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Aula 2. O que o Professor tem a ver com isso

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devendo ser encaminhados para salas ou escolas "especiais". Aqueles
que não obtinham as vagas necessárias, ou que não se adaptavam a esse sistema paralelo de ensino,
desistiam simplesmente de estudar.
Esse modelo discriminador começou a ser questionado nos anos 1980. As deficiências dos alunos
deixaram de ser vistas como problemas meramente pessoais, passando a ser consideradas como resultantes
da falta de empenho das escolas em atender às necessidades diferenciadas de seus estudantes. As várias
modalidades de deficiência listadas pela medicina não deveriam ser encaradas como defeitos, mas como
características distintas, ao lado de outras que os estudantes podem apresentar. 
Esse debate de profundo significado pedagógico e democrático acabou levando a que o modelo
tradicional de ensino segregado começasse a ser substituído, nos anos 1990, pela proposta de uma educação
inclusiva. No novo modelo, os alunos com e sem deficiência devem conviver nas mesmas escolas e salas,
aprendendo com suas diferenças e ajudando-se mutuamente a desenvolver suas potencialidades. As escolas
devem respeitar as características dos alunos e oferecer alternativas pedagógicas que atendam a suas
necessidades comuns e específicas.
À medida que se propaga, a educação inclusiva tem evidenciado suas vantagens pedagógicas e sociais.
É uma forma muito mais efetiva de garantir o direito de crianças e jovens com deficiência a uma educação de
qualidade e a uma vida autônoma e feliz. Contribui igualmente para a educação dos demais alunos,
desfazendo os preconceitos, incentivando o convívio com as diferenças individuais e estimulando o
aprendizado mútuo. Transforma também pais e professores, muitas vezes relutantes e apreensivos. E, por
esses vários veios, ajuda a construir uma sociedade mais democrática e menos excludente.
A educação inclusiva é uma proposta em construção. Precisa estender-se ao conjunto do país, atualizar
professores e funcionários, desenvolver novos métodos, realizar adaptações arquitetônicas nos prédios
escolares, vencer resistências. 
A Rede Saci – Solidariedade, Apoio, Comunicação e Informação – tem cumprido um importante papel
na disseminação dessa proposta. Criada em 1999 para facilitar 0a troca de informações sobre a deficiência,
visando a estimular a inclusão social e digital, a melhoria da qualidade de vida e o exercício da cidadania dos
brasileiros com deficiência, a Rede Saci tem dedicado uma parcela expressiva de seu esforço a divulgar
práticas inclusivas em educação. 
Este livro, coordenado pela professora Marta Gil, é um exemplo. Sintetiza informações e experiências
divulgadas pela Rede Saci via internet, colocando nas mãos dos professores um guia para que se engajem,
se ainda não o fizeram, na elaboração e implementação de um projeto audacioso de inclusão escolar e social
no Brasil. Apoiando sua publicação, a Imprensa Oficial do Estado de São Paulo cumpre o compromisso de
contribuir para a edificação de um país mais democrático e mais solidário.
Hubert Alquéres 
Diretor-presidente da Imprensa Oficial
do Estado de São Paulo
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SUMÁRIO
Quem somos nós? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .12
Este material é para você, Professor . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .14
Educação: alicerce fundamental da sociedade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .16
Educação Inclusiva: construindo uma sociedade para todos . . . . . . . . . . . . . . . . . .16
Documentos internacionais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .17
Cada um de seus alunos tem características diferentes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .20 
A Educação Inclusiva e a legislação brasileira . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .21
Legislação Nacional . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .22
Parcerias são fundamentais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .25
O primeiro passo para a concretização da Educação Inclusiva . . . . . . . . . . . . . . . .26
Quem ganha com a inclusão de crianças com deficiência? . . . . . . . . . . . . . . . . . . .27
Quem são as pessoas com deficiência? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .28
Integração versus Inclusão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .32
Por que temos preconceitos? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .33
Por que as pessoas com deficiência quase não são vistas nas ruas? . . . . . . . . . . .34
Como a escola pode se preparar para receber um aluno com deficiência? . . . . . . .35
• Adaptações arquitetônicas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .35
• Biblioteca escolar ou sala de leitura . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .36
• Parques infantis acessíveis a todas as crianças . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .37
• Mobiliário escolar para todos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .38
Estratégias de sala de aula . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .39
• Aprendizagem cooperativa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .40
• Ensino Cooperativo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .43
Seus alunos conhecem o tema da diversidade? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .46
Tecnologias e recursos materiais que podem ser utilizados . . . . . . . . . . . . . . . . . . .53
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• Formas de aprender e de avaliar o aprendizado . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .55
• Equipamentos que todos podem aprender a usar . . . . . . . . . . . . . . . . . . .58
• Os alunos surdos baseiam-se também nas pistas visuais . . . . . . . . . . . . .59
• A criança surda e a comunicação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .60
• Recursos para crianças com deficiência motora . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .60
Computadores e salas de informática . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .62
• Softwares que auxiliam a pessoa com deficiência a utilizar o computador 63
Parcerias: família e recursos da comunidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .69
• A família e o professor . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .69
• Envolvendo a comunidade escolar . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .72
• A escola precisa ter especialistas? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .74
Uma escola com qualidade forma pessoas felizes e cidadãos conscientes . . . . . . .77
• Sugestões para ensinar todos os alunos da classe . . . . . . . . . . . . . . . . .78
A voz dos alunos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .79
A voz dos professores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .90
Dúvidas freqüentes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .96
Sugestões para a convivência com pessoas com deficiência . . . . . . . . . . . . . . . . .100
• Deficiência Visual . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .101
• Deficiência Auditiva . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .105
• Deficiência Física . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .109
• Deficiência Múltipla

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