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A Segunda Lei da Termodinâmica Universidade Federal de Sergipe Departamento de Química 1° Lei – Conservação de energia Térmica Elétrica Mecânica Energia mais organizada Energia menos organizada O universo tende ao Caos!!!!! Irreversibilidades 100% Um gás que se expande no vácuo; Um corpo quente que se resfria ao longo do tempo; Uma reação química que se processa numa única direção. O que define a espontaneidade de um processo se a energia do universo é constante? (A espontaneidade deveria ser explicada pela tendência de diminuição de energia?) � Transformação Espontânea � Não exige trabalho � Tendência natural que pode ou não ser observada na prática � A termodinâmica não nos dá a velocidade em que o processo espontâneo ocorre (ex. diamante a grafite) Introdução Nicolas Léonard Sadi Carnot 1796-1832 Engenheiro muito envolvido com a revolução industrial Acreditava na existência do “calórico” Queria saber se existia limite para a quantidade de trabalho gerada pelo calor Lançou bases importantes com a escrita de seu livro pouco lido Benoît Paul-Émile Clapeyron 1799-1864 Leu o livro de Carnot Deu formalismo matemático as ideias expostas Rudolf ClausiusWilliam Thompson (Lord Kelvin) Formalizaram matematicamente os ideais propostos por Carnot e interpretados por Clayperon T dqdS rev= � A Segunda Lei � Relacionada aos processos espontâneos e não espontâneos. � “não é possível que um processo que tenha como único resultado a absorção de calor de um reservatório térmico e sua transformação total em trabalho”. Introdução Fonte Quente Máquina Térmica Fluxo de energia Calor � Fenômenos espontâneos e não-espontâneos Introdução �O sentido da mudança espontânea; �“a energia total de um sistema isolado é constante” �“se a energia do sistema diminui, a energia da vizinhança aumenta do mesmo valor” Há dispersão de energia? � A dispersão de energia Introdução �Em cada pulo, parte da energia cinética do movimento é transformada em energia térmica dos átomos da superfície e da bola, e ocorre dispersão de energia. �O processo inverso nunca é observado! bola em repouso bola no ar (a) bola em repouso sobre a superfície: movimentos caóticos, e bem distribuídos (b) A vibração organizada dos átomos poderia levar a bola a saltar espontaneamente da superfície, mas isso é pouco provável. Parece que a tendência natural de um sistema é que a sua energia seja dispersada (distribuída) o máximo possível... �A bola que pula na superfície �Um gás que se expande até ocupar todo o volume do vaso �Um corpo que se resfria �Estruturas organizadas como os cristais surgem em função da dispersão de energia �« A desordem explica as transformações de energia em todas as formas » passagem da ordem para a desordem? como medir essa dispersao de energia que ocorre num sistema? � Permite medir a desordem molecular de um sistema � Permite identificar as mudanças espontâneas dentre as mudanças permitidas � A entropia de um sistema isolado aumenta numa mudança espontânea � “a entropia do universo tende a aumentar” • Entropia ∆Stot > 0 En + Tropein O conteúdo de transformação • O trabalho estimula o movimento ordenado da vizinhança: não é levado em conta diretamente no cálculo da entropia. • O calor estimula o movimento aleatório das moléculas nas vizinhanças (aumento de desordem): é base para o calculo da entropia • (transferência reversível de calor: distribuição homogênea de calor através de trocas térmicas da parede condutora) A variação da entropia é inversamente proporcional à temperatura T dqdS rev= ∫=∆ f i rev T dqS � Expansão de Vi a Vf � ∆U=q+w � ∆U=0 (isotérmica) � q=-w . . . Ex. volume de 1,0 mol é duplicado a uma temperatura constante (∆S=+5,76 J K-1) • Cálculo da variação da entropia na expansão isotérmica de um gás perfeito =∆ i f V V nRS ln � Transferência de 100 kJ a 0oC � Transferência de 100 kJ a 100oC � “A variação da entropia é maior na temperatura menor” • Cálculo da variação da entropia na transferência de calor para uma massa grande de água ∆S=+366 J K-1 ∆S=+268 J K-1 � Calcule a variação da entropia quando a pressão de um gás (1,0 mol) cai de 2 a 1 atm a 50oC. Explique o sinal de ΔS. • Cálculo da variação da entropia � Vizinhança: reservatório a volume constante: � dqviz = dUviz � dU é uma diferencial exata (indiferente de ser reversível ou irreversível) � A temperatura da vizinhança é constante para qualquer processo • Variação da entropia da vizinhança T dqdS rev= viz viz viz revviz viz T dq T dq dS == , T qS viz=∆ Calcule a entropia da vizinhança para um processo adiabático � Calcule a variação da entropia das vizinhanças quando se forma 1,00 mol de N2O4(g) a partir de 2,00 mol de NO2(g), nas condições padrão, a 298 K. R: +192 J K-1 Entropia A entropia é uma função de estado Num ciclo termodinâmico, a variação global de uma função de estado é igual a zero (independe do processo). ∫ = 0T dqrev Entropia � Mostrar que a equação é verdadeira para um ciclo especial de um gás perfeito (Ciclo de Carnot) � Mostrar que o resultado é verdadeiro independentemente da substância de trabalho � Mostrar que o resultado é verdadeiro para qualquer ciclo Ciclo de Carnot VA Th Th VB VC VB Th Tc VC VD Tc Tc VATh Tc VD Expansão isotérmica reversível Expansão adiabática reversível Compressão adiabática reversível Compressão isotérmica reversível q h q c Th Tc Ciclo de Carnot 1 Expansão isotérm. rever. a Thqh : calor fornecido ( q > 0 ) 2 adiabática rever. não há troca de calor 3 Compressão isotérm. rever. a Tc qc : calor liberado ( q < 0 ) 4 Compressão adiabática rever. não há troca de calor h h T qS =∆ C C T qS −=∆ 0S =∆ 0S =∆ c h c h c c h h T T q q dS T q T qdS −= = += ∫ ∫ 0 Máquina térmica conversão contínua de calor em trabalho Fonte Quente Th Sumidouro frio Tc M t + 20 - 5 - 15 q h q c W ch qqw −= ∆U = 0 ∆U = W - Q W = Q hq w absorvidocalor efetuadotrabalho ==η h Ch q qq − =η Balanço líquido de quantidade de calor Eficiência η hq w absorvidocalor efetuadotrabalho ==η Quantidade de trabalho obtida por quantidade de calor absorvido como h Ch h C h C h Ch T TT T T1 q q1 q qq − =−=−= − =η h ch T TT − =η ch qqw −= Eficiência η “Todas as máquinas reversíveis têm a mesma eficiência.” Se A fosse mais eficiente que B, o calor do reservatório seria usado para realizar trabalho em B e sua temperatura não se alteraria, logo, contrariando o enunciado de Kelvin (conversão total de calor em trabalho) h ch T TT − =η Todas as máquinas reversíveis têm a mesma eficiência, qualquer que seja o seu modo de operar Um ciclo reversível qualquer pode ser dividido em pequenos ciclos de Carnot. Como a variação de entropia em cada ciclo de Carnot é nula, a integral da entropia sobre o ciclo original é nula A Temperatura Termodinâmica � Logo, � Máquina que tem uma temperatura conhecida da fonte quente e o sumidouro frio é o objeto de interesse. � Ex. ponto triplo da água (273,16 K) como fonte quente. Se a eficiência é 0,20; a temperatura do sumidouro frio é: 0,80 X 273,15 K = 220 K (independentemente da substância de trabalho da máquina). h ch T TT − =η )1( η−= hc TT A desigualdadede Clausius � Compatibilidade da entropia com a segunda lei � dwrev> dw � Trabalho efetuado: -dwrev>-dw dw-dwrev≥0 � A energia interna é uma função de estado, logo � dU=dq+dw=dqrev+dwrev dqrev-dq=dw-dwrev≥0 dqrev≥dq dqrev/T≥dq/T Logo, T dqdS ≥ Desigualdade de Clausius Entropia e espontaneidade Diminuição da entropia Aumento da entropia Fonte quente Sumidouro frio dq dqdS = / Tsup<0 dqdS = / Tinf>0 Tinf Tsup como Tinf ≤ Tsup dS ≥ 0 processo espontâneo Equilíbrio quando Tsup = Tinf −=−= supinfsupinf T 1 T 1dq T dq T dqdS 0 T 1 T 1 supinf ≥− Máquina frigorífica A variação de entropia na fonte fria é muito maior que a variação de entropia no sumidouro quente, logo esse não seria um processo espontâneo. No entanto, se aplicarmos trabalho na maquina, isso equalizaria as variações de entropia. Sumidouro quente Th Fonte Fria Tc M f q h q c Máquina frigorífica Transferência de calor (qC) da fonte fria (TC) para o sumidouro quente (Th) a custa do consumo de um trabalho (w). Este trabalho é dissipado sob forma de calor (w + qc = qh), sendo qh é transferido para o sumidouro quente. Sumidouro quente Th Fonte Fria Tc M f q h q c W trabalhocomoatransferidenergia calorcomoatransferidenergiadesempenhodeecoeficient = Ch CC qq q w q c − == Ch C TT T c − = Máquina frigorífica Calcule o trabalho mínimo fornecido para um refrigerador que retira calor da água na temperatura de 273 K, num ambiente de 293 K para congelar cerca de 30 g de água (energia retirada de ~10 kJ). Ch CC qq q w q c − == Ch C TT T c − = Variação de entropia em alguns processos � Expansão isotérmica: � Como S é uma função de estado, o valor de ∆S independe do processo (para processos reversíveis e irreversíveis) =∆ i f V V nRS ln −=−==∆ i frevviz viz V V nR T q T qS ln Variação de entropia em alguns processos � Expansão isotérmica: � Para um processo reversível, ∆ST=0 � Para expansão isotérmica livre: w=0 e q=0 (∆U=0), logo • ∆S>0 para processo irreversível. 0=∆ vizS =∆ i f T V V nRS ln Variação de Entropia de Alguns Processos � ∆S em uma transição de fase na Ttrs � Qualquer transição de fase é acompanhada por modificação da ordem molecular; � Grau de dispersão e energia da matéria mudam na transição por ex. na vaporização, a entropia aumenta. � Logo há variação de entropia; � Sistema e vizinhanças na Ttrs: � Qualquer transferência de “q” é reversível pois as fases estão em equilíbrio; � A p=cte → q = ∆Htrs tr tr tr T HS ∆=∆ Variação de Entropia de Alguns Processos � ∆S em uma transição de fase na Ttrs � Transição exotérmica (∆TrH<0) → ∆TrS<0 � A variação da entropia das vizinhanças é positiva e a variação total é nula. � Ex. congelamento e condensação. � Transição endotérmica (∆TrH>0) → ∆TrS>0 � Ex. vaporização e fusão � A variação da entropia das vizinhanças é negativa e a variação total é nula. 39 REGRA DE TROUTON Substância ∆Svap(JK-1mol-1) Benzeno 87,2 Tetracloreto de carbono 85,8 Ciclo-hexano 85,1 Sulfeto de hidrogênio 87,9 Metano 73,2 Água 109,1 ∆S0vap de líquidos são aproximadamente iguais a 85 J K-1 mol-1 Calcule a entalpia molar de vaporização do Br2 conhecendo o seu ponto de ebulição normal (59,2oC). R:28 kJ mol-1 (experimental: 29,45 kJ mol-1) Desvios para moléculas leves ou com forças intermoleculares fortes Variação de Entropia de Alguns Processos � Aquecimento � Cálculo da variação da entropia a partir do calor trocado para provocar uma variação da temperatura, conhecendo-se a entropia inicial � A pressão constante (Cp constante no intervalo considerado) ∫+= Tf Ti rev if T dqTSTS )()( ∫+= Tf Ti p if T dTC TSTS )()( i f pif T T CTSTS ln)()( += Qual é a variação de entropia do Ar, que está inicialmente a 25ºC e 1,00 atm, num vaso com 500 cm3 de volume e se expande até o volume de 1000 cm3 e é simultaneamente aquecido até 100ºC? R: +0,17 J K-1. dados: Cv,m = (3/2)R R = 8,314 J K-1 mol-1 Em um sistema cilíndrico de seção reta uniforme de 10,0 cm2 com um pistão móvel, uma amostra de 2,0 mol de CO2(g), a 25oC e 10,0 atm se expande adiabaticamente contra uma pressão externa de 1,0 atm até que o pistão se desloque 20,0 cm. Admita o comportamento de um gás perfeito para o CO2. Calcule q, w, ΔU, ΔT e ΔS. (Cv,m=28,8 J K-1 mol-1) � A medida de entropia de um processo global pode ser calculada por: � Todas as grandezas acima podem ser medidas calorimetricamente, exceto S(0); ( ) ( ) ( ) 0 ( ) (0) f eb f eb T T Tp s fus p l vap p g T Tf eb c dT H c dT H c dT S T S T T T T T ∆ ∆ = + + + + +∫ ∫ ∫ Variação de Entropia de Alguns Processos � As integrais podem ser calculadas graficamente ou analiticamente através de ajustes de polinômios aos dados da integração analítica; � Há uma séria limitação de medir a capacidade calorífica nas proximidades de T=0: � Para isto, usa-se a aproximação de Debye: 3 pc Tα A capacidade calorífica é proporcional a T3 3 pc aT= Variação de Entropia de Alguns Processos A entropia estatística � Segundo a distribuição de Boltzmann, átomos ou moléculas somente podem possuir certos valores de energia de acordo com seus níveis de energia � Em T>0, há distribuição de energia nos níveis disponíveis. � Mantendo-se a energia total constante, há um número de microestados W, as maneiras pelas quais as moléculas do sistema podem ser distribuídas. WkS ln= k=constante de Boltzmann=1,381 X 10-23 J K-1 A Terceira Lei da Termodinâmica � Em T=0 para um cristal perfeito, a ausência de movimento térmico e a uniformidade e a regularidade da localização da matéria sugere, que a entropia da substância seja nula. (ln1=0) � Teorema do Calor de Nernst � Em T=0→ S=0 “A variação de entropia de qualquer transformação física ou química tende a zero quando a temperatura tende a zero” � Ex. do enxofre α e β. “Se a entropia de qualquer elemento, na sua forma mais estável em T=0, for tomada como nula, então toda substância tem uma entropia positiva que, em T=0, pode ser nula e é realmente nula para todas as substâncias cristalinas perfeitas, elementares ou compostas” “Se há degenerescência do ponto de vista energético, ex. ordenamento ABABAB e BAABBA com mesma energia, há uma entropia residual mesmo em T=0. A Terceira Lei da Termodinâmica Entropias da Terceira Lei � S(0)=0 Entropias da Terceira Lei � No estado padrão Sθ(T), sendo que: � No caso de íons, Sθ(H+ aq)=0 � Íons menores e com cargas elevadas→ maior ordenamento→menor entropia ∑∑ −=∆ reagentes m produtos mr SSS θθθ νν As Energias de Helmholtz e de Gibbs � Sistema em equilíbrio térmico com suas vizinhanças em T: � Se a transformação ocorre a V = cte � Se a transformação ocorre a p = cte 0− ≥dqdS T As Energias de Helmholtz e de Gibbs � A volume constante: � Se U e V são constantes: � Se S e V do sistema são constantes: “Critérios para espontaneidade!” 0≥− T dqdS 0≥− T dUdS 0≥dS 0≤dU 52 As Energias de Helmholtz e de Gibbs � A pressão constante: � Se H e T são constantes: � Se S e T do sistema são constantes: Forma mais usual da segunda lei. A entropia do universo (sistema+ vizinhanças) aumenta ou é igual a zero (espontaneidade ou equilíbrio). 0≥− T dqdS 0≥− T dHdS 0≥dS 0≤dH � Energia de Helmhotz (A) A = U –TS � Energia de Gibbs (G)G = H –TS � Em alterações infinitesimais isotérmicas: dA = dU – TdS dAT,V≤0 dG = dH – TdS dGT,p≤0 53 Mias duas Funções Termodinâmicas Trabalho Máximo dwmax=dA � “a variação da energia de Helmholtz é igual ao trabalho máximo associado a um processo a temperatura constante” � Para uma variação macroscópica: wmax= ∆ A ∆ A=∆U-T∆S Trabalho Máximo dwmax=dA � Utilizando a desigualdade de Clausius e a Primeira Lei, mostre que dwmax=dA (wmax=wrev) Trabalho Máximo Quando se oxida 1,00 mol de glicose a CO2 e H2O, a 25ºC de acordo com a equação: C6H12O6(s) + 6 O2(g) → 6 CO2(g) + 6 H2O(l), as medições calorimétricas dão ∆Uº = - 2808 kJ mol-1 e ∆Sº = 259,1 J K-1 mol-1. Que energia é possível aproveitar (a) na forma de calor a p = cte? (b) na forma de trabalho? R: ∆H=-2808 kJ w=-2885 kJ Trabalho Máximo Diferente do de Expansão dwe,max=dG � “a variação da energia de Gibbs é igual ao trabalho extra máximo associado a um processo a temperatura constante” � Para uma variação macroscópica: We,max= ∆ G ∆ G=∆H-T∆S dwe,max=dG � Utilizando a definição de entalpia (H = U + pV) e da energia de Gibbs (G=H-TS), mostre a igualdade acima para um processo a pressão e temperatura constantes. Trabalho Máximo Diferente do de Expansão 59 Trabalho Máximo Diferente do de Expansão Qual a energia disponível para sustentar a atividade muscular e nervosa na combustão de 1,00 mol de moléculas de glicose nas condições normais, a 37ºC? A variação entropia padrão da reação é 259,1 J K-1 mol-1? Dados: ∆rHθ=-2808 kJ R: -2888 kJ Energia de Gibbs padrão de reação � No caso de reações: � Ou ainda: � No caso de íons, ∆Gθ(H+, aq)=0 ∑∑ ∆−∆=∆ reagentes f produtos fr GGG θθθ νν θθθ STHG rrr ∆−∆=∆ A capacidade calorífica de um certo sólido a pressão constante, a 4,2 K, é 0,43 J K-1 mol-1. Qual a entropia molar do sólido nesta T? Calcule a variação de entropia- padrão da reação de combustão do metano, a 25oC. (R:-243 J K-1 mol- 1)