Prévia do material em texto
PROCEDIMENTO OPERACIONAL PADRÃO Um Procedimento Operacional Padrão é um documento que descreve as operações regularmente recorrentes e relevantes para a qualidade da investigação. É uma descrição detalhada de todas as operações necessárias para a realização de uma tarefa, ou seja, é um roteiro padronizado para realizar uma atividade. O objetivo de um POP é realizar as operações corretamente e sempre da mesma maneira. Um POP deve estar disponível no local onde o trabalho será feito Este procedimento operacional padrão (POP) descreve os procedimentos, os critérios e os requisitos mínimos para a realização do exame de urina no laboratório clínico para que os profissionais estabeleçam e apliquem diretrizes padronizadas na execução do processo, afim de evitar não conformidades na elaboração dos laudos. COLETA DO PACIENTE Coleta Feminina: Lavar as mãos; Sentar no vaso sanitário com as pernas afastadas; Fazer assepsia no local com água e sabão de frente pra traz; Enxaguar com abundancia; Secar com gase ou toalha limpa; Logo após destampar o frasco estéril ; Com uma das mãos afastar os grandes lábios e com a outra segurar o frasco já destampado; Desprezar o primeiro jato de urina no vaso ; Colher a porção média no frasco estéril, urinando em jato para que a urina não escorra na região genital ; Desprezar o restante da micção; Tampar o frasco imediatamente. Coleta Masculina: Fazer assepsia das mãos; Em seguida, retrair o prepúcio Lavar com água e sabão ; Enxaguar com abundância; Secar com gase ou toalha limpa; Destampar o frasco estéril com uma das mãos desprezar o primeiro jato de urina no vaso; Colher a porção média no frasco estéril, urinando em jato para que a urina não escorra na região genital ; Desprezar o restante da micção; Tampar o frasco imediatamente. Criança: Orientações para utilização do coletor adesivo: Realizar higiene na região perineal da criança , adaptando o coletor de acordo com o sexo ; Se a criança demorar muito para urinar é necessário realizar a troca do coletor (a cada 30 minutos), procedendo à nova higiene; Se por ventura a criança e vacuar simultaneamente, desprezar o material, e realizar nova higiene colocando novo coletor ; A melhor forma de colher sempre que possível é no laboratório, devido os cuidados especiais com assepsia que em casa não teriam o mesmo procedimento. NOTA: A não realização da assepsia pode causar interferência no resultado de seu exame. TRIAGEM Pegar o recipiente e identificar com o nome completo do paciente, data hora, o tipo de amostra colhida ; Entregar o protocolo com a data do resultado do exame; Manipular com luva os materiais coletados ETAPAS PARA SEGUIR NO LABORATÓRIO: Materiais: Pipeta Ponteira Centrífuga Lamínula Câmara de Neubauer Lâmina microscopia Luva Papel toalha Microscópio óptico Amostra coletada Tubo de ensaio Reagente: Tiras reativas. Coleta e tratamento da amostra: A higienização deverá ser realizada com sabão neutro; Secar o local com papel ou toalha limpa; Colher preferencialmente a primeira urina da manhã, ou dar um intervalo mínimo de 4 horas após a última micção; Desprezar o primeiro jato (para limpar o canal uretral, retira do células mortas) ; Colher jato médio 30 a 50 ml de urina em frasco próprio (oferecido pelo laboratório ou adquirido em farmácia), limpo e seco, de boca larga; O material coletado deverá ser analisado em até 2hrs, se mantido em temperatura ambiente ou em 24hrs, se mantido sob refrigeração (2-8ºC); Ao levar para o laboratório, coloque o pote de urina dentro de uma caixa térmica, isso evita que contamine a urina; A amostra não deve ser congelada, pois o congelamento destrói os elementos figurados e ocorre turvação ao descongelar ; Para coleta de urina em mulheres, recomenda -se abstinência sexual de pelo menos 24 horas e em mulheres menstruadas (em caso de urgência) usar tampão vaginal depois da lavagem, para não contaminar a urina com sangue ; O ideal seria coletar a urina de 3 a 5 dias após o término do sangramento menstrual. PROCEDIMENTO DETALHADO Procedimentos para URINA TIPO I 1 - Quando o material chega ao laboratório, este é recebido na triagem, e etiquetado com hora, data e nome completo; 2 - Homogeneizar bem a urina no próprio coletor com movimentos rotatórios e transferir para tubo de ensaio, um volume de 10 ml; 3 - Mergulhar a tira e retira-la imediatamente, retirando o excesso de urina com o papel toalha; 4 - Fazer a leitura da tira; 5 - Após a leitura, centrifugar a 1500 – 2000 RPM por 5 minutos; 6 - Retirar 9,0 ml do sobrenadante, com cuidado para não ressuspender o sedimento, deixando um volume de 1,0 ml no tubo; 7 - Ressuspender o sedimento com leves batidas no fundo do tubo; 8-Tirar um pouco de amostra com uma pipeta, e inserir entre lâmina e lamínula e prossegui r co m a leitura. 9 - O equipamento faz a análise físico-química da urina, conforme manual do equipamento, e os resultados. 10 - Todas as amostras serão conferidas manualmente por microscopia. EXAMES FÍSICOS A análise macroscópica da urina deve ser realizada antes de ser processada. Atualmente, a segunda etapa do exame de urina é constituído da observação de características físicas como cor, odor, aspecto ou transparência, depósito e densidade. Cor: Amarelo claro: Urina diluída (diabetes, consumo excessivo) ; Amarelo ouro: Urina normal; Âmbar: Urina concentrada, pigmentos de bilirrubina; Marrom: Bilirrubina, hemoglobina e meta hemoglobina; Verde: Bilirrubina oxidada, azul de metileno, medicações; Vermelho/rosa : Porfirinas, mioglobina, hemoglobina, medicações; Laranja: Medicações; Preta: Melanina e ácido homogentísico. Aspecto/Turbidez: Pode ser influenciada pela concentração urinaria. (Leucócitos, eritrócitos, cristais, bactérias, muco, lipídeos e materiais contaminantes podem aumentar a turbidez da amostra). Transparente/Límpido; Semi-turvo; Turvo/Opaco; Leitoso. EXAMES QUÍMICOS O exame químico da urina é a terceira etapa do exame de urina, sendo, atualmente, realizadas através de tiras reagentes que são tiras plásticas nas quais se encontram fixadas diferentes áreas reagentes. A realização do exame químico através das tiras reagentes pode oferecer informações sobre a função hepática, renal, metabolismo de carboidratos, infecções do trato urinário e até mesmo sobre o equilíbrio ácido-básico. É importante ressaltar que estas avaliações são de certo modo apenas superficiais, necessitando exames complementares serem realizados a fim de permitir avaliação mais precisa e mais sensível. FITAS REAGENTES Técnica: Ambiente bem iluminado Homogeneizar bem a urina não centrifugada Submergir completamente todas as áreas da fita Retirar a fita imediatamente de dentro do recipiente Eliminar o excesso de urina em papel absorvente Aguardar o tempo recomendado para a reação Fazer a leitura de acordo com orientação do fabricante Leitura: pH: Papel na regulação do equilíbrio ácido básico Detecção de possíveis distúrbios eletrolíticos sistêmicos de origem metabólica ou respiratória. Valores de referência: 5,5 a 6,5 Densidade: Propriedade física Avaliação da capacidade renal de reabsorção e concentração. Estimação indireta da gravidade específica Apenas solutos iônicos Valores de referência: 1015 a 1025. Valores próximos a 1000: Confirmar por outro método Proteínas: Quantidade normal diária Proteinúria: Indicador de doença renal Valores de referência: Negativo Quando positivo: expresso em + a ++++ ou em mg/dL. Fazer teste confirmatório em todas as urinas Fita reagente: Albumina Precipitação:Globulinas, hemoglobina, mioglobina, Bence-Jones, mucoproteínas Falso positivo: Urinas alcalinas, densidade, desinfetantes Falso negativo: Preservativos ácidos (ác. Bórico) Glicose: Avaliação de Diabetes Mellitus, e distúrbios de reabsorção tubular. Valores de referência: Negativo. Quando positivo pode serliberado em + a ++++ ou mg/dL. Discrepâncias entre resultados sanguíneos e urina Falso-negativos: Densidade, refrigeração, cetonas Falsos-positivos: Agentes oxidantes,Vit. C Tempo de formação da urina, lesões tubulares Cetonas: Avaliação de Diabetes Mellitus (cetoacidose), jejum prolongado. Valores de referência: negativo. Quando positivo expresso por : + a ++++ ou mg/dL Traços, pequena, moderada e grande quantidade Fita positiva sem diabetes: Dieta rica em proteínas e pobre em carbohidratos, dieta cetogênica, medic ações Fita negativa em pacientes com aparente cetoacidose: Lembrar a volatilidade dos corpos cetônicos, o exa me deve ser realizao o mais rápido possível Sangue: Detecção e avaliação das hematúrias. Valores de referência: negativo. Quando positivo, liberado em traços, pequena, moderada ou grande quantidade ou de + a +++. Fita positiva e sedimento negativo: Lise, peroxidases microbianas, agentes oxidantes, mioglobina, hemoglobina Fita negativa e sedimento positivo: Ácido ascórbico, oxalato, leveduras, captopril, densidade, hipocromia Bilirrubina: Indicação precoce de hepatopatias. Valores de referência: negativo Quando positivo deve ser liberado em + a +++ ou pequena, moderada ou grande quantidade. Realizar testes confirmatórios (reação de Fouchet). Fita negativa na presença de icterícia:Demora na realização do exame, aumento da BI, Aumento da conc. Vit. C, carotenemia Fita positiva sem icterícia: Excreção rápida da bilirrubina, antes do aparecimento clínico, uso de medicações Urobilinogênio: Avaliação de distúrbios hepáticos e hemolíticos. Valores de referência: < 1mg/dL. Quando positivo liberar em mg/dL. Realizar teste confirmatório (reação de Ehrlich). Nitrito: Avaliação de processos infecciosos do trato urinário (ITU). Valores de referência: negativo. Fatores que interferem na detecção Esterases de leucócitos: Avaliação de processos infecciosos e inflamatórios do trato urinário (ITU). Pode ocorrer com ou sem bacteriuria Valores de referência: negativo. Quando positivo liberar em + a +++ ou traços, pequena, moderada ou grande quantidade. Fita positiva e sedimento negativo: Urinas alcalinas e diluidas, provocando lise dos leucócitos,medicações. Fita negativa e sedimento positivo: Leucócitos granulócitos? Glicose, proteinas e densidade elevados BIBLIOGRAFIA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 15268: Laboratório clínico – Requisitos e recomendações para o exame de urina FISCHBASH Frances. Manual de enfermagem: exames laboratoriais e diagnósticos. 6ª. Edição. EDITORA GUANABARA, 2002. http://www.hupe.uerj.br/hupe/Administracao/AD_coordenacao/AD_Coorden_public/POP%20CDC%20047.COLETA%20DE%20URINA%20PARA%20EAS.pdf https://labtest.com.br/wp-content/uploads/2016/09/Infotec_Tira_de_Urina.pdf CENTRO UNIVERSITÁRIO MONTE SERRAT POP: COLETA E ANÁLISE DE URINA Gabriela Souza 51610115 SANTOS MARÇO/2018