Resumo Direitos Fundamentais
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Resumo Direitos Fundamentais


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Direitos Fundamentais \u2013 Livro:
Considerações iniciais:
*Os Direitos humanos Fundamentais servem de parâmetro de aferição do grau de democracia de uma sociedade. Não se pode falar em democracia sem o reconhecimento e proteção dos direitos fundamentais.
*Os Direitos fundamentais tem um papel decisivo na sociedade, visto que é por meio deles que se avalia a legitimação de todos os poderes sociais, políticos e individuais.
*Os Direitos fundamentais reduzem acentuadamente a discricionariedade dos poderes constituídos, impondo-lhes deveres de ABSTENÇÃO (não dispor contra eles) e de ATUAÇÃO (dispor para efetiva-los).
Delimitação terminológica e conceitual dos Direitos fundamentais:
*Não há um consenso doutrinário no terreno terminológico e conceitual dos direitos fundamentais, visto que há uma continua e progressiva ampliação e transformação histórica dos direitos fundamentais ao longo do tempo.
*É muito comum, tanto na doutrina como na jurisprudência o uso de expressões como \u201cliberdades públicas, direitos individuais, direitos subjetivos, direitos públicos subjetivos, direitos humanos\u201d. Mas a expressão \u201cdireitos fundamentais\u201d é preferida e é a adotada pela Constituição Federal por ser mais abrangente, de modo que compreende todas as outras.
*O termo \u201cdireitos fundamentais\u201d é disposto como gênero e abrange todas as espécies de direitos, sejam eles referentes à liberdade, igualdade, solidariedade, direitos civis individuais e coletivos, direitos sociais, direitos políticos, direitos de nacionalidade, direitos econômicos, e etc.
*A expressão \u201cdireitos do homem\u201d é muito vaga, acaba sendo insuficiente para a sociedade.
*Os Direitos fundamentais vêm sofrendo mutações e assumindo novas dimensões com o envolver da história, conforme exigências específicas de cada momento, o que dificulta uma conceituação material ampla e proveitosa.
*É preciso esclarecer que os Direitos fundamentais não passam de direitos humanos positivados nas constituições estatais.
*Os Direitos fundamentais são direitos que embora possuam raízes no direito natural, não se esgotam nele e não se reduzem a direitos impostos por ele. Há direitos fundamentais conferidos a instituições, pessoas coletivas ou grupos que são criados pelo legislador positivo.
*É preciso encontrar critérios fundamentais que sirvam de vetor para que se consiga identificar na ordem jurídica, os direitos fundamentais, sobretudo os previstos implicitamente na constituição.
*E qual seria o melhor critério para poder identificar e construir um conceito material de direitos fundamentais com relativa precisão? O critério é a dignidade da pessoa humana.
*O principio da dignidade da pessoa humana constitui o critério unificador de todos os direitos fundamentais da pessoa humana, ao quais todos os direitos do homem se reportam, em maior ou menor grau.
*Esse critério não é absoluto nem exclusivo, visto que existem direitos fundamentais também reconhecidos a pessoas jurídicas, o que significa que nem sempre a ideia de dignidade da pessoa humana pode, pelo menos diretamente servir de vetor para a identificação dos direitos fundamentais.
*Então, o principio da dignidade da pessoa humana pode, com efeito, ser tido como critério basilar, mas não exclusivo, para a construção de um conceito material de direitos fundamentais.
*Com base nesse critério podemos conceituar os direitos fundamentais como aquelas posições jurídicas que investem o ser humano de um conjunto de prerrogativas, faculdades, e instituições imprescindíveis a assegurar uma existência digna, livre, igual e fraterna de todas as pessoas.
*Os Direitos fundamentais são \u201cfundamentais\u201d porque sem eles a pessoa humana não se realiza, não convive, e às vezes não sobrevive. 
*Os Direitos fundamentais possuem duplo sentido, além de serem essenciais ao homem e a sua convivência na sociedade, também são essenciais para a existência do Estado de Direito. Eles representam os pilares éticos-politico-jurídicos do Estado, fornecendo as bases sobre as quais as ações dos órgãos estatais se desenvolvem.
*Os Direitos fundamentais são princípios jurídicos que concretizam o respeito à dignidade da pessoa humana, seja numa dimensão subjetiva, provendo as pessoas de bens e posições jurídicas favoráveis e invocáveis perante o estado e terceiros, seja numa dimensão objetiva, servindo como parâmetro conformados do modelo de Estado.
*Os Direitos fundamentais buscam resguardar o homem na sua liberdade (direitos individuais), nas suas necessidades (direitos sociais, econômicos e culturais), e na sua preservação (fraternidade e solidariedade).
*Alguns Direitos, mesmo não estando expressos na constituição, podem ser considerados fundamentais na sua materialidade, ou seja, no seu conteúdo.
*Os Direitos fundamentais representam a base de legitimação e justificação do Estado e do sistema jurídico nacional, na medida em que vinculam, como normas que são, toda atuação estatal, impondo-se lhe o dever arrogante de proteger a vida humana no seu nível atual de dignidade, buscando realizar, em ultima instancia, a felicidade humana.
*Direitos fundamentais: dignidade da pessoa humana, base estatal, e em alguns casos, pessoas jurídicas.
Teoria dos 4 status de Jellinek e funções dos Direitos fundamentais:
*De acordo com a teoria dos \u201c4 status de Jellinek\u201d, todo individuo, além de sua esfera privada de atuação, pode fazer parte de uma esfera pública enquanto membro da comunidade politica, dependendo apenas do reconhecimento estatal. Assim, enquanto membro dessa comunidade vincula-se ao Estado, adquirindo daí a personalidade e relacionando-se com este por quatro espécies de situações jurídicas, seja como sujeito de deveres, seja como titular de direitos.
Status passivo:
*Pelo status passivo, o individuo estaria subordinado aos poderes estatais, sujeito a um conjunto de DEVERES e não de direitos.
*O Estado, nessa relação, tem o poder de vincular juridicamente o individuo por meio de ordens e proibições.
*O status passivo na verdade não contempla nenhum direito, mas sim obrigações.
Status negativo:
*Pelo status negativo, ao individuo é reconhecido, por ser dotado de personalidade, uma esfera individual de liberdade imune à intervenção estatal.
*O individuo aproveita de um poder juridicamente delimitado no qual o Estado não pode interferir, salvo para garantir o exercício do próprio direito. 
*Cuida-se de liberdades asseguradas em face do Estado, comportando uma situação negativa ou de garantia frente à intromissão estatal em determinadas matérias.
*O individuo titulariza direitos de defesa em face do Estado, em virtude dos quais ele pode, quando se sentir ameaçado ou prejudicado por entes estatais, repelir a intervenção ilegítima destes no âmbito da sua autonomia individual garantida por lei.
*O status negativo deve ser compreendido, atualmente, como aquele contemplado e conformado pela própria constituição e assegurado por ela, contra todos os poderes constituídos, inclusive o legislativo.
Status positivo:
*Pelo status positivo, ao individuo são franqueadas as instituições estatais para exigir do próprio estado determinadas prestações positivas que possibilitem a satisfação de certas necessidades.
*Trata-se de uma situação positiva, da qual derivam autênticos direitos públicos subjetivos.
*O individuo pode exigir prestações do Estado para suprir suas necessidades.
Status ativo:
*Pelo status ativo, assegura-se ao individuo a possibilidade de participar ativamente da formação da vontade politica estatal, como membro da comunidade politica.
*Refere-se a uma situação ativa, na qual o cidadão desfruta de direitos políticos.
*Ex: por meio do voto.
*No status ativo o sujeito tem o direito de participar da vida politica da sua comunidade.
*Em suma, com base na teoria clássica de Jellinek, os Direitos fundamentais correspondem a esses status, desempenhando funções distintas.
*A teoria corresponde, de certo modo, ao processo histórico de emancipação humana. No inicio, os homens conquistam a liberdade e passam da condição de mero