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ANUÁRIO 
BRASILEIRO 
DA PESCA E 
AQUICULTURA
2014
1st Brazilian Fishery 
and aquaculture 
yearBook
1º
A S S O C I AC AO C U LT U R A L E E D U C AC I O N A L B R A S I L - AC E B
Realização Patrocínio
A aquicultura brasileira pode sempre contar com o apoio e o conhecimento do Sebrae 
na gestão e desenvolvimento dos pequenos negócios do setor. Procure os especialistas 
do Sebrae no seu estado ou acesse www.sebrae.com.br.
A aquicultura brasileira pode sempre contar com o apoio e o conhecimento do Sebrae 
na gestão e desenvolvimento dos pequenos negócios do setor. Procure os especialistas 
do Sebrae no seu estado ou acesse www.sebrae.com.br.
1º anuário brasileiro de pesca e aquiculturaxx
O brasileiro está acostumado a ouvir que o Brasil é o país do futuro. Desta vez é a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura 
(FAO) que coloca como um dos maiores produtores de 
pescado do mundo, com uma estimativa de 20 milhões de 
toneladas em 2030. Condições naturais para tanto temos 
de sobra: água em abundância (mais de 12% da água doce 
do planeta e uma costa marítima de aproximadamente 8,5 
mil quilômetros), clima e geografia favoráveis e diver-
sificados, rica biodiversidade tanto no mar quanto nos 
rios e lagoas, e uma produção significativa de grãos para 
fabricar ração.
Um estudo da instituição holandesa Rabobank, uma 
das principais financiadoras do agronegócio mundial, 
corrobora com a previsão da FAO. Mas alerta: existem 
obstáculos a superar. Além das já conhecidas deficiências 
estruturais do Brasil, há entraves como a dificuldade 
em obter licenciamento ambiental, que pode custar 
dezenas de milhares de reais e levar mais de cinco anos 
para ser emitido, inviabilizando qualquer iniciativa 
séria de negócio. E a cadeia produtiva também precisa 
ser estruturada e funcionar de forma harmônica. Cabe 
aos governos estabelecer um ambiente favorável ao 
empreendedorismo no ramo. Os empreendedores, por sua 
vez, precisam buscar as melhores práticas e tecnologias e 
nunca deixar de inovar.
Mas, assim como o Brasil saiu de uma situação de 
insegurança alimentar e passou a ser um dos principais 
produtores de alimentos do mundo, é possível 
superar as dificuldades do setor com muita pesquisa, 
desenvolvimento tecnológico e inovação. Se tivéssemos 
prestado atenção às palavras de Pero de Vaz Caminha, 
escritas ao rei D. Manuel I para relatar a chegada ao que 
hoje é nosso país, não teríamos perdido tanto tempo: 
“Águas são muitas; infindas. E em tal maneira é graciosa 
que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo, por bem 
das águas que tem”.
1º ANUÁRIO BRASILEIRO DA PESCA E AQUICULTURA6
1º ANUÁRIO BRASILEIRO 
DA PESCA E AQUICULTURA
EDITORIAL
ASSOCIACAO CULTURAL E 
EDUCACIONAL BRASIL - ACEB
CNPJ: 03.680.305/0001-80
Presidente
Ricardo Bulcão Vianna
1º ANUáRIO BRASILEIRO 
DA pESCA E AqUICULTURA
Coordenador geral
Victor Carlson
Editor-executivo
Alexsandro Vanin
Diagramação e Arte
Luiz Fernando Ferrary
Reportagem
Adão Pinheiro, Alexandre Lenzi, 
Andreia Seganfredo, Beatrice Gonçalves,
 Daniele Martins, Daniel Cardoso,
 Deise Furtado, Fabiana de Liz, 
Fabrício Umpierres, Flávio Cardozo Jr.,
 Karla Santos, Leo Laps, Luciana Zonta,
 Marco Túlio Bruning, Mateus Boing,
 Simone Kafruni e Wendel Martins
Assistente de Redação
Graziela Storto
Tradução
Monique Pfau
Revisão
Sérgio Luiz Meira
Impressão
15 de janeiro de 2014
ASSOCIACAO CULTURAL E EDUCACIONAL BRASIL - ACEB
Patrocínio
2014 xx
1º ANUÁRIO BRASILEIRO DA PESCA E AQUICULTURA8
EDITORIAL
 1ST BRAzILIAN FIShERy AND 
AQUACULTURE yEARBOOk
Brazilians are used to hearing that 
Brazil is the country of the future. But this time 
it is the Food and agriculture Organisation of 
the united nations (FaO) that places the country 
as one of the greatest fish producers in the 
world estimating 20 million tons for 2030. One of 
the main global agribusiness funders, the dutch 
institution rabobank, carried out a research that 
corroborates with FaO’s estimative. 
The truth is that we have plenty of 
natural conditions for that. However, 
there are still barriers to overcome. The 
governments may establish a favourable 
environment for such entrepreneurship. On 
the other hand, entrepreneurs need to look 
for the best technologies and 
practices – and keep innovating.
as well as Brazil no longer experiences a 
situation of food insecurity and now represents 
one of the largest food producers in the world, 
it is possible to cope with the difficulties in 
the sector provided there is much research, 
technological development and innovation. if we 
h ad paid attention to the words the registrar 
Pero Vaz de Caminha wrote to the king d. 
Manuel i to report the arrival of the Portuguese 
in the lands of our country, we would not have 
wasted time: “There is plenty of water; endlessly. 
and in such gracious way whether one wants to 
use it, everything will be provided 
through these good waters".
ANUÁRIO 
BRASILEIRO 
DA PESCA E 
AQUICULTURA
2014
1st Brazilian Fishery 
and aquaculture 
yearBook
1º
A S S O C I AC AO C U LT U R A L E E D U C AC I O N A L B R A S I L - AC E B
Realização Patrocínio
www.itajai.sc.gov.br
UMA CIDADE 
NATURALMENTE
INSPIRADA
PELO MAR.
Do porto à pesca, do surfe às regatas, 
do turismo aos negócios, Itajaí é repleta
de riquezas e belezas que encantam
e se refletem em todos os lugares. 
Banhada pelo rio e pelo mar,
Itajaí é uma cidade naturalmente privilegiada. 
Dona de um encanto único, se destaca
pelo desenvolvimento econômico e conquista 
pela beleza, pela gastronomia e pelas inúmeras 
oportunidades que só um verdadeiro polo 
náutico pode oferecer.
ITAJAÍ
1º ANUÁRIO BRASILEIRO DA PESCA E AQUICULTURAxx 1º ANUÁRIO BRASILEIRO DA PESCA E AQUICULTURA10
SUmÁRIO
PrinciPais 
cultivos
Milenar nos países 
asiáticos, a aquicultura 
é recente no Brasil. 
Saiba quais são 
os cultivos mais 
estabelecidos no País 
e suas perspectivas de 
crescimento.
esPécies 
Promissoras
Algumas espécies, 
principalmente 
de peixes, vêm se 
destacando entre as 
outras e apresentam 
grande potencial de 
vendas nos mercados 
interno e externo.
Políticas e 
ações
O governo precisa 
estabelecer um 
ambiente favorável ao 
empreendedorismo 
na área e fornecer 
meios para a jovem 
cadeia produtiva 
se desenvolver e a 
produção crescer.
main 
cultivations 
Millenary in Asian 
countries, aquaculture 
is recent in Brazil. Find 
the best established 
cultivations in the 
country and their 
growth prospects.
Promising 
sPecies
Some species, 
especially fish, have 
been standing out 
among the others 
and present great 
sales potential in 
the domestic and 
international market.
Policies and
actions
The government has 
to provide a favourable 
environment for the 
entrepreneurship in the 
sector and needs to 
set tactics to develop 
the new productive 
chain and to increase 
production.
42 Rede cheia / 
Full fishing net
44 Reconquistando espaço / 
Reconquering space
46 Procedência garantida / 
Guaranteed origin
48 Água boa / 
Good water
50 O pulo da rã / 
A frog upon one’s sleeve
52 Plantações na água / 
Plantations in the water
54 Rainha da lagoa / 
Queen of the lagoon
56 O nelore das águas / 
Nelore of waters
58 Joia brasileira / 
A Brazilian treasure
60 Nobre dos tanques / 
Royal in cages
62 Aposta no mar / 
Betting on the sea
64 Cevando a cadeia produtiva / 
Feeding the production chain
68 Suporte ao crescimento / 
Growing suport
71 Qualidade garantida / 
Guaranted quality
72 Hora de investir / 
Time to invest
78 Movido a inovação / Powered 
by
81 Tecnologia para todos / 
Technologyfor all
82 Conhecimento para crescer / 
Knowledge to progress
84 Bons exemplos / 
Good examples
86 Regulamentação forte / 
Strong regulation
89 Sob controle / 
Under control
90 Simplicidade desejada / 
Desired simplicity
92 Águas para dar e ceder / 
Water in abundance
Potencial 
Brasileiro
Conheça as condições 
naturais e de mercado 
que fazem da 
produção aquícola um 
bom negócio e podem 
fazer do Brasil um dos 
maiores produtores de 
pescado do mundo.
Brazilian 
Potential 
Learn about the best 
natural conditions and 
the market for good 
deals in aquaculture 
business that may 
also place Brazil as 
one of the best fish 
producers in the world.
12 Futuro próspero / 
Prosperous future
18 Mãos à obra / 
Getting down to 
business
22 peixe na mesa / Fish 
on the table
28 Made in Brazil / Made 
in Brazil
32 Em alto-mar / Into 
the open sea
36 O gigante acordou / 
The giant has awakened
12
42
54
64
2014 xx2014 11
Pesquisa
O aumento da produção 
está atrelado ao 
desenvolvimento 
de tecnologias que 
proporcionem maior 
produtividade ou o 
estabelecimento de 
novas culturas. Confira 
algumas pesquisas em 
andamento.
cadeia 
Produtiva
Até o pescado chegar 
na mesa do consumidor, 
ele passa por diversas 
etapas de produção e 
depende de indústrias 
e serviços de apoio 
que devem funcionar 
harmonicamente.
128 Agenda / Agebda
130 Superintendências Federais de 
Pesca e Aquicultura do Ministério da 
Pesca e Aquicultura / 
Federal Superintendencies of Fisheries 
and Aquaculture From the Ministry of 
Fisheries and Aquaculture
132 Opinião /
Opinion
133 Entidades Estaduais de Assistência 
Técnica e Extensão Rural / 
State Enterprises of Technical Assistance 
and Rural Extension
estratégias de 
Produção
Conforme o sistema 
de produção é 
estruturado, diminuem-
se as dificuldades – 
especialmente quando 
fundamentadas sobre 
parcerias – e ampliam-se 
os mercados.
research
Production increase 
is related either to 
the development 
of technologies 
which provide more 
productivity or to the 
establishment of new 
cultures. Check some 
ongoing researches.
Productive 
chain
Before reaching the 
consumer’s table, 
fish goes through 
several production 
steps and depends on 
industries and support 
services that must work 
accordingly.
Production 
strategies
Difficulties reduce 
according to the way the 
production system is 
structured – especially 
when it regards 
partnerships - and the 
market expands.
96 Novidade na lata / 
Canned news
98 Linhagens apuradas / 
Accurate lineages
100 Sem sacrifício / 
No suffering
101 Bem alimentadas / 
Well feed
102 Motores da produção / 
Production engines
104 Ritmo de espera / 
Rhythm of waiting
106 Alimentar bem para crescer / 
Feeding them well in order to 
grow
108 Nova geração / 
New generation
111 Guia alimentar / 
Food guide
112 Algo a mais / 
Something else
114 Longo caminho / 
A long way through
116 Parceria vencedora / Winning 
partners hip
118 Divisão de tarefas / 
Task distribution
120 Força da união / 
Strength in union
122 Ciclo fechado / 
Closed-loop
124 Preocupação recompensada / 
Rewarded concern
96
102
128
116
1º ANUÁRIO BRASILEIRO DA PESCA E AQUICULTURA12
POTENCIAL BRASILEIRO
Quantidade de água disponível, clima e geografia favoráveis 
à aquicultura, além de uma grande biodiversidade e 
fronteiras de pesca extrativa ainda não exploradas podem 
tornar o Brasil um dos grandes produtores do setor
FUTURO 
PRóSPERO
Jefferson C
hristofoletti - Em
brapa pesca e Aquicultura
2014 13
O 
Brasil apresenta vantagens excepcio-
nais para o desenvolvimento da aqui-
cultura e da pesca extrativista mari-
nha. Com uma costa litorânea de 8,4 
mil quilômetros, 5,5 milhões de hec-
tares de reservatórios de água doce, clima favorável, 
terras disponíveis, mão de obra relativamente barata 
e crescente mercado interno, a produção brasileira de 
pescados atingiu em 2011 quase 1,4 milhão de tonela-
das, conforme os números do mais recente Boletim Es-
tatístico da Pesca e Aquicultura do Ministério da Pesca 
(MPA). Deste total, 628.704,3 toneladas foram produzi-
das em cativeiro.
A atividade pesqueira brasileira gera um PIB nacional 
de R$ 5 bilhões, mobiliza 800 mil profissionais e pro-
porciona 3,5 milhões de empregos diretos e indiretos. 
A meta do Ministério da Pesca e Aquicultura é incenti-
var a produção nacional para que, em 2030, o Brasil al-
cance a expectativa da Organização das Nações Unidas 
para Alimentação e Agricultura (FAO) e se torne um 
dos maiores produtores do mundo, com 20 milhões de 
toneladas de pescado por ano. Hoje o País ocupa a 17ª 
posição no ranking mundial na produção de pescados 
em cativeiro e a 19ª na produção total de pescados.
O doutor em oceanografia, professor da Universida-
de Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), Fabio Ha-
zin, explica que a aquicultura pode ajudar a resolver 
o problema de produção de proteínas no Brasil e no 
mundo. Segundo o especialista, a produção mundial 
de pescado continua crescendo em ritmo compatível 
com o crescimento populacional graças à aquicultura, 
que já responde hoje pela metade praticamente de todo 
pescado consumido no mundo. Um estudo do Insti-
tuto norte-americano Earth Policy mostra que, pela 
primeira vez no mundo, a produção de peixes e fru-
tos do mar ult rapassou a de carne bovina em 2012: 
66,5 milhões de toneladas de frutos do mar contra 63 
milhões de toneladas de carne vermelha. No Brasil, de 
acordo com a FAO, entre 2000 e 2009, o consumo de 
peixe per capita aumentou cerca de 30%, enquanto o de 
carne bovina cresceu 10%.
Na avaliação da FAO, conforme Hazin, além de possuir 
uma grande disponibilidade de áreas cultiváveis em águas 
continentais e marinhas, associadas a condições ambien-
tais e climatológicas altamente favoráveis ao desenvolvi-
mento da aquicultura, o País possui um grande mercado 
interno e competência instalada nas suas indústrias de 
processamento e conservação do pescado em condição de 
competir com qualquer país do mundo. No entanto, Hazin 
destaca que a produção nacional deve ser estimulada por 
meio de pesquisas tecnológicas.
ESPéCIES 
O Brasil conta com 3 mil espécies de peixes, dos quais 
um grande número com potencial para utilização dentro 
da piscicultura como dourado, jaú, matrinxã, piau, pinta-
do, pirarucu e jundiá. A participação das espécies nativas 
na piscicultura fica abaixo dos 20%, enquanto na Ásia, 
onde está concentrada a maior produção mundial de pei-
xes, cerca de 95% dos cultivos estão baseados em espé-
cies nativas daquele continente.
O doutor em aquicultura da Universidade do Vale do 
Itajaí (Univali), Gilberto Caetano Manzoni, explica que 
as principais espécies criadas em cativeiro no país são 
exóticas (tilápias, carpas e bagres americanos). O princi-
pal estímulo para a produção dessas espécies parece es-
tar mais relacionado à existência de informações básicas 
para a criação do que às características das espécies. A 
legislação brasileira limita a criação de espécies exóticas 
nos diferentes corpos de água, exceto quando a espécie já 
esteja comprovadamente detectada em uma bacia hidro-
gráfica, de acordo com portaria do Instituto Brasileiro de 
Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
PRODUçãO TOTAL DE PESCADOS
1º
2º
3º
19º
37,69%
6,93%
5,55%
0,75%
RANKING MUNDIAL EM TONELADAS (2010)
China
63.495.197
Indonésia
11.662.343
Índia
9.348.063
Brasil
1.264.765
1º ANUÁRIO BRASILEIRO DA PESCA E AQUICULTURA14
POTENCIAL BRASILEIRO
Na Região Norte predominam peixes como o tam-
baqui e o pirarucu. No Nordeste, a preferência é pela 
tilápiae pelo camarão marinho. No Sudeste, a tilápia 
tem grande presença na aquicultura. No Sul predomi-
nam as carpas, as tilápias, as ostras e os mexilhões. Já 
no Centro-Oeste, os destaques são o tambaqui, o pacu 
e os pintados. 
ISCA vIvA
Conforme Manzoni, Santa Catarina responde por 
95% da produção brasileira de ostras e mexilhões de 
cativeiro e está desenvolvendo pesquisas para a pro-
dução de robalos e garoupas, além de sardinhas-verda-
deiras para serem utilizadas como iscas vivas na pesca 
de atuns. A pesquisa para a produção da isca viva co-
meçou em em 2005 quando pesquisadores do Cepsul/
ICMBio e do Centro de Ciências Tecnológicas da Terra 
e do Mar (CTTMar/Univali) iniciaram estudos inéditos 
para a reprodução de sardinhas em cativeiro.
Gilberto conta que a pesquisa nasceu da necessida-
de de diminuir a pressão da pesca sobre os estoques 
naturais de sardinha, que apresentam flutuações na 
quantidade capturada por causa da sobrepesca. “Com 
PESCA ExTRATIvISTA AQUICULTURA
1º 1º
2º 2º
3º 3º
25º 17º
17,50% 60,59%
6,02% 60,59%
5,25% 5,89%
0,88% 0,61%
RANKING MUNDIAL EM TONELADAS (2010) RANKING MUNDIAL EM TONELADAS (2010)
China
15.665.587
China
47.829.610
Indonésia
5.384.418
Indonésia
6.277.925
Índia
4.694.970
Índia
4.653.093
Brasil
785.366
Brasil
479.399
Fonte: Boletim Estatístico da pesca e Aquicultura 2011/MpA
a possibilidade da produção da espécie em cativeiro, as 
embarcações não precisarão mais ir para o mar em bus-
ca de iscas para a pesca do atum, gerando economia de 
tempo e de combustível”, explica o professor.
Esse estudo representa a busca pela sustentabili-
dade econômica e ecológica da pesca de atum e sar-
dinha, colabora com o crescimento na produção pes-
queira e reduz conflitos entre os setores artesanais e 
industriais. Além disso, o desenvolvimento da técnica 
de cultivo de isca viva fortalece a cadeia produtiva de 
pescados enlatados e gera emprego e renda nos litorais 
Sudeste e Sul do País.
 por Adão Pinheiro
2014 15
 PROSPEROUS FUTURE
Brazil HOlds sOMe excellent benefits 
to develop aquaculture and marine extractive 
fishery. With a coastline of 8.4 thousand km, 
5.5 million hectares of freshwater reservoirs, 
good climate, available lands, not expensive 
manpower and a prosperous internal market, 
Brazilian fish production has reached nearly 
1.4 million tons in 2011 according to the most 
recent results of statistical Bulletin of Fishery 
and aquaculture from the Ministry of Fisheries 
(MPa). Out of this total, 628,700 tons were 
produced in captivity.
Brazilian fishery generates a national GdP of 
r$ 5 billion, mobilises 800 thousand professionals 
and employs 3.5 million jobs directly and 
indirectly. The target of MPa is to promote 
the national production and thus Brazil will be 
able to accomplish the expectation of Food and 
agriculture Organisation of the united nations 
(FaO): to become one of the largest producers in 
the world with 20 million tons of fish per year. 
Today Brazil takes the 17th position in the world 
ranking for fish-farming production and the 19th 
for fish production as a whole.
according to professor of universidade 
Federal rural de Pernambuco, Fabio Hazin, 
FaO evaluation shows that besides of having 
a large amount of areas in inland and marine 
waters associated to excellent environmental 
and climate conditions to develop aquaculture, 
the country has a great internal market 
and jurisdiction installed in their processing 
and preserving industry which are able 
to compete with any other country in the 
world. However, Hazin points out that the 
national production must be promoted 
through technological research.
in Brazil there are 3 thousand of fish species 
and a large number out of that can be used 
for fish-farming like dorado, jaú, brycon, piau, 
pintado, pirarucu and jundiá. The native species 
take less than 20% of fish-farming whereas in 
asia, where the largest concentration of fish-
farming is, about 95% of farming is based on 
native species from that continent.
according to Gilberto Caetano Manzoni a Phd 
in aquaculture of universidade do Vale do itajaí, 
santa Catarina state carries out researches to 
produce bass and grouper as well as sardines 
(sardinella brasiliensis) to be used as live baits 
for tuna fishing. He says the research came with 
the necessity to reduce the pressure on fishery 
over the natural sardine stocks because due 
to overfishing they present fluctuations in the 
captured amount. “Vessels will no longer need 
to go to the sea searching for baits to fish tuna. 
This way, they will save time and fuel”, explains 
the professor. 
Arquivo Instituto de pesca
mãOS À 
OBRA
ENTREvISTA mARCELO CRIvELLA
Aquicultura é a última fronteira do agronegócio 
a ser explorada de maneira sustentável
Fotos: victor Carlson
1º ANUÁRIO BRASILEIRO DA PESCA E AQUICULTURA18
O Brasil é um dos maiores 
produtores mundiais de bovinos, 
suínos e frangos. Podemos ter o 
mesmo sucesso na produção de 
pescados? O que nos faz crer que 
podemos atingir a previsão da 
FAO de produzir 20 milhões de 
toneladas em 2030?
Com toda a certeza. Temos tudo para ficar tão com-
petitivos como já somos nos segmentos de grãos e de 
outros tipos de carne. O Brasil possui algumas das maio-
res bacias hidrográficas do mundo e concentra mais de 
12% de toda a água doce do planeta, tem mais de 8 mil 
quilômetros de costa marítima e o clima é favorável. Se 
apenas 0,5% dos espelhos d´água dos 200 principais 
reservatórios do País forem utilizados para cultivo de 
peixes, a produção brasileira será multiplicada por 20.
Mas antes de ocorrer a 
multiplicação dos peixes foi 
preciso abrir caminho no mar. 
O que está sendo feito para 
aproveitar o potencial natural 
e deslanchar a produção de 
pescados no Brasil?
A presidenta Dilma desonerou o setor, descomplicou 
o licenciamento ambiental, financiou o setor com o Pla-
no Safra da Pesca e Aquicultura, estimulou o consumo 
e garantiu a qualidade do pescado. Estão sendo entre-
gues escavadeiras e tratores a prefeituras para abrir 
tanques nas propriedades rurais. Estão sendo cedidas 
áreas de reservatórios da União e de ambientes mari-
nhos para a produção aquícola. A Dilma está realizan-
do uma verdadeira reforma aquária.
A estrutura catarinense de 
produção de suínos e frangos, 
baseada no sistema integrado, 
pode servir de modelo para a 
aquicultura nacional?
Absolutamente, sem sombra de dúvida. Já existe no 
Centro-Oeste brasileiro indústrias que estão engordan-
do peixes nas pequenas propriedades familiares. Acho 
que isso vai se disseminar. Uma das metas do Plano 
Safra da Pesca e Aquicultura é justamente essa: estru-
turar a cadeia produtiva do pescado incluindo o peque-
no produtor.
O carioca Marcelo Crivella costuma dizer 
que aprendeu mais do que colocar minhoca 
no anzol desde que assumiu o Ministério 
da Pesca e Aquicultura (MPA), em março 
de 2012. Descobriu o enorme potencial 
brasileiro para a produção de pescados. 
Confiante, diz que o Brasil tem plenas 
condições de atingir a previsão da FAO de 
uma produção de 20 milhões de toneladas 
em 2030 com as medidas de estímulo 
que estão sendo tomadas pelo Governo 
Federal. A grande responsável por este salto 
na produção será a aquicultura, a última 
fronteira do agronegócio a ser explorada 
de maneira sustentável, segundo Crivella. 
Confira estas e outras informações na 
entrevista a seguir.
2014 19
Uma das grandes reclamações 
do setor produtivo é a 
dificuldade em obter licenças 
ambientais. O que o MPA pode 
fazer para ajudar os produtores 
nesta questão?
Depois de muita discussão com o Ministério do Meio 
Ambiente (MMA) e órgãos ambientais, conseguimos 
demonstrar como a aquicultura é uma atividade sus-
tentável. Recentemente,o Conselho Nacional de Meio 
Ambiente (Conama) aprovou uma nova resolução que 
prevê o licenciamento único para os parques aquícolas, 
tornando mais simplificado e ágil o licenciamento am-
biental para estes empreendimentos. As áreas federais 
que estão sendo cedidas para cultivo aquícola já con-
tam com licenciamento ambiental. 
É na aquicultura que reside 
o grande potencial de 
crescimento da produção 
de pescados no Brasil. Mas, 
no caso da pesca extrativa, 
especialmente a industrial, 
temos condições de aumentar o 
volume capturado? 
Eu diria que temos chance de chegar a 50% a mais. 
Existe, por exemplo, a anchoita, um recurso que passa 
no Sul do Brasil, entre o final do inverno e início da pri-
mavera, que os pesquisadores dizem que temos condi-
ções de pescar 100 mil toneladas de maneira sustentá-
vel a cada ano. Também podemos aumentar a captura 
de atuns, albacoras e bonito listrado. Nas demais es-
pécies, estamos no limite da exploração. Mas no Brasil 
ocorre um grande desperdício; se pudéssemos evitar 
isso já teríamos um grande aumento na produção.
A presidenta Dilma também tomou outra ação mui-
to importante, criar o Instituto Nacional de Pesquisas 
ENTREvISTA mARCELO CRIvELLA
Oceanográficas (INPO), que vai cuidar das pesquisas 
da nossa biodiversidade, com informações corretas 
das nossas espécies, sua localização e a que profun-
didade, como se reproduzem, o que vai ajudar demais 
o MPA e o MMA no manejo e ordenamento. O INPO 
também vai cuidar do tráfego naval, das pesquisas so-
bre ondas e marés, correntes e subsolo do mar. Será 
um grande instituto, e terá um navio gigantesco com os 
equipamentos mais modernos do mundo.
O MPA é hoje um ministério 
consolidado. É possível 
imaginar sua dissolução? 
O que o senhor tem a dizer 
em defesa do MPA?
Eu acho que o ministério cuida de um setor que 
tem um potencial imenso, pois é a última fronteira do 
agronegócio a ser explorada de maneira sustentável. 
Você imagina que para engordar o boi, uma tonela-
da de boi, você precisa de um hectare de terra e de 
32 quilos de ração para cada quilo de boi. E o boi 
emite metano, porque ele rumina. Já em um hectare 
de água, você produz 200 toneladas de peixe, e para 
engordar um quilo de peixe precisa de 1,5 quilo de 
ração. E peixe não rumina. O peixe é sustentável.
Agora, se você conjugar o peixe com a produção agrí-
cola, você tem uso duplo da água. Ou seja, antes de 
molhar a plantação, você coloca água num tanque e ali 
produz peixe. O Brasil, com a água que tem disponível, 
tem tudo para ser um grande produtor de pescado.
 por Alexsandro vanin
1º ANUÁRIO BRASILEIRO DA PESCA E AQUICULTURA20
 GETTING DOwN 
TO BUSINESS
Brazil is one of the greatest meat 
producers. Can we be as successful in 
fishing production?
absolutely. Brazil holds more than 12% of the 
global fresh water, more than 8 thousand km of 
coastline and a proper climate for that. if only 
0.5% of water bodies from the 200 main reservoirs 
in Brazil are used for fish-farming, the country’s 
production will be multiplied by 20.
What has been done to harness the 
natural potential and take off the fishing 
production in Brazil?
rousseff, the Brazilian president, relieved the 
sector, facilitated the environmental licensing, 
financed the sector with Plano safra da Pesca 
e aquicultura, stimulated consumption, and 
guaranteed the fish quality. excavators and 
tractors have been delivered to city halls to open 
up tanks in rural properties. reservoir areas of 
the union and marine environments have been 
granted for aquaculture. The president is 
making a real water reform.
Can santa Catarina’s swine 
and poultry production based on an 
integrated system be used as a model 
for the national aquaculture?
definitely. in the Central West region of the 
country there are already industries fattening 
fish in small-scale family farms. One target 
of Plano safra da Pesca e aquicultura is to 
organize the fish productive chain 
including the small producers.
aquaculture shows the great growth 
potential of fish production. However, 
is it possible to increase the volume of 
captured fish in the case 
of extractive fishing? 
i would say we can get to 50% more. There 
is anchoita fish, for example. it is a resource 
that travels through the south of Brazil 
between the end of winter and beginning of 
spring. researchers state we can catch 100 
thousand tons in a sustainable way every year. 
We can also catch more Blue-fin and yellow-
fin tuna, and bonito-listrado. For the other 
species, we are already in the exploitation 
limit. However, there is a lot of waste in 
Brazil. if we could avoid that, we would have 
a production increase.
MPa is a consolidated ministry.
is its dissolution possible? 
What can you say in defence of MPa?
The ministry takes care of a great potential 
sector; it is the last boundary for agribusiness 
to be explored in a sustainable way. To fatten 
one ton of kettle you need one hectare of land 
and 32 kg of feed for each kilogram of kettle. 
and kettle emits methane because it ruminates. 
in one hectare of water you produce 200 tons 
of fish and fatten each kilogram with 1.5 kg of 
feed. and fish does not ruminate. also, if you 
gather fish and agricultural production, you 
have a dual water use. Before irrigating the 
fields, you put the water in a tank and produce 
fish. Brazil has so much water available and thus 
a great potential to be a great fish producer. 
Brazil has so 
much water 
available and 
thus a great 
potential to 
be a great fish 
producer
2014 21
POTENCIAL BRASILEIRO
Arquivo M
pA
O
s brasileiros consomem cada vez mais pes-
cado, que é a proteína animal mais sau-
dável e consumida no mundo. Em 2001, 
a média anual de consumo de peixes no 
Brasil era de 6,79 quilos por habitante, 
conforme dados do Ministério da Pesca (MPA), mas, se-
gundo o secretário de Infraestrutura e Fomento da Pesca 
e Aquicultura do MPA, Eloy Araújo, já superou 11 qui-
los. Hoje, o consumo no País apresenta uma média de 
quase 10 quilos por habitante por ano e a estimativa 
é que, daqui a pouco mais de dois anos, ou seja, até 
o final de 2015, chegaremos perto dos 12 quilos 
anuais por habitante, o mínimo de consumo pre-
conizado pela Organização Mundial de Saúde 
(OMS). “Além de ser positivo para a saúde da 
população, este hábito alimentar favorece o 
desenvolvimento da atividade pesqueira em 
todo o Brasil”, afirma.
Cresce o consumo de pescados no Brasil e a 
tendência é seguir crescendo, estimulando a 
produção aquícola nacional
 PEIxE 
NA mESA
CONSUMO DE PEIxE PER CAPITA EM 16 ANOS 
(em kg/hab)
1999
7,62
7,24
7,77
6,15
6,71 6,79 6,76 6,461996
1997
1998 2000 2001 2002 2003
1º ANUÁRIO BRASILEIRO DA PESCA E AQUICULTURA22
De acordo com o MPA, existe uma disparidade no con-
sumo interno. Na região Norte, por exemplo, o peixe é 
um elemento fundamental para a alimentação humana, 
e o consumo alcança a média de 30 quilos por habitante 
por ano. Enquanto isto, em estados com pecuária bovina 
forte, como o Rio Grande do Sul, o consumo de pescado 
é baixo. Outra sinalização de que a demanda cresce 
pode ser constatada na balança comercial. O País já 
recorre a importações de pescado para atender a 34% 
da procura. Em 2012, a importação foi de US$ 1,3 bi-
lhão em pescados como bacalhau, salmão e merluza. 
Dez anos antes a produção nacional – que cresce ano a 
ano – supria 75% do consumo.
O aumento do consumo deve-se, em parte, ao incre-
mento da renda do brasileiro e às ações de estímulo 
promovidas pelo MPA. Entre elas, destacam-se os pro-
gramas Feira do Peixe (kits para o pescador ou aquicul-
tor ofertar seus produtos diretamente ao consumidor) 
e Caminhão do Peixe. Outra ação é uma parceria com 
o Ministério do Desenvolvimento Social e Combateà 
Fome (MDS) para elevar as compras de pescado atra-
vés do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) do 
Governo Federal. A partir de 2013, as aquisições para 
este nicho de mercado vão passar de quase 5 mil para 
20 mil toneladas. E, como medida de longo prazo, os 
pescados estão sendo introduzidos nos programas de 
merenda escolar visando ao estabelecimento de uma 
nova cultura de alimentação. 
Em sintonia com o incremento das vendas, a produção 
de pescados é uma das atividades econômicas que mais 
cresce no Brasil. A aquicultura – um dos segmentos da 
criação de animais de maior crescimento no mundo, se-
gundo a ONU – responde por 40% de todo o pescado 
produzido no País, volume estimado em 1,4 milhão de 
8,36
9,03
9,75
11,17
2010
2011
6,69 6,66
7,28
7,71
2004 2005
2006
2007
2008
2009
fonte: MpA
toneladas por ano. E o atendimento da demanda atual 
e futura de pescado no Brasil dependerá justamente do 
crescimento da atividade aquícola, já que a pesca extra-
tiva se encontra estagnada no mundo, desde pelo menos 
2006, no patamar das 90 milhões de toneladas anuais.
Um caso de sucesso empresarial no ramo é a Nativ 
Pescados, que vem crescendo ano a ano. A produção 
total em 2012 foi de 1.335 toneladas, o que gerou um 
faturamento de R$ 23 milhões. Em 2013, a produção é 
estimada em 1.500 toneladas – a empresa ainda não tem 
uma estimativa da receita para este ano. Cerca de 95% 
da produção é destinada ao mercado interno. 
Para Marcelo Eiger, gerente de pesquisa e desenvol-
vimento, o momento atual é bem atípico, com alguns 
aumentos nos custos de produção, ao passo que existiu 
uma desoneração de impostos como o PIS e COFINS. 
Essa desoneração permitiu aos produtores baixarem o 
preço final para o consumidor ou mesmo aumentarem a 
margem de lucratividade. O executivo, formado em vete-
rinária, é otimista e acredita que o mercado interno deve 
melhorar nos próximos anos. No Brasil, a companhia 
tem foco no varejo, com distribuição em supermercados 
como Walmart e Pão de Açucar. Entre os principais pro-
dutos da empresa estão os empanados e nuggets, com 
destaque para o camarão, e peixes com corte diferen-
ciado, como tilápia e o pintado. “Queremos vender uma 
solução para o consumidor final e agregar valor ao pro-
duto’, disse Eiger.
 por wendel martins
2014 23
POTENCIAL BRASILEIRO
CONSUMO PER CAPITA x PRODUçãO BRASILEIRA DE PESCADO
1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010
200.000
0 0
2
4
6
8
10
12
400.000
Produção nacional (t) Consumo per capita (kg/hab)
600.000
800.000
1.000.000
1.200.000
1.400.000
toneladas kg per capita
Caminhão do Peixe, em Florianópolis (sC), facilita o acesso da população ao pescado nacional
Victor C
arlson
1º ANUÁRIO BRASILEIRO DA PESCA E AQUICULTURA24
ORIGEM DO PESCADO CONSUMIDO NO BRASIL
2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010
Produção nacional Consumo importação
67%
33%
28% 25% 25% 26% 26%
29% 30% 30% 31%
34%
72% 75% 75% 74% 74% 71% 70% 70% 69% 66%
 FISh ON ThE TABLE
BRAzIlIANS HAVE BEEN eating fish more and 
more often; it is the healthiest and most consumed 
animal protein in the world. According to the Ministry 
of Fisheries (MPA), in 2001, the annual rate of fish 
consumption in Brazil was 6.79 kg per capita. Eloy 
Araújo, the secretary of Fishing and Aquaculture 
Infrastructure and Provision of MPA, states that the 
consumption in the country nowadays presents an 
annual average of nearly 10kg per capita and by 
the end of 2015 he estimates it will reach an annual 
amount of 12 kg per capita, which is the minimum 
recommended by the World Health Organization 
(WHO). “Apart from being a positive point for the 
population’s health, this food habit favours fishing 
activities all over Brazil”, he states.
According to MPA, there is a discrepancy in the 
internal consume. In the North region, for instance, 
fish is essential for the human feeding and its consume 
reaches an average of 30kg per capita every year. 
On the other hand, states with strong cattle 
economy as Rio Grande do Sul, fish consumption 
is low. The balance of trade is another evidence of a 
growing demand. The country is already importing fish 
to meet with the 34% of demand. In 2012, importation 
of fish such as cod, salmon and hake was of US$ 1.3 
billion. Ten years ago, the national production – which 
grows every year – filled 75% of consumption.
The consumption increase is partly due to the 
increment of Brazilian income and incentive actions 
promoted by MPA. Among them, there are programs 
such as Feira do Peixe (fish fair for the fishermen 
or aquaculturists to offer their products straight to 
the consumer) and Caminhão de Peixe (Fish Truck). 
Another action is the partnership with the Ministry of 
Combat against Hunger and Social Development (MDS) 
to raise fishing purchases through a governmental 
program for food acquisition (PAA - Programa de 
Aquisição de Alimentos) from nearly 5 thousand to 
20 thousand tons from 2013 on. Also, fish has been 
introduced in school meals programs with the purpose 
of establishing a new feeding culture. 
fonte: MpA
2014 25
COmA 
PESCADOS, 
FAz BEm!
POTENCIAL BRASILEIRO 
Os médicos recomendam o consumo de peixes pelo 
menos duas vezes por semana. Saiba o porquê.
1º ANUÁRIO BRASILEIRO DA PESCA E AQUICULTURA26
 Os pescados possuem todos os 
aminoácidos essenciais, que auxiliam na 
formação das proteínas, resultando no 
crescimento e na manutenção de 
um corpo saudável Possuem em sua composição 20% de 
proteína de ótima qualidade, rica em 
aminoácidos não essenciais, isto é, que não 
são produzidos pelo organismo Apresentam carne com baixo teor de 
gordura, sendo que o tipo predominante é a 
polinsaturada (ômega 3 e ômega 6) São ricos em ômega 3, presente em 
peixes como sardinha, salmão, anchova, 
arenque e atum, o qual os estudos mostram 
ser um nutriente anti-inflamatório que 
auxilia na redução do risco de doenças 
cardiovasculares, na diminuição dos 
triglicerídeos e colesterol e até 
mesmo na obesidade  Possuem ótimas doses de vitaminas A, 
D, E e do complexo B, além de niacina e 
ácido pantotênico, iodo, sódio, magnésio, 
manganês, ferro e potássio – moluscos 
apresentam também doses 
significativas de zinco Possuem quatro vezes mais cálcio que os 
outros tipos de carne Reduzem o risco de Alzheimer, 
segundo pesquisa publicada em 2009 na 
revista American Journal of Nutrition Mulheres grávidas que consomem mais 
peixes durante o período de gestação tendem 
a ter crianças mais sociáveis, devido ao 
ômega 3, segundo artigo de um especialista 
do Instituto Nacional de Saúde de Maryland 
(EUA), publicado na revista The Economist Auxiliam na concentração e memória Melhoram a qualidade do sono
Fonte: Hospital Albert Einstein, Sebrae e outros.
 EAT FISh, IT’S 
GOOD FOR yOU!
 Fish holds all essential amino acids which 
are helpful for the protein synthesis in order 
to grow and maintain a healthy body; It presents 20% of high quality proteins 
in its composition; they are rich in 
nonessential amino acids, which means not 
produced by the organism; Fish is a low fat meat; the prevailing kind 
is polyunsaturated (Omega 3 and Omega 6); It is rich in Omega 3 which, according 
to researches, it is an anti-inflammatory 
nutrient that helps to reduce the risk of 
cardiovascular diseases, triglycerides, 
cholesterol and even obesity;  It presents excellent doses of 
vitamins A, D, E and B complex as 
well as niacin, pantothenic acid, iodine, 
sodium, magnesium, manganese, iron 
and potassium – molluscs also present 
significant doses of zinc; There is four times more calcium in fish 
than in any other kind of meat; It reduces the risk of Alzheimer’s disease, 
according toa research published in the 
American Journal of Nutrition 
in 2009; Pregnant women who eat more fish 
during pregnancy tend to have more 
sociable children due to Omega 3, according 
to an article published in The Economist 
Magazine from the National Institutes of 
Health in Maryland (USA); Eating fish helps people to concentrate 
and memorize; It improves the sleep quality. 
2014 
stockP
hotos
27
POTENCIAL BRASILEIRO
O 
peixe é a proteína animal de maior con-
sumo no mundo. Em 2011, foram produ-
zidas cerca de 170 milhões de toneladas 
de pescado, sendo 130,8 milhões de to-
neladas para consumo humano, enquan-
to a produção de bovinos foi de 56,8 milhões de tonela-
das e a de frangos de 89,3 milhões de toneladas. Entre 
1991 e 2011, a produção mundial de bovinos aumentou 
13%, praticamente a mesma taxa de expansão do con-
sumo humano de pescado, 14,4%, registrada num perí-
odo quatro vezes menor, entre 2006 a 2011. Ao todo, o 
setor movimenta US$ 217,5 bilhões em todo o mundo, 
segundo a Organização das Nações Unidas para Ali-
mentação e Agricultura (FAO).
As perspectivas são de que o Brasil venha a ser um dos grandes produtores 
mundiais de pescado, mas por enquanto a balança comercial é deficitária
mADE IN BRAzIL
O plano do governo é que o Brasil assuma um pa-
pel de destaque no cenário global, a exemplo de outras 
cadeias produtivas em que é líder de mercado, como 
a bovina e a aviária. De acordo com dados de 2010, a 
China é o grande produtor e exportador, com vendas 
estimadas em US$ 13,9 bilhões. É seguida pela Noruega 
(US$ 9,6 bilhões) e Tailândia (US$ 7,1 bilhões). O Vietnã 
é o quarto, cujas vendas externas cresceram de US$ 1,5 
bilhão em 2000 para US$ 5,1 bilhões em 2010.
A China também é um dos principais fornecedores para 
o Brasil, seguida pelo Chile. O principal produto chinês é 
a merluza-do-alasca. Entre 2007 e 2011, os volumes pas-
saram de 3 mil para 79,7 mil toneladas, conforme o Minis-
tério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior 
Stock photos
1º ANUÁRIO BRASILEIRO DA PESCA E AQUICULTURA28
 
PRINCIPAIS DESTINOS
ESTADOS UNIDOS 
valor: US$ 79,8 milhões
volume: 6,5 mil toneladas 
Destaque: lagostas, 
pargos e outros peixes
ESPANHA
valor: US$ 28,2 milhões
volume: 7,1 mil toneladas 
JAPãO
valor: US$ 19,7 milhões
volume: 2,2 mil toneladas 
HONG KONG
valor: US$ 18,8 milhões
volume: 745 toneladas 
Destaque: ração
FRANçA
valor: US$ 12,1 milhões
volume: 1,2 mil toneladas 
CHINA
valor: US$ 11,7 milhões
volume: 1,8 mil toneladas 
HOLANDA
valor: US$ 11 milhões
volume: 749 toneladas 
Destaque: extratos e sucos
Fonte: Boletim Estatístico da 
pesca e da Aquicultura 2011
(MDIC). Já o Chile vendeu 47 mil toneladas em 2011.
Para Fábio Rosa Sussel, pesquisador da Agência Paulis-
ta de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), da Secretaria 
de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, a 
grande vantagem do produto chinês é o preço, mas é de bai-
xa qualidade. Em 2011, o Brasil importou US$ 231 milhões da 
China; já as compras do Chile foram de US$ 282,3 milhões.
O pesquisador afirma que a participação do País no 
mercado global de pescado ainda é pequena. A valoriza-
ção do real frente ao dólar nos últimos anos, por exem-
plo, diminuiu o ímpeto das exportações de camarão, que 
também teve a produção afetada por questões sanitárias 
em 2012. Sussel acha necessário que o Brasil foque no 
mercado interno e abasteça a demanda local. “Nossas ex-
portações são pequenas, fruto mais da raça do produtor 
brasileiro”, comenta.
Segundo dados do MDIC, o deficit na balança comercial de 
peixes, crustáceos e moluscos em 2012 foi de US$ 970 milhões 
em produtos como bacalhau e salmão, oriundos do Chile e da 
Noruega. As importações foram de US$ 1,1 bilhão no período. 
Até setembro de 2013, deficit aproximado de US$ 807,4 
milhões; e as importações, US$ 948,4 milhões. As vendas exter-
nas aumentaram entre 2010 e 2011, passando de US$ 263,3 
milhões para US$ 271,2 milhões. Em 2012, as exportações 
caíram para US$ 188 milhões e até setembro de 2013 foram 
de US$ 140,9 milhões.
2014 29
POTENCIAL BRASILEIRO
A meta do MPA é que, em 2030, o País se torne um dos 
maiores produtores do mundo, com produção de 20 mi-
lhões de toneladas por ano. Entre os principais destinos 
estão os Estados Unidos, Alemanha, Itália, França, Japão 
e Taiwan. Embora a exportação ainda esteja concentrada 
no camarão e na lagosta, a pauta deve se tornar mais 
diversificada com a produção intensiva de tilápia e de es-
pécies amazônicas, como o tambaqui e o pirarucu.
O Brasil já é um dos sete maiores produtores de ti-
lápia do mundo, com um volume de mais de 250 mil 
toneladas. A tilápia é uma das três espécies de peixe 
mais cultivadas no planeta e uma das mais consumidas 
nos Estados Unidos.
De acordo com Marcelo Eiger, gerente de pesquisa 
e desenvolvimento da Nativ Pescados, entre as opor-
tunidades que o Brasil pode aproveitar para ganhar o 
mercado externo, além da tilápia e do camarão, estão 
o tambaqui e o pirarucu. “São produtos que compe-
tem numa faixa de preço mais premium e têm grande 
potencial”, comentou. A empresa nasceu com vocação 
exportadora e mantém um departamento de comércio 
exterior. Entre os principais clientes estão os Estados 
Unidos, França, Alemanha e Portugal.
 por wendel martins
PRINCIPAIS ORIGENS
PORTUGAL 
valor: US$ 115,9 milhões
volume: 17,6 mil toneladas 
Produto: bacalhau
MARROCOS
valor: US$ 14 milhões
volume: 12,9 mil toneladas 
Produto: sardinhas
CHILE
valor: US$ 289,8 milhões
volume: 51,3 mil toneladas 
Produto: salmão e filés 
congelados
CHINA
valor: US$ 234,7 milhões
volume: 181 mil toneladas 
Produto: filés congelados
NORUEGA
valor: US$ 222,1 milhões
volume: 33,2 mil toneladas 
Produto: bacalhau
ARGENTINA
valor: US$ 158,3 milhões
volume: 51,5 mil toneladas 
Produto: filé de merluza, 
outros filés e conservas
Fonte: Boletim Estatístico da 
pesca e da Aquicultura 2011
1º ANUÁRIO BRASILEIRO DA PESCA E AQUICULTURA30
 mADE IN BRAzIL 
FisH is THe MOsT consumed animal protein 
in the world. in 2011, 170 million tons of fish were 
farmed. Out of this number 130.8 million tons were 
for the human consume whilst cattle and chicken 
farm were 56.8 and 89.3 million tons, respectively. 
Between 1991 and 2011, the global cattle farming 
increased 13%, which is basically the same expansion 
rate for human consumption of fish (14.4%) registered 
between 2006 and 2011; a period four times shorter. 
as a whole, the sector handles us$ 217.5 billion all 
over the world according to Food and agriculture 
Organisation of the united nations (FaO).
The government plans Brazil to take an important 
role in the global scenery as it already happens in 
other production chains like cattle and poultry where 
Brazil is the market leader. according to 2010 data, 
China is currently the greatest producer and exporter; 
its sales are estimated in us$ 13.9 billion.
The Ministry of Fisheries and aquaculture aims 
Brazil to become one of the greatest world's 
producers in 2030 with 20 million tons a year. The 
united states, Germany, italy, France, Japan and 
Taiwan are among the main destinations. although 
exporting is still concentrated in shrimps and 
lobsters, the list must become more diversified with 
an intensive production of tilapia and some species 
from amazon such as tambaqui and pirarucu.
according to MdiC data, the balance of trade 
for fish, crustaceans and molluscs showed the 
deficit of us$ 970 million in 2012 in products such 
as norwegian cod and Chilean salmon. China is one 
of Brazil’s main suppliers followed by Chile. The 
main Chinese product is alaska hake. The volumes 
increased from 3 thousand tons in 2007 to 
79.7 thousand tons in 2011, according to 
the Ministryof development, industry and 
international Trade (MdiC). Chile, on the other 
hand, sold 47 thousand tons in 2011. 
no exterior, peixarias são o lugar preferido para a 
compra de pescado (pesquisa nielsen)
Fábio sussel, da aPTa, 
é zootecnista
Stock photos
Arquivo ApTA
2014 31
1º ANUÁRIO BRASILEIRO DA PESCA E AQUICULTURA32
O 
futuro da pesca industrial brasileira está 
longe da costa e a muitos metros de pro-
fundidade. A pesca oceânica é considerada 
hoje a principal fronteira para o desenvol-
vimento da atividade, muito em razão dos 
grandes cardumes de atuns em águas da zona Econômica 
Exclusiva (zEE) brasileira e em águas internacionais que 
podem ser capturados de forma sustentável. Segundo o 
diretor do Departamento de Planejamento e Ordenamen-
to da Pesca Industrial do MPA, Mutsuo Asano Filho, as 
espécies oceânicas pelágicas ou demersais apresentam 
elevados valores no mercado internacional e podem con-
tribuir positivamente para melhorar a balança comercial 
brasileira no item pescados. 
No entanto, a maioria das embarcações da pesca indus-
trial brasileira foi construída há muitas décadas e não se 
renovou ao longo do tempo. Faltam recursos tecnológicos 
mais modernos para localização de cardumes, realiza-
ção de viagens a áreas mais distantes da costa, captura 
intensiva, conservação do pescado no mar e para maior 
segurança da tripulação. 
O pesquisador e coordenador técnico do Sindicato da 
Indústria e dos Armadores de Pesca de Itajaí e Região 
(Sindipi), Roberto Wahrlich, explica que a frota nacional 
já aumentou bastante na última década, mas com barcos 
com pouca autonomia e a maioria adaptada de outras 
modalidades de pesca. De acordo com o Boletim Estatís-
tico da Pesca e Aquicultura de 2011, a captura extrativa 
marinha respondeu naquele ano por 553 mil toneladas, 
quase 40% da produção total de pescados no País. Dis-
pondo de uma das maiores biodiversidades em pescado 
do planeta, os barcos brasileiros capturam centenas de 
espécies de peixes, moluscos e crustáceos, incluindo 
desde a popular sardinha-verdadeira – comum no litoral 
POTENCIAL BRASILEIRO
O caminho para a pesca industrial crescer está em 
águas profundas e bem distantes da costa
Em ALTO-mAR
2014 
Pará é o estado 
com maior 
volume de pesca 
extrativa, mas 
santa Catarina 
é o primeiro em 
captura marinha e 
produção total
Fotos: Arquivo Sindipi
33
1º ANUÁRIO BRASILEIRO DA PESCA E AQUICULTURA34 1º ANUÁRIO BRASILEIRO DA PESCA E AQUICULTURA
PARÁ
AMAPÁ
PIAUÍ
CEARÁ
PARAÍBA
ALAGOAS
SERGIPE
BAHIA
Arquipélago de 
Fernando de noronha
Ilhas de Trindade e 
Martin vaz
Atum e afins
Camarão
Lagosta
Sardinha 
Peixes diversos
Pargo
Arquipélago de 
Abrolhos
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MINAS GERAIS
SãO PAULO
PARANÁ
SANTA CATARINA
RIO 
GRANDE 
DO SUL
ESPÍRITO 
SANTO
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JANEIRO
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RIO GRANDE 
DO NORTE
MARANHãO
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 (20
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Atol das 
Rocas
Parcel de São Pedro 
e São Paulo
PESCA NA COSTA BRASILEIRA
POTENCIAL BRASILEIRO
Extensã
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Extensão da Plataforma Continental
Fonte: Marinha do Brasil
Sul e no Sudeste – até iguarias da alta gastronomia, 
como a lagosta e o camarão, encontrados principal-
mente no litoral Nordeste.
Segundo Mutsuo, o ministério tem adotado a po-
lítica de arrendamento de embarcações de países 
onde a pesca industrial é tradicional e já se encon-
tra em um estágio mais avançado. Um dos objeti-
vos é assegurar as cotas brasileiras regulamentadas 
pela Comissão Internacional para a Conservação dos 
Atuns do Atlântico (ICCAT, na sigla em inglês), da 
qual o País é signatário. “Se não aproveitarmos as 
cotas corremos o risco de perdê-las para outros pa-
íses mais bem preparados, já que a ICCAT leva em 
consideração o histórico pesqueiro do País”, diz. 
Em alto-mar, as espécies capturadas pelos barcos 
arrendados são albacora-lage (yellow fin), albacora-
-branca (albacore) e albacora-bandolim (big-eye). 
Na visão do Ministério da Pesca, a política de ar-
rendamento permite o contato dos brasileiros com 
as novas tecnologias e métodos, e representa me-
nos gastos para o Governo Federal e os armadores 
na realização de estudos de prospecção pesqueira e 
avaliação de viabilidade econômica. 
Não menos importante é a gestão dos recursos 
da pesca industrial. Enquanto o governo desenvolve 
programas e normativas para regular a pesca extra-
tivista marinha, indústrias e armadores reclamam da 
ausência de interação entre os ministérios da Pesca 
e do Meio Ambiente na hora de decidir temas como 
defeso, permissões de pesca e definição de lista de 
espécies proibidas para captura. 
O armador de pesca de Santa Catarina e presiden-
te do Sindipi, Giovani Monteiro, reclama da demora 
na implantação dos Comitês Permanentes de Gestão 
(CPGs), criados pelo MPA em 2010. Dos 20 comitês 
previstos, somente dois estão em atividade. “Preci-
samos de estudos embasados que norteiem a cap-
tura sustentável da pesca através destes comitês”, 
explica. O ministério, por sua vez, alega que os CPGs 
estão em processo de instalação segundo um crono-
grama interno.
 por Luciana zonta
 INTO ThE OPEN SEA
THe FuTure OF Brazilian industrial 
fishery is far from the shore and several metres 
deep. Today, oceanic fishery is considered the 
main frontier to develop this activity especially 
due to large schools of tuna in waters that 
belong to the Brazilian exclusive economic 
zone (eez) and also in international waters 
where they can be caught in a sustainable way. 
according to the CeO of Planning department 
of industrial Fisheries at MPa, Mutsuo asano 
Filho, oceanic pelagic or demersal species are 
very valuable in the international market and 
they may contribute to improve the Brazilian 
balance of trade for the fish item. 
However, most Brazilian vessels for industrial 
fishery were built several decades ago and have 
not been renewed since then. There is a lack of 
better technological resources in several aspects: 
find schools, travel to more distant offshore 
areas, intensive capture, fish conservation in the 
sea, and more safety for the crew. 
The researcher and technical coordinator of 
the industry and Fishing shipowner’s union of 
itajaí city (sindipi), roberto Wahrlich, explains 
that the national fleet has already increased 
a lot in the last decade but the boats are not 
independent enough and most of them are 
adapted to other fishing methods. according 
to the statistical Bulletin of Fishery and 
aquaculture from 2011, marine extractive fishing 
represented 553 thousand tons that year; it is 
almost 40% of the total production of fish in 
the country.
Mutsuo states the ministry has worked with 
a leasing policy for vessels from countries 
where industrial fishery is traditional and 
it is already found in a more advanced 
stage. One of the purposes is to preserve 
regulated Brazilian quotas by the international 
Commission for the Conservation of atlantic 
Tunas (iCCaT), which Brazil is signatory. “if 
we do not take advantage of our quotas, 
we may risk losing them for better prepared 
countries since iCCaT takes into account the 
country fishing background", he states. 
2014 35
1º ANUÁRIO BRASILEIRO DA PESCA E AQUICULTURA36
POTENCIAL BRASILEIRO
Depois de ignorar seu potencial aquícola por décadas, o Brasil 
investe no setor e vê a produção crescer a grandes saltos
O GIGANTE 
ACORDOU
2014 
Jefferson C
hristofoletti / Em
brapa pesca e Aquicultura
37
ESTADOS PRODUTORES DE CADA ESPéCIE
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CAMARãO 
MARINHO RS
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Ro
TILÁPIA
1º ANUÁRIO BRASILEIRO DA PESCA E AQUICULTURA38
O
s esforços do governo e da iniciativa priva-
da para desatar o nó dos atrasos da aqui-
cultura brasileira temperam com otimismo 
o dia a dia dos produtores de pescados. 
“Em que pese a necessidade de grandes 
avanços tecnológicos, o país se desenvolveu de forma 
marcante nas duas últimas décadas na aquicultura”, des-
taca o doutor em oceanografia, professor da Universidade 
Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e vice-presidente 
da Organização das Nações Unidas para Alimentação e 
Agricultura (FAO), Fabio Hazin.
A demanda mundial por pescados tem crescido consi-
deravelmente nas últimas décadas superando, inclusive, 
o crescimento de outras cadeias do agronegócio. Débora 
Machado Fracalossi, presidente da Sociedade Brasileira 
de Aquicultura e Biologia Aquática (Aquabio) explica que 
a pesca extrativista era responsável por quase a totali-
dade da produção nacional de pescados. No entanto, a 
má gestão da atividade, associada à crescente deman-
da por produtos dessa natureza, acarretou em colapsos 
nos principais recursos pesqueiros do mundo, gerando 
uma estagnação das capturas. “Nesse sentido, surge uma 
grande oportunidade para a aquicultura suprir essa lacu-
na, ofertando produtos de qualidade e com certificação 
de origem”, diz a pesquisadora.
Essa substituição já vem sendo observada nos últimos 
anos, pois, apesar de a pesca ainda responder pela maior 
POTENCIAL BRASILEIRO
parcela de pescados, o crescimento da aquicultura está 
acelerado e ganha cada vez mais espaço. Dados do último 
levantamento da FAO, publicados em 2012, mostram que 
nas últimas três décadas os valores de produção da pesca 
no mundo pouco variaram, enquanto os da aquicultura 
aumentaram 12 vezes a sua produção.
No Brasil, a tendência é de crescimento da atividade. 
Segundo dados do Ministério da Pesca e Aquicultura 
(MPA), a produção aquícola brasileira cresceu 15% no pe-
Hazin preside 
também a 
negociação 
internacional para 
adoção de diretrizes 
internacionais para 
o desenvolvimento 
da Pesca artesanal 
e de Pequena
escala da FaO
Arquivo U
FR
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TAMBAQUIS
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Ro
PIRARUCU
2014 
ríodo de 2009 a 2010, atingindo cerca de 479 mil tone-
ladas. No período seguinte, a expansão foi ainda maior: 
31,1%, chegando à marca de 629 mil toneladas. “Este 
valor ainda está aquém do potencial brasileiro e abaixo 
da produção da pesca extrativista (803 mil toneladas). 
Entretanto, com a manutenção desse ritmo de cresci-
mento, a aquicultura deve ser a principal fonte de pes-
cado brasileiro até o ano de 2014”, acrescenta Débora.
Fabio Hazin enfatiza que o Brasil possui uma grande 
extensão de áreas continentais e marinhas que podem 
ser utilizadas para aquicultura. “A produção aquíco-
la nacional deve ser estimulada por meio de pesquisas 
tecnológicas voltadas à superação dos entraves para o 
desenvolvimento da cadeia produtiva e para assegurar 
a sustentabilidade ambiental da atividade”, acrescenta. 
Por ser uma atividade recente quando comparada às 
outras cadeias do agronegócio brasileiro e envolver os 
múltiplos usos dos recursos hídricos, a aquicultura tem 
como principal entrave o licenciamento ambiental para 
a implantação dos empreendimentos. “Sem o devido li-
cenciamento, há o impedimento de benefícios aos pro-
dutores, como acesso ao crédito, assim como prejuízos 
aos elos de produção, como a certificação e a comercia-
lização de produtos”, destaca a presidente do Aquabio. 
Conforme Débora, outra importante ferramenta para 
viabilizar a produção de pescados no Brasil é o fomento 
e foco na pesquisa em aquicultura, priorizando espécies 
RS
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pe
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RR
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Ro
CARPA
Fonte: MPA
39
1º ANUÁRIO BRASILEIRO DA PESCA E AQUICULTURA40
por região do país. “Isto acelerará o desenvolvi-
mento de tecnologia para criação de espécies que 
possuam potencial para criação intensiva”, explica 
a pesquisadora.
Como a água ainda é uma grande fronteira inex-
plorada para a produção de alimentos e a produ-
tividade por hectare, para a maioria das espécies 
aquícolas, é maior, conforme Débora, a produção 
de pescados é uma forma eficiente de produzir 
proteína animal. “A aquicultura demanda menos 
energia quando comparada à produção de carne 
de suínos ou aves, já que estes animais gastam 
energia para manter uma temperatura corporal 
constante.”
Por conta deste potencial produtivo, de acordo 
com a coordenadora da carteira de Aquicultura e 
Pesca do Sebrae Nacional, Newman Costa, a en-
tidade vem investindo em várias regiões do Brasil 
para incentivar a produção de pescados em cativei-
ro e ajudar a consolidar a aquicultura nacional. E, 
em parceria com o Ministério da Pesca, Embrapa, 
ABNT e Inmetro, tem apoiado diversos projetos que 
tenham como prioridade desenvolver normas técni-
cas em boas práticas para ostra, tilápia, tambaqui e 
camarão e a implantação assistida para certificação 
do pescado brasileiro. Conforme Newman, o Sebrae 
também está desenvolvendo ferramentas de gestão 
para a cadeia produtiva da piscicultura, cartilha de li-
cenciamento para dar conhecimento aos empresários, 
estudo de mercado de áreas produtivas e potenciais 
compradores e preparação de grupos produtivos para 
venda direta a programas do governo.
Como resultado desta parceria, no Rio Grande 
do Norte o peixe foi inserido na merenda escolar 
há quatro anos. Hoje, estudantes de 11 escolas em 
quatro municípios do Estado já consomem filé de 
tilápia em preparos diversos, e o programa foi repli-
cado no Piauí e Espírito Santo. “Vejo como princi-
pais vantagens o fato de ser um peixe amplamente 
criado em cativeiro e de sabor suave. Como algu-
mas pessoas, especialmente crianças, rejeitam a 
ingestão de peixes devido ao forte aroma e sabor, 
as características da tilápia tornam essa opção alta-
mente atrativa”, diz Newman.
 por Adão Pinheiro
POTENCIAL BRASILEIRO
EvOLUçãO DA AQUICULTURA
78,3 85 84,2
AQUICULTURA MARINHA 
(em toneladas)
2009 2010 2011
Fonte: Boletim Estatístico da pesca e Aquicultura 2011/MpA
544.490
84.214
AQUICULTURA EM 2011 
(em toneladas)
86.6%
Continental Marinha
TOTAL: 628.704,3
AQUICULTURA CONTINENTAL 
(em toneladas)
337,3 394,3
544,5
2009 2010 2011
86.6%
13.4%
2014 
 ThE GIANT hAS AwAkENED
THE GOVERNMENT AND the private 
initiative’s efforts to untangle knots that delay the 
Brazilian aquaculture come with optimism in the 
daily life of fish producers. “In spite of having the 
necessity of technological advances, the country 
has developed in aquaculture outstandingly for 
the last decades”, says the PhD in oceanography, 
professor Fabio Hazin at Universidade Federal 
Rural de Pernambuco (UFRPE) and vice-president 
of Food and Agriculture Organisation of the 
United Nations (FAO).
As water is still a large unexplored boundary 
for food production and productivity per 
hectare for most aquaculture species is larger, 
fish production is an efficient way of producing 
animal protein, says to Débora Fracalossi, 
president of Brazilian Society of Aquaculture and 
Aqua Biology (Aquabio). “Aquaculture requires 
less energy if compared to swine or poultry 
farming sincethese animals spend energy to 
keep a constant body temperature.”
The global demand for fish has been growing 
considerably in the last decades and has even 
overcome the growth of other agribusiness 
chains. Débora Machado Fracalossi explains 
that extractive fishing was responsible for 
almost all national fish production. However, a 
bad management in the activity associated to 
the growing demand for this kind of product 
collapsed some of the main fishing resources 
in the world and stagnated captures. “In this 
sense, there is a great opportunity to supplement 
this gap by offering good quality products and a 
certificate of origin”, states the researcher.
The last data published in 2012 by FAO shows 
that the production values in global fishery has 
not changed much for the last three decades 
while aquaculture has increased 12 times its 
production. Brazil also tends to grow in this 
area. According to data from the Ministry of 
Fisheries and Aquaculture (MPA), Brazilian 
aquaculture production expanded 31.1% from 
2010 to 2011 reaching 629 thousand tons. “This 
value is still below the real Brazilian potential 
and the extractive fishing production (803 
thousand tons). Still, if the country keeps 
growing this way, aquaculture must be the 
main resource for Brazilian fish up to 2014”, 
adds Fracalossi.
Fabio Hazin emphasizes that Brazil has a 
great extension of inland and marine areas 
that can be used for aquaculture. “Aquaculture 
production in Brazil must be promoted through 
technological researches to overcome barriers 
in order to develop the productive chain and to 
ensure the environmental sustainability of this 
activity”, he states. 
Seapesc
41
A 
produção aquícola atingiu em 2011 o volume de 
628 mil toneladas e a pesca extrativa 800 mil 
toneladas, o que representa um volume total de 
1,4 milhão de toneladas de pescados por ano, 
segundo o Ministério da Pesca e da Aquicultura 
(MPA). Em comparação com o levantamento realizado no 
ano anterior, a produção de espécies cultivadas aumentou 
31% e a da pesca extrativa 2%. A expansão da aquicultu-
ra é puxada basicamente pela piscicultura continental, que 
cresceu 38,1% no mesmo período e representa 86,6% do 
volume cultivado. “A piscicultura é hoje um dos segmentos 
produtivos mais promissores, movimenta no Brasil cerca de 
R$ 5 bilhões ao ano e gera 3,5 milhões de empregos diretos 
e indiretos”, avalia a secretária de Planejamento e Ordena-
mento da Aquicultura do MPA, Maria Fernanda Nince.
REDE ChEIA
PRINCIPAIS CULTIvOS
A piscicultura cresceu 38% em 2011 e já representa quase 
87% da produção aquícola brasileira, com destaque para a 
criação de tilápias e tambaquis
O crescimento da produção aquícola, em especial o 
da aquicultura, é uma resposta à ampliação das políti-
cas públicas de desenvolvimento do setor, que envolvem 
melhoria da infraestrutura, aumento do crédito, desen-
volvimento de tecnologias e facilitação do acesso a pro-
gramas governamentais. Com o aumento na produção 
de pescados, o MPA espera também diminuir o deficit 
comercial do País nesse setor, que em 2011 chegou a 
US$ 991 milhões. “As oportunidades de mercado são 
promissoras não apenas pela substituição de importações 
como pelo aumento do consumo interno. A expectativa é 
que a produção nacional de pescados atinja dois milhões 
de toneladas em 2014”, avalia Maria Fernanda.
O presidente da Associação Norte Paranaense de Aqui-
cultores (Anpaqui), Marcos Moreno, avalia que as me-
em 2011, a piscicultura produziu mais de 540 mil toneladas
Fotos: Arquivo M
pA
1º ANUÁRIO BRASILEIRO DA PESCA E AQUICULTURA42
 FULL FIShING NET
aCCOrdinG TO THe Ministry 
of Fisheries and aquaculture (MPa), 
the aquaculture production reached 628 
thousand tons and the extractive fishing 
800 thousand tons in 2011; this represents 
1.4 million tons of fish in a year. Compared 
to the same survey from the previous year, 
the production of farmed species increased 
31% whereas the extractive fishing raised 
2%. aquaculture expansion is mainly 
brought by continental fish farming; it grew 
38.1% during this period and it represents 
86.6% of the farmed volume. “nowadays 
fish farming is one of the most promising 
productive sectors; in Brazil it handles about 
r$ 5 billion a year and generates 3.5 million 
jobs, directly and indirectly”, evaluates 
Maria Fernanda nince, the secretary of 
aquaculture Planning at MPa. 
Today, Paraná state is the greatest fish 
farmer in Brazil with 73.8 thousand tons 
followed by santa Catarina and Mato 
Grosso with 53.6 thousand tons and 48.7 
thousand tons, respectively. By regions, 
the south is the country leader with 
153.7 thousand tons (28.2% of Brazilian 
production) and the northeast is the second 
with 134.3 thousand tons (24.7% of the 
production). Fish as Tilapia and Tambaqui 
represent 67% of the production, and 
Tambacu, Carp and Pacu, which are also 
representative, represent together 20.1% of 
the total amount. 
PRODUçãO DA PISCICULTURA POR REGIãO (2011)
EM MIL TONELDAS
didas tomadas pelo governo federal devem estimular o 
setor. “A partir de 2012, quando o governo começou a 
criar uma força-tarefa para viabilizar a licença ambiental 
para os aquicultores, houve um aumento na procura para 
se associar à Anpaqui de 15%. Se o setor da aquicultura 
continuar crescendo é provável que a produção brasileira 
chegue a 20 milhões de toneladas ao ano antes do que a 
FAO havia previsto, em 2030”. O Paraná é hoje o maior 
produtor de peixes de cultivo do Brasil, com 73,8 mil to-
neladas, seguido por Santa Catarina e Mato Grosso, com 
53,6 mil toneladas e 48,7mil toneladas, respectivamente.
Apesar do entusiasmo, o presidente da associação 
avalia que é preciso melhorar as condições de financia-
mento para o aquicultor. “Hoje um dos nossos maiores 
problemas é conseguir crédito, porque o banco exige 
do produtor garantias que não temos. O que nós preci-
samos é de um seguro de produção nos mesmos mol-
des do que existe na agricultura, que cubra os prejuízos 
causados pelas chuvas e pelo vento.”
 Beatrice Gonçalves
Sul  153,7
Norte  94,6
Nordeste  134,4
Centro-Oeste  75,1
Sudeste  86,8
Fonte: Boletim Estatístico da pesca e da Aquicultura 2011
PRODUçãO POR ESPéCIES (2011)
(em mil toneladas)
Tilápia
253,8
Tambaqui
111
Tambacu
49,8
Carpa
38
pacu
21,7
2014 43
O 
camarão cultivado já teve um papel de 
destaque na economia brasileira. Em 1998, 
chegou a representar 55% das exportações 
de pescado do País. Nessa época, o Brasil 
foi o maior exportador da espécie – de pe-
queno e médio porte – para os Estados Unidos, à frente 
de grandes produtores como China, Tailândia e Equador. 
Na última década, a atividade enfrentou uma ação an-
tidumping norte-americana, que travou esse mercado, 
também afetado pela desvalorização cambial. Em 2012, 
não houve exportação. Depois de dez anos de muitas 
dificuldades, a carcinicultura, que acabou se voltando 
totalmente para o mercado interno, mostra os primei-
ros sinais de recuperação, com tímidas exportações 
para a França e a Espanha. 
A carcinicultura asiática enfrenta atualmente uma crise 
em decorrência de uma doença, a Síndrome da Mortali-
dade Súbita. “Já se projeta uma redução de 400 mil to-
neladas na produção do setor em 2013”, conta Itamar de 
Paiva da Rocha, presidente da Associação Brasileira de 
Criadores de Camarão (ABCC). Segundo ele, esse cenário 
configura uma situação favorável para que o camarão cul-
tivado no Brasil retorne ao mercado interancional, mais 
especificamente ao europeu.
Para Rocha, a principal causa das dificuldades que a ati-
vidade encontrou nos últimos dez anos é a falta de inves-
timento. “Outros países enfrentaram a taxação dos EUA e 
a desvalorização cambial. Mas só nós fomos prejudicados 
por faltade incentivos por parte do governo, como os que 
foram dados para outros setores”, avalia. 
A ABCC tem trabalhado para tentar ajudar os produ-
tores em várias frentes. A formação e a informação é 
uma das principais delas. “Nós valorizamos a informa-
ção e oferecemos cursos sobre boas práticas de mane-
jos para os produtores. Acreditamos que a qualificação 
é a nossa arma.”
O estado do Ceará é responsável por quase metade da 
produção nacional de camarão. Em 2011, respondeu por 
35 mil das 75 mil toneladas produzidas em todo o País. 
RECONQUISTANDO ESPAçO
PRINCIPAIS CULTIvOS
Depois de uma década de crise, a carcinicultura brasileira dá sinais de 
recuperação e pode se beneficiar de um mau momento do setor na Ásia
itamar de 
Paiva da rocha, 
presidente 
da aBCC, é 
engenheiro 
de pesca
Fotos: Arquivo ABC
C
1º ANUÁRIO BRASILEIRO DA PESCA E AQUICULTURA44
 RECONQUERING
 SPACE
FarMed sHriMPs had already had 
an important role in the Brazilian economy. 
in 1998, it represented 55% of fishing 
exports in the country. at that time, Brazil 
was the greatest exporter of shrimps – small 
and medium size – to the usa followed by 
China, Thailand and ecuador. 
However, the activity suffered an 
antidumping action by the usa this last 
decade which stuck this market that was 
also affected by rate depreciation. in 2012, 
there was no export. after ten difficult 
years, shrimp farming, which had totally 
turned to the internal market, shows its 
first steps with timid exportations to 
France and spain. 
asian shrimp farming is facing its 
crises due to a disease, the sudden death 
syndrome. “We already projected a 
production decline of 400 thousand tons 
in 2013”, says itamar de Paiva rocha, 
president of the Brazilian association of 
shrimp Farmers (aBCC). according to him, 
this scenario shows a favourable situation 
for farmed shrimps in Brazil to return to the 
international market, especially to 
the european one.
aBCC has worked with several fronts to 
help farmers. Training and information are 
the main ones. “We appreciate information 
and offer courses about handling 
practices for the farmers. We believe that 
qualification is our weapon.”
De acordo com Cristiano Peixoto Maia, presidente da As-
sociação de Criadores de Camarão do Ceará (ACCC), o 
estado possui 6.800 produtores, sendo 70% de micro e 
pequeno porte, 20% de médio porte e apenas 10% de 
grande porte; e a atividade gera 20 mil empregos diretos. 
Segundo dados da ACCC, a produção do estado cres-
ceu de 20 mil toneladas em 2010 para 35 mil toneladas 
em 2012 e a expectativa para o ano de 2013 é de 40 mil 
toneladas. “Temos um projeto com o governo do estado 
para dobrar a produção de 40 mil para 80 mil toneladas 
em cinco anos”, informa Maia. A expectativa é aumentar 
a produtividade em 50% e inserir no mercado 50% a mais 
de novos produtores. 
 por Daniele martins
2014 45
Produção: 65,7 mil toneladas
variação 2010/2011: -5,4%
CARCINICULTURA NO BRASIL EM 2011
Fonte: Boletim Estatístico da Pesca e Aquicultura 2011/MPA
E
ntrar no mercado europeu é a meta na Fazenda 
Marinha Atlântico Sul, maior produtor catarinense 
de ostras. Instalada em um dos melhores lugares 
do mundo para o cultivo de moluscos, as águas 
abrigadas da Ilha de Santa Catarina, a empresa 
produziu, em 2012, 155 mil dúzias de ostras sob o rígido 
controle de qualidade que a credencia a fornecer o produto 
de origem animal em todo o Brasil – São Paulo e Rio de Ja-
neiro são os principais compradores. 
A Atlântico Sul é uma das pouquíssimas fazendas entre 
as 134 que produzem ostras em Santa Catarina a obter 
o Serviço de Inspeção Federal (SIF). O sócio-gerente da 
fazenda, Fábio Brognoli, destaca que para obter o selo 
foi preciso investir e treinar pessoal, o que acabou ele-
vando o custo do seu produto. Vende a dúzia de ostras 
a R$ 10, enquanto no Mercado Público de Florianópolis 
PROCEDêNCIA 
GARANTIDA
PRINCIPAIS CULTIvOS
Credenciamento e fiscalização sanitária 
de criadores é o caminho para fortalecer a 
cadeia produtiva e abrir novos mercados
é vendida a R$ 6. “Hoje não temos fiscalização alguma, ou 
seja, apenas quem é legalizado (cinco fazendas) é fiscaliza-
do, o que coloca toda a produção numa vala comum; e quem 
sofre as consequências é o consumidor” lamenta Brognoli. 
Responsável por mais de 90% da produção nacional de 
ostras, Santa Catarina comercializou 2,3 mil toneladas em 
2012, 8% a mais em relação à safra anterior. Florianó-
polis, com 1,9 mil toneladas, foi o município que mais 
contribuiu. A espécie cultivada no Sul do País é a ostra do 
Pacífico, enquanto a ostra nativa (de mangue) é criada no 
litoral paulista, no Norte e no Nordeste do Brasil.
Apesar do pioneirismo na maricultura – desenvolvida 
desde o final da década de 1980 como alternativa à pesca 
artesanal –, Florianópolis ainda não criou o serviço de 
inspeção municipal (SIM). A venda também ocorre infor-
malmente, uma vez que não há inspeção que assegure a 
procedência das ostras. Para o gerente da Atlântico Sul, 
esse “mercado clandestino”, como ele qualifica, é a maior 
dificuldade para as empresas legalmente estabelecidas. 
“Essa situação deixa a cadeia produtiva quebrada. Ela não 
consegue se estabelecer, pois os informais crescem, man-
dam nas ações e movimentações do mercado”, diz Brog-
noli, que vê na exportação a melhor oportunidade para 
expandir seu negócio.
“Existem demandas no mercado internacional, mas a 
nossa legislação caminha a passos lentos. Avançamos, 
mas ainda não temos condições de exportar para o mer-
cado europeu.” Brognoli acredita que leve pelo menos 
em 2011, o Brasil 
produziu 2,5 mil 
toneladas de ostras
1º ANUÁRIO BRASILEIRO DA PESCA E AQUICULTURA46
 GUARANTEED 
ORIGIN
THe GreaTesT oyster producer in 
santa Catarina state, Fazenda Marinha 
atlântico sul, aims to be in the european 
market. The company is in one of the 
world’s best places for mollusc-farming, the 
waters sheltered by santa Catarina island. 
it farmed 155 thousand dozens of oysters 
last year under a very strict quality control 
enabling the company to supply the product 
all over Brazil - são Paulo and rio de Janeiro 
are the main buyers. 
among the 134 farms, atlântico sul 
belongs to the very few ones producing 
oyster in santa Catarina under the service 
of Federal inspection (siF). The managing 
partner, Fábio Brognoli, says they needed 
to invest and train the staff to get the seal; 
this ended up increasing the costs. it sells a 
dozen of oysters for r$10 whereas the local 
public market sells it for r$6.
santa Catarina is responsible for 90% of 
the national oyster production. in 2012, it 
sold 2.5 thousand tons; 8% more than its 
last harvest. in south of Brazil, the Pacific 
oyster is farmed while the native oyster 
(from mangrove) is cultivated in the shore 
of são Paulo, north and northeast of Brazil.
“There are demands from the 
international market but our legislation 
is quite slow. We have moved ahead but 
we are unable to export to the european 
market.” Brognoli believes it will take at 
least two more years for santa Catarina 
to meet with the sanitary demands of the 
european community. 
Fotos: Arquivo SEApSC
dois anos para que Santa Catarina atenda às exigências 
sanitárias da comunidade europeia. Em recente viagem à 
Europa, o prefeito de Florianópolis, Cesar Souza Júnior, 
firmou parceria com um instituto francês na área de mari-
cultura. “Os técnicos europeus virão a Florianópolis ava-
liar a qualidade de nossas ostras. Precisamos nos adequar 
aos padrões internacionais para abrir novos mercados”, 
diz o prefeito.
 por karla Santos
EvOLUçãO DA PRODUçãO EM SANTA CATARINA 
EM TONELADAS
1991
43 
1.600
2.300
2001 2011
Fonte: Epagri
2014 47
C
om um litoral bastante recortado,condições 
climáticas e ambientais favoráveis, como a 
temperatura média da água em torno de 18ºC 
em suas baías abrigadas, Santa Catarina con-
quistou a posição de líder nacional no cultivo 
de mexilhões. Mais de 90% dos mariscos produzidos no 
Brasil são cultivados no estado, cuja safra cresce á média 
anual de 30%.
ÁGUA BOA
PRINCIPAIS CULTIvOS
Condições climáticas e ambientais 
favoráveis fazem de Santa Catarina 
o maior produtor de mexilhões 
cultivados do Brasil
Alex Alves dos Santos / Epagri
Em 2012 os 612 produtores catarinenses venderam 21 
mil toneladas de marisco, o que é muito pouco diante do 
enorme potencial da costa brasileira para a maricultura. De 
acordo com o engenheiro agrônomo Alex Alves dos San-
tos, do Centro de Desenvolvimento de Aquicultura e Pesca 
da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de 
Santa Catarina (Epagri), a safra catarinense equivale à pro-
dução de uma fazenda marinha da França, por exemplo. Já a 
produção somada dos demais estados produtores no Brasil 
(Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo) está em torno de 
600 toneladas por ano. “Cultivar moluscos é uma atividade 
nova no Brasil, se compararmos com o Chile (maior produ-
tor da América latina), que pratica a maricultura há 70 anos, 
ou com a França, há 200 anos”, avalia Santos.
Além de contar com o apoio da Epagri e das universida-
des Federal de Santa Catarina (UFSC) e do Vale do Itajaí 
(Univali) desde a implantação das primeiras fazendas ma-
rinhas, no final dos anos 1980, outra vantagem do litoral 
catarinense é que em suas águas o tempo de cultivo do 
1º ANUÁRIO BRASILEIRO DA PESCA E AQUICULTURA48
 GOOD wATER
OVer 90% OF Mussels produced 
in Brazil are farmed in santa Catarina 
state; its harvest is increasing from 
the annual average of 30%. last year, 
the 612 producers in the state sold 21 
thousand tons of mussels. This is not much 
considering the huge mariculture potential 
in the Brazilian shore. according to alex 
alves dos santos, an agronomy engineer 
of epagri (santa Catarina rural extension 
and agricultural research enterprise), the 
harvest in the state is the same amount 
produced in a French marine farm, for 
example. still, the production of other 
Brazilian states (espirito santo, rio de 
Janeiro and sao Paulo) sums about 600 
tons a year. “Farming molluscs is a new 
activity in Brazil if we compare to Chile 
(the leader in latin america) that has been 
in the mariculture for 70 years, or even to 
France, for 200 years”, evaluates santos.
Besides of having counted on epagri 
and universities support since the late 80s 
with its first marine farms, santa Catarina 
has an indented coastline, good climate, 
environmental conditions and the average 
temperature of water around 18°C in its 
sheltered bays. Mussels are farmed for only 
eight months in its waters; an excellent 
productivity indicator if compared with 
other producer countries. in China, the 
world leader, harvest happens from 12 to 
14 months after sowing. in new zealand, 
which is another great market, it 
takes 18 months. 
marisco é de apenas oito meses, indicador de produtividade 
considerado excelente na comparação com os demais países 
produtores. Na China, líder mundial, a colheita é feita de 12 a 
14 meses após a semeadura. Na Nova zelândia, outro grande 
produtor, a espera é de 18 meses. 
 A criação de mexilhões em Santa Catarina depende de 
força braçal, é familiar e concentra-se na região costei-
ra de Palhoça, na Grande Florianópolis. Responsável por 
65,4% da produção estadual de marisco (14 mil toneladas 
em 2012), o município quer transformar a maricultura de 
subsistência em agronegócio. Para isso, está investindo 
em tecnologia e quer importar do Chile o know how de 
mecanização de cultivo e de processamento industrial. 
A expectativa é triplicar a produção em cinco anos. 
Flávio Martins produz 450 toneladas de marisco por ano 
em sociedade com o sogro – que o incentivou a ingressar na 
atividade há 14 anos – e outro parceiro na fazenda marinha 
Mar Pesc, em Palhoça. Hoje sua maior dificuldade é captar as 
formas jovens de mexilhão, chamadas de sementes. Como 
a maioria dos criadores, Flávio utiliza coletores artificiais de 
sementes, que não tiveram bom resultado nos últimos dois 
anos. O plano B, acionado em 2010 e 2011, é a compra de 
sementes produzidas em laboratório. O processo de assen-
tamento dessas larvas é muito trabalhoso, na avaliação do 
empresário, que optou por investir na mecanização para re-
duzir o trabalho braçal em sua fazenda e na implantação de 
uma unidade de beneficiamento de produtos à base de fru-
tos do mar. Depois de quatro anos de pesquisa, a Mar Pesc 
fabrica 15 tipos pratos congelados.
 por karla Santos
1900 2000 2010 2012
190
11.300
13.700
21.000
EvOLUçãO DA PRODUçãO CATARINENSE
EM TONELADAS
Fonte: Epagri
2014 49
1º ANUÁRIO BRASILEIRO DA PESCA E AQUICULTURA50
O 
potencial da ranicultura brasileira é imen-
so e o país desponta como um dos players 
mais bem preparados para competir no 
cenário global. Detém tecnologia de pro-
dução intensiva, parque agroindustrial pu-
jante, ampla rede de pesquisa e clima favorável. 
O grande trunfo brasileiro é o de ter alcançado know 
how na produção em cativeiro. Os maiores produtores 
estão na Ásia – Taiwan, Indonésia e Tailândia –, que se 
utilizam da criação extensiva ou da captura na natureza 
de exemplares da Rana tigerina. Como tem aumentado a 
pressão contra práticas ambientais predatórias nesses pa-
íses, abre-se um grande nicho de mercado para o Brasil, 
cuja criação é exclusivamente da espécie rã-touro gigante 
(lithobates catesbeianus). Além da carne, pele e óleo de 
fígado têm grande apelo comercial. 
Destaca-se também a produtividade dos criadou-
ros brasileiros: 20 quilos de rãs por metro quadrado 
ao ano. A produção mundial, de acordo com a ONU, 
está na casa das 6 mil toneladas anuais. No Brasil, 
segundo o censo aquícola mais recente, foram produ-
zidas 600 toneladas em 2008. Estima-se que estejam 
em operação cerca de 100 ranários, número bem infe-
rior ao que chegou a existir na década de 1980, quando 
mais de 2 mil estabelecimentos exploravam a ativida-
de, mas sem muito profissionalismo.
É preciso, contudo, superar barreiras. Uma delas é a 
falta de ração específica para rãs, ainda alimentadas com 
ração para peixes. Outra é vencer resistências alimentares 
decretadas por hábitos e costumes. Importante, também, 
é atingir uma escala de produção que derrube os preços, 
entre R$ 35 e R$ 40 o quilo. Com produção irregular, o 
mercado não fideliza clientes.
Mas há iniciativas que prometem estabilizar a equação. 
Em Santa Catarina, a Ranac processa carne e derivados 
de rã ancorando-se no sistema de integração de unidades 
familiares. A agroindústria localiza-se em Antônio Carlos, 
O PULO DA Rã
PRINCIPAIS CULTIvOS
A ranicultura renasce no Brasil, ancorada em 
tecnologia própria que coloca o País em vantagem 
em relação a outros produtores mundiais
município a 35 quilômetros de Florianópolis. A reprodu-
ção e o desenvolvimento larvar ocorrem na empresa e as 
famílias cuidam da engorda dos animais quando atingem 
a fase intermediária (imagos). A Ranac produz 6 tonela-
das de carne por mês, comercializando 70% no mercado 
nacional e exportando os outros 30%. É a única empre-
sa do mundo a ter certificação de rastreabilidade em 
todas as fases de produção. Para o proprietário Flávio 
2014 
 A FROG UPON 
ONE’S SLEEvE
FROG-FARMING IS a huge potential 
in Brazil and the country has one of the best 
prepared players to compete in the global 
scenario: it holds technology of intensive 
production, wide research network and good 
climate. Besides of meat, frogs’ skin and liver 
oil have great commercial appeal. 
Having reached a know-how in farming 
productionis the country’s triumph; it has 
provided 20kg of frogs by square metre per 
year. The greatest producers in Asia – Taiwan, 
Indonesia, and Thailand – using extensive 
farming or capturing species of Rana tigerina 
from the wild. As the pressure against 
predatory practices has increased in there, 
a great market niche opens to Brazil whose 
only farmed species is the giant-bullfrog 
(lithobates catesbeianus).
However, we need to overcome some 
obstacles. One of them is the lack of specific 
food for frog; it is still fed by fish food. 
Another one is to overcome feeding habitual 
resistances. It is also important to reach a 
production scale that reduces the current 
prices from R$ 35 to 40/kg. It is not possible 
to have loyal clients with irregular production.
Some initiatives must stabilize the maths. 
In Santa Catarina state, Ranac processes 
meat and frog products settled in family 
integration systems. Reproduction and larval 
development happen in the company and 
families take care of fattening after reaching 
an intermediate phase.
lawless, “os maiores desafios são a obtenção de ração 
específica, a criação de uma rede confiável de comer-
cialização e o respeito às normas sanitárias” – única 
forma de abrir os mercados norte-americano e euro-
peu, para os quais, aliás, a Ranac já exporta.
 por Flávio Cardozo Jr.
além de rãs 
inteiras, a 
ranac, de 
antônio Carlos 
(sC), beneficia a 
carne e produz 
bolinhos e 
coxinhas de rã
Proprietário da 
ranac, Flávio 
lawless é 
engenheiro de 
alimentos
Fotos: D
ivulgação R
anac
51
O 
cultivo das algas é dividido em dois ti-
pos: macroalgas (visíveis a olho nu) e mi-
croalgas (microscópicas). As macroalgas 
podem ser utilizadas de forma direta na 
alimentação ou como matéria-prima para 
extração de substâncias empregadas na indústria ali-
mentar e de higiene pessoal, como os colóides, e em 
aplicações farmacológicas. No caso das microalgas, 
podem ser utilizadas na alimentação humana (adi-
tivos alimentares, óleos, pigmentos e carboidratos 
especiais) e de organismos aquáticos, e ainda na 
produção de biocombustíveis.
Milenar na Ásia, a algicultura no Brasil é relativa-
mente recente. Ainda são poucas as espécies cultivadas e 
as unidades produtivas, de acordo com o censo aquícola 
de 2008 do Ministério da Pesca e Aquicultura. “A falta 
de incentivo e a carência de mão de obra especializada e 
de programas de extensão e assistência voltados para o 
cultivo de macroalgas talvez sejam os principais entraves 
para o crescimento da atividade”, afirma Beatriz Castelar, 
pesquisadora da Fundação Instituto de Pesca do Estado 
do Rio de Janeiro (Fiperj). O mesmo ocorre no segmen-
to de microalgas, que necessita de mais investimentos 
para a realização de pesquisas que melhorem a produ-
tividade, uma vez que elas têm importância ecológica, 
econômica e social, segundo Wanessa Costa, também 
pesquisadora da Fiperj.
A bióloga da Fiperj luzia Triani, no entanto, acredita 
que o setor é promissor. “O mercado interno deman-
da matéria-prima, as tecnologias de produção das duas 
espécies já estão consolidadas e são muito acessíveis, 
e pesquisas vêm sendo desenvolvidas em quase todos 
os estados litorâneos para o desenvolvimento da ativi-
dade”, relata.
No Nordeste há o cultivo da Gracilaria birdiae, da qual 
se extrai o agár-agár. Estes cultivos são realizados por 
comunidades litorâneas e parte da produção é comerciali-
PLANTAçõES NA ÁGUA
PRINCIPAIS CULTIvOS
Ainda recente no Brasil, o cultivo de algas destaca-se 
como segmento promissor na aquicultura
zada para a indústria de colóide e parte beneficiada pelos 
próprios maricultores, que produzem e vendem gelatinas, 
xampus e cremes. No Sudeste estão concentrados os cul-
tivos de Kappahycus alvarezii, fonte de outro colóide, a 
carragenana. Ainda assim, a produção de macroalgas cul-
tivadas no país não supre a demanda da indústria nacional 
e, segundo o Ministério de Desenvolvimento, Indústria e 
Comércio Exterior, o país importa mais de mil toneladas 
anuais de agár-agár e carragenana.
A produção de microalgas para extração de óleo com-
bustível também ocorre principalmente no Nordeste e 
1º ANUÁRIO BRASILEIRO DA PESCA E AQUICULTURA52
Censo Aquícola Nacional 2008
DISTRIBUIçãO DO CULTIvO NO PAÍS
61%
20%
18%
CEARÁ
RIO GRANDE 
DO NORTE
RIO DE JANEIRO
1%
PARANÁ
74 
UNIDADES 
PRODUTIvAS
Sudeste. “Porém, todos os estados têm potencial para essa 
atividade, já que a produção de microalgas pode ser rea-
lizada em laboratórios de pequeno e grande porte, sem a 
necessidade de estarem localizado próximo à costa, já que 
existem microalgas marinhas e de água doce”, diz Beatriz. 
E, com a implantação da piscicultura marinha no Brasil, as 
perspectivas no setor de produção de microalga aumen-
tam, pois a fase da larvicultura (início da piscicultura) é 
dependente da produção de microalgas.
 por Deise Furtado
 PLANTATIONS 
IN ThE wATER
THere are TWO kinds of 
seaweed-farming: macroalgae (visible to 
naked eye) and microalgae (microscopic). 
Millenary in asia, seaweed-farming is quite 
recent in Brazil. The 2008 aquaculture 
census of the Ministry of Fisheries and 
aquaculture says there are only few 
productive units and species farmed. luzia 
Triani, the biologist of the fishing research 
institution Fiperj in rio de Janeiro believes 
the sector is promising. “The domestic 
market demands raw-material and 
production technologies of both species 
have been consolidated and are accessible. 
also, researches about it are developed in 
almost all coastal states.”
in northeast, Gracilaria birdiae is farmed 
for agar extraction whereas in southeast 
it is kappahycus alvarezii as a source of 
another colloid, the carrageenan. still, 
the production of farmed macroalgae 
does not supply the national demand. The 
Ministry of development, industry and 
international Trade informs that more than 
a thousand tons of agar and carrageenan 
are annually imported.
Microalgae-farming to produce fuel 
happens more in the northeast and 
southeast. “However, all states are able 
for such activities; microalgae production 
may be carried out in small and large 
laboratories. There is no need to be close to 
the coast as there are salt and freshwater 
microalgae”, says the researcher Beatriz 
Castelar. With the marine fish-farming, 
there are promising perspectives for the 
microalgae production because larviculture 
depends on microalgae. 
Gracilaria birdiae, 
natural do nordeste, 
da qual se extrai o 
agár-agár
Fotos: Arquivo Fiperj
2014 53
E 
la chegou de fora, mas se adaptou muito 
bem às lagoas brasileiras, ao ponto de hoje 
representar quase metade da produção da 
aquicultura continental nacional. A tilápia 
tomou conta dos criadouros do País e con-
quistou o paladar dos consumidores. Prova disso é 
o crescimento expressivo do volume produzido nos 
últ imos anos: 130% de 2008 a 2011.
A secretária de Planejamento e Ordenamento da Aqui-
cultura do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), Ma-
ria Fernanda Nince, destaca que a abundância de recursos 
hídricos e as condições climáticas fazem do Brasil um país 
com grande potencial para a produção da espécie, que 
apresenta lucratividade compensadora e em curto prazo. 
E o paladar também ajuda. “O sabor leve da carne e as 
diferentes possibilidades de processamento favorecem a 
aceitação”, acrescenta. A zootecnista Marcela Mataveli, 
analista da Embrapa com doutorado em reprodução de 
tilápia, reconhece que a adaptação do peixe de origem 
africana às propriedades brasileiras foi muito boa e que a 
produtividade se destaca entre as demais espécies. “Uma 
das vantagens é que esta alta produção permite a redução 
do preço final do produto”, destaca Marcela.
Em setembro de 2013, na abertura da ConferênciaMun-
dial sobre Tilápia, no Rio de Janeiro, o próprio ministro da 
Pesca e Aquicultura, Marcelo Crivella, disparou: “O mundo 
precisa de tilápia”. Segundo ele, a produção de pescado 
se traduz como uma oportunidade de criar novos negó-
cios e empregos e, ainda, contribuir com uma a proteína 
de alto valor para a segurança alimentar e nutricional da 
população.
O primeiro censo aquícola do País, divulgado em setem-
bro, aponta que, entre os estados, Santa Catarina se des-
RAINhA 
DA LAGOA
ESPéCIES PROmISSORAS
Produção crescente de Tilápias 
já representa quase metade do 
total produzido pela aquicultura 
continental brasileira 
taca com 20% dos produtores do País, seguido por Paraná 
com 16%. Ganham espaço os parques no modelo pesque-
-pague. São propriedades como o Valle Verde, localizado 
em Mandirituba (PR). Criado em 2004, hoje tem na tilápia 
o seu principal produto. “De tudo que vendemos, 90% é 
tilápia. É a preferência do público”, afirma o proprietário 
Edelar Comparin.
Mas, para manter o reinado na lagoa, é preciso supe-
rar algumas barreiras. Ricardo Neukirchner, presidente 
da Associação Brasileira de Criadores de Tilápia e diretor 
da empresa Aquabel, de Rolândia (PR), especializada em 
produção de alevinos de tilápia, diz que o ponto mais 
urgente é a padronização das regras entre os estados para 
o licenciamento ambiental das propriedades. No entanto, 
ele reconhece o potencial para manter a supremacia da 
espécie, com destaque para o abastecimento do consumo 
nacional, já que o câmbio atual não favorece a exportação. 
“O nosso mercado interno está em pleno crescimento, e 
quem ampliar a produção com certeza vai ter demanda. 
Quando se fala em aquicultura no Brasil, se fala em tilápia. 
É como se fala em frango quando o assunto é avicultura.”
  por Alexandre Lenzi 
a Tilápia é considerada uma das espécies mais 
promissoras para conquistar o mercado externo
1º ANUÁRIO BRASILEIRO DA PESCA E AQUICULTURA54
TIlAPIA IS NOT ORIGINAlly from 
Brazil but it has got adapted very well to 
Brazilian lagoons; today it represents almost 
half of the Brazilian continental production 
of aquaculture. The secretary of Planning 
Aquaculture at Ministry of Fisheries and 
Aquaculture (MPA), Maria Fernanda 
Nince, highlights the affluence of water 
resources and climatic conditions enable 
Brazil to have a great potential to produce 
this species that will present a rewarding 
profitability in a short-term. Its taste also 
helps. “Its smooth flavour and the different 
processing possibilities are advantages for 
its acceptance.”
Marcela Mataveli, zootechnician and 
Embrapa’a analyst with a PhD in tilapia’s 
reproduction, acknowledges a very good 
adaptation of this African fish to Brazilian 
properties and its productivity is detached 
among other species. “One advantage of 
such high production is the possibility of 
reducing its final price.”
However, to keep being the queen of 
lagoon, some barriers need to be surpassed. 
Ricardo Neukirchner, the president of 
Brazilian Association of Tilapia Farmers, 
states the need to standardize rules of 
environmental licensing in Brazilian 
states. But he perceives the potential of 
this species: “Our domestic market is 
growing considerably; whoever extends the 
production will certainly have demands. 
If we talk about Brazilian aquaculture, we 
talk about tilapia. It is like chicken in the 
aviculture market.”
 QUEEN OF 
ThE LAGOON
A
rq
uivo M
P
A
Sul  41%
Norte  3%
Nordeste  31%
Centro-Oeste  3%
Sudeste  22%
Fonte: Boletim Estatístico da pesca e Aquicultura 2011
PRODUçãO NACIONAL
EM TONELADAS
2008 2009 2010 2011
111 
mil 
133 
mil 
155 
mil 
254 
mil 
PRODUçãO POR REGIãO
2014 55
1º ANUÁRIO BRASILEIRO DA PESCA E AQUICULTURA56
N
a natureza, o tambaqui é um peixe originá-
rio da Bacia Amazônica. Durante o perío-
do da seca, é encontrado nos rios de águas 
barrentas, desovando e vivendo da gordura 
que acumulou. Os peixes jovens se alimen-
tam de zooplânctons. Na cheia entram nos igapós para 
se alimentarem de frutos e sementes, pois são onívoros, 
apresentando um hábito alimentar bem variado.
“Por ser um peixe rústico, é adaptável aos diversos sis-
temas de produção encontrados na piscicultura; por isso 
é o peixe preferido para cultivo na região Norte”, afirma o 
zootecnista Thiago Tetsuo Ushizima, diretor de Pesquisa 
da Mar & Terra, empresa especializada em produção e 
processamento de peixes nativos do Brasil. Segundo ele, 
o sistema de reprodução e de produção de alevinos de 
tambaqui é bem dominado, e algumas centenas de labo-
ratórios fazem esta operação. 
As espécies redondas, como tambaqui e pacu, têm 
muita força no mercado doméstico, e mesmo tendo es-
pinhos é possível produzir produtos sem espinhos a 
partir delas. O principal deles é a costelinha de tamba-
qui, sua parte mais nobre. “A Mar e Terra hoje exporta 
esse produto para vários países, o qual, inclusive foi 
premiado há dois anos em Bruxelas, em uma das maio-
res feiras de pescado do mundo, a Prix d’Elite, receben-
do essa distinção como melhor produto ‘food service’ 
da Europa”, conta Ushizima.
Os redondos são mais gordos, por isso são muito pro-
curados para o preparo assado, e o maior mercado de-
les no Brasil está no Norte, principalmente em Manaus 
e Belém, onde são vendidos na forma “inteiro e fresco”. 
Segundo Ushizima, a Mar e Terra produz o alevino, faz 
O NELORE 
DAS ÁGUAS
ESPéCIES PROmISSORAS
Rusticidade do tambaqui e disponibilidade de 
alevinos e tecnologias facilitam o cultivo da 
espécie nas regiões quentes do País
a engorda, o processamento e a comercialização. Atual-
mente a empresa está presente em Mato Grosso, Mato 
Grosso do Sul, Paraná, São Paulo e Rondônia através de 
uma rede de parceiros.
“Temos ainda um setor de pesquisa para o desen-
volvimento de tecnologia para espécies nativas, em es-
pecial pirarucu e pintado”, diz Ushizima. Para ele, as 
pesquisas são fundamentais e devem ser permanente-
mente desenvolvidas e utilizadas, pois a aquicultura é 
um setor muito novo. O chefe geral da Embrapa Pesca 
e Aquicultura, Carlos Magno Campos da Rocha, apon-
ta que, para a expansão da produção, uma saída é o 
melhoramento genético. “No Sul se está produzindo 
o tambacu, cruzamento de tambaqui com pacu. É que 
o tambaqui, peixe amazônico, não suporta mudanças 
na temperatura da água. Já o pacu tem tolerância boa 
a essa variação. É uma iniciativa dos produtores, mas 
atualmente mais de 
90% da produção 
de pescado em 
rondônia é da 
espécie tambaqui
 NELORE 
OF wATERS
IN THE NATURE, tambaqui comes 
from the Amazon Basin. During the drought 
period, they are found in rivers of muddy 
water spawning and living from the fat 
they accumulated. The young ones eat 
zooplanktons. During the flood period they 
go to igapós (flood forests) to eat fruits and 
seeds; they are omnivorous presenting a 
varied diet.
“Being a wild fish, tambaqui is adaptable 
to several systems of production of fish-
farming. That is the reason it is the favourite 
fish to cultivate in the North region”, states 
the zootechnician, Thiago Tetsuo Ushizima, 
director of research at Mar & Terra, a 
company specialized in Brazilian native fish 
production and processing. According to 
him, the system to reproduce and produce 
juvenile fish of tambaqui is properly 
dominated. Mar & Terra produces the 
juvenile fish, fattens it and works with its 
processing and commercialization. “We also 
have a research sector to develop technology 
for the native species, especially pirarucu 
and pintado”, he says.
Tambaqui is very strong in the domestic 
market; even with bones it is possible 
to produce boneless products out of it. 
The main one is tambaqui ribs, the most 
appreciated part of it. “Mar & Terra exportsthis product to several countries and it 
was awarded in one of the biggest seafood 
fairs of the world in Brussels, Prix d’Elite, 
detached as the best ‘food service’ in 
Europe, says Ushuzima. 
Jefferson C
hristofoletti / Em
brapa pesca e Aquicultura 
Produção em 2011: 111,1 mil toneladas
Unidades produtivas: 4,2 mil (2008)
TAMBAQUI NO BRASIL
Fonte: MPA (Boletim Estatístico da Pesca e 
Aquicultura 2011 e Censo Aquícola Nacional 2008)
exige cuidados, pois os híbridos não devem ser férteis; 
há o risco de contaminação caso eles escapem para a 
natureza e se reproduzam fora do ambiente controla-
do”, alerta o chefe da Embrapa.
 por marco Tulio Bruning
2014 57
O 
pirarucu é uma espécie que só existe na 
Amazônia. É um peixe de escama, carní-
voro, sem espinha, e sua carne tem alto 
valor de mercado e excelente valor gastro-
nômico, inclusive para a alta gastronomia, 
o que a faz muito procurada tanto no Brasil como no exte-
rior. Infelizmente ele está na lista de espécies ameaçadas 
de extinção, por isso sua pesca é controlada. Mas a boa 
notícia é que é um peixe muito resistente e adapta-se fa-
cilmente ao sistema de produção aquícola.
O zootecnista Thiago Tetsuo Ushizima, diretor de Pes-
quisa da Mar & Terra, empresa especializada em produção 
e processamento de peixes nativos nas regiões Norte e 
Centro-Oeste do Brasil, não esconde seu entusiasmo ao ser 
perguntado sobre o potencial de produção do pirarucu no 
país. “Hoje a Mar e Terra é o maior produtor brasileiro de pi-
rarucu. Em 2010, segundo dados do Ministério da Pesca e 
Aquicultura, foram produzidas 10 toneladas desse peixe em 
cativeiro. Em 2013, somente a Mar e Terra vai entregar 400 
toneladas, todas oriundas de reprodução controlada e certi-
ficada, portanto passíveis de exportação. E nossa meta para 
este ano é atingir mil toneladas”, afirma Ushizima. Segundo 
ele, com um hectare de criação de pirarucu é possível ex-
trair a mesma renda de 100 hectares de bovinocultura de 
corte extensiva.
O mercado deste pescado é para corte, em especial o 
filé. Ele é comercializado 80% no mercado doméstico e 
20% vai para exportação. “Mas a tendência é equilibrar 
essa divisão com o crescente interesse dos EUA para alta 
gastronomia e ‘food service’”, diz o diretor de Pesquisa 
da Mar e Terra.
O pirarucu oferece um excelente rendimento, pois cres-
ce aproximadamente de 10 a 12 quilos ao ano, enquanto 
um tambaqui cresce 2 quilos ao ano, e um pintado 1,5 
quilo ao ano. É uma das espécies que apresenta maior 
crescimento comparada a outras de água doce. Ele é pro-
cessado com cerca de 12 quilos, após um ano de engorda. 
JOIA BRASILEIRA 
ESPéCIES PROmISSORAS
Com carne de alto valor de mercado, fácil adaptação à produção em 
cativeiro e taxa de crescimento incomparável, o pirarucu tem tudo 
para virar a grande estrela da aquicultura nacional
Um dos grandes entraves à produção do pirarucu é a 
sua reprodução, pois não existe uma tecnologia de propa-
gação artificial desta espécie. “Esse é o maior gargalo na 
produção do pirarucu. Toda a reprodução ocorre de modo 
natural nas propriedades. Eles produzem pouca quantida-
de de ovos e há baixa eficiência na transformação de larva 
para juvenil, quando é hora de treiná-lo para comer ração 
– outro gargalo”, esclarece Ushizima.
O chefe-geral da Embrapa Pesca e Aquicultura, Carlos 
1º ANUÁRIO BRASILEIRO DA PESCA E AQUICULTURA58
 A BRAzILIAN 
TREASURE 
THE SPECIES PIRARUCU is only found in 
Amazon. It is a carnivorous, boneless scaly fish. 
Its meat is very valuable in the market, in the 
gastronomy and even in the haute cuisine making 
it very sought-after both in Brazil and abroad. 
Unfortunately it is found in the list of endangered 
species and for that reason, fishing is controlled.
The good side is that the fish is very resistant 
and can easily be adapted to the aquaculture 
system. Piracuru offers an excellent income 
because it grows about 10 to 12 kg a year 
whereas tambaqui and pintado grow 2 kg and 1.5 
kg a year, respectively.
One of the great problems to produce pirarucu 
is its reproduction because there has not 
been technology for artificial propagation yet. 
“Reproduction in the farms happens in a natural 
way. They produce a small quantity of eggs and 
there is not much efficiency to transform larva 
into juvenile fish when is time to teach them 
to eat feeding – another bottleneck”, clears out 
Thiago Tetsuo Ushizima, zootechnician and CEO 
of Pesquisa da Mar & Terra.
Carlos Magno Campos da Rocha, CEO of 
Embrapa Fishery and Aquaculture, also believes 
in this species. “I see pirarucu as a future star 
if the reproduction problem gets solved. It is 
fantastic; its carcass income is of 64%. It is 
also boneless, which is one of the problems 
tambaqui has because a lot of people are afraid 
of choking.” 
Magno Campos da Rocha, também aposta nessa es-
pécie. “O pirarucu pra mim é uma estrela, vai estourar 
a boca do balão se resolvermos o problema da repro-
dução. Ele é fantástico, o rendimento da carcaça dele 
é de 64%. E não tem espinha, que é uma limitação do 
tambaqui, por exemplo, pois muita gente tem medo 
de se engasgar.”
por marco Tulio Bruning
ainda sem uma técnica 
para reprodução em 
laboratório, matriz de 
pirarucu é separada 
para acasalamento na 
propriedade da Mar e Terra
D
ivulgação M
ar e Terra
2014 
Produção em 2011: 1,1 mil toneladas
Unidades produtivas: 233
PIRARUCU NO BRASIL
Fonte: Boletim Estatístico da Pesca e 
Aquicultura 2011/MPA
59
O 
retrato da cultura do camarão de água 
doce apresenta as mesmas limitações 
que o cultivo das outras espécies no Bra-
sil. O professor da Universidade Estadual 
Paulista (Unesp), Wagner Valenti, explica 
que a maior delas está na pouca oferta de pós-larvas. “Os 
criadores não têm hábito de produzir pós-larvas e preci-
sam comprá-las de terceiros. A larvicultura é complexa, 
no entanto bastante dominada tecnologicamente, mas os 
produtores de pós-larva têm dificuldades de se manterem 
no mercado, pois dependem das pessoas que fazem a en-
gorda, e mesmo com a boa demanda estão sujeitos a ins-
tabilidades como variação de preço e alta mortalidade, o 
que vêm dificultando a consolidação da cadeia produtiva 
do camarão de água doce no País.”
Bruno de lima Preto, coordenador do curso de Enge-
nharia de Aquicultura do Instituto Federal de Educação, 
Ciência e Tecnologia do Espírito Santo (IFES), explica que 
a produção de pós-larvas, elo inicial desta cadeia produti-
va, leva em torno de 30 dias. “É um animal muito sensível, 
que vive em um ambiente totalmente controlado. O valor 
de um milheiro para o criador, que vai fazer o crescimen-
to, fica hoje entre R$ 60 a R$ 70 para uma compra mínima 
de dez milheiros.”
Outra grande limitação à expansão do cultivo de ca-
marão de água doce está no segundo elo de produção, 
que pode durar entre quatro meses e meio a seis meses, 
dependendo da densidade do cultivo ou de passar ou 
não por um berçário. Quando em sistema de monocul-
tura, representa a maior parte dos custos de produção. 
“Ecologicamente, não é inteligente se trabalhar com a 
monocultura. Se por um lado há facilidades como o 
NOBRE DOS
TANQUES
ESPéCIES PROmISSORAS
Camarão de água doce tem boa aceitação no 
mercado, e em cultivo consorciado a peixes o 
custo de produção diminui
foco na comercialização, ou no controle sanitário de 
um só produto, por outro lado as oscilações tendem 
a afetar mais gravemente a produção”, aponta o co-
ordenador do IFES.
No norte do Paraná, os produtores têm obtido 
bons resultados com o policultivo de camarão com 
tilápia. O camarão de água doce aproveita muito 
bem o alimento produzido no próprio viveiro, re-
duzindo os custos de produção. Sendo um viveiro 
de terra, favorece o crescimento de uma comunida-
de que serve de alimentopara esses camarões. Ele 
fica no fundo do tanque, e consome a ração e orga-
nismos como larvas de inseto, minhocas, pequenos 
moluscos e crustáceos. “Se no ecossistema temos 
diversos níveis alimentares, ou seja, se tem lá um 
animal que consome fitoplancton, um que consome 
zooplancton, um que come a ração e outro que come 
o resto de ração, você coloca apenas um tipo de ali-
mento e abastece toda essa comunidade”, explica 
Bruno Preto.
 por marco Tulio Bruning
Menor custo de 
produção, obtido em 
fazendas do norte do 
Paraná, reflete no preço 
final ao consumidor, 
popularizando o 
consumo do camarão
 de água doce
1º ANUÁRIO BRASILEIRO DA PESCA E AQUICULTURA60
80
unidades de camarão 
gigante da Malásia
UNIDADES PRODUTIvAS
Fonte: Censo Aquícola Nacional 2008
7
unidades de 
camarão nativo
 ROyAL IN CAGES
One OF THe GreaTesT challenges in 
freshwater shrimp farming is larviculture. Post-
larvae production is the first step of the productive 
chain; it is a very complex and long process that 
takes about 30 days. “it is a very sensitive animal 
that lives in an entirely controlled environment. 
nowadays, the farmer who grows them will get 
in a thousand unit between r$ 60 and r$ 70 in 
a minimum purchase of ten units”, says Bruno 
de lima Preto, coordinator of the aquaculture 
engineer course of instituto Federal de educação, 
Ciência e Tecnologia do espírito santo (iFes).
The second step is the growth stage; it may last 
between four and a half to six months. When it 
is found in a monoculture system it represents the 
greatest part of the cost. However, in north of Paraná 
state, producers have been presenting good results 
with the polyculture of shrimp and tilapia. Freshwater 
shrimps use considerably the food produced within 
the vivariums. They stay on the bottom of the tank 
eating feed and organisms such as insect larvae, 
worms, small molluscs and crustaceous. “if we have 
several food levels in the ecosystem, if we have an 
animal that consumes phytoplankton, another that 
consumes zooplankton, one that eats feed and the 
other eats the feed leftovers, then we just have to put 
one kind of food and we supply all this community”, 
explains Bruno Preto. 
Arquivo Instituto de Pesca
2014 61
A
parência de um pequeno tubarão, carne bran-
ca de textura elástica e sabor suave, com filés 
de mais de um quilo. Este é o bijupirá, peixe 
nativo das águas marinhas brasileiras. Em um 
ano, ele atinge seis quilos, e alcança 15 quilos 
em dois anos.
Para o vice-diretor do Instituto de Pesca de São Paulo, 
Hélcio luis de Almeida Marques, o bijupirá tem um po-
tencial muito grande. “Foi uma medida muito acertada 
APOSTA 
NO mAR
ESPéCIES PROmISSORAS
Ainda em desenvolvimento tecnológico 
de produção, o bijupirá apresenta carne 
saborosa e ótimo potencial para criação 
em águas marítimas
do Ministério da Pesca e Aquicultura, na minha opinião, 
ter trazido ao debate a produção do bijupirá, pois houve 
uma grande resistência no começo. Ninguém conhecia 
esse peixe no Brasil, mas na verdade ele é mundialmente 
conhecido; e até cosmopolita, criado em vários lugares 
do mundo. Em toda região tropical com águas acima de 
24ºC pode ocorrer a produção de bijupirá, aqui no país 
também”, diz Marques.
O pesquisador lista como destaques a carne muito sa-
borosa, o crescimento muito rápido e o rendimento exce-
lente. “Dentre as espécies marinhas que temos, o bijupirá 
é a que tem maior potencial sem dúvida nenhuma, pois 
apresenta uma adaptação muito boa ao cativeiro, não tem 
muito problema de canibalismo a partir de certo tama-
nho, e o que está faltando para o sucesso é pesquisa.
O professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp), 
Wagner Valenti, reforça que ainda falta muita pesquisa 
uma das principais 
dificuldades no cultivo de 
bijupirá está na reprodução, 
que praticamente não 
ocorre nos laboratórios
Fotos: NOAA photo Library
1º ANUÁRIO BRASILEIRO DA PESCA E AQUICULTURA62
para se fazer um bom cultivo do bijupirá. “As empresas 
que entraram no negócio, saíram. Foi lançado o cultivo de 
uma espécie que ainda não está com a tecnologia domi-
nada no Brasil. Está havendo um avanço, mas ainda não 
há escala comercial”, esclarece Valenti.
Segundo ele, ainda há muita dificuldade com a repro-
dução da espécie. “É preciso conhecer melhor as exigên-
cias biológicas deste animal, em todas as etapas do seu 
ciclo de vida, desde a reprodução, cultura, etapa juvenil e 
crescimento final. A alimentação tem que ser adequada, 
pois o sistema de produção proposto é o intensivo, que 
só funciona com uma ração específica para aquela espé-
cie que está sendo cultivada, e a gente ainda não tem a 
informação para uma ração feita para o bijupirá”, destaca 
o biólogo da Unesp.
Por ser um peixe grande, destinado à criação em tan-
ques-rede no mar, a larvicultura exige tanques grandes, 
de 20 mil litros, que pesam cerca de 20 toneladas. Cada 
fêmea pode desovar de um milhão a quatro milhões de 
ovos, mas o índice de fertilização ainda não passa dos 
20%. Após 24 horas, os ovos eclodem, e em 15 dias a larva 
sofre uma metamorfose e passa a ser chamada de juve-
nil. Com 50 dias os juvenis são transferidos para gaiolas 
no mar. Apenas uma empresa está vendendo os juvenis 
do bijupirá, em Ilhabela, litoral paulista. “Posso apostar 
que em algum tempo, com mais investimento, o bijupirá 
vai se tornar a tilápia da água salgada no Brasil”, afirma 
Marques.
 BETTING 
ON ThE SEA
IT lOOKS lIKE A SMAll shark, 
its meat is white and elastic with a 
smooth flavour and its fillets weigh over a 
kilogram. This is bijupirá, a native Brazilian 
saltwater fish. It reaches 6 kg in a year and 
15 kg in two.
The deputy-director of Fishery Institute 
in São Paulo, Hélcio luis de Almeida 
Marques, believes bijupirá has a great 
potential. “I bet that with more investment 
bijupirá will turn to be the saltwater tilapia 
of Brazil soon”, he states. He highlights 
its tasty meat, fast growing and excellent 
income. “Bijupirá presents a very good 
adaptation in captivity and it has no 
problem with cannibalism after reaching a 
certain size. There is still a lack of research 
for it to be successful."
Wagner Valenti, professor of 
Universidade Estadual Paulista (Unesp) 
reinforces the need of a lot of research 
to farm bijupirá well. “Companies that 
entered in the business have already left. 
The cultivation of this species, which has 
not had a proper technology for farming 
in Brazil, was launched. There have been 
some improvements, but there is no 
commercial scale”, Valenti says. He states 
there is still much difficulty to reproduce 
and feed this species. 
2014 63
POLíTICAS E AçõES
Para elevar a produção nacional de pescados, em especial a da aquicultura, o 
governo federal tem investido em várias frentes, entre elas um mapeamento 
mais preciso do setor e o fortalecimento de parcerias
CEvANDO A 
CADEIA PRODUTIvA
Codevasf lançou 
cerca de 4 milhões de 
alevinos na bacia do rio 
são Francisco em 2013
A
rq
uivo C
od
evasf
1º ANUÁRIO BRASILEIRO DA PESCA E AQUICULTURA64
Victor C
arlson
segundo Tunes, 
iBGe levantará 
informações 
sobre produção, 
preço e dados 
sociais
A 
produção mundial de pescados é da ordem 
de 126 milhões de toneladas, e a previsão é 
de que, até 2030, a demanda internacional de 
pescado aumente em mais 100 milhões de to-
neladas por ano. O Brasil é um dos poucos 
países que têm condições de atender a essa crescente de-
manda, principalmente através da aquicultura, uma vez 
que a pesca extrativa tem registrado uma produção mun-
dial estável, de aproximadamente 90 milhões de tonela-
das por ano nos últimos cinco anos.
Para elevar a produção nacional, o Ministério da Pesca 
e Aquicultura está agindo em várias frentes.Aumentou as 
linhas de crédito disponíveis — apenas o Plano Safra ofe-
rece R$ 4,1 bilhões em recursos, dos quais R$ 500 milhões 
já foram contratados; está investindo em infraestrutura, 
principalmente nos Terminais Públicos Pesqueiros (TPPs); 
e desembaraçou os empecilhos ambientais para agilizar a 
implantação de tanques-rede e de viveiros escavados nas 
pequenas propriedades rurais, e também liberar o uso de 
200 reservatórios de água existentes em hidrelétricas e 
barragens para criação de peixes.
Hoje, no País, a aquicultura já responde por 40% de 
toda a produção de pescado. “O crescimento do setor 
pesqueiro nacional, em especial através da aquicultura, 
confirma a vocação do país para a atividade e estimula os 
brasileiros a expandir e a fortalecer os criatórios nas pro-
priedades rurais, nos reservatórios e no litoral”, afirma o 
ministro da Pesca e Aquicultura, Marcelo Crivella.
Conforme o MPA, as metas do plano de desenvolvi-
mento do setor passam por maior controle da qualidade 
e sanidade dos produtos pesqueiros e aquícolas, com re-
estruturação física, aquisição de equipamentos e de in-
sumos e preparação de recursos humanos da rede oficial 
de laboratórios; fomento da atividade com implantação 
de parques aquícolas, renovação da frota artesanal, pro-
moção, divulgação e certificação dos produtos aquícolas 
e pesqueiros no mercado nacional e internacional; e re-
cuperação, ampliação e custeio das cadeias produtivas 
a partir da consolidação dos TPPs. Equipamentos como 
escavadeira hidráulica e trator de esteiras também são 
adquiridos para prefeituras e consórcios intermunicipais 
construírem viveiros escavados nas propriedades.
Aumentar e consolidar as parcerias já existentes tam-
bém fazem parte das estratégias. A Companhia de De-
senvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba 
(Codevasf) tem fomentado a produção de pescado, em 
ações conjuntas com o MPA, como alternativa econômi-
ca no semiárido nordestino. Nos últimos quatro anos, já 
investiu mais de R$ 3 milhões na piscicultura na região 
com foco principal nos tanques-rede.
Os Centros Integrados de Recursos Pesqueiros e Aqui-
cultura operados pela Codevasf também receberam mais 
recursos ano passado, entre eles investimentos de R$ 14 
milhões para aumentar a produção de alevinos para o re-
povoamento de rios e viveiros de aquicultura. Em 2012, 
foram 11,7 milhões de alevinos e a previsão para 2013 é de 
15 milhões.
“Alguns centros, como Três Marias, Bebedouro e Itiúba, já 
estão com suas obras praticamente prontas”, explica o che-
fe da Unidade de Recursos Pesqueiros e Aquicultura da Co-
devasf, leonardo Sampaio. A Companhia também espera 
triplicar o número de peixamentos — repovoamento do rio 
usando algumas espécies nativas de peixes da bacia do São 
Francisco. O objetivo é aumentar os estoques pesqueiros, 
garantindo o futuro da pesca e gerando renda. Atualmen-
2014 65
te, existem 19 projetos de piscicultura em tanques-rede 
apoiados pela Codevasf no Piauí, e distribuição de alevi-
nos em várias localidades, como Guanambi e Bom Jesus 
da lapa (BA), e para os produtores rurais com tanques em 
Gararu (SE).
“Mapear as atividades do setor também é uma 
meta do governo. Atualmente, o MPA, em con-
junto com o Instituto Brasileiro de Geografia e 
Estatística (IBGE), está implantando um sistema 
de coleta de dados mais eficiente”, afirma o Se-
cretário de Monitoramento e Controle da Pesca e 
Aquicultura, Américo Ribeiro Tunes. Até o final de 
2014, o censo do setor pesqueiro será completado, 
permitindo ações mais pontuais para desenvolver 
a atividade em todo o País. A medida também 
complementa o processo de recadastramento de 
pescadores e emissão das novas carteiras de pes-
cador, dotadas com QR Code para facilitar a fisca-
lização e coibir fraudes no sistema.
 por Simone kafruni
POLíTICAS E AçõES
 FEEDING ThE 
PRODUCTION ChAIN 
GlOBAl PRODUCTION of fish is about 126 
million tons and it is predicted that up to 2030 the 
international demand of fish will increase for more 
than 100 million tons a year. “The national growth 
of the fishing sector, especially due to aquaculture, 
confirms the country’s vocation for the activity and 
encourages Brazilians to expand and strengthen the 
farms in rural areas, reservoirs and the shore”, 
states Marcelo Crivella, the minister of Fishing 
and Aquaculture.
The Ministry of Fisheries and Aquaculture is acting 
on several fronts to increase the national production 
by raising available credit lines, getting exempted of 
environment barriers, and investing in infrastructure in 
order to streamline the implementation of fish-cages 
and farms excavated in small rural properties and to 
release 200 existing reservoirs of water in hydroelectric 
plants and dams for fish farming.
The targets for the development plan in the sector 
are going through more quality and health control 
of fishing and aquaculture products to physically 
restructure equipment acquisition and input, to prepare 
human resources in the official laboratory networks, 
to implement aquaculture farms and artisanal fleet 
renovation, to promote, disclose and certificate 
aquaculture and fishing products in the national and 
international trade, and to recover, enlarge and defray 
production chains after the Fishing Public Terminals 
consolidation. Some equipment such as hydraulic 
excavator and a crawler tractor are also bought for city 
halls and inter-municipal consortia to build excavated 
farms in the properties. Raising and consolidating 
partnerships is also part of the strategy plan.
“The government aims to map out the sector 
activities. Nowadays, MPA and IBGE (Brazilian 
Institute of Geography and Statistics) are working on 
a more efficient data collection system”, says Américo 
Ribeiro Tines, the secretary of Fishing and Aquaculture 
Monitoring. By the end of 2014, the census of fishing 
sector will be completed and able for more exact 
actions to develop the activity in the country. 
Ministro Crivella entrega nova carteira a pescador 
catarinense, durante evento em itajaí (sC)
1º ANUÁRIO BRASILEIRO DA PESCA E AQUICULTURA66
Foto Victor C
arlson
C
M
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CM
MY
CY
CMY
K
FL 0017-13 TURISMO FLORIANÓPOLIS anúncio - ANUARIO BRASILEIRO DE PESCA - 210x275mm - CURVAS.pdf 1 13/12/13 15:10
D
epois de 50 anos de espera, os pescadores da 
Amazônia contam, desde setembro do ano 
passado, com o Terminal Pesqueiro Público 
(TPP) de Manaus para atracar seus barcos. 
Com capacidade para receber 200 toneladas 
de pescado, o terminal tem um armazém com câmaras fri-
goríficas e uma balsa para desembarque e comercialização. 
Ainda faltam os equipamentos de apoio, as máquinas de 
frio para as câmaras frigoríficas e uma fábrica de gelo para 
o abastecimento das embarcações, todas melhorias de in-
fraestrutura que já constam do planejamento do Ministério 
da Pesca e Aquicultura (MPA), segundo o secretário 
de Infraestrutura e Fomento da Pesca e Aquicultura, 
Eloy de Sousa Araújo.
Desde 2004, o MPA investiu, aproximadamente, 
R$ 135 milhões na implantação e adequação de 
TPPs, mas ainda há muito por fazer. Segundo 
Araújo, o MPA é o caçula dos ministérios e come-
çou o seu trabalho ainda como Secretaria Especial. 
“Não temos os 150 anos de história do Ministério da Agricul-
tura, mas estamos investindo para melhorar as condições de 
infraestrutura da pesca e ampliar a produção do país”, res-
salta.
O secretário diz que, além do TPP de Manaus, o terminal 
de Belém foi implantado do zero. “O Pará é o principal pro-
dutor de pescado extrativo do País. Merecia um novo termi-
nal. Santa Catarina é o maior produtor nacional se conside-
rarmos a aquicultura junto. lá também há o terminal de 
laguna, que já existia”, conta. Salvador e Ilhéus, ambas na 
Bahia, também estão com terminais prontos paradesem-
POLíTICAS E AçõES
Melhorias de infraestrutura, como terminais 
pesqueiros e centrais de beneficiamento, ampliam 
a produção e a qualidade do pescado do País
SUPORTE AO 
CRESCImENTO
Fonte: Ministério da pesca e Agricultura
TERMINAIS PESQUEIROS PúBLICOS
Tpp Laguna-SC
Tpp Santos-Sp
Tpp Ilhés-BA
Tpp Salvador-BA
Tpp Natal-RN
Tpp Camocim-CE
Tpp Belém-pATpp Manaus-AM
1º ANUÁRIO BRASILEIRO DA PESCA E AQUICULTURA68
A
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lcântara/S
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com
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rq
uivo S
ind
ip
i
barque. “Nosso próximo passo é implantar nesses TPPs 
as centrais de beneficiamento que, por enquanto, estão 
concentradas na iniciativa privada”, explica Araújo.
Apesar de as centrais de beneficiamento e as melhorias 
dos TPPs serem prioridades para o MPA, o seu maior de-
safio em termos de infraestrutura é a renovação da frota 
pesqueira do País. “Os barcos utilizados têm quase 50 
anos, são de madeira e não foram construídos por gran-
des armadores, mas por pequenos estaleiros de pesca-
dores. Agora, estamos investindo em protótipos em fibra 
de vidro”, conta Araújo. As embarcações serão leves, de 
baixo consumo de combustível, e capazes de armazenar o 
pescado sem desperdícios. Também serão equipadas com 
recursos tecnológicos que garantem segurança a bordo e 
precisão na captura de cardumes, como sonares, rádios, 
GPS e equipamentos adequados a cada espécie alvo.
Esta nova realidade da pesca artesanal só é possível a 
partir de um acordo de cooperação, assinado entre o MPA 
e a Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), que 
está desenvolvendo os protótipos. O recorte do litoral nas 
regiões Norte e Nordeste representa aproximadamente 
50% da costa brasileira. Entre 25 mil e 30 mil embarca-
ções precisam ser renovadas nessas regiões.
TPPs, como o de Manaus, são estruturas para movimentação e armazenagem de pescado, 
que funcionam como entrepostos de pesca em áreas litorâneas ou ribeirinhas
dois programas de crédito visam a 
modernização da frota brasileira: 
Profrota e revitaliza
2014 69
Segundo o diretor de Planejamento e Ordenamento da 
Pesca Industrial do MPA, Mutsuo Asano Filho, a renova-
ção da frota pesqueira beneficiará os consumidores pela 
redução de custos e perdas. O meio ambiente será favo-
recido pelo fato de a tecnologia evitar o desperdício do 
pescado capturado tanto na pesca quanto na estocagem, 
e na fase de construção, ao evitar o desmatamento.
Para Augusto de lima Guimarães, presidente da Colô-
nia z 1, de Brasília Teimosa (PE), que representa 2,1 mil 
pescadores, a região necessita de terminais e frigoríficos, 
mas também carece da implantação de novas tecnologias. 
“Com boias de superfície teremos condições de atrair 
mais pescado. O Brasil tem uma diversidade enorme de 
fauna, cada região precisa de investimentos diferentes”, 
esclarece. Com tais melhorias, a produção de 200 quilos 
por embarcação – dos 220 barcos da colônia z 1 – poderá 
ser duplicada em um ano.
O MPA também está desenvolvendo ações de infraes-
trutura para aquicultura, disponibilizando escavadeiras 
para prefeituras construírem tanques para criação de pes-
cado. “Cerca de 27% dos municípios brasileiros já estão 
participando da iniciativa, através de consórcios ou indi-
vidualmente, para receber os equipamentos”, diz o secre-
tário do MPA.
 por Simone kafruni
 GROwING SUPPORT
aFTer WaiTinG for 50 years until 
september this year, fishermen from amazon 
have been granted with the Public Fishermen’s 
Terminal (TPP) in Manaus city to moor their 
boats. The terminal offers a warehouse with 
cold stores and a ferry for landing and trading. 
There is still some supportive equipment 
missing: cold store machinery, an ice factory 
for the vessels’ supply – improvements in 
infrastructure, which are already foreseen 
by the Ministry of Fisheries and aquaculture 
(MPa) planning, according to eloy de souza 
araújo, the secretary of infrastructure and 
Promotion of Fisheries and aquaculture.
since 2004, MPa has invested about r$ 135 
million to set and adequate TPPs but there is 
still a lot to do. The secretary states that besides 
Manaus TPP, the terminal of Belém city was 
fully implemented. “Pará is the main producer 
of extractive fish in Brazil. it deserved a new 
terminal.” The cities of salvador and ilhéus 
in Bahia state also have ready terminals for 
mooring. “Our next step is to implement fish 
processing centres at these TPPs; at the moment 
they are concentrated in the private initiative”, 
explains araújo.
The fish processing centres and the TTPs 
improvements are the MPa’s priorities. 
However, the greatest challenge in 
infrastructure is to renew the fishing fleet in 
Brazil. “The boats in use are almost 50 years 
old, built in wood in small shipyards and not 
by great shipowners. now we are investing 
in prototypes of fibreglass”, says araújo. The 
vessels will be light with low fuel consumption 
and able to store fish with no waste. They will 
also be equipped with technological resources 
that guarantee safety on board and precision 
to capture the schools with sonar equipment, 
radios, GPs and appropriate equipment for each 
target-species. 
MPa is developing actions for aquaculture 
infrastructure as well as making excavators 
available for the city halls to build 
tanks for the fish farming. 
A
rq
uivo M
P
A
Mutsuo asano Filho é mestre em engenharia de Pesca
1º ANUÁRIO BRASILEIRO DA PESCA E AQUICULTURA70
A 
preocupação em fomentar a produção pesquei-
ra requer que o Brasil aumente o rigor no con-
trole de doenças e na qualidade sanitária dos 
pescados. Para isso, foi criada a renaqua (rede 
nacional de laboratórios do Ministério da Pes-
ca e aquicultura).
essa rede já possui quatro instituições credenciadas 
que atuam em duas linhas diferentes: uma para diag-
nósticos de doenças em animais aquáticos e outra para 
análise de resíduos e contaminantes. no futuro, a rena-
qua deverá abrigar novos laboratórios para dar conta da 
demanda crescente.
Mathias alberto schramm, coordenador do laboratório 
de Pesquisa e Monitoramento de algas nocivas e Ficoto-
xinas (laqua-itajaí), ligado ao instituto Federal de santa 
Catarina (iFsC), explica que os serviços da rede trazem be-
nefícios importantes para a sociedade. “em primeiro lugar, 
temos a segurança alimentar dos consumidores brasileiros. 
a cadeia produtiva de recursos pesqueiros também ganha, 
pois os programas sanitários visam à garantia da qualidade 
dos produtos. Por último, temos o próprio ambiente e a 
biodiversidade, que ganham ao obtermos maior controle 
das doenças que eventualmente ocorrem no ambiente na-
tural e no cativeiro.”
a renaqua também contabiliza importantes vanta-
gens econômicas. Graças à rede, é possível realizar os 
testes para certificação sanitária a um custo menor do 
que em laboratórios do exterior. 
 por daniel cardoso
QUALIDADE 
GARANTIDA
Rede de laboratórios assegura a 
sanidade dos pescados brasileiros 
e dos ambientes de criação
TO KEEP THE HEAlTH of Brazilian 
fish, renaqua was created (national Chain 
of laboratories of Ministry of Fisheries and 
aquaculture) to perform in two different lines: one 
diagnoses diseases in aquatic animals and the other 
analyses sediments and contaminants.
“Firstly, there is food safety for Brazilian 
consumers and this is a positive situation because 
the sanitary programs aim to guarantee the quality 
of products. There is also the advantage for 
environment and biodiversity when we can have 
more control of diseases that occasionally happen 
in the captivity and natural environment”, states 
Mathias schramm, coordinator of laqua-itajaí 
laboratory at instituto Federal de santa Catarina 
(iFsC). 
 GUARANTEED QUALITy
A
rquivo Laqua
Professor Thiago Pereira alves, do laqua, de 
itajaí (sC), especializado em algasnocivas, 
ficotoxinas e monitoramento
UNIDADES DA RENAQUA 
METODOLOGIA
Aquacen-Laboratório Oficial Central – Belo Horizonte (MG)
Laqua-São Luís (MA) – Enfermidades de Crustáceos 
Laqua-Joinville (SC) – Enfermidades de animais aquáticos
Laqua-Itajaí (SC) – Resíduos e contaminantes
18 
doenças listadas 
pela OIE
12 
doenças de interesse 
para o País
3 
biotoxinas 
marinhas
2014 2014 71
A 
Organização das Nações Unidas para a Ali-
mentação e a Agricultura (FAO) estima que o 
Brasil tem condições de produzir 20 milhões 
de toneladas por ano de pescado até 2030. 
Para que a previsão se concretize, o Ministé-
rio da Pesca e Aquicultura (MPA) vem tomando diversas 
medidas, entre elas a ampliação das linhas de crédito para 
pescadores e aquicultores.
Em outubro de 2012, foi lançado o Plano Safra da Aqui-
cultura e Pesca 2012/2013/2014, instrumento que orga-
niza as políticas governamentais voltadas para o desen-
volvimento sustentável da cadeia produtiva do setor. 
O programa ampliou as condições de financiamento e 
reduziu juros. Os investimentos previstos são de R$ 4,1 
bilhões para expandir a aquicultura, modernizar a pesca e 
fortalecer a indústria e o comércio pesqueiro. A meta é pro-
duzir dois milhões de toneladas anuais de pescado até 2014.
De acordo com o secretário de Infraestrutura e Fo-
mento da Pesca e Aquicultura do MPA, Eloy de Sousa 
Araújo, R$ 500 milhões do Plano Safra já foram con-
tratados. “No mundo, o negócio pescado representa duas 
hORA DE 
INvESTIR
POLíTICAS E AçõES
Melhoria e ampliação das linhas de crédito e 
facilitação do acesso aos recursos são fundamentais 
para alavancar a produção de pescados no País
araújo, do MPa: Plano safra estimula 
a agregação de produtores
Arquivo M
pA
1º ANUÁRIO BRASILEIRO DA PESCA E AQUICULTURA72
vezes a soma de boi, suíno e aves, e é o que mais cresce no 
setor de proteína animal. Considerando o potencial do Bra-
sil, o Plano Safra da Pesca e Aquicultura inicia o processo de 
inserção do País nesse gigantesco mercado”, afirma.
Para Manoel Bueno dos Santos, presidente da Federa-
ção das Associações de Produtores de Pescados e Aqui-
cultores do Espírito Santo, que reúne 18 associações no 
Estado, o setor precisa de mais recursos para garantir 
maior produtividade. “Com mais acesso ao crédito temos 
condições de dobrar a produção”, diz.
Oferecidas a pequenos, médios e grandes pescadores 
e aquicultores, as linhas de crédito do Plano Safra têm be-
nefícios exclusivos para cada tipo de produtor: familiares, 
cooperativas, pescadoras, jovens, marisqueiras. Para fazer 
parte do programa é preciso aprimorar técnicas de cultivo 
e manuseio, modernizar equipamentos, investir em pes-
quisa e garantir mais estrutura à cadeia produtiva. Além 
da ampliação do volume de crédito, com juros menores 
e prazos estendidos, os beneficiados ainda recebem as-
sistência técnica para aplicar melhor os recursos nos seus 
projetos.
Pescador há 15 anos na Colônia z 11, do município de 
Buritis (MG), Aguino Batista Gonçalves, de 35 anos, é 
um dos beneficiados com as novas linhas de crédito do 
MPA. Através do Plano Safra, Aguino conseguiu um cré-
dito de R$ 10 mil no Banco do Brasil para comprar um 
motor novo para o barco, um reboque e um congelador. 
“As condições de crédito melhoraram muito. Antes, não 
se conseguia empréstimos para a atividade”, comemora.
Segundo ele, o próximo passo é aproveitar o crédito 
para investir na aquicultura. “A nossa colônia pesca nos 
rios São Domingos, Urucuia e Pirapetinga, que cada vez 
dão menos peixes. Agora, estamos desenvolvendo tan-
ques para criar pescado. Assim, os rios podem descansar 
um pouco para estarem aptos para pesca de captura de 
novo”, explica.
Além do Plano Safra, o MPA também incluiu pescadores 
artesanais e aquicultores familiares no Programa Mais Ali-
mentos executado pelo Ministério do Desenvolvimento 
Agrário (MDA). Com isso, o setor também é beneficiado 
com a linha de crédito do Programa Nacional de Fortaleci-
mento da Agricultura Familiar (Pronaf). Uma das novidades 
Médios e grandes produtores, como a aquabel, do Paraná, contam 
também com uma linha especial do Bndes, a Proaquicultura 
Arquivo Aquabel
2014 73
PASSO A PASSO PARA ACESSAR 
O CRéDITO DO PLANO SAFRA
procure informações sobre o plano 
Safra nas Superintendências 
Federais do MpA;
Vá ao banco para verificar a situação 
de seu cadastro, as linhas de crédito 
e os documentos exigidos;
procure um órgão de extensão rural 
para discutir e elaborar a proposta de 
projeto técnico;
Entregue no banco escolhido 
a sua proposta e os
 documentos exigidos;
Acompanhe o processo 
na agência bancária.
1º
2º
3º
4º
5º
é o pescador artesanal ou aquicultor familiar poder con-
trair crédito de até R$ 100 mil para custeio, com juros de 
até 3,5% ao ano, através do Pronaf.
Outro programa de fomento, o Revitaliza, disponibi-
liza até R$ 130 mil reais para reformas na embarcação, 
compra de equipamentos de segurança e navegação 
ou mesmo a troca do barco antigo por um novo, com 
juros de 1% para operações de até R$ 10 mil reais e 
2% para operações com valor superior a R$ 10 mil. O 
prazo de reembolso é de até 10 anos, incluídos três 
anos de carência.
Uma exigência para todas as linhas de crédito é que 
os pescadores e aquicultores sejam inscritos no Re-
gistro Geral da Atividade Pesqueira (RGP), conforme 
normas específicas do MPA. Confira os detalhes de 
cada linha de financiamento na tabela a seguir.
 por Simone kafruni
1º ANUÁRIO BRASILEIRO DA PESCA E AQUICULTURA74
FaO esTiMaTes THaT Feeding and agriculture 
in Brazil is able to produce 20 million tons of fish per 
year up to 2030. in order to make this prediction true, 
the Ministry of Fisheries and aquaculture (MPa) has 
been taking several steps to extend for fishers and 
aquaculturists up to 2030.
a plan ‘Plano safra e aquicultura’ was launched last 
year for 2012/2013/2014 as an instrument to organize 
governmental policies for sustainable development of 
productive chain in the sector. The program extends 
funding conditions and reduces interest. investments 
are predicted for r$ 4.1 billion for aquaculture 
extension, fishery modernization and fortification 
of the fishery industry and trade. The target is to 
produce two million tons of fish per year up to 2014.
according to eloy de sousa araújo, the secretary 
of infrastructure and Promotion of Fishery and 
aquaculture at MPa, fish represents twice as the sum 
of cattle, swine and birds in the business universe and 
it is the fastest growing in the animal protein sector. 
“if we consider Brazil’s potential, this plan is the 
beginning of the process to insert the country in this 
huge market”, he states.
The lines of credit that Plan safra offers are for 
small, medium and big fishers and aquaculturists; they 
present exclusive benefits for each producer: family 
business, cooperatives, fisherwomen, young people 
and shellfish business. To be part of the program, 
the request is to improve techniques for farming and 
handling, update the equipment, invest in research 
and guarantee more structure to the productive chain. 
Besides the credit extension with lower interest and 
wider deadlines, beneficiaries will have technical 
assistance for a better application of their resources in 
their projects.
The sector also has a line of credit of national 
Program to Fortify Family agriculture (Pronaf); it 
offers up to r$ 100 thousand in lines of credit with 
interest of 3.5% a year. another incentive program 
called revitaliza offers up to r$ 130 thousand to 
refurbish vessels, to buy safety and navigation 
equipment or even to change for a new boat with an 
interest of 1% for operations of up to r$ 10 thousand 
and 2% for operations when the amount exceeds r$ 
10 thousand. The reimbursementmust happen within 
10 years including three years of grace period.
TImE TO INvEST
O candidato aos benefícios do Plano Safra da Pesca 
e Aquicultura precisa ter uma proposta simplificada 
ou projeto técnico elaborado por um extensionista 
rural. Para facilitar, o Ministério da Pesca e 
Aquicultura oferece modelos de projetos para as 
diferentes atividades.
Também é necessário estar registrado no MPA. 
Esse registro se chama Registro Geral da Atividade 
Pesqueira (RGP) e para fazê-lo basta acessar a 
página da internet, no endereço www.mpa.gov.br.
Nos casos do pescador artesanal, aquicultor e 
agricultor familiar, assim como, no das cooperativas 
que se enquadram no Programa Nacional de 
Fortalecimento da Agricultura Familiar – Pronaf, será 
preciso ter a Declaração de Aptidão (DAP).
BANCOS CREDENCIADOS:
Banco do Brasil – BB
Banco da Amazônia – BASA
Banco do Nordeste do Brasil – BNB
Pescadores 
artesanais, como 
aguino Gonçalves, de 
Buritis (MG), agora 
podem contrair até 
r$ 100 mil para 
custeio a 3,5% 
ao ano
Arquivo pessoal
2014 75
1º ANUÁRIO BRASILEIRO DE PESCA E AQUICULTURA76
POLíTICAS E AçõES
PESCADOR ARTESANAL E AQUICULTOR FAMILIAR
PRAZO
2 anos
2 anos
2 anos(2)
2 anos(2)
2 anos(2)
10 anos
10 anos
10 anos (4)
10 anos (4)
10 anos (4)
1 ano
1 ano
6 anos
6 anos
10 anos(3)
10 anos(3)
10 anos(3)
10 anos(3)
20 anos
*
LIMITE DE CRéDITO
R$ 2,5mil (1)
R$ 2,5mil (1)
Até R$ 10mil
R$ 10mil até R$ 30mil
Entre R$ 30mil até R$ 100mil
Até R$ 10mil (em função da DAp)
De R$ 10mil até R$ 150mil
R$ 15mil
Até R$ 10mil
pessoa Física até R$ 150 mil e pessoa 
jurídica até R$ 300 mil
Associação e Cooperativa até R$ 35milhões 
(limitado até R$ 45mil por sócio)
pessoa Física até R$ 10 mil
pessoa Jurídica até R$ 210mil
Associações até R$ 4milhões (limite 
individual R$ 10mil por associado)
Cooperativas Singulares até 
R$ 10milhões (limite individual R$ 10 mil/
associado) e Cooperativas Centrais até 
R$ 30milhões
Limite individual até R$ 20mil
por cooperativa até R$ 20 milhões
Até R$ 10mil
De R$ 10mil até R$ 150mil
Até R$ 10mil
De R$ 10mil até R$ 150mil
Até R$ 80mil
Até R$ 25mil (construção e mão de obra)
Até R$ 15mil (reforma e ampliação da 
unidade habitacional)
PROGRAMA
pRONAF 
Microcrédito produtivo pesca e Aquicultura 
(investimento e custeio)
pRONAF MULHER 
Microcrédito produtivo pesca e Aquicultura 
(investimento e custeio)
pRONAF 
pesca e Aquicultura Familiar (custeio)
pRONAF 
Mulher pesca e Aquicultura (investimento)
pRONAF 
Jovem pesca e Aquicultura (investimento)(3)
pRONAF 
pesca e Aquicultura para Agregação de Renda 
(pronaf Agroindústrias – investimento)
pRONAF 
pesca e Aquicultura Agroindústrias Familiares 
(custeio e comercialização)
pRONAF 
pesca e Aquicultura Cotas partes (investimento e custeio)
pRONAF 
Crédito de Investimento Mais Alimentos
pRONAF
Crédito de Investimento – Mais Alimentos
pROGRAMA REVITALIZA
pROGRAMA NACIONAL DE CRéDITO 
FUNDIáRIO – pNCF
pROGRAMA NACIONAL DE HABITAçãO 
RURAL – pNHR
CARÊNCIA
*
*
*
*
*
3 anos
3 anos
3
*
*
*
*
*
*
3 anos
*
3 anos
*
3 anos
*
JUROS (%)
0,5
0,5
1,5
3,0
3,5
1,0
2,0
1,0
1,0
2,0
2,0
4,0
4,0
4,0
4,0
1,0
2,0
1,0
2,0
2,0
*
PROGRAM CREDIT LIMIT DEADLINE GRACE PERIOD INTEREST 
RATE
* A ser determinado pela instituição 
financeira; 
(1) O limite de crédito do Microcrédito 
produtivo poderá ser elevado para 
até R$ 3,5 mil quando se aplicar a 
metodologia do Microcrédito produtivo 
Orientado (pNMpO), com bônus de 
adimplência de 25% sobre cada parcela 
de dívida paga até a data do seu 
vencimento;
(2) O prazo para pagamento no custeio 
para a pesca artesanal é de até 185 
(cento e oitenta e cinco) dias e para 
aquicultura até 2 anos, conforme ciclo 
produtivo de cada espécie contida no 
plano, proposta ou projeto;
(3) Requisitos: ter concluído ou estar 
cursando o último ano em centros 
familiares rurais de formação por 
alternância, ou em escolas técnicas 
agrícolas de nível médio, ou ter 
participado de curso ou estágio de 
formação profissional ou de cursos de 
formação do programa Nacional de 
Acesso ao Ensino Técnico e Emprego – 
pronatec ou do programa Nacional de 
Educação no Campo – pronacampo, ou 
ainda, ter orientação e acompanhamento 
de empresa de assistência técnica; 
(4) O prazo de pagamento poderá 
ser elevado para até 15 (quinze) anos, 
incluídos até 3 (três) anos de carência, 
para financiamentos de estrutura de 
armazenagem.
para mais informações consulte as 
páginas na internet:
www.mpa.gov.br
www.bb.com.br
www.basa.com.br
www.bnb.gov.br
How you can have access to plano Safra credit
1st Step: Get information about plano Safra at MpA's 
Federal Inspectorates ;
2nd Step: Go to the bank and check your situation 
regarding the reference file, credit lines and required 
documents;
3rd Step: Seek for an agricultural extension agency to 
discuss and decide on the technical project purpose;
4th Step: Send your proposal and the required documents 
to your chosen bank;
5th Step: Monitor the process in the bank agency.
Accredited banks:
Banco do Brasil – BB
Banco da Amazônia – BASA
Banco do Nordeste do Brasil – BNB
*To be decided by the financial institution; 
(1) The credit limit for Microcrédito produtivo may be raised 
up to R$ 3.5 thousand if applies to the methodology of 
National program of productive Microcredits Oriented 
(pNMpO) with bonus of compliance of 25% over each 
instalment that is paid up to its expiring date;
(2) The deadline for paying the costs for artisanal fishing 
is up to 185 (one hundred and eighty-five) days and for 
aquiculture is up to 2 years according to each species’ 
production life mentioned in the plan, proposal or project;
(3) Requisites: the applicant must have been studying 
or have finished the last year in rural family centres for 
work-linked training or in technical agricultural schools. 
The applicant may also have participated of a course or 
internship in vocational education or vocational courses 
from the National program to Access Technical Education 
and Work – pronatec or from the National program of Rural 
Education – pronacampo, or even if s/he had received 
education and supervision from a company of technical 
assistance; 
(4) The payment period may be extended to 15 (fifteen) 
years including a grace period of up to 3 (three) years for 
storage-structure financing.
For more information, visit the following Web pages:
www.mpa.gov.br
www.bb.com.br
www.basa.com.br
www.bnb.gov.br
2014 77
I
novação. Essa é a palavra de ordem para Alexandre 
Alter Wainberg. Proprietário da Primar, que produz 
pescados há mais de 20 anos em Tibau do Sul, no lito-
ral sul do Rio Grande do Norte, Wainberg encontrou 
na tecnologia e no desenvolvimento de novos proces-
sos o caminho mais eficaz para melhorar a produtivida-
de, entrar em novos mercados e aumentar a rentabilidade.
Há cerca de 10 anos, Wainberg deixou de lado o cultivo 
tradicional, investiu em novas técnicas de manejo e inau-
gurou a primeira fazenda de camarão orgânico do Brasil e 
a primeira de cultivo de ostra orgânica do mundo. “A pro-
dução de orgânico oferece uma rentabilidade maior, mas 
é preciso mudar a forma de manejo e toda a concepção do 
negócio”, ressalta.
Biólogo marinho e mestre em ecologia aquática, Wainberg 
agora está investindo em tecnologia para driblar um pro-
blema recorrente no setor: a falta de sementes de ostras. 
Com o mercado escasso, o produtor resolveu desenvolver 
as próprias sementes. O laboratório de procriação próprio 
deve começar a operar no início de 2014. “Com o laboratório, 
vamos driblar o problema da falta de semente e entrar em 
outro negócio, que é ode fornecer sementes para terceiros”, 
diz Wainberg.
O caso de Wainberg é emblemático e representa bem 
um movimento que ganha força no setor de pesca e aqui-
cultura do Brasil. Eric Arthur Bastos Routledge, chefe de 
Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Pesca e Aquicul-
tura, lembra que o Brasil ainda está em estágio embrio-
nário nesse campo e um dos principais desafios a serem 
superados é a cultura dos próprios produtores, que não 
POLíTICAS E AçõES
Melhoria da produtividade nacional do setor passa pelo 
estabelecimento de boas práticas a inovações de processos e produtos
mOvIDO A 
INOvAçãO
D
ivulgação prim
ar
Camarões, ostras, siris e peixes são produzidos em um 
mesmo ambiente na Primar, no rio Grande do norte
1º ANUÁRIO BRASILEIRO DA PESCA E AQUICULTURA78
estão acostumados a investir em tecnologia. “Por outro 
lado, começamos a vislumbrar uma mudança nessa cultu-
ra. Nos últimos anos, os produtores participaram de mais 
cursos de capacitação e estão percebendo a importância 
da tecnologia. O grande desafio é mostrar na prática como 
eles podem ser beneficiados pela inovação. E isso está 
sendo feito passo a passo”, diz Routledge.
Segundo ele, a Embrapa está focando no desenvolvi-
mento de tecnologia para valorizar as boas práticas e 
ações simples que geram grandes resultados. A ideia é 
fazer o fundamental bem feito. Desde cuidados na escava-
ção dos viveiros até a prevenção de doenças, boas práticas 
de manejo e alimentação.
Nos últimos anos também houve incentivo financeiro 
por parte do governo federal. “Foram lançados cerca de 
12 editais que liberaram recursos para pesquisa em em-
presas e instituições de ensino. É um impulso forte para 
desenvolver a tecnologia no setor”, avalia Routledge.
Um dos programas mais importantes tocados pelo 
governo é a Rede Nacional de Identificação Molecular 
de Pescado (Renimp). O objetivo é mapear geneticamen-
te 250 espécies das mais importantes para o mercado 
nacional. Foram coletados exemplares e elaborado o se-
quenciamento genético. A partir disso, a rede criou uma 
biblioteca com mais de cinco mil registros.
Esse procedimento favorece toda a cadeia, desde o 
produtor até o consumidor final. Antônio Solé-Cava, co-
ordenador da Renimp na Universidade Federal do Rio 
rede aquabrasil é composta por 16 unidades da embrapa, 26 universidades 
e instituições de pesquisa, oito empresas privadas e três estaduais
Jefferson C
hristofoletti / Em
brapa pesca e Aquicultura
2014 79
 POwERED By 
INNOvATION
eriC arTHur BasTOs routledge, 
the CeO of embrapa Fishing and aquaculture 
research and development, reminds that 
Brazil is still in an embryonic stage regarding 
fishing and aquaculture. One of the main 
challenges is the farmers’ habits who are not 
used to investing in technology. “On the other 
hand, we have started to glimpse a change on 
that. The producers have been taking more 
training courses in the last few years and 
have been able to notice the importance of 
technology. The great challenge is to show 
them how to get benefits out of that. and 
step by step this has been 
done”, states routledge.
according to him, embrapa has been 
focusing on the technology development to 
enhance good practices and simple actions in 
order to provide great results. The purpose 
is to have well–done fundamental activities. 
There have been some financial incentives 
from the federal government for the last few 
years. “about 12 edicts that release resources 
for researches in teaching institutions and 
enterprises were launched. it is a good 
motivation to develop technology in the 
sector”, states routledge.
One of the most important programs 
offered by the government is the national net 
for Molecular identification of Fish (renimp). 
The target is to map out genetically 250 of 
the most important species for the national 
market. some specimens were collected and 
the genome sequencing was produced. From 
this point, the net created a library with over 
five thousand records.
Brazil also develops other networks such 
as aquabrasil and the net of Marine Fish-
farming (repimar). For aquabrasil, four 
species of fish were selected and several 
kinds of research were developed out of 
them: genetic improvement, nutrition and 
health. For repimar, the purpose is to develop 
sustainable technologies to farm bijupirá (a 
species of dogfish). 
de Janeiro (UFRJ) exemplifica: “Fizemos a avaliação de 
peixarias a pedido do Procon, para testar se os peixes 
vendidos eram realmente os que estavam sendo anun-
ciados. Também realizamos um estudo para uma rede de 
supermercado que queria checar a qualidade dos pesca-
dos que estava comprando. Isso é bom porque garante 
a qualidade para o consumidor, evita fraudes e, para o 
produtor, confere um selo de credibilidade para vender a 
clientes e mercados mais exigentes”, diz Solé-Cava.
O Brasil também desenvolve outros trabalhos em rede, 
como o Aquabrasil e a Rede de Piscicultura Marinha (Repimar). 
No Aquabrasil, foram selecionadas quatro espécies de 
peixes e, em cima delas, são desenvolvidos diversos ti-
pos de pesquisas, como melhoramento genético, nutri-
ção e sanidade. Na Repimar, o objetivo é desenvolver 
tecnologias sustentáveis para a criação do bijupirá, co-
nhecido como cação de escamas.
por Daniel Cardoso
POLíTICAS E AçõES
Melhoramento genético é um dos 
objetivos do aquabrasil
Jefferson C
hristofoletti / Em
brapa pesca e Aquicultura
1º ANUÁRIO BRASILEIRO DA PESCA E AQUICULTURA80
2014 
N
ão basta apenas desenvolver tecnologia, é 
preciso levá-la até os produtores. Afinal, 
são eles que vão converter as pesquisas 
em ações práticas visando ao consumidor 
final. O desafio é enorme. Além das di-
mensões continentais do país, há uma quantidade muito 
grande de culturas e espécies distintas de peixes. Cada 
uma requer tecnologia específica e treinamento adequa-
do para o criador.
Com o objetivo de driblar esses problemas, a Embrapa 
desenvolve programas de transferência de tecnologia e 
trabalha lado a lado com os empreendedores. Alexandre 
Aires de Freitas, chefe adjunto de Transferência de Tec-
nologia da Embrapa, lembra que a instituição (unidade 
Brasília) realiza programas de capacitações continuadas. 
Recentemente, formou uma turma de produtores que du-
rante 10 meses aprendeu sobre vários aspectos da aqui-
cultura, por exemplo, quais rações utilizar, como monito-
rar o crescimento dos peixes e como encher um viveiro da 
maneira mais adequada.
“Na transferência de tecnologia não adianta só ministrar 
palestras. Tem que ser a palestra e um acompanhamento 
intenso no campo, ao lado do produtor, mostrando como 
se faz na prática”, explica Freitas. “Já tivemos bons resul-
tados nesta primeira turma. Pelas técnicas e tecnologia 
que ensinamos, conseguimos baixar a mortalidade dos 
alevinos, que chegava a 40%, para apenas 5%.”
 por Daniel Cardoso
POLíTICAS E AçõES
Arquivo Em
brapa
PrOduCinG TeCHnOlOGy 
is not enough, we must take them to 
the producers. embrapa, for example, 
has recently graduated a group of 
aquaculturists who, for 10 months, 
learnt several aspects of aquaculture 
like feeding, monitoring the fish 
growth and how to fill up a farm in 
the most appropriate way.
“When transferring technology, 
there must be coursers and an intense 
monitoring in the field with practical 
illustration of its use along the 
producer”, explains alexandre aires 
de Freitas, deputy-head of Technology 
Transference at embrapa. “We’ve 
had good results with this first group. 
We’ve managed to lower the fish-seed 
mortality from up to 40% to only 5%.”
 TEChNOLOGy 
FOR ALL
TECNOLOGIA 
PARA TODOS
A aplicação prática de pesquisas exige 
a transferência dos conhecimentos aos 
produtores e um acompanhamento
intenso dos técnicos no campo
Freitas,da embrapa Pesca e 
aquicultura, criada em 2009
81
CONhECImENTO 
PARA CRESCER
POLíTICAS E AçõES
Capacitação é a diferença entre quem 
tem dificuldades para manter um 
cultivo e aquicultores que registram 
alta produtividade
E
m 15 anos, o produtor rural Vianei Haas, de Ma-
ravilha (SC), ampliou a produção de peixes de 
1,5 mil quilos por ano para 21 mil. O incremento 
está relacionado a uma série de medidas adota-
das pelo produtor, como aumentar a quantidade 
de ração, fazer pesagem constante dos peixes e oxigenar 
melhor a água. “Quando eu comecei, morria muito pei-
xe e não valia a pena manter o cultivo. A produção só 
melhorou quando nós procuramos nos capacitar, fizemos 
cursos do Senar e hoje contamos com a consultoria de 
um biólogo e de um engenheiro que fazem a pesagem dos 
peixes e monitoram a qualidade da água. Agora conse-
guimos produzir carpas com até dez quilos e o cultivo de 
peixes representa 20% da renda anual da família.”
Segundo o técnico em aquicultura Volmir Oliveira, a 
diferença entre os piscicultores que registram alta pro-
dutividade e aqueles que têm dificuldades em manter o 
cultivo está relacionada à falta de capacitação. “Quando 
o produtor não investe em tecnologia ou em capacitação 
a produtividade dele é baixa, fica em torno de 100 gra-
mas por metro quadrado; já entre aqueles que estão cons-
tantemente se capacitando a produtividade chega a dois 
quilos por metro quadrado. Hoje o Brasil tem cerca de 
cinco milhões de quilômetros alagados e uma média de 
150 gramas de pescado produzidos por metro quadrado, 
Fotos: Arquivo Senar
1º ANUÁRIO BRASILEIRO DA PESCA E AQUICULTURA82
 kNOwLEDGE TO 
PROGRESS
IN 15 yEARS, THE RURAl producer 
Vianei Haas from Maravilha city (SC) has 
enlarged fish-farming from 1.5 thousand kg 
a year to 21 thousand. The development is 
related to some measures the producer took; 
he increased the amount of fish feed, he often 
weighed the fish and oxygenated the water 
better. “The production only improved when 
we took courses at Senar and today we count on 
biologist and engineer consultancies. Now we can 
produce carps with up to ten kg and fish-farming 
represents 20% of our 
annual family income.”
According to the aquaculture technician Volmir 
Oliveira, the difference between fish farmers that 
register high productiveness from those who 
find farming hard to keep is related to a lack of 
training. “When the farmer neither invests in 
technology nor in courses, their productiveness is 
low; it is about 100g per square metre. However, 
for those who are always getting trained, their 
productiveness reaches two kg per square meter. 
Today Brazil has about five million flooded 
kilometres and an average of 150 g of fish 
produced per square metre; this represents only 
10% of productive capacity.
The National Service of Rural learning 
(Senar) has been working to train the sector 
all over Brazil; the institution offers several 
courses on fish-farming basic notions, vivariums 
construction, and fish nutrition and processing.  
o que representa apenas 10% da capacidade produtiva.”
O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) tem 
trabalhado para capacitar o setor. A instituição oferece 
uma série de cursos em todo o Brasil sobre noções bá-
sicas de piscicultura, construção de viveiros, nutrição e 
beneficiamento do pescado. “No Mato Grosso nós temos 
trabalhado com 86 sindicatos e 14 prefeituras. Nosso foco 
tem sido capacitar técnicos e lideranças locais para que 
eles sejam multiplicadores do conhecimento. Hoje o mer-
cado da piscicultura no Mato Grosso cresce cerca de 10% 
ao ano”, afirma Eduardo Silveira, analista de educação 
profissional do Senar/MT.
O Sebrae também tem realizado uma série de cursos 
para estimular o empreendedorismo entre os produtores. 
No Piauí, a instituição tem um programa de assistência a 
piscicultores que presta consultoria a cerca de 200 pro-
dutores durante três anos. “Nós identificamos no Piauí 
um território que tem potencialidade para a aquicultura 
por conta da disponibilidade de solo e de água e temos 
trabalhado para capacitar os pequenos produtores rurais 
em questões referentes ao manejo, à estruturação de coo-
perativas e ao controle financeiro”, explica João Pinheiro 
Júnior, técnico gestor do programa.
 por Beatrice Gonçalves
na página ao lado, 
produtoras em curso no 
senar. nesta página, o 
aquicultor Vianei Haas, de 
Maravilha (sC), que após 
se capacitar ampliou a 
produção em 14 vezes
Arquivo pessoal/Vianei Hass
2014 83
P
ara correr atrás do tempo perdido e se colocar 
como uma potência mundial no setor da pesca, 
o Brasil está buscando no exterior bons exem-
plos que possam ser replicados ou adaptados 
para cá. A estratégia é amplamente conhecida 
no mundo dos negócios como benchmarking. Nos últi-
mos anos, o País intensificou a troca de conhecimento 
internacional e promove um importante intercâmbio de 
especialistas, por meio de congressos, palestras e cursos.
O Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) partici-
pou, por exemplo, da criação da Rede de Aquicultura 
das Américas, que visa a uma maior integração entre 
os governos da região. O Brasil também mantém acor-
dos bilaterais de cooperação para fomentar a troca de 
conhecimentos técnicos. Entre os parceiros, estão Chi-
na, Coreia do Sul, Hungria, Islândia, Noruega, Paraguai, 
Rússia, Sudão, Uruguai e Venezuela.
Outra estratégia para intensificar o benchmarking é 
atrair a participação da iniciativa privada. Nas viagens 
e visitas oficiais a outros países, a comitiva brasileira é 
acompanhada de empresários que podem fazer negócios 
e adquirir tecnologia de ponta. “Nessas missões, os em-
presários têm a oportunidade de conhecer tecnologias 
que são do interesse do setor produtivo brasileiro, como 
ocorreu na Noruega, na Hungria e em Israel”, lembra lucia 
Maierá, assessora internacional do MPA.
Porém, há desafios que precisam ser superados. Eric 
Arthur Bastos Routledge, chefe de Pesquisa e Desenvolvi-
mento da Embrapa, lembra que o setor da pesca e aquicul-
tura de cada país possui peculiaridades que precisam ser 
respeitadas. Por isso, não é recomendado simplesmente 
BONS 
ExEmPLOS
POLíTICAS E AçõES
Para agilizar o desenvolvimento 
do setor, Brasil deve intensificar a 
troca de conhecimentos por meio de 
benchmarking e acordos de cooperação 
importar uma metodologia e colocá-la em prática em solo 
nacional. É preciso ir além. “A Noruega, por exemplo, 
é a grande referência no setor, no entanto é um país de 
clima frio e comercializa poucas espécies. Isso nos obriga 
a adaptar a metodologia de trabalho deles quando a uti-
lizamos no Brasil. Além da temperatura mais elevada, 
temos diversas espécies de peixes de valor comercial. 
É outra realidade.”
Além de aprender, o Brasil também ensina aos outros. “So-
mos muito procurados pelos países africanos, com os quais 
desenvolvemos vários projetos, sobretudo, de capacitação de 
pessoal para a pesca e a aquicultura”, afirma Maierá.
Com os vizinhos (Guianas, Venezuela, Argentina, Para-
guai, Uruguai e Colômbia) a prioridade no relacionamen-
to é harmonizar a legislação internacional. Dessa forma, 
pretende-se aperfeiçoar o uso de recursos pesqueiros, 
tanto em alto-mar quanto nas bacias hidrográficas, para a 
melhor exploração dos recursos naturais.
 por Daniel Cardoso
routledge é 
pesquisador 
da rede de 
aquicultura da 
usP e do grupo 
aquanegócios da 
embrapa
Sandra Brito / Em
brapa
1º ANUÁRIO BRASILEIRO DA PESCA E AQUICULTURA84
 GOOD ExAmPLES
BRAzIl HAS BEEN looking for good 
examples from other countries to make up 
for lost time and adapt them here. The 
strategy is known as benchmarking. For the 
last few years, the country has exchanged 
international knowledge within experts in 
the area through conferencesand courses.
The Ministry of Fisheries and 
Aquaculture (MPA), for example, helped 
to create the Aquaculture Network 
of Americas whose purpose is more 
intergovernmental integration. Brazil 
keeps bilateral agreements for technical 
knowledge exchange. Our partners are 
countries such as China, Korea, Hungary, 
Iceland, Norway, Paraguay, Russia, Sudan, 
Uruguay, and Venezuela.
The private initiative is another goal to 
be achieved. When travelling and visiting 
other countries, the Brazilian delegation 
also takes entrepreneurs. “They can learn 
new technologies which are interesting for 
the Brazilian productive sector; it already 
happened in Norway, Hungary and Israel”, 
points lúcia Maierá, international 
advisor of MPA.
The head of Embrapa Research 
and Development, Eric Arthur Bastos 
Routledge, reminds that each country 
presents their peculiarities to be respected. 
“Norway, which is great reference in the 
sector, is a cold country that trades only 
few species. This forces us to adapt their 
working methodologies to Brazil. Besides 
of having a warmer temperature, we have 
several fish species of commercial value.” 
Fonte: MpA
Suriname Guiana venezuela Argentina
Paraguai Uruguai Colômbia Guiana 
 Francesa
Sudão
ACORDOS BILATERAIS DE COOPERAçãO TéCNICA
HARMONIZAçãO DA LEGISLAçãO
Islândia Noruega Rússia Coreia do SulHungria
Paraguai
Brasil
venezuela ChinaUruguai
2014 85
REGULAmENTAçãO
 FORTE
ENTREvISTA PETER GULLESTAD
Ex-diretor da agência governamental de pesca da 
Noruega diz que preocupação ambiental é o fator 
chave para o crescimento da produção
A
rq
uivo p
essoal
1º ANUÁRIO BRASILEIRO DA PESCA E AQUICULTURA86
Baseado na experiência e na 
cultura de pesca da Noruega, o 
que o senhor avalia como mais 
importante para desenvolver o 
setor aqui no Brasil?
PETER GUllESTAD - Vou responder com uma breve 
descrição do desenvolvimento da aquicultura noruegue-
sa, que começou a partir do zero na década de 1970. Nas 
primeiras décadas, o foco principal foi resolver os muitos 
desafios básicos da produção. Era uma indústria emer-
gente formada por pequenos empreendedores locais que 
compartilharam conhecimentos abertamente entre si e 
cooperaram com a ciência para melhorar a produção e 
desenvolver tecnologia, criação, otimização de alimentos 
etc. Durante a década de 1980 a indústria cresceu consi-
deravelmente, passando de 8.000 toneladas em 1980 para 
150.000 toneladas em 1990, e agora a indústria experi-
Durante 12 anos (1996-2008), Peter 
Gullestad foi o principal executivo 
da agência governamental de pesca 
da Noruega, a Norwegian Directorate 
of Fisheries. Em quase quatro 
décadas de atuação no setor, ele 
acompanhou de perto a evolução 
na aquicultura da Noruega, das 
primeiras ações na década de 1970 
às mais recentes preocupações com 
doenças e impactos ambientais. 
Nesta entrevista exclusiva, Peter 
aborda alguns detalhes sobre a 
parceria com a indústria chilena e faz 
paralelos com a indústria brasileira, 
que conheceu há alguns anos, em um 
trabalho de consultoria feito para o 
Ministério da Pesca e Aquicultura. 
mentou enormes desafios no que diz respeito a doen-
ças. Em 2012, a produção de salmão e truta chegou a 
1,3 milhão de toneladas. Como consequência, foi dada 
uma atenção maior para os impactos ambientais da 
aquicultura. A necessidade de um melhor planejamen-
to e utilização de áreas de mar tornou-se uma condição 
fundamental para que a produção continue crescendo.
A aquicultura deve ser regida dentro de um quadro 
de forte regulamentação. E estas regras devem ser 
constantemente atualizadas com o desenvolvimento da 
produção. Não é uma indústria que a longo prazo pode 
crescer e prosperar em um ambiente de negócios muito 
liberal, onde as regras relativas à saúde animal e polui-
ção, entre outras, sejam fracas ou inexistentes.
De que forma o Brasil pode se 
beneficiar com a cooperação 
e o benchmarking externo, a 
exemplo do que ocorreu 
no Chile?
A relação entre estes países na aquicultura é especial, 
pois o sul do Chile e à Noruega têm as mesmas condi-
ções naturais e ambientais que tornaram possível para 
o Chile "copiar" a produção em cativeiro de salmão do 
Atlântico. Isso fez com que os dois países concorressem 
no mercado mundial de salmão, mas ao mesmo tempo 
abriu oportunidades muito específicas para as relações 
de cooperação.
As experiências da aquicultura norueguesa são rele-
vantes para o desenvolvimento da aquicultura no Brasil, 
mas por causa das diferenças de espécies, temperatura 
e de hidrovias, certamente serão aplicáveis em menor 
escala do que ocorreu no caso do Chile. Pela mesma 
razão, os investimentos diretos noruegueses no Brasil 
para a produção aquícola, na medida em que vimos no 
Chile, também serão um tanto diferentes.
2014 87
Peter Gullestad was the main CeO of norwegian 
directorate of Fisheries for 12 years (1996-2008). in 
this interview, Peter approaches some details about 
the partnership with the Chilean industry relating it 
with the Brazilian one. 
What is the main priority to develop 
the sector in Brazil?
PeTer GullesTad – norwegian aquaculture 
started from scratch in the 70s; the main purpose was 
to solve basic challenges for its production. in the 80s, 
the industry grew considerably and now it has been 
going through great challenges in respect to diseases. 
so, there has been more attention to environmental 
impacts of aquaculture; to the necessity of better 
planning and the use of sea areas.
aquaculture must be governed within a strong 
regulatory framework. and these rules must always 
be updated according to the production development. 
it is not the kind of industry that can grow and 
thrive in a very liberal business environment where 
rules regarding animal health and pollution are not 
strict enough, for example.
How can Brazil be benefited by 
cooperation and external benchmarking, 
like the Chilean case?
experiences from norwegian aquaculture are 
relevant for the Brazilian aquaculture development. 
However, due to differences in species, temperature 
and waterways, they are definitely applicable in 
lower-scale, as it happened in Chile. For the same 
reason, as we had experienced in Chile, direct 
norwegian investments in Brazil for the aquaculture 
production will also be different.
What are the main challenges for the 
development of fishing and 
aquaculture actions and policies? 
it depends on the country and its ecosystem. in the 
Brazilian case, i see general problems of excessive 
capacity and predatory fishing as well as considerable 
deficiencies in the ecosystem research, legislation and 
fishing control. For the Brazilian aquaculture, i must 
admit i have no clear understanding about where the 
main problems are, although the country is in a very 
initial moment of aquaculture development. 
Se possível, detalhe um pouco 
como houve esta aproximação 
entre o Chile e a Noruega e 
os resultados práticos desta 
parceria.
Na década de 1990, a indústria norueguesa con-
siderava o Chile um forte concorrente no mercado 
mundial de salmão e tinha muitas ressalvas em tratá-
-lo como parceiro. Isso começou a mudar no final 
dos anos 1990, quando fui presidente da Nor-Fishing, 
fundação que organiza bianualmente a exposição 
Aqua Nor, em Trondheim. Nas reuniões do conselho 
discutíamos medidas para atrair expositores chilenos 
e visitantes ao Aqua Nor. Queríamos dar uma pe-
quena contribuição para melhorar as relações entre 
os dois países e acreditávamos que, para sermos re-
almente parceiros, era preciso pensar no benefício a 
longo prazo para a indústria de ambos os lados.
Quais são as maiores 
dificuldades para o 
desenvolvimento de políticas 
e ações para a indústria dapesca e aquicultura? 
A resposta pode variar de país para país, de ecossis-
tema para ecossistema. No caso brasileiro eu entendo 
que há um problema geral de excesso de capacidade 
e pesca predatória, além de deficiências consideráveis 
na pesquisa dos ecossistemas, na legislação e no con-
trole das pescas. Para a aquicultura brasileira devo 
admitir que eu não tenho uma compreensão clara de 
onde estão as maiores deficiências, embora o país 
esteja em uma fase muito inicial de desenvolvimento 
da atividade.
 Fabricio Umpierres
STRONG 
REGULATION
ENTREvISTA PETER GULLESTAD
1º ANUÁRIO BRASILEIRO DA PESCA E AQUICULTURA88
F
ormado na década de 50 durante a construção 
de uma usina hidrelétrica, o lago de Furnas, em 
Minas Gerais, é um dos maiores reservatórios de 
água do Brasil. Há dois anos, um grupo de pes-
quisadores trabalha no local para desenvolver um 
modelo de monitoramento e avaliação de possíveis im-
pactos ambientais da piscicultura em tanques-rede nas 
áreas cedidas pela União. O objetivo, segundo a coorde-
nadora do projeto, Fernanda Garcia Sampaio, da Embrapa 
Meio Ambiente, é melhorar a gestão ambiental de par-
ques aquícolas no País.
O Projeto Furnas inova ao utilizar o Sistema Integrado 
de Monitoramento Ambiental (SIMA) – desenvolvido pelo 
Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) – para 
monitorar em tempo real dados como o pH, a temperatu-
ra da água em quatro profundidades, a turbidez e o oxi-
gênio dissolvido em uma área, permitindo leituras mais 
rápidas e precisas dos processos gerados pela atividade. 
“A maioria das coletas de dados no Brasil acontece com 
espaços de dias ou até semanas, o que não permite um 
acompanhamento detalhado desses indicadores”, explica 
Marcos Eliseu losekann, da Embrapa Meio Ambiente.
Após a adaptação, o sistema deve ser adotado no mo-
nitoramento da atividade em águas cedidas pela União. 
Financiado pelo Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), 
o projeto é executado pela Embrapa, Agência Paulista de 
Tecnologia dos Agronegócios (APTA) e INPE. 
 por Leo Laps
C
arlos A
raújo/IN
P
E
RESEARCHERS HAVE been working in 
a lake formed by Furnas Hydroelectric Power 
Plant in Minas Gerais state for two years to 
develop a model to monitor and evaluate 
possible environmental impacts of fish-cages 
farmed in areas granted by the Union to improve 
the environmental management in Brazilian 
aquaculture parks, according to the project 
coordinator, Fernanda G. Sampaio.
Furnas Project innovates by using the 
Environmental Monitoring Integrated System 
(SIMA) – developed by Instituto Nacional de 
Pesquisas Espaciais (INPE) – for a more accurate 
and fast reading. It monitors data in real time as 
pH, water temperature in four depths, turbidity, 
and oxygen dissolved in an area. ‘Most data 
collection in Brazil happens within days 
or weeks preventing us to have a detailed 
monitoring’, says Marcos E. losekann of 
Embrapa Meio Ambiente.
UNDER CONTROL
SOB 
CONTROLE
Embrapa estuda utilização de sistema 
do INPE para o monitoramento e 
avaliação de impactos ambientais da 
piscicultura em águas da União
O siMa, que há 20 anos 
monitora recursos hídricos 
no País, está sendo 
adaptado, no lago de 
Furnas, em Minas Gerais, 
para a aquicultura
2014 89
U
m dos maiores entraves para a formação da 
cadeia produtiva é a obtenção de licenças 
ambientais para empreendimentos aquíco-
las. Os empresários pedem maior agilidade 
nos processos e uma normatização mais efi-
ciente, que mantenha a preservação da biodiversidade 
e a proteção sanitária para as espécies cultivadas. Uma 
licença ambiental pode levar até seis anos e custar até 
R$ 100 mil, de acordo com a legislação estadual e o tama-
nho da propriedade.
Para a secretária de Planejamento e Ordenamento da 
Aquicultura do Ministério da Pesca (MPA), Maria Fernanda 
Nince Ferreira, os avanços obtidos nos últimos anos são re-
sultado de conversas entre o governo, a sociedade civil e a 
iniciativa privada. Uma conquista foi que o Conselho Nacio-
nal do Meio Ambiente (Conama) aprovou novas diretrizes 
que alteram a Resolução nº 413/2009, tornando mais sim-
plificado o processo. A resolução, publicada no Diário Oficial 
no final do ano, orienta os órgãos estaduais a agilizarem o 
procedimento para o cultivo de pescado.
Maria Fernanda explicou que as discussões duraram 
quatro meses. Afirmou que a legislação brasileira está 
alinhada com o cenário global, no mesmo contexto de 
países como Japão, China, Nova zelândia e Austrália, 
mas também seguiu as políticas e diretrizes nacionais. 
“Vemos o amadurecimento de uma cadeia produtiva 
ainda em potencial e todos ganham com uma situação 
de legalidade”, afirma.
Estados como Goiás, Paraíba, Paraná e Rio Grande do Nor-
te assinaram convênios com o MPA para facilitar o licencia-
POLíTICAS E AçõES 
O custo e a morosidade na emissão de licenças 
ambientais estão entre os maiores entraves à 
expansão da aquicultura
entre os critérios para a concessão da licença 
simplificada está o uso de espécies naturais da região
SImPLICIDADE 
DESEJADA
mento para pequenos e médios produtores. A medida deve 
beneficiar dez mil aquicultores. Outro exemplo é São Paulo, 
que criou no final de 2012 o Via Rápida da Aquicultura, um 
marco regulatório que isenta produtores que tenham me-
nos de cinco hectares de lâmina d’água. É necessário ape-
nas um cadastro com declaração dos dados da propriedade. 
Para empreendimentos que têm tanques-rede com volume 
de até 1 mil metros cúbicos, o processo é simplificado. 
“Ouvimos muito a iniciativa privada, que debateu esse 
tema por duas décadas. Antes, a maioria dos produto-
res não tinha o licenciamento e só se preocupava após 
a fiscalização”, comentou luiz Marques da Silva Ayroza, 
pesquisador da Agência Paulista de Tecnologia dos Agro-
A
rq
uivo C
od
evasf
1º ANUÁRIO BRASILEIRO DA PESCA E AQUICULTURA90
Jefferson Christofoletti/Em
brapa Pesca e Aquicultura
Maria Fernanda
é também 
pesquisadora 
da unB com 
atuação em 
ecologia e 
biologia de 
comunidades
de peixes
Via rápida isenta pequenos produtores e reduz custo 
de grandes de r$ 19 mil para r$ 5,5 mil
 DESIRED SImPLICITy
THe naTiOnal environment Council (Conama) 
has approved new guidelines that change resolution 
413/2009 by simplifying the environmental licensing 
process for aquaculture activities. it will be published 
in the Official Gazette by the end of the year when it 
will be in force to guide local agencies to speed fish 
farming procedures.
according to Maria Fernandes nince Ferreira, the 
secretary of aquaculture Planning at the Ministry 
of Fisheries (MPa), the discussions among the 
government, the civil society and the private initiative 
lasted four months. she said the Brazilian legislation 
is aligned with the global scenery in the same context 
as Japan, China, new zealand and australia but also 
following the national policies and guidelines. “We see 
the maturation of a potential productive chain and 
everyone wins with a legal situation”, she states.
Federal states like Goias, Paraiba, Parana and rio 
Grande do norte have signed agreements with MPa 
to facilitate licensing for small and medium producers. 
This measure will benefit ten thousand aquaculturists. 
another example is sao Paulo with Via rápida 
aquicultura (Fast Way for aquaculture), a regulatory 
that exempts whoever has less than five hectares 
of water depth. Only a registration form with the 
property details is required. For enterprises presenting 
volumes of fish cages up to 1 thousand cubic metres, 
the process is simpler. 
negócios (APTA), da Secretaria de Agricultura e Abas-
tecimento. 
Ayroza disse que existe adesão e que o prazo de 
cadastro deve ser expandido. “Devemos ter 30% do 
número de projetose propriedades com o protocolo de 
solicitação. Sabemos que os produtores são os maio-
res interessados na qualidade da água”, finalizou, ao 
comentar que até o primeiro semestre de 2014, mais 
20% dos empresários devem protocolar o pedido. 
 por wendel martins
A
rq
uivo M
P
A
2014 91
1º ANUÁRIO BRASILEIRO DA PESCA E AQUICULTURA92
POLíTICAS E AçõES
Cessão de áreas em reservatórios de 
hidrelétricas e ambientes marinhos 
é a grande estratégia para ampliar a 
produção aquícola
ÁGUAS PARA DAR E CEDER
C
alibrar expectativas e projetar a expansão 
dos negócios podem se tornar tarefas sim-
ples para a piscicultura nacional. Com a 
decisão do governo federal em ceder áreas 
onerosas para aumentar a produção aquí-
cola, a previsão é alcançar a produção de pelo menos 
200 mil toneladas de pescado por ano, entre peixes, 
ostras e mexilhões.
De junho a outubro de 2013, a Secretaria de Planeja-
mento e Ordenamento da Aquicultura (Sepoa/MPA) desti-
nou mais de 792 hectares de áreas sob domínio da União 
para a produção de pescados em cativeiro. As áreas estão 
localizadas em reservatórios de usinas hidrelétricas e am-
bientes marinhos nos estados de São Paulo, Tocantins, 
Pernambuco, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, 
Bahia, Paraná, Rio de Janeiro e Santa Catarina. 
Somente em Santa Catarina, as áreas cedidas ocu-
pam cerca de 92 hectares, com capacidade para pro-
duzir 8,5 mil toneladas de mariscos por ano. “Além de 
criar milhares de empregos, a licitação destas áreas vai 
movimentar a economia e desenvolver a aquicultura nes-
tas regiões”, destaca a secretária de Planejamento e Or-
denamento da Aquicultura do Ministério da Pesca e Aqui-
cultura (MPA), Maria Fernanda Nince. “Resultado disso 
é uma melhor qualidade de vida aos aquicultores, como 
também o aumento da oferta de pescado à população”, 
completa a secretária.
O processo seletivo público para a cessão das áreas 
aquícolas delimitadas nos parques pode ser oneroso ou 
não oneroso. A seleção de áreas não onerosas tem forte 
cunho social e estas são ofertadas gratuitamente, median-
2014 
ÁGUAS PARA DAR E CEDER
te licitação e observando parâmetros socioeconômicos. A 
seleção de empreendedores para as áreas onerosas é efe-
tuada por meio de licitação onerosa, onde o vencedor é 
aquele disposto a pagar mais pelo uso da área. 
Além de ser um negócio que pode ser lucrativo, os 
interessados em cultivar pescados nos parques aquíco-
las levam uma grande vantagem: as áreas são cedidas 
já com todos os aspectos legais e ambientais totalmente 
resolvidos. De acordo com o engenheiro agrônomo Irineu 
Motter, da Divisão de Reservatório e um dos gestores do 
programa Mais Peixes em Nossas Águas, um dos exem-
plos da cessão de águas para a produção de pescados é o 
reservatório da Hidrelétrica Binacional Itaipu.
Com uma lâmina de água de 1.350 quilômetros quadra-
dos, Itaipu tem elevado potencial para o desenvolvimento 
da piscicultura em tanques-rede. Em decorrência deste 
potencial, em 2003, por meio do convênio realizado entre 
atualmente 
o governo 
brasileiro 
discute com 
o paraguaio 
a liberação 
do cultivo de 
tilápia no lago 
de itaipu
Alexandre Marchetti / Itaipu
10 milhões 
de ha
Área com água 
represada
3,5 milhões 
de km2
Zona Econômica 
Exclusiva (ZEE)
950 mil 
km2
Extensão da 
plataforma continental
Fonte: MPA e Marinha do Brasil
93
1º ANUÁRIO BRASILEIRO DA PESCA E AQUICULTURA94
POLíTICAS E AçõES
a Itaipu Binacional e o Ministério da Pesca, foram reali-
zados os estudos ambientais para demarcação de áreas 
e avaliação da capacidade de suporte nos três principais 
braços do reservatório, sendo criados os parques aquíco-
las Ocoí, São Francisco Falso e São Francisco Verdadeiro.
Juntos, apresentam potencial para produzir 7 mil to-
neladas/ano de peixes nativos (pacu) em sistema de 
tanques-rede, em uma área total de 11.569 hectares de 
superfície aquática. Os estudos indicam que, ocupando 
apenas 0,46% (53,2 ha) da área do parque, pode-se atingir 
a produção anual estimada. A ocupação fica muito aquém 
do limite estabelecido em normativa de ocupação de re-
servatórios (1,0%). Segundo o agrônomo, com a implan-
tação dos parques aquícolas, em 2008 foram entregues 
aos pescadores 72 títulos de lotes de 2.000 m2 cada, ofi-
cializando a cessão de uso por 20 anos. Em 2012, foram 
produzidas 50 toneladas de pacu nas áreas cedidas, com 
previsão de aumento de 50% em 2013. 
Atualmente a produção de peixes no lago de Itaipu se 
resume ao pacu (Piaractusmesopotamicus). Mesmo as-
sim, a hidrelétrica e instituições parceiras de ensino e pes-
quisa estão trabalhando no desenvolvimento de pesquisa 
de outras espécies nativas, como lambari do rabo amarelo 
(Astyanaxaltiparanae) e piau três pintas (leporinusfrideri-
ci). As pesquisas desenvolvidas e apoiadas por Itaipu acu-
mulam mais de 20 anos de dados. “Muitas outras espé-
cies nativas foram pesquisadas neste sistema de cultivo, 
todavia a melhor viabilidade técnica e econômica ainda é 
aferida com o pacu”, completa o agrônomo.
 por Adão Pinheiro
2014 
 wATER IN 
ABUNDANCE
MeasurinG exPeCTaTiOns and 
projecting business expansion may become 
a simple task for the national fish-farming. 
The federal government has decided to grant 
expensive areas to increase the national 
aquaculture production and the prediction is 
to reach at least 200 thousand tons of fish, 
oysters and mussels per year. Those who are 
interested in farming fish at aquaculture parks 
have a great advantage: these areas are given 
with all legal and environmental 
aspects resolved. 
From June to October 2013, the Ministry of 
Fisheries and aquaculture (sepoa/MPa) granted 
more than 792 hectares of areas belonging to the 
union to produce fish in captivity. These areas 
are found in reservoirs of hydroelectric power 
plants and marine environments in the states of 
são Paulo, Tocantins, Pernambuco, Goiás, Mato 
Grosso do sul, Bahia, Paraná, rio de Janeiro, 
and santa Catarina. “it will generate thousand 
jobs and the bid of these areas will develop the 
economy and aquaculture in these regions”, says 
the secretary of aquaculture Planning of MPa, 
Maria Fernandes nince.
One example of water assignment for fishing 
production is the reservoir of Hidrelétrica 
Binacional itaipu, with a water level of 1,350 
square kilometres and a high potential for 
fish-farming development in fish-cages: it takes 
only 0.46% (53.2 ha) of the park area and it 
can reach an annual production of 7 thousand 
tons of native fish (pacu). The occupation is 
much shorter than the limit established in the 
regulatory occupational license of 
reservoirs (1.0%). 
a cessão de águas da união 
para uso na aquicultura 
é o grande trunfo para 
multiplicar a produção 
brasileira de pescados
Alexandre M
archetti / Itaipu
95
1º ANUÁRIO BRASILEIRO DA PESCA E AQUICULTURA96
NOvIDADE 
NA LATA
PESQUISA
Projeto da Embrapa busca espécies alternativas à 
sardinha para enlatamento, entre elas a matrinxã
Matrinxã sardinha
natural da amazônia, a matrinxã adapta-se bem ao cultivo em outras regiões
Arquivo Em
brapa pesca e Aquicultura
5,7 mil t (2011)PRODUçãO 
DE MATRINxã
Unidades produtivas: 753 (2008)
Fonte: MPA (Boletim Estatístico da Pesca e Aquicultura 2011 e Censo Aquícola Nacional 2008)
2014 97
U
ma nova espécie de peixe poderá ser encon-
trada nas prateleiras dos supermercados, ao 
lado da já conhecida sardinha. Pelo menos é 
o que buscam os responsáveis pelo projeto “A 
matrinxã (Brycon cephalus) como alternativa 
à sardinha-verdadeira (Sardinella brasiliensis) para enlata-
mento pela indústria de pescados”. “Nosso trabalho bus-
ca espécies oriundas da aquicultura continental que sejam 
mais apropriadas ao enlatamento, quanto ao formato, ren-
dimento,coloração da musculatura etc.”, explica pesquisa-
dora da Embrapa Pesca e Aquicultura, Patrícia Mochiaro.
 O objetivo dos pesquisadores é oferecer uma nova op-
ção para o setor conserveiro ou para indústrias que quei-
ram trabalhar com produtos oriundos da aquicultura e não 
apenas do extrativismo. “O projeto sinalizará a percep-
ção da indústria quanto a novas espécies e apresentará os 
gargalos relacionados à produção”, aponta Patrícia. Com 
duração prevista de dois anos, a pesquisa já propiciou o 
enlatamento de espécies de teste, que estão sendo avalia-
das sensorialmente. Ao fim, deverá apontar a viabilidade 
econômica e a situação da produção da matrinxã nas regi-
ões Norte e Centro-Oeste, onde está sendo desenvolvida.
 Ter uma produção aquícola continental pode ser um di-
ferencial para a indústria conserveira, que depende muito 
da sardinha. Encontrada entre o litoral norte do Rio de Ja-
neiro e o litoral sul de Santa Catarina, ela corresponde por 
dois terços do mercado nacional de peixes em conserva e 
era considerada até pouco tempo em situação de sobrepes-
ca, mesmo com os períodos de defeso instituídos há dez 
anos. “Atualmente estamos vivenciando uma supersafra, 
porém não é sempre assim, conforme os dados históri-
cos”, avalia a pesquisadora da Embrapa.
 Um dos resultados possíveis será a aproximação da in-
dústria conserveira de pescado com a piscicultura. “Acos-
tumada a receber sua matéria-prima da atividade pesquei-
ra, essa indústria perceberá os benefícios que a produção 
aquícola pode proporcionar, como a redução dos estoques, 
cuja manutenção custa caro, mas é crucial para quem de-
pende da pesca, uma atividade sazonal”, esclarece. Além 
disso, a produção da aquicultura pode ser planejada e 
atender às demandas da indústria com fornecimentos mais 
constantes, maior uniformidade de carcaça e controle de 
origem, entre outras vantagens. “O projeto também pode 
abrir caminho para outras espécies de peixe”, diz Patrícia.
 por Andréia Seganfredo
 CANNED NEwS
a neW FisH sPeCies will be found on the 
supermarket shelves just beside the well-known 
sardine. “Our work searches for species originated 
from inland aquaculture which are suitable for 
canning according to their shape, proceeds, muscle 
colouring, etc”, explains the research coordinator 
of embrapa Fishing and aquaculture, Patrícia 
Mochiaro. Matrinxã (Brycon cephalus) 
is one of these species.
 The researchers propose to offer a new option 
for industries which are fond of working with 
products that come from aquaculture and not only 
from extractivism. Being so dependent on sardine, 
the canning industry might have a differential if 
it offers a product from the inland aquaculture. 
Found between the north coast of rio de Janeiro 
and the south coast of santa Catarina, this fish 
accounts for two thirds of the national market of 
preserved fish and it was in an overfishing situation 
a little while ago, even with the seasonal closures 
instituted ten years ago.
 according to Patrícia, one of the results will be 
the approximation of the fish canning industry with 
fish-farming. “This industry will realize the benefits 
of aquaculture production like stock reduction, for 
example, because its maintenance is expensive”, 
she states. aquaculture production can be planned 
and meet with the industry demands with more 
frequent supplies, better carcass uniformity, a 
source control, and other advantages.
1969 1973 1980 1986 1990 1997 2000 2009
100
228
140 125
32
118
17
84
EvOLUçãO DA PESCA DE SARDINHA-vERDADEIRA
EM MIL TONELADAS
Fonte: Ibama
A
ssegurar a melhoria genética e a inserção da 
produção nos mercados mais exigentes cons-
titui condição indispensável para quem preten-
de consolidar sua presença na aquicultura. A 
Embrapa Pesca e Aquicultura desenvolveu um 
sistema de identificação eletrônica de peixes que permite 
ao produtor acompanhar o desenvolvimento de seus plan-
teis. Com isso, ele pode evitar que os animais percam 
vigor e sanidade em razão de sucessivos cruzamentos 
consanguíneos, escolhendo, com base no perfil genéti-
co individual, as melhores matrizes para a formação das 
LINhAGENS 
APURADAS
PESQUISA
Sistema de identificação 
eletrônica de peixes assegura a 
melhoria genética de plantéis
amostra de tecido para análise de dna é retirada geralmente da cauda
Fotos: Jefferson C
hristofoletti/Em
brapa pesca e Aquicultura
1º ANUÁRIO BRASILEIRO DA PESCA E AQUICULTURA98
dna revela grau de parentesco entre os peixes, 
evitando cruzamentos consanguíneos
sistema certifica a origem do produto, um controle 
do início ao fim da cadeia produtiva
kit de identificação dos peixes
 ACCURATE 
LINEAGES 
eMBraPa FisHinG and aquaculture 
has developed a system of electronic fish 
identification for farmers to avoid having 
the animals with less vigour and health due 
to successive inbreeding. so, based on the 
individual genetic profiling, it is possible to 
choose the best matrices to create the next 
generations. each fish gets an electronic 
chip (tag) inserted under its skin to be read 
through a scanner. The animal is identified 
by a number that allows the farmer to 
monitor its development. The databank also 
shows samples of the genetic material and 
with them it is possible to establish the level 
of relatedness in the farm. 
próximas gerações.
Cada peixe recebe um chip eletrônico (tag), inseri-
do sob sua pele, que pode ser lido por um escâner. 
O animal é identificado por um número, com o qual 
o produtor pode acompanhar seu desenvolvimento. O 
banco de dados contém ainda uma amostra de tecido, 
retirada geralmente da nadadeira da cauda, a partir da 
qual são identificadas amostras de material genético 
que permitirão estabelecer os diversos graus de paren-
tesco no plantel.
A iniciativa visa a eliminar um dos mais comuns e gra-
ves problemas nos sistemas de cultivo de animais: a perda 
natural da variedade genética dos estoques. Na piscicul-
tura brasileira, esta tendência é bastante acentuada, em 
razão do intenso cruzamento entre indivíduos que pos-
suem alto grau de parentesco. Animais que nascem nes-
sas condições tendem a apresentar deficiências genéticas 
sérias, como alta suscetibilidade a doenças, deformações 
na coluna vertebral e redução do crescimento.
 Flávio Cardozo Jr.
2014 99
1º ANUÁRIO BRASILEIRO DA PESCA E AQUICULTURA100
P
esquisadores do laboratório de Biologia e Cultivo 
de Peixes de Água Doce (lAPAD) da Universida-
de Federal de Santa Catarina (CCA/UFSC) estão 
aplicando uma técnica inovadora no Brasil para 
obter o índice de gordura corporal de peixes sem 
a necessidade de sacrificá-los. O experimento está sendo 
feito com quatro espécies de peixe de água doce da bacia 
do Alto Rio Uruguai: a piava (leporinus obtusidens), o 
dourado (Salminus brasiliensis), o suruvi (Steindachneri-
dion scriptum) e o curimba (Prochilodus lineatus).
A técnica, chamada de Impedância Bioelétrica (BIA), 
consiste na aplicação de uma corrente contínua de eletri-
cidade – a mesma de baterias e pilhas – no tecido animal, 
que irá conduzir ou resistir à passagem dessa eletricida-
de, revelando os valores de gordura e outros parâmetros 
como: teor de proteína, massa magra e teor de cinzas. 
Essas informações auxiliam, entre outras coisas, na for-
matação da dieta alimentar dos peixes. 
A principal vantagem em comparação ao método quí-
mico é manter os espécimes vivos, além de ter um cus-
to mais baixo. O coordenador do projeto, professor Evoy 
zaniboni-Filho, explica como a técnica é feita: “O peixe é 
tirado momentaneamente da água, seco, e depois é feita 
a leitura da passagem da eletricidade em seu corpo. Ime-
diatamente após essa leitura o peixe retorna para a água”.
 por Fabiana de Liz
PESQUISA
Fotos: Arquivo Lapad
THere is a neW techniquein Brazil to 
get the body fat percentage of fish with no 
need to sacrifice them and it has been used 
by researchers at universidade Federal de 
santa Catarina (uFsC). This technique is called 
Bioelectrical impedance (Bia) and it consists 
of applying a direct current – the same with 
batteries – in the animal tissue that takes and 
resists to this electricity. it reveals values for 
fat and other parameters as: protein content, 
lean body mass and ash content. This kind of 
information helps us determine the diet of the 
fish. The main advantage, if we compare with 
the chemical method, is to keep the specimen 
alive and the cost is even lower. 
 NO SUFFERING
SEm SACRIFíCIO
Técnica inovadora revela o índice de 
gordura de peixes e outros parâmetros 
sem a necessidade de matá-los
evoy zaniboni
Filho atua no 
desenvolvimento 
de tecnologias para 
peixes migradores 
brasileiros
Técnica chamada de impedância Bioelétrica já é usada em humanos e outros mamíferos
O 
cultivo de tilápias é um importante seg-
mento da aquicultura brasileira. No entan-
to, os produtores convivem com um pro-
blema crônico: a dificuldade para reduzir o 
tempo dedicado às várias etapas de produ-
ção. Enquanto um frango, por exemplo, leva 60 dias para 
entrar em condições de abate, o tempo de cultivo de uma 
tilápia fica entre cinco e seis meses.
Um estudo sobre o comportamento alimentar das ti-
lápias desenvolvido pela Universidade Estadual Paulista 
(Unesp) e pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) 
poderá auxiliar os produtores a reduzir o tempo despen-
dido no processo de produção. Utilizando câmeras infra-
vermelhas, a equipe de pesquisa acompanhou durante 
a noite o comportamento de tilápias submetidas a altas 
frequências alimentares. As pós-larvas de tilápias foram 
divididas em quatro grupos, com seis tanques-rede para 
cada grupo, de acordo com a frequência alimentar esta-
belecida – 24, 32, 48 e 96 vezes ao dia, ou a intervalos de 
60 minutos, 45, 30 e 15 minutos entre as refeições. 672 
horas de gravação, durante 28 dias de experimentação 
no campus da Unesp de Botucatu (SP), foram analisadas 
pela UFPR, no campus Palotina, para quantificar a densi-
dade e motilidade (velocidade) dos peixes.
A alta frequência alimentar proporciona vários benefí-
cios, entre eles o aumento da eficiência alimentar, redu-
ção de resíduos, diminuição do tempo de cultivo nessa 
fase e maior uniformidade do lote. A meta é a obtenção 
de informações que possibilitem a aplicação de técnicas 
diferenciadas no manejo, reduzindo o aporte de resíduos 
para o meio ambiente pela melhor utilização da ração.
por Flávio Cardozo Jr.
BEm 
ALImENTADAS
PESQUISA
Estudo sobre comportamento alimentar de 
tilápias avalia a adoção de altas frequências 
alimentares para diminuir o tempo de produção
 wELL FED 
TilaPia FarMers have a chronic 
problem: how to reduce time used for the 
several farming steps? While chicken takes up 
to 60 days to be ready for slaughter, tilapia 
farming takes about five to six months.
There is a research about tilapia feeding 
behaviour developed by two universities 
– unesP and uFPr – that might assist in 
time reduction. using infrared cameras, the 
research team monitored the behaviour of 
tilapias subjected to high food frequency. This 
provides an increase of feed efficiency, waste 
reduction, decrease in farming time, and a lot 
with more uniformity. 
2014 101
CADEIA PRODUTIvA
D
ivulg
ação B
rusinox
mOTORES DA 
PRODUçãO
A indústria de máquinas e equipamentos é um elo fundamental 
para aumentar a produtividade e agregar valor aos pescados
a Brusinox, de 
Brusque (sC), conta 
com engenheiros 
e especialistas do 
setor frigorífico, 
entre outros
1º ANUÁRIO BRASILEIRO DA PESCA E AQUICULTURA102
D
aniel Bacca, da Brusinox, de Brusque (SC), vê 
boas perspectivas para o futuro do setor de 
pesca e aquicultura, tendo em vista o aumen-
to no consumo brasileiro. Esse fator implica 
a extrema necessidade de incremento da pro-
dução, o que passa por equipamentos mais eficientes. “O 
grande desafio da indústria de máquinas e equipamentos 
é estar sempre na frente, desde o relacionamento com 
clientes até o desenvolvimento de novos produtos.”
A Brusinox tem mais de 45 anos de experiência no mer-
cado e conta com mais de 50 mil projetos executados. 
Entre as novidades da empresa, destaque para a desca-
madora de pescado por meio de jato d’água. Por concen-
trar um jato de alta pressão, permite um consumo mais 
baixo de água. Recentemente a Brusinox lançou também 
a filetadora de pescado, que pode ser adquirida em três 
modelos para diferentes tipos de peixe. Todos os equipa-
mentos são 100% desenvolvidos na empresa.
Outra indústria do ramo, a Bass, de Boituva (SP), tem 
se dedicado a pesquisar e produzir equipamentos ado-
tando tecnologias que viabilizam a produção. “Basica-
mente, nossa linha de atuação é através da intensificação 
da produção, aumento da capacidade produtiva por área, 
através de reuso e tratamento da água”, explica a sócia-
-proprietária Fabiana Grechi.
Ela destaca que o foco é viabilizar a produção em efluen-
tes pós-tratamento, visando a diminuição da concentração 
de sólidos suspensos, como melhoria ambiental, e a redu-
ção dos custos de produção do pescado. “Neste segmento 
estamos obtendo crescimento significativo, confirmando 
nossa perspectiva diante do mercado em volume e área 
de atuação”, ressalta.
No entanto, para Fabiana, apesar do rápido crescimen-
to apresentado na última década, a aquicultura passou, 
no último ano, por uma certa estagnação. Segundo ela, 
a redução dos estoques pesqueiros e a grande disponi-
bilidade hídrica não têm sido suficientes para alavancar 
um crescimento representativo do setor – especialmente 
no que tange à intensificação das técnicas de produção 
em cativeiro e ao desenvolvimento de uma aquicultura 
sustentável. “A falta de clareza na legislação, assim como 
o ordenamento de toda a cadeia produtiva, têm sido os 
entraves para que o Brasil se torne um dos maiores pro-
dutores de pescado em cativeiro.”
 por Deisi Furtado
VieWinG THe inCrease of 
Brazilian consumption, daniel Bacca of 
Brusinox (from Brusque city-sC) has 
good perspectives on the future of the 
fisheries and aquaculture sector. He sees 
the production increasing through more 
efficient machinery and equipment. “The 
challenge of machinery and equipment 
industry is to be always ahead, from 
the relationship with the client to the 
development of new products.”
among the company’s innovation there 
is the water jet fish peeler. since it has a 
high-pressure jet, the equipment consumes 
less water. Brusinox has also released a fish 
filleting machine that can be achieved in 
three different models for different kinds 
of fish. every piece of equipment is fully 
developed in the company.
Bass is another company in the field 
(from Boituva city-sP) that has researched 
and produced equipment with technologies 
that make the production feasible. “We 
intensify production and enhance each 
area productive capacity by reusing and 
treating water”, explains Fabiana Grechi, 
one of the owners.
However, Fabiana points that despite 
of a fast growth of this last decade, 
aquaculture has been a little stagnated 
in the last year. “The lack of clarity in 
the legislation and the planning of all the 
productive chain have prevented Brazil to 
become one of the largest fish producer of 
fish in captivity.” 
 PRODUCTION 
ENGINES
2014 103
CADEIA PRODUTIvA
Arquivo Sindipi
RITmO 
DE ESPERA
Relançamento do Profrota, em 2014, deve 
reanimar a indústria naval com recursos 
destinados à construção de barcos 
modernos para pesca oceânica
Frota brasileira precisa estar apta a pescar em águas distantes e profundas, onde há abundância de atunsCerca de 30 mil barcos (MPA 2006)
27 mil destinados à pesca 
artesanal (MPA 2006)
5 mil barcos utilizados 
na pesca industrial (MPA 2011)
Idade média superior 
a 30 anos (MPA)
FROTA PESQUEIRA BRASILEIRA
1º ANUÁRIO BRASILEIRO DA PESCA E AQUICULTURA104
U
ma frota obsoleta e com idade média que 
ultrapassa três décadas aguarda o relança-
mento de uma ferramenta criada para rein-
ventar a pesca industrial brasileira. “Nossos 
barcos estão no tempo do telefone de dis-
co”, diz o ministro da Pesca e Aquicultura, Marcelo Cri-
vella. Criado em 2004 pelo governo federal, o Programa 
Nacional de Financiamento da Ampliação e Moderni-
zação da Frota Pesqueira Nacional (Profrota Pesqueira) 
foi suspenso em 2010 depois de frustrar expectativas 
do setor produtivo. A promessa do Ministério da Pes-
ca e Aquicultura (MPA) é de relançá-lo em 2014 com 
adequações que prometem beneficiar um grupo mais 
amplo de pescadores e armadores.
A meta inicial do Profrota era financiar até 100 novas 
embarcações de pesca oceânica para suprir a demanda 
por este tipo de captura. A maioria dos barcos brasilei-
ros não possui recursos tecnológicos para localização de 
cardumes e estrutura para a conservação do pescado nas 
áreas mais distantes da costa. Em cinco anos, o programa 
financiou apenas 12 embarcações de médio e grande por-
te. “Faltou estruturação para a realidade brasileira. Pou-
quíssimos armadores conseguiam atender às exigências 
do programa”, conta o presidente do Sindicato da Indús-
tria e dos Armadores de Pesca de Itajaí e Região (Sindipi), 
Giovani Monteiro.
Segundo o diretor do Departamento de Fomento do 
MPA, Sebastião Saldanha Neto, o ministério entendeu 
que o programa precisava de adequações e abriu as dis-
cussões que culminaram com a edição da lei nº12.712, 
em fase de regulamentação. “No momento, o MPA está 
qualificando e dimensionando a demanda para retomar o 
financiamento em 2014”, diz Saldanha. Ele defende que 
a principal vantagem do Profrota foi a oferta de recursos 
para o incremento da produção por modalidade e taxas 
de juros fixas, ferramenta até então inexistente para fi-
nanciamento de embarcações.
Enquanto isso, o mercado da construção e reparo de 
embarcações para a pesca industrial em Santa Catarina, 
o mais tradicional do Brasil, perde forças. “Muitas em-
presas começam a migrar para a construção de barcos 
de apoio à Petrobras, que está com grande demanda”, 
explica o presidente do Sindicato dos Trabalhadores 
nas Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas, de Material 
Elétrico e de Construção Naval de Itajaí e Região, Os-
car João da Cunha. 
 RhyThm OF wAITING
AN OUTDATED FlEET of over thirty years 
old in average waits for of a tool created to reinvent 
the Brazilian fishing industry to be relaunched. 
“Our boats still live in the dial telephone time”, 
says the Ministry of Fishery and Aquaculture, 
Marcelo Crivella. Most Brazilian boats neither have 
technological resources to track schools nor fishing 
structure in further areas off the coast.
Created in 2004 by the federal government, 
the National Program to Support Extension and 
Modernize the National Fishing Fleet (Profrota 
Pesqueira) was suspended in 2010 after frustrating 
expectations in the productive sector. The Ministry 
of Fisheries and Aquaculture (MPA) promises to 
relaunch it in 2014 with adequacies that will benefit 
a wider group of fishermen and shipowners.
“There was a lack of organization for the 
Brazilian reality. Very few shipowners managed 
to accomplish the program requirements”, reports 
the president of Industry and Fishing Shipowners 
Union of Itajaí city (Sindipi), Giovani Monteiro. 
According to Sebastião Saldanha Neto, the CEO of 
the Promotion Department at MPA, the ministry 
found out the program needed adequacies and 
opened up discussions that culminated with law 
12,712, which is still being regulated. “MPA is 
qualifying and dimensioning the requirements to 
retake the funding in 2014”, explains Saldanha. 
O empresário Jorge Seif, da JS Pescados, localizada em 
Itajaí (SC), maior polo pesqueiro do País, concorda que 
a falta de financiamento e as altas taxas de juro são os 
grandes problemas. A empresa busca inovar para se man-
ter no mercado. O barco que congela o pescado a bordo 
é um dos diferenciais da JS, que mantêm 12 embarcações 
como essa e, atualmente, constrói uma nova embarca-
ção para captura de sardinha, com capacidade para atuar 
também na pesca oceânica.
 por Luciana zonta
2014 105
2012 2013 (previsão)
575
75
660
80
CADEIA PRODUTIvA
ALImENTAR BEm 
PARA CRESCER
Boa qualidade das rações é essencial para garantir 
o aumento da produtividade nos cativeiros
A 
indústria de rações para a aquicultura vive uma 
espécie de adolescência. Tendo dado seus pri-
meiros passos no começo dos anos 90, o se-
tor passa por um momento de afirmação no 
mercado nacional e vislumbra um horizonte 
de crescimento para os próximos anos. Tal expectativa 
depende, é claro, de outros elos da cadeia produtiva – do 
potencial dos criadores ao próprio consumidor, estimu-
lado pela oferta crescente de produtos mais saudáveis e 
acessíveis. E há também desafios intrínsecos a superar, 
como aumentar os investimentos em pesquisas para ele-
var a qualidade das rações.
O Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal 
(Sindirações) estima em uma centena o número de empresas 
brasileiras que produzem pelo menos um tipo de ração para 
peixes ou camarões. Elas se concentram no Sudeste, mas é 
no Centro-Oeste que o setor vem encontrando campo fértil 
para crescer, em parte devido à grande produção de milho 
e soja – usados na composição das rações. “Toda a produ-
ção nacional, estimada em 660 mil toneladas para 2013, é 
consumida no próprio País”, afirma Ariovaldo zani, vice-
-presidente executivo do Sindirações.
A boa qualidade das rações é essencial para garantir 
o aumento da produtividade nos cativeiros. Alimentados 
com os nutrientes adequados para cada fase da vida de 
cada espécie, na quantidade correta e de acordo com o 
ambiente de criação, os animais crescem de maneira uni-
forme, com menor taxa de mortalidade. Mas, além da 
ração de qualidade, é preciso que o produtor saiba como 
manejar os alimentos de maneira correta – o que garante, 
também, a boa qualidade da água nos cativeiros. Por isso, 
empresas como a Guabi, uma das maiores produtoras de 
ração animal do país, tem como praxe a realização de 
atividades de formação de aquicultores. “Sempre estimu-
lamos e patrocinamos pesquisas, cursos e treinamentos, e 
colaboramos com a impressão de livros e apostilas volta-
dos ao setor”, revela o gerente de produtos para aquicul-
tura da empresa, João Manoel Cordeiro Alves.
Para o professor doutor José Eurico Possebon Cyrino, 
da Escola Superior de Agricultura luiz de Queiroz, da 
Universidade de São Paulo (USP), a introdução de rações 
extrusadas – com maior densidade nutricional e melhor 
estabilidade na água – pela Guabi, ainda nos anos 90, foi 
a última grande inovação na indústria. “Precisamos de um 
pacote de incentivos à pesquisa tecnológica específica, 
além da desoneração do setor, a começar pela carga tribu-
tária imposta aos insumos importados, imprescindíveis 
para melhorar a qualidade das rações”, avalia. 
 por Leo Laps
PRODUçãO DE RAçãO PARA AQUICULTURA
peixe peixecamarão camarão
EM MIL TONELADAS
Fonte: Sindirações
1º ANUÁRIO BRASILEIRO DA PESCA E AQUICULTURA106
THE NATIONAl UNION of Animal Feeding 
Industry (Sindirações) estimates there are about 
one hundred of Brazilian companies that produce 
at least one kind of fish or shrimp feeding. 
They are mainly found in Southeast region but 
in Brazilian Central-West the sector has found 
space to grow. This happens partly due to a large 
corn and soy production – used in the feeding 
composition. “Allnational production, which is 
estimated in 660 thousand tons, is consumed 
within the country", states Ariovaldo zani, 
executive vice-president of Sindirações.
The good quality of feeding is essential to 
guarantee the expansion of captivity production. 
Fed by proper nutrients for each life stage of each 
species in the right quantity and in accordance with 
the farming environment, the animals grow in a 
uniform way with a lower mortality rate. “We need 
more incentives for specific technological research 
and the sector exemption. It should start with the tax 
burden for imported inputs; they are indispensable 
to improve the feed quality”, evaluates José Eurico 
Possebon Cyrino, from Universidade de São Paulo 
(USP). However, the producer also needs to know 
how to handle food properly to guarantee the good 
quality of water in captivity. 
 FEEDING ThEm wELL IN ORDER TO GROw
Os gastos com alimentação, dependendo da espécie, representam de 50% a 70% do custo de produção
D
ivulgação G
uabi
2014 107
A 
demanda por alevinos e peixes juvenis tem 
crescido em todo o Brasil, o que tem feito 
com que as empresas criadoras invistam 
cada vez mais em tecnologia para aumen-
tar a produção. Segundo o proprietário da 
Aquicultura Alvorada, Dirceu Rossato, já há falta de 
alevinos no mercado.
“O aprimoramento e o controle do cultivo são fun-
damentais para ampliar o volume de peixes juvenis. 
Na Aquicultura Alvorada produzimos cerca de dois 
milhões de alevinos por ano e utilizamos a técnica de 
coleta do ovo na boca da fêmea, muito mais eficiente 
do que a coleta de nuvem de larvas”, explica. A maior 
parte da produção da empresa é para atender ao mer-
cado interno, e o restante é exportado para o Paraguai, 
Bolívia e Argentina.
A empresa Biofish também investiu em tecnologia 
e criou um banco de sêmen de tambaqui, peixe nativo 
da Amazônia, hoje um dos mais consumidos no Brasil. 
O material coletado permite uma maior variabilidade 
genética das proles. “Nós também fazemos o controle 
dos reprodutores através de um microchip que é inse-
rido no músculo do peixe, e cada animal tem assim 
uma numeração específica que permite que ele seja re-
conhecido através de um leitor óptico”, afirma Jenner 
Menezes, diretor de projetos da Biofish.
O uso da tecnologia na piscicultura também tem 
contribuído para a criação de espécies híbridas como 
o tambacu, cruzamento da fêmea do tambaqui com o 
macho do pacu. O peixe híbrido pode chegar a 30 qui-
los e 80 centímetros. “Uma das principais tendências 
no segmento da aquicultura são os peixes híbridos, 
que são mais fáceis de manejar. O tambacu chega a 
ter em média 10 quilos a mais do que o pacu e é mais 
resistente às baixas temperaturas do que o tambaqui”, 
explica Eduardo Silveira, analista de educação profis-
sional rural do Senar de Mato Grosso. 
NOvA GERAçãO
CADEIA PRODUTIvA
Tecnologias permitem elevar a produção e qualidade 
dos alevinos para atender à procura crescente
Biofish, de 
rondônia, 
produz alevinos 
de tambaqui, 
pacu, pirapitinga, 
pirarucu, piau, 
curimatã, jundiá 
e jatuarana
1º ANUÁRIO BRASILEIRO DA PESCA E AQUICULTURA108
D
ivulgação Biofish
Arquivo M
pA
a unidade de 
pesquisa e 
produção de 
alevinos da 
Biofish trabalha 
exclusivamente 
com peixes 
nativos da 
amazônia
2014 109
CADEIA PRODUTIvA
O sucesso da produção depende também da escolha da 
espécie mais indicada para cada região e de cuidados bá-
sicos. Rogério Ganeo, proprietário da Piscicultura Santa 
Cândida, explica que alguns peixes não suportam varia-
ções de temperatura. “A tilápia e a carpa são bastante 
resistentes, mas os peixes oriundos da bacia Amazônica, 
como o tambaqui, não costumam suportar o frio intenso 
do sul do País.” Outro ponto crucial é o transporte dos 
alevinos do criadouro até o tanque. “Se não for seguida 
uma série de procedimentos, a população inteira de ale-
vinos pode morrer durante o transporte”. O técnico em 
aquicultura Volmir Oliveira avalia que o aprimoramento 
das rações também tem contribuído para evitar a morta-
lidade dos alevinos. “Antes se colocava muito material 
orgânico na água dos tanques e a taxa de mortalidade dos 
peixes era alta.”
 por Beatrice Gonçalves
 NEw 
GENERATION
THE DEMAND FOR juvenile sea 
breams have been growing all over Brazil 
making farming enterprises to invest 
more and more in technology to enlarge 
their production. According to the owner 
of Aquicultura Alvorada, Dirceu Rossato, 
there is already a lack of juvenile sea 
breams in the market. “Farm control and 
improvement are essential to enlarge the 
volume of juvenile fish. At Aquicultura 
Alvorada we produce around two million 
juvenile sea breams a year and use the 
technique to collect the egg from the 
female’s mouth; this is far more efficient 
than collecting from the cloud of 
larvae”, he explains. 
Biofish is also an enterprise that invested 
in technology and created a databank 
of semen from tambaqui, a kind of fish 
from Amazon, one of the most consumed 
in Brazil. The material collected gives a 
wider offspring’s’ genetic variability. “We 
also control breeders with a microchip; 
each animal has a specific number”, states 
Jenner Menezes, Biofish project director.
Technology in fish-farming has 
contributed to farm hybrid species as 
tambacu, a cross-breeding from the 
female of tambaqui with the male pacu. 
The hybrid fish may reach 30kg and 80cm. 
“Hybrid fish are easier to handle”, explains 
Eduardo Silveira, the rural professional 
education analyst of Senar in Mato Grosso. 
Tambaqui has an average of 10kg more 
than pacu and it is more resistant to low 
temperatures than tambaqui.
Projetos da Biofish no norte do Brasil permitem 
uma economia de 30% no uso de água
D
ivulgação Biofish
1º ANUÁRIO BRASILEIRO DA PESCA E AQUICULTURA110
O livro “Nutriaqua: Nutri-ção e alimentação de es-pécies de interesse para a aquicultura brasileira” 
traz análises sobre alimentação, 
digestão, nutrição de reprodução e 
larvas, além de técnicas de fabrica-
ção de ração para cinco espécies de 
peixe: tambaqui, pacu, jundiá, tilá-
pia e beijupirá. “São espécies sobre 
as quais já existem informações 
acerca das exigências nutricionais, 
abrangentes o suficiente para per-
mitir a discussão e consolidação 
deste conhecimento”, diz José 
Eurico Possebon Cyrino, da Uni-
versidade de São Paulo (USP), que 
editou a publicação em parceria 
com a idealizadora da Plataforma 
Nutriaqua, Débora Machado Fra-
calossi, da Universidade Federal 
de Santa Catarina (UFSC). A obra 
pode ser solicitada pelo e-mail 
sec.aquabio@gmail.com.
 Leo Laps
GUIA 
ALImENTAR
 FOOD GUIDE
The book 'nutriaqua: nutrição e alimentação de 
espécies de interesse para aquicultura brasileira’ 
(nutriaqua: feeding and nutrition for species of 
interest in the Brazilian aquaculture) discusses food, 
digestion, larva nutrition and reproduction, and 
techniques for feed manufacturing in five kinds of 
fish: tambaqui, pacu, jundiá, tilapia and beijupira. 
“We have information of their nutritional demands; 
they are wide enough to discuss and consolidate 
this knowledge”, says José Possebon Cyrino (usP – 
universidade de são Paulo), the editor with débora 
Fracalossi, the Plataforma nutriaqua mastermind 
(uFsC – universidade Federal de santa Catarina). 
you can request the book by e-mail in sec.aquabio@
gmail.com. 
O zootecnista José 
Cyrino é especialista em 
produção e nutrição de 
peixes de água doce
Os 500 exemplares da primeira 
edição foram distribuídos para 
profissionais e bibliotecas de 
instituições da área 
G
erhard W
aller / AC
O
M
-ESALq
-U
Sp
2014 111
E
nquanto o crescimento da produção aquícola e 
a utilização de novas técnicas são as grandes 
apostas para ampliar o mercadode pescados 
no Brasil, o investimento em processos de be-
neficiamento pode ser a oportunidade para os 
produtores ganharem em valor agregado e inovar com 
produtos diferenciados. Um mercado ainda incipiente, 
que não está nas estatísticas do Ministério de Pesca e 
Aquicultura, mas que já permitiu a algumas empresas 
estabelecerem produtos diferenciados e conquistarem 
mercados dentro e fora do país. 
Um exemplo desta inovação é o que fez a Nova Ka-
eru, empresa localizada no município de Bemposta (re-
gião serrana do Rio de Janeiro) que trabalha com curtume 
de couros exóticos: desenvolveu um processo próprio, já 
patenteado, chamado bio leather. Pioneira no curtimento 
ALGO A mAIS
CADEIA PRODUTIvA
Da moda ao consumo de produtos finos, tecnologias de 
beneficiamento ajudam a expandir o mercado de pescados
orgânico, a Nova Kaeru utiliza um método com insumos 
isentos de metais pesados que permite criar mantas sem 
costura entre as peças. O resultado é um produto deriva-
do da pesca que hoje é exportado para os Estados Uni-
dos, Alemanha, França, Espanha, além de vários países 
da Ásia, e que pode ser utilizado em segmentos como 
moda e decoração.
A tecnologia de curtimento e solda das peças foi de-
senvolvida ainda na primeira metade da década de 1990. 
“Desde o começo foi uma grande novidade. Fomos convi-
dados para expor numa feira em Hong Kong, participamos 
de um desfile de moda e de uma palestra para a imprensa 
internacional”, relembra o sócio-proprietário Eduardo Fil-
gueiras. A pele de peixes como salmão, pirarucu, pescada 
amarela, entre outros, é comprada de criadores e frigorí-
ficos, após o fileteamento da carne. “Estamos reciclando 
D
ivulgação Bottarga G
old
a Bottarga 
Gold, de itajaí 
(sC), vem 
conquistando 
espaço nos 
pratos de chefs 
renomados e 
nas gôndolas 
de produtos 
gourmet
1º ANUÁRIO BRASILEIRO DA PESCA E AQUICULTURA112
2014 
algo que ia para o lixo e resolvemos fazer isto de forma 
ecológica, com curtimento orgânico. Sem essa técnica o 
couro do peixe ficava praticamente inviabilizado e não 
tinha uma valorização muito grande”, explica. Este apro-
veitamento acabou criando um novo mercado, já que o 
consumo de couro exótico no País até 2007 era muito 
tímido, comenta Filgueiras.
Seja na moda ou no prato, o beneficiamento também 
permitiu a uma empresa de Itajaí (SC) levar a renomados 
chefs de cozinha e consumidores gourmet uma iguaria 
muito valorizada na Europa mas que não tinha espaço na 
indústria nacional, a bottarga – ova de tainha salgada e 
desidratada que pode ser utilizada tanto como aperitivo 
ou como ingrediente de massas, risotos, saladas e outros 
pratos mais elaborados. Criada em 2010, a Bottarga Gold 
processa anualmente mais de 3 toneladas de ovas de tai-
nha e já tem um público fiel na Itália, onde o consumo 
deste alimento é uma tradição quase milenar. 
O investimento neste mercado premium começou em 
2009, em plena crise internacional. “Ficamos com um 
estoque de 50 toneladas de tainha e ovas. No momento 
de exportarmos, veio a crise nos mercados financeiros 
na Europa e o dólar caiu de R$ 2,05 para R$ 1,68, invia-
bilizando qualquer negociação externa. Foi aí que surgiu 
a ideia de trabalhar com bottarga”, lembra Cassiano Ri-
cardo Fuck, presidente da Bottarga Gold. Com a ova es-
tocada, foi atrás de parceiros e encontrou o sócio, Sergio 
Arins, em Itajaí, que já tinha a experiência de mais de 20 anos 
em fazer bottarga na Europa e em outros países. 
A maior dificuldade, segundo Cassiano, é a compra 
da matéria-prima, já que a safra da tainha dura em mé-
dia 45 dias e precisa suprir a produção do ano todo. “O 
projeto ainda está em desenvolvimento. É um produto to-
talmente novo e nobre e o mercado local está crescendo, a 
taxas de 80% ao ano”, calcula. A produção vem sendo bem 
recebida em mercados nobres do Sul e Sudeste do país. 
“Queremos apostar no mercado nacional com um produto 
100% brasileiro. Nosso objetivo é chegar até 2016 com ven-
das entre 12 mil e 15 mil quilos por ano.”
 por Fabrício Umpierres
 SOmEThING ELSE
INVESTING IN BENEFICIATION processes 
may be a good opportunity for the farmers to earn 
in added value and to innovate in differentiated 
products. It is still an incipient market that is 
not registered in the statistics of Ministry of 
Fisheries and Aquaculture but it has enabled some 
enterprises to establish differentiated products and 
conquer national and international markets. 
To mention an example of such innovation, 
Nova Kaeru, an enterprise of Rio de Janeiro that 
works with exotic leather tannery has developed 
its own patented process called “bio leather”. The 
precursor in organic tannery, Nova Kaeru has a 
method of inputs free of heavy metal which allows 
them to create seamless layers between their 
pieces. The result is a fishing product that can also 
be used in the fashion and decoration sector. Today 
it is exported to the USA, Germany, France, Spain 
and several Asian countries.
Fish skin from salmon, piracuru, yellow fish and 
others is bought from farmers and refrigerators 
after filleting. “We recycle something that 
was going to be wasted and decided to work 
ecologically, with organic tannery. Without this 
technique, fish leather was hard to get and was not 
very appreciated”, states Eduardo Filgueiras, the 
part-owner.
This process also enabled an enterprise from 
Itajaí city (Santa Catarina state) to take to well-
known chefs and gourmands a very appreciated 
delicacy by Europeans that had no space in the 
national industry: botargo – cured fish roe of gray 
mullet. Since 2010 Gold Botargo has processed 
more than 3 tons of mullet roes a year and it has 
regulars appreciators in Italy where it is almost 
a millenary tradition. The greatest challenge, 
according to Cassiano, is to buy raw-material 
because the mullet harvest usually lasts 45 days 
and they need to supply the production all over 
the year. “It is a brand new and noble product; the 
local market has been increasing rates of 80% a 
year”, he calculates. “Our target is to reach 2016 
selling between 12 and 15 thousand kg a year” 
113
A
o se fazer a análise dos desafios logísticos 
enfrentados pela cadeia de produção aquíco-
la brasileira, é preciso ter em mente o pouco 
tempo que a atividade vem sendo praticada no 
país. “O Brasil começou a pensar a aquicultura 
em meados da década de 1990. Ninguém estrutura uma 
cadeia produtiva em um tempo tão pequeno quanto este”, 
ressalta João Donato Scorvo Filho, doutor em Aquicultura 
e pesquisador do Polo Regional de Desenvolvimento dos 
Agronegócios do leste Paulista. 
Mas o fato é que a falta de estruturação da cadeia 
produtiva intensifica os problemas de logística. “Em 
alguns momentos os produtores não têm onde entregar 
os alevinos, outras vezes é o criador que precisa e não 
acha o alevino em oferta, e tem que buscar fora de sua 
região, trazer de avião”, diz o engenheiro agrônomo e 
vice-diretor do Instituto de Pesca de São Paulo, Hélcio 
luis de Almeida Marques.
No norte do País, região altamente promissora para 
o cultivo de peixes pela quantidade de água disponível 
e clima favorável, a questão se agrava por sua distância 
dos grandes centros de consumo e produção. Segundo 
Marques, a ração chega a um preço caríssimo, e o pes-
cado produzido é muito difícil de ser escoado, pois as 
condições de transporte terrestre são precárias. Para ele, 
todas essas variáveis precisam ser melhor determinadas. 
“A configuração regional pode ser bem interessante, com 
o produtor dos alevinos, a fábrica de ração, o criador e 
a beneficiadora todos próximos. Só que demanda mais 
investimento porque os investidores têm que criar uma 
indústria num local que muitas vezes não tem a estrutura 
LONGO CAmINhO
CADEIA PRODUTIvA
Melhor estruturação dos agentes do setor eliminariaas principais 
dificuldades de logística e reduziria o preço final dos produtos
necessária, e nem a mão de obra.”
Uma solução recomendada por Scorvo para melhorar os 
processos seria aproveitar a capacidade de processamen-
to da indústria pesqueira. “Tem peixe pescado no Pará 
que é vendido aqui em São Paulo, tem pescado de Santa 
Catarina vendido no norte do país. De um modo geral, 
peixe é peixe”, aponta o pesquisador. Segundo ele, um 
exemplar cultivado pode ter algumas características dife-
rentes do que um exemplar pescado, mas isso não impede 
de se utilizar essa cadeia em prol da solidificação da pis-
cicultura. “O mais difícil é criar o cultivo, a processadora 
1º ANUÁRIO BRASILEIRO DA PESCA E AQUICULTURA114
2014 
você consegue construir em seis meses, um ano.”
Esses fatores fazem com que o peixe seja ainda hoje um 
produto caro. “Nós estamos comendo mais peixe, mas 
ainda não é um produto popular. Está na moda porque é 
saudável, pelo grande número de restaurantes japoneses, 
mas não faz parte da cultura da dona de casa. Ela primeiro 
pega o boi, depois o frango e em terceiro lugar um pesca-
do”, afirma Scorvo.
 por marco Tulio Bruning
 A LONG wAy 
ThROUGh
WHen analysinG logistical 
challenges faced by the aquaculture 
productive chain in Brazil, we need to 
keep in mind that such activity started its 
existence in the country quite recently. 
“Brazil started thinking aquaculture in 
the mid 1990s. nobody can structure a 
productive chain in such a short time”, 
highlights João donato scorvo Filho, 
Phd in aquaculture and researcher in 
Polo regional de desenvolvimento dos 
agronegócios do leste Paulista. 
However, the lack of structure in the 
productive chain worsens the logistical 
problems. “sometimes the producers do 
not find places to deliver their juvenile 
fish and other times they need them and 
cannot find good deals. Then they have to 
find them somewhere else and bring them 
by plane”, explains Hélcio luis de almeida 
Marques, the deputy director of Fishery 
institute, in são Paulo.
He states that all these variables need 
to be better determined. “regional 
configuration may be interesting, with 
the juvenile fish producers, feeding 
manufacture, the farmers and the industry 
nearby. But this demands more investment 
because investors have to open an industry 
somewhere which might neither offer the 
necessary structure nor the manpower.
This kind of situation keeps fish still as 
an expensive product. “We are eating more 
fish but it still neither a popular product 
nor part of the housewife’s culture”, 
scorvo states. 
deficiências logísticas 
encarecem os produtos 
e dificultam uma maior 
popularização do 
pescado entre 
os brasileiros
Arquivo C
odevasf
G
astão C
yrino Bastos / Instituto de pesca
115
C
om o assentamento remoto do mexilhão 
virando realidade no litoral catarinense, 
pesquisadores e produtores estão solucio-
nando um problema que acompanha a ma-
lacocultura brasileira desde seu início, há 
quase 25 anos: a falta de um sistema que realize as etapas 
iniciais do cultivo nas próprias lavouras e fazendas mari-
nhas. Atualmente, 90% das larvas e sementes produzidas 
no País saem do laboratório de Moluscos Marinhos da 
Universidade Federal de Santa Catarina, que desde 1988 
reúne conhecimentos científicos e tecnológicos sobre o 
PARCERIA 
vENCEDORA
ESTRATéGIAS DE PRODUçãO
Interação entre universidades e setor produtivo favorece a 
instalação e aprimoramento das atividades aquícolas
cultivo de mexilhões, ostras, vieiras e outros bivalves.
O laboratório tem sido um dos principais indutores da 
atividade no Estado, mas a concentração na produção de 
larvas e sementes acabou se tornando um gargalo para 
o crescimento da malacocultura. E uma parte da solução 
está no mexilhão.
Molusco mais cultivado no país, com uma safra em 
2012 de pouco mais de 21 mil toneladas, o mexilhão é 
nativo do litoral brasileiro, ao contrário da ostra japone-
sa, cuja safra foi de cerca de 2,5 mil toneladas no mesmo 
ano. É por ser nativo que as etapas iniciais do seu cultivo 
assentamento remoto do mexilhão é resultado de uma parceria entre 
a uFsC e a Fazenda Marinha atlântico sul, de Florianópolis (sC)
D
ivulgação Fazenda M
arinha Atlântico Sul
1º ANUÁRIO BRASILEIRO DA PESCA E AQUICULTURA116
 wINNING 
PARTNERShIP
WITH THE REMOTE setting of 
mussels becoming reality in the coast of 
Santa Catarina, researchers and producers 
are working on a solution for a problem 
that Brazilian malacoculture has presented 
since its beginning 25 years ago: the lack 
of a system to perform the initial stages of 
farming within the marine farms. Today, 90% 
of larvae and seeds produced in the country 
come from the laboratory of Marine Molluscs 
of Universidade Federal de Santa Catarina 
which has gathered scientific and technologic 
knowledge about how to farm mussels, 
oysters, scallops and other bivalve mussels 
since 1988. 
The laboratory is one of the main inductors 
of this activity in the state. However, the 
concentration of larvae and seeds production 
has become a bottleneck for malacoculture 
growth. Part of the solution is the mussel.
“After fertilization, the mussel releases larvae; 
it floats through the current from 24 to 72 hours 
until settling on a hard substrate. It is the setting 
phase, when larvae turns into a seed”, says the 
oceanographer lab manager, Cláudio Blacher. 
“The remote settling happens in a 1.5m X 1m 
box with perforated nets in smaller holes than 
the larvae size. This is for not losing them and 
they can get settled on the shredded cables 
inside the boxes”, states the shellfisherman 
Nelson Silveira Junior of Fazenda Marinha 
Atlântico Sul, a farm that will reduce costs and 
have one more source of income.
podem ser realizadas diretamente no mar e não apenas 
em laboratório como ocorre com as ostras. 
“Após a fecundação, o mexilhão solta larvas. As larvas 
flutuam na corrente por um período de 24 a 72 horas até 
se fixarem em um substrato duro. É a fase de assenta-
mento, quando a larva vira semente”, diz o oceanógrafo 
Cláudio Blacher, gerente do laboratório. O negócio é que 
só recentemente pesquisadores e produtores tiveram êxi-
to no assentamento remoto.
“Fazemos o assentamento remoto em caixas de 1,5 me-
tro por um metro com telas de microfuros menores que 
o tamanho das larvas. É para elas não escaparem e se fi-
xarem nos cabos desfiados existentes dentro das caixas”, 
afirma o maricultor Nelson Silveira Junior, da Fazenda 
Marinha Atlântico Sul, que reduzirá custos e terá mais 
uma fonte de renda.
A interação entre pesquisadores e produtores também 
tem sido positiva em Jaboticabal (SP), onde funciona o 
Centro de Aquicultura da Universidade Estadual Paulista 
(Caunesp). Uma das iniciativas resultou no curso anual 
Sanidade em Piscicultura, referência na área. 
Tudo começou com acompanhamento e orientação a 
produtores de tilápia da região. Eles aprenderam a identi-
ficar patologias e receberam dicas de manejo e nutrição. 
“A procura pelo curso é cada vez maior. São em torno de 
200 participantes do Brasil todo, com três dias de aulas 
no campus de Jaboticabal, geralmente em julho. Já tive-
mos palestrantes do Chile para falar sobre salmão”, conta 
a professora Elisabeth Urbinatti, que ajudou a desenvolver 
o projeto.
por mateus Boing
2014 
1990 1991 1992 1994 1996 1999 2006 2011
190 542 1.132
2.528
5.324
10.066
14.758
18.253
EvOLUçãO DA PRODUçãO DE MOLUSCOS* 
EM SANTA CATARINA
EM TONELADAS
Fonte: Epagri 
* mexilhões, ostras e vieiras
117
ESTRATéGIAS DE PRODUçãO
O 
crescimento do consumo de pescados no 
planeta deverá exigir dos produtores um 
aumento de produção de mais 100 milhões 
de toneladas até 2030, de acordo com pes-
quisa da FAO, órgão daONU para Alimen-
tação e Agricultura. Com 75% dos recursos pesqueiros 
no limite de produção ou em vias de esgotamento, cresce 
a importância de novos meios de produção e o papel do 
Brasil – que detém 12% da água doce do planeta – para 
suprir esta demanda de forma economicamente susten-
tável. Um deles é a utilização de produtores integrados 
à indústria, algo semelhante ao que já acontece com as 
cadeias de aves e suínos. 
E foi justamente a experiência na indústria avícola que 
ajudou o engenheiro de alimentos Flávio lawless a desen-
volver sua empresa, a Ranac, especializada na criação e 
Arranjos produtivos com integração de produtores rurais à indústria são
caminhos para ganhar escala e acabar com a sazonalidade
DIvISãO DE TAREFAS
industrialização de carne de rãs, localizada em Antônio 
Carlos, na Grande Florianópolis. Após 10 anos atuando 
na área de marketing e desenvolvimento de produtos na 
indústria de aves, lawless migrou para a ranicultura e 
acabou desenvolvendo, com apoio de órgãos ligados à 
Secretaria Estadual de Agricultura de Santa Catarina, um 
novo arranjo produtivo com integração de produtores rurais. 
“Nós selecionamos famílias de produtores rurais e im-
plantamos a ranicultura nas propriedades. Os produtores 
integrados fazem a transformação e a engorda dos ani-
mais, que depois voltam para a empresa”, explica law-
less. A Ranac é responsável pelas etapas de reprodução 
e eclosão, fornecendo os animais, ração, assistência téc-
nica, logística e capacitação. As propriedades são esco-
lhidas de acordo com características como relevo, clima 
e disponibilidade de água e as famílias são remuneradas 
1º ANUÁRIO BRASILEIRO DA PESCA E AQUICULTURA118
2014 xx
 TASk DISTRIBUTION
WiTH 75% OF FisHinG resources in 
the limit of their production or wearing out, 
the importance of new means of aquaculture 
increases. One of them is the use of producers 
integrated to industry; it is something similar 
that happens in the swine and poultry chains. 
it was this experience in the poultry in-
dustry that helped the food engineer Flávio 
lawless to develop his company ranac. The 
company is specialized in frog meat farming 
and industrialization in antônio Carlos city 
(sC). after 10 years working with marketing 
and product development in the poultry indus-
try, lawless moved to frog-farming and with 
the support of agencies linked to the state 
secretariat of agriculture he developed a new 
productive arrangement integrating farmers. 
“We selected families and farmers and 
implemented frog-farming in their proper-
ties. They work with transformation and 
fattening and later they bring these animals 
back to the company for benefits”, explains 
lawless. ranac is responsible for their re-
production and expansion. They provide the 
animals, feeding, technical assistance, logis-
tics and training. Families are paid according 
to the result of each batch.
“integrated frog farming came due to this 
lack the national and international market pre-
sented for a continuous supply of frog meat”, 
he comments. ranac is now developing an 
integrated system to farm tilapias. 
de acordo com o resultado de cada lote. Entre os produtos 
feitos pela Ranac estão o bolinho de rã e a coxa de rã ma-
rinada e empanada. 
“A ranicultura de forma integrada surgiu da lacuna que 
havia no mercado nacional e internacional para o forne-
cimento contínuo de carne de rãs. O processo produtivo 
que desenvolvemos conseguiu excluir a sazonalidade que 
existia neste segmento”, comenta o diretor da Ranac. 
Segundo ele, o fato de Santa Catarina ter sido também 
o estado pioneiro na verticalização da criação de aves 
e suínos foi um fator importante para fazer com que a 
empresa inovasse também na criação de rãs. A Ranac 
agora está em fase de desenvolvimento de um sistema 
integrado para a criação de tilápias.
 por Fabrício Umpierres
a ranac, de 
antônio Carlos 
(sC), fornece 
as rãs para 
produtores rurais 
engordarem em 
suas propriedades, 
depois recolhe e 
beneficia os animais 
para venda
D
ivulgação R
anac
C
erca de 10,4 milhões de pessoas estão direta-
mente ligadas às cooperativas no País e 15% 
da população brasileira fazem parte desse 
modelo de organização de negócio, conside-
rando familiares e empregados, segundo da-
dos do Ministério da Agricultura apresentados em 2012. 
A agropecuária está entre os ramos com o maior número 
de cooperados, se destacando em pelo menos 20 estados. 
Na pesca, assim como em outras atividades, essa união é 
muitas vezes, além de uma oportunidade de alavancar os 
negócios, uma chance de sobrevivência no mercado.
De acordo com Márcio lopes de Freitas, presidente da 
ESTRATéGIAS DE PRODUçãO
Organizados em cooperativas, pescadores tornam-se mais 
competitivos no mercado e têm acesso a crédito rural facilitado
Jefferson Christofoletti/Embrapa pesca e Aquicultura
no ramo 
agropecuário, 
quase metade da 
produção nacional 
passa pelas 
cooperativas
FORçA DA UNIãO
Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), o Brasil 
possui cerca de 30 cooperativas de pescadores formali-
zadas e registradas junto ao Sistema OCB. “Pode parecer 
um número pequeno, mas não é. Em tempos de moderni-
dade em que as máquinas vêm pouco a pouco superando 
o trabalho do homem, a pesca, com suas características 
artesanais, manuais e originais, representa o sustento de 
centenas de famílias brasileiras. O fortalecimento que o 
cooperativismo proporciona a essas pessoas se reflete 
em geração de renda e, acima de tudo, em qualidade de 
vida”, avalia. Uma das grandes vantagens, segundo ele, 
é que, organizados em cooperativas, os pescadores têm 
1º ANUÁRIO BRASILEIRO DA PESCA E AQUICULTURA120
2014 
acesso a crédito rural, uma vez que suas atividades 
se enquadram no ramo agropecuário, o que faz com 
que eles tenham à sua disposição linhas específicas 
para a atividade.
A Cooperativa de Agronegócios do Cariri, na Para-
íba, é um exemplo. Ela reúne pescadores de 17 mu-
nicípios que juntos descobriram uma maneira de se 
fortalecerem, buscarem crédito, aumentarem as ven-
das e garantirem uma melhor qualidade de vida para 
as suas famílias. O presidente da cooperativa, José 
de Deus Barbosa, ou “Deuzinho do Peixe”, como 
é conhecido, comemora os resultados dessa união: 
“Hoje nossos pescadores têm melhores condições 
de vida, têm casa arrumadinha, alguns têm até 
moto. Através da cooperativa conseguimos nos or-
ganizar para ensiná-los a ler e escrever. Muitos já 
assinam o próprio nome e isso é uma grande vitória, 
porque a nossa região aqui é muito pobre. Antes 
essa gente pescava, pescava e não conseguia nada. 
Começamos com uma associação em 2001, criamos 
uma colônia e agora estamos aqui, na cooperativa”. 
Essa organização no Cariri surgiu da necessidade de 
garantir benefícios e segurança para os pescadores da 
região, assim como a troca de conhecimento e inves-
timentos que tornassem o produto mais competitivo. 
Hoje, em vez de apenas vender nas feiras locais, os 
pescadores têm uma garantia de mercado graças a ini-
ciativas do governo através da Companhia Nacional de 
Abastecimento (Conab), do Programa de Aquisição de 
Alimentos (PAA) e do Programa Nacional de Alimen-
tação Escolar (Penae).
 por Daniele martins
Para Freitas, 
cooperativismo dá 
escala aos produtores 
e permite uma 
competição maior com 
as grandes empresas
 STRENGTh 
 IN UNION
According to some data of Ministry 
of Agriculture from 2012, about 10.4 
million of people are directly related 
to cooperatives in Brazil and 15% of 
Brazilian population is part of this model 
of business organization, considering 
both family and employees. Agriculture 
presents one of the highest amounts 
of coop members in at least 20 federal 
states. For fishery, like other activities, 
this unionis often a great opportunity to 
develop business and also a great chance 
to survive in the market.
According to Márcio lopes de Freitas, 
the CEO of Brazilian Cooperative 
Associations (OCB), Brazil has about 30 
registered cooperatives for fishermen in 
the OCB system. “It may look like a small 
number, but it is not. In this modern 
age when machines are little by little 
overcoming the manpower, manual and 
original small-scale fishing represents 
livelihood for hundreds of families. The 
strong cooperative given to these people 
means income generation and quality of 
life", he asserts. He states that one great 
advantage for fishermen organized in 
cooperatives is the access to a rural credit. 
As their businesses are framed in the 
agricultural sector, specific lines for their 
activities are available. 
Arquivo O
C
B
950 mil pescadores artesanais
760 associações
137 sindicatos
47 cooperativas
ORGANIZAçãO DOS PESCADORES ARTESANAIS
Fonte: MPA
121
CICLO 
FEChADO
ESTRATéGIAS DE PRODUçãO
É possível reduzir custos e impactos ambientais utilizando 
técnicas de cultivo de peixes consorciado a outras culturas
O 
cultivo de peixes é um importante aliado 
para a redução dos impactos ambientais 
causados por outros setores produtivos. 
Resíduos da suinocultura ou mesmo da 
criação de aves podem ser utilizados na 
cadeia produtiva do pescado. Nos tanques, os dejetos de 
suínos criam um ambiente propício para o crescimento de 
algas e pequenos organismos que alimentam os peixes.
Segundo o técnico em aquicultura Volmir Oliveira, o 
produtor pode usar grãos de milho e de soja e gordura 
animal, que seriam jogados fora, para fazer ração para os 
peixes. Também é possível utilizar escamas e vísceras de 
peixes que são descartados pelos abatedouros. “Estima-
-se que de 100 quilos de tilápia que um abatedouro faça 
filé, apenas 30 quilos possam ser aproveitados para 
vender; os outros 70 quilos se tornam resíduos que po-
dem ser reaproveitados na piscicultura como ração”, 
explica Oliveira.
A piscicultura também pode ser integrada ao cultivo 
de orgânicos. A BioFish desenvolveu um sistema que uti-
liza a água de descarte do tanque coletor para fertilizar 
plantações. Essa água tem uma série de nutrientes, entre 
eles o nitrogênio e o fósforo, que são fundamentais para 
o crescimento das plantas e podem ser utilizados como 
fertilizantes orgânicos. “A reutilização do material des-
cartado pela piscicultura representa um importante pro-
cesso para que a produção de peixes seja um sistema de 
baixo impacto ambiental ao mesmo tempo em que reduz 
os custos com fertilizantes para as plantações”, afirma o 
diretor de projetos da Biofish, Jenner Menezes. 
A água dos tanques pode ser utilizada ainda na hidro-
ponia, que é o cultivo de plantas sem a utilização do solo. 
A Sansuy desenvolveu um sistema chamado de aquapo-
nia. Por essa técnica, a água dos tanques é filtrada e de-
pois bombeada para a base hidropônica, retornando para 
os tanques após esse processo. “Esse sistema alia duas 
vantagens para o produtor agrícola: reaproveita a água 
efluente dos tanques de produção de organismos aquá-
ticos na produção de vegetais sem solo e garante menor 
consumo de recursos naturais e insumos”, avalia Marcelo 
Castagnolli, gerente de produto da Sansuy.
O cultivo de múltiplas espécies em um mesmo tanque 
também reduz os impactos ambientais e os custos de 
produção. Segundo o técnico em aquicultura e proprie-
tário da Psicicultura Santa Cândida, Rogério Ganeo, com 
a técnica é possível reduzir de 60% a 70% o volume de 
resíduos gerados. “É possível colocar em um mesmo tan-
que diferentes espécies desde que elas estejam no mesmo 
estágio de vida e uma não seja predadora da outra. O 
que acontece nesses casos é que uma espécie acaba se 
alimentando dos resíduos gerados pela outra.” 
 por Beatrice Gonçalves
1º ANUÁRIO BRASILEIRO DA PESCA E AQUICULTURA122
sistema utiliza a água dos tanques onde são criados os peixes para 
fertilizar e nutrir legumes e verduras, integrando as duas culturas
D
ivulgação Sansuy
 CLOSED-LOOP 
FISH-FARMING is an important ally to reduce 
environmental impacts caused by other productive 
sectors. In tanks, swine or poultry wastes generate 
a propitious environment to grow algae and small 
organisms that feed fish. According to Volmir 
Oliveira, an aquaculture technician, the farmer can 
also feed fish by using maize or soy grains and 
animal fat that would normally be wasted. Another 
possibility is to use fish scales and guts discarded by 
slaughterhouses.
Fish-farming may also be integrated to organic 
cultivation. BioFish has developed a system that 
uses the collecting tank waste water to fertilize 
plantations. This water has a lot of nutrients like 
nitrogen and phosphorus; they are essential for the 
plants growth and can be used as organic fertilizers.
The tank water may also be used for hydroponics, 
which grows plants without using the soil. There is 
a system developed by Sansuy called aquaponics; it 
filters the tank water which is later pumped into the 
hydroponic basis and returns to the tanks.
According to Rogério Ganeo, an aquaculture 
technician and owner of a fish-farm Psicultura Santa 
Cândida, the technique of farming multiple species 
in the same tank enables the waste to be reduced 
from 60% to 70%. “In such cases, one species eats 
the waste caused by another.” 
2014 123
ESTRATéGIAS DE PRODUçãO
U
m relatório lançado em 2012 pela Organização 
das Nações Unidas para a Agricultura e Ali-
mentação (FAO, em inglês) revelou que a pes-
ca excessiva pode acabar com 30% da popu-
lação de peixes do mundo, ameaçando o meio 
ambiente e a própria atividade pesqueira. A informação 
é preocupante, mas a adoção de práticas sustentáveis no 
setor da aquicultura pode garantir, além de menores per-
das e danos ambientais, uma maior rentabilidade da ati-
vidade e, consequentemente, a sua competitividade nos 
mercados nacional e internacional. 
A Embrapa Amazônia Ocidental, por exemplo, está de-
senvolvendo algumas linhas de pesquisas para a piscicul-
tura. Uma delas é o uso de aeradores para intensificar a 
produção de peixe, utilizando as mesmas áreas de tan-
ques existentes. A aeração artificial diária proposta pelos 
pesquisadores melhora a qualidade da água, oferecendo 
mais oxigênio e reduzindo as chances de doenças. A al-
ternativa já foi adotada por alguns produtores e garantiu 
uma produtividade três vezes maior. 
“Outro teste que está sendo realizado pela unidade de 
Manaus da Embrapa é sobre os efeitos de plantas me-
dicinais no tratamento antibacteriano, antiparasitário e 
antifúngico de peixes”, conta Fernanda Almeida, pesqui-
sadora da instituição na região. O objetivo é reduzir a 
quantidade de produtos químicos com potenciais tóxicos 
na produção e, ao mesmo tempo, diminuir os custos, já 
que os remédios normalmente utilizados passam a ser 
substituídos por produtos naturais. 
Wilson Wasielesky, professor do Instituto de Oceano-
grafia da Universidade Federal do Rio Grande (IO-FURG), 
é um dos grandes nomes da pesquisa em sistema de culti-
vo de camarões em bioflocos (Biofloc Technology System 
Técnicas sustentáveis protegem o meio ambiente, garantem 
o aumento da produtividade e ainda abrem novos mercados
 PREOCUPAçãO 
RECOmPENSADA
– BFT). O sistema diminui o intercâmbio de água e com 
isso reduz as possibilidades de doenças, além de aprovei-
tar micro-organismos como alimento natural, reduzindo 
o uso de rações. A desvantagem está no custo, que ainda 
é alto para a instalação e pela energia necessária para a 
aeração. Mas algumas experiências já estão sendo rea-
lizadas no Brasil, com o uso dessa técnica, em algumas 
produções no Rio Grande do Sul e no Nordeste brasileiro. 
“Uma fazenda de produção de camarão deve ser pla-nejada e estruturada para ser saudável. Isso depende de 
um tratamento adequado e de um sistema de alimentação 
bem feito”, explica o especialista. Para ele, a aquicultu-
ra de maneira geral é uma ferramenta muito interessante 
porque reduz as perdas habituais do processo convencio-
nal de pesca – todos os organismos que acabam sendo 
retirados do mar nas redes e são descartados. “A quanti-
Com mais de 15 
anos de experiência 
na área de 
sustentabilidade, 
Marcus é sócio-
diretor da isetor, de 
são Paulo (sP)
Arquivo Abraps
1º ANUÁRIO BRASILEIRO DA PESCA E AQUICULTURA124
 PREOCUPAçãO 
RECOmPENSADA
Felipe R
osa/Em
brapa
uso de aeradores proposto pela embrapa permite aumento da produção sem aumento da área de tanques utilizada
2014 125
1º ANUÁRIO BRASILEIRO DA PESCA E AQUICULTURA126
dade de pescado alcançou o máximo do seu limite sus-
tentável. O que a água doce e os oceanos poderiam ofe-
recer já está no fim e esse tipo de produção é uma opção 
para atender à demanda de alimento”, avalia. 
Uma pesquisa realizada pela Nielsen (empresa ale-
mã que investiga o comportamento dos consumidores) 
mostrou em 2012 que 74% dos brasileiros estão dispos-
tos a comprar produtos de empresas com programas 
sustentáveis e 46% aceitam pagar a mais. Isso significa 
que a preocupação com as origens dos produtos já está 
em pauta no Brasil, mas torná-los populares é um gran-
de desafio. 
Marcus Nakagawa, presidente da Associação Brasileira 
dos Profissionais de Sustentabilidade (Abraps), acredita 
que a estratégia para tornar o produto mais competitivo 
é a produção em escala. “Existe um nicho de mercado 
que está crescendo, mas só vai se fortalecer mesmo quan-
do começar a integrar a classe C, que é a grande classe 
consumidora”, explica. Para Nakagawa, “outro ponto é a 
conscientização dos consumidores e, principalmente, da 
nova geração de consumidores, as crianças e os jovens 
de hoje, que estão tendo uma educação ambiental mais 
consistente do que as gerações anteriores.”
 por Daniele martins
 REwARDED CONCERN
a rePOrT released By FaO in 2012 
revealed that excessive fishing may exterminate 
with 30% of the world’s fish population. The 
information is alarming but sustainable practices 
in the aquaculture sector may guarantee fewer 
environmental damages, more profitability for the 
activity, and a consequent competitiveness in the 
national and international market. 
embrapa amazônia Ocidental is developing 
some lines of research for fish-farming. One 
of them is the use of aerators to intensify fish 
production using the same area of existing tanks. 
The researchers proposed artificial daily aeration 
to improve the quality of water providing more 
oxygen and reducing risks for diseases. This 
alternative has already been used by some farmers 
and their productiveness was three times larger. 
“There is another test carried out by embrapa 
of Manaus about the effect of medicinal plants 
like antibacterial, anti-parasite and antifungal for 
fish”, says Fernanda almeida, a researcher in the 
institute. The purpose is to decrease the amount 
of chemical products with a toxic potential in the 
production and, at the same time, to reduce costs 
because the usual medicines will be replaced by 
natural medicines.
Wilson Wasielesky, professor of universidade 
Federal do rio Grande, is a recognized name in 
the research of shrimp-farm system of bioflocs 
(Biofloc Technology system – BFT). The system 
reduces water exchange and this reduces diseases 
possibilities; it also utilizes micro-organisms as a 
natural food reducing the use of special feeds. “a 
shrimp-farm must be well planned and structured 
to be healthy. This depends on an appropriate 
treatment and a proper feeding system”, explains 
the expert. 
a research carried out by nielsen in 2012 showed 
that 74% of Brazilians are keen on buying products 
from companies that present sustainable programs 
and 46% of them accept to pay for it. 
Felipe Rosa/Embrapa
despesca do tambaqui, peixe redondo 
de grande mercado no norte do País
2014 127
1º ANUÁRIO BRASILEIRO DA PESCA E AQUICULTURAxx 1º ANUÁRIO BRASILEIRO DA PESCA E AQUICULTURA128
AGENDA
FEvEREIRO / 2014
dIA 4
International Conference "Innovations in feeding 
technologies and commercial fish" farming (alimentação 
de peixes)
Local: Moscou, Rússia
http://www.expohleb.breadbusiness.ru/eng
A Conferência Internacional "Inovações em tecnologias 
de alimentação e piscicultura comercial", evento da 
programação da “International Trade Fair Cereals-Mixed 
Feed - Veterinary-2014, reúne profissionais do setor da 
Rússia e do mundo. Entre os tópicos da Conferência estão: 
Alimentação para piscicultura, Mercado moderno de 
alimentação para peixes, Custo efetivo da alimentação 
para um equilíbrio entre economia e qualidade dos peixes, 
Utilização de alimentos alternativos e a qualidade final dos 
peixes, Novas tecnologias de alimentação, e Novas soluções 
tecnológicas e equipamentos para beneficiamento de peixes.
dIAS 9 A 12
Aquaculture America 2014 (aquicultura)
Local: Seattle, USA
https://www.was.org/meetings/default.
aspx?code=aa2014
Aquicultura America 2014 será a maior feira de 
aquicultura do Hemisfério Ocidental e uma das 
maiores do mundo, com cerca de 200 estandes. É uma 
oportunidade única de conhecer o mais recente em 
produtos e serviços para a indústria da aquicultura. 
É o lugar para visitar fornecedores atuais e fazer 
novos contatos para se manter em dia com os avanços 
tecnológicos na área.
mAIO / 2014
dIAS 25 A 30
16th International Symposium on Fish Nutrition and 
Feeding - ISFNF XVI (alimentação de peixes)
Local: Cairns, Australia 
http://www.isfnf2014.org/
O International Symposium on Fish Nutrition and Feeding 
(Simpósio Internacional de Nutrição e Alimentação 
de Peixes) é o principal fórum internacional para 
pesquisadores, acadêmicos e industriais preocupados 
com a nutrição e alimentação de animais aquáticos. Como 
a aquicultura agora fornece mais da metade do pescado 
para alimentação humana do mundo, o desenvolvimento 
de tecnologias para a produção sustentável de alimentos 
que suportem o crescimento desta indústria e diminuam 
a insegurança alimentar mundial se tornará cada 
vez mais importante. Simpósios como o ISFNF são 
fundamentais para enfrentar esses desafios.
AGOSTO / 2014
dIAS 3 A 7
International Congress on the Biology of Fish 2014 
(fisiologia dos peixes)
Local: Edinburgh, Escócia
http://icbf2014.sls.hw.ac.uk/ 
São esperados cerca de 500 pesquisadores para o 
encontro bienal da Seção de Fisiologia da Sociedade 
Americana de Pesca. Em discussão os temas mais 
importantes da área: fisiologia dos peixes de 
aquicultura; nutrição, parasitas e doenças; stress e 
toxicologia ambiental, entre outros.
dIAS 25 A 29
Sixth International Symposium on GIS/Spatial Analyses 
in Fishery and Aquatic Sciences (sistemas de 
informação geográfica)
Local: Tampa, USA
http://www.esl.co.jp/Sympo/6th/first_announcement.pdf 
O seminário tem por objetivo principal discutir o 
uso de sistemas de informação geográfica (GIS, 
na sigla em inglês) nas pesquisas e atividades de 
pesca e aquicultura. Especialistas de todo o mundo 
se encontrarão na Flórida (EUA) para conhecer as 
tecnologias mais recentes, trocar ideias e informações 
e discutir melhorias na utilização de GIS para obter 
melhores resultados.
SETEmBRO / 2014
dIAS 1 A 4
7th World Recreational Fishing Conference - WRFC 
(pesca recreativa)
Local: Unicamp – Campinas (SP)
http://www.7wrfc.com/?page_id=1449
As principais instituições e estudiosos do mundo ligados 
à pesca recreativa participam da WRFC para trocarem 
experiências, conhecimentos e práticas que propiciem 
o desenvolvimento da pesca recreativa. Não há dúvida 
de que a realização deste grande evento no Brasil vai 
servir como uma alavancapara o desenvolvimento da 
pesca amadora no País, proporcionando o refinamento 
de práticas e estimulando a produção de pesquisas 
científicas e a discussão de políticas.
2014 xx
FEBRUARy / 2014
oN ThE 4Th 
International Conference “Innovations in feeding 
technologies and commercial fish farming”
Place: Moscow, Russia
http://www.expohleb.breadbusiness.ru/eng
The international conference “Innovations in feeding 
technologies and commercial fish farming”, an 
event of “International Trade Fair “Cereals-Mixed 
Feed - Veterinary-2014”, gathers professionals in the 
sector from Russia and worldwide. Among the topics 
approached, there are the following: Fish farming 
feeding, Modern market to feed fish, Cost-effective 
to balance economy and quality of fish, Use of 
alternative feeding and final quality of fish, New 
feeding technologies, New technologic solutions and 
equipment for fish processing, etc.
FRoM 9Th To 12Th 
Aquaculture America 2014
Place: Seattle, USA 
https://www.was.org/meetings/default.
aspx?code=aa2014
Aquaculture America 2014 will be the largest 
aquaculture fair in the Western Hemisphere and one of 
the largest in the world with about 200 stands. It is a 
unique opportunity to see the most recent products and 
services for the aquaculture industry. It is the place to 
visit suppliers and make new contacts to get updated in 
technologic advancements in the area.
mAy / 2014
FRoM 25Th To 30Th 
16th International Symposium on Fish Nutrition and 
Feeding (ISFNF XVI)
Place: Cairns, Australia 
http://www.isfnf2014.org/
The International Symposium on Fish Nutrition and 
Feeding is the main international forum for researchers, 
scholars and industries concerned of aquatic animal 
feeding. Nowadays, as aquaculture supplies over 50% of 
fish for human nutrition in the world, the development 
of technologies for a sustainable production of food 
 AGENDA
that supports this industry and reduces the world food 
insecurity will become more and more impo rtant. 
Symposiums as ISFNF are crucial to confront these 
kinds of challenge.
AUGUST / 2014
FRoM 3Rd To 7Th 
International Congress on the Biology of Fish 2014
Place: Edinburgh, Scotland
http://icbf2014.sls.hw.ac.uk/ 
The congress expects about 500 researchers for the 
biennial meeting in the Philosophy of American 
Fisheries Society Section. The most important 
themes to be discussed are: Philosophy in fish 
farming, nutrition, parasites and diseases, stress and 
environmental toxicology, and others.
FRoM 25Th To 28Th 
Sixth International Symposium on GIS/Spatial 
Analyses in Fishery and Aquatic Sciences
Place: Tampa, USA
http://www.esl.co.jp/Sympo/6th/first_
announcement.pdf 
The symposium proposes to discuss the use of 
geographic information systems (GIS) for fisheries 
and aquaculture activities and researches. Experts 
all over the world will meet in Florida (USA) to see 
the most recent technologies, exchange knowledge 
and information, and discuss improvements of GIS to 
attain better results.
SEPTEmBER / 2014
FRoM 1ST To 4Th 
7th World Recreational Fishing Conference (WRFC)
Place: Unicamp – Campinas (SP), Brazil
http://www.7wrfc.com/?page_id=1449
The main world institutions and scholars related to 
recreational fisheries will attend WRFC to exchange 
experiences, knowledge and practices to develop 
the activity. This great event in Brazil will work as 
a tool to develop the activity of amateur fishing in 
the country by refining practices and stimulating 
scientific research and political discussions. 
2014 129
1º ANUÁRIO BRASILEIRO DA PESCA E AQUICULTURAxx 1º ANUÁRIO BRASILEIRO DA PESCA E AQUICULTURA130
SUPERINTENDêNCIAS FEDERAIS DE PESCA E 
AQUICULTURA DO mINISTéRIO DA PESCA E AQUICULTURA
ACRE 
Valter Santana Júnior
valter.junior@mpa.gov.br 
sfpa.ac@mpa.gov.br 
(68) 3212 1307 / 1347 (61) 2023 3922 / 3923 
Rodovia AC 40, nº 793, Segundo Distrito, 
Bairro Vila Acre, CEP 69901-365, Rio 
Branco/AC 
ALAGOAS
José Cícero dantas da Costa
jose.dantas@mpa.gov.br 
José Gentil Marques 
jose.marques@mpa.gov.br 
sfpa.al@mpa.gov.br 
(61) 2023 3964 / 3965 
Rua do livramento, nº 140, Edifício 
Walmap, 10º andar, Centro, 
CEP 57020-030, Maceió/Al 
AmAzONAS
José otoni Raposo diógenes
jose.diogenes@mpa.gov.br 
Marcelo do Nascimento Batista
marcelo.batista@mpa.gov.br 
sfpa.am@mpa.gov.br 
(92) 4009 3826 / 3842 
(61) 2023 3924 / 3925 
Rua Maceió, nº 460, Bairro Adrianópolis, 
CEP 69057-010, Manaus / AM 
AmAPÁ 
Ricardo Ângelo Pereira de Lima 
ricardo.lima@mpa.gov.br 
Wagner Brasil Cordeiro
wagner.cordeiro@mpa.gov.br sfpa.ap@
mpa.gov.br 
(96) 3225 3927 (96) 3222 3574 
(61) 2023 3962 / 3963 
Avenida Presidente Vargas, nº 14, Centro, 
CEP 68900-070, Macapá/AP 
BAhIA 
Silvia dos Santos Cerqueira 
silvia.cerqueira@mpa.gov.br 
Joseane Santos da Cruz
joseane.cruz@mpa.gov.br 
sfpa.ba@mpa.gov.br 
(71) 3443 1167 / 1168 / 1188 
(61) 2023 3937 / 3936 
Rua Portugal, nº 5/7, Ed. Status, 13º 
andar, Bairro Comércio, CEP 40015-000, 
Salvador/BA 
CEARÁ 
Carlos A. Gomes de Alencar 
carlos.alencar@mpa.gov.br 
sfpa.ce@mpa.gov.br 
(61) 2023 3940 / 3941 
Rua Frei Mansueto, nº 151, 2º andar, Bairro 
Meireles, CEP 60175-070, Fortaleza/CE 
DISTRITO FEDERAL 
Sidemeron Campos Silva 
sidmeron.campos@mpa.gov.br 
Maria Vanilda dos Santos 
vanilda.santos@mpa.gov.br 
sfpa.df@mpa.gov.br
(61) 2023 3061 / 3058 
SBS, Quadra 02, Bloco J, Ed. Carlton Tower, 
Térreo, CEP 70070-120, Brasília/DF
ESPíRITO SANTO 
Alberto Corrêa de Sá 
alberto.sa@mpa.gov.br 
Auler Leal das Neves
auler.neves@mpa.gov.br 
sfpa.es@mpa.gov.br 
(27) 3185 9150 / 9160 / 9170 / 9180 
Praça Costa Pereira, nº 52, Ed. Micheline, Sala 
705, Centro, CEP 29010-080, Vitória/ES 
GOIÁS 
domício Vieira da Silva
domicio.vieira@mpa.gov.br 
Laeste Antônio Prado 
laeste.prado@mpa.gov.br 
sfpa.go@mpa.gov.br 
(62) 3507 5400 / 5414 
(61) 2023 3944 
Av. 85, nº 971, 1º andar, Bairro Setor Sul, 
CEP 74080-010, Goiânia/GO 
mARANhãO 
Jesuíno Cordeiro M. Junior
junior.verde@mpa.gov.br 
Ana Luíza Macieira Barbosa
ana.barbosa@mpa.gov.br 
sfpa.ma@mpa.gov.br 
(61) 2023 3928 / 3929 
Praça da República, nº 147, Bairro 
Diamante, CEP 65020-500, São luís/MA 
mATO GROSSO 
Marlene Alves de Assunção
marlene. assuncao@mpa.gov.br 
douglas delfino Pereira
douglas.pereira@mpa.gov.br 
sfpa.mt@mpa.gov.br 
(65) 3688 6790 / 6797 
(61) 2023 3953 / 3954 
Alameda Dr. Annibal Molina, s/n, Bairro 
Porto, CEP 78115-901, Várzea Grande/MT 
mATO GROSSO DO SUL 
Luiz david Figueiró
luiz.figueiro@mpa.gov.br
Adilson Nascimento dos Santos
adilson.santos@mpa.gov.br 
sfpa.ms@mpa.gov.br 
(67) 3321 1190/3382 4697 
(61) 2023 3917 / 3918 
Av. dos Estados, nº 35, Bairro Jardim dos 
Estados, CEP 79002-523, Campo Grande/MS
 
mINAS GERAIS 
Wagner Alves Benevides
wagner.benevides@mpa.gov.br 
Luiz Clemente Ladeia
luiz.ladeia@mpa.gov.br 
sfpa.mg@mpa.gov.br 
(31) 3291 2923 / 7771 (31) 3292 2408 
(61) 2023 3942 / 3943 
Av. Raja Gabaglia, nº 245, Setor l, Cidade 
Jardim, CEP 30380-103, Belo Horizonte/MG 
PARÁ 
Carlos Alberto da Silva Leão
albertinho.leao@mpa.gov.br 
Carlos Felipe Mota Bordalo
carlos.bordalo@mpa.gov.br 
sfpa.pa@mpa.gov.br
(91) 3243 4360 / 3231 6422 
(61) 2023 3927 / 3926 
Av. Almirante Barroso, nº 5.384, Bairro 
2014 xx
FEDERAL SUPERINTENDENCIES OF FIShERIES AND AQUACULTURE 
FROm ThE mINISTRy OF FIShERIES AND AQUACULTURE
Souza, CEP 66645-250, Belém/ PA
PARAíBA 
Luiz Gonzaga Firmino Júnior
gonzaga.junior@mpa.gov.br 
Crisantina Cartaxo da Costa
crisantina.cartaxo@mpa.gov.br 
sfpa.pb@mpa.gov.br 
(83) 3228 4405/3452 
(61) 2023 3966 / 3967 
Rua Presidente João Pessoa, s/n, Centro, 
CEP 58310-970, Cabedelo/PB 
PARANÁ 
José Antônio Faria de Brito
jose.brito@mpa.gov.br 
sfpa.pr@mpa.gov.br 
(41) 3264 3407 / 1646 
(61) 2023 3958 / 3959 
Rua Francisco Alves Guimarães,nº 346, Bairro Cristo Rei, CEP 80050-210, 
Curitiba/PR
PERNAmBUCO 
José Telino Lacerda Neto
jose.telino@mpa.gov.br 
Noêmia Lúcia Pacheco Guaraná 
noemia.guarana@mpa.gov.br 
sfpa.pe@mpa.gov.br 
(81) 3228 4492 (81) 3227 9360 
(61) 2023 3968 / 3969 
Av. General San Martin, nº 1.000, Bairro 
Bongi, CEP 50630-060, Recife/PE 
PIAUí 
Márcio Kyldare P. Saraiva
marcio.saraiva@mpa.gov.br 
sfpa.pi@mpa.gov.br 
(86) 3301 4534 / 4551 
(61) 2023 3970 / 3971 
Rua Taumatu de Azevedo, nº 2.315, 
Centro, CEP 64001-340, Teresina/PI
 
RIO DE JANEIRO 
Antônio Emílio Santos
antonio.santos@mpa.gov.br 
Alan ducasble
alan.ducasble@mpa.gov.br 
sfpa.rj@mpa.gov.br 
(21) 2213 3321 (21) 2263 0380 (21) 2253 
6711 (61) 2023 3932 / 3933 
Av. Rodrigues Alves, nº 129, 9º andar, 
Sala 904, CEP 20081-250, Rio de Janeiro/RJ 
RIO GRANDE DO NORTE 
Abraão Lincoln F. da Cruz Júnior 
abraao.junior@mpa.gov.br 
Rochelle K. do Nascimento Gomes
rochelle.gomes@mpa.gov.br 
sfpa.rn@mpa.gov.br 
(84) 4009 7485 / 7487 / 7481 / 7486 
(61) 2023 3938 / 3939 
Av. Hildebrando de Góis, nº 154 A, Bairro 
Ribeira, CEP 59010-700, Natal/RN
 
RIO GRANDE DO SUL 
Gilmar da Silva Coelho
gilmar.coelho@mpa.gov.br 
sfpa.rs@mpa.gov.br 
(51) 3284 9610 / 9614 
(61) 2023 3948 / 3949 
Av. loureiro da Silva, nº 515, 7º andar, 
Sala, 710, Centro Histórico, 
CEP 90010-420, Porto Alegre/RS
RONDÔNIA 
Jenner Tavares Menezes 
jenner.menezes@mpa.gov.br 
Ricardo Lopes da Cruz 
ricardo.cruz@mpa.gov.br 
sfpa.ro@mpa.gov.br 
(69) 3901 5615 / 5616 / 5622 
(61) 2023 3946 / 3947 
Rodovia BR 364 km 5,5, Bairro Cidade 
Jardim, CEP 76815-800, Porto Velho/RO, 
Caixa Postal 4.002
 
RORAImA 
Fábio Costa de Lima
fabio.lima@mpa.gov.br 
Maria das dores Chaves Lucena
maria.lucena@mpa.gov.br 
sfpa.rr@mpa.gov.br 
(95) 3224 8332 (95) 3624 9685 
(61) 2023 3951 / 3952 
Av. Major Willians, nº 913, Bairro São 
Francisco, CEP 69301-110, Boa Vista/RR 
SANTA CATARINA 
horst doering
horst.doering@mpa.gov.br 
Cristiano Martins de Souza
cristiano.souza@mpa.gov.br 
sfpa.sc@mpa.gov.br 
(48) 3333 2961 / 2417 (48) 3223 7183 / 9183 
(61) 2023 3920 / 3921 
Rua Martinho Calado, nº 21, Centro, 
CEP 88015-040, Florianópolis/SC 
SãO PAULO 
Jorge Augusto de Castro 
jose.costa@mpa.gov.br 
José Vinhote Costa 
jose.costa@mpa.gov.br 
sfpa.sp@mpa.gov.br 
(11) 3541 1577 / 1383 / 1380 
(61) 2023 3930 / 3931 
Rua 13 de Maio, nº 1.558, 5º andar, Sala 
53, Bairro Bela Vista, CEP 01327-002, 
São Paulo/SP 
SERGIPE 
heráclito oliveira de Azevedo
heraclito.azevedo@mpa.gov.br 
sfpa.se@mpa.gov.br 
(79) 3214 1920 / 1026 / 1267 
(61) 2023 3960 / 3961 
Rua Santo Amaro, nº 40, Centro, 
CEP 49010-290, Aracaju/SE
 
TOCANTINS 
Jozafá Ribeiro Maciel
jozafa.maciel@mpa.com.br 
Amilton Rodrigues de Araújo 
amilton.araujo@mpa.gov.br 
sfpa.to@mpa.gov.br 
(63) 3213 2641 (63) 2111 8950 
(61) 2023 3956 / 3957 
Av. Teotônio Segurado, nº 102 Sul, 
Conjunto 1, lote 04, Bairro Plano Diretor 
Sul, CEP 77020-002, Palmas/ TO
2014 131
1º ANUÁRIO BRASILEIRO DA PESCA E AQUICULTURA132
 ThE GIANT IS AwAkENED
AS STATE MINISTER of Fisheries and 
Aquaculture, I had the opportunity to visit the main 
countries that produce fish: China, Norway, Peru, 
Spain, Canada, and Chile. All of them see Brazil as 
the greatest potential for fish production in the world 
for obvious reasons: the length of the coast, 13% of 
the world fresh water, good climate conditions, noble 
species, raw material for feeding, etc.
I am sure if Brazil had given the same priority 
to the sector as it happened for cattle, swine and 
poultry production, we would assuredly be among 
the main fish producers in the world. Nowadays 
the country produces 1.4 million tons and is able to 
produce at least 20 million tons a year.
Fortunately, we have been out of lethargy and 
started to create instruments of public policy that 
are able to boost the development in the sector. 
lula’s government started to change this reality 
that has been kept by Rousseff. As a minister from 
2006 to 2010, successor of José Fritsch, I always 
supported a State policy in order to have the sector 
developed. Having this purpose in mind, we 
created the Ministry of Fisheries and Aquaculture 
and Embrapa Fisheries and Aquaculture. We also 
approved the new Fishing Statute, regulated the 
waters of Union for aquaculture purposes, set a 
specific legislation regarding an environmental 
license for this activity, generated a credit policy, 
stimulated fish consumption, and so on and so forth.
It was a period of great advances which has been 
continued by the minister Marcelo Crivela. Despite 
the short time, we can already see some very 
effective results: the fish consumption in Brazil 
has increased from 6.5 kg per capita per annum in 
2003 to 11 kg per capita per annum in 2011. After 
15 stagnated years, the production raised from 1 
million tons to 1.4 million tons a year. We can surely 
state that the giant has started to awaken. 
The First Brazilian Fishery and Aquaculture 
yearbook comes to reward this work: it gathers a 
huge range of essential information for investors, 
governments, entities, academy and the sector itself. 
Congratulations.
OPINIãO
Como ministro de Estado da Pesca e Aquicultura, conheci os principais países produtores de pescado: China, Noruega, Peru, Espanha, Canadá e Chile. 
Todos veem o Brasil como o país de maior potencial de 
produção de pescado do mundo. As razões são óbvias: ex-
tensão da nossa costa, 13% da água doce do mundo, clima 
favorável, espécies nobres, matéria prima para rações etc.
Tenho convicção de que se o Brasil tivesse dado a este 
setor a mesma prioridade que deu à produção de carne de 
bovinos, suínos e aves, sem dúvida já estaríamos entre os 
maiores produtores mundiais de pescado. O país produz 
hoje 1,4 milhão de toneladas e pode produzir pelo menos 
20 milhões de toneladas/ano.
Mas, felizmente, saímos da letargia e passamos a criar 
os instrumentos de política pública capazes de impulsionar 
o desenvolvimento do setor. Foi o Governo lula e agora 
o Governo Dilma que começaram a mudar esta realidade. 
Eu, como ministro no período 2006 a 2010, sucedendo 
José Fritsch, sempre defendi uma política de Estado como 
condição para o desenvolvimento do setor. E com esta 
tese, criamos o Ministério da Pesca e Aquicultura, a Em-
brapa Aquicultura e Pesca, aprovamos a nova lei da Pesca, 
a regulamentação da cessão de águas da União para fins de 
aquicultura, uma legislação específica para o licenciamento 
ambiental da atividade, a criação de uma política de crédi-
to, o estímulo ao consumo de pescado etc.
Foi um período de grandes avanços, que hoje o ministro 
Marcelo Crivela dá continuidade. E, apesar do pouco tem-
po, os resultados são muito efetivos: basta citar que o con-
sumo de pescado no Brasil aumentou de 6,5 kg/hab/ano 
em 2003 para 11 kg/hab/ano em 2011. A produção, após 15 
anos de estagnação, aumentou de 1 milhão de toneladas 
para 1,4 milhão de toneladas/ano. Podemos categoricamen-
te dizer que “O gigante começa despertar”.
O 1° Anuário Brasileiro da Pesca e Aquicultura vem co-
roar este trabalho: reúne um leque enorme de informações 
vitais para investidores, governos, entidades, academia e o 
próprio setor. Parabéns.
AlTEMIR GREGOlIN
Ex-ministro da Pesca e Aquicultura
O DESPERTAR 
DE Um GIGANTE
ENTIDADES ESTADUAIS DE ASSISTêNCIA TéCNICA E ExTENSãO RURAL
state enterPrises oF technical assistance and rural extension
ACRE 
Empresa de Assistência Técnica 
Extrativista Rural do Acre 
(Emater/AC) 
www.ac.gov.br 
ALAGOAS 
Instituto de Inovação para o 
desenvolvimento Rural Sustentável 
de Alagoas (Emater/AL ) 
www.emater.al.gov.br
AmAzONAS 
Instituto de desenvolvimento 
Agropecuário do Estado do 
Amazonas (Idam) 
www.idam.am.gov.br
AmAPÁ 
Instituto de desenvolvimento 
Rural doAmapá (Rurap) 
www.rurap.ap.gov.br
BAhIA 
Empresa Baiana de 
desenvolvimento Agrícola (EBdA) 
www.ebda.ba.gov.br
CEARÁ 
Empresa de Assistência Técnica 
e Extensão Rural (Emater/CE) 
www.ematerce.ce.gov.br
DISTRITO FEDERAL 
Empresa de Assistência Técnica 
e Extensão Rural (Emater/dF) 
www.emater.df.gov.br
ESPíRITO SANTO 
Instituto Capixaba de Pesquisa, 
Assistência Técnica e Extensão 
Rural (Incaper)
www.incaper.es.gov.br
GOIÁS 
Agência Goiana de Assistência 
Técnica, Extensão Rural e Pesquisa 
Agropecuária (Emater/Go) 
www.emater.go.gov.br 
mARANhãO 
Agência Estadual de Pesquisa 
Agropecuária e Extensão Rural 
do Maranhão (Agerp) 
www.agerp.ma.gov.br
mATO GROSSO 
Empresa Mato-Grossense 
de Pesquisa, Assistência e 
Extensão Rural (Empaer)
www.empaer.mt.gov.br
mATO GROSSO DO SUL 
Agência de desenvolvimento 
Agrário e Extensão Rural (Agraer) 
www.agraer.ms.gov.br
mINAS GERAIS 
Empresa de Assistência Técnica 
e Extensão Rural (Emater/MG) 
www.emater.mg.gov.br
PARÁ 
Empresa de Assistência Técnica 
e Extensão Rural (Emater/PA) 
www.emater.pa.gov.br
PARAíBA 
Empresa de Assistência Técnica 
e Extensão Rural (Emater/PB) 
emater.noip.org/v2/ index.php
PARANÁ 
Instituto Paranaense de 
Assistência Técnica e Extensão 
Rural (Emater/PR) 
www.emater.pr.gov.br
PERNAmBUCO 
Instituto Agronômico de 
Pernambuco (IPA) 
www.ipa.br
PIAUí 
Instituto de Assistência Técnica 
e Extensão Rural (Emater/PI) 
www.emater.pi.gov.br
RIO DE JANEIRO 
Empresa de Assistência Técnica 
e Extensão Rural (Emater/RJ
www.emater.rj.gov.br 
RIO GRANDE DO NORTE
Instituto de Assistência Técnica 
e Extensão Rural (Emater/RN) 
www.emater.rn.gov.br 
RIO GRANDE DO SUL 
Empresa de Assistência Técnica 
e Extensão Rural (Emater/RS) 
www.emater.tche.br 
RONDÔNIA 
Associação de Assistência 
Técnica e Extensão Rural 
(Emater/Ro) 
www.emater-ro.com.br 
RORAImA 
departamento de Assistência 
Técnica e Extensão Rural (dater)
www.seapa.rr.gov.br
SANTA CATARINA 
Empresa de Pesquisa 
Agropecuária e Extensão Rural 
(Epagri) 
www.epagri.sc.gov.br
SãO PAULO 
Coordenadoria de Assistência 
Técnica Integral (Cati) 
www.cati.sp.gov.br
SERGIPE 
Empresa de desenvolvimento 
Agropecuário de Sergipe 
(Emdagro) 
www.emdagro.se.gov.br
TOCANTINS 
Instituto de desenvolvimento 
Rural do Estado do Tocantins 
(Ruraltins) 
www.ruraltins.to.gov.br
2014 133
C
M
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YQ 0005-12 Anúncio LAGES-GRAVATAL 420X275mm ANUARIO BRASILEIRO DA PESCA-CURVAS.pdf 1 11/12/13 13:58
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YQ 0005-12 Anúncio LAGES-GRAVATAL 420X275mm ANUARIO BRASILEIRO DA PESCA-CURVAS.pdf 1 11/12/13 13:58

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