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Anemia Infecciosa Equina

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Anemia Infecciosa Equina
Equine Infectious Anemia
Camila Angela Marques¹, Guilherme Gomes Barbosa², Mayana de Bessa Dal Col³, Rayssa Casale Mezadri4, Roberto Romeu de Souza5
RESUMO
 Este estudo teve como objetivo apresentar as características, controle, prevenção e exames relacionados a doença Anemia Infecciosa Equina (AIE), causada pelo retrovírus, sendo uma enfermidade infectocontagiosa causada por um RNA vírus, caracterizada, principalmente, por períodos febris e anemias, que se manifestam de forma intermitente, sem tendência à cura. É encontrado em quase todos os países do mundo e sua frequência tem aumentado a cada dia. O agente é transmitido primariamente por picadas de tabanídeos (Tabanus sp.) e moscas dos estábulos (Stomoxys calcitrans) sendo estes apenas vetores mecânicos. Os principais reservatórios da enfermidade são os portadores inaparentes do vírus, principalmente em tropas que não sofrem monitoramento sorológico periódico. A transmissão é mais comum nas épocas mais quentes do ano e em regiões úmidas e pantanosas. As medidas de controle para limitar a disseminação do vírus se baseiam principalmente em testes sorológicos de rotina e na remoção dos animais reagentes do plantel, além da restrição ao deslocamento de animais, do teste dos novos animais a serem introduzidos nas tropas, do controle da população de vetores e do não compartilhamento de seringas, agulhas e outros utensílios que possam ser veículo de células infectadas. No Brasil, os animais positivos no teste de IDGA devem ser sacrificados, conforme estabelecido pelo Programa Nacional de Sanidade dos Equídeos do Ministério da Agricultura.
Palavras-Chave: AIE, equinos, transmissão, controle.
ABSTRACT
 This study aimed to present the features, control, prevention and tests related to disease Equine Infectious Anemia (EIA), caused by retroviruses, and an infectious disease caused by an RNA virus, characterized mainly by febrile periods and anemia, that appear intermittently, with no tendency to healing. It is found in almost every country in the world and its frequency is increasing every day. The agent is transmitted primarily by bites of horseflies (Tabanus sp.) And the stable fly (Stomoxys calcitrans) and these only mechanical vectors. The main reservoirs of the disease are unapparent carriers of the virus, mainly in troops who do not have serologic periodic monitoring. Transmission is more common in warmer seasons and in damp and marshy areas. Control measures to limit the spread of the virus are mainly based on routine serological testing and removal of reagents squad animals, as well as restrictions to the movement of animals, testing of new animals to be introduced in the troops, population control Vectors and not sharing syringes, needles and other appliances that may be infected carrier cells. In Brazil, the positive animal in the AGID test must be sacrificed, as established by the Health National Program of Equine do Ministério of Agriculture. 
Keywords: IEA, horses, transmission, control.
INTRODUÇÃO
 A anemia infecciosa equina (AIE) é uma infecção potencialmente fatal que afeta os equídeos. O EIAV (equine infectious anemia vírus) e mais um membro do gênero Lentivírus. Foram reações sorológicas cruzadas, observadas entre os soros dos equinos infectados e a proteína do capsídeo do HIV, que levaram Montagnier e colaboradores a relacionar o vírus que havia sido recentemente isolado com os Lentivirus. A anemia infecciosa equina foi inicialmente descrita em 1843, na França, e sua etiologia viral foi determinada em 1904, por Vallée e Carré (EDUARDO FURTADO FLORES 2007). 
 O vírus da AIE, também conhecida como febre dos pântanos e AIDS equina é transmitido por meio de sangue de um animal infectado, através da picada de mutucas e das moscas do estábulo, podendo ocorrer também através do uso compartilhado de matérias contaminado como agulhas, instrumentos cirúrgicos, groza dentária, sondas esofágica, trocáter, aparadores de casco, arreios, esporas e outro fômites contaminados. É possível a transmissão através da placenta, colostro e do acasalamento (THOMASSIAN 2005). (artigo REVISTA CIENTÍFICA ELETRÔNICA DE MEDICINA VETERINÁRIA)
 Hoje AIE é um grande obstáculo para o desenvolvimento da equideocultura, por ser uma doença transmissível e incurável, acarretando prejuízos aos proprietários que necessitam do trabalho desses animais e aos criadores interessados na melhoria das raças, além de impedir o acesso ao mercado internacional. A legislação brasileira de saúde animal considera a AIE como notificação obrigatória, devendo o médico veterinário comunicar aos órgãos de defesa animal qualquer eqüino positivo para essa enfermidade. O animal infectado é o principal elemento na disseminação, e sua identificação no “teste de coggins” é o ponto de partida para qualquer ação preventiva. Os proprietários devem estar conscientes da importância da prevenção desta enfermidade, pois pode acarretar grandes perdas econômicas, além das perdas afetivas (ALMEIDA 2008). (artigo REVISTA CIENTÍFICA ELETRÔNICA DE MEDICINA VETERINÁRIA)
CARACTERISTICA DO AGENTE ETIOLOGICO 
 O vírus pertence à família Retroviridae, gênero Lentivirus. O nome da família se deve à presença da enzima transcriptase reversa, no vírion e que está codificada no genoma viral. Esta enzima transcreve em DNA o RNA viral, dando origem a sequência genética diplóide circular (o DNA proviral), que se integra ao DNA cromossômico da célula infectada. Esta integração ocorre por ação da enzima integrase viral. São vírus envelopados, de 80-100nm de diâmetro, com estrutura única de tripla camada: a mais interna é o complexo de nucleoproteínas genômicas, que inclui por volta de 30 moléculas de transcriptase reversa, com simetria helicoidal; esta é envolvida por um capsídeo icosaédrico de aproximadamente 60nm de diâmetro, que por sua vez é recoberto por envelope derivado da membrana celular hospedeira, no qual se projetam peplômeros glicoproteicos.
O genoma viral é diplóide, composto por um dímero invertido de moléculas de RNA fita simples em sentido positivo, e cada monômero tem 7-11pb. Os Lentivirus (do latim lentus = lento) causam doenças com longo período de incubação e curso insidioso prolongado.
Os retrovírus são inativados por solventes lipídicos, detergentes e pelo aquecimento a 56ºC por 30 minutos. Porém, são mais resistentes à radiação UV e X do que outros vírus, provavelmente devido ao seu genoma diplóide.( ANEMIA INFECCIOSA EQUINA Marília Masello Junqueira Franco1Antônio Carlos Paes2)
EPIDEMIOLOGIA 
A infecção por AIE apresenta distribuição mundial, com maior ocorrência em áreas tropicais ou subtropicais pantanosas e que apresentam populações numerosas de vetores artrópodes- moscas, tabanídeos e mosquitos. Em áreas endêmicas, a prevalência pode atingir 70% dos animais adultos. Estudos sorológicos em vários estados brasileiros, como o Pará, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Goiás e Rio Grande do Sul, demonstraram a presença de AIE na população equina do país. Em geral, os níveis de prevalência são moderados a altos em regiões com populações numerosas e permanentes dos insetos vetores.
Os hospedeiros naturais são os equinos e, até o presente, não foi demonstrada infecção natural de outras espécies. A principal forma de transmissão é pela picada de insetos hematófagos- sobretudo tabanídeos- que exercem o papel de vetores mecânicos, carregando o vírus na probóscide. A transmissão é mais frequente em áreas de grandes infestações de insetos e com grande concentração de animais. A picada do inseto estimula um reflexo defensivo dos animais, o que frequentemente resulta na interrupção do repasto sanguíneo. Esses insetos procuram reiniciar o repasto com maior brevidade, frequentemente o fazendo em animais que se encontram nas proximidades e, com isso, transmitindo o agente.
O homem também pode desempenhar um papel epidemiológico na transmissão do AIE entre os amimais, pela utilização