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3 - INTERVENÇÃO DO ESTADO NA PROPRIEDADE

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casas de saude, clínicas, estações de clima e fontes medicinais;
h) a exploração ou a conservação dos serviços públicos;
i) a abertura, conservação e melhoramento de vias ou logradouros públicos; a execução de planos de urbanização; o parcelamento do solo, com ou sem edificação, para sua melhor utilização econômica, higiênica ou estética; a construção ou ampliação de distritos industriais; (Redação dada pela Lei nº 9.785, de 1999)
j) o funcionamento dos meios de transporte coletivo;
k) a preservação e conservação dos monumentos históricos e artísticos, isolados ou integrados em conjuntos urbanos ou rurais, bem como as medidas necessárias a manter-lhes e realçar-lhes os aspectos mais valiosos ou característicos e, ainda, a proteção de paisagens e locais particularmente dotados pela natureza; 
l) a preservação e a conservação adequada de arquivos, documentos e outros bens moveis de valor histórico ou artístico; 
m) a construção de edifícios públicos, monumentos comemorativos e cemitérios;
n) a criação de estádios, aeródromos ou campos de pouso para aeronaves;
o) a reedição ou divulgação de obra ou invento de natureza científica, artística ou literária;
p) os demais casos previstos por leis especiais.
Interesse social: Art.2º da lei 4.132/62. 
Art. 2º Considera-se de interesse social:
I - o aproveitamento de todo bem improdutivo ou explorado sem correspondência com as necessidades de habitação, trabalho e consumo dos centros de população a que deve ou possa suprir por seu destino econômico;
II - a instalação ou a intensificação das culturas nas áreas em cuja exploração não se obedeça a plano de zoneamento agrícola, VETADO;
III - o estabelecimento e a manutenção de colônias ou cooperativas de povoamento e trabalho agrícola:
IV - a manutenção de posseiros em terrenos urbanos onde, com a tolerância expressa ou tácita do proprietário, tenham construído sua habilitação, formando núcleos residenciais de mais de 10 (dez) famílias;
V - a construção de casa populares;
VI - as terras e águas suscetíveis de valorização extraordinária, pela conclusão de obras e serviços públicos, notadamente de saneamento, portos, transporte, eletrificação armazenamento de água e irrigação, no caso em que não sejam ditas áreas socialmente aproveitadas;
VII - a proteção do solo e a preservação de cursos e mananciais de água e de reservas florestais.
VIII - a utilização de áreas, locais ou bens que, por suas características, sejam apropriados ao desenvolvimento de atividades turísticas. (Incluído pela Lei nº 6.513, de 20.12.77)
Diminuição das desigualdades, proteção do meio ambiente. Pode acontecer aqui a desapropriação para reforma agrária, mas com indenização prévia justa em dinheiro. Esses bens objeto de desapropriação por interesse social traz uma peculiaridade, podem ser alienado depois. Ex: instalação de zonas industriais, ambientais.
Ex: desapropriação por zona é desapropriação segundo interesse social, em que após a construção de certa obra pública, o poder público desapropria em torno da obra para que revenda esses bens já valorizados.
Art. 4o  A desapropriação poderá abranger a área contígua necessária ao desenvolvimento da obra a que se destina, e as zonas que se valorizarem extraordinariamente, em consequência da realização do serviço. Em qualquer caso, a declaração de utilidade pública deverá compreendê-las, mencionando-se quais as indispensaveis à continuação da obra e as que se destinam à revenda.
Dentro da modalidade de desapropriação ordinária ou comum, pode-se encontrar 3 subdivisões em razão da destinação dos bens desapropriados:
Desapropriação por zona ou extensiva
Nessa hipótese o Estado realiza a desapropriação da área para a realização de uma obra, bem como toda a aérea em torna desta obra suscetível de valorização, para depois realizar a venda destes imóveis aos antigos proprietários, aproveitando-se da valorização.
O fundamento dessa subdivisão é a recomposição daquilo que foi investido na obra pública, é o mesmo fundamento da contribuição de melhoria.
Desapropriação para industrialização ou urbanização
Nessa hipótese o Estado, para fins de construir parques industriais ou urbanizar determinada área (organizar a cidade), desapropria determinada área e vende àqueles que pretendem construir indústrias.
Desapropriação Florística ou para fins ambientas
É a realizada para criar APA (Áreas de Preservação Ambiental). Muitas vezes é possível a criação de uma APA com possibilidade de utilização da área para moradia, por exemplo, nesses casos a intervenção do Estado na propriedade dar-se-á através de LIMITAÇÃO ADMINISTRATIVA, não sendo necessária a desapropriação.
Certas APA não permitem qualquer utilização, assim, nesses casos é imprescindível a desapropriação, chamada de florística.
DESAPROPRIAÇÃO SANCIONATÓRIA/EXTRAODRINÁRIA
Ela vem em razão do descumprimento e desrespeito a função social da propriedade. Logo, verifica-se que essa desapropriação tem natureza de sanção/pena, sendo a indenização uma porcaria (realizada através de títulos da dívida pública).
Previsão Legal: Art.5º, XXII e XXIII da CF
XXII - é garantido o direito de propriedade;
XXIII - a propriedade atenderá a sua função social;
Função social da propriedade: definido pela lei 8629/93 (Dispõe sobre a regulamentação dos dispositivos constitucionais relativos à reforma agrária, previstos no Capítulo III, Título VII, da Constituição Federal).
Observação: Ainda que cumprida e respeitada a função social da propriedade, pode a União realizar a desapropriação para reforma agrária, mas nesse caso a desapropriação é ordinária, devendo a indenização ser prévia, justa e em dinheiro.
2.1) DESAPROPRIAÇÃO-SANÇÃO PARA REFORMA AGRÁRIA 
Fundamento Constitucional: Art. 184 e 191 da CF
Previsão Legal: Lei 8629/93 e LC 76/93
Atinge somente bens imóveis rurais (utilização da propriedade com mão de obra em condições análogas a escrava, latifúndio improdutivo, desrespeito das normas ambientais).
Indenização feita em título da dívida agrária (TDA), devendo ser resgatáveis no prazo máximo de 20 anos. Somente a terra nua é paga em título. O que houver em benfeitorias (sede, currais, cercas) deve ser indenizado em dinheiro.
VEDAÇÃO: A desapropriação sanção não pode alcançar a pequena/média propriedade, como único imóvel e a propriedade produtiva.
Art. 185. São insuscetíveis de desapropriação para fins de reforma agrária:
I - a pequena e média propriedade rural, assim definida em lei, desde que seu proprietário não possua outra;
II - a propriedade produtiva.
Art. 184. Compete à União desapropriar por interesse social, para fins de reforma agrária, o imóvel rural que não esteja cumprindo sua função social, mediante prévia e justa indenização em títulos da dívida agrária, com cláusula de preservação do valor real, resgatáveis no prazo de até vinte anos, a partir do segundo ano de sua emissão, e cuja utilização será definida em lei.
§ 1º - As benfeitorias úteis e necessárias serão indenizadas em dinheiro.
§ 2º - O decreto que declarar o imóvel como de interesse social, para fins de reforma agrária, autoriza a União a propor a ação de desapropriação.
§ 3º - Cabe à lei complementar estabelecer procedimento contraditório especial, de rito sumário, para o processo judicial de desapropriação.
§ 4º - O orçamento fixará anualmente o volume total de títulos da dívida agrária, assim como o montante de recursos para atender ao programa de reforma agrária no exercício.
§ 5º - São isentas de impostos federais, estaduais e municipais as operações de transferência de imóveis desapropriados para fins de reforma agrária.
Art. 186. A função social é cumprida quando a propriedade rural atende, simultaneamente, segundo critérios e graus de exigência estabelecidos em lei, aos seguintes requisitos:
I - aproveitamento racional e adequado;
II - utilização adequada dos recursos naturais disponíveis e preservação do meio ambiente;
III - observância das disposições que regulam as relações de trabalho;