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beiral de prédios, distância, parede-meia, etc. Tais limitações visam ilidir ou dar a solução para os conflitos que ocorram.
b) Responsabilidade por dano causado 
O proprietário que construir responde pelos prejuízos que causar ao vizinho. Veja-se RT, 265/265. Não se perquire de culpa (RT, 263/246). O engenheiro é responsável junto com o proprietário. Vide ainda Apelação Cível n° 70014235295 da 19ª Câmara Cível do TJRS, tendo como relator o Dês. Gunther Spode, julgado em 28/3/2006.
c) Meios de defesa do proprietário vizinho
Para se defender contra edificação em terreno vizinho, que: 
- invada a área do seu prédio; 
- sobre este deite goteira; 
- a menos de metro e meio da divisa abra janela, eirado, terraço ou varanda, confere a lei ao proprietário a ação de nunciação de obra nova”, diz Sílvio Rodrigues. Esta ação está disciplinada no artigo 934 do Código de Processo Civil.
d) Devassamento da propriedade alheia. CC, art. 1.301
Proíbe a lei que se construa janela, faça eirado, terraço ou varanda, a menos de metro e meio do prédio confinante. 
Não está proibida a construção de frestas, seteiras ou óculos para luz, não maiores de 10 cm de largura por 20 de comprimento.
	
Tem-se admitido, diz Sílvio Rodrigues, a construção de janelas a menos de metro e meio, se tapadas com caixilhos não basculantes, mas fixos com vidros opacos (RT, 178/756; 179/199; 181/658; 184/312).
	
A jurisprudência, diz Sílvio Rodrigues, vem aceitando a servidão de luz, de modo que, não sendo reclamada, no prazo de até ano e dia, a construção de uma janela a menos de metro e meio da divisa, adquire o dono do prédio que construiu a janela servidão de luz, impedindo que o outro construa, tirando-lhe a luz. No mesmo sentido, o artigo 1.302. 
Veja-se acórdãos prolatados ainda na vigência do CC/16:
APELAÇÃO CÍVEL. NUNCIAÇÃO DE OBRA NOVA. DIREITO DE VIZINHANÇA. PROVA. SERVIDÃO DE LUZ E VENTILAÇÃO.
I. Compete ao Julgador as conclusões sobre a prova produzida. Inteligência do art. 131 do CPC.
II. Existência de janela há mais de uma década em moradia edificada muito próxima à linha divisória. Pretensão deduzida contra a edificação de um muro e/ou paredão rente à linha divisória obstaculizando por completo a função da janela. Inteligência do artigo 576 do CC.
Apelo improvido.
(AC N° 70002494854. 17ª CC/TJRS. Rel. Des. Alexandre Mussoi Moreira. J. 18/12/2001).
DIREITO DE VIZINHANÇA. Terraço. Ação demolitória.
Contra a construção do terraço a menos de metro e meio do terreno vizinho (art. 573 do CC), cabia ação de nunciação de obra nova até o momento de sua conclusão, entendendo-se como tal aquela a que faltem apenas trabalhos secundários.
Uma vez concluída a obra (faltava apenas a pintura), cabível a ação demolitória, com prazo decadencial de ano e dia (art. 576 do CCvil), que se iniciou a partir da conclusão e não se interrompeu com a notificação administrativa.
Recurso conhecido e provido.
(REsp N° 311.507-AL – Rel. Min. Ruy Rosado de Aguiar – J. 11/9/2001).
REsp. N° 85.806 – Rel. Min. Eduardo Ribeiro – J. 25/5/2000. Com relação a janelas e goteiras, entende que não se deve demolir a obra se os vícios podem ser corrigidos.
Não constituem servidão as seteiras, óculos, etc. O proprietário lindeiro, a todo o tempo, pode levantar construção, mesmo que vede a claridade (Art. 1.302, par.ún).
Na zona rural, o proprietário não pode construir a menos de três metros do terreno vizinho (art. 1.303).
e) Águas e beirais 
O CC/16, art. 575, dispunha: 
O proprietário edificará de maneira que o beiral do seu telhado não despeje sobre o prédio vizinho, deixando, entre o prédio e o beiral, quando por outro lado o não possa evitar, um intervalo de 10 centímetros, pelo menos.
O Código de 2002 suprimiu o intervalo mínimo de 10 centímetro, que exigia o Código de 1916.
CC/02, art. 1.300
O proprietário construirá de maneira que o seu prédio não despeje águas, diretamente, sobre o prédio vizinho.
Direito de vizinhança. Telhado que está escorado no muro que separa os terrenos lindeiros e faz escorrer água em direção ao lote do autor.
Desnecessidade de prova pericial. 
Admissão do fato pela recorrente que aliada à prova fotográfica torna desnecessária a prova pericial. Preliminar afastada.
Alegação de demanda proposta com espírito emulativo. Argumento que se evidencia como inovação no recurso, eis que não havia sido levantada por ocasião da resposta, não podendo ser conhecido.
Mérito. Prova evidenciando que o telhado está escorado sobre o mudo e que águas pluviais que dali escorrem se direcionam ao terreno do autor. Existência de calha que não afasta a pretensão, até porque a dita calha invade o espaço do lote do autor. (Recurso Inominado Nº 71000975904, Primeira Turma Recursal Cível, Juizado Especial Cível. J. 19/10/2006).
Ação de nunciação de obra nova. Construção de garagem pelo requerido que causaria prejuízo às autoras. Prova pericial indicando que a obra realizada pelo réu permitiria, de forma indevida, que as águas pluviais vertessem para o terreno das autoras, causando danos à propriedade lindeira. Mau uso da propriedade. Perícia não impugnada. Sentença integralmente mantida. (Apelação Cível Nº 70017161282, 20ª CC, TJRS, Rel. Dês. José Aquino Flores de Camargo, J. 25/10/2006).
f) Direito de travejar. CC, art. 1.304
Diz Washington que neste artigo 1304, “o Código outorga ao proprietário o direito de madeirar na parede divisória do prédio contíguo, caso ela suporte a nova construção. Corresponde esse direito à servidão de meter trave (de tigni immittendi) e subordinado está a duas condições: a) que a nova construção se levante em cidade, vila ou povoado; b) que a edificação esteja obrigada a determinado alinhamento”. 
Vide apelação Cível n° 583010897 – 1ª CC – TJRS – Rel. Des. Athos Gusmão Carneiro – J. 23/8/1983.
g) Parede divisória.CC, art. 1.305
O confinante que primeiro construir pode assentar a parede divisória até meia espessura no terreno contíguo. Isso quer dizer que aquele que primeiro construir pode invadir o terreno do vizinho. A construção, embora esteja utilizando o terreno do vizinho, continua pertencendo àquele que construiu. Entretanto, pode o dono do terreno invadido adquirir a meação, pagando a metade do valor da obra. Não obstante, se o dono do terreno invadido travejar (meter trave) a parede divisória, o que construiu pode exigir o pagamento da metade do valor da construção. Nessa hipótese, não só o uso, mas também a propriedade passa a ser comum. No caso, Silvio Rodrigues, referindo-se a Clóvis Beviláqua, afirma que é o invasor do terreno vizinho quem tem o arbítrio de marcar a largura e a profundidade do alicerce cavado em terreno alheio.
h) Parede-meia. CC, art. 1.306
Parede-meia é aquela que, separando dois prédios, pertence em comum aos donos dos mesmos.
A parede-meia pode ser utilizada pelo confinante até meia espessura, observando-se as seguintes condições: 
- não por em risco a segurança e a separação dos prédios; 
- não fazer armários ou obras semelhantes, já existindo essas mesmas obras no lado oposto; 
- ser dado prévio aviso ao vizinho.
i) Proteção de nascentes e poços. CC, arts. 1.309 e 1.310
O artigo 1.309 do Código Civil veda construção capaz de poluir ou inutilizar a água de poços ou fontes alheios. 
O artigo 1.310 do Código Civil proíbe escavações que possam tirar a água necessária de poço ou fonte de outrem.
j) O uso do prédio confinante. CC, art. 1.313
O proprietário tem o direito de ingressar no prédio confinante, se precisar fazer reparação, limpeza, construção ou reconstrução no seu, como consertar esgotos, goteiras, poços, etc. 
Ao ingresso no seu prédio não pode se opor o vizinho, mas o proprietário que precisar nele ingressar dever dar aviso prévio e aceitar certas restrições, como horário, etc. Fica ainda obrigado a reparar qualquer dano que venha causar.
Na apelação cível n° 70014308241