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REABILITAÇÃO-NEUROPSICOLÓGICA-2

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2 
 
SUMÁRIO 
1 INTRODUÇÃO ............................................................................................ 4 
2 PRESSUPOSTOS TEÓRICOS DA REABILITAÇÃO 
NEUROPSICOLÓGICA: PLURALIDADE CONCEITUAL ............................................ 5 
2.1 Hipótese cardíaca versus hipótese cerebral ......................................... 7 
2.2 Localizacionismo versus holismo ......................................................... 8 
2.3 Funcionalismo versus cognitivismo .................................................... 10 
3 O QUE É REABILITAÇÃO NEUROPSICOLÓGICA ................................. 12 
4 A TERAPIA OCUPACIONAL .................................................................... 21 
4.1 Terapia ocupacional no brasil ............................................................. 22 
4.2 O objeto de especificidade da terapia ocupacional ............................ 23 
4.3 Modelos teóricos em terapia ocupacional .......................................... 25 
5 ALGUMAS DEMONSTRAÇÕES DE TRATAMENTO ATRAVÉS DA 
REABILITAÇÃO ........................................................................................................ 28 
5.1 Reabilitação neuropsicológica na depressão: um enfoque terapêutico 
ocupacional 28 
6 A NEUROPSICOLOGIA E A ARTETERAPIA COMO REABILITAÇÃO NOS 
TRANSTORNOS DE ANSIEDADE ........................................................................... 31 
6.1 Arteterapia e a Reabilitação Neuropsicológica ................................... 31 
6.2 Fundamentos da Neuropsicologia no transtorno de ansiedade ......... 32 
6.3 Atividades de Arteterapia que auxiliam na Reabilitação 
Neuropsicológica dos Transtornos da Ansiedade .................................................. 37 
7 REABILITAÇÃO COGNITIVA E MUSICOTERAPIA ................................. 41 
7.1 Reabilitação Neuropsicológica da Memória ....................................... 52 
7.2 Funções Executivas ........................................................................... 54 
7.3 Reabilitação Neuropsicológica das Funções Executivas.................... 57 
8 ASPECTOS COGNITIVOS DO TRANSTORNO AFETIVO BIPOLAR ...... 58 
 
3 
 
8.1 Reabilitação neuropsicológica e transtorno afetivo bipolar................. 63 
9 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .......................................................... 66 
 
 
 
 
4 
 
1 INTRODUÇÃO 
Prezado aluno! 
O Grupo Educacional Faveni , esclarece que o material virtual é semelhante ao 
da sala de aula presencial. Em uma sala de aula, é raro – quase improvável - um 
aluno se levantar, interromper a exposição, dirigir-se ao professor e fazer uma 
pergunta , para que seja esclarecida uma dúvida sobre o tema tratado. O comum 
é que esse aluno faça a pergunta em voz alta para todos ouvirem e todos ouvirão a 
resposta. No espaço virtual, é a mesma coisa. Não hesite em perguntar, as perguntas 
poderão ser direcionadas ao protocolo de atendimento que serão respondidas em 
tempo hábil. 
Os cursos à distância exigem do aluno tempo e organização. No caso da nossa 
disciplina é preciso ter um horário destinado à leitura do texto base e à execução das 
avaliações propostas. A vantagem é que poderá reservar o dia da semana e a hora que 
lhe convier para isso. 
A organização é o quesito indispensável, porque há uma sequência a ser 
seguida e prazos definidos para as atividades. 
Bons estudos! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
5 
 
2 PRESSUPOSTOS TEÓRICOS DA REABILITAÇÃO NEUROPSICOLÓGICA: 
PLURALIDADE CONCEITUAL 
A reabilitação neuropsicológica pode ser conceituada de várias formas, 
podendo ser definida como um processo ativo de educação e capacitação, focado no 
manejo apropriado de alterações cognitivas adquiridas. O objetivo é obter o melhor 
potencial físico, mental e social do indivíduo, para que esse possa remanescer ou 
integrar-se em um meio social. Desse modo, a reabilitação neuropsicológica almeja 
otimizar a máxima adaptação do funcionamento cognitivo, comunicativo e 
comportamental de pacientes com alterações funcionais consecutivas a um dano 
neurológico ou psiquiátrico, conforme GINDR G; et al., (2009). 
Durante esse processo, é importante o raciocínio clínico com o intuito de 
promover a manutenção das funções total ou parcialmente preservadas para o ensino 
de estratégias compensatórias, a aquisição de novas habilidades e a adaptação às 
perdas permanentes. De acordo com Wilson, reabilitação cognitiva refere-se a 
qualquer estratégia de intervenção ou técnica, que torne clientes ou pacientes e suas 
respectivas famílias capacitadas a conviver, manejar, ultrapassar, reduzir ou aceitar 
déficits cognitivos causados por lesões cerebrais, conforme GINDR G; et al., (2009). 
Ainda, cabe enfatizar que a reabilitação neuropsicológica é mais ampla do que 
a reabilitação cognitiva, pois além do interesse em melhorar as capacidades 
cognitivas, também enfatiza os aspectos emocionais, psicossociais, comportamentais 
e físicos, que possam estar deficitários após a lesão cerebral. Mesmo frente a esta 
diferença conceitual e de alcance, muitas vezes reabilitação neuropsicológica e 
cognitiva são consideradas sinônimas. Mais especificamente, a reabilitação 
neuropsicológica cognitiva por definição refere-se ao uso de modelos do 
processamento normal como base para intervenção. Tais modelos contribuem como 
base para o desenvolvimento de técnicas de avaliação, assim como para definir o foco 
e métodos específicos de tratamento, conforme GINDR G; et al., (2009). 
 
 
 
 
 
6 
 
Isso porque as associações e dissociações entre componentes cognitivos 
devem ser identificadas na avaliação neuropsicológica para guiar o raciocínio clínico 
de planejamento terapêutico. Em casos em que não haja um quadro neurológico ou 
psiquiátrico causador de déficits cognitivos, o processo de intervenção é conhecido 
como habilitação, que está relacionada à aquisição e ao desenvolvimento de 
habilidades perceptivas, linguísticas, motoras, entre outras, conforme GINDR G; et al., 
(2009). 
Dessa forma, no âmbito da neuropsicologia, a habilitação propõe-se a auxiliar 
na aquisição e no desenvolvimento de habilidades que não foram ainda adquiridas 
pelo indivíduo ou que se encontram com desempenho fraco em suas tarefas diárias 
frente à demanda do ambiente. A habilitação neuropsicológica, geralmente, é 
relacionada a crianças e jovens, pois acometimentos congênitos (pré, peri ou 
neonatais) podem comprometer a aquisição e o desenvolvimento de dada função 
cognitiva, comunicativa e/ou comportamental, conforme GINDR G; et al., (2009). 
Assim, a intervenção pediátrica destina-se, muitas vezes, à habilitação de 
funções não desenvolvidas, daí o termo habilitar, em contraposição à recuperação de 
funções afetadas tardiamente em adultos por lesões adquiridas, reabilitar. No entanto, 
deve-se salientar a demanda crescente na fase adulta na clínica neuropsicológica: 
necessidade de melhorar funções como memória, componentes executivos, atenção 
e comunicação para maior desempenho laboral, acadêmico, entre outros contextos, 
conforme GINDR G; et al., (2009). 
A reabilitação neuropsicológica é um termo que vem se consolidando no Brasil. 
No entanto, em nível internacional, mesmo que esta nomenclatura esteja sendo 
bastante usada, sendo inclusive nome de periódico científico (Neuropsychological 
Rehabilitation), muitas revisões teóricas e estudos empíricos são ainda encontrados 
com diferentes descritores. Destacam-se os termos associados a “cognitivo (a) ” ou 
“neuropsicológico (a) ”: reeducação, readaptação, (re) treinamento, intervenção, 
terapia, tratamento, remediação, entre outros, como pode ser visto em revisões 
sistemáticas sobre reabilitação, nem sempre representando abordagens similares. De 
modo geral, todo o processo de intervençãoneuropsicológica em nível terciário de 
saúde baseia-se no conhecimento da plasticidade cerebral ou neural, conforme 
GINDR G; et al., (2009). 
 
 
7 
 
2.1 Hipótese cardíaca versus hipótese cerebral 
A descoberta de crânios pré-históricos do Antigo Egito (1.600 a. C.) revelam 
que nesta altura já eram utilizados conhecimentos e procedimentos médicos que 
utilizavam até mesmo a trepanação. A trepanação eram cirurgias realizadas através 
de perfurações no crânio. Edwin Smith descreveu em papiros a dificuldade de 
linguagem em pacientes com traumatismos cranianos e outras patologias do encéfalo. 
Nestes papiros Edwin Smith descreveu quarenta e oito indivíduos com lesões 
traumáticas após a sua análise detalhada e, deste modo, registram as primeiras 
tentativas de procurar a localização cortical das funções mentais mediante a descrição 
das lesões cerebrais (Feinberg & Farah, 1997 apud RODRIGUES C; 2013). 
Os povos da antiguidade defendiam que toda a expressão mental do indivíduo 
estava localizada no coração. Platão (428-348 a. C.) descreveu com detalhe relações 
entre o corpo (definindo-o como matéria mutável) e a alma humana (definindo-a como 
imaterial, eterna, inalterável). Aristóteles (384-322 a.C), aluno de Platão, dividiu a 
atividade mental e defendeu que a sua localização era no coração. Esta hipótese 
enfrentou uma grande resistência dos defensores da hipótese cerebral. O princípio da 
hipótese cerebral propôs que o cérebro seria a sede da mente e que este seria 
responsável pela localização de cada tipo de sensação, conforme RODRIGUES C; 
(2013). 
Um dos grandes defensores da hipótese cerebral foi Hipócrates (460-377 a.C), 
este afirmava que o cérebro era o órgão responsável pelo pensamento e pelas 
sensações. Galeno, através de estudos, em animais e cadáveres abandonados, 
rigorosos, contribuiu para a construção da Teoria Ventricular. Esta teoria tinha como 
princípio defender que a mente estava localizada nos ventrículos cerebrais. 
Lentamente a hipótese cerebral predominou a hipótese cardíaca, conforme 
RODRIGUES C; (2013). 
No final do século XVII, René Descartes (1596-1650 apud RODRIGUES C; 
2013) construiu o ideal do dualismo cartesiano. O dualismo cartesiano tinha como 
princípio estabelecer a separação entre a mente e o cérebro. A sede da alma, para 
Descartes, era a glândula pineal, este era o lugar de encontro entre a mente e o corpo. 
No final deste período a hipótese cerebral já não tinha opositores. 
 
8 
 
2.2 Localizacionismo versus holismo 
O século XIX marca o nascimento da neuropsicologia enquanto campo do 
conhecimento humano. A hipótese cardíaca estava totalmente desacreditada e a 
hipótese cerebral estava plenamente estabelecida. Porém, muitas dúvidas persistiam. 
Quais as estruturas responsáveis pela cognição? Elas atuam em conjunto ou de 
maneira independente? Este período é marcado pela controvérsia entre 
localizacionismo versus holismo, conforme HAMDAN A; et al., (2011 apud HAMDAN 
A; et al., 2011). 
O maior expoente do localizacionismo das funções mentais foi o médico alemão 
Franz Gall (1758-1828 apud HAMDAN A; et al., 2011). Gall acreditava que as 
faculdades mentais encontravam-se em estruturas cerebrais, havendo tantas 
estruturas cerebrais quantas faculdades ou processo mentais. Para tanto, Gall 
correlacionou o grau de desenvolvimento desses órgãos com a formação de 
proeminências em partes correspondentes ao crânio, criando uma nova especialidade 
médica a frenologia. 
Para Gall, por meio da palpação manual dessas proeminências do crânio 
poderia se determinar a natureza e as propensões futuras do indivíduo. Gall 
acreditava na existência da localização cerebral circunscrita das funções mentais (Gall 
& Spurzheim, 1809 apud HAMDAN A; et al., 2011). 
O maior opositor das ideias de Gall foi o fisiologista francês Jean Pierre 
Flourens (1794-1867 apud HAMDAN A; et al., 2011). Flourens defendeu a 
visão holística da função mental, ou seja, que as funções mentais não 
dependiam de partes particulares do cérebro, mas sim que elas atuam 
envolvendo o cérebro como um todo. Esse autor não acreditava que o 
cérebro fosse uma massa homogenia, mas que funcionava de modo 
integrado. 
A controvérsia entre localizacionistas e holistas acirrou-se com os trabalhos de 
Paul Broca (1824- 1880 apud HAMDAN A; et al., 2011), médico francês que 
estabeleceu as primeiras correlações entre lesões cerebrais circunscritas e as 
patologias da linguagem (Feinberg & Farah, 1997 apud HAMDAN A; et al., 2011). Por 
meio de estudos anatômicos, Broca descobriu que a expressão verbal estava 
associada ao terço posterior do giro frontal inferior esquerdo. Sua descoberta foi de 
grande importância, pois foi a primeira evidência da localização de uma função mental 
complexa. 
 
9 
 
O neuropatologista alemão Karl Wernicke (1848-1909 apud HAMDAN A; et al., 
2011) conduziu estudos de grande importância para a compreensão da afasia. 
Wernicke (1874 apud HAMDAN A; et al., 2011) descreveu casos em que a lesão de 
uma parte do cérebro, o terço posterior do giro temporal superior esquerdo, 
determinava a perda da capacidade de compreensão da linguagem, enquanto que a 
linguagem expressiva motora permanecia intacta. Concluiu que essa região cerebral 
era responsável pela compreensão da linguagem. 
A controvérsia localizacionismo versus holismo das funções mentais ganhou 
novos contornos com os trabalhos pioneiros do psicólogo bielo-russo Lev Vygotsky 
(1896-1934 apud HAMDAN A; et al., 2011). Vygostky apresentou uma análise 
inovadora sobre o funcionamento cerebral em relação às visões localizacionistas e 
holistas, advogando que as funções das partes e do todo se encontram organizadas 
em inter-relações funcionais complexas que variam em conformidade com os 
diferentes estágios de desenvolvimento humano (Vygostky, 1999 apud HAMDAN A; 
et al., 2011). 
O neuropsicólogo soviético Alexander Luria (1902-1977 apud HAMDAN A; et 
al., 2011) desenvolveu as ideias originais de Vygostsky, a partir do estudo do 
comportamento anormal dos pacientes com lesão cerebral (Luria, 1981 apud 
HAMDAN A; et al., 2011). Demonstrou a importância dos símbolos para a linguagem, 
afirmando que o cérebro é um sistema altamente diferenciado, cujas partes são 
responsáveis por aspectos desse todo e a linguagem é um elemento importante nesse 
processo. 
De acordo com HAMDAN A; et al., (2011), a concepção neuropsicológica de 
Luria afirma que o funcionamento cerebral ocorre com a participação conjunta de três 
blocos funcionais do cérebro. 
O primeiro, bloco de ativação, é responsável pelo tônus cortical ou estado de 
ativação do córtex cerebral. A formação reticular, tanto a ascendente como a 
descente, é a estrutura mais importante, sobretudo em suas conexões com o córtex 
frontal, conforme HAMDAN A; et al., (2011). 
O segundo bloco funcional, o do input, é responsável pela recepção, 
monitoração e armazenamento da informação. Ocupa as regiões posteriores do córtex 
cerebral: lobos parietal, temporal e occipital, responsável pelas respectivas zonas 
táctil, cinestésica, auditiva e visual, conforme HAMDAN A; et al., (2011). 
 
10 
 
O terceiro bloco, chamado de bloco de programação e controle da atividade, 
abarca os setores corticais situados no lobo frontal. Este bloco cumpre suas funções 
mediante relações bilaterais, tanto com as regiões posteriores (bloco do input) como 
com a formação reticular (bloco da ativação), conforme HAMDAN A; et al., (2011). 
De acordo com HAMDAN A; et al., (2011), é o bloco responsável pelo 
planejamento, programação, regulação e verificação do comportamento intencional. 
Luria estabeleceu dois objetivos para a neuropsicologia: 
 Localizar as lesões cerebrais responsáveis pelos distúrbios do 
comportamento para um diagnóstico preciso, conforme HAMDAN A; et 
al., (2011). 
 Explicar o funcionamento das atividades psicológicas superiores 
relacionadas com as partes do cérebro,conforme HAMDAN A; et al., 
(2011). 
2.3 Funcionalismo versus cognitivismo 
O século XX é marcado pela consolidação da Neuropsicologia como 
especialidade do conhecimento. A neuropsicologia cresceu muito a partir do final da 
primeira metade do século XX, conseguindo uma posição diferenciada da neurologia, 
da psicologia e da psiquiatria. O seu desenvolvimento foi significativo durante os 
períodos da I e da II Guerra Mundiais, precisamente devido à necessidade de reabilitar 
soldados com traumatismos crânio-encefálicos. Neste período, foram elaborados 
programas de reabilitação destinados pela primeira vez às sequelas cognitivas, que 
até então eram direcionados de forma fisioterápica, como sequelas motoras, conforme 
HAMDAN A; et al., (2011). 
O termo “ reabilitação cognitiva” tornou – se popular a partir do final da década 
de oitenta, no século XX. As tentativas para reabilitar pacientes com lesões cerebrais 
existiram desde a antiguidade grega e egípcia, como evidenciam os Papiros de Edwin 
Smith. A era moderna da reabilitação de pessoas com lesão cerebral começou, 
provavelmente, na Alemanha, durante a Primeira Guerra Mundial, como resultado da 
sobrevivência de militares com traumatismo craniano. A reabilitação cognitiva 
progrediu durante a Segunda Guerra Mundial, como desdobramento dos esforços de 
 
11 
 
guerra na Alemanha, Inglaterra, União Soviética e Estados Unidos (Wilson, 2003 apud 
HAMDAN A; et al., 2011). 
A neuropsicologia atual estuda os temas clássicos da psicologia atenção, 
aprendizagem, percepção e memória utilizando métodos da psicologia 
experimental e do campo da psicometria para a construção dos testes. As 
modernas técnicas de investigação cerebral (eletroencefalograma, 
tomografia computadorizada, ressonância magnética funcional) superaram a 
importância da avaliação neuropsicológica na localização das funções 
mentais. A controvérsia entre localizacionismo e holismo foi substituída pela 
discussão em torno de uma nova controvérsia: funcionalismo versus 
cognitivismo. Está controvérsia é essencial em relação à avaliação 
neuropsicológica e à construção dos testes psicológicos (Hebben & Milberg, 
2002 apud HAMDAN A; et al., 2011). 
As técnicas tradicionais de avaliação neuropsicológica advêm da tradição 
funcionalista que considera que a predição do desempenho do indivíduo é o objetivo 
primário da avaliação e o construto psicológico é secundário. A bateria Halstead-
Reitan é um bom exemplo desta abordagem (Strauss, Sherman & Spreen, 2006 apud 
HAMDAN A; et al., 2011). Por outro lado, os testes construídos na tradição cognitivista 
enfatizam primariamente o construto psicológico e a predição clínica como alvo 
secundário da avaliação. 
O California Verbal Learning Test (Strauss, Sherman, & Spreen, 2006 apud 
HAMDAN A; et al., 2011) foi criado primariamente empregando teorias da memória 
para investigar as alterações decorrentes de lesões cerebrais. Em outras palavras, a 
controvérsia atual está relacionada a questões metodológicas e interpretativas 
resultantes dos processos de avaliação neuropsicológica (Hebben & Milberg, 2002 
apud HAMDAN A; et al., 2011). 
A história recente da identidade profissional do neuropsicólogo começou a ser 
estabelecida nos inícios dos anos 1970. Em 1967, foi fundada a International 
Neuropsychological Society - Sociedade Neuropsicológica Internacional (INS) por um 
grupo de psicólogos de vários países interessados nas relações entre o cérebro e o 
comportamento. Em 1975, um grupo de psicólogos americanos fundou a National 
Academy of Neuropsychology (NAN) para auxiliar na prática clínica dos 
neuropsicólogos, conforme HAMDAN A; et al., (2011). 
 
 
 
 
12 
 
Em 1980, a neuropsicologia foi estabelecida como uma área dentro da 
American Psychological Associacion (APA), através da Divisão 40 (Clinical 
Neuropsychology). Por fim, em 1996, a APA reconheceu a neuropsicologia como uma 
especialidade da psicologia (Hebben & Milberg, 2002 apud HAMDAN A; et al., 2011). 
No Brasil, a especialidade da neuropsicologia foi estabelecida pelo Conselho Federal 
de Psicologia em 2004, quando os objetivos da área e os quesitos básicos para a 
formação de especialistas neste campo foram delimitados. A neuropsicologia 
brasileira apresenta vários desafios tanto para os pesquisadores quanto para os 
profissionais da área. 
Em síntese, a partir da contribuição de diversos autores, podemos reconstruir 
o percurso histórico da neuropsicologia em três diferentes períodos caracterizados por 
diferentes controvérsias: hipótese cardíaca versus hipótese cerebral, localizacionismo 
versus holismo e funcionalismo versus cognitivismo, conforme HAMDAN A; et al., 
(2011), 
 A neuropsicologia continua a se desenvolver, aperfeiçoando cada vez mais os 
seus métodos de investigação e aumentando progressivamente o conhecimento 
sobre o funcionamento cerebral e suas relações com as patologias do comportamento 
humano. A partir desta compreensão histórica, pode-se delinear a multiplicidade de 
temas de pesquisa de particular interesse tanto para fundamentar a prática da 
neuropsicologia no Brasil como para subsidiar o desenvolvimento teórico da 
neuropsicologia a partir de estudos comparados entre culturas diversas, conforme 
HAMDAN A; et al., (2011). 
3 O QUE É REABILITAÇÃO NEUROPSICOLÓGICA 
A reabilitação teve um início provável na Alemanha, durante a Primeira Guerra 
Mundial, tendo surgido com o objetivo de auxiliar a recuperação de soldados 
sobreviventes de lesões cerebrais. Durante a Segunda Guerra Mundial, na União 
Soviética, Luria teve papel importante na reabilitação neuropsicológica, pois foi o 
responsável pela organização de um hospital para soldados com lesões cerebrais 
(Nomura et al., 2000 apud PONTES L; et al., 2007). 
 
 
13 
 
A reabilitação tem como objetivo melhorar a qualidade de vida dos pacientes e 
familiares, otimizando o aproveitamento das funções total ou parcialmente 
preservadas por meio do ensino de “estratégias compensatórias, aquisição de novas 
habilidades e a adaptação às perdas permanentes”, conforme PONTES L; et al., 
(2007). 
O processo de reabilitação proporciona uma conscientização do paciente a 
respeito de suas capacidades remanescentes, o que leva a uma mudança na auto-
observação e, possivelmente, uma aceitação de sua nova realidade (D’Almeida et al. 
2004 apud PONTES L; et al., 2007). 
Segundo Wilson (1996 apud PONTES L; et al., 2007), diferencia a 
reabilitação cognitiva da reabilitação neuropsicológica. A reabilitação 
cognitiva visa “capacitar pacientes e familiares a conviver, lidar, contornar, 
reduzir ou superar as deficiências cognitivas resultantes de lesão 
neurológica”, mas foca-se principalmente na melhora das funções cognitivas 
por meio dos treinos cognitivos. Já a reabilitação neuropsicológica é mais 
ampla, pois, além de almejar tratar os déficits cognitivos, objetiva também 
tratar as alterações de comportamento e emocionais, melhorando a qualidade 
de vida do paciente, (Wilson 1996 apud PONTES L; et al., 2007). 
Prigatano (1999 apud PONTES L; et al., 2007) afirma que a reabilitação 
cognitiva é apenas um componente da reabilitação neuropsicológica, e esta abarca 
ainda a psicoterapia, o estabelecimento de um ambiente terapêutico, o trabalho com 
familiares e o trabalho de ensino protegido com os pacientes. 
Existe mais de uma maneira de se planejar um programa de reabilitação 
eficiente. É importante salientar para o cliente que nem sempre é possível restaurar a 
função cognitiva prejudicada, mas é possível compensá-la, encontrando maneiras de 
minimizar os problemas cotidianos. O primeiro passo é realizar uma avaliação 
neuropsicológica para que se mensurem os prejuízos cognitivos e as funções intactas. 
A avaliação comportamental é um complemento da avaliação neuropsicológica. Uma 
das diferenças em relação aos testes padronizados é que geralmente a avaliação 
comportamental é parte do tratamento em si. Elaidentifica problemas a serem 
trabalhados e também pode avaliar a eficácia de tal tratamento, conforme PONTES L; 
et al., (2007). 
O terapeuta ou psicólogo continua a avaliar o cliente enquanto o tratamento 
está em andamento. Assim, o tratamento pode ser modificado ou alterado em 
resposta a uma informação observada. A avaliação comportamental deriva do 
behaviorismo, filosofia que embasa a análise do comportamento (Skinner, 1974/2006 
 
14 
 
apud PONTES L; et al., 2007) e que foi fundada por John B. Watson e aprimorada por 
B. F. Skinner (Baum, 1999 apud PONTES L; et al., 2007). 
De Vreese et al. (2001 apud PONTES L; et al., 2007) esclarecem que os 
hábitos, o afeto e a motivação do cliente podem interferir significativamente no nível 
de funcionamento diário e por isso precisam ser levados em conta no processo de 
avaliação, devendo ser analisados como parte das contingências e produtos destas. 
Nomura et al. (2000 apud PONTES L; et al., 2007) enfatizam a importância do 
papel do terapeuta, que deve ter uma postura de respeitar o ritmo e a velocidade do 
cliente, cuidando para que sua própria ansiedade não interfira no trabalho com o 
paciente. 
 
Fonte: uniad.org.br 
Reabilitação neuropsicológica pode ser definida como o conjunto de 
intervenções que objetivam melhorar os problemas cognitivos, emocionais e sociais 
decorrentes de uma lesão encefálica auxiliando a pessoa a alcançar maior 
independência e qualidade de vida (Wilson, 2003 apud LIMA R; 2015). 
 
 
 
 
15 
 
Diferentes termos são utilizados para definir as intervenções realizadas com 
pacientes que possuem lesões congênitas ou adquiridas, ou ainda transtornos 
funcionais. Em neuropsicologia, os mais comuns são: reabilitação cognitiva, treino 
cognitivo e reabilitação neuropsicológica (Wilson, 2005; Wilson, 2008; Ciccerone et 
al., 2011; Grindi et al., 2012; Wilson, 2013 apud LIMA R; 2015). 
A reabilitação cognitiva (RC) descreve estratégias de intervenção ou técnicas 
que auxiliam na redução dos déficits cognitivos causados por lesões ou disfunções. O 
objetivo é estimular as funções cognitivas alteradas e, para isto, pode dispor de uma 
sequência de treinos cognitivos (Wilson, 2005; Wilson, 2008; Ciccerone et al., 2011; 
Grindi et al., 2012 apud LIMA R; 2015). 
. O termo “reabilitação neuropsicológica” (RN) é usado para descrever processo 
clínico mais amplo destinado a melhorar déficits no funcionamento cognitivo e 
comportamental decorrentes de dano cerebral ou transtorno funcional (Lopez-Luengo, 
2001; Ginarte-Aria, 2002; Ginarte-Arias, 2002; Wilson, 2013 apud LIMA R; 2015). 
Independente dos objetivos da reabilitação é esperado que as atividades realizadas 
promovam mudanças em áreas importantes para a vida diária do paciente, isto é, que 
tenha validade ecológica (Abrisqueta-Gomez, 2012 apud LIMA R; 2015). 
Para a intervenção nos transtornos do desenvolvimento, nos quais as funções 
cognitivas estão prejudicadas desde sua aquisição, o uso do termo “reabilitação” pode 
ser alvo de críticas, pois o prefixo “–re” sugere recuperação de uma função que foi 
desenvolvida, mas perdida (Ginarte-Aria, 2002 apud LIMA R; 2015). Para estes casos, 
alguns autores têm preferido utilizar o conceito “habilitação neuropsicológica” (Gindri 
et al., 2012; Navatta, 2015 apud LIMA R; 2015). 
Entretanto, o uso do termo RN é mais disseminado na literatura internacional 
(Lorusso et al., 2011; Amonn et al., 2013 apud LIMA R; 2015) e seu uso parece 
plausível para os transtornos do neurodesenvolvimento, desde que não se tenha uma 
visão limitada à restituição das funções cognitivas prejudicadas. 
Do ponto de vista histórico é possível observar avanço significativo nos 
modelos teóricos, métodos e técnicas utilizados na RN. Wilson (2008 apud LIMA R; 
2015) referiu quatro grandes mudanças: 
 Definição de metas para o planejamento da RN – negociadas com o 
paciente, família e equipe; auxilia na regulação motivacional; as metas 
são focadas em demandas cotidianas; permitem a identificação de 
 
16 
 
prioridades, avaliação do progresso e dividem a RN em etapas. Um 
acrônimo que resume tais princípios é o SMART (ER) (em Inglês, 
specific, measurable, achievable, realistic, timely, evaluation e review, 
isto é, as metas devem ser específicas, mensuráveis, atingíveis, 
realistas, com prazo definido, avaliável e revisável) (Wilson, 2008; 2009; 
Miotto, 2015 apud LIMA R; 2015); 
 O reconhecimento de que, além das dificuldades cognitivas, os aspectos 
emocionais e psicossociais também podem ser incluídos na reabilitação 
há evidências empíricas de que tais aspectos podem influenciar os 
déficits cognitivos. Além disso, consequências psicossociais e 
comorbidades psiquiátricas de um transtorno podem influenciar 
negativamente a resposta do paciente à RN (Wilson, 2008 apud LIMA 
R; 2015); 
 Aumento do uso da tecnologia para a compensação dos déficits 
cognitivos a tecnologia pode ser utilizada no contexto da avaliação, e 
também para auxiliar o paciente a desenvolver mecanismos 
compensatórios para os déficits apresentados (Wilson, 2008 apud LIMA 
R; 2015); 
 A realização da RN necessita de diferentes bases teóricas – um único 
modelo teórico é insuficiente para lidar com as diferentes demandas e 
consequências de um transtorno. Neste sentido, Wilson (2008; 2013 
apud LIMA R; 2015) têm descrito um modelo compreensivo/ holístico 
para a RN baseado nos pressupostos definidos pelos pioneiros Yehuda 
Bem-Yishay e George Prigatano. 
As atividades desenvolvidas em programas de RN numa abordagem holística/ 
compreensiva são sistemáticas e visam promover mudanças na vida diária do 
paciente e de sua família. Entre elas estão o treino cognitivo, aprendizagem do uso 
de estratégias compensatórias, organização e planejamento de rotinas e prática de 
atividades funcionais. A RN pode ser realizada individualmente ou em grupo, por meio 
de módulos complementados por atividades psicoeducativas, orientação e também 
psicoterapêuticas. Além disso, requer a participação de equipe interdisciplinar 
(Abrisqueta-Gomez, 2012 apud LIMA R; 2015). 
 
17 
 
Alguns aspectos metodológicos importantes devem ser considerados durante 
a realização de um programa de RN (López-Luengo, 2000; Ginarte-Arias, 2002 apud 
LIMA R; 2015): a avaliação deve identificar áreas alteradas e preservadas; o 
treinamento deve ser individualizado e adaptado às necessidades do paciente; o 
trabalho deve envolver a participação familiar; deve levar em conta variáveis 
intervenientes; o treinamento se inicia por aspectos nucleares e se aproxima de 
atividades da vida diária; deve iniciar com atividades que exijam menor demanda 
atencional; deve usar materiais do cotidiano do paciente; diversificar materiais e 
estímulos (visuais, auditivos, táteis), ajustar o nível de dificuldades, para que o 
paciente não finalize uma sessão com mais erros que acertos; incluir componente 
educacional e instrutivo; deve realizar treinamento metacognitivo, explicando o que é 
a função cognitiva e as estratégias para trabalhá-la, ocorrer de maneira sequencial e 
hierárquica, usar materiais que motivem o paciente, o terapeuta deve proporcionar 
feedback sobre desempenho e evolução do paciente e recompensar sucessos 
obtidos; garantir a generalização para a vida diária e não somente melhora nos testes; 
controlar a eficácia da intervenção com registros sistemáticos e instrumentos para 
averiguar a percepção da melhora. 
Entre os princípios teóricos que subsidiam a prática da RN, a transferência é 
apontada como um dos principais objetivos deste tipo de intervenção (Barnett e Ceci, 
2002; Gindri et al., 2012; Nikaedo, 2015 apud LIMA R; 2015). De forma geral, a 
transferência representa a melhora em um domínio cognitivo, tarefa ou habilidade não 
treinada como efeito da estimulação e treinamento de outro domínio, tarefa ou 
habilidade (Barnett e Ceci, 2002; Dahlin et al., 2009; Gindri et al., 2012; Nikaedo,2015 
apud LIMA R; 2015). 
 Os efeitos são avaliados em relação às dimensões do contexto no qual a 
transferência ocorreu, assim como o conteúdo, isto é, o que foi transferido. Por sua 
vez, estas dimensões podem variar dentro de um espectro representado por 
transferências mais próximas (relacionada ao indivíduo) até as mais distantes 
(relacionadas à interação do indivíduo com sua família, seus pares e outros grupos) 
(Barnett e Ceci, 2002 apud LIMA R; 2015). 
 
 
 
18 
 
A RN também pode ser complementada pelos princípios expostos pela 
classificação internacional de funcionalidade, incapacidade e saúde (CIF) da OMS 
(2003 apud LIMA R; 2015), atuando na redução das consequências funcionais dos 
prejuízos neurológicos e das desvantagens, isto é, influências das dificuldades que os 
indivíduos apresentam sobre as atividades que precisam desempenhar (escolares, 
por exemplo) (Loschiavo-Alvares et al., 2011 apud LIMA R; 2015). 
No que se refere à intervenção específica para a função executiva, Sohlberg e 
Mateer (2010 apud LIMA R; 2015) citam os principais métodos utilizados: 
 Controle ambiental: organização do espaço físico (prevê uso de 
mediadores externos para auxiliar na organização e memória), 
manipulação dos fatores fisiológicos (nutrição, sono, medicação, nível 
de atividade), conforme LIMA R; (2015). 
 Ensino de rotinas específicas para tarefas: aumento da autonomia 
para realização de determinadas tarefas, uso de planos e treinamentos 
comportamentais, conforme LIMA R; (2015). 
 Treinamento para seleção e execução de planos cognitivos: 
realização de exercícios que envolvem planejamento, sequenciamento, 
iniciativa, execução, monitoramento e avaliação, oferecimento de 
oportunidades repetidas para execução das tarefas; tarefas de controle 
de tempo, conforme LIMA R; (2015). 
 Estratégias metacognitivas/ treinamento em autoinstruções: 
aprendizado de técnicas de automonitoramento de uma tarefa; 
mediação por autoinstruções, uso de técnicas para resolução de 
problemas, treinamento para controlar o objetivo, conforme LIMA R; 
(2015). 
Na infância e adolescência são mais comuns estudos utilizando a RN, RC ou 
treino cognitivo (de atenção, memória e FE) em grupos com Transtorno de Déficit de 
Atenção e Hiperatividade (TDAH) e com traumatismo crânioencefálico (TCE) (Yelin, 
1996; Toledo, 2006; Papazian et al., 2009; Tucha et al., 2011 apud LIMA R; 2015). Em 
contrapartida, são escassos os trabalhos internacionais intitulados como RN ou RC 
para a dislexia. A título de exemplo é possível citar estudos que utilizam programas 
computadorizados (ex. Cogmed) para treinar componentes específicos das FE 
 
19 
 
Funções executivas, como a memória operacional (Holmes e Gathercole, 2013; 
Karbach et al., 2015 apud LIMA R; 2015). 
Enfim, a reabilitação neuropsicológica tem como objetivo minimizar as funções 
cognitivas deficientes, no aspecto físico, psicológico e sócio adaptativo, através de 
diversas técnicas e estratégias, levando em conta a plasticidade neuronal e, 
essencialmente, as possibilidades do paciente. Tem-se como objetivo principal, uma 
atividade dinâmica para a readaptação do indivíduo ao seu meio ambiente. (Santos e 
Abrisqueta-Gomez, 2006 apud CORRÊA R; 2009). 
 Como citado acima, a reabilitação neuropsicológica vai além da reabilitação 
cognitiva, ela é mais abrangente. A reabilitação cognitiva ocupa-se especificamente 
do tratamento das funções cognitivas (atenção, memória, percepção, compreensão 
etc.) e tem como objetivo promover uma melhora do desempenho em tarefas que 
demandam funções cerebrais determinadas. A reabilitação neuropsicológica, além de 
visar à melhora cognitiva, visa a corrigir, maximizar as aprendizagens e 
reaprendizagens das habilidades cognitivas de forma que os pacientes encontrem 
meios adequados e alternativos para alcançar metas funcionais específicas a fim de 
diminuir ou sanar as funções afetadas, conforme CORRÊA R; (2009). 
Prioriza o indivíduo como um todo e sua qualidade de vida, pois inclui 
problemas emocionais e comportamentais, fazendo com que o paciente se reintegre 
ao ambiente social, escolar e de trabalho de maneira mais adequada possível; atua 
além do consultório, com o objetivo de facilitar o desempenho em tarefas que 
requerem habilidades cognitivas (Gil, 2005 apud CORRÊA R; 2009). 
O primeiro passo é realizar uma avaliação neuropsicológica para se mensurar 
os prejuízos cognitivos e as funções intactas. Basicamente, a bateria de testes avalia 
um conjunto de habilidades e competências cognitivas, tais como orientação espaço-
temporal, raciocínio, atenção, aprendizagem, memória verbal, visual, curto e longo 
prazo, funções executivas, linguagem, organização visuoespacial, funções 
perceptuais e motoras, conforme CORRÊA R; (2009). 
 
 
 
 
 
20 
 
A importância da avaliação neuropsicológica não se limita à apresentação de 
diagnóstico e prognóstico, mas também está em direcionar o processo de reabilitação 
cognitiva. Permite obter a inferência das características estruturais e funcionais do 
cérebro e do comportamento em situação de estímulo e resposta definidas, formular, 
planejar e executar estratégias as quais compõem o plano de reabilitação 
neuropsicológica, conforme CORRÊA R; (2009). 
E no final do processo de reabilitação neuropsicológica, realiza-se uma 
avaliação dos resultados obtidos para verificar se houve eficácia da intervenção, 
através dos relatos subjetivos, do desempenho efetivo nas tarefas e do 
comportamento cotidiano alcançado. Existem várias maneiras de se planejar um 
programa de reabilitação eficiente. É importante informar o paciente de que nem 
sempre é possível restaurar a função cognitiva prejudicada, mas é possível 
compensá-la, encontrando maneiras de minimizar os problemas do cotidiano, 
conforme CORRÊA R; (2009). 
Um programa de reabilitação neuropsicológica deve ser individualmente 
elaborado e organizado adequadamente à situação de aprendizagem e performance 
do paciente, revisto durante o tratamento e, se necessário, modificado, pois o curso 
clínico se modifica tanto pela recuperação quanto pelo desenvolvimento dos 
processos de maturação do cérebro e dos fenômenos da plasticidade neuronal, 
conforme CORRÊA R; (2009). 
O planejamento das atividades de reabilitação neuropsicológica necessita da 
definição dos objetivos específicos (a curto ou longo prazo), estabelecimento de metas 
a serem alcançadas e uma avaliação sistemática dos resultados obtidos. Os 
programas de reabilitação envolvem a estimulação de processos metacognitivos 
associados ao treino de funções cognitivas específicas. A metacognição é uma 
capacidade individual de automonitoramento em tarefas cognitivas ou aprendizagens, 
conforme CORRÊA R; (2009). 
Durante o processo de reabilitação, é importante que ocorram intervenções 
com o paciente, com técnicas cognitivas específicas para treino de atenção, de 
memória, de estratégias metacognitivas, de habilidades visuo-perceptuais (treino 
visual, auditivo, sinestésico) e visuo-construtivas. A intervenção com a família objetiva 
esclarecimentos sobre o quadro/diagnóstico (habilidades e dificuldades, problemas de 
comportamento), orientações para auxiliar a generalização das aquisições no 
 
21 
 
ambiente doméstico (organização do ambiente, métodos de trabalho com o paciente 
em casa). As intervenções com a escola têm por finalidade obter esclarecimentos, 
discutir métodos e estratégias de ensino e currículo adaptado; além de visitas ao 
ambiente escolar visando às modificações no ambiente, se necessárias. (Bueno et al., 
2004 apud CORRÊA R; 2009). 
É importante que o paciente compreenda que o tratamento não é um fim em si 
mesmo. Cabe ao terapeuta o reforço do comportamento cognitivo aprendido e de 
novos que levem o paciente a refletir sobre seu aprendizado, a fim de melhorar seu 
autocontrole e autogerenciamento na vida diária, aprendendo a lidar melhorcom seus 
déficits neuropsicológicos. 
4 A TERAPIA OCUPACIONAL 
Entender o processo histórico de uma profissão possibilita a compreensão 
sobre sua prática na atualidade segundo Barlotti e De Carlo (2001 apud BARRETO A; 
2012), relatam o uso terapêutico das ocupações desde a antiguidade, entre gregos e 
romanos. Acreditava-se que a utilização das atividades (trabalho, exercício, arte e 
artesanato) poderia “curar” aqueles que estivessem “possuídos pelo demônio”. Aos 
demais doentes eram oferecidas com o propósito de manter o ambiente tranquilo e 
favorecer o contato com os “deuses”. 
Segundo as mesmas autoras por volta do século XVIII e do início do século 
XIX, a ocupação tornou-se largamente aceita para o tratamento do doente mental, 
quando o doutor Philippe Pinel, em 1791 assumiu a direção do asilo Bicêtre e deparou 
com a trágica situação na qual viviam os doentes mentais. Conforme Francisco 
(2008), a ocupação, naquele momento, foi o recurso principal. Segundo Soares (2007 
apud BARRETO A; 2012) “a generalização do trabalho a todos os tipos de alienados 
gerou uma gradação da atividade, segundo o grau de “degradação” moral e intelectual 
do interno e a complexidade do trabalho oferecido”, movimento ficou conhecido como 
Tratamento Moral e consoante Francisco (2008 apud BARRETO A; 2012), foi 
difundido até a metade do século XIX na Europa e na América. 
 Segundo Caniglia, no início do século XX, nos Estados Unidos, um grupo de 
profissionais que se intitulavam como terapeutas ocupacionais tentaram 
elaborar os princípios da profissão. Eram médicos, enfermeiros assistentes 
sociais, professores de arte e voluntários. Eles defendiam o equilíbrio 
 
22 
 
repouso-atividade e uma programação saudável de atividade, incluindo 
atividades produtivas, atividades lúdicas, atividades de autocuidado e contato 
pessoal. (CANIGLIA, 2005 apud BARRETO A; 2012). 
A Terapia Ocupacional como profissão da área de saúde surgiu nos Estados 
Unidos, e sua primeira escola foi fundada em Chicago, em 1915. A intenção era 
diminuir os efeitos da primeira Guerra Mundial os atendimentos eram realizados para 
reabilitação dos incapacitados físicos e mentais que retornavam dos campos de 
batalha. Esse período foi chamado de “reconstrução” ou da restauração dos 
potenciais físicos e mentais dos sequelados de guerra. (MOREIRA, 2008 apud 
BARRETO A; 2012). 
De acordo com Soares (2007 apud BARRETO A; 2012) nesta mesma época 
iniciou-se a organização da categoria, em 1917, na Sociedade Nacional para 
Promoção da Terapia Ocupacional (depois chamada Associação Americana de 
Terapia Ocupacional). 
Em 1923, a Associação Americana de Terapia Ocupacional estabeleceu os 
“Padrões Mínimos para Curso de Treinamento em Terapia Ocupacional”, o que 
colaborou bastante para a elevação do status da profissão. Neste período, serviços 
de Terapia Ocupacional eram bastante solicitados por hospitais, principalmente nos 
Estados Unidos, na área de Reabilitação Industrial. (CANIGLIA, 2005 apud BARRETO 
A; 2012), serviços que influenciou a terapia ocupacional no Brasil. 
4.1 Terapia ocupacional no brasil 
No Brasil, a história da profissão remonta ao período posterior à Segunda 
Guerra Mundial e às estratégias de implantação de programas de reabilitação na 
América Latina, preconizadas por organismos internacionais (ONU, OIT, Unesco), 
apesar das antigas experiências de uso das “ocupações com objetivo terapêutico” em 
instituições asilares psiquiátricas no Brasil, devido à influência norte-americana, 
conforme BARRETO A; (2012). 
Segundo Bartalotti; de Carlo, no início da década de 60, os cursos de 
formação em Terapia Ocupacional foram implantados, preferencialmente, na 
área da reabilitação física. Gradativamente, porém, na formação dos 
terapeutas ocupacionais foram incorporados estágios na atenção 
psiquiátrica. (BARTALOTTI DE CARLO, 2001 apud BARRETO A; 2012). 
 
23 
 
Cabe ressaltar alguns nomes importantes para esse processo: Luís Cerqueira, 
Nise da Silveira, Elso Arruda e Suliano Filho; ambos psiquiatras, constituíram a terapia 
ocupacional no país e produziram textos teóricos importantes no período de 1950 a 
1986. (SOARES, 2007 apud BARRETO A; 2012). 
A profissão se institucionalizou entre 1948 e 1980. A formação profissional era 
inicialmente por meio de cursos de treinamento em saúde mental pela Dra. Nise da 
Silveira em 1948, depois em reabilitação física em 1956, porém o curso se tornou de 
nível universitário em 1961, pela lei do Currículo Mínimo, com 3 anos de duração. O 
reconhecimento da profissão foi promulgado apenas em 1969, juntamente com a 
fisioterapia. (SOARES, 2007 apud BARRETO A; 2012). 
Ainda segundo a mesma autora, em 1970 criou-se o Conselho Federal de 
Fisioterapia e Terapia Ocupacional – COFFITO, que se organizou em entidades 
regionais. Em 1980 foi criado o primeiro sindicato da categoria, também em conjunto 
com a Fisioterapia. A legitimação oficial da T.O possibilitou sua ampliação em 
faculdades e universidades e consequentemente uma discussão mais ampla dos seus 
conceitos, conforme BARRETO A; (2012). 
4.2 O objeto de especificidade da terapia ocupacional 
Para Caniglia (2005 apud SILVA A; 2012), o termo objeto é indicativo de 
finalidade, fim, alvo, propósito, fruto, produto. O objeto é o fim a ser atingido, 
produzido, estudado, pesquisado, tratado, cuidado. O objeto de estudo refere-se a um 
objeto comum a várias profissões e áreas de conhecimento, como por exemplo, temas 
como a depressão, o inconsciente e o tônus muscular. Já o objeto profissional é único, 
da especificidade, legitimidade e identidade à profissão. 
De acordo com Bing (1981 apud CAZEIRO et al., 2011 apud SILVA A; 2012), a 
Terapia Ocupacional é a única profissão na qual seu objetivo principal centra-se na 
totalidade do ser humano ao realizar suas atividades. Cazeiro et al. (2011 apud SILVA 
A; 2012), afirma que as atividades cotidianas sempre estiveram presentes na 
profissão, mesmo que com denominações diferentes. Inicialmente eram denominadas 
atividades cotidianas ou de autocuidado, após passa a se utilizar mais frequentemente 
o termo Atividades da Vida Diária, que incluíam todas as atividades realizadas no dia-
a-dia dos indivíduos. 
 
24 
 
Clark (2010 apud CAZEIRO et al. 2011 apud SILVA A; 2012), aponta que a 
Terapia Ocupacional é a única profissão que possui em suas diretrizes curriculares 
uma compreensão complexa, detalhada e cientificamente embasada sobre como as 
pessoas vivem na sua vida diária em seu contexto social, sendo essas pessoas com 
deficiência ou não. 
De acordo com Caniglia (2005 apud SILVA A; 2012), o objeto de estudo 
profissional da Terapia Ocupacional, é um aspecto da saúde do indivíduo, e apresenta 
diversas denominações de acordo com as características de cada país, grupo de 
pesquisa, universidades, etc. Dentre essa denominações a autora cita atividade 
humana, fazer humano, ação humana, desempenho ocupacional, função ocupacional, 
saúde práxica, fenômeno ocupacional, afazeres diários, atividades rotineiras, 
atividades do cotidiano, cotidiano ocupacional, performance funcional, rotina 
qualificada, cotidiano saudável, atividade significativa etc. (p. 47). 
Deste modo, após vários debates sobre a epistemologia da Terapia 
Ocupacional “acredita-se que muitas destas denominações para o objeto de trabalho 
profissional são nomes diferentes para o mesmo fenômeno”; sendo o termo “Atividade 
humana” o que aparece com mais frequência na bibliografia (CANIGLIA, 2005 p. 80 
apud SILVA A; 2012). 
Para Bartalotti e De Carlo (2001 apud SILVA A; 2012), as atividades humanas 
se compõem por ações sequenciadas que possuem qualidades, demandam 
habilidades, materiais e estabelecem mecanismos internos para sua execução, sendo 
estas consideradas o elemento centralizador e orientador na construção complexa e 
contextualizada do processo terapêutico. 
Nas considerações de Soares (2007 apud SILVA A; 2012) oobjeto da Terapia 
Ocupacional é apresentado como a ação, o fazer humano, o cotidiano, a atividade 
humana, as atividades rotineiras, dentre outras denominações. Mas a autora aponta 
que uma profissão não pode ser definida apenas pelo seu objeto, pois este é apenas 
um aspecto da profissão, devendo ser considerados também os recursos 
terapêuticos, a metodologia de trabalho e a forma de agir profissionalmente. 
 
25 
 
4.3 Modelos teóricos em terapia ocupacional 
Os conhecimentos teóricos ministrados nos cursos de T.O são apontado como 
formas fundamentadas de intervenção. Segundo Hagedorn (2001 apud BARRETO A; 
2012), os modelos são “uma representação simplificada de estrutura e conteúdo de 
um fenômeno ou sistema, que escreve ou explica as complexas relações entre os 
conceitos do sistema e integra os elementos da teoria e da prática”. 
Na busca pelo reconhecimento científico, a terapia ocupacional referenciou a 
estrutura de seus modelos de atuação nos procedimentos e teorias médicas e 
psicológicas, entre quais, cabe ressaltar, os exercícios físicos, a estimulação 
sensorial, as atividades sequenciais do desenvolvimento humano. Isso se deu pelo 
fato de serem os conhecimentos valorizados na época. (MEDEIROS, 2004 apud 
BARRETO A; 2012). 
 A terapia ocupacional, porém, foi saindo gradualmente da tutela médica e se 
apropriando de um arsenal teórico para sustentar sua prática, afirmando, dessa forma, 
um status profissional. (DRUMMOND, 2007 apud BARRETO A; 2012). Na terapia 
ocupacional, os “Modelos Teóricos” indicam a abordagem teórica utilizada para 
fundamentar a prática do profissional. De acordo com Caniglia (2005 apud BARRETO 
A; 2012), “os modelos tratam das referências teóricas que contém conceitos e 
premissas teóricas que darão base e orientação para a utilização na clínica e na 
pesquisa”. 
 Segundo Caniglia, vários estudos têm sido feitos para se detectarem quais 
modelos teóricos o terapeuta ocupacional busca para fundamentar sua 
prática. CANIGLIA (1991 apud BARRETO A; 2012), pesquisando referências 
teóricas utilizadas em Terapia Ocupacional, observou que vários profissionais 
se interessam pelo assunto: Reed identificou 35 modelos em Terapia 
Ocupacional; Helen e Hopkins apresentaram nove abordagens para a prática: 
Comportamental, Biomecânica, Cognitiva, Desenvolvimental, 
Neurodesenvolvimental, Sensório-motora, Ocupação Humana, Psicanalítica 
e Reabilitação. Anne Mosey três abordagens de referência: Analítica, 
Desenvolvimental e Aquisicional. Javetz e Katz apontaram nove modelos: 
Integrativo Sensorial, Neurodesenvolvimental, Comportamental, Cognitivo, 
Comportamento Ocupacional, Psicodinâmico, Desenvolvimental, 
Reabilitativo e Biomecânico. 
 Briggs e outros autores apresentam quatro modelos para a Terapia 
Ocupacional Psicossocial: Psicanalítico, Comportamental, Humanístico e 
Desenvolvimental. Kielhofner levantou oito modelos: Adaptação Espaço Temporal, 
Biomecânico, Cognitivo Perceptual, Controle Motor, Distúrbios Cognitivos, Grupos de 
 
26 
 
Trabalho, Integrativo Sensorial e Ocupação Humana. Hagedorn descreveu 6 modelos: 
Ocupação Humana, Adaptação através da Ocupação, Desempenho Ocupacional, 
Habilidades Adaptativas, Incapacidade Cognitiva, Saúde através das Atividades, 
Caniglia (2005 apud BARRETO A; 2012). 
Caniglia (2005 apud BARRETO A; 2012) apresenta em seus estudos uma 
classificação para os modelos utilizados em terapia ocupacional, a saber: Modelo 
Profissional, Modelos Sanitaristas, Modelos Históricos, Modelos Filosóficos e Modelos 
Metodológicos. 
Conforme BARRETO A; (2012), optou-se por explicitar melhor esse último, pois 
se caracteriza em ter como base e utilização de teorias, métodos e técnicas 
específicas. As principais características destes modelos estão organizadas no 
Quadro 1: 
 
Fonte: bdm.unb.br- caniglia, 2005. 
 
27 
 
 
Fonte: bdm.unb.br- caniglia, 2005. 
Cabe ainda detalhar melhor as abordagens mais utilizadas pelos terapeutas 
ocupacionais em saúde mental. Uma delas é o modelo analítico, também conhecido 
como junguiano devido ao seu criador Carl Gustav Jung (1875-1961 apud BARRETO 
A; 2012). 
Segundo Vaz (2007 apud BARRETO A; 2012), os estudos de Jung foram 
trazidos para o Brasil na primeira metade do século XX por Nise da Silveira, ela 
considerava que Jung forneceria à terapia ocupacional amplas bases de terapêutica 
para neuróticos e para psicóticos. 
O modelo junguiano utiliza os conceitos tais como: inconsciente individual, 
inconsciente coletivo, arquétipos, persona, self, mandala, animus, anima, 
sombra, atitude e funções. O processo exige uma comunicação entre o 
consciente e o inconsciente, um diálogo constante entre vida exterior e a 
dimensão simbólica da vida interior. (JUNG, apud CANIGLIA, 2005 apud 
BARRETO A; 2012). 
Mângia e Nicácio (2001 apud BARRETO A; 2012) sugerem que um dos 
referenciais que se tornaram importantes para a Terapia Ocupacional no processo de 
constituição do campo da saúde mental foi a Psicodinâmica. Segundo as autoras, 
esses referenciais surgiram a partir da intenção de humanizar as instituições 
psiquiátricas, criticar o Tratamento Moral, a Ergoterapia, as práticas de ocupação do 
tempo ocioso e violações da identidade presentes nos ambientes asilares, sem, no 
entanto, romper com sua lógica. 
 
 
28 
 
Tedesco (2007 apud BARRETO A; 2012) define psicodinâmica como “o efeito 
das ideias psicanalíticas sobre diferentes áreas que enfocam o funcionamento mental 
e desenvolvem estratégias que lidam ou consideram o sofrimento psíquico”. 
Conceitua ainda a psicodinâmica da ação como o entendimento dos mecanismos 
inconscientes das ações ou dos comportamentos como peça importante para 
compreensão do ser humano e das estratégias desenvolvidas na relação terapêutica. 
Para Almeida e Trevisan (2010 apud BARRETO A; 2012), a Prática Centrada 
no Cliente constitui um referencial teórico da psicologia que é utilizado pelo terapeuta 
ocupacional e que tem grande importância na saúde mental. De acordo com as 
autoras este modelo possibilita desenvolver ações junto com os usuários, auxiliando-
os no processo de identificação de suas demandas e superação dos obstáculos que 
se interpõem à sua participação social e desempenho satisfatório nas atividades 
cotidianas. 
A Prática Centrada no Cliente, proposta por pelo psicólogo Carl Rogers é uma 
abordagem canadense que privilegia a interação terapeuta e cliente no processo 
terapêutico, permitindo que o terapeuta torne-se um facilitador em tal processo. Tal 
abordagem visa habilitação nas áreas de desempenho ocupacional referentes ao 
lazer, produtividade e autocuidado, desde que dotados de significado para o indivíduo 
e adequados a seu momento e contexto de vida, conforme SILVA A; (2012). 
 Verifica-se que este modelo constitui uma ferramenta de trabalho que coincide 
com os pressupostos da Reabilitação Psicossocial por valorizar a coparticipação e 
responsabilização do usuário por seu projeto terapêutico, e por demonstrar 
flexibilidade quanto à utilização de modelos de intervenção diversos que atendam as 
demandas de cada caso (MÂNGIA, 2002 apud BARRETO A; 2012). 
5 ALGUMAS DEMONSTRAÇÕES DE TRATAMENTO ATRAVÉS DA 
REABILITAÇÃO 
5.1 Reabilitação neuropsicológica na depressão: um enfoque terapêutico 
ocupacional 
 
 
 
 
29 
 
Avaliação e reabilitação terapêutica ocupacional: 
Oliveira, Gomes e Oliveira (2009 apud ANDRADE A; et al., 2010) ilustram que 
a ocorrência de depressão é associada a diversos fatores, tais como idade, estado 
civil, classe social e condições sociais. Os autores ainda afirmam que o transtorno 
depressivo é uma condição que afeta todos os indivíduos em alguma fase de suas 
vidas, seja como humor transitório ao se sentir abatido ou melancólico, ou como uma 
forma mais séria, que pode prejudicar o desempenho físico e psicológico, incluindo-
se então as atividades ocupacionais do ser humano. 
De acordo com ANDRADE A; et al.,2010, a partir dessas questões, pode-se 
dizer que a Terapia Ocupacional adentra esse contexto como forma de reabilitar ou 
adaptar o indivíduo com transtorno depressivo às suas condições cotidianas, 
ocupacionais ou de lazer. 
Segundo Neistadt e Crepeau (2002 apud ANDRADE A; et al., 2010), 
“ocupação” em terapia ocupacional não se refere simplesmente a profissões 
ou treinamentos profissionais, e sim a todas as atividades que ocupam o 
tempo das pessoas e dão sentido a suas vidas, (Neistadt e Crepeau 2002 
apud ANDRADE A; et al., 2010). 
Baseado na obra de Francisco (1988 apud ANDRADE A; et al., 2010), o 
terapeuta busca promover a saúde ocupacional, habilitando as pessoas para que 
possam engajar-se nos papéis, nas tarefas e atividades que tenham significados para 
elas no seu dia a dia e que sejam definidoras de suas vidas. Diante do exposto, a 
Terapia Ocupacional aliada à Neuropsicologia fornecerá subsídios para a 
complementação das avaliações, bem como a interligação de técnicas capazes de 
reabilitar, estimular ou desenvolver a capacidade cognitiva dos pacientes acometidos 
pela depressão. 
Estudos feitos por Camargo, Bolognani e Zuccolo (2008 apud ANDRADE A; et 
al., 2010), a bateria de testes fornecidos pela Neuropsicologia estabelece não só as 
fraquezas, mas também as forças cognitivas, promovendo por fim um ideal para 
nortear quais funções devem ser reforçadas, desenvolvidas, estimuladas e/ou 
preservadas. 
Concomitante a esse processo, Griéve (2006 apud ANDRADE A; et al., 2010) 
preconiza dois pontos a serem relevados para avaliação em terapia ocupacional: a 
avaliação funcional, observando-se o desempenho nas atividades de vida diária 
(AVD’s), e a avaliação baseada na deficiência, consistindo na utilização de testes 
 
30 
 
padronizados para identificar os componentes que se encontram prejudicados. 
Portanto, a avaliação tanto em Neuropsicologia como em Terapia Ocupacional, 
predispõe dados importantes para nortear o que será seguido na próxima etapa do 
processo: 
 A reabilitação 
Segundo a Resolução do Conselho Federal de Psicologia n°. 002/2004, em 
seu artigo terceiro, o objetivo teórico da Neuropsicologia e da reabilitação 
neuropsicológica é ampliar os modelos já conhecidos e criar novas hipóteses 
sobre as interações cérebro-comportamentais (Resolução do conselho 
federal de psicologia, apud Osternack, 2008 apud ANDRADE A; et al., 2010). 
Assim sendo, de acordo com Rozenthal, Laks e Engelhardt (2009 apud 
ANDRADE A; et al., 2010), a Neuropsicologia deve ser considerada como um 
importante instrumento para a compreensão dos transtornos mentais, sendo de 
grande utilidade no processo de estruturação das intervenções terapêuticas mais 
diretivas para os déficits observados. Logo, a reabilitação neuropsicológica vem 
propor para o paciente um mapa de terapêutica adequada para enfatizar sua 
potencialidade em cima de suas deficiências, promovendo assim uma melhor 
qualidade de vida ao paciente. 
Ainda baseando-se em Rozenthal, Laks e Engelhardt (2009 apud ANDRADE 
A; et al., 2010), estudos preliminares sugerem que o uso de terapias voltadas para a 
resolução de problemas se mostra eficaz na redução dos sintomas depressivos e na 
melhora do desempenho em atividades da vida diária, podendo ser uma alternativa 
terapêutica importante para a população que permanece sintomática. Portanto, pode-
se constatar que a Terapia Ocupacional apresenta um leque de opções terapêuticas 
para complementar junto com a Reabilitação Neuropsicológica as ações de nível de 
recuperação em meio ao quadro de transtorno depressivo. 
Essas opções constituem o objeto de trabalho da terapia ocupacional, 
abrangendo-se então atividades comuns ao dia a dia do paciente que, conforme 
sugerem Castro, Lima e Brunello (2001 apud ANDRADE A; et al., 2010), possibilitam 
a cada um “ser reconhecido e se reconhecer por outros fazeres”, permitindo conhecer 
suas histórias de vida. As autoras ainda complementam que as atividades dentro do 
contexto terapêutico auxiliam no trabalho de organização e cuidado do cotidiano, 
servindo como redes de sustentação para a construção da autonomia e da 
 
31 
 
independência, promovendo a convivência e a contextualização do sujeito na cultura 
e na sociedade. Portanto, auxiliando assim no tratamento do paciente com depressão. 
Um ponto de destaque também é o que esclarece Wilson (1996 apud 
ANDRADE A; et al., 2010) sobre a reabilitação neuropsicológica, informando que além 
de tratar os déficits cognitivos, esse tipo de tratamento também se propõe a auxiliar 
na recuperação das alterações de comportamento e emocionais, enquadrando-se, 
portanto, os transtornos depressivos. 
6 A NEUROPSICOLOGIA E A ARTETERAPIA COMO REABILITAÇÃO NOS 
TRANSTORNOS DE ANSIEDADE 
6.1 Arteterapia e a Reabilitação Neuropsicológica 
A arteterapia segundo Coqueiro et al (apud BORDIN, 2014, p.1 apud 
MACHADO B; 2016) “é um dispositivo terapêutico que absorve saberes das diversas 
áreas do conhecimento, constituindo-se como uma prática transdisciplinar, visando a 
resgatar o homem em sua integralidade através de processos de autoconhecimento 
e transformação”. 
Destarte diz que a arteterapia é uma atividade que ao lidar com estratégias 
lúdicas que irão integrar o homem nas suas diversas dimensões, pode ser vista como 
uma alternativa a ser aplicada em todos os espaços institucionais que tenham como 
objetivo a formação humana. 
A arteterapia ao promover as atividades também cria relações com o 
funcionamento cerebral, pois consegue promover o desenvolvimento cognitivo “[...] 
ordenando estímulos perceptivos, criando novas composições, ou seja, associações, 
adaptações, estimulando o processo de aquisição de linguagem. ” (SOUZA, 2009 
apud MACHADO B; 2016). As aquisições cognitivas se dão por meio da reorganização 
cerebral, seja neuroquímica, estrutural e funcional. 
As mudanças que ocorrem não se dão apenas no meio exterior, mas também 
no interior (afetivo) o que irá acrescentar uma nova visão do entendimento da sua vida 
e da necessidade de superação das dificuldades do transtorno psicológico, conforme 
MACHADO B; (2016). 
 
32 
 
Dessa forma, segundo Souza (2009 apud MACHADO B; 2016), a arteterapia 
na neuropsicologia: [...] oferece a oportunidade de exploração de dificuldades 
e potencialidades pessoais por meio da expressão criativa, e do 
desenvolvimento dos recursos físicos, cognitivos e emocionais. Estimula a 
aprendizagem de habilidades, usando as diferentes linguagens artísticas 
para as experiências terapêuticas. ” 
 De acordo com MACHADO B; (2016), o arteterapeuta e/ou neuropsicólogo ao 
escolher uma atividade artística, tais como: desenhar, pintar, colar, rasgar, cortar, 
inventar, dramatizar dentre outras, para o seu paciente com transtorno psicológico 
permite-lhe ressignificar e aprender novas formas de ser e atuar no cotidiano. Pois, 
ao realizar tais atividades, as habilidades estimuladas deverão ser reproduzidas em 
outros contextos. 
Segundo Souza 2009, a arte-reabilitação pode ajudar a recuperar algumas das 
funções prejudicadas e adequar um programa de estimulação cognitiva usando vários 
recursos como: música, arte, danças, estímulos pedagógicos, jogos, computadores, 
etc. O trabalho é direcionado e desenvolvido em função das orientações fornecidas 
pelos exames iniciais e dos testes neuropsicológicos realizados com o paciente, 
(Souza 2009 apud MACHADO B; 2016). 
Portanto, há a mudança do quadro neuropsicológico do paciente quando são 
realizadas atividades que promovam mudanças que abarcam o funcionamento do 
cérebro, seja em áreas específicas ou de forma ampla bem como, possa atingir os 
dois hemisférios. 
6.2 Fundamentos da Neuropsicologia no transtorno de ansiedade 
A ansiedade é um sentimento de apreensão que aponta para as pessoas que 
há um perigo, traduzindo-se em manifestações fisiológicas como agitação, 
hiperatividade e movimentos precipitados e manifestaçõescognitivas como atenção e 
vigilância redobrada, pensamentos e possíveis desgraças. Essas manifestações 
podem ser passageiras ou permanentes variando sua intensidade a níveis 
imperceptíveis ou elevados (BATISTA e OLIVEIRA, 2005 apud SANT’ANA A; et al., 
2017). 
 
 
 
33 
 
Os critérios diagnósticos marcados na DSM-V abrangem: ansiedade e 
preocupação excessiva e de difícil controle na maioria dos dias e com duração mínima 
de seis meses, ocasionando prejuízos no funcionamento da vida diária. O quadro deve 
conter também três de seis sintomas físicos tais como: inquietação, fatigabilidade, 
dificuldade de concentração, irritabilidade, tensão muscular ou perturbações do sono. 
(OLIVEIRA et al 2006 apud SANT’ANA A; et al., 2017). 
De acordo com JARROS R; (2011) a ansiedade é um estado emocional 
vivenciado com qualidade subjetiva do medo. É uma resposta a situações de perigo, 
ou ameaças reais, como aos estresses e desafios do cotidiano. 
É caracterizada por apresentar: 
 Sintomas somáticos, como taquicardia, palpitação, dificuldade 
respiratória, tremor, calorões, calafrios, tensão muscular, náuseas, dor 
de cabeça, sudorese, etc., conforme JARROS R; (2011). 
 De sintomas cognitivos, como dificuldade de concentração, pensamento 
catastrófico, hipervigilância, medo de perder o controle, conforme 
JARROS R; (2011) 
 Sintomas comportamentais, como inquietude, isolamento e esquiva, 
conforme JARROS R; (2011). 
 Sintomas emocionais, como medo, apreensão, irritabilidade e 
impaciência, conforme JARROS R; (2011). 
 Sintomas perceptivos, como despersonalização, desrealização e hiper-
reatividade aos estímulos (CORDIOLI; MANFRO, 2004 apud JARROS 
R; 2011). 
Por ser uma prática clínica nova no Brasil a neuropsicologia e a neuropsicologia 
infantil ainda carecem de regulamentações, escores e de padronizações de testes 
específicos para a população brasileira, e para a população infantil (REIS-YAMAUTI 
et al., 2014 apud SILVA J; et al., 2016). 
A neuropsicologia infantil tem como função primordial a investigação das áreas 
cognitivas e o comportamento infantil (SANTOS, 2005 apud SILVA J; et al., 2016). 
Sua aplicabilidade como ciência prevê os seus dois principais componentes, a 
avaliação neuropsicológica e a reabilitação neuropsicológica, sendo sucessivamente 
a compreensão das funções cerebrais, e as alterações comportamentais associadas 
às lesões encefálicas. A avaliação neuropsicológica infantil é voltada para as 
 
34 
 
peculiaridades da criança (FERNANDO; ASBAHR; PAULO, 2011 apud SILVA J; et al., 
2016). 
Esta área tem um papel bastante importante no processo de mensuração das 
habilidades cognitivas de crianças, adolescentes, adultos e idosos a partir de um 
conjunto de procedimentos que engloba observações, entrevistas clínicas, 
administração de tarefas e ferramentas padronizadas de avaliação de desempenho, 
visando identificar e caracterizar o perfil das habilidades cognitivas, comunicativas 
e/ou emocionais do indivíduo com quadros neurológicos do indivíduo ou psiquiátricos, 
conforme SILVA J; et al., (2016). 
Segundo Salles (2016 apud SILVA J; et al., 2016) os transtornos de ansiedade 
na infância e adolescência podem estar associados a déficit de atenção e de memória 
que ocasionarão ao empobrecimento do rendimento escolar, podendo também haver 
problemas no comportamento, dificuldades em organizar o material, retraimento e/ou 
impulsividade. 
A neuropsicologia pode ser útil para definir a natureza e a gravidade de 
problemas comportamentais e emocionais resultantes de transtornos cerebrais 
conhecidos e de fatores de risco para transtornos no cérebro ou para disfunções sem 
causa identificável. Fornece informações valiosas sobre o comportamento social, o 
estado emocional e as adaptações às limitações do paciente que sofre ou não de 
algum tipo de transtorno, conforme SILVA J; et al., (2016). 
De acordo com Rodrigues (2011 apud SILVA J; et al., 2016), onde a mesma 
cita os autores Gray e Naughton (2007 apud SILVA J; et al., 2016) retratam que há 
uma relação entre a teoria da neuropsicologia da ansiedade e do funcionamento do 
sistema septo-hipocampal. Tal sistema detectaria um conflito entre os objetivos 
simultâneos disponíveis e para resolvê-lo, o sistema aumentaria o peso dado à 
informação negativa em áreas de processamento, sendo que esse aumento na 
informação efetivamente negativa produzia o aumento de ansiedade em algumas 
tarefas, reduzindo o efeito de interferência da memória em outras. 
 
 
 
 
 
35 
 
Gray e Naughton (2007 apud SILVA J; et al., 2016), acreditam que a estrutura 
cerebral relacionado a ansiedade seria a amígdala. Esta área é responsável em 
avaliar a natureza e intensidade da ameaça que provoca no indivíduo, atribuindo a ela 
uma conotação afetiva. Existe uma grande importância na função desempenhada pela 
a amígdala na dinâmica da ansiedade e na memória emocional, havendo por tanto, 
uma associação entre a emoção e memória. É reconhecida também por sua 
importância para a memorização emocional e o aprendizado onde poderá afetar uma 
variedade de comportamentos emocionais relacionados ao aprendizado, a vigilância 
e ao convívio social. 
Para conhecer melhor o funcionamento do mecanismo da ansiedade, será 
mostrado abaixo e exposto por Clark; Beck (2012 apud MACHADO B; 2016). Tabela: 
Aspectos Comuns da Ansiedade (CLARK; BECK, 2012 apud MACHADO B; 2016): 
 
 
Fonte: inesul.edu.br 
 
 
 
36 
 
Além dessas características da ansiedade, com relação a neuropsicologia de 
forma simplificada tem-se: “Na ansiedade há um “excesso” amigdaliano, com medos, 
reações vegetativas, fobias, angústia antecipatória, preocupações excessivas. ” 
(FERNANDO; CAIXETA,2007 apud MACHADO B; 2016). 
De acordo com Pereira; Tarantino (2016 apud MACHADO B; 2016) as três 
estruturas cerebrais envolvidas na ansiedade são: 
 Córtex pré-frontal (relacionado ao planejamento de comportamentos e 
pensamentos complexos, expressão da personalidade, tomadas de decisões e 
modulação de comportamento social, conforme MACHADO B; (2016) 
 Amigdala (importante centro regulador [...] do comportamento agressivo, 
respostas emocionais e da reatividade a estímulos biologicamente relevantes, 
além disso, para os conteúdos emocionais das nossas memórias), conforme 
MACHADO B; (2016). 
 Hipocampo (está mais envolvida no registro e decifração dos padrões 
perceptuais do que nas reações emocionais). As importâncias dessas três 
estruturas cerebrais no funcionamento da ansiedade estão descritas abaixo, 
conforme MACHADO B; (2016) 
Sobre a neurobiologia da ansiedade tem-se, uma linha de investigação levou 
ao conceito de sistema cerebral de defesa, representado pela amígdala, pelo 
hipocampo e pela matéria cinzenta periaquedutal, que comanda 
comportamentos do tipo luta e fuga, relacionados com medo e pânico. [...] A 
outra se refere a chamada sistema de inibição comportamental, cujas 
estruturas críticas são o septo e o hipocampo, e que promove a investigação 
cautelosa e a inibição comportamental, relacionada com a ansiedade. [...] 
uma síntese recente, proposta por Gray e Mc Naughton, inclui o sistema 
cerebral de aproximação, que incentiva a busca de fontes de satisfação de 
necessidades biológicas. A ansiedade surgiria quando há tendências 
conflitantes de aproximação e esquiva, produzidas por um mesmo objeto 
ambivalente. O septo-hipocampo seria o órgão detector de conflito que 
geraria a ansiedade. [...] Evidências neurocirúrgicas destacam a importância 
do córtex pré-frontal na ansiedade humana, que é desencadeada, na maioria 
das vezes, por símbolos verbais e não-verbais de natureza psicossocial.[...] 
Estudos com neuroimagem morfométrica e funcional têm confirmado o papel 
dessas estruturas cerebrais na ansiedade normal e patológica do ser 
humano.[...] Evidências psicofarmacológicas e neuroquímicas, obtidas em 
animais de laboratório e também em seres humanos normais e com 
transtornosde ansiedade, revelaram o papel de neurotransmissores, como a 
serotonina e o GABA, e de hormônios como corticoides, estrogênios e da 
tieróide, na ansiedade.”( Graeff apud KAPCZINSKI, 2004 apud MACHADO 
B; 2016). 
 
 
37 
 
A partir das informações anteriores, a ansiedade altera o funcionamento de 
áreas específicas do cérebro da pessoa ansiosa, é o sistema cerebral de defesa que 
funciona de forma desacerbada em situações que não deveriam gerar ansiedade, mas 
pela alteração da percepção do indivíduo isso acarreta na alteração do sistema de 
defesa. As causas do funcionamento disfuncional do sistema de defesa podem ser 
ambientais, genéticas ou ambas. A intervenção neuropsicológica da ansiedade deve 
considerar as respostas fisiológicas, cognitivas, sociais e emocionais, conforme 
MACHADO B; (2016). 
Assim, as atividades terapêuticas devem atender a todos os aspectos citados 
para que ocorra a mudança no quadro apresentado pelo paciente. Cabe, ressaltar, 
que no processo terapêutico a questão da relação terapêutica que é a importância 
para a aderência do paciente na terapia, conforme MACHADO B; (2016). 
6.3 Atividades de Arteterapia que auxiliam na Reabilitação Neuropsicológica 
dos Transtornos da Ansiedade 
Os atendimentos em arteterapia e neuropsicologia, voltados para os casos de 
ansiedade, devem considerar os resultados obtidos na avaliação neuropsicológica do 
paciente e nos atendimentos. Pode-se aliar várias terapias no atendimento da 
ansiedade, desta forma, tem-se além da arteterapia, atividades da psicoterapia 
neurocognitivo- comportamental. Além disso, dependendo do caso a ser atendido, 
deve ser realizado atendimentos com a família e as instituições escolares ou do 
trabalho, conforme MACHADO B; (2016). 
Assim, o enfoque está na reabilitação, sendo que as atividades devem atender 
aos sintomas comportamentais e cognitivos. Para que isso aconteça é necessário que 
sejam aplicadas atividades que contemplem o funcionamento neurpsicológico. Nos 
sintomas comportamentais, as estratégias deverão reduzir: a evitação de sinais ou 
situações de ameaça, esquiva, fuga, Inquietação, agitação, movimentos rítmicos, 
hiperventilação, congelamento, imobilidade, dificuldade para falar e aumento no 
sentimento de segurança e autoestima, conforme MACHADO B; (2016). 
 
 
 
 
38 
 
E, nos sintomas cognitivos, as atividades devem atender a diminuição do: medo 
de perder o controle, de ser incapaz de enfrentar, medo de ferimento físico ou morte, 
Medo de “ficar louco”, medo da avaliação negativa dos outros, pensamentos, imagens 
ou recordações aterrorizantes, percepções de irrealidade ou afastamento e da 
concentração deficiente, confusão, distração. Nesse sentido, serão indicadas 
atividades de arteterapia que permitam ao paciente reduzir os sintomas 
comportamentais e cognitivos dos transtornos de ansiedade, de acordo com Pazeres 
(2014 apud MACHADO B; 2016): 
Desenho: 
 A coordenação motora fina é bastante trabalhada, portanto o controle é 
essencial, não só o motor, mas principalmente o intelectual. A atenção, 
a concentração e o contato com a realidade são explorados. O desenho 
de cópia, enfoca a atenção na realidade exterior, e é indicado em 
pessoas que fantasiam, sonham, obrigando-as a perceber e reproduzir 
a realidade tal como ela é. A imensa dificuldade que encontram em 
reproduzir, não é só o medo de errar, é a própria dificuldade de dar 
direcionamento em sua vida. É indicado para pessoas dispersas, 
sonhadoras, confusas e adolescentes. Indicados para pessoas 
deprimidas, com tônus vital rebaixado”, conforme MACHADO B; (2016). 
Pintura: 
 Quando a pintura flui, fluem ali, emoções e sentimentos. A esfera afetiva 
emocional está mais abrangente, pois as pinceladas lembram o fluxo 
respiratório, a vida. Quanto mais expressão, mais autoconhecimento e 
mais autoconfiança. A pintura, assim como o desenho, pode ser livre, de 
cópia, ou dirigida. Com a pintura, trabalha-se a estruturação e a área 
afetiva emocional, chegando ao equilíbrio das emoções. E quanto mais 
diluída for a tinta, mais emocional é o resultado, conforme MACHADO 
B; (2016). 
Modelagem: 
 O efeito da modelagem atua nas sensações físicas e viscerais, como 
também no sentimento e cognição. A técnica exige uma canalização de 
energia adequada, por partir do nada para a criação de algo podendo 
ser livre ou dirigida. A argila age como transformadora, de um estado de 
 
39 
 
desencontro para um estado de equilíbrio, podendo trazer à tona 
conflitos internos indesejáveis. Por ser moldável, integra o ser com o 
mundo exterior, mostrando-o que pode adaptar-se às situações, sendo 
fluida, recebe projeções e é dominada, favorecendo ao manipulador, a 
libertação das tensões, fadigas e depressões, pois é um material vivo e 
de ação calmante. No emocional mobiliza sentimentos e emoções 
primitivas, para que possam ser conhecidas e trabalhadas, conforme 
MACHADO B; (2016). 
Sucata: 
 O trabalho com a sucata estimula a reconstrução, a criatividade, as 
percepções, a atenção, a construção, a transformação, o concreto e a 
mudança. É um material transformador, pois dá-se uma nova utilidade 
ao que antes era lixo. É a mudança através do concreto, é a busca de 
possibilidades de transformação e do reaproveitamento. Colagem: 
Nesta atividade, o cliente busca nos materiais, ideias que possam 
expressar e comunicar seus sentimentos, emoções e ideias em relação 
ao tema. O planejamento, o direcionamento, e a atenção do paciente, 
ajudam na estruturação de sua vida. É um recurso rico, pois o indivíduo 
planeja, analisa, fica atento, concentrado, organizado e paciente, 
conforme MACHADO B; (2016). 
A autora mostra também a importância das atividades na redução de 
comportamentos, sentimentos, motricidade que permitam à pessoa com transtornos 
de ansiedade melhorar o seu comportamento no dia a dia. Além dessas atividades, 
tem-se ainda a prática do origami, segundo Ueno (2003 apud MACHADO B; 2016), “ 
o origami é a tradicional arte japonesa de confeccionar figuras (animais, flores, peixes, 
objetos etc.) através de dobras. O nome origami foi criado em 1880, através da fusão 
do verbo "oru" (dobrar) e a palavra "kami" (papel). 
Conforme MACHADO B; (2016), ”A atividade é realizada com qualquer tipo de 
papel e não utiliza-se tesoura ou régua, o que beneficia na coordenação visomotora, 
bem como o aspecto cognitivo, pois desenvolve a representação mental do objeto que 
se constrói com o papel. 
O origami pode ser utilizado como uma das atividades para reduzir os efeitos 
dos transtornos de ansiedade, “ é capaz de desenvolver as habilidades 
motoras das duas mãos, já que são necessárias o uso conjunto delas para 
 
40 
 
se formar alguns símbolos, desenvolve as habilidades intelectuais e a 
criatividade usando todos os hemisférios do cérebro; desenvolve a memória, 
paciência e a atenção, já que as regras precisam ser seguidas à risca, 
(Sibovitz apud UENO, 2003 apud MACHADO B; 2016) ”. 
Além dessas práticas de arteterapia, existem as práticas de mindfulness 
inseridas no modelo de psicoterapia cognitivo comportamental, sendo que tais 
práticas vêm obtendo sucesso no manejo dos pacientes com transtorno de ansiedade. 
Conforme Vorkapic; Rangé (2013 apud MACHADO B; 2016) mindfulness, é um nome 
para o qual não há tradução fiel em português (alguns autores usam a expressão 
atenção plena), é baseada em técnicas budistas e define-se como uma forma 
específica de atenção concentração no momento atual, de modo intencional e sem 
julgamento. A meditação mindfulness tem se mostrado eficaz como intervenção 
terapêutica de transtornos mentais. 
As práticas de mindfulness, são capazes de atuar no funcionamento geral do 
indivíduo com transtorno de ansiedade, de acordo com Graeff; Brandão (1997 apud 
MACHADO B; 2016), permitem não só controlar a musculatura estriada, promovendo 
o relaxamento e regularizando a respiração, como também influencia

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