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estudos sobre a industria de tintas

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ABRAFATI 2013 | ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DOS FABRICANTES DE TINTAS 
 
13° Congresso Internacional de Tintas 
13ª Exposição Internacional de Fornecedores para Tintas 
 
 
 
Metodologia para Tratativa de Reclamação de Campo - Repintura Automotiva 
 
Ricardo Vettorazzi, Luís Henrique Simões, Suéllen da Silva Moraes e Ivan de Paula Rigoletto 
PPG Industrial do Brasil 
 
Subtítulo 
 
OBJETIVO: O trabalho teve início com a necessidade de identificar, avaliar, entender e corrigir 
problemas que geram reclamações de clientes. 
 
Introdução: 
 
Para contextualizar o trabalho desenvolvido, é oportuno apresentar o que é, de fato, a 
repintura automotiva, e como é a sua estruturação básica no mercado brasileiro. 
A repintura automotiva é definida como a tecnologia de pintura utilizada para efetuar 
reparos em veículos. Normalmente esse reparo é feito em carros que sofreram algum tipo de 
dano por conta de acidentes automobilísticos e também em reparos nas montadoras em algum 
defeito de aplicação da tinta original de fábrica. Nesse último caso, a tinta de repintura é 
fornecida diretamente para a montadora, que possui uma equipe altamente especializada em 
reparos rápidos. Nos demais casos, o reparo é feito em oficinas profissionais, que podem estar 
associadas a concessionárias automobilísticas ou particulares. Além disso, a tecnologia das 
tintas de repintura automotiva, também podem ser utilizadas na pintura de frotas de caminhões, 
ônibus e peças em geral, uma vez que o processo produtivo desses veículos especiais não 
permite que seja utilizada a tecnologia das tintas de pintura original das montadoras. 
Independentemente da situação, uma das principais necessidades do mercado de repintura 
automotiva é a secagem das tintas ao ar e à temperatura ambiente, pois a maior parte das 
oficinas não possui estufa, e normalmente o carro é pintado sem a retirada das peças plásticas 
e de borracha; em virtude disso, qualquer temperatura de cura superior a 60°C pode causar 
danos às peças de plástico, borracha, ou mesmo componentes eletrônicos. A pintura original 
das montadoras utilizam um processo de pintura adaptado à própria linha de montagem: a 
carroceria inteira, livre de peças de plástico ou borracha, de forma que é possível e 
recomendável formular tintas monocomponentes ativadas à alta temperatura. Essa tecnologia, 
embora necessite de intenso fornecimento de calor para a cura, apresenta facilidade de 
manuseio e transporte, dispensando o uso de dois produtos diferentes (sistema bicomponente) 
para uma mesma etapa da pintura. Além disso, o próprio processo de aplicação é diferente. 
Um dos exemplos de aplicação em montadoras é o chamado turbo-bell, essencialmente 
diferente das pistolas de ar comprimido utilizadas na repintura, onde diferenças de cor podem 
ser observadas com a mudança do sistema de aplicação. 
A partir de todas essas diferenças, já é possível notar uma das principais características 
necessárias para uma tinta de repintura: uma eficiente secagem ao ar. Para se obter essa 
secagem, duas diferentes tecnologias podem ser utilizadas. Uma delas é a tecnologia das 
tintas termoplásticas que secam por evaporação de solvente onde não ocorre reação química 
na formação do filme, apenas a secagem pela evaporação dos solventes. A outra tecnologia 
são as tintas termofixas que secam pela evaporação do solvente mas curam por reticulação 
química. Nesse último caso, a maior parte das tintas são as tecnologias de poliuretano, que 
dependem da mistura de dois componentes no momento da aplicação, sendo um deles a 
própria tinta e o outro, o endurecedor. Embora esse sistema seja mais complexo e envolva a 
mistura de dois produtos, o filme obtido possui propriedades superiores de adesão entre 
camadas, resistência química e resistência física, de forma que praticamente todos os sistemas 
modernos de repintura dão preferência às tintas quimicamente reticuladas, em especial os 
poliuretanos. 
 
 
 
 
ABRAFATI 2013 | ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DOS FABRICANTES DE TINTAS 
 
13° Congresso Internacional de Tintas 
13ª Exposição Internacional de Fornecedores para Tintas 
Além disso, vale a pena apresentar as etapas envolvidas no processo de repintura 
automotiva, uma vez que os produtos são desenvolvidos especificamente para atender as 
necessidades de cada uma dessas etapas. De forma geral, um sistema completo de reparo 
automotivo começa pelo lixamento da peça até o estado de chapa nua, quando se trata de uma 
peça recuperada, ou então pelo lixamento simples do revestimento protetivo de peças novas. 
Logo após o lixamento, é necessário aplicar uma camada do chamado wash primer, que é um 
produto com anticorrosivos, seguida de uma camada do chamado primer de enchimento ou 
surface, cuja função é principalmente é preparar o substrato para a aplicação da cor. Esse 
primer, cuja cor pode variar desde branco até o preto, passando por diversos tons de cinza, 
também exerce influência sobre as camadas subsequentes, tanto em questão de aspecto final 
como em questão de cor, uma vez que cores claras necessitam de primers claros e cores 
escuras necessitam de primers escuros. Os primers ainda podem ser divididos em duas 
grandes categorias, que seriam os primers nitrocelulose (monocomponentes) e os primers 
poliuretanos (bicomponentes), sendo que os últimos apresentam desempenho superior e 
acabamento final de maior qualidade. 
A cor, por sua vez, que pode ser tanto o acabamento final como uma camada 
intermediária. A primeira situação comentada, em que a camada colorida já é o acabamento 
final, só se aplica a cores sólidas, e é especialmente indicada no caso de frotas de ônibus e 
caminhões, uma vez que elimina-se uma etapa da pintura ou a aplicação de verniz. Nesse caso 
não é possível utilizar pigmentos metálicos, já que o sistema em questão não permite uma 
orientação adequada dos mesmos, causando diferenças de tonalidade. Para essa situação, as 
principais tecnologias utilizadas são o esmalte sintético (monocomponente), a laca nitrocelulose 
(monocomponente) e o esmalte poliuretano (bicomponente), sendo o último o de maior 
qualidade para carros e para acabamentos em geral expostos ao intemperismo. 
Já a situação em que a camada colorida é uma camada intermediária, normalmente 
monocomponente, que se aplica principalmente para cores metálicas, embora também possa 
ser usada para cores sólidas; nesse caso, é aplicada uma camada colorida diretamente sobre o 
primer e depois é aplicado um verniz transparente, normalmente poliuretano, sobre a camada 
colorida. Nesse caso, embora a camada colorida não apresente características de resistência 
suficientes para ser um acabamento, o verniz que é aplicado sobre a camada colorida garante 
a sua proteção, gerando um acabamento com brilho e resistência podendo ser comparáveis 
aos esmaltes poliuretanos supracitados, dependendo da qualidade do verniz. 
Todas essas etapas de aplicação e todos os produtos aplicados, embora sejam sempre 
desenvolvidos para serem os mais robustos possíveis, estão sujeitos a defeitos que, por sua 
vez, podem se originar de várias formas diferentes. 
De forma geral, os principais problemas que existem na repintura automotiva são: 
 
• Perda de brilho: ocorre quando a aplicação do verniz, apesar de ser inicialmente 
satisfatória, resulta em um filme de tinta malformado e sem brilho. Pode ser proveniente 
da utilização de diluentes errados, baixa camada de acabamento de tinta ou verniz, 
pressão do ar comprimido muito alta, erro na proporção verniz/endurecedor, ou mesmo 
aplicação de produtos errados ou de baixa qualidade nas camadas anteriores. 
 
• Casca de Laranja: é o desnivelamento da película de tinta que lembra o aspecto de uma 
casca de laranja. Causado pelo uso de diluentes inadequados, pistola mal regulada ou 
temperaturas muito elevadas. 
 
 
• Crateras: Aparecem como pequenos