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Linhas de Contorno Estrutural

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LINHAS DE CONTORNO ESTRUTURAL 
• CAMADAS HORIZONTAIS 
 
 O padrão de afloramento dos contatos (topo e base) de camadas horizontais é bastante 
simples – os contatos seguem os traçados das curvas de nível, porque também são planos 
horizontais que definem linhas semelhantes às curvas de nível. Portanto, os contatos seguem as 
formas e as cotas das curvas de nível (Fig. 5a). Por exemplo, se os planos opqr e mnst da figura 2 
fossem contatos litológicos, seus traços seriam as linhas mn e op, tanto na topografia como na 
mesma cota topográfica do mapa geológico resultante. Assim, camadas horizontais não possuem 
linhas de strike, pois não há interseções. 
 Por não possuírem direção, camadas horizontais têm suas atitudes representadas em mapas 
geológicos por uma cruz de braços iguais. 
 
• CAMADAS VERTICAIS 
 
Contatos verticais também tem um padrão de afloramento simples – em linhas 
aproximadamente retilíneas que cortam indiscriminadamente a superfície topográfica (Fig. 5c). A 
figura 2 é o próprio exemplo. 
Em mapas geológicos, atitudes verticais são representadas por uma linha reta de tamanho 
apropriado (1 cm) orientada conforme a direção do contato, cortada por dois segmentos menores 
(0,5 cm) perpendiculares a essa direção indicando inclinação para ambos os lados. 
Um mapa de linha de strike de um contato perfeitamente vertical resume-se a uma só linha 
de strike uma vez que todas as outras serão projetadas no mesmo lugar. Daí percebe-se que o 
espaçamento entre as linhas de strike varia conforme o seu ângulo de mergulho: quanto mais 
próximas, maior o ângulo de mergulho. 
 
• CAMADAS INCLINADAS – REGRA DOS V’s 
 
O padrão de afloramento dos contatos de topo e base de camadas inclinadas é o de linhas 
sinuosas, que cortam uma mesma curva de nível em pelo menos dois pontos. Nos vales e drenagens, 
os contatos desenham um V cujo vértice aponta para a direção do seu mergulho (verdadeiro). Nas 
encostas acontece o oposto. Esta é a regra dos V’s, com aplicação poderosíssima no mapeamento 
geológico e na interpretação de mapas geológicos: 
 
1- Camadas inclinadas no sentido oposto ao declive da drenagem – os contatos fazem um V 
cujo vértice aponta para drenagem acima (Fig. 5b). 
 
2- Camadas inclinadas no mesmo sentido ao declive da drenagem – os contatos fazem um 
V cujo vértice aponta para drenagem abaixo (Fig. 5d). 
 
 
3- Camadas inclinadas com ângulo de mergulho igual ao declive topográfico da drenagem 
– os contatos não interseptam o fundo dos vales, sòmente suas encostas gerando seus 
traços nestes lugares (Fig. 5e). 
 
4- Camadas inclinadas no mesmo sentido do declive da drenagem, porém, com ângulo de 
mergulho menor que o do declive topográfico – os contatos fazem um V cujo vértice 
aponta drenagem acima, porém, mais fechado que o do modelo da Fig. 5b (Fig. 5f). 
 
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Fabio Vito Pentagna Paciullo LINHAS DE CONTORNO ESTRUTURAL 
 
 
 
Figura 6 – Regra dos V’s. Sucessão sedimentar com camadas mergulhando para o canto inferior 
esquerdo da foto, também indicado pelos vértices dos V’s de seus contatos (mergulham no mesmo 
sentido do declive da drenagem). Extraído da Internet, www.google.com - imagens -rule of V’s. 
 
 
 
MAPAS GEOLÓGICOS x LINHAS DE STRIKE x CURVAS DE NÍVEL 
 
Geometricamente, os traços dos contatos litológicos são produtos da interseção entre linhas 
de strike e curvas de nível ambas de mesma cota (Figs. 2 e 3). Nos mapas gelógicos, o traço de um 
contato litológico é a linha que une todos os pontos-interseçãos entre LS e CN. Desta maneira, um 
mapa geológico seria a superposição de dois tipos diferentes de mapas, de mesma escala – um 
topográfico, expressando o relevo, e outro de linhas de contorno estrutural (linhas de strike) de cada 
contato. Portanto, o que se necessita é produzirmos mapas de linhas de strike para cada contato 
individualmente, incluindo topo e base de cada unidade litológica encontrada. Existem três 
maneiras de se obter isto, considerando que as atitudes são constantes e os contatos estão em 
conformidade: 
 
1. Encontrando-se dois pontos de mesma cota, ao longo de um determinado contato. Unindo-se 
estes dois pontos obtém-se a linha de strike de cota correspondente e, conseqüentemente, a 
direção (strike) do contato. Qualquer outro ponto de cota conhecida, ao longo deste mesmo 
contato, terá sua linha de strike posicionada numa direção paralela a esta. Assim, teremos a 
possibilidade de traçar várias linhas de strike do contato, estabelecendo um espaçamento e 
sentido de mergulho que é um reflexo da sua atitude (Fig. 7). 
 
 
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Fabio Vito Pentagna Paciullo LINHAS DE CONTORNO ESTRUTURAL 
 
 
 Figura 7 – O contato litológico como produto 
da interseção entre linhas de strike x curvas 
de nível, ambas de mesma cota. Três unidades 
litológicas afloram no mapa – conglomerado, 
arenito folhelho. Complete os contatos 
litológicos indicados, assumindo que a 
sucessão está em conformidade e com 
atitudes constantes. Extraído de Bennison, M. 
(1990), An Introduction to Geological 
Structures and Maps, 5th ed., mapa 7, pg. 15. 
 
PROBLEMA DOS TRÊS PONTOS 
 
 
O Problema dos Três Pontos é uma outra técnica de construção geométrica utilizada para 
determinar linhas de strike de um determinado plano estratigráfico ou estrutural. Para tal, é 
necessário obter-se três pontos de cotas diferentes localizados sobre o plano em questão. Dois deles 
terão valores extremos de cota, isto é, cotas máxima e mínima, e o terceiro terá valor intermediário. 
O objetivo é achar a posição da cota intermediária na reta que une os pontos de cotas máxima e 
mínima. Assim, teremos dois pontos de mesma cota no plano estrutural, ou seja, uma linha de strike 
com esta cota (Fig.8). 
 
METODOLOGIA 
 
1. Se o plano estrutural em questão aflora (p.ex. um contato), identifique três pontos de cotas 
diferentes SOBRE ele (Fig. 8a). No caso de dados a partir de furos de sondagem, é 
necessário descontar o quanto foi furado para se chegar no plano em questão. As cotas são 
de pontos sobre o plano e não da posição da sonda. 
2. Una por uma reta os pontos de cotas extremas, ou seja, aqueles de cotas máxima e mínima 
(Fig. 8b). 
3. Escolhido o intervalo entre as linhas de strike (p.ex: 100 metros), divida esta reta em tantos 
segmentos quanto forem necessários para se ter toda a gradação entre os valores máximos e 
mínimos das cotas (Fig. 8b). A fórmula infalível é: 
 segmentos = tamanho da reta ÷ nº de intervalos 
4. Na reta, defina a posição da cota intermediária B’ (Fig. 8b). 
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Fabio Vito Pentagna Paciullo LINHAS DE CONTORNO ESTRUTURAL 
5. Assim, teremos dois pontos de mesma cota no plano em questão, ou seja, a linha de strike 
desta cota (Fig. 8c). 
6. As demais linhas de strike deverão ser paralelas a esta e terem um espaçamento constante 
(Figs. 8d e 8e). 
7. A superposição dos dois mapas, topográfico e de linhas de strike, permite traçar o plano 
estrutural em questão (Fig. 8f). 
 
 
 
 
 
 (a) (b) (c) 
 
 (d) (e) (f) 
 
Figura 8 – Problema dos três pontos, passo a passo. Ver texto explicativo acima. 
 
 
PREDIÇÃO DO PADRÃO DE AFLORAMENTO 
 
 Uma outra forma de se obter um mapa de linhas de strike de um plano estrutural qualquer é 
aquela que considera a sua atitude e a sua altitude: a direção do plano (strike) nos dá a posição e a 
altitude nos dá a cota da