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Conteúdo - Coisas - Para moodle - 459-469 - 2014-1

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alheia de aquisição.” 
Pablo Stolze Gagliano e Rodolfo Pamplona Filho (Vol.IV, tomo 2) entendem que “melhor seria colocá-lo em categoria própria, qual seja, de direito real à aquisição da coisa (ad rem), uma vez que não guarda a suficiente identidade com as duas outras categorias (gozo/fruição ou garantia) para o fim de encontrar assento em qualquer delas”. 
Serpa Lopes: ‘..., temos essa figura jurídica recém-introduzida no nosso direito, a do ônus real resultante do compromisso de compra e venda, a que denominamos de direito real de aquisição, ...”.
Luciano de Camargo Penteado: “O direito do promitente comprador é direito de aquisição”.
Cristiano Chaves de Farias e Nelson Rosenvald: “O registro da promessa de compra e venda gera um direito real à aquisição,...”.
d) Requisitos
d1) Contrato irretratável;
d2) Tem como objeto bem imóvel, alienável, loteado ou não loteado, rural ou urbano, edificado ou não;
d3) Pagamento do preço à vista ou em parcelas;
d4) Partes capazes;
d5) Registro do contrato no Registro de Imóveis. *O registro é dispensado para a adjudicação nos termos da súmula n.º 239 do STJ. 
e) Constituição
Por instrumento público ou particular – artigo 1.417.
f) Efeitos
f1) Oponibilidade “erga omnes”;
f2) Transmissibilidade aos herdeiros;
f3) Direito de seqüela;
f4) Imissão na posse;
f5) Cessão da promessa sem necessidade do consentimento do promitente-vendedor;
f6) Purga da mora;
g) Adjudicação compulsória 
No caso de recusa da outorga da escritura definitiva, pode o promissário-comprador propor a ação de adjudicação compulsória. Vide 1.418 do Código Civil.
Para a adjudicação compulsória, não se exige o registro do contrato no Registro de Imóveis, entende o STJ. 
Súmula 239 do STJ: O direito à adjudicação compulsória não se condiciona ao registro do compromisso de compra e venda no cartório de imóveis.
h) Extinção
O direito real de aquisição se extingue-se:
h1) Pela execução voluntária do contrato;
h2) Pela execução compulsória (adjudicação);
h3) Pelo distrato (=dissolução por mútuo consentimento);
h4) Pela resolução (com intervenção judicial, ex.: mora);
h5) Pelo perecimento do imóvel em razão de caso fortuito ou força maior;
h6) Pela desapropriação;
h7) Pelo vício redibitório;
h8) Pela evicção.
Dia 12/06/2014 – Recesso Escolar – Copa do Mundo – Jogo da seleção
Dia 19/06/2014 – Corpus Christi – Feriado Municipal
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14.ª AULA – 26/06/2014 
4.3 Dos direitos reais de garantia
4.3.1 DO PENHOR – CC, arts. 1.431-1.472
4.3.1.1 - Espécies
4.3.1.1.1 – Penhor comum ou civil (Rizzzardo)
a) Definição
É a entrega de uma coisa móvel, ou mobilizável, alienável, pelo devedor, ou por terceiro, ao credor, para garantir um débito.
É “a efetiva transmissão da posse direta, ou a transferência de um bem móvel das mãos ou do poder do devedor, ou de terceiro anuente, os quais têm o poder dominial sobre o mesmo, para o poder e a guarda do credor, ou da pessoa que o representa, com a finalidade de garantir a satisfação do débito” (Rizzardo).
b) Sujeitos
b.1) Devedor pignoratício – pode ser tanto o próprio devedor como um terceiro.
b.2) Credor pignoratício – pessoa que empresta o dinheiro e recebe a coisa.
c) Características
c.1) É um direito real de garantia (CC, art. 1.225, VIII);
c.2) É um direito acessório;
c.3) Depende da tradição;
c.4) Em regra, recai sobre coisa móvel. * Exceção: Penhores rurais, industrial e sobre direitos. Obs.: Em alguns casos, bens móveis são objeto de hipoteca, como, navios, ferrovias e aeronaves.
c.5) Objeto alienável;
c.6) Devedor deve ser o proprietário do bem.
c.7) Pacto comissório proibido;
c.8) Direito real uno e indivisível;
c.9) É temporário.
d) Constituição
d.1) Por convenção
É feito por instrumento público ou particular e deve ser registrado no Registro de Títulos e Documentos (Lei n.º 6.015/73, art. 127, II).
d.2) Por lei
É a própria norma jurídica que constitui o penhor, objetivando proteger determinados credores, dando-lhes o direito de tomar certos bens como garantia, até a obtenção do pagamento.
e) Direitos e deveres do credor pignoratício
- Direitos
- Investir na posse da coisa empenhada;
- Proteger a posse;
- Reter o objeto empenhado até o cumprimento da obrigação;
- Promover a venda judicial (ou amigável se houver contrato) do bem;
- Receber preferencialmente o pagamento;
- Exigir o reforço da garantia se houver deterioração;
- Ressarcir-se de qualquer prejuízo sofrido em razão de vício do produto (CC, art. 1.433, III);
- Receber o valor do seguro dos bens ou animais empenhados, caso venham a perecer;
- Apropriar-se dos frutos da coisa;
- Promover a venda antecipada, com autorização judicial, se houver risco de que a coisa venha perecer;
- Não ser constrangido a devolver o bem antes de satisfeita a obrigação (art. 1.434).
 Deveres
- Não usar a coisa;
- Custodiar a coisa;
- Ressarcir qualquer dano que a coisa sofrer por sua culpa;
- Restituir o bem gravado, uma vez paga a dívida;
- Entregar o que sobrar do preço da venda;
- Defender a posse da coisa;
- Imputar o valor dos frutos nas despesas de guarda e conservação, nos juros e no capital (art. 1.435, III).
f) Direitos e deveres do devedor pignoratício
- Direitos
- Não perder a propriedade;
- Conservar a posse indireta;
- Impedir que o credor faça uso da coisa;
- Exigir do credor o ressarcimento de prejuízos que a coisa sofrer por culpa do credor;
- Receber o remanescente do preço da venda da coisa empenhada;
- Reaver o bem, uma vez paga a dívida.
- Deveres
- Pagar as despesas feitas pelo credor com a guarda e conservação do bem gravado;
- Indenizar o credor de todos os prejuízos causados por vícios da coisa empenhada;
- Reforçar o ônus real, quando necessário;
- Obter licença do credor para alienar o bem, sob pena de incorrer no delito do artigo 171, § 2º, III, do Código Penal;
- Pagar a dívida e exibir todos os objetos gravados, na execução do penhor, sob pena de prisão administrativa.
4.3.1.1.2 - Penhor rural
a) Definições
Divide-se em penhor agrícola e penhor pecuário.
O penhor agrícola (CC, art. 1.442) recai sobre culturas; o penhor pecuário, sobre animais.
b) Objeto do penhor agrícola – art. 1.442.
São: colheitas pendentes ou em formação; frutos armazenados ou acondicionados; lenha cortada e carvão vegetal; máquinas e instrumentos agrícolas; animais do serviço ordinário de estabelecimento agrícola.
c) Objeto do penhor pecuário – art. 1.444
 
São os animais que se criam para a indústria pastoril, agrícola ou de laticínios.
Vide:
AI N° 70014822381- 15ª CC – TJRS – Rel.Des. Otávio Augusto de Freitas Barcellos –J. 17/4/2006.
d) Direito à inspeção – art. 1.441
O credor tem direito de verificar o estado das coisas empenhadas.
e) Bens imóveis por acessão 
O penhor rural recai sobre bens imóveis por acessão física ou intelectual, porquanto, segundo dispõe o artigo 79 do Código Civil, as culturas, frutos pendentes, máquinas e animais empregados no serviço de uma propriedade rural são considerados como imóveis (Maria Helena Diniz), pois não faria sentido, por um lado, conceder o empréstimo, por outro, retirar do devedor os meios de produção.
CC/02, art. 79 – São bens imóveis o solo e tudo quanto se lhe incorporar natural ou artificialmente.
O credor, então, recebe a posse indireta, ficando o devedor com a posse direta, na qualidade de depositário. 
f) Dispensa da tradição 
Contrariando regra geral do penhor, aqui, o requisito da tradição é dispensado (CC, art. 1.431, § ún).
g) Registro – CC, art. 1.438; Lei n.º 6.015/77, art. 167, I, n.º 15.
Para ter eficácia contra terceiros, é necessário o registro no Registro de Imóveis da situação da coisa. 
No título