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Resumo Disfunções Neurológicas

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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO
CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE
FACULDADE DE MEDICINA
DEPARTAMENTO DE TERAPIA OCUPACIONAL
CURSO DE GRADUAÇÃO EM TERAPIA OCUPACIONAL
Portifólio de Disfunções Neurológicas
Índice
Acidente Vascular Encefálico, Acidente Vascular Cerebral ou Derrame
Definição
Para Pedretti o Acidente Vascular Encefálico (AVE) é uma disfunção complexa causada por uma lesão no cérebro. Essa lesão vascular interrompe o fluxo sanguineo, limita o suprimento para as células circunjacentes e induz a morte ou infarto cerebral. 
O AVE resulta em disfunção dos neurônios motores superiores que produz hemiplegia ou paralisia em um lado do corpo, englobando membros e tronco, a às vezes estruturas faciais e orais. 
Uma lesão no hemisfério cerebral esquerdo produz uma hemiplegia direta e assim inversamento. Dessa forma, quando nos referimos à deficiência de um paciente com hemiplegia direita ou esquerda, estamos nos referindo ao lado paralisado do corpo e não ao local da lesão. 
O mecanismo, a localização e a extensão da lesão determinam os sintomas e o prognóstico para o paciente. Várias outras disfunções podem acompanhar a paralisia motora, como: distúrbios visuais, mudanças de personalidade e intelectuais, distúrbios na fala e associados a linguagem.
Incidência
O risco de AVC aumenta com a idade, sobretudo após os 55 anos. O aparecimento da doença em pessoas mais jovens está mais associado a alterações genéticas. Pessoas da raça negra e com histórico familiar de doenças cardiovasculares também têm mais chances de ter um derrame. 
No Brasil, são registradas cerca de 68 mil mortes por AVC anualmente. Um número ligeiramente inferior ao registrado no ano anterior: 68,9 mil. A doença representa a primeira causa de morte e incapacidade no País, o que gera grande impacto econômico e social.  (Dado: http://www.brasil.gov.br/saude/2012/04/acidente-vascular-cerebral-avc)
Etiologia
As causas de AVE mais comuns são a Isquêmica e a Hemorrágica: A Isquêmica resulta do bloqueio de um vaso sanguineo, podendo ocasionar trombose. Essa é a causa mais comum de AVE. A idade, gênero, raça e etnia são fatores não modificáveis para esse tipo, diferente de riscos modificáveis como: hipertensão, uso de álcool e drogas e obesidade. 
O AVE Hemorrágico resulta da ruptura de um vaso sanguineo no cérebro, sendo o sangue liberado fora do espaço vasculado, prejudicando o trajeto sanguineo e induzindo lesões de pressão no tecido cerebral.
O comprometimento da artéria cerebral média é a mais comum do AVE. A isquemia na área suprida pela ACM resulta em hemiplegia contralateral com maior comprometimento do braço, da face e da língua; déficits sensoriais e afasia, se a lesão for no hemisfério dominante. Se a lesão for no hemisfério não dominante é comum o paciente ter percepção vertical alterado, déficits visuoespacionais e ocorrer negligência do lado afetado.
Um doença vascular do cérebro pode resultar em um AVE completo ou causar acidentes isquêmicos transitórios, é tido como um sinal de AVE. Seus sintomas não permanecem por mais de 24h. 
Principais sintomas
Os sintomas do AVC isquêmico são fraqueza de um lado do corpo, dificuldade para falar, perda de visão e perda da sensibilidade de um lado do corpo. Normalmente, o tipo hemorrágico traz avisos, como alteração motora, paralisia de um lado do corpo, distúrbio de linguagem, distúrbio sensitivo, alteração no nível de consciência. Mas todos os sinais dependem do local do cérebro que foi acometido. 
Certas lesões estão associadas a lesões num hemisfério específico. Por exemplo, o AVE esquerdo pode causa hemiparesia direita, afasia ou deficiências na comunicação e/ou apraxia ou deficiências do planejamento motor. O AVE direito pode resultar em hemiparesia esquerda, déficites de campo visual ou negligência espacial, discernimento e julgamentos precários e/ou comportamento impulsivo.
Diagnóstico
O diagnóstico é feito por meio de exames de imagem, que permitem identificar a área do cérebro afetada e o tipo do derrame cerebral. Entre as técnicas estão: exames de imagem vascular cerebral, como tomografia computadorizada e imagem por ressonância magnética.
Prognóstico
O grau e o tempo de recuperação do AVE não é fácil de prever (Chollet e cols., 1991). Os granham de função após um AVE são atribuídos à recuperação espontânea no cérebro assim como a intervenções que influenciam os mecanismos neurais adaptativos (TROMBLY, pág 819).
 Tratamento terapêutico ocupacional
Para Trombly é evidente que o tipo, tamanho e local da lesão influenciam a extensão e a evolução da recuperação. A presença e a gravidade da doença coexistente, como o diabetes, doenças cardíacas e doença vascular periférica podem impedir uma recuperação funcional ideal.
A avaliação de um sobrevivente de AVE é um processo complicado, que requer a avaliação dos múltiplos componentes e áreas de desempenho ocupacional que tenham sido afetadas. O ponto de partida mais lógico no processo de avaliação é o uso de uma abordagem centrada no paciente, determinando os papéis, tarefas e atividades importantes para esse indivíduo. E a partir desse contexto, o terapeuta avaliar a competência do indivíduo para realizar estes papéis, tarefas e atividades.
Entre os aspectos importantes de recuperação funcional estão a quantidade de assistência necessária para realizar as tarefas de vida diária e a possibilidade de reassumir a função em casa. Entre os fatores indicativos de uma boa qualidade de vida após o AVE estão o status de casado, bom apoio familiar, indepedência nas AVDs básicas, acesso a serviços contínuos e retorno ao trabalho. (Cifu&Lorish, 1994)
Willad e Spackman defendem que uma avaliação domiciliar pode ajudar a determinar que recursos e meios um paciente tem para almcançar a independência em tarefas, assim como avaliar a segurança e acessibilidade. A observação do desempenho do paciente sugere ao TO os prováveis déficits nos comoponentes de funcionamento independente.
O objetivo principal de terapeuta ocupacional na reabilitação é melhorar a independência nas tarefas da vida diária e consequentemente na qualidade de vida do paciente.
Para pacientes com déficites funcionais persistentes e não corrigíveis deverão ser ensinados métodos compensatórios para realizar tarefas e atividades importantes, usando o membro afetado se possível e caso contrário, o membro não afetado.
O treinamento de AVD começa com tarefas simples e aumenta gradualmente em dificuldade à medida que o paciente adquie competência.
Adaptação postural: Como muitas tarefas de vida diária dependem dessa habilidade, o reconhecimento e o tratamento dos déficits de adaptação postural constituem um importante aspecto da terapia para os pacientes que sofreram ACE. Um indivíduo com hemiplegia tem caracteristicamente menor controle postural do tronco. Em consequência, o paciente deve dedicar um esforço consideravelmente maior para permanecer ereto, tendo uma capacidade diminuida de concentrar-se em tarefas voluntárias. Uma das estratégias para o paciente hemiplégico é fazer compensação de baixo nível em termos de desenvolvimento ára ajudar a manter a estabilidade, por exemplo, usar os membros superiores para ajudar no equilíbrio em pé.
Objetivos: Produzir amplitude total de movimentos no tronco e nos membros; Diferenciar uma parte corporal da outra, como girar os ombros independentimente dos quadris; Parar e manter os movimentos numa amplitude média afim de estabilizar contra a gravidade; Aumentar e diminuir o tônus postural nos segmentos corporais de forma automática e apropriada pra apoiar o movimento e/ou dar estabilidade; Mover os dois lados do corpo simétricamente. (TROMBLY, pág. 839)
Função do Membro Superior: A avaliação do membro superior afetado deverá envolver sensação; impedimentos mecânicos e fisiológicos para o movimento; presença e grau de movimento ativo ou voluntário; qualidade deste movimento, englobando força, resistência, coordenação e extensão da função resultante

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