Fundamentos da intervenção na propriedade privada - Resumo
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Fundamentos da intervenção na propriedade privada - Resumo


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Existe o direito de propriedade absoluto, exclusivo, perpétuo ou ela só existe nos moldes que
a legislação prevê?
Hoje a concepção aceita no nosso ordenamento é que o direito de propriedade é uma
existência jurídica, ele não existe fora do Direito, é dado pelo Direito. O princípio ou
valor que mais importa é a ideia da função social da propriedade (artigo 5, XXII e XXIII).
O Estado regula a propriedade privada no Direito Civil. O artigo 1301 CC diz que não pos-
so construir janela a menos de um metro e meio do vizinho. Esse limite ao direito de pro-
priedade tem como sujeito o particular (interesse privado). Já as normas edilícias sobre
construção urbanas são normas que existem para tutelar os interesses públicos, visam
beneciar a coletividade.
Tudo isso é restrição da propriedade e decorre da funcionalização da propriedade para
atender um interesse, seja ele público ou privado.
Segundo Carvalhinho, a intervenção do Estado na propriedade é toda e qualquer ati-
vidade estatal que, amparada em lei, interfere na propriedade privada. É matéria de
legalidade estrita.
O caráter absoluto do direito de propriedade hoje se restringe a sua oponibilidade erga
omnes, mas é restrito pela legislação vigente.
Quem tem competência?
A União tem competência legislativa privativa para legislar sobre direito de proprieda-
de, desapropriação e requisição. Porém, vai depender do fundamento, da matéria de
fundo que está inspirando essa intervenção.
Classicação
Intervenções brandas ou restritivas
O Estado estabelece restrições e condições à propriedade, sem retirá-la de seu titular. Por
isso são denominadas modalidades não supressivas de intervenção na propriedade.
Limitação administrativa.
Servidão administrativa.
Intervenção do Estado na propriedade
Intervenção do Estado na propriedade (Parte 1)
Direito Administrativo II
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Requisição administrativa.
Ocupação temporária.
Tombamento.
Intervenções drásticas ou supressivas
O Estado retira o bem do patrimônio de seu titular originário e o transfere para o seu
patrimônio. As intervenções supressivas são efetivadas por meio das diferentes moda-
lidades de desapropriação.
Limitações administrativas em sentido estrito
As limitações administrativas são espécie do gênero intervenção branda na propriedade.
Nesse sentido, Rafael Oliveira as conceitua como “restrições estatais impostas por atos
normativos à propriedade, que acarretam obrigações negativas e positivas aos respecti-
vos proprietários, com o objetivo de atender a função social da propriedade”.
Exemplo 1: Parcelamento e edicação compulsórios de terrenos para atender a função
social delimitada no Plano Diretor (restrição consistente em obrigação positiva).
Exemplo 2: Limites de altura para prédios (restrição materializada por obrigação negativa).
Características das intervenções administrativas
Generalidade.
Não-indenizabilidade.
Condicionamento do direito.
Quando esse ônus deixa de ser um mero condicionamento e passa a ser um sacrifício?
A visão tradicional da doutrina é rotular as formas de intervenção, enquadrá-las e extrair
as consequências. A visão mais moderna procura analisar cada caso. Generalidade e falta
de indenização não bastam. Por exemplo, essa intervenção na propriedade é singular?
Por exemplo, colocar placa com nome de rua no prédio. É singular, mas porque isso não
gera indenização? Porque essa medida não afeta o aspecto econômico do bem, a inter-
venção é mínima.