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PANCREATITE Introdução A cabeça do pâncreas fica muito encostada no duodeno É um órgão retroperitoneal, possui vários ductos (side branches) e o principal, que é drenado para a papila duodenal maior O principal motivo de pancreatite aguda é a obstrução dessa papila As enzimas se ativam dentro do corpo do pâncreas Ocorre processo de autodigestão, que culmina em processo inflamatório No caso da pancreatite causada pelo álcool, ocorre ativação direta das enzimas pancreáticas, por atividade de lesão direta do álcool sobre o tecido pancreático Etiologia Colelitíase e álcool representam 70% dos casos, sendo que o álcool é importante, sobretudo, no desenvolvimento de pancreatite crônica A colelitíase é uma causa muito importante (a principal), sobretudo no HUB, por causa do atraso no tratamento da colelitíase, levando ao aumento da incidência das complicações da doença, no caso, da pancreatite aguda Outras: drogas, CPRE (complicações do procedimento, resíduos) Diagnóstico Tríade da apresentação clínica (t. De Mondor) Dor epigástrica em faixa Também periumbilical com irradiação para dorso Náuseas Vômitos Também (fora da tríade): Distensão abdominal Diagnóstico Laboratorial Dosagens séricas de amilase e Lipase (>3x acima do normal) A amilase só serve para diagnóstico, não para prognóstico: não faz sentido esperar baixar para retornar a dieta oral. Exame de imagem Não é necessário para diagnóstico, só para os casos de dúvida diagnóstica, A apresentação no exame de imagem é tardia (a partir de 48-72h após o início dos sintomas em casos com achados observáveis) TC com contraste/RNM Fases da Pancreatite Aguda Precoce De 1 a 2 semanas Normalmente, pancreatite edematosa: doença leve, benigna e autolimitante (80-90% dos casos de pancreatite aguda) Fase de início dos sintomas, com presença de resposta inflamatória sistêmica, mas é mais leve Se passar de duas semanas é mais grave Tardía: 1-2 semanas a meses Manejo da Pancreatite Aguda Determinar gravidade Leve: dor, vômito A maioria dos casos é pancreatite leve (90%) Representa uma forma autolimitada Tratamento: Dieta oral zero (repouso do pâncreas, não liberar enzimas), analgesia (dói muito) e hidratação venosa (paciente fica desidratado: isso porque tendo em vista o processo inflamatório, o paciente apresentará edema, no caso, pancreático, com presença de coleções de líquidos, o que diminui o volume intravascular; além dos vômitos, da perda de água pela febre, etc) Retorno precoce a dieta oral (diferente do que se era preconizado antigamente que se esperava melhorar tudo para então retornar a dieta oral) Se o paciente melhorar a dor e ele aceitar a via de alimentação oral, está ok, pode retornar a dieta oral (importante a avaliação de caso a caso) Observação: a amilase só serve para diagnóstico, não para prognóstico: não faz sentido esperar baixar para retornar a dieta oral. Moderada/Grave O que separa as pancreatites moderadas e graves das pancreatites leves e o que separa a pancreatite moderada da grave? Pancreatite aguda associada a disfunção orgânica de órgãos e sistemas ou exacerbação de disfunção prévia de órgãos e sistemas: Insuficiências renal, hepática, pulmonar, cardíaca (Insuficiência orgânica temporária ou complicações locais ou sistêmicas - exacerbação de doença de base coronariana ou pulmonar, por exemplo). Se for até 48 horas: pancreatite aguda moderada Se essa insuficiência orgânica persistir por mais de 48 horas, trata-se de uma pancreatite grave Como avaliar o grau de disfunção orgânica? Escore de Marshall Modificado para Disfunção orgânica (> ou = a 2: insuficiência orgânica) A escala serve para avaliar/classificar disfunção orgânica, de tal forma que com pontuação maior ou igual a 2, tem-se uma Insuficiência Orgânica. Sistema Respiratório No que tange a insuficiência respiratória, o parâmetro avaliado é a relação PaO2/FiO2 Sistema Renal No que tange a insuficiência renal, o parâmetro avaliado é a concentração sérica de creatinina Sistema Cardiovascular No que tange a insuficiência cardíaca, tem-se a pressão arterial sistólica como parâmetro Necrose Pancreática Geralmente, o paciente encontra-se em um quadro de pancreatite grave quando se tem necrose pancreática Áreas difusas ou focais de parênquima pancreático não viável Estéril ou infectada Fluido peripancreático na TC Se não houver realce do parênquima pelo contraste na TC: indica necrose do pâncreas (não chega ao tecido pois este não é mais irrigado) Áreas de necrose extra pancreáticas isoladas são consideradas (também recebem o nome de pancreatite necrosante) Identificação precoce de pacientes graves (mais agressividade no tratamento, pois a PA grave é de alta mortalidade) – fatores de risco: Idade maior ou igual a 60 anos Comorbidades coexistentes Obesidade (IMC maior que 30) Uso crônico de álcool Paciente já apresenta lesão pancreática pelo álcool Uso de Critérios (Ranson, Balthazar e Apache II) Critério de Ranson e Apache II (estão caindo em desuso, estão sendo substituídos por critérios clínicos, mas Apache ainda utilizado no contexto de UTI) Critério de Ranson Comment by Maria Paula Barbosa: Ele falou que era importante em aula Comment by Maria Paula Barbosa: Ele falou que era importante em aula Ranson utiliza os critérios de Idade, Leucócitos, TGO, Glicemia, LDH na Admissão E os critérios de PaO2, Base Excess, Sequestro Volêmico, Queda de Hematócrito, Aumento de BUN/Ureia e Queda de Cálcio após 48 horas Se o paciente apresentar mais de 3 pontos, já não é mais leve Critério de Balthazar É um critério radiológico, sendo que se baseia em achados tomográficos para avaliar o processo inflamatório da pancreatite aguda (o índice morfológico para pancreatite aguda) e para avaliar a necrose pancreática, avaliando o grau de severidade da doença. No índice morfológico, são considerados (Os estágios) Pâncreas normal Aumento difuso ou focal do pâncreas Alterações pancreáticas associadas a inflamação peripancreática Coleção de fluido única Duas ou mais coleções de fluidos e/ou presença de gás dentro do pâncreas ou dentro de inflamação peripancreática. Na avaliação de necrose pancreática, tem-se: Ausência de necrose < 30% de necrose 30% a 50% de necrose > 50% de necrose Uma pontuação de 7 a 10 representa um caso de pancreatite aguda grave O que se vem utilizando hoje para a identificação precoce do paciente grave? Síndrome da Resposta Inflamatória Sistêmica (SIRS) É uma síndrome caracterizada pela presença de 4 alterações (laboratoriais e de exame físico): Frequência Cardíaca > 90 bpm - Taquicardia Frequência Respiratória > 20 irpm - Taquipnéia Ou PaCO2 > 32 mmHg Temperatura > 38°C ou <36°C - Febre ou Hipotermia Contagem de Leucócitos > 12000 ou < 4000 células/mm3 ou > 10% de neutrófilos imaturos Se paciente apresentar duas dessas características, ele está em um quadro de SIRS, o que determina a gravidade do caso de pancreatite aguda O que viria a ser Sepse, nesse sentido? SIRS + infecção Tratamento da pancreatite grave Quando se tem uma resposta inflamatória grave, que é o caso da pancreatite grave, ela que é a responsável por levar o paciente ao óbito Essa resposta inflamatória faz com que o paciente perca volume intravascular, pelos mecanismos de alteração da permeabilidade vascular e vasodilatação (Hiperemia Ativa), levando a apresentação de coleções de líquido em volta do pâncreas: perda de volume (líquido solto no retroperitônio). É necessária reposição volêmica agressiva O rim é o primeiro órgão a ser afetado por essa depleção de volume As primeiras 24 horas são cruciais para atuar com reposição volêmica agressiva (Depois das 24 horas, já não ajuda mais tanto, o dano ao rim já aconteceu) 250-500ml/h Antibioticoterapia na Pancreatite Aguda (2 situações): Infecções Extra-pancreáticas Se o paciente apresenta um foco infeccioso associado ao quadro de pancreatite aguda, por razões óbvias, ele precisa ser tratado com antibioticoterapia para lidar com o foco infeccioso NecroseInfectada Confirmada ou suspeita clínica e/ou laboratorial Se ver gás dentro da necrose: está infectada (bactérias que estão infectando produzem gás), mas diagnóstico de certeza se faz com punção Meropenem (carbapenêmico de amplo espectro) é o antibiótico de escolha, pois tem boa absorção em tecidos necróticos, Profilaxia Não há diferença, segundo estudos: não há benefício Dieta na Pancreatite Aguda Leve Dieta via oral precoce É introduzida precocemente, com a diminuição da dor, independentemente do valor da amilase (lembrar que amilase não tem valor prognóstico, somente diagnóstico) Moderada/Grave Se paciente estiver muito mal, pode usar SNG e SNE. Embora a SNG possa ativar pâncreas, os trabalhos não demonstraram diferença estatisticamente significativa Além disso, não há diferença entre a alimentação por sonda precoce e por demanda, no que se refere aos desfechos Evitar nutrição parenteral total Observação: Começar dieta em, no máximo, 72hrs, porque a PA se dá com catabolismo, o que pode culminar em desnutrição, agravando o quadro infeccioso e aumentando o tempo de recuperação Intervenção Cirúrgica (Deve ser evitada, pois, muitas vezes, vai é necessário reoperar repetidamente o paciente) Precocemente Síndrome compartimental abdominal (> 20 mmHg), devido à resposta inflamatória muito grande, com aumento de ascite; Isquemia Sangramento (risco de choque hemorrágico) Tardiamente Necrose pancreática infectada sem resposta clínica É bom segurar com antibiótico por 4 semanas para operar um paciente estável: nesse tempo, necrose já se delimitou, fez uma capa (tem só uma coleção líquida: o que era sólido se liquefez) Alguns tipos de abordagens Pâncreas fica logo em cima da origem do mesocólon Coloca cinco drenos para lavar e evacuar essa necrose Muitas vezes só fecha a pele porque sabe que vai ter que reabrir (não fecha as aponeuroses) Intervenções - Laparotomia: Necrosectomia com drenagem e fechamento primário. Necrosectomia com drenagem e peritoneostomia (não fechar, colocar um coletor de urina). Necrosectomia com drenagem e lavagem contínua. Necrosectomia por laparotomias programadas. Intervenções - Abordagens menos invasivas, porém menos ace$$ívei$: Acesso videoassistido; Drenagem por endoscopia transgástrica; Radiologia – puncionar agulha com dreno, guiado por TC. Complicações tardias Pseudocisto pancreático Um pseudocisto pancreático é um conjunto de tecidos e fluidos que pode formar-se após um quadro de pancreatite aguda Não costuma operar, resolve sozinho, só se houver sintomas obstrutivos, na cabeça do pâncreas, por exemplo, fazendo uma cistogastroanastomose para drenar por meio do estômago. Aquelas coleções: podem ser só líquido, enzima ou podem infectar, uma necrose: vão continuar lá: 4 semanas, faz emparedamento (walled off) Walled off: Primeiro resultado da ação fisiológica da inflamação no qual ocorre o isolamento da área de lesão. Os espaços teciduais, ao redor do tecido lesado, sofrem uma obstrução causada por coágulos de fibrinogênio e depois de alguns minutos não ocorra quase nenhuma passagem de líquidos nos espaços. Esse mecanismo funciona para inibir a disseminação dos agentes contaminantes. Diagnóstico: amilase alta ⇒ pseudocisto pancreático (PA prévia) Abscesso pancreático Alguma coisa infectada que fez walled off O abscesso, geralmente drenamos, pois ele não vai absorver espontaneamente. Necrose pancreática delimitada Forma a parede e geralmente após um tempo, vai sendo absorvido. Após 6 meses, se não absorver, pode drenar. Conclusões Muitas coisas do tratamento mudaram Tentar postergar a cirurgia, tratamento clínico Os que precisam de cirurgia tem prognóstico muito reservado