como consequências repercussões jurídicas.
• Quando temos a presença de um ato jurídico bilateral, identificamos o que 
chamaremos de negócio jurídico.
RESUMO DO TÓPICO 1
15
1 (Quadrix/CRP-17/RN – advogado/2018) Em sentido filosófico, é tudo o 
que satisfaz uma necessidade humana. Juridicamente falando, o conceito 
de coisas corresponde ao de bens. Tomando-se por base a classificação dos 
bens, assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) São bens fungíveis os bens móveis ou imóveis que possam ser 
substituídos por outros da mesma espécie, qualidade e quantidade.
b) ( ) Os bens podem ser divididos em consumíveis e não consumíveis, sendo 
certo que estes últimos, embora utilizados, preservem suas qualidades 
para os fins a que se destinem e, quando sofrerem deterioração, 
perecendo suas primitivas formas e sua utilidade, serão incluídos no 
conceito de bens consumíveis.
c) ( ) Os bens naturalmente divisíveis podem tornar-se indivisíveis por 
determinação da lei, não se admitindo, por outro lado, que, mediante 
um negócio jurídico, se estabeleça a indivisibilidade da coisa.
d) ( ) Ao se tratar dos bens reciprocamente considerados, tem-se que os frutos 
e produtos podem ser objeto de negócio jurídico, desde que separados 
do bem principal.
e) ( ) Os bens considerados em si mesmos podem ser divididos em móveis e 
imóveis, sendo que os primeiros são adquiridos pela simples tradição 
e os segundos dependem de escritura pública e registro em cartório 
competente, com exceção daqueles cujo valor seja inferior a trinta vezes 
o maior salário mínimo do País.
2 (FCC/TRT 15ª região – Analista judiciário/2018) Em relação aos bens:
a) ( ) Consideram-se como benfeitorias mesmo os melhoramentos ou 
acréscimos sobrevindos ao bem sem a intervenção do proprietário, 
possuidor ou detentor.
b) ( ) Os naturalmente divisíveis podem tornar-se indivisíveis somente por 
vontade das partes.
c) ( ) Os negócios jurídicos que dizem respeito ao bem principal como regra 
abrangem as pertenças, salvo as exceções legais.
d) ( ) Os materiais destinados a alguma construção, enquanto não forem 
empregados, conservam sua qualidade de móveis; readquirem essa 
qualidade os provenientes da demolição de algum prédio.
e) ( ) São consumíveis os bens móveis que podem substituir-se por outros da 
mesma espécie, qualidade e quantidade.
3 (FCC/ALESE – Analista Legislativo/2018) De acordo com o Código Civil, 
uma praça, um quadro assinado por renomado pintor e as energias que 
tenham valor econômico são considerados, respectivamente, bem:
AUTOATIVIDADE
16
a) ( ) Público de uso especial, bem fungível e bem imóvel.
b) ( ) Público de uso comum do povo, bem infungível e bem móvel.
c) ( ) Particular dominical, bem infungível e bem imóvel.
d) ( ) Público de uso comum do povo, bem infungível e bem imóvel.
e) ( ) Público de uso comum do povo, bem fungível e bem móvel.
4 (FADESP/MPA-PA – Auxiliar de administração/2012) A validade do negócio 
jurídico, além de outros requisitos, necessita de:
a) ( ) Agente eficaz.
b) ( ) Objeto aferível.
c) ( ) Assistência necessária.
d) ( ) Forma prescrita ou não defesa em lei.
e) ( ) Representante jurídico.
5 (IADES/AL-GO – Procurador/2019) Com base no Código Civil, a respeito 
dos negócios jurídicos, assinale a alternativa correta:
a) ( ) O silêncio não importa anuência, mesmo quando as circunstâncias ou os 
usos o autorizarem, e não for necessária a declaração de vontade expressa.
b) ( ) Nas declarações de vontade, atender-se-á mais ao sentido literal da 
linguagem do que à intenção nelas consubstanciada.
c) ( ) A validade da declaração de vontade não dependerá de forma especial, 
senão quando a lei expressamente a exigir.
d) ( ) Os negócios jurídicos benéficos e a renúncia interpretam-se 
ampliativamente.
e) ( ) A validade do negócio jurídico independe da capacidade do agente.
6 No que diz respeito àsespécies de bens, leia com atenção as sentenças a 
seguir.
I- Bens móveis são, exclusivamente, materiais de construção, quando 
utilizados para finalidade de construir bens imóveis.
II- Bens divisíveis são aqueles que podem ser fracionados sem causar prejuízo 
no uso a que se destinam.
III- As edificações que se separam do solo e conseguem conservar sua 
unidade, mesmo quando removidas para outro local são classificadas 
como bens imóveis.
IV- Bens públicos pertencem às pessoas jurídicas de direito público e estão 
sujeitos à usucapião.
Agora assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) I, II e IV, apenas.
b) ( ) II e III, apenas.
c) ( ) III e IV, apenas.
d) ( ) I, II e III, apenas.
17
TÓPICO 2
TEORIA GERAL DAS OBRIGAÇÕES
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO
Uma vez que já absorvemos as questões acerca das noções básicas de 
Direito Civil, como os fatos jurídicos se transformam em negócios relevantes ao 
ordenamento, e assim criam negócios a partir das relações entre indivíduos e seus 
bens considerados civilmente, passamos agora a pensar nessas relações como 
sendo de natureza obrigacional.
 
Para isso, iremos destrinchar a chamada Teoria Geral das Obrigações, pela 
qual os doutrinadores de direitos se embasam na hora de observar quais cidadãos 
possuem quais deveres e direitos em relação a determinados bens. Por isso, 
analisaremos a estrutura e funções desses elementos tão importante ao Direito 
Civil, que são as relações obrigacionais. 
2 DIREITO DAS OBRIGAÇÕES
O vocábulo obrigação é originário do latim Obligatio, Obligationis, e quer 
dizer “o ato de obrigar”, “dever”. É uma palavra que diz respeito ao vínculo 
jurídico em que um indivíduo se encontra obrigado a dar, fazer ou não fazer 
alguma coisa em benefício de outro.
O direito das obrigações envolve o complexo de normas que tratam 
das relações jurídicas entre um devedor e credor. Essas regras estabelecem as 
responsabilidades que o devedor tem em relação ao credor. 
É o ramo do direito que especifica como deve se dar o cumprimento de 
determinada prestação de natureza econômica, além de garantir o compromisso 
das partes mediante seu patrimônio.
O direito das obrigações dá o suporte econômico para a sociedade, porque 
é por meio dele que circulam os bens e as riquezas. É o aglomerado das normas 
que regulamentam as relações jurídicas patrimoniais. 
O objeto da obrigação é considerado pela maior parte dos doutrinadores 
como a prestação que se difere do objeto material. A prestação seria o ato do 
devedor em entregar certo objeto ao credor. O credor não cobrará pelo objeto, 
mas sim pelo ato de sua entrega. O direito das obrigações, então, possui como 
objeto as prestações que um cidadão aufere em favor de outro indivíduo. 
UNIDADE 1 | TEORIA GERAL DAS OBRIGAÇÕES
18
As relações jurídicas abarcadas pelo direito das obrigações serão também 
denominadas por alguns como direitos de crédito, direitos pessoais ou obrigacionais.
ATENCAO
Obrigação é uma relação jurídica possuidora de caráter transitório que será 
estabelecida entre dois indivíduos, os quais chamaremos de devedor e de credor. 
Obrigação é o vínculo jurídico que liga o credor ao devedor, possibilitando 
que o último exija do primeiro o cumprimento de uma prestação pessoal e 
econômica, ou seja, esta relação jurídica tem como objetivo final a solvência de 
uma prestação pessoal econômica, que poderá ser positiva ou negativa, devida 
pelo primeiro sujeito mencionado (devedor) ao segundo (credor), que possui a 
garantia de adimplemento através do patrimônio econômico em questão.
Pode-se dizer que é característica marcante das obrigações o fato de elas 
expressarem de maneira mais enfática um direito da pessoa credora do que um 
dever da pessoa devedora, incidindo justamente no ato de fornecer meios para 
que o credor possa exigir do devedor o cumprimento da prestação previamente 
firmada entre as partes. 
O direito das obrigações procura resguardar o direito do credor que 
resultou diretamente de um negócio jurídico contra o devedor. Percebemos, 
então, que as obrigações nascem quando ocorre a necessidade de aplicação das 
normas jurídicas sobre fatos que decorrem da seguinte relação: 
Credor  Prestação  Devedor
Para que identifiquemos determinada relação como sendo uma relação de 
obrigação é necessário que observemos alguns elementos, são eles:
1- Sujeito: é o elemento caracterizado por qualquer pessoa física ou jurídica que 
possua capacidade de comparecer de maneira ativa ou passivamente dentro de 
uma relação obrigacional.
• Sujeito ativo: é o que viemos chamando de credor, isto é, aquele a quem a 
prestação é devida. Deste modo, é ele quem deve agir ativamente buscando 
exigir os seus direitos decorrentes da obrigação firmada entre as partes.
• Sujeito passivo: é o sujeito a que chamamos de devedor, ou seja, aquele que 
deve realizar a prestação. Assim, é ele quem figurará no polo passivo da relação 
jurídica, é quem tem o dever de dar, fazer ou não fazer dentro da obrigação 
firmada entre as partes.
TÓPICO 2 | TEORIA GERAL DAS OBRIGAÇÕES
19
2- Objeto: o objeto da obrigação é a prestação que pode consistir em obrigação de 
dar, fazer ou não fazer. Essa prestação, para que seja válida no mundo jurídico, 
deve conter algumas características. O objeto deve ser: 
a) Lícito: deve existir possibilidade jurídica do objeto da obrigação. Exemplo: não 
se pode firmar negócio sobre a compra e venda de cocaína, substância ilícita, ou 
seja, se um devedor não cumprir sua obrigação de entregar um quilo de cocaína 
para um credor, este último não poderá procurar o poder judiciário para fazer 
com que o primeiro cumpra a sua palavra. 
b) Possível: deve existir também a possibilidade física para o cumprimento da 
obrigação em questão. Essa possibilidade abrange tudo aquilo que se encontrar 
dentro das forças humanas ou da natureza. Exemplo: é impossível viajar ao Sol, 
sendo inválido o contrato estabelecido com este objeto. Já a viagem à Lua, que 
é possível, não invalidaria o contrato.
c) Determinado ou determinável: é determinado o objeto de um contrato que 
seja específico, e determinável é um objeto que seja de fácil entendimento do 
que se trata. Exemplo: Objeto determinado = um carro do modelo tal, de cor 
vermelha, placa tal, chassi tal, ano tal. Objeto determinável = um carro qualquer 
de determinado modelo e ano. Ambos são objetos válidos.
d) Economicamente apreciável: deve existir a possibilidade de se auferir valor 
econômico ao objeto da obrigação.
3- Vínculo jurídico: é a conexão de amarra o devedor à obrigação de solver a 
prestação em favor do credor. Com esses elementos, temos então as chamadas 
relações obrigacionais, vejamos:
Sujeito Ativo  Vínculo  Sujeito Passivo
 Credor Prestação Devedor
(Dar – fazer – não fazer)
Ainda, como uma introdução ao direito das obrigações, é importante 
ressaltarmos que elas possuem duas fontes. Podem surgir tanto diretamente da 
lei quanto da vontade humana. No primeiro caso, a norma obriga que se cumpra 
alguma ação, que se aja de certa maneira diante de uma determinada relação 
jurídica. Já no segundo caso é quando primeiro se ocorre os fatos, as partes 
firmam negócios jurídicos que podem ser unilaterais, bilaterais ou até ilícitos, e 
posteriormente se percebe a existência de uma obrigação nesta relação.
3 ESTRUTURA E FUNÇÃO DO DIREITO DAS OBRIGAÇÕES
É evidente a importância do instituto das obrigações na qualidade de 
estrutura das relações civis. Dentro dos ramos de prática forense, os operadores 
do direito de maneira inevitável acabam utilizando as obrigações.
UNIDADE 1 | TEORIA GERAL DAS OBRIGAÇÕES
20
Isso ocorre principalmente nas relações econômicas, considerando que 
se pode enxergar essas relações como um alicerce da autonomia privada. Deste 
modo, podemos afirmar que a realidade social em que vivemos hoje desponta 
que o mundo moderno nos conduz para uma abundância de obrigações a serem 
adquiridas diariamente.
Os cidadãos contemporâneos sentem,com o grande progresso da 
tecnologia e, consequentemente, das comunicações midiáticas e da urbanização, 
uma enorme necessidade de consumo. Tal necessidade atingiu níveis desregrados, 
fato este que acarreta em atividade econômica cada vez mais acentuada. Isso tudo 
faz com que as normas jurídicas sejam cada vez mais voltadas para que essas 
atividades consigam ser concluídas de maneira a acarretar o menor ônus possível 
para as partes nelas envolvidas. Assim, controlando e regulamentando os fatos 
que constituem o chamado Direito das Obrigações. E, por fim, equilibrando as 
relações entre os sujeitos ativos e passivos.
É importante lembrar que os direitos se classificam entre os chamados 
direitos reais e os direitos pessoais. O primeiro é aquele que incide pontualmente 
sobre a coisa/objeto de direito, e, o segundo, aquele que recai especificamente 
no direito das obrigações, visto que ele aborda justamente as relações entre os 
sujeitos ativos e passivos.
Os direitos obrigacionais, pessoais ou de crédito se caracterizam por 
atribuírem a exigência de que algum indivíduo cumpra com determinada obrigação 
que contraiu outrem. Podemos então dizer que os direitos obrigacionais são direitos 
relativos, isso quer dizer que eles são direitos direcionados para determinadas 
pessoas. Além disso, são direitos a uma prestação positiva ou negativa, pois exigem 
que se cumpra pelo devedor algo em relação à prestação cobrada pelo credor.
21
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você aprendeu que:
• O direito das obrigações envolve o complexo de normas que tratam das relações 
jurídicas entre um devedor e credor.
• Direito das obrigações é o ramo do direito que especifica como deve se dar 
o cumprimento de determinada prestação de natureza econômica, além de 
garantir o compromisso das partes mediante seu patrimônio.
• O direito das obrigações possui como objeto as prestações que um cidadão 
aufere em favor de outro indivíduo. 
• Obrigação é uma relação jurídica possuidora de caráter transitório que será 
estabelecida entre dois indivíduos: o devedor e o credor. 
• Para que identifiquemos determinada relação como sendo uma relação de 
obrigação é necessário que observemos alguns elementos, são eles: sujeito, 
objeto e vínculo jurídico.
• Dentro dos ramos de prática forense, os operadores do direito de maneira 
inevitável acabam utilizando as obrigações.
• Os direitos obrigacionais, pessoais ou de crédito se caracterizam por atribuírem 
a exigência de que algum indivíduo cumpra com determinada obrigação que 
contraiu outrem.
22
1 (INAZ DO PARÁ/CORE-PE – Assistente jurídico/2019) A palavra obrigação 
possui várias acepções de emprego cotidiano, no qual pelo menos duas são 
de destaque: a obrigação enquanto dever jurídico e a obrigação enquanto 
dever não jurídico. A obrigação que é sinônimo de dever, seja jurídico ou não, 
e a obrigação que é sinônimo de dever patrimonial são, respectivamente:
a) ( ) Lato sensu e stricto sensu.
b) ( ) Ab origine e ab intestato.
c) ( ) Capitis diminutio e capitis patrilis.
d) ( ) Casus deverdium e casus patronos.
e) ( ) Ex lege e ex officio.
2 (INAZ DO PARÁ/CREFITO 16ª REGIÃO/MA – Advogado/2018) Mário 
Alencar, estilista famoso no cenário das celebridades, foi contratado pela 
atriz de sucesso, Beatriz Varela, para criar e costurar seu vestido de noiva 
que seria utilizado no dia do casamento. A partir da hipótese narrada, 
assinale a afirmativa correta:
a) ( ) A relação obrigacional descrita tem como sujeito ativo Mário e sujeito 
passivo Beatriz em torno de uma obrigação cujo objeto imediato consiste 
em uma obrigação de fazer, fungível e que tem por fonte imediata a lei 
e fonte mediata o bem da vida desejado por Beatriz, que no caso é o 
vestido de casamento.
b) ( ) A relação obrigacional descrita tem como sujeito ativo Beatriz e sujeito 
passivo Mário, em torno de uma obrigação que consiste em uma 
obrigação de fazer, fungível e o objeto mediato, o vestido de noiva e 
que tem por fonte imediata a lei e fonte mediata o contrato.
c) ( ) O conflito obrigacional descrito tem como sujeito ativo Beatriz e sujeito 
passivo Mário, em torno de uma obrigação que consiste em uma 
obrigação de fazer, infungível e o objeto mediato, o vestido de noiva e 
que tem por fonte imediata a lei e fonte mediata o contrato.
d) ( ) Não houve relação obrigacional neste caso.
e) ( ) Por ser o vestido de noiva bem fungível, a relação obrigacional está 
eivada de nulidade.
3 (FMP Concursos/PGE-AC – Procurador do Estado/2017) Considere as 
seguintes afirmativas sobre o tema das obrigações no âmbito do Código 
Civil. Assinale a alternativa INCORRETA:
a) ( ) Se a obrigação for de restituir coisa certa, e esta, sem culpa do devedor, 
se perder antes da tradição, sofrerá o credor a perda, e a obrigação se 
resolverá, ressalvados os seus direitos até o dia da perda.
b) ( ) Incorre na obrigação de indenizar perdas e danos o devedor que recusar 
a prestação a ele só imposta, ou só por ele exequível.
AUTOATIVIDADE
23
c) ( ) Extingue-se a obrigação de não fazer, desde que sem culpa do devedor, 
se lhe torne impossível abster-se do ato que se obrigou a não praticar.
d) ( ) Nas obrigações alternativas, a escolha cabe ao credor, se outra coisa não 
se estipulou.
e) ( ) A obrigação é indivisível quando a prestação tem por objeto uma coisa 
ou um fato não suscetíveis de divisão, por sua natureza, por motivo de 
ordem econômica ou pela razão determinante do negócio jurídico.
4 (IDECAN/Câmara de Aracruz-ES – Procurador Legislativo/2016) Nos 
termos do Código Civil brasileiro, quanto ao direito das obrigações, é 
INCORRETO afirmar que:
a) ( ) Na obrigação de dar coisa incerta, esta prescinde de indicação de gênero 
e quantidade.
b) ( ) Nas obrigações alternativas, a escolha cabe ao devedor, se outra coisa 
não se estipulou.
c) ( ) Não pode o devedor obrigar o credor a receber parte em uma prestação 
e parte em outra.
d) ( ) Se a prestação do fato tornar-se impossível sem culpa do devedor, 
resolver-se-á a obrigação.
e) ( ) Na obrigação de dar coisa incerta não se faz necessária a indicação de 
quantidade.
5 (FUNDEP/Prefeitura de Nossa Senhora do Socorro/SE – Procurador 
do Município/2014) A respeito do direito das obrigações, assinale a 
alternativa CORRETA:
a) ( ) Até a tradição da coisa, os frutos percebidos são do devedor e os 
pendentes do credor.
b) ( ) Nas obrigações de dar coisa incerta, determinadas pelo gênero e pela 
quantidade, a escolha pertence, necessariamente, ao devedor.
c) ( ) Nas obrigações alternativas, a escolha cabe ao devedor. Não havendo 
acordo, decidirá o juiz, findo o prazo por ele assinado para a deliberação.
d) ( ) O devedor, que paga a dívida, sub-roga-se no direito do credor em 
relação aos outros coobrigados.
e) ( ) A solidariedade, quando resulta da lei ou da vontade das partes, 
presume-se em favor do credor.
6 Maria, ao acompanhar o trabalho de Ângela pelas redes sociais e entender 
que é o tipo de pintura específica que pretende ter em sua casa, contratou 
Ângela para que esta se obrigasse, de maneira personalíssima, a fazer a 
pintura das paredes do quarto de seu bebê que está para nascer. Nesse caso, 
a obrigação de Ângela é de:
a) ( ) Fazer infungível.
b) ( ) Fazer fungível.
c) ( ) Dar coisa incerta.
d) ( ) Dar coisa certa.
e) ( ) Entregar fungível.
24
25
TÓPICO 3
CLASSIFICAÇÃO DAS OBRIGAÇÕES
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO
Já iniciada a nossa introdução à Teoria Geral das Obrigações e ao 
adquirirmos entendimento acerca tanto da estrutura em que se organizam quanto 
das funções que desempenham as relações obrigacionais dentro do Direito 
Civil, passamos agora a, objetivamente, classificar as espécies de obrigações 
identificadas em nosso ordenamento jurídico.
Para isso, iniciaremos este tópico com as relações fundamentais para 
nosso livro didático, as relações civis. Após, passaremos pela averiguação das 
diferenças entre obrigações naturais e morais, a fim de identificarquais dizem 
respeito ao mundo jurídico e quais não. Por fim, seremos levados à classificação 
basilar de nosso Código Civil acerca das relações obrigacionais, identificando e 
entendendo as obrigações de dar, fazer e não fazer.
2 OBRIGAÇÃO CIVIL
Como já foi visto nos tópicos anteriores, obrigação no mundo jurídico é 
qualquer relação de crédito e débito que atinja o seu objetivo de solvência a partir 
do cumprimento desta. 
A obrigação civil é aquela da qual nasce um vínculo jurídico de prestação 
entre o credor e o devedor. Neste caso, o devedor da relação pode ser alvo 
de uma intervenção estatal por parte do credor, caso este não cumpra com a 
obrigação, ou seja, com o inadimplemento da obrigação, o credor terá o direito 
de intervir judicialmente para garantir o cumprimento por parte do devedor.
A natureza da obrigação civil pode ser pessoal, personalíssima e material:
a) Obrigação pessoal: é aquela que, apesar de assumida pelo devedor, poderá ser 
cumprida por uma terceira pessoa. 
b) Obrigação personalíssima: é aquela que somente poderá ser cumprida pelo 
devedor.
c) Obrigação material: é aquela que consiste na entrega de um determinado bem.
Além disso, é importante que saibamos que a obrigação civil possui por 
objeto alguma prestação que possa ser aferível de maneira econômica. A partir 
disso, as obrigações são classificadas da seguinte maneira:
26
UNIDADE 1 | TEORIA GERAL DAS OBRIGAÇÕES
1) Quanto ao objeto
O objeto da obrigação pode ser mediato ou imediato.
a) Imediato: a conduta humana de dar, fazer ou não fazer. Exemplo: Obrigação 
da pessoa que vendeu um carro, devedor de obrigação, de dar a chave do carro 
adquirido para o credor, novo proprietário.
b) Mediato: é caracterizado pela prestação em si. Exemplo: O que vai ser dado? 
A chave.
2) Quanto aos seus elementos:
Como já visto anteriormente, a obrigação é composta por três elementos, 
que são:
a) Elemento subjetivo: representado pelos sujeitos da relação (ativo e passivo).
b) Elemento objetivo: representado pelo objeto da relação jurídica em questão. 
c) Vínculo jurídico existente entre os sujeitos da relação.
É a partir desses elementos que conseguimos classificar as obrigações em:
• Obrigação simples: são aquelas que aparecem representadas por todos os 
elementos de maneira singular. Isso quer dizer que uma obrigação simples 
será estruturada por apenas um sujeito ativo, um sujeito passivo e um objeto.
• Obrigação composta ou complexa: diferentemente das obrigações simples, 
estas aparecem representadas por algum dos elementos, podendo ser todos ou 
qualquer um deles de maneira plural. Exemplo: uma obrigação que contenha 
dois sujeitos ativos, um sujeito passivo e um objeto.
Entendemos, então, que:
QUADRO 2 – CLASSIFICAÇÃO DAS OBRIGAÇÕES
CLASSIFICAÇÃO DAS OBRIGAÇÕES
QUANTO AO 
OBJETO Imediato Mediato
QUANTO AOS 
ELEMENTOS Subjetivo Objetivo Vínculo jurídico
QUANTO 
AO MEIO E 
RESULTADO
Meio Resultado
FONTE: A autora
TÓPICO 3 | CLASSIFICAÇÃO DAS OBRIGAÇÕES
27
FONTE: A autora
As obrigações compostas ou complexas, por sua vez, se subdividem em: 
a) Obrigações cumulativas: os objetos apresentam-se somados, ou seja, estão 
associados à conjunção "e". Exemplo: O cidadão devedor X deve dar para o 
cidadão credor Y um carro e uma moto.
b) Obrigações alternativas: os objetos apresentam-se se alternando entre opções, 
ou seja, associados à conjunção "ou", pode ser um objeto substituído por outros, 
como opção do cidadão devedor. Exemplo: O cidadão devedor X deve dar para 
o cidadão credor Y o valor de R$ 10.000,00 ou um carro.
c) Obrigações divisíveis: é quando a obrigação possui mais de um sujeito ativo 
e o objeto aparece dividido entre mais de um sujeito. Exemplo: quando se tem 
obrigação de dar determinada quantia em dinheiro somada para mais de um 
sujeito credor. Como uma dívida em que o montante é de R$ 100.000,00 e se 
possui dois credores, então a solvência ocorre ao se pagar R$ 50.000,00 para 
cada um dos dois credores.
d) Obrigações indivisíveis: é quando a obrigação possui um objeto que não pode ser 
dividido entre mais de um sujeito ativo/credor. Exemplo: a entrega de um carro.
e) Obrigações solidárias: são aquelas obrigações que decorrem das leis ou da 
vontade das partes, independentemente da divisibilidade do objeto.
Para melhor absorção, visualizemos o esquema a seguir:
FIGURA 1 – SUBDIVISÃO DAS OBRIGAÇÕES
CLASSIFICAÇÃO
DAS
OBRIGAÇÕES
SIMPLES
COMPOSTA
Cumulativas
Alternativas
Divisíveis
Indivisíveis
Solidárias
Seguem alguns pontos relevantes sobre obrigações solidárias:
1- Essa solidariedade pode ser chamada tanto de solidariedade ativa quanto 
passiva. 
2- Isso irá variar conforme o polo de sujeitos que estará representado de maneira 
plural dentro da relação em questão.
3- Quando qualquer dos devedores pode responder pela dívida inteira, este 
terá direito de regresso contra o restante dos sujeitos que não realizou a 
prestação. Exemplo: X e Y são sujeitos passivos de uma obrigação. Z é o sujeito 
28
UNIDADE 1 | TEORIA GERAL DAS OBRIGAÇÕES
ativo e demanda a solvência total da dívida para X, que cumpre a prestação 
sozinho e, então, posteriormente, cobra de Y a parte que pagou a mais.
3) Quanto ao meio e resultado
a) Obrigação de meio: ocorre quando o cidadão devedor (o sujeito passivo da 
obrigação) se compromete em fazer a melhor utilização da sua sabedoria, meios 
e técnicas para alcançar o resultado firmado entre ele e a outra parte da obrigação 
(credor/sujeito ativo). Contudo, esta relação se firma sem que o primeiro sujeito 
(devedor) se encontre responsabilizado nos casos em que o desejo final pretendido 
entre as partes não seja alcançado. Exemplo: a contratação de um profissional 
advogado. Este deverá utilizar todos os meios para conseguir obter a sentença 
desejada por seu cliente, mas em nenhum momento será responsabilizado caso 
não consiga atingir tal objetivo.
b) Obrigação de resultado: ocorre quando o cidadão devedor (sujeito passivo) não 
apenas aproveita-se de todos os seus métodos, técnicas e sabedoria ao seu alcance 
para a chegar na aquisição do resultado pretendido. Mas, também, se compromete 
com a responsabilização caso o resultado alcançado seja diverso do esperado 
entre as partes. Dessa maneira, o cidadão devedor (sujeito passivo) só restará 
isento da obrigação firmada quando, finalmente, alcançar o resultado almejado 
pela parte credora (sujeito ativo). Exemplo: a contratação de uma empresa de 
transportes. O objetivo final da obrigação firmada é a entrega de determinado 
material para o credor (sujeito ativo). Assim, se mesmo com a utilização de todos 
os meios a disposição a transportadora não conseguir executar a entrega (obter o 
resultado), não estará exonerada da obrigação até que ela a execute.
3 OBRIGAÇÃO NATURAL E MORAL
É importante que neste subtópico consigamos separar este espaço para 
classificarmos a diferenciação entre obrigações do tipo natural e moral. Ocorre 
que ambas são igualmente importantes e verificam-se comumente dentro dos 
negócios jurídicos.
Quando se fala em moral, somos logo remetidos a uma obrigação 
proveniente da própria consciência humana. Esse tipo de obrigação, então, gera 
consequências apenas internas. Como exemplo podemos citar ações como não trair 
o namorado ou frequentar a igreja de sua religião em determinado dia da semana.
Percebemos, então, que dentro das relações obrigacionais o 
inadimplemento de uma obrigação moral não dá direito ao credor de reivindicar 
judicialmente a solvência da obrigação pelo devedor, uma vez que nesses casos 
a obrigação é simplesmente um dever de consciência.
Os embasamentos essenciais dos preceitos morais, assim como a 
execução de uma obrigação de cunho moral, sempre serão representados como 
uma generosidade e não como pagamento. 
TÓPICO 3 | CLASSIFICAÇÃO DAS OBRIGAÇÕES
29
IMPORTANT
E
Importante lembrar: o cidadão que por livre e espontânea vontade cumprir uma 
prestação moral, também não terá direito ao arrependimento.
A obrigação naturalé possuidora de todas as particularidades de uma 
obrigação civil. Nesse tipo de obrigação é possível reconhecer a totalidade dos 
elementos de uma obrigação civil, quais sejam o credor, o devedor e o objeto. 
Entretanto, o fator que as diferencia é bastante essencial. A diferença está no 
fato de que, diferentemente de uma obrigação civil, a obrigação natural per si 
não traz a garantia jurídica de solvência da obrigação adquirida.
IMPORTANT
E
Diferentemente da obrigação moral, na obrigação natural não há que se falar em 
generosidade, uma vez que o cumprimento desta é considerado um adimplemento.
Na obrigação natural, o credor não possui a prerrogativa de exigência 
ao pagamento, assim como o devedor não pode exigir a devolução por 
arrependimento, e neste caso o objeto ficará nas mãos no credor a título de 
pagamento e não de generosidade.
Com isto, concluímos que, ao determinar os conceitos fundamentais, é 
possível chegar nas definições acertadas sobre obrigações civil, moral e natural, uma 
vez que cada uma possui pequenas características diferenciadoras umas das outras. 
Vemos, então, que a obrigação civil é aquela que dá ao credor o direito 
de exigência judicial, já a obrigação moral é apenas um ato de generosidade, e, 
ainda, a obrigação natural é aquela em que não existe o direito de exigência por 
parte do credor, mas de qualquer forma, a solvência da obrigação é tida como 
adimplemento. Vejamos de maneira simplificada:
• OBRIGAÇÃO CIVIL – existe vínculo jurídico o qual sujeita o devedor à 
realização de uma prestação em detrimento do interesse do credor. Isto confere 
ao credor o direito de ação contra o devedor inadimplente. 
• OBRIGAÇÃO MORAL – é aquela desempenhada com fundamento em 
dever de consciência, o que torna sua execução um ato de mera liberalidade 
e não de pagamento real. Não obstante, esse tipo de obrigação confere àquele 
30
UNIDADE 1 | TEORIA GERAL DAS OBRIGAÇÕES
que recebeu o pagamento a que chamamos de soluti retentio (retenção de 
pagamento, impedindo que o devedor uma vez tendo executado o pagamento, 
procure posterior restituição deste). Exemplo: o pagamento de gorjeta ao 
garçom. Uma vez pago, a indivíduo não poderá pedir de volta.
• OBRIGAÇÃO NATURAL – embora não possua o respaldo exigência 
através de ação judicial, o seu adimplemento (cumprimento, execução) 
representará um pagamento real e não mera liberalidade (generosidade). Este 
fato também confere ao credor a soluti retentio, de modo que, quem a cumpriu, 
não tem direito de posteriormente exigir a restituição. Exemplo: pagamento de 
dívida de jogo ilegal.
4 OBRIGAÇÃO DE DAR E FAZER/NÃO FAZER
Quanto à prestação das obrigações, temos a seguinte classificação: 
• Obrigações positivas: possuem como objeto uma prestação, um agir, que pode 
ser tanto de dar quanto de fazer algo, assim, possui a seguinte subclassificação:
a) Obrigações de dar (pode ocorrer sobre coisa certa ou coisa incerta).
b) Obrigações de fazer. 
• Obrigações negativas: possuem como objeto uma falta de ação, sendo estas as 
chamadas obrigações de não fazer.
Agora, encaminharemos o presente tópico para suas questões finais, assim, 
passaremos a analisar de forma bastante detalhada cada uma das classificações 
das obrigações quanto as suas prestações. Iniciaremos pela obrigação positiva de 
dar. No direito das obrigações, ela pode ter, juridicamente, três sentidos: 
1- Pode significar transferir a posse e a propriedade de alguma coisa;
2- Entregar alguma posse (exemplo: na locação, o locador tem a obrigação de 
transferir apenas a posse e não a propriedade), ou, ainda;
3- Restituir a posse e/ou a propriedade (exemplo: contrato de depósito). 
Fixa-se que, em qualquer um dos três sentidos apresentados, a obrigação de dar 
significa executar uma prestação de coisas.
ATENCAO
TÓPICO 3 | CLASSIFICAÇÃO DAS OBRIGAÇÕES
31
A obrigação de dar, ainda, se encontra subclassificada em:
a) Dar coisa certa: é aquela em que a prestação está relacionada a um bem específico 
ou individualizado. Exemplo: obrigação de compra de um apartamento. 
Aqui, o objeto da obrigação é certo e determinado, como uma casa, um navio, 
determinada soma em dinheiro etc.
IMPORTANT
E
OBSERVAÇÃO.: Nesse tipo de obrigação, o credor não pode ser obrigado a 
receber coisa diversa daquela anteriormente acertada, mesmo que esta outra coisa seja 
mais valiosa (art. 313, Código Civil). Assim como o devedor também não poderá ser obrigado 
a entregar outra coisa, ainda que menos valiosa.
De acordo com o Código Civil, em seus artigos 92 a 97 e 233, salvo 
disposição em contrário, as obrigações de dar coisa certa abrangerão também os 
seus acessórios. Como por exemplo, se X vender seu carro a Y, todos os acessórios 
se presumem vendidos juntos, ou seja, rádio, rodas de liga leve e ar-condicionado 
seguirão com o carro, a não ser que X e Y expressamente combinem previamente 
o contrário. Vejamos:
Art. 233, CC: As obrigações de dar coisa certa abrangem seus acessórios, salvo 
disposição contrária.
A regra aqui é a de que o acessório segue o principal. Outro ponto 
importante a ser ressaltado é o artigo 234 do Código Civil, em que o legislador 
regulou a responsabilidade civil pelo risco de perda ou deterioração da coisa na 
obrigação de dar coisa certa. Vejamos, em nossas palavras, o que diz tal artigo:
Se a perda da coisa for resultado de caso fortuito ou força maior, quem 
responderá?
Força maior são os eventos da natureza, ou seja, são inevitáveis, ainda que 
sejam previsíveis, se tratando de fatos superiores às forças do agente, como os 
fatos da natureza, como terremotos, enchentes, furacões, ciclones extratropicais 
e enchentes, por exemplo. Caso fortuito são os eventos humanos. Por outro lado, 
o caso fortuito se caracteriza pela imprevisibilidade. Um evento imprevisível e, 
consequentemente, inevitável. Assim, temos que tanto caso fortuito quanto força 
maior são acontecimentos que fogem da vontade do indivíduo, que escapam de 
sua diligência, estranhos a sua vontade. 
32
UNIDADE 1 | TEORIA GERAL DAS OBRIGAÇÕES
Assim, a regra geral do código brasileiro será a de que quem suporta a 
perda ou deterioração da coisa por caso fortuito ou força maior é o seu dono.
IMPORTANT
E
Tanto o caso fortuito como a força maior serão casos de isenção da 
responsabilidade de indenizar.
Ainda sobre os adventos de caso fortuito ou força maior, o nosso código 
civil, no artigo 393 é ainda mais específico: 
Art. 393. O devedor não responde pelos prejuízos resultantes de caso fortuito 
ou força maior, se expressamente não se houver por eles responsabilizado. 
Parágrafo Único. O caso fortuito ou de força maior verifica-se no fato 
necessário, cujos efeitos não era possível evitar ou impedir.
Contudo, o legislador cuidou também de alguns casos específicos, como 
no artigo 235 do Código Civil em que ele também fala sobre a deterioração da 
coisa e afirma que, não sendo o devedor culpado, poderá o credor resolver a 
obrigação. Para isso, o credor poderá optar entre aceitar a coisa deteriorada ou, 
também, abater de seu preço o valor perdido. 
IMPORTANT
E
Nos casos enquadrados no referido art. 235 do CC, não há que se falar em perdas 
e danos, visto que não é caso de culpa. Só há perdas e danos quando existir culpa.
Já sobre os casos em que o devedor é culpado pela deterioração da coisa, 
o legislador esclarece:
Art. 236, CC: Sendo culpado o devedor, poderá o credor exigir o equivalente, 
ou aceitar a coisa no estado em que se acha, com direito a reclamar, em um ou 
em outro caso, indenização das perdas e danos.
TÓPICO 3 | CLASSIFICAÇÃO DAS OBRIGAÇÕES
33
Ou seja, aqui, o código aduz que, se comprovada a culpa, haverá a 
obrigação de pagar perdas e danos, obrigação de indenizar. 
É importante que saibamos o princípio fundamental do direito obrigacional 
no que diz respeito à responsabilidade pela coisa dentro das obrigações de dar. 
O norte desse tipo de obrigação é justamente o fato de que, havendo culpa, 
consequentemente haverá obrigação de pagar perdase danos. 
Visto isso, concluímos que existem duas regras fundamentais na obrigação 
de dar coisa certa, quais sejam: 
• O credor não está obrigado a receber prestação diversa, ainda que mais valiosa. 
• Além disso, os termos do artigo 314, CC esclarece o fato de que, ainda que a 
prestação seja divisível, a regra geral é no sentido de que o credor não deve 
receber por partes, a obrigação deve ser cumprida por inteiro.
b) Dar coisa incerta: também conhecida como obrigação genérica, é aquela em 
que a prestação é relativa ou temporariamente indeterminada. A obrigação 
de dar coisa incerta é uma obrigação genérica indicada apenas pela espécie 
e quantidade, faltando a qualidade da coisa. É uma prestação relativamente 
indeterminada, porque falta a qualidade da coisa. Como exemplo podemos 
citar uma obrigação de dar dez sacas de arroz (espécie: arroz; quantidade: dez 
sacas; mas não se sabe a qualidade desse arroz). Esta obrigação é regulada no 
CC a partir do art. 243: 
Art. 243 CC: A coisa incerta será indicada, ao menos, pelo gênero e pela 
quantidade.
QUADRO 3 – VOCÁBULOS: GÊNERO X ESPÉCIE
FONTE: Azevedo (2004, p. 67)
OBSERVAÇÃO: Parte respeitável da doutrina brasileira, 
encabeçada por Álvaro Vilaça Azevedo (USP), critica duramente 
a palavra gênero, que é uma expressão muito aberta e imprecisa. 
Ele defende que seja feita a sua substituição pela palavra espécie. 
Exemplo: dez sacas de arroz, seria espécie, enquanto que cereal 
seria o gênero. O projeto de reforma do CC tenta consertar isso. A 
indeterminação da qualidade é temporária.
34
UNIDADE 1 | TEORIA GERAL DAS OBRIGAÇÕES
Pergunta: Quem faz a escolha da qualidade da coisa, o credor ou o 
devedor? No direito obrigacional a regra geral é a de que as escolhas devem 
ser feitas pela parte menos favorecida (no caso, o devedor). Isso se verifica, por 
exemplo, no artigo 244 do Código Civil, em que o legislador diz que a escolha ou 
indicação da qualidade de coisa incerta (também chamada de “concentração do 
débito” ou “concentração da prestação devida”), deve ser feita pela média. 
Essa escolha pela média respeita o que chamamos de boa-fé objetiva e 
quer dizer que o devedor não poderá dar a coisa pior, mas também não está 
obrigado a dar a melhor.
Ainda sobre a obrigação de dar coisa incerta, cabe ressaltar que, nos termos 
do artigo 246 do Código Civil, o legislador firmou o princípio de que o gênero 
não perece mesmo em hipóteses de caso fortuito e força maior, porém a doutrina 
brasileira defende um projeto de reforma do Código Civil em que ponderam que, 
caso trate-se de um gênero limitado na natureza, o devedor poderá se defender 
alegando caso fortuito ou força maior.
A próxima classificação, dentro das obrigações positivas, a que devemos 
atentar são as obrigações de fazer. Esse tipo de obrigação tem por objeto a prestação 
de um acontecimento positivo, isto é, a manifestação da própria atividade do 
devedor como propósito de satisfação do crédito. 
Na obrigação de fazer, interessa ao credor a própria atividade do 
devedor, pois é ela que traduz a prestação de um fato pelo devedor. Pode ser 
fungível ou infungível.
• Obrigação de fazer fungível = substituível = não personalíssima. Exemplo: 
eletricista contratado de empresa e esta manda qualquer um de seus funcionários.
• Obrigação de fazer infungível = insubstituível = personalíssima. Exemplo: 
pintor famoso, show de cantor específico.
O Código Civil brasileiro se preocupou em expressar claramente as 
responsabilidades do devedor perante cada uma dessas definições, conforme 
veremos:
Art. 247, CC: Incorre na obrigação de indenizar perdas e danos o devedor que 
recusar a prestação a ele só imposta, ou só por ele exequível.
Art. 248, CC: Se a prestação do fato se tornar impossível sem culpa do devedor, 
resolver-se-á a obrigação; se por culpa dele, responderá por perdas e danos.
TÓPICO 3 | CLASSIFICAÇÃO DAS OBRIGAÇÕES
35
Com isto, percebemos que a regra geral das obrigações de fazer é, 
primeiramente, que não havendo culpa, resolve-se a obrigação, e, depois, 
havendo culpa, converte-se em perdas e danos. Entretanto, o legislador prevê 
meios considerados mais efetivos para a satisfação do credor, como: 
Art. 249: Se o fato puder ser executado por terceiro, será livre ao credor mandá-
lo executar à custa do devedor, havendo recusa ou mora deste, sem prejuízo da 
indenização cabível.
Parágrafo único: em caso de urgência, pode o credor, independentemente de 
autorização judicial, executar ou mandar executar o fato, sendo depois ressarcido.
OBSERVAÇÃO: Isso só é possível, é claro, na obrigação não personalíssima.
ATENCAO
Por fim, passamos agora a estudar a obrigação classificada como negativa, a 
de não fazer. Ela tem por objeto uma prestação de fato negativo, ou seja, o devedor 
assume juridicamente o dever de realizar um comportamento omissivo em detrimento 
do interesse do credor. Em nosso Código Civil, essa obrigação é disciplinada a partir 
do artigo 250. Como exemplo de conduta omissiva pactuada em obrigação de não 
fazer podemos citar a obrigação de não concorrência entre duas empresas. Ou, 
também, a obrigação de não explorar determinada atividade, não construir edifícios 
acima de determinada altura em território específico, entre outros.
IMPORTANT
E
Cabe lembrar que a obrigação de não fazer pode ser temporária, como por 
exemplo, uma obrigação de não concorrência por determinado período de tempo.
A obrigação de não fazer é extinta, desde que, sem culpa do devedor, se 
torne impossível não praticar do ato, que se obrigou a não praticar. O exemplo 
mais conhecido de situação dessas é o chamado Fato do Príncipe, comumente 
aplicado nos contratos administrativos em que a Administração Pública possui 
prerrogativa de alterar unilateralmente alguns pontos e acaba obrigando a pessoa 
a assumir a obrigação que antes se obrigara a não fazer.
36
UNIDADE 1 | TEORIA GERAL DAS OBRIGAÇÕES
Em síntese, as obrigações negativas são:
• OBRIGAÇÃO DE NÃO FAZER – abster-se obrigatoriamente. É aquela na 
qual o devedor se obriga a não praticar determinado ato que poderia livremente 
praticar se não tivesse se obrigado. Pode constituir numa abstenção ou num ato de 
tolerância. Se a omissão se tornar impossível sem culpa do devedor, extingue-se a 
obrigação. Pode ser uma tolerância, consentimento ou não impedimento.
37
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico, você aprendeu que:
• A obrigação civil é aquela da qual nasce um vínculo jurídico de prestação entre 
o credor e o devedor. 
• Quanto à prestação das obrigações, temos a seguinte classificação: obrigações 
positivas (obrigações de dar e obrigações de fazer) e obrigações negativas.
• Obrigação de dar significa executar uma prestação de coisas.
• Obrigação de dar coisa certa é aquela em que a prestação está relacionada a um 
bem específico ou individualizado.
• A regra geral do código brasileiro será a de que, quem suporta a perda ou 
deterioração da coisa por caso fortuito ou força maior, é o seu dono.
• Se comprovada a culpa, haverá a obrigação de pagar perdas e danos, obrigação 
de indenizar.
• O credor não está obrigado a receber prestação diversa, ainda que mais valiosa. 
• Ainda que a prestação seja divisível, a regra geral é no sentido de que o credor 
não deve receber por partes, a obrigação deve ser cumprida por inteiro.
• Dar coisa incerta, também conhecida como obrigação genérica, é aquela em 
que a prestação é relativa ou temporariamente indeterminada.
• Obrigação de fazer fungível = substituível = não personalíssima.
• Obrigação de fazer infungível = insubstituível = personalíssima.
• Obrigação de não fazer é dever de realizar um comportamento omissivo em 
detrimento do interesse do credor.
38
1 (CS-UFG/DEMAE-GO – Procurador autárquico/2017) Uma das modalidades 
de obrigação trazida pelo Código Civil é a solidária. No caso concreto:
a) ( ) A solidariedade se presume diante da ausência de manifestação 
expressa dos interessados em sentido contrário.
b) ( ) A solidariedade não sepresume; resulta da lei ou da vontade das partes.
c) ( ) A solidariedade se presume diante da ausência de lei que a proíba 
expressamente.
d) ( ) A solidariedade não se presume; decorre da natureza do objeto previsto 
na obrigação.
2 (INAZ DO PARÁ/FunGota de Araraquara/SP – Advogado/2018) Marcelino 
celebrou com Danilo contrato de compra e venda de 10 sacas de café, de um 
estoque de 100, a serem entregues 15 dias após a celebração do contrato para 
Danilo. Ocorre que, ao chegar o dia da entrega, ao verificar que dentre as 100 
sacas existiam algumas de qualidade superior e outras de qualidade inferior, 
Marcelino resolveu entregar a Danilo 10 sacas de café de qualidade intermediária. 
Considerando a situação narrada, assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) A atitude de Marcelino está errada, pois cabia a Danilo, como credor, 
escolher quais sacas de café seriam entregues.
b) ( ) A atitude de Marcelino está correta, pois cabia ao devedor escolher 
as sacas, não podendo entregar as piores e nem sendo obrigado a 
entregar as melhores.
c) ( ) A atitude de Marcelino está errada, pois cabia ao devedor escolher as 
sacas, sendo obrigado a entregar as melhores.
d) ( ) A atitude de Marcelino está errada, pois cabia ao devedor escolher as 
sacas, sendo obrigado a entregar as piores.
3 (IADES/APEX Brasil – Analista jurídico/2018) A respeito do direito das 
obrigações, assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) Na obrigação de dar coisa certa, se a coisa se perder, sem culpa do 
devedor, antes da tradição, ou pendente a condição suspensiva, fica 
resolvida a obrigação para ambas as partes; se a perda resultar de culpa 
do devedor, responderá este pelo equivalente e mais perdas e danos.
b) ( ) A coisa incerta será indicada sempre pelo gênero. Nessa modalidade 
de obrigação, a escolha pertence ao devedor, se o contrário não 
resultar do título da obrigação; mas não poderá dar a coisa pior, nem 
será obrigado a prestar a melhor.
AUTOATIVIDADE
39
c) ( ) Quanto às obrigações de fazer, incorre na obrigação de indenizar 
perdas e danos o devedor que recusar a prestação só a ele imposta, 
ou só por ele exequível. Se a prestação do fato se tornar impossível 
com culpa do devedor, resolver-se-á a obrigação; se não for culpa dele, 
responderá por perdas e danos.
d) ( ) Nas obrigações alternativas, a escolha cabe ao credor, se outra coisa não 
se estipulou.
4 (FUNRIO/AL-RR/Procurador/2018) Segundo Luis Emygdio da Rosa 
Júnior, o cheque é o título cambiário abstrato, formal, resultante de uma mera 
declaração unilateral de vontade, pelo qual uma pessoa, designada emitente 
ou sacador, com base em prévia e disponível provisão de findos em poder 
do banco ou instituição financeira a ele assemelhada por Lei, denominado 
sacado, dá contra o banco, em decorrência de convenção expressa ou tácita, 
uma ordem incondicional de pagamento à vista, em seu próprio benefício 
ou em favor de terceiro, intitulado tomador ou beneficiário, nas condições 
estabelecidas no título. Ocorre que, em nossa prática mercantil, utilizamos o 
cheque pós-datado, vulgarmente chamado de cheque pré-datado, utilizado 
para postergar a apresentação do título para compensação. Diante do 
apresentado em relação ao cheque pós-datado e levando-se em consideração 
o Direito das Obrigações, pode-se afirmar que o:
a) ( ) Sacador tem obrigação facultativa, pois poderá ou não ter fundos 
disponíveis em conta-corrente para o cumprimento da obrigação.
b) ( ) Sacador tem obrigação de fazer, caracterizada pelo compromisso de 
dispor fundos em conta-corrente para compensação do cheque na data 
pactuada pelas partes.
c) ( ) Tomador tem obrigação de fazer caracterizada pelo compromisso de 
abster-se em depositar o título antes da data pactuada para depósito.
d) ( ) Sacado e o tomador possuem obrigação de dar coisa incerta, tendo 
em vista que o sacador poderá ou não cumprir sua parte na relação 
jurídica pactuada.
5 (VUNESP/TJ-RJ/Juiz leigo/2018) Como modalidades de obrigações, o Código 
Civil prevê as obrigações de dar, fazer, não fazer, alternativas, divisíveis e 
indivisíveis e as solidárias. Sobre o tema, assinale a alternativa correta:
a) ( ) Nas obrigações solidárias, a solidariedade pode resultar da lei, da 
vontade das partes ou de decisão judicial.
b) ( ) Nas obrigações de não fazer, praticado pelo devedor o ato, a cuja 
abstenção se obrigara, o credor pode exigir dele que o desfaça, sob pena 
de se desfazer a sua custa, ressarcindo o culpado perdas e danos.
c) ( ) Nas obrigações alternativas, a escolha cabe ao credor, se outra coisa não 
se estipulou.
d) ( ) A obrigação de dar se divide em dar coisa certa ou incerta. A obrigação 
de dar coisa incerta abrange os acessórios dela embora não mencionados.
40
6 Uma das espécies de obrigação é a obrigação de dar, e que esse tipo de 
relação consiste na ação do devedor em entregar algo par ao credor. Sobre 
este tipo de obrigação, está correta a afirmativa:
a) ( ) Até o momento da tradição, a coisa pertence ao devedor, com os seus 
melhoramentos e acrescidos.
b) ( ) Em caso de dar coisa incerta, esta deve ser indicada somente por seu 
gênero.
c) ( ) Se o devedor, por culpa, deteriorar a coisa, e esta for restituível, o credor 
deve aceitá-la sem direito à indenização.
d) ( ) Se o devedor, por culpa, deteriorar a coisa, a obrigação poderá seguir 
normalmente com a entrega da coisa deteriorada.
41
TÓPICO 4
ESPÉCIES DE OBRIGAÇÕES
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO
Entendida a diferença entre obrigações naturais e morais, analisar a 
classificação basilar de nosso Código Civil acerca das relações obrigacionais, 
identificando e entendendo as obrigações de dar, fazer e não fazer, passamos 
agora a analisar, de forma objetiva, as espécies de obrigações.
 
Para isso, finalizaremos nossos estudos de Direito Civil II, estudando as 
diferenças e funções das seguintes espécies obrigacionais: obrigação líquida x 
ilíquida, obrigação simples x cumulativa, obrigações puras, condicionais, modal 
e a termo, e obrigação principais x acessória.
2 OBRIGAÇÃO LÍQUIDA X ILÍQUIDA
Dirigindo-nos para a finalização da presente unidade deste Livro Didático de 
Direito Civil II, veremos algumas das mais relevantes espécies de obrigações. Uma 
vez que as relações humanas são extremamente complexas, cabe pontuar os casos 
previstos em nossa legislação, a fim de facilitar a solvência dos negócios jurídicos.
Assim, é importante falarmos sobre as obrigações que chamamos de 
líquidas, que são aquelas obrigações certas e determinadas, ou seja, certa no que 
tange a sua existência e determinada no que tange a sua qualidade, quantidade, 
natureza e objeto. 
Podemos afirmar, então, que uma obrigação líquida é aquela cuja 
existência é certa e cujo valor é conhecido. Tais obrigações estavam dispostas 
no Código Civil de 1916, vejamos:
Art. 1.533. Considera-se líquida a obrigação certa, quanto à sua existência, e 
determinada, quanto ao seu objeto.
Como já vimos nesta unidade, e conforme artigo 391 do nosso Código Civil, 
quando ocorre o inadimplemento de uma prestação até a data de seu vencimento, 
o credor possui a prerrogativa de cobrança do pagamento e a responsabilidade 
do devedor sobre esta demanda será patrimonial. 
42
UNIDADE 1 | TEORIA GERAL DAS OBRIGAÇÕES
Essa prerrogativa é dada ao credor para que ele tenha o poder de executar 
o devedor, que terá seus bens tomados através de sentença judicial, satisfazendo 
assim o credor, e, por fim, solvendo a obrigação. 
Cabe aqui lembrar o artigo 947 do Código Civil brasileiro, que explica:
Art. 947. Se o devedor não puder cumprir a prestação na espécie ajustada, 
substituir-se-á pelo seu valor, em moeda corrente.
Visto isso, o que realmente nos importa neste ponto é o fato de que as ações 
de execução só serão possíveis de ajuizamento nos casos em que as obrigações 
firmadas previamente forem líquidas. Ademais, é fundamental que o juiz sempre 
profira sentenças líquidas para evitar mais demoras ao credor. Por exemplo,em 
uma sentença em que o juiz está condenando o devedor X a indenizar o credor 
Y, deve o juiz informar de pronto o valor da indenização, evitando que isso se 
arraste para uma fase posterior dentro processo.
Sendo a obrigação ilíquida e não havendo acordo entre as partes, precisa ser 
apurada pelo Juiz em processo de liquidação para poder ser executada, afinal, não se pode 
executar obrigação ilíquida.
ATENCAO
Ante o exposto, podemos concluir que será líquida a obrigação quando 
o objeto de sua prestação puder ser demonstrado em um valor determinado, 
nos casos de dívidas de dinheiro, ou, ainda, quando se tratar de algum objeto 
específico individualizado.
Silvio Venosa (2012, p. 102), grande doutrinador de Direito civil, esclarece: 
“[...] as obrigações de pagar R$ 1000,00, 100 sacas de cereal ou entregar um 
automóvel especificado são obrigações líquidas. Nelas se acham presentes os 
requisitos que permitem a imediata identificação do objeto da obrigação, sua 
qualidade, quantidade e natureza”.
Quando falamos em obrigações ilíquidas estamos nos referindo àquelas 
cujo objeto da prestação é incerto. Para o cumprimento desse tipo de obrigação 
será sempre preciso que se transforme a prestação em líquida através do que 
chamamos de liquidação pela via judicial.
TÓPICO 4 | ESPÉCIES DE OBRIGAÇÕES
43
Embora a figura da obrigação ilíquida seja semelhante à obrigação de dar coisa 
incerta, ambas não se confundem.
ATENCAO
Quando da obrigação de dar coisa incerta, a indeterminação da prestação 
surge de pronto, no início da obrigação, e acaba por se definir através do gênero 
e quantidade. Já na obrigação ilíquida, a incerteza decorre da própria natureza 
da relação obrigacional.
Outro ponto importante sobre as obrigações ilíquidas é o fato de que elas 
não são passíveis de compensação e imputação do pagamento, visto que não se 
faz admissível o estabelecimento concreto do montante que é devido. Vejamos, 
conforme nossa legislação:
Art. 369, CC: A compensação efetua-se entre dívidas líquidas, vencidas e de 
coisas fungíveis.
Art. 352, CC: A pessoa obrigada por dois ou mais débitos da mesma natureza, 
a um só credor, tem o direito de indicar a qual deles oferece pagamento, se 
todos forem líquidos e vencidos.
Com isso, para este momento do presente livro didático, se fazem 
satisfeitas as ponderações básicas sobre as obrigações líquidas e ilíquidas. 
Passamos a ver outras espécies importantes a serem observadas ainda nesta 
introdução ao assunto obrigação.
3 OBRIGAÇÃO SIMPLES X CUMULATIVA
Obrigações simples são aquelas em que não se encontra pluralidade 
de nenhum dos elementos formadores de uma relação obrigacional, os quais 
já vimos, tanto nos subjetivos quanto nos objetivos. Ou seja, nesse tipo de 
obrigação existirá somente a figura de um devedor, um credor e um objeto.
Possuindo multiplicidade nos elementos, tanto nos subjetivos quanto nos 
objetivos, a obrigação será a que chamamos de composta. Conforme já vimos, 
cabe fixar que, caso a pluralidade for subjetiva, as obrigações se dividirão em 
divisíveis, indivisíveis e solidárias. Já no que se refere à pluralidade objetiva, as 
obrigações se dividem em cumulativas, alternativas e facultativas.
44
UNIDADE 1 | TEORIA GERAL DAS OBRIGAÇÕES
As obrigações cumulativas se destacam através da pluralidade de suas 
prestações. Por exemplo, uma obrigação de dar um carro e uma moto. Não se trata de 
obrigação alternativa que já vimos anteriormente nesta unidade, em que a prestação 
vem como alternativa, por exemplo, obrigação de dar um carro ou uma moto. 
Numa obrigação cumulativa, a totalidade das prestações são de interesse 
do credor, já na obrigação alternativa apenas uma das prestações o interessa. Na 
relação obrigacional cumulativa existirão muitas prestações, tanto na obrigação 
quanto no pagamento devido pelo polo passivo da relação jurídica. Enquanto 
isso, na obrigação alternativa, como vimos, embora muitas prestações estejam na 
obrigação, apenas uma estará no pagamento. 
4 OBRIGAÇÕES PURAS, CONDICIONAIS, MODAIS E A TERMO
Obrigação pura é a obrigação simples, ou seja, é toda aquela obrigação 
em que a efetividade não se encontra subordinada a qualquer uma das três 
modalidades dos negócios jurídicos. Essas modalidades são as seguintes:
a) Condição;
b) Termo ou prazo;
c) Encargo ou modo ou, ainda, ônus. 
Cada uma dessas modalidades de negócio jurídico possui como 
consequência uma espécie diferente de obrigação. Como veremos a seguir.
a) Obrigação condicional: é aquela obrigação que se encontra dependente da 
ocorrência de um evento futuro e incerto para que se concretize. Exemplo: 
o alfaiate compra tecido da fábrica e acorda com a fábrica que só irá pagar 
o preço do tecido caso consiga vender as roupas com ele feitas. Percebemos 
que, vender as roupas não é uma certeza, o alfaiate poderá ou não conseguir 
executar essa pretensão.
Condições absurdas são proibidas (Ex.: alugo minha casa a você, mas você não 
pode entrar nela, isso é o que a lei chama de “privar de todo efeito o negócio jurídico”, no art. 122).
ATENCAO
b) Obrigação a termo: é aquela obrigação que se encontra dependente da 
ocorrência de um evento futuro e certo para que se concretize. Exemplo: o 
mesmo alfaiate do exemplo anterior acorda com a fábrica que pagará o tecido 
dentro do prazo de trinta dias. Trinta dias é o prazo e o prazo é caracterizado 
como sendo um evento certo, apenas dependendo do evento implacável que é 
o natural passar do tempo.
TÓPICO 4 | ESPÉCIES DE OBRIGAÇÕES
45
c) Obrigação modal: o modo, também chamado de encargo ou ônus, é imposto 
ao credor de uma generosidade como uma doação ou uma herança. Exemplo: 
realizar a doação de uma fazenda impondo o ônus de que o receptor da doação 
elabore a construção de uma escola para as crianças carentes da região. 
O encargo precisa ser pequeno para não caracterizar uma contraprestação. 
Exemplo: doação de um carro com o ônus de levar os filhos do doador para a escola 
diariamente. Isso não é doação, mas prestação de serviço, coisa que pode ser feita, não é 
ilegal, apenas não será doação.
ATENCAO
5 OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS X ACESSÓRIAS
Chamamos de obrigação principal aquela obrigação que é independente, 
isso quer dizer que ela tem vida própria. Por outro lado, as chamadas obrigações 
acessórias estão sujeitas, sempre, a uma obrigação principal. As obrigações 
acessórias são agregadas às obrigações principais. Exemplo: um contrato de 
compra e venda é um contrato que irá gerar uma obrigação autônoma. E, uma 
fiança, é um negócio jurídico formador de uma obrigação acessória que estará 
agregada, por exemplo, com um contrato de locação que é uma obrigação 
principal. Ou seja, o cidadão que alugar um apartamento estará celebrando um 
contrato principal de locação. Com isso, ele poderá exigir a celebração de um 
contrato acessório de fiança em que ele terá a garantia do pagamento do aluguel 
na hipótese de inadimplência do inquilino. O ato de locação, então, permanece 
válido com ou sem a fiança, porém o contrário não se faz possível, não existe o 
contrato de fiança sem que previamente exista o contrato de aluguel. 
Caso seja nula a locação, nula será a fiança, mas o inverso não. (art. 184, 2ª parte, 
Código Civil).
ATENCAO
46
UNIDADE 1 | TEORIA GERAL DAS OBRIGAÇÕES
Em síntese:
FIGURA 2 – ESPÉCIES DE OBRIGAÇÕES
FONTE: A autora
ESPÉCIES DE
OBRIGAÇÕES
Líquida
Ilíquida
Simples
Cumulativa
Condicional
A termo
Principais
Acessórias
Modal
Pura
Para corroborar com o estudo elaborado nesta unidade, segue um artigo de 
Dilvanir José da Costa (2000), prof. de Direito Civil nos cursos de graduação e pós-
graduação da Faculdade de Direito da UFMG, Doutor em Direito Civil e advogado.
TÓPICO 4 | ESPÉCIES DE OBRIGAÇÕES
47
LEITURA COMPLEMENTAR
AS OBRIGAÇÕES DE DAR, FAZER E NÃO FAZER E
AS FORMAS DE SUA EXECUÇÃO
Dilvanir José da Costa
A obrigação de dar comporta execução direta ou específica ou através 
da própria coisa objeto da mesma, sobretudo a de restituir, em que ocredor tem 
sequela sobre o objeto, que lhe pertence. 
Mas mesmo na obrigação de dar ou entregar (para uso ou para constituição 
de direito real) prevalece a regra da execução direta, salvo se o objeto não mais se 
achar em poder do devedor, especialmente em virtude de vínculo real. 
Contra o terceiro adquirente não prevalece a execução, eis que o contrato é 
“res inter alios acta”. Nesta hipótese a execução seria indireta ou pelo substitutivo 
da “res debita”, através da resolução da obrigação com perdas e danos.
Mesmo quando o objeto se ache na posse do devedor, há uma corrente 
doutrinária que não admite a execução direta através da apreensão da coisa em poder 
do devedor, para entrega ao credor e constituição do direito real em favor deste. Só 
teria busca e apreensão o titular de direito real sobre a coisa. Recusando-se o devedor 
a entregar a coisa em seu poder, em cumprimento da obrigação, esta resolver-se-ia 
em perdas e danos, com base na distinção técnica entre direito real e obrigacional. 
A propósito, J. M. Antunes Varela assim expõe: “Dentro da vasta categoria 
das prestações de coisa, há que distinguir entre as obrigações de dar e as obrigações 
de entregar a coisa. Nas obrigações de dar, a prestação do obrigado é essencial à 
constituição ou transferência do direito (real) sobre a coisa. São os casos em que 
o credor tem direito à coisa (jus ad rem), mas a aquisição do direito depende da 
prestação (tradição) a cargo do obrigado. 
Assim sucede com o vendedor ou o doador de coisa móvel, que ficam 
obrigados a transferir o domínio da coisa vendida ou doada, mas continuam 
donos dela enquanto não realizam o ato posterior da entrega (art. 868). Nas 
obrigações de entrega da coisa, a prestação da coisa não se destina a transferir o 
seu domínio ou a constituir qualquer outro direito (real) sobre ela. Visa apenas 
proporcionar o uso, fruição ou posse direta da coisa, a que o credor tem direito. 
É o caso típico da obrigação de restituir, que incide sobre o comodatário ou o 
depositário. A distinção tem uma importância capital. 
É que a possibilidade de busca e apreensão judicial da coisa e a sua 
consequente entrega pelo tribunal ao credor (previstas no art. 625 do CPC, como 
momento culminante da chamada execução para entrega de coisa certa) só tem 
cabimento quanto às obrigações de entrega da coisa. 
48
UNIDADE 1 | TEORIA GERAL DAS OBRIGAÇÕES
Nestas, se o devedor não cumprir e o credor requerer a realização coativa 
da prestação, o tribunal pode, realmente, apreender a coisa no patrimônio do 
executado e fazer a entrega dela ao exequente, substituindo-se ao devedor faltoso. 
Tratando-se de obrigação de dar, a substituição do devedor pelo tribunal, 
nos termos previstos pelo artigo 625 do CPC, já não é possível. O sistema jurídico 
brasileiro repudiou deliberadamente a concepção do Código napoleônico, que 
atribui eficácia real aos contratos de alienação de coisa determinada. 
Preferiu, até certo ponto, o sistema romanista, que desdobra a transferência 
de domínio sobre a coisa numa dupla operação. E a segunda operação – a tradição, 
no caso das coisas móveis – depende ainda, como ato jurídico do obrigado, da 
vontade deste”. 
Contra essa doutrina argumentam outros juristas que: “O princípio 
dominador no direito moderno é outro: tem o credor direito à prestação mesma 
prometida, à coisa ou fato prometido”; “A forma específica e direta constitui a 
execução normal e ideal”; “O devedor de cousa, estando de posse dela, deve ser 
compelido a entregá-la por força física”. 
Mais incisivo é Humberto Theodoro Júnior (civilista e processualista): 
“A garantia de execução forçada para a obrigação deve assegurar, sempre que 
possível, o mesmo bem jurídico que o credor obteria com a execução voluntária, 
ou seja, com o adimplemento pelo devedor. 
Somente quando tal não for possível, é que a execução específica será 
substituída pela execução subsidiária das perdas e danos. No entanto, há quem 
só admite a execução específica no caso dos direitos reais, ficando o credor sujeito 
apenas à execução de perdas e danos quando o devedor não cumpre a obrigação 
de dar, porque, antes da tradição, não lhe caberia, ainda, direito à coisa, porque o 
domínio não se transfere apenas pelo contrato. 
Há nisso, todavia, um equívoco. Não é o direito real que impõe ao devedor 
agir, perante o credor, exatamente nos termos da obrigação daquele e do direito 
deste. Entre devedor e credor a obrigação é vínculo jurídico suficiente para forçar 
o pagamento exatamente nos termos em que se estabeleceu entre as partes. 
E o patrimônio do devedor não é a garantia das perdas e danos pelo 
inadimplemento. É a garantia de que o credor receberá, com intervenção da 
soberania estatal, o que é devido. O direito real confere ao titular uma dominação 
direta sobre a coisa oponível “erga omnes”, de maneira que pode prossegui-la e 
recuperá-la de quem quer que a detenha de maneira injusta. 
O titular de direito de crédito não tem poder similar, ou seja, não pode 
perseguir a coisa devida fora do patrimônio do devedor. Dentro, porém, do 
patrimônio que responde pela dívida, claro é que o vínculo obrigacional outorga 
ao credor o direito de exigir exatamente a coisa que lhe deve o devedor. Para 
TÓPICO 4 | ESPÉCIES DE OBRIGAÇÕES
49
isto, não depende de direito real; basta-lhe o direito obrigacional. Se o bem 
devido ainda se encontra no patrimônio do devedor, não tem sentido recusar-se 
a execução forçada específica para impor ao credor apenas as perdas e danos.
É que pelo cumprimento das obrigações responde o patrimônio do 
devedor. Assim, chegar-se-ia ao absurdo de negar a entrega da coisa “in natura”, 
mas não se teria como impedir sua penhora para vendê-la em arrematação, para 
com o produto apurado proceder-se ao pagamento das perdas e danos. 
Ora, se a coisa devida pode ser objeto de realização da execução subsidiária, 
não há como deixar de reconhecer-lhe a aptidão para a execução específica, que 
é a natural e lógica consequência do vínculo obrigacional. Se, enfim, o devedor 
não pode impor o adimplemento voluntário, por via de coisa diversa da que 
deve ao credor (Código Civil, art. 863), como admitir que, incorrendo em mora e 
submetendo-se à sanção do processo executivo forçado, venha a beneficiar-se da 
compulsória troca de objeto da obrigação?
A obrigação de dar ou entregar, seja para constituição de direito real ou 
para permitir ao credor o uso da coisa, pode ser executada coativamente de forma 
direta, específica ou através da própria “res debita”, desde que a coisa se ache em 
poder do devedor, ou seja, desde que não interfira um terceiro de boa-fé numa 
relação nova com o mesmo objeto (adquirente, locatário ou similar), contra o qual 
não prevaleça a obrigação entre as partes, em razão do princípio da relatividade 
dos contratos (Art. 625 do CPC). 
A obrigação de restituir comporta execução coativa específica com 
maior razão, admitindo a busca e apreensão ou outra ação real contra terceiros 
possuidores, em razão do vínculo real do credor à coisa (direito de sequela). A 
coisa objeto da obrigação, por sua autonomia em relação à pessoa do devedor, 
pode ser apreendida sem ofensa à liberdade individual do mesmo, e entregue ao 
credor, inclusive “manu militari”. 
Somente em caso de perda ou outra forma de impossibilidade da 
prestação específica ou interferência de direito de terceiro é que se abrirá ensejo 
à substituição da coisa pelo seu equivalente (“id quod interest”) (Art. 627 do 
CPC). A obrigação de restituir pode se achar amparada por lei especial de ordem 
pública, destinada a proteger certos contratos de massa, a exemplo da Lei do 
Inquilinato, que regula os requisitos e a forma de devolução do imóvel locado. 
A propósito da execução da obrigação de dar ou entregar, assim decidiu o 
Superior Tribunal de Justiça: “Admissível que a execução para entrega de coisa fungível 
(sacas de soja), submetida à disciplina prevista nos arts. 621 usque 628 do estatuto 
processual, seja fundadaem título extrajudicial (art. 585, II, do mesmo diploma)”. 
50
UNIDADE 1 | TEORIA GERAL DAS OBRIGAÇÕES
Ao regular a perda, a deterioração, os melhoramentos e os frutos da coisa, na 
obrigação de dar e na de restituir, o Código Civil leva em conta o princípio “res perit 
domino”. Na transição entre a formação e a execução da obrigação de dar (entregar ou 
restituir), a coisa perece ou se deteriora ou se valoriza para o dono dela, sofrendo ele 
os riscos de sua perda ou deterioração e auferindo as vantagens de seu incremento. 
Como em nosso direito o domínio só se transfere ao adquirente com a 
tradição da coisa, daí resultam as seguintes consequências: 1) na obrigação de 
transferir o domínio (dar ou entregar), antes da tradição a coisa pertence ao devedor, 
que até então suporta a sua perda ou deterioração por caso fortuito ou força maior, 
assim como se beneficia com os seus incrementos (arts. 865 a 868); 2) na obrigação 
de restituir ocorre o inverso: a coisa pertence ao credor, que assume os riscos de sua 
perda ou deterioração sem culpa do devedor, até a tradição ou devolução, assim 
como lucra com os seus melhoramentos espontâneos (arts. 869 a 872). 
A coisa incerta ou determinável há de ser genérica ou alternativa. Vigoram 
as seguintes regras a respeito: a) determina-se pela escolha ou concentração; b) a 
escolha compete ao devedor, salvo estipulação em contrário; c) as coisas genéricas 
se concentram pela média: nem as melhores nem as piores; d) antes da escolha, 
o devedor não poderá alegar perda ou deterioração por caso fortuito ou força 
maior: “genus non perit”; e) feita a escolha, a obrigação se rege pelas normas da 
obrigação de dar coisa certa.
FONTE: COSTA, Dilvanir José da. As obrigações de dar, fazer e não fazer e as formas de sua 
execução. Revista da faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais, Minas Gerais, 
p. 117-121, 10 jan. 2000.
51
RESUMO DO TÓPICO 4
Neste tópico, você aprendeu que:
• Obrigação líquida é certa no que tange a sua existência e determinada no que 
tange a sua qualidade, quantidade, natureza e objeto. 
• O credor possui a prerrogativa de cobrança do pagamento e a responsabilidade 
do devedor sobre esta demanda será patrimonial. 
• Ações de execução só serão possíveis de ajuizamento nos casos em que as 
obrigações firmadas previamente forem líquidas.
• Obrigações ilíquidas são aquelas cujo objeto da prestação é incerto.
• Obrigações simples são aquelas em que não se encontra pluralidade de nenhum 
dos elementos formadores de uma relação obrigacional.
• Possuindo multiplicidade nos elementos, tanto nos subjetivos quanto nos 
objetivos, a obrigação será a que chamamos de composta.
• Obrigação condicional é aquela obrigação que se encontra dependente da 
ocorrência de um evento futuro e incerto.
• Obrigação a termo é aquela obrigação que se encontra dependente da ocorrência 
de um evento futuro e certo.
• Obrigação modal é aquela em que é imposto um encargo ao credor de uma 
generosidade. 
• Obrigações acessórias estão sujeitas, sempre, a uma obrigação principal.
• Obrigação principal é aquela obrigação que é independente.
52
AUTOATIVIDADE
1 (FUNRIO/AL-RR – Procurador/2018) L. R. S, casado, 50 anos, engenheiro, 
pactuou com W. R. M, solteiro, 32 anos, autônomo, um contrato de Locação 
de Imóvel Residencial pelo prazo de 30 (trinta) meses. Tendo como 
direcionamento a classificação das obrigações reciprocamente consideradas, 
o contrato celebrado entre as partes constitui uma obrigação:
a) ( ) Periódica.
b) ( ) Principal.
c) ( ) Divisível.
d) ( ) Acessória.
2 (VUNESP/Câmara de Itaquaquecetuba/SP – Procurador Jurídico/2018) 
O direito das obrigações sabidamente exerce enorme influência na vida 
econômica da sociedade e compreende as relações jurídicas que constituem 
a autonomia privada na esfera patrimonial. Em relação a tão importante 
direito, assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) Nas obrigações de dar coisa incerta, se antes da escolha ocorrer a perda 
ou deterioração da coisa, sem culpa do devedor ou por força maior ou 
caso fortuito, poderá este exonerar-se da obrigação.
b) ( ) Nas obrigações alternativas, no caso de pluralidade de credores, não 
havendo acordo unânime entre eles quanto à escolha, decidirá aquele 
que tiver maior crédito ou, sendo iguais, o crédito mais antigo.
c) ( ) Nas obrigações divisíveis e indivisíveis, havendo dois ou mais 
devedores, e não sendo divisível a prestação, cada um será obrigado 
pela sua quota parte.
d) ( ) A obrigação solidária pode ser pura e simples para um dos cocredores 
ou codevedores, e condicional, ou a prazo, ou pagável em lugar 
diferente, para o outro.
3 (FCC/PGE-AP – Procurador do Estado/2018) [...] não há a possibilidade 
de perecimento, e, portanto, subsiste a obrigação, cabendo, ao devedor, o 
direito de escolha, se outra coisa não for convencionada. Este seu direito, 
porém, não poderá ir ao ponto de preferir a coisa pior da espécie, assim 
como não terá o credor a faculdade de exigir o melhor, quando lhe for 
conferido o direito de escolha. (Clóvis Bevilaqua. Direito das Obrigações. p. 
56. 9. ed. Livraria Francisco Alves, 1957). A conclusão a que acima se chegou 
pode ter como antecedente o seguinte texto:
a) ( ) Se o objeto a dar corresponde à obrigação alternativa.
b) ( ) Se o objeto a dar for incerto, isto é, apenas determinado pelo gênero.
c) ( ) Se se tratar de obrigação de dar coisa certa.
d) ( ) Se o objeto a dar for coisa divisível.
53
4 (FCC/DPE-RS/Analista processual/2017) No que concerne às obrigações de 
dar, nos termos estabelecidos pelo Código Civil:
a) ( ) Na obrigação de dar coisa certa, se a coisa restituível se deteriorar 
sem culpa do devedor, recebê-la-á o credor, tal qual se ache, com 
direito à indenização.
b) ( ) Na obrigação de dar coisa certa, até a tradição da coisa, os frutos 
percebidos e pendentes pertencem ao devedor.
c) ( ) Na obrigação de dar coisa incerta, antes da escolha, não poderá o 
devedor alegar perda ou deterioração da coisa, salvo se ocorrer caso 
fortuito ou força maior.
d) ( ) Na obrigação de dar coisa certa, até a tradição, a coisa pertence ao 
devedor, com os seus melhoramentos e acrescidos, pelos quais poderá 
exigir aumento no preço.
5 (MPT/MPT – Procurador do Trabalho/2017) Analise as seguintes proposições 
relativas às obrigações, segundo o Código Civil:
I- A obrigação indivisível assim se mantém mesmo quando se resolva em 
perdas e danos. Assim, ainda que a culpa pelo perecimento do seu objeto 
seja de apenas um dos devedores, todos respondem pela indenização por 
inteiro, e aquele que assim responder sub-roga-se no direito do credor em 
relação aos demais coobrigados.
II- Nas obrigações solidárias, a qualquer tempo poderá o devedor escolher 
a qual dos credores solidários pagar, e, sendo o pagamento integral feito 
pelo devedor a qualquer deles, extingue-se a obrigação.
III- As condições adicionais que forem pactuadas entre o credor e um dos 
devedores solidários não poderão se estender aos demais devedores 
caso venham a agravar a situação destes, sendo, porém, permitidas se 
acompanhadas dos respectivos consentimentos.
IV- O terceiro não interessado que paga a dívida em seu próprio nome tem 
direito a reembolsar-se do que pagou, sub-rogando-se no direito do credor.
Assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) Apenas as assertivas I e IV estão corretas.
b) ( ) Apenas as assertivas I e II estão corretas.
c) ( ) Apenas as assertivas II, III e IV estão corretas.
d) ( ) Apenas a assertiva III está correta.
6 Analise a afirmação a seguir:
No âmbito do Direito Civil, atribuir responsabilidade significa dizer 
que o indivíduo possui uma obrigação. Essa obrigação poderá ser de fazer ou 
não fazer algo, ou também de dar coisa certa ou incerta para alguém. Assim, 
quando uma das partes gera dano ou prejuízo à parte contrária, esta será 
obrigada ao pagamento em dinheiro, de acordo sentença judiciária, a fim de 
reparar as possíveis lesões ocasionadas.
54Essa afirmação está:
a) ( ) Completamente incorreta.
b) ( ) Completamente correta.
c) ( ) Correta apenas em sua primeira frase.
d) ( ) Incorreta apenas em sua segunda frase.
55
UNIDADE 2
DO CUMPRIMENTO DAS 
OBRIGAÇÕES
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:
• introduzir as questões sobre o pagamento das obrigações;
• identificar as diferentes maneiras de extinção das obrigações;
• constatar as ideias principais de formas de solvência dos negócios jurídicos;
• perceber as responsabilidades no âmbito do direito civil.
Esta unidade está dividida em quatro tópicos. No decorrer da unidade você 
encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado.
TÓPICO 1 – TEORIA DO PAGAMENTO
TÓPICO 2 – OUTROS MODOS DE EXTINÇÃO DA OBRIGAÇÃO
TÓPICO 3 – EXTINÇÃO DA RELAÇÃO OBRIGACIONAL SEM 
 PAGAMENTO
TÓPICO 4 – RESPONSABILIDADES
56
57
TÓPICO 1
TEORIA DO PAGAMENTO
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Já sanados os estudos fundamentais sobre as noções básicas de Direito 
Civil e iniciadas as análises pertinentes à Teoria Geral das Obrigações, nesta 
segunda unidade do livro didático iremos adentrar mais profundamente na 
questão das obrigações.
Intitulamos a presente unidade de Cumprimento das obrigações pelo motivo 
que é de onde iniciaremos os estudos acerca da extinção das obrigações dentro do 
ordenamento jurídico. Com isso, temos como objetivo não somente introduzir o 
aluno às questões sobre o pagamento das obrigações, mas também de identificar 
as diferentes maneiras de extinção das obrigações; constatando as ideias principais 
de formas de solvência dos negócios jurídicos. Tudo isso sem deixar de perceber 
as responsabilidades no âmbito do direito civil.
Para isso, começaremos conhecendo a chamada Teoria do Pagamento, 
em que iremos analisar desde a natureza jurídica da figura do pagamento até 
as condições objetivas e subjetivas que o regularizam. Ainda, observaremos 
o fenômeno do pagamento indevido, sua importância no âmbito jurídico e 
requisitos de reconhecimento.
Em seguida, veremos outros métodos de extinção das obrigações, ou os 
chamados pagamentos indiretos. Daremos atenção especial aos fenômenos da dação 
em pagamento, do pagamento por consignação e do pagamento por sub-rogação.
Também, pensando em extinção das relações obrigacionais, é importante 
a fixação da possibilidade de se finalizar esse tipo de relação mesmo que não se 
efetue de fato o pagamento. Isso pode ocorrer por meio de métodos que vamos 
analisar no tópico três da presente unidade.
Nesse sentido, daremos atenção à extinção da relação obrigacional sem 
pagamento ao estudarmos com esmero os fenômenos a que chamamos de mora, 
cláusula penal e cessão, importantes figuras dentro do ordenamento jurídico civil.
Por fim, já encaminhando nosso estudo para a terceira unidade do presente 
livro, quando iremos observar os Contratos, pretendemos direcionar a atenção do 
aluno para o estudo das responsabilidades dentro do Direito Civil.
UNIDADE 2 | DO CUMPRIMENTO DAS OBRIGAÇÕES
58
Assim, serão levantadas importantes questões acerca tanto da 
responsabilidade contratual quanto da responsabilidade extracontratual no 
Direito Civil, passando pela observação das teorias de culpa e risco, também 
dentro do ordenamento civil vigente em nosso país e concluindo com a análise 
sobre a possibilidade e consequências dos atos ilícitos não causadores de danos.
2 NATUREZA JURÍDICA DO PAGAMENTO
Adentrando questões práticas mais técnicas, iniciaremos a presente 
unidade deste livro observando uma figura que representa um momento essencial 
dentro do direito das obrigações: o pagamento. 
 
No âmbito do direito das obrigações, a expressão “pagamento” aparece 
no sentido de adimplemento, cumprimento voluntário de uma prestação que é 
devida pelo agente pagador.
IMPORTANT
E
O pagamento aqui considerado não é a simples entrega de dinheiro ou coisa 
devida. É necessário que exista a figura voluntariedade.
De acordo com a classificação das obrigações que estudamos na unidade 
anterior, é de fácil conclusão o fato de que o pagamento, então, poderá ocorrer 
tanto ao se dar coisa, quanto ao fazer ou não fazer alguma ação, isso dependerá 
do tipo de obrigação estabelecida entre as partes.
Ao contrário da relação obrigacional, em que temos a figura do devedor 
como passiva e a do credor como ativa, numa relação processual, no pagamento 
o sujeito ativo é o devedor, uma vez que é ele quem exerce a ação, é ele quem 
paga voluntariamente, ativamente. Além disso, no outro lado da relação do 
pagamento, chamamos de sujeito passivo o credor, visto que a ele cabe apenas 
receber o pagamento.
Como natureza jurídica propriamente dita, cabe dizer que o pagamento é 
o que chamamos de fato jurídico, item já estudado na unidade anterior, ou seja, 
o pagamento é um fato que ocorre por meio de ação humana e que altera alguma 
coisa dentro do ordenamento jurídico. 
TÓPICO 1 | TEORIA DO PAGAMENTO
59
IMPORTANT
E
IMPORTANT
E
Existe uma corrente doutrinária que diz ser o pagamento, não um fato, mas um 
ato jurídico (figura também já estudada de maneira mais aprofundada na Unidade 1).
A despeito do que dispõe o art. 763 do CC, no contrato de seguro é defensável, 
para evitar injustiça, a aplicação da teoria do adimplemento substancial, pagando-se ao 
segurado o valor da indenização devida, abatido o prêmio que ainda não havia sido pago. 
O STJ, inclusive, já aplicou a teoria para o contrato de alienação fiduciária (REsp 469.577/SC).
É importante o reconhecimento do caráter negocial do pagamento, 
pois uma vez que se designa esse tipo de natureza à figura do pagamento, fica 
possível a aplicação dos defeitos de um negócio jurídico ao pagamento, como por 
exemplo, a possibilidade de se requerer perante a agência bancária o estorno de 
determinado valor que tenha sido imputado por erro.
Ainda sobre a natureza jurídica do pagamento, cabe ressaltar a influência 
e importância que o princípio da boa-fé objetiva exerce no pagamento. Ocorre 
que ao falar da chamada teoria do adimplemento substancial da obrigação, deve-
se levar em consideração este princípio.
À luz do princípio da boa-fé, não se considera razoável resolver uma 
obrigação, quando a prestação, mesmo que não adimplida de forma perfeita, 
tenha sido substancialmente atendida, aproximando-se consideravelmente do 
seu resultado que era esperado pelo credor. 
Desta forma, a aplicação da teoria do adimplemento substancial ocorre da 
seguinte maneira:
EXEMPLO: Pessoa X fez um contrato de seguro de carro e ficou 
convencionado com a seguradora que o prêmio (aquilo que se paga à seguradora) 
seria pago em quatro parcelas de R$ 500,00. X pagou as três primeiras parcelas 
corretamente, mas atrasou dois dias para pagar a quarta parcela e o seu carro 
foi roubado. Por esta teoria, a seguradora deve pagar o seguro a X, já que se 
aproximou muito do pagamento (claro que descontando o valor devido).
UNIDADE 2 | DO CUMPRIMENTO DAS OBRIGAÇÕES
60
Entretanto, vale ressaltar que existe, ainda, um posicionamento contrário 
tanto na doutrina quanto na jurisprudência. Existe entendimento jurisprudencial, 
inclusive, dizendo que a seguradora não poderia cancelar o contrato por 
inadimplemento sem noticiar o segurado devedor.
Feitas as considerações iniciais, passamos agora a analisar o que chamamos 
de condições ou requisitos do pagamento. É a partir do estudo dessas condições/
requisitos que se faz possível evitar a famosa premissa popular de “quem paga 
mal, paga duas vezes”. Vejamos então a existência de dois tipos de condições:
1) Condições subjetivas:
a) Quem deve pagar;
b) A quem se deve pagar.
2) Condições objetivas:
a) Objeto do pagamento;
b) Prova do pagamento;
c) Tempo do pagamento;
d) Lugar do pagamento.
Sobre as condições subjetivas do pagamento, como primeira questão 
temos a seguinte indagação: Quem deve pagar? 
A resposta vem no Código Civil, em seus artigos 304 e 305, afirmando 
que o pagamentopoderá ser efetuado tanto pelo próprio devedor quanto por 
terceiro. Vejamos:
Art. 304. Qualquer interessado na extinção da dívida pode pagá-la, 
usando, se o credor se opuser, dos meios conducentes à exoneração 
do devedor.
Parágrafo único. Igual direito cabe ao terceiro não interessado, se o 
fizer em nome e à conta do devedor, salvo oposição deste.
Art. 305. O terceiro não interessado, que paga a dívida em seu próprio 
nome, tem direito a reembolsar-se do que pagar; mas não se sub-roga 
nos direitos do credor.
Parágrafo único. Se pagar antes de vencida a dívida, só terá direito ao 
reembolso no vencimento (BRASIL, 2002, s.p.).
Diante disso, podemos absorver que, em um primeiro momento, o 
pagamento deverá ser efetuado pelo próprio devedor ou por um representante 
dele. Entretanto, num segundo momento, o Código Civil Brasileiro também admite 
que o pagamento seja feito também por terceiro, que poderá ser diretamente 
interessado no negócio ou não.
Sobre a figura dos terceiros, cabe fixar as diferenças entre um e outro. 
O interessado é aquele que se encontra juridicamente vinculado à obrigação 
em questão, ou seja, embora ele não seja diretamente parte dela, esta obrigação 
refletirá dentro de seu plano jurídico. Exemplo: fiador e avalista. O fiador, quando 
paga, sub-roga-se em todos os direitos e garantias do antigo credor. 
TÓPICO 1 | TEORIA DO PAGAMENTO
61
Já o chamado terceiro não interessado, por sua vez, é desprovido de 
interesse jurídico perante a obrigação em questão. Este cidadão possui um 
interesse meramente moral, também chamado de meta-jurídico, no pagamento. 
Exemplo: pagamento de conta da TV a cabo para a mãe (neste caso o terceiro não 
se sub-roga nos direitos do credor).
Como toda ação dentro do nosso ordenamento, o pagamento feito por um 
terceiro emitirá efeitos no plano jurídico. No caso de um terceiro interessado, o 
efeito é que ele se sub-roga em todos os direitos, atuações, prerrogativas e garantias 
do credor originário. O interesse jurídico faz com que a ação desse tipo de terceiro 
possua bastante força, acorrendo, inclusive, a substituição nos direitos do credor. 
Já na circunstância de pagamento realizado por terceiro não interessado, 
na forma dos arts. 304 e 305 do CC, poderão ocorrer duas situações: 
1) Se o terceiro não interessado pagar em seu próprio nome, terá pelo menos 
direito ao reembolso. 
 Exemplo: pagamento pela internet ou pelo caixa eletrônico é emitido em nome 
do terceiro não interessado.
2) Se o terceiro não interessado, entretanto, pagar apenas em nome do devedor, 
não terá direito a nada.
Questão: O devedor pode se opor ao pagamento feito por terceiro? 
Nos termos do art. 306 do CC é possível que o devedor se oponha ao 
pagamento feito por terceiro, desde que ele demonstre que também possui meios 
para satisfazer ao credor, vejamos: “Art. 306. O pagamento feito por terceiro, com 
desconhecimento ou oposição do devedor, não obriga a reembolsar aquele que 
pagou, se o devedor tinha meios para ilidir a ação” (BRASIL, 2002, s.p.). 
Além disso é admissível a oposição também nos casos em que existam 
embasamentos relevantes, como a prescrição da dívida ou a invalidade da obrigação. 
O devedor poderá, ainda, se opor ao pagamento pelo terceiro, fundamentado nos 
direitos da personalidade, nos casos em que o terceiro queira pagar somente para 
menosprezar o devedor diante da sociedade. Exemplo: o maior desafeto do devedor 
paga sua dívida para colocar o devedor numa situação vexatória.
Agora, sobre a segunda condição subjetiva do pagamento, que diz respeito a 
quem se deve pagar, o Código Civil se expressa em seus arts. 308 e 309, CC, vejamos:
Art. 308. O pagamento deve ser feito ao credor ou a quem de direito o 
represente, sob pena de só valer depois de por ele ratificado, ou tanto 
quanto reverter em seu proveito.
Art. 309. O pagamento feito de boa-fé ao credor putativo é válido, 
ainda provado depois que não era credor (BRASIL, 2002, s.p.). 
UNIDADE 2 | DO CUMPRIMENTO DAS OBRIGAÇÕES
62
Em nossas palavras, pode-se dizer, então, que é permitido que o 
pagamento seja feito apenas para a pessoa do credor ou, ainda, a quem por direito 
o represente. Porém, existe ainda a possibilidade juridicamente possível de que 
o pagamento seja feito a terceiro, desde que observadas as seguintes condições: 
1) O credor deverá confirmar o pagamento ou poderá simplesmente comprovar 
que o pagamento foi revertido em seu próprio proveito.
2) Nos termos do art. 309 do CC será respeitada a eficácia do pagamento feito 
a terceiro, nos moldes da chamada Teoria da Aparência, em casos do credor 
putativo. O fato que proporciona embasamento principiológico para esta 
teoria é o Princípio da Boa-fé. O que existe aqui é um pagamento feito de boa-
fé, segundo o princípio da confiança, a quem aparenta ser credor sem ser. 
3 DAS CONDIÇÕES OBJETIVAS DO PAGAMENTO
Visto as condições subjetivas de pagamento, passamos agora a estudar de 
maneira mais aprofundada as já citadas condições objetivas do pagamento. Para 
começar, cabe observar o tempo do pagamento, via de regra, esta condição diz 
que as obrigações devem ser pagas no dia do vencimento da dívida. 
Entretanto, nos casos em que a obrigação não possua uma data determinada 
para vencimento, salvo norma especial em contrário, o credor terá a faculdade de 
exigir a obrigação de imediato, vejamos nos artigos 331 e 332 do Código Civil, nas 
palavras de nosso legislador:
Art. 331. Salvo disposição legal em contrário, não tendo sido ajustada 
época para o pagamento, pode o credor exigi-lo imediatamente. 
Art. 332. As obrigações condicionais cumprem-se na data do 
implemento da condição, cabendo ao credor a prova de que deste teve 
ciência o devedor (BRASIL, 2002, s.p.). 
Ainda sobre o tempo do pagamento é importante que analisemos o artigo 
a seguir do nosso Código Civil, que trata das hipóteses em que se antecipa o 
vencimento da dívida:
Art. 333. Ao credor assistirá o direito de cobrar a dívida antes de 
vencido o prazo estipulado no contrato ou marcado neste Código: 
I- no caso de falência do devedor, ou de concurso de credores; 
II- se os bens, hipotecados ou empenhados, forem penhorados em 
execução por outro credor; 
III- se cessarem, ou se se tornarem insuficientes, as garantias do débito, 
fidejussórias (pessoais), ou reais, e o devedor, intimado, se negar a 
reforçá-las.
Parágrafo único. Nos casos deste artigo, se houver, no débito, 
solidariedade passiva, não se reputará vencido quanto aos outros 
devedores solventes (BRASIL, 2002, s.p.).
TÓPICO 1 | TEORIA DO PAGAMENTO
63
Com isto, passamos a observar com maior atenção a condição objetiva 
do lugar de pagamento. Nos termos do artigo 327 do Código Civil, via de regra, 
o pagamento das dívidas deve ser efetuado no local de domicílio do devedor, 
vejamos: “Art. 327. Efetuar-se-á o pagamento no domicílio do devedor, salvo 
se as partes convencionarem diversamente, ou se o contrário resultar da lei, da 
natureza da obrigação ou das circunstâncias”.
Cabe ressaltar também que, se as partes estabelecerem dois ou mais 
lugares para o pagamento, a escolha deverá ser feita pela parte credora (parágrafo 
único do art. 327). E se for caso de transferência de imóvel, o pagamento é feito no 
lugar em que este bem imóvel estiver fixado, conforme Código Civil: “Art. 328. 
Se o pagamento consistir na tradição de um imóvel, ou em prestações relativas a 
imóvel, far-se-á no lugar onde situado o bem”.
Ainda sobre o lugar do pagamento, cabe falarmos do que chamamos 
de princípio do “venire contra factum proprium”. Este princípio é consagrado 
pelo legislador do nosso Código Civil no texto do seu artigo 330 e evita que o 
credor quebre o princípio da confiança, adotando alguma espécie de conduta 
contraditório, vejamos: “Art. 330. O pagamento reiteradamente feito em outro 
local faz presumir renúncia do credor relativamente ao previsto no contrato”.
Como terceira condição objetiva do pagamento, observemos agora a 
prova do pagamento, que acontece por meiode um ato jurídico a que chamamos 
de quitação. A quitação é considerada a prova do pagamento propriamente dita, 
ela consiste em um documento em que credor, ou seu representante, reconhece 
ter recebido o pagamento de seu crédito, exonerando o devedor da obrigação.
IMPORTANT
E
Ressalta-se que para o direito das obrigações, Quitação é diferente de Recibo, 
sendo este um documento, uma simples declaração escrita por ter recebido alguma coisa.
Vejamos os termos importantes do Código Civil a serem considerados no 
estudo da prova do pagamento:
Art. 319. O devedor que paga tem direito à quitação regular, e pode 
reter o pagamento, enquanto não lhe seja dada. 
Art. 320. A quitação, que sempre poderá ser dada por instrumento 
particular, designará o valor e a espécie da dívida quitada, o nome do 
devedor, ou quem por este pagou, o tempo e o lugar do pagamento, 
com a assinatura do credor, ou do seu representante. 
Parágrafo único. Ainda sem os requisitos estabelecidos neste artigo 
valerá a quitação, se de seus termos ou das circunstâncias resultar 
haver sido paga a dívida (BRASIL, 2002, s.p.).
UNIDADE 2 | DO CUMPRIMENTO DAS OBRIGAÇÕES
64
O Código Civil também se preocupou em discorrer acerca da chamada 
presunção de pagamento. Essa figura ocorre quando existe uma dedução de que 
a quitação da obrigação não foi realizada, porém, há uma presunção relativa 
de que houve o pagamento. Nesses casos poderá o credor identificar prova em 
contrário, vejamos:
Art. 322. Quando o pagamento for em quotas periódicas, a quitação 
da última estabelece, até prova em contrário, a presunção de estarem 
solvidas as anteriores.
Art. 323. Sendo a quitação do capital sem reserva dos juros, estes 
presumem-se pagos.
Art. 324. A entrega do título ao devedor firma a presunção do 
pagamento.
Parágrafo único. Ficará sem efeito a quitação assim operada se o 
credor provar, em 60 dias, a falta do pagamento (BRASIL, 2002, s.p.).
Agora, como a última das condições objetivas da teoria do pagamento, 
vejamos as elucidações pertinentes ao objeto de pagamento. De acordo com a 
doutrina, essa condição diz respeito às regras basilares para que se tenha cumprida 
a obrigação. O Código Civil dispõe sobre essas regras nos seus artigos 313 a 317. 
Analisemos os pontos importantes:
1) O credor não é obrigado a receber prestação diversa, ainda que mais 
valiosa.
2) O credor não é obrigado a receber, nem o devedor a pagar por partes, 
se assim não se convencionou (princípio da indivisibilidade).
3) Nas obrigações pecuniárias, o devedor está liberado caso pague a 
mesma quantidade de moeda prevista no título da obrigação. Aqui 
fala-se em princípio do nominalismo que será condicionado pelos 
organismos de correção monetária (BRASIL, 2002, s.p.). 
Frisa-se, também, que o credor não será obrigado a perceber o valor por 
meio de cheque nem em cartões de crédito ou débito, se assim não for ajustado.
Por fim, cabe fixar aqui a chamada teoria da imprevisão, que será melhor 
estudada na Unidade 3 deste livro didático e está disposta no artigo 317 do 
Código Civil, vejamos: “Art. 317. Quando, por motivos imprevisíveis, sobrevier 
desproporção manifesta entre o valor da prestação devida e do momento de sua 
execução, poderá o juiz corrigi-lo, a pedido da parte, de modo que assegure, 
quanto possível, o valor real da prestação”.
4 DO PAGAMENTO INDEVIDO
A figura do pagamento indevido fundamenta uma parte de um setor do 
ordenamento jurídico mais extensa a que nos referimos como enriquecimento sem 
causa. A rejeição do legislador ao enriquecimento indevido está fundamentada no 
princípio maior da equidade. Este princípio não admite que ocorra o ganho de um, 
em detrimento da perda de outro, sem que exista para isso uma causa que o justa. 
TÓPICO 1 | TEORIA DO PAGAMENTO
65
Assim será devida uma restituição nos casos de pagamento indevido 
somente nas hipóteses em que não tenha ocorrido justificativa para um 
enriquecimento sem causa, e também em situações em que o pagamento indevido 
não acarrete no enriquecimento sem causa. Vejamos o que diz o Código Civil a 
esse respeito: “Art. 885. A restituição é devida, não só quando não tenha havido 
causa que justifique o enriquecimento, mas também se esta deixou de existir”.
O pagamento indevido é tido como uma das formas de enriquecimento 
ilícito, uma vez que aparece como consequência de uma prestação espontânea 
feita por alguém com a intenção de extinguir uma obrigação que fora pressuposta 
de maneira errada. 
 
Ainda sobre o assunto, existem duas espécies de pagamentos indevidos 
importantes de serem observadas:
1) Pagamento objetivamente indevido: é o pagamento que alguém faz de uma 
dívida inexistente. Ocorre uma prestação errônea, ignorando a inexistência 
de débito. Nessa situação, deverá ser comprovado o erro, devendo o pagador 
evidenciar que estava presumido de que devia determinada quantia, quando 
na verdade não devia coisa alguma.
2) Pagamento subjetivamente indevido: é o pagamento que alguém efetua 
mediante a existência real de determinada dívida, porém ocorre o pagamento 
de maneira errada, assim, também o pagador deve comprovar a ocorrência do 
erro para que seja devidamente restituído.
Cabe ainda observarmos certos requisitos necessários para a identificação 
de um pagamento indevido, são eles:
a) Enriquecimento por parte do accipiens: é quando ocorre um aumento 
patrimonial por parte de quem recebe o pagamento, além da diminuição do 
patrimônio da pessoa pagadora.
b) Empobrecimento por parte do solvens: incide ou em uma diminuição do ativo 
patrimonial da pessoa pagadora ou em um acréscimo em seu patrimônio passivo.
c) Relação de causalidade: é quando se verifica uma relação entre o enriquecimento 
de uma pessoa com o empobrecimento de outra. Tanto o enriquecimento 
quanto empobrecimento são provenientes do mesmo fato.
d) Ausência de causa: como já visto anteriormente, se o enriquecimento se 
deu decorrente de uma causa específica, podendo esta ser derivada tanto de 
contrato quanto de lei, a ação de enriquecimento não será cabível. 
e) Falta de justa causa: verifica-se quando da diminuição do patrimônio de 
alguém que acarrete na obrigação de restituir o lesado com o pagamento.
f) Subsidiariedade da ação in rem verso: é necessário que inexista meio 
alternativo jurídico pelo qual o empobrecido seja possibilitado de corrigir a 
situação de enriquecimento sem causa. Vejamos o que diz o Código Civil: “Art. 
886. Não caberá a restituição por enriquecimento, se a lei conferir ao lesado 
outros meios para se ressarcir do prejuízo sofrido”.
Visto isso, observamos que, presentes os requisitos agora mencionados, 
estará o lesado autorizado a buscar o reestabelecimento de seu patrimônio perdido, 
até o limite do montante do lucro percebido pela parte enriquecida sem causa.
66
RESUMO DO TÓPICO 1
Neste tópico, você aprendeu que:
• No âmbito do direito das obrigações, a expressão “pagamento” aparece no 
sentido de adimplemento, cumprimento voluntário de uma prestação que é 
devida pelo agente pagador.
• Como natureza jurídica propriamente dita, cabe dizer que o pagamento é o 
que chamamos de fato jurídico.
• Sobre as condições subjetivas do pagamento, como primeira questão temos as 
seguintes indagações: Quem deve pagar? E a quem se deve pagar?
• Como condições objetivas do pagamento temos: objeto do pagamento; prova 
do pagamento; tempo do pagamento e lugar do pagamento.
• Tempo do pagamento, via de regra, é a condição de que as obrigações devem 
ser pagas no dia do vencimento da dívida. 
• Lugar de pagamento, via de regra, é o local de domicílio do devedor.
• A prova do pagamento acontece por meio de um ato jurídico a que chamamos 
de quitação.
• Objeto do pagamento diz respeito às regras basilares para que se tenha 
cumprida a obrigação e estão dispostas nos arts. 313 a 317 do CC.
• A figura do pagamento indevido fundamenta uma parte de um setor do 
ordenamento jurídico mais extenso a que nos referimos como enriquecimento 
sem causa.
• Será devida umarestituição nos casos de pagamento indevido somente nas 
hipóteses em que não tenha ocorrido justificativa para um enriquecimento sem 
causa, e também em situações em que o pagamento indevido não acarrete no 
enriquecimento sem causa.
67
AUTOATIVIDADE
1 De acordo com a teoria do pagamento, a natureza jurídica propriamente 
dita do pagamento é de:
a) ( ) Fato jurídico.
b) ( ) Direito Civil.
c) ( ) Obrigações.
d) ( ) Contrato.
e) ( ) Adimplemento.
2 Diante dos conhecimentos adquiridos, assinale a alternativa que completa 
corretamente a frase a seguir: 
À luz do princípio ___________ não se considera razoável resolver uma 
obrigação, quando a prestação, mesmo que não adimplida de forma perfeita, 
tenha sido substancialmente atendida.
a) ( ) Da economia. 
b) ( ) Da razoabilidade.
c) ( ) Da equidade.
d) ( ) Da boa-fé.
e) ( ) Da unicidade.
3 Sobre as condições subjetivas do pagamento, vimos que, de acordo com o 
Código Civil, o pagamento poderá ser efetuado pelas seguintes pessoas:
a) ( ) Somente pelo devedor propriamente dito.
b) ( ) Somente pelo devedor ou terceiro interessado.
c) ( ) Somente pelo terceiro não interessado em nome próprio.
d) ( ) Somente pelo próprio devedor ou representante dele.
e) ( ) Pelo devedor ou pessoa que o represente, ou terceiros interessados ou 
não.
4 A doutrina enxerga a condição do objeto do pagamento como um conjunto 
de regras indispensáveis para que se considere cumprida uma obrigação. 
Sobre o objeto do pagamento é correto afirmar:
a) ( ) O credor deve receber prestação diversa nos casos em que esta for mais 
valiosa que a prestação acordada.
b) ( ) O devedor pode optar, unilateralmente, por realizar o pagamento por 
partes.
c) ( ) O credor deve receber o pagamento por partes se assim o devedor 
desejar.
d) ( ) O credor não será obrigado a perceber o valor por meio de cheque nem 
em cartões de crédito ou débito, se assim não for ajustado.
e) ( ) O credor não é obrigado a receber pagamento por partes, mesmo que 
assim tenha sido convencionado entre as partes.
68
5 A figura do pagamento indevido fundamenta uma parte de um setor do 
ordenamento jurídico mais extensa, a que chamamos de:
a) ( ) Enriquecimento injusto.
b) ( ) Enriquecimento justo.
c) ( ) Enriquecimento sem causa.
d) ( ) Enriquecimento com causa.
e) ( ) Enriquecimento derivado de causa específica.
69
TÓPICO 2
OUTROS MODOS DE EXTINÇÃO DA OBRIGAÇÃO
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Ainda buscando nosso objetivo de analisar as diferentes formas de 
caracterizar a solvência das obrigações, continuaremos, neste tópico, a observar 
as ideias principais acerca de maneiras possíveis de se extinguir um negócio 
jurídico, percebendo as responsabilidades civis.
Este tópico se faz, então, direcionado a outros métodos de extinção das 
obrigações, que não sejam a do pagamento. São os chamados pagamentos indiretos, 
que possuem como elementos principais de sua estrutura os fenômenos da dação 
em pagamento, do pagamento por consignação, e do pagamento por sub-rogação.
2 DAÇÃO EM PAGAMENTO
Inicialmente, como modo alternativo de extinção da obrigação, cabe 
estudarmos a chamada dação em pagamento, também chamada de datio in solutum. 
Esse modo de extinção é caracterizado pela realização, por parte do devedor, de 
uma prestação diferente da que foi devidamente estabelecida mediante acordo 
com o credor. 
A dação em pagamento se encontra regulamentada a partir do art. 356 
do Código Civil e diz respeito à possibilidade de extinção de uma obrigação nas 
hipóteses em que o credor consente em receber prestação diversa da que lhe foi 
devidamente acordada. Vejamos:
Art. 356. O credor pode consentir em receber prestação diversa da que 
lhe é devida.
Art. 357. Determinado o preço da coisa dada em pagamento, as 
relações entre as partes regular-se-ão pelas normas do contrato de 
compra e venda.
Art. 358. Se for título de crédito a coisa dada em pagamento, a 
transferência importará em cessão (BRASIL, 2002, s.p.).
Com isso, podemos observar algumas questões importantes, como por 
exemplo, o fato de que a dação em pagamento só será possibilitada nos casos 
em que o credor a aceitar. Ainda se percebe que nesses casos, ao se efetuar o 
pagamento, a obrigação se tornará extinta. 
UNIDADE 2 | DO CUMPRIMENTO DAS OBRIGAÇÕES
70
Não se pode confundir “dação em pagamento” com “dação pro solvendo”, uma 
vez que a segunda é uma espécie de dação ocasionada por causa de um pagamento, dação 
em função de pagamento.
ATENCAO
A dação a que nos referimos aqui é um dos modos de se extinguir a 
obrigação. Existem as figuras de um credor e de um devedor que mantêm uma 
relação obrigacional entre eles, ocorrendo que devedor questiona a possibilidade 
de dar coisa alheia ao convencionado entre as partes, e ocorrendo a aquiescência 
do credor, a obrigação desaparecerá.
Já a chamada dação pro solvendo não possui como consequência imediata 
a extinção da obrigação. Esta figura não contenta inteiramente o interesse do 
credor. Dação pro solvendo é caracterizada por ser meramente uma via facilitadora 
do pagamento.
Com isso, podemos dizer que são requisitos da dação em pagamento:
1) Existência de dívida vencida;
2) Consentimento do credor;
3) A entrega de prestação diversa;
4) Animus solvendi.
IMPORTANT
E
Vale registrar o Habbeas Corpus 20.317/SP que se acolheu a dação em pagamento 
de imóvel para os casos de cumprimento de pensão alimentícia, diante da possibilidade de 
prisão civil. Isso quer dizer que o cidadão que deixar de cumprir com sua obrigação de pagar 
pensão alimentícia devida, poderá utilizar seus imóveis como pagamento, caso contrário, 
incorrerá em possível pena de prisão civil.
Outro ponto importante a observamos é chamada evicção de coisa dada 
em pagamento, que ocorre quando se tem a ideia de perda, ou seja, só é possível 
em contratos onerosos (vimos na unidade anterior). 
TÓPICO 2 | OUTROS MODOS DE EXTINÇÃO DA OBRIGAÇÃO
71
Assim, quando por decisão judicial ou administrativa, a pessoa adquirente 
de contrato oneroso perde coisa que lhe foi dada por ele. Nesses casos, chamamos 
o adquirente de evicto e o terceiro, a quem era de direito a coisa contratada, 
de evictor. “Art. 359. Se o credor for evicto da coisa recebida em pagamento, 
restabelecer-se-á a obrigação primitiva, ficando sem efeito a quitação dada, 
ressalvados os direitos de terceiros” (BRASIL, 2002, s.p.).
De acordo com este artigo transcrito, e pautando as ações no princípio da 
boa-fé, podemos dizer então que, quando a obrigação primitiva não puder ser 
reestabelecida, surgirá a possibilidade de que ocorra perdas e danos. 
Ainda, em casos em que o credor venha a perder coisa que lhe foi transferida 
por dação em pagamento, a obrigação será reestabelecida (nascerá novamente).
3 PAGAMENTO POR CONSIGNAÇÃO
O pagamento acontece por consignação quando é realizado depósito 
judicial para quitação de uma dívida. Sendo este mais um meio indireto para que 
se livre devedor da sua obrigação. Nos moldes do artigo 334 do Código Civil, 
vejamos: “Art. 334. Considera-se pagamento, e extingue a obrigação, o depósito 
judicial ou em estabelecimento bancário da coisa devida, nos casos e forma legais” 
(BRASIL, 2002, s.p.). 
Importante ressaltar que, neste modo especial de pagamento, o devedor 
irá solver sua obrigação de maneira conferida pela lei. O pagamento por 
consignação possui o que denominamos de natureza jurídica híbrida ou mista, 
visto que abrange âmbito de direito civil e de direito penal.
O legislador, no Código Civil brasileiro, preocupou-se de prever os casos 
legais em que estão justificadas as possibilidades de pagamento por consignação:
Art. 335. A consignação tem lugar:
I- se o credor não puder, ou, sem justa causa, recusar receber o 
pagamento, ou dar quitação na devida forma;
II- se o credor não for, nem mandar receber a coisa no lugar, tempo e 
condição devidos;
III- se o credor for incapaz de receber, for desconhecido, declarado 
ausente, ou residir em lugar incerto oude acesso perigoso ou difícil;
IV- se ocorrer dúvida sobre quem deva legitimamente receber o objeto 
do pagamento;
V- se pender litígio sobre o objeto do pagamento (BRASIL, 2002, s.p.).
Se o credor, sem justa causa, recusar receber o pagamento ou a dar 
quitação na devida forma, o devedor não será obrigado a efetuar a consignação, 
mas terá garantida a faculdade de efetuá-la. Já nos casos em que o devedor, 
sem justificativa, depositar o objeto da prestação, seu depósito será julgado 
improcedente e o pagamento não ocorrerá.
UNIDADE 2 | DO CUMPRIMENTO DAS OBRIGAÇÕES
72
Ainda, caso o credor não for receber a coisa e nem mandar um representante 
no lugar, tempo e condições devidos, essa omissão terá como consequência a 
denominada mora accipiendi, permitindo que o credor consigne a coisa. A partir 
disso, cabe a leitura dos seguintes artigos do Código Civil:
Art. 327. Efetuar-se-á o pagamento no domicílio do devedor, salvo se 
as partes convencionarem diversamente, ou se o contrário resultar da 
lei, da natureza da obrigação ou das circunstâncias.
Parágrafo único. Designados dois ou mais lugares, cabe ao credor 
escolher entre eles.
Art. 341. Se a coisa devida for imóvel ou corpo certo que deva ser 
entregue no mesmo lugar onde está, poderá o devedor citar o credor 
para vir ou mandar recebê-la, sob pena de ser depositada.
Art. 344. O devedor de obrigação litigiosa exonerar-se-á mediante 
consignação, mas, se pagar a qualquer dos pretendidos credores, 
tendo conhecimento do litígio, assumirá o risco do pagamento.
Art. 345. Se a dívida se vencer, pendendo litígio entre credores que 
se pretendem mutuamente excluir, poderá qualquer deles requerer a 
consignação.
Se pender litígio entre credor e terceiro (não devedor), caberá a 
consignação, quando esta litigiosidade for de conhecimento do 
devedor. CC. arts. 344 e 345 CPC. art. 672 § 2º.
Art. 344. O devedor de obrigação litigiosa exonerar-se-á mediante 
consignação, mas, se pagar a qualquer dos pretendidos credores, 
tendo conhecimento do litígio, assumirá o risco do pagamento.
Art. 345. Se a dívida se vencer, pendendo litígio entre credores que 
se pretendem mutuamente excluir, poderá qualquer deles requerer a 
consignação.
Essa relação é meramente exemplificativa, e não taxativa, pois há 
outros casos de consignação na legislação, ex.: art. 437 do Cód. Com. 
Só é admissível a consignação nos casos legais.
Art. 635. Ao depositário será facultado, outrossim, requerer depósito 
judicial da coisa, quando, por motivo plausível, não a possa guardar, e 
o depositante não queira recebê-la.
Art. 641. Se o depositário se tornar incapaz, a pessoa que lhe assumir 
a administração dos bens diligenciará imediatamente restituir a coisa 
depositada e, não querendo ou não podendo o depositante recebê-la, 
recolhê-la-á ao Depósito Público ou promoverá nomeação de outro 
depositário (BRASIL, 2002, s.p.). 
Podemos perceber que os requisitos para que ocorra a consignação são 
os mesmos que efetuam a validade de um pagamento. Isso ocorre tanto em 
relação às pessoas quanto ao objeto ou maneira de efetuá-lo. Vejamos: “Art. 306. 
O pagamento feito por terceiro, com desconhecimento ou oposição do devedor, 
não obriga a reembolsar aquele que pagou, se o devedor tinha meios para ilidir a 
ação” (BRASIL, 2002, s.p.).
Importante fixar, no que diz respeito às pessoas, que a ação deve ser 
proposta contra o credor, ou alguém que possua capacidade para representá-lo. 
Conforme artigo 308 do Código Civil: “Art. 308. O pagamento deve ser feito ao 
credor ou a quem de direito o represente, sob pena de só valer depois de por ele 
ratificado, ou tanto quanto reverter em seu proveito”.
TÓPICO 2 | OUTROS MODOS DE EXTINÇÃO DA OBRIGAÇÃO
73
No que concerne ao objeto é necessário que exista um débito líquido e 
certo, uma vez que sem uma quantia determinada é impróprio que se efetue o 
depósito judicial, a prestação deve ser oferecida na íntegra, devendo incidir na 
entrega da coisa convencionada na quantidade devida. 
Se o objeto da consignação for coisa incerta e a escolha for do devedor, 
deverá ele ser citado para dentro de cinco dias (se não houver outro prazo 
contratual ou legal) exercer seu direito de escolha sob pena de perder este direito 
e de ser depositada a coisa que o devedor escolher.
Por fim, vejamos os dispositivos do Código Civil brasileiro de 2002 que 
encerram questões importantes no entendimento sobre o pagamento por consignação:
Art. 233. A obrigação de dar coisa certa abrange os acessórios dela 
embora não mencionados, salvo se o contrário resultar do título ou das 
circunstâncias do caso.
Art. 244. Nas coisas determinadas pelo gênero e pela quantidade, 
a escolha pertence ao devedor, se o contrário não resultar do título 
da obrigação; mas não poderá dar a coisa pior, nem será obrigado a 
prestar a melhor.
Art. 252. Nas obrigações alternativas, a escolha cabe ao devedor, se 
outra coisa não se estipulou.
§ 1º Não pode o devedor obrigar o credor a receber parte em uma 
prestação e parte em outra.
§ 2º Quando a obrigação for de prestações periódicas, a faculdade de 
opção poderá ser exercida em cada período.
§ 3º No caso de pluralidade de optantes, não havendo acordo unânime 
entre eles, decidirá o juiz, findo o prazo por este assinado para a 
deliberação.
§ 4º Se o título deferir a opção a terceiro, e este não quiser, ou não puder 
exercê-la, caberá ao juiz a escolha se não houver acordo entre as partes.
Art. 342. Se a escolha da coisa indeterminada competir ao credor, 
será ele citado para esse fim, sob cominação de perder o direito e de 
ser depositada a coisa que o devedor escolher; feita a escolha pelo 
devedor, proceder-se-á como no artigo antecedente.
Art. 313. O credor não é obrigado a receber prestação diversa da que 
lhe é devida, ainda que mais valiosa.
Art. 314. Ainda que a obrigação tenha por objeto prestação divisível, 
não pode o credor ser obrigado a receber, nem o devedor a pagar, por 
partes, se assim não se ajustou (BRASIL, 2002, s.p.).
É necessário, ainda, que se fixe o fato de que todas as cláusulas devem 
estar devidamente estipuladas no ato de negociação para que o depósito judicial 
seja recebido como forma de pagamento indireto. 
Além disso, será faculdade do devedor, em qualquer tempo, consignar 
o pagamento logo que a dívida se encontrar efetivada nos casos em que o prazo 
tenha sido convencionado a seu favor ou, ainda, quando estiver constatada a 
condição de que o débito estava subordinado, não sendo permitido que o devedor 
que se encontra em mora consignar.
De acordo com o artigo 337 do CC, a oferta deve ser feita no local 
convencionado para pagamento. E, uma vez efetivado o depósito judicial, estará 
o devedor liberado, colocando fim ao débito e cessando os juros e os riscos.
UNIDADE 2 | DO CUMPRIMENTO DAS OBRIGAÇÕES
74
4 PAGAMENTO POR SUB-ROGAÇÃO
Sub-rogar, no âmbito do Direito Civil, significa substituir. Dessa forma, 
quando falamos em pagamento por sub-rogação estamos falando na hipótese de 
que o cumprimento da obrigação se dê por meio de um terceiro. Esse fato traz 
consigo como consequência a substituição dos credores envolvidos, ocorrendo a 
saída do credor originário e entrada de um novo credor. 
A sub-rogação é forma especial de cumprimento da obrigação e está 
disciplinada no Código Civil a partir do art. 346. É uma forma de extinguir a 
obrigação, uma vez que, para o credor que está se retirando da relação obrigacional, 
obrigação restará como status de cumprida. 
FIGURA 1 – RELAÇÕES OBRIGACIONAIS
FONTE: A autora
RELAÇÃO OBRIGACIONAL"A"
CREDOR
"B"
DEVEDOR
"C"
FIADOR DE
"B"
EFETUA O PAGAM
ENTO
No caso demonstrado no fluxograma, percebemos então que a obrigação 
estará extinta para a personagem “A”, enquanto a personagem “C” se retira da 
posição de terceiro interessado e se coloca na posição de credor em relação à 
personagem “B”. 
Cessão de crédito é caracterizada pela transferência, transmissão de uma 
obrigação, enquanto a sub-rogação é pagamento em sentido estrito. A cessão pode sergratuita. O pagamento com sub-rogação sempre será pagamento, sempre será oneroso.
ATENCAO
TÓPICO 2 | OUTROS MODOS DE EXTINÇÃO DA OBRIGAÇÃO
75
O pagamento por sub-rogação divide-se nas seguintes espécies:
a) Pagamento com sub-rogação legal (substituição por força de lei): 
art. 346, CC: A sub-rogação opera-se, de pleno direito, em favor:
I- Do credor que paga a dívida do devedor comum. 
 Exemplo: casos com mais de um credor, em que exista ordem de preferência, 
poderá um determinado credor, que receberá em segundo lugar, pagar o 
crédito do primeiro credor, fazendo com que se torne credor de ambos os 
créditos perante o devedor.
II- Do adquirente do imóvel hipotecado, que paga a credor hipotecário, bem 
como do terceiro que efetiva o pagamento para não ser privado de direito 
sobre imóvel. 
 Exemplo: Adquirente do imóvel, paga o credor hipotecário, sub-rogando-se 
nos direitos de credor. Na prática, este adquirente costuma pedir um desconto 
ao adquirir o bem.
III- Do terceiro interessado, que paga a dívida pela qual era ou podia ser obrigado, 
no todo ou em parte. 
 Exemplo: Fiador que efetua pagamento de fiança.
b) Pagamento com sub-rogação convencional (substituição ocorre por meio de 
negócio jurídico): 
art. 347, CC: A sub-rogação é convencional:
I- Quando o credor recebe o pagamento de terceiro e expressamente lhe transfere 
todos os seus direitos.
II- Quando terceira pessoa empresta ao devedor a quantia precisa para solver a 
dívida, sob a condição expressa de ficar o mutuante sub-rogado nos direitos do 
credor satisfeito.
A sub-rogação possui o que denominamos de efeito jurídico liberatório, 
isto é, mesmo o credor estando com a obrigação paga, ocorre a substituição de 
credores na relação de obrigação.
No pagamento com sub-rogação legal, o CC estabelece, em seu art. 349, 
o alcance da substituição operada: “Art. 349. A sub-rogação transfere ao novo 
credor todos os direitos, ações, privilégios e garantias do primitivo, em relação à 
dívida, contra o devedor principal e os fiadores”.
Ainda, cabe lembrar que o legislador se preocupou em estabelecer, no 
artigo 350 do Código Civil, que o novo credor de sub-rogação legal somente terá 
o direito de cobrança até o limite que efetivamente pagou.
76
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você aprendeu que:
• Dação em pagamento é o modo de extinção, é caracterizada pela realização, 
por parte do devedor, de uma prestação diferente da que foi devidamente 
estabelecida mediante acordo com o credor. 
• A dação em pagamento só será possibilitada nos casos em que o credor a 
aceitar.
• São requisitos da dação em pagamento: 1) Existência de dívida vencida; 2) 
Consentimento do credor; 3) A entrega de prestação diversa; 4) Animus solvendi.
• O pagamento acontece por consignação quando é realizado depósito judicial 
para quitação de uma dívida, sendo este mais um meio indireto para que se 
livre devedor da sua obrigação.
• Se o credor, sem justa causa, recusar receber o pagamento ou a dar quitação na 
devida forma, o devedor não será obrigado a efetuar a consignação, mas terá 
garantida a faculdade de efetuá-la. 
• Nos casos em que o devedor, sem justificativa, depositar o objeto da prestação, 
seu depósito será julgado improcedente e o pagamento não ocorrerá.
• Os requisitos para que ocorra a consignação são os mesmos que efetuam a 
validade de um pagamento. Isso ocorre tanto em relação às pessoas quanto ao 
objeto ou maneira de efetuá-lo.
• Sub-rogar é hipótese de que o cumprimento da obrigação se dê por meio de 
um terceiro. 
• Esse fato traz consigo como consequência a substituição dos credores envolvidos, 
ocorrendo a saída do credor originário e entrada de um novo credor. 
• A sub-rogação é forma especial de cumprimento da obrigação e está disciplinada 
no Código Civil a partir do art. 346. 
• A sub-rogação é uma forma de extinguir a obrigação, uma vez que, para o 
credor que está se retirando da relação obrigacional, a obrigação restará como 
status de cumprida.
77
AUTOATIVIDADE
1 (FCC/ANS – Especialista em regulação/2017) Ocorre a dação em pagamento 
quando:
a) ( ) O credor, com o consentimento do devedor, voluntariamente abre mão 
de seus direitos de crédito, extinguindo a relação obrigacional.
b) ( ) O devedor contrai com o credor nova dívida para extinguir e substituir 
a anterior.
c) ( ) Novo devedor sucede o antigo, ficando este quite com o credor.
d) ( ) Outro credor, em virtude de obrigação nova, é substituído ao antigo, 
ficando o devedor quite com este.
e) ( ) O credor consente em receber prestação diversa da que lhe é devida.
2 (FEPESE/Prefeitura de Lages – Procurados/2016) Assinale a alternativa que 
indica corretamente a modalidade de pagamento que se opera, de pleno 
direito, em favor de credor que paga dívida do devedor comum:
a) ( ) Pagamento indevido.
b) ( ) Pagamento com sub-rogação.
c) ( ) Consignação em pagamento.
d) ( ) Imputação de pagamento.
e) ( ) Dação em pagamento.
3 (DIRECTA/Prefeitura de Angatuba – Procurados/2013) Com relação à ação 
de consignação em pagamento é CORRETO afirmar:
a) ( ) Nos casos previstos em lei, poderá o devedor ou terceiro requerer, com 
efeito de pagamento, a consignação da quantia ou da coisa devida. 
Tratando-se de obrigação em dinheiro, poderá o devedor ou terceiro optar 
pelo depósito da quantia devida, em estabelecimento bancário, oficial 
onde houver, situado no lugar do pagamento, em conta com correção 
monetária, cientificando-se o credor por carta com aviso de recepção, 
assinado o prazo de 10 (dez) dias para a manifestação de recusa.
b) ( ) Tratando-se de prestações periódicas, uma vez consignada a primeira, 
pode o devedor continuar a consignar, no mesmo processo e sem mais 
formalidades, as que se forem vencendo, desde que os depósitos sejam 
efetuados até 10 (dez) dias, contados da data do vencimento.
c) ( ) Quando na contestação o réu alegar que o depósito não é integral, é lícito 
ao autor completá-lo, dentro de 15 (quinze) dias, salvo se corresponder 
à prestação, cujo inadimplemento acarrete a rescisão do contrato.
d) ( ) Não oferecida a contestação, e ocorrentes os efeitos da revelia, o juiz 
julgará procedente o pedido, declarará extinta a obrigação, sem 
condenação a honorários advocatícios.
78
e) ( ) Nos casos previstos em lei, poderá o devedor ou terceiro requerer, sem 
efeito de pagamento, a consignação da quantia ou da coisa devida. 
Tratando-se de obrigação de dar coisa, poderá o devedor ou terceiro 
optar pelo depósito da quantia equivalente, em estabelecimento bancário, 
oficial onde houver, situado no lugar do pagamento, em conta com 
correção monetária, cientificando-se o credor por carta com aviso de 
recepção, assinado o prazo de 10 (dez) dias para a manifestação de recusa.
4 (FGV/TJ/AM – Analista judiciário/2013) Pedro está obrigado a dar uma vaca 
leiteira, avaliada em R$ 50.000,00, a dois credores, Maria e João. Maria remite 
a dívida e João exige a entrega do animal. Considerando o contexto fático 
narrado, analise as afirmativas a seguir.
I- Por se tratar de obrigação indivisível, Maria não poderia remitir a dívida 
sem a anuência de João.
II- João somente poderá exigir a entrega da vaca se pagar R$ 25.000,00 a Pedro.
III- A remissão de parte da dívida realizada por Maria tem o condão de 
acarretar a extinção da obrigação da entrega da vaca a João.
Assinale:
a) ( ) Se somente a afirmativa I estiver correta.
b) ( ) Se somente a afirmativa II estiver correta.
c) ( ) Se somente a afirmativa III estiver correta.
d) ( ) Se somente as afirmativas I e II estiverem corretas.
e) ( ) Se somente as afirmativas II e III estiverem corretas.
5 (FCC/SEFAZ/PE – Julgador administrativo tributário e do Tesouro 
Estadual/2015) Haverá sub-rogação legal:
a) ( ) Quando terceira pessoa empresta ao devedor a quantia precisa para 
solver a dívida, sob a condição expressa de ficar o mutuante sub-rogado 
nos direitos do credor satisfeito.
b) ( ) Se o credor receber o pagamento de terceiroe expressamente lhe 
transferir todos os seus direitos.
c) ( ) A favor do fiador, quando ele pagar a dívida pela qual era obrigado, no 
todo ou em parte.
d) ( ) Somente quando a dívida for paga por cônjuge, descendente ou 
ascendente do devedor.
e) ( ) Sempre que terceiro não interessado pagar a dívida em seu próprio 
nome.
6 De acordo com Código Civil Brasileiro, no que diz respeito às obrigações 
alternativas, é correto afirmar:
79
I- Se o título deferir a opção a terceiro, e este não quiser, ou não puder exercê-
la, caberá ao juiz a escolha se não houver acordo entre as partes.
II- Quando a obrigação for de prestações periódicas, a faculdade de opção não 
poderá ser exercida em cada período.
III- No caso de pluralidade de optantes, não havendo acordo unânime entre 
eles, decidirá o juiz, findo o prazo por este assinado para a deliberação.
IV- Pode o devedor obrigar o credor a receber parte em uma prestação e parte 
em outra.
A alternativa CORRETA é:
a) ( ) Apenas a assertiva IV está correta.
b) ( ) As assertivas I, II, III e IV estão corretas.
c) ( ) Apenas as assertivas I e III estão corretas.
d) ( ) Apenas as assertivas I, II e IV estão corretas.
e) ( ) Apenas as assertivas I e IV estão corretas.
80
81
TÓPICO 3
EXTINÇÃO DA RELAÇÃO OBRIGACIONAL SEM PAGAMENTO
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Seguindo nossos estudos acerca dos métodos de extinção das obrigações, 
agora passamos a analisar a possibilidade de extinção das relações obrigacionais, 
mesmo que não se efetue de fato o pagamento. 
Nesse sentido, focando nossa atenção para a extinção da relação 
obrigacional sem pagamento, observaremos os fenômenos a que chamamos 
de mora, cláusula penal e cessão, importantes figuras dentro do ordenamento 
jurídico civil.
2 MORA
Numa relação obrigacional existe a possibilidade de que o pagamento 
seja efetuado em tempo, lugar e/ou forma diferentes do que foi previamente 
convencionado. Esse tipo de pagamento pode ser tido como uma maneira de 
inadimplemento relativo, e, no Direito das Obrigações, denominamos esse modo 
de pagamento como mora.
No Código Civil, a mora se encontra disciplinada a partir do artigo 394 e 
é possível identificar dois tipos:
a) Mora do credor ou mora credendi/accipiendi;
b) Mora do devedor ou mora debendi/solvendi.
Antes de analisarmos separadamente e de maneira aprofundada cada um 
dos tipos de mora, cabe observar que, havendo mora por ambas as partes da 
obrigação (credor e devedor), o juiz deverá agir de maneira a compensar as moras 
no que for possível. Assim, chegando mais próximo que conseguir de deixar tudo 
como está, e estabelecendo que ninguém ficará devendo mais nada a ninguém.
À primeira vista, pensa-se que não há possibilidade de o credor agir em 
mora, uma vez que ele é possuidor de um direito, mas existe a possibilidade 
de que a parte credora esteja em mora. Isso ocorre quando o credor recusa, de 
maneira injustificada, a oferta do devedor.
82
UNIDADE 2 | DO CUMPRIMENTO DAS OBRIGAÇÕES
Além disso, parte da doutrina, ainda afirma que a mora do credor ocorre 
independentemente de dolo ou culpa, ou seja, a mora do credor é objetiva. No 
Código Civil, a mora do credor é matéria dos artigos 394 e 400.
A mora do credor acarreta alguns efeitos na relação obrigacional. 
Primeiramente, ela retira do devedor, nos casos em que este se encontre sem dolo, 
a responsabilidade pela conservação da coisa. 
Depois, esse tipo de mora obriga o credor que a executa a ressarcir as 
eventuais despesas que o devedor teve para conservar a coisa enquanto espera 
por um momento em que o credor resolve aceitar a entrega. Por último, como 
efeito da mora do credor, ocorre a sujeição do mesmo a receber a coisa da maneira 
mais favorável ao devedor.
A figura da mora do devedor é mais fácil de ser pensada, de modo geral, 
significa que o devedor retardou, de maneira culposa, o cumprimento de sua 
obrigação. Para identificar esse tipo de mora é necessário observar a presença de 
alguns requisitos. Vejamos:
1) Dívida líquida e certa: se existir possibilidade de liquidação da dívida, não há 
que se falar em mora ao devedor.
2) Exigibilidade da dívida (vencimento): para que o devedor incorra em mora é 
necessário que a dívida se encontre já vencida. Ocorre que, existindo vencimento 
certo estipulado para o vencimento da obrigação, imputa-se a mora ao devedor 
e opera-se de pleno direito. Ou seja, não é necessário que o credor interpele/
procure/cobre o devedor para que se constitua a mora, o simples passar do 
tempo do dia do vencimento já caracteriza mora do devedor.
Em casos de obrigações que não possuam data certa de vencimento, não 
bastará o vencimento da dívida. Será necessária a interpelação do credor ao devedor para 
que se tenha constituída a mora.
ATENCAO
3) Existência de culpa do devedor: o art. 396 do Código Civil afirma que não 
existirá mora do devedor sem que se tenha culpa por parte do mesmo.
4) Viabilidade do cumprimento tardio da obrigação: uma vez que não exista 
interesse da parte credora em receber a prestação que se encontra em mora, 
não há que se falar em mora do devedor, pois não existirá mais utilidade 
no cumprimento da obrigação em questão. Neste caso, o atraso do devedor 
será classificado como inadimplemento absoluto da obrigação e poderá ser 
resolvido com perdas e danos.
TÓPICO 3 | EXTINÇÃO DA RELAÇÃO OBRIGACIONAL SEM PAGAMENTO
83
Além disso, assim como a mora do credor, a mora do devedor também 
acarreta alguns efeitos dentro da relação obrigacional. Primeiramente, esse tipo 
de mora tem como consequência a responsabilização civil do devedor em virtude 
dos eventuais prejuízos que sejam causados ao credor por ocasião da mora. Isso 
aparece em nosso Código Civil no artigo 395, em que o legislador explica que o 
devedor deverá ressarcir o credor pelo atraso no pagamento.
 
Depois disso, cabe lembrar também que a mora do devedor terá como efeito 
a responsabilidade integral da coisa durante o período da mora. Esse efeito é tratado 
no artigo 399 no Código Civil e também é chamado de perpetuatio obligationis, que 
significa que a obrigação do devedor segue perpétua durante a mora.
De acordo com o artigo 399 no Código Civil brasileiro, mesmo nas situações 
de caso fortuito ou força maior, o devedor deverá responder pela integralidade da coisa 
enquanto está em mora. Não sendo impossibilitado de que alegue defesa, provando não 
existir culpa pelo atraso no pagamento ou, ainda, provando que mesmo se tivesse efetuado 
a prestação como convencionada, o dano à coisa teria ocorrido.
ATENCAO
3 CLÁUSULA PENAL
Esta forma de extinção da relação obrigacional sem pagamento também 
pode ser chamada de “pena convencional” e está disciplinada em nosso Código 
Civil a partir do artigo 408. Ela é caracterizada como um pacto acessório, em que 
ambas as partes do negócio estabelecem previamente uma indenização para os 
casos:
a) de eventual descumprimento da obrigação principal; 
b) de mora;
c) de descumprimento de cláusulas do contrato.
 
A cláusula penal possui caráter indenizatório de ressarcimento, tendo 
como objetivo a antecipação do valor devido da obrigação nos casos agora 
dispostos. Pode-se afirmar, então, que ela antecipa o valor da obrigação em caso 
de inadimplemento. Além disso, alguns doutrinadores distinguem um caráter 
secundário para a cláusula penal, que seria a chamada função intimidatória.
Em alguns contratos, esta cláusula pode ser chamada também de “multa”. 
Porém, frisamos que não é o termo mais adequado, uma vez que a multa não possui função 
compensatória e sua função é sancionatória e não indenizatória.
ATENCAO
84
UNIDADE 2 | DO CUMPRIMENTO DAS OBRIGAÇÕES
Será classificada como compensatória a cláusula penal que estiver prevista 
para o caso de inadimplemento absoluto da obrigação principal. Todavia, nada 
impede que seja elaborada cláusula penal para o caso de inadimplemento 
relativo, ou seja, uma cláusula que preveja caso de mora ou de descumprimento 
de cláusula específica do contrato. Nestescasos, será chamada cláusula penal 
moratória e está expressa no artigo 411 do Código Civil. 
De acordo com o disposto no artigo 412 do Código Civil, o valor da cláusula penal 
não poderá ultrapassar o valor da obrigação principal, sob pena de enriquecimento sem causa.
ATENCAO
Ainda, é importante ressaltar que o nosso Código Civil permite que o juiz 
reduza uma cláusula penal. De acordo com o disposto em seu artigo 413, isso 
poderá ocorrer quando a obrigação já estiver cumprida em parte, ou, também, 
quando o valor da cláusula penal for excessivo.
4 CESSÃO
Cessão de crédito é a última das formas de extinção da obrigação a que 
vamos nos dedicar neste livro. Esse tipo de extinção sem pagamento ocorre nos 
casos em que o credor (aqui chamado de cedente) transmite, de maneira total ou 
parcial, o seu crédito para uma terceira pessoa (aqui chamada de cessionária).
Essa transmissão poderá ocorrer de maneira gratuita ou onerosa, e 
manterá a relação obrigacional com o devedor original (aqui chamado de cedido). 
Isso quer dizer que o devedor, que antes estava obrigado no negócio jurídico com 
o credor original, agora passa a dever ao novo credor.
Não se deve confundir cessão de crédito com novação subjetiva. Uma vez que, 
na última, um segundo credor entra criando uma nova obrigação. Na cessão de crédito, a 
obrigação se mantém a mesma.
ATENCAO
No Código Civil, a figura da cessão de crédito é tratada a partir do artigo 286, e 
afirma que o credor somente não poderá ceder seu crédito em três situações. São elas:
TÓPICO 3 | EXTINÇÃO DA RELAÇÃO OBRIGACIONAL SEM PAGAMENTO
85
IMPORTANT
E
Igualmente à cessão de crédito, aqui, não devemos confundir a figura da assunção 
de dívida com a chamada novação subjetiva passiva, pois, na última, cria-se uma nova relação 
obrigacional, na cessão de débito, não. A relação obrigacional continua a mesma.
a) Quando a própria natureza do direito o impedir.
 Exemplo: Casos de direito aos alimentos, ao salário etc.
b) Quando existir proibição da lei.
 Exemplo: Art. 1749, III do CC: Ainda com a autorização judicial, não pode 
o tutor, sob pena de nulidade: III- constituir-se cessionário de crédito ou de 
direito, contra o menor.
c) Quando existir cláusula proibitiva estipulada entre as partes e expressamente 
fixada no contrato. 
Cabe fixar que, seguindo o princípio da boa-fé dos negócios jurídicos, tem-
se anexado o que chamamos de dever de informação, ou seja, ainda que apenas o 
credor possua legitimidade para ceder seu crédito, ele deve comunicar ao devedor 
que assim irá proceder. Essa comunicação está ligada ao requisito da eficácia do 
negócio, se encontrando amparada no art. 290 do Código Civil, vejamos: “Art. 
290. A cessão do crédito não tem eficácia em relação ao devedor, senão quando 
a este notificada; mas por notificado se tem o devedor que, em escrito público ou 
particular, se declarou ciente da cessão feita” (BRASIL, 2002, s.p.).
Seguindo a ideia da cessão de crédito, cabe observamos a possibilidade 
também de que se ocorra a “assunção de dívida”, que nada mais é que uma 
cessão de débito. Nessa situação, o devedor poderá, com expresso consentimento 
do credor, transmitir a um terceiro o seu débito, na mesma relação obrigacional.
Importante ressaltar que, no artigo 299, também do Código Civil, o legislador 
explica que em caso de cessão de débito, se o novo devedor for insolvente e o credor 
não tiver ciência, o antigo devedor seguirá responsável pela dívida.
Por fim, lembramos a possibilidade da ocorrência de cessão de contrato ou 
“cessão de posição contratual”. Esta se configura quando o cedente cede não apenas 
seu crédito ou débito, mas a sua posição dentro do contrato de maneira geral. Esse 
tipo de cessão é considerado a maneira mais completa de substituição dentro de 
uma relação obrigacional, mas o Código Civil brasileiro não regulou essa matéria.
86
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico, você aprendeu que:
• Numa relação obrigacional, existe a possibilidade de que o pagamento seja 
efetuado em tempo, lugar e/ou forma diferentes do que foi previamente 
convencionado.
• Mora do credor ocorre quando o credor recusa, de maneira injustificada, a 
oferta do devedor.
• Mora do devedor significa que o devedor retardou, de maneira culposa, o 
cumprimento de sua obrigação.
• Cláusula penal também pode ser chamada de “pena convencional” e está 
disciplinada em nosso Código Civil a partir do artigo 408.
• A cláusula penal possui caráter indenizatório de ressarcimento, tendo como 
objetivo a antecipação do valor devido da obrigação.
• Será classificada como compensatória a cláusula penal que estiver prevista para o 
caso de inadimplemento absoluto da obrigação principal. Todavia, nada impede 
que seja elaborada cláusula penal para o caso de inadimplemento relativo.
• O nosso Código Civil permite que o juiz reduza uma cláusula penal.
• Cessão de crédito ocorre nos casos em que o credor transmite, de maneira total 
ou parcial, o seu crédito para uma terceira pessoa.
• Cessão de débito é quando o devedor, com expresso consentimento do credor, 
transmite a um terceiro o seu débito, na mesma relação obrigacional.
87
1 (QUADRIX/CRF-SP – Advogado/2013) A respeito do tratamento jurídico 
da mora no Código Civil, leia os incisos a seguir.
I- Não havendo fato ou omissão imputável ao devedor, não incorre este em 
mora.
II- Nas obrigações provenientes de ato ilícito, considera-se o devedor em 
mora desde sua efetiva citação.
III- O devedor em mora responde pela impossibilidade da prestação, embora 
essa impossibilidade resulte de caso fortuito ou de força maior, se estes 
ocorrerem durante o atraso; salvo se provar isenção de culpa, ou que o dano 
sobreviria ainda quando a obrigação fosse oportunamente desempenhada.
IV- Não havendo termo, a mora somente se constitui mediante interpelação 
judicial. 
Estão CORRETOS os incisos: 
a) ( ) III e IV.
b) ( ) II e III.
c) ( ) I e II.
d) ( ) I e III.
e) ( ) II e IV.
2 (FCC/TJ-PI – Juiz substituto/2015) A respeito da mora, considere: 
I- Nas obrigações provenientes de ato ilícito, considera-se o devedor em 
mora, desde que o praticou.
II- Responde o devedor pelos prejuízos a que sua mora der causa, mais juros, 
atualização dos valores monetários segundo índices oficiais regularmente 
estabelecidos, e honorários de advogado.
III- Não havendo termo, a mora só se constitui mediante interpelação judicial. 
IV- Não havendo fato ou omissão imputável ao devedor, não incorre este em 
mora. 
V- O devedor em mora responde pela impossibilidade da prestação, exceto se 
essa impossibilidade resultar de caso fortuito ou de força maior ocorrentes 
durante o atraso. 
Está CORRETO o que se afirma em: 
a) ( ) II, III e V.
b) ( ) I, III e V.
c) ( ) I, II e IV.
d) ( ) II, IV e V.
e) ( ) I, III e IV.
AUTOATIVIDADE
88
3 (FCC/TJ-SE – Juiz substituto/2015) O devedor incorre na cláusula penal:
a) ( ) De pleno direito, desde que, culposamente, deixe de cumprir a obrigação 
ou se constitua em mora.
b) ( ) Apenas se, depois de interpelado, deixar de cumprir a obrigação ou 
incorrer em mora.
c) ( ) Desde que provado prejuízo se, culposamente, deixar de cumprir a 
obrigação ou incorrer em mora.
d) ( ) De pleno direito, nas obrigações com termo certo, ou mediante 
interpelação, nas obrigações sem prazo, independentemente da 
comprovação do prejuízo ou de culpa, se deixar de cumprir a obrigação.
e) ( ) Em caso de mora, mas não se houver inadimplemento absoluto, porque, 
neste caso, a obrigação se resolve, necessariamente, em perdas e danos.
4 (FCC/DPE-BA – Defensor público/2016) Sobre a cessão de crédito e a 
assunção de dívida, é correto afirmar:
a) ( ) A cessão de crédito não depende da anuência do devedor para que seja 
válida.
b) ( ) O fiador do devedor originário segue responsável pela dívida em caso 
de assunção por terceiro.
c) ( ) Na cessão de crédito há novação subjetiva passiva em relação à relação 
obrigacional originária.
d) ( ) Com a cessão de crédito, cessamas garantias reais e pessoais da dívida.
e) ( ) Terceiro pode assumir a obrigação do devedor com o consentimento 
expresso do credor, exonerando o devedor primitivo, ainda que o credor 
ignorasse que o assunto fosse insolvente ao tempo da assunção de dívida.
5 (IADES – AL/GO – Procurados/2019) A respeito da cessão de crédito no 
direito civil brasileiro, assinale a alternativa correta:
a) ( ) O direito brasileiro não tolera a cessão de crédito para terceiros.
b) ( ) Salvo disposição em contrário, na cessão de um crédito não são 
abrangidos os respectivos acessórios.
c) ( ) De regra, o cedente responde perante o cessionário pela solvência do 
devedor.
d) ( ) O devedor pode opor ao cessionário as exceções que lhe competirem, porém 
não poderá opor aquelas que, no momento em que veio a ter conhecimento 
da cessão, tinha contra o cedente (eficácia inter partes da cessão).
e) ( ) O devedor que, antes de ter conhecimento da cessão paga ao credor 
primitivo, fica desobrigado.
89
6 Acerca das assertivas a seguir, referentes ao fenômeno da mora no Direito 
Civil, é incorreto afirmar que:
a) ( ) Quando se trata de ato ilícito é a partir do momento da citação que o 
devedor será considerado em mora. 
b) ( ) A mora irá se constituir por interpelação judicial ou extrajudicial nos 
casos em que não houver termo.
c) ( ) Não havendo fato ou omissão imputável ao devedor, não incorre este 
em mora.
d) ( ) Se a prestação, devido à mora, se tornar inútil ao credor, este poderá 
arrumá-la.
e) ( ) A mora do credor subtrai do devedor isento de dolo a responsabilidade 
pela conservação da coisa.
90
91
TÓPICO 4
RESPONSABILIDADES
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Para finalizarmos esta unidade, já encaminhando nosso estudo para a 
terceira unidade do presente livro, o aluno será direcionado à reflexão e análise 
acerca das responsabilidades dentro do Direito Civil.
Para isso, serão levantadas importantes reflexões, desde a responsabilidade 
contratual até a responsabilidade extracontratual no Direito Civil. Isso tudo, 
passando pela observação das teorias de culpa e risco, e concluindo com a análise 
sobre a possibilidade e consequências dos atos ilícitos não causadores de danos.
2 ATO ILÍCITO E TEORIA DA REPARAÇÃO DO DANO
Atos ilícitos são ações que infringem o dever legal que os cidadãos possuem 
de não lesar outros. Esses atos são fontes de obrigações, que poderão ser de 
indenizar ou ressarcir os prejuízos causados a outrem e estão dispostos no Código 
Civil brasileiro no artigo 186 e seguintes, vejamos: “Art. 186. Aquele que, por ação 
ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a 
outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito” (BRASIL, 2002, s.p.).
Os atos ilícitos trazem o que chamamos de responsabilidade civil, que 
é caracterizada pela obrigação de reparação do dano que a prática de tal ato 
acarretou, independentemente de o ato ter sido praticado com dolo ou culpa.
IMPORTANT
E
Ressaltamos que a responsabilidade civil independe da responsabilidade criminal. 
É possível um ato ilícito não ser um crime, porém ainda demandar obrigação de indenizar 
por perdas e danos.
Ainda, frisa-se que o interesse diretamente lesado, nos casos de ato ilícito 
civil, é o interesse privado, ou seja, a parte prejudicada poderá optar por pleitear 
sua reparação ou não. A responsabilidade é patrimonial, quem responderá pelas 
obrigações do devedor será o seu patrimônio.
92
UNIDADE 2 | DO CUMPRIMENTO DAS OBRIGAÇÕES
O legislador, no Código Civil, se preocupou em levantar diversas 
hipóteses de responsabilidade por ato de terceiros. A culpabilidade na esfera 
civil é matéria ampla, mesmo uma culpa leve traz a obrigação de indenizar. 
Porém, via de regra, sem que se comprove o dano não há que se falar em 
responsabilização civil, pois o dano é propriamente o objeto de pretensão a ser 
reparado. O dano poderá ser classificado como:
a) Patrimonial/material: são os danos causadores de prejuízos econômicos para 
a parte lesada. Nesse caso, a indenização não só repara o prejuízo imediato 
(chamados danos emergentes), como também deverá abranger os valores que o 
lesado deixou de ganhar como decorrência do dano (chamados lucros cessantes).
b) Extrapatrimonial/moral: são os danos pessoais, subjetivos, antagônicos aos 
danos econômicos.
3 RESPONSABILIDADE CIVIL OBJETIVA E SUBJETIVA
A responsabilidade civil é uma figura do direito civil que se institui sobre o 
entendimento de que um cidadão, ao causar um prejuízo/dano a outro cidadão, ou 
seja, que colabora para a diminuição do patrimônio de outrem, possui o dever de 
ressarcir o prejudicado. Isso ocorre com a responsabilização da pessoa pelo ato ilícito 
praticado e, por conseguinte, com a indenização devidamente destinada ao lesado.
Assim, podemos afirmar que a responsabilidade civil é o dever de restituir 
patrimônio (moral ou material) do lesado, buscando devolver a situação anterior 
ao ato ilícito o máximo possível. A natureza jurídica da responsabilidade civil se 
encontra, então, na imputação civil do ato ilícito a quem o praticou.
A finalidade é indenizar o prejudicado nos termos da lei ou do contrato 
firmado entre as partes. Isso para que se recupere a injustiça suportada pela 
parte lesada. Já o fundamento da responsabilidade civil se encontra na conduta 
comissiva ou omissiva do agente praticante do ato (responsabilidade civil 
subjetiva) ou, ainda, no mero risco gerado por ele através de determinada 
atividade (responsabilidade civil objetiva).
Na responsabilidade civil subjetiva existirá o dever de indenizar somente 
quando houver provas de culpa por parte do agente. Já na responsabilidade 
civil objetiva existirá, independentemente de comprovação de culpa do agente 
causador do ato ilícito, obrigação de indenizar.
Como exemplo de fácil absorção de responsabilidade objetiva, podemos 
citar a responsabilidade de uma empresa por danos causados aos seus clientes por 
meio de atos praticados por empregado no exercício da função. Nesses casos, a 
empresa será responsabilizada pelo dano, podendo ter direito de regresso contra 
o empregado se este for culpado. Esse tipo de culpa é também utilizado contra a 
Administração Pública.
TÓPICO 4 | RESPONSABILIDADES
93
Os pressupostos para a caracterização de responsabilidade civil, então, 
são de simples observância, sendo eles:
1) Responsabilidade objetiva:
a) ação ou omissão (conduta);
b) dano ou prejuízo;
c) dolo ou culpa.
2) Responsabilidade subjetiva:
a) ação ou omissão (conduta);
b) dano ou prejuízo;
c) nexo causal;
d) demonstração de culpa
4 RESPONSABILIDADE CIVIL CONTRATUAL E EXTRACONTRATUAL
Antes de finalizar esta unidade, cabe dispendermos tempo para analisar a 
chamada responsabilidade aquiliana e seus elementos. Responsabilidade aquiliana 
se encontra ligada à responsabilidade extracontratual, pois se fundamenta no 
dever comum de cuidado que as partes de um negócio supõem ter. 
Quando esse tipo de cuidado não é observado, pode ter como consequência 
um dano à outra parte, e mesmo que a proteção do determinado ato não se 
encontrasse previamente resguardada por contrato, a parte praticante do ato 
deverá ser responsabilizada (responsabilidade aquiliana ou extracontratual). 
Caso o ato praticado gerador de dano a outrem estivesse resguardado 
no contrato, teríamos então a chamada culpa contratual (responsabilidade civil 
contratual). Vejamos agora alguns conceitos importantes antes de finalizarmos 
esta unidade de estudo:
a) Dolo: é praticar um ato por vontade própria ou assumindo risco da ação de praticá-
lo. Se encontra ligado à vontade própria e consciente de praticar um ato ilícito.
b) Culpa: é praticar ato com ausência do dever de cuidado objetivo. Pode ser 
caracterizado pela imprudência, negligência ou imperícia. É chamado também 
de desvio padrão do “homem médio”. 
 Exemplo: esse chamado “homem médio” procura, ao dirigir um automóvel, 
não atropelar os pedestres e respeitar os sinais de trânsito, mas nessasituação 
pode ocorrer que ele haja com:
• Imprudência (conduta ativa): quando ele trafega em alta velocidade em uma 
via pública;
• Negligência (conduta passiva): quando ele não toma cuidados de manutenção 
com seu veículo;
• Imperícia: falta de habilidade técnica.
94
UNIDADE 2 | DO CUMPRIMENTO DAS OBRIGAÇÕES
Com isso, passamos a analisar as responsabilidades contratual e 
extracontratual. A primeira ocorre quando o agente descumpre cláusula expressa 
no contrato, ou simplesmente se deixa ficar inadimplente com o contrato. Já a 
responsabilidade extracontratual ocorre quando o agente pratica ato ilícito, 
lesando direitos da outra parte, deixando de cumprir seu dever de obrigação.
Nos casos de responsabilidade contratual, assumimos que o inadimplemento 
possui caráter culposo. O credor lesado se coloca em posição favorável, uma vez 
que cumpre a ele provar apenas que a obrigação não está cumprida.
Já nos casos de responsabilidade extracontratual, cabe à parte lesada 
comprovar a existência de dolo ou culpa sobre as ações do agente praticante do 
ato ilícito/dano.
Por fim, cabe analisarmos a relação de causalidade (nexo causal) entre 
os atos praticados ou omitidos pelo agente e o dano, uma vez que, como já 
vimos, é um dos pressupostos da responsabilidade civil. Observamos, então, que 
inexistindo relação de causalidade entre o comportamento do agente e o efetivo 
dano identificado, não há que se falar em obrigação de indenizar.
É de fácil absorção, inclusive, o fato de que as excludentes da 
responsabilidade civil, tais como a culpa da vítima e o caso fortuito e a força 
maior, rompem o nexo de causalidade, e, assim, como consequência, é afastada a 
responsabilidade do agente.
Para corroborar com o estudo elaborado nesta unidade, segue um trecho 
de artigo da advogada Beatriz Guidolin Stafani, intitulado Acepções a respeito da 
responsabilidade civil, publicado no site jus.com.br, no ano de 2018.
TÓPICO 4 | RESPONSABILIDADES
95
LEITURA COMPLEMENTAR
ACEPÇÕES A RESPEITO DA RESPONSABILIDADE CIVIL
Beatriz Guidolin Stafani
O que vigorava no Direito Civil Brasileiro, antes do Código Beviláquia de 
1916, eram as Ordenações Filipinas, porém, insuficientes para disciplinar todos 
os acontecimentos, recorria-se ao Direito Romano e ao Canônico e de forma 
subsidiária, aos costumes.
A responsabilidade aquiliana no Brasil era regida por disposição 
semelhante à do artigo 1.382 do Código de Napoleão, localizada no artigo 68 
da Lei de 3 de dezembro de 1841 e arts. 21 e 22 do Código Criminal de 1830. De 
acordo com Carlos Roberto Gonçalves (2017, p. 23):
O Código Criminal de 1830, atendendo às determinações da 
Constituição do Império, transformou-se em um código civil e criminal, 
prevendo a reparação natural, quando possível, ou a indenização; a integridade 
da reparação, até onde possível; [...].
Neste, antes de ser adotado o princípio da independência da jurisdição 
civil e da criminal, a reparação era condicionada à condenação criminal apenas. 
O artigo 159 do Código de 1916, se baseando no artigo 1.382 do Código 
de Napoleão, dispôs sobre a responsabilidade aquiliana ao definir ato ilícito, 
considerando como elementos a conduta por ação ou omissão, o prejuízo a 
outrem ou violação de direito e dolo, imprudência ou negligência do agente e 
como consequência ao ato ilícito, estabelecia o dever de reparação do dano.
Porém, como já explicado anteriormente, o progresso e o desenvolvimento 
industrial acabaram por ocasionar o surgimento de novas teorias, que conferissem 
uma maior proteção as vítimas.
Já era possível verificar no artigo 15 do Código Civil de 1916 uma das 
primeiras tentativas de consagrar a nova vertente doutrinária, trazendo a 
responsabilidade civil do Estado pelos atos comissivos de seus agentes.
Em complemento ao dispositivo acima, a Constituição Federal de 1988, 
em seu art. 37, § 6.º, também prevê responsabilidade civil objetiva do Estado. 
O Poder Público foi atingido pela responsabilidade sem culpa em virtude da 
amplitude de sua atuação diante dos cidadãos, tendo em vista a constatação de 
que prestação de serviços públicos cria riscos de eventuais prejuízos.
É importante ressaltar também, a existência do Decreto 2.681/1912 
regulamentando as atividades das estradas de ferro. Este apresenta a ideia da 
responsabilidade objetiva, ou seja, dispensa-se a prova da culpa e passa a ter o 
risco como fundamento da responsabilidade.
96
UNIDADE 2 | DO CUMPRIMENTO DAS OBRIGAÇÕES
Com isso, a teoria do risco começou a se destacar e a responsabilidade 
passa a ser encarada sob o aspecto objetivo:
A responsabilidade objetiva funda-se num princípio de equidade, existente 
desde o direito romano: aquele que lucra com uma situação deve responder pelo 
risco ou pelas desvantagens dela resultantes (ubi emolumen- tum, ibi onus; ubi 
commoda, ibi incommoda). Quem aufere os cômodos (ou lucros), deve suportar 
os incômodos (ou riscos) (GONÇALVES, 2017, p. 28).
Cabe evidenciar, que tal teoria não veio para substituir a teoria da culpa, mas 
sim para cobrir as hipóteses em que a teoria tradicional se mostrava insuficiente.
O que alterou significativamente a responsabilidade no Direito 
Brasileiro, foi o Código de Defesa do Consumidor, promulgado em 1990 e mais 
moderno do que o Código Civil. A relação jurídica de consumo é composta 
de elementos subjetivos (consumidor e fornecedor) e objetivos (aquisição ou 
fruição de um produto ou serviço).
O Código de Defesa do Consumidor, atento aos novos rumos da 
responsabilidade civil, também consagrou a responsabilidade objetiva do fornecedor, 
em razão da existência de uma sociedade de produção e consumo em massa.
Este Código afirma que nas relações de consumo, se o produto ou serviço 
causar dano, a responsabilidade é objetiva, ou seja, independe de culpa. Ao consumidor 
cabe apenas provar que comprou e/ou utilizou o produto ou serviço, ao passo que o 
dever de indenização, só será afastado se ficar comprovado que não foi o fornecedor 
que colocou no mercado ou que ocorreu mal-uso por parte do consumidor.
Porém, a adoção da responsabilidade objetiva, possui exceções, como 
é o caso dos profissionais liberais. Nestes casos, só cabe indenização se ficar 
comprovada que este agiu com culpa.
O referido código “[...] substituiu os princípios de igualdade e autonomia 
da vontade, nas relações de consumo, por regras de ordem pública e interesse 
social, que tutelam a parte presumidamente mais fraca”. Para caracterizar o 
consumidor, os autores indicam o princípio da vulnerabilidade, como um meio 
de justificar todo o sistema de proteção à parte mais fraca na relação de consumo.
Cabe destacar, que ao adotar o sistema da responsabilidade civil objetiva 
pelos danos causados a direitos do consumidor, o legislador brasileiro seguiu as 
modernas legislações dos países industrializados, como por exemplo, os Estados 
Unidos, a Inglaterra (Consumeer Protection Act, de 1987), a Áustria, a Itália (Lei 
n. 183/87), a Alemanha, entre outros.
Ou seja, o CDC ampliou extensivamente o número de hipóteses em que a 
responsabilidade é objetiva.
TÓPICO 4 | RESPONSABILIDADES
97
O Código Civil de 2002, se manteve fiel a teoria subjetiva nos artigos 186 
e 927, caput; ou seja, para que haja responsabilidade, é necessária a culpa. Sem 
prova de culpa, inexiste a obrigação de reparar o dano. 
Estes artigos expressam basicamente o que exprimia o artigo 159 do código 
anterior. Porém, sendo insuficiente para as imposições do progresso, o legislador 
passou a fixar casos em que há obrigação de reparar, independentemente de culpa.
Nos referidos casos, aplica-se a responsabilidade objetiva, disposta nos 
artigos 187, 981 e 927, parágrafo único. Neste último, pode-se considerar como 
uma cláusula geral, uma vez que poderá aplicar esta responsabilidade tanto nos 
casos especificados em lei quanto na atividade normalmente desenvolvida que 
implique, por sua natureza, risco para os direitos de outrem.
Inclusive, há outros dispositivos e mesmo leis esparsasque passaram a 
adotar os princípios da responsabilidade objetiva, sendo eles:
[...] os artigos 936 e 937, que tratam, respectivamente, da responsabilidade 
do dono do animal e do dono do edifício em ruína; nos arts. 938, 927, parágrafo 
único, 933 e 1.299, que assim responsabilizam, respectivamente, o habitante da 
casa de onde caírem ou forem lançadas coisas em lugar indevido, aquele que 
assume o risco do exercício de atividade potencialmente perigosa, os pais, 
empregadores e outros, e os proprietários em geral por danos causados a vizinhos. 
A par disso, temos o Código Brasileiro de Aeronáutica, a Lei de Acidentes do 
Trabalho e outros diplomas, em que se mostra nítida a adoção, pelo legislador, 
da responsabilidade objetiva.
Percebe-se, assim, que o Código Civil de 2002 trabalha com dois sistemas, 
o da responsabilidade subjetiva e o da objetiva, ou seja, trata-se de um sistema 
dúplice ou binário de responsabilidade. 
Além disso, com a Constituição Federal de 1988, houve um grande passo 
em direção à responsabilidade objetiva, pois esta trouxe mais casos, como o da 
responsabilidade objetiva do Estado, em algumas situações, se causar danos.
FONTE: STEFANI, Beatriz Guidolin. Acepções a respeito da responsabilidade civil. Jus navegandi, 
[S. l.], novembro 2018. Disponível em: https://jus.com.br/artigos/70122/acepcoes-a-respeito-da-
responsabilidade-civil. Acesso em: 25 jul. 2019.
98
RESUMO DO TÓPICO 4
Neste tópico, você aprendeu que:
• Atos ilícitos são ações que infringem o dever legal que os cidadãos possuem de 
não lesar outros.
• Atos ilícitos são fontes de obrigações, que poderão ser de indenizar ou ressarcir 
os prejuízos causados a outrem e estão dispostos no Código Civil brasileiro no 
artigo 186 e seguintes.
• O interesse diretamente lesado, nos casos de ato ilícito civil, é o interesse 
privado, isso quer dizer, a parte prejudicada poderá optar por pleitear sua 
reparação ou não.
• Via de regra, sem que se comprove o dano não há que se falar em 
responsabilização civil.
• Dano patrimonial/material são os danos causadores de prejuízos econômicos 
para a parte lesada.
• Dano extrapatrimonial/moral são os danos pessoais, subjetivos, antagônicos 
aos danos econômicos.
• Responsabilidade civil é o dever de restituir patrimônio (moral ou material) do 
lesado, buscando devolver a situação anterior ao ato ilícito o máximo possível.
• Na responsabilidade civil subjetiva existirá o dever de indenizar somente 
quando houver provas de culpa por parte do agente.
• Responsabilidade civil objetiva é mero risco gerado pelo agente através de 
determinada atividade.
• Responsabilidade contratual ocorre quando o agente descumpre cláusula expressa 
no contrato, ou simplesmente se deixa ficar inadimplente com o contrato.
• Responsabilidade extracontratual ocorre quando o agente pratica ato ilícito, 
lesando direitos da outra parte, deixando de cumprir seu dever de obrigação.
99
1 (FCC/TCE-SP – Auditor do tribunal de contas/2008) A indenização por ato 
ilícito:
a) ( ) Só será devida quando ficar configurado dano material.
b) ( ) Não será devida, se ficar configurado apenas abuso de direito.
c) ( ) Será devida, ainda que o dano seja exclusivamente moral.
d) ( ) Só será devida na hipótese de se apurar dolo ou culpa grave do agente.
2 (CS/UFG – DEMAE/GO – Procurador autárquico/2017) Aquele que, por 
ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e 
causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito. 
O abuso de direito também configura ato ilícito que pode ser indenizado, 
verificando-se o mesmo quando:
a) ( ) O titular de direito, ao exercê-lo, tangencia os limites impostos pelo seu 
fim econômico ou social; boa-fé ou bons costumes.
b) ( ) O titular de direito, ao exercê-lo, atinge os limites impostos pelo seu fim 
econômico ou social; boa-fé ou bons costumes.
c) ( ) O titular de direito, ao exercê-lo, atinge manifestamente os limites 
impostos pelo seu fim econômico ou social; boa-fé ou bons costumes.
d) ( ) O titular de direito, ao exercê-lo, excede manifestamente os limites 
impostos pelo seu fim econômico ou social; boa-fé ou bons costumes.
3 (UEG/PC-GO – Delegado de polícia/2013) A responsabilidade civil subjetiva 
difere da responsabilidade civil objetiva, basicamente, por requerer a 
demonstração da culpa como um de seus requisitos. A regra no Código Civil 
é a responsabilidade civil subjetiva (artigo 927, caput), no entanto, também 
há menção da responsabilidade civil objetiva no Código Civil quando:
a) ( ) O dano é causado por incapaz e as pessoas responsáveis por ele não 
tiverem obrigação de repará-lo ou não dispuserem de meios suficientes.
b) ( ) O autor do dano, por culpa de terceiro, ingressar com ação regressiva 
para reaver a importância que tiver ressarcido ao lesado.
c) ( ) A atividade executada pelo autor do dano, por sua natureza, implicar 
risco para os direitos de outrem.
d) ( ) A reparação civil nasceu da prática de crime, contravenção ou infração 
administrativa.
4 (VUNESP/TJ-PA – Auxiliar judiciário/2014) A responsabilidade civil é uma das 
matérias de desenvolvimento mais dinâmico no direito civil. Durante a evolução 
do tema, em razão da necessidade de melhor atender à realidade econômica 
e social, cindiu-se a responsabilidade civil nas modalidades “subjetiva” e 
“objetiva”. Tais modalidades distinguem-se, essencialmente, na apuração:
AUTOATIVIDADE
100
a) ( ) Da culpa, que é elemento da responsabilidade civil subjetiva, mas é 
dispensável na responsabilidade civil objetiva.
b) ( ) Do nexo de causalidade entre a conduta e o dano, que é elemento da 
responsabilidade civil subjetiva, mas é dispensável na responsabilidade 
civil objetiva.
c) ( ) Do ato ilícito, que é elemento da responsabilidade civil subjetiva, mas é 
dispensável na responsabilidade civil objetiva.
d) ( ) Da boa-fé, que é elemento da responsabilidade civil subjetiva, mas é 
dispensável na responsabilidade civil objetiva.
5 (FUNDAÇÃO SUSANDRADE/AGEHAB – Analista técnico/2010) Acerca 
da Responsabilidade Civil, não está CORRETA a afirmação de que:
a) ( ) A responsabilidade contratual é conhecida doutrinariamente como 
responsabilidade aquiliana. 
b) ( ) A responsabilidade civil é independente da criminal, não se podendo 
questionar mais sobre a existência do fato, ou sobre quem seja o seu 
autor, quando estas questões se acharem decididas no juízo criminal.
c) ( ) Aquele que ressarcir o dano causado por outrem pode reaver o que 
houver pago daquele por quem pagou, salvo se o causador do dano for 
descendente seu, absoluta ou relativamente incapaz. 
d) ( ) A responsabilidade objetiva prescinde de culpa do agente.
6 Sobre as atividades de risco, quando no âmbito da responsabilidade civil, 
serão acatados como motivos adequados para a exclusão do dever de 
indenizar, dentre outras possibilidades:
a) ( ) A culpa concorrente da vítima e o fato exclusivo da vítima.
b) ( ) O fortuito interno e o exercício regular de um direito.
c) ( ) O estado de necessidade e a culpa concorrente da vítima.
d) ( ) O fortuito externo e o fato exclusivo de terceiro.
101
UNIDADE 3
CONTRATOS
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:
• introduzir o aluno à teoria geral dos contratos;
• identificar as mais importantes espécies de contrato admitidas no 
ordenamento brasileiro;
• constatar os aspectos relevantes acerca do sistema de nulidade dos 
contratos;
• perceber os desafios da ciência do contrato na contemporaneidade.
Esta unidade está dividida em três tópicos. No decorrer da unidade você 
encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado.
TÓPICO 1 – TEORIA GERAL DOS CONTRATOS
TÓPICO 2 – PRINCIPAIS ESPÉCIES DE CONTRATOS
TÓPICO 3 – EXTINÇÃO DOS CONTRATOS
102
103
TÓPICO 1
TEORIA GERAL DOS CONTRATOS
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
A partir de agora, com o intuito de finalizarmos os nossos estudos deDireito Civil II, iniciaremos esta última unidade do livro didático visando 
proporcionar a você, acadêmico, uma elucidação acerca dos contratos civis como 
matéria consequente do Direito das Obrigações.
Para isso, é importante a consciência de que contratos se trata de uma 
matéria específica e de grande importância dentro do âmbito do Direito Civil. 
Como já sabemos, o Direito Civil traz como fonte central a autonomia da vontade. 
Nele, existe o que podemos classificar como soberania da vontade individual.
Assim, tanto a teoria quanto a prática dos contratos são embasados por 
princípios que se preocupam com a liberdade contratual, mas isso não impede que 
ocorram interesses que ultrapassem essa linha da vontade particular das partes, 
interesses de ordem pública. Com isso, nasce a necessidade de debater acerca dos 
limites intervencionistas de soberania popular na regulação das relações contratuais.
O contrato é espécie do gênero negócio jurídico (visto na Unidade 1). 
Como acordo de vontades, o contrato é consequência do incidente de encontro 
da vontade das partes. E, com isso, cria-se o que chamamos de relação contratual, 
ou seja, uma relação que produzirá efeitos jurídicos, gerando, extinguindo ou 
alterando algo no ordenamento jurídico.
Ao analisarmos o contrato como um negócio jurídico, que gera obrigações 
para as partes, é importante observarmos alguns requisitos, como a necessidade 
de que sejam regidos por determinados princípios e que sejam estruturados 
em certos fundamentos. Esses requisitos serão essenciais, inclusive, para que se 
tenha efetiva validade do contrato.
Nesta última unidade do nosso estudo, estabeleceremos que os 
princípios contratuais, além de possuírem grande importância para a validade 
dos contratos, são normas de caráter bastante generalizado. 
Essa generalização abre espaço para que as novas tendências sociais 
acabem por se comunicar diretamente com as relações contratuais, portanto, é 
necessário também que se compreenda a renovações desses princípios.
UNIDADE 3 | CONTRATOS
104
2 FUNDAMENTOS
Tipicamente, conceituamos contrato como um acordo de vontades, a 
doutrina de direito civil brasileiro costuma identificar como uma espécie do gênero 
negócio jurídico de caráter bilateral (quando temos duas partes contratantes), ou 
plurilateral (quando temos mais de duas partes contratantes).
Ainda, este acordo deve ser originador de obrigações para partes. Essas 
obrigações podem ser atribuídas para uma ou para todas as partes, sendo 
correspondentes a direitos titulados tanto pelas próprias partes quanto por terceiros.
 
Primeiramente, ao enxergarmos os contratos como negócio jurídico, 
devemos atentar aos requisitos enumerados no artigo 104 do Código Civil vigente, 
cujos incisos trazem as características que devem constar no negócio para que ele 
seja válido, vejamos:
Art. 104. A validade do negócio jurídico requer:
I- agente capaz;
II- objeto lícito, possível, determinado ou determinável;
III- forma prescrita ou não defesa em lei (BRASIL, 2002, s.p.).
IMPORTANT
E
Cabe frisar que os requisitos são classificados como subjetivo (agente capaz), 
objetivo (objeto lícito, possível, determinado ou determinável) e formal (forma prescrita e 
não defesa em lei).
Podemos ressaltar que quando da análise da quantidade de partes, ocorre 
a impossibilidade de que se fale em um contrato unilateral, uma vez que, como 
vimos nos parágrafos anteriores, a figura do contrato implica a existência de, 
ao menos, duas partes demonstrando seu desejo por um interesse em comum.
Com isso, podemos afirmar que, quando o desenvolvimento de um 
negócio jurídico estiver intimamente ligado a uma necessidade de semelhança 
entre as vontades de duas ou mais pessoas, buscando produzir efeitos jurídicos, 
estaremos diante de um contrato.
A figura dos contratos não se limita apenas ao direito civil ou das obrigações, 
mas também se desdobra para diversos ramos do direito privado, chegando inclusive 
até mesmo ao direito público. Porém, em que pese ser isso de conhecimento amplo, 
parte da doutrina pretende delimitar o conceito de contrato, observando-o em sentido 
estrito como regulamentações de relações patrimoniais (civis).
TÓPICO 1 | TEORIA GERAL DOS CONTRATOS
105
Todavia, não se pode recusar o fato de que o caráter contratual aparece em 
variadas relações jurídicas, uma vez que essas relações podem se fundamentar 
em acordos de vontades entre as partes dentro e fora do âmbito patrimonial.
Antes de seguirmos, cabe ainda observar que as obrigações dentro de um 
contrato não serão necessariamente direcionadas para todas as partes contratantes. 
Isso quer dizer que, diferentemente do âmbito da vontade das partes, quando 
falamos sobre obrigações, há sim a possibilidade de contrato unilateral.
Vejamos, por exemplo, um contrato de doação pura. Temos aqui duas 
manifestações de vontade, do doador e do receptor (que precisará manifestar sua 
vontade em aceitar/recusar a doação), porém apenas uma obrigação, a do doador em 
entregar a coisa a ser doada. Já o receptor da doação, como é um contrato gratuito, 
sem onerosidade, ou seja, sem contraprestação de uma das partes, está desobrigada.
Concluímos, então, o que se refere a obrigações, o contrato pode ser tanto 
unilateral como bilateral ou, ainda, plurilateral. Como exemplo de pluralidade 
de obrigações mais comum podemos falar em contratos de compra e venda, em 
que uma das partes se obriga a entregar o objeto conforme acordado entre elas e 
a outra se obriga a entregar a quantia justa em dinheiro, também anteriormente 
determinada por elas mesmas.
Por fim, ainda é importante fundamentarmos que, dentro da natureza 
jurídica dos contratos, existe a possibilidade de que as partes imponham direitos 
e obrigações não somente a elas mesmas, mas também a terceiros que não fazem 
parte da relação jurídica do contrato. Isso ocorre, por exemplo, nos casos da 
relação entre uma casa de show e uma produtora de eventos que contratam 
entre si o show de determinado artista, nesse caso, a produtora está atribuindo 
o dever de que o artista esteja na casa de show no dia contrato.
Contudo, além dos requisitos já observados que fundamentam a 
existência e validade dos contratos, e se encontram estabelecidos expressamente 
no Código Civil em seu artigo 104, essas relações jurídicas devem, também, 
satisfazer aos chamados princípios contratuais, para que sejam válidos e 
eficazes. São esses princípios que passamos a analisar a seguir.
3 PRINCÍPIOS
Os princípios contratuais podem ser conceituados como convicções que 
direcionam as relações contratuais e, por isso, devem estar presentes em todos 
os contratos. Esses princípios podem ser classificados em princípios tradicionais 
e modernos, porém é importante que saibamos que não existirá relação de 
subordinação entre eles.
Essa relação não hierárquica faz com que exista uma obrigação de que 
todos os princípios contratuais, tradicionais e modernos sejam acatados pelas 
partes no momento da formulação contratual. 
UNIDADE 3 | CONTRATOS
106
Como já vimos, os contratos nada mais são que um acordo entre a vontade das 
partes a fim de que se construam obrigações para que todas tenham seus interesses 
contentados. Ocorre que os princípios contratuais precisam estar presentes nos 
contratos para que se consiga atingir a satisfação desses interesses, são os princípios 
que norteiam a maneira como o contrato será visto dentro do sistema jurídico.
Neste ponto do nosso livro didático, iremos observar e analisar 
separadamente os princípios contratuais que mais merecem destaque dentro do 
ordenamento jurídico, são eles:
1) Princípios contratuais tradicionais/clássicos:
a) autonomia da vontade;
b) obrigatoriedade dos contratos;
c) relatividade dos efeitos do contrato;
d) consensualismo.
2) Princípios contratuais modernos:
a) função social do contrato;
b) boa-fé objetiva;
c) equilíbrio econômico.
3.1 PRINCÍPIO DA AUTONOMIA DA VONTADE
Como parte dos princípios contratuais tradicionais, o princípioda autonomia 
da vontade se encontra presente nas relações contratuais desde os tempos do direito 
romano. Ocorre que desde essa época já era concedida aos cidadãos a autonomia 
para decidir com quem e sobre o que estavam dispostos a firmar contrato.
Mais para a frente na história, com a Revolução Francesa, esse princípio teve 
sua fase mais determinante, pois teve início no mundo ocidental a era da valorização 
extrema das liberdades individuais e patrimoniais nas mais diversas áreas, fato que 
tocou diretamente a maneira como se estabeleceriam as relações contratuais.
O embasamento fundamental do princípio da autonomia da vontade 
se apoia justamente em proporcionar a maior liberdade contratual possível aos 
cidadãos, sem que precisem da figura do Estado para isso, em que pese os contratos 
serem tutelados pelo ordenamento jurídico. Os contratantes devem ter o direito de 
elencar seus próprios interesses por meio do acordo de vontade das partes.
Contudo, mesmo com toda essa liberdade para firmar ou não os contratos 
de acordo com seus próprios interesses, existe a possibilidade de restrições sobre o 
conteúdo dos contratos. Essas limitações ocorrem, principalmente, por meio de leis, 
ou seja, a lei determina quais objetos são ilícitos dentro do ordenamento, fazendo 
com que, dependendo do conteúdo (objeto) do contrato, ele se torne inválido.
TÓPICO 1 | TEORIA GERAL DOS CONTRATOS
107
IMPORTANT
E
Podemos afirmar, então que o poder de autorregulamentação dos contratos é 
atribuído à livre vontade das partes, mas este poder se encontra limitado às margens das leis 
que dispõem sobre a licitude dos objetos de contrato.
O Código Civil Brasileiro se preocupou em expressar diretamente 
a liberdade contratual das partes ao estabelecer em seu artigo 425 sobre a 
possibilidade de que se elabore contratos atípicos. Com isso, o legislador pretendeu 
facultar aos cidadãos que estabeleçam contratos gerados por necessidades 
específicas, que eventualmente possam surgir na vida em sociedade, e que ainda 
não se encontrem devidamente regulamentados pelo ordenamento jurídico.
Cabe lembrar, como já vimos nas unidades anteriores, que a lei prevê 
também os requisitos para a validade dos negócios jurídicos, ou seja, sendo os 
contratos uma espécie do gênero negócio jurídico, eles também necessitam de 
partes capazes, objeto lícito, possível e determinado ou determinável além de 
suscetível de apreciação monetária.
Com isso, percebemos que, ao se firmar contrato atípico, as partes devem 
especificar minuciosamente todos os direitos e obrigações que pretendem estipular 
com ele. Isso quer dizer que a liberdade contratual atípica não é absoluta.
3.2 PRINCÍPIO DA OBRIGATORIEDADE DOS CONTRATOS
Primeiramente, ao iniciarmos a abordagem deste princípio, cabe observarmos 
que, no âmbito do direito contratual, chamamos pacta sunt servanda a figura que 
representa o dever de que se cumpram os contratos sem alterações (nem mesmo por 
parte de um juiz) sem haja a concordância de todas as partes interessadas na relação 
contratual. Ou seja, para que se faça qualquer tipo de modificação ou revogação 
contratual, deve-se antes averiguar um acordo entre as partes.
O princípio da obrigatoriedade dos contratos aparece no ordenamento 
como forma reguladora das ações civis, pois uma vez que ninguém é obrigado 
a contratar (princípio da autonomia da vontade), faz-se necessário que, a partir 
do momento que resolveram firmar contrato, as partes se vejam vinculadas a ele, 
desde que este seja válido e eficaz.
Ainda, este princípio preza pela segurança do negócio jurídico, pois não 
faria sentido a existência dos contratos caso as partes pudessem simplesmente 
optar por não os cumprir. O acordo, em que pese ter sido feito sem a interferência 
de juízes, gera lei entre as partes, obrigações. Também podemos ligar esse caráter 
à figura chamada de imutabilidade ou intangibilidade dos contratos.
UNIDADE 3 | CONTRATOS
108
Este princípio também se faz importante na hora de garantir os direitos 
adquiridos por meio de contrato, uma vez que, nos casos de inadimplemento 
contratual, a parte lesada poderá exigir perante o poder judiciário que se faça o 
cumprimento do contrato, ou ainda, que lhe seja disposto indenização por perdas 
e danos. Vejamos o que diz o nosso código civil a respeito dessa proteção: “Art. 
389. Não cumprida a obrigação, responde o devedor por perdas e danos, mais 
juros e atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos, 
e honorários de advogado” (BRASIL, 2002, s.p.).
Assim como no princípio da autonomia da vontade, aqui também existem 
algumas delimitações, a obrigatoriedade do contrato não é um princípio absoluto. 
As exceções mais comuns a esse princípio são os chamados casos fortuitos e de 
força maior, que nada mais é do que o incidente de fator inevitável e inesperado 
que tem como consequência tornar impraticável o cumprimento da obrigação a 
que a parte havia se disposto quando do firmamento contratual.
Outro fator é a possibilidade de que a parte se arrependa ou desista 
daquilo que contratou. Essa desistência pode ser convencional (quando ambas as 
partes convencionam no instrumento contratual que poderão se arrepender), ou 
legal, quando a lei disciplina a desistência no caso concreto.
Fatos supervenientes não são caso fortuito ou força maior, este último torna 
a solvência da obrigação IMPOSSÍVEL de ser realizada, enquanto o primeiro apenas a torna 
EXTREMAMENTE DIFÍCIL de ser executada.
ATENCAO
Para disciplinar os fatos supervenientes, desobrigando o devedor da 
relação contratual, criaram-se algumas teorias, são elas:
1) Teoria da imprevisão: é quando ocorre fato superveniente imprevisível que 
torne o pagamento praticamente impossível.
2) Cláusula rebus sic stantis: ocorre quando há alterações significativas entre as 
circunstâncias da época do firmamento do contrato e a data de solvência deste.
3) Teoria da pressuposição: ocorre quando é possível que se pressuponha como 
estará a situação no momento do pagamento.
4) Teoria da excessiva onerosidade: ocorre quando se percebe uma desigualdade 
significativa entre as partes no contrato, protege a parte considerada mais fraca.
TÓPICO 1 | TEORIA GERAL DOS CONTRATOS
109
3.3 PRINCÍPIO DA RELATIVIDADE DOS EFEITOS DO CONTRATO
Este princípio se fundamenta na vinculação das partes ao conteúdo do 
contrato, ou seja, somente estarão sob efeitos do contrato as partes que o firmaram. 
Os contratos não possuem premissa de interferir no patrimônio de terceiros 
desvinculados a eles, o objetivo desse princípio é atender exclusivamente às 
vontades particulares dos contratantes. 
Os sucessores das partes estarão também vinculados às obrigações contratuais, 
podendo ser em caráter universal ou singular. A menos que se trate de obrigações 
personalíssimas, quando nem mesmo os sucessores poderão ser vinculados, uma vez que 
são obrigações de cunho totalmente individual.
ATENCAO
Com isso, percebemos que a relação contratual é uma conexão pessoal entre 
os contratantes, não cabendo a interferência de terceiros, mesmo que lesados, se 
isso causar qualquer prejuízo aos contratantes. Porém, existem exceções em que 
o contrato estará vinculado terceiros. Isso ocorrerá nos casos de estipulação em 
favor de terceiro, de promessa de fato de terceiro e, ainda, de contratos coletivos.
3.4 PRINCÍPIO DO CONSENSUALISMO
Esse princípio está ligado diretamente aos princípios básicos de ética e 
respeito à palavra, na confiança estabelecida entre as partes. O consensualismo 
resolve que o contrato independe da entrega da coisa, mas que se fundamenta 
no consenso das partes, na manifestação do acordo de vontades.
Para isso, o legislador não se preocupou em estabelecer forma solene 
para elaboração dos contratos. Em regra, em nosso ordenamento, os contratos 
possuem forma livre, podendo ser escritos, orais, públicos ou particulares. 
Existem pouquíssimas exceções, apenas para maior seguridade em determinados 
negócios jurídicos.
3.5PRINCÍPIO DA FUNÇÃO SOCIAL DO CONTRATO
A partir daqui, entramos nos princípios contratuais classificados como 
modernos. O princípio da função social do contrato nasceu com o objetivo de 
desligar os entendimentos individualistas do nosso ordenamento.
UNIDADE 3 | CONTRATOS
110
O nosso sistema preocupa-se com a soberania do interesse coletivo 
sobre os interesses individuais, ou seja, este princípio traduz a ideia de maior 
socialização advinda das relações sociais modernas, e se encontra previsto 
expressamente em nosso Código Civil de 2002, como podemos observar: “Art. 
421. A liberdade de contratar será exercida em razão e nos limites da função 
social do contrato, observado o disposto na Declaração de Direitos de Liberdade 
Econômica” (BRASIL, 2002, s.p.). 
O objetivo a ser perseguido por esse princípio é a diminuição das eventuais 
desigualdades entre os contratantes que demonstrem possuir caráter substancial 
na relação contratual. Ou seja, os contratos deverão ser condizentes com a ordem 
pública em detrimento da liberdade contratual, este princípio aparece para 
equilibrar o princípio clássico da autonomia da vontade, o condicionando.
A função social do contrato representa cláusula geral nos contratos, ou seja, 
impõe a existência de comportamento harmônico com a probidade e a boa-fé objetiva. Por 
isso é proporcionado ao juiz que aplique de ofício as cláusulas gerais nas ações judiciais. O 
juiz, nesse caso, estará modificando o contrato para dar-lhe o equilíbrio devido.
ATENCAO
Podemos afirmar que um contrato estará exercendo sua função social 
nos casos em que respeite a função econômica, promovendo a rotatividade 
de riquezas, assim como estará desrespeitando essa função nos casos em que 
embaraçar o movimento mercantil adequado.
3.6 PRINCÍPIO DA BOA-FÉ OBJETIVA
Este princípio se encontra expresso em nosso Código Civil, em seu artigo 422, 
exigindo que as partes procedam de maneira apropriada não apenas no decorrer dos 
ajustes, mas além disso, enquanto realiza-se o cumprimento do contrato.
Com isso, a má-fé nos contratos deve ser provada pela parte que a alega, 
uma vez que o juiz partirá do princípio da boa-fé objetiva ao julgá-lo. É imposto 
implicitamente um padrão de comportamento aos contratantes, abarcando 
conceitos como honestidade e lealdade, sem esquecer de considerar os costumes 
locais e de época do firmamento contratual.
TÓPICO 1 | TEORIA GERAL DOS CONTRATOS
111
Assim como a função social do contrato, a boa-fé objetiva é cláusula geral no 
direito das obrigações, devendo ser aplicada pelo juiz no julgamento das relações contratuais.
ATENCAO
Uma das funções mais relevantes do princípio da boa-fé objetiva é o 
impedimento do que denominamos como venire contra factum proprium. Este 
princípio coíbe que uma das partes se comporte de maneira contraditória com o 
que foi assumido anteriormente, objetivando resguardar a parte oposta. 
3.7 PRINCÍPIO DO EQUILÍBRIO ECONÔMICO / JUSTIÇA 
CONTRATUAL
Este é o último princípio referente aos contratos que iremos analisar, porém 
um dos mais importantes para a boa condução das relações civis. Ocorre que é 
ele quem dá aos contratantes a prerrogativa de procurar o poder judiciário, caso 
necessitem alterar contrato acordado em situação específica que tenha acarretado 
ou onerosidade excessiva de um lado ou enriquecimento sem causa de outro.
Como já verificamos, em nosso ordenamento adotamos a chamada teoria da 
imprevisão, que consiste na possibilidade de desfazimento ou revisão do contrato 
por força jurídica quando do acontecimento de fato extraordinário imprevisível.
Portanto, é fundamentado neste princípio que a parte que se sentir 
prejudicada por determinado contrato poderá requerer que se faça uma revisão 
judicial em seu negócio jurídico. Sendo possível, será mantido o mesmo vínculo 
contratual apenas com modificações nas obrigações consideradas exacerbadas. 
Ou, ainda, poderá a parte pleitear em juízo que se execute uma resolução do 
contrato, isso se o caso concreto estiver em consonância com os artigos 317 e 478 
do Código Civil, são eles:
Art. 317. Quando, por motivos imprevisíveis, sobrevier desproporção 
manifesta entre o valor da prestação devida e o do momento de sua 
execução, poderá o juiz corrigi-lo, a pedido da parte, de modo que 
assegure, quanto possível, o valor real da prestação.
Art. 478. Nos contratos de execução continuada ou diferida, se a 
prestação de uma das partes se tornar excessivamente onerosa, 
com extrema vantagem para a outra, em virtude de acontecimentos 
extraordinários e imprevisíveis, poderá o devedor pedir a resolução 
do contrato. Os efeitos da sentença que a decretar retroagirão à data 
da citação (BRASIL, 2002, s.p.).
Observa-se que para resolver esses casos, o juiz deverá contemplar todas 
as cláusulas gerais do contrato, quais sejam a do enriquecimento injusto, a da 
boa-fé e a do fim social do contrato. 
UNIDADE 3 | CONTRATOS
112
4 FORMAÇÃO CONTRATUAL
Como já estabelecemos nesta unidade, o contrato é um acordo entre a 
vontade das partes, agora, cabe estabelecermos em qual momento este acordo 
deixa de ser um simples fato de relações sociais, tornando-se matéria que diz 
respeito ao ordenamento jurídico.
 
Em suma, podemos dizer que o contrato se forma nas hipóteses em que 
ocorre a coincidência entre vontades de dois ou mais cidadãos sobre algo que não seja 
regulado expressamente por lei sobre a maneira de manifestação dessas vontades, 
lembrando que a vontade poderá ser manifestada inclusive de maneira tácita.
Esse momento em que as partes declaram suas vontades iniciais, a fim de 
formar um contrato, no direito das obrigações denominamos de proposta ou oferta. 
A oferta é a manifestação unilateral de vontade que uma das partes dirige à outra, 
buscando celebrar um contrato. É o que podemos chamar de declaração receptícia 
de vontade, isto porque a outra parte receberá a proposta para que então a aceite. 
Com isso, a parte que emite primeiramente sua vontade, aquele que é 
emissor, será chamado de proponente ou policitante, já a declaração de vontade 
que corresponderá à parte oposta será designada de aceitação. 
Quando ocorre a ligação entre os elementos conceituados anteriormente 
como proposta e aceitação é que nascerá o chamado vínculo contratual. É 
possível identificar dois grandes sistemas que apontam o momento de formação 
da relação contratual: o chamado sistema da cognição e o sistema da declaração. 
No sistema da cognição acredita-se que o contrato se tornará perfeito no 
momento em que o proponente tenha efetivo conhecimento da aceitação da proposta. 
A conveniência fundamental desse sistema se encontra no controle sobre a 
possibilidade de que alguém possa ser vinculado a algum contrato sem que possua 
conhecimento sobre isso. Contudo, o inconveniente do sistema de cognição aparece 
na dificuldade para que se identifique um momento específico para a formação do 
vínculo contratual. Já o sistema da declaração aparece repartido em três teorias: 
1) Teoria da declaração propriamente dita ou teoria da simples aceitação;
2) Teoria da expedição;
3) Teoria da recepção.
A primeira teoria considera que o contrato é formado no momento em que 
o receptor aceita a proposta. De acordo com essa teoria, a formação do contrato 
não está relacionada com a expedição do aceite e nem com seu conhecimento pelo 
proponente. Nesse caso, continuamos com a inconveniência de não saber com 
rigorosidade o momento de formação do contrato. 
TÓPICO 1 | TEORIA GERAL DOS CONTRATOS
113
A definição de um momento exato para estipular a formação do contrato é 
indispensável para que se tenha consciência sobre as obrigações consequentes da relação 
contratual, como por exemplo, o prazo para cumprimento de uma prestação obrigacional.
ATENCAO
Na teoria da expedição se identifica a formação contratual no momento 
da expedição da aceitação dele. A vantagem dessa teoria está no fato de que se 
retira do aceitante a prerrogativa de que desfaça o contrato a qualquermomento 
sem que dê consciência ao proponente. A teoria da expedição é abraçada pelo 
nosso código civil em seu artigo 434:
Art. 434. Os contratos entre ausentes tornam-se perfeitos desde que a 
aceitação é expedida, exceto:
I- no caso do artigo antecedente;
II- se o proponente se houver comprometido a esperar resposta;
III- se ela não chegar no prazo convencionado (BRASIL, 2002, s.p.).
Por último, a teoria da recepção traz apenas a manifestação de vontade 
do aceitante como essencial à formação do contrato. Essa teoria é utilizada no 
ordenamento brasileiro para propósitos de retratação, isso quer dizer que se uma 
possível retratação alcançar a ciência do proponente antes ou simultaneamente à 
aceitação, não será formado o contrato. Ainda, cabe ressaltar que essa retratação 
deve ser recebida em conformidade com o artigo 433 do Código Civil, que 
considera inexistente a aceitação, se antes dela ou com ela chegar ao proponente 
a retratação do aceitante. 
114
RESUMO DO TÓPICO 1
Neste tópico, você aprendeu que:
• Tipicamente, conceituamos contrato como um acordo de vontades.
• O acordo deve ser originador de obrigações para as partes. 
• As obrigações contratuais podem ser atribuídas para uma ou para todas as partes.
• As obrigações contratuais serão correspondentes a direitos titulados tanto 
pelas próprias partes quanto por terceiros.
• A figura dos contratos não se limita apenas ao direito civil ou às obrigações, mas 
também se desdobra para diversos ramos do direito privado e do direito público.
• Diferentemente do âmbito da vontade das partes, quando falamos sobre 
obrigações, há sim a possibilidade de contrato unilateral.
• Os princípios contratuais podem ser conceituados como convicções que direcionam 
as relações contratuais e, por isso, devem estar presentes em todos os contratos.
• Princípios contratuais tradicionais/clássicos: autonomia da vontade; 
obrigatoriedade dos contratos; relatividade dos efeitos do contrato; 
consensualismo.
• Princípios contratuais modernos: função social do contrato; boa-fé objetiva; 
equilíbrio econômico.
• Para disciplinar os fatos supervenientes, criaram-se algumas teorias, são elas: 
teoria da imprevisão; cláusula rebus sic stantis: teoria da pressuposição; teoria 
da excessiva onerosidade.
• Em suma, podemos dizer que o contrato se forma nas hipóteses em que ocorre 
a coincidência entre vontades.
• No sistema da cognição acredita-se que o contrato se tornará perfeito no momento 
em que o proponente tenha efetivo conhecimento da aceitação da proposta. 
• O sistema da declaração aparece repartido em três teorias: teoria da 
declaração propriamente dita ou teoria da simples aceitação; teoria da 
expedição; teoria da recepção.
115
1 (IDECAN – AGU – Agente administrativo/2014) "Os contratos podem ser 
definidos como um acordo de vontade celebrado pelas partes e que devem 
ser cumpridos pelas mesmas em atenção ao brocardo pacta sunt servanda e 
ao princípio da liberdade contratual. É certo, ainda, que os contratos são 
regulamentados pelo Código Civil pátrio, que estabelece espécies dos mesmos, 
tais como: a compra e venda, troca ou permuta, doação e locação, entre 
outros". Sobre as relações contratuais, assinale a afirmativa INCORRETA:
a) ( ) A liberdade de contratar será exercida em razão e nos limites da função 
social do contrato.
b) ( ) É ilícito às partes estipular contratos atípicos, ainda que observadas as 
normas gerais fixadas no Código Civil pátrio.
c) ( ) Os contratantes são obrigados a guardar, assim na conclusão do 
contrato como em sua execução, os princípios da probidade e boa-fé.
d) ( ) Nos contratos de adesão são nulas as cláusulas que estipulem a renúncia 
antecipada do aderente a direito resultante da natureza do negócio.
e) ( ) A proposta de contrato obriga o proponente, se o contrário não resultar 
dos termos dela, da natureza do negócio, ou das circunstâncias do caso.
2 (FCC/TER-SP – Analista judiciário/2006) Com relação aos contratos, 
considere as seguintes assertivas: 
I- É ilícito às partes estipular contratos atípicos.
II- Não pode ser objeto de contrato a herança de pessoa viva. 
III- Reputar-se-á celebrado o contrato no lugar em que foi proposto. 
IV- O contrato preliminar deve conter todos os requisitos essenciais ao contrato 
a ser celebrado, inclusive quanto à forma.
De acordo com o Código Civil Brasileiro, está correto o que consta APENAS em: 
a) ( ) I e II. 
b) ( ) I, II e IV. 
c) ( ) I, III e IV. 
d) ( ) II e III. 
e) ( ) III e IV.
3 (FGV/DPE-RJ – Técnico superior jurídico/2014) Vânia se hospedou em 
determinado hotel. Ocorre que seus pertences foram furtados por outro 
hóspede, que em seguida deixou o estabelecimento. É correto afirmar que:
a) ( ) Não há responsabilidade civil do hotel, por se tratar de fato de terceiro. 
b) ( ) Haverá responsabilidade civil do hotel se ficar demonstrada culpa. 
c) ( ) Haverá responsabilidade civil do hotel se o contrato de hospedagem de 
Vânia for por escrito. 
d) ( ) Há responsabilidade civil do hotel independentemente de culpa. 
e) ( ) Não há responsabilidade civil do hotel por se tratar de força maior.
AUTOATIVIDADE
116
4 (PGE/PA – Procurador do Estado/2011) Acerca da teoria contratual adotada 
pelo Código Civil, assinale a alternativa INCORRETA:
a) ( ) A concepção de contrato consagrada pelo ordenamento brasileiro, 
a partir da vigência do Código Civil de 2002, atribuiu de maneira 
imperativa viés coletivo e social às relações jurídicas, afastando 
integralmente o princípio da liberdade contratual.
b) ( ) Os contratantes devem obedecer, tanto na conclusão do contrato como 
em sua execução, os princípios da probidade e boa-fé.
c) ( ) Em sede de contratos bilaterais, nenhum dos contratantes, antes de 
cumprida a sua obrigação, pode exigir o implemento da do outro.
d) ( ) Havendo o reconhecimento de onerosidade excessiva, poderá ser 
evitada a resolução contratual mediante a modificação equitativa das 
condições contratuais.
e) ( ) A parte lesada pelo inadimplemento pode pedir a resolução do contrato, 
se não preferir exigir-lhe o cumprimento, cabendo, em qualquer dos 
casos, indenização por perdas em danos.
5 (COTEC/PREFEITURA DE UNAÍ/MG – Procurador jurídico/2015) De 
acordo com a Teoria Geral dos Contratos, marque a alternativa INCORRETA:
a) ( ) O princípio da função social do contrato só legitima e protege contratos 
que objetivam trocas úteis, justas e não prejudiciais ao interesse coletivo.
b) ( ) O princípio da função social do contrato é cláusula geral, portanto de 
ordem pública. No entanto, o juiz só pode aplicá-lo a requerimento da 
parte, sendo vedado o seu reconhecimento de ofício.
c) ( ) A noção de utilidade do contrato hoje é mais ampla que no passado. 
Além de atender o interesse das partes, deve também ser útil e não 
prejudicial a toda coletividade. Sua diretriz é a socialidade do atual 
Código Civil que, traduzida para o plano contratual, impõe que o 
contrato seja instrumento adequado ao convívio social.
d) ( ) O Código Civil admite a celebração de contrato consigo mesmo, desde 
que a lei ou representado autorizem a sua realização. Sem observância 
dessa condição, o contrato é inválido.
e) ( ) O sistema da declaração aparece repartido em três teorias: teoria da 
declaração propriamente dita ou teoria da simples aceitação; teoria da 
expedição; teoria da recepção.
6 Sobre a Teoria Geral dos Contratos, analise as assertivas a seguir:
I- A liberdade de contratar é exercida em razão e nos limites da função social 
do contrato. No sistema do Código Civil, quando há no contrato de adesão 
cláusulas ambíguas ou contraditórias, nem sempre adota-se a interpretação 
mais favorável ao aderente. Contudo, nos contratos de adesão, são nulas 
as cláusulas que estipulem a renúncia antecipada do aderente a direito 
resultante da natureza do negócio. 
117
II- É nulo o negócio jurídico quando: celebrado por pessoa absolutamente 
incapaz; for ilícito, impossível ou indeterminávelo seu objeto; o motivo 
determinante, comum a ambas as partes, for ilícito; tiver por objetivo 
fraudar lei imperativa; derivar de erro, dolo, coação, estado de perigo, 
lesão ou fraude contra credores. O negócio jurídico nulo não é suscetível 
de confirmação, nem convalesce pelo decurso do tempo. 
III- É lícito aos interessados prevenir ou terminar o litígio mediante concessões 
mútuas. A transação, se recair sobre direitos contestados em juízo, será feita 
por escritura pública ou por termo nos autos, assinado pelos transigentes e 
homologado pelo juiz. 
IV- O texto do Código Civil contempla, sempre que necessário, cláusulas gerais. 
As cláusulas gerais conferem ao sistema jurídico flexibilidade e capacidade 
de adaptação à evolução do pensamento e comportamento social e importam 
em avançada técnica legislativa de enunciar, através de expressões semânticas 
relativamente vagas, princípios e máximas que compreendem e recepcionam 
a mais variada sorte de hipóteses concretas de condutas tipificáveis, já 
ocorrentes no presente ou ainda por se realizarem no futuro.
No que diz respeito às assertivas, qual das afirmações a seguir está INCORRETA?
a) ( ) Somente as proposições I e II estão incorretas.
b) ( ) Somente as proposições III e IV estão incorretas.
c) ( ) Somente as proposições I e III estão incorretas.
d) ( ) Somente as proposições I, II e IV estão incorretas.
e) ( ) Todas as proposições estão incorretas.
118
119
TÓPICO 2
PRINCIPAIS ESPÉCIES DE CONTRATOS
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
Ao analisarmos o contrato como um negócio jurídico, que gera obrigações 
para as partes, é importante observarmos como eles serão estruturados, baseados 
em quais fundamentos e quais funções irão exercer. Nesse sentido, nosso 
ordenamento identifica alguns grupos contratuais, classificando-os em espécies.
Neste tópico, analisaremos algumas das principais espécies de contratos no 
Direito Civil brasileiro, aquelas que aparecem usualmente no dia a dia dos cidadãos, 
sendo o contrato de compra e venda, contrato de doação, contrato de empréstimo, 
contrato de prestação de serviços, contrato de depósito e contrato de fiança.
2 COMPRA E VENDA
Como o primeiro dos contratos que consideramos relevantes para nosso 
estudo, veremos os principais pontos referentes aos contratos de compra e venda, 
que aparece disciplinado no código civil brasileiro do artigo 481 até 532.
A definição básica para entender esse tipo de compra e venda é a de 
que uma pessoa se obriga, mediante contrato, a transferir a propriedade de 
determinado objeto para outra. E essa transferência deve ocorrer por meio do 
recebimento equivalente em dinheiro, a que denominamos preço.
As partes envolvidas num contrato de compra e venda chamaremos de 
vendedor e comprador. E como efeitos desse contrato, de acordo com o conceito 
já visto, teremos a própria transferência de propriedade que anteriormente era do 
vendedor e agora passa a ser do comprador.
O momento específico da transmissão da propriedade vai variar 
dependendo do sistema jurídico a ser seguido. No direito brasileiro, foi mantida 
uma mistura entre a tradição romana e germânica, isso quer dizer que a transmissão 
da propriedade, para nosso ordenamento, ocorre através da tradição manual 
quando falamos em bens móveis e, para bens imóveis, através da transcrição no 
devido registro imobiliário.
120
UNIDADE 3 | CONTRATOS
Importante ressaltar que, mesmo quando simultâneas (a exemplo da tradição 
de bens móveis), considera-se duas fases distintas no contrato: a fase de celebração e, 
posteriormente a de execução.
ATENCAO
A tradição de coisa móvel, em regra, deverá acontecer no mesmo lugar 
onde ela estava no momento da venda. Isso só acontecerá de outra maneira caso 
exista expressa estipulação contratual que estabeleça local diferente.
Os elementos do contrato de compra e venda são três. O objeto do 
contrato, que deve ser um bem possível de alienação comercial. Depois, o preço, 
que deve estar presente para diferenciar esse tipo de contrato de troca, então, em 
regra deve ser dado preço em dinheiro, contudo, não existe a possibilidade de 
que ocorra dação em pagamento (conceito estudado na unidade anterior). E, por 
último, o elemento do consentimento, que deve ser livre.
É importante também nos atentarmos aos requisitos exigidos por nosso 
ordenamento para a caracterização da validade de um contrato de compra e 
venda, como requisito objetivo, exige-se que os sujeitos da relação contratual 
sejam capazes, ou seja, possuam capacidade negocial.
E, como requisitos objetivos, consideram-se todos os elencados no artigo 
104 do código civil, cujo texto já estudamos minuciosamente nas unidades 
anteriores, uma vez que lá estão os requisitos para negócios jurídicos e, como 
vimos, contrato é uma espécie dentro desse gênero. 
Contudo, além disso, o código se preocupa em especificar na parte destinada 
a falar do contrato de compra e venda mais um adicional de requisito objetivo, em 
seu artigo 482, que diz: “A compra e venda, quando pura, considerar-se-á obrigatória 
e perfeita, desde que as partes acordarem no objeto e no preço” (BRASIL, 2002, s.p.).
O legislador também destinou tempo para prever algumas situações 
especiais nas relações de compra e venda, como por exemplo, a venda por amostras:
Art. 484. Se a venda se realizar à vista de amostras, protótipos ou 
modelos, entender-se-á que o vendedor assegura ter a coisa as 
qualidades que a elas correspondem. 
Parágrafo único. Prevalece a amostra, o protótipo ou o modelo, se 
houver contradição ou diferença com a maneira pela qual se descreveu 
a coisa no contrato (BRASIL, 2002, s.p.). 
TÓPICO 2 | PRINCIPAIS ESPÉCIES DE CONTRATOS
121
E a venda de objetos patrimoniais imóveis, que dividiu em:
1) Compra e venda de imóvel ad corpus: considera o imóvel como um corpo 
individual. Isso quer dizer que nesses casos considera-se a metragem do imóvel 
em caráter secundário.
2) Compra e venda ad mensuram: considera a metragem do imóvel como fator 
fundamental. Nesses casos, deve-se conferir minuciosamente as dimensões do 
imóvel para venda.
Dependendo do caso concreto, o juiz irá deliberar sobre qual das maneiras 
acima será tratada determinada compra e venda. Alguns doutrinadores defendem 
que em casos de silêncio do contrato em manifestar-se sobre qual dos tipos será 
considerado, estará presumido que o modo será o ad corpus.
Nos casos em que o contrato fale sobre as medidas do bem imóvel, o 
legislador elucida no código civil:
Art. 500. Se, na venda de um imóvel, se estipular o preço por medida de 
extensão, ou se determinar a respectiva área, e esta não corresponder, 
em qualquer dos casos, às dimensões dadas, o comprador terá o 
direito de exigir o complemento da área, e, não sendo isso possível, 
o de reclamar a resolução do contrato ou abatimento proporcional ao 
preço (BRASIL, 2002, s.p.).
Sobre requisitos formais, em regra, é livre e consensual. Existindo exceção 
para casos de bens imóveis em valor superior a 30 salários mínimos vigentes no 
país, é exigida escritura pública como formalidade de transferência do patrimônio. 
Essa exceção está disciplinada no artigo 108 do código civil.
Ao contrair contrato de compra e venda, assim como em qualquer outro 
negócio jurídico, as partes adquirem algumas obrigações. Nesse caso, é obrigação 
do vendedor cuidar do objeto do contrato até o momento da tradição, conforme 
artigo 502 do Código Civil.
O vendedor deverá, inclusive, garantir por sua conta, os vícios de evicção 
(quando o vendedor perde a posse ou propriedade da coisa em nome de um 
proprietário verdadeiro por motivo jurídico anterior) e redibitórios (vícios ocultos 
na coisa, mas que a tornam imprestáveis para o comprador).
Já as obrigações do comprador se resumem a, primeiramente, pagar o 
preço acordado no instrumento de contrato e estar apto a receber o objeto no 
tempo e local anteriormente também já determinados.
É possível que se observe as chamadas cláusulas especiais nos contratos 
de compra evenda. São raras e admitidas somente nos casos em que se encontrem 
expressamente redigidas em contrato. Vejamos algumas:
122
UNIDADE 3 | CONTRATOS
1) Retrovenda: é cláusula que só poderá existir nos casos de compra e venda de 
objeto imóvel. Dispõe sobre a possibilidade de que o vendedor tenha o direito 
de readquirir a coisa do comprador. Isso é possível com a devida restituição do 
preço pago e despesas. Possui prazo de três anos, passado isso será considerado 
como cláusula não escrita. Em caso de recusa do comprador na devolução, o 
vendedor poderá depositar a quantia judicialmente. Ainda, poderá o vendedor 
ceder o seu direito de retrovenda a terceiros.
2) Venda a contendo: cláusula que subordina o contrato ao desfazimento caso 
o objeto não esteja do agrado do comprador. Nesse caso, o comprador é 
considerado apenas comodatário até o momento que manifestará seu aceite ou 
não da coisa, esse prazo para manifestação deve estar expresso no contrato.
3) Venda sujeita à prova: cláusula que estipula a necessidade de que o comprador 
comprove que a coisa possui as características asseguradas pelo vendedor para 
que o contrato tenha validade. Nesse caso, diferentemente da venda a contento, 
só é possível a rejeição da coisa por parte do comprador caso seja comprovada 
a falta das qualidades assegurada pelo vendedor.
4) Preempção ou preferência: cláusula em que o comprador se dispõe ao 
oferecimento da coisa para o vendedor caso algum dia pretenda vendê-la. 
Nesse caso, o comprador possuirá a prerrogativa de estipular o preço que 
achar devido, e, em se tratando de coisa imóvel, o prazo para manifestação do 
vendedor em adquirir a coisa novamente será de 60 dias e nas coisas móveis 
três dias. Estes prazos poderão ser aumentados por não mais que 180 dias para 
móvel e dois anos para imóvel.
5) Reserva de domínio: cláusula garantidora de propriedade ao vendedor de 
coisa que já está entregue ao comprador, porém ainda não totalmente paga. Só 
ocorrerá nos casos de bens móveis.
6) Venda sobre documentos: cláusula que exige que seja feita entrega de 
documentos, é considerada uma tradição simbólica pois se tratam de 
documentos que representam a coisa.
3 DOAÇÃO
Como segunda espécie de contrato que consideramos importante em 
nosso estudo são os contratos de doação. Estes se encontram disciplinados no 
código civil brasileiro entre o artigo 538 e 564. 
Esse tipo de contrato possui como palavra-chave a liberalidade, uma vez 
que é a disposição do cidadão sobre seu patrimônio, bens ou vantagens para 
que o repasse a outro cidadão que o aceite. As partes, ao adentrar essa relação 
negocial, assumem as nomenclaturas de doador e donatário.
Como elementos formadores do contrato de doação serão identificados 
o consentimento e o chamado animus donandi, que nada mais é do que a própria 
liberalidade do doador sobre seus bens. Os contratos de doação podem ser 
divididos em subespécies, vejamos:
TÓPICO 2 | PRINCIPAIS ESPÉCIES DE CONTRATOS
123
a) Puro/simples/típico: não existe advertência estabelecida pelo doador para que 
o donatário receba a coisa, é a liberalidade plena.
b) Oneroso/modal/com encargo: o doador impõe alguma restrição ao donatário 
para que seja apto a receber a doação. Essa incumbência poderá ser em benefício 
tanto do doador quanto de terceiros, ou ainda de interesse geral.
c) Remuneratório: são as doações que acontecem como forma de retribuição 
por serviços que o donatário tenha prestado ao doador e que não pôde 
exigir pagamento.
Além disso, a legislação se preocupou em atribuir diferentes tipos aos 
contratos de doação, alguns deles merecem que separemos um tempo para 
análise específica, são eles: 
a) Doação conjuntiva;
b) Doação inoficiosa;
c) Doação com cláusula de retorno/reversão;
d) Doação feita em contemplação de casamento futuro;
e) Doação a concubino;
f) Doação à entidade futura;
g) Doação universal;
h) Doação feita por doador já insolvente ou por ela reduzido à insolvência.
A doação conjuntiva é aquela que é destinada a mais de uma pessoa, 
nesses casos é entendido que a distribuição da coisa será feita por igual a todos 
os seus beneficiários, esse tipo de doação deve seguir o estabelecido no artigo 551 
do código civil, e, em caso em que os donatários sejam casados estarão sujeitos ao 
parágrafo único do mesmo artigo.
A doação inoficiosa é o tipo que se vê a liberalidade exacerbada, ou seja, no 
momento de dispor sobre a coisa doada, o doador extrapola os limites que poderia 
atribuir à doação. Acarreta ação declaratória de nulidade da parte inoficiosa.
O artigo 547 do código civil é o que rege a doação com cláusula de 
retorno, permitindo que os bens do doador sejam a ele retornados, não podendo 
ser efetuada a reversão em favor de terceiros.
A doação feita em contemplação de casamento futuro está disciplinada no 
artigo 546 do código civil e fixa: “A doação feita em contemplação de casamento 
futuro com certa e determinada pessoa, quer pelos nubentes entre si, quer por 
terceiro a um deles, a ambos, ou aos filhos que, de futuro, houverem um do 
outro, não pode ser impugnada por falta de aceitação, e só ficará sem efeito se o 
casamento não se realizar” (BRASIL, 2002, s.p.).
 
Já sobre a doação feita por pessoa casada a concubino, o código é severo em 
seu artigo 550: “A doação do cônjuge adúltero ao seu cúmplice pode ser anulada 
pelo outro cônjuge, ou por seus herdeiros necessários, até dois anos depois de 
dissolvida a sociedade conjugal” (BRASIL, 2002, s.p.).
124
UNIDADE 3 | CONTRATOS
Ainda, o tipo de doação feita para entidades futuras, o código civil é claro 
ao estabelecer, em seu artigo 554, que estas só terão efeito se dentro do prazo de 
dois anos a entidade estiver regularmente constituída.
 
O legislador também se preocupou com a disposição de liberalidade 
exagerada ao versar sobre a chamada doação universal quando, em seu artigo 
548, esclareceu que será nula a doação de todos os bens sem que haja reserva de 
parte ou renda para a subsistência do doador.
 
Por último, o tipo de doação feita por doador que já se encontra insolvente 
será considerada fraude contra credores e acarreta em possibilidade de ação 
pauliana, conforme artigo 158 do código civil que protege os credores.
 
Para encerrar as considerações acerca de contratos de doação, passamos a 
observar o que o nosso ordenamento entende sobre a possibilidade de revogação 
da doação. Primeiramente, vejamos o disposto no artigo 555 de nosso código civil: 
“A doação pode ser revogada por ingratidão do donatário, ou por inexecução do 
encargo” (BRASIL, 2002, s.p.).
 
Isso ocorrerá somente se houver prova apresentada em juízo pelo doador. 
É imprescindível que o donatário tenha incidido em mora nos casos de encargo 
em doação onerosa, conforme artigo 562, lembrando que casos de força maior 
afastarão a caracterização de mora.
4 EMPRÉSTIMO
Essa espécie de contrato pode ser efetuada de duas maneiras: comodato 
ou mútuo. Iniciaremos analisando o que o nosso ordenamento diz sobre a figura 
do comodato, a que se dispõe a regular nos artigos 579 a 585 do código civil.
Comodato é empréstimo de bens infungíveis, assunto que estudamos na 
Unidade 1. É um empréstimo de uso em que a parte chamada de comodatário 
utilizará o bem objeto do contrato, pertencente à parte comodante e, 
posteriormente, o restituirá.
 
Os requisitos para validade desse tipo de contrato também estão divididos 
entre subjetivo e objetivo, sendo o primeiro a capacidade genérica e o segundo a 
infungibilidade da coisa, podendo ser móvel ou imóvel.
Sobre o requisito subjetivo observa-se que não é necessário que o comodante 
seja proprietário da coisa, ele pode ser apenas possuidor. E, ainda, no caso de tutores/
curadores/administradores de bens alheios estes não poderão contratar em comodato sem 
prévia autorização do proprietário da coisa (ou do juiz, para casos de incapacidade).
ATENCAO
TÓPICO 2 | PRINCIPAIS ESPÉCIES DE CONTRATOS
125
O prazo do empréstimo poderá ser determinado ou indeterminado.No 
primeiro caso, só será desrespeitado o prazo caso o comodante provar em juízo 
a real necessidade de reaver a coisa antes do tempo, ficando ele obrigado ao 
pagamento de multa contratual, caso exista. E, caso não exista multa predefinida, 
deverá o comodante pagar indenização por prejuízos.
Já nos casos de empréstimo por comodato com prazo indeterminado, o 
comodante possui prerrogativa de reaver a coisa quando assim entender, desde 
que respeite um prazo razoável de utilização da coisa.
 
O comodante terá obrigações contratuais apenas nos casos em que forem 
feitas benfeitorias necessárias e úteis, caso em que o comodatário poderá exigir seu 
direito de retenção. E, nos casos de vício oculto na coisa, situação em que deverá 
indenizar o comodatário se tiver agido de maneira dolosa para esconder o vício.
O comodatário, por outro lado, possui um rol maior de obrigações. Desde 
a conservação da coisa como se fosse sua, até a indenização ao comodante por 
danos que possa ocorrer com culpa. Ainda, não possui o comodatário o direito a 
reembolso com despesas normais à conservação da coisa e deve restituir a coisa 
ao comodante no prazo que fora devidamente ajustado.
 
Agora, passamos a analisar o empréstimo mútuo, que aparece no código civil 
entre os artigos 586 e 592. Esse tipo de empréstimo é o elaborado para bens fungíveis, 
em que uma das partes empresta a coisa e a outra compromete-se a restituir coisa 
de mesma espécie, qualidade e quantidade. Como já vimos, os bens fungíveis são 
insubstituíveis, logo, esse tipo de contrato traz algumas peculiaridades, tais como:
Art. 586. O mútuo é o empréstimo de coisas fungíveis. O mutuário 
é obrigado a restituir ao mutuante o que dele recebeu em coisa do 
mesmo gênero, qualidade e quantidade.
Art. 587. Este empréstimo transfere o domínio da coisa emprestada ao 
mutuário, por cuja conta correm todos os riscos dela desde a tradição 
(BRASIL, 2002, s.p.).
As partes envolvidas em relação de empréstimo mútuo serão chamadas de 
mutuante, aquele que empresta a coisa, e mutuário aquele que toma emprestado. 
O requisito subjetivo aqui também é a capacidade genérica, o mutuante deverá 
ou ser dono da coisa ou possuir autorização. E o requisito objetivo é o fato de a 
coisa mutuada ser classificada como fungível.
 
Assim como o comodato, é contrato por prazo temporário e pode 
ser determinado em contrato ou não. Se há o primeiro caso, o prazo só será 
desrespeitado quando a própria lei assim determinar. Ou seja, em caso de prazo 
determinado, o mutuante, em regra, não terá como exigir a coisa antes do tempo.
Nos casos de prazo indeterminado, o Código Civil lança mão de hipóteses 
em que é possível presumir o tempo da restituição: 
126
UNIDADE 3 | CONTRATOS
Art. 592. Não se tendo convencionado expressamente, o prazo do 
mútuo será:
I- até a próxima colheita, se o mútuo for de produtos agrícolas, assim 
para o consumo, como para semeadura;
II- de trinta dias, pelo menos, se for de dinheiro;
III- do espaço de tempo que declarar o mutuante, se for de qualquer 
outra coisa fungível.
Antes de seguirmos para a próxima espécie de contrato, vejamos um 
quadro de auxílio para a distinção facilitada entre as duas espécies de empréstimo:
QUADRO 1 – ESPÉCIES DE EMPRÉSTIMO
FONTE: A autora
COMODATO MÚTUO
Coisas infungíveis Coisas fungíveis
Gratuito ou oneroso Gratuito
Transfere o domínio Transfere a posse direta
Empréstimo de consumo Empréstimo de uso
Permite a alienação da coisa 
emprestada
Não permite a alienação da coisa 
emprestada
5 PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS
Consideramos importante essa espécie de contrato, pois ela apareceu no 
âmbito do direito civil de maneira relativamente tardia. De pronto, cabe fixar que 
as relações de vínculo empregatício são normatizadas pelo direito do trabalho. 
No Código Civil, o que temos é o disposto entre os artigos 593 e 609, texto 
que regula apenas as prestações de serviços residuais, isso quer dizer, trabalho 
avulso e trabalho de profissionais liberais. Ainda, existem serviços específicos 
que são tratados em seção própria no código civil, a exemplo dos serviços de 
transporte, corretagem, agência e distribuição.
É possível afirmar que qualquer serviço poderá ser objeto de um contrato 
de prestação de serviço, desde que esteja de acordo com os requisitos básicos de 
caracterização dos negócios jurídicos (capacidade das partes, objeto lícito e forma).
6 DEPÓSITO
A penúltima espécie de contrato que consideramos importante para nosso 
estudo se encontra fixada nos artigos 627 a 652 do Código Civil Brasileiro. O 
chamado contrato de depósito é aquele em que um cidadão guarda objeto móvel 
para outro até que este o reclame. A pessoa que entrega a coisa aqui é chamada de 
depositante, e, a que guarda a coisa é denominada de depositária.
TÓPICO 2 | PRINCIPAIS ESPÉCIES DE CONTRATOS
127
Dos requisitos para a existência desse tipo de contrato, subjetivamente temos 
a capacidade genérica, em que não é necessário que o depositante seja proprietário 
da coisa, admitindo que tenha apenas a capacidade administrativa sobre ela.
Nos casos em que no decorrer do contrato o depositário vir a se tornar incapaz, 
quando este for declarado deverá o juiz nomear curador para administrar seus bens. O 
curador irá devolver a coisa para o depositante, e, caso não consiga, poderá recolher a coisa 
em depósito público, ou designar novo depositário.
ATENCAO
No que tange aos requisitos objetivos, o objeto do contrato de depósito, 
independentemente de possuir caráter fungível ou infungível, deverá apenas 
ser um bem móvel. Além disso, em regra o objeto poderá ser também corpóreo 
ou incorpóreo. O prazo, assim como dos contratos anteriores, poderá ser 
determinado ou indeterminado. O contrato de depósito se subdivide em 
algumas espécies, as quais são:
• Depósito voluntário/convencional: nasce pelo livre acordo entre as partes.
• Depósito necessário: nasce independentemente da vontade exclusiva 
das partes como consequência de fato imprevisível. Esse tipo de depósito 
desmembra-se em quatro:
 ◦ Depósito legal: é consequência de obrigação legal, estabelecido por lei.
 ◦ Depósito miserável: é consequência de calamidade pública, a pessoa se vê 
obrigada a depositar seus pertences em local seguro.
 ◦ Depósito essencial/inexo: é consequência de atos específicos, como por 
exemplo, bagagem de passageiros com companhias aéreas.
 ◦ Depósito judicial: é consequência de ordem judicial que objetiva preservar a 
coisa até que se tenha uma decisão final sobre a causa principal do caso concreto.
 
Qualquer dos depósitos citados poderá ser classificado como regular (tem 
como objeto coisa infungível) ou irregular (tem como objeto coisa fungível). Sobre 
as obrigações contratuais, o depositante ficará obrigado a pagar o preço acordado, 
reembolsar o depositário com despesas eventuais para guardar a coisa e, ainda, 
indenizar o depositário caso este tenha algum prejuízo consequente do depósito.
 
Já as obrigações atribuídas ao depositário serão: custodiar a coisa 
depositada, conservando-a, cuidando da devida manutenção da coisa. Ainda, 
está obrigado a não utilizar a coisa depositada e restituir a coisa depositada com 
todos seus frutos e acessórios acrescidos durante o tempo do depósito, e, por 
último, deverá o depositário guardar sigilo do depósito.
128
UNIDADE 3 | CONTRATOS
Na hipótese de o depositário não cumprir com o dever de restituição do 
objeto depositado, sem apresentar justificativa aceitável, ele será denominado 
como depositário infiel. Contudo, a prisão do depositário infiel foi proibida de 
acordo com o Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos, que em seu artigo 
11 fixa: “Ninguém poderá ser preso apenas por não poder cumprir com uma 
obrigação contratual” (BRASIL, 2002, s.p.). 
 
Por fim, a extinção dos contratos de depósitos pode ocorrer nas seguintes 
hipóteses:
a) Vencimento do prazo (lembrando que o depositante poderá exigir a coisa a 
qualquer tempo).
b) Implemento de prazo determinado.
c) Recolhimentoao depósito público.
d) Perecimento do objeto por caso fortuito.
e) Incapacidade superveniente do depositário.
f) Morte do depositário (se o contrato for intuito personae).
g) Abandono do objeto pelo depositante (o depositário deverá aguardar um mês a 
partir da entrega, e então apresentar a coisa à autoridade policial ou judiciária.
7 FIANÇA
A última espécie de contrato a que nos preocupamos é denominado de 
fiança, e ocorre quando uma pessoa adquire a obrigação com o credor de uma 
terceira pessoa com intuito de satisfazer à obrigação caso o devedor original não 
cumpra com seu dever de pagamento.
 
O contrato de fiança pode ser convencional, legal ou judicial e está disposto 
nos artigos 818 a 839 do código civil.
Importante observar que a relação contratual se faz entre fiador e credor, 
independentemente se o devedor pagar pela fiança.
ATENCAO
Como requisitos subjetivos desse tipo de contrato teremos, além da 
capacidade geral, a capacidade contratual, ou seja, caso o fiador não possuir 
autorização conjugal, não poderá ser assim consagrado. Ademais, restam 
impedidos de firmar contrato de fiança os agentes fiscais, tesoureiros, leiloeiros e 
autarquias, além dos tutores e curadores em nome de quem representam.
TÓPICO 2 | PRINCIPAIS ESPÉCIES DE CONTRATOS
129
Se ocorrer de mudar o credor da obrigação principal, a fiança se dará por 
cessada, uma vez que ela não pode ser estendida à outra pessoa.
ATENCAO
Já objetivamente, o requisito é a obrigação do contrato principal, 
podendo esta ser obrigação de dar, fazer ou não fazer. A fiança poderá ser 
total ou parcial, porém jamais superior ao valor da obrigação principal, caso 
isso aconteça, a fiança será reduzida.
A fiança é contrato formal, ou seja, deve ser estabelecida por ser escrito, 
podendo ser determinada em cláusula do próprio contrato principal. O Código 
Civil também se preocupa em fixar, nos termos de seu artigo 825, a possibilidade 
de o credor recusar fiador caso este seja pessoa de reputação questionável moral 
ou financeiramente, ou, ainda, se este morar em outro município.
O fiador é possuidor do que, no âmbito do direito civil, chamamos de 
benefício de ordem. Isso significa que ele só responderá pela dívida de maneira 
subsidiária, sendo acionado apenas nos casos em que o devedor original não 
possua mais meios (bens) para a solvência de sua dívida. Incumbe ao fiador 
nomear os bens do devedor para que possa assim exercer seu benefício de ordem.
O legislador elenca no artigo 828 do Código Civil os casos em que o 
benefício de ordem será recusado, vejamos:
Art. 828. Não aproveita este benefício ao fiador:
I- se ele o renunciou expressamente;
II- se se obrigou como principal pagador, ou devedor solidário;
III- se o devedor for insolvente, ou falido (BRASIL, 2002, s.p.).
O fiador possui também o direito de regresso em face do devedor. Uma 
vez que o fiador efetua o pagamento da dívida, ele estará sub-rogado nos direitos 
do credor. Esse direito de regresso, inclusive, será acrescido de juros e correção 
monetária de acordo com o artigo 831 do código civil.
 
Esse direito também possui exceções, ou seja, o fiador não possuirá direito 
de regresso nos casos em que:
1) O devedor pagar a dívida novamente por falha de omissão do próprio fiador 
em avisá-lo que já efetuou o pagamento.
2) A fiança for efetuada com força de doação.
3) A prestação paga não seja devida, ou superior à obrigação total.
4) O fiador executar o pagamento quando já havia causa extintiva da obrigação 
do devedor, como por exemplo, uma prescrição.
130
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você aprendeu que:
 
• Os principais pontos referentes aos contratos de compra e venda aparecem 
disciplinados no código civil brasileiro do artigo 481 até 532.
• Compra e venda é quando uma pessoa se obriga, mediante contrato, a transferir 
a propriedade de determinado objeto para outra.
• Pode existir cláusulas especiais nos contratos de compra e venda, são elas: 
retrovenda, venda a contento, venda sujeita à prova, preempção ou preferência, 
reserva de domínio, venda sobre documentos.
• Os contratos de doação se encontram disciplinados no Código Civil Brasileiro 
entre os artigos 538 e 564. 
• Doação é a disposição do cidadão sobre seu patrimônio, bens ou vantagens 
para que o repasse a outro cidadão que o aceite.
• A legislação se preocupou em atribuir diferentes tipos aos contratos de doação, 
quais sejam: doação conjuntiva, doação inoficiosa, doação com cláusula de 
retorno/reversão, doação feita em contemplação de casamento futuro, doação 
a concubino, doação à entidade futura, doação universal e doação feita por 
doador já insolvente ou por ela reduzido à insolvência.
• A figura do comodato está regulada nos artigos 579 a 585 do código civil. 
Comodato é o empréstimo de bens infungíveis.
• O empréstimo mútuo aparece no código civil entre os artigos 586 e 592. Esse 
tipo de empréstimo é o elaborado para bens fungíveis.
• No Código Civil, o que temos sobre contratos de prestação de serviços é o 
disposto entre os artigos 593 e 609.
• Fixado nos artigos 627 a 652 do Código Civil Brasileiro, chamado contrato de 
depósito é aquele em que um cidadão guarda objeto móvel para outro até que 
este o reclame.
• O contrato de fiança pode ser convencional, legal ou judicial e está disposto nos 
artigos 818 a 839 do Código Civil, ocorre quando uma pessoa se obriga com o 
credor de outra para satisfazer à obrigação caso o devedor original não cumpra 
com seu dever de pagamento.
131
AUTOATIVIDADE
1 (IMA/CORE – Advogado/2013) No código civil existem diversos contratos 
tipificados. Sobre os contratos é incorreto afirmar:
a) ( ) O contrato de compra e venda pode ser definido, conforme o art. 481, 
pelo contrato em que um dos contratantes se obriga a transferir o 
domínio de certa coisa, e o outro, a pagar-lhe certo preço em dinheiro.
b) ( ) O contrato de compra e venda pode ser puro.
c) ( ) O contrato de compra e venda é oneroso e unilateral.
d) ( ) O contrato de doação pode ser aleatório.
2 (FCC/TRT – 23º região/MT – Analista judiciário/2011) Os contratos atípicos:
a) ( ) São anuláveis, mesmo se os que os pretendam celebrar sejam capazes e 
o objeto seja lícito e possível, se a forma não estiver prescrita em lei.
b) ( ) São nulos de pleno direito, mesmo que os pretendam celebrar sejam capazes 
e o objeto seja lícito e possível, porque a forma não é prescrita em lei.
c) ( ) São válidos, desde que os agentes que os pretendam celebrar sejam 
capazes, o objeto seja lícito e possível e a forma não seja defesa em lei.
d) ( ) Só têm validade se os que pretendam celebrar sejam capazes, o objeto 
seja lícito e possível e tenha havido prévia homologação judicial.
3 (FCC/TRF – 1ª REGIÃO – Analista judiciário/2006) Com relação aos 
contratos é certo que:
a) ( ) É ilícito às partes estipular contratos atípicos, havendo expressa vedação 
legal à celebração desses contratos.
b) ( ) Nos contratos de adesão, são válidas as cláusulas que estipulem a renúncia 
antecipada do aderente a direito resultante da natureza do negócio.
c) ( ) Em regra, reputar-se-ão celebrados os contratos no lugar em que forem 
propostos.
d) ( ) A herança de pessoa viva pode ser objeto de contrato, tratando-se de 
direito assegurado pelas normas civis vigentes.
4 (FUNESP/SP – URBANISMO – Analista administrativo-jurídico/2014) 
Assinale a alternativa correta sobre os contratos de fiança:
a) ( ) Em regra, a fiança não compreende os acessórios da dívida e as despesas 
judiciais.
b) ( ) É nula a cláusula de renúncia ao benefício de ordem, seja o contrato 
paritário ou por adesão.
c) ( ) Não estipulada limitação temporal para a garantia, o fiador poderá 
exonerar-se a qualquer tempo, ficando imediatamente desobrigado 
desde o recebimento da notificação pelo credor.
d) ( ) A fiança prestada sem autorização de um dos cônjuges, no regime da 
comunhão parcial de bens, implica na ineficácia total da garantia.
132
5 (TRF/3ª REGIÃO – Juiz substituto/2016)Sobre os contratos em espécie, 
assinale a alternativa correta:
a) ( ) O contrato de seguro por danos pessoais não compreende os danos 
morais, devendo haver cláusula expressa com tal previsão de cobertura.
b) ( ) A cláusula especial de venda sobre documentos transforma o negócio 
de compra, de modo que a transferência documentária faz as vezes da 
tradição real.
c) ( ) São elementos essenciais categoriais da compra e venda o preço, a coisa 
e a tradição.
d) ( ) A locação por tempo determinado cessa de pleno direito findo o prazo 
estipulado, mediante notificação ou aviso prévio obrigatório.
6 Uma das espécies estudadas nesse tópico foi a de compra e venda, sobre 
esse tipo de contrato, assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) O instrumento particular de promessa de compra e venda não é passível 
de registro.
b) ( ) Não se admite que a fixação do preço da compra e venda seja deixada 
ao arbítrio de terceiro.
c) ( ) É nulo o contrato de compra e venda quando se deixa ao arbítrio 
exclusivo de uma das partes a fixação do preço.
d) ( ) As despesas de escritura e registro são, em regra, de responsabilidade 
do vendedor.
133
TÓPICO 3
EXTINÇÃO DOS CONTRATOS
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
Para encerrar nosso Livro Didático de Direito Civil II, passamos a analisar 
a questão da extinção dos contratos. Como saber em que momento as partes se 
tornam desobrigadas com o pactuado? Estudar o término das relações contratuais 
é algo mais complicado do que aparenta, é preciso reconhecer o tempo em que 
ocorre o rompimento do vínculo das partes com o instrumento do contrato.
Nesse sentido, focaremos a parte final dos nossos estudos em algumas 
maneiras de extinção dos contratos. São elas, além da extinção normal (aquela 
que se dá com a obrigação devidamente cumprida percebendo a função social do 
contrato), a extinção por meio de nulidade, a extinção por meio de prescrição e, 
ainda, a extinção por meio de decadência.
2 EXTINÇÃO NORMAL DOS CONTRATOS
Para encerrar nosso Livro Didático de Direito Civil II, passamos a analisar 
a questão da extinção dos contratos. Como saber em que momento as partes se 
tornam desobrigadas com o pactuado? Estudar o término das relações contratuais 
é algo mais complicado do que aparenta, é preciso reconhecer o tempo em que 
ocorre o rompimento do vínculo das partes com o instrumento do contrato.
Cabe lembrar do princípio já visto da função social do contrato para uma 
melhor análise sobre os motivos que levam um contrato a ser extinto. Cumpre 
também ressaltar que a doutrina por vezes utiliza palavras como resolução, 
resilição ou rescisão para se referir à extinção do contrato.
Com isso, é essencial que antes de seguir nossos estudos entendamos o 
que cada uma dessas palavras carrega consigo. É possível dividir as maneiras de 
extinção do contrato em três grupos:
I- Extinção pelo esgotamento de seu objeto: ocorre após o esgotamento das 
respectivas obrigações originárias do instrumento contratual.
II- Direito dos contratos: ocorre por causas anteriores ou contemporâneas ao 
nascimento do vínculo obrigacional, o vício contratual remete à formação 
do contrato.
III- Extinção que não pela via normal, por causas supervenientes a sua formação: 
o vício contratual que irá extinguir a relação obrigacional aparece durante a 
vigência do contrato.
UNIDADE 3 | CONTRATOS
134
Podemos observar que a extinção normal de um contrato ocorrerá por 
meio de execução deste, ou seja, sanadas (executadas) as obrigações contratadas 
entre as partes, teremos a extinção normal do vínculo delas ao instrumento 
contratual. São os casos em que o credor se coloca como satisfeito, através de um 
instrumento a que denominamos de quitação, desobrigando o devedor.
O documento escrito de quitação será admitido como a prova do 
devedor referente ao seu cumprimento obrigacional, a legislação do nosso país 
providenciou para que fosse garantido ao devedor o documento de quitação 
como um direito, inclusive especificando, também, sobre a garantia de que seja 
admissível a retenção do pagamento por parte do devedor nos casos em que ele 
não receba a quitação, nas palavras do código civil:
Art. 319. O devedor que paga tem direito à quitação regular, e pode 
reter o pagamento, enquanto não lhe seja dada. 
Art. 335. A consignação tem lugar: 
I- se o credor não puder, ou, sem justa causa, recusar receber o 
pagamento, ou dar quitação na devida forma (BRASIL, 2002, s.p.).
Ainda, o Código Civil dispõe, em seu artigo 320, sobre os requisitos 
necessários para que a quitação seja válida, segundo nosso legislador, o documento 
de quitação deverá conter expressamente:
I- Designar o valor e a espécie da dívida quitada;
II- O nome do devedor, ou quem por este pagou;
III- O tempo e o lugar do pagamento;
IV- Assinatura do credor ou de seu representante.
É imprescindível que o documento de quitação discorra sobre a prestação específica 
a qual o devedor se fez solvente, porém, caso além dessa dívida, o documento também versar 
sobre outras, não poderá o devedor negar o recebimento da quitação por esse motivo.
ATENCAO
Importante lembrar que, em que pese a quitação ser o meio de prova mais 
irrefutável, é possível que o devedor comprove seu adimplemento através de 
outras espécies de provas, como por exemplo, a testemunhal.
Ainda, ao falar da extinção dos contratos por meio de resolução, 
observamos que pode ocorrer de duas maneiras: condições resolutivas tácitas ou 
expressas. A condição tácita está assegurada nos artigos 475 e 476 do Código 
Civil e é implícita, em regra, a todos os contratos, pois caso uma das partes deixe 
TÓPICO 3 | EXTINÇÃO DOS CONTRATOS
135
de cumprir sua obrigação poderá a outra demandar rescisão contratual (ou o 
cumprimento somado à indenização por eventuais perdas e danos). Já a condição 
resolutiva expressa é aquela que as partes estipulam no próprio instrumento 
contratual uma cláusula resolutiva expressa.
Além disso, o legislador se preocupou, no artigo 474 do código civil, 
em especificar as consequências de cada uma das duas formas de rescisão do 
contrato, estipulando que a rescisão tácita deve ser feita no âmbito judicial, não 
podendo ser operada de pleno direito, enquanto a expressa não necessita de 
decisão judicial e rescinde o contrato de pleno direito. 
Ainda, é possível que ocorra a figura do arrependimento nos contratos, que 
também caracteriza uma forma de extinção deles. Isso pode ocorrer determinado 
pelas próprias partes ao estipularem determinado prazo para desistência 
contratual e, caso isso ocorra, terá como finalizado o vínculo contratual.
Além disso, o arrependimento poderá ocorrer também por força de 
lei, como por exemplo, do artigo 49 do Código de Defesa do Consumidor, que 
estipula a possibilidade de desistência do contrato pelo consumidor dentro de 
um prazo de sete dias desde que observada circunstâncias específicas.
3 NULIDADE
A nulidade de um contrato é uma maneira se sanção proporcionada pela lei 
para contratos possuidores de vício. Essa sanção existe com o intuito de impedir a 
celebração de contratos que não contemplem os requisitos que nosso ordenamento 
exige para que estes instrumentos produzam os efeitos jurídicos a que se dispõem.
A nulidade aparece no código civil em sua forma absoluta nos artigos 
166, incisos I a VII. Esse tipo de nulidade é aplicado nos casos em que ocorre, 
na relação jurídica contratual, violação de fundamentos de ordem pública. Além 
disso, o contrato com vício originador de nulidade absoluta não poderá ser objeto 
de confirmação, deixando de produzir efeitos desde a sua formação, conforme 
artigo 169 também do código civil. Vejamos os dispositivos citados:
Art. 166. É nulo o negócio jurídico quando: 
I- celebrado por pessoa absolutamente incapaz; 
II- for ilícito, impossível ou indeterminável o seu objeto; 
III- o motivo determinante, comum a ambas as partes, for ilícito; 
IV- não revestir a forma prescrita em lei; 
V- for preterida alguma solenidade que a lei considere essencial paraa sua validade; 
VI- tiver por objetivo fraudar lei imperativa; Direito dos Contratos 85; 
VII- a lei taxativamente o declarar nulo, ou proibir-lhe a prática, sem 
cominar sanção.
Art. 169. O negócio jurídico nulo não é suscetível de confirmação, nem 
convalesce pelo decurso do tempo. 
UNIDADE 3 | CONTRATOS
136
Além da forma absoluta, a nulidade também aparece de maneira relativa no 
Código Civil, em seu artigo 171. A nulidade relativa abrange aqueles vícios que dizem 
respeito às questões relevantes apenas às partes obrigadas pelo vínculo contratual 
e caracterizará o contrato como anulável. Esse conceito é menos severo, admitindo 
confirmação do contrato de acordo com o artigo 172 do Código Civil, gerando o 
rompimento dos efeitos contratuais apenas a partir do momento da sua anulação.
4 PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA
Finalmente, passamos a analisar dois conceitos que também acarretam a 
extinção do vínculo obrigacional dos contratos e que, no âmbito do direito civil, 
são muito trabalhados: prescrição e decadência.
A primeira figura, a prescrição, aparece no ordenamento nos momentos 
em que a parte perde a capacidade de demandar seus direitos em juízo, é a 
privação do direito de ação judicial após decorrido determinado espaço de tempo. 
Já a decadência ou caducidade é a perda, não da ação, mas de um direito. 
Ocorre que ao perder o direito após decorrido prazo determinado, automaticamente 
não há que se falar em ação. Ou seja, a decadência ao tocar no direito faz com que 
desapareça a ação enquanto que a prescrição, ao contrário, ao tocar na extinção de 
ação acaba por desaparecer também com o direito que seria tutelado por ela.
Importante destacar que a prescrição será sempre originária de disposição 
legal, enquanto a decadência, além da lei, poderá também ser resultado 
diretamente do instrumento contratual ou, ainda, testamento. 
Para corroborar com o estudo elaborado nesta unidade, segue um trecho 
de artigo publicado na revista Direito GV, por Judith Martins Costa (2005), 
intitulado Reflexões sobre o princípio da função social dos contratos.
TÓPICO 3 | EXTINÇÃO DOS CONTRATOS
137
LEITURA COMPLEMENTAR
REFLEXÕES SOBRE O PRINCÍPIO DA FUNÇÃO
SOCIAL DOS CONTRATOS
Judith Martins-Costa
O princípio da função social, ora acolhido expressamente no Código Civil 
(arts. 421 e 1.228, § 1º) constitui, em termos gerais, a expressão da socialidade no 
Direito Privado, projetando em seus corpora normativos e nas distintas disciplinas 
jurídicas a diretriz constitucional da solidariedade social (CF, art. 3º, III, in fine). 
Conquanto expresso no Código em tema de propriedade e contrato, o princípio 
manifesta-se também no Direito da Empresa: conjugando os fatores da produção 
(trabalho, capital e recursos humanos) e os agentes do processo econômico 
(consumidor, trabalhador e empresário), as empresas têm, indiscutivelmente, 
dimensão transindividual ou comunitária. Assim, embora o silêncio do Código 
sobre a função social ao regular o Direito da Empresa, não há dúvida sobre a sua 
base constitucional e sistemática.
No entanto, se é bem verdade que o princípio da função social, como 
expressão da “diretriz da socialidade”, indica um rumo a seguir, oposto ao do 
individualismo predatório, também é certo que a expressão se estende sobre um 
território tão vasto quanto acidentado. É preciso remover antigos preconceitos, 
percorrer trilhas recobertas por incertezas e ensaiar novas respostas para velhas 
dúvidas, pois tão inútil quanto apenas proclamar a importância do princípio é 
repetir sonoras platitudes. Por isso, como o viajante que, ao seguir a trilha ignota, 
busca o panorama onde situar-se – para só então se ocupar dos marcos indicativos 
das possíveis direções – também assim, em relação ao art. 421, devemos, 
primeiramente, olhar em volta. 
A primeira constatação, a que salta aos olhos, é de ordem estrutural. A 
noção de estrutura como “um todo de significações” tem imensa importância 
na compreensão do Código Civil de 2002, pois está no centro da obra filosófica 
de Miguel Reale, o presidente da Comissão Codificadora. Coligada à noção de 
estrutura está a de sistema e, por fim, a de função, pois o conceito de estrutura 
importa o de função, cujo papel crucial é fornecer o critério e a importância de 
fatores dinâmicos e dos processos, no interior dos sistemas.
Seguindo a perspectiva estrutural e funcional, constataremos de imediato 
que o art. 421 indica três sendas que vale a pena trilhar: a) vem colado ao princípio 
da liberdade de contratar, inaugurando a regulação, em caráter geral, do Direito 
dos contratos e situando-se como princípio desse setor; b) refere a função social 
como limite da liberdade de contratar; e c) situa a função social como fundamento 
da mesma liberdade. 
Essas três sendas conformam a estrutura deste trabalho constituindo, ao 
mesmo tempo, o seu continente e seu conteúdo.
UNIDADE 3 | CONTRATOS
138
2 FUNÇÃO SOCIAL E LIBERDADE DE CONTRATAR: UMA “AUTONOMIA 
SOLIDÁRIA”
O Direito Contratual na atualidade, diz Teresa Negreiros, tem como 
característica estar situado num “quadro de referências principiológicas”. 
Inaugurar com a principiologia o Livro dos contratos evidencia o valor simbólico, 
operativo, performático e prospectivo que advém da fixação, na lei, de princípios 
que já foram apontados pela doutrina e expressos pela jurisprudência. Enquanto 
no Código de Beviláqua a principiologia vinha implícita – cabendo ao intérprete 
deduzir os princípios a partir da racionalidade do sistema – no Código de 2002 os 
princípios vêm explícitos, inaugurando a própria disciplina contratual. 
A ausência de explicitação dos princípios, no Código de 1916, era 
uma ausência eloquente: indicava um certo papel atribuído aos princípios na 
compreensão, construção, interpretação e na aplicação do Direito. Estes não eram 
tidos como verdadeiras normas jurídicas, tinham papel apenas supletivo ou 
argumentativo, sendo chamados a atuar no caso de lacunas ou para confirmar a 
razão de ser de determinada regra. 
Já agora o panorama é diverso. Os princípios, sendo anunciados (e de 
forma altissonante) já no pórtico do Direito Contratual, estão a indicar que o 
seu valor é integrativo da disciplina contratual e vinculante ao intérprete. Os 
princípios compõem, cada um deles, na dimensão do peso e da ponderação que 
lhes é própria, a estrutura dos institutos e das regras contratuais. Daí também o 
seu valor operativo e prospectivo, valor de normas produtoras de normas. 
Pois bem: o primeiro princípio a aparecer no texto do art. 421 é o princípio 
da liberdade de contratar. Seria esse princípio mera decorrência da “autonomia da 
vontade”? Poderia ser visto por si só? Ou teria ligação estrutural e funcional com 
o princípio da função social do contrato?
2.1 LIBERDADE, AUTONOMIA, RESPONSABILIDADE
A liberdade é valor fundante, decorrência do reconhecimento da dignidade 
da pessoa humana a quem se reconhece, pré-juridicamente, a autodeterminação. 
Acreditou-se, primeiramente, na “dádiva de Prometeu” – que teria dado aos 
homens a plenitude do pensamento “que pode se impor àquilo que é” –, mas 
houve, em seguida, a descoberta de Sófocles: o homem ensinou a si mesmo a 
palavra e o pensamento. Então se percebeu que “a essência do homem (to deinon) 
é a sua própria autocriação”. 
Se formos fiéis à descoberta de Sófocles, concluiremos que a liberdade 
está no coração do Direito Civil, que é o direito das pessoas que vivem na civitas, 
em comunidade. O problema está no modo de entender a liberdade. 
TÓPICO 3 | EXTINÇÃO DOS CONTRATOS
139
Não se trata, a meu ver, nem de uma “liberdade consentida” nem de 
uma liberdade exercida no vazio, mas de uma liberdade situada, a liberdade que 
se exerce na vida comunitária, isto é, o lugar onde imperam as leis civis. Essa 
clivagem fundamental já estava em Sófocles, acima lembrado. Daí a imediata 
referência, logo após a liberdade de contratar, à função social do contrato; daí a 
razão pela qual liberdade e função social se acham entretecidos,gerando uma nova 
ideia, a de autonomia (privada) solidária. 
É que, como “liberdade situada”, a liberdade de contratar a que 
alude o art. 421 é elemento componente e manifestação da autonomia privada, 
compreendida como “o processo de ordenação que faculta a livre constituição e 
modelação das relações jurídicas pelos sujeitos que nela participam”. Entenda-
se “autonomia privada” como poder ou competência para a nomogênese, como 
especificação, no Direito (e, muito especialmente, no Direito das Obrigações) da 
autodeterminação, que é noção da filosofia e “princípio constitutivo do político”. 
E não se entenda “autonomia privada” como “autonomia da vontade”, expressão 
que designa, concomitantemente: a) uma construção ideológica, datada dos 
finais do século XIX por alguns juristas para opor-se aos excessos do liberalismo 
econômico, constituindo “um mito voluntariamente tecido pelos detratores do 
individualismo, para melhor criticar os seus excessos”; b) uma explicação dada 
ao fenômeno contratual, visualizando-o exclusivamente pelo viés do acordo ou 
consenso mútuo; c) a tradução jurídica de uma forma econômica própria do 
capitalismo comercial oitocentista, ainda não dominado pela grande empresa 
e pela produção em massa, aceitando-se, então, a ideia de uma quase que 
“espontânea” composição dos interesses econômicos interprivados.
Desconectada do voluntarismo que tanto a perturbou, a autonomia 
privada (locução que tem seu peso forte no primeiro termo do sintagma) encontra 
necessária conexão funcional no alargamento da ideia de responsabilidade, a tal ponto 
de, recentemente, um filósofo, preocupado com os riscos da imputação ilimitada, 
afirmar que os cidadãos devem estar atentos, de maneira reflexiva, para o conceito de 
responsabilidade – “conceito-chave de nossa época” – assumindo a responsabilidade 
por sua responsabilização. Aliás, tanto a responsabilidade vem sendo alargada que uma 
das muitas fórmulas que pretendem sintetizar o diagnóstico da época vem revelada, 
justamente, pela expressão “princípio da responsabilidade”.
Não por acaso, pois, na estrutura do Código, a responsabilidade civil 
ganhou autonomia, como “obrigação de indenizar”, merecendo título próprio e 
não mais sendo tratada como mero apêndice, misturadamente às “consequências 
da inexecução das obrigações”, como no Código de 1916. Além do mais, concorrem 
com o antigo modelo da imputação subjetiva, ou baseada na culpa, (art. 927, caput, 
c/c o art. 186) outros diversos modelos de imputação. Exemplificativamente, a 
responsabilidade pelos danos causados em virtude do exercício inadmissível de 
uma posição jurídica (art. 927, caput, c/c o art. 187, que versa hipótese de ilicitude 
objetiva); a derivada da quebra de dever de segurança (art. 931); prevê-se a 
responsabilidade pela confiança, como modalidade da Teoria da Aparência (arts. 
861-862), e cria-se, no parágrafo único do art. 927, verdadeira cláusula geral de 
responsabilidade derivada de estruturas sociais causadoras de risco.
UNIDADE 3 | CONTRATOS
140
Observa-se, assim, por conexões estruturais, sistemáticas e funcionais 
entre a liberdade contratual, a função social e o princípio da responsabilidade que, 
ao alargamento da responsabilização, corresponde, pari passu, à ressignificação 
da autonomia privada como poder jurígeno. Entretanto, uma tal ressignificação 
se faz na direção inversa à do atomismo, da redução sociológica e ontológica das 
pessoas concretas ao abstrato sujeito sempre-igual. O ponto que mais agudamente 
marca essa ressignificação, contudo, é, a meu juízo, aquele marcado pela 
diversidade dos nexos de imputação, notadamente aquelas formas que guardam 
direta relação com o fato da vivência comunitária e com a diversidade concreta 
dos sujeitos sociais, tudo concitando à afirmação do “princípio da materialidade 
da regulação jurídica”. A diversificação daqueles nexos (antes subsumidos quase 
que exclusivamente na imputação subjetiva, ou pela culpa) está a demonstrar, 
com toda a eloquência, duas realidades conexas: a diversificação dos sujeitos e 
dos papéis sociais (não mais escondida no mito do “sujeito sempre-igual”); e a 
racionalidade complexa e substantiva - e não meramente técnica, instrumental ou 
monológica –, que passa a informar a ordem jurídica.
E a ordem jurídica responde, por sua vez, com institutos e instituições 
a essa nova racionalidade, própria da sociedade transversalizada, complexa, 
assimétrica, massificada, despersonalizada: basta pensar na responsabilização 
pela confiança e na responsabilização de terceiro por lesão do direito de crédito 
para concluir que a “liberdade de contratar” referida no art. 421 é uma liberdade 
ligada estrutural e substancialmente – entretecida – com a polis.
2.2 O ENQUADRAMENTO NORMATIVO DA LIBERDADE DE CONTRATAR
Se a liberdade de contratar referida no art. 421 é uma liberdade situada, 
forçoso é buscar situá-la, averiguando qual é o seu entorno, o meio ambiente na 
qual se move e se desenvolve, e quais os significados que a expressão conota. 
O ambiente da liberdade de contratar é a comunidade. Toda a 
comunidade é uma dimensão histórico-social permanentemente instituída e 
permanentemente criativa de significados. Esses significados vêm da prática, 
da vida social concreta, intercomunicativa, traduzindo valores que a sociedade 
assume como particularmente relevantes. Por isso mesmo, para chegar a um 
significado pensável ao princípio da função social do contrato, devemos examiná-
lo no quadro dos valores nos quais vem o princípio inserido: aí está seu entorno, 
seu meio ambiente ou “quadro normativo”. 
Numa perspectiva constitucional, a liberdade de contratar vem, por vezes, 
confundida ou correlacionada exclusivamente com o princípio constitucional da 
livre iniciativa. Esse é, concomitantemente, princípio fundamental da República 
(CF, art. 1º, IV) e princípio geral da atividade econômica (art. 170), em relação à qual 
o papel do Estado é o de agente normativo e fiscalizador (art. 174). Por isto, é a todos 
assegurado “o livre exercício de qualquer atividade econômica, independentemente 
da autorização dos órgãos públicos, salvo nos casos previstos em lei”.
TÓPICO 3 | EXTINÇÃO DOS CONTRATOS
141
Em relação à livre iniciativa econômica a liberdade de contratar é 
instrumental, isto é, para assegurar o exercício de atividade econômica, garantem-
se os meios necessários àquele exercício. Como todo meio, a liberdade de contratar 
não existe “em si”, mas “para algo”, isto é, está permanentemente polarizada e 
conformada para os fins a que se destina. Esses fins não são apenas concretizar a 
liberdade de iniciativa econômica, mas, por igual, os princípios estruturantes do 
art. 1º, as diretrizes ou “normas objetivo” traçadas no art. 3º e no art. 170, bem como 
nas liberdades, garantias e direitos dos arts. 5° e 7°, todos da Constituição. Nessas 
normas (e ainda em outras que a Constituição produz) estão desenhados modelos 
de caráter conformador para o Estado e a sociedade como, aliás, já delineou o 
Supremo Tribunal Federal, que, ao examinar a Lei 8.039, de 30.05.1990, decidiu: 
em face da atual Constituição, para conciliar o fundamento da livre iniciativa e do 
princípio da livre concorrência com os da defesa do consumidor e da redução das 
desigualdades sociais, em conformidade com os ditames da justiça social, pode 
o Estado, por via legislativa, regular a política de preços de bens e de serviços, 
abusivo que é o poder econômico que visa ao aumento arbitrário dos lucros.
FONTE: MARTINS-COSTA, Judith. Reflexões sobre o princípio da função social dos contratos. Revista 
Direito GV, [S.l.], v. 1, n. 1, p. 41-44, maio 2005. Disponível em: http://bibliotecadigital.fgv.br/ojs/
index.php/revdireitogv/article/view/35261. Acesso em: 21 maio 2019.
142
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico, você aprendeu que:
• A doutrina, por vezes, utiliza palavras como resolução, resilição ou rescisão 
para se referir à extinção do contrato.
• A extinção normal de um contrato ocorrerá por meiode execução deste.
• O credor se coloca como satisfeito através de um instrumento que denominamos 
de quitação.
• O documento escrito de quitação será admitido como a prova do devedor 
referente ao seu cumprimento obrigacional.
• É admissível a retenção do pagamento por parte do devedor nos casos em que 
ele não receba a quitação.
• A nulidade de um contrato é uma maneira se sanção proporcionada pela lei 
para contratos possuidores de vício.
• A nulidade aparece no código civil em sua forma absoluta nos artigos 166, 
incisos I a VII.
• Além da forma absoluta, a nulidade também aparece de maneira relativa no 
código civil, em seu artigo 171.
• A prescrição é a privação do direito de ação judicial após decorrido determinado 
espaço de tempo.
• A decadência ou caducidade é a perda, não da ação, mas de um direito após 
decorrido prazo determinado.
143
AUTOATIVIDADE
1 (TRF/3ª REGIÃO – Juiz federal substituto/2018) Em matéria de extinção dos 
contratos é CORRETO afirmar:
a) ( ) Considerando os postulados da boa-fé objetiva e da função social do 
contrato, é eventualmente possível, mesmo diante do inadimplemento, 
recusar-se a resolução do contrato pela invocação da teoria do 
substancial adimplemento.
b) ( ) Na resolução do contrato por onerosidade excessiva, segundo a lei, os 
efeitos da sentença que a decretar retroagirão ao momento da ocorrência 
dos acontecimentos tidos por extraordinários e imprevisíveis.
c) ( ) A resilição unilateral é vedada e deve ser juridicamente qualificada 
como violação do contrato a justificar sua resolução por justa causa.
d) ( ) Não havendo no contrato expressa cláusula resolutiva, não há como 
presumir que exista disposição tácita de tal natureza.
2 (CESPE/DPE-RN – Defensor público substituto/2015) No tocante à extinção 
dos contratos, assinale a opção correta:
a) ( ) Nos contratos bilaterais, o credor pode exigir a realização da obrigação 
pela outra parte, ainda que não cumpra a integralidade da prestação 
que lhe caiba.
b) ( ) A extinção do contrato decorrente de cláusula resolutiva expressa 
configura exercício do direito potestativo de uma das partes do contrato 
de impor à outra sua extinção e depende de interpelação judicial.
c) ( ) Situação hipotética: Joaquim, mediante contrato firmado, prestava 
serviços de contabilidade à empresa de Joana. Joaquim e Joana 
decidiram encerrar, consensualmente, o pactuado e dar fim à relação 
contratual. Assertiva: Nessa situação, configurou-se a resilição do 
contrato por meio de denúncia de uma das partes.
d) ( ) A resolução do contrato por onerosidade excessiva não se aplica aos 
contratos de execução instantânea, pois ocorre quando, no momento da 
efetivação da prestação, esta se torna demasiadamente onerosa para uma 
das partes, em virtude de acontecimentos extraordinários e imprevisíveis.
3 (FCC/AL-RN – Assessor técnico de controle interno/2013) No tocante à 
extinção das obrigações:
a) ( ) Uma vez estabelecida a obrigação, por meio de contrato, o credor não 
pode consentir em receber prestação diversa da que lhe é devida.
b) ( ) Se ocorrer dúvida sobre quem deva legitimamente receber o objeto do 
pagamento, deverá haver sua imputação por parte do devedor.
c) ( ) Implica novação a escolha feita pelo devedor, obrigado por dois ou mais 
débitos a um só credor, quanto à dívida que está sendo paga na ocasião.
144
d) ( ) Uma das espécies de sub-rogação é aquela em que ela se opera, de pleno 
direito, em favor do terceiro interessado, que paga a dívida pela qual 
era ou podia ser obrigado, no todo ou em parte.
4 (IESES/TJ-MA – Titular de serviços de notas e de registros) A respeito 
da prescrição e da decadência no Código Civil Brasileiro, assinale a 
afirmativa CORRETA:
a) ( ) Os prazos prescricionais são estabelecidos por lei e não podem ser 
alterados pela vontade das partes.
b) ( ) O prazo decadencial para pleitear-se a anulação de negócio jurídico 
eivado pelo vício de lesão é de 2 (dois) anos, a contar da data da 
realização do negócio.
c) ( ) Prescreve em 4 (quatro) anos a pretensão de ressarcimento de 
enriquecimento sem causa.
d) ( ) A decadência pode ser legal ou convencional e deve o juiz conhecê-las 
de ofício.
5 (CESPE/TRF 1ª REGIÃO – Juiz Federal/2013) Considere que um indivíduo 
tenha contratado com sua esposa a venda, pelo preço de R$ 50,00, de um carro 
raro que ele tenha herdado do pai, tendo sido estabelecida a condição de que 
ela poderia experimentar o objeto pelo prazo de cinco dias, dentro do qual, 
caso não se sentisse satisfeita, poderia devolvê-lo. Nessa situação hipotética:
a) ( ) O contrato é ineficaz, pois foi realizado entre cônjuges.
b) ( ) O preço ínfimo estabelecido afeta a natureza do negócio.
c) ( ) O contrato é viciado porque condiciona o recebimento da coisa à 
condição potestativa.
d) ( ) A compradora detém direito real sobre o bem a partir do consenso entre 
as partes.
6 Maria contratou compra e venda com Regina, de um carro marca Flora, 
modelo Fauna. Ocorreu que no dia da entrega do carro, o carro foi roubado. 
E, do momento da assinatura do contrato, Maria já havia pagado para 
Regina o valor de R$ 10.000,00. Neste caso, o contrato:
a) ( ) Seguirá normalmente, pois Regina tem a opção de entregar para Maria 
outro carro, em substituição àquele que fora roubado. 
b) ( ) Caso Regina alegue a existência de caso fortuito, não há que se falar em 
resolução do contrato. 
c) ( ) O contrato firmado pelas partes sofrerá resolução, em virtude da falta 
superveniente do objeto, e o valor pago como sinal será restituído. 
d) ( ) Maria poderá exigir de Regina a entrega de outro carro.
145
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