Prévia do material em texto
Culinária Indígena dentro do processo de interação cultural, constata-se a presença indígena em nossa culinária. Apesar de ser muito mais fácil percebermos a influência da culinária indígena no norte brasileiro, a comida indígena está presente Desde o açaí e o pato no tucupi no Pará até o chimarrão do gaúcho. Uma das mais importantes causas da contribuição indígena para a culinária brasileira foi o casamento com as índias com os colonos. Assim, desde o início formou-se uma sociedade miscigenada. Outra causa foi a falta de ingredientes europeus no Brasil e os que chegavam. Assim, nos dois primeiros séculos após o descobrimento, quando a escassez de mulheres europeias era grande, as índias foram esposas e mães dos colonizadores. nos primeiros dois séculos, a cozinha brasileira era indígena. Mesmo quando surgiu o período de fartura e a facilidade dos ingredientes europeus chegarem às cozinhas, existiam duas cozinhas uma fora e outra dentro da casa principal do colonizador. A primeira funcionava com a cozinha indígena para o dia a dia e a segunda com a cozinha portuguesa em ocasiões especiais e, aí quem dirigia a cozinha era a sinhá. . nossa pesquisa nos levou a discordar de autores tradicionais que afirmam: “a contribuição indígena para a cozinha brasileira se resume ao fornecimento de ingredientes”. Ficou claro que o preparo e outros elementos do sistema culinário também influenciaram e estão presentes na mesa e nos pratos dos brasileiros. Moqueca, caruru, paçoca, tapioca, beiju, mingau não são nomes de simples ingredientes, são nomes de pratos que envolvem a manipulação de ingredientes e o preparo de receitas. A cozinha brasileira surgiu de diversas regiões e de uma lenta e contínua construção ao longo do tempo. Dessa forma, em cada região, em cada período, diferentes povos indígenas estiveram em contato com portugueses, como também outros colonizadores europeus e negros produzindo interações diversas. Origem, Características e Ingredientes A comida indígena tem sua origem muito antes da chegada dos colonizadores e utilizava o que a natureza oferecia. Assim, fica fácil afirmar que a alimentação indígena é de característica natural sem os artifícios criados pelo desenvolvimento industrial Com os grupos indígenas que tiveram pouco ou nenhum contacto com os ditos civilizados, o costume original ainda é o preponderante. Porco-do-mato, paca, veado, macaco, javali, capivara, cotia, tatu, gato-do-mato e anta faziam parte da sua dieta. Outra importante fonte de alimento eram os peixes, tartarugas, moluscos e crustáceos. Entre os peixes mais consumidos estavam os pirarucus, carapebas, curimãs, tucunarés Os ingredientes da alimentação básica era a macaxeira (mandioca, ou aipim), milho, raízes, algumas folhas e frutos de palmeiras como: palmito, cocos, carnes de caças, peixes, castanhas e frutos silvestres. A caça era uma das principais fontes de alimento para, camorins, cavalas, traíras, beijupirás, surubins, tambaquis, garoupas, sardinhas, agulhas, piranambus e jaús. Preparo Na cultura indígena brasileira, assim como na atividade agrícola, o preparo da comida também é atividade exclusiva das mulheres. Os índios utilizavam o fogo para preparar os alimentos. Duas das maiores tradições indígenas eram: o biaribi, forno construído com a escavação de um buraco no chão forrado com folhas; e o demoquem, grande grelha de madeira construída pela cravação de quatro forquilhas em suficiente profundidade no chão. No preparo com a utilização do biaribi a carne era levada a esse forno envolta em folhas e coberta com terra. Uma fogueira era preparada e acesa sobre o forno para assar as carnes. Já o demoquem é utilizado para conservar os alimentos. É um processo que lembra o fumeiro usado pelos europeus. A carne fica meio assada. Não era costume indígena utilizar o sal para conservação das carnes. Outro processo utilizado para assar as carnes era o de espetá-las em varetas de madeira e levá-las diretamente ao fogo, controlando pelo olhar e pelo olfato o ponto desejado dos assados. Seus temperos eram basicamente: sal; a pimenta; ervas silvestres; palmito de pindoba e o bredo ou caruru; e o limão. Abusavam da pimenta, qualquer que fosse a variedade: redonda, comprida, verde, vermelha, pequenas ou grandes. A obtenção do sal era feita por meio da evaporação da água do mar, pela separação em salinas naturais (areias impregnadas de sal); e pela queima de madeira, de onde era retirado o sal das cinzas, bastante rico em potássio. O preparo das bebidas, espécie de vinho chamado genericamente na língua tupi de cauim ou cahoi, era por meio de processo de fermentação do milho, da macaxeira, do caju, do jenipapo, da jabuticaba e da mangaba. Uma das características do preparo dos cozidos feito pelos índios e que lhes davam outro sabor era a continuidade com que os alimentos sofriam a ebulição incessante. Os utensílios empregados pelos grupos indígenas e listados nas fontes pesquisadas foram: pilões de pau; colheres de pau; cestas e peneiras de tecido ou de taquara; folhas de bananeira; palhas de milho; e panelas e potes moldados no barro. PRESENÇA INDÍGENA NA ALIMENTAÇÃO DO BRASILEIRO o grande destaque é a mandioca. A mandioca continua mantendo a população brasileira em proporção maior que qualquer outro alimento. Três quartas partes do Brasil consomem diariamente farinha de mandioca, numa multiplicidade de pratos: “piracuí”, a farinha de mandioca misturada à farinha de peixe bem seco e socados no pilão; pirão, farinha de mandioca misturada ao caldo de peixe; e o tradicional tutu. Tacacá, prato tradicional do Pará, tem dois de seus componentes representados pela mandioca: a goma de tapioca e o tucupi; e o pato no tucupi, que tem como componente o tucupi, subproduto da mandioca. o milho. Com o milho preparavam: a “acanjic”, canjica; a “abatiuy”, farinha de milho; a “pamuna”, pamonha; o mingau feito com milho pilado, conhecido como munguzá; e a popular pipoca. Da mesma forma como com a farinha de mandioca, com a farinha de milho prepara-se variedade semelhante. Com relação às bebidas as mais populares são:, o “caa”, a erva mate. Três bebidas de origem indígena que romperam fronteiras e são consumidas em vários países: o mate, o vinho ou suco, ou ainda refresco do açaí, do fruto da palmeira açaizeiro; e o guaraná, tônico, estimulante e reconstituinte, cultivado pelos índios Mawé, do norte brasileiro. A quantidade de frutas silvestres incorporadas à dieta dos brasileiros não é tão expressiva quanto àquela utilizada em larga escala pelos silvícolas, pois a maioria ainda é desconhecida pela maioria dos brasileiros. Dentre as incorporadas, algumas ainda em caráter regional podemos destacar: pacoba (banana); mamão; pupunha; abacate; abacaxi; maracujá; caju; sapoti; graviola; bacuri; ingá; goiaba; biribá; cacau; umari; uxi; mangaba; cupuaçu e ajiru.