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Conteúdo - Coisas - Para moodle - 459-469 - 2014-1

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à agressão.
Esse dispositivo prevê duas situações diferentes: a legítima defesa da posse, no caso de turbação; e o desforço imediato, no caso de esbulho. (Washington)
É a autotutela da posse.
Washington de Barros Monteiro sustenta que “..., só o possuidor, direto ou indireto, tem direito de lançar mão dessa defesa excepcional, excluído, pois, o mero detentor, como preposto. Por outro lado, não importa que a posse seja justa ou injusta, de boa ou má-fé”. 
Contrário a essa idéia, temos Orlando Gomes que, referindo-se as pessoas detentoras, assevera: “A elas se reconhece, por exemplo, o direito ao desforço in continenti, na hipótese de turbação da posse, o qual, embora em caráter de exceção, é um meio de defesa da posse. 
Arnaldo Rizzardo parece compartilhar da idéia de Orlando Gomes, à medida que o cita e se refere a Guido Arzua, no mesmo sentido: “É deles também o direito de exercer a defesa contra terceiros: eles podem exercê-la fora, porque têm a coisa para protege-la sob as ordens do possuidor ou como auxiliares deles”. 
b) Os interditos possessórios.
Afora a legítima defesa, a posse deve ser protegida via judicial.
Interditos possessórios são ações processuais que o possuidor pode usar para defender a sua posse.
Interditos (interdicere = proibir) era o nome usado pelo pretor romano para designar as medidas que paralisavam a penetração do terceiro na esfera jurídica do possuidor, hoje, chamadas ações possessórias. (Caio Mario) 
	
Três são as ações possessórias:
b1) Ação de manutenção de posse 
É a medida judicial utilizada pelo possuidor que sofre turbação. 
Turbação são atos que embaraçam, perturbam o exercício da posse, mas o possuidor não a perde, não é desapossado. 
Visa a manter o possuidor na posse em que está sendo turbado. 
A jurisprudência admite ação possessória entre compossuidores. Veja-se:
COMPOSSE. Área comum pro indiviso. Turbação.
É cabível ação possessória intentada por compossuidores para combater turbação ou esbulho praticado por um deles, cercando fração da gleba comum.
Advogado. Regularidade da representação julgada à vista da legislação estadual.
Recurso não conhecido. (REsp N° 136922-TO. Rel. Min. Ruy Rosado de Aguiar. 4ª T. STJ. J. 18/12/1997) 
No mesmo sentido, com referência ao direito real de habitação, em que a viúva é molestada na posse do imóvel em que reside pelo próprio filho, herdeiro do mesmo imóvel, o REsp N° 616.027-SC.
b2) Ação de reintegração de posse 
É a ação que deve intentar aquele que sofreu esbulho, ou seja, por violência, clandestinidade ou precariedade, perdeu, contra a sua vontade, a posse da coisa. 
O esbulhado deve provar o esbulho pela violência ou clandestinidade, ocorrido a menos de ano e dia, ou pela precariedade.
Código Civil, artigo 1.210 – O possuidor tem direito de ser mantido na posse, em caso de turbação, restituído, no de esbulho, e segurado de violência iminente, se tiver justo receio de ser molestado.
Código de Processo Civil, artigo 926 – O possuidor tem direito a ser mantido na posse em caso de turbação e reintegrado no de esbulho. 
b3) Ação de interdito proibitório – CC, art. 1.210,última parte, 
Esta medida é utilizada ao possuidor que sofre ameaça à sua posse. 
Visa a impedir que a ameaça se concretize. 
O possuidor deve provar a sua posse, a ameaça e o justo receio de ser molestado ou esbulhado. 
O Código Civil de 1.916, artigo 501, prescrevia – O possuidor, que tenha justo receio de ser molestado na posse, poderá impetrar ao juiz que o segure da violência iminente, cominando pena a quem lhe transgredir o preceito. Esta regra está no artigo 1.210, última parte do Código atual. 
Código de Processo Civil, artigo 932 – O possuidor direto ou indireto, que tenha justo receio de ser molestado na posse, poderá impetrar ao juiz que o segure da turbação ou esbulho iminente, mediante mandado proibitório, em que se comine ao réu determinada pena pecuniária, caso transgrida o preceito.” 
A jurisprudência vem entendendo ser inadequado o ajuizamento de interdito proibitório para defender propriedade industrial, asseverando que somente as coisas corpóreas receberiam tal proteção. Vide a respeito Agravo de Instrumento n.º 70016408312, da Décima Oitava Câmara Cível do TJRS, de que foi relator o Desembargador Mário Rocha Lopes Filho, julgado em 10/08/2006. O acórdão cita, neste sentido, Humberto Theodoro Júnior (Curso de Direito Processual Civil. 28ª ed. Forense, volume 3, p. 126). 
Com referência ao direito autoral, o STJ editou a Súmula 228: É inadmissível o interdito proibitório para a proteção do direito autoral. 
Tratando-se de imóvel público, entendeu o STJ: 
INTERDITO PROIBITÓRIO. OCUPAÇÃO DE ÁREA PÚBLICA, PERTENCENTE À “COMPANHIA IMOBILIÁRIA DE BRASÍLIA – TERRACAP”. INADMISSIBILIDADE DA PROTEÇÃO POSSESSÓRIA NO CASO. 
- A ocupação de bem público, ainda que dominical, não passa de mera detenção, caso em que se afigura inadmissível o pleito de proteção possessória contra o órgão público. Não induzem posse os atos de mera tolerância (art. 497 do CC/1916). 
Recurso Especial não conhecido. (REsp N.º 146.367-DF – Rel. Min. Barros Monteiro – J. 14/12/2004). 
Ação possessória proposta por compossuidor contra compossuidor.
A jurisprudência vem entendendo ser possível. 
COMPOSSE. Área comum pro indiviso. Turbação.
É cabível ação possessória intentada por compossuidores para combater turbação ou esbulho praticado por um deles, cercando fração da gleba comum.
Advogado. Regularidade da representação julgada à vista da legislação estadual.
Recurso não conhecido. (REsp N° 136922-TO. Rel. Min. Ruy Rosado de Aguiar. 4ª T. STJ. J. 18/12/1997)
Exceção do domínio – CC/16, art. 505; CPC, art. 923
Em juízo possessório, a regra é a da inadmissibilidade da querella proprietatis” (Washington).
 
Reza o Código de Processo Civil, artigo 923 – Na pendência do processo possessório, “é defeso, assim ao autor como ao réu, intentar a ação de reconhecimento do domínio.”
Antes, diz Sílvio Rodirgues, este dispositivo continha uma segunda parte, assim: “Não obsta, porém, à manutenção ou reintegração na posse a alegação de domínio ou de outro direito sobre a coisa; caso em que a posse será julgada em favor daquele a quem evidentemente pertencer o domínio. 
Esta segunda parte foi suprimida pela Lei n.º 6.820, de 16 de setembro de 1980, o que levou Theotônio Negrão informar, diz Sílvio Rodirgues, “em seu Código de Processo Civil e legislação processual, que para uma corrente a exceptio proprietis não mais existe em nosso direito, por ter sido suprimida por aquela lei de 1980”
Dispunha o Código Civil/16, artigo 505 - “Não obsta à manutenção, ou reintegração na posse, a alegação de domínio, ou de outro direito sobre a coisa. Não se deve, entretanto, julgar a posse em favor daquele a quem evidentemente não pertencer o domínio.”. 
O Novo Código Civil, dispôs:
Art. 1.210, .......
Parágrafo 2.º Não obsta à manutenção ou reintegração na posse a alegação de propriedade, ou de outro direito sobre a coisa. 
Veja-se que o novo código suprimiu a segunda parte do artigo 505 do antigo.
O Supremo Tribunal, interpretando a matéria, editou a Súmula 487.
Súmula 487 – “Será deferida a posse a quem, evidentemente, tiver o domínio, se com base neste for ela disputada”. 
A exceptio proprietatis, continua afirmando Sílvio Rodrigues, “é invocável quando no juízo possessório nenhuma das partes prova a sua posse ou então quando os litigantes reclamam a posse alegando o domínio”. 
Ainda, Sílvio Rodrigues afirma que a jurisprudência limitou a possibilidade da exceção do domínio a duas hipóteses: 
“A primeira ocorre quando os litigantes disputam a posse com fundamento em prova de domínio”;
“A segunda, quando o exame da prova produzida não tenha sido capaz de dissipar a dúvida no que respeita ao verdadeiro possuidor”. 
Prosseguindo, cita aresto do STF, em que: “A