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Garde Manger Ana Paula Carvalho Lopes Fernandes DIREÇÃO UNICESUMAR Reitor Wilson de Matos Silva, Vice-Reitor Wilson de Matos Silva Filho, Pró-Reitor de Administração Wilson de Matos Silva Filho, Pró- Reitor de EAD Willian Victor Kendrick de Matos Silva, Presidente da Mantenedora Cláudio Ferdinandi. NEAD - NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Direção de Operações Chrystiano Mincoff, Direção de Mercado Hilton Pereira, Direção de Relacionamento Alessandra Baron, Direção Pedagógica Kátia Coelho, Coordenação de Pós-Graduação, Extensão e Produção de Materiais Renato Dutra, Supervisão do Núcleo de Produção de Materiais Nalva Aparecida da Rosa Moura, Projeto Gráfico e Editoração Jaime de Marchi Junior e José Jhonny Coelho, Designer Educacional Maria Fernanda C. Vasconcelos, Revisão Textual Bruno Matsushita, Jaquelina Kutsunugi, Nayara Valenciano, Simone Limonta e Viviane Notari, Fotos Shutterstock. NEAD - Núcleo de Educação a Distância Av. Guedner, 1610, Bloco 4 - Jardim Aclimação - Cep 87050- 900 Maringá - Paraná | unicesumar.edu.br | 0800 600 6360 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ. Núcleo de Educação a Distância: C397 Garde Manger. Ana Paula Carvalho Lopes Fernandes Maringá - PR.: Unicesumar, 2015. 110 p. “Graduação em Gastronomia - EaD”. 1. Gastronomia. 2. Garde Manger . 3. EaD. I. Título. CDD - 22ª Ed. 641 CIP - NBR 12899 - AACR/2 “Promover a educação de qualidade nas diferentes áreas do conhecimento, forman- do profissionais cidadãos que contribuam para o desenvolvimento de uma sociedade justa e solidária” Missão 3 Viver e trabalhar em uma sociedade global é um grande desafio para todos os cidadãos. A busca por tecnologia, informação, conhecimento de qualida- de, novas habilidades para liderança e solução de problemas com eficiência tornou-se uma questão de sobrevivência no mundo do trabalho. Cada um de nós tem uma grande responsabilida- de: as escolhas que fizermos por nós e pelos nossos fará grande diferença no futuro. Com essa visão, o Centro Universitário Cesumar assume o compromisso de democratizar o conheci- mento por meio de alta tecnologia e contribuir para o futuro dos brasileiros. No cumprimento de sua missão – “promover a educação de qualidade nas diferentes áreas do conhe- cimento, formando profissionais cidadãos que con- tribuam para o desenvolvimento de uma sociedade justa e solidária” –, o Centro Universitário Cesumar busca a integração do ensino-pesquisa-extensão com as demandas institucionais e sociais; a realização de uma prática acadêmica que contribua para o desen- volvimento da consciência social e política e, por fim, a democratização do conhecimento acadêmico com a articulação e a integração com a sociedade. Diante disso, o Centro Universitário Cesumar almeja ser reconhecida como uma instituição uni- versitária de referência regional e nacional pela qua- lidade e compromisso do corpo docente; aquisição de competências institucionais para o desenvolvimento de linhas de pesquisa; consolidação da extensão uni- versitária; qualidade da oferta dos ensinos presencial e a distância; bem-estar e satisfação da comunidade interna; qualidade da gestão acadêmica e adminis- trativa; compromisso social de inclusão; processos de cooperação e parceria com o mundo do trabalho, como também pelo compromisso e relacionamento permanente com os egressos, incentivando a educa- ção continuada. pa la vr a do re it or Reitor Wilson de Matos Silva Prezado(a) Acadêmico(a), bem-vindo(a) à Comunidade do Conhecimento. Essa é a característica principal pela qual a UNICESUMAR tem sido conhecida pelos nossos alunos, professores e pela nossa sociedade. Porém, é importante destacar aqui que não estamos falando mais daquele conhecimento estático, repetitivo, local e elitizado, mas de um conhecimento dinâmico, renovável em minutos, atemporal, global, demo- cratizado, transformado pelas tecnologias digitais e virtuais. De fato, as tecnologias de informação e comuni- cação têm nos aproximado cada vez mais de pessoas, lugares, informações, da educação por meio da conec- tividade via internet, do acesso wireless em diferentes lugares e da mobilidade dos celulares. As redes sociais, os sites, blogs e os tablets acelera- ram a informação e a produção do conhecimento, que não reconhece mais fuso horário e atravessa oceanos em segundos. A apropriação dessa nova forma de conhecer transformou-se hoje em um dos principais fatores de agregação de valor, de superação das desigualdades, propagação de trabalho qualificado e de bem-estar. Logo, como agente social, convido você a saber cada vez mais, a conhecer, entender, selecionar e usar a tecnologia que temos e que está disponível. Da mesma forma que a imprensa de Gutenberg modificou toda uma cultura e forma de conhecer, as tecnologias atuais e suas novas ferramentas, equipa- mentos e aplicações estão mudando a nossa cultura e transformando a todos nós. Priorizar o conhecimento hoje, por meio da Educação a Distância (EAD), significa possibilitar o contato com ambientes cativantes, ricos em infor- mações e interatividade. É um processo desafiador, que ao mesmo tempo abrirá as portas para melhores oportunidades. Como já disse Sócrates, “a vida sem desafios não vale a pena ser vivida”. É isso que a EAD da Unicesumar se propõe a fazer. bo as -v in da s Pró-Reitor de EaD Willian V. K. de Matos Silva 5 bo as -v in da s Seja bem-vindo(a), caro(a) acadêmico(a)! Você está iniciando um processo de transformação, pois quando investimos em nossa formação, seja ela pessoal ou profissional, nos transformamos e, consequente- mente, transformamos também a sociedade na qual estamos inseridos. De que forma o fazemos? Criando oportunidades e/ou estabelecendo mudanças capazes de alcançar um nível de desenvolvimento compatível com os desafios que surgem no mundo contemporâneo. O Centro Universitário Cesumar mediante o Núcleo de Educação a Distância, o(a) acompanhará durante todo este processo, pois conforme Freire (1996): “Os homens se educam juntos, na transfor- mação do mundo”. Os materiais produzidos oferecem linguagem dialógica e encontram-se integrados à proposta pe- dagógica, contribuindo no processo educacional, complementando sua formação profissional, desen- volvendo competências e habilidades, e aplicando conceitos teóricos em situação de realidade, de ma- neira a inseri-lo no mercado de trabalho. Ou seja, estes materiais têm como principal objetivo “provocar uma aproximação entre você e o conteúdo”, desta forma possibilita o desenvolvimento da autonomia em busca dos conhecimentos necessários para a sua formação pessoal e profissional. Portanto, nossa distância nesse processo de crescimento e construção do conhecimento deve ser apenas geográfica. Utilize os diversos recursos pedagógicos que o Centro Universitário Cesumar lhe possibilita. Ou seja, acesse regularmente o AVA – Ambiente Virtual de Aprendizagem, interaja nos fóruns e enquetes, assista às aulas ao vivo e partici- pe das discussões. Além disso, lembre-se que existe uma equipe de professores e tutores que se encontra disponível para sanar suas dúvidas e auxiliá-lo(a) em seu processo de aprendizagem, possibilitando-lhe trilhar com tranquilidade e segurança sua trajetória acadêmica. Diretora Pedagógica Kátia Solange Coelho G a r d e M a n g e r Ap re se nt aç ão d o Li vr o Professora Especialista Ana Paula Carvalho Lopes Fernandes Olá, aluno(a)! Seja bem-vindo(a) à disciplina de Garde Manger, do cursode Gastronomia. Sou a professora Ana Paula Carvalho Lopes Fernandes, e com muito prazer estarei com você para discutirmos e estudarmos a Cozinha do Garde Manger. Aqui, vamos falar de todos os aspectos que a envolve, dos preparos mais básicos às complexas técnicas de conservação dos alimentos utilizadas na cozinha fria. Mas antes disso quero me apresentar a você e contar um pouquinho da minha experiência na área de gastronomia. Sou graduada em Turismo e Hotelaria pela UNOPAR – Universidade Norte do Paraná (2004), na cidade de Londrina, Especialista em Gestão de Negócios em Turismo e Hotelaria pela UNB – Universidade de Brasília (2006) e formada no Curso de Chef de Cuisine e Gastronomia Internacional pela Scuola Alberghiera e di Ristorazione di Serramazzoni, na Itália (2007), entre outros pequenos cursos que auxiliaram a minha formação. Mas a minha história no Setor de Alimento e Bebidas começou bem antes do início desse ciclo de estudos. Aos 13 anos, comecei a traba- lhar com os meus avós no Buffet da família e 7G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R Ap re se nt aç ão d o Li vr o ali descobri que servir e encantar os comensais também me encantava. Passei por todos os seto- res: cozinha, salão, compras, estoque, comercial e administrativo. Mas transformar a matéria- -prima bruta em pratos cheios de sabores e de aromas foi o que me fascinou de fato. Foram quase seis anos de intenso aprendi- zado nesse empreendimento e, mesmo sendo uma empresa familiar, ali aprendi grandes valo- res profissionais, como lealdade e comprometi- mento com o trabalho assumido, indispensáveis para quem deseja construir uma carreira sólida. Assim, optei por cursar Hotelaria e Turismo como minha graduação, na oportunidade, era o que mais se aproximava da gastronomia e áreas correlatas. Após dois anos de Universidade, decidi in- terromper os estudos e fui morar em Londres, Inglaterra, com objetivo de estudar inglês, tra- balhar na área e ampliar meus conhecimentos pessoais e profissionais. Voltei dessa experiência amadurecida e convicta da minha escolha pro- fissional. Essa é uma longa história que conto para você em uma próxima oportunidade, já que, naquele período, em Londres, durante um ano e seis meses, tive o privilégio de trabalhar com a renomada Chef Inglesa Allegra Mcevedy, com quem aprendi muito e me apaixonei ainda mais pelos sabores, cheiros, texturas e encantos da gastronomia mundial. De volta ao Brasil, retomei o meu curso de graduação com experiências novas na ba- gagem, mais vivência e novos conhecimen- tos. Recém-formada, atuei como Gerente de Eventos Gastronômicos dos restaurantes dos Hotéis Meliá, em Brasília – DF, período em que fiz a pós-graduação na UNB em Gestão de Negócios, pois estava cada vez mais claro pra mim que atuar no mercado de Alimentos e Bebidas (A&B) ultrapassava os limites das panelas e dos fogões. Desenvolver habilida- des gerenciais mostrava-se cada vez mais vital nesse mercado. Desse momento em diante, as experiências foram intensificando-se. O curso de Chef na Itália veio na sequência e abriu muitas portas, como trabalhar em res- taurantes na Itália e na Espanha, experiências que ampliaram significativamente os meus conhecimentos em cozinha internacional e me encorajaram a iniciar um novo projeto: G a r d e M a n g e r multiplicar o conhecimento, ensinar e con- tribuir na formação de bons profissionais que possam atuar em qualquer função desse amplo mercado gastronômico. Passei também a en- sinar, porém, sem nunca parar de aprender. O aprendizado nessa, como em todas as áreas do conhecimento, é inesgotável e, no nosso caso, aliar teoria e prática é o grande segredo para se obter êxito na profissão. Dessa forma, atuo como docente e consulto- ra na área de gastronomia desde 2009, quando retornei ao Brasil. Dentre todas as minhas ati- vidades, o convite para ser a autora deste livro me encheu de alegria e foi com muita atenção e carinho que registrei aqui os meus melhores co- nhecimentos e bagagem sobre o Garde Manger, o setor da cozinha fria. Vamos lá!?! Na primeira unidade deste livro, vamos co- nhecer o que é, afinal, Garde Manger, como a cozinha passou a se organizar em sistemas de brigada e o que isso representa para o seu fun- cionamento profissional. Quem é o profissional Garde Manger e o setor que leva esse nome, como se organiza, suas atividades principais e responsabilidades dentro do complexo cozinha, os equipamentos, utensílios e como se dá a or- ganização do seu espaço físico. Mas é, de fato, na segunda unidade que iniciaremos nosso mergulho pelos preparos executados pelo Garde Manger: como são elaborados os molhos e as sopas frias, como categorizamos as saladas, no que concerne ao trabalho do Garde Manger e quanto à genealo- gia das plantas. Entenderemos os métodos de conservação de alimentos, desde o seu advento até sua aplicabilidade nos dias de hoje. E, para fechar, na terceira unidade, daremos sequência aos preparos do Garde Manger, ver- sando sobre as técnicas de terrines, galantines e roulades e suas multiplicidades. Estudaremos as diferenças entre as várias possibilidades de entradas frias e quais preparos gastronômicos se enquadram nesses serviços, e, finalmente, conversaremos sobre o papel do Garde Manger na performance dos elementos decorativos que são exibidos em pratos e bufetts. Certa de que este livro – aliado a outras ferramentas do curso – é um grande passo para quem quer explorar o mundo da cozinha profis- sional, convido você a vir comigo e se encantar com o que aprenderá nas próximas páginas. Ap re se nt aç ão d o Li vr o SUMÁRIO UNIDADE 1 A Cozinha do Garde Manger 15 Brigada de Cozinha: Conceito e Dimensão 19 Garde Manger: O Profissional e o Setor da Cozinha Fria 25 Organização do Espaço Físico, Equipamentos e Utensílios do Garde Manger UNIDADE 2 Preparações Frias 1: Molhos, Sopas, Saladas, Conservas, Curados e Defumados 39 Molhos e Sopas Frias 51 Saladas 61 Métodos Clássicos de Conservação dos Alimentos UNIDADE 3 Preparações Frias 2: Terrines, Galantines, Roulades, Entradas Frias e Elementos Decorativos 75 Terrines, Galantines e Roulades 83 Entradas Frias 93 Elementos Decorativos para Buffet e Pratos dica do chef habilidades Legendas de Ícones recapitulando saiba mais fatos e dados minicaso reflita Dica do Chef: dicas rápidas para complementar um conceito, detalhar procedimentos e proporcionar sugestões. Habilidades: elo entre as disciplinas do curso. Mão na massa: indicação de atividade prática. Saiba mais: informações adicionais ao conteúdo. Fatos e Dados: complementação do conteúdo com informações relevantes ou acontecimentos. Minicaso: aplicação prática do conteúdo. Reflita: informações relevantes que proporcionam a reflexão de determinado conteúdo. Recapitulando: síntese de determinado conteúdo, abordando principais conceitos. mão na massa A Cozinha do Garde Manger ANA PAULA CARVALHO LOPES FERNANDES A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: • Brigada de Cozinha: conceito e dimensão • Garde Manger: o profissional e o setor da cozinha fria • Organização do espaço físico, equipamentos e utensílios do Garde Manger • Compreender o conceito de brigada e como as cozinhas se organizam para trabalhar em sistema de bancadas. • Entender o Garde Manger como um setor da cozinha. • Conhecer o Garde Manger Profissional, suas atribuições e responsabilidades.• Estudar a estrutura física, os equipamentos e os utensílios do Garde Manger. Plano de Estudo Objetivos de Aprendizagem Introdução Iniciaremos esta unidade com a compreensão dos fatos históricos que ocorreram para que as cozinhas profissionais obtivessem a organização e a distribuição das tarefas que são utilizadas nos dias atuais. Os acontecimentos que envolvem a alimentação vêm datados desde o início da história da humanidade. Com o surgimento das primeiras práticas de coletas e de caças à posterior des- coberta do fogo, em que os alimentos crus começaram a passar por algum processo de cocção, as civilizações de todo o mundo deixaram grandes marcas nas descobertas de novas técnicas e culturas em torno da alimentação e, desde então, o ato de se alimentar deixou de ser somente uma necessidade e passou a ter significativa importância na vida social de todas as pessoas. Vamos pular alguns anos na história e entender que o grande crescimento de profissionais cozinheiros foi inevitável, bem como a proliferação de estabelecimentos que forneciam ali- mentos e bebidas mediante alguma forma de pagamento, os conhecidos restaurantes. É sabido que a Revolução Francesa (1789 – 1799) contribuiu para o grande “boom” dos restaurantes, ultrapassando os muros de Paris e se alastrando por todo o mundo, pois dois fatos muito pon- tuais ocorreram nessa época: o primeiro foi a saída da aristocracia dos grandes centros. Com essa fuga dos nobres, os seus serviçais cozinheiros perderam suas ocupações e tiveram que trabalhar por conta própria. O segundo foi que as guildas (uma espécie de associação de ajuda aos trabalhadores da época e que regulamentava suas atividades) foram extintas, ou seja, não havia nada que controlasse a prática de atividades comerciais, assim, cada um podia produzir e comercializar o que bem desejava. Desse momento em diante, muitos restaurantes se estabeleceram e grandes nomes da gastronomia mundial se tornaram referência, porém, mesmo com o alto padrão ditado pela gastronomia francesa, esse crescimento foi, de certa forma, desordenado e rápido, pois as pessoas perceberam que comercializar alimentos era uma forte oportunidade de crescimento econômico, assim, não demorou para que muitos aventureiros se colocassem nesse mercado, situação muito presente até os dias de hoje. Assim, convido você, aluno(a), ao estudo da unidade I, que será bastante informativa e esclarecedora quanto ao conceito de Garde Manger. 13 G a r d e M a n g e r 15G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R O grande crescimento e a propagação de restaurantes pelo mundo afora estava acontecendo como um processo estocástico, fato que causava aos grandes nomes do momento certo incomodo. Diante desse cenário e em busca de melhorias e padronização dentro das cozinhas foi que o grande Chef Francês Georges Auguste Escoffier, falecido em 1935 com 89 anos, implantou alguns procedimentos e deixou grandes contribuições que utilizamos até hoje. Além de estabelecer disciplina, foi ele quem dividiu a cozinha em siste- ma de brigadas, em que cada departamento da cozinha teria um Chef responsável, conhecido como “Chef de Partie” ou Chef de Partida, ou seja, cada setor de produção dentro de uma cozinha seria de responsabilidade de um determinado Chef ou cozinheiro especializado. Brigada de Cozinha: Conceito e Dimensão G a r d e M a n g e r E deve ser esse o nosso ponto de partida, caro(a) aluno(a); para conhecermos o setor e o trabalho de um Garde Manger, faz-se necessário o total conhecimento da estrutura organizacio- nal da cozinha, como as tarefas são divididas, quem são os profissionais que atuam em cada bancada e formam a grande brigada de uma cozinha profissional. A brigada de um restaurante se divide em Brigada de Cozinha, em alguns lugares chamada de Brigada de Produção, e a Brigada de Salão, conhecida também como Brigada de Serviço, compreensível se pensarmos que na prática é isso mesmo, a cozinha produz para que o salão possa servir. De acordo com Teichmann (2000, p.69), A preparação dos alimentos é assegu- rada em restaurantes importantes por um conjunto de cozinheiros chamado de BRIGADA. Esta brigada está distri- buída em setores de acordo com suas responsabilidades, e esses setores são chamados de PRAÇAS. Aprofunde seus conhecimentos sobre a cozi- nha clássica francesa e sobre o Chef Francês Georges Auguste Escoffier consultando o material didático das disciplinas de História e Cultura Gastronômica e Cozinha Clássica! Você já tinha ouvido falar no termo BRIGADA para se referir à equipe de um restaurante? Esse termo é muito utilizado nas corpo- rações das forças armadas e todo mundo já ouviu falar, por exemplo, na brigada do corpo de bombeiros, pois esse termo repre- senta uma companhia ou grupo de pessoas que juntos combatem algo e vão em direção a um mesmo objetivo. Por isso, cabe per- feitamente ao ambiente de trabalho de um restaurante, onde cada integrante das bri- gadas de cozinha e de salão trabalha junto, buscando sempre a satisfação do cliente. Fonte: a autora Quero ainda complementar que, na lin- guagem do mercado, para se referir aos setores dentro da cozinha, pode-se utilizar a expressão PRAÇAS ou BANCADAS, as duas são coerentes e muito utilizadas. Na foto acima, é possível visualizar a atu- ação de cada profissional em sua bancada, de- senvolvendo as atividades específicas de cada Chef de Partie. Vamos, agora, visualizar o organograma padrão de uma cozinha profissional completa, em que a brigada está segmentada e bem orga- nizada por bancadas. 17G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R Commis Saucier Rôtisseur Patissier Tournant Garde Manger BRIGADA DE COZINHAChefe de cozinha Subchefe Auxiliar Steward Commis Plongeur Chefe StewardAboyer Commis Commis LegumierPotager Poissonnier Commis Commis Commis Commis Entremétier Figura 01: Brigada de Cozinha Fonte: a autora Vale lembrar que cada estabelecimento deve de- finir qual é a melhor forma de compor a sua bri- gada, levando em consideração alguns pontos: • Tamanho do restaurante. • Capacidade de atendimento (número de comensais). • Tipo de cardápio. • Espaço físico da cozinha. • Equipamentos e utensílios disponíveis para produção de alimentos. • Tipo de serviço oferecido. • Nível de posicionamento de mercado do restaurante. Após a análise detalhada desses pontos, define- -se o tamanho, a composição e a qualificação dos profissionais que irão integrar a brigada de um determinado restaurante. Mas vale lembrar que, mesmo com o estudo desses aspectos, é natural que ajustes sejam necessários e feitos até que seja encontrada a brigada que atenderá com qualidade as expectativas da empresa e dos clientes. É inegável que essa divisão de trabalho dentro da cozinha, o sistema de brigadas, trouxe alguns benefícios para o setor, como uma melhor organização das atividades dentro da cozinha; a delegação de responsabilidades para cada Chef/ cozinheiro, criando um melhor clima organi- zacional, em que cada um sabe e assume o seu papel; a redução do tempo de espera pelos co- mensais; a otimização dos insumos, entre outras. G a r d e M a n g e r 19G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R Observando o organograma apresentado anteriormente, vemos em destaque o Garde Manger, que é o assunto central deste livro. Ele ocupa dentro da brigada um lugar de destaque, em virtude dos importantes preparos que realiza em sua praça. O termo Garde Manger, no jargão da gastronomia atual, é utilizado sem nenhumadistinção para se referir ao pessoal ou ao setor de trabalho/bancada/praça. Mas, em tempos antigos, era utilizado para se referir às dispensas localizadas nos subsolos dos castelos e das residências dos nobres, lugar mais seco e fresco onde os alimentos eram acondicionados. Garde Manger: O Profissional e o Setor da Cozinha Fria G a r d e M a n g e r T ermo de origem francesa, garde = guarda, manger = comer, o termo literalmente significa “guardar para comer”, mas é in- terpretado como “guarda comida”. Com o conceito de um lugar frio onde os alimentos podiam ser armazenados e mantidos por mais tempo, o setor da cozinha fria e o profissional responsável por essas preparações passaram, também, a utilizar esse nome: Garde Manger. Quando designado ao profissional, o termo está relacionado ao colaborador que desenvolve suas funções voltadas às preparações frias, o que engloba essencialmente mise-en-place e preparo de: • molhos frios: emulsões como vinagretes e maioneses, de queijos, coulis, aspic e outros, que estudaremos com detalhes na página 35 da unidade II; • sopas frias; • saladas simples e compostas; • terrines, galantines e roulades, prepa- ros que serão aprofundados a partir da página 71; • conservas: curas, os defumados e as salmouras; • entradas frias; • decorações para pratos e buffets. Em alguns estabelecimentos, o Garde Manger pode ser ainda o responsável por: • sanduíches; • preparos de queijos simples ou pratos à base de queijos; • manter organizadas todas as câmaras frias; • abastecer diariamente as demais ban- cadas da cozinha, ou seja, ele é quem requisita e retira os insumos alimentícios do estoque e distribui na cozinha, para que a produção daquele dia de trabalho esteja assegurada e que nada tenha que ser retirado do estoque no meio da jorna- da. Esse abastecimento pode ser tanto de matérias-primas secas, frescas, refrigera- das ou congeladas. O dimensionamento desse abastecimento é definido com o Chef de cozinha e é realizado baseado na produção diária, adicionado de uma margem de segurança. • limpeza, cortes, desossa e porcionamen- to de carnes, executando o pré-preparo para outras praças; • preparo de marinadas e outros condimentos. Em estabelecimentos de grande porte, como uma churrascaria rodízio que serve muitos clientes, o Garde Manger pode ser auxiliado por “boucher” (açougueiro), profissional que manipula carnes cruas, ou em um grande hotel com muitos apartamentos, ele pode ser auxi- liado por um chefe de frios, que será responsá- vel por manter fatiados e bem abastecidos os buffets de frios (com queijos e fiambres) tanto 21G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R do café da manhã como do buffet de frios das principais refeições. Vamos conferir atenção especial à praça do Garde Manger nos estabelecimentos que oferecem o sistema self-service e disponibili- zam aos seus comensais um extensivo buffet de saladas e antepastos, expostos em grandes balcões com pista fria (módulo refrigerado). Nesse cenário, a operação do Garde Manger é bastante volumosa e pode chegar à composição de um Buffet com mais de 50 variedades de saladas e preparos frios. O setor de Garde Manger pode ser ocupado por um Chef Garde Manger ou um Cozinheiro Garde Manger, que, nesse caso, estará sob a supervisão do Chef, a depender da complexi- dade dos preparos dessa praça e do nível do restaurante, podendo apresentar, ainda, mais de um profissional dedicado exclusivamente à bancada de Garde Manger, além dos commis, quando houver a necessidade. Apesar do seu trabalho estar focado na co- zinha fria, o Garde Manger não se isenta de conhecer e saber executar com propriedade outras técnicas de cozinha, como todos os métodos de cocção, tipos de cortes e preparos quentes.Percebemos, então, que a atuação do Garde Manger não é nada simples, e desse profissional se exige conhecimento técnico, postura profissional e vocação. buffet de saladas padrão G a r d e M a n g e r Você se sente preparado para assumir a função de um Garde Manger ou outro posto dentro de uma cozinha? Você sabia que, além das técnicas de preparos, é muito importante você possuir algumas competências pessoais que são requisitos básicos para trabalhar com ali- mentos, como ter bons hábitos de higiene pessoal, com o seu ambiente de trabalho e utensílios; bom relacionamento com pes- soas e trabalho em equipe; ser pontual e comprometido profissionalmente; ser ágil e criativo; obedecer às normas de seguran- ça e ter bom nível de conhecimentos dos produtos que vai manipular? Pense nisso. Fonte: a autora G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R 23 Roberto era estudante do primeiro semestre do curso de Gastronomia e o seu maior desejo era se inserir no mercado de trabalho para se familiari- zar e ter mais intimidade com as operações de um restaurante. O grande problema era sua falta de experiên- cia na área, o seu currículo de poucas linhas e um registro em um escritório no setor administrativo, fato que o intimidava em fazer contatos com os empregadores da área. Certo dia, soube por meio de um colega do curso que um restaurante da cidade estava contratando, mas que naquele momento a vaga disponível era somente para auxiliar, ser responsável pela higie- nização dos equipamentos, utensílios e limpeza da cozinha. A princípio, Roberto não se entusiasmou, afinal, estava estudando para quê? Depois, analisando o seu potencial e a oportunidade que aquela vaga poderia significar, ele topou o desafio e no outro dia se apresentou como candidato à vaga. Foi contratado. No início foi dureza, o restaurante lotava todos os dias e, ao fim do turno, as pilhas de panelas, sauteses, chinoise e outros utensílios eram maiores do que ele. Mas, mesmo o cenário não sendo muito animador, Roberto nunca se atrasava, comparecia com o uniforme limpo e completo, era educado e curioso. Por isso, sempre que sobrava um tempinho, lá estava ele de olho no que os co- zinheiros preparavam, na forma como cortavam os legumes, porcionavam as carnes, enfim, mostrava-se solícito e interessado, o que fez com que, rapida- mente, o Chef passasse a lhe pedir auxílio para tarefas diferentes da sua função original: - Roberto, por gentileza, higienize essas folhas? Por favor, descasque essas batatas e alhos? Esprema o suco desses limões sicilianos? Ele as executava feliz da vida e aplicava as téc- nicas e as habilidades que estava aprendendo no curso de Gastronomia. A partir daí, foi só uma questão de tempo, e assim que uma vaga surgiu na cozinha, Roberto foi o primeiro a ser convidado para ocupar o posto de auxiliar na praça do Garde Manger. Comprometido e dedicado, Roberto conciliava a dupla jornada de estudos e trabalho. A paixão pela Gastronomia se intensificava e a vontade de aprender era sempre maior. Ele nunca parou, nem de trabalhar e nem de estudar. E hoje, após vários cursos e muita expe- riência prática em vários locais, Roberto gerencia a produção de dois restaurantes em uma grande rede hoteleira em Brasília e ministra aulas em uma faculdade de Gastronomia uma vez por semana. Para Roberto, o céu é o limite. Isso porque ele não deixou que as pilhas de panelas sujas fossem. Fonte: a autora G a r d e M a n g e r 25G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R A organização do espaço físico de uma cozinha está diretamente ligada ao planejamento da produção, que, por sua vez, está ligado ao cardápio.Desde o projeto, deve-se planejar como deverá fun- cionar a cozinha, respeitando os fluxos: de pessoas, de insumos e de lixo. Com esses fluxos bem definidos, evita-se a contaminação cruzada dos alimentos, a exposição desnecessária dos insumos e a dificuldade de circulação das pessoas dentro da cozinha. Organização do Espaço Físico, Equipamentos e Utensílios do Garde Manger G a r d e M a n g e r I ncluindo a bancada do Garde Manger, o am- biente da cozinha, além de ser funcional, respeitar os fluxos e permitir a adequada circulação, deve ter instalações adequadas à legislação vigente e seguir algumas referências. Segundo explica Monteiro (2013), devemos con- siderar em uma cozinha: • Paredes: as paredes devem ser revestidas de material resistente e não poroso, para facilitar a limpeza e a desinfecção. • Pisos: os pisos devem ser antiderrapan- tes, fáceis de limpar, resistentes e imper- meáveis. A caída de água deve garantir que não acumule água no piso, com ralos dotados de grelhas para evitar a entrada de insetos e de roedores. • Iluminação: deve-se combinar a luz natural e artificial que possibilite a visão clara dos alimentos e da limpeza da cozinha. As lâmpadas localizadas dentro da cozinha devem ser preferen- cialmente as fluorescentes, protegidas por capa de acrílico ou outro material, evitando acidentes e a contaminação dos alimentos em caso de explosões ou quebra. • Portas: as portas das áreas de produção devem possuir dispositivos ou molas que as mantenham sempre fechadas; devem estar a 1 cm de distância do piso e ter proteção contra a entrada de roedores e de insetos. • Janelas: considerando que todo o ar quente produzido pelas cocções tende a subir, as janelas devem estar localizadas na parte superior das paredes, pois, além da troca de ar, possibilita a iluminação natural, sem incidência direta sobre os alimentos. • Tetos: indica-se as telhas de barro para os telhados, os forros de gesso e os re- vestimentos sem rachaduras, umidade ou bolor; devem ser de fácil higienização e que não propaguem o fogo. • Instalações: em ambientes de preparo de alimentos, deve-se ter atenção espe- cial nas instalações elétricas, gás, água e esgoto. • Ergonomia: em virtude da jornada de trabalho em uma cozinha ser pesada, deve-se pensar em uma disposição e instalação que levem em consideração também as questões ergonômicas, as bancadas, por exemplo, devem ter de 0,85 a 0,90 cm de altura. • Temperatura: a temperatura ideal e acei- tável para uma cozinha está entre 22ºC e 26ºC. • Sistema de Exaustão: devem ser eficien- tes e auxiliar na manutenção da tem- peratura ideal da cozinha, possuir telas removíveis para correta higienização e extração da gordura acumulada e evitar a entrada de insetos e roedores. G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R A bancada do Garde Manger A bancada do Garde Manger, fisicamente falan- do, pode estar inserida no complexo da cozinha de duas formas: 1. Quarto Frio: também conhecido como sala fria, é a situação ideal, mas pouco presente nas cozinhas. O quarto frio é como se fosse uma dependência da cozi- nha, um ambiente fechado, totalmente refrigerado, na maioria das vezes, se- parado por paredes metade alvenaria e metade vidro, o acesso se dá por portas de vai e vem de PVC flexível com visor transparente. Essa situação propicia que o Garde Manger manipule todos os seus preparos sem a preocupação da expo- sição dos insumos perecíveis à tempe- ratura ambiente por um período maior de tempo. 2. Integrado à cozinha: muito ocorrente nas cozinhas profissionais. Nessa situa- ção, a bancada do Garde Manger está in- tegrada às demais bancadas, no mesmo complexo. Deve estar mais distante dos preparos quentes, chegando, às vezes, a ser dividida por uma meia parede. G a r d e M a n g e r Equipamentos e Utensílios Independentemente de sua posição física, Teichmann (2000) pontua que, para a perfeita execução das tarefas do Garde Manger, deve-se considerar, primeiramente, que a sua bancada deve atender todas as exigências já citadas anteriormente, como iluminação, ventilação, piso, paredes, escoamento etc. Além da infraestrutura, essa bancada deve conter: • Bancada de aço inox. • Cubas. • Balcões refrigeradores. • Pista Fria para mise-en-place. • Freezers. • Equipamento de refrigeração rápida. • Descascador de legumes. • Picador multifuncional. • Cortador de frios. • Batedeira. • Liquidificador. • Processador de alimentos. • Mixer. • Balança. • Tábuas de corte. • Suporte para tábuas. • Facas variadas. • Cortadores e aros em vários formatos. • Formas de vários tamanhos e formatos. • Boleador. • Descaroçador de azeitonas. • Pincéis. • Bowls em vários tamanhos. • Fuets. • Espátulas. • Termômetro. • Abridor de lata e de garrafa. • Silpat. • Pegadores. • Peneiras. • Rolo. • Jarras e Copos medidores. • Ralador. • Tesoura. • Funil. • Mandolin. • Bicos e Saco de Confeiteiro. • Maçarico. O uniforme do Garde Manger segue o padrão adotado por cada restaurante para vestir a sua brigada. Basicamente, ele é composto por calça, dólmã, aven- tal, sapatos e chapéu. O chapéu de Chef profissional é chamado de “toque”, que vem do francês “toque blanches”, auxiliares e outros cozinheiros usam uma touca, que é popularmente conhecida como bibico. G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R 29 G a r d e M a n g e r C hegamos ao final da nossa primeira unidade do livro de Garde Manger. Até aqui, familiarizamos-nos com o nosso objeto de estudo, cumprindo o nosso objetivo de formar uma base de conhe- cimentos sólidos sobre este setor e este profis- sional: o Garde Manger. Nesta unidade, compreendemos que a orga- nização da cozinha em sistemas de brigada trouxe muitos benefícios à dinâmica dos restaurantes, pois mostrou que cada um tem um papel impor- tante dentro da cozinha, com responsabilidades e funções específicas, mas que, independente- mente disso, somos todos uma única e grande brigada, trabalhando em prol de um mesmo ob- jetivo: a satisfação total do nosso cliente. Por isso, além das atividades específicas que cabem a cada bancada, deve-se ter conhecimento geral das habilidades básicas de uma cozinha. No que diz respeito ao profissional Garde Manger, observamos que ele é o responsável por todos os preparos frios, que vão dos molhos às entradas, passando pelas saladas, terrines e as conservas. Mas cabe a cada estabelecimento estabelecer sua rotina de tarefas e preparos, que será baseada no cardápio e no planejamento da produção diária. O seu ambiente de trabalho, assim como de todas as bancadas em uma cozinha, deve ser organizado fisicamente, propiciando a boa execução dos pratos, com espaço de bancada disponível, pistas refrigeradas para mise-en-place, equipamentos e utensílios específicos do Garde Manger. E é funda- mental que tudo esteja, sempre, em ótimas condições de uso. Agora que você conhece quem é e como trabalha o Garde Manger, podemos iniciar detalhadamente os estudos das preparações de responsabilidade dessa bancada, assunto que será conteúdo das duas unidades que seguem. co ns id er aç õe s fi na is 31G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R 1. São atividades do Garde Manger: I- Preparação de molhos frios. II- Preparação de saladas simples e compostas. III- Preparação das proteínas e a cocção delas. IV- Preparaçãode guarnições, como arroz, massas e verduras salteadas. V- Preparação de entradas frias e terrines. Estão corretas as alternativas: a- I, II e IV. b- I, II, III e V. c- I, II e V. d- II, III e V. e- Todas as alternativas. 2. Como se deu e quais foram as vantagens da organização da cozinha em sistema de brigada? 3. Cite 3 equipamentos ou utensílios essenciais à bancada do Garde Manger. at iv id ad e de e st ud o G a r d e M a n g e r A leitura do livro abaixo irá, sem dúvida alguma, complementar de forma detalhada as informações desta unidade, principalmente no que tange à estrutura física, ao planejamento e ao projeto de cozinhas profissionais. Livro: Cozinhas Profissionais Autora: Renata Zambon Monteiro Editora:Senac m at er ia l c om pl em en ta r Sinopse:Este livro fornece uma visão ampla do setor, retoma as origens dos serviços de alimentação, desde a antiguidade até nossos dias. Proporciona ao leitor conhecimento sobre quanto a história desse seg- mento se entrelaça com a história da hospitalidade. A autora discorre sobre as características específicas de projetos de cozinhas profissionais, delimitando e pormenorizando suas várias demandas, como os espaços e equipamentos que devem incluir, além de normas técnicas que devem ser observadas ao longo de sua criação e implantação. 33G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R A brigada de uma cozinha é formada por um grupo de profissionais, sob o comando de um chefe de cozinha, com o objetivo de preparar as iguarias a serem servidas nos restaurantes. Na cozinha de um restaurante, podemos ter a seguinte organização da brigada: a. chefe de cozinha: tem a responsabilidade de planejar, dirigir e supervi- sionar o trabalho da brigada da cozinha. Além disso, deve determinar instruções para o andamento do trabalho, cuidar da higiene e segu- rança; treinar o pessoal no ambiente de trabalho, ajudar na elaboração dos cardápios, assegurar a qualidade na execução dos pratos e super- visionar sua apresentação, supervisionar as mercadorias necessárias, determinar a escala do trabalho, elaborar fichas técnicas, organizar inventários e controles; b. subchefe: este componente da brigada deve substituir o chefe na sua ausência, receber e controlar as mercadorias solicitadas, cuidar da hi- giene nos locais de trabalho, supervisionar a qualidade da alimentação dos empregados, ocupar-se dos preparativos da cozinha no início das atividades e realizar o fechamento da cozinha; c. entremetier: deve preparar sopas, guarnições e legumes, batatas, ovos e farináceos; d. saucier: deve substituir o chefe quando a brigada não possuir o sub- chefe, preparar os molhos quentes, além de peixes, crustáceos e todas as carnes; BRIGADA DE COZINHA le it ur a co m pl em en ta r G a r d e M a n g e r e. rotisseur: deve confeccionar os pratos de carnes, aves, pescados, le- gumes e ovos; f. garde-manger: deve desossar, limpar e cortar as carnes, de acordo com as porções previamente definidas, ocupar-se das preparações frias (molhos frios), guardar os gêneros alimentícios em locais apropriados; g. pâtisser: preparar massas doces e salgadas além de modelar, montar, rechear e assar massas de confeitaria. Este componente da brigada também deve decorar os produtos de confeitaria, preparar sobremesas e sorvetes e montar o buffet de sobremesas; h. chef de garde: deve responder pelo atendimento da cozinha durante os intervalos de trabalho da brigada. i. aboyeur: deverá receber as comandas “cantar” os pedidos para as diversas peças e controlar a saída dos pedidos; e j. tournant: deverá substituir os chefes de partida durante o período de férias, as folgas semanais e doenças. Além de ter a responsabilidade de manter corretamente o padrão do desempe- nho de cada função, a brigada deve primar por algumas qualidades, tais como: limpeza, asseio pessoal, vestuário, postura, pontualidade, responsabilidade, criatividade, organização, administração e vocação. Fonte: CASTELLI, Geraldo. Administração Hoteleira. Caxias do Sul: Educs, 2003. Preparações Frias 1: Molhos, Sopas, Saladas, Conservas, Curados e Defumados ANA PAULA CARVALHO LOPES FERNANDES A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: • Molhos e Sopas Frias • Saladas • Métodos Clássicos de Conservação dos Alimentos • Estudar os molhos bases da cozinha fria e suas possíveis variações. • Compreender os tipos de sopas produzidas na bancada do Garde Manger. • Compreender como as saladas se classificam e suas composições. • Estudar as técnicas clássicas de conservação dos alimentos, como a cura, a defumação, a salmoura e outras. Plano de Estudo Objetivos de Aprendizagem IntroduçãoIntrodução A partir desta unidade, vamos, de fato, entrar na cozinha prática, por isso, convido você, alu- no(a), para se abrir ao fantástico mundo do Garde Manger e observar que as preparações que aparentemente parecem simples exigem a compreensão de técnicas precisas. Para uma satisfatória execução dos molhos e das sopas frias, o grande segredo está em en- contrar o equilíbrio dos sabores, aromas e texturas. O preparo de um vinagrete é considerado uma técnica básica do Garde Manger, em que ácido e óleo se encontram, cada um respeitando o seu papel, para que juntos possam temperar, acompanhar ou embelezar os pratos. Já a execução do aspic exige um conhecimento mais aprofundado, no que tange às forças do gel necessárias para cada tipo de preparo. As saladas estão presentes nos diversos serviços de um restaurante, como entrada, na com- posição de um canapé, como fingerfood, como aperitivo, como acompanhamento de um prato principal, no sanduíche, no buffet e até na sobremesa, como salada de frutas e muito mais. O grande diferencial é conhecer a variedade de verduras folhosas que existe no mercado, conhecer suas particularidades e empregá-las na criação de pratos únicos e sensacionais. O Garde Manger profissional não deve se contentar em utilizar somente as folhas mais comuns diante de uma natureza tão generosa. No que tange aos preparos dos alimentos curados e defumados, sabe-se que essas técnicas são muito antigas e que surgiram por acaso, em situações, por exemplo, em que o homem bus- cava proteger a sua caça dos outros animais e pendurava as peças de carnes sobre as fogueiras e, ao consumi-las, elas já estavam defumadas e com textura firme; ou quando os peixes eram enterrados na faixa de areia para serem guardados para outras ocasiões e o sal residual da água do mar os conferia uma textura seca, pois desidratava os peixes, inibindo o seu apodrecimen- to. As conservas à base de salmoura também são formas de prolongar a vida dos alimentos, blindando-os da proliferação de fungos e bactérias. Essas técnicas estão presentes até os dias de hoje e, mesmo com o auxílio da tecnologia, preservam os mesmos princípios de outrora. Quer saber mais? Então vamos lá! 37 G a r d e M a n g e r 39G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R Os molhos clássicos dentro da gastronomia são inúmeros, além de muitas novas receitas que são desenvolvidas todos os dias, por antigos e novos chefs. Mas ao Garde Manger cabe a execução dos molhos frios, que incluem: Molhos e Sopas Frias G a r d e M a n g e r Molhos Emulsionados Alguns exemplos de molhos emulsionados são os vinagretes e a maionese, Sebess (2014) expli- ca a emulsão como sendo uma mistura de dois líquidos, em que o que é adicionado por último forma gotículas que se dispersam no outro. O líquido que forma as gotículas é chamado de fase dispersa e o líquido que contém essas gotículasé chamado de meio de dispersão. Molho Emulsionado Estável: Maionese A maionese é um molho estável, porque, ao incorporar o óleo às gemas, obtém-se a leciti- na, que é um emulsificante natural da gema, mantendo as gotículas de óleo em suspensão, ou seja, os ingredientes não se separam mais, mesmo algum tempo depois de pronto. Abaixo, aprenderemos uma receita de maio- nese básica. Sugere-se a utilização de um óleo de sabor neutro, pois o molho de maionese pode ser aplicado em diversas receitas ou, ainda, utilizado como tempero de saladas, como dip (tipo de molho utilizado para mergulhar outros alimen- tos, como pequenos pedaços de carnes, frutos do mar, verduras, pães e outros, muito utilizado no serviço de petiscos), para espalhar em sandu- íches, dentre outras preparações. Agora, se você deseja preparar uma maionese somente para uma receita específica, poderá usar outros óleos aromáticos na mesma quantidade. A mesma orientação vale para o ácido, sugerimos utilizar na receita base limão ou vinagre branco. O ácido tem a função tanto de aromatizar quanto de auxiliar no ponto ideal da maionese. RECEITA DE MAIONESE BÁSICA 3 gemas 500 ml de óleo neutro 50 ml de líquido ácido (vinagre branco ou suco de limão) 50 g de mostarda Quanto Basta de sal Quanto Basta de pimenta do reino branca moída Modo de preparo: Colocar as gemas em um bowl. Acrescentar o líquido ácido e mexer para auxiliar as gemas a receberem o óleo. Adicionar o óleo em fio no início lenta- mente para formar a emulsão. Depois de emulsionada toda a maionese, agregue sabor com a mostarda, o sal e a pimenta. 41G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R A partir desta receita básica, é possível aro- matizar ou acrescentar outros alimentos que resultarão em tipos de molhos ou variações de maionese. Algumas, porém, exigem que os sabo- res sejam adicionados desde o início do preparo. São exemplos: maionese verde de ervas, aïoli, maionese de limão siciliano, molho rémoulade, dentre muitos outros. Nas imagens abaixo, visualizamos os in- gredientes da maionese básica e a emulsão já finalizada. • Para evitar qualquer risco de contamina- ção, como a salmonelose (causada pela bactéria salmonela), os grandes restau- rantes utilizam as gemas pasteurizadas no preparo de maionese. • Para um resultado satisfatório, os ingre- dientes utilizados nesse preparo devem estar em temperaturas semelhantes. • Após o seu preparo, a maionese deve ser mantida sob refrigeração constan- te e consumida em, no máximo, 3 dias, desde que não tenha sofrido oscilação de temperatura. G a r d e M a n g e r Os vinagretes são considerados molhos emul- sionados instáveis, pois são emulsionados por meio de uma ação mecânica, que mistura um ingrediente graxo, como os óleos, a um ingre- diente ácido, como os vinagres, ingrediente que deu nome a esse preparo, e que, atualmente, mesmo sendo preparado com outro ácido, como o limão, continua sendo chamado de vinagrete. Na tabela abaixo, de Sebess (2014, p.213), observamos algumas referências para a utiliza- ção de ácidos diversos e suas proporções. opções de vinagretes básicos Vinagres 1 + Óleo 3 Aceto Balsâmico 2 + Óleo 3 Suco de Limão 3 + Óleo 3 Tabela 01: Tabela comparativa com opções de vinagretes básicos Fonte: Sebess (2014, p.213) Agora, você já pode preparar um vinagrete uti- lizando, por exemplo, 50 ml de vinagre para 150 ml de óleo, ou 100 ml de aceto balsâmico para 150 ml de óleo, ou ainda 150 ml de limão para 150 ml de óleo. Para um vinagrete básico, coloque o ácido escolhido em um bowl, adicione o óleo em fio, batendo constantemente até ficar bem homogêneo, tempere com sal e pimenta do reino moída na hora. Especificamente na ter- ceira situação, em que se executa um vinagrete com suco de limão, às vezes se fará necessária a diluição do ácido com um pouco de água, esse procedimento vai depender fundamentalmen- te do grau de acidez da fruta, assim, torna-se inevitável degustar o vinagrete antes de sua finalização. Todos os vinagretes básicos devem ser ser- vidos em seguida do seu preparo, por serem ins- táveis, se armazenados, deverão ser novamente emulsionados antes de servir. Uma alternativa para manter o seu vi- nagrete sempre emulsionado é utilizar, no preparo, ingredientes emulsificantes, como gemas, mostarda, amidos, purê de alho, frutas ou vegetais. Esses elementos, além de funcio- narem como emulsificantes (não permitindo que o ácido e o óleo se separem), são aroma- tizantes e o resultado é a obtenção de uma grande variedade de vinagretes derivados do vinagrete básico. Quando a opção for utilizar ervas frescas no vinagrete, elas devem ser adicionadas pouco tempo antes de servir, pois, se armazenadas, as ervas perdem seus efeitos voláteis e sua coloração. No caso dos vinagretes utilizados em sala- das que serão servidas já empratadas, as folhas devem ser misturadas ao vinagrete em um bowl, para garantir que todas as folhas sejam bem envolvidas pelo molho e, posteriormente, mon- tadas na louça de serviço. Isso evita o excesso de líquido no prato que será levado ao cliente. Molho Emulsionado Instável: Vinagretes 43G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R Além de saladas, atualmente, os vinagretes têm sido utilizados para acompanhar grelhados, vegetais ou, ainda, em marinadas. Não se deve confundir o VINAGRETE, estu- dado acima, com o MOLHO A VINAGRETE ou MOLHO CAMPANHA, que é uma pre- paração originalmente brasileira utiliza- da para acompanhar churrasco e feijoada, em que tomate, cebola, salsinha, e, em algumas regiões, pimentão são picados e temperados com vinagre, sal e azeite. Fonte: a autora • Para provar o sabor do vinagrete, mergu- lhe um pedaço de salada de folha verde, tire o excesso e prove, corrigindo o sabor se necessário. • Use um fouet pequeno para emulsionar vinagretes. Na imagem abaixo, visualizamos azeite e aceto balsâmico para o preparo de um vinagrete que acompanhará salada de folhas. G a r d e M a n g e r Molhos a Base de Laticínio Os molhos à base de laticínio são, de maneira geral, utilizados para temperar saladas ou como dip. A base é composta por queijos de textura cremosa, conhecidos como queijos moles, por leites fermentados, como creme fraîche e sour cream, ou por creme de leite. Podem ser acrescidos de sabores de outros queijos, como os queijos azuis: gorgonzola e roquefort, parmesão, de ervas aromáti- cas, especiarias e outros ingredientes, como alcaparras, azeitonas, picles e outros. A adição desses ingredientes vai atribuir sabor, cor e textura ao molho. Em especial, a textura deverá ser definida baseada no prato em que se deseja utilizar o molho, como vemos a seguir: Textura firme para ser servido como dip. Neste caso, os vegetais devem ser mergulhados no molho e levados à boca sem que o molho pingue. 45G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R Textura mais fluida, para servir com saladas, de forma que todos os ingredientes da salada possam ser envolvidos pelo molho. Textura cremosa, semelhante a um patê, para ser servido sobre fatias de pães e canapés. G a r d e M a n g e r Coulis A palavra coulis está cada vez mais presente nos cardápios dos restaurantes. Estou certa de que você já viu por aí a clássica Panna Cotta com Coulis de Frutas Vermelhas, ou ainda Truta com Coulis de Tomate e Alho Negro. É isso mesmo, o coulis (que se pronuncia Kuli) pode ser doce ou salgado, pois nada mais é do que a concentração desabor de um determinado ingrediente, que, depois de amassado ou de processado, podendo estar in natura ou ter passado por processo de cocção, resulta na textura de um líquido encor- pado ou até mais consistente, como um purê. Aspic Atualmente, as aplicações de aspic nas cozinhas profissionais diminuíram muito. No passado, esse molho era muito utilizado em decorações de bandejas, que ilustravam desenhos moldados por experientes profissionais Garde Manger, finalização de assados, canapés e para produção de elementos decorativos para buffets. Também conhecido como molho para re- vestir, a técnica é simples. Deve-se adicionar a gelatina em pó ou em folha a um molho quente, que pode ser um caldo, como de legumes ou de frango, ou molhos mais encorpados, como bechamel, demi-glace e velouté. Em seguida, ele deve ser resfriado em um banho-maria invertido (sobre um bowl com gelo) até que ganhe um pouco de consistência e possa ser aplicado da forma desejável. As quantidades de gelatina variam de acordo com a utilização do aspic. Logo, vai de- pender da necessidade do que chamamos de força do gel: gel delicado, gel para revestir, gel para fatiar, gel firme ou mousse. prato composto por aspic de carnes e vegetais 47G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R Sopas Frias O preparo das Sopas Frias também é de res- ponsabilidade do Garde Manger. Atualmente, são muito utilizadas para serviço de entradas, fingerfood e, em algumas situações, como sobre- mesa. Recebe papel de destaque no serviço de fingerfood, pois, em pequenas porções, elas são apresentadas de forma inusitada, utilizando-se louças variadas que possibilitam uma apresen- tação encantadora, como na imagem ao lado. Segundo o Instituto Americano de Culinária (2014), podemos classificar as sopas frias da seguinte maneira: Sopas Cremes Devem ter a mesma textura cremosa e avelu- dada da sopa creme quente, mas a consistência deve ser ajustada, uma vez que algumas sopas, quando frias, tendem a engrossar. O mais im- portante é que elas não deixem uma sensação de gordura na boca depois de frias. Um exemplo clássico desse tipo de sopa é a Vichyssoise, uma sopa creme fria, tradicionalmente francesa, mas que atualmente é consumida em todo o mundo, preparada à base de alho-poró e batata. G a r d e M a n g e r Sopas de Vegetais e Frutas Muito tradicionais nas estações mais quentes, essas sopas acompanham a sazonalidade de alguns ingredientes, podendo ter uma textura mais rústica, como a Sopa Espanhola de tomates frescos, conhecida como Gazpacho Andaluz, até uma consistência mais cremosa, como a sopa de melão. Quando necessário, pode-se adicionar caldos ou outros cremes derivados do leite para alcançar a consistência desejada. O consommé é um preparo ideal para se produzir as sopas claras feitas pelo Garde Manger. Relembre como preparar um con- sommé clássico assistindo ao vídeo sopas e consommés na unidade 06 da disciplina de Habilidades de Cozinha e não deixe de praticar a sua elaboração! Sopas Claras Exigem um caldo ou um suco clarificado rico e encorpado, com sabores intensos, que podem ser adicionados de agentes gelificantes, como as gelatinas. No consumo, devem derreter na boca. Purês, essências e infusões podem ser utilizados para dar um sabor mais pronunciado à sopa. É a que apresenta consistência mais líquida e o caldo utilizado é o que determina o sabor. Gazpacho Andaluz 49G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R Vichyssoise Sopas Cremes G a r d e M a n g e r 51G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R As saladas são consideradas as grandes estrelas da praça do Garde Manger, tanto que é comum, aqui no Brasil, o profissional que atua nessa bancada ser coloquialmente chamado de “saladeiro”. Isso se deu pelo fato de que a maioria dos restaurantes oferecem saladas em seu cardápio, que originam dessa praça. O que eu quero dizer a você é que, por exemplo, não são todos os restaurantes que oferecem em seus cardápios pratos com terrines, galantines ou produções com aspic, mas as saladas, sim, estão sempre presentes. Por isso, pessoas leigas na área da gastronomia, quando falam em Garde Manger, relacionam diretamente com o preparo de saladas, o que não está errado. No entanto, deve-se esclarecer que o Garde Manger vai muito além do preparo de saladas, porém, dominar as técnicas e conhecer a fundo desde as saladas simples até as compostas e as de acompanhamentos é imperativo para quem deseja trilhar um longo caminho na cozinha. Saladas G a r d e M a n g e r Atualmente, tornou-se impossível catalogar todos os tipos de saladas existentes, pois, além das clássicas e já consagradas na gastronomia mundial, qualquer cozinheiro pode criar uma harmonização de ingredientes frescos que re- sultarão em um belo e saboroso prato de salada. Utilizaremos a classificação do Instituto Americano de Culinária (2014) para nos apro- fundarmos nas 3 principais categorias de saladas: saladas verdes, saladas para acompa- nhamentos e saladas compostas. Saladas Verdes Nesta categoria estão as saladas compostas por verduras (termo que utilizamos para nos refe- rirmos às plantas folhosas e às demais horta- liças), que, combinadas com molhos, resultam em diversos pratos de saladas. O Garde Manger pode escolher entre uma grande gama de verduras e a combinação delas é que vai determinar as características de cada salada. Podem ser: Verduras leves As alfaces são as mais famosas entre as verduras leves e podemos encontrar uma grande varieda- de, como americana, roxa, lisa, crespa, mimosa, frisée e romana. Aqui também se encontram a alface-de-cordeiro, algumas variedades de ver- duras amargas baby, verduras picantes jovens e outros. Verduras amargas e chicórias Essas verduras podem tanto ser consumidas cruas ou passar por algum processo de cocção, como a chicória crespa, rúcula, endívia, escarola, radicchio, agrião, radicchio de treviso, alface frisée, alface-de-cordeiro, tatsoi e outras. Verduras picantes Essas verduras possuem um sabor picante, mas, em sua maioria, são delicadas o suficiente para compor saladas, quanto mais jovens, menos As alfaces mais utilizadas nos restaurantes, atualmente, são a americana e a romana, devido ao fato de que suas folhas são mais grossas, garantindo uma vida mais longa e, quando em contato com molhos e outros alimentos quentes, resistem e mantêm a sua crocância, sabor e volume. Fonte: a autora 53G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R picante, como caruru roxo, rúcula, mizuna, folha de mostarda, tatsoi, agrião e outras. Podemos observar que uma mesma verdura pode se enquadrar em duas ou mais categorias. Anteriormente, comentamos que as mistu- ras de elementos folhosos podem ser feitas em diversas combinações. O que existe no mercado são combinações prontas e já consagradas, que são comercializadas pré-higienizadas e aparadas, vamos conhecê-las: a. Mesclum: mistura folhas leves e pican- tes, podendo ter adição de flores e ervas. b. Baby Mix (BMX): mistura de folhas muito jovens de diversas variedades, conhecidas como baby. c. Oriental (OMX): mistura de folhas de sabores picantes e fortes, neste mix, podem ser encontradas algumas folhas pouco cultivadas no Brasil, como algu- mas folhas características da cozinha asiática. Ervas Aromáticas São folhas que possuem sabor e aroma que atri- buem um peculiar paladar aos alimentos e às demais folhas na composição de uma salada. Nesse caso, são utilizadasas ervas de folhas tenras e macias, como a ciboulette, o manje- ricão, o hortelã, a salsinha e outras. De modo geral, essas plantas aromáticas realçam o sabor dos alimentos que compõem o prato. Quando da sua utilização fresca, devem apresentar cor característica (geralmente verde), talos e folhas saudáveis (sem aspecto de murchos) e exalar um bom perfume, esse último aspecto sensorial vale também para as ervas quando desidratadas. Além das ervas citadas acima, que são comu- mente as mais empregadas em saladas, ervas como louro, cerefólio, dill, coentro, orégano, manjerona, alecrim, sálvia, estragão, segurelha, tomilho e outras aromatizam pratos, trazendo resultados surpreendentes. Para preservar os princípios voláteis das ervas aromáticas em preparos quentes, o ideal é adicioná-las somente ao final da cocção. exemplos de ervas aromáticas frescas G a r d e M a n g e r Flores Comestíveis As flores comestíveis foram introduzidas na gastronomia não somente para embelezar a fi- nalização dos pratos, mas também para atribuir sabor a eles. Para isso, devemos selecionar flores próprias para o consumo humano e conhecer o sabor de cada uma, que pode ser doce, amargo ou picante. São divididas em flores de jardim e flores de ervas, e podem ser usadas somente na apresentação final, mas também em saladas, so- bremesas, compotas, bolos, molhos, recheadas e de muitas outras formas, o importante é que se conheça o sabor de cada uma, pois, muitas vezes, não é indicado o uso da flor inteira e, então, o que se pode fazer é utilizar somente algumas pétalas ou retirar os estames e pisti- los de flores maiores, que, de modo geral, são amargos e desagradáveis ao paladar. As mais utilizadas são a capuchinha, o amor-perfeito e as pétalas de rosas. Miniverduras Com sabor mais suave do que as verduras em fase adulta, as miniverduras são podadas quando a planta atinge aproximadamente 10 cm e são ainda muito jovens, chamadas, às vezes, de brotos. Cultivadas em estufas ou em tubetes, requerem muita mão de obra, o que resulta em um alto valor de comercialização. Normalmente, na cozinha, são utilizadas na decoração ou para compor alguma salada, dificilmente como ingre- diente principal dela. salada em que são utilizadas flores comestíveis 55G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R • Passo 1 – Lavar: não utilize água corren- te para folhas, flores e ervas de textura delicada, elas devem ser mergulhadas na água e retiradas várias vezes, trocan- do sempre a água até que ela saia limpa e sem nenhuma areia. Folhas firmes podem ser lavadas em água corrente. Nesta etapa, elimina-se toda a sujida- de, larvas e insetos que possam estar presentes nas folhas. Após esta primeira lavagem, deve ser feita a desinfecção, processo que reduz o risco de contami- nação por bactérias e outros micro-or- ganismos presentes nesses alimentos. Esse processo consiste em imergir por 15 minutos as folhas que serão utiliza- das em uma solução preparada através da diluição de 1 colher de sopa de cloro (200ppm) ou água sanitária (de 2 a 2,5% de cloro ativo) para 1 litro de água. • Passo 2 – Secar: após lavar, seque cuida- dosamente as folhas, utilizando secador manual ou centrífuga elétrica (depen- dendo do volume manipulado). Folhas secas duram mais e absorvem melhor os molhos de saladas. • Passo 3 – Armazenar: as verduras devem ser guardadas sob refrigeração em recipientes de tamanho adequado, sem que fiquem muito empilhadas, cober- tas, primeiramente, com pano ou papel toalha úmidos e, depois, tampadas ou envolvidas em plástico filme. • Passo 4 – Utilizar: as verduras devem ser retiradas da refrigeração somente no mo- mento em que forem utilizadas, podendo ser rasgadas, o que confere um aspecto mais natural, ou utilizadas inteiras. As saladas verdes merecem atenção especial no momento da higienização das folhas e na conser- vação, seguir alguns passos básicos o(a) ajudará a garantir uma vida mais longa à suas folhas e atender às expectativas dos comensais ao degustar um prato de salada. Higienização das Folhas G a r d e M a n g e r Lembre-se da adequada manipulação dos ingredientes e de todo o processo de boas práticas em unidades de produção e serviços de alimentação, consultando sempre o material didático da disciplina de Higiene e Segurança. Saladas para acompanhamentos As saladas que chamamos de saladas para acom- panhamentos são mais substanciosas, feitas com base de vegetais, grãos, macarrão, leguminosas e frutas. Todos esses ingredientes, quando utiliza- dos para saladas, precisam passar por um preparo específico, alguns podem ser consumidos crus e são somente higienizados e aparados, outros precisam ser descascados, eliminadas as semen- tes e sofrer cortes apropriados, outros precisam passar por branqueamento (ver técnica no livro de Habilidades de Cozinha, página 252) e alguns precisam ser cozidos por completo. Saladas de leguminosas Para saladas feitas de feijão, o cozimento deve ser feito até que os grãos estejam macios inter- namente e devem esfriar no seu próprio caldo. Se a salada for composta por diferentes tipos de feijão, devem ser cozidos separadamente em virtude dos diferentes pontos de cocção. Saladas de frutas No preparo de salada de frutas, devemos respei- tar as características individuais de cada fruta. Iniciamos pelo corte das frutas menos perecíveis e resistentes, como melão, abacaxi e manga, frutas que oxidam rapidamente (maçã, banana, pera) devem ser cortadas no último momento e regadas com suco de frutas cítricas, para que o seu escurecimento seja retardado. Frutas com bastante líquida, como a laranja e a tangerina, auxiliam na suculência, e as mais delicadas e perecíveis, como morango, kiwi e framboesa, devem ser adicionadas somente ao final do pre- paro. Algumas ervas podem ser usadas como guarnição de saladas de frutas, como o hortelã e o tomilho-limão, como na imagem ao lado. Salada de macarrão e grãos Devem ser cozidas por completo, mas sem desmanchar. 57G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R Inicie a cocção das batatas em água fria, para que o cozimento se inicie de dentro para fora, assim, quando o in- terior estiver cozido, o exterior ainda estará íntegro. Salada de batata As batatas devem ser cozidas por completo, mas com muito cuidado para não passar do ponto e virar ponto para preparo de purê. As batatas, após o seu cozimento, devem esfriar quando temperadas com molho maionese, mas quando a salada for temperada com molhos à base de gordura, como vinagretes, o segredo é tempe- rá-las ainda quente, para que absorvam sabor rapidamente. G a r d e M a n g e r Saladas Compostas A salada somente terá uma composição har- moniosa quando os elementos que a compõem estão equilibrados entre si, quando sabores, tex- turas e temperaturas se unem em busca de um resultado fantástico. São montadas em um prato ou baixela seguindo uma ordem lógica, em que cada ingrediente é cuidadosamente colocado no lugar certo, para que cumpra o seu papel nessa composição. Por exemplo, não faria sentido co- locar no fundo do prato os camarões grelhados, seguidos de molho e cobertos por folhas inteiras de alface. A salada composta deve ser montada valorizando os seus ingredientes, o seu sabor e com um visual atraente ao comensal. Para isso, devemos estar atentos se os sabores combinados são contrastantes ou conflitantes e a escolha de ingredientes com cores, texturas e saboresdife- rentes pode ser uma grande jogada de mestre. Na imagem abaixo, uma salada compos- ta, montada de forma que cada ingrediente cumpra um papel importante no sabor e na apresentação final. 59G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R G a r d e M a n g e r 61G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R Estudaremos aqui os métodos de conservação aos quais podemos submeter os alimentos, que, além de ter sua vida útil prolongada, passam a ter um sabor mais pronunciado em relação às suas ca- racterísticas normais, independentemente do método utilizado, que conheceremos a seguir: Métodos Clássicos de Conservação dos Alimentos G a r d e M a n g e r Cura Também conhecido como salga. O Instituto Americano de Culinária (2014, p. 206) expli- ca que “cura é o termo genérico utilizado para soluções de salmoura, em conservas ou curas secas. Quando o sal, na forma de cura seca ou salmoura é aplicado a um alimento, este se de- nomina curado, salmourado, em conserva ou salgado”. • Cura seca: deve ser esfregada em toda a superfície do alimento que se deseja curar e, a cada dois dias, aproximada- mente, deve-se ir mudando o alimento de posição e recolocando a cura sobre ele. A salmoura produzida pela perda de líquido do alimento deve ser desprezada. • Salmoura (cura úmida): a cura é diluída em água e o alimento deve ser submergi- do nessa solução, em caso de peças muito grandes, a salmoura pode ser injetada. • Cura mista: primeiramente se realiza o processo da cura seca, preservando a salmoura criada pela perda de água do alimento, assim, ele passa a estar imerso em sua salmoura natural. É indicado co- locar um peso para garantir essa imersão. Muitos alimentos após o processo de cura são secos ou defumados. Estou certa de que você conhece alimentos curados, como o famoso ba- calhau ou o charque, não é mesmo? O sal utilizado para fazer a cura é diferente do sal de cozinha como conhecemos nor- malmente. O sal de cura possui nitritos e nitratos que não estão presentes no sal comum. Sua função é auxiliar a conservar a cor e dar mais longevidade à qualidade do alimento, mesmo que alterando sua estrutura inicial. Fonte: Carvalho (2014, p.46) 63G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R Defumação Nesse processo, é muito importante que o ali- mento seja, primeiramente, exposto ao ar, para que crie uma película que permitirá a aderência da fumaça. De forma alguma o alimento deverá ser defumado molhado. De modo geral, antes da defumação, ele passa por um processo de cura, é lavado e seco. A defumação consiste em submeter os alimentos à fumaça da queima de serragem ou madeiras de árvores específicas (as frutíferas são as mais indicadas). Existem alguns métodos de defumação industriais e outros que demandam menos equipamentos e tecnologias. Nessa sequência de imagens, podemos ob- servar trutas no processo de salga e defumação. G a r d e M a n g e r Gordura Com origem na França, a técnica de conservar embebido em gordura é muito antiga e utilizada na conservação de carnes. Um exemplo clás- sico desse método de conservação é o Confit de Canard (pato), que, em virtude do intenso sabor e maciez que atribui à carne, deixou de ser somente um método de conservação e se tornou um prato consagrado da cozinha france- sa. Ele sofre cocção imerso na própria gordura e permanece até o momento de ser servido. Essa gordura protege a carne de qualquer contato com o ar. Alguns países utilizam esse método com carnes típicas de sua cultura e de sua região. Conservas de Salmoura Além da salmoura de sal que estudamos no pro- cesso de cura, a maioria das conservas feitas em salmoura são imersas em uma solução de vina- gre e sal, às vezes, adicionadas de açúcar, como os chutneys. De acordo com Sebess (2014), as conservas duram, em média, um ano, quando bem armazenadas em locais frescos e secos com temperatura de até 30ºC e, principalmente, em frascos limpos e em ótimo estado de conser- vação. Após abertas, as conservas devem ser acondicionadas sob refrigeração e consumidas em até 7 dias. Fazem parte desse método as conservas de batatinhas, cebolinhas, picles, azeitonas, vegetais em geral, ovos, bem como os relishes e chutneys. 65G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R C aro(a) aluno(a), chegamos ao final de mais uma unidade. Aqui, iniciamos o aprofundamento das preparações atribuídas ao Garde Manger na cozi- nha profissional, estudando suas particularida- des, procedimentos e, principalmente, técnicas da cozinha clássica. Os molhos são elementos importantes na formação dos pratos, e não só nos pratos ela- borados pelo Garde Manger. Muitas vezes, o molho acompanha os pratos das demais praças da cozinha, podendo ser servido frio ou em temperatura ambiente. O que se deve ter claro é que, independentemente da forma como é empregado, ele é indispensável na composição desses pratos. Quando falamos de saladas, não podemos omitir o fato de que essa iguaria vem conquis- tando cada vez mais o paladar dos comensais, não só pelo fato de que hoje algumas saladas compostas são tão fabulosas quanto um prato principal ou pela grande variedade de maté- rias-primas ofertada para o preparo de saladas, tornando-as muito mais atraentes, ou ainda pelo aumento da busca de hábitos alimentares mais saudáveis. O que se sabe é que as saladas e os demais ingredientes que as compõem tem um lugar de destaque na praça do Garde Manger. Os métodos clássicos de conservação sur- giram como uma alternativa inteligente para que os alimentos se mantivessem próprios para o consumo humano por um tempo mais longo, em uma época em que não existiam os refrigeradores. Mais tarde, essa alternativa era buscada como forma de se ter disponível as matérias-primas sazonais durante os 365 dias do ano. Atualmente, o Garde Manger não re- corre aos métodos de conservação por nenhum dos motivos acima, mas para garantir que os sabores dos alimentos curados, defumados e as conservas de salmoura, por exemplo, possam ainda ser desfrutados pelos comensais. O que seria da cozinha sem o bacon? Espero você na próxima unidade, na qual continuaremos nossos estudos sobre os prepa- ros do Garde Manger. Até breve! co ns id er aç õe s fi na is G a r d e M a n g e r 1. Explique a diferença entre um molho emulsionado estável e um molho emulsionado instável e dê um exemplo de cada um deles. 2. Relacione corretamente a primeira coluna de saladas verdes com o grupo ao qual elas pertencem, apresentados na segunda coluna, e preencha as lacunas com as letras correspondentes: primeira coluna segunda coluna (a) Sálvia ( ) Verduras Leves (b) Alface Americana ( ) Flores Comestíveis (c) Folha de Mostarda ( ) Verduras Amargas (d) Radicchio ( ) Ervas Aromáticas (e) Capuchinha ( ) Verduras Picantes 3. Quais são os tipos de cura? Comente cada um deles. 4. Qual é o nome do prato clássico francês que surgiu em decorrência do processo de conservação em gordura? Como ele é feito? at iv id ad e de e st ud o 67G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R m at er ia l c om pl em en ta r Caro(a) aluno(a), permito-me recomendar o livro abaixo como leitura complementar no estudo dos métodos de conser- vação dos alimentos, uma vez que as técnicas citadas no decorrer deste material foram superficialmente abordadas e uma leitura mais aprofundada se faz necessário. Livro: Os Princípios de Tecnologia de AlimentosAutor:Altanir J. Gava Editora: Nobel Sinopse: Este livro reúne a informação técnica disponível, no cenário brasileiro e internacional, sobre a área de ciência e de tecnologia de alimentos. Nos primeiros capítulos, o autor faz uma rápida revisão dos conhecimentos fundamentais, como importância da tecnologia de alimentos, princípios de nutrição, causas de alterações dos alimentos, com ênfase na microbiológica, limpeza e sanitização na indústria alimen- tícia, bem como descrição dos vários tipos de embalagens. Em seguida, expõe os vários métodos de conservação, clas- sificados entre os que usam calor, frio, açúcar, fermentação, aditivos, radiações ionizantes e outros métodos. G a r d e M a n g e r le it ur a co m pl em en ta r Classificação das Hortaliças Devido à grande quantidade de espécies en- volvidas e às particularidades de cada cultura, torna-se necessário uma metodologia capaz de evidenciar as semelhanças e as diferenças botânicas ou de ordem tecnológica entre essas culturas. Por isso, procura-se agrupá-las didatica- mente e, nesse sentido, existem várias classi- ficações baseadas nas características comuns. Uma classificação muito antiga considera, como critério para o agrupamento, as partes utilizadas na alimentação humana, e que têm valor comercial. Atualmente, tal classificação vem sendo utilizada, com pequenas modifi- cações, pelo sistema Nacional de Centrais de Abastecimento. A classificação é a seguinte: • Hortaliças tuberosas - são aquelas cujas partes utilizáveis desenvolvem- -se dentro do solo, compreendendo: tubérculos (batatinha, cará), rizomas (inhame), bulbos (cebola, alho) e raízes MANUAL DA HORTA Secretaria Municipal do Verde e Meio AmbientePrefeitura de São Paulo Helen Elisa C. R Bevilacqua tuberosas (cenoura, beterraba, batata- -doce, mandioquinha-salsa). • Hortaliças herbáceas - aquelas cujas partes aproveitáveis situam-se acima do solo, sendo tenras e suculentas: folhas (alface, taioba, repolho, espinafre), talos e hastes (aspargo, funcho, aipo), flores e inflorescências (couve-flor, brócolis, alcachofra). • Hortaliças-fruto - utiliza-se o fruto, verde ou maduro, todo ou em parte: melancia, pimentão, quiabo, ervilha, tomate, jiló, berinjela, abóbora. Seleção e Conservação das Hortaliças As hortaliças devem ser colhidas quando esti- verem amadurecidas. Depois de colhidas, devem ser lavadas para a retirada da terra, deixadas para escorrer 69G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R e depois selecionadas, tomando-se os seguintes cuidados: • As folhas não devem estar queimadas, com pragas, amassadas e murchas; • Os legumes não devem estar rachados, machucados e murchos; • As hortaliças mais maduras devem ser separadas das mais verdes, consumindo- -se, em primeiro lugar, as mais maduras. Para melhor conservação, as hortaliças devem ser guardadas em saco plástico, separadas por tipo de verdura ou de legume, e colocadas na gaveta da parte mais baixa da geladeira. Cuidados no Preparo das Hortaliças • Faça, sempre que possível, o cozimento das hortaliças inteiras ou cortadas em pedaços grandes. • Faça o cozimento em panela fechada, para conservar a cor e os nutrientes (vi- taminas e minerais). • Cozinhe apenas o suficiente para que fiquem macias e não deixe muito tempo no fogo, para evitar que percam o valor nutritivo. • Junte o sal quando as hortaliças já esti- veram macias. G a r d e M a n g e r Fonte: Fragmentos do Manual da Horta, publicado pela Secretaria do Verde e Meio Ambiente da Prefeitura de São Paulo. Disponível em:<http://www.prefeitura. sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/02manualhor- ta_1253891788.pdf>.Acesso em: 12 jan. 2014. • Coloque em panela com pouca água (apenas molhada), tampada e em fogo baixo, as verduras folhosas, como o es- pinafre e a couve. • Aproveite o líquido do cozimento das hortaliças para preparar outras receitas, como arroz, feijão e molhos, pois nessa água está contida a maior parte das vi- taminas e minerais. Mas isso só deve ser feito se a hortaliça foi cultivada sem o uso de agrotóxicos. • Não utilize bicarbonato de sódio no co- zimento, pois ele destrói as substâncias nutritivas das hortaliças. • Adicione gotas de limão à água de cozi- mento para acentuar a cor da hortaliça. • Adicione uma pitada de açúcar à água de cozimento para melhorar o sabor das hortaliças. • Consuma as verduras de folhas de prefe- rência cruas porque, além de conservar todas as vitaminas e minerais, fornecem maior quantidade de fibras. • Armazene inteiras as hortaliças frescas, que são mais ricas em vitaminas. • Não deixe as hortaliças de molho, depois de cortadas ou descascadas. • Aproveite as folhas e os talos, quando a hortaliça for cultivada sem o uso de agrotóxicos. • Não use agrotóxicos no plantio da horta, porque estes representam um grande risco à saúde. As hortaliças que apresen- tarem odor de inseticida NÃO devem ser consumidas, pois nem uma boa lavagem elimina o produto. • Também é importante saber substituir as hortaliças dentro dos seguintes grupos: Folhas: alface, couve, repolho, acelga, al- meirão, escarola, espinafre, rúcula e outros. Legumes: beterraba, chuchu, abobrinha, abóbora, cenoura, nabo e outros. Feculentos: batata inglesa, batata doce, cará, mandioca ou aipim, mandioquinha, inhame, rabanete e outros. Preparações Frias 2: Terrines, Galantines, Roulades, Entradas Frias e Elementos Decorativos ANA PAULA CARVALHO LOPES FERNANDES A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: • Terrines, Galantines e Roulades • Entradas Frias • Elementos Decorativos para Buffet e Pratos • Estudar os processos de produção de terrines. • Compreender a diferença entre galantine e roulade. • Conhecer as entradas feitas pelo Garde Manger e como elas se classificam. • Estudar as técnicas utilizadas na criação de elementos decorativos para buffets e pratos. Plano de Estudo Objetivos de Aprendizagem Introdução 73 Introdução Olá, aluno(a), nesta unidade, seguiremos os nossos estudos sobre as produções realizadas na bancada do Garde Manger em uma cozinha profissional. Primeiramente, vamos estudar as diferenças existentes entre terrine, galantine e roulade e conhecer os tipos de terrines. As terrines com farce e os tipos de farces, as terrines de aspic e o pâtéencroûte, que é uma terrine envolta de massa crocante. Aprenderemos também o passo a passo de montagem de terrines. As galantines e roulades são técnicas muito antigas e que muitas vezes são confundidas, neste livro, aprenderemos o que as difere e suas possibilidades de variações. Em seguida, veremos quão amplo de possibilidades é o serviço de entradas, que definimos como qualquer alimento que precede o serviço do prato principal, por isso o nome ‘entrada’. Elas podem ser compostas de grupos diferentes de alimentos, que são conhecidos como petiscos, canapés, “amuse-bouche”, antepasto, couvert, fingerfood, entradas únicas ou “hors-doeuvre”, por isso, vamos identificar e compreender as especificações de cada uma. E, por fim, no tópico de finalização e decoração de pratos e de buffets, conheceremos os aspectos analisados no planejamento da apresentação de um prato: escolha dos ingredientes, métodos de cocção, cores, texturas, formas e escolha da louça são requisitos importantes para um prato bem apresentado. Os “garnishs”, ou enfeites, coroam os pratos, dando o toque final, e são reinventados todos os dias. Lembramos, ainda, a grande responsabilidade do Garde Mangerna criação de elementos decorativos para buffets. Nesta terceira unidade, finalizaremos a abordagem dos preparos da bancada do Garde Manger. G a r d e M a n g e r 75G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R Vamos iniciar nosso papo conceituando e entendendo a diferença entre esses três preparos, de acordo com Ruhlman (2009), autor de Elementos da Culinária de A a Z: • Terrine: Qualquer prato preparado em uma forma de terrine pode ser assim chamado, como o clássico “patê enterrine”. • Galantine: Preparação antiga e especial em que um recheio feito com a carne de ave, ou patê, é enrolado dentro da pele dessa ave, amarrado, escalfado, esfriado e fatiado para ser servido. • Roulade: Pedaço de carne ou patê enrolado em algum ingre- diente, revestido de papel ou filme PVC, cozido e fatiado. Terrines, Galantines e Roulades G a r d e M a n g e r Terrine Quando o autor se refere à forma de terrine, ele quer dizer um antigo utensílio de cozinha que era feito com terracota, em que alguns tipos de “farces” – que já vou explicar para você o que é – eram colocados e assados, dando origem ao nome do prato, “patê enterrine”. Nos dias atuais, encontramos no mercado formas fabricadas em diversos materiais, mas que ainda levam o nome do produto original, assim como os pratos feitos com todos os tipos de recheios são introduzidos pelo nome terrine: terrine de cogumelos, terrine de salmão e ovas de capellini, terrine de pato e ameixas etc. A produção de terrines em diversos forma- tos e tamanhos possibilita ao Garde Manger explorar toda a sua criatividade, utilizando fatias e pequenos pedaços em entradas, saladas, mesas de antepastos e guarnições. As terrines podem ser elaboradas essencialmente com a aplicação de três técnicas distintas: Terrine de farce São terrines que recebem, primeiramente, uma forração na forma, também conhecida como casaca (pois ela envolve fundo e laterais, dei- xando sobras para serem cobertas após o pre- enchimento com a farce). Essa forração pode ser feita apenas com filme PVC ou incrementada com ingredientes que, além de cumprir o papel da forração, atribuem sabor e beleza à terrine, 77G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R como fatias de bacon, presunto cru, algas, vegetais e outros. Mas, afinal, o que é um farce? De acordo com as informações do Instituto Americano de Culinária (2014), elaboramos a tabela abaixo para conhecimento dos tipos de farces: uma emulsão de carnes, de gorduras e de condimentos. Farce de estilo Camponês Normalmente produzida com carne suína, possui uma textura mais rústica, com pequenos pedaços de carne aparentes. Farce Simples Combina 50% de carnes e 50% de gordura, passa por processo de moagem e emulsificação. Textura homogênea. Farce Gratin A carne, ou uma parte dela, é salteada antes de passar por moagem. Apresenta coloração mais escura. Farce Mousseline Produzida com carnes brancas e mais leves, como aves, peixes e mariscos, é finalizada com creme de leite fresco e, às vezes, ovos. Textura mais aveludada. G a r d e M a n g e r • Passo 1 – Escolha a forma de terrine (hoje se utiliza muito as retangulares, mas exis- tem as meio cilíndricas, as em trapézio, as triangulares e outras). • Passo 2 – Faça a forração da forma de acordo com sua preferência, como já explicamos acima. • Passo 3 – Preencha a forma com o farce escolhido e, com uma espátula, vá pressio- nando, eliminando todas as bolhas de ar. Se quiser usar guarnições, que dão um toque todo especial às terrines, principalmente quando cortadas, existem duas formas de adicionar novos ingredientes, como casta- nhas em geral, pedaços de carnes, vegetais, ervas e outros na terrine: ou se adiciona no meio da farce, e assim a posição das guar- nições, na terrine,serão aleatórias; ou na montagem, ao adicionar a farce, posicio- nam-se as guarnições onde desejar, o que chamamos de mosaico ou dispersão cen- tralizada. Na primeira imagem, uma terrine com guarnição de cogumelos misturados na farce e, na segunda imagem, os picles foram colocados no local desejado no momento da montagem. Após a colocação total do farce e suas guarnições, antes de fechar a forração, bata delicadamente a forma sobre uma superfície para retirar os gases que ainda permanecem. • Passo 4 – Asse a terrine em banho-maria coberta por papel alumínio a 150ºC por, aproximadamente, uma hora (vai depender do tamanho da forma), a água deve atingir a altura de até ¾ da forma. • Passo 5 – Deixe esfriar em temperatura am- biente e coloque um peso sobre a terrine que irá funcionar como uma prensa, leve à geladeira e deixe por 24 horas antes de servi-la. • Passo 6 – Desenforme e finalize guarnecen- do com criatividade. Agora que entendemos o que são as farces, acompanhe este passo a passo e monte a sua terrine preferida. Monte a sua terrine preferida 79G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R Você sabia que com esses mesmos tipos de farces, além das terrines, podem ser produzidos quenelles, recheios de ravio- les, tortellines e outras massas, embutidos, roulades e outras iguarias gastronômicas? Fonte: a autora G a r d e M a n g e r Terrine com aspic Você se lembra do aspic que estudamos na sessão de molhos frios da unidade II? Então, aqui vamos utilizá-lo para unir os demais in- gredientes da terrine. Primeiramente, deve-se fazer a forração de filme PVC, iniciar a monta- gem adicionando os ingredientes previamente temperados e preencher os espaços com o aspic, Pâté em croûte Este clássico da cozinha francesa atualmente anda meio esquecido, mas de paladar muito pro- nunciado, esta terrine consiste em uma forração de massa, uma forração de revestimento como presunto ou algas, que além de atribuir cor na apresentação, evitará que a umidade da farce passe para massa. Depois de recheado com farce, fecha-se as duas forrações. O grande segredo desse preparo está em fazer um furo cilíndrico na parte superior da terrine, perfurando as duas camadas de forração, isso fará que o vapor saia e não rache o restante da massa. Asse a terrine até dourar a massa, deixe arrefecer e insira um funil no furo, injetando aspic para preencher qualquer lacuna que tenha sobrado entre a farce e as forrações. Mantenha sob refrigeração por no mínimo, 24 horas antes de servir. de forma que todos os ingredientes fiquem li- gados. Pode-se fazer camadas com guarnições e finalizar com uma fina camada de aspic. Feche a forração, coloque um peso para prensar e man- tenha sob refrigeração até que esteja firme para desenformar e cortar. 81G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R Galantine Esse clássico preparo consiste em desossar cuida- dosamente o frango, mantendo sua pele íntegra. Com as carnes mais saborosas, como coxas e sobrecoxas, prepara-se um farce bem tempera- do. Abre-se um pedaço de filme PVC, coloca-se sobre ele a pele com a parte interna para cima e monta-se um recheio utilizando o farce e os pedaços de peitos como guarnição. O fechamento é feito enrolando-o bem apertado e amarrando as pontas com barbante, formando um grande cilindro. Agora, é só escalfar em caldo enriquecido e saboroso, refrigerá-lo e fatiar para servir. Roulade A diferença do roulade em relação à galantine é que este não é envolto em pele de frango. A farce é montada diretamente sobre o filme PVC, os re- cheios podem ser produzidos com ingredientes diferenciados, como carnes, peixes e vegetais, enquanto a galantine está diretamente ligadaao frango. Eles se assemelham pelo formato cilíndrico, cocção em caldo e pelo fato de serem ambos servidos frios e fatiados. Por isso é muito natural que as nomenclaturas se confundam. As galantines, como as conhecemos atu- almente, são populares desde a época da Revolução Francesa (1789 – 1799). O Chef da casa do marquês de Brancas, M. Prévost, foi quem inventou esse prato salgado e frio, feito de ave desossada recosturada dentro de sua pele. Fonte: Instituto Americano de Culinária (2014, p.316) roulade de frango com guarnição de azeitonas pretas G a r d e M a n g e r 83G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R Caro(a) aluno(a), iniciaremos mais um tópico da terceira unidade deste livro e, agora, conheceremos as entradas frias executadas pelo Garde Manger. Como o próprio nome explica, consideramos como entrada todos os pratos que precedem o prato principal, ou seja, são pequenas porções de comida que abrem as refeições e preparam o paladar para o prato principal. Entradas Frias G a r d e M a n g e r A s entradas devem receber atenção especial na combinação de sabo- res, na apresentação final e até na escolha da louça. Tudo deve estar planejado e perfeito, pois, como será o primeiro serviço executado ao comensal, será baseado nela que ele formará opinião e expectativas para os pratos seguintes. Por exemplo, se um comen- sal recebe uma entrada fria que foi montada em um prato que tinha acabado de sair da lavadora e ainda estava quente; ou se o Garde Manger executou uma finalização em pirâmide, mas que, por descuido, chegou ao comensal toda desmon- tada; ou ainda um prato que pingou molho na borda e foi assim mesmo servido ao comensal; ou uma entrada que não tinha nenhuma co- nexão e harmonia com os demais pratos; tudo isso pode comprometer uma refeição inteira. O planejamento das entradas deve ser mi- nucioso e fazer parte do planejamento global do serviço. Ela deve abrir a refeição em grande estilo e chegar à mesa dando a seguinte men- sagem ao comensal: prepare-se para se surpre- ender com a nossa brigada de cozinha! E esse padrão deve ser mantido até o final do serviço com excelência e qualidade. Com o passar do tempo, os conceitos dentro da gastronomia também evoluíram e ganharam novos significados. Muito se dis- cute quanto à classificação dos alimentos que precedem a refeição e são atribuídas nomen- claturas variadas, abaixo, vamos entender cada uma delas, mas antes gostaria de esclarecer que as entradas podem ser quentes ou frias, ao Garde Manger se atribui a execução das entradas frias. Vamos lá: Petisco Porções coletivas de alimentos prontos ou sem complexidade de preparo, como: casta- nhas, amendoins, torresmo, conservas como azeitonas, picles, ovo de codorna e cebolinhas, pequenos biscoitos salgados, cubos de queijos e embutidos. Algumas porções de boteco também se enquadram na categoria petiscos. Na imagem, temos exemplos de petiscos. 85G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R Canapés Originalmente, quando se oferecia um serviço de canapé, logo estava o garçom com uma bandeja com pequenas porções de torradinhas com uma pasta em cima, alguma guarnição e um elemento decorativo. As torradas eram cortadas em forma- tos variados e os patês também eram dos mais diversos sabores, assim como as guarnições e a fi- nalização, como visualizamos na imagem ao lado: Atualmente, o sentido de canapé ganhou proporções maiores e inclui um grande grupo de preparos feitos em porções individuais. Os canapés podem ser servidos como entrada ou ser opção única em um evento, como um co- quetel, onde comensais estão de pé e os garçons circulam em serviço volante com as bandejas de canapés, muito utilizado em lançamentos de livros, vernissage e outros tipos de eventos. Amuse-bouche Uma porção muito pequena (pequena mesmo) de algo exótico e sofisticado, criado pelos franceses e que nesse idioma significa “para divertir a boca”. É normalmente servido por restaurantes de alto nível como presente do Chef e, claro, deve ser assinado por ele. Não está disponível no cardápio, pois é composto pelos melhores ingredientes disponíveis no dia, mas todos da mesa recebem o mesmo, funciona como uma surpresa para despertar o paladar dos comensais para os demais pratos do cardápio, e o seu preço não vem cobrado na conta, já está incluso e diluído nos demais serviços da casa. G a r d e M a n g e r Antepasto Palavra italiana que quer dizer “antes da refei- ção”. Engloba todos os alimentos servidos antes do prato principal e é formado por um grupo grande de preparações, muitas de origem italia- na. É muito comum os restaurantes italianos, aqui no Brasil, que trabalham com sistema à la carte, oferecerem uma extensa mesa de an- tipasti (plural de antepasto), com pães varia- dos, sardela, alichela, caponata, conservas de alcachofra, cogumelos, azeitonas, alho assado, verduras grelhadas, grande variedade de queijos e embutidos, e tudo regado com muito azeite. Esses itens e muitos outros podem ser servidos individualmente ou como couvert. Couvert Couvert é uma pequena porção de alimento servido imediatamente após a acomodação do comensal à mesa, tradicionalmente composta por cesta de pães e de manteiga. Cada restau- rante oferece um couvert padrão da casa, que pode incluir outras pastas, azeitonas, conservas, chutneys, castanhas e outros. Alguns cobram um valor único por unidade do couvert, outros fazem a cobrança “per capita”, cobram um valor por pessoa que está à mesa, independente se comeu ou não, o que gera certa polêmica, pois muitos restaurantes não perguntam se o comen- sal deseja o couvert, o garçom simplesmente o coloca sobre a mesa e lança na conta do cliente. Na imagem abaixo, um exemplo de couvert de restaurante. O couvert é caracterizado pelo forneci- mento de aperitivos sólidos e líquidos, servidos antes do início da refeição, e muitos estabelecimentos simplesmente o servem sem consultar o cliente, que é pego de surpresa e, quando vem a conta, percebe que o serviço é cobrado. É importante saber que desde 2012, em razão da lei estadual 17.301, os estabele- cimentos devem – antes de servir o cou- vert – informar ao consumidor a descrição clara do preço e a composição do serviço. Além disto, o couvert somente poderá ser servido se houver solicitação prévia por parte do consumidor e, caso esta regra não seja respeitada, não existe obrigatoriedade de pagamento pelo serviço. Consumidor, fique de olho e exija seus direitos! Fonte: PROCON-PR. Disponível em:<http://www.procon.pr.gov.br/mo- dules/conteudo/conteudo.php?con- teudo=603>. Acesso em: 29 jan. 15. 87G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R Você sabia que a expressão couvert, além de significar esta pequena entrada servida em res- taurantes, também pode ser utilizada para se referir ao couvert artístico, uma taxa cobrada de cada cliente quando o local oferece música ao vivo, ou ainda, na linguagem dos restauran- tes, se usa couvert para se referir a quantas pessoas foram servidas no dia ou na refeição. Essa aplicação vem do francês, onde couvert é o serviço de toalha, pratos e talheres que se utiliza por pessoa para fazer a refeição, assim, é normal ouvir um dono de restaurante falan- do: “hoje nós fizemos 48 couverts”, ou “o meu restaurante precisa fazer 120 couverts por dia para cobrir os custos”. Fonte: a autora G a r d e M a n g e r FingerFood Este serviço trouxe inovação e certa revoluçãoaos métodos tradicionais. São miniporções de todos os tipos de comida, caracterizados pela alta gastronomia. Segundo Leite (2014, p.14), Fingerfood pode ser apresentado em pa- litos, cumbucas, colheres, copos, taças, pires, panelinhas ou em recipientes co- mestíveis, como casquinhas de sorvete, tarteletes, blinis, panquecas, waffles. A regra é comer com as mãos, mas com a elegância de mantê-las sempre limpas. Muito utilizados em eventos onde não existem assentos para todos os convidados ou eventos em pé, o fingerfood é a alternativa ideal que traz requinte e sustância, pois essas comidinhas vão de simples saladinhas a risotos, minigrelhados e muito mais. Outra vantagem desse serviço é que muitas culturas e sabores podem ser explorados simultaneamente, em um mesmo cardápio de fingers, pode-se oferecer, por exemplo: copinho de guacamole com nachos, bobó de camarão na xícara, colherzinha de quenelle de iogurte com salmão defumado e dill, minipaella, stickcaprese, minialmôndegas de frango com dip oriental, couscous marroquino com camarões flambados no marsala, rolinhos de massa filo com aspargos, prosciuto e cream cheese e muito mais. As co- zinhas de vários países se misturam na criação de um cardápio de fingerfood, a finalização e a escolha da louça é o ponto alto desse serviço. Atualmente, existe, na indústria da alimen- tação, uma grande oferta de louças especiali- zadas para esse uso: são panelinhas, xícaras, colheres, caçarolas, potinhos de todos os for- matos, copinhos, minibandejas, minibowls, dentre outros, que podem ser fabricados em vidro, bambu, porcelana, cerâmica, ferro fun- dido, cristal, madeira e possuem cores variadas. O fingerfood pode ser utilizado como en- trada, precedendo o prato principal, ou pode ser um serviço único, em que todos os pratos são servidos no formato de fingerfood. Na imagem, uma mesa de fingerfood para serviço no sistema americano. 89G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R Entradas empratadas Servida em um prato único, a porção deve ser individual, com tamanho que vai de pequeno a médio, deve ser leve e abrir o paladar para o prato principal: saladas compostas e sopas são as mais comuns. Utilizada quando os comensais estão sentados, o pratinho da entrada vai sobre o prato principal a frente do comensal. Na figura abaixo, uma clássica salada capre- se servida como entrada. Falando em salada caprese, nas aulas da disciplina de Cozinha Clássica, você irá aprender como preparar essa salada em diferentes versões. Não deixe de conferir! G a r d e M a n g e r Hors-D’oeuvre É a expressão francesa que se refere a todos os alimentos servidos antes da refeição principal ou fora do horário das refeições, conceitual- mente, eram servidos em porções individuais. Segundo explica o Instituto Americano de Culinária (2014), o termo em francês quer dizer “fora do serviço” e ainda é utilizado por restaurantes mais clássicos e conservadores. Podemos assimilar como Hors-D’oeuvre todos os itens citados acima. Agora que já compreendemos o que difere cada tipo de entrada, elaboramos a tabela a seguir para uma melhor fixação. Em um evento de premiação de uma famosa revista de gastronomia em Brasília- DF, com o objetivo de propor um ambiente mais informal, com mobilidade e onde as pessoas do trade gastronômico pudessem se conhecer e conversar, optou-se pelo serviço de fingerfood. Algumas opções de fingerfood chega- vam aos convidados em serviço volante e outras estavam expostas em ilhas espalha- das pelo salão, como os fingersfood orien- tais. Tudo estava lindo de encher os olhos, mas, nessas ilhas de comidas orientais, não dispuseram louças e talheres adequados a essa gastronomia, então, era muito comum, durante o evento, encontrar pessoas com a roupa e as mãos sujas de shoyo, inclusive o dono de um dos restaurantes premiados naquela noite, que subiu ao palco com a camisa suja e pediu desculpas no micro- fone muito constrangido. O que se observa foi a falta de plane- jamento e de análise de viabilidade do serviço e das preparações escolhidas para serem servidas na ocasião. Fonte: Caso verídico vivenciado pela autora do livro 91G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R ENTENDENDO OS TIPOS DE ENTRADAS Tipos de Entradas Características Principais Exemplos Petiscos • Porções coletivas • Prontas ou sem complexidade de preparo Azeitonas, castanhas, queijos, conservas etc. Canapés • Porções individuais • São colocados direto nas bandejas ou travessas • Não usa nenhum tipo de talher • Consumido em uma ou, no máximo, duas mordidas Torradas com patês e guarnições, pequenos pedaços de verduras com patês ou recheios etc. Amuse-bouche • Porção individual e pequena • Feita com ingredientes exóticos e sofisticados • A apresentação é de autoria do chef, nunca é igual Pode ser de qualquer natureza, frutos do mar, carnes, aves ou legumes. O produto melhor e mais fresco do dia. Antepastos • Porção coletiva de alguns preparos italianos • Sempre acompanhado de pães e grissinis • Pode ser servido em buffet ou na mesa de cada comensal Pães variados, sardela, alichela, caponata, conservas de alcachofra, cogumelos, grande variedade de queijos embutidos etc. Couvert • Porção de pães e algum acompanhamento para o pão • Servido à mesa assim que o comensal se senta Cesta de pães variados com manteiga, ou azeites aromatizados, ou patês, ou coalhada etc. FingerFood • Porções individuais de qualquer tipo de preparo, ou seja, qualquer comida pode ser servida como fingerfood • Uso de pequenas louças com design diferentes • Pode usar talheres como colher e garfo, mas nunca garfo e faca • Pode ser degustado em pé Risotto na panelinha, sopa no copinho, mousse na colher, paella na caçarola etc. Entradas Empratadas • Porção individual, pequena ou média, que vai servida diretamente no prato • Utilizada para comensais sentados • Deve preceder um prato principal Saladas variadas, sopas, bruschettas, berinjela a parmegiana etc. Hors-D’oeuvre • Expressão francesa para se referir aos alimentos que são servidos antes do prato principal • Pode ser porções individuais ou coletivas • Atualmente, é utilizada por restaurantes mais clássicos Qualquer preparo utilizado para abrir o paladar do comensal para o prato principal. Tabela: Tipos de Entradas Fonte: a autora G a r d e M a n g e r 93G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R Nos últimos anos, a gastronomia foi elevada a um status de sofis- ticação e muito glamour, não basta apenas ter uma comida boa, o comensal precisa viver uma experiência completa. Quando as pessoas planejam ir a um determinado restaurante, é a partir dessa decisão que elas iniciam suas expectativas em relação ao que vão viver. Elementos Decorativos para Buffet e Pratos G a r d e M a n g e r A comida deve vir agregada de muitos outros valores e o serviço total deve ser de excelência: a finalização e a apresentação dos pratos, o layout do cardápio, a segurança, a higiene do local, som ambiente, a cortesia e a técnica do garçom, bem como o seu uniforme, o mobiliário e a climati- zação, enfim, todos os pontos devem convergir para causar no cliente um sentimento de que a qualidade percebida por ele foi maior do que a sua expectativa inicial, nesse cenário, o cliente foi surpreendido e conquistado. Colocar a comida dentro da louça deixou de ser uma ação mecânica, com o simples ob- jetivo de transportar a comida até o comensal, essa ação agora é planejada,elaborada, testada, até mesmo com objetivos de marketing. Quem nunca perguntou a um garçom o que era aquele prato bonito servido na mesa ao lado? Aproveito para comentar que alguns restaurantes treinam os seus garçons para “bandejar” os pratos pelo salão com o braço em ângulo de 90º, nunca com os braços erguidos, assim, despertam nos demais clientes o desejo de consumir, seja um prato bem elaborado, um coquetel ou uma so- bremesa que os olhos não resistem. Isso faz com que o ticket médio tenha um aumento expres- sivo em alguns estabelecimentos. Mas voltando à nossa discussão, as técnicas e os elementos decorativos para a finalização de pratos e buffets são inúmeros, cada Chef ou cozinheiro desenvolve o seu estilo próprio e a forma de finalização do prato se torna uma espécie de carimbo do Chef. Conheço um res- taurante, por exemplo, onde todos os pratos principais vinham com uma finalização de re- dução de aceto balsâmico, uma receita especial feita pelo Chef da casa e que marcava todos os pratos, e, como este, existem diversos casos, inclusive em que o Chef desenvolve uma fina- lização para cada prato e ela nunca se repetirá, pois estará definitivamente harmonizada com o prato. Vamos falar neste livro de duas situações em que utilizamos elementos decorativos que são de responsabilidade do Garde Manger, nos pratos do serviço à la carte e nos buffets do serviço self service. Finalização de Pratos Um prato bem apresentado fala por si mesmo. Ele traz ao comensal uma mensagem oculta, que diz que esse prato foi feito por um profis- sional. Mas é importante saber que a perfeita apresentação do prato não reside somente no raminho de erva aromática que será colocado ao final do prato, ela depende de uma série de coisas, que vamos conhecer agora. 95G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R Preparação dos alimentos A preparação correta de um determinado ali- mento e o emprego da técnica correta vão in- terferir diretamente no resultado final.Uma carne que teve o sangue drenado e suja todo o prato ou um chips de banana da terra que ficou murcho e engordurado colocam por água abaixo todo o trabalho que tinha sido planejado para este prato. Uso de equipamentos e de utensílios corretos A manipulação do alimento com o utensílio correto contribui para que suas formas tenham o resultado desejado, por exemplo, um pão cor- tado com faca de chef ficará amassado em vez de exibir suas rabanadas em formato oval. A escolha da louça Vamos imaginar que a louça é a moldura do prato, ela deve estar em harmonia e agregar valor, e não disputar o lugar de destaque. Escolher a louça que seja adequada ao preparo contribui muito com a estética do prato, louças escuras para preparos com ingredientes escuros podem ofuscar os alimentos, mas, em determi- nadas situações, destacam. As louças estampadas devem ser evitadas em restaurantes, as tradicionais porcelanas brancas são as mais indicadas, em formatos redondos, ovais, quadrados, triangulares, retangulares e muitos tamanhos, sempre terá uma que vai se encaixar perfeitamente a cada prato do cardápio. Textura As texturas não podem ser sentidas pelos olhos, mas implicam sim em um resultado diferente no prato, o crocante, o cremoso, o duro, o macio, o líquido, o gelatinoso, o espumoso, o quebradiço, o fibroso, o granulado, o elástico e outras tex- turas dão equilíbrio ao prato. Um prato em que todos os alimentos têm a mesma textura não causa sensações no comensal. Um prato deve apresentar texturas que se completam. É muito comum o uso de crisps (de cebola, parma, couve, banana, mandioca, bacon etc.), para conferir altura ao prato. A cozinha molecular, conteúdo da dis- ciplina Criatividade e Inovação em Gastronomia, abordará, em todas as ins- tâncias, as possíveis texturas que podemos dar aos alimentos. G a r d e M a n g e r Cores As cores dos próprios alimentos devem ser combinadas para que resultem em um prato harmonioso, pratos monocromáticos não são atraentes e, nesse caso, os elementos deco- rativos cumprem um papel importante, de dar vida e tornar o prato visualmente mais interessante. Quando os próprios alimentos que com- põem o prato são de cores distintas, a decoração deve ser discreta e trabalhar outros aspectos, como a textura. Imagine um prato composto por filé de pescada, acompanhado de arroz e cou- ve-flor. Um tanto sem graça no aspecto visual, mas o mesmo prato pode se tornar bastante atraente quando bem finalizado. Formas Não há razões para se apresentar um prato em que todos os alimentos tenham o mesmo for- mato diante das inúmeras possibilidades de cortes apresentadas na disciplina de Habilidades de Cozinha. As opções de cortes de vegetais e carnes formam subsídios suficientes para que um car- dápio inteiro seja bem planejado no que com- pete às suas formas. Imagine um prato com almôndegas de cordeiro com gnocchi e couve de bruxelas! Basicamente alimentos em for- mato cilíndrico e que visualmente trariam um resultado pouco harmonioso. Métodos de Cocção Os métodos de cocção são aliados da boa fina- lização do prato quando diversificado. Não é recomendado um prato em que todos os ingre- dientes estão cozidos ao vapor, ou grelhados, ou fritos. Um simples filé de frango, que, muitas vezes, não tem apelo de venda, quando grelhado em um char broiler, por exemplo, fica com as marcas da grelha e um sabor de defumado que o torna muito mais atraente. Tipos de montagem de prato M uitas eram as regras que orien- tavam os cozinheiros quanto à montagem de prato. Falou-se na montagem em formato de alvo (proteína no centro, acompanhamento na se- gunda faixa e molho na terceira), em formato de relógio (proteína em 2 horas, vegetais em 6 horas e carboidrato em 10 horas), e hoje se fala muito em montagens desconstruídas, em que os alimentos são colocados no prato sem sequência e, muitas vezes, separados uns dos outros. Na verdade, não existe regra para isso, cada Chef ou cozinheiro imprime a sua identi- dade ao prato, o importante é atribuir a cada 97G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R Reveja sempre e pratique as técnicas clás- sicas de cortes de vegetais, de carnes, de aves e de peixes, além dos principais mé- todos de cocção apresentados na discipli- na de Habilidades de Cozinha, para que sirvam como base para a aplicação correta das técnicas e das informações contidas neste material de Garde Manger sobre a montagem e a finalização de pratos! alimento a importância devida, colocando, por exemplo, as peças maiores em baixo e as menores em cima ou à frente, possibilitando ao comensal que ele chegue aos alimentos com facilidade, sem precisar fazer acrobacias, que ele saiba o que está comendo e que alimentos que devem ser degus- tados em conjunto estão próximos. Por exemplo, se inicia com o molho no fundo do prato, mas ele deve ser harmonizado com o ingrediente que foi colocado no topo do prato. Isso faz com que, muitas vezes, o comensal perca a oportunidade de experimentar algo fantástico por não enten- der a proposta do prato, que, por sua vez, não ficou clara na montagem apresentada. Ainda sobre a montagem, um dado impor- tante a se considerar é que pratos frios devem ser servidos em louças frias e pratos quentes em louça quente. Restaurantes profissionais dis- põem de estufas para armazenagem dos pratos, que saem da copa de lavagem e vão direto para essa estufa. Tamanho da porção Os tamanhos das porções também podemser definidos por cada estabelecimento. Não existe, no Brasil, nenhum órgão que regulamenta, por exemplo, que em todos os restaurantes o prato de salada caesar deve ter 60 ou 90 gramas de alface ou que um prato de carré de cordeiro deve ter 4 ou 5 costelinhas. O que é esperado do Chef é que haja coerência entre as proporções, sejam das saladas, das entradas ou dos pratos princi- pais (proteína e acompanhamentos). Uma regra básica é: jamais coloque os alimentos sobre a borda do prato, claro, se ele tiver borda. No caso do Garde Manger, ele definirá o objetivo de cada prato de sua praça e fará o pla- nejamento do tamanho das porções e a apresen- tação final, registrando tudo em ficha técnica. Garnish ou Enfeite Garnish ou enfeites são os elementos utilizados para decorar o prato. São eleitos pelo Chef no momento da elaboração e do planejamento do prato e devem harmonizar com os demais in- gredientes. Em relação aos garnishes, devemos considerar: • O princípio geral é que todos os gar- nishes devem ser comestíveis, não se G a r d e M a n g e r deve, por exemplo, guarnecer um prato com ramas de ervas grandes ou com talos que não são comestíveis, como o talo central do alecrim. • Quando desejar usar ervas aromáticas como garnishes, escolha as folhas ínte- gras e bonitas, elas devem harmonizar com os sabores utilizados no preparo. Por exemplo, se um prato tem origem italiana, é comum guarnecê-lo com manjericão, e não com coentro, e, se um prato leva sálvia em seu recheio, finalize com uma pequena folha de sálvia inteira. • Quando estiver executando algum pre- paro, uma das opções é separar um dos ingredientes inteiro e utilizá-lo na finali- zação, como usar camarões inteiros para decorar uma terrine de camarão. Alguns exemplos de garnishes são: • Flores comestíveis. • Crisps e crocantes. • Esculturas. • Molhos e reduções. • Ervas aromáticas. • Especiarias (para polvilhar). • Zestes de Limão. • Azeites aromáticos e coloridos. • Brotos e miniverduras. • Castanhas variadas. • Pétalas de vegetais desidratados. Em alguns estabelecimentos, o Garde Manger desenvolve não só os garnishes para a sua praça, mas também para as demais produções da cozi- nha, como os pratos quentes e as sobremesas. 99G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R Decoração de Buffets E ncerraremos esta unidade discorrendo sobre o grande papel do Garde Manger como Chef banqueteiro. Essa expres- são é utilizada em grandes hotéis e re- sorts, ou ainda em restaurante de grande porte que utilizam o sistema self service, no qual o foco principal da distribuição de comida é feito através de um buffet. Em alguns locais, é a única forma de distribuição existente no restaurante. O Garde Manger, quando assume esse papel, passa a ter uma postura diferenciada dos demais chefs e cozinheiros, porque, além das habilidades técnicas de cozinha, ele precisa dominar habilidades administrativas, financei- ras e de planejamento estratégico. O buffet, para muitos locais, é uma alterna- tiva de atrair clientes e aumentar sua rentabi- lidade, por isso o Chef banqueteiro é desafiado todos os dias a montar um buffet atraente e lucrativo, para isso, suas tarefas, de acordo com o Instituto Americano de Culinária (2014), di- videm-se em 4 etapas: 01. Definição do conceito ou do tema do buffet: Esta é a tarefa que precede todas as decisões pos- teriores. O tema ou o conceito adotado vão reger a criação do cardápio e os elementos decorativos. A definição do conceito do buffet deve estar ali- nhada com o conceito geral do restaurante e ser compatível com o público-alvo, a localização, a decoração e o nível do serviço oferecido. O con- ceito pode ser um tema fixo, como um restau- rante dentro de um aquário de visitação pública, que tem como conceito um buffet de frutos do mar, mas, na maioria das vezes, adota-se um conceito padrão e as temáticas são elaboradas mediante uma programação que pode ser: de feriados especiais, dias de gastronomia étnicas datas comemorativas, estações do ano, eventos específicos etc. Nessas ocasiões, o planejamento e a montagem do buffet se adaptam ao tema escolhido e o buffet ganha outra cara. 02. Definição de cardápio e do preço: Junto ao chef de cozinha e ao gerente de Alimentos e Bebidas, o Garde Manger banque- teiro deverá, baseado no conceito ou no tema, definir os pratos e o valor a ser cobrado pelo buffet. É preciso compreender que nem todos os pratos podem ser expostos por um longo perío- do em um buffet sem perder a qualidade. Sendo assim, ele deve selecionar minuciosamente os pratos que se encaixam na categoria de buffet e definir o mix de produtos quantitativamente, ou seja, quantos pratos irão compor esse buffet. G a r d e M a n g e r Nesse momento, além de levar em consi- deração as matérias-primas sazonais, ele deve reservar espaço para pratos de oportunidades assinados pelo Chef. Pratos de oportunidades são aqueles que não estavam no planejamento e são criados com os ingredientes que naquele dia estavam com uma oferta vantajosa em termos de qualidade e de preço. O cardápio deve ser criado com o objetivo de agradar os comensais habituais, conquistar novos todos os dias e ser viável economicamente. Após a definição do cardápio, para a fixa- ção do preço, deve-se realizar as fichas técnicas de cada prato que será oferecido no buffet. Os valores encontrados na ficha técnica referentes aos custos dos insumos devem ser associados a todos os demais custos operacionais, como mão de obra, energia, água, aluguel, impostos, depreciação de equipamentos e outros. Com o preço estimado de venda em mãos, cabe a análise de outros aspectos, como a con- corrência, conveniência, perfil do público, entre outros. Por exemplo, se o restaurante de um aeroporto é o único ponto de venda de alimen- tos, é comum que os valores praticados sejam maiores do que em uma praça de alimentação de um shopping, pois ele oferece conveniência aos passageiros e não tem concorrência. Assim, baseado nos estudos desses aspectos é que o preço final de venda será estipulado. 03. Planejamento de layout e de montagem do buffet O planejamento do layout do buffet deve ser desenvolvido estrategicamente. Primeiro, é im- portante definir se o buffet será um balcão fixo e inteiro, se será composto por várias ilhas, ou, ainda, se terá estações show (onde os alimentos são preparados ou finalizados diante do cliente). Essas estações são atrativas, o cliente fica confian- te, pois vê que o produto está sendo manipulado e preparado diante dos seus olhos. E, apesar do alto custo, pois necessita de mão de obra fixa, as estações show são rentáveis e se pode explorar o talento dos membros da brigada de cozinha. Definir o design do buffet é estabelecer como os pratos serão expostos. Essa definição inclui a sequência das travessas no buffet, se serão gran- des ou pequenas, montadas em porções indivi- duais ou coletivas e como serão os elementos decorativos. Para a execução dessa tarefa, é neces- sário retomar o cardápio para que cores e texturas dos alimentos estejam bem harmonizadas. 101G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R De acordo com o Instituto Americano de Culinária (2014, p.628), O trabalho do chef banqueteiro é explo- rar todo o potencial sensorial de cada prato a fim de criar uma apresentação prática, funcional e atraente em todos os sentidos. Planejar um design que realce a apresentação dos alimentos é uma forma importante de evidenciaro trabalho do Garde Manger e de tirar proveito das habilidades que o planejamento e a pro- dução de um bufê unificado, temático e bem sucedido requerem. 04. Exposição e Reposição dos Alimentos Uma vez definido o layout, chegou a hora de montar as travessas de alimentos no buffet. As travessas já devem sair da cozinha finalizadas e bem decoradas, de acordo com o tema ou o con- ceito estabelecido pelo buffet. Alguns restaurantes utilizam elementos deco- rativos centrais em seus buffets, como escultura em frutas e legumes, esculturas em gelo, em açúcar etc. Outros optam por decorações mais sóbrias, como arranjos florais, tudo vai depender do con- ceito ou da temática adotada. O mise-en-place do buffet também deve ser supervisionado, assim, antes da abertura do res- taurante ao público, é feita uma conferência em relação aos pratos e, principalmente, aos asses- sórios de serviço, como os talheres, molheiras, galheteiros, descanso de talheres e placas de iden- tificação dos pratos. Essa ação evita a correria na frente do cliente, que, ao se servir, identifica a falta de algum item do buffet. A reposição dos pratos deve ser feita com faci- lidade e agilidade, evitando que o comensal tenha que esperar na fila do buffet até que o prato seja reposto. Uma informação importante quanto à reposição é que as travessas devem ser trocadas, as vazias pelas cheias, e não somente recolocados novos alimentos nas travessas vazias e já expostas no buffet. Essa atitude evita a contaminação dos alimentos, pois diminui o tempo de exposição. U m aspecto importante no que tange aos buffets – e é sempre motivo de preocupação do chef – é a quantidade de comida que deve ser exposta. Não é possível prever como o comensal se comportará diante do buffet e como ele irá se servir. Por isso, a ideia de colocar pedaços contados não é válida, o que é precioso, nesse momento, é o registro das informações dos históricos de consumo, formando um banco de dados importante para a tomada de decisão do chef quanto às quantidades de produ- ção. Assim, ele poderá emitir o documento que chamamos de “Ordem de Produção do Buffet”. O perfil do Garde Manger que assume a função de banqueteiro deve ser flexível e aberto para absorver as novas tendências de mercado, não só na inovação dos pratos, mas também no estilo do serviço e da apresentação. G a r d e M a n g e r C aro(a) aluno(a), nesta terceira uni- dade, abordamos três importantes preparos que são atribuídos ao Garde Manger em uma cozinha profissional. No preparo de terrines, é importante compre- ender que o processo de produção pode acon- tecer de 3 formas, essencialmente: as terrines de farce, que são emulsões de carne, gorduras e condimentos, podendo ser simples, de estilo camponês, gratin ou mousseline; as terrines de aspic, em que o aspic é utilizado para ligar as guarnições da terrine; e a terrine pêté encroûte, em que o farce é envolvido com uma massa de textura crocante após a sua cocção. Compreendeu-se a diferença entre galanti- ne e roulade, que, muitas vezes, são confundidos em virtude do mesmo formato cilíndrico. A di- ferença principal é que a galantine é envolta na pele intacta do frango e recheada com uma farce feita com as carnes mais saborosas do frango, e as demais partes podem ir em pedaços como guarnição. Já o roulade consiste em uma grande variedade de farces, carnes e outras guarnições enrolada em filme PVC. Ambos são escalfados, resfriados e servidos em fatias. As entradas são, também, para comer com os olhos e ativar as papilas gustativas, porém não devem satisfazer por completo o comensal; devem ser uma forma de estímulo ao seu paladar para receber novos sabores. Com o entendimen- to de que entrada, como o próprio nome diz, é tudo que precede um prato principal, petiscos, canapés, amuse-bouche, antipasto, couvert, fin- gerfood, entradas únicas e hors-doeuvre são todas classificadas como entradas. Após o aprendizado das diversas técnicas executadas pelo Garde Manger, a arte de fina- lizar e decorar pratos e buffets em muitos esta- belecimentos é o que consagra esse profissional. A perspicácia e a habilidade do Garde Manger fazem dele um profissional de destaque na bri- gada de cozinha. co ns id er aç õe s fi na is 103G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R at iv id ad es d e es tu do1. O que é garnish? Dê dois exemplos de composição de pratos e os garnishes sugeridos para eles. 2. Explique a diferença entre galantine e roulade. 3. Uma porção muito pequena de algo exótico e sofisticado, criado pelos franceses e que é normalmente servido por restaurantes de alto nível, como presente do Chef. Não está disponível no cardápio, pois é composta pelos melhores ingredientes disponíveis no dia. O parágrafo acima se refere a qual tipo de entrada: a) Fingerfood. b) Amuse-bouche. c) Canapés. d) Petiscos. e) Couvert. 4. Cite e explique três aspectos importantes a serem considerados para a perfeita apresentação de um prato. G a r d e M a n g e r m at er ia l c om pl em en ta r Uma Receita para Máfia Ano: 2000 Sinopse: O tradicional restaurante italiano Gigino, localizado em Tribeca, Nova York, é na verdade uma fachada para os negócios ilegais de seu dono, Louis Cropa (Danny Aiello). Nele trabalha Udo (EdoardoBallerini), filho de Louis, que comanda a cozinha do restaurante. Considerado uma estrela em ascensão dentro do universo de gourmets, Udo deseja que seu pai abandone de uma vez por todas os negócios ilegais para se dedicar exclusivamente ao funcionamento do restaurante. A sugestão do filme se deu, pois ele mostra a realidade de uma cozinha pequena e apertada em dias de casa lotada, a adrenalina e a relação entre a cozinha e o salão, os Chefs, cada um desenvolvendo as suas funções e os diálogos dos atores que fazem menção aos pratos clássicos da cozinha italiana. 105G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R le it ur a co m pl em en ta r A gastronomia contemporânea de início nos anos 1990 nada mais é que a valorização do alimento, de suas cores, texturas e sabores, por meio de técnicas que vão do simples ao elabora- do e que resultam em um prato visualmente tra- balhado e em sabores surpreendes. Atualmente, chefs do mundo inteiro aperfeiçoam técnicas de preparo, utilizam-se da química para potencia- lizar características dos alimentos e dedicam-se a combinações e composições inesperadas de prato. Tudo isso para conquistar e seduzir aos mais exigentes paladares. Uma das grandes vedetes nesse processo de construção da gastronomia contemporânea foi a Nouvelle Cuisine. Criada em 1970 na França por Christian Millau e Henri Gault, e influen- ciada por renomados chefs franceses como Paul Bocuse e Jean Pierre Troisgros. Esse novo conceito de cozinha não só mudou a forma de preparar os alimentos, preservando sua textura e cor, mas também levou delicadeza e leveza à apresentação dos pratos. Hoje o que se vê em nossas cozinhas é reflexo da Nouvelle Cuisine: porções menores de alimentos, molhos mais leves, apresentação decorativa, tudo isso chegou até nós por meio da França e de suas caprichosas técnicas. Além disso, é cada vez mais frequen- te na cozinha contemporânea o uso de ingre- dientes regionais, ressaltando sabores locais e apresentando a cozinha de origem ou mesmo a comida caseira como algo requintado. Embora essa gastronomia tenha acesso a ingredientes do mundo inteiro, a busca por utilizar temperos,vegetais, carnes e outros elementos da gastro- nomia local estão cada vez mais em alta. No Brasil, chefs como Alex Atala e Roberta Sudbrack são grandes exemplos desse movimen- to a favor da utilização de ingredientes típicos de nossas origens. Apresentando de forma mi- nimalista seus pratos, ambos valorizam o que a gastronomia brasileira tem de melhor, sua variedade de matéria-prima. “Conhecido por ex- plorar todas as possibilidades gastronômicas dos ingredientes locais, aliando as bases clássicas às técnicas atuais. Ser surpreendido positivamen- te é o que se pode esperar desse chef ” (DOM RESTAURANTE, p. Alex Atala). Assim como Atala, Roberta também faz uso de ingredientes locais e apresenta-os de maneira moderna a um público bastante exigente. “O Roberta Sudbrack representa a comida moderna brasileira, o que significa que, embora marcadamente nacional, está sintonizada com as tendências culinárias de seu tempo” (ROBERTA SUDBRACK, p. A chef ). Atentos ao que há de mais inventivo e inusitado na gastronomia mundial, muitos chefs nacio- nais e internacionais, buscando encantar seus clientes, têm olhado para uma outra tendência na arte de se fazer e produzir alimentos, a gas- tronomia molecular. Da qual falaremos a seguir. A Gastronomia Modernista G a r d e M a n g e r Gastronomia Molecular Uma forte tendência na gastronomia contem- porânea é a gastronomia molecular surgida nos anos 80 sob forte influência de HervetThis. Realizada através de misturas químicas especí- ficas com alimentos, essa forma de fazer gastro- nomia surpreende por mexer com o imaginário dos clientes e permitir o inusitado. O cardápio mistura impensados sabores, aromas e texturas e oferece aos clientes uma experiência única em cada refeição. “A fim de oferecer degustações inusitadas aos comensais, chefs se valem de equipamentos e fórmulas, tal qual cientistas na elaboração de suas experiências, para fazer do tradicional algo surpreendente.” (MATHIAS, p. Sadia foodservice tendências). A cozinha molecular teve sua origem no final da década de 80, quando o físico húngaro Nicholas Kurti e o físico-químico HervéThis uniram seus conhecimentos e seus interesses pela cozinha e iniciaram pesquisas em téc- nicas que viriam a mudar a visão do simples cozimento de um ovo. Este era só o início do estudo científico de técnicas culinárias, que viriam a ser complementadas com substâncias capazes de transformar os alimentos em pratos inimagináveis. No Brasil a técnica ainda não é muito di- fundida, mas fora daqui muitos nomes já são referência na arte de “inventar” e “descons- truir” alimentos, como é o caso de FerránAdriá, nome mais popular na gastronomia molecular no mundo e um dos chefs do qual farei uso do prato em minha análise. O catalão Ferran Adriá tem uma visão vanguardista da gastronomia e utiliza técnicas revolucionárias sobre a mesma, criando textu- ras e sabores que por muitas vezes chocam o público de seu renomado restaurante El Bulli. “Adotado principalmente pelos chefs espanhóis, a Cozinha Molecular vai, na verdade, além do conhecimento químico do que acontece na pre- paração dos alimentos. A técnica propagada pela Cozinha Molecular ainda utiliza equipamentos de laboratório para colocar em prática métodos científicos ao alcance da culinária.” Métodos esses, conhecidos por nomes tão complexos quanto seus próprios sabores, encantam pela manutenção de uma gastronomia contemporâ- nea tão diferenciada, e com suas esferificações, gelatinizações e espumas enchem os olhos dos que se aventuram nessa distinta experiência. Fonte: fragmento do trabalho: O valor sinesté- sico como ferramenta de publicidade da gas- tronomia, de Fernando Zapallá Abdalla, Brasília, 2012. Disponível em: <http://repositorio.uniceub. br/bitstream/123456789/1888/2/20606192. pdf>. Acesso em: 16 jan. 2015. le it ur a co m pl em en ta r 107G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R A gastronomia, como sabemos, está em alta. Virou assunto de muitas rodas e uma paixão que vem con- quistando adeptos das mais diversas áreas e ganhando espaço em todos os lugares, das universidades às pra- teleiras das livrarias, dos programas de TV às cozinhas de todas as casas. E a importância, responsabilidade e reconhecimento dos profissionais da gastronomia crescem concomitantemente a essa “descoberta” do prazer da gastronomia. Portanto, para quem deseja seguir profissionalmente nessa área, é indispensável o aprofundamento nos conceitos, nos fatos históricos e no aprendizado das técnicas da cozinha profissional. Este livro de Garde Manger, aliado aos demais materiais e disciplinas deste curso e às experiências práticas, funcionará como uma ferramenta importante no processo de sua formação. Comentamos, ao longo do livro, que a bancada do Garde Manger se consolidou desde que Escofier organizou a cozinha em sistema de brigadas e cada Chef passou a ter sua bancada e os preparos de sua responsabilidade. Isso trouxe muitos benefícios tanto para os estabelecimentos quanto para os clientes, pois a organização dos processos de produção da cozinha ganhou padronização e os resultados che- garam às mesas. Nessa sistematização de Escofier, o Garde Manger é o chef de partie responsável pelos preparos frios e, por esse motivo, a sua bancada deve estar distante fisi- camente das praças quentes e, em alguns restaurantes, ocupa um espaço isolado e refrigerado, que chamamos de quarto frio. Esse profissional deve contar com uma bateria de equipamentos e de utensílios que possibi- litem a perfeita execução dos preparos frios. Os molhos frios são destinados para uso em sa- ladas, dips e acompanhamentos de outros pratos do cardápio. Dividem-se em molhos emulsionados, à base de laticínios e aspic. As técnicas devem ser executadas com precisão, pois, a partir do domínio das técnicas básicas, o Garde Manger pode ter uma evolução com resultados surpreendes na preparação desses molhos. As sopas frias, muito consumidas nas estações mais quentes do ano, ganham espaço nos serviços de fingerfood e entradas como as clássicas “vichyssoise” e “gaspacho”, receitas, respectivamente, francesa e espanhola presentes nos cardápios dos restaurantes do mundo todo. O preparo de saladas deu ao Garde Manger no- toriedade e fama e, nos dias de hoje, a expressão Garde Manger é rapidamente associada à produção de saladas. Neste grupo, incluímos saladas verdes (para acompanhamento) e compostas e fica a cargo desta bancada explorar as inúmeras possibilida- des de produzir saladas das mais triviais às mais inusitadas. CONCLUSÃO G a r d e M a n g e r É importante, aluno(a), que sejam compreendi- dos todos os métodos de conservação existentes há muitos anos, época em que conservar alimentos era a única alternativa de manter o alimento próprio ao consumo por um período mais longo, ou ainda, na busca de ter um determinado alimento disponível em épocas sazonais. Atualmente, na era da tecnologia, com tantas possibilidades de refrigeração, a salga, a defumação, a conservação em gordura e outros tipos de conservas passaram a ter um papel puramente gastronômico. A oferta do sabor dos alimentos con- servados representa um teor único e indispensável nas cozinhas modernas. Ainda no que tange às responsabilidades do Garde Manger,o livro relata os tipos e os processos de montagem de terrines. Ainda que menos presen- tes nas mesas dos restaurantes, as terrines têm lugar garantido nos buffets e nos eventos, sua textura tão originalcaracteriza a obra do Garde Manger. Sempre apreciadas pelos comensais, as entradas são tão importantes quanto o prato principal. A harmonização de sabores, texturas e a apresentação visual devem impressionar e provocar no cliente momentos de deleitamento e grande expectativa do que vem adiante. Do simples couvert ao fingerfood mais elaborado, o hors-d’oeuvre, como chamam os franceses, deve ser convidativo e de sabor notável. Se até agora falamos das preparações de incum- bência do Garde Manger, findaremos com a convic- ção de que, se desejamos proporcionar ao comensal uma experiência única, é elementar a relevância da apresentação visual dos pratos, a consideração dos aspectos estudados na unidade III e o planejamento de todos os detalhes de como o prato chegará ao comensal. É comum que o Garde Manger faça o rascunho do prato que imagina servir, assim, ele o desenha em papel e simula as diversas possibi- lidades de apresentação, seleciona as que mais lhe agradam e que sejam compatíveis com o conceito do restaurante, executando o prato de acordo com a ficha técnica. O prato pronto deve traçar o percurso exato que ele fará para chegar ao comensal (da cozi- nha ao salão), somente após o prato estar na mesa é que se pode avaliar se ele chega ao seu destino final com a mesma apresentação que foi planejada. É comum, por exemplo, que pratos montados em pirâmide cheguem aos comensais já desmontados e o inconveniente é que o comensal nunca saberá qual era a real proposta do Chef. Assim, a escolha do modelo de montagem e do garnish correto confere ao prato uma autenticidade e um respeito que serão percebidos pelo cliente. Encerro este livro feliz por ter contribuído, por meio do conteúdo trabalhado, com a sua formação nesse processo de construção dos conhecimentos gastronômicos. E, mais do que isso, desejo que todos nós, profissionais e futuros profissionais da gastro- nomia, tenhamos sempre a compreensão de que a necessidade do mercado hoje, além de grandes talentos na cozinha, é de pessoas comprometidas com uma gastronomia técnica, séria e profissional. Foi um grande prazer e espero nos encontrarmos outras vezes. 109G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R re fe rê nc ia s CARVALHO, Robson de. Cozinha Fria: da or- namentação à execução do cardápio. São Paulo: Érica/Saraiva, 2014. CASTELLI, Geraldo. Administração Hoteleira. Caxias do Sul: EDUCS, 2000. INSTITUTO AMERICANO DE CULINÁRIA. Chef Profissional. Tradução Renata Lucia Bottini. São Paulo: Senac Editoras, 2011. INSTITUTO AMERICANO DE CULINÁRIA. Garde Manger: a arte e o ofício da cozinha fria. Tradução Anthony Cleaver, Juliana Cleaver Malzoni e Julie Cleaver Malzoni.São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2014. IPSAR, Biennio; VOCI, Giuseppe. Cucinare Cucinando: Corso e laboratório diCucina. Torino: Para Mond, 2004. LEITE, André. Finger Food: sabor e sofisticação em miniporções. Rio de Janeiro: Senac Nacional, 2014. MONTEIRO, Renata Zambon. Cozinhas Profissionais. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2013. MUCCIOLO, Pasqual. Carnes: conservas e se- miconservas – tecnologia e inspeção sanitária. São Paulo: Ícone, 1985. RUHLMAN, Michael. Elementos da culinária de A a Z: técnicas, ingredientes e utensílios. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2009. SEBESS, Mariana. Técnicas de Cozinha Profissional. Tradução de Helena Londres. Rio de Janeiro: Senac Nacional, 2014. TEICHMANN, Ione. Cardápios: técnicas e cria- tividade. Caxias do Sul: EDUCS, 1990. TEICHMANN, Ione. Tecnologia Culinária. Caxias do Sul: EDUCS, 2000. VIERA, Elenara Viera de; CÂNDIDO, Índio. Glossário Técnico: gastronômico, hoteleiro e turístico. Caxias do Sul: EDUCS, 2000. G a r d e M a n g e r UNIDADE I 1. a 2. Foi o Chef francês Geroges Auguste Escoffier que, dentre outras contribuições, implantou o sistema de brigada dentro da cozinha. As vantagens foram inú- meras, como uma melhor organização das atividades dentro da cozinha, a delegação de responsabilidades para cada Chef/cozinheiro – o que criou um melhor clima organizacional em que cada um sabe e assume o seu papel –, a redução do tempo de espera pelos comensais, a otimização dos insumos, entre outras. 3. Nesta questão, pode-se considerar as res- postas que estejam relacionadas no item Utensílios e equipamentos da unidade I. UNIDADE II 1. O molho emulsionado estável é o molho em que, ao se incorporar os ingredientes, o óleo se mantém em suspensão e o molho não se separa mais. Exemplo: maionese O molho emulsionado instável é incorpora- do por uma ação mecânica misturando um óleo a um ácido e, quando em repouso, se separa, assim, antes de servir deve ser nova- mente emulsionado. Exemplo: vinagretes 2. b / e / d / a / c 3. A cura também conhecida como salga pode ser classificada em 3 diferentes tipos: - Cura seca: o sal é esfregado no alimen- to e a cada dois dias deve-se reaplicar a cura mudando o alimento de posição. - Salmoura (cura úmida): o alimento é mergu- lhado em uma cura previamente diluída em água, se o tamanho do alimento for muito grande a salmoura pode ser injetada. - Cura mista: executa-se a cura seca reser- vando a salmoura obtida pela perda de água do alimento, posteriormente imer- ge-se o alimento nesta salmoura. 4. O prato se chama Confit de Canard (pato), ele é feito através da cocção imerso na própria gordura, onde permanece até o momento de ser servido. Essa gor- dura protege a carne de qualquer contato com o ar. UNIDADE III 1. Garnish é um elemento decorativo utiliza- do na finalização do prato, normalmente é o último item a ser colocado no prato. Os exemplos solicitados na questão são livres e podem ser amplos, desde que respeite a regra básica de que o garnish deve sempre ser comestível e harmonizar com os demais in- gredientes que estão compondo o prato. 2. A principal diferença entre galantine e roulade é que na galantine se preserva a pele da ave intacta e pedaços de aves ou algum patê é en- rolado na pele e amarrado, já no roulade a carne ou patê é enrolado diretamente em filme PVC. 3. g 4. Nessa questão, podem ser considerados os itens: - Correta preparação dos alimentos obe- decendo às técnicas adequadas. - Utilização dos utensílios e equipa- mentos corretos no preparo. - A escolha da louça, que deverá emoldu- rar o prato agregando valor ao mesmo. - O contrates das cores dos alimen- tos que irão compor o prato. - As diversas texturas dos alimen- tos que irão compor o prato. - As formas, não mantendo os alimen- tos todos no mesmo formato. - Método de cocção adequa- do ao alimento escolhido. G ab ar it o