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2017528 AVA UNINOVE https://ava.uninove.br/seu/AVA/topico/container_impressao.php 1/9 Parâmetros e Controle de Qualidade em Imunoensaios CONHECIMENTO SOBRE OS PARÂMETROS DE VALIDAÇÃO DE TESTES SOROLÓGICOS. AUTOR(A): PROF. WALTER KINDRO ANDREOLI AUTOR(A): PROF. WALTER KINDRO ANDREOLI Os imunoensaios são caracterizados pela detecção da presença ou não de antígeno ou anticorpo e trata-se de uma ferramenta importante na prática clinica. Abaixo vemos situações em que recorremos aos imunoensaios: Definição da etiologia da doença. Diagnóstico de doença congênita. Diagnóstico diferencial de doenças infecciosas. Diferenciação de fases da doença. Prognóstico da doença. Seleção de doadores de sangue. Seleção de doadores e receptores de órgãos. Dosagens hormonais. Monitoramento da eficácia terapêutica. Critérios de cura. Estabelecimento da prevalência da doença. Verificação de reintrodução de novos casos em áreas consolidadas. Avaliação da imunidade específica após vacinação. Pesquisa de antígenos em células ou tecidos Parâmetros e Controle de Qualidade em Imunoensaios 01 / 08 2017528 AVA UNINOVE https://ava.uninove.br/seu/AVA/topico/container_impressao.php 2/9 Teste de referência /Gold Standard Test: refere-se ao teste ou procedimento que é utilizado para definir o verdadeiro estado do paciente. São chamados também de padrão- ouro. O resultado de um teste de laboratório reflete a situação clinica do paciente no momento da coleta da amostra e quando bem avaliado, representa uma importante ferramenta de auxílio para o diagnóstico. Os exames laboratoriais são realizados por solicitação médica, com o objetivo de diagnosticar, monitorar ou acompanhar o tratamento de uma doença. Todos os testes de diagnóstico têm seus limites, pois há situações em que a intensidade do que está se buscando é tão diminuída que não é detectável. Sabendo disso, todo resultado deve ser avaliado junto com dados clínicos, epidemiológicos e laboratoriais. O resultado de todo exame laboratorial deve ter qualidade e isso só será possível se houver padronização dos processos e controle de qualidade, desde a aquisição dos insumos e reagentes até a emissão do resultado. O diagnóstico laboratorial envolve três etapas: a pré-analítica, a analítica e a pós-analítica. Qualquer falha nessas etapas afetará o resultado dos testes. Agora vamos estudar alguns aspectos importantes de validação da etapa analítica, que consiste na etapa em que o ensaio é realizado. O teste ideal deveria sempre fornecer o resultado correto, ou seja, negativo para quem não tem a doença e positivo para quem possui a doença. Como não existe um teste com 100% de acerto, sempre que obtemos um resultado: POSITIVO pode ser verdadeiro positivo (VP) ou falso positivo (FP). NEGATIVO este pode ser verdadeiro negativo (VN) ou falso negativo (FN). Diante da possibilidade de falso resultado, como podemos validar um imunoensaio? Na validação de um teste sorológico vários parâmetros devem ser analisados para definir em termos quantitativos ou qualitativos se este é útil para o fim que se destina. Um teste diagnóstico é considerado útil quando ele identifica bem a presença da doença. Antes de ser adotado o teste deve ser avaliado para verificar sua capacidade de acerto. Esta avaliação é feita aplicando-se o teste a dois grupos de pessoas: um grupo sabidamente doente o outro sabidamente não doente. Nesta fase, o diagnóstico é feito por outro teste chamado padrão ouro. Parâmetros e Controle de Qualidade em Imunoensaios 02 / 08 2017528 AVA UNINOVE https://ava.uninove.br/seu/AVA/topico/container_impressao.php 3/9 A amostragem a ser utilizada é muito importante na definição dos parâmetros intrínsecos. Devemos selecionar populações de indivíduos sabidamente doentes e não-doentes para a finalidade diagnóstica que se destina. Na validade intrínseca são avaliados parâmetros como: sensibilidade, especificidade e eficiência que referem-se a análises específicas do teste e fornecem resultados consistentes independentes da prevalência da doença. valor preditivo positivo e valor preditivo negativo que são parâmetros influenciados pela prevalência da doença. Validade extrínseca de um teste: refere-se a capacidade do teste em detectar a real situação da população em relação a uma doença além do desempenho do mesmo nesta detecção. Para essa análise são avaliados parâmetros como: reprodutibilidade precisão Vamos conhecer e aprender como são obtidos os parâmetros de validação intrínseca. Sensibilidade (S) - é a capacidade que o teste diagnóstico/triagem apresenta de detectar os indivíduos verdadeiramente positivos, ou seja, de diagnosticar corretamente os doentes. S= VP x 100/(VP+FN) Especificidade (E) - é a capacidade que o teste diagnóstico/triagem tem de detectar os verdadeiros negativos, isto é, de diagnosticar corretamente os indivíduos sadios. E= VN x 100/(VN+FP) Eficiência de um teste é a proporção de testes verdadeiramente positivos e verdadeiramente negativos em relação à totalidade dos resultados. Refere-se ao desempenho ou validade do teste. Parâmetros e Controle de Qualidade em Imunoensaios 03 / 08 2017528 AVA UNINOVE https://ava.uninove.br/seu/AVA/topico/container_impressao.php 4/9 Prevalência corresponde ao numero total de casos de uma doença ou infecção numa determinada população num período de tempo. Eficiência = (VP+VN)/N total Valor preditivo positivo (VPP) Quando fazemos um teste e temos um resultado positivo, qual a probabilidade de realmente termos aquela doença testada? O Valor Preditivo Positivo (VPP) responde. VPP= VP x 100/(VP+FP) Refere-se a probabilidade de uma pessoa com teste positivo possuir realmente a doença, baseada na prevalência da doença na população estudada. Valor preditivo negativo (VPN) Quando fazemos um teste e temos um resultado negativo, qual a probabilidade de que efetivamente o paciente não possua aquela doença testada? O Valor Preditivo Negativo (VPN) responde. VPN= VN x 100/(VN+FN) Refere-se a probabilidade de uma pessoa com teste negativo NÃO possuir a doença, baseada na prevalência da doença na população estudada. Valor preditivo do teste é determinado pela interação de três variáveis: a sensibilidade, a especificidade do teste e a prevalência da doença no grupo de estudo. Agora vamos conhecer mais a respeito dos parâmetros de validação extrínseca. Reprodutibilidade Parâmetros e Controle de Qualidade em Imunoensaios 04 / 08 2017528 AVA UNINOVE https://ava.uninove.br/seu/AVA/topico/container_impressao.php 5/9 Capacidade de obter resultados com valores muito próximos entre si, quando analisadas uma mesma amostra no mesmo ou em diferentes ensaios realizado por diferentes técnicos em diferentes locais. Altamente influenciada por erros humanos, pipetas descalibradas, armazenamento inadequado de reagentes entre outros. Quando o técnico realiza procedimentos que estão em desacordo com o descrito pelo fabricante ou o procedimento operacional padrão (POP) do laboratório a reprodutibilidade passa a ser também bastante comprometida. Precisão Concordância dos resultados obtidos após várias repetições. Quanto maior a precisão do teste, menor a influência que sofre das condições de execução (temperatura, pH, manuseio, tempo, etc) Limiar de reatividade ou cut-off Valor que se refere ao ponto de corte (cut-off) do teste sorológico. Este valor serve como referencia para definição do resultado ..Para cada teste diagnóstico existe um valor de referência (limiar de reatividade ou cut-off) que determina a classificação do resultado do teste como negativo ou positivo. Curva da distribuição de frequência de título observada na população Parâmetros e Controle de Qualidade em Imunoensaios 05 / 08 2017528AVA UNINOVE https://ava.uninove.br/seu/AVA/topico/container_impressao.php 6/9 Se você trabalha em um banco de sangue e quer selecionar um teste, deve escolher um que apresente o menor número possível de resultados falso negativos. Este teste deverá ter máxima... SENSIBILIDADE Legenda: A - GRUPO NãO DOENTE B- GRUPO DOENTE LR - LIMIAR DE REATIVIDADE O teste ideal, com 100% de sensibilidade e especificidade não existe na prática, pois a tentativa de melhorar a sensibilidade frequentemente tem o efeito de diminuir a especificidade. É possível verificar no gráfico acima que possuem indivíduos não doentes e doentes na faixa de título de 20 a 80. Onde definir o limiar de reatividade deste teste? Para a definição do ponto de corte é preciso considerar a importância relativa da sensibilidade e especificidade do teste diagnóstico, ponderando sobre as implicações dos dois possíveis erros. Portanto o ponto de corte deve ser definido em função da aplicação que este teste se destina. Parâmetros e Controle de Qualidade em Imunoensaios 06 / 08 2017528 AVA UNINOVE https://ava.uninove.br/seu/AVA/topico/container_impressao.php 7/9 Por outro lado, se você trabalhar em um laboratório de analises clinicas e deseja confirmar um diagnóstico deve escolher um teste que apresente o menor número possível de resultados falso positivos. Este teste deverá ter máxima...ESPECIFICIDADE O teste que apresenta máxima sensibilidade é aquele que possui o ponto de corte em LR1. Neste caso há menor chace de obter falso negativo. Neste caso você deve escolher kits que possuem o ponto de corte em LR2 pois há menor chance de obter falso positivo. ATIVIDADE FINAL Na padronização de um teste sorológico, foi realizado o ensaio em 5000 amostras. Destas 2000 do grupo doente e 3000 sabidamente não doentes. No grupo doente 10 amostras não apesentaram reatividade e no grupo não-doente 10 amostras foram reagentes. A respeito deste teste podemos afirmar: Parâmetros e Controle de Qualidade em Imunoensaios 07 / 08 2017528 AVA UNINOVE https://ava.uninove.br/seu/AVA/topico/container_impressao.php 8/9 A. Sensibilidade é maior que a especificidade. B. A proporção de falso-positivo é igual a de falso-negativo. C. A proporção de falso-positivo é maior que a de falso-negativo. D. Apresenta especificidade maior que sensibilidade. REFERÊNCIA VAZ, Adelaide J.; TAKEI, Kioko; BUENO, Ednéia Casagranda. Imunoensaios: fundamentos e aplicações. Rio de Janeiro: Guanabara-Koogan, 2007. FERREIRA, A. Walter; ÁVILA, Sandra L.M. Diagnóstico Laboratorial das principais doenças infecciosas auto-imunes. Rio de Janeiro: Guanabara-Koogan, 2001. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais. Coordenação Geral de Sangue e Hemoderivados. Coleta de sangue: diagnóstico e monitoramento das DST, AIDS e hepatites virais. 2010. Disponível em: www.aids.gov.br/telelab. Acesso em: 20/08/2014. Parâmetros e Controle de Qualidade em Imunoensaios 08 / 08 2017528 AVA UNINOVE https://ava.uninove.br/seu/AVA/topico/container_impressao.php 9/9