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Apostila FDDJ - DS9 - 1 semestre 2013

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em relação 
às outras áreas da ciência jurídica, uma vez que possui objeto próprio de estudo, 
princípios e conceitos específicos (tais como salário de contribuição e salário de 
benefício) diferentes dos que informam os outros ramos do direito.
Aplicação das normas previdenciárias – Aplicar a lei significa enquadrar 
determinado evento (situação concreta) na norma abstrata (situação genérica prevista 
em lei). Embora sendo a regra do direito, a subsunção não atende por completo todas 
as questões, daí a grande importância da hermenêutica jurídica.
Vigência – é o período que vai do momento em que a norma entra em vigor até o 
momento em que é revogada. Publicada a lei, é preciso identificar em que momento 
ela passa a ter vigência e até quando vigorará. 
Hierarquia – é a ordem de graduação entre as normas jurídicas, de forma que a 
superior é o fundamento de validade da inferior. Se as normas estiverem no mesmo 
patamar hierárquico, aplicam-se as regras: 1. norma específica prevalece sobre a 
geral; 2. in dúbio pro misero - deve ser utilizada a lei mais benéfica à parte mais fraca.
Interpretação – tem por objetivo extrair o verdadeiro significado do regramento jurídico. 
Os métodos mais comumente utilizados são a Gramatical, Sistemática, Histórica e 
Teleológica.
Integração – é a busca de outra norma para adaptação ao caso concreto quando 
houver lacuna da lei. Neste caso, poderão ser utilizadas a analogia, costumes, 
princípios gerais de direito, jurisprudência e equidade.
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EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA SEGURIDADE SOCIAL NO MUNDO E NO BRASIL. 
SEGURO SOCIAL.
Histórico Mundial: A Seguridade Social surgiu como um regime de proteção aos 
trabalhadores, oferecendo-lhes melhores condições de vida.
O primeiro ordenamento legal foi editado na Alemanha pelo chanceler Otto Von 
Bismarck, em 1883, instituindo-se o seguro-doença e estendendo-se posteriormente 
para outros benefícios. A participação do trabalhador era compulsória em conjunto 
com os empregadores e o governo.
A primeira Constituição a incluir o tema previdenciário foi a Carta Mexicana de 1917. 
Evolução histórica brasileira: Foi com a organização privada que se iniciou o seguro 
social brasileiro, sendo que o Estado foi se apropriando do sistema aos poucos, por 
meio de políticas intervencionistas. 
O marco inicial da previdência social brasileira foi a Lei Eloy Chaves, por meio do 
Decreto-Legislativo nº 4.682, de 24 de janeiro de 1923. A partir daí foram criadas as 
Caixas de Aposentadoria e Pensões – CAP’s, para os empregados das empresas 
ferroviárias, mediante contribuição dos empregadores, dos trabalhadores e do Estado, 
assegurando aposentadoria aos empregados e pensão aos seus dependentes. As 
CAP’s eram organizadas por empresas, ou seja, cada empresa possuía a sua Caixa. 
Existiam também as Santas Casas de Misericórdia que atuavam na seguridade social 
no ramo da assistência social. 
Ainda com caráter mutualista existiam os Montepios, tais como o Mongeral – Montepio 
Geral dos Servidores do Estado, primeira entidade de previdência privada no país, 
cuja finalidade era complementar a renda dos servidores quando deixassem de 
trabalhar.
No início da era Vargas (1930-1945) surgem os IAP´s – Instituto de Aposentadoria e 
Pensões, organizados por categoria profissional, agrupando-se as CAP’s e dando 
mais solidez ao sistema previdenciário, uma vez que contavam com um número de 
segurados superior às destas e empresas pequenas sem condições mínimas para a 
criação de uma Caixa de Aposentadoria para seus empregados ficavam 
desprotegidas.
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A partir de 02.01.1967 todos os IAP’s foram unificados no INPS – Instituto Nacional do 
Seguro Social por meio do Decreto-Lei nº 72, de 21.11.1966, consolidando-se o 
sistema previdenciário brasileiro.
Para reorganizar a previdência social foi instituído o SINPAS – Sistema Nacional de 
Previdência e Assistência Social, por meio da Lei 6.439/77, que se tornou o 
responsável pela integração das áreas de assistência social, de previdência social, 
assistência médica e gestão das entidades ligadas ao Ministério da Previdência e 
Assistência Social. O SINPAS compreendia:
• IAPAS – Instituto de Administração Financeira da Previdência e Assistência 
Social, autarquia que administrava os recursos financeiros, responsável pela 
arrecadação, fiscalização e cobrança de contribuições e demais recursos. 
• INPS – Instituto Nacional de Previdência Social, autarquia responsável pela 
administração das prestações (benefícios e serviços). 
• INAMPS – Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência e 
Assistência Social, autarquia responsável pela prestação da saúde, da 
assistência médica.
• LBA – Legião Brasileira de Assistência, fundação pública responsável pela 
assistência social aos carentes.
• FUNABEM – Fundação Nacional do Bem Estar do Menor – fundação pública 
responsável pela promoção de política social em relação ao menor.
• CEME – Central de Medicamentos, órgão ministerial responsável pela 
distribuição de medicamentos por preços acessíveis ou a título gratuito.
• DATAPREV – Empresa de Processamento de Dados da Previdência Social, 
empresa pública que gerencia o sistema tecnológico de informática.
O SINPAS foi extinto em 1990. A Lei 8.029/90 criou o INSS – Instituto Nacional do 
Seguro Social, com a junção do IAPAS e do INPS, autarquia responsável pelo seguro 
social, passando a administrar os recursos financeiros e as prestações da previdência 
social. O INAMPS foi extinto em 1993 e suas atividades integradas ao SUS – Sistema 
Único de Saúde. A LBA e a FUNABEM foram extintas em 1993 e a CEME em 1997.
A Medida Provisória nº 222, de 04. 10.2004, convertida na Lei nº 11.098, de 
13.01.2005, cria a Secretaria da Receita Previdenciária, atribuindo ao Ministério da 
Previdência Social competências relativas à arrecadação, fiscalização, lançamento e 
normatização de receitas previdenciárias.
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A Lei 11.457, de 16.03.2007 cria a Secretaria da Receita Federal do Brasil, unificando 
a Secretaria da Receita Federal e Secretaria da Receita Previdenciária, com o objetivo 
de centralizar num só órgão a receita tributária federal.
Além das competências atribuídas pela legislação vigente à Secretaria da Receita 
Federal, cabe à Secretaria da Receita Federal do Brasil planejar, executar, 
acompanhar e avaliar as atividades relativas a tributação, fiscalização, arrecadação, 
cobrança e recolhimento das contribuições sociais das empresas, incidentes sobre a 
remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço, dos empregadores 
domésticos e dos trabalhadores, incidentes sobre o seu salário de contribuição e ainda 
as contribuições instituídas a título de substituição.
O produto da arrecadação dessas contribuições especificadas e acréscimos legais 
incidentes serão destinados, em caráter exclusivo, ao pagamento de benefícios do 
Regime Geral de Previdência Social e creditados diretamente ao Fundo do Regime 
Geral de Previdência Social. 
A Secretaria da Receita Federal do Brasil prestará contas anualmente ao Conselho 
Nacional de Previdência Social dos resultados da arrecadação das contribuições 
sociais destinadas ao financiamento do Regime Geral de Previdência Social e das 
compensações a elas referentes.
Cabe ao INSS, além das demais competências estabelecidas na legislação que lhe é 
aplicável emitir certidão relativa a tempo de contribuição, gerir o Fundo do Regime 
Geral de Previdência Social e calcular o montante das contribuições referidas emitindo 
o correspondente documento de arrecadação, com vistas no atendimento conclusivo