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Ventura, M. Direitos H e Saúde

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(s/d). 
DIRECÇÃO NACIONAL DE ÁGUAS. Manual de implementação de 
projectos de abastecimento de água rural. Maputo: DNA, 2008. 
___________________.Plano estratégico de águas e saneamento ru-
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___________________.Plano económico e social - 2007: reabilitação e 
construção de fontes de água e descentralização. Maputo: (s/ed), 2007.
POLÍTICA NACIONAL DE ÁGUAS. Revista água do centro de formação 
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FARIA, F. CHICHAVA, A. (1999). Descentralização e cooperação descen-
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MINISTÉRIO DAS OBRAS PÚBLICAS E HABITAÇÃO. National rural water 
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ArtigoRehana Dauto Capurchande
146
_________________. Relatório - síntese do encontro de 
troca de experiências das ONGs, DPOPH/DAS, admi-
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o processo de descentralização no sector de águas e 
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Cabo Delgado, Nampula: DPOPH, 2009.
GOVERNO DE MOÇAMBIQUE. Plano económico e social. 
Maputo: (s/ed/), 2008.
_________________. Plano económico e social. Maputo: 
Governo de Moçambique, 2007.
_________________ Plano de acção para a redução da pobreza 
absoluta, 2006-2009 (PARPA II). Maputo: MPF, 2006.
__________________Decreto nº 5/2006: atribui aos governado-
res provinciais e aos administradores distritais competências 
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Artigo
147
Rehana Dauto Capurchande
IR ALÉM DOS DIREITOS? EMAN-
CIPAÇÃO E POLÍTICA NO CAMPO DA 
INFÂNCIA E JUVENTUDE
Lucia Rabello de Castro*
* Instituto de Psicologia
 Universidade Federal do Rio de Janeiro
 Coordenadora Científica do NIPIAC/UFRJ – Núcleo de 
Pesquisa e Intercâmbio para a Infância e Adolescência 
Contemporâneas
Resumo: O artigo analisa a emergência das garantias 
de direitos específicos para crianças e jovens no cenário 
brasileiro no tocante: i) às tensões incorporadas nas leis que 
regulam sobre a convivência entre crianças e adultos; ii) à 
problematização do ordenamento jurídico, como a referên-
cia última da ética da convivência social entre gerações. Em 
primeiro lugar, discute-se como a particularidade de crianças 
e jovens pode se constituir como prerrogativa para direitos 
específicos. Em segundo lugar, problematiza-se a eficácia da 
lei de garantias para crianças frente às artimanhas do social em 
um cenário inalterado de desigualdades em relação a crianças 
e jovens. Finalmente, discute-se a pertinência e o alcance de leis 
específicas frente à necessidade de pactos sociais mais amplos 
para que se garanta, de fato, ‘a força da lei’.
 Palavras chave: direitos das crianças e jovens; ética da 
convivência; política; pacto social 
Abstract: The paper analyses the emergence of specific legal 
guarantees for children and youth in the Brazilian society as regards 
to: i) the tensions about the conviviality between children and adults 
that are incorporated in the legal dispositions; ii) the problematization 
of the juridical establishment as the prime reference for an ethics of 
social conviviality between generations. In the first place, the specificity 
of children and youth is discussed as the basis for special and compen-
satory rights; secondly, the efficacy of legal guarantees for children is 
problematized in face of the trickeries of the social in a scenery of deep 
social inequalities affecting children and youth. Finally, it is discussed 
the limits and the relevance of specific legal dispositions in face of the 
* Versão modificada da conferência “Direitos Humanos, Infância e Adolescência: é possível ir além dos direi-
tos?”, apresentada no evento comemorativo de 25 Anos do NUCEPEC, Universidade Federal do Ceará, em 30 
de setembro de 2009. 
 A autora agradece os recursos obtidos pelas agências, Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e 
Tecnológico (CNPQ), e Fundação Carlos Chagas de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ), 
que tornaram possível a elaboração deste artigo. 
Lucia Rabello de Castro Ir além dos direitos? Emancipação e política no campo da infância e juventude 
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need of ampler social pacts to guarantee, in fact, the 
‘force of law’. 
Keywords: children’s and youth’s rights; ethics of 
conviviality; politics; social pact
Lucia Rabello de Castro Ir além dos direitos? Emancipação e política no campo da infância e juventude 
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Introdução
Começo com Norberto Bobbio. Nosso tempo ca-
racteriza-se como um momento histórico distinto, uma 
‘era dos direitos’. Bobbio (2004) refere-se ao consenso 
atingido pela ratificação de 171 estados nacionais em 
torno da Declaração Universal dos Direitos Humanos 
em 1948. Consenso que significou um ‘progresso moral 
da humanidade’, pois, em primeiro lugar, o poder de 
governo e dos governantes instituem, não uma relação 
de deveres, tal como sempre aconteceu - representada 
pelas obrigações dos súditos para com o monarca -, mas 
prerrogativas para os cidadãos. Ou seja, antes de tudo, 
cada ser humano tem, agora, ‘garantias fundamentais’ 
frente ao arbítrio dos mais poderosos: cada indivíduo é 
‘sujeito de direitos’. Neste sentido, um outro patamar nas 
relações entre homens e mulheres parece ter sido atingido 
ao se pactuar, em um nível internacional, a primazia das 
garantias individuais sobre qualquer outro aspecto da convi-
vência, seja o bem comum, ou outros valores, como a ordem, 
a paz ou a união. 
 Mas o consenso atingido pela Convenção não nos li-
vra do terreno movediço em que nos metemos. A ordem das 
garantias, positivizada nas constituições e leis que asseguram 
os direitos, está longe de poder efetivamente livrar os cidadãos 
do arbítrio dos mais fortes e dos mais poderosos. O progresso 
moral, de que fala Bobbio, se coloca muito mais incompleto e 
insuficiente do que supomos. 
Minha proposta, no presente trabalho, será refletir, no que diz 
respeito às garantias que crianças e jovens recentemente adquiri-
ram, como tal progresso está crivado por dificuldades e regressões. 
Vou me deter em duas delas que, a meu ver, são fundamentais a 
saber: i) as tensões que a própria lei incorpora relativas às práticas 
sociais de convivência entre crianças e adultos; ii) ao questiona-
mento do estatuto da lei, dentro das sociedades democráticas, como 
a referência última da ética da convivência social, como aquilo que 
representaria o momento irretocável de progresso moral de que fala 
Bobbio. Esta análise se refere, sobretudo, aos direitos de crianças e 
adolescentes hoje no Brasil.
garantias de crianças e jovens: quais diferen-
ças elas supõem articular no direito positivo?
A ‘especificação’ de garantias para crianças e jovens pretendeu levar 
em conta uma diferença desses sujeitos em relação aos demais. Impôs-se, 
neste sentido, a explicitação e o detalhamento das garantias universais, 
Lucia Rabello de Castro Ir além dos direitos? Emancipação e política no campo da infância e juventude 
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uma vez que a generalidade da garantia universal 
não articulava de modo claro e suficiente, a situação 
particular de existência de crianças e jovens. Então, por 
exemplo, mesmo que nos artigos II e III da Declaração 
Universal se preconize o direito