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Cristalografia e Mineralogia
Classificação dos minerais
Classes dos Silicatos
Prof. MSc Yuri Ribeiro
SilicatosII
Cristalografia e Mineralogia –
Inossilicatos, Filossilicatos, Tectossilicatos
MSc. Yuri Ribeiro
Inossilicatos
•Subclasse caracterizada por tetraedros unidos em cadeias, compartilhando oxigênios com os
tetraedros adjacentes.
•As cadeias podem ser simples ou duplas, quando se unem lado a lado.
Característica e propriedade física
Os cristais crescem mais ao longo das cadeias (eixo Z):
privilegiando hábito prismático;
Apresentam duas direções de clivagem;
Minerais das rochas máfica como basaltos, gabros e
peridotitos;
São minerais de fácil decomposição e ricos em elementos
essenciais para as plantas (Ca e Mg).
Os minerais ocorrem em quase todos os tipos de rochas ígneas e
metamórficas de temperatura média a alta.
Ocupam o segundo lugar na série de cristalização de Bowen e alteram-
se para anfibólios com o decréscimo de temperatura;
Subclasse dos Inossilicatos
Grupo dos Piroxênios (Si
2
O
6
)-4
Fórmula geral: XVIII YVI (Si2O6), X=Ca, Na, Li e Y=Mg, Fe, Al, Mn, Ti
Se apenas cátions com R.I. relativamente pequenos (Y) estiverem presentes, o sistema
cristalino será ortorrômbico (ex.: enstatita Mg2Si2O6) ortopiroxênio.
Se cátions de R.I. maior também estiverem presentes (X e Y) o sistema cristalino será
monoclínico, mudança na cela unitária clinopiroxênios
Apresentam clivagem prismática ruim, que forma ângulos de aproximadamente
90º.
São anidros;
Exemplo de estrutura: Diopsídio
[CaMgSi
2
O
6
]
http://webmineral.com/data/Diopside.shtml
O2- base: ao longo de um plano
Cadeias unidas por cátions bivalentes
Alternância das cadeias de tetraedros
com ápices invertidos, formando sítios
cristalográficos de coordenação
octaédrica (N.C. 6) e cúbica (N.C. 8)
Espodumênio - LiAl(Si2O6)
Rodonita - Mn(SiO3)
Clivagem nos piroxênios
Ligações mais fracas // laterais das
cadeias e entre os ápices clivagem
nas intersecções (~ 87 e 93)
Grupo dos Anfibólios (Si
4
O
11
)-6
Fórmula geral: X2
VIII Y5
VI (Si4O11)2 (OH)2
X = Ca, Na, K Y= Mg, Fe, Al, Mn, Li, Ti
Se apenas cátions com R.I. ~ pequenos (Y) estiverem presentes, o sistema
cristalino será ortorrômbico;
Se cátions de R.I. maior também estiverem presentes (X e Y) o sistema
cristalino será monoclínico, pois haverá deslocamento da cela unitária;
ORTO e CLINO anfibólios
crocidolita
Na2Fe
2+
3,Fe
3+
2Si8O22(OH)2
Dimensões das celas unitárias
Comparação das dimensões
das celas unitárias de um
piroxênio e de um
anfibólio evidencia a
presença de cadeias
duplas
Diopsídio Tremolita
a
9,75 Å
9,86 Å
b
8,90 Å
18,05 Å
c
5,25 Å
5,29 Å
Clivagem em anfibólios
56 e 124
Tremolita-Actinolita - Ca2(Mg,Fe)5(Si8O22)(OH)2
FILOSSILICATOS (FILO=folhas)
Subclasse caracterizada por tetraedros arranjados em camadas. A
relação Si:O é 2:5;
Ligação covalente forte no interior da estrutura;
Possuem hábito tabular a foliáceo e excelente clivagem pinacoidal;
A dureza e a densidade são relativamente baixas;
São hidratados (molécula OH na composição);
São flexíveis ou elásticos;
(Si4O10)
4-
A folha fundamental é a chamada de folha de siloxana, constituída de tetraedros
(SiO4)
4-, onde cada tetraedro reparte três de seus oxigênios, deixando um oxigênio
apical, com uma valência livre.
Como os oxigênios apicais estão voltados para o mesmo lado, a folha de siloxana não
é eletricamente neutra.
Folha de Brucita: é constituída de Mg2+ e (OH)- ligados em coordenação 6, de modo que
o Mg ocupa o centro de um octaedro com vértices de hidroxilas.
Folha de Gibbsita: da qual se diferencia por ter Al3+ no lugar do Mg2+.
Estrutura filossilicatos
O termo argila é empregado em dois sentidos:
granulometricamente: fração mais fina dos sedimentos (diâmetro inferior a 2μm - 1 milionésimo
de metro (1 × 10-6 m);
mineralogicamente: grupo de minerais que são silicatos hidratados de alumínio.
São minerais secundários, resultantes de decomposição de outros silicatos, principalmente
feldspatos e feldspatóides.
Estrutura filossilicatos
Argilominerais: A maioria destes silicatos hidratados de alumínio têm estruturas
acamadadas. Eles são classificados como 1:1 (t-o) ou 2:1 (t-o-t), com alguns cátions entre
camadas.
Plummer et al., Physical Geology 9th edition, McGraw Hill Inc, Fig. 2.19b
Clay minerals: talc, kaolinite, illite, chlorite, montmorillonite
Alta importância no estudo da Pedologia por serem componentes da fração
argila, que afeta todo comportamento físico químico do solo.
Plummer et al., Physical Geology 9th edition, McGraw Hill Inc, Box 02.04.f1
Montmorillonita tem habilidade de expandir muitas vezes o seu volume original
como resultado da incorporação de moléculas de água entre as camadas t-o-t, em
associação com os cátions intercamadas como Na+ e Ca+2
Grupo das Micas
Serpentina Mg3(Si2O5)(OH)4
Caulinita - AI2Si205(0H)4
Cor: branca, podendo ser colorido variável
devido a impurezas.
Hábito: placas rômbicas ou hexagonais,
muito pequenas e finas. Normalmente em
massas argilosas, tanto compactas como friáveis.
Diafaneidade: Opaco
Brilho: geralmente terroso, placas dos cristais são
nacaradas
Dureza: 2 Densidade relativa: 2,6
Clivagem: perfeita {001}
Identificada pela sua cor clara, brilho terroso e
baixa dureza.
Uso: contrução civil e fabricação de porcelana e
cerâmica. É um aditivo para papel, na indústria
da borracha e na manufatura de refratários.
TECTOSSILICATOS (ARRANJO TRIDIMENSIONAL)
Agrupamento tridimensional em que todos os tetraedros
compartilham todos os seus oxigênios, constituindo uma estrutura
tridimensional infinita;
São os minerais mais abundantes da crosta terrestre;
Correspondem a quase ¾ dos componentes das rochas;
Constituem quase a totalidade das rochas ígneas;
Ligação covalente forte no interior da estrutura, dificultando a
clivagem;
GRUPO DA SÍLICA – SiO2
Ocorrem em rochas ígneas, metamórficas e sedimentares;
A estrutura SiO2 é eletricamente neutra;
Existem pelo menos oito modos diferentes segundo os quais os
tetraedros ligados podem compartilhar todos os oxigênios e construir
uma estrutura tridimensional contínua. Esses oito arranjos
geométricos correspondem aos oito polimorfos conhecidos de SiO2;
O Grupo da Sílica reúne:
- polimorfos cristalinos de SiO2 – Quartzo cristalino. É a forma
mais estável de SiO2;
- variedades criptocristalinas – Calcedônia. Apresenta agregado
radial. Variedades mais comuns: Ágata (bandada) e ônix (preta).
variedades amorfas – Opala. É a variedade hidratada de SiO2
(SiO2
.nH2O). É tipicamente amorfa.
Quartzo - SiO2
Calcedônia - SiO2
Opala - SiO2
.nH2O
ACATASSOLAMENTO OU CHATOYANCY
Esta característica é resultante de uma grande quantidade de
inclusões de minerais fibrosos ou de cavidades tubulares dispostas
paralelamente a uma direção cristalográfica.
Grupo dos Feldspatos
Minerais mais abundantes da crosta terrestre;
Ocorrem em rochas ígneas, metamórficas e sedimentares;
Ocorrea substituição parcial do Si pelo Al;
De um modo geral, podem ser considerados soluções sólidas de três
componentes:
Ortoclásio – KAlSi3O8
Albita – NaAlSi3O8
Anortita – CaAl2Si2O8
Apresentam clivagens boas em duas direções (prismáticas) que fazem
entre si ângulos de 90° ou próximos de 90°;
Substituição sólida acoplada
Se, em uma composição A+2X-2 , um cátion B+3 entra para substituir
uma parte de A+2, a neutralidade elétrica é mantida se uma quantidade
idêntica de A+2 é simultaneamente substituída por um cátion C+
NaAlSi308, albita, e CaAl2Si208, anortita
Solução Sólidas
Minerais mais comuns da
crosta terrestre.
Exsolução
Pertita: é a exsolução (separação, desmisturação) de albita na forma
de filetes ou delgadas camadas em um cristal de ortoclásio hospedeiro.
Antipertita: é a exsolução (separação, desmisturação) de ortoclásio na
forma de filetes ou delgadas camadas em um cristal de albita.
Ortoclásio – K(AlSi3O8)
Microclina– K(AlSi3O8)
Plagioclásio (Albita – NaAlSi3O8 e Anortita – CaAl2Si2O8)
Feldspatóides
Grupo semelhantes aos feldspatos proporção de sílica inferior,
caracterizando-os como insaturados em sílica e ricos em álcalis.
Têm estrutura bem espaçosa, em cujos interstícios estão os cátions e
vários espécimes hospedam ânions simples ou complexos. Assim:
na sodalita, o Cl é um constituinte essencial,
CO3 na cancrinita
SO4 na noseana o
e SO4, S e Na na lazurita .
Os feldspatóides podem ser entendidos como derivados dos feldspatos
pela falta de sílica; dessa forma,
a leucita constitui-se pela falta de um tetraedro de SiO4 no ortoclásio, resultando
KAlSi2O6;
a nefelina, pela falta de dois tetraedros de SiO4 na albita, [NaAlSiO4]
a sodalita resulta de três moléculas de nefelina acrescida de uma molécula de NaCl ,
[Na4(AlSiO4)3Cl];
Sodalita – Na8(AlSi4O6Cl2)
Cor: geralmente azul, também branca, cinza,
verde.
Hábito: Maciço, granular, cristais pseudocúbicos
Diafaneidade: Transparente a translúcido.
Brilho: Vítreo
Cristalização: Raros cristais, geralmente
dodecaédricos. Geralmente maciça, em grãos
englobados numa matriz..
Dureza: 5,5-6 Densidade relativa: 2,15-2,3
Clivagem: ruim {011}
Identificada pela sua cor azul, e diferencia-se da
lazurita pela sua ocorrência diversa e ausência
de associação com pirita
Uso: Pode ser usada como gema e mineral
decorativo.
Fonte: sodalite in www.gemdat.org
Grupo das Zeólitas
as zeólitas formam-se na fase hidrotermal de resfriamento
magmático, sendo comumente encontrada preenchendo
fendas, cavidades ou fissuras de rochas magmáticas básicas.
São tectossilicatos de estrutura aberta e sua origem é,
normalmente, secundária
Características da estrutura
• Alto grau de hidratação
• Baixa densidade e grande volume de
vazios quando hidratada
• Propriedades de trocas de cátions
• Canais uniformes e de dimensões
moleculares nos cristais desidratados.
• Capacidade para absorver gases e vapores.
• Propriedades catalíticas
Uso comercial
• Remoção do íon amónio em tratamento
de esgotos, aquacultura;
• Controle de odores;
• Remoção de íons de metais pesados
dos resíduos nucleares, da mineração,
e industriais;
• Aplicações na agricultura, tais como
condicionadores de solos e suplemento
na alimentação de animais
Revise!
KLEIN, C. & DUTROW, B. Manual de Ciência dos Minerais. 23. Ed.
Porto Alegre: Bookman, 2012.
Capítulo 18 Química dos Cristais de Silicatos Formadores de Rocha
Capítulo 19: Descrições Sistemáticas dos Silicatos Formadores de
Rochas
www.handbookofmineralogy.org
http://www.rc.unesp.br/museudpm/banco