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DIR. PROC. PENAL II

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restrições a essa garantia. Contudo, predomina o entendimento de que a Constituição pode restringir a garantia do duplo grau de jurisdição e assim o faz, quando fixa os casos de julgamento originário pelos tribunais.
Classificação Doutrinária dos Recursos: 
Pode ser de fundamentação livre (discute o que quiser, Apelação, p.ex.) ou vinculada (quando a lei diz que só pode recorrer daquele aspecto, REsp, RE, EI, p. ex.).
Existem diferentes formas e categorias para classificar os recursos, sendo as principais:
Recursos Ordinários ou Extraordinários: conforme permitam a discussão das questões de fato e direito ou apenas de direito (Apelação).
Recursos Totais ou Parciais: conforme a extensão da matéria impugnada.
Recursos de Fundamentação Livre ou Vinculada: atendendo a existência ou não de restrição legal da fundamentação do recurso.
Recursos Horizontais ou Verticais: segundo eles sejam julgados pelo mesmo órgão jurisdicional que proferiu a decisão ou por órgão superior (Embargos Declaratórios).
Recursos Voluntário ou Obrigatórios: conforme dependam de manifestação da parte interessada ou exijam um reexame obrigatório (essa modalidade é criticável). Art. 574
Recursos de Ofício: é ato de parte, não de juiz. É ilegítimo. Art. 746 CPP.
Efeitos: devolutivo (regressivo, reiterativo ou misto) e suspensivo.
Devolutivo: atendendo ao tantum devolutum quantum appellatum, diz respeito ao quanto se devolve de matéria (total ou parcial) e a quem será devolvido o conhecimento (regressivo = mesmo órgão – reiterativo = tribunal ad quem – misto = regressivo no primeiro momento e reiterativo depois).
- Interativo/Regressivo: Ed’s -> retrocede.
- Reiterativo/Devolutivo: devolve para órgão superior. Apelação, RE, REsp.
- Misto: no primeiro momento é regressivo, no segundo é devolutivo próprio (Recurso em Sentido Estrito).
Suspensivo: determina a possibilidade ou impossibilidade de a decisão surtir todos os seus efeitos antes do trânsito em julgado. O recurso da sentença absolutória nunca terá efeito suspensivo. Já em relação à sentença condenatória, diz respeito ao direito de recorrer ou não em liberdade, estando a discussão fundida com as regras de prisão cautelar (especialmente a “necessidade” ou não da prisão preventiva). Diz respeito à eficácia ou ineficácia da presunção constitucional de inocência. Ver arts. 596 e 312 CPP.
“Súmula 160 STF: É nula a decisão do tribunal que acolhe, contra o réu, nulidade não argüida no recurso da acusação, ressalvados os casos de recurso de ofício.”
Princípio da Irrecorribilidade dos despachos: as interlocutórias simples são recorríveis, as mistas não. SEMPRE cabe ou pode caber Embargos Declaratórios.
Complementaridade recursal: recurso com base numa situação (decisão), se houver fato superveniente pode complementar o recurso.
Quando se retrata, opera-se uma inversão do gravame (sucumbência-prejuízo). Aquele que inicialmente não era o prejudicado passa a ser.
“Art. 589. Com a resposta do recorrido ou sem ela, será o recurso concluso ao juiz, que, dentro de dois dias, reformará ou sustentará o seu despacho, mandando instruir o recurso com os traslados que Ihe parecerem necessários.
Parágrafo único. Se o juiz reformar o despacho recorrido, a parte contrária, por simples petição, poderá recorrer da nova decisão, se couber recurso, não sendo mais lícito ao juiz modificá-la. Neste caso, independentemente de novos arrazoados, subirá o recurso nos próprios autos ou em traslado.”
Se couber recurso da nova decisão. 
ATENÇÃO: A decisão de recebimento é IRRECORRÍVEL.
Apelação
	Apelação é um recurso por excelência. Permite a ampla discussão sobre a matéria. Um novo julgamento sobre o julgado (Carnelutti).
Tem dois momentos: interposição e razões. Pode ser interposta por petição ou termo nos autos. CINCO DIAS para interpor e OITO DIAS para razões. 
Exceção: assistente da acusação (15 dias).
Art. 593:
I – sentença definitiva NÃO SIGNIFICA transito em julgado, mas sim de mérito (que condena ou absolve).
II – decisão que decreta perempção, impronúncia etc as que não estão previstas no rol do RSE (art. 581). Apelação “genérica”.
III – Tribunal do Júri: 
“Súmula 713 STF: O efeito devolutivo da apelação contra decisões do Júri é adstrito aos fundamentos da sua interposição.”
A devolução da matéria fica adstrita a alínea na qual a apelação foi fundamentada.
Nulidade POSTERIOR à pronúncia, pois se há uma nulidade anterior à pronúncia alega como preliminar do RSE. Consequência: se for acolhido o recurso, repetição do julgamento.
Sentença do Juiz-Presidente: acolhendo o recurso, o tribunal ad quem RETIFICA, não há novo júri (§ 1º).
Erro ou Injustiça: nas hipóteses em que o juiz viola o artigo 59 ou quando a pena é injusta, ou seja, excessiva. Se o tribunal der provimento RETIFICA, sem novo júri (§ 2º).
Decisão manifestamente contrária a prova dos autos: decisão completamente isolada, sem nenhum abrigo na prova dos autos (§ 3º). Não cabe contra sentença absolvitória.
Discussão sobre qualificadora: durante muito tempo se entendia que cabia na alínea “c”, hoje é pacífico que a discussão deve ser feita na letra “d”.
Apelação pegar última aula
Embargos Infringentes
Só cabem de um julgamento não unânime (2x1) proferido ao julgar uma Apelação, RSE ou Agravo da LEP.
- Não possui os dois momentos da Apelação e do RSE, interposição e razões juntas -> Prazo único de 10 DIAS. 
É EXCLUSIVO da defesa.
Como regra geral têm efeito SUSPENSIVO, mas existe um problema em relação a divergência parcial e o Recurso Especial e Recurso Extraordinário.
Condenação do Réu - TRF ou TJ 
- Preliminar de nulidade: 3x0 rejeitam a preliminar. REsp e RE 15dias.
- Mérito da Absolvição: 2x1 2 condenam e 1 absolve. -> EI 10dias.
- Justiça Federal: Primeiro EI e depois RE e/ou REsp (analogia art. 498 CPC).
“Art. 498 - Quando o dispositivo do acórdão contiver julgamento por maioria de votos e julgamento unânime, e forem interpostos embargos infringentes, o prazo para recurso extraordinário ou recurso especial, relativamente ao julgamento unânime, ficará sobrestado até a intimação da decisão nos embargos.”
“Art. 609. Os recursos, apelações e embargos serão julgados pelos Tribunais de Justiça, câmaras ou turmas criminais, de acordo com a competência estabelecida nas leis de organização judiciária.
Parágrafo único. Quando não for unânime a decisão de segunda instância, desfavorável ao réu, admitem-se embargos infringentes e de nulidade, que poderão ser opostos dentro de 10 (dez) dias, a contar da publicação de acórdão, na forma do art. 613. Se o desacordo for parcial, os embargos serão restritos à matéria objeto de divergência.”
- Justiça Estadual/TJRS: interposição simultânea, quanto ao 2X1 EI e quanto a preliminar REsp e/ou RE.
OU
- 2x1 da preliminar: EI depois RE e/ou REsp.
- 3x0 do mérito: NADA.
Embargos Declaratórios (arts. 382 e 619-620)
Cabem de qualquer decisão, despacho ou sentença. Inclusive de despacho de mero expediente. Não se exige preparo, e QUALQUER das partes pode interpor. A interposição se dá por petição já com a fundamentação.
Decisão de primeiro grau: art. 382 CPP.
“Art. 382. Qualquer das partes poderá, no prazo de 2 (dois) dias, pedir ao juiz que declare a sentença, sempre que nela houver obscuridade, ambigüidade, contradição ou omissão.”
Prazo de 02 dias com efeito interruptivo.
Exceção: JECRIM art. 83, Lei 9.099 -> 05 dias com efeito suspensivo.
Decisão de segundo grau: arts. 619 e 620 CPP.
“Art. 619. Aos acórdãos proferidos pelos Tribunais de Apelação, câmaras ou turmas, poderão ser opostos embargos de declaração, no prazo de dois dias contados da sua publicação, quando houver na sentença ambiguidade, obscuridade, contradição ou omissão.
Art. 620. Os embargos de declaração serão deduzidos em requerimento de que constem os pontos em que o acórdão é ambíguo, obscuro, contraditório ou omisso.”
Excepcionalmente, podem ser utilizados para pré-questionamento de REsp e RE.
Efeito regressivo, volta para o mesmo juiz que proferiu